Ocultista e mestre de ordem iniciática
Nino Denani dirige a Ordem do Grande Oriente Místico e estuda kabbalah, hermetismo e psicologia analítica.
Transcrição do áudio do episódio.
Eron Falbo: [0:04] Aqui quem fala é o narrador de suas mais intensas emoções, Eron Falbo. Vamos comigo. Vamos sair dos nossos tempos agora. Vamos sair dos nossos tempos. Existem sete artes. Arquitetura, escultura, pintura, literatura, música, performance e cinema, considerada a sétima arte. Agora, vamos para a oitava arte. É um erro pensar que qualquer forma de crença é mais livre que outra. É a possibilidade de mudança que é importante. Toda nova forma de liberdade é destinada a se tornar uma forma de escravidão para seus seguidores.
Eron Falbo: [1:09] Não há liberdade da dualidade neste plano de existência, mas podemos tentar escolher a nossa dualidade. Peter J. Carroll, no Liber Null e Psiconauta, uma introdução à magia do caos. Holly veio de Miami, Fla. Ela viajou por todos os EUA. Colocou seus braços no caminho, beijou a perna e foi embora. Ela disse, hey baby, vamos dar uma volta na esquerda. Ela disse, hey baby, vamos dar uma volta na esquerda. Candy came from out on the island In the back room she was everybody's darlin' But she never lost her head Even when she was givin' head She said, hey babe, take a walk on the wild side Hey sugar, take a walk on the wild side And the colored girls go do do do do.
Nino Denani: [2:22] Do do do do.
Eron Falbo: [2:29] Senhoras e senhoras, o interpretador do incompreensível, o ouvinte do oculto, o mestre dos magos trismegistos, Nino Denane!
Nino Denani: [2:50] E aí,.
Eron Falbo: [2:55] Nino? E peraí que eu não tô te ouvindo.
Nino Denani: [3:00] E aí, meu irmão?
Eron Falbo: [3:02] Tudo bem? E aí, beleza, cara? Seja bem-vindo. Muito obrigado por aceitar o convite. Valeu, vamos fazer um brinde aqui às Ciências Ocultas, às revelações que vamos fazer nessa conversa.
Nino Denani: [3:21] Tá brindado. Antes de mais nada, eu só queria te falar que você citou Liberno e Psicoralta, um dos grandes clássicos da magia do século XX.
Eron Falbo: [3:31] É, tô ligado. Antes de mais nada, só pra vocês ficarem na mesma página, eu sou da OTO, Ordo, Templo e Oriente, não sei se te falaram isso. A gente bebe das mesmas fontes. Faz um tempo que eu não participo, mas eu estudei isso durante mais de, sei lá, 20 anos. Então, tamo junto. É... Você mora onde, cara? Desculpa.
Nino Denani: [4:03] Eu sou de São Paulo. Tô na Vila Maria.
Eron Falbo: [4:07] Ah, legal. E aí que tá todas as suas operações, tudo?
Nino Denani: [4:11] Na verdade, não. As minhas operações, elas estão espalhadas aí. Eu atuo mais no Brasil, mas a gente tem quatro ou cinco países.
Eron Falbo: [4:21] Do grande... Como é que é? Grande Oriente Mística.
Nino Denani: [4:26] Místico. Ordem do Grande Oriente Místico.
Eron Falbo: [4:28] Sim. E existe há quanto tempo a Ordem do Grande Oriente Místico?
Nino Denani: [4:32] A Ordem do Grande Oriente Místico tá completando uns 10 anos, mas ela é descendente de uma outra ordem, uma ordem hermetista, uma ordem secreta, aí você vai entender o que se dispara na olha da gente. E ela descende dessa ordem, né? Eu saí de lá, fiquei sob a tutela dela por uns 3 ou 4 anos, até que a gente se desgarrou mesmo com a Ordem dos Mestres e tal. Pra gente fazer ser uma espécie de braço do hermetismo, né?
Eron Falbo: [4:59] Você responde o que você achar que você pode, Para quem está nos ouvindo, nesse mundo do ocultismo, de magos, de iniciados, existe, hoje em dia, é uma coisa muito pessoal, né? Se você quer ou não, falar sobre as coisas abertamente. No mundo um pouco mais antigo, praticamente ninguém falava sobre essas coisas abertamente, mas é por isso que eu estou te deixando à vontade, se você não quiser responder alguma coisa, Não, a gente vai no que der.
Nino Denani: [5:38] O que acontece, cara, deixa eu te contar a respeito disso. As ordens, você sabe, a IOT, a OTO é uma ordem bem antiga, uma ordem lá do Crowley, etc. Também é dissidente de uma outra ordem, então você entende os paranauê aí. Mas a grande situação é assim, de uns 10 anos pra cá, a gente tem visto que tá acontecendo uma certa mudança no cenário, pra gente, por assim dizer. Então, os livros que a gente fazia antigamente, tipo o Liberno e o Psiconauta, que era feito pra mestre e discípulo, né, livros classe, você teve contato com uma pá de livros também, a gente mantinha entre nós e estudávamos aquele conhecimento e a gente se mantinha aqui. Acontece que os livros, até pela facilidade hoje em dia dos PDFs, a galera começou a profanizar, bem entre aspas, conhecimento. Então, essas coisas que a gente estudava em ordem, que era secreto e fechado, começou a vir pra fora, pra público, de uma forma profanizada, né?
Nino Denani: [6:40] Uma forma que eles entendiam. Então, por exemplo, a primeira lei do Hermetismo, toda a mente universal e mental, veio pra fora como a lei da atração, do segredo, foi profanizado. E aí, algumas ordens começaram a escolher uma espécie de porta-voz pra vir até o público e dá uma organizada pra não deixar a coisa descambar, né? Pra não fazer mal. Então, eu sou um desses representantes, eu tô aqui fazendo um negócio que eu chamo de educação mágica, mas tem pessoas mais antigas do que eu, o Frater Boia também tá aí na, né? Aparece direto na TV, o Marcelo Del Debo também acabou de fazer parte de um podcast grandão aí, falando de magia. Então, algumas ordens estão elegendo esses porta-vozes, pra falar, não pra falar o que acontece dentro da ordem, mas pra dar.
