Estudioso de tradições, tarô e simbolismo
Nadam Guerra estuda tradições simbólicas, tarô e a interpretação de sonhos, e dá cursos sobre o tema.
Transcrição do áudio do episódio.
Eron Falbo: [0:00] Sejam bem vindos, meus amigos! Aqui quem fala é o narrador de suas mais intensas emoções, Eron Falbo. Vamos comigo, vamos sair dos nossos tempos agora. Existem sete artes. Arquitetura, escultura, pintura, literatura, música, performance e cinema. Considerada a sétima arte. Agora vamos entrar na oitava. A prática da magia consiste em fazer o que não é entendido ser compreensível de uma maneira totalmente incompreensível. Diz o mestre Carl Jung. I put a spell on you Because you're mine You better stop the things.
Nadam Guerra: [1:01] You do.
Eron Falbo: [1:07] No, I ain't lyin' No, I ain't lyin' You know I can't stand it You runnin' round You know bad daddy I can't stand it Cause you put me down Yeah, yeah.
Speaker 2: [1:38] I.
Eron Falbo: [1:38] Put a spell on you Because you're.
Speaker 2: [1:44] Mine Oh, because you're mine.
Eron Falbo: [1:55] Senhoras e senhoras, o encantador do inconsciente, o interpretador do incompreensível, o ouvinte do oculto, o artista mago, NADAM GUERRA!
Speaker 2: [2:11] Prazer!
Speaker 4: [2:19] Que bom! Grandes saudações! Com direito a Iunga, achei que você ia puxar terra aos seixas. Estamos aqui, meu querido. Me conte.
Eron Falbo: [2:29] Deve ter sido uma ideia mesmo, Raul Seixas. Seja muito bem-vindo, Nadan. Obrigado por aceitar o convite. A gente tem muito em comum. O pessoal aqui já me falou bastante da sua trajetória. Você pegou tudo o que eu gosto na vida e levou muito mais na série que eu. Então, é isso. Seja muito bem-vindo. Vamos fazer um brinde?
Speaker 4: [2:59] Vamos, eu trouxe aqui uma água purificada.
Eron Falbo: [3:01] Tá ótimo. A gente começa com um brindezinho pra dar boas augúrias pra nossa conversa. Então um brinde aos segredos do inconsciente, das ciências ocultas e a nossa conversa de hoje.
Speaker 4: [3:15] E que todos sejam felizes.
Eron Falbo: [3:18] É isso.
Speaker 4: [3:19] Eu tirei uma carta Antes vocês estavam me preparando, eu falei, vou tirar uma carta aqui pra ver o que eu preciso trabalhar. Aí criei uma artista aqui, a Cynthie Sherman, não sei se você conhece a Cynthie Sherman.
Speaker 2: [3:33] Não.
Speaker 4: [3:34] A Cynthie Sherman é uma grande artista aí americana, né, que é uma... Que tem muitos personagens, ela tira umas fotos fantasiadas de outras pessoas. E aí tem esse conselho, não seja você mesmo, seja vocês mesmos. Fale a verdade de toda ficção. E olhe longamente no espelho de outra pessoa.
Speaker 2: [3:54] Muito bom.
Eron Falbo: [3:55] Cara, isso até me traz um ponto que eu já ia falar com você que é sobre a diferença entre, para mim, a diferença entre... Só um segundo... A diferença entre astrologia e tarologia. Porque, para mim, uma das coisas mais legais do tarot é que você não tem essa coisa de identificação tanto. O tarot é um universo completo, é uma língua, um sistema, vamos dizer, holístico, inclui todos os elementos da astrologia e de outras, vamos dizer, ciências ocultas. Só que você não tem essa coisa, você tem uma leitura, um momento que você consulta as cartas, mas não tem aquela coisa de eu tenho um signo X, então tem muito a ver com essa citação, que não seja você mesmo, seja vocês mesmo, que você não é só um signo, você é mais de um, você tem esse potencial.
Speaker 4: [5:05] Tem um esforço muito grande a partir do século XVI, XVII, de tentar aproximar a astrologia, que é uma coisa que já vinha sendo desenvolvida, com o tarot, que a princípio também o tarot é criado, mas não se sabe exatamente quando que ele começou a ser usado como divinatório, como oráculo. O tarot é um baralho que surge junto com o baralho comum, na Europa, e não se sabe exatamente. A história do tarot é muito oculta. Tem muitas fantasias também que vão se colocando, porque os próprios ocultistas, eles faziam questão de criar ficções em cima da história. A gente tem registro que a gente não sabe se a pessoa errou, se a pessoa fez propositalmente errado, ou se a pessoa inventou, se a pessoa teve uma visão divina. A gente não sabe, todos esses ocultistas antigos, a gente não sabe até que ponto eles estavam realmente acreditando em algumas.
Eron Falbo: [5:55] Coisas que hoje estão A gente tem algumas tradições, né? Eu lembro quando eu fui iniciado pela OTO, pela Horda do Templo e Orientes, do Alastair Crowley. E lá, logo no primeiro grau, no segundo grau, eles te dão uma história secreta do mundo, com várias chaves de interpretação para você poder entender Paracelsus, entender algumas Porque tem algumas histórias do mundo, instruções de como usar certas ferramentas ocultas e tudo mais, que parece que é uma coisa, quando você pega as chaves aí você entende de uma forma totalmente diferente.
Speaker 4: [6:41] O Crowley é uma figura muito divertida, muito interessante e toda... Estudando antropologicamente a magia, a gente entende porque é tão complicado esse ocultismo, é muito complicado, porque tem que ter tantas chaves, porque é uma coisa que foi perseguida por muitos anos, a gente entende que é uma tradição de perseguidos, uma tradição subalternizada em alguns momentos, a perseguição às bruxas, que não eram só bruxas, eram bruxos também, e a própria invenção do que a magia, do que a bruxaria tem a ver com a igreja, alguma coisa que pode ser perseguida, quando na verdade eram várias tradições independentes, hoje a gente chama de tradições xamânicas europeias, que começaram a ser perseguidas como bruxaria e começou a ser unificado de uma maneira a demonizar. É toda uma história muito interessante como se cria esse vulto que a gente tem hoje do que é a magia.
Eron Falbo: [7:33] Eu acho também que além disso, mesmo se você for ver em sociedades que não perseguiam os magos, os iniciados, vamos dizer, porque tiveram vários nomes em diferentes momentos, tinha sempre castas, sempre círculos secretos, internos, Você pode ver na sociedade de Mitras, que hoje a gente não sabe quase nada sobre a fraternidade de Mitras. E assim, no Egito Antigo, em Alexandria, tinha 200 mil... Parecia Califórnia, né? Alexandria Antiga. Tinha muitas fraternidades que não tem nem registro nenhum de como... Os druídas, por exemplo, é outro que... A gente não sabe nada, que não manteve nada escrito, que não necessariamente tinha perseguições, mas eu acho que faz sentido. A gente aprende isso até na Kabbalah, tem um conceito de que o segredo é contado de boca em boca, de uma boca em uma boca.
Eron Falbo: [8:34] Por que não boca em ouvida? Porque a gente não conta para alguém que não vai falar para outra pessoa.
Speaker 4: [8:41] Porque são beijos, né?
Eron Falbo: [8:42] São beijos. Também beijos, mas a ideia é que é pra doadores, né? Não é pra receptores. É pra um doador que doa pra outra pessoa que doa pra outra pessoa. E você não pode falar o segredo pra duas pessoas. Aí tem o conceito de por quê? Porque no momento que você tem duas pessoas, você tem que procurar um denominador comum entre as duas e você tem que já diluir o segredo, entendeu? Você tem três pessoas, mais ainda você tem que diluir. Uma pessoa você pode de criar uma intimidade com aquela pessoa e falar tudo que você consegue, falar de acordo com o nível daquela pessoa.
Speaker 4: [9:17] É, essa ideia de discipulado que a Paula tinha, que vai chegar nisso. Eu acho, sinceramente, que atualmente a gente está num outro nível de organização do mundo, sabe? A própria Kabbalah, que era totalmente inacessível pra quem não era da tradição, De repente vira uma coisa que é lugar comum, que a Madonna divulga, que tá todo mundo fazendo. São várias coisas que eram ocultas. Enfim, tem algumas pessoas que falam disso, de como a humanidade tá num estágio diferente de evolução agora.
Eron Falbo: [9:49] Você acredita mesmo nisso, que tá num estágio mesmo assim? Que não é só uma coisa de marketing, uma coisa de tecnologia?
Speaker 4: [9:58] Eu acho que tem duas coisas, né? Tem uma coisa que é a base da magia, a base da magia é a base do nosso inconsciente. O funcionamento da nossa mente é um funcionamento que é o mesmo funcionamento da magia. Então a gente tem coisas que são inerentes ao corpo humano, independente da tradição. Então acho que tem isso. E tem as tradições em si que sistematizam a sabedoria de diferentes maneiras. Então se pega um xamã da Amazônia, é ligeiramente diferente de um druida. Mas se você for olhar a base, é o funcionamento do inconsciente, é o funcionamento das imagens, que no fim das contas é o funcionamento da arte. A sociedade ocidental vai ficando cada vez mais materialista e a arte toma um lugar que seria o lugar do xamã em algumas tradições antigas, esse lugar de alguém que consegue fazer a ponte do que é visível para o que é invisível. E nesse sentido sempre vai ter um segredo, porque tem alguma coisa que não pode ser dita mesmo porque não é dizível, porque é da ordem da experiência, porque é da ordem da vivência.
Speaker 4: [11:02] Então não tem como você ver, não tem como você dizer, mas você pode trazer a experiência. Eu acredito um pouco nisso.
