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#75 Uma bela saída

com Najara Couto · 11 de mar de 2021

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Quem é Najara Couto

Dona da Termas Centaurus

Najara Couto é a dona da Termas Centaurus, casa noturna do Rio de Janeiro, onde trabalha há mais de 30 anos.

Transcrição do áudio do episódio.

Abertura e apresentação de Najara Couto (0:00)

Eron Falbo: [0:00] Alô, alô, alô! Sejam bem-vindos! Você está no alvo, eu sou o Eron Falbi. Hoje a gente está com Najara Couto. Najara é dona do Termos Centauros e ela trabalha com isso há mais de 30 anos e tem muitas, muitas histórias para contar. Najara vai entrar aqui daqui a pouco. E vamos conversar. Oi, Najara.

Najara Couto: [0:34] Fala, Eron. Tudo bom, querido? Como é que você está?

Eron Falbo: [0:36] Beleza, beleza. E você? Eu estou bem, graças a Deus.

Najara Couto: [0:40] Estamos aí nessa pandemia.

Eron Falbo: [0:44] Você fazia muito exercício. Você só faz exercício da vida, né? É, com certeza.

Najara Couto: [0:51] Meu Instagram só tem isso, né? Temos que fazer alguma coisa, já que não podemos fazer tudo, né?

Eron Falbo: [0:59] E ainda mais na pandemia, só tem isso para fazer praticamente, né? Agora com esses decretos.

Najara Couto: [1:05] Todos, né? Está bem complicado.

Eron Falbo: [1:08] E a central de saúde também tem que fechar oito horas, né?

Najara Couto: [1:12] Não, ela está fechada, eu não estou abrindo.

Eron Falbo: [1:14] Ah, fechou total.

Najara Couto: [1:16] É, total. Eu estou esperando, vim só no escritório hoje, fazer o que eu tenho que fazer, serviços internos, né? Do clube, e já estou... Só fiquei te aguardando.

Eron Falbo: [1:32] Obrigado. Estão dizendo que a gente está com eco. Vamos tirar, os dois tirarem o microfone?

Najara Couto: [1:41] Melhorou, então?

Eron Falbo: [1:42] Então, é isso. Vai ser assim.

Najara Couto: [1:48] Temos que respeitar, né? As decisões não são tomadas, né? O importante é chegar logo a vacina pra gente poder abrir a nossa... Voltar a nossa vida, o novo, tipo, o normal que não é normal. O normal que vai ser o novo normal que nós todos vamos ter que nos adaptar.

Eron Falbo: [2:13] O novo normal é um eufemismo, né? Porque não tem nada de normal no...

Najara Couto: [2:18] Exatamente. Exatamente. Não tem nada disso, né? Então, estamos esperando a vacina, né? O clube fica fechado.

Eron Falbo: [2:29] A gente conversou um pouco antes, eu fiquei super, vamos dizer, nervoso, né? Porque eu não quero falar coisa errada e tratar ninguém com desrespeito e esse tipo de coisa. Então, eu fiquei sufoando, assim. Porque realmente... Eu, principalmente, estou muito aberto com todo tipo de coisa Com esse tipo de coisa, principalmente Mas a gente sabe que a sociedade nem sempre é E por isso a gente pode pisar no pé de alguém filosoficamente Mas o respeito é.

Najara Couto: [3:10] Mútuo, você sabe disso Então não tem problema da gente conversar, falar Então vamos.

Da recepção à dona do clube (3:14)

Eron Falbo: [3:20] Começar para a gente poder entender, a gente como audiência, eu incluso, conhecer um pouco da sua história no geral e como você começou a trabalhar com um clube masculino, clube de homens. E isso, desde o início até aqui, aí eu posso ir fazendo perguntas baseado no que você me diz.

Najara Couto: [3:47] Ah, com certeza. Porque eu tenho um clube masculino, onde as frequentadoras praticamente são minhas sócias. É um clube que abrange os homens, clientes, essas coisas. E a gente Tenta botar uma coisa mais aconchegante, perto de todos, um calor mais humano, uma coisa mais ligada ao entretenimento de homem, né?

Eron Falbo: [4:24] Então... E como você entrou nisso? Como é que você começou a trabalhar nisso?

Najara Couto: [4:30] Olha, eu comecei a trabalhar nisso porque eu estudava e queria ir embora trabalhar fora, queria morar fora e comecei a trabalhar e comecei como uma recepcionista. Era muito nova, queria trabalhar e comecei como recepcionista e meu pai acabou também tendo um determinado relacionamento, entrou na sociedade e eu acabei ficando de recepcionista virando gerente e de gerente virando dona do negócio.

Eron Falbo: [5:14] Tinha outros sócios e você comprou a parte dos dois sócios?

Najara Couto: [5:18] Tinha outros sócios, eram dois sócios.

Mulher à frente de um clube masculino (5:19)

Eron Falbo: [5:23] Como é essa situação para você sendo uma mulher? Dá para ver pelo seu Instagram que você é uma mulher muito forte, muito poderosa, com muita determinação, independência. Então aposto que isso ajuda, mas independente de ter essas qualidades Deve ter suas dificuldades, né? Trabalhando na noite, esse tipo de coisa que homem a gente sabe que é.

Najara Couto: [5:49] Complicado Não aceita, né? Primeiro que não aceita o tipo de mulher E outra coisa também, quando você torna-se, tendo o negócio como meu, o homem ou às vezes ele não quer ter relacionamento, não chegar perto porque tem medo ou outros se interessam, tipo, eu não quero comer a cereja do bolo, eu preciso ter o bolo inteiro. Então, isso é muito relativo, né? As pessoas têm medo, outros não. Outros querem saber, a curiosidade, né? Entender como é que é uma mulher que pode tocar um negócio, mas na realidade não é muito difícil, é uma coisa bem fácil, tá? Você tá lidando com ser humanos, você tá lidando com pessoas, você lida com frequentadoras de todo tipo de idade, TPMs diferentes, culturas diferentes e elas praticamente Elas buscam esse tipo de serviço, não é por vontade própria Existe, né?

Najara Couto: [7:01] A necessidade, exatamente Então eu me acho assim, fazendo um bem social às aversas Porque tem garotas que fazem faculdade, tem garotas que fazem medicina, fazem advocacia e querem se preparar, mas não tem condições de pagar uma faculdade.

Woody Allen e o poder pessoal (7:25)

Eron Falbo: [7:25] Claro. E estão batalhando, estão lá fazendo... Porque não é todo mundo que tem a possibilidade de pais bancarem pelo contrário. Tem uma citação do Woody Allen que eu acho muito engraçada Ele fala assim Todas as acompanhantes com quem eu já conversei me informam que é bem melhor do que ser gastonete Com certeza, é.