Eron Falbo: [7:26] Uma... Pra organizar uma bagunça para explicar melhor. Eu vou tentar explicar isso que você está falando de outra maneira, porque acho que esse assunto por si só é um assunto muito interessante, que é o assunto que você está chamando de profanização. Pode ser, numa linguagem não iniciática, vamos dizer, a gente pode dizer que seria uma diluir demais, ou talvez manchar o conhecimento de forma que corrompe ele, que não fica mais distinguível, sem também usar essas palavras tipo pureza e qualquer coisa assim, mas assim, que a coisa perde o rumo, perde a essência, perde o propósito, a intenção, vamos dizer, daquele conhecimento inicial.
Nino Denani: [8:20] Eu acho que ele perde o conhecimento e vira uma outra coisa.
Eron Falbo: [8:24] É, pode ser isso. No final das contas, eu concordo que seria isso. Você perde o que é a coisa.
Nino Denani: [8:33] Por exemplo, vou te dar um exemplo da lei do mentalismo que eu acabei de citar. A lei fala que o todo é mente e o universo é mental. É uma lei que foi escrita pela primeira vez lá pelo quarto século antes da nossa era. Por um grupo de pessoas que a gente hoje conhece como Hermes Trinergistus. E aí, um pouco mais pra frente, já aqui em 1900 e alguma coisa, um camarada resolveu publicar um livro chamado Cavalium, que esse livro vem trazer um resumo dessas leis herméticas e do estudo. Ao longo de tantas eras, de tantos tempos, a gente vem tentando entender o que é o todo, o que é a mente, pra gente falar que o todo é mente e o universo é mental e ver se isso faz sentido. Porque o conhecimento, embora seja antigo, seja tradicional, A gente tem liberdade, dependendo da ordem que você está, de questionar e revigorar os conhecimentos. Então, hoje em dia, a gente tem um contato muito maior com esse negócio que a gente vai chamar de mente, através da ciência, da neurociência, através de estudos de neuroimagem, de neuropsicologia, da própria psicologia.
Nino Denani: [9:38] Então, hoje a gente consegue abraçar esse cabedal do conhecimento da mente um pouco melhor para tentar entender o que é o todo da mente e o universo mental. Então hoje, por exemplo, a gente tem um negócio que foi inaugurado com o Peter Carroll, na verdade até um pouquinho antes, mas o Peter Carroll é um grande divulgador, que é a psicurgia, que é a magia feita sem utilização de arquétipos de deidades, como, sei lá, Deus, Jeová, Satã.
Eron Falbo: [10:04] É literalmente uma profanização, né? Você tá trocando a terminologia. Na verdade, vale a pena também falar isso, que outra forma também de enxergar a profanização é trazer na linguagem do cotidiano, né? É tirar da linguagem mitológica, da linguagem das escrituras, da linguagem às vezes até secreta, em outros momentos secreta, ou de línguas ancestrais, grego antigo, hebraico, sânscrito, etc., e colocar em linguagem de cotidiano também uma outra forma de profanização. Esse é o exemplo que você está dando, Jung faz isso muito, ele é um mago claramente, uma pessoa que foi muito longe dentro de rituais. E estudos de coisas de magia, só que escolheu se abster da linhagem iniciática, pelo menos publicamente.
Nino Denani: [11:10] Eu acho que o Jung fez um negócio muito legal, e isso tem decorrências até hoje, não necessariamente por causa dele, mas sim pelo estudo. Hoje em dia, a grande maioria dos magos que você encontra, e eu conheço muitos desses caras, a gente vai começar a trabalhar assim, existem os rituais, Então, a Oto fazia seus rituais, né? Que tem, vai começar com a lei de Thelma, essas coisas todas. A gente vai se perguntar, o que que funciona num ritual? É o próprio ritual ou tem um outro mecanismo que faz o ritual acontecer? Que é o que a magia do caos, que é um metassistema, vem trabalhar. Então, ela te pergunta, o que de verdade tá funcionando? É o ritual ou tem uma outra pegada aí que funciona? E o mago vai estudar a respeito disso pra tentar potencializar o seu trabalho. Isso é parte do meu trabalho. Hoje, por exemplo, eu sou hermetista, sou o grau mestre de ordem, mas eu faço pós-graduação em neuropsicologia, porque eu preciso entender o que é esse todo, o que é essa mente e qual que é a interação entre mente e todo, para conseguir trabalhar com isso de uma forma potencializada.
Nino Denani: [12:19] Então, por exemplo, lá no meu canal, eu trago muito do conhecimento da neuropsicologia para explicar os fenômenos que acontecem conosco no dia a dia, E ainda assim usar as ferramentas magísticas para ajudar as pessoas a se libertar desses problemas que a mente nos causa, e ela causa para todos nós, de uma forma mais tranquila. Porque na verdade é isso cara, magia é a alteração da realidade para o poder da vontade. Eu acredito que você só altera a realidade através de conhecimento, até porque a raiz da palavra magia quer dizer conhecimento, o magi é o conhecedor, o sábio. Então a gente precisa do conhecimento para alterar a realidade. A partir daí a gente vai desenvolver o nosso trabalho.
Eron Falbo: [13:03] E também cada geração tem, vamos dizer, como se fosse as chaves, o que funciona, porque eu acho também que não é necessariamente o objetivo o que funciona e o que não funciona, ou o porquê que funciona a coisa, ou por causa do ritual. Por que a mente é tudo? Agora entrando na teoria em si. Como nossa mente está agarrada, qual que é a adesão ou o que nossa mente compra vai ditar como e o que e o porquê as coisas funcionam. O que eu quero dizer com isso? Em outra geração, numa geração mais mitológica, onde as pessoas eram educadas através de mitologia, através de escrituras, através de contos, e através de coisas, vamos dizer, menos racionais, mas simbólicas. Talvez a coisa simbólica em si era o que funcionava. Na nossa geração, que é uma geração de explicações, de destrinchar, de causa e consequência e ver, e pelo menos olhar para o mundo dessa forma, a gente sabe que a gente vê das duas formas, porque a gente aprende o mundo mitológico, a gente aprende a interpretar as coisas e entrar nessa coisa e também abdicar da razão, abdicar da interpretação lógica muitas vezes.
Eron Falbo: [14:27] Mas a nossa geração inegavelmente lógica, inegavelmente a gente cresceu dentro do mundo racionalista. De uma maneira do lado ruim, porque a gente também tem um lado muito bom, vamos dizer, empiricista, cientificista, no mau sentido, de novo, porque também tem um bom sentido disso. Aí acaba que o que funciona, a gente precisa de explicações. Tem uma coisa que um grande cabalista, o Yohuda Ashlag, diz que é uma explicação do porquê a Kabbalah, e tem a ver com todo o resto da ciência oculta, por que a Kabbalah está sendo revelada na nossa geração. Aí diz que os profetas já explicavam que o grande segredo ia ser revelado na geração mais profana, que menos era iniciada. Aí por quê? Porque essa geração é tão pouco iniciada e tão...
