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#124 Morrer com honra

com Phellipe Meier · 7 de ago de 2026

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Quem é Phellipe Meier

Reconstrutor histórico da era viking

Phellipe Meier trabalha com reconstrução histórica da era viking, incluindo uma vila recriada e eventos de recriação.

Transcrição do áudio do episódio.

Eron Falbo: [0:00] Sejam bem-vindos, meus amigos! Aqui quem fala é o narrador de suas mais intensas emoções, Eron Falbo. Vamos sair dos nossos tempos agora. Vamos sair dos nossos tempos. Existem sete artes. Arquitetura, escultura, pintura, literatura, música, performance e cinema. Considerada a sétima arte. Agora vamos entrar na oitava. Melhor morrer com honra do que viver com vergonha A saga dos Jons Vikings, capítulo 23 This will never end, cause I want more More, give me more, give me more This will never end cause I want more More, give me more, give me more If I had a heart I could love you If I had a voice I would sing After the night when I wake up I'll see what tomorrow brings Ah, ah, ah, ah, ah Ah, ah, ah, ah, ah Ah, ah, ah, ah, ah Senhoras e senhoras, o resgatador de regatas vikings, o especialista em experiências esquecidas, o Ragnar do Rio, Felipe Maia!

Phellipe Meier: [2:32] E.

Eron Falbo: [2:37] Aí, Felipe, seja bem-vindo ao nosso programa. Obrigado. Valeu! Felipe Maia era um reconstrutor histórico. Ele é especialista em jogos, história e música, entre outras coisas. E faz reconstruções fidedignas, dando possibilidade para a gente viver experiências já esquecidas para muitos e inacessível a quase todos nós. Experiências do passado, artefatos, né? Eu mesmo já comprei um jogo dele que ele faz chamado Nefotafl, tá certo? Alguma coisa assim?

Phellipe Meier: [3:15] Exatamente. É mais próximo, né? Nefotafl, próximo. A gente pode falar de Tafl e tá tudo certo pra se entender.

Eron Falbo: [3:23] Muito fiel, cara. Seja bem-vindo. E, cara, fala um pouquinho do que você faz, assim, do que você gosta, quem você é, por favor.

Phellipe Meier: [3:34] Cara, eu faço um monte de coisa, na real. Sempre fico meio perdido pra responder esse tipo de coisa. Mas, atualmente, eu faço uma licenciatura em História e trabalho essencialmente com eventos. E bem, essa questão toda de era viking, viking e tal, é porque há muitos anos eu tenho justamente um hobby ligado à questão da reconstituição histórica. É em cima da Era Vida. E, tanto quanto hobby, já trabalhei muito com isso, eventos em torno disso. Então, assim, eu acho que... Ah, ainda também tem a parte de teatro. Então, assim, eu acabo tentando unir tudo isso que eu posso nos trabalhos finais, às vezes, como as arsênicas e eventos. Mas, por trás, tem esse background que, geralmente, eu levo junto, que é ligado à história. Fugindo da fantasia, a história como ela foi de verdade.

Eron Falbo: [4:37] Bote Ferro, é uma série de coisas assim, acho que o que eu vejo de eixo em todas as coisas que você faz, por isso que eu falei experiências na nossa brincadeira que a gente faz aqui no começo, porque eu vejo que isso tem muita gente que é acadêmico, isso tudo é história tipo com fetiche intelectual. Você parece buscar a parte de experiência, né? Então, assim, isso tem a ver teatro, dança, música e também tem a ver o jogo, por exemplo, que você reconstruiu. Isso é uma coisa que você pode viver e vivenciar e fazer, né? E as reconstruções históricas também, né? Vestias...

Phellipe Meier: [5:20] É, a reconstrução histórica, ela acaba, assim, eu cheguei no meio acadêmico pela reconstrução histórica. É impossível você não se envolver com o meio acadêmico. Se você vai fazer reconstrução, a sua fonte primordial são os artigos acadêmicos. Então, são as universidades, são as pesquisas que são feitas e que você tem comparações, tem como comparar pesquisas feitas por diferentes pesquisadores. E aí, na reconstrução histórica, a gente usa sociologia, antropologia, arqueologia e etc. Aqui no Brasil, hoje em dia, relacionado à era viking, a gente já tem pesquisadores grandes, como é o pessoal lá da Bahia, lá do Névio, que é o núcleo de estudo de cultura escandinava, que, por exemplo, Johnny Langer, hoje em dia, ele é citado pelos pesquisadores europeus.

Phellipe Meier: [6:22] Pessoas que lá fora fazem estudo sobre a cultura viking, hoje em dia já estão citando acadêmicos brasileiros nas suas pesquisas. Então, assim, rola toda uma troca que pega esse meio acadêmico com a experiência e a gente acaba tendo envolvido e é por isso que eu fui acabar entrando em uma licenciatura em História para poder justamente estar mais próximo da academia. Então, assim, é uma confusão ali de estudo e experimentação bem grande, no final das contas.

Eron Falbo: [6:56] Com certeza, o que eu estava dizendo é que o diferencial, porque muita gente, a gente tem muitos acadêmicos, para a irritação de algumas pessoas e a glória de outras, a gente tem acadêmico para dar e vender. Só que não é tanta gente que faz esse trabalho cuidadoso de praticar, aplicar na vida.

Phellipe Meier: [7:26] Na verdade, por um tempo aqui no Brasil, principalmente o lado acadêmico e a reconstrução histórica não deram separados. Justamente porque é uma atividade que está ligada mas, ao mesmo tempo, ela começou a bater de frente com esse meio acadêmico, estar usando a academia sem serem necessariamente pessoas formadas. Então, isso, à primeira vista, dá uma certa estranheza. Mas, hoje em dia, está conseguindo andar junto e está começando a aparecer mais pessoas. Na verdade, o estudo da era medieval, em geral, hoje em dia, Não é uma coisa que ela é realmente muito buscada. Tem muita gente que gosta, mas pra você viver disso, você tem que ser muito persistente, então...

Eron Falbo: [8:21] Muita fé. Cara, falando em reconstrução histórica, pra gente começar nossa conversa com o pé direito, te convidar pra fazer um brinde aqui no Chifre Viking.

Phellipe Meier: [8:33] Opa! Boa! Olha, o meu chifre tá lavando. Literalmente. Mas eu tenho uma coisa aqui. Isso aqui a gente usa hoje, mas isso aqui é uma das formas mais antigas de utensílio doméstico que na época era usada. Então, papinho de barra aqui também.

Eron Falbo: [8:57] A nossa cerveja. A nossa conversa e as grandes reconstruções históricas.

Phellipe Meier: [9:02] Valeu, obrigado.

Eron Falbo: [9:06] Skol.

Phellipe Meier: [9:07] Skol.

Eron Falbo: [9:09] Isso é a palavra em... O que? Escandinavo, não? Como é que chama? Sueco? Antigo, não?

Phellipe Meier: [9:16] É... Eu não sei se Skol exatamente vem de Old Norse, né? Daquelas línguas...

Eron Falbo: [9:23] É, porque tem diferença entre Old Norse e germânico, né? São um pouquinho diferentes.

Phellipe Meier: [9:28] É porque o nórdico antigo é a língua que meio que vai dar origem às outras línguas, ao norueguês, ao dinamarquês, ao sueco. Ali rola na Europa sempre uma coxa de detalhe muito grande. Então até essas línguas mais antigas elas também eram meio confusas.

Eron Falbo: [9:50] Bota fé. Cara, se você puder só dar uma explicada O que é exatamente reconstrução histórica? Porque a gente jogou esse termo aí, não sei se a galera que está nos assistindo tem total noção.