Najara Couto: [7:50] Muito boa essa E tem outra também, né? Nem todo mundo nasceu pra reinar, né? Alguns tem que limpar o chão, né?

Eron Falbo: [7:59] Claro, e também são circunstâncias da vida diferentes. Em um momento a gente está no chão, em outro momento a gente está no trono. E as pessoas são a mesma, o mesmo poder pessoal. Tipo assim, Napoleão, que virou o imperador da Europa praticamente, começou como um soldadinho italiano. Ele era italiano, não era nem francês, e virou o imperador da França. Então assim, a gente tem que lembrar disso, na hora de julgar as pessoas e na hora também de se julgar, porque às vezes a gente tem uma baixa autoestima porque a gente tá fazendo alguma coisa que talvez outras pessoas julguem ou que a gente mesmo julga ou que a gente mesmo não acha o ideal, mas a vida tem um monte de possibilidades.

Najara Couto: [8:48] Exatamente. E como ser assim também é hipocrisia também, né? Tem muitas pessoas que são um pouco... Elas querem demonstrar uma coisa que não são. Querem julgar uma coisa que não sabem. Ninguém tá aqui por esporte. Ninguém frequenta um clube de homens por esporte. Todo mundo tem um objetivo. Ninguém tá aqui porque gosta.

Eron Falbo: [9:09] É uma cova de leões o clube de homens. Ninguém gosta.

Najara Couto: [9:15] É isso aí. Então, fica naquela, poxa, por que julgar? A menina tá aqui, a frequentadora tá no local porque ela quer o objetivo, precisa, tem filho, tem faculdade, tem conta como eu, como você, tá? Então, eu não sou tão melhor que ela e não acho que, pelo menos, tá? Ela não tá precisando de um homem pra bancar, elas vêm, elas chegam pra trabalhar pra ter a sua própria independência. Então elas querem uma independência, ela não precisa.

Eron Falbo: [9:51] Eu vou mandar uma outra citação que tem a ver com isso que você está falando, que eu achei maravilhosa. É de um filósofo, talvez o maior filósofo do século XX, que é Bertrand Russell. Ele é um cara que ensinou muitas outras pessoas. E ele fala o seguinte, casamento para mulher é a forma mais fácil de se sustentar. E a quantidade total de sexo indesejado que ela atura dentro de um casamento é muito maior do que na prostituição. As pessoas pensam, porque assim, a mulher quando ela se depara num relacionamento com... Oi?

Casamento, barganha e hipocrisia (10:10)

Najara Couto: [10:38] Às vezes tem mulher que se assujeita a um homem porque tem uma situação financeira, não tem coragem de ir à luta e quer julgar. Então, eu acho que ela é tão garota com problema financeiro como outra qualquer.

Eron Falbo: [10:58] Exatamente, exatamente. É a situação do Woody Allen, por isso que eu gostei tanto. Porque assim, pô, não é a primeira coisa que você vai escolher na vida ser garçonete, né? Exatamente. E ninguém deseja isso pra própria filha. Mas, pô, que bom que existe e jamais deveria ser uma coisa ilegal.

Najara Couto: [11:17] Exatamente.

Eron Falbo: [11:19] Quem é o Estado para definir o que uma pessoa faz com o próprio corpo? E outra coisa, se tem um homem que está disposto a pagar por alguma coisa Ele está precisando de alguma coisa e a outra pessoa está disposta a entregar esse serviço Quem é o Estado para impedir essa transação? São dois adultos consentindo Tipo assim, meu.

Najara Couto: [11:45] Corpo, minhas regras Então cada um faz, são maiores. Por que essa hipocrisia de não pode, você não pode fazer isso, não pode sair por aí, você não pode ter esse tipo de trabalho? Mas se o Estado não te dá condições de você ter um trabalho, de você ter uma renda que você possa bancar sua família, onde é que você pode conseguir? Vai voltar a ser gato net?

Eron Falbo: [12:17] É, exatamente. E também não é pra gente. Cegação não é pra todo mundo. Tem gente que não tem equilíbrio. Tem gente que prefere o prazer sexual. É verdade.

Najara Couto: [12:31] Prefere realmente o prazer sexual.

Eron Falbo: [12:34] E também, cara, tem tantos desempregos no mundo.

Najara Couto: [12:38] As pessoas que fazem sexo e que amam, elas não apurriam a vida dos outros. Elas são pessoas felizes.

Eron Falbo: [12:43] E também garotas que não gostam muito também não sobrevivem muito tempo, né? Porque tratam mal os outros.

Najara Couto: [12:53] É verdade. Essas realmente... Mas é muito difícil, né? Porque eu encaro isso com uma espécie de você... É uma sobrevivência, né? Onde é que você vai conseguir ter um salário onde você possa... Às vezes você não aceita. A menina acaba de ter um relacionamento com uma pessoa, aí essa pessoa maltrata e... Quando vai se separar, aí não deixa nada pra ela, aí ela se vê perdida Aí fica, onde é que eu vou conseguir estabilidade, me manter? O meu padrão de vida é que.

Eron Falbo: [13:30] Eu tinha E já salvou muita gente. É óbvio que a gente tem que falar sobre o lado negro, que são pessoas que usam tráfego humano, escravidão humana, esse tipo de coisa. É óbvio que existe e a gente pode até falar um pouco. Na verdade, eu gostaria de saber sobre a sua opinião. Dos benefícios do que seria a legalização da prostituição em relação a esse tipo de problema social, que é o tráfego humano, esse tipo de coisa. Na sua visão, você acredita que ia melhorar a situação, a legalização?

O lado escuro e a proteção das meninas (13:32)

Najara Couto: [14:13] É, eu acho que sim, claro que sim E outra coisa, esse negócio de tráfico humano, isso já ficou lá atrás Nós estamos vindo de uma pandemia que ninguém esperava, o mundo parou Então as pessoas realmente não estavam preparadas para isso Esse negócio de tráfico humano, isso ficou lá para trás Ficou muito lá atrás. Hoje em dia a menina sai daqui falando um idioma e vai pra Londres, e vai pra Paris, e vai pra Espanha.

Eron Falbo: [14:46] Existe tráfico humano. Talvez no Brasil não exista tanto quanto em outros lugares. Por exemplo, eu morei 3 anos em Israel e Israel era um problema sério, porque tem muito russo. E russo, acho que a profissão favorita deles é tráfico humano. Na Rússia é um problema muito sério.