Eron Falbo: [15:31] Profana, que ela questiona as coisas mais básicas, e por causa disso, a maior fonte de luz precisa ser revelada pra ela, porque ela pergunta porquê em coisas que outras gerações não perguntavam porquê. Elas entendiam, sabe? Elas estavam intuitivamente ligadas nessas coisas.
Nino Denani: [15:48] A gente tem um problema estrutural aí. Eu concordo com você, eu acho que faz super sentido. Mas apareceu um negócio no meio do caminho, que foi a internet. Alguns especialistas, alguns sociólogos, por exemplo, eles defendem que nós estamos na geração que mais lê, nenhuma outra geração leu tanto como a gente lê hoje, só que a que menos tem atenção do que lê, por causa da facilidade de você se expressar em 135 caracteres, em textinhos curtos do Instagram, em videozinhos de 60 segundos do TikTok, Então a gente tá com cada vez mais pessoas que leem muito e entendem pouco. E aí a galera tá chamando isso agora de geração da pós-verdade. E isso eu acho que é estrutural e a Kabbalah vai trabalhar com isso um pouco. Mas se a gente não quiser ir pro misticismo, a gente fica na explicação mais sociológica. O que é a era da pós-verdade? É quando a informação não se torna conhecimento e a opinião suplanta a necessidade da busca da verdade.
Nino Denani: [16:56] Então, por exemplo, hoje em dia a gente vê pessoas, e eu não vou polemizar o seu podcast por respeito, mas a gente vê pessoas acreditando certas informações que caem na sua frente sem o devido questionamento. Elas vão questionar situações que são muito superficiais e elas não vão ter disponibilidade de correr atrás da informação para que ela se torne um conhecimento. Então a opinião vale mais do que qualquer coisa. E isso é perigoso, porque nós vemos pessoas hoje, por exemplo, que elas impedem o diálogo, porque a opinião está concretizada. Kant vai levantar isso pra gente, o filósofo, né, Immanuel Kant, no ensaio sobre as doenças psíquicas, ele vai levantar isso na forma da explicação do vocábulo burrice. Ele fala lá que a burrice é uma doença social. E por que que é a burrice pro Kant? A burrice é o momento aonde você não sabe, mas não consegue perceber que não sabe e, portanto, o diálogo se torna infrutífero.
Nino Denani: [18:07] Tem uma explicação que a Marcia Tiguri dá a respeito disso, que é fenomenal. Ela fala assim, imagina como deve ser frustrante perceber-se na incapacidade de compreender alguma coisa. Depois o Clóvis de Barros vai levantar isso também naquele famoso diálogo dele a respeito do tem a culhão. Depois vocês procuram na internet esses vídeos aí que vocês vão achar, é super divertido. Que ele fala, você tem um texto na sua frente, como é que é possível você ler esse texto e não ter o culhão de tentar entendê-lo? Alguém criou o texto, você só tem que lê-lo.
Eron Falbo: [18:45] E no momento que você tá exposto a tanta informação, existe muito mais vulnerabilidade das pessoas de acharem que elas sabem, acharem que aquilo está a ganho, que está digerido, que está entendido. Porque existe um problema cognitivo na humanidade que eu já percebi claramente, acho que é daí que deriva o fake news, que a gente pensa, se a coisa está escrita, se a coisa está presente lá, já foi digerida. Se não foi digerida por mim, foi digerida por outra pessoa, logo ela é irrelevante. Logo ela já é dada. Então você vê um pedaço de informação no WhatsApp e você pensa, aquilo deve ser verdade. É daí que gera a tentação de acreditar em tudo que você recebe no WhatsApp. E gera mesmo um problema cognitivo que é de olhar para uma coisa que você pode aprender alguma coisa e não dar a devida atenção.
Eron Falbo: [19:45] Que você pensa que aquilo já foi digerido, já é dado, você já entendeu, você olhou aquela parada lá e você já categoriza em uma coisa que você já sabe e você não digere aquela coisa. Então você não faz o que você está propondo que é olhar para aquela coisa e aceitar o desafio de mergulhar dentro de... Descobrir uma pérola dentro, descobrir uma gema dentro do pântano, né?
Nino Denani: [20:18] A psicologia vai chamar isso de viés de confirmação, né? E é realmente um viés cognitivo que a gente tem, né? O que que é a cognição? A cognição, ela nada mais é do que a forma que seu cérebro tem de responder a certas questões. Diferentemente do que a galera costuma pensar, né, no mundo profano, no mundo, no senso comum, O nosso cérebro não é uma máquina perfeita de aquisição de informação, tampouco de interpretação de dados. Na verdade, existem estudos hoje em dia, o Gasaninga, Albert Gasaninga, se não me engano o nome dele, ele tem um estudo muito bacana, inclusive, falando que nem as ações que nós tomamos são respostas conscientes aos problemas que nós temos. Isso é puro viés da confirmação. Viés da confirmação é a capacidade que seu cérebro tem de focar só aquilo que ele acredita que é real, que é importante. Então, por exemplo, quando você sai de casa de carro, você não presta atenção em todos os outdoors que aparecem, você não presta atenção nas rachaduras da calçada.
Nino Denani: [21:21] Por quê? Porque você tem que prestar atenção só no que é importante, que é o caminho que você está fazendo. Esse mecanismo é o que vai, por exemplo, nos dar a consequência de vermos as coisas que nós queremos comprar. Então, se você, por exemplo, quer comprar um iPhone novo, você vai começar a ver esse iPhone em todos os lugares. Vai até te parecer que a empresa de repente vende mais iPhones porque você está querendo comprar, mas na verdade não é isso, é seu cérebro te mostrando o que você considera importante e esquecendo o resto. Quando a gente tem esse tipo de posicionamento, e é um posicionamento completamente natural, tem a ver com a evolução dos mecanismos cerebrais, a gente começa a prestar atenção nas notícias que nós queremos validar e não na informação que nós queremos construir. Então, hoje em dia, a gente vê pessoas questionando a eficácia da vacina, não porque esse questionamento é real, mas porque a pessoa teve uma informação mastigada lá no WhatsApp, como você sugeriu, achou que fez sentido e, a partir daí, ela começa a ignorar o resto e acreditar só nisso.