Phellipe Meier: [10:04] É, a reconstrução histórica é você reconstruir a história, tentar reproduzir hoje as coisas como elas eram em um determinado recorte de tempo. Então, no caso, a Era Viking é um período arbitrário, mas ele é um período histórico, de estudo histórico. Então, nesse caso, tudo que tiver dentro da área onde os nórdicos tiveram contato e dentro do período da Era Viking, ele vai ser considerado, para quem quer fazer a reconstrução histórica da Era Viking, como objeto de estudo. Da mesma forma como tem gente que faz reconstrução histórica da Segunda Guerra Mundial, faz da Guerra do Sismo Americana, tem gente que faz da pré-história e por aí vai, né? Então, dentro daquele recorte histórico, você vai fazer uma túnica, por exemplo, uma blusa daquela época, como é que era a roupa naquela época, qual era o material que era utilizado, como é que era o ponto de postura, qual era a técnica que era utilizada, como é que eles cortavam, como eram as ferramentas, então você vai buscar reproduzir desde a tesoura, até a peça finalizar.

Phellipe Meier: [11:18] E isso é um exemplo, né? Muita gente vai pro lado da luta, tem gente que vai pro lado da culinária, tem gente que vai mais pro lado do artesanato.

Eron Falbo: [11:27] Boa explicação. Cara, eu me lembro de uma cena no House of Cards, eu não sei como é que é em português, com Kevin Spacey, House of Cards, que ele tem uma reconstrução, você me falou de Guerra Civil Americana, eles fizeram no House of Cards uma cena onde o personagem principal, que é o presidente dos Estados Unidos, participa de uma reconstrução histórica de uma batalha da Guerra Civil Americana. Eu acho que como é um seriado muito popular, um dos mais populares dos últimos tempos, É uma boa chamada para as pessoas que já assistiram lembrar, porque o Frank Underwood, que é o presidente, ele participa disso e isso faz ele entrar em contato com memórias. Não precisa ser de vidas passadas, não precisa ser nada místico, mas a gente tem no nosso DNA, vamos dizer, da nossa história familiar, inconscientemente ou conscientemente, a gente tem memórias de outras linhas, outros tempos que a gente não necessariamente viveu, através de coisas que são preservadas dentro da família.

Eron Falbo: [12:48] Isso a gente sabe através da psicologia moderna, especialmente psicologia evolutiva, psicologia cognitiva comportamental. Que a gente carrega inconscientemente, ou Jungian até, que a gente carrega inconscientemente certos sinais, que é como se fosse DNA verbal, DNA cultural, pode ser, de outros tempos. Então, eu acredito, e um dos assuntos que eu mais interesso é esse tipo de psicologia, que a gente revivendo esses esses momentos, a gente consegue ter insights de coisas que estão escondidas, não assim... Também, obviamente, do passado e aprender com a história, mas o que eu tô falando eu acho que é um pouco mais profundo que isso, que é sobre nós mesmos, coisas que estão dentro do nosso inconsciente, que estão lá escondidas dentro do nosso consciente, que são ativadas, que são ligadas e trazidas para o holofote do nosso consciente, quando a gente vive essa experiência antiga.

Eron Falbo: [13:54] E quanto mais fidedigna, eu acho que mais confortável eu fico inconsciente com essa revelação. De memórias do DNA passado. Você acha que essa obsessão com detalhismo, com trazer, com reviver a coisa... Porque a gente podia, se fosse só uma brincadeira, a gente poderia botar uma fantasia que você compra no eBay muito facilmente e brincar. Mas por que você acha que tem essa obsessão com detalhes?

Phellipe Meier: [14:31] Cara... A obsessão por detalhe, ele vem da atividade, né? E quando você se propõe a taquilaline, isso é muito difícil, na verdade, as pessoas que estão começando na atividade entenderem essa necessidade. Elas só vão começar a entender aquela necessidade depois que elas já estão um tempo no... Fazendo atividade, isso costuma ser muito normal, a não ser que a pessoa já venha de uma outra atividade que ela está ali. Estou falando assim dentro da atividade de reconstrução histórica. Por quê? O olho, ele não está treinado. A pessoa não tem, se ela não está estudando, ela não consegue entender qual nuance de cada coisa, igual um músico, que o olho dele é treinado para pegar os tons da música. O cara, quando ele, a pessoa, quando ela está ali fazendo análise de um objeto histórico, talvez ela não vá enxergar certos detalhes que ela vai ver dali a um, dois anos quando ela tá trabalhando com aquilo.

Phellipe Meier: [15:32] E geralmente, dentro da reconstrução histórica, o hobby também acaba virando uma espécie de ofício. A gente tem ferreiros, marceleiros, peticelãos.

Eron Falbo: [15:42] Hoje em dia... Você acaba criando uma aldeia do Asterix, né?

Phellipe Meier: [15:45] Existe uma vila viking hoje em São Paulo.

Eron Falbo: [15:50] Caramba!

Phellipe Meier: [15:52] Ela é um trabalho de Renactors da Era Viking, que já estão há uns 10 anos, mas a vila começou há mais de 10 anos fazendo Renactment aqui no Brasil. Eles começaram com o Renactment, ainda não estava no Renactment, mas estava no meio de fazer coisas medievais em geral. Mas hoje em dia, já está em construção, já está fazendo evento lá e tal. É uma vila recriada, baseada na arquitetura da época. E lá nos eventos, são eventos de recriação, onde as pessoas têm workshop de todo tipo de coisa. Tem até pra você falar sobre a criação de abelha, pra você poder produzir material. Tem a parte de culinária, você pode aprender fundição, forja, marcenaria. Porque hoje em dia você tem profissionais aqui no Rio, em São Paulo, no Paraná, na Bahia, enfim, em alguns outros estados que hoje em dia trabalham com técnicas ou com coisas que são relacionadas a isso.

Phellipe Meier: [16:59] Tatuador hoje em dia que foi preso lá.

Eron Falbo: [17:02] Por que você acha que as pessoas se dão esse trabalho, entendeu? Essa que é a minha pergunta. Por que as pessoas vão tão longe assim? Porque isso aí ocupa, né? Às vezes não tem nenhum retorno financeiro e você ocupa muito tempo estudando e se dedicando a essa parada.

Phellipe Meier: [17:21] É um hobby que geralmente é comunitário. Acho que a primeira coisa, e ele não é um hobby, ele é comunitário e ele não é solitário. Você cria uma comunidade de fato em volta disso. Então você tem eventos recorrentes, você tem encontros recorrentes, e isso vai aos poucos, vai jogando as pessoas mais pra dentro daquilo e se interessando cada vez mais. E cada vez mais você vai entendendo o apreço, por exemplo, por uma peça feita na mão. Então você passa a dar mais valor para aquilo dali. Chega a ser às vezes meio discutível com as pessoas de fora que não entendem como é que você paga às vezes 200, 300 reais num sapato feito de pura mão. Mas a pessoa paga 600 reais, 700, 800 num tênis fabricado industrialmente que com mão de obra baratíssima e que, tipo assim, é só status.

Phellipe Meier: [18:21] E um sapato, às vezes, que você compra daquela época, você usa hoje, você pode ir no shopping com ele, ele vai durar muito mais tempo. Ele é de couro de verdade. Então, assim, você começa a dar mais valor pras coisas, não também pela questão do consumismo em geral, mas porque cada coisa pode te apresentar. Até porque muito do que a gente faz ali é de desconexão. A gente às vezes passa final de semana em um ambiente sem internet.

Eron Falbo: [18:51] E acho que o mundo está, na medida que a gente vai ficando cada vez mais alienado, sobretudo agora na pandemia, que as pessoas foram... Trancadas em casa, ou por Deus, ou pelos deuses, ou pelos governantes, depende da narrativa que você escolhe. Mas a gente se encontra agora mais alienado ainda do que a gente estava antes no mundo digital e tudo. E as pessoas estão clamando, estão buscando experiências mais reais. Porque a gente já tem no mundo digital, acho que no advento da televisão, do rádio, o que seja, A gente começou a falar, caraca, a gente não precisa mais gastar tempo indo para as coisas e fazendo ópera, grandes reconstruções e produções megalomaníacas. A gente pode ter uma experiência num simulacron, a gente pode simular experiências e ganhar o mesmo aprendizado, a mesma profundidade da experiência, mas a gente está percebendo que não.

Eron Falbo: [20:03] Agora no auge do 3D, do 4DX, do que for, a gente vê que falta muita coisa se você tá preso numa cadeira e tendo uma passividade de experiência. E eu acho que por causa disso, porque a gente chegou nesse auge, chegou no zerar o jogo, ou quase nisso, ainda vai chegar com inteligência artificial e realidade virtual, essas paradas todas ainda vão dar uma... Acho que as pessoas vão clamar ainda mais por contato humano. Acho que a gente está, na verdade, no começo dessa renascença de reconstrução histórica. Ou, na verdade, não só histórica, mas reconstrução de experiências e vivências. Coisas que a gente está... Não necessariamente históricas. Pode ser novas e fantasiosas e coisas do tipo. Mas o que eu quero dizer com isso é que talvez é por isso que existe um pouco de onde está vindo essa obsessão por detalhes, na minha opinião, do jeito que eu vejo as coisas, é dessa vontade de ser real, dessa vontade de não ser passageiro, de não estar participando de uma coisa efêmera, Tipo teatro, por exemplo, com todo respeito ao teatro.

Eron Falbo: [21:28] Mas o teatro é uma coisa que você usa aquela coisa e você usa a sua imaginação durante aquele momento. Você usa a persona, aquela máscara que pode ser de isopor ou pode ser de ouro, que ninguém vai saber de diferença. E uma vez que você capturou aquele momento, você pode jogar fora. E o cinema também é muito assim. Agora, uma reconstrução histórica não é, porque você não está só vivendo aquilo uma vez, você está construindo equipamentos para todo ano. Ir para um festival, para participar todo ano ou todo mês, dependendo do nível da obsessão, com todo respeito. Mas eu acho que tem isso. O que você acha dessa ideia do mundo moderno versus o mundo antigo e essa coisa toda? O que você, como alguém que vive isso de fato, o que você viveu de catarses, de pensamento, desse tipo de coisa?

Phellipe Meier: [22:25] Cara, assim, eu sou um cara assim, no geral, né, mega inserido na porreira do dia-a-dia. Então, assim, é... Estresse, aquele negócio todo. E aí, levando pro lado do evento, Quando tem um evento que a galera consegue se reunir, principalmente quando a gente junta a nível nacional, que às vezes são eventos de três dias, o pessoal fica lá, a gente realmente desconecta de tudo. É como se fosse uma recarga de bateria. Mesmo que ali você fique exausto, mas você não está exausto pela repetição do dia a dia. Você está sempre em troca, fazendo coisa, porque nos eventos você acaba sempre fazendo coisas, mesmo se você for espectador, se for um evento de imersão histórica, de reconstrução histórica, geralmente o visitante não está só olhando, ele é um personagem também.

Phellipe Meier: [23:28] Então, dá para perceber o quanto que as pessoas vão se conectando a isso, justamente porque se cria um grupo, porque você se desconecta de toda a confusão do dia a dia, E dá aquela falsa sensação, mas pelo menos por alguns momentos você tem uma sensação de não liquidez. Você deixa a palma para trás ali um pouco e você está conectado com alguma parada. E às vezes está conectado com coisa que você passou seis, sete meses produzindo. E tem outras pessoas que estão ali parando, olhando, te perguntando e você explicando. Passando como é que você fez essas coisas. Eu, em particular, não sou exatamente dos que mais produzem material, porque eu não trabalho com o artesanato que eu digo, com a produção direto de coisas históricas pra fora, a não ser os jogos e tal. Mas, mesmo assim, os jogos acabam sendo adaptações em algumas partes.

Phellipe Meier: [24:33] E, principalmente, quando não se quer, não querem exatamente igual a um machado. Mas, lá na reconstrução, tem pessoas que trabalham com isso e produzem o ano inteiro. Então, essas pessoas acabam dividindo muito desses conhecimentos e, se você fez, se você não fez, você está ali também e você tem é aquela experiência comunitária antiga, de todo mundo colabora um pouco, todo mundo se ajuda, e no final das contas, todo mundo está dividindo o conhecimento. É quase que uma divisão dos modos de operação, das possibilidades de operação para a galera. Porque o pessoal, você vai lá e, por exemplo, você senta do lado de um cara que ele está forjando uma parada e vai trocando ideia com ele, vai aprendendo. Você se insere naquele meio. E eu acho que é por isso que vem recebendo tanta gente nos últimos 10 anos, isso cresceu demais.

Eron Falbo: [25:36] Cara, só de você falar assim, eu tô com água na boca querendo participar de uma parada dessa, se você puder depois deixar. Na verdade, se quiser dar, falar agora quais são as coordenadas para alguém assim, um novato, eu nunca participei dessas coisas. Eu sou um nerd de armário.

Phellipe Meier: [25:56] Ah, mas os dois lados eles se trombam aí o tempo inteiro. Claro que às vezes é uma briga, né, para tentar separar o mundo pop das questões, porque tem um trabalho ali sendo feito atrás, que esse trabalho do Relaxment Living History, ele vai trabalhar, por exemplo, com museu, às vezes, com exposição, com faculdade, com esse negócio todo. Então... E aí vai justamente quebrando esses padrões. Então, assim, tem alguns canais onde é legal, talvez, pra ficar... Eu tenho um perfil lá no Instagram, onde eu tô geralmente trazendo algumas coisas relacionadas a isso, que é o Portal Nove Mundos. Eu coloco algumas coisas de história, e também tem que eu faço evento virtual sazonal, então eu tenho convidados que geralmente tem professores, doutores e galera do internet.

Eron Falbo: [26:49] Só curiosidade, nove mundos vem da mitologia norte?

Phellipe Meier: [26:54] É, da mitologia nórdica. É, seriam os nove mundos da mitologia nórdica. E pra quem quer talvez entrar em contato assim, É porque é legal cada um no seu estado, no seu lugar onde mora, ter um contato com alguém ali de perto. E aí seria legal. Só que a gente não tem um canal onde se junte tudo isso. Lá pelo portal, lá pelo Instagram, dá pra chegar nessas pessoas. E se quiser entrar em contato direto mesmo com o Enactment, procura Vila Vic, que não é em São Paulo. Tem site na internet, dá pra ver como é que é direitinho. E eles estão sempre divulgando os eventos e como eles divulgam pessoas também lá dá para tirar a dúvida e conhecer as vezes coisas mais próximas e é como a gente está na pandemia os.

Eron Falbo: [27:46] Eventos estão parados ainda não tem previsão para um próximo evento alguma coisa assim?

Phellipe Meier: [27:54] Estão começando mas a vila tem feito algumas coisas assim mês passadas Sabe, então lá tá tendo coisa controlado e tal, mas os eventos maiores...

Eron Falbo: [28:05] Usam uma máscara de couro, né?

Phellipe Meier: [28:06] Tipo... É, não tá exigindo tanto, mas assim, vai... Mas os eventos grandes e tal, como as grandes feiras medievais, como o Jantar e o Tabernafor, pra quem gosta, pra quem não conhece esse mundo medieval no geral, Tipo, os jantares medievais, eles costumam ter um pouquinho de cada das expressões. Apresenta o vernete, apresenta a luta histórica.

Eron Falbo: [28:32] Uma coisa que muita gente conhece é o Medieval Times, em Miami. Você já foi nisso?

Phellipe Meier: [28:37] Sim. Não, não fui, mas tenho noção.