Najara Couto: [15:06] Aí estamos russos, não vamos tomar vacina russa, vamos tomar qualquer outra.

Eron Falbo: [15:11] Mas assim, no meu ponto de vista, pelo menos por um certo ângulo, existindo leis, a coisa sendo fiscalizada e tudo mais, protege mais as meninas, dá uma certa segurança para os ambientes serem fiscalizados por limpeza, doenças, por tráfego humano, por o que quer que seja. Porque não é todas as casas, porque a Centauros, eu sei que é uma das casas, se não a mais conceituada do Rio, mas certamente entre as mais conceituadas do Rio. Mas a gente sabe que tem muita casa que não tem a mesma experiência.

Najara Couto: [15:52] É, é uma casa mundialmente, Eron. Ela é uma casa mundialmente conhecida. É uma casa que Justin Bieber frequentou, Van Diesel frequentou. Então...

Eron Falbo: [16:01] É mesmo, vou saber. A mídia já sabe, que bom. Então, só para confirmar, o Justin Bieber e o Vin Diesel frequentaram o Centauros?

Najara Couto: [16:14] Frequentaram. Então, essas pessoas a gente pode até citar, porque o segredo nosso, justamente, é ter o anonimato da pessoa. A pessoa aqui não tem nome, tá? Como as meninas também, às vezes são com o de nome. É tão normal. Elas vão querer usar o próprio nome, querer ter um codinome. Isso é muito importante para elas, porque às vezes a família não aceita. Aí elas vêm trabalhar, vêm e começam a trabalhar e descobrem.

Anonimato e codinomes (16:19)

Eron Falbo: [16:52] E muitas vezes é uma coisa temporária, uma fase da vida delas. Exatamente.

Najara Couto: [16:57] Nada é para sempre. Eu digo sempre que o clube é frequentado, é como se fosse um jogador de futebol. Você tem que frequentar o clube, tem.

Eron Falbo: [17:09] Que sair... Você tem o seu auge, né?

Najara Couto: [17:12] Você tem o seu boom, você tem o seu auge e tem hora que tem que parar A gente tem que saber entrar e parar, porque senão torna-se um ciclo vicioso Que não é difícil vida fácil, não é tão fácil assim como todo mundo acha Não é mesmo? Eu convivo com as frequentadoras e sei o que é. Então, aqui não tá correndo, nas minhas veias não corre Coca-Cola. Corre sangue mesmo. Então, eu sou muito elas. Eu sou muito a favor delas.

O controle psicológico das acompanhantes (17:46)

Eron Falbo: [17:54] Uma das coisas que eu percebo, que eu acho admirável é o controle psicológico que você precisa ter pra você poder estar presente, pra você poder dar carinho pra pessoas que você não conhece que, na verdade, a mulher, em termos biológicos e até em termos históricos, em termos sociais, a mulher é frágil em relação ao homem. E não só em termos psicológicos também. O homem é... Eu não gosto de generalizar nesse tipo de coisa, mas o homem é muito mais sexualmente violento do que a mulher. A gente não escuta... O homem literalmente pode... Eu não tô falando nem como acompanhante, eu tô falando como uma mulher indo num... Num date, num encontro com um homem, ela tá correndo perigo, entendeu? Ela tá literalmente correndo perigo.

Eron Falbo: [18:54] Então, o controle psicológico, o domínio psicológico que essas garotas precisam chegar é admirável. Isso aí é uma coisa que realmente não é pra qualquer um, que a gente vê muita gente. Eu tenho muitas amigas, né? Eu tenho algumas amigas que são acompanhantes. E eu vejo isso nelas, elas têm uma tranquilidade maior perante a vida Talvez, muitas vezes, um otimismo maior, uma leveza maior Porque elas tiveram que ultrapassar certas coisas que umas mulheres normais às vezes nunca chegaram nelas É verdade, isso é.

Najara Couto: [19:33] Verdade Elas têm esse equilíbrio, ela tem essa coisa de querer ser, de se defender, ter essa defesa Porque a maioria também das frequentadoras, você não pensa que elas vieram de filhas de papais, filhas de mamães Já meninas que vêm de uma determinada luta do dia a dia Então, o encarar isso pra ela é uma coisa que elas ficam fortes, elas têm que saber o que elas vão encontrar lá fora, porque elas já vêm lá debaixo, lá para trás da vida delas, elas já vêm com o problema. Sério. Que é esse lar que não conseguiu ter o apoio de uma mãe, o apoio de uma pessoa qualquer da família que possa chegar e dar uma certa...

Eron Falbo: [20:28] Que dá força, que dá direcionamento.

Najara Couto: [20:30] Exatamente. Então, elas ficam muito fortes. Eu sou fã, porque eu acho...

Eron Falbo: [20:38] Exatamente. Tem que ver... As pessoas não olham esse lado, né? Da admiração.

Najara Couto: [20:42] Não, não olha. Acha que, ah, é...

Eron Falbo: [20:44] É uma PG, é uma... E a fraqueza, né? Foram fracas, né? Porque muita mulher que vai no caminho do casamento, que é outra forma de se vender, talvez por um certo ângulo, se julga dessa forma.

Najara Couto: [21:01] Essas aí são as verdadeiras, pra mim. Esse tipo de pessoa. Porque não tem capacidade de... De enfrentar o mundo. Não, vou ficar aqui. Então o dinheiro nem é dela, o dinheiro é do homem que tá com ela Mas ela quer que o homem fique preso, aquele homem que maltrata ela.

Eron Falbo: [21:26] Eu sou até fã do casamento, mas eu acho que 90% dos casamentos são isso São mulheres usando como uma moeda de troca E realmente, como o Gertrand Rosser falou, é uma moeda. É a forma de sustento da mulher mais fácil e objetivo, buscar um marido para sustentar ela. É a forma mais historicamente popular, etc. Só que a gente tem que entender Tem uma visão do Jordan Peterson, que sexo, Jordan Peterson é um psicólogo americano que eu gosto bastante, que fala o seguinte, como a mulher está numa posição biológica em relação ao homem que às vezes, pelo menos fisicamente, é uma posição de fragilidade, a mulher muitas vezes usa o sexo como uma moeda de troca. Isso independente se é a dona de casa, casado com o cara, ou se é a mulher que na sociedade Por exemplo, eu me divorciei ano passado, então eu tenho que ter saído em bastante encontros E não é nada incomum uma mulher falar, pô, no primeiro encontro eu não transo não O que ela tá fazendo nisso?

Sexo como moeda de troca (22:03)

Eron Falbo: [22:44] Ela tá aumentando o valor do sexo dela Ela tá falando assim, no primeiro encontro eu não estou vendendo tão fácil Então eu vou vender no segundo encontro talvez Isso é uma convenção aceita já na sociedade E basicamente é a mesma coisa de pagar. Uma coisa está pagando indiretamente, outra coisa diretamente.

Najara Couto: [23:05] Exatamente, mas tem pessoas que preferem, outras não, como tem as meninas, as frequentadoras, elas não querem esse tipo de vida para elas porque elas já estiveram lá atrás, então elas são culpadas disso? Não, não podem ser porque elas botaram, vão embora, com licença eu vou à luta, botaram o pezinho na estrada e foram embora. Quem é? Pensaram em casamento? Não estão pensando em casamento. Muito pelo contrário. Eu acho que talvez um frequentador, quando vem, vê uma menina, talvez ela... Essa menina é melhor do que uma amante, uma acompanhante é melhor do que uma amante, uma frequentadora. Porque ela não vai te dar problema. Você sabe que você...

Eron Falbo: [23:55] Exatamente, depende do objetivo. Um amigo meu falou que aprendeu que casamento é uma forma de prostituição. Não é isso que eu tô falando, eu tô falando que pode ser. E do mesmo jeito, o casamento é usado muitas vezes como uma forma de barganha. Tanto pelo homem quanto pela mulher. Isso também não é só um julgamento de mulher. Porque o homem pode muito facilmente usar a mulher como um troféu, por exemplo, e pagar por isso. Tipo assim, uma mulher que é mais nova e um homem que é mais vaidoso. Paga, ou seja, banca os brinquedos da mulher, banca as viagens e banca as coisas pra poder ter o troféu dela. Então, o casamento muitas vezes é uma arena de trocas entre homens e mulheres. E isso, só pra dizer o meu ponto de vista, eu sou super fã do casamento, eu casei cinco anos, eu tenho dois filhos e tô procurando esposa pra casar de novo.

O casamento pelas razões certas (24:58)

Eron Falbo: [24:58] Então, eu queria dizer que eu sou super fã, mas o casamento Pelas razões certas, entendeu? O casamento que vai durar, que é entre duas pessoas que não só se admiram como querem construir uma coisa que é maior do que elas duas E é a verdade que a gente vê na prática que a maioria dos casamentos são trocas, são barganhas, são um pagando o outro de uma forma ou de.

Najara Couto: [25:24] Outra É, eu por exemplo, eu não quis me casar, eu não casei, não tive filhos, mas isso aí foi opção minha minha, porque atrás de mim vem uma família também grande. Então, eu me tornei praticamente apoiando a minha família e nesse meio tempo eu fui começando a trabalhar também, fui me dedicando ao que eu sei fazer, que é o meu trabalho, e fui Não casei com o trabalho. Não casei com o objetivo de casar.

Eron Falbo: [25:59] Que é muito normal para uma empreendedora, para uma empresária.

Najara Couto: [26:03] É comum.

Eron Falbo: [26:06] Eu queria dizer que não é por causa da sua profissão, do lugar onde você trabalha. É muito normal para qualquer empresária bem sucedida fazer essa escolha. Entre ter a própria família e ter a família que é a empresa. Que é os funcionários, as sócias, as pessoas que trabalham com ela É isso.

Najara Couto: [26:29] Aí, então eu me vejo assim nisso Eu também estou entendendo o que você está falando Realmente, não deixa de não ser essa demagogia de falar Não vamos falar de prostituição, não vamos falar disso, nem aquilo Mas, gente, cada um, eu acho que cada um no seu, cada um Tem mulheres, é como nós estamos falando aí sobre o casamento O casamento, o que que é? Nada mais do que é isso, tá? Às vezes, a mulher não, casa com o cara, é independente, vai trabalhar, tem os filhos Mas tem outro, não é bem assim essa barganha Eu acho que tem, falta também, tem um pouco Então, não podemos julgar o que a outra pessoa tá fazendo Eu acho que o julgamento é muito cruel, tá? Eu, por exemplo Eu não me incomodo, eu já tive várias situações bem ruins pra mim Eu já tive em determinados lugares e que eu fui apontada assim Não seja amiga dela porque ela é dona de um estabelecimento assim assada Então, quer dizer, eu não sei porque as pessoas têm esse tipo de preconceito.

Najara Couto: [27:53] As pessoas que vêm aqui, os frequentadores, eu não vou lá, não vou buscar na casa dele, vem frequentar o meu clube, pelo amor de Deus, não. As pessoas estão aqui por objetivo. Então, não é justo delas me julgarem. Ah, não.

Eron Falbo: [28:09] Eu tenho uma resposta pra isso. Por que elas estão te julgando? Porque é o seguinte, Como isso é uma moeda de troca, especialmente para as mulheres casadas, no momento que a coisa fica legalizada e fica às claras, as mulheres casadas que escolheram esse caminho, que de muitos ângulos é mais fácil, elas perdem muito poder. Então óbvio que ela vai te julgar e julgar a sua casa e tudo mais porque você tá tirando o poder dela, que é o poder da barganha sexual de esperar o segundo encontro pra transar, entendeu? Porque a moeda dela é uma moeda indireta, não sei o que, e ela escolheu esse caminho, que é socialmente aceito e tudo mais. E o que você tá fazendo é tirando esse poder dela, entendeu? Porque no momento que é fácil pra um homem ter ter sexo e ter prazer sexual e ele não ter que se submeter a um casamento irreal, um casamento hipócrita, vamos dizer, aí a mulher que quer que ele se submeta a um casamento hipócrita pra ser bancado o resto da vida perdeu o poder.

Eron Falbo: [29:26] Então ela vai sempre julgar.

Najara Couto: [29:28] É, ela vai sempre julgar e vai ter sempre aquele medo, né? De chegar, ah, vou ser amiga dela e de repente meu marido frequenta o clube dela Mesmo que frequentasse, o que acontece em Vegas, morre em Vegas Jamais Vou sair daí espalhando o que acontece aqui ou se o marido dela... E não tem o motivo de falar Então eu não sei como é que as pessoas também têm que julgar Aquela ali é dona de um estabelecimento, assim.

Eron Falbo: [30:04] Estão perguntando aqui, ó. E tu já pagou, Eron? Aí eu já expliquei, pô. Já fui casado, é claro que eu já paguei. Eu pago diariamente.

Najara Couto: [30:16] É, paga diariamente, né.

Eron Falbo: [30:17] Eu levo meninos pra jantar, entendeu? Em restaurante caro. Quanto mais caro o restaurante, mais fácil é transar depois do encontro.

Najara Couto: [30:28] É, porque pelo menos você sabe o que você tá fazendo. Você não tá indo pra uma boate pra se vender pra pegar uma menina por causa de um combo. Ela vai sair com você porque você tá numa boate e ela é uma patricinha que quer julgar, mas no fundo, no fundo é igual as que estão trabalhando no clube. Só que lá fora elas preferem. Se você dá um compo pra elas numa boate dessas, aí elas vão e fazem a mesma coisa Depois de que a julgada...

Eron Falbo: [31:06] Elas se abrem muito facilmente Isso é uma hipocrisia na sociedade que é muito grave, né? E as meninas, especialmente as meninas que fazem isso Adoram fingir que isso não acontece de verdade, né? Que elas são imunes a esse processo e tudo mais Que se um homem demonstrar o que elas chamam de cavalheirismo, na verdade é segurança, porque elas biologicamente são programadas para buscar essa segurança num homem. Mas o problema de tudo isso é só hipocrisia. Tipo assim, não tem problema se você tá fazendo isso, só seja consciente sobre o que você tá fazendo e faça sem julgar outras pessoas. Até sem se julgar. As pessoas não deveriam se julgar. Que isso é uma coisa que acontece muito até com acompanhantes.

Najara Couto: [31:58] É verdade. Não deveria ter esse tipo de julgamento. É hipócrita. Então, gente, por que não legalizar? Por que não? É uma coisa tão... Ninguém obriga ninguém. Eu não sou a favor de... Vamos legalizar a droga porque é droga.

Por que não legalizar? (32:04)

Eron Falbo: [32:19] Eu sou.

Najara Couto: [32:21] É igual o jogo. Eu acho que ninguém te obriga a fazer nada.

Eron Falbo: [32:28] Exatamente. Para mim, jogo tinha que ser legalizado, drogas tinham que ser legalizadas, prostituição tinha que ser legalizada. Por que isso aí não tem nada a ver com o Estado? Por que o Estado interfere nisso? Por que teve a divisão do Estado e o clero, se a gente ainda tem um monte de falsa moralidade? Eu sou super a favor de moralidade, só que não é o Estado que vai me dar isso. São meus pais, eu e meus filhos.

Najara Couto: [32:49] É um trabalho como outro qualquer. Você não acha que é? Muito pelo contrário. É um trabalho, às vezes, muito mais do que aquela dondoca que está dentro de casa, que quer ficar com o marido porque...

Eron Falbo: [33:04] É um trabalho que a gente não precisa florear no sentido de que, claro, tem seus riscos, tem seus problemas, mas muitos trabalhos... Uma pessoa trabalhando como minerador, alguém que entra dentro de uma mina, pra tirar carvão, pra tirar ouro, pra tirar diamante, seja o que for, tá arriscando a vida de uma forma muito dramática.

Najara Couto: [33:33] Exatamente.

Eron Falbo: [33:34] Ele está arriscando diariamente a vida dele. Então, realmente, existe. Não vamos fingir que é um trabalho como trabalhar no escritório, coçando a orelha com o lápis. Mas existem muitos trabalhos que não são a primeira escolha das pessoas.

Najara Couto: [33:56] É um trabalho como muitos. O Heron ainda tem pior ainda É o tipo de trabalho que elas têm que fazer e ciente do que estão fazendo Porque elas têm que fazer bem Hoje em dia você vai numa loja Tem uma garota, uma vendedora que tá com o celular sim Você acha que uma garota de programa vai poder fazer esse tipo de coisa? Ficar com o celular na mão e esquecer o cliente? Eu mesmo já fui em umas lojas e já cheguei É uma escola, né? É Você pode me falar o preço da garota lá, olhando o celular Então quer dizer, hoje em dia também essas coisas dão muito Você vê que botam no celular anúncio Não, é arriscado esse tipo de coisa O que eu tenho? Eu tenho um ponto em Ipanema, uma área nobre, um clube nobre Um aluguel caro, um metro quadrado caro, porque é.

Eron Falbo: [34:49] Em Ipanema Você corre todo tipo de risco, porque outras pessoas te sabotam Exatamente, exatamente.

Najara Couto: [34:56] E tô sempre falando pra elas, não se preocupe. E quando chega com as ideias, ó Najara, eu vim trabalhar, mas eu tenho um objetivo, eu quero comprar uma casa pra minha mãe, eu quero ter uma vida, dar uma vida melhor pro meu filho, eu quero dar estudo pro meu filho, eu também quero estudar. E eu falo, porra, legal, essa garota, Pode trabalhar comigo. Eu abro pra ela. Porque não adianta eu chegar aqui e falar, não, Najara, eu vim aqui pra trabalhar, pra ir pra balada, pra gastar dinheiro. Quer dizer, comigo não vai rolar. Eu vou dizer, gata, não é o tipo de trabalho pra você. Porque todo mundo tem um objetivo. Você tem que vir. E tem aquelas ilusões, né? Sempre tem aquela que tem sempre um apaixonado.

Eron Falbo: [35:43] Abrou uma sugestinha, né?

Najara Couto: [35:45] É. Não, e tem sempre um apaixonado, né?

Eron Falbo: [35:48] Ah, entendi. Apaixonado.

Najara Couto: [35:49] É, o apaixonado. Najara, aí vem pedir minha opinião, Najara. O cara falou que vai me tirar dessa vida, que vai me dar um apartamento, que vai me dar um carro de luxo. Eu falei, querida, você quer mesmo saber se ele vai te dar? Pede ele um apartamento em Brasília, de frente pra praia. Se ele falar que vai te dar, aí você fala pra mim que você não acredita. Brasília não tem praia, minha amiga. Então, não entra nessas histórias. De... Ah! Puxa, umas até vão evoluir, saem... E.

Eron Falbo: [36:26] Isso que você vê nas acompanhantes, elas têm esse senso de realidade. E também elas conhecem, pelo menos as que duram, as que ficam na profissão alguns anos, pelo menos. Aquele jogador de futebol da seleção brasileira, que fica mais tempo. E elas têm um conhecimento do que é um homem. Por exemplo, essa coisa da era da fragilidade, que a gente vê que não se pode falar nada e mulheres reclamando, ah, homens não dão direito para as mulheres e tudo mais. Você vê que as acompanhantes que mais sofrem na mão dos homens, às vezes, são as últimas a dizerem esse tipo de coisa Porque entendem o homem, entendem o ponto de vista do homem Entendem que não é bem assim, que o homem pensa diferente da mulher, age diferente da mulher Então tem um conhecimento da realidade do mundo E menos mimimi, menos julgamento sem fundamento É verdade.

Najara Couto: [37:29] Esse tipo de julgamento é que a gente fica meio assim, pensando, né? Pô, por que esse julgamento? Não tem porquê. Julgar por quê, gente? É entorno bater na mesma tecla. É um trabalho como outro qualquer. Ninguém tá aqui.

Eron Falbo: [37:43] Ninguém.

Najara Couto: [37:44] Todo mundo tá aqui.

Eron Falbo: [37:45] Deixa eu te perguntar uma coisa agora. Só pra gente estabelecer isso. O Justin Bieber é heterossexual, então?

Najara Couto: [37:56] Deve ser, né? Quem sou eu?

Eron Falbo: [37:59] Você não tem provas disso, não? Pra gente estabelecer de uma vez por todas.

Najara Couto: [38:05] Não, não, não. Isso aí eu não tenho prova. Infelizmente, eu já como eu... Volto a repetir pra você. O que acontece em Vegas morre em Vegas. Eu não sei nada. Tá? Isso aí você me pegou.

O efeito Tinder e a clientela estrangeira (38:13)

Eron Falbo: [38:17] Essa é a galera. E outra coisa que eu queria te perguntar, você trabalha com isso há 30 anos. Depois que o Tinder foi inventado, você começou a ter menos clientela ou não? Como é que foi o efeito do Tinder?

Najara Couto: [38:35] A minha clientela é bem diferente da clientela do Tinder.

Eron Falbo: [38:42] Eu não estou falando dos acompanhantes que usam o Tinder. Eu estou falando o tanto que o Tinder facilitou para os homens conseguirem sexo e por isso talvez Não foram procurar outra escola?

Najara Couto: [38:56] É, eu acho que o mercado tá aberto pra todo mundo, né? Eu acho que tem pro Tinder, tem pro meu perfil, tem pro perfil do Tinder, tem aquela Porque geralmente, você não vê, o Tinder às vezes são mais pessoas com mais idade, né? Então são pessoas que querem um relacionamento.

Eron Falbo: [39:21] Ela não quer a beleza, ela não.

Najara Couto: [39:22] Quer o lugar certo.

Eron Falbo: [39:23] E você vê, no seu clube de homens, é gente de mais idade, no geral.

Najara Couto: [39:31] É o quê?

Eron Falbo: [39:33] No seu clube, é gente de mais idade.

Najara Couto: [39:36] É, é um pouco, é a faixa etária. É, a maioria é, como a maioria também é gringo, né? Eu tenho um centro no meu estabelecimento frequentado por estrangeiros Só que agora, com as fronteiras fechadas, resumindo, eu tenho que me reinventar a trabalhar com outro tipo de público Então, o tipo de público que passa a ser para mim? Passa a ser de todos os tipos Eu tenho que pegar... Vem o jovem, vem o mais idoso Não, a faixa etária de 60 não está frequentando muito porque se acham grupo de risco Eles se acham grupo de risco, então eles preferem ter medo. Então, o que aconteceu? Eu tive uma queda muito grande. Até a redução de trabalho. Eu já trabalhei com 120 meninas frequentando a casa.

Eron Falbo: [40:36] 120, Caraca!

Najara Couto: [40:40] Hoje em dia não pode. Tem que restringir.

Eron Falbo: [40:44] Você não pode... Por causa da pandemia, você tá falando?

Najara Couto: [40:47] É, por causa da pandemia, óbvio.

Eron Falbo: [40:49] Ah, mas se não fosse a pandemia, poderia ter 120?

Najara Couto: [40:52] Não, poderia ter até 130.

Eron Falbo: [40:58] E como é que os homens escolhem esses clientes? É meio que aleatório, né? Porque 130 não dá nem pra ver.

Najara Couto: [41:07] Todas Mas também é uma fase também que dá 200 clientes mais ou menos 120 clientes também, 130 clientes, entendeu?

Eron Falbo: [41:18] E a fragilidade... Ah, entendi. Então um homem que tá frequentando lá na verdade ele vai ter acesso a umas 5, 6, né? Que estão ali aparecendo na frente dele, que estão na...

Najara Couto: [41:31] Exatamente. Então o que é isso? Isso é bem diferente do que esses anúncios que você pega no jornal Que hoje em dia com filtro, com essas coisas, as pessoas... Ah, eu vou fazer um trabalho, vou numa agência tal Aí chega lá o cara... Ah, escolhe. É muito feio esse tipo de... Ah, vamos escolher aqui o... Fica como se fosse cardápio, né? Aliatório Aí chega lá, menina, chega, vai pra casa da pessoa pra receber quando chega. Não, mas não foi essa aqui que eu vi. Não, mas tá cheio de filtro. Hoje em dia custa...

Eron Falbo: [42:02] Isso é o que mais acontece.

Najara Couto: [42:03] Isso é o que mais acontece.

Eron Falbo: [42:04] Por isso que é bom ir pessoalmente, né? Na Centauros.

Najara Couto: [42:08] Exatamente.

Eron Falbo: [42:09] E Ipanema, né?

Najara Couto: [42:10] Ipanema. Ipanema, na Rua Cunning, que aqui você não vai ser enganado, tá? Aqui você vai ver a coisa... Certa, vai poder ver com seus próprios olhos, tocar e ver. Olha, não tem filtro, não é aquela.

Escolha, segurança e respeito na casa (42:20)

Eron Falbo: [42:28] Que falou... E até que ponto as meninas escolhem ou não? Tem meninas que... Eu imagino que algumas meninas escolhem, algumas meninas não tanto. Mas como é que é essa questão?

Najara Couto: [42:44] Elas não são obrigadas a nada.

Eron Falbo: [42:47] É, elas estão lá como sócias. Elas têm energia.

Najara Couto: [42:50] Elas são minhas sócias, né? A razão de ser de uma casa não é só eu a dona do estabelecimento, são elas também. Ninguém vai vir aqui na Centauro pra falar, ah, eu quero olhar os lindos olhos verdes de Najara, que não são verdes. Eles vêm com outros objetivos, né? E não são os meus olhos. Então, essa tem uma razão. Então, o porquê. Elas são tão importantes como eu. Elas são minhas sócias. Então, elas como sócias, elas têm que saber dosar, tem que saber ousar, quer dizer, se um cliente tá abusivo, ela não é obrigada, ela pede licença E.

Eron Falbo: [43:30] Ela pode até reclamar, né, pro segurança, esse tipo de coisa?

Najara Couto: [43:34] Pode, pode, pode sim. Pode sim, ela pode.

Eron Falbo: [43:38] Isso até foi uma pergunta do João Nogueira, que é um amigo meu, ele perguntou se... Pergunta dele é se você é a favor do porte de armas para as meninas se defenderem. Não obviamente nas ruas, ele falou, mas especificamente nas ruas. Para elas se defenderem nas ruas. Só para explicar, ele é a favor, eu imagino que ele é a favor, no geral, de legalização de tudo, inclusive o porte de armas. Só que eu acho que o ponto que a gente pode conversar sobre isso é proteção, né? Proteção dos meninos com o que isso é feito, né? Até de repente para meninos que estão assistindo a gente, que estão pensando em trabalhar com isso eventualmente, para entender melhor como funciona a vida, né? Se é protegido, se existe um amparo da casa, um direcionamento, um guia.

Najara Couto: [44:31] Total, total. É como eu volto a repetir para você, elas são frequentadoras e ao mesmo tempo são minhas sócias. A minha parte, elas estão aqui assim como eu tenho para me proteger, elas também são protegidas. E essa clientela que vem a esse clube sabe que é um clube de luxo, sabe que não vai ter Geralmente o cara, às vezes, toma uma bebidinha a mais, fica mais assanhadinho. Não é que seja... Que vai chegar ou vai morder ou vai puxar um cabelo, vai tratar mal, botar palavras ofensivas. Porque elas também, elas sabem se defender. Mas não acontece isso aqui. Porque aqui tem uma segurança muito... Não é só porque. Porque eu também sou mulher. Então, assim...

Eron Falbo: [45:26] Isso, na verdade, é um grande ponto da Sentado, porque você, acima de tudo, entende elas melhor do que qualquer homem poderia entender, e protege, guia elas. E você também não é do outro lado. Você não é uma mulher casada, com filhos, que está julgando elas. Você é uma mulher batalhadora, que está se expondo diariamente, que está derrotando os leões.

Najara Couto: [45:55] É isso, que chego aqui às 16 horas, todos os dias, de segunda a sábado, e vou embora às quatro da manhã. Então, a minha vida é praticamente, eu sou tão garota de programa quanto elas. Eu trabalho em cima de um salto alto, eu trabalho em radiada. Então, eu sou tão garota de programa quanto elas.

Eron Falbo: [46:24] Porque não proteger?

Najara Couto: [46:27] Porque não proteger? Se eu passo aqui, a maior parte da minha vida eu passo com elas. Então, eu sou igual a elas. Então, tô no salto, tô no vestido, tô maquiada, exijo a mesma coisa que eu exijo pra mim, eu quero pra elas. Vocês têm que ter uma unha bem feita, um cabelo, uma maquiagem.

Eron Falbo: [46:50] Tem uma dignidade, uma classe, né?

Najara Couto: [46:52] Uma classe, exatamente. Tem meninas aqui que... Vem cá, não tá rotulado. A pessoa não tem rótulo. Você vai olhar uma menina e vai dizer... Na rua, essa garota é garota de programa? Não tem.

Eron Falbo: [47:08] Eu também sou tão garota de programa quanto ela, mas é porque eu sou fácil, né? Eu sou um pouco galinha.

Najara Couto: [47:19] Ah, você é um pouco galinha.

Eron Falbo: [47:21] Não, eu só gosto muito da companhia de mulheres, então tô... Tô sempre nas festas.

Najara Couto: [47:30] Então você tem que vir me visitar, que você tá no lugar certo. Pode ter certeza disso. Aqui, essa carência você não vai ter.

Eron Falbo: [47:39] É, eu sou um pouco carente também, tem que admitir.

Najara Couto: [47:44] Mas é isso, né? Porque a gente tem que, antes de falar, antes de jogar pedra, antes de rotular a pessoa, isso é muito complicado. Eu acho que a pessoa tem que ver, saber o dia a dia. Aqui não tem só um objetivo. Tem cliente aqui no clube que não quer. Ele quer bater um papo. Ele quer trocar uma ideia com uma menina Ele não tá preocupado no que vai rolar Se vai rolar um final feliz ou se não vai ter É porque um pouco, elas também são um pouco de psicólogas Querendo ou não, elas.

Eron Falbo: [48:21] Também... Com certeza E muito melhor do que muitos psicólogos, né? Porque entende a intimidade do homem Exatamente.

Najara Couto: [48:30] Porque não aguenta mais a mulher dentro de casa, uma mulher chata, uma mulher que pega no pé, uma mulher... Sei lá, do jeito tem. E eles querem se abrir pra alguém, eles querem conversar. Ai, não aguento mais minha mulher, não tenho mais estrutura pra ela. Tem aquilo aí, geralmente... Vai, não, não posso me divorciar, imagino. Se eu me divorciar, ela vai levar meu dinheiro todo, eu vou ficar pobre. Tem esses papos. Às vezes ela fala, como é que a pessoa atura a outra preocupada do que vai acontecer? Não, não tem, não pode. Então, ainda somos psicólogas. Ainda tem esse agravante, né? Porque... O cara não vem aqui...

Eron Falbo: [49:20] É, devia pagar mais só por isso.

Najara Couto: [49:21] Exatamente, porque acabou a cabecinha, acabou de transar na cabecinha, né? Pra não usar a expressão chula, né? Que você fica perdida, né? Que não sabe nem o que vai falar Então tem que pagar mais caro esse tipo de pessoas que vêm Mas é uma coisa que o Cazuza, como eu já falei, transforma o Brasil inteiro no puteiro, só assim se ganha mais dinheiro. Agora, nessa filosofia de pandemia, a gente tem que esperar, porque é a atividade mais antiga do mundo, né? É essa.

A profissão mais antiga: da Bíblia à pandemia (49:49)

Eron Falbo: [50:03] Eu estudo bastante religião comparada, que não tem nada a ver com o nosso assunto agora Mas só para justificar de onde eu tiro essas coisas do nada Mas tem uma passagem no Velho Testamento que é Judá, que é o filho de Jacó visitando uma prostituta que é a Tamar, que depois no final ele tem um filho com ela, etc. Mas eu sempre perguntei para os rabinos Por que a Bíblia falou tão naturalmente que Judá foi visitar o Mostudo? Então não julga na Bíblia, no Velho Testamento pelo menos não tem esse julgamento Inclusive no Novo Testamento também tem a situação da prostituta sendo apedrejada e tem essa primeira pedra, etc Então tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento tem uma apologia à profissão Então é uma coisa interessante que Textos tão antigos e tão aceitos universalmente pela sociedade atual não têm esse julgamento.

Eron Falbo: [51:16] Apesar dos sacerdotes terem, a sociedade e os próprios religiosos muitas vezes têm esse julgamento, só que os textos básicos não. Pelo contrário, eles meio que fazem uma apologia à profissão.

Najara Couto: [51:34] É, é verdade. Isso é verdade. E que é uma coisa que não vai acabar nunca. E não tem como acabar. Você não... A Constituição não tem como.

Eron Falbo: [51:46] É porque a mulher faz o que ela quiser com o próprio corpo, né? Pra acabar, você tem que ter um estado totalitário que controla o corpo das pessoas.

Najara Couto: [51:55] Exatamente. Exatamente. Tinha, você vê, o Rio de Janeiro tinha os turistas, tinha a antiga HELP que demoliram pra fazer o museu da música e Copacabana perdeu o glamour depois que acabou a HELP.

Eron Falbo: [52:15] Eu vi no meu elevador uma mensagem do síndico dizendo assim, o prefeito Eduardo Paes acaba de dar um decreto que vai ser relevante para vocês condôminos e que vai ser vedada a organização de eventos com a nomenclatura que eles usaram, mas basicamente que não pode fazer festa em lugares públicos e privados. Aí o porteiro ligou pra mim e falou, ó, tem esse decreto aí e eu tava fazendo uma festinha aqui em casa, chamando os amigos e tal. Aí eu falei pro porteiro, no dia que eu escutar o prefeito falando o que eu posso fazer na minha própria casa, Aí você vai ver um tipo de pessoa totalmente diferente de mim. E assim, independente de ter leis ou não, que a gente tá falando de legalização versus não legalização, a gente tem que fazer com isso que a gente acredita, entendeu?

Eron Falbo: [53:20] Se é meu corpo, eu faço o que eu quiser com meu corpo, o Estado não pode me prender. Se é minha casa, ninguém vai vedar o tráfego de pessoas, eu digo tráfego, eu tô falando de pessoas andando, caminhando dentro da minha casa, jamais, entendeu? Não tem um limite, a não ser que eu concorde na reunião de condomínio, qualquer coisa assim, mas não é um prefeito com uma impressãozinha com os códigos escritos que vai me assustar.

Najara Couto: [53:49] É, é verdade, né? Por andar na sua casa também já fica uma coisa, né? Você não pode receber determinado grupo de pessoas, não pode... Pô, pelo amor de Deus, né? Aí só faltava essa agora, né? Ele chegar e proibir. Não pode festa, não pode...

Eron Falbo: [54:04] Eles podem falar o que quiser, mas proibir isso é impossível. Eu acho loucura proibir eu estar num lugar público, imagina na minha casa É,.

Najara Couto: [54:12] Não é, você não tá num lugar público, você tá dentro da tua casa.

Eron Falbo: [54:15] É, sei, mas eu acho loucura estar num lugar público A gente paga imposto e tem direito de ir e vir, entendeu? Na minha casa, muito menos Mas isso é outro assunto, a gente não precisa entrar em política da pandemia O nosso.

Encerramento e planos de reabertura (54:21)

Najara Couto: [54:31] Assunto é hoje, isso não rola, né? Isso é bem assim Lanjara, eu queria.

Eron Falbo: [54:37] Terminar dizendo que você é uma pessoa admirável, uma pessoa que tem muito a ensinar pra muita gente. Eu queria ter feito três horas de conversa, pelo menos, com você, mas a gente limita uma hora porque as pessoas não gostam muito de mim. Mas demais. Seria demais.

Najara Couto: [54:55] Ela não sabe o que elas estão perdendo. Não gostar de você, pelo amor de Deus.

Eron Falbo: [55:00] Obrigado, querida.

Najara Couto: [55:02] Foi um prazer também, sabe? É bom falar sobre isso. E eu tenho certeza que agora, depois dessa pandemia, espero que as pessoas dêem mais valor a esse tipo de negócios que temos aqui. Um trabalho que é um trabalho onde você não está expondo a pessoa, não é uma vitrine, entendeu? E aqui nós estamos lidando com o ser humano. E elas, para mim, são tudo.

Eron Falbo: [55:29] São a razão. Tem carinho, é discreto. Seguro, limpo, tudo que as pessoas muitas vezes se perguntam As pessoas que nunca foram se perguntam se é ou não E é, então visitem Casas Santauros e Ipanema assim que abrir de novo Você já tem planos para abrir de novo?

Najara Couto: [55:52] Eu estou esperando, como falamos aí, a ordem do prefeito quando ele liberar.

Eron Falbo: [56:01] Infelizmente, lojas e lugares assim, ele ainda pode causar muito dano pra vocês se vocês abrirem independente do decreto. As fechinhas da minha casa estão abertas independente do decreto desse merda, mas outras pessoas talvez...

Najara Couto: [56:21] Então, eu tenho que tomar conta do meu espaço. Eu comecei... A pandemia veio numa época que eu estava renovando, eu estava fazendo obras na casa. Porque quando eu comprei, a casa tinha jeito de casa de homem mesmo, né? Então, eu queria dar um toque mais... Aí, a pandemia veio, ó. Mas, se Deus quiser, eu vou conseguir, tá? Todos nós vamos sair dessa, né? Não vai ser uma pandemia, não vai.

Eron Falbo: [56:50] Ser um prefeito... Amém! Tamo junto!

Najara Couto: [56:52] Que vai conseguir nos travar, tá bom? Tamo junto aí, tá?

Eron Falbo: [56:57] Valeu Najara, muito obrigado por aceitar o meu convite. Foi uma conversa ímpar, uma conversa que não dá pra ter com qualquer pessoa. Você é uma pessoa não só numa situação privilegiada, como você pessoalmente absorve as coisas e você é uma pessoa diferente mesmo. Tem muita gente que trabalha com esse tipo de coisa, mas Não tem essas características específicas. Sendo uma mulher, se colocando para jogos, batalhando, cuidando das meninas.

Najara Couto: [57:27] Cuidando, respeitando e sabendo o que é isso.

Eron Falbo: [57:31] Muito bonito. Obrigado pelo seu trabalho. Obrigado por manter isso tudo acontecendo. E é isso. A gente se vê e boa noite. Sucesso aí pra vocês.

Najara Couto: [57:45] Tá. Obrigada pra você. Um beijão no teu coração e se cuida, tá? Fique bem.

Eron Falbo: [57:52] Valeu. Tchau, tchau. Beijo a todos.

Episódio de No Alvo com Eron Falbo. Veja todos os episódios, Praise e Quotes.