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#76 A gênesis da cultura brasileira

com Rodrigo Candelot · 12 de mar de 2021

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Quem é Rodrigo Candelot

Ator, diretor, músico, jornalista, autor e professor de interpretação

Humorista do canal Bagaceiros, diretor da peça Enrolados, ator e professor de interpretação. No ar como ator da novela Gênesis.

Transcrição do áudio do episódio.

Abertura e brinde com Rodrigo Candelot (0:00)

Eron Falbo: [0:00] Alô, alô, pessoal! Beleza? Sejam bem-vindos ao Centro Novo. Eu sou Eron Falbo. Estamos aqui hoje com Rodrigo Candelô. Rodrigo é um ator, diretor, músico, jornalista, autor e professor de interpretação. Rodrigo, eu acho que já chegou aqui, mas eu vou contar uma piada primeiro. Mentira.

Rodrigo Candelot: [0:30] Cadê?

Eron Falbo: [0:30] Ele tá aqui. Fala, Rodrigo!

Rodrigo Candelot: [0:33] Já tô com o meu vinho aqui, hein?

Eron Falbo: [0:36] Eu também tô aqui. Essa é a minha mesa aqui, que acho que criou vida própria. Pode deixar essa galera sozinha. E aí, Rodrigo. Beleza?

Rodrigo Candelot: [0:48] E aí, Eron. Prazer.

Eron Falbo: [0:49] Boa noite. Muito prazer. Prazer estar com você. Não é só o meu aqui. O meu é meio... Uma garrafa que estranha.

Rodrigo Candelot: [0:59] Eu tô com um rosezinho aqui também ainda, ó. Isso aqui ainda tá... Isso aqui é Benjamin. Vinhozinho bom pra caramba.

Eron Falbo: [1:07] Isso aqui é Vila Garrel. Eu nem lembro quando eu comprei, mas pareceu na minha geladeira.

Rodrigo Candelot: [1:13] Sempre bom ter uma garrafinha de vinho em casa.

Eron Falbo: [1:16] Sempre bom ter várias. Eu chamo meus amigos aqui, a gente acaba com umas 20. Você gosta... Você toma muito vinho?

Rodrigo Candelot: [1:28] Cara, adoro vinho. É a minha bebida predileta, assim. Ainda mais agora, né? Agora que eu acho que o vinho veio pra ficar no Brasil, né? Então, ainda mais o vinho rosê, né? No verão, é muito gostosinho tomar um rosê, tomar um branco aí pra gente que é de clima quente, né?

Eron Falbo: [1:44] Cara, eu gosto muito do rosê, só que o lance é que eu gosto tanto de tinto que no final das contas eu acabo nunca bebendo rosê. Eu gosto do rosê num parque, sei lá, vai pra um parque, num piquenique.

Rodrigo Candelot: [1:58] Não, eu acho que o tinto sempre cai bem, né? Nessa pandemia, né? Por causa exatamente do nosso isolamento Eu moro aqui num prédio que tem um amigo meu que mora no andar de baixo Então a gente fazia umas resenhas assim pra poucas pessoas Eu, ele, uma outra pessoa de amigos que a gente sabia que tava sem covid também Cara, e era vinhozinho direto Era direto resenha de vinho, queijos e vinhos E foi a nossa saída pra tentar aí, né? Driblar aí essa pandemia.

Eron Falbo: [2:30] Sobreviver um pouquinho a isolamento.

Rodrigo Candelot: [2:32] É, exatamente. Poder ter um pouquinho de, minimamente, uma vida de gastronômica pequena, pelo menos, né?

Eron Falbo: [2:40] Também de amizade, né, pô? Eu lembro no começo da pandemia, porque depois eu meio que... Aí eu peguei a Covid e eu fiquei mais tranquilo. Mas no começo da pandemia eu tava mais isolado, pô, era meio... Era complexo essa coisa de ficar sozinho, né?

Rodrigo Candelot: [2:57] Muito.

Eron Falbo: [2:58] Pra mim, eu sinto muita empatia com as pessoas mais velhas que tiveram que ter uma cautela dez vezes maior e ficar sozinhos durante meses e meses. É um evento sem precedentes, essa coisa. Porque apesar de a gente ter tido outras pandemias, eu não sei se o protocolo foi isolamento social. Então eu não sei se teve essa coisa de várias pessoas em massa ficando em casa.

Rodrigo Candelot: [3:30] Total, né? Total. E eu acho que as pessoas que conseguindo, de uma certa forma, se ver, né? As pessoas que estavam sem Covid, no meu caso, na época, eu peguei Covid também, né? Peguei Covid em outubro, mais ou menos. Eu estava gravando a novela e peguei. Foi um problema. Tive que ficar duas semanas em casa. Na verdade, várias pessoas na novela pegaram Covid. Então, não foi novidade, assim. Tipo assim, mó galera pegando Covid agora nessa nova...

Eron Falbo: [3:57] Mas ninguém ficou muito grave, não, né?

Rodrigo Candelot: [4:00] Cara, graças a Deus não, né? A gente na novela, o pessoal ficou meio adoecido, tiveram algumas pessoas que... Eu fiquei quatro dias de cama Mas os atores mais velhos da novela, o Norival Riso, que faz o sumo sacerdote, o Kisar, e ele também ficou meio mal. Mas graças a Deus, cara, ninguém teve que ir pra UTI, ser entubado. Porque esse negócio da UTI, de ser entubado, já é meio que o final, né, cara? Eu acho que quando chega nesse estágio é porque a coisa já tá braba, né, brother? Pra voltar da UTI tem que, ó, pedir muito, irmão. Porque é brabo o negócio, né?

Eron Falbo: [4:38] Mas falando um pouco da novela, até me interessa muito, eu confesso que eu nunca vi essas novelas baseadas em escritura, essas coisas, mas eu estudo bastante na escritura. Religião comparada, essas paradas. Então também interessa sobre como é que é produzido, como é que são as ideias. Você tem esses insights da pré-produção, do script, como é que é idealizado?

Gênesis: a novela épica (4:41)

Rodrigo Candelot: [5:09] Cara, eu como ator, eu não tenho acesso a isso. Porque a gente conhece os atores, conhece os diretores. A Record é uma emissora que tem um cunho religioso. Eles fazem folhetins modernos, contemporâneos, como, por exemplo, ano passado eu fiz Topíssima, que era um folhetim contemporâneo. Mas também eles não estão nem mais chamando de novela bíblica, que eu acho bem interessante, eles chamam de novela épica. Porque é sobre uma época, é sobre a história. Por mais que entre com o religioso, é sobre uma época que a gente passou, que a gente viveu.

Eron Falbo: [5:47] Isso aí já é religioso olhar com esse lado, porque arqueologicamente não necessariamente a gente tem evidências, sobretudo de Gênesis. Na época de Gênesis não tem muita não tem muita evidência histórica de que isso rolou. Eu sou judeu e, vamos dizer, dentro da comunidade judaica tem muita... Meio que se pressupõe que essas paradas são históricas. Só que a minha mente, vamos dizer, científica, eu disse, pô, a verdade é que não tem como saber, né?

Rodrigo Candelot: [6:21] É, a gente sabe disso, a gente sabe disso. Na verdade, eu sou muito feliz porque eu não entrei em nenhuma fase, digamos assim, do começo do Gênesis, né? Adão e Eva, foi Adão e Eva, depois foi Noé... Você não teve que ficar pelado? Hã?

Eron Falbo: [6:37] Você não teve que ficar pelado? Adão e Eva...

Rodrigo Candelot: [6:39] Não tive que ficar pelado na Adão e Eva, não tive que tomar água na cabeça com dilúvio, Mas eu tô numa fase que é muito interessante, que é a fase de Ur dos Caldeus, que é a fase da Mesopotâmia Antiga, que tem muitos estudos sobre a Mesopotâmia Antiga, que é o berço da civilização, né?

Ur dos Caldeus, berço da civilização (6:48)

Eron Falbo: [6:57] Ah, esse sim, na Babilônia.

Rodrigo Candelot: [6:59] Aquela região ali do Iraque, da Síria. Então, assim, a novela teve muita pesquisa histórica. A partir da minha fase agora, que.

Eron Falbo: [7:08] É um dos caldeus... Aí é mais histórico mesmo.

Rodrigo Candelot: [7:11] É muito histórico.

Eron Falbo: [7:12] É menos hipológico, é verdade. Depois que começa Abraão, né? Abraão é mais histórico. Abraão em si não tem evidências, mas as coisas que aconteceram ao redor, tem a guerra lá dos reis, aí tem algumas escritas babilônicas e assírios, né?

Rodrigo Candelot: [7:32] O que eu acho interessante é porque a nossa fase na Mesopotâmia foi uma fase muito rica da civilização Foi uma fase que a medicina teve altos avanços Por exemplo, tem uma passagem que o Kisari, que o Norval faz, ele cai de cabeça e ele tem que fazer uma cirurgia no crânio E eles dominavam essa técnica de abrir o crânio, cara Uma coisa incrível, eles abriam o crânio E mexiam no que tinha que mexer, sabe-se lá o que.

Eron Falbo: [7:59] Deve ser porque eles comiam cérebro de macaco, aí tá acostumado a...

Rodrigo Candelot: [8:04] Sabe-se lá, irmão. Agora, a agricultura começou... Porque o ser humano era nômade até a Mesopotâmia. Na Mesopotâmia começaram a nascer as cidades. Então Ur era uma civilização gigante, que tiveram vários reis. E a gente tá numa fase que é o final do reino de Ur, que é o rei Ib-Sin, que foi o quinto rei da dinastia de Ur. Então o Ib-Sin, que o Philip Rock faz, É um rei que ele passa.

Eron Falbo: [8:41] Por... Só que isso não tá na Bíblia, né? Então, é tipo assim, isso é extra bíblico, né?

Rodrigo Candelot: [8:46] É. O que tá na Bíblia é muito pouco. Então, na verdade, a nossa gente costuma falar que a nossa base...

Eron Falbo: [8:51] É isso que era a pergunta que eu ia fazer, porque eu vi o nome do seu personagem e eu sei todo mundo a ver. Eu tenho até um livro aqui, um livro. Eu tenho até psicopédia de nomes da Bíblia. Ah, aqui, ó. Tá aqui perto. Olha só. Olha o nome do livro. Todo mundo na bíblia.

Rodrigo Candelot: [9:21] Na nossa fase tem muita coisa criada pelos autores Porque é uma fase que realmente não tem muito destaque na Bíblia Urro dos Caldeus é uma fase que passa muito de antemão na Bíblia Eu mesmo nunca li a Bíblia, né? Eu sou uma pessoa que não sou evangélico, né? Eu respeito muito a religião de todo mundo Mas eu nunca tive esse interesse muito grande de ler a Bíblia Então assim, eu me interessei na minha fase Então eu fiz os estudos que eu tinha que fazer da fase de Urca, e eu faço sacerdote, né? Então, mais uma vez, tem o cunho religioso, porque o cunho religioso, se você perceber, cara, qualquer série de televisão aí épica, Vikings, Game of Thrones, nem sempre deuses, né?

Eron Falbo: [10:07] Só que pela Record eu imagino que eu não assistia. Infelizmente eu não tenho acesso à Record, eu não sei aonde ganho esse acesso. São... E cá entre nós eu não estou muito curioso também para descobrir. Mas, assim, com todo respeito à sua profissão, eu tenho certeza que... Porra, tenho certeza não. Eu sei que é um grande marco na carreira ter esse... Porque eu sei que tem uma audiência enorme, né? Tem um orçamento legal, então, porra, dá pra ter uma produção cada vez mais... Claro que, assim, eu vi trechos e vi, por exemplo, que a produção é, assim... Porra, eu fiquei tão impressionado.

Rodrigo Candelot: [10:49] Eu recordo, né?

Eron Falbo: [10:51] Na minha época, era uma produção... Você.

Rodrigo Candelot: [10:54] Vê aqueles filmes históricos, tipo Ben-Hur, Última Tentação de Cristo, meu irmão, e aí você vê os cenários da novela, os figurinos, a direção de arte como um todo da novela, meu irmão, é incrível. Você lá, eu estando lá, vestindo o meu figurino e estando com os meus amigos, eles se olhavam e falavam, caraca, Olha a gente aqui. Parece que a gente saiu de uma máquina do tempo, irmão. Sabe qual é?

Eron Falbo: [11:18] Isso é pior pra caramba, cara.

Rodrigo Candelot: [11:19] Porque a gente realmente se sentia naquela época. A gente tinha que se sentir naquela época, né? Apesar da linguagem... A linguagem é uma linguagem contemporânea, naturalista, do nosso coloquial. Porque isso também foi uma questão interessante, a prosódia da novela. Porque antigamente as pessoas tinham essa mania de achar que, porque é uma coisa histórica, tem que falar um português correto ou inglês. Britânico, o mais fiel possível àquela época.

Épicos na TV: de Roma a Vikings (11:38)

Eron Falbo: [11:47] Mas meio que quebrou isso, né? Quebrou isso hoje em dia, não estão mais fazendo. Antigamente era tudo que era épico era britânico.

Rodrigo Candelot: [11:54] É, também tem isso. Mas se você quiser, tu vai ver Game of Thrones, Vikings. Meu irmão, os caras estão falando ali o inglês, que de repente tem um sotaque daquela região.

Eron Falbo: [12:04] Eu acho mais potente pra caralho. Na verdade Vikings foi um divisor de arco. Não exatamente Vikings. O primeiro pra mim divisor de arco foi Roma. Não sei se você viu Roma.

Rodrigo Candelot: [12:16] Eu não vi Roma, cara. Eu tô querendo ver Roma.

Eron Falbo: [12:18] É um dos maiores atores da BBC, o Kieran Hines. Ele faz o Júlio César. E, puta que pariu, essa parada, isso realmente é um divisor de água. Só que Roma não foi tão popular quanto o Vikings, né? Então o Vikings acho que foi mais divisor de água no sentido de popularizar, tipo, um épico ambíguo religiosamente, entendeu? É isso que eu ia dizer. Contrário da Record, que tá tentando fazer propaganda de assuntos evangélicos, o Vikings é ambíguo, né? Ora, o Ragnar tá... Abraçando a causa pagã, a causa de Odin, Loki, etc. E ora ele está respeitando o cristianismo medieval.

Rodrigo Candelot: [13:04] Mas isso acontece muito na nossa fase, por quê? Ali naquela fase existia o politeísmo. Eram vários deuses. E cada civilização, cada povo tinha os seus deuses. Então, por exemplo, em Ur, os deuses eram Nana e Inana. Já a galera que quer invadir, que são os amoritas e os elamitas, eles já tem outro deus Sacou? E o Terá, que é o pai do Abraão, né? Que é o que a história é em cima do Terá E só um.

Eron Falbo: [13:36] Parênteses, o Abraão tá na sua parte?

Rodrigo Candelot: [13:39] Sim, mas ainda criança, ele ainda é criança, né? É porque é o seguinte, Ur, as pessoas às vezes confundem um pouco, né? A novela, ela tem sete fases, né? Só que Ur, a fase de Ur tem três dentro dela Abraão nasceu em.

As sete fases e envelhecer em cena (13:40)

Eron Falbo: [13:54] Uru e migrou pra Canaã, né?

Rodrigo Candelot: [13:57] Exatamente. Então, o que acontece? Ele migrou porque o pai depois migra, né?

Eron Falbo: [14:02] Então, assim... Nossa, possivelmente é porque Deus falou.

Rodrigo Candelot: [14:05] Sim, sim.

Eron Falbo: [14:07] Bate e eu vou te mostrar a terra pronta.

Rodrigo Candelot: [14:11] Mas o que eu digo é o seguinte, o que é interessante da novela é que como são passados de 17, 17 em 17 anos, o meu personagem, por exemplo, eu começo a trama com 35, Depois, a gente tá nessa fase agora que eu tô com a minha idade, 48. E agora, hoje, hoje começa a nova fase que eu já vou tá aí com quase 60 anos.

Eron Falbo: [14:35] Ah, pera, só pra poder botar maquiagem.

Rodrigo Candelot: [14:37] De... Meu irmão, barba branca, grandona. Eu raspei a cabeça na época. Meu cabelo ainda tá pequenininho.

Eron Falbo: [14:44] Mas seu personagem tem sempre barba, não? Porque a galera na Mesopotâmia, todo mundo tinha barba.

Rodrigo Candelot: [14:50] Sim, sim, meu personagem tem barba. E as pessoas perguntavam, pô, essa barba aí, Candelo, é barba justiça? Não, cara, foi minha barba. Eu deixei minha barba crescer mais de seis meses. Minha barba ficou gigante, claro que... Em alguns momentos, por exemplo, quando eu fui ficando mais velho, meu personagem, a barba tinha que crescer um pouco mais. Aí botava um pequeno enchimento na minha barba.

Eron Falbo: [15:15] O mega hair, né?

Rodrigo Candelot: [15:17] É, é. E pintavam a barba toda de branco, sacou? E a gente usava um cajau preto no olho e uma pele envelhecida. Os coroas têm aquelas manchas na pele, sabe? Que começam a ficar várias manchas. Então eles pegavam um pincel marrom e jogavam, espirravam no teu rosto e no teu braço e ia ficando com essas pintas, maluco. Aí você ia ver que o teu rosto estava envelhecido mesmo, entendeu?

Eron Falbo: [15:45] E a maquiagem deve estar super bem feita, né, hoje em dia. Porque, cara, uma das piores coisas da televisão brasileira, eu crescendo, era a maquiagem. O sangue era uma parada assim, tipo um molho rosé. Não tinha nenhum cuidado.

Rodrigo Candelot: [16:02] Se você, por acaso, tiver curiosidade de acompanhar alguns capítulos da novela, As batalhas e as cenas de luta, de espada entrando no corpo. Cara, é muito bem feita. Muito bem feita.

Eron Falbo: [16:13] Você me dá umas dicas, assim, dos episódios mais bem feitos, mais bem escritos, não sei o que, pra eu poder me motivar a assistir.

Rodrigo Candelot: [16:23] Cara, eu acho que é o seguinte. Eu acho que se eu ser hoje, por exemplo, depois a novela vai ao ar às 9 horas da noite. Então, assim, ah, tu tá lá em casa de bobeira 9 horas da noite? Liga lá um dia, depois até, por exemplo, vai ter dia que vai ter batalha. Na noite passada, por exemplo, teve enforcamento, teve invasão.

Eron Falbo: [16:38] É, então, eu quero ver essas fases, porque até me interessa em termos de... Da produção, assim, porque, porra, eu apesar do... Eu sou charlatão, né? Então, como eu tô do charlatão, eu preciso saber um pouquinho de tudo, entendeu? Então, a produção cinematográfica é uma das coisas, assim, que eu fingo saber.

Rodrigo Candelot: [16:54] Cara, se você entrar hoje lá um pouco, você vai ver pelo pouco da direção de arte, do que tem lá, que é um cuidado com...

Eron Falbo: [17:01] Mas eu não tava brincando, eu não tenho TV aberta e não tenho nenhum canal, então assim, eu realmente não tenho... Eu não sei, de repente tem aplicativo...

Rodrigo Candelot: [17:09] Eu te mando depois umas cenas por WhatsApp, pronto, eu te mando pra você ver.

Eron Falbo: [17:13] É isso que eu queria ouvir.

Rodrigo Candelot: [17:14] E aí você pode depois publicar lá. E aí você percebe, cara, na novela em si que é uma produção que é assim, brother, coisa que eu nunca vi no Brasil Até porque a Globo, por exemplo, que está acostumada a fazer novela contemporânea, faz algumas coisas Agora a Globo obviamente tem feito muita minissérie, então tem algumas coisas mais rebuscadas em termos de cenário, direção de arte, mas a Record fez um estudo muito grande de aprimoramento nessa coisa de reproduzir a antiguidade. Então, desde os 10 mandamentos, as outras coisas épicas que a Record fez, você olha aquilo e fala, meu irmão, eu tô vendo uma parada sinistra. Até os efeitos especiais, se você percebe os efeitos especiais, por exemplo, que tiveram no começo do dilúvio, da água enchendo do barco, você olha aquilo e fala, meu irmão, essa parada é Hollywood. Essa parada eu nunca vi no Brasil ninguém fazendo, você tá entendendo? Porque realmente a Record conseguiu fazer um aprimoramento tecnológico muito grande em muito pouco tempo, porque ninguém fazia no Brasil novela épica, né?

Efeitos e a produção nacional (17:47)

Rodrigo Candelot: [18:20] E aí eles falaram, cara, vamos fazer uma novela...

Eron Falbo: [18:22] Épico nenhum no Brasil, aonde tem época? Tem assim pouquíssimos exemplos... Bom, épico mesmo, né? A gente tem alguns filmes de alguma coisa... Mas que não tinha muito efeito especial, ou nada de efeito especial. E é mais assim, figura mais num figurino, figura numa... Sim, mas o que.

Rodrigo Candelot: [18:39] Eu acho legal dessa novela é que, óbvio, é uma novela, então é um folhetim, tem uma trama, tem conflito. Tem um herói, tem um vilão. Então você vê naqueles figurinos, com aquela direção de arte, aqueles cenários, uma trama acontecendo que você fica assim, cara, o que vai acontecer agora? Maluco morreu fulano. Meu irmão, quem essa pessoa vai matar agora? Ih, cacete. Então tem umas paradas meio de Walking Dead, saco? Aí você fala, ih, caraca, matou fulano. Eu não acredito que matou essa pessoa. Então tem umas coisas muito curiosas. Pô, no capítulo passado, meu irmão, morreram umas quatro pessoas que eu falei, não, não é possível, mataram essa pessoa.

Eron Falbo: [19:13] E cara, isso que eu te falei, confesso, na real, tipo, eu abrindo o jogo com você, eu não assisto televisão aberta desde os anos 90, sacou? Então eu vi algumas coisas da Record, por exemplo, Especialmente essas paradas bíblicas que me impressionaram muito. Quando eu comecei, eu comecei brincando, by the way, essa coisa de... De fato eu não assisto, mas o jeito, vamos dizer, sarcástico que eu falo foi brincadeira, mas a verdade é que eu não tenho acesso, eu realmente não estou acompanhando. E isso é uma coisa que a gente pode até conversar sobre, que é o preconceito. Existe um preconceito do... Não só quem não é evangélico meio que põe de lado como se fosse uma coisa meio... Demasiadamente evangélica, como as pessoas pensam que é a recora antiga, né? Então tem aquele...

Rodrigo Candelot: [20:03] Eu acho que o brasileiro tem dois tipos de preconceito com relação à nossa produção do audiovisual O primeiro é essa questão que você falou de ter gente, por exemplo, ah, a parada é religiosa, então só vai assistir quem é evangélico. E eu acho que isso tá mudando exatamente pela qualidade das produções, pelos atores envolvidos. Essa trama, por exemplo, tem muito ator de cinema, muito ator bom, foda, que nunca tinha feito outras coisas e agora tá lá. Então, assim, a qualidade é muito boa. E a outra coisa que eu acho, cara, é que o brasileiro costuma falar que tudo que é feito no Brasil é uma merda, né? O brasileiro fala que é coisa gringa. Então ele gosta de ver filme, gosta de ver série E com as nossas... Agora com o streaming, com Netflix e tal O brasileiro teve mais acesso a muito filme e série do mundo inteiro, sacou? Mas ao mesmo tempo, quando ele vê uma parada que faz um sucesso, por exemplo Eu acho que um divisor de águas no Brasil, pra mim... Porque o Brasil era conhecido por aquele cinema antigo, que era o cinema feito que tinha aquela coisa da porno chanchada, que o filme brasileiro era uma merda, que só tinha mulher pelada, aquelas porras todas, né?

O preconceito com o audiovisual brasileiro (20:34)

Rodrigo Candelot: [21:17] Que a gente ouviu falar. Aí... Carlos Imperial. Aí a Carla Camurati fez aquele filme sobre a chegada do Dom João no Brasil, que mudou a história de ver cinema no Brasil. A partir da Carla Camurati... Peraí, peraí,.

Eron Falbo: [21:31] Peraí, o senhor está falando de Carlota Joaquina, ou não?

Rodrigo Candelot: [21:33] Carlota Joaquina. A partir de Carlota Joaquina, teve meio que uma reinvenção do cinema nacional. E eu acho que o ápice disso foi o filme que eu fiz, que foi o Tropa de Elite. O Tropa de Elite 2... O Tropa 1 e o Tropa 2 fizeram o brasileiro falar assim, meu irmão, Isso é bom pra cacete.

Eron Falbo: [21:54] E Cidade de Deus também, né? Cidade de Deus, tem isso aí. Na mesma época, mais ou menos.

Tropa de Elite e o herói brasileiro (21:57)

Rodrigo Candelot: [21:59] Cidade de Deus também, mas eu acho que o Tropa, ele trouxe uma coisa.

Eron Falbo: [22:02] Muito... Por outro nível, por outro nível. Virou uma coisa de orgulho, até. Porque Cidade de Deus ainda tava naquela coisa também da Central do Brasil, que é tipo assim, é o Brasil da miséria, é o Brasil do... O Tropa de Elite é o Brasil da força, é o lado bom, é o lado positivo.

Rodrigo Candelot: [22:19] Não, e não é só isso. Cidade de Deus retratava o surgimento da Cidade de Deus, era nos anos 70. Então, o Tropa de Elite é o que está acontecendo agora. Então, o neguinho falou, meu irmão, o Zé Padilha teve coragem de botar na tela o que acontece no Brasil hoje.

Eron Falbo: [22:33] É, mas eu acho que é importante essa distinção de que botando a galera do Bop como uma espécie de heróis, né? Porque esses outros filmes, os heróis são os coitados, os heróis não são, entendeu? Não é um herói grego, entendeu?

Rodrigo Candelot: [22:49] É um herói meio... Tem uma grande questão aí, né, que eu acho que a gente demoraria horas e horas falando sobre isso, sobre essa coisa dos heróis, o Bop ter virado herói, das pessoas batendo paula por Coronel Armando.

Eron Falbo: [23:02] Porque ele matava... Que elegia o Bolsonaro.

Rodrigo Candelot: [23:04] Pois é, porque matava a gente. Ah, então é legal matar todo mundo, então sai matando todo mundo. Não é bem assim, né? Mas ao mesmo tempo, as pessoas ficam desassistidas, quer dizer, o poder público não faz nada. Você vai assaltado na rua. Aí o cara vai lá e mata o bandido, o cara fala, opa, então agora tem coisa boa acontecendo. Então assim, é uma discussão sociológica muito grande, que eu acho que não vale a pena a gente estar aqui, mas o que eu acho que o Tropa mostrou é o seguinte, meu irmão, foi retratado na tela o que acontece no Brasil e o brasileiro adorou. E o brasileiro falou.

Eron Falbo: [23:34] É isso que importa de verdade. Porque assim, a repercussão, as consequências, qualquer coisa, são coisas que todo grande filme tem prós e contras. Tem coisas boas e coisas ruins. Tipo assim, eu sou a favor de legalização das drogas. O Tropa de Elite foi extremamente contra a legalização das drogas. Ao mesmo tempo, eu sou a favor de respeitar a funcionalidade e o trabalho deles.

Rodrigo Candelot: [23:57] Eu sou completamente a favor da legalização das drogas. Pô, ontem o México, né? O México legalizou, né?

Eron Falbo: [24:03] Pô, eu nem vi, eu vi o que rolou, eu até não...

Rodrigo Candelot: [24:06] O México legalizou, irmão. Passou no congresso mexicano.

Eron Falbo: [24:08] Todas as drogas ou maconha?

Rodrigo Candelot: [24:10] Todas, eu acho... Bom, eu não me lembro se todas as drogas, mas eu sei que a maconha passou.

Eron Falbo: [24:14] Pode ser a maconha, porque eu lembro que estava em pauta a maconha.

Rodrigo Candelot: [24:17] É, a maconha passou, você pode ter fins recreativos, fins medicinais, você pode plantar, eu acho que, oito pés em casa, você entendeu? É.

Eron Falbo: [24:26] Oito pés em uma bolha, dá pra conversar isso aí.

Rodrigo Candelot: [24:28] Oito pés, irmão. Oito pés em casa. Então, assim, a parada passou, o mundo tá progredindo, né? Numa velocidade astronômica, e a gente, às vezes, vai perdendo essa evolução. E eu acho que, apesar do Tropa retratar um Brasil que a gente reconhece, mas que a gente não gosta de ver, né? A gente não gosta de ver aquilo. A gente fala, olha aquilo, não sente orgulho daquilo. A gente fala, caraca, isso acontece no Brasil, cara. Isso acontece toda hora.

Eron Falbo: [24:52] Essa aqui acontecia muito no Brasil, especialmente por causa de filmes como Cidade de Deus e vários outros filmes desse tipo, tinha muito uma visão que era meio anti-polícia. E na verdade não só por isso, porque de fato existem problemas que até no Tropa de Elite retrata, né? Corrupção da polícia, abusos dos policiais. Isso é uma realidade que ninguém pode negar. Mas é óbvio que também tem outro lado, que os policiais são heróicos no sentido de que num semi-caos ou caos completo de zonas babilônicas, zonas de faroeste que existem no Brasil, eles estão diariamente arriscando a vida deles. E tudo bem que eu sou pota, porque se legalizassem essas drogas ia ser muito menos. Mas ao mesmo tempo, já que está nesse cenário, muitas vezes estão defendendo, sim, de pessoas que têm FUGIS, né? Pessoas que têm R-15, porra...

Eron Falbo: [25:55] Cara, a.

Rodrigo Candelot: [25:55] Gente não pode esquecer nunca. A gente não pode esquecer nunca, Eron, que o brasileiro costuma falar assim. Ah, tudo quanto é policial é corrupto. Tudo quanto é deputado é corrupto. Tudo quanto é isso é escroto. A gente tem uma mania de generalizar as coisas. E não é assim.

Polícia, política e Pimentel (26:10)

Eron Falbo: [26:10] O deputado é verdade, mas por isso...

Rodrigo Candelot: [26:13] A grande maioria, a gente tem nossas dúvidas, mas tem gente boa lá no Congresso.

Eron Falbo: [26:17] Eu tenho vários amigos deputados. Um abraço para os deputados do Brincâncio e São Paulo do Bem.

Rodrigo Candelot: [26:25] A galera, cara, a galera que não é corrupta, a galera que pensa num Brasil maior, a galera que não pensa só em si, porque o grande problema dessas corporações que eu vejo, os deputados, os policiais, é quando eles pensam só em si. Ah, então eu vou fazer aquele arrego ali. Ah, então aquele cara que não passou na vistoria, ele me dá um dinheirinho. Então eu não vou multar aquele cara se ele me dá uma grana. Então é uma parada egoísta que o cara pensa só nele. O cara mancha a corporação e vai ficando por isso mesmo. Você está entendendo? Então, assim, é uma bola de neve. E por isso que tem uma fala do Nascimento que eu acho foda, que é foda, apesar de ser bem... Bem forte que ele fala num filme que é o seguinte, que a polícia militar do Rio de Janeiro tinha que acabar e tinha que nascer uma nova polícia, porque essa galera já está com a mentalidade de, é o seguinte, eu vou chegar lá, o meu salário é uma merda, eu vou ter que batalhar para prender bandido, eu não vou conseguir pagar minhas contas, então, meu irmão, eu vou pegar um arrego do tráfico, eu vou fazer uma blitz falsa e pegar dinheiro do cidadão, porque o cara já vai para lá com essa mentalidade.

Rodrigo Candelot: [27:32] Então, a galera que está aí Tinha que ser formado os novos cadetes, como uma nova classe política no Brasil, para que as pessoas falassem, porra, eu vou fazer a coisa certa, eu não vou ser mais um vagabundo, entendeu?

Eron Falbo: [27:43] E também deixar de ser Polícia Militar, que essa parada aí é uma parada de Vargas, né? Por que tem que ter Polícia Militar? Tem que ter uma Polícia Civil sempre, só Polícia Civil Polícia Militar é coisa de Estado totalitário, cara Claro, tinha que.

Rodrigo Candelot: [27:55] Ser uma Polícia só Mas isso, cara, os grandes teóricos no Brasil que internam de segurança pública sempre defenderam uma Polícia Unificada Eu tô falando isso porque a minha mãe, ela foi diretora do estande penitenciário e ela entende muito dessa questão.

Eron Falbo: [28:10] Então você tem um background knowledge pra ter feito Tropa de Elite 2?

Rodrigo Candelot: [28:15] Tenho. Ouvi muito. Eu fiz umas boas pesquisas.

Eron Falbo: [28:18] Agora, meu personagem já não é corrupto, né?

Rodrigo Candelot: [28:21] Mas eu li muito, eu aprendi muito, ouvi muita coisa. O Pimentel, ele é um cara que conhece a minha mãe. Então, eu conversei um pouco com o Pimentel.

Eron Falbo: [28:34] O Pimentel é verdadeiro, você falou. Pimentel verdadeiro.

Rodrigo Candelot: [28:38] É, o Pimentel verdadeiro, o Rodrigo Pimentel, né? Que é o cara que idealizou o Tropa junto lá com o Zé Padilha e tudo, né?

Eron Falbo: [28:45] As histórias... Ah, tá, achei que eram os personagens.

Rodrigo Candelot: [28:47] Não, não, não.

Eron Falbo: [28:48] O Pimentel era o capitão Nascimento, né? Na vida real.

Rodrigo Candelot: [28:52] É, o Pimentel, na verdade, o Nascimento, ele é a junção de alguns personagens. Ah, entendi. Então ele tem um pouco do Pimentel, ele tem um pouco do Storani, que foi um outro comandante do BOT, É uma mistura de personagens. As pessoas costumam associar o Nascimento ao Pimentão.

Eron Falbo: [29:11] Eu acho que é meio biográfico do Pimentão.

Rodrigo Candelot: [29:13] É, é. Mas o que eu acho que fica disso tudo, voltando ao que a gente estava falando sobre o audiovisual brasileiro, é que assim, eu acho que a nossa produção hoje, ela é muito melhor, sabe? A gente produz hoje, por exemplo, comédia. O brasileiro adora comédia, né? Eu faço muita comédia, né? Então, por exemplo, brasileiro... Lota o cinema pra ver o Leandro Hassum, cara. Lota o cinema pra ver a Ingrid Guimarães, sabe? Então, assim, o brasileiro tá acostumado a ver coisas... Tem coisas do Brasil que eles não gostam, por exemplo. Sei lá, Policial. Ah, Policial. Suspense, vou ver um filme americano. Filme de aventura. Pô, tu já imaginou no Brasil a gente, pô, produzir um Vingadores? Impossível, irmão.

Eron Falbo: [29:52] Impossível você produzir Vingadores.

Rodrigo Candelot: [29:55] Então, mas aí agora fizeram essa série nova aí pra falar sobre os mitos brasileiros, né? E... Cidades Invisíveis, sei lá, esqueci o nome agora.

Eron Falbo: [30:06] Ah, eu quero ver isso aí, porque tá até sedutora.

Rodrigo Candelot: [30:09] É, e tem alguns amigos meus que fizeram, gravaram na Amazônia e tal, eu tô curioso de assistir. Então assim, o Brasil é muito tupiniquim em algumas paradas, mas ele tem know-how de muitas coisas. Então eu acho que... Nesses filmes, por exemplo, que tem tido muito agora Agora vai sair uma leva de filmes nessa área de ação policial O José Júnior, do Afro Reggae, está produzindo uma série de séries com a Globo, SAT, com o GNT, com o Multishow De coisas nessa área de divisão antissequestro, polícia civil Porque é uma área que ele domina muito, então nessa área eu acho que o Brasil tem feito séries incríveis, sacou? Isso a gente não pode negar Agora, tudo tem altos e baixos, né velho? A gente tem uma produção audiovisual complicada, que agora nesse governo complicou pra cacete, não tem verba, não tem dinheiro É,.

Eron Falbo: [31:09] Mas sinceramente eu acho que a longo prazo isso vai ser melhor para a produção brasileira, que vai desmamar a dependência e incentivo do governo e vai fomentar mais o mercado interno de produção, fazer parcerias com Netflix, fazer parcerias com Amazon, outras coisas e se andar nos próprios termos.

Fomento: andar com as próprias pernas (31:19)

Rodrigo Candelot: [31:30] É o que a gente acha, mas... Por exemplo, a gente tem um fundo nacional de cultura lá no governo que estava parado e os artistas passando fome na pandemia. Aí... Ah, tudo bem. Seu outro papo. Uma galera, junto com a Jandira Feghali, com a deputada Jandira Feghali, uma galera, conseguiram fazer com que aquele dinheiro que estava parado virasse a Léa Aldir Blanc, de socorro aos artistas, né? Então, assim... Ah, legal. Foi do caralho, por exemplo, essa peça que eu estou agora em cartaz, que está com enrolados, é uma comédia que eu fiz há cerca de cinco anos atrás, montei do meu bolso, porque eu não consegui patrocínio, e a gente, que é artista, irmão, a gente vai fazer. Com dinheiro ou sem dinheiro? A gente vai e quer fazer, porque o artista não consegue ficar parado. O artista tem que fazer, entendeu? É do artista isso, essa coisa de ebulição constante. Então, eu queria fazer uma peça, eu queria dirigir, era a minha primeira direção teatral. Eu falei, cara, vou fazer. Chamei os amigos que toparam fazer no Amor e fomos na bilheteria. Pô, menino, o neguinho ganhava 20 prata numa noite, 10 prata, 30 prata, entendeu?

Rodrigo Candelot: [32:33] E assim, quando dava muito, o neguinho tirava uns 50 reais, 60 reais,.

Eron Falbo: [32:41] Que.

Rodrigo Candelot: [32:41] Eu fui contemplado e eu consegui reensaiar a peça. Fizemos uma apresentação semana passada no Teatro Cândido Mendes. Gravamos a apresentação. Tivemos um público metade da casa por causa das restrições da pandemia. E está sendo agora exibido online de quarta a domingo, durante esse mês inteiro, de graça. Você vai assistir na tua casa sem ter problema de pegar covid. No Facebook da peça, na fanpage da peça do Enrolados. Então assim, se não fosse a Neodinho Blanc, eu não teria conseguido fazer a peça.

Eron Falbo: [33:16] É, eu acho assim, em termos de momento, é porque assim, eu tava até conversando com o Marcio Libarra aqui, que é um grande amigo meu.

Rodrigo Candelot: [33:25] Adoro o Libarra.

Eron Falbo: [33:25] Conhece?

Rodrigo Candelot: [33:26] Conheço.

Eron Falbo: [33:27] Ele veio mostrar aqui, a gente tava conversando, viu sobre isso. Ah, legal. É que assim, o lance é que tem, você tem dois aspectos. Uma coisa é a pandemia, as pessoas tão, pô, não tão, tão impossibilitados de certas coisas. Aí eu até acredito que, ainda mais porque o Brasil não está sofisticado, o mercado de entretenimento no Brasil ainda não tem a sofisticação para poder pagar as próprias contas, entendeu? É como você ter um filho que não consegue andar de jeito nenhum e você deixa ele no chão. Você pega a mão dele e você ajuda ele a andar, tudo bem. Só que eu acho que a mentalidade que não deveria ser o status quo é a questão de manter aquela dependência, entendeu? Tem que ter um programa de fomentar o mercado brasileiro para andar com as próprias pernas, entendeu? Porque senão fica sempre mamado no governo e nunca evolui com o poder real.

Rodrigo Candelot: [34:29] O que tinha que ter era o fomento que existia nos estados e nos municípios e no governo Tinha que ter uma lei que tivesse esses editais todo ano Que você vai lá para o seu espetáculo, ou o teu filme, ou a tua longa-metragem, ou o show da tua banda, ou o teu livro que você quer lançar E você poder ter acesso a esse dinheiro, entendeu? O problema é que o Brasil, cara, é um país que a cultura e a educação são sucateadas há anos, né, irmão? Há anos. Então a gente tem muita dificuldade de conseguir patrocínio. Aí como é que você consegue patrocínio de um filme? Aí você então bota o Leandro Rassum... Que é um cara conhecido, aí você vai lá, bate em algumas patrocinadoras e você consegue fazer um filme com o Leandro Hassum. Agora o Rodrigo, que não é o Leandro Hassum, o outro ator tal que tá ainda batalhando, querendo fazer. É muito difícil. Então, o bom da Léa Aldir Blanc e de outros fomentos que tem é que você diversifica isso pra mais gente.

Eron Falbo: [35:29] Tá certo, mas o que acontece? Essas pessoas que estão recebendo o incentivo, porque assim, vamos olhar para Hollywood nos anos 20, quando estava começando, no começo do século 20. Aquilo começou com uma questão de, a primeira vez, a tecnologia para fazer isso aí, os primeiros investidores de Hollywood, eles pegaram capital do próprio bolso, se arriscaram, a grande maioria perdeu e não conseguiu nada e o mercado foi se criando aos poucos, muita gente perdendo dinheiro e algumas pessoas aprenderam a ser empreendedores de entretenimento. Aqui no Brasil não existe empreendedor de entretenimento, aqui no Brasil existe um produtor que cria edital para ganhar. Então a pessoa não criou essas pernas de andar, até o Walter Salles, que é filho de banqueiros, usou a Lei Rouanet para fazer os filmes dele.

Hollywood, mecenato e empreendedorismo (35:35)

Eron Falbo: [36:32] Então isso é um problema cultural essencial. Dar uma assistência para o público quando está incapacitado, tipo na pandemia, ou quando não está acontecendo nada mesmo, e dar um empurrãozinho. Mas o Brasil precisa, eu acredito assim, eu estou falando como brasileiro, não estou falando como alguém de fora. Eu cresci assim, É óbvio, cara. Hoje em dia, o que vocês estão fazendo é um trabalho maravilhoso, com produção altíssima. Eu imagino que não devo estar sendo bancado com editais também. Então isso é parte do processo de empreendedorismo cultural que está crescendo de uma forma ou de outra no Brasil. E tem que ter mais, eu acredito que pelo bem do Brasil, uma coisa muito forte pra mim, porque eu cresci assim, hoje em dia eu trabalho no mercado financeiro e tal, mas até os 27 anos, cara, eu era artista, só artista, entendeu? E eu fazia a mesma coisa, eu tinha que ralar, e a mesma coisa do processo de ebulição, tinha que estar sempre produzindo, não tinha de onde tirar o dinheiro e tinha que fazer.

Eron Falbo: [37:36] Então eu entendo essa parada de ter que fazer e não ter de onde tirar e querer que alguém salve. Só que ao mesmo tempo esse processo me ensinou muito sobre empreendedorismo. Eu fiz acontecer coisas milagrosas com mil reais. Você chama os amigos, faz a coisa girar. Isso, uma experiência vai gerando outra experiência e você vai virando empreendedor das artes, que eu acho que é importante para o Brasil.

Rodrigo Candelot: [38:05] É, cara, a gente vai rebolando onde a gente pode, né, irmão? Então, por exemplo, eu hoje virei produtor dos meus espetáculos Eu adoraria, por exemplo, ser só ator ou só diretor Mas se eu não correr atrás, a parada não acontece, velho, sabe? Então, assim, a gente tá batalhando, batalhando, batalhando E em cima disso, foi até por causa dessa minha contínua batalha aí na pandemia Que eu criei o meu canal de humor no YouTube, né? O Bagaceiro Bagaceiro Foi exatamente isso, empreendedorismo, eu não tinha grana, foda-se, vou fazer...

O canal Bagaceiros e o humor dos dois lados (38:18)

Eron Falbo: [38:39] E isso é totalmente independente seu?

Rodrigo Candelot: [38:41] Hã?

Eron Falbo: [38:43] É totalmente independente?

Rodrigo Candelot: [38:44] Então, eu coloquei uma grana e um amigo meu, que mora em Nova York, que também tem uma visão de que Pode-se ganhar dinheiro com isso, né? Haja visto aí o Porta dos Fundos, uns canais que cresceram pra caramba na internet hoje, andam fazinhos. A gente falou, cara, a gente não é o Porta dos Fundos, mas a gente tem umas ideias aqui, tem os atores engraçados, vamos fazer um canal de humor? E fui, meu irmão, me larguei. Criei o canal Bagaceiros aí que tá no YouTube desde outubro. Pô, a gente tá aí já com mais de 4 mil inscritos no nosso canal.

Eron Falbo: [39:20] Que bom, cara. Que bom. Você merece. Eu vi alguns do Bagaceiros e achei muito legal. E eu achei também muito legal o jeito que vocês, diferente do Porto Sul, vocês colocaram algumas mensagens, sempre com muito humor, mas algumas mensagens sociais bem colocadas, né?

Rodrigo Candelot: [39:40] Tem um pouco de tudo, cara. A linguagem do canal é diferente, por exemplo. Tem o vlog das pessoas falando com a câmera. O Igor tem o Rocardo lá, que é esse cara meio mal-humorado, que reclama de tudo. Aí tem a Fala e Fabi, que a Fabi faz sobre coisa de homem, que ela fica dando dica pros homens como é que eles têm que fazer pra falar com as mulheres e tal. Aí tem o Batata, que eu faço com o cara Peter Pan, pegador, que fica tentando pegar a mulher, não consegue pegar nenhuma mulher, se fode. E tem as esquetes, e tem as esquetes que a gente tá produzindo. Agora a gente fez uma esquete, cara, que foi o maior sucesso, que o Charles Paravente fez com a Shirazade, que era o assédio, digamos, ao contrário.

Eron Falbo: [40:19] Eu vi essa, eu vi, eu vi.

Rodrigo Candelot: [40:20] Tu viu essa?

Eron Falbo: [40:21] Muito bom, muito bom.

Rodrigo Candelot: [40:22] Pô, irmão, isso aí.

Eron Falbo: [40:23] Eu soube mais de você.

Rodrigo Candelot: [40:25] Isso aí foi muito engraçado. Pô, a gente falou, caraca, a gente também não quer fazer só por fazer. Vamos fazer uma piada aqui? Vamos escrever uma piada aqui engraçadinha e vamos fazer? Não. Então também tem isso no canal, sabe? Eu quero fazer comédia, mas eu também acho que tem que ter um pé na ferida ali.

Eron Falbo: [40:41] O que eu achei mais genial, se você me permitir eu te dar um elogio e ao mesmo tempo uma resenha para o pessoal que está ouvindo, saber um pouquinho do valor do Bagaceiros e ir lá assistir no YouTube. Isso que eu achei genial, porque vocês não estão fazendo uma pauta ideológica. Eu acho que o Porta dos Fundos perdeu muito numa coisa que eles são muito partidários, entraram numa coisa assim de estão defendendo uma coisa e estão ante outra coisa. O jeito que eu vi, pelo menos o que eu vi eu posso estar interpretando errado, mas o jeito que eu analisei eu achei genial. Foi assim que vocês mostraram os dois lados da moeda. E numa situação de show, don't tell. Assim, ao invés de explicar que o Porta dos Fundos faz muito... Pô, não tô querendo estragar o Bosman, mas eles são a referência, né, de YouTube. E eu adoro eles, by the way, então só tô usando isso como exemplo. Para dizer como vocês são únicos, vocês não estão aí fazendo uma repetição de fórmula, vocês estão fazendo uma coisa inovadora. E o que eu vi foi o seguinte, tem lá o cara sem camisa e a mulher falou, é gostosão, e você mostra os dois lados da moeda, um que você percebe, como homem você percebe, que chato que deve ser mesmo essa situação, o homem enchendo o saco da mulher, ao mesmo tempo você vê o lado da mulher e fala, também não é tão mal assim.

Rodrigo Candelot: [42:00] Olha, o que a gente recebeu... E.

Eron Falbo: [42:02] A mulher exagerou um pouco, chamaram o pai e a mãe... O cara tá aqui super comendo e a mulher vai atacar ele.

Rodrigo Candelot: [42:11] Aquilo é genial, cara. Aquilo ali é uma exacerbação... Do mito em cima da coisa do assédio, saco? Imagina o homem tem que passar pelo que a mulher passa, né? E aí é o ponto, tem que pegar no telefone e pedir pra mulher pegar ele lá porque não sabe o que a mulher vai fazer com ele. É piada, é piada. Não é assim, não é assim. Agora, as mulheres, meu irmão, adoraram. Falaram, caralho, não dá bem que vocês fizeram isso.

Eron Falbo: [42:38] Não, mas é assim, sim. O que eu tô dizendo com isso de exagero é que tem uns dois lá, realmente é uma merda que homem fica enchendo o saco de mulher, né? Só que assim, a gente como homens, eu nem tenho ideia disso, né? Então é até bom a gente ver essas coisas. Porque a gente só, porra, a gente pensa com pau e vai lá e faz os paus, que tem que ficar com aquele olho assim... Não tem limite, né?

Rodrigo Candelot: [42:58] O assédio é o homem que sai do limite, né, irmão? Da azaração.

Eron Falbo: [43:04] Mas muitas vezes, o que eu percebo, eu mesmo, olhando pra mim mesmo, muitas vezes é que a gente perde a noção do limite. Porque sobe a cabeça, o desejo da caça.

Rodrigo Candelot: [43:16] E é aquela coisa, brother, do machismo, entendeu? De que, pô, o homem vai conseguir tudo, entendeu? E a mulher é, entendeu? Ah, é a mulher ali que eu vou ali pegar com esse foda-se. Também não sou um pegar-o-pega-outra. Isso tudo, né, com o crescimento da sociedade, com o movimento feminista e tudo, a gente começa a ver, porra, aquela parada que eu fazia quando era moleque não é legal.

Eron Falbo: [43:36] É, total, é verdade.

Rodrigo Candelot: [43:37] Não é maneiro.

Eron Falbo: [43:38] Isso, total, com certeza.

Rodrigo Candelot: [43:39] Não é maneiro, pô, puxar o braço da menina e querer dar um beijo pra menina, sabe qual é? Esse tipo de coisa, que a gente fala, ah, não, a gente vai no cinema.

Eron Falbo: [43:48] Eu tenho uma experiência, tipo assim, que eu cresci no rock, né? Eu cresci em Brasília e eu era assim, eu não conseguia respirar o oxigênio de boate de playboy, sacou? Eu ia nos boates de playboy e eu sentia assim, tudo bem que é porque eu era meio que inseguro, aquela coisa, não sabia lidar com o pheromônio, não sabia lidar com aquele ambiente de competição pesado. Tinha esse lado. Então no rock eu fazia caras de pussy e me dava bem. Fazia uma parada meio de Morson, tipo, andando, blazer. Estava certo, beleza. Mas quando eu fiquei mais velho e tal, aí eu venho a porra nas boate, playboy, as mulheres... Se produzem mais, tem muito mais mulheres bonitas. Aí eu percebi uma coisa, porque eu cresci em boate de rock. Eu percebi uma coisa bizarra. Em boate de playboy, muitas vezes, é uma questão até de linguagem cultural. Algumas mulheres não respondem pra você se você não tiver uma certa agressividade.

Playboys, carnaval e a antropologia do flerte (43:55)

Eron Falbo: [44:52] E isso eu tô falando que é uma percepção de comparar esses dois mundos. Tipo assim, quando eu tentei, que é a coisa que eu nunca fiz na vida, puxar pela mão o que você falou, a mulher adorou, sabe?

Rodrigo Candelot: [45:02] Eu acho que é mais a coisa da atitude.

Eron Falbo: [45:05] É, exatamente. É isso. Você pode demonstrar essa atitude de várias formas. Aí eu só vi meu amigo fazendo... Eu tinha um amigo que estava me guiando, que era um playboy, e eu vi ele fazendo alguma coisa e falei, pô, eu sou meio ator na vida, ator antropológico. Às vezes eu faço uma coisa pra poder sentir a experiência, pra ver o que é aquela parada. Aí eu vi ele fazendo e falei, pô, vou fazer, foda-se. Aí eu fui lá e... Ele aparentemente puxou a mão da mulher e ela adorou. Ela olhou pra mim, me abraçou, sabe? Eu fiquei horrorizado.

Rodrigo Candelot: [45:40] Mas, cara, isso não impede da gente puxar a mão de uma mulher e querer ter uma parada com ela se a mulher estiver dando, no mínimo, a moral pra gente, né?

Eron Falbo: [45:48] Claro. E também se a gente puxar a mão e se ela indicar que não é assim, né? E pedir desculpa e... E falar, olha,.

Rodrigo Candelot: [45:56] Querido, não rolou nada. Exatamente.

Eron Falbo: [45:57] Eu entendi errado.

Rodrigo Candelot: [45:59] O carnaval é um estudo antropológico do machismo total, velho. O carnaval é foda, meu irmão. Coisa da guerra do carnaval. Que vai, que faz, que a mulher também te agarra, que você agarra. Mas, meu irmão, é claro que o cara tá com bebida, a mulher bebeu, não sei, aquelas coisas de agarração, tudo bem. Mas aí a mulherada vai fazer algum negócio do não é não, né? Porque o neguinho tá bêbado, aí acha que vai pegar e vai agarrar e vai querer. A mulher fala, meu irmão, não quero. Ah, não, quer sim. Não, carnaval pode tudo, porra. Por que não vai poder beijar no carnaval? E aí começou essa história do não é não, né?

Eron Falbo: [46:39] É verdade, é verdade. Não é não. O problema é que essa coisa do não é não, até não lembro que comediante fala. Porra, não é não? Mais ou menos, nem sempre. Tudo depende, né? No jogo da sedução, muitos nãos são justos. Por favor, tente um pouco mais. O não é ainda não.

Rodrigo Candelot: [47:04] Eu acho que quando é aquele não muito enfático, que você percebe Sim, o homem consegue perceber.

Eron Falbo: [47:10] Bom, o homem experiente pelo menos, o homem que já recebeu um não verdadeiro.

Rodrigo Candelot: [47:15] Eu acho que é diferente, por exemplo, você quer sair com uma gatinha, aí você ligou pra gatinha e a pessoa, ah não, não rola hoje, não sei o que, te deu um não. Beleza? Mas você fala, eu acho que rola, eu vou insistir de novo. Aí tu liga de novo, ela já... Olha, é porque hoje não dá, mas quem sabe um dia, outro dia, né? E aí, de repente, uma terceira, uma quarta vez, você consegue sair com a gatinha. Então, assim, você tem que sentir quando aparece. Se a mulher de prima já fala, meu irmão, não rola, ó, você não me atrai, tu não é meu tipo de homem e tal, tu vai ficar insistindo.

Eron Falbo: [47:45] E também você tem que ter dignidade, né? Ultimamente, graças a Deus, eu tô finalmente, depois de 36 anos, eu tô começando a ter um pouquinho mais de dignidade em relações românticas. E assim, se eu falo, e aí, bora sair? É, bora! Tá o dia! E aí, vai rolar? Não, pior que esse dia eu não vou poder. Aí ela não me responde, eu falo, cara, eu vou lá no WhatsApp e ponho arquivar pra não ver mais ela e ponho silenciar no Instagram pra não ver mais ela. Porque tipo, porra, eu não vou ficar indo atrás também, sacou? Tem uma certa dificuldade. Você já percebeu que eu tô afim? Aí se você quiser marcar uma coisa...

Rodrigo Candelot: [48:29] É que essa parada de relacionamento, eu acho que chega uma hora que ou a gente tem amor próprio ou então, meu amigo, você vai fazer qualquer parada, entendeu?

Eron Falbo: [48:37] É, verdade, verdade. E aí, Oscar, também tem uma coisa, se você não tem esse amor próprio, você não vai estar num relacionamento legal, você não vai ter uma relação legal, uma experiência legal. Ah, eu conquistei a menina, pô, comi uma gostosa. E daí você comeu gostosa insistindo, mendigando, afobado e você teve a ejaculação precoce, sacou? Foi uma merda de experiência. Para todo mundo pôr a merda. Tipo, São Pedro vai chegar lá e vai olhar você, puta que pariu, cara.

Rodrigo Candelot: [49:09] Cara, é legal você falar sobre isso, que essa comédia que a gente tá fazendo, O Enrolados, eu me baseei, eu estudei muito, eu sempre fui fã dos normais, né? Dos normais e da comédia da vida privada, né? Eu adorava, adorava os normais e comédia da vida privada, via muito. E quando eu fiz a minha faculdade de direção teatral e eu saí com vontade de dirigir um espetáculo, eu fiquei com vontade de falar sobre a coisa dos relacionamentos. E aí eu lembrei de uma coisa que não sei se você lembra dessa parada, o Facebook quando surgiu Tinha um negócio lá escrito que você colocava como é que você estava, se você estava disponível ou não, então tinha lá...

Relacionamentos enrolados: do Orkut à peça (49:28)

Eron Falbo: [49:44] Privilégio de solteiro, esfato de relacionamento Esfato.

Rodrigo Candelot: [49:47] De relacionamento, isso, tinha solteiro, casado, tinha enrolado Tinha um item, tinha um item nesse status que era enrolado. Aí eu lembrei dessa parada e falei, meu irmão, eu vou criar uma peça pra falar sobre relacionamentos enrolados. Pessoas que se enrolam. Então, o que é legal na peça é que todas as relações que tem lá são relações conturbadas.

Eron Falbo: [50:09] Só que tem que ser de época, tem que ser na época do Orkut. Esse é o cenário de época.

Rodrigo Candelot: [50:15] Relacionamento, brother, vai ser enrolado e vai ter.

Eron Falbo: [50:20] Porque você pode usar essa parada do Orkut, sacou? Você pode usar o... A entrada pode ser, tipo, relacionada, enrolada, sabe? E é engraçado que isso é de época de 10 anos atrás, sacou?

Rodrigo Candelot: [50:34] Os aplicativos, que neguinho tá conhecendo gente com aplicativo. Eu criei um quadro que se chama Sugar Baby, que é pra zoar com essas mulheres que colocam lá a SB.

Eron Falbo: [50:43] Caraca, para as mais irritantes do mundo essa cultura.

Rodrigo Candelot: [50:48] É, aí eu criei um quadro sobre a coisa da Sugar Baby, que é, digamos assim, a prostituta moderna, mas não quer falar que é prostituta, sabe qual é? Então, ah, eu sou Sugar Baby.

Eron Falbo: [50:56] É uma entre a dona de casa e a prostituta, né?

Rodrigo Candelot: [50:59] É, tipo assim, você me dá um presente, você me paga o final de semana inteiro, tá bom, aí eu dou pra você. Porra!

Eron Falbo: [51:05] O que eu justo falei ontem... Com quem que foi que ontem eu... Caraca, tá me dando branco. Eu tô fazendo tanta live. Rapidão, deixa eu não desonrar o meu convidado. Com a Najara, porra. Najara, dona da Therma Centauros. A gente estava falando sobre essa parada de níveis de prostituta De como muitas donas de casa na verdade são prostitutas Que trocaram a liberdade delas, trocaram a carreira delas por uma facilidade de ser sustentado por um marido, né? Então existe, por um lado do espectro, a prostituta consciente, honesta e não hipócrita, que é a garota de programa e, por outro lado, tem a dona de capital assim, olha, esse é o espectro grande e a sugar baby é alguma coisa assim que tá no meio dessas duas coisas que a gente evocou. Eu não sou muito doente, entendeu? Eu estou ganhando um presente, mas se você não me der o presente, eu acabo agora.

Rodrigo Candelot: [52:10] Meu irmão, eu te digo, tem até uma brincadeira na peça que a garota fala assim, olha, eu até saio com você, mas você vai pagar a minha academia? Você vai pagar a minha viagem pra Los Angeles? Você vai pagar a minha faculdade? Ou seja, se o cara não pagar as paradas todas, a mulher não vai sair com o cara. Ou seja, é uma garota de programa moderna, é, velho. Entendeu?

Eron Falbo: [52:28] E é pior que ganho de programa, porque as suas paradas são muito mais caras.

Rodrigo Candelot: [52:30] Claro! E dá uma segurança maior.

Eron Falbo: [52:33] É um hackear, hackeando a prostituição. E alguns loucos aí... E eu até entendo dos caras, porque eles também querem se sentir exclusivos. Eu entendo, é realmente uma evolução, é uma sofisticação, é uma... Sei lá o que que é, é um 2.0. Uma nova forma, porque realmente eu entendo isso, né? Tipo, você é um cara solitário, você é feio como eu, entendeu? Tipo, você não tem acesso às mulheres. Aí você vai falar, você quer aparecer com o tropéu, que não vai te abandonar, como todo mundo te abandonou antes. E você entende como que isso vai acontecer.

Rodrigo Candelot: [53:18] Esse mundo dos aplicativos, cara, fez a gente estar em contato com umas paradas. Por exemplo, eu quando escrevi essa cena da Sugar Baby, isso tem dois anos que eu escrevi isso. Eu tinha lido, pesquisei, agora...

Eron Falbo: [53:30] Depois você me manda o link, eu quero ver isso aí. Você tem que estar conduzindo?

Rodrigo Candelot: [53:34] Não, então, a peça, ela tá indo em cartaz.

Eron Falbo: [53:37] Ah, a peça, a peça. Desculpa, achei que era o quê?

Rodrigo Candelot: [53:39] Tá na peça. Então, é só entrar no Facebook da... Hoje, logo depois da live aqui, tem espetáculo, né? Quer dizer, eu não preciso estar lá. Tem uma pessoa que tá botando lá o link no ar. De quarta a domingo, às oito da noite, de graça. É só ir lá no Facebook do Enrolados à Comédia, vai estar o link lá. É só você clicar e vai estar o link lá.

Eron Falbo: [53:54] Ah, pera, pera, Matheus.

Rodrigo Candelot: [53:56] Então, assim, o que eu acho é que a... A menina tá falando aqui, Larissa. A mulher gosta de homem inteligente. Quem gosta de homem bonito é gay. Então assim...

Eron Falbo: [54:07] Essa foi um pouco machista.

Rodrigo Candelot: [54:09] É, essa foi direta, né? Então assim, na peça, cara... Mas eu concordo, não sou eu.

Eron Falbo: [54:13] Ah, esse você não gostar mais de mim. Mentira que eu não sou nem fudidinho.

Rodrigo Candelot: [54:18] O que eu acho legal na peça é que a gente pegou vários pequenos mitos de relacionamentos complicados. Por exemplo, tem uma cena que eu criei lá que é o musical do Pau Amigo. A importância do Pau Amigo na vida das mulheres. Sacou? Botei lá, criei uma cena que é o musical do Pau Amigo. Entendeu? Ah, que Pau Amigo, Pau Amigo. Falei, então vamos dar um valor ao Pau Amigo. Não tem a B.A., Brunceta Amiga e o Pau Amigo? Então vamos falar dessa porra. E tá lá na peça, irmão. Então, assim, a gente avacalha com a opção de coisa, mas ao mesmo tempo são paradas que a gente convive no dia a dia e você fala, porra, é verdade. Esse negócio é assim mesmo, brother? Cacete, é assim mesmo que acontece? Então, eu peguei esses meus estudos todos aí de normais de comédia da vida privada, comecei a conversar com vários autores, amigos meus que tinham esquetes bacanas, eu comecei a escrever, juntei essa parada toda, chamei uma galera muito legal, atores ótimos, chamei o Charles Paravente, que foi conhecido há muito tempo por fazer o Afrânio lá da Malhação, né?

Rodrigo Candelot: [55:18] Fez vários papéis no cinema, que é um grande comediante Chamei a Roberta Foster, que fez durante muito tempo a Eva no Zona Total Chamei o Igor Paiva, que é um grande ator de comédia, amigo meu Chamei mais uma pessoa, chamei a Cecília Mamedi, chamei a Fabi Lepori E que também tá no canal dos bagaceiros. E o Evandro, que é um cara que é um palhaço, que é ótimo, lá de Caxias. Juntei esse time. Eu falei, e aí, galera, vambora? Vamo fazer os outros rirem? Tendo patrocínio ou não, sacou? E ficamos, meu irmão, três anos de cartaz com essa peça, fomos fizendo o novo show.

Eron Falbo: [55:55] É isso que eu tô falando, cara. E a gente tem que dar esses exemplos. Eu acho que no meu programa eu tento falar sobre isso. E assim, falar pra galera que tá ouvindo, artistas, produtores, que hoje em dia a verdade é que ninguém vai ser só ator, só diretor, só escritor. Hoje em dia a gente tá na era do empreendedor, saca? Todo mundo é empreendedor. Todo mundo. Se você não tem saco, se você não tem coração pra ser empreendedor, cara, tipo, você vai ter que ter sorte. E se você vai ter que ter sorte, Aí, porra, é melhor você ter uns três, quatro empregos para ter plano B e tudo mais. E a chance de você sair da sua situação financeira atual é meio difícil.

Rodrigo Candelot: [56:36] Antigamente as bilheterias rendiam muito, o ator conseguia até viver de bilheteria. Mas cara, isso foi uma outra época, isso não existe mais. Você precisa realmente do patrocínio, de um incentivo através de uma lei Rouanet ou de qualquer lei que seja.

Eron Falbo: [56:51] Não, mas você pode muito bem, o que eu vejo é que você pode propagar isso. Tipo assim, eu tenho o mesmo problema, eu estou aqui fazendo conversas no Instagram que são de graça. Acho que parte desse processo de a gente tirar a água da pedra, né, já que a gente tá falando de gênesis, na verdade isso aí é do êxodo, desculpa, mas tirar a água da pedra, fazer coisas, gerar dinheiro que naturalmente não tem uma saída fácil, a gente como artistas usa a criatividade para fazer isso acontecer. Tipo assim, o meu programa aqui hoje não gera, não ganha porra nenhuma. Tô fazendo aqui porque eu sou egocêntrico, sabe? Porque eu quero aparecer. Mas é possível, entendeu? Se eu começar a bombar mais e ter mais seguidores e graças a Deus tá crescendo bastante pessoas do seu nível, que assim, eu me sinto super honrado que uma pessoa como você tá participando, sinceramente, porque eu comecei isso do nada, sem nenhuma...

Eron Falbo: [57:54] Sem nenhum patrocínio, sem nenhuma... Nem direcionalmente ninguém, entendeu? Então, realmente, parte disso é sentir orgulho e se motivar, né? Que as coisas estão melhorando e tudo mais, mas também parte disso é quando você chega a um certo... Quebra uma certa bolha de ter popularidade, é você aprender a monetizar isso, entendeu? Patrocínio é super válido. Eu só não gosto da coisa de incentivo, porque eu acho que isso... Quebra a mentalidade do artista brasileiro. Isso é uma coisa minha, pessoal. Realmente, patrocina uma coisa porque já faz parte do mercado. Tipo assim, o patrocinador não tá te dando pra fazer demagogia, ele tá te dando lá porque ele sabe que faz parte de um sistema mercadológico, que ele vai ter retorno com aquilo de alguma forma.

Aldir Blanc e viver de arte no Brasil (58:35)

Rodrigo Candelot: [58:47] É, mas é o seguinte, só pra gente poder finalizar esse assunto. Muitas vezes o patrocinador só vai bancar se tiver o Leandro Hassum lá, irmão. Se não tiver alguma razão, né?

Eron Falbo: [58:56] Não, tá bom. Não, eu tô falando só pra assinador. Tem várias formas. Você cria seguidores, você cria... E você, pô, faz um merchandise, né? Sei lá, tem mil formas de monetizar. O próprio YouTube paga. Cara, pode fazer livro em cima. Cara, sei lá, tem outras formas de monetizar. Ou fazer em outros estados, né? Fazer especiais. Eu não sou criatividade, a gente tem que quebrar a cabeça do plano É.

Rodrigo Candelot: [59:26] Uma questão muito grande, muito grande assim Agora, eu fiquei feliz porque essa lei Aldir Blanc realmente socorreu muita gente que estava sem trabalhar Eu dei trabalho pra muita gente E pra mim foi maravilhoso porque eu acabei de fazer Gênesis, recebi meu último salário e aí entrou a peça Então eu não fiquei sem trabalhar, como muitos amigos meus estão há meses sem trabalhar, entendeu? Então eu tive a felicidade de terminar um trabalho e entrar no outro E na nossa carreira, brother, eu vou te falar Se você não tem um contrato com uma grande emissora, por exemplo, uma Globo, uma Record, que você tem lá contrato de cinco anos, seis anos, normalmente o artista é assalariado, ele é profissional liberal, ele só trabalha por obra. Então, eu faço uma novela, eu recebo. Eu faço um filme, eu recebo. Não faço, eu não recebo. Então, por exemplo, se esse ano, digamos, se esse ano não pintar nenhum trabalho para mim, eu não vou ganhar grana nenhuma, porque eu trabalho de acordo com o que eu tenho. Eu não tenho um salário que caia na minha conta ali direitinho todo mês, você tá entendendo?

Rodrigo Candelot: [60:29] Então é uma briga, brother. A nossa classe é muito importante.

Eron Falbo: [60:33] É, mas por exemplo, nos Estados Unidos, na economia americana, não tem incentivo nenhum do governo, nenhum. E tem, porra, peças de atrás, tem um hotel inteiro lá com o nome... Tem um hotel lá que faz uma peça interativa, não esqueci o nome, Sleep No More. Que é um hotel, ele sustenta um hotel inteiro com bilheteria, sacou?

Rodrigo Candelot: [60:56] Aí você não dá pra ganhar com bilheteria.