Eron Falbo: [28:39] Cara, é muito bom. Bom, tem muita coisa muito bem feita, mas a coroa, você usa uma coroa de papel, mas a experiência em si é como se você estivesse assistindo uma arena de jousting, não sei como é que fala em português. Justa. Justa? Cara, a experiência é muito fera. Inclusive, entrando nessa parada da experiência, eu vou dar um exemplo. Para quem está só ouvindo a gente através de podcast, eu estou segurando um chifre de tomar cerveja de viking. Para quem nunca viu isso antes, é um chifre que tem um vão onde você coloca a cerveja e é usado como copo, aí você pensa, pô, mas aí é meio burro, né, porque você não consegue botar a cerveja pra descansar, mas isso é de propósito, né, pra você não largar a cerveja até você terminar de beber.

Eron Falbo: [29:45] E a cerveja no mundo viking era usado ritualisticamente, era usado comunitariamente, E, politicamente, era uma forma de unir a comunidade, então todo mundo se juntava no Great Hall, que era uma espécie de refeitório, vamos dizer, que todo mundo se juntava na Vila Viking. E as pessoas faziam um brinde, que a gente, na verdade, o brinde que a gente faz assim veio dos Vikings, de tocar um copo no outro, que os europeus que não eram vikings nunca encostavam o copo. E a razão que encostava era pra poder derramar uma cerveja no outro pra ter certeza que ninguém tinha envenenado um ao outro. Aí depois você me corre se eu estiver errado, eu tô pegando isso aqui de memória, tá? Se você souber de alguma lenda aí que eu tô falando aqui. Mas o que eu quero dizer com isso, que eu acho super interessante, É que ao beber isso, você entende isso...

Eron Falbo: [30:56] Uma coisa é você ver uma palestra sobre isso tudo que tá sendo dito. Porra, os vikings tinham isso no Great Hall e vivendo... Outra coisa é você tomar cerveja nessa parada e ficar segurando essa merda, entendeu? Sem sem poder botar no chão, sacou? Você entende como é que é o compromisso, entendeu? Com o beber. Poder... Que não é, na nossa sociedade cristã, beber é mal visto. Então, quanto mais a gente bebe, mais a gente se sente mal. Na sociedade vica, quando você segura essa parada, ainda tem uma cordinha, né, pra você não perder o seu chifre pra galera não envenenar, ou pra não pegar um de outro, etc e tal. Aí você começa a entender certas coisas. Primeiro que... Exemplo do que eu tô falando com isso. Primeiro, em outras culturas a bebida pode ser totalmente diferente do que a nossa cultura. Pode ser vista de uma maneira totalmente diferente do que a gente vê. E você, só de segurar a parada, você já vê esses pensamentos.

Eron Falbo: [31:57] Aí o que eu tava querendo dizer com viver uma experiência É muito superior a você aprender isso num livro, entendeu? Porque você pode... Ah, legal! Curiosidade! Pô, legal! Aprendi muito comigo. Outra coisa é você beber cerveja no chifre, entendeu? E chamar seus amigos e falar school e derramar cerveja de todo lugar. Porque a galera realmente tava nem aí se derramasse cerveja. Se derramasse cerveja no chão, se derramasse cerveja no outro. E a gente tá super aí. A gente, tipo, tem que limpar...

Phellipe Meier: [32:31] Assim, tem uma questão da cerveja, que tem as cervejas que elas eram feitas, né, para as cerimônias e tal, e aí entra também uma questão do Renetment, que a gente tenta fazer, recriar receitas da época, então a gente vai atrás, a gente acaba entendendo melhor como é que funcionavam os processos. Mas a cerveja, desde muito, até antes dos vikings e até a Idade Média, ela era a bebida mais consumida. Pelas civilizações ali, porque ela era mais segura de beber do que água. Então, o processo... Então, por exemplo, os nórdicos, em geral, não só os vítimos, eles, assim como os outros povos ali da Redondeza, eles tinham uma cerveja que eles faziam, assim, para ser bebida diariamente. Criança bebia. Era uma cerveja que era um teor alcoólico baixíssimo, mas justamente pelo processo de feitura dela, ela era esterilizada.

Phellipe Meier: [33:36] E ela tinha, e tinha as bebidas, as cervejas, como uma que é famosa lá, que é o Sarte, que elas eram feitas, às vezes, num processo que levava 20, 30, 40 dias pra ficar pronta, e aí elas eram usadas em celebrações, casamentos, aquela coisa toda. E a igreja, ela foi condenar a bebida depois de muito tempo, até porque os mais produzida cerveja durante a Idade Média.

Eron Falbo: [34:03] Eles que mantiveram a parada viva, fizeram as leis de pureza da cerveja.

Phellipe Meier: [34:11] Nessa questão da era viking também fala-se muito do hidromel, como se o hidromel fosse a bebida dos vikings e tal, mas na verdade era uma bebida que era mais ritualista. Não era uma coisa que era muito fácil de se fazer, quem podia ter, era quem tinha muito dinheiro.

Eron Falbo: [34:26] Era alucinógeno? Você sabe não?

Phellipe Meier: [34:28] Bebida alcoólica só, fermentação e o hidromel é justamente o que as vezes o pessoal associa muito aos vikings por uma questão... Por uma questão romântica.

Eron Falbo: [34:40] Isso foi você ou foi... Foi a.

Phellipe Meier: [34:42] Moto que passou aqui.

Eron Falbo: [34:44] Porque se fosse viking, foda-se, soltou a rua, tô brincando.

Phellipe Meier: [34:48] Mas o vidromel é possivelmente a bebida fermentada mais antiga da história, né? Ela é basicamente um milhagro.

Eron Falbo: [34:58] Um aparentes aí, o legal do nosso programa é pegar tangentes interessantes. Eu tô lendo um livro agora, chama The Immortality Key, a chave da imortalidade, que eles... É um... Esqueci o nome do cara. Vê aí, Paquito, qual que é o nome do cara, por favor. The Immortality Key. Só pra falar pro pessoal que tá ouvindo, mas o livro basicamente argumenta, baseado em várias evidências históricas, que boa parte das civilizações do mundo tinham bebidas alucinógenas como parte dos rituais deles. E a gente tá vendo, tem uma parada na arqueologia moderna que eu acho fascinante, uma daquelas É tipo Wi-Fi, assim, tecnologia alienígena, que a gente não sabe como é que existe, mas existe. Que é arqueologia... Sei lá o nome dessa porra, mas basicamente você consegue... Química, arqueologia química. Você consegue, tipo assim, achar um copo viking como esse que eu tô segurando e pelo material que tá lá, você identificar elementos químicos que estão presentes lá.

Eron Falbo: [36:11] Então você consegue ter uma noção, arqueologicamente falando e não só filologicamente falando, tipo assim, não só porque alguém falou uma merda que a gente tem que interpretar, Mas por química mesmo, provar ou desprovar que em determinados rituais tinham certos elementos químicos. Então hoje em dia isso está acontecendo em revoluções incríveis. E nesse livro eu estou gostando muito porque eu gosto muito também da mente humana e tudo que envolve isso, inclusive substâncias alucinógenas, substâncias ritualísticas. E eu adoro, na verdade, tudo que tem a ver com ritual, isso é outra tangente que depois a gente pode conversar, mas eu fui iniciado em muitas fraternidades que fazem muitas reconstruções, tanto históricas quanto ritualísticas, do Golden Dawn, de coisas egípcias, de diversas coisas que, querendo ou não, sendo histórico ou não, tem tudo a ver com esse mundo aí que você vive.

Eron Falbo: [37:17] O livro é A Chave da Imortalidade, do Brian Muraresco. By the way, o vídeo... O canal de YouTube desse cara vale muito a pena pra quem nunca viu. Cara, ele faz uns vídeos super bem produzidos e sintetiza livros muito complexos, e cara, muito bom. Mas esse livro é muito bom e esse cara é um jovem, super vale a pena ouvir ele. Aí eu entrei nessa parênteses longa de se os vikings, talvez, e o hidromel... Porque por causa da... A gente é descendente dos cristãos e tudo mais, muitas vezes a gente não olha com viés pra poder buscar esse tipo de coisa. Então às vezes a gente fala, não, bebida alcoólica comum, Mas quando a gente vai buscar se é de fato alucinógeno ou não, de acordo com esse livro, a gente descobre que muita coisa surpreendentemente é alucinógeno.

Eron Falbo: [38:25] E faz sentido que seja, porque as pessoas nesses rituais eram muito estásicos. Oracular, eram oráculos onde as pessoas tinham que perder os sentidos de uma forma... Tudo bem que os vikings bebiam, supostamente, bebiam o suficiente para talvez chegar a níveis alucinógenos. Eu só queria fazer esse aparente que eu acho que é muito interessante para o próprio reenactment, para a própria reconstrução histórica, que talvez a gente busque se havia, se viesse ou não.

Phellipe Meier: [39:05] Assim, pra gente hoje a questão do alucinógeno, a gente afasta muito o álcool, mas pra época, apesar do álcool ser uma coisa que era relativamente fácil de se fazer, e eles, né, desde a pré-história ali foi sendo evoluído, Egito Antigo fabricava CPJ e tal, e com níveis alcoólicos diferentes, a questão é que todo o processo até ele ser entendido ele já era mágico. E só a própria questão do próprio álcool, ele já tirar você do seu clume, hoje em dia a gente entende melhor como é que isso funciona, assim como outras drogas também você tem um poder de controle quando você se acostuma com elas. Mas na época, apesar de tudo, algumas, talvez não a cerveja, né, que já estava ali muito introduzida e já entendia a forma de fazer, mas há muito tempo atrás isso era considerado, até em algumas culturas, as bebidas alcoólicas, que a gente bebe por tranquilidade hoje, eram consideradas coisas mágicas. Até porque, até a própria questão do hidromel, a água e mel e levedura, que pegava do ar, às vezes.

Phellipe Meier: [40:13] Então o cara, às vezes, carregou mel ali, carregou a água num mesmo incipiente, largou ele lá, ficou um tempo lá largado, depois ele pegou ele Pô, tinha um troço lá que ele ficou doidão. É, o fungo nasceu. Enfim, agora sim, tem algumas coisas relacionadas, por exemplo, ao consumo de cogumelo.

Eron Falbo: [40:38] Isso você sabe mesmo, assim, de tipo, dentro da cultura viking já tinha isso?

Phellipe Meier: [40:44] É porque a cultura norte, a cultura viking, a gente já tá falando ali de anos 800.

Eron Falbo: [40:53] É relativamente moderna. Quando a gente olha para os vikings, a gente pensa, porque é mais ou menos equivalente, em termos de tecnologia, qualquer coisa assim, é mais ou menos equivalente aos romanos, só que é bem depois. É uma parada mais medieval do que a antiga.

Phellipe Meier: [41:13] Sim, a era viking ali, ela justamente era conhecida por esse nome. Assim, os vikings não deixaram de existir. Os vikings eram, na verdade, piratas. Eram nórdicos piratas. Então, geralmente, todos os vikings eram nórdicos, mas a maioria dos nórdicos não eram vikings.

Eron Falbo: [41:31] Sim, eram fazendeiros de boa.

Phellipe Meier: [41:37] E justamente a era viking é como se fossem os últimos pagãos para a igreja chegar e conseguir fazer uma hegemonia de poder ali na Europa, principalmente ocidental. Então se dá quando você começa a ter grandes conflitos entre essas duas culturas e acaba quando você tem o último rei pagão, que ele morre e aí você não tem mais resistência e pronto, aí você entra no que a gente conhece hoje como era medieval, mas era medieval ela era bem mais complexa, né? É, mas assim, é uma época que já é mais, eles já tinham várias tecnologias que eles usavam, a tecnologia naval deles era absurda, a estrutura deles era.

Eron Falbo: [42:19] Bem legal, É, eles já tinham chegado nas Américas, né? Eles já tinham chegado... Tem fortes evidências que eles tinham contato com os índios norte-americanos, com os nativos norte-americanos. Leif Erikson, né? Essa galera.

Phellipe Meier: [42:36] É, assim, eles chegaram no Canadá, ali no norte, montaram... Eu que estava falando da arqueologia química, uma das coisas que foram comprovando isso era justamente análises de fezes de animais antigos que comprovaram que animais europeus tiveram sido levados para lá e que eram criados. Então, essas análises que eles conseguem fazer, eles conseguem pegar pólen e dizer de onde veio a abelha que estava ali. Então, se aquela abelha encontraram um pólen que é de uma árvore nativa Lá do leste europeu, quer dizer que aquela abelha nunca teria polinizado lá, que não foi levado pra lá. E essa ideologia química, ela vai permitindo descobrir isso. Até quantas vezes, por exemplo, uma parede de madeira recebeu fogo nela. Você consegue determinar em que ano, mais ou menos, cada vez aquela parede foi atacada.

Phellipe Meier: [43:39] Pela análise química da fuligem. É absurdo.

Eron Falbo: [43:44] Muito fera, cara. Essa questão assim, é bonito isso, cara, porque eu acho que uma coisa que vale a pena a gente falar aqui, porque eu acho que muita gente olha pra essa parada que a gente tá discutindo e pensa, porra, isso aí é fetiche, né? Tipo, uma coisa, por que gastar tempo analisando fezes dos outros, né? Tipo, porra, se eu analisasse as minhas fezes, iam descobrir todas as merdas que eu fiz. Mas cara, eu acho que tem um ponto que é muito interessante colocar, é que o que a gente é hoje, a nossa identidade hoje, é como a gente vê o que nos trouxe até aqui. Tipo assim, se você tem uma narrativa da sua vida, psicologicamente, que você é filho de criminosos e ciganos, e a minha ética, da minha família e de onde eu vim, roubar as pessoas, sei lá, sem falar mal de ciganos, estou dando um exemplo esdrúxulo, Mas se você criar uma certa narrativa X, você vai sentir um ímpeto muito grande de seguir essa narrativa.

Eron Falbo: [44:57] Ou como um herdeiro disso, ou como um rebelde contra isso. Agora, a gente é uma série de coisas, a gente não é só os nossos pais, a gente é nossos avós e nossos bisavós e também os nossos pais não é só X, Y, Z, eles são uma complexidade de coisas que a gente vai descobrindo ao longo do tempo. Então o Tony Robbins, que é um cara desses de autoajuda, ele fala uma parada que a gente é feito de estado, história e estratégia. Essas coisinhas fáceis de lembrar. E uma das coisas é a história. Tipo assim, como é que a gente constrói o nosso estado? É a história que a gente se conta sobre nós mesmos. Então, se a gente se conta uma história de que a gente veio de uma civilização X, Y, Z, a gente vai viver de uma certa maneira, querendo ou não. Porque, de uma certa maneira, a gente só pode ser a consequência do que veio antes, porque assim é a lógica.

Eron Falbo: [45:58] Do mundo, assim que a gente vê tudo o que acontece. Então, mesmo que seja inconscientemente, a gente acaba vestindo a carapuça das mentiras históricas. E a gente sabe muito bem, qualquer pessoa que estuda um pouquinho de história, sabe que toda história, toda narrativa histórica é uma mentira, é uma coisa que está incompleta. Na medida que a gente faz arqueologia química, na medida que a gente vai descobrindo novos textos e etc., a gente vai compondo essa narrativa de uma forma mais bonita, mais complexa e vai percebendo que no final das contas, sei lá, a galera do Egito Antigo era muito parecida com a gente, sacou? No final das contas, a gente tinha muito mais em comum do que divergente. Aí o que eu tô trazendo de mensagem com esse discurso é que não é só um fetiche nerd, sacou? É uma parada de autoconhecimento muito profunda, que a gente pode se encontrar um pouquinho da gente, porque muita gente hoje em dia tá inseguro, tá se sentindo deslocado, inadequado, de uma forma ou de outra, nessa confusão que a gente viu no mundo moderno.

Eron Falbo: [47:15] E às vezes a gente encontra fraternidade Com os vikings, sacou? A gente encontra fraternidade com, sei lá, alguém de Roma Antiga, os egípcios, assírios, o que seja. E isso faz a gente se entender melhor. E se sentir melhor com nós mesmos. Você, de repente, trazendo sua experiência nesse sentido, o que você acha que é o futuro dessa... O que você acha, com a sua imaginação, aonde a gente consegue chegar como descobrir essas coisas, como fazer essas reconstruções. O que eu quero realmente minar das suas experiências é como se fosse uma coisa que não é só do passado, que não é só um hobby, você entende?

Eron Falbo: [48:17] O que a gente consegue extrair e levar para o futuro dessa parada?

Phellipe Meier: [48:25] Cara, assim, no fundo existe um hobby, obviamente, né, ali. Vai ser um hobby que vai, às vezes, gastar dinheiro, como gente que gasta dinheiro com carta, que gasta dinheiro com aeromodelos e se aprofunda naquele universo e gasta horas e horas de conhecimento naquilo dali. Existe todo esse lado do hobby, tem gente que só leva a coisa para a vida dela, principalmente. Porque quando você faz as coisas, você entra em contato com processos que você não imaginou que você fosse fazer. Então eu acho que uma das coisas principais quando a gente aprende que o frango não nasce congelado no mercado, é que você passa justamente a aprender os processos. Se você um dia chegar e você tiver que, às vezes, matar um animal para você cozinhar ele, talvez você repense a forma de consumo irresponsável de carne animal, por exemplo, no mundo. E no reenactment tem muito disso. Eu dei o exemplo extremo da comida, e não necessariamente que as pessoas matem a comida dela ali para fazer, mas tem gente que cria galinha, tem gente que, enfim, e não necessariamente do reenactment.

Phellipe Meier: [49:36] Mas, obviamente, aproveita para lá. Eu só tenho um exemplo que é muito mais amplo de quando a gente entra em contato com a experiência mais aprofundada. E isso aí você vai pegar técnicas, já aprendi muito sobre construção, já aprendi muito sobre filosofia, antropologia e tal, etc., só pelos estudos. Porque quando você começa a estudar, a premissa de tudo isso, a premissa de tudo isso é começar o estudo, você vai se perguntar porquê. E se você se pergunta porquê, você vai atrás da resposta e você acaba igual isso pra você. E uma das coisas que eu acho mais legal quando você faz uma reconstrução, ou quando você estuda o passado, é que você acaba com certos conceitos que eles foram justamente modificados pela história. Uma das coisas que eu vou falar especificamente da era viking, que é uma coisa que a gente bate muito, ninguém ali é viking, Ninguém ali se acha viking, muito pelo contrário, tem gente que tem muitas críticas até a tudo que aconteceu, mas foi um momento e que querendo ou não faz parte da história da população europeia e que vai ser a nossa, a população geral no Brasil.

Eron Falbo: [50:49] Tem uma herança.

Phellipe Meier: [50:50] Tem uma herança de certa forma e vem no lúdico, A gente, nos repentes aqui no Brasil, a gente tem histórias que são contadas de forma oral desde a Idade Média e são repetidas hoje no Ano Nordeste por isso, por essa tropa cultural. Então, por exemplo, uma coisa que é muito ligada a isso são os movimentos supremacistas, movimentos racistas, homofóbicos e tal, principalmente pelo uso irregular que foi feito da simbologia nórdica, principalmente durante a Segunda Guerra. E foi criado todo um imaginário ali que foi vendido e que hoje traz consequências meio chatas, não só para a cultura, mas para o mundo em geral. Então, hoje em dia, você tem movimentos lá na Europa, principalmente, onde você tem movimentos ultranacionalistas muito mais fortes acontecendo e movimentos, por exemplo, da supremacia branca acontecendo, você tem a galera de Green Act mentindo e falando, cara, para de usar esse símbolo, fazendo manifestação contra a galera supremacista branca.

Phellipe Meier: [51:54] E você já tem diversos, justamente quando você começa a pesquisar a história, você começa a entender o real uso dos símbolos e como aquilo chegou naquele ponto. E aí a gente começa até a fazer uma peneira nos meios, porque a galera que vem com um ar nessa intenção de entrar em contato com essa supremacia através da atividade, acaba levando um tapão de consciência. E aí, qual é a tua? Se realmente... E aí, ou a pessoa mete o pé, ou a pessoa... Ou se transforma. Ou se transforma. Então, quando isso é quase certo, sempre que a gente está dando uma palestra, seja em universidade, seja em escola, seja em um evento, Seja fazendo um vídeo para a internet, eles geralmente, o pessoal, quando está falando sobre questões de história, eles costumam ser realmente bem políticos.

Phellipe Meier: [52:55] Porque existe essa preocupação do afastamento dessa imagem que foi feita. Não é que eles não eram violentos, nada disso. É só por uma questão de que, tipo, aquela questão de que a Odin é... É o pai de todos e que só a raça branca, cariana, não sei o que, e os símbolos que eram utilizados e que foram usados pelo reich nazista, e que o cara que invadiu o Capitólio há pouco tempo atrás, ele tinha um Walknut tatuado na barriga, que é um símbolo que é retirado da Arabica e que ele é utilizado ostensivamente pelos grupos supremacistas. Então assim, eu acho que uma das principais coisas, nem aprender a fazer uma comida como era feito na época, experimentar um sabor mais próximo como era na época, mas eu acho que a questão de você compreender o passado e acabar com a ignorância em relação a ele e as concepções erradas que a história, como você disse, ela não pode ser só observada para poder ser contada, eu acho que é o maior ganho que a gente tem.

Phellipe Meier: [54:09] Porque é justamente, e não necessariamente dentro da academia. Você não está precisando, está fazendo isso através de um hobby, de uma coisa que você gosta, que você está levando isso pra frente e passando por outras pessoas. Então, sinceramente, quando a gente estuda história, eu acho que a melhor coisa que a gente ganha é com... É nessa parte de... De entendimento da humanidade, sabe? Tipo, é você, por exemplo, eu sou ateu, né? Então, tipo, cara, é história, não vou culpabilizar ninguém por nada que tá acontecendo, por exemplo, né? E a gente, pelo menos, a história ajuda muito pra você entender os porquês. Eu não tenho muito pergunta do porquê, da onde a gente veio, pra onde a gente vai, por exemplo, sabe? É isso. E eu acho que muito disso vem nessas experiências de você entender como é que a humanidade foi caminhando e pra mim ela veio através da experimentação histórica.

Eron Falbo: [55:10] Fera, cara, muito bom, muito bem. Você já fez isso antes? Você já deu essa palestra antes?

Phellipe Meier: [55:17] Não, eu nunca tinha feito essa pergunta antes, na real.

Eron Falbo: [55:23] Muito elucidativo, muito claro, cara. Muito obrigado aí por essa explicação. E cara, sua experiência nesse mundo vai ser muito útil para os nossos ouvintes aí, para os nossos amigos que estão escutando. Porque, cara, é um mundo que infelizmente é raro, né? Tipo assim, pode estar até crescendo qualquer coisa assim, mas vis-à-vis a população normal, a galera não tem ideia nenhuma. E eu sou, cara, total fã. Agora que eu te conheço, talvez eu tenha um portal aí pra começar a participar dessa parada. Mas eu acho que vale super a pena, cara, a gente nesse nosso mundo louco, a gente ao invés de ver um vídeo YouTube de história, sabe, vai conhecer uma galera assim. Eu começo a perceber Eu, pra te dar um pouco de background, uma coisa que eu vivi parecido com isso, sem contar as fraternidades, eu era meio, eu não sei se você já ouviu falar disso, mas mod.

Eron Falbo: [56:27] É uma galera que vive como se fosse dos anos 60. Eu tinha uma lambreta, tipo, com espelhos.

Phellipe Meier: [56:38] Como é que é o nome?

Eron Falbo: [56:38] M.O.D. M.O.D. M.O.D. M.O.D. É tipo aquela galera que gosta de The Who e escuta música dos anos 60, Soul, essa parada. Mas eu morei 4 anos na Inglaterra. Na Inglaterra tem um movimento M.O.D. Gigantesco. E a galera veste as roupas e vive essa parada. Aí direto a gente fica se questionando, tipo, pô, será que eu tô vivendo um fetiche bobo? Por que eu não concentro no mundo moderno, onde as coisas estão acontecendo de fato? E ao mesmo tempo, quando tá nos melhores momentos, porque em alguns momentos é meio bobo mesmo, é meio infantil, nem sempre a gente consegue estar presente, a gente tá realmente pensando nos problemas do mundo moderno e tá olhando pra aquela parada e falando, pô, que merda. Mas, nos melhores momentos, a gente percebe que, na verdade, a gente não está fazendo uma reconstituição histórica. A gente não está vivendo uma parada nostálgica ou alguma coisa assim. A gente está vivendo uma interpretação totalmente moderna e um contato, uma interlocução com o mundo passado, com o mundo antigo, só que feita totalmente por nós.

Eron Falbo: [57:50] Então, na verdade, é a arte aquilo. Você está vivendo, de uma certa forma, uma realidade paralela. É tipo assim, você não tá no passado e você não tá no presente, você tá numa outra dimensão. Que é uma construção deliberada do presente, que foge do presente de uma forma metódica, baseada em uma experiência passada. Mas você sabe muito bem, você que já viveu isso, que você vivendo aquela parada, ninguém tá se enganando que é viking. Ninguém tá se enganando que tá naquela... Naquele momento, ou que tá até aproximando, porque a gente sabe muito bem que a gente tá errando muita coisa. E aquele erro, aquela brecha, naquele lugar, como o Leonard Cohen diz, there's a crack in everything. That's where the light gets in. Tipo assim, tem uma rachadura em todas as coisas e é aí que entra a luz, sacou?

Eron Falbo: [58:53] Então tipo assim, a luz da criatividade, do que a gente tem a oferecer mesmo, entra nessa lacuna onde a gente não sabe o que realmente aconteceu. Aí entra a nossa vontade, a nossa interpretação, a nossa criatividade e a gente vive essa parada, sacou? Enquanto a gente tá fazendo esse historical reenactment, A gente não tá só, tipo, revivendo uma batalha que já rolou. A gente tá criativamente fazendo uma nova parada, sacou? Eu acho que essa é a coisa brilhante, entendeu? Não precisa de religião, não precisa de nada pra isso. É uma parada totalmente humana, né? Cara, isso me veio agora, by the way. Só lembrando da cultura moda, assim, de pensar.

Phellipe Meier: [59:41] Você falou, você jogou umas questões dessa interpretação, da reinterpretação de última época. Aí, por exemplo, o Renactment, ele já está num ponto onde ele, em momento nenhum, ele foge do que é comprovado. Assim, eu vou chegar onde... Por quê? O Renactment, quando você faz a recriação histórica, você tem Quando você está apresentando uma coisa na Universidade do Rio Grande do Norte, a gente rola apresentações disso em eventos e tal, você está dizendo para o pessoal, olha, está vendo isso aqui? Isso aqui é exatamente igual como era naquela época. Esse elmo aqui atrás, por exemplo, esse modelo de elmo, eu nem posso dizer que ele é exatamente igual ao elmo que existiu na época, porque eu sei que para o modelo que a gente tem de achado arqueológico, ele está diferente. Mas é muito próximo do que tinha na época, e um dos únicos modelos de Elmo que a gente tem conhecimento na época, porque Elmo, na verdade, era uma coisa extremamente rara.

Phellipe Meier: [60:49] Aquela história de Elmo com chifre e tal, é tudo invenção. Então, quando eu chego e eu falo, olha, isso daqui foi feito exatamente como foi naquela época, vendo o Renactment, eu tô realmente naquele compromisso que cada detalhe naquilo dali, ele tá representando realmente o achado arqueológico. Tipo assim, por exemplo, uma pessoa vai fazer uma pesquisa sobre a gente agora que no ano 2021 o mundo acabou, não sei o que, tá fazendo a pesquisa e ele descobre que a gente tinha foguete, que a gente tinha carro elétrico e que a gente tinha, sei lá, avião. Mas se ele disser que a gente tinha, com certeza, carro elétrico voador... Sim,.

Eron Falbo: [61:35] Aí vai ser fantasia.

Phellipe Meier: [61:36] Exato. E aí, dentro dessa questão do estudo da história medieval, justamente ela foi tão impactante em tudo, porque, na verdade, a nossa cultura ocidental é praticamente toda moldada por essa cultura medieval europeia, que você tem estilos arquitetônicos, músicas, jogos, filmes, séries, que são justamente uma reinterpretação de uma era que não existiu. Senhor dos Anéis, Game of Thrones... Essas coisas todas são uma Idade Média que não existiu.

Eron Falbo: [62:21] É fantasiosa. É porque eles juntam várias coisas.

Phellipe Meier: [62:24] E não só isso. Ela tem uma estética própria que não existiu. É uma fantasia baseada. E é tudo isso que foge disso. A gente tem aqui O estilo gótico, por exemplo, o neo-gótico, é um gótico que não é gótico. O neo-medieval é uma reinterpretação do medieval. Então o medievalismo e o neo-medievalismo. E aí isso não quer dizer que você afasta justamente da proposta. E aí você levantou essa questão dos anos 60, Ela não deixa de ser um recorte histórico. Você está fazendo um Neo anos 60. Hoje em dia. E realmente, assim, a identidade existe. Só é visto estranho porque você parece que está deslocado no tempo. Mas a real é que daqui às vezes 10, 20 anos a roupa vai voltar. Como já teve a Lambretta, voltou há um tempo atrás. Essas coisas todas, elas continuam na sociedade.

Eron Falbo: [63:27] É isso que você está falando, mas acho que está colaborando com o que eu estava dizendo. Indo além disso que você está falando, eu não quero tirar o mérito desse cuidado, vamos dizer, da alta fidelidade. Não autofidelidade ou total fidelidade, dedicação para os detalhes que a gente sabe. A minha questão é que tem muita coisa que a gente não sabe. Então, inevitavelmente, quando você está fazendo... Você vai fazer uma armadura completa, por exemplo. A não ser que você tenha uma armadura completa arqueologicamente preservada, você vai ter alguma criatividade em fazer um reenactment. Se você tem quatro pessoas vestidas diferentes, você pode ter uma que é do ano 850, outra do ano 855.

Eron Falbo: [64:28] O outro que é do ano 910. O ano 910 tá se encontrando com o ano 850 pela primeira vez na história. Então tá tendo uma conversa entre uma pessoa e o bisavô dela. As conversas a gente não sabe o que rolou de fato, mas aí se tenta ter alguma coisa. A gente não sabe todos os gestos, a gente não sabe as danças, entendeu? Então nessa rachadura, É onde entra... Não estou falando que a gente deliberadamente está procurando mais recheador. Pelo contrário. É melhor a gente limitar para a nossa luz poder entrar de uma forma mais autêntica. Não é que nem a diferença entre teatro e... Entendeu? O teatro é só pegar uma parada de papel e foda-se. Isso a gente está limitando a nossa criatividade para quando ela entra, ela vai entrar com fervor. Vai ser um laser. Esse é o conceito.

Phellipe Meier: [65:23] É, mas isso não existe um tipo... Você falou, não quer depreciar a questão dos detalhes. O que eu quis levantar é que são correntes diferentes, às vezes, mas que elas conversam igual pela identificação que as pessoas têm com aquilo ali que estão fazendo. Então, eu só trouxe essa questão do medieval no medieval, porque quando você comentou essa questão da reconstrução em cima da questão dos anos 60, Eu me lembro, falei assim, pô, o cara tá fazendo, o Lázaro Hilton tá fazendo Neo anos 60. Aí eu falei, pô, vou trazer esse conceito pra cá, mas foi mais pra poder mostrar como que a gente tem, hoje em dia, aqui no Rio de Janeiro, que seja, influências, né, da era medieval, e isso tá incorporado na nossa... Em nosso ambiente, mas não necessariamente ele tem a ver com aquela era. Ou seja, ele é realmente uma reconstrução. E você, fazendo os anos 60, não necessariamente você está inventando alguma coisa, porque você está realmente pegando as referências da época e colocando...

Eron Falbo: [66:28] É uma espécie de paradoxo, você está fazendo as duas coisas ao mesmo tempo. Por um lado, tem coisas que você está vivenciando, você está como se fosse refletindo, mas por outro lado, necessariamente, se você está hoje em dia, você está trazendo suas interpretações, você está inventando coisas novas. E eu acho que é isso a beleza da parada, é isso que eu estou... É uma das coisas tipo que você não encontra em nenhum outro lugar, que você tá realmente vivendo uma realidade paralela. Você não tá simplesmente sofrendo influências do Neo isso, Neo aquilo. Você está nadando contra a correnteza e criando uma nova correnteza por causa disso. Acho que isso é uma coisa muito profunda para a gente pensar e deixar agora... Cara, eu queria te agradecer muito pela sua presença no programa. Foi eu que tinha uma lista de outras coisas aqui que eu queria conversar com você, mas a natureza do programa é essa mesmo. Vai falando coisas interessantes e encontrando ouro onde a gente não sabia que existia.

Eron Falbo: [67:35] Mas é isso, Felipe. Obrigadão. Se você puder ficar um pouquinho aí depois que a gente desligar a gravação pra gente conversar cinco minutos, te agradeço. E é isso, cara. Obrigado por tudo. Ah, desculpa, antes de desligar, se você quiser falar seu site, pra gente poder te encontrar, achar seu trabalho. Eu queria dizer pessoalmente que eu comprei um knuckle taffle do Felipe e é perfeito, assim, muito carinhosamente reconstruído ou melhorado pra realmente... Eu já joguei, eu joguei uma vez só, mas eu... Eu tenho experiência de jogar o Nefotal, que é um, só pra quem também não sabe, é um xadrez viking, que vale super a pena comprar do Felipe. Depois ele vai falar aí as coordenadas, mas é um xadrez, pra quem gosta de xadrez, eu sou viciado em xadrez, é muito parecido com xadrez, só que eu diria que a coisa principal que tem de diferente é que é uma realidade mais viking, que é assim, os dois lados não são iguaizinhos, tem as mesmas peças, são totalmente diferentes, em lugares diferentes, e assim é a vida viking, o mundo não é justo e a gente tem que lutar pra ir pro Valhalla.

Eron Falbo: [69:02] Então essa é a mensagem do Nefotafo pra mim. Mas é isso, se puder só deixar aí suas coordenadas que eu gostaria que as pessoas tenham uma forma de comprar o mesmo benefício que eu.

Phellipe Meier: [69:18] Então, dos artesanatos dos jogos antigos, é o Mercado Nidaveli, lá no Instagram. Dá pra mandar mensagem e a gente conversa sobre o projeto. A gente faz jogos diferentes. Do Egito Antigo, da Indonésia, o jogo da Índia e os jogos nortes pros europeus. Aliás, tava falando sobre a realidade Viking, eles levavam esses jogos nos navios, é por isso que ele ficou tão difundido por ali, porque eles treinavam. Era uma forma de treinar a estratégia do jogo.

Eron Falbo: [69:47] Caraca, que fera.

Phellipe Meier: [69:49] E aí, depois, o xadrez acabou substituindo o jogo. Não pelo jogo, mas porque a teoria é de que o xadrez trouxe muitas peças diferentes. Então, para os artesãos fazerem as peças do xadrez, ele conseguia mostrar muito mais o trabalho dele. Ah, legal. Então, eles foram produzindo mais o xadrez e menos o táfio. E aí, o xadrez entrou. É isso. O mercado me dá bem mesmo no Instagram.

Eron Falbo: [70:16] Ah tá, mas você já falou todos os endereços então?

Phellipe Meier: [70:21] Bom, o do artesanato, o mercado me dá bem e se quiser qualquer coisa sobre Renactment, história e tal, pode pegar o meu pessoal mesmo, que é o PH Meyer ou o Portal Nove Mundos.

Eron Falbo: [70:34] Valeu, Felipe. Você é muito gentil, muito querido. Muito obrigado por tudo, cara.

Phellipe Meier: [70:40] Eu agradeço o seu convite, cara.

Eron Falbo: [70:41] Obrigadão. Valeu, tudo de bom. Agora eu vou dizer em um minuto o que a gente viveu aí uma hora de conversa. É uma capacidade incrível que eu aprendi com os meus antepassados vikings de sintetizar as coisas numa frase curta e grossa. Antes disso, eu queria convidar vocês a nos seguir, fazer aquela coisa toda que vocês já estão programado pelo meu sócio, Mark Zuckerberg, para fazer. E só queria dizer que a gente é 200% gratuito, sem amarras, com o homem, como diz os americanos, the man. A gente faz isso por amor e, por favor, ajudem a gente a crescer esse movimento.

Eron Falbo: [71:45] Então, o que eu aprendi hoje com o Felipe Maia é que... Cara, eu acho que... Para mim, na verdade, essa conversa foi até emocionante, para ser sincero, porque eu vivo muito isso na minha vida pessoal. Uma das minhas obsessões, uma das minhas maiores paixões é compreender o mundo antigo, me conectar, entender o eixo que une o ser humano comum. Desde talvez até Neanderthal, ou pelo menos o Homo Sapiens, até hoje em dia, o que a gente tem em comum e como a gente pode simplificar a nossa vida, como a gente pode ser mais autêntico, mais real. E eu percebi que, às vezes, o que eu aprendi hoje com o Felipe, principalmente, porque eu aprendi um monte de coisa, é que, cara, se você quiser ser real, se quiser ser autêntico, você tem que trabalhar.

Eron Falbo: [72:52] Você tem que ir lá, você tem que fazer a parada você mesmo, você tem que construir com suas mãos, porque isso vai te trazer o que você está procurando de fato. Não adianta você ter seguidores no Instagram, não adianta você ter o status, que nem ele falou, comprar o tênis de 600 reais. Você pode ter dinheiro e jogar fora num tênis de 600 reais, mas se você for fazer com as suas próprias mãos, você vai ganhar uma parada muito mais benéfica para você. E eu estou aprendendo isso para o meu próprio programa, porque eu acabei entrevistando algumas pessoas que talvez não eram do meu próprio interesse ou do interesse de ninguém, mas que eram só famosas. Mas eu estou agora realmente dedicado a buscar essa tonticidade que leva trabalho mesmo, leva passos de formiga e perseverança. E é isso, gente. Nunca se esqueçam, a gente tá ao vivo de segunda a sexta, às 21 horas.

Eron Falbo: [73:58] Na verdade tá variando um pouco, mas no geral nos sigam no arrobaeronfalbo no Instagram e qualquer rede social. Vocês podem estar nos vendo aí no século 22 e certamente a gente ainda vai estar em qualquer rede social. E, finalmente, a ocasião faz o ladrão.

Episódio de No Alvo com Eron Falbo. Veja todos os episódios, Praise e Quotes.