Eron Falbo: [11:08] E tem coisas também que são inefáveis, indizíveis. Por não ser desse mundo também, por a gente só conseguir aproximar, a gente só consegue falar dessas coisas por analogia. Só para você me conhecer um pouco, a coisa que eu fui mais a fundo na vida foi Foi Kabbalah. Eu estudei tanto Kabbalah que eu poderia ter sido, sei lá, doutor umas três vezes, porque eu estudei muitas horas, sabe? Muitas e muitas horas. Estudava todo dia, quatro e meia da manhã. Tinha uma época de três horas por dia, sabe? Então era uma coisa que hoje em dia eu não consigo nem imaginar fazer isso, mas tinha uma época da vida e a gente tem, né... É, épocas de sintonias diferentes, mas eu realmente fui longe nisso. E na Kabbalah fala que... Esse mundo, as coisas são... É complexo, não vou entrar em detalhes nisso, tem vários mundos, mas o mundo do Lam Hazé, o mundo de Asiá, tem diferentes níveis, né?
Eron Falbo: [12:15] Não dá nem pra dizer, tipo, tem cinco níveis que depende de como você divide.
Speaker 4: [12:20] Isso tudo são as tradições sistematizando, né? Se a gente tem alguma coisa que é a experiência, né? O meu esforço todo, eu fiz doutorado em História da Arte, e no meu doutorado eu faço essa junção entre a História da Arte e a História da Magia, entendendo onde é que estão essas conexões. E eu entendo que o meu esforço todo é tentar fazer isso ficar mais simples, fazer isso ficar comunicável. É até uma heresia, mas seria uma desmistificação do misticismo.
Eron Falbo: [12:51] Por que é isso?
Speaker 4: [12:53] Por que as coisas têm que ser escondidas? Aí o meu doutorado eu comecei, não, mas tem artistas que falavam de magia. Eu comecei a olhar um, outro. Daqui a pouco eu me dei conta que a maior parte dos artistas que a gente conhece, que são importantes na história da arte, tinham alguma vinculação muito importante com o mundo espiritual. Porque não tem como. Quando você encontra alguma coisa realmente de uma veia criativa, você está encontrando ali uma veia espiritual.
Eron Falbo: [13:17] Eu acho que junto com o que eu ia dizer sobre Kabbalah, que as coisas que são do mundo divino de fato, vamos dizer, aí a gente pode dizer em termos científicos o que significaria mundo divino, porque eu também tenho essa mente muito científica, muito revelatória. Tipo assim, eu busco do oculto para Eu até acredito que isso que o ser humano está fazendo aqui. A gente está puxando do oculto, puxando o divino e trazendo para a Terra, para o revelado. E isso, na verdade, que é iluminar, tornar consciente. Eu acredito também muito em Jung. Jung foi um dos grandes magos, para mim, do século XX. Para mim, ele até falou muito pouco do ocultismo, perto do que, na verdade, a gente sabe que ele era. Fissurado, mas esse processo da gente trazer o divino para o material.
Eron Falbo: [14:17] E a Kabbalah diz que tem algumas coisas, por esse mundo ser assim, que nunca vão poder ser trazidas. É isso que eu estou querendo te chegar com você, porque ao mesmo tempo que eu estou com você nessa jornada de trazer as coisas, eu acredito que existe uma coisa sempre secreta. Vou dar um exemplo, a iniciação de uma escola de iniciação. Não sei se você não precisa dizer, mas se você já foi ou não iniciado, se você não foi iniciado na Horta do Tempo e Orientes, por exemplo, e eu te falar como é que foi, no momento que você for iniciado, vai ser inferior à experiência para você, vai ter um impacto menor e o seu grau de iluminação com aquela experiência vai ser menor. Então, na verdade, é uma preservação das pessoas. Por outro lado, se você falar alguma coisa para uma pessoa que não está preparada para ouvir, ela pode quebrar o receptáculo dela.
Eron Falbo: [15:18] Antes da hora e ficar traumatizada. A diferença entre uma pessoa forte e uma pessoa traumatizada é se a pessoa estava preparada ou não para aquela experiência. Porque tem gente que tem as piores experiências do mundo, guerra, estupro, o que for, e se torna um super-herói por causa daquela coisa. Tem outras pessoas que se tornam um vegetal, com todo respeito a todas as pessoas que sofreram.
Speaker 4: [15:44] É justamente, eu estava aqui pensando em várias coisas aqui enquanto você falava nessas coisas aqui. O Jodorowsky fala muito disso, né, da função o Alejandro Jodorowsky, o cineasta, da função da vida aqui, que é ao mesmo tempo materializar o espírito. Então tem uma coisa muito importante assim, que o espírito quer virar terra, quer virar matéria, quer virar carne, e ao mesmo tempo a gente quer espiritualizar a carne. Então são dois vetores que a gente tem aqui. A gente precisa espiritualizar esse corpo que a gente tem, ao mesmo tempo que a gente precisa trazer o espírito. Então é esse lugar de contrato, esse lugar de fronteira. É o lugar do híbrido, que é o lugar... Enfim, as fronteiras são sempre muito férteis, né? Tudo que é entre um ambiente e outro é muito fértil. Não sei pra que lado que a gente caminha aqui, eu trouxe vários baralhos aqui.
Eron Falbo: [16:38] A gente caminha pra todos os lados e nenhum.
Speaker 4: [16:41] É, porque você tava falando de Jung, né? O Jung é um que consegue fazer uma tradução do que seria essas linguagens, não foi só o Yung, mas é uma tradução dessa linguagem mágica para uma linguagem técnica, científica, que ele consegue descrever. Por mais que quem for realmente mais cético não comece a dizer que o Jung era um mago e não era um cientista, mas tem esse esforço da psicologia de aproximar essas linguagens e de fazer sentido. E aí quando eles fazem essa junção, o que a gente tem no meio ali é a linguagem simbólica, que são realmente as ferramentas do artista, que é a linguagem, que é a metáfora, que é a imagem, que é esses desdobramentos que os poetas usam, que os atores usam, ou que os cineastas, os músicos, qualquer artista vai usar essas ferramentas, que são as ferramentas de conexão entre esses, vamos dizer, tantos mundos, dois mundos, o mundo visível e o invisível.
Speaker 4: [17:44] E o que tem no meio do caminho? É a imagem, é o símbolo.
Eron Falbo: [17:48] Eu acho que para o pessoal que está nos ouvindo agora acompanhar bem, é porque a gente jogou um monte de termos e às vezes pode confundir alguém que está interessado. E eu lembro quando eu comecei a estudar esse tipo de coisa, eu fiquei totalmente perplexo. Eu me apaixonei por esses assuntos, mas ao mesmo tempo eu fiquei perplexo com a quantidade de termos. Até vi no seu Instagram que o tarô não é decoreba. Muita gente tem essa tentação de, no início, começar a fazer planilhas e decorar os diferentes mundos e as correspondências. Tipo, o que são os 12 signos na Kabbalah e o que são os 10 sefirotes da Kabbalah na alquimia e nos arquétipos junguianos, etc. E começa a fritar nesse conceito. Eu acho que a gente pode simplificar, eu vou dar a minha ideia disso, aí depois você dá a sua, mais especialista, noção de como falar isso, que nem você falou, de uma maneira simples.
Eron Falbo: [18:56] Eu acredito muito no trabalho que Jung iniciou, e eu acho que a gente, por um lado, deve construir em cima disso. E uma das coisas que ele fala é que Quando você fala de mundo divino, você está falando do inconsciente. Mesmo que existam seres ocultos e outras coisas, a gente não consegue saber objetivamente se existe ou não, ou se está no nosso inconsciente. A gente sabe com certeza que tem correspondências dessas coisas externas dentro do nosso inconsciente. Então o que importa pra gente em termos de estudo de autodesenvolvimento de ser humano é a compreensão do nosso próprio inconsciente e inconsciente coletivo. As outras especulações sobre astronomia ou sobre anjos e demônios ou sobre vida após a morte ou qualquer coisa que pode ser externa, vamos dizer, são vistos através de interpretações conscientes e inconscientes de qualquer jeito.
Eron Falbo: [20:05] Então isso é uma das chaves que eu mais gosto para simplificar a coisa. O mundo divino é um mundo inconsciente, simples. Já voltamos para a nossa conversa. Queremos usar esse espaço privilegiado e sua atenção especial para divulgar artistas que merecem ser reconhecidos. Além disso, queremos contribuir para o crescimento desses artistas. A cada episódio escolhemos um ganhador para divulgarmos, darmos incentivo financeiro, parcerias e oportunidades. Vote no que você gosta mais e faça uma diferença. Fique agora com os nossos escolhidos.
Speaker 2: [21:00] Eu era presa da morte Eu era dado o mesmo karma Mesma sala, o mesmo sol Vida leve, vida sã Foi vida entregue após o dia Em que eu te tive em meu lençol Veio feito onda alta Negando o chão aos meus pés Sei que vai na madrugada Então peço pra você Me esperar Que eu sou bom de acompanhar Sou prosa, fácil à toa E também sei cozinhar Que eu sou simples de agradar Sou harmônica e ressolvo Se você me aconchegar Me desfiz do apego ao teto Me lancei sob o luar Sei que bem te quero perto Então peço pra você me esperar Que eu sou bom te acompanhar Sou prosa, fácil à toa E também sei cozinhar Me leva Que eu sou simples de agradar Sou harmônico e ressoa Se você me aconchegar Me espera Chego antes de serenar E trago um guarda-chuva Pra se acaso caramar Me leva Café forte, amor e mar Compomos o caminho para carinha.
Speaker 4: [24:56] Eu acho que essa é uma chave muito boa do Jung, eu posso complementar. Muita gente acha que tem que acreditar em alguma coisa, mas eu não acredito em Taro. Eu também não acredito em Taro, não tem que acreditar em nada. Não é para acreditar, é para vivenciar. Não acredito em Shakespeare.
Eron Falbo: [25:21] Eu não acredito em eletricidade, mas eu uso.
Speaker 4: [25:25] É uma coisa que você experimenta. Funciona ou não funciona. Esse é o pensamento. Não é o pensamento teológico, é o pensamento do artista, do artesão. Então eu experimento. Funciona? Como que funciona? Eu jogo tarô desde muito pequeno. Minha mãe jogava, comecei a jogar com 10, 11 anos de idade. E pra mim era uma coisa tão natural, tão banal, que eu nem estudava tarô, né? Eu jogava assim, né? Atirava e tal, jogava com o tarô do Crowley, né? Em casa.
Eron Falbo: [25:50] Do Tot, né?
Speaker 4: [25:51] Do Tot, o tarô que o Crowley desenvolveu. Eu jogava e tal, era uma coisa cotidiana, assim, não era uma coisa de outro mundo, né? Então, é... E a primeira vez que eu vi que as pessoas tinham medo, Estarou foi quando eu fui jogar dentro de uma galeria de arte, né? Aí eu já tinha feito o meu próprio baralho e ia jogar como uma performance numa galeria de arte. E algumas pessoas tinham medo. Falei, pode sentar aqui pra jogar? A pessoa falou, não, não, não joga. Como assim, tem medo? O que você tem medo? Não sabe, é uma coisa tão coloquial pra mim que eu não entendia. Demorei a entender o porquê e a construção, claro, histórico, das perseguições, igreja, inquisição, todas essas histórias de que a pessoa tem medo de alguma coisa que sai um pouco ali do objetivo dela, né? Mas ter medo de história é igual ter medo de poesia, né? Ai, falando pessoa! Não, né? Não tô falando pessoa. O Crowder falando pessoa, aliás, tinham várias relações, né? Você deve saber disso.
Eron Falbo: [26:48] Ele era um grande ocultista, né? Fernando Pessoa era um grande ocultista.
Speaker 4: [26:57] Mas porque eu tava falando isso, porque dá pra essa ideia de que a gente pode simplificar tudo, a gente pode sentir no nosso corpo, né? Então, quando eu falo que não é da Coreba, é porque a gente tem uma tradição, né? Não sei se é ocidental, se de onde é, de pensar tudo e querer controlar tudo com a mente. Não é sobre a mente. O inconsciente tá na mente também, mas ele tá sobretudo no corpo, na sua experiência corporal. Então, você experimentando no seu corpo, seja um arquétipo, seja uma noção do inconsciente, seja a sincronicidade, que é um dos princípios do oráculo, é a sincronicidade, que as coisas acontecem simultaneamente, não necessariamente causa e efeito, mas simultaneamente. Então, se você olha uma pequena parte, você consegue ver o todo, que é um princípio também da metonímia, da poesia, você por uma parte vê o todo, você conseguir ler o todo através das partes, Então isso é um princípio que você começa a perceber isso e observar isso. Você não tem que acreditar nisso, você tem que experimentar. Pô, olha só, justo, que coincidência que aconteceu isso e eu estava pensando naquilo e estava precisando de uma resposta e alguém me deu essa resposta.
Speaker 4: [28:05] Então é um sistema que é mais físico, corporal, do que decorar. Eu vejo muito, depois que eu fui estudar tarô, né? Então eu já sabia Tarot de vida e depois eu resolvi começar a me aprofundar. E eu pegava os livros e falava, não, não é isso, não é isso, gente. Não é isso, não é sobre isso. Não é sobre você saber muitas coisas, é para você experimentar, é como se cada carta do Tarot fosse uma pessoa que você tem que conhecer, você não tem que saber sobre ela.
Eron Falbo: [28:30] Quem que fala, acho que o Krolik fala isso, que é como se fosse uma corte. Ele fala isso, você já viu essa explicação dele? Você tem que ver Tarot como se fosse uma debutante na corte real. É a primeira vez que você está saindo. Você sabe o nome do arcebispo, você sabe o nome da rainha, todo mundo ali da corte. A questão, agora que você é debutante, é você conhecer a dinâmica entre eles, o que eles significam para você naquele momento. E isso eu acho muito legal, essa imagem.
Speaker 4: [29:07] É uma relação com cada imagem.
Eron Falbo: [29:10] Você olha para as cartas e pensa, o que eu quero saber dessa carta? Não é o que a carta está me falando, entendeu? Que relação eu quero ter com essa pessoa, não o que ela é absolutamente. Eu estou lá participando, eu estou naquele baile, eu estou saindo como debutante naquele baile, e conhecer as cartas, você pode decorar. Antes de você ser a debutante no baile, você sabe quem é o rei, quem é a rainha, você já ouviu falar de tudo, mas você tem alguma relação com essas coisas? Você não tem.
Speaker 4: [29:44] Decorar às vezes atrapalha, porque aí você chega pra pessoa, você já sabe tudo sobre ela, e fica... Sabe, não consegue.
Eron Falbo: [29:51] Falar porque Que muito tarólogo, que é considerado muito bom, é assim. Eles estão lá só como uma enciclopédia. E também eles usam, isso é uma coisa que eu luto contra, que é cold reading, leitura fria. Tipo assim, você tem alguma doença na família, sabe? Tipo... As cartas não estão te falando uma coisa secreta sobre a pessoa, você está pegando sinais inconscientes da outra pessoa. Pelo menos, assim, eu não estou dizendo que só existe ela, não. Eu só nunca vi na minha vida alguém que realmente, assim... Porque eu sou formado em hipnose, e conheço as técnicas, entendeu? E, tipo, cara, nunca vi alguém que não estava usando as técnicas, desde João de Deus até, entendeu, o vidente da esquina, entendeu? Então, você está usando técnicas para poder descobrir coisas da vida da pessoa? Então, isso aí não... Tipo, você está...
Speaker 4: [30:50] Isso é outra coisa que eu acho que também é um vício, né, que tem, que é querer dar... É como o mago no tarot, a carta número 1, que na verdade é o prestidigitador, é aquele que engana o mago. Na verdade não, é uma das possibilidades. Mas pensar que o... A gente não quer isso, né? Essa é uma parte muito imatura ainda. A gente não quer adivinhar e mostrar que a gente sabe uma coisa, por mais que a gente saiba. A gente quer realmente ajudar a pessoa, né? A gente não quer simplesmente enganar e mostrar e fazer. A gente quer realmente ajudar. E ajudar é não dizer do futuro. Por mais que você veja coisa do futuro, não é pra falar. É pra ajudar a pessoa a entender de onde ela tá, como é que ela pode, as melhores coisas que ela pode fazer a partir de onde ela está.
Eron Falbo: [31:40] Exato, isso é muito bom.
Speaker 4: [31:42] E aproximam muito mais da psicologia.
Eron Falbo: [31:45] Exato, e na verdade a psicologia acaba sendo isso, acaba sendo uma forma de magia. Eu acho que esse ponto também é muito valioso para as pessoas que estão nos ouvindo, porque vamos dizer que 99% do mundo que tem algum contato com ocultismo, misticismo, tá preso nessa parada de viés de confirmação. Alguma ideia que já tem de si mesmo e você quer confirmar isso através de astrologia. E fica muito nessa coisa infantil de provar a própria identidade. É, e infelizmente, como as pessoas acabam sendo profissionalmente fazendo isso e precisam ganhar dinheiro, eu nem julgo, e as pessoas querem isso, o público quer isso dos magos, a pessoa acaba patinando o mago, que pode até ser um estudioso, sincero, etc. Ele acaba entrando e ficando muito nesse véu de maia, né?
Eron Falbo: [32:46] Tipo, nessa parada assim que não leva... A gente sabe muito bem que não só não leva a lugar nenhum, como leva a lugares ruins, né?
Speaker 4: [32:54] Exatamente. Eu tenho aqui no meu baralho, até peguei ele aqui, deu vontade.
Eron Falbo: [32:59] Eu te pedi, desculpa, por favor. Queria ver isso aí.
Speaker 4: [33:03] Um espelho aqui, ó. Junto com as pessoas, o que você vai ver? Vai ver o que você puder ver no espelho, eu vou tentar ser o mais claro possível.
Eron Falbo: [33:11] A gente é do mesmo planeta.
Speaker 4: [33:14] Mas esse baralho aqui é uma coisa que me caiu, a chave que me caiu para entender o Tarot, né? De uma outra perspectiva, porque eu nunca pensei em jogar tarot profissionalmente, nunca tinha pensado em muito menos ensinar tarot, como hoje eu tenho o curso. Em 2008 eu comecei a fazer um projeto que era coletar sonhos para fazer imagens. Então eu faço relevos de cerâmica, né?
Eron Falbo: [33:38] Fero demais. A arte-terapia, né?
Speaker 4: [33:41] É, não, era um projeto de arte mesmo, né? Só que eu falei, ah, não quero mais isso, o que eu vou imaginar? Eu quero que as pessoas me digam o que eu vou fazer. Eu quero fazer um sonho, aí eu tirei esse sonho aqui que é o pé, que ele sonhou que ele estava fazendo sexo com o pé da namorada, não dá pra fazer isso. Tirei aqui o manjá pra gente.
Eron Falbo: [33:59] Pô, lindo isso aí, cara. Isso aí você que criou?
Speaker 4: [34:02] É, aí eu faço esses relevos de cerâmica, né?
Eron Falbo: [34:04] Genial, cara. Vou comissionar um seu. Não me deixa esquecer. Porque esse aí tá parecendo do Egito antigo.
Speaker 4: [34:12] É, tinha um pouco esse clima, né? São todas brancas, né? Por mais que a pessoa me fale que tem muitas cores, são todas brancas. E aí, nisso que eu fui pegando os sonhos e fazendo, eu falei, gente, mas isso aqui é igual uma carta de tarot, no sentido que eu conhecia pra mim, né, que falava, tinham sincronicidades e coincidências que me faziam refletir sobre o que eu tava vivendo. Então, aquela história, aquela narrativa, e as narrativas dos sonhos, elas são muito simbólicas, né, então elas têm um poder muito parecido com o do tarot, e eu fui me dando conta disso. E aí eu resolvi, quando eu terminei a série, são 50, né, dessa série aqui primeira, depois eu continuei depois, Mas os 50 primeiros eu resolvi fazer esse baralho. E aí comecei a jogar. E aí eu tinha uma vivência com cada sonho deles, sabe? Eu tinha uma vivência. Tipo, puxa, quando saiu aquele sonho, eu tava fazendo. Aconteceu ser uma reviravolta na minha vida. Briguei com um fulaninho. Enfim, comecei um amor, terminei um amor. Tinha várias coisas que tinham acontecido naquele sonho. E aí, quando eu jogava pra pessoa, aquele mesmo sonho mudava. E aí eu entendi que as imagens são flexíveis, né?
Speaker 4: [35:13] A ideia é que os mitos, os arquétipos podem se reproduzir, é isso. Porque são flexíveis, são coisas que a gente se projeta sobre eles. Não é que eles tenham um sentido em si. A gente que dá o sentido através da nossa vivência, através do espelhamento.
Eron Falbo: [35:26] Ia ser muito bonito.
Speaker 4: [35:27] A gente chora na novela porque a gente se identifica. Se a gente não se identificar, se a gente achar uma bobagem, a gente não chora. A gente só chora quando aquela questão toca uma ferida nossa, sabe? Então, o processo da catarse, né? Como a gente vai dizer da tragédia da catarse, como uma coisa curativa, é você se projetar na história que tá acontecendo. E isso te curar. Isso pode acontecer no tarot também. E aí eu percebi que os sonhos funcionavam como oráculos. E aí eu comecei a estudar sonho, comecei a fazer meditações de sonho, comecei a buscar muito empiricamente, sabe? Funciona ou não funciona pra mim? Então esse baralho é muito essa experiência. Gente, funciona, é engraçado, funciona. E aí eu me dei, mas será que foi só esses 50 sonhos que me deram que funciona? Ou é qualquer sonho? Ou talvez, será que são só os sonhos ou qualquer imagem? E aí eu comecei a ler outras imagens, comecei a ler outros tipos de coisa. Fiz um curso em 2007, comecei esse curso, que o objetivo era criar... Primeiro era só isso, criar o próprio oráculo. Depois eu chamei de Arte do Tarot e comecei a usar isso para você poder ler qualquer oráculo.
Eron Falbo: [36:29] O curso é seu? É esse que você criou?
Speaker 4: [36:31] É, é um método que eu inventei, Arte do Tarot. E aí eu vou experimentando. Esse ano eu fiz um baralho novo, que é esse aqui. Que era assim, ah, qualquer imagem pode ser um oráculo. Certo, certo. Então, como que eu vou provar isso? Vou pedir aqui pros seguidores do Instagram pra me darem imagens e eu vou pintar cada imagem que me derem, né, pra juntar, pra fazer uma coleção. Então, fiquei um mês recebendo imagens e eu não escolhia, não. Tipo, a pessoa falou, faz essa aqui, por exemplo, foi difícil, né, faz essa praia bonita aqui. Eu falei, gente, praia, vamos lá. Tipo um negócio super de pintura super rebuscada. Eu sou um pintor mais expressivo. Vamos lá, vou tentar. E aí fui fazendo todas as imagens que me dessem. E algumas imagens bem arbitrárias. Por que a pessoa me deu isso? Por que a pessoa me indicou essa imagem? Outras que eu entendia. Fui vivendo aquilo ali. E no final eu tenho 28 cartas que eu jogo com essas cartas. Semana passada eu fiz uma performance. Esses trabalhos estavam expostos lá em São Paulo, na Zip, e eu fiz uma performance no Zoom lendo com essas cartas.
Speaker 4: [37:36] E é isso, você projeta a história da pessoa nessas cartas. Então não importa mais de onde veio, o que é, mas você olha as cores, olha as formas.
Eron Falbo: [37:44] Cara, eu vou dizer que eu estou com um projeto para fazer meu próprio baralho faz um bom tempo, acho que você está me inspirando para fazer. Esse ponto é um outro ponto que eu vou pegar carona do que você está falando. Que eu acho que é importante para você, me parece que você está querendo dizer isso, o tanto que o processo do ocultismo, de todas essas coisas que muita gente, no mínimo é curioso, e muita gente é apaixonada por essas coisas, tipo tarô, alquimia, cabala, o que seja, é que seja um processo pessoal e não doutrinário. Um processo de você se conhecer e você entender de qual é a sua matéria-prima, que matéria-prima você gostaria que você fosse também, às vezes. Por isso que é tão bonito isso, você fazer seu próprio baralho, é que você não está pegando o tarok antigo, Aquilo também foi um processo humano que foi desenrolando.
Eron Falbo: [38:51] Se você for ver na Antiguidade, era muito mais fluido. Os deuses, por exemplo, é só depois que começaram esses processos de usar religião como política que a gente começou a engessar os arquétipos e a simbologia. Se você vê na Grécia Antiga, tinha o panteão de deuses, dependia de que cidade você ia. Os 12 deuses do Olimpo dependia de quantos quilômetros você andou, ou, na verdade, de que bairro de Atenas você estava. Ou, provavelmente, se você fosse mais iniciado, era totalmente pessoal mesmo. Jung ainda fala que, você estava falando sobre isso, eu queria botar essa citação de Jung, não é citação, é parafraseado, que astrologia veio de um monte de gente sentada e olhando as estrelas e projetando o inconsciente nas estrelas. Tipo, as estrelas estão lá, paradas, e a gente projetou aquela coisa pessoal nas estrelas.
Speaker 4: [39:55] É muito bonito isso, e eu não gosto que seja uma oposição, sabe? A ideia é que quando eu faço o oráculo, quando as pessoas que participam da oficina fazem o oráculo, depois disso elas estão tão empoderadas do funcionamento dessa projeção de inconsciente nas imagens, que elas pegam o tarot sem medo de ler, sabe? Eu posso ler e a estrela hoje pode me dizer uma coisa totalmente diferente de ontem. Porque se apropria, não, eu sei como funciona. Então eu vi uma coisa que eu nunca tinha visto nessa carta aqui e eu posso ler essa coisa hoje, eu posso ler esse detalhezinho, esse pezinho do cachorrinho aqui da lua, que é diferente, que eu nunca tinha prestado atenção e justamente tem a ver com uma ideia que me veio do fluxo de intuitivo.
Eron Falbo: [40:39] Cara, isso é muito bonito, isso é muito bonito. E acho que essa coisa de se empoderar, eu tô aprendendo isso na verdade com você agora, que a gente sempre vê, ah não, o que o Rider-Waite quis dizer com isso, e não importa tanto, porque você pode olhar pra uma coisa que eu tô olhando pra uma foto minha aqui, o violão, e isso hoje está me falando alguma coisa intensa sobre o meu passado, sobre a minha identidade, sobre o meu inconsciente. Às vezes está, e você se empodera de pegar os sinais em qualquer lugar. Se isso é verdade, qual é o benefício do tarot? O benefício é que isso foi desenvolvido por pessoas que fizeram esse trabalho durante anos e anos e anos e estão te dando dicas de coisas que a gente tem em comum, que todos nós temos em comum. Então está dando o caminho um pouco mais adiantado, só que não necessariamente melhor, ou algo que você não tenha, ou que você Ou seja, não está tirando o seu único, não está tirando o seu lugar único.
Speaker 4: [41:52] Perfeito. Perfeito. É como se o tarot tivesse esse lugar de conseguir mostrar esses espelhos para a gente. Então, por isso que é um processo de autoconhecimento. É um processo que é tão útil hoje em dia. O que a gente tem, por exemplo, na psicologia, Quando você chega e faz a livre associação de imagens, você pode fazer com um sonho, você pode fazer com uma imagem, você vai fazendo livre associação, vai vindo à tona você mesmo que está associando, vai vindo à tona os seus próprios, as suas próprias questões, seus próprios arquétipos, as coisas que precisam ser trabalhadas agora. Então quando a gente lê uma imagem, tem dois caminhos, tem a caminho das informações que estão na imagem, seja o tarot, seja qualquer outro, e tem as informações que estão em mim, e tem as informações que estão no campo, que eu consigo ler através de você, enfim, eu posso ser um mediador, né? Se eu tô lendo pra você, eu faço essa mediação e vou trazer pra esse meio de campo, assim, que não é nem a imagem, nem sou eu, nem é você.
Speaker 4: [42:57] Então a gente vai pegar tudo isso e vai ser útil porque a gente vai estar se vendo. E esse ver, se refletir, se reimaginar, se reinventar, né? É muito mais útil do que você querer saber o que vai acontecer amanhã, que não tem utilidade nenhuma. É útil você saber o que vai acontecer agora.
Eron Falbo: [43:14] É isso, é exatamente isso.
Speaker 2: [43:38] Já faz um tempo que eu não te vejo Esse desejo demora a passar Tanto quanto as nuvens no céu Versos me entregam num papel No mesmo instante me sinto distante Parece que o tempo não quer mais me escutar Tô dando a volta ao mundo Me faz esquecer de tudo porque De início, meio e fim Você faz bem pra mim Você faz bem pra mim E não é só saudade Adoro quando o seu corpo me invade E eu não quero que o começo tenha um fim Você faz bem pra mim Você faz bem pra mim Já faz um tempo que eu não te vejo Esse desejo demora a passar Tanto quanto as nuvens no céu Versos me entregam num papel No mesmo instante me sinto distante Parece que o tempo não quer mais me escutar Tô dando a volta ao mundo Me faz esquecer de tudo porque De início, meio e fim.
Speaker 2: [45:25] Você faz bem pra mim. Você faz bem pra mim. E não é só saudade. Adoro quando o seu conforme invade. E eu não quero que o começo tenha um fim. Você faz bem pra mim. Você faz bem pra mim.
Eron Falbo: [46:25] É impressionante porque você deve saber que é raro encontrar ocultistas que estão tão nessa chave, porque eu uso oráculo todo dia, mas eu nunca penso no futuro. Às vezes é até interessante para fazer uma decisão e eu acho que os antigos, eu estava até lendo isso no livro do Nassim Taleb, aquele livro antifrágil, que ele é um economista e ele fala sobre isso que eu achei fantástico, que ele fala que os antigos, eles tinham uma prática que eles chamam de antifrágil, ou seja, uma prática que não é frágil. Não vou explicar isso agora, vejam a conversa que eu tive com o Felipe Caltabiano, que lá a gente explica o que é antifrágil, mas ele basicamente explica que a galera da Grécia Antiga, por exemplo, de Esparta Antiga, quando eles não sabiam se uma coisa era melhor ou pior, eles pegavam um oráculo e o oráculo decidia através de uma simbologia ou de jogar um dado, qualquer coisa randômica, porque se eles não sabiam de fato qualquer coisa, pelo menos eles iam ter a credibilidade e a força interna de dizer que os deuses que Ou seja, se foi randômico, foi os deuses.
Eron Falbo: [47:49] Se a gente não tem acesso, foi o universo, foi o cosmos que mandou aquela mensagem ali e vai ser daquele jeito. Se você não sabe qual é o melhor, esquerda ou direita, num caminho, vai pra direita com confiança que os deuses te mandaram pela direita. Não é uma parada irracional isso. Isso é super irracional. Isso é tipo entender que eu não sei qual é o melhor caminho, Então eu vou com confiança, entendeu? Sem ficar duvidando, sem ficar me questionando.
Speaker 4: [48:20] Exatamente. Tem umas coisas que eu gosto de estudar dos oráculos. Tem uma coisa que dizem que a gente sempre escuta, eu já escutei centenas de vezes, que religião é religare, de uma religação. E aí eu estava lendo lá, estudando de oráculo, de repente eu cheguei num teórico que falou que essa definição do latim de religare Veio no século XV e XVI. O que tinha antes? O relígio era o reler, era escutar os deuses, reler os deuses. E o que é reler os deuses? É consultar um oráculo. Então a religião... A raiz da palavra ali estava nessa conta dos deuses. Os deuses podem ser um acaso, pode ser a leitura das vísceras dos animais, a leitura das manchas, ou a leitura do inconsciente.
Eron Falbo: [49:10] É o inconsciente, nesse sentido mesmo, qualquer coisa que a gente não saiba, tipo assim, você não sabe o que as vísceras estão dizendo, então é os deuses, você não sabe o que vai acontecer no futuro, então é os deuses. Você não sabe o que está dentro do seu inconsciente, porque se você soubesse ia ser consciente, então é os deuses, é o oculto.
Speaker 4: [49:27] E você vai se projetando e aos poucos você vai trazendo consciência para aquela informação que está latente. O seu corpo sabe o que ele quer, sabe o que ele precisa. Se você dá espaço para o corpo te mostrar, seja através de um oráculo, seja através de uma sensação corporal. Você vai tomar melhor decisões, com certeza.
Eron Falbo: [49:44] Essa parada é muito linda também, essa parada de sentir na pele. Porque eu no começo do meu treinamento de ocultista charlatão, eu passei muitos anos na teoria, na cidade do céu, assim, daquela coisa lá do mental. Filosófico moderno, não Pitágoras, mas eu passei muito nessa coisa e não na vivência, e não na pele. Aí depois que eu comecei a me aprofundar mais na Kabbalah, no judaísmo, eu vi a importância da vivência e, na verdade, A coisa toda é a vivência, o resto é pra você poder ter umas vivências mais intensas. Tipo assim, você aprende a teoria e tudo mais pra você poder se colocar, tá preparado pra outras vivências e chegar a um nível maior de vivência. Hoje eu vejo assim, pelo menos. Eu vejo... Se você puder traduzir aquela parada, aquele ensinamento, aquela intelectualidade numa vivência, você vai ter uma aproximação muito maior do divino de fato.
Speaker 4: [50:56] É engraçado porque eu tomo várias decisões baseadas em sonhos. Eu tava lá com muita dificuldade de treinar o doutorado, né, porque eu tinha muita informação, eu tava falando sobre religião, magia e arte, eu tava falando de uns processos meus, de criativos em que eu tinha inventado uns deuses, que eu tinha feito performance pra esses deuses, eu tava lá com tanta informação, e aí eu tive um sonho que o meu doutorado virava um canal no YouTube. Eu falei, gente, canal no YouTube. E aí eu tinha claramente, como tornar-se artista mago, era o nome do canal. O canal agora se chama Só Artista Mago, né? Como tornar-se artista mago virou o título da minha dissertação. Eu falei, se não der pra fazer no YouTube, eu não vou colocar. Fui organizando tudo nesse sentido de que tem que ser claro, tem que ser objetivo, tem que ser... Acessível mesmo, né? E aí eu fiz toda uma releitura de tudo que eu já tinha escrito a partir desse filtro do canal do YouTube, né? E aí depois que eu terminei o doutorado, eu comecei realmente a fazer.
Speaker 4: [51:56] E hoje, enfim, eu tô fazendo no Instagram mais, mas também no YouTube também, de traduzir essas coisas, de tornar essas... Tirar esses preconceitos, né? Uma outra coisa que me angustiava um pouco escrevendo, eu falava, mas por que que não falam disso? Por que que do Champ, né, do Champ, Era um grande alquimista, né? Do Champ. Sabia tudo, tinha lido tudo e vivia como um alquimista, né? Tem um livro maravilhoso que fala disso, que é... Como se chama o livro? Bom, agora eu esqueci o título do livro, mas é... É um livro que é... Alquimistas da Nova Era, uma coisa da... Da vanguarda. Alquimistas da vanguarda. Com certeza. Alquimista da vanguarda e aí vai falando disso e aí tem vários depoimentos de amigos do Champo, de coisas que ele tirava diretamente de Grimórdio, de coisas que ele ia fazendo. O próprio grande vidro seria uma metáfora da grande obra, que ele ficou anos fazendo e só ficou pronto quando quebrou. Enfim, do Champo tem várias narrativas e ele não...
Speaker 4: [52:58] Sempre que perguntavam pra ele sobre alquimia ele não falava nada. E aí num dado momento ele falou, se eu usei alquimia foi da única maneira Justa de usar hoje em dia sem que soubessem. Então ele faz tudo isso, mas não pode dizer, né? E tem toda uma questão de limpar, né? O Duchamp é um cara super hermético, super confuso, super prolixo. E ele depois, pra ele ser absorvido e virar um comércio, virar uma mercadoria, já depois que ele morre, as pessoas vão limpando isso, vão tornando ele um artista conceitual, clean. Ele não era isso. E vários artistas, você vai ver que o processo é esse. No mercado, ele limpa o artista de tudo que seja misticismo, tudo que seja religioso. O Montrean era sacerdote, sabe? Ninguém fala disso, o Kandinsky só fala disso.
Eron Falbo: [53:48] É Newton, Isaac Newton. O cara era só ocultista, ele brincou um pouquinho com física e a galera considera ele um físico quadrado, tipo física newtoniana. É o contrário de física quântica, mas ele só estava interessado em física quântica mesmo, que não existia na época. Mas isso me trouxe uma parada que a gente vai levar para um nível avançado aquela questão do revelado versus não revelado. Se a gente está na era do agora, vai tudo ser revelado mesmo? Eu sou um forte guardião da ideia de que as coisas vão continuar ocultas para sempre. Agora, é uma questão de níveis de pessoas e o quanto... Porque eu acredito que o divino é eterno e infinito. Ou seja, você sempre tem mais a revelar.
Eron Falbo: [54:49] Aí eu vou trazer uma prova da hipnose, que é o seguinte, a gente tem o inconsciente, que assim, a gente tem, pra galera entender, tem a parte consciente, que é a ponta do iceberg, que é o que a gente tá vivenciando, que a gente acredita que é a nossa identidade, etc. O iceberg em si seria o inconsciente, a água seria o inconsciente coletivo. A superfície da água, que seria o limear entre o inconsciente e o consciente, seria o ego, que é o guardião do mundo consciente e o mundo inconsciente. Aí o que acontece? Para você poder ter acesso conscientemente às coisas inconscientes, você precisa, de acordo com a hipnose, na verdade eu vou te explicar direto como é que é na hipnose. Quando você vai hipnotizar alguém e a pessoa sabe que aquilo que você está fazendo é para hipnotizar ela, é muito mais difícil hipnotizar ela.
Eron Falbo: [55:50] Se você fizer isso que o Dushan falou, fazer de uma forma que não pareça que é a coisa. Porque o processo hipnótico, a mensagem inconsciente daquilo fica muito mais profunda. Daí que vem propaganda subliminar, que você está num filme e está com uma latinha de Coca-Cola, E tá rolando uma cena, né? Uma cena sobre outra coisa e aí você vai lá e faz uma propaganda. Ou seja, não tá um momento comercial, beba Coca-Cola, entendeu? A pessoa não se sente atacada e o ego não se defende daquilo, né? Então um dos objetivos do ego é proteger o ser consciente das dores escondidas do inconsciente, da complexidade. E dentro do inconsciente, se você incluir o inconsciente coletivo, tem tudo. Então é uma parada amedrontante mesmo. Tipo assim, a gente não tá preparado pra enfrentar tudo, sacou?
Eron Falbo: [56:53] Porque Deus e o diabo é a mesma coisa, sacou? E se você não tá pronto pra ver o diabo assim, feio, com a cara de... Ou um touro salivando na sua cara. Se você não tá pronto pra ver isso, você não tá pronto pra ver os anjos cantando. Então existe uma razão porque o ego defende a gente do inconsciente. E eu acho que sempre vai haver isso. Por isso que ao mesmo tempo que eu sou revelacionista, que acredito na gente trazer as coisas e revelar, ao mesmo tempo eu acho que a gente tem que proteger as pessoas que não estão preparadas. Então, assim, eu acho que a nossa geração está muito, desculpa, é longo isso, mas eu acho que a nossa geração está muito obcecada com a Revolução Francesa, tipo, foda-se tudo agora, todo mundo ser livre, e é uma ilusão, é uma demagogia muito grande, porque na verdade nunca existe essa liberdade total e sempre existe uma classe de pessoas que tem que proteger as pessoas delas próprias.
Eron Falbo: [57:57] A gente pensa assim, não, vamos derrubar os governos agora, entendeu? O cidadão pode fazer o que quiser. Cara, a verdade é que a gente não tá pronto, eu não tô pronto pra fazer o que eu quiser. E eu já, sei lá, já enfrentei demônios muito feios. Você entende disso que eu tô dizendo? A importância dessa proteção do ego.
Speaker 4: [58:20] É, o ego é fundamental, né? Tem um outro jeito de olhar, porque você tem que meio que superar o ego pra chegar no inconsciente, né? Mas tem um outro jeito pra você pensar que podemos ser parceiros aqui, né? A mente consciente, a mente inconsciente, a mente superficial e a mente profunda podem ser parceiros, ser amigos. Então você não precisa superar a mente consciente, mas a mente consciente também tem que parar de dominar um pouco para você acessar outras camadas através do seu corpo, acessar outras camadas. Eu acho que é esse diálogo mais fluido que a gente tem quando a gente começa a escutar o nosso corpo ou quando a gente começa a escutar os nossos sonhos ou quando a gente começa a usar um oráculo.
Eron Falbo: [59:03] E aquilo que você falou, parar de temer, parar de temer e se empoderar de navegar o inconsciente. Ele não está contra você. É estranho, é difícil, é amedrontante, mas ao mesmo tempo é glorioso. Para cada demônio que você encontra, você encontra um anjo.
Speaker 4: [59:21] Exatamente, você precisa parar, é porque esses preconceitos vêm de um lugar que é de desempoderar as pessoas da espiritualidade delas. Então, a religião institucionalizada vem junto com o Estado, vem junto com um acerciamento das pessoas, para que elas produzam de uma determinada maneira, para que elas sejam funcionais de uma determinada maneira. Você ser empoderado da sua própria religião, Ou seja, você não seguir nenhum dogma específico, por mais que você siga uma tradição ou outra, você poder experienciar no seu corpo, sem ter que acreditar no padre, no rabino, no shamanismo. Você experimentar no seu corpo as coisas. O shamanismo é muito isso, uma relação direta. O shamanismo, vocês sabem, o shamanismo é uma coisa que foi inventada nos anos 50.
Eron Falbo: [60:10] Não tinha nome.
Speaker 4: [60:13] Não tinha nome. Todas as tradições têm sua relação direta com o divino. Então quando a gente tem hoje o shamanismo, são milhares de relações diretas com o divino. Então você pode ter um shamanismo freestyle, tem esse termo. Você pode criar o seu aqui, independente de você ter nascido numa tradição indígena ou aborígena. Você pode ir criando, você consegue entender que você tem direito a ter essa relação direta com o indivíduo, que no final das contas o indivíduo é você mesmo, o indivíduo é o seu inconsciente. Então você tem esse direito.
Eron Falbo: [60:43] Enquanto a gente lembra, voltando, essa função do ego, porque você falou assim, os políticos, os governos, trazem o que é funcional, porque as pessoas contrataram eles, os governantes, para manter as paradas sem muito caos. Então esse é o... Você está sendo mais legal com isso. Os políticos têm a mesma função nesse sentido do ego. Se a gente for entrar nessa coisa de navegar o inconsciente, tudo vai ser simbólico. Aí, cara, a gente vai ir para o trabalho e vai ver, deram uma planilha do mercado financeiro, você vai ler um monte de coisa, você vai falar, não, agora o cliente deveria fazer tal coisa, aí você vai perder seu emprego em menos de dois dias. Então, o ego precisa te proteger de falar, porra, tem coisa que você não está pronto, senão você vai viajar muito e você vai perder seu dia a dia, vai parar de comer, porque existe um interplay.
Eron Falbo: [61:51] O corpo precisa continuar sendo alimentado, o dia-a-dia, você precisa continuar sendo robusto em termos de saúde. Então você tem que encontrar essas parcerias todas, a parceria entre corpo, o inconsciente, o consciente, o ego. Eu concordo com você que o objetivo é essa. É essa integração de tudo. Só que eu acho que é uma falácia você pensar que você vai atingir em algum momento a total integração. Você integra um nível do seu ego. No momento que você integra aquilo, o ego infla e vira de um tamanho muito maior. Aí você tem que trabalhar para integrar aquilo. Porque também sou contra essa noção que eu vejo muito até na própria tradição, todas as tradições tem isso, que é o conceito do santo, do gênio, do guru, do iluminado. O iluminado só existe vis-à-vis um nível.
Eron Falbo: [62:53] Para o meu nível, sei lá, Aleister Crowley era iluminado. Mas para ele, ele tinha outros... Você entende? Ninguém chegou a lugar nenhum. O divino é sem limite.
Speaker 4: [63:06] E a gente está vivendo o processo, né? O importante, então, é o processo, porque o final é... Que a gente quer chegar em algum lugar, afinal é a morte, né? E durante isso, o que você vai fazer? Como que a gente vai aproveitar e se desenvolver e desfrutar da vida, né? Então a gente tem que falar de processo.
Eron Falbo: [63:28] E não necessariamente a morte é o final.
Speaker 4: [63:30] A meta toma parte do processo, né? Não necessariamente a morte é o final, mas vamos dizer que sim que foi.
Speaker 2: [64:12] Eu não me importo em gostar de você. O que me importa é o tempo. E você não vê Que o tempo passa. Seus olhos claro me matam, Tua boca disfarça. E, às vezes, Eu não acho graça Eu vi que te queria, Eu pensei em não querer, Sem querer eu fui perdendo. Então, não se afaste de mim, Se meu corpo te causa arrepio, Eu leio nas linhas dos seus suspiros.
Speaker 2: [65:14] Tente não me querer.
Speaker 4: [65:16] Por quê?
Speaker 2: [65:18] Você não sabe Que eu fui embora e você Vai sentir saudades. E eu fiz as malas e você Espera que a vontade Se desfaça de você. Mas você não sabe Que eu não me importo em gostar de você O que me importam os nomes Que disfarçam o medo, vaidade e fome É que quando eu olho pra você Que eu sei do meu bem e do meu mal Então só se afaste de mim.
Speaker 2: [66:20] Se meu corpo não for um abrigo, Viveremos como apenas amigos. Tente não me querer, Porque você não sabe Que eu fumo embora e você Vai sentir saudade. E eu fiz as malas e você Espera que a vontade Se disfarça de você. Mas você não sabe Que eu fui embora e você Vai sentir saudades E eu me disfarço de você. Mas você não sabe.
Eron Falbo: [67:52] Mas fala um pouquinho que eu queria conhecer melhor o seu baralho. Que dicas você daria para alguém criar alguma coisa desse tipo? E às vezes não precisa ser baralho, pode ser próprio signos, depende do que você curte.
Speaker 4: [68:09] O que eu tenho feito, eu fiz o meu baralho totalmente intuitivamente. Eu fiquei vários anos fazendo essas cerâmicas, demorei 3, 4 anos fazendo as cerâmicas e me dando conta que isso era um oráculo, que os sonhos tinham esse poder de oráculo. E aí, para experimentar, eu imprimi. Igual eu imprimi essa aqui também. Eu fiz só uma cópia. Essa aqui eu fiz mês passado. Essas cartas de imagens do Instagram. Essas aqui são imagens de sonhos. Aí eu fiz uma tiragem de 100 exemplares lá no contexto de arte, de exposição. E eu me pergunto muito sobre as coisas. É como se o trabalho não fosse o fim. O baralho não é o fim. O baralho é um processo para mim aprender sobre ele mesmo. A cerâmica, no caso, as cerâmicas que eu fiz para o baralho, são processos para mim entender os sonhos. São processos para mim entender o meu próprio ser, o meu próprio... Eu acho que o arte é muito esse processo de espelhamento também, um processo de autoconhecimento através da arte.
Speaker 4: [69:10] Mas, enfim, eu tendo o meu baralho, comecei a me questionar. Mas será que funciona para todo mundo? Como é que funciona? E aí tem algumas coisas que são fisiológicas de ler imagens. Por exemplo, eu posso ler a sua imagem aqui, a nossa imagem aqui. Tem dois quadradinhos, não é isso? Você tá numa botona vermelha, vermelho já dá essa coisa de vigor, você também tá com um casaco vermelho, ou seja, você quer mostrar o seu vigor, o seu desejo, né? Você tem a sua esquerda aqui, você tem um violão.
Eron Falbo: [69:38] É porque eu sou solteiro.
Speaker 4: [69:40] Mas você tem passado aí uma guitarra, um símbolo de que você vem de um lugar de prazer da música.
Eron Falbo: [69:47] Que é vermelha também.
Speaker 4: [69:48] É vermelha também. E a gente tem um microfone, né? É ancorada aí no lado direito, ou seja, você quer deixar a sua voz para o futuro, então você está gravando vídeos, você tem muita informação atrás de você, esses livros todos, essas camadas de livros, de vídeos aí nessas estantes, que é onde você se encosta, onde você consegue ter conforto, é na informação, é na tradição, é no que você estudou, né, que a gente conversando aqui dá pra ver isso.
Eron Falbo: [70:14] Essa é a versão boa, né, pra mim era porque eu sou pseudo-intelectual e quero tirar onda.
Speaker 4: [70:21] É, mas tem tudo isso, a maneira como você se veste, a maneira como você, conscientemente ou não, usa algum objeto, né? Tudo isso a gente pode ler e eu vou ler a partir do meu olhar também, não vou ler a verdade, vou ler a partir do meu olhar.
Eron Falbo: [70:36] Claro, mas foi linda a interpretação.
Speaker 4: [70:39] Então acho que toda imagem pode ser lida, né? O curso que eu tenho feito, A gente começa estudando a fisiologia mesmo do oráculo. A fisiologia é como a gente vê as coisas, porque o que está à esquerda a gente entende que já está passando e o que está à direita está ligado ao futuro. Porque o que está acima de uma imagem tem a ver com o divino e o que está abaixo da imagem tem a ver com o material. Porque é assim que a gente vive, né? Você olha uma coisa que apesar de cair, Então a gente vai fazer as associações e vai entendendo então no nosso corpo como que é isso, como que funciona a nossa intuição também, a nossa livre associação de imagens a partir desses vários óculos que eu posso colocar, que é a posição das coisas da imagem, as cores, os símbolos, as referências pessoais daquela imagem me traz, como que eu flexiono a partir de uma de uma ideia, a partir de uma pergunta, imagens. Então, tudo isso é muito intuitivo e fisiológico.
Speaker 4: [71:42] O nosso pensamento é assim. O nosso pensamento já é inconsciente. A gente tem uma camada consciente, mas esse que está presente agora também é inconsciente ao mesmo tempo. Então, a gente já tem isso como que a gente vive isso. Então, o meu curso para cada um criar o seu oráculo passa por entendendo o corpo. Então, a gente faz meditação, faz várias vivências que são mais corporais até do que intelectuais, e aí você tem a experiência. Aí você tendo a experiência, depois a gente conversa e sistematiza, a gente usa a mente para sistematizar a experiência. E aí, parece que é muito, toda vez que eu falava, porque cada um faz esse oráculo, muita gente ficava com medo, como que eu vou fazer, mas isso é muito difícil. Não, a gente vai ler, em um mês a gente vai estar lendo tarot. Oh, isso é muito difícil. E na verdade, na segunda aula a gente tá lendo tarot, na terceira aula todo mundo tem o baralho. E depois a gente vai integrar, aí você vai entender como isso funciona. Porque você primeiro faz, depois você entende.
Speaker 4: [72:42] Isso é uma inversão que tem na sociedade, que a gente quer primeiro entender para depois fazer. A academia começou isso. Primeiro a gente nasce, depois a gente vê o que a gente faz com esse corpo. Então, primeiro o baralho é construído, depois você entende por que você construiu ele assim.
Eron Falbo: [72:57] Primeiro a gente fala português, depois a gente fala português. Tipo assim, a gente já tá falando português, depois a gente entende que é português, que é uma língua.
Speaker 4: [73:07] E a linguagem do tarô é a mesma coisa. Então depois que você tá falando aquela linguagem, você vai entender, olha, essa linguagem aqui já é falada em outros lugares. Aí você vai pegar o tarô, que seria tipo o nosso ancestral ali, pegar um tarô de Marcélia ou qualquer outro e vai olhar, nossa, isso que eu tenho em mim tá aqui também. Sabe? Então o método é um pouco construído a partir da experiência. No fundo é um curso de arte, né? Eu me sinto muito mais, por isso que é artista mago, né? Eu me sinto muito mais artista que mago. O meu lugar é desse que experimenta, do artesão, né? Desse que... Muito bom.
Eron Falbo: [73:42] E ainda tem esse curso? Ainda tá disponível?
Speaker 4: [73:44] Eu tô sempre reformulando ele, né? A gente vai agora, em outubro, a gente abre uma turma nova dele, início de outubro, não sei quando que vai ser exibido esse vídeo. E eu, sistematicamente, eu vou abrindo novas turmas. Estamos na turma 9.
Eron Falbo: [74:00] Ah, legal. E dá para encontrar no seu... É só entrar no seu Instagram. Como é que o pessoal que está.
Speaker 4: [74:04] Ouvindo pode... Instagram é arroba nadanguerra e o meu canal é o Artista Mago no YouTube. Instagram é arroba nadanguerra.
Eron Falbo: [74:10] E você tem a imersão gratuita, raízes do tarot também?
Speaker 4: [74:14] Isso. Isso agora de 20 a 27 eu vou fazer tipo um módulo zero do curso, que eu gostaria que todo mundo soubesse sobre o tarot, para parar de ter medo, parar de achar que é uma coisa do outro mundo. É o Raiz do Tarô. Ele é de 20 a 27 de setembro. Vão ser quatro aulas mais uma vivência. Em que eu vou fazer algumas dinâmicas para as pessoas entenderem essas bases, as raízes mesmo do nosso inconsciente. Porque o tarot está no nosso inconsciente já, e a gente vê as raízes, e a isso eu acho que todo mundo devia saber, por isso essa parte não é cobrada. E aí quem quiser se aprofundar, quem quiser estudar o tarot, quem quiser fazer o próprio oráculo, começa aí na sequência.
Eron Falbo: [74:56] Cara, muita gente me pede referências, até uma das perguntas para você foi essa, como estudar Tarot. Então isso é uma ótima dica. Eu confesso que eu não tenho outra dica. Eu não fiz seu curso, então eu não posso dizer que eu estou dando essa dica através do seu curso, mas ouvindo o que você tem a dizer e a sua sobriedade dentro desses assuntos, Quem sou eu, mas eu diria assim, eu já passei muito tempo estudando essas paradas. Eu posso dizer que eu confiaria, eu faria o seu curso e se alguém estiver aí ouvindo e quiser aprender mais tarot, sobretudo porque ele não vai ensinar uma coisa externa a você, ele vai ensinar sobre você mesmo e vai ensinar você a se empoderar e fazer seu próprio baralho, que é um conceito muito legal.
Speaker 4: [75:50] O que, independente de fazer meu curso, o que eu inclusive faço no curso, é não ficar lendo o livro inteiro. Tira uma carta por dia, lê uma carta por dia, vê como que se ressoa em você. Muita gente gosta de ler um livro, aí não fica satisfeito, lê outro, lê outro, aí depois fica impossível. Aí começa a ler livros avançados. Tirou uma carta, leu aquilo, viveu o seu dia, fez relações. E a prática tem que vir antes da teoria. Isso é fundamental. Então, se você for apreditar na sua casa sozinho, a prática tem que vir antes da teoria. Então, antes de você querer entender, você tem que saber jogar. Não é que você vai entender pra depois jogar. É o contrário. Você vai jogar pra depois entender. O funcionamento é muito esse. Esse é o funcionamento da vida, né?
Eron Falbo: [76:42] Muito legal. Vamos para as perguntas do público, pode ser?
Speaker 4: [76:48] Maravilha.
Eron Falbo: [76:50] A gente escolheu aqui as três melhores perguntas. Para vocês saberem, próxima vez façam perguntas boas para os seus seres escolhidos. Aqui tem uma pergunta. Existe poderes místicos nas cartas do tarot? Como entender isso cientificamente?
Speaker 4: [77:11] A minha resposta pra isso, acho que a gente já falou um pouco disso, né? O poder místico tá dentro de você e você se espelha nas cartas de tarot. É tudo um campo simbólico, né? Então tem gente que gosta de, inclusive, consagrar o tarot, né? Faz um ritual pro tarot ter o poder, pra atrair força. E o ritual funciona? Funciona. Funciona por quê? Porque você tá por trás do ritual, colocando sua força simbólica ali e você se sentindo empoderado de jogar a partir daquele ritual. Mas se você quiser fazer o ritual só de botar a mão e você falar, eu tenho direito. E jogar, também pode funcionar. Você pode jogar, se você não tem um taru, você pode jogar com um baralho comum, vai funcionar igual. Se você não quiser jogar com um baralho comum, tem uma aluna minha que fez o baralho dela com... Capas de CD, né? Deu print no Spotify e começou a jogar com aquilo. Funciona? Funciona igual. Você jogar com cartas que você recorta figuras da revista? Vai funcionar igual. Com capas de livro? Funciona. Com folhas que você joga, borra do café, tudo dá pra ler.
Speaker 4: [78:14] É uma questão... O poder místico, o poder mágico, o poder transformador é o poder simbólico, é o poder da poesia e ele tá dentro de você.
Eron Falbo: [78:25] Uau, perfeito. Próxima pergunta, por que fazer interpretação de sonhos? Não é tudo aleatório?
Speaker 4: [78:32] Maravilhoso, não é tudo aleatório, é manual. Se você trocar o aleatório pelo sincrônico, pelo inconsciente, é tudo inconsciente, é tudo caos, mas o caos tem esse poder de trazer a ordem. O sonho é um contato direto com o inconsciente, a gente estava falando daquela barreira do ego, não tem essa barreira do ego, você está mergulhado no inconsciente e o inconsciente é o lugar mais rico que você pode ter, então você não usar o sonho é tipo um desperdício, né? É tipo você tem a coisa mais criativa, mais poderosa, mais pulgente que pode te levar a ter uma vida mais intensa, mais interessante, e você não usar, né? E aí tem um detalhe de como interpretar esses sonhos, né? Porque interpretar os sonhos não é você botar no Google aí o que significa o dente no sonho, né? Não é isso. Interpretar o sonho é você entender como isso reverbera em você, né? Perceber que cada parte do sonho é uma parte sua.
Speaker 4: [79:32] Então, você se colocar em cada uma dessas partes. Por isso que o sonho é a mesma coisa que o oráculo, que é a mesma coisa de inconsciente, que é a mesma coisa de linguagem. Então, você aprender sobre o sonho é aprender sobre a linguagem. Você aprender sobre o sonho é aprender sobre o oráculo. Você aprender sobre o sonho é aprender sobre você mesmo, sobre quem é você. O pensamento, dizem que o que inventou a humanidade foi o sonho. O que difere os animais de um estágio, vamos dizer assim, um estágio da humanidade pré-civilizatório e o estado que começa a ser civilizado, é a linguagem. A linguagem vem com o sonho. Quando você começa a dividir os dois mundos, porque para os animais não tem um outro mundo, só tem o mundo material, né? Então quando você divide O outro mundo? O que que o outro mundo é esse? É um mundo de você saber o que aconteceu, o que vai acontecer depois, saber que tem alguma coisa aqui que não tá aqui, que é alguma coisa que é invisível, que é alguma coisa que é espiritual. Então nasce a religião junto com o sonho, nasce a linguagem junto com o sonho, as palavras.
Speaker 4: [80:36] O que que é as palavras? É uma coisa que não é a coisa. É um intermediário. Por isso que o oráculo é oral, é a palavra. O oráculo é a palavra, é a linguagem. Então, se você estudar sonhos, estudar tarot, é estudar a linguagem, é estudar sobre si mesmo, é estudar sobre a vida. Enfim, fui longe aqui. Mas é que os sonhos não são uma coisa aleatória. Se são aleatórios é se eu não perguntar para eles.
Eron Falbo: [81:00] E também tem uma questão que, tipo assim, cartas de tarot você pode até dizer, se você quiser, que é aleatório. Mas os sonhos, por que foi aquele sonho e não outro sonho? O inconsciente, a única coisa que é deliberada, a única coisa não, você pode usar alucinógenos, tem outras formas, mas a única coisa que você tá tipo assim, seu consciente tá desligado e o seu inconsciente tá mandando alguma coisa sem você forçar ele, então aquela é uma mensagem que tá vindo de outro lugar, não é você que tá mandando.
Speaker 4: [81:34] A questão é como você olha isso, né? Você olha isso como uma coisa aleatória ou vai ser aleatório? E, claro, tem muitas camadas. Tem camadas mais profundas, mais difíceis, mais densas. Tem camadas que você, ah, isso eu sonhei porque eu vi esse filme. Tem inconscientes mais próximos, inconscientes mais profundos. Mas o que importa é como a gente olha. Se você se projeta sobre os sonhos e começa a se projetar ali e investigar, eles vão te falar coisas. Se você não olhar, ele não vai falar nada. É igual um vizinho que você não fala com ele, sabe? Você pode estar convivendo com essa pessoa, na casa ao lado, todo dia. Se você não falar com ela, ela não vai falar com você. Mas se você de repente chegar, oi, tudo bem? Ele vai falar, oi, o que você tá vendo daí que eu não tô vendo? Aí você vai começar um diálogo com o seu inconsciente e ele vai poder te falar muitas coisas que você não vê.
Eron Falbo: [82:21] E também o vizinho tá falando chinês, né? Você tem que aprender a língua.
Speaker 4: [82:23] Tem que aprender a língua dele. Tem que ser suave também, se tem gente que já quer entender tudo, né? Chega pro vizinho e fala, o que é isso? Me diz logo o que eu tô... Não, não vai te ameaçar, não vai te dizer. Se você for impaciente, não vai te dizer, vai ter que... Deixa um biscoitinho.
Eron Falbo: [82:40] Na porta dele também.
Speaker 4: [82:42] É isso, a encomenda de sonho. Encomenda de sonho é isso, você pedir para sonhar. Você está com alguma questão, você fala, como eu vou resolver isso? Aí você pergunta para o sonho, edita lá um pouquinho e aí recebe o sonho como resposta.
Eron Falbo: [82:53] Muito bom. Você tem um assunto que eu estou estudando muito agora, essa coisa de projeção voluntária das coisas. Realmente pedir para o inconsciente mandar um assunto inteiro, mas não dá tempo de a gente entrar nele. Última pergunta.
Speaker 4: [83:07] Última pergunta. Só deixar esse parênteses, além do curso de tarot, eu tenho esse curso experimental de sonhos, que é uma sequência de exercícios para você conversar com o sonho, o sonho criativo, o sonho consciente, o sonho lúcido, o sonho oracular, tudo isso, interpretação de sonhos, são ferramentas que eu acho que são úteis para os artistas.
Eron Falbo: [83:27] E tem tudo no seu site, né?
Speaker 4: [83:29] No meu site tem o curso experimental de sonhos também.
Eron Falbo: [83:33] Motifer, última pergunta. As pessoas têm cartas que representam elas no tarot? Como a astrologia tem signos?
Speaker 4: [83:40] Então, tem umas correntes que você pode fazer associações pela data de nascimento, tem gente que trabalha com isso, eu até falo um pouquinho disso no curso, não é o meu foco, mas é possível você fazer correspondências. A sua carta natal, né? Você pega, soma, né? É uma coisa mais da numerologia do tarot, né? Uma escola numerológica do tarot que você vai reduzir os arcanos a números, né? E aí você consegue, então, fazer associação com outros números, né? Sejam os números da sua data de nascimento, sejam outros números da sua vida, né? Qual que é o número desse ano... Dá pra fazer esse tipo de trabalho, é interessante. É um processo de reflexão também, mas é diferente de você jogar tarot, né? Pela maneira de jogar. Eu gosto, eu ensino isso, mas eu não sei se é a ferramenta onde está mais potente a ferramenta, sabe?
Eron Falbo: [84:36] Eu também acho que não. Bom, estou falando por você. Bom, mas nadão, eu queria te agradecer muito por aceitar o nosso convite aqui hoje, foi uma conversa agradabilíssima e muito densa, cara. Tinha um milhão de de parênteses que eu queria ter criado. Eu já criei um monte, mas acredite que eu estava me controlando. Então eu vou te deixar com uma última pergunta que eu sempre faço para os convidados. Se você pudesse, se você tivesse uma varinha mágica e pudesse mudar alguma coisa no mundo, hoje ou nas pessoas, o que você mudaria e por quê?
Speaker 4: [85:22] Gente, uma coisa só.
Eron Falbo: [85:25] Não, alguma, pode ser alguma coisa. Fala o que você quiser.
Speaker 4: [85:29] Não, eu tô pensando que uma das grandes questões que a gente tem é... Como que eu falo isso? A gente vive num mundo de que a comunicação, né? Então a gente tá falando desse mundo invisível, né? Do oral, do oráculo, né? A comunicação é muito turva. E que as pessoas não sabem se comunicar, não sabem pedir o que querem e também não sabem dizer o que querem. Então, o grande problema do mundo talvez seja a falta de entendimento da comunicação, que as pessoas soubessem se falar, porque a maior parte das pessoas está querendo suprir uma falta de mãe, xingando alguma coisa ou querendo suprir a sua falta de identidade pessoal, indo pra rua pra gritar. Não é sobre isso. Se você souber dizer exatamente o que você precisa, tudo seria mais simples. A gente ter que ir lidando com tanta violência, lidando com tanta desinformação.
Speaker 4: [86:33] As pessoas não conseguirem se escutar e não conseguirem se comunicar claramente.
Eron Falbo: [86:39] Muito bonito. Então a resposta que seria que você gostaria que as pessoas tivessem pelo menos mais facilidade, conseguissem se expressar.
Speaker 4: [86:49] O dom da comunicação verdadeira e passiva.
Eron Falbo: [86:54] Que acho que tem tudo a ver com o que a gente começou a conversa com isso, que é o nosso planeta, que a gente vem do mesmo planeta, é essa coisa de trazer a clarificação, coisas que estão confusas, caóticas, que são vistas com temor, com perplexidade, a gente limpar elas, deixá-las claras, limpas, transparentes. Acho que esse processo é o trabalho que você tem feito. Então é a sua contribuição para o mundo. É isso que você gostaria que o mundo fosse.
Speaker 4: [87:29] Maravilha. Muito bom. Obrigado pelo convite. Acho que tem muito mais a conversar. A gente segue depois, né? Com certeza.
Eron Falbo: [87:39] Valeu.
Nadam Guerra: [87:40] Valeu, Nada.
Eron Falbo: [87:41] Você pode ficar só uns dois minutos a mais aí? Só vou fazer uma reflexão. Depois a gente se fala fora das câmeras. Pode ser?
Speaker 4: [87:51] Obrigado. Então me sigam, continuamos a conversa e estamos aí. Saúde para todos.
Eron Falbo: [87:56] Valeu, tudo de bom. Boa noite. Então agora, como sempre, eu vou dizer o que eu aprendi com o nosso convidado de hoje, o Nathan Guerra. E antes disso eu ia dizer, sigam ele, em primeiro lugar. O trabalho dele é muito interessante mesmo. Eu mesmo vou procurar, vou talvez fazer o curso, ler as coisas que ele tem a dizer. E sigam o nosso canal também, arrobaeronfalbo, em todas as redes sociais do mundo. Façam as coisas que vocês já estão acostumados a ouvir, né? Seguir o canal do YouTube, etc e tal. Porque a gente tá fazendo tudo gratuitamente e quer continuar fazendo gratuitamente, a gente não quer vender. A alma para as corporações, para o diabo não tem problema. A gente não quer perder a liberdade, a gente não quer perder aquilo que o próprio Nadan falou, que é essa individualidade, essa coisa pessoal da gente conseguir explorar.
Eron Falbo: [88:57] O nosso programa é um processo meu pessoal e das pessoas que trabalham aqui, da gente se desenvolver e procurar com a ajuda dos convidados se encontrar, se engrandecer, e é a razão que eu faço essa pílulazinha de falando o que eu aprendo com os convidados, porque o objetivo é esse, né? Tipo, é eu entender que cada convidado é uma carta de tarô que eu tô compondo, né? Porque eu tô interpretando, eu sou uma criança, Quando a gente encontra qualquer pessoa, pode ser um analfabeto, pode ser uma pessoa que fala uma língua que você não fala, pra mim, é sempre uma criança diante de um adulto, porque a pessoa tem umas vivências intensas que você não tem ideia, e pode até ser uma criança, porque a criança tem coisas que ela viveu que você não tem acesso.
Eron Falbo: [90:02] Então, se a gente tiver essa humildade de ficar diante de uma pessoa e se sentir como uma criança curiosa para absorver aquela sabedoria da pessoa, a gente pode ver o cartas de tarô em tudo que a gente vivencia. Como o próprio Nadan está dizendo, então eu já estou trazendo o que ele me ensinou, que é uma coisa muito profunda, a gente conseguir entender que é sim aleatório as cartas de tarot, mas é aí que está a beleza da parada. Porque o mundo também é aleatório, como os ateus gostam de dizer, só que isso é o que faz a parada ser mais divina ainda. Você não tem ideia do porquê está lá, mas você pode puxar aquela mensagem, se você se empoderar, que acho que é a coisa mais bonita que o Nadan falou, se você se der o direito, eu gosto mais de pensar em obrigação, se você pegar para você a obrigação de se empoderar desse universo que é seu, você consegue ler o mundo como se fosse o horóscopo da melhor astróloga do mundo que te diz exatamente o que você quer ouvir.
Eron Falbo: [91:28] Só que você que está lendo isso, você que está tirando isso que na verdade é conversar com Deus. Você está diante de Deus, você olhar para para uma pedra no chão e você olhar para um guru do mesmo jeito, que é Deus conversando com você, isso é uma coisa muito profunda. Uma cachoeira e você olhar para uma lâmpada que o homem criou, as duas coisas são Deus. Eu acho que isso é um nível muito profundo, porque a gente está numa era onde as pessoas fogem ou pra natureza ou pra isso ou pra interpretações de outras pessoas e não faz esse elo do externo ao interno e tornar aquilo tudo integrado em uma coisa só. Então o Nadan trouxe essa parada muito profunda. Eu não sei nem o que eu acabei de falar, mas parece bonito. E é isso, gente. Nos escutem.
Eron Falbo: [92:29] Todos os dias, 9 horas da noite, nesse mesmo canal. E... Principalmente, acho que o mais importante é nunca esquecer que quem não é visto não é lembrado.
Episódio de No Alvo com Eron Falbo. Veja todos os episódios, Praise e Quotes.