Eron Falbo: [60:59] Mas depois a tradição foi criada porque o governo não mancou. Se tivesse que ir pro governo, a tradição nunca vai ser criada. Então a gente vai sempre depender da porra do governo. E se o governo for uma merda e não prestar atenção nisso, vai ser uma merda cultura. Agora eu prefiro muito mais depender do brasileiro, que eu confio muito mais do que o governo brasileiro. Eu adoro o povo brasileiro. A gente sabe que o povo brasileiro é o povo mais criativo do mundo. Só que o governo brasileiro só faz merda. Sempre só fez merda. Então depender do governo brasileiro, porra, é um tiro no próprio pé. Beleza, a gente vai ter que passar um tempo aprendendo, vai ter que passar um tempo vendendo. Mas, porra, em 5, 10 anos, a gente vai ter bilheterias mais caras que sustentam... Por que o brasileiro não paga uma bilheteria mais cara? Porque sabe que essa porra toda é subdesviada pelo governo e fica puto que já tá pagando imposto. Agora, se não fosse assim, eu ia falar, se o espetáculo é bom, a produção é alta, eu vou pagar o que for. Eu vou juntar, se for uma pessoa mais pobre, e se for uma pessoa mais rica, eu vou pagar.

Eron Falbo: [62:04] Porque rico reclama de ir no teatro e pagar R$50, sei lá o que se paga.

Rodrigo Candelot: [62:10] Rico reclama de tudo. Rico sempre fala que não tem dinheiro.

Eron Falbo: [62:14] Claro, mas por causa dessa cultura brasileira de mamar na tenta do governo, que os ricos estão mamando e os pobres também, entendeu? O Walter Salles fez o filme com o Leigh Roney. Ele precisa disso? Não! Mas ele sabe que essa coisa não ia vender.

Rodrigo Candelot: [62:29] Concordo, concordo com você. Mas tem muita gente que não tem condição de fazer, brother. E que precisa de incentivo.

Eron Falbo: [62:34] Eu sei disso, entendo isso. Mas só não tem condição porque não tem esse sistema. Porque o momento que tem, a gente vira os Estados Unidos. Você junta capital, faz, você vai ter retorno. Esse retorno vai valer a pena. Eu trabalhei cinco anos lá no... No Untouchables. No Untouchables é um... Cinco anos, não. Três anos. Lá em Londres. Eu morava na Inglaterra. E organizava festivais de música. Cara, a gente fazia festivais de música na Inglaterra, na Alemanha e na Espanha. Gigantes, pra milhares de pessoas. E cada festival pagava o próximo, sacou? Um festival tirava esse dinheiro... Pagavam a equipe, às vezes não pagavam mesmo o que era combinado, o dono ganhava uma mixaria para sobreviver e organizava o próximo com o resto do capital, entendeu? E esse tipo de mentalidade no Brasil quase não existe. O cara vivendo com essa corda no pescoço brasileiro tem medo disso, porque tem sempre a coisa de o governo vai salvar. Relaxa que vai ter algum edital.

Rodrigo Candelot: [63:37] É, cara, mas a gente tem um grande problema aqui ainda que a gente não tem, por exemplo, um público e uma classe média que sustente ainda o teatro com bilheteria no Brasil. Lá fora...

Bilheteria, o hipopótamo e a dependência (63:44)

Eron Falbo: [63:49] Não tem por causa disso, é isso.

Rodrigo Candelot: [63:50] Que eu tô falando. Lá fora todo mundo tem, né? Lá fora as pessoas vão...

Eron Falbo: [63:55] Imagina depois da pandemia. Fica um ano, tipo assim, tira editais. Aí ninguém vai produzir nada, porque ninguém sabe produzir. Então ninguém vai produzir nada, porque aí vai ficar um ano sem... Então esse primeiro ano, todo mundo vai ficar, porra, agora não tem edital, o que vai acontecer? Como é que a gente vai fazer? Vamos ficar planejando. No segundo ano, eles vão se arriscar, vão perder dinheiro. No terceiro ano, eles vão fazer de uma maneira mais inteligente. E vão pelo menos ganhar alguma coisa No quarto ano o público já vai entender que se eles não pagarem não vai rolar teatro, não vai rolar espetáculo Então não vai ter nada Então eles vão começar a pagar Então os melhores vão ganhar Daqui a pouco os piores vão perder dinheiro Aí em cinco anos você tem uma economia cultural Entendeu?

Rodrigo Candelot: [64:37] É só isso que eu estou discutindo É muito interessante, cara Teria que ter realmente uma galera que tenha vontade de mudar as coisas para poder juntar várias pessoas do aspecto cultural brasileiro, da cadeia produtiva cultural brasileira, gente de teatro, gente de dança, gente de museu e tal, para conseguir desenvolver isso, que é muito difícil no Brasil. O pobre, por exemplo, que adora... Tem gente que às vezes vai ao teatro e fala, cara, nunca fui ao teatro, porque o cara não tem condição financeira.

Eron Falbo: [65:12] Eu vou dar um exemplo. Se a mãe hipopótamo, na hora de ensinar o filho hipopótamo a nadar, ela dá dois empurrãozinhos e depois resgata ele. Dá dois empurrãozinhos e depois resgata ele. Na terceira vez, ela dá dois empurrãozinhos e vai embora. Se o filho morrer, Vai morrer, entendeu? Então, aí o que acontece todas as vezes, todas as vezes não tem caso, isso aí é estudo de tipo, qual o nome disso? Antropologia animal, biologia só que de social, esqueci o nome dessa merda. O que acontece 100% das vezes, o hipopótamo nada. O que eu quero dizer com isso é que não precisa incluir a classe artística e tudo mais. A única coisa que precisa é o governo cortar a verba. Cortou a verba, a classe artística é muito competente. Em dois anos tudo vai acontecer do jeito que tem que acontecer.

Eron Falbo: [66:12] O hipopótamo vai nadar. Eu tenho certeza absoluta disso porque eu conheço os artistas, eu sou artista, eu sei que você vai fazer por onde, eu sei que eu vou fazer por onde, todos nós vamos fazer por onde. A gente não precisa dessa merda de governo. Foi uma honra.

Rodrigo Candelot: [66:26] Acho que tem que ser uma coisa gradativa, não é tão simples assim, isso é uma grande discussão Não é tão simples assim quanto você está falando não, porque o povo brasileiro, por exemplo... Para de pensar, é uma coisa simples Se a gente tem um povo com um pouco mais de grana no bolso, ele vai poder comprar mais alguma coisa A gente tem um povo brasileiro completamente empobrecido, não tem nem o que comer em casa, então como é que ele vai utilizar? Como é que ele vai pagar pra ir ao cinema? Ele não tem dinheiro pra ir ao cinema, você tá entendendo? Então, não só isso tem que acontecer na cadeia produtiva, como tem que acontecer pro Brasil ser um país que aos poucos cresça, se desenvolva, pra que as pessoas possam... Se o pobre tem dinheiro, ele pode ir no mercado.

Eron Falbo: [67:16] Claro, mas a razão que tem essa miséria no Brasil é a mesma mentalidade. A mentalidade de oligarcas mantendo as pessoas dependentes. Mas essa dependência é o que mantém as pessoas assim. É melhor a gente viver uma grande depressão nos Estados Unidos. Tipo assim, 1929, grande depressão nos Estados Unidos. Durante anos, muita gente ficou desempregada. Mas depois de um tempo, a galera se ergueu. E se ergueu com com a dignidade de um país de primeiro mundo, de auto-sustentável, com mercado livre e coisas do tipo. Cara, como a gente estava com um assunto muito legal e estava fluindo muito bem, acabei esquecendo do horário aqui, mas a gente tem um compromisso com o público de uma hora, peço desculpas. Ser tão brusco o final, mas porra, vamos continuar com certeza se você concordar esse papo, porque sinceramente a sua visão é...

Encerramento e convite à peça (67:51)

Eron Falbo: [68:16] Às vezes, tipo assim, porque eu sou muito convicto disso, mas não significa que eu acho que eu sei de todos por menores, sua visão é muito bem-vinda e eu até queria ouvir mais disso, e te convido qualquer dia pra ou a gente fazer uma outra live, ou a gente, porra, se tomar um vinho Pessoalmente aí, continuar essa coisa.

Rodrigo Candelot: [68:35] Vamos trocar uma ideia, pô. Convido então a galera aí, cara, quem já estiver aí, são 8h10 agora, né? A peça já tá rolando, né? Mas quem quiser assistir hoje, quiser assistir outro dia, até o final do mês de março, De quarta a domingo, às oito da noite, de oito até mais nove. A peça tem uma hora, uma hora e dez. A peça é gratuita, é só entrar lá no Facebook do Enrolados à Comédia, na fanpage, vai ter o link lá. Clicou, abriu, tá vendo ao vivo a peça e pô, tomara que os teus seguidores aí também curtam. Eu vou te mandar depois aí o flyer, você dá uma divulgada pra galera aí.

Eron Falbo: [69:08] Com certeza, com certeza. E, cara, muito obrigado. Obrigado por aceitar o convite. Obrigado pela abertura aí de falar de tudo. Parabéns pelo seu grande sucesso. Eu quero realmente, depois de tudo que você me falou, porque eu fiquei com vontade mesmo de assistir o Gênesis, né? De, pô, ver como é que tá o roteiro, ver como é que tá a sua produção e, pô, curtir, né? Como qualquer seriado, que é isso que os brasileiros têm que começar a fazer.

Rodrigo Candelot: [69:33] É isso aí, garoto. Beleza. Obrigado aí, cara, pelo convite. Adorei conversar contigo. E eu acho que a gente precisa disso mais na sociedade, né? Esse papo aberto. Quer dizer, a possibilidade de a gente poder trocar ideias aqui. Uma porção de gente aqui interagiu. Várias pessoas fizeram perguntas e tal. E eu acho que é a forma que a gente pode tentar fazer com que esse momento tão complicado de pandemia suavizar um pouco as pessoas através da arte, através de live, através de filmes na Netflix, qualquer coisa que seja que a gente possa desviar um pouquinho dessa doideira que está acontecendo no Brasil e no mundo.

Eron Falbo: [70:09] Com certeza, estamos juntos, irmão. Vamos nessa e um abração, abraço a todos. Boa noite e é isso. Fica com Deus.

Rodrigo Candelot: [70:18] Valeu, valeu, Gabriel. Um abraço.

Episódio de No Alvo com Eron Falbo. Veja todos os episódios, Praise e Quotes.