Nino Denani: [22:27] E conforme você vai, agora, com as ferramentas de internet, o algoritmo vai te sugerindo cada vez mais coisas que vão fortalecer sua opinião, Então as pessoas, por consequência, se polarizaram, porque elas falaram assim, isso daqui eu acredito, a gente vai entrar na explicação da era da pós-verdade de novo, isso daqui eu rechaço. Então é aquela coisa, né, desculpa fazer esse exemplo aqui, mas é aquela coisa, você entra numa discussão no Facebook, no WhatsApp ou em roda de amigo, você fala assim, eu não vou votar no Bolsonaro. Aí automaticamente as pessoas falam assim, mas o PT estragou o Brasil. Tem outros tantos candidatos. Tipo, eu ser contra o Bolsonaro não me faz a seca do Lula. Tem um monte de outras coisas para pensar, só que as pessoas por essa disfunção...
Eron Falbo: [23:13] Isso é uma coisa que eu luto muito contra aqui, porque realmente essas dualidades e tem outras coisas que vêm com isso, tipo identidade de grupo. Luto contra ele não porque é outra ideologia que eu sigo, é porque eu vejo que isso causa uma histeria em massa muito grande. É como se fosse assim, o que eu sou contra? Cara, eu sou contra as pessoas se escravizarem deliberadamente. E voluntariamente entrar em açougues mentais. Por isso que a gente estuda falácias lógicas, viéses cognitivos e coisas do tipo, que eu acho que é extremamente importante. Só que antes de a gente ir por esse caminho, acho que a gente começou num assunto que eu acho que é de maior valor pra gente e pros nossos ouvintes no momento, é a gente falar um pouquinho...
Eron Falbo: [24:19] Porque assim, cara, se muita gente tá falando dessa parada de dualidade do mundo e muita gente pode falar, eu acho que eu e você temos que explorar uma coisa que a gente tem em comum, que é a nossa experiência dentro de de sociedades esotéricas, fraternidades, rituais. E também a nossa paixão, porque eu também tenho uma paixão, eu não me formei em psicologia, mas estudei mais do que como se eu tivesse formado. Me consideram psicólogo só porque eu não quero atender na clínica, então eu nunca quis ir por esse lado profissional. Mas uma das coisas que eu mais estudo Então acho que vai ser valioso a gente explorar esse assunto das sociedades esotéricas. Por que isso é importante? Porque acho que muita gente está no escuro sobre isso. Tem muita... Hoje em dia, mais do que nunca, acho que quando a gente começou nisso, ainda era relativamente...
Eron Falbo: [25:24] Discreto, pelo menos, essas coisas, mesmo na internet você não achava muita informação, hoje a coisa abriu bastante, tem todo tipo de subdenominação, então acho que vale a pena a gente explorar um pouco assim, sem julgamento, sem colocar ninguém contra a parede, mas só dar mais informação, iluminar um pouquinho mais, falar um pouco mais além dessa coisa da sua fraternidade, você chama de fraternidade ou sociedade?
Nino Denani: [25:54] Tanto faz.
Eron Falbo: [25:56] Eu aprendi tudo em inglês, então estou meio que traduzindo as coisas. Se você puder falar um pouquinho da sua fraternidade, qual que é o posicionamento, por que ela existe, e a gente começar a explorar um pouquinho o que são essas coisas para as pessoas que querem saber.
Nino Denani: [26:15] Legal. Eu acho que é assim, a primeira coisa que a gente tem que talvez abordar nesse universo que você me trouxe, é que é assim, As ordens mágicas existem, quer você queira, quer não. Eu tô falando isso porque eu tô na internet já há um tempo, meu trabalho é basicamente de educação mágica, e eu ouço todo tipo de absurdo falarem por aí, e eu acho super normal esse tipo de posicionamento, porque realmente é complicado você falar pra galera, olha pessoas, existem colegiados mágicos dedicados a estudar magia. Na hora vem na cabeça da galera Hogwarts, do Harry Potter, e aí você fica Ah, faz um Wingardium Leviosa aí. E não é bem assim, né? Então vamos contextualizar um pouquinho o que é isso. As ordens mágicas, ou colegiados mágicos, ou ordens secretas, ou ordens iniciáticas, tanto faz o nome que você queira dar. No meu caso, a gente geralmente chama de ordem iniciática. Ela existe desde que o ser humano começou a organizar o pensamento.
Nino Denani: [27:21] Então assim, tem lá o Homo Sapiens, o Homo Sapiens evoluiu para Homo Sapiens Sapiens, a gente começou a pensar a respeito do ato de pensar, e em algum momento da história, a humanidade começou a perceber que algumas pessoas conseguiam ter mais informações do que outras, e essas informações eram valiosas. Valiosas de que forma? Imagina que você está na Mesopotâmia, você tem uma tribo de dois mil homens, e tem uma tribo do seu lado com três mil homens. Sua comida está acabando, e você precisa de alguma forma ou fazer um trato diplomático com outra tribo ou exterminar outra tribo ou escravizar outra tribo para você conseguir compartilhar alimento com a sua tribo. Contextualizem aqui no período histórico.
Eron Falbo: [28:06] Eu lembro dessa época.
Nino Denani: [28:08] Mesopotâmia, a antiga Mesopotâmia antes do Império Egito. Nesse momento, o que acontece? Começaram a destacar as pessoas que tinham algum conhecimento, por exemplo, de guerra. Eu vou dar um exemplo do conhecimento de guerra, o quanto é importante. Hitler perdeu a guerra por causa de falta de conhecimento de guerra. Ele resolveu invadir lá o país no meio do inverno, nevou todo mundo que morreu e cometeu.
Eron Falbo: [28:35] Não assistiu o filme do Napoleão, né?
Nino Denani: [28:38] É. Ele cometeu o mesmo erro. Mas enfim, nesse momento, depois de algum tempo, algumas pessoas começaram a ver que era importante manter esse conhecimento fechado pra sua tribo. Por quê? Porque nessa época, por exemplo, já existia o álcool. Então as pessoas iam pra tribo vizinha fazer comércio, bebiam demais, falavam do conhecimento que tinham aqui, estragava o elemento surpresa. E aí, as pessoas que estavam em busca de conhecimento, que a gente vai chamar de filósofos, eles iam pra uma cátedra. Eles ficavam quietinhos no lugar, estudando as coisas, tarará, e aconselhando os reis. Esse grupo secreto, fechado em cátedras, São as ordens iniciáticas de hoje. Na Pérsia, essas ordens iniciáticas deram origem às primeiras formas de ensinamento formal.
Eron Falbo: [29:29] Eu acho que vale a pena frisar, só um parênteses rápido, que apesar de que a gente está falando de conhecimento oculto, de coisa assim, vamos dizer, de desenvolvimento pessoal, desenvolvimento da alma ou teurgia, coisas do tipo, também existe um lado político, ainda existem essas essas ordens iniciáticas dentro do Pentágono, NSA, essas coisas assim, onde o conhecimento ainda é retido e mantido com extremo segredo, que a gente chama de classified na nossa na sociedade profana, como a informação é... Como é que é em português? Não sei. É que significa que se você tem um certo escalão do... Hoje em dia não é nem exército mais, é escalão de autorização, tem diferentes empregos que tem diferentes graus de classifiability.
Eron Falbo: [30:36] Ou seja, isso que você está falando é muito fácil. Quando a gente olha para o nosso mundo, tanto quanto na Mesopotâmia, você vê que existe uma necessidade, porque se o O George Bush, na época do 11 de setembro, que ele estava tentando impedir novos ataques, ou atacar o Iraque, atacar o Afeganistão. Se ele falasse sobre certas informações, podiam acontecer vários outros ataques, ou podiam acontecer outras... É importante entender, eu só estou dando esse parênteses porque eu acho que é outra coisa que as pessoas esquecem, o tanto que conhecimento é valioso e não conhecimento no sentido que a gente está acostumado a pensar, tipo sabedoria, textos e coisas assim, mas dados, uma informação, onde está alguma coisa, onde está o presidente em um determinado momento.
Eron Falbo: [31:39] Isso é uma coisa que só certas pessoas sabem em determinados momentos. É só para adicionar esse ponto de hoje em dia, o paralelo de hoje em dia.
Nino Denani: [31:49] Eu quero te exemplificar, te dar um exemplo que talvez as pessoas consigam usar para entender um pouco o que é magia. Porque eu imagino que o seu público, ninguém tem obrigação de saber o que O que a gente vê geralmente, que tá mais apto pra todo mundo, é aquela coisa mais fantasiosa da magia. E a gente também tem um outro lado. Eu vou dar um exemplo bem bacana pra vocês. O desenvolvimento do horóscopo, do mapa astral, que todo mundo já ouviu falar e acha que isso tá envolvido na magia. Realmente tá. Da onde que veio o horóscopo? Da necessidade das pessoas saberem. Quando plantar, quando colher, quando invadir, quando se recluir e quando estabelecer momentos de educação. Então, por exemplo, você tem o signo de peixes, que não tem nada a ver com previsão de vida, tem a ver que é o momento de pescar, o nilo tá cheio. Você tem o signo de câncer, que é um caranguejinho, que quer dizer, olha, o nilo tá baixando, as criaturas do mangue tão saindo, é hora de caçar as criaturas do mangue.
Nino Denani: [32:55] Você tem lá o centauro, que eu sempre esqueço qual que é o signo. Qual que é esse momento? É o momento do conhecimento, de conversar, dos professores ensinarem, de trocar informações. O centauro sempre foi a figura mitológica do professor. Então, o horóscopo todo, pra nós que somos magos, ele tem um significado, mas ele foi desenvolvido assim. Em determinado momento, lá pela Idade Média, quando o Nostradamus fez sucesso, ele desenvolveu, pegou o mapa astral, transformou em horóscopo pra vender pra rainha, pra visão, pra ele continuar vivo. Dentro de um reinado meio bagunçado. Mas enfim, evoluímos, tá? O que eu quero deixar aqui pra vocês bem claro é que, assim, os magos, eles sempre foram essas pessoas que foram ligadas ao conhecimento. Em determinado momento da nossa história, foi necessário que a gente separasse o conhecimento dos magos do conhecimento científico, né? Com metodologia. Que foi lá pelo período do luminismo.
Nino Denani: [33:56] Aí nasceu a medicina formal, aí nasceu a psicologia, aí nasceu as ciências biológicas, aí nasceu... Mas ainda assim os magos continuaram criando conhecimento para a ciência pesquisar. Não é à toa que Isaac Newton, o grande nome da magia dos últimos tempos, da modernidade, era mago. E a gente sabe, ele era maçom. A gente só tem a divisão do espectro cromático em sete cores porque ele quis uma sétima cor pra ser um número cabalístico. Porque entre azul e índigo não existe diferença relevante. Então ele colocou só uma sétima corzinha aí.
Eron Falbo: [34:35] E 80% da obra dele era mística, né? A física era um by the way, né? By the way, tem isso aqui...
Nino Denani: [34:44] Exato. Então qual que é o trabalho hoje do mago, das ordens iniciáticas? É promover o conhecimento que depois, em algum momento, vai ser estudado. Assim como eu falei, eu faço neuropsicologia porque eu quero pegar uma teoria lá de trás, o todo é mente universal e mental, e tentar ver se tem correlação científica. Agora que nós temos ferramentas da psicologia avançadas o suficiente para talvez propor isso. Agora eu faço neuropsicologia e não só psicologia porque eu quero estudar aspectos da mente, que já é um nome que a gente não usa, mas também aspectos cerebrais. Então eu vou trabalhar com neuroimagem, mas com habilidade de conhecimento psicológico pra tentar entender o funcionamento do ser humano. Que é uma proposta já da magia do caos de entender o ser humano como ser bi ou psicossocial. Então a gente se mistura, né? Isso é uma ordem mística hoje então. Ele é um grande colegiado de pessoas, na sua imensa maioria, catedráticos de alguma ordem, de alguma área do conhecimento.
Nino Denani: [35:47] Então na Ogon a gente tem lá biólogo, historiador, geógrafo, matemático, filósofo, psicólogo. A gente tem pessoas catedráticas. É muito diferente do que você vê na internet hoje, que é o tiozinho ou a tiazinha que mora lá no interior de Minas, e sem querer desclassificar esses caras, tá? Mas eles moram lá no interior de Minas e usam uma rudinha pra fazer um benzimento. A gente entende a importância, mas o mago vai falar assim, o que que tá funcionando nessa história de bater a rudinha? É a ruda, que tem uma energia metafísica? É o ato de bater com a planta na pele? É a velhinha que tem o poder? É a pessoa que tá dando o poder pra velhinha numa espécie de de placebo? O que que tá rolando aí? Então a gente vai pesquisar, fazer as perguntas necessárias, tentar estipular respostas e entregar na mão da galera da ciência depois pra eles pesquisarem.
Eron Falbo: [36:45] Eu acho que esse ponto que você tá tocando tem muito a ver, vamos tentar traduzir, porque a carta do mago no tarô é a carta que o mago tá brincando com os quatro com os quatro naipes, depende do artista, mas normalmente o mago está lá os quatro naipes dentro da carta. Então assim, de uma certa forma o que você está falando é que o mago, mesmo se o assunto for magia, ou seja, o cara está lá com búzios ou com medicina holística ou o que for, Isso aí é como se fosse determinados galhos do cosmos e coisas que você pode desenvolver, pode aprender, pode aprender a usar. A posição do mago é ficar meta analisando. E não só analisando também, meta praticando. Mas meta se posicionando numa posição meta.
Eron Falbo: [37:49] Ou seja, meta física pode ser...
Nino Denani: [37:53] Eu, por exemplo, hoje em dia, eu tenho um estudo muito... Porque assim, quando a gente começou com essa história de educação mágica, eu precisei desenvolver alguns métodos junto com alguns amigos pra gente ver como fazer isso da melhor forma. Então, uma das coisas que eu faço, por exemplo, é atendimento particular. E eu precisei desenvolver, tentar entender por causa do Covid, que a gente ficou obrigado a distância, né? Como é que eu consigo, como mago, fazer um atendimento com uma pessoa do outro lado do país ou, às vezes, do outro lado do mundo? Eu atendo muita gente de fora. Como é que eu consigo fazer com essas pessoas um rito, do jeito que vocês conhecem rito, pra ele melhorar em determinado aspecto da vida dele? Então, o que a gente tem que estudar? Narrativa, ferramentas psicológicas. Ou seja, tipo, o mago, ele sempre foi, sempre será um grande estudioso da vida. Não é à toa que o outro nome que a gente dá pra mago é filósofos do fogo. Isso vem da alquimia medieval. Mas o outro nome do mago é filósofo.
Eron Falbo: [38:51] Últimamente filósofo era isso. Eu sempre penso sobre isso, quais são os diferentes nomes. Eu sou um amante da etimologia e acredito, assim como o Wittgenstein, que o mundo é meio que criado através da língua. E Alastair Crowley também tinha essa visão, apesar de não teorizar, mas dá pra ver que, assim, por tudo que ele falava, ele... Tudo que ele fala é baseado em língua, né? Ele tudo compara com línguas e etnistimologia. Ele é um linguista informal porque não foi nessa parte da academia, mas ele é tão formalizado nesse mundo quanto qualquer linguista. Mas eu vejo esses termos, se você for por dentro do termo, tem muita coisa muito rica dentro. Tipo assim, metafísica. Um mago é necessariamente um metafísico.
Eron Falbo: [39:54] Tipo assim, em inglês você fala, o médico é um physician. É alguém que não tem nada a ver com a física, mas tem a ver com o fato de que é um mestre de curar através do mundo físico. Um metaphysician pode curar através de coisas além do mundo físico.
Nino Denani: [40:16] Eu acho que essa é a brincadeira. Sim, o mago trabalha com a metafisicalidade. Só que as pessoas, em geral, assumem que metafisicalidade é só o que tem... É só o que diz respeito a espírito, fantasma, anjo, demônio. Metafísico é o que está além da física. Então, por exemplo, estudos de psicologia, dependendo da linha que você vai, Freud é metafísico. Ele não é físico. Inclusive, a gente não tem nada na academia que prove a psicanálise.
Eron Falbo: [40:50] Isso é outra coisa, é psicologia, o termo em si, psiquê, alma, né? Então, é o logos da alma, uma parada totalmente metafísica, né? Necessariamente, quando você vai no termo, né? Desculpa.
Nino Denani: [41:04] É que quando a gente começa... O que que acontece, cara? Que a gente tá nesse período, tá difícil da gente... Porque assim, cada vez mais a gente tem informação, mas cada vez menos a gente transforma ela em conhecimento. Então assim, quando a gente admite um estudo avançado de alguma coisa, a gente precisa, por exemplo, admitir o estudo do mecanismo de crença. O que que é o mecanismo de crença? Não é a crença em si, mas como ela funciona no indivíduo. Então, por exemplo, eu sou mago, eu atendo muito evangélico, atendo muito ateu. Por que eu atendo essas pessoas e eles se sentem confortáveis comigo? Porque eu não julgo a crença deles Eu tenho que ver como a crença funciona.
Eron Falbo: [41:47] Foi a frase do começo, né? A gente precisa sobressair. Eu acho que esse é o papel, e eu acho que é um papel crucial. O papel do mago hoje é um papel de pastor da humanidade, porque a humanidade, em outras gerações, o problema da humanidade era outro. Tinham outros problemas sérios da humanidade. Hoje o problema central da humanidade é a desinformação. Alguém precisa distinguir entre crenças. Então só alguém que está acima de crenças, que é o mago que está meta-crente, é um meta-crente, ele acredita em todas as religiões e em nenhuma ao mesmo tempo. A frase do Peter Carroll, né? Sobe lá na frase pra gente voltar.
Nino Denani: [42:40] Pra... Enquanto ele solta a frase, só um breve comentário. A gente tá entrando agora, quando a gente começa a estudar história, a gente vê que a humanidade funciona de forma cíclica, numa forma, num paradigma em particular, que é a teocentria. Ou seja, a gente altera períodos de teocentria com períodos de antropocentria. A Idade Média, só pra gente ter uma ideia, a Idade Média era completamente teocêntrica. Deus estava no centro de todas as decisões. Tanto que Deus começa a intervir no reinado, na monarquia, e você tem as figuras dos papas que vão mandar mais do que os reis. Depois a gente quebra no iluminismo. Onde a gente tem a antropocentria na cena, ou seja, o homem passa a ser o centro das coisas. Agora, aparentemente, estamos voltando, pelo menos aqui no Brasil, num período de teocentria, né?
Nino Denani: [43:41] Porque agora o Deus também tá começando a entrar no meio do governo, né? A gente já tem bancada evangélica, né? Já tá começando a mandar nas coisas, Deus acima de tudo, essas coisas todas. O mago Ele precisa se manter livre, o que não quer dizer que ele não pode acreditar em alguma coisa. Ele pode ser livre, inclusive, para acreditar. Mas eu queria deixar um negócio impresso na mente de vocês, que é assim, vocês podem procurar na internet ou em qualquer lugar o que é o mago e vocês vão ver diversas pessoas falando a respeito disso. Então, em primeiro lugar, nem todo mundo que fala que é mago é mago mesmo. Geralmente, o mago não fala que é. O cargo de mago ou grau de mago. Ele é dado pelos pares, ou seja, um mago só é mago quando outros magos o reconhecem como mago. E terceiro, ninguém pensa a mesma coisa, porque o mago é livre. A única coisa que todo mundo concorda a respeito de magia é que o mago precisa se manter livre. Então esse negócio que você falou da gente ficar acima da crença, ela faz todo sentido.
Nino Denani: [44:46] Porque você precisa ser livre, inclusive, pra escolher no que acreditar, se for o caso. Eu faço, por exemplo, um evento anual, onde eu reúno muita gente pra falar a respeito de magia com profundidade, com pessoas que não são. E, tipo, ninguém... Eu uso um tema só. São, tipo, 12, 20 pessoas. O último que a gente teve foi 12. Falando sobre um único tema. E ninguém fala a mesma coisa. Porque o mago precisa se manter livre. E aí, tá engraçado que quando magos se encontram, vira um grande jogo de provocação. Porque a gente vai dando umas pitadinhas aqui, olha, você tá errado aqui. Olha, você tá errado ali.
Eron Falbo: [45:21] É até chato, né? E aí vira um grande debate. Muitas vezes fica um pouco insuportável, mas ao mesmo tempo gostoso, né? Você fica aquela coisa, pô... Discutindo... Pô, precisa discutir tanto, mas ao mesmo tempo você fala... Às vezes, você fica horas naquela... Só na provocação aí você descobre uma nova pérola de sabedoria. Que saiu ali daquela interplay, daquela dinâmica de provocação.
Nino Denani: [45:50] Isso é importante, cara, porque o aprendizado é impossível sozinho, sabe? Eu sei que você vai falar, Tiago Menino, mas tem as pessoas que são autodidatas. Autodidata não aprende sozinho, ele estabelece um diálogo com o autor do livro que ele está consultando, né? O autodidatismo por si é impossível, você não vai ter informação que vem do nada. Mesmo o autodidatismo tem que ter um diálogo. E quando você vai num diálogo desse nível, que é super legal, até porque todo mundo se respeita, né? Quando a gente vai debater com o Mago, não há ofensas. A gente serve pra quê? Pra ver se o argumento que a gente entende sobre um determinado assunto, e que de repente virou a nossa verdade por algum momento, faz sentido. Você precisa dessa colisão. Você precisa ter, que nem vai de bom dizer os grandes educadores, você precisa propor uma tese para ter uma antítese e criar a síntese. E aí você sai com um conhecimento mais lapidado. Se você se prende no seu conhecimento, que é o que as pessoas hoje em dia fazem, que é o que a gente chama de pós-verdade, você não aprende, você não produz, você fica isolado.
Eron Falbo: [47:00] E a gente entra numa coisa assim que é um pilar meu, talvez uma das minhas contribuições para o mundo. Os nossos tempos, óbvio, todos os tempos são totalmente únicos, como cada dia é único. A gente nunca vai viver uma coisa repetida e é totalmente único. Só que, ao mesmo tempo, acho que é importante a gente lembrar como os nossos tempos não são tão únicos quanto talvez a gente possa achar. E é normal de todo mundo, em todos os tempos, acharem que os próprios tempos são muito únicos. Então você está na época das navegações. Você fala, nunca houve uma exploração do mundo, mas aí se você for ver o mapa de Pirirês, que já tinha a Antártica lá no século XIII, você fala, provavelmente em outro tempo já teve também até navegações.
Eron Falbo: [48:03] É importante perceber, eu acho, para você ser um meta físico, para você poder olhar para as coisas de fora, você percebeu o tanto que você não é único, ao mesmo tempo que você é único. E eu acho que dentro da magia, dentro de qualquer coisa, de qualquer cultura iniciática, na verdade, porque magia também é só uma terminologia, que existe dentro de muitas, você consegue perceber essa necessidade de abstração do profano, do dia-a-dia, que te dá essa permissão de ver as coisas como a mesma coisa. Tipo assim, se você for na ponta da pirâmide do panteão egípcio, se você for na ponta da pirâmide do panteão grego, panteão nórdico, você vai achar os mesmos arquétipos, os mesmos conceitos.
Eron Falbo: [49:21] E o grão-mestre iniciado, óbvio que depende de qual iniciado é, mas vamos dizer que um é absolutamente iniciado. Se eles conversassem, o sacerdote egípcio conversasse com o sacerdote grego, os caras iam se entender completamente, não ia ter discussão nenhuma, absolutamente nenhuma.
Nino Denani: [49:44] Eu ia tentar ver os seus paradigmas.
Eron Falbo: [49:46] É, não, tudo bem, é conversar sobre outras coisas, mas não ia ter uma discordância, tipo assim, não ia ter, pô, a teologia, mas Jesus veio, entendeu? Porque o cara... Deixa eu te falar,.
Nino Denani: [49:58] Você falou da era das navegações, isso é mais, cara, talvez você não tenha pensado ou você falou um bagulho que, tipo, ninguém comenta. Nós estamos agora na era das navegações.
Eron Falbo: [50:11] É.
Nino Denani: [50:13] Acabamos de mandar a SpaceX. A gente tá numa briga entre o Jeff Bezos e o camarada lá.
Eron Falbo: [50:22] A gente é Colombo, né? Discutindo o orçamento pra ir pras Américas.
Nino Denani: [50:27] Só que a gente ampliou o nosso cabendal de conhecimento. A gente não tá indo buscar temas.
Eron Falbo: [50:32] Estamos indo buscar... Eu acho que em todas as linhagens iniciáticas também a gente aprende que a gente tem que ser... Caraca, me deu um branco agora. Paradoxal. Em tudo que é, o ponto que une o divino e o profano, o branco e o preto, quaisquer dois opostos, não é exatamente um ponto do meio que está lá, é alguma coisa de outro lado que é paradoxal, que inclui as duas coisas ao mesmo tempo. É o crepúsculo.
Nino Denani: [51:16] E todos os paradoxos podem ser reconciliados. O hermetismo vai falar que esquerda e direita, no sentido de direções, esquerda e direita são os extremos, mas os extremos se tocam, porque os paradoxos se reconciliam. Então se você pega, por exemplo, coordenadas geográficas, se um vai pra direita e o outro vai pra esquerda, a gente vai se encontrar em algum lugar. Então direita e esquerda vai se tornar a mesma coisa, os paradoxos foram reconciliados. E isso é pregação.
Eron Falbo: [51:43] Isso é importantíssimo, porque nos nossos tempos a gente vive aquela coisa que a gente não aprofundou, mas a gente vive essa necessidade da identidade de grupo que gera dualidades. Ou eu sou isso, ou eu sou aquilo. E se eu sou isso, necessariamente eu sou não aquilo. E o que gera é que o que você não sabe é que na verdade você entrou num contínuo e você é o cara que entrou nessa parada. Tipo assim, o lulista e o bolsonarista é a mesma coisa. Ele só tá usando terminologia diferente. Ele é o cara que escolheu entrar nesse rio.
Nino Denani: [52:20] E agora o mais divertido, cara, é que nós ficamos de fora... Divertido assim, muito entre aspas, né? Nós ficamos de fora disso, observando e falando, cara, isso já aconteceu. E isso... O Hermetismo também tem uma outra lei que ele vai falar assim, assim, tudo que tem no microcosmos também tem no macrocosmo, né? Porque no mundo pequenininho tem no mundo grandão. E se você... Eu não sei exatamente qual que é o público aqui do podcast...
Eron Falbo: [52:45] Parece que a gente tomou cogumelo, não tem problema!
Nino Denani: [52:49] Isso é tão interessante que Jesus Cristo falava disso, né? Assim no Mico como no Marco Ele falava, na única oração que ele deixou pra gente, assim na terra como no céu, certo? Quando ele fala isso, ele vem apontar pra gente que tanto no indivíduo Enquanto no grupo, a gente vê as mesmas situações. Então, você é indivíduo que busca individualização, eu quero ser completamente diferente, você tem sua tribo. E tem pessoas que vão ser iguaizinhas a você. Você num grupo que busca ser diferente, você vai ter um outro grupo ou um outro grupo de grupos que vão ser exatamente iguais. A psicologia trabalha a partir daí.
Eron Falbo: [53:36] Cara, eu fiz uma entrevista anterior à sua e eu não consegui falar, tipo assim, o cara é um pós-modernista que acredita que existe vítima e opressora, entendeu? Que existe grupos que são opressores, grupos que são vítimas. E eu não consegui verbalizar essa parada que a gente tá falando, entendeu? De que a vítima e o opressor é a mesma parada, sacou? Eles estão dentro do mesmo ser. E do mesmo momento que você tá sendo vítima, você tá oprimindo outra coisa, entendeu? E essa chave é uma chave libertadora para o mundo atual, tanto o lado que se acha livre do marxismo, que seria o bolsonarista, por exemplo, quanto o marxista entra nessa mesma mentalidade.
Nino Denani: [54:38] Sabe que trabalha isso maravilhosamente bem no campo que você está falando? George Orwell, quando ele escreve a Revolução dos Bichos...
Eron Falbo: [54:46] Ele é muito moderado.
Nino Denani: [54:47] Mas ele escreve a Revolução dos Bichos que é exatamente mostrando que os oprimidos serão opressores.
Eron Falbo: [54:52] Ah, é. Muito bom.
Nino Denani: [54:54] É exatamente isso. Claro que sim, eu não tô aqui querendo defender um lado ou o outro. O mago, muitas das vezes, ele é um observador da realidade. Ele vai fazer movimentações pontuais. A não ser que você escolha fazer parte de uma... Agora vamos voltar pro assunto que você queria falar. Fazer parte de uma ordem voltada a melhora política como a maçonaria é, por exemplo, a gente vai ficar como meros observadores ainda há um trabalho muito interno dentro das ordens de ver até que ponto a gente pode influenciar na realidade sem que nós sejamos os algozes. Claro, tem ordens que são políticas, né? A maçonaria é uma ordem política, isso não é escondido de ninguém, eu fui maçom com o tempo, Aliás, pessoas, eu sou ex.
Eron Falbo: [55:44] Quem nunca, né?
Nino Denani: [55:46] Não morri, tô aqui. Minha filha é primogênita, tá aqui também. Nunca sacrifiquei bode.
Eron Falbo: [55:51] Muitas bênçãos pra sua filha.
Nino Denani: [55:53] Minha filha já tá com 18 anos, já é uma mulher.
Eron Falbo: [55:56] Caraca, começou cedo.
Nino Denani: [55:58] Não, eu sou velho, cara.
Eron Falbo: [56:00] Ah, você já tem cento e pouco. Eu já tô com 40, cara.
Nino Denani: [56:08] Eu sou velho.
Eron Falbo: [56:09] Mesmo assim, tá novo. Pra nossa geração, 40 tem uma 18.
Nino Denani: [56:13] É, talvez eu pareça viúvel por causa do trabalho de internet, né? Que você acaba tendo que entrar e.
Eron Falbo: [56:18] Encontrar... Ah, são rituais que eu conheço aí, rituais... Rituais de... De... De... De... Rediver... Tudo bem.
Nino Denani: [56:28] Um símbolo que você conhece, né?
Eron Falbo: [56:29] Acho que outras pessoas conhecem também.
Nino Denani: [56:35] Não, mas de qualquer forma, assim, a... Só voltando ao assunto das ordens que você queria abordar, cada ordem vai funcionar de uma forma muito específica. A Ogon, em particular, a gente tem o lado místico, que a gente vai estudar essas coisas todas, fazer comparativos e tal. Tem o lado filosófico, a ordem é primordialmente filosófica. Então, o primeiro grau da ordem, por exemplo, o pessoal vai estudar Kant, vai estudar Platão, vai estudar Aristóteles, Aristófanes, essa galera toda. E a gente tem um objetivo. Que é a melhora do mundo através da aquisição e compartilhamento de conhecimento. Então, nós temos um trabalho de montar uma biblioteca, por exemplo, uma biblioteca grande de arquivos e acervos de livros muito importantes. Tem alguns amigos que trabalham na publicação de livros que são de fundamental importância e que por algum motivo estão recuídos por aí, como o Zorrar. É difícil comprar um Zorrar por aí, é difícil achar um Corpus Hermeticum. É difícil você achar um The Prestige de Demonorums.
Nino Denani: [57:38] É difícil você achar uns livros desses que, embora alguns deles sejam completamente besteira, como o Martelo das Bruxas, o Malleus Maleficarum, ou seja, besteira no sentido, era um jeito que os padres desenvolveram para identificar uma bruxa na Idade Média.
Eron Falbo: [57:56] É importante historiografar, é importante para você posicionar.
Nino Denani: [58:01] Mitologicamente, para você entender como é que aquele povo, o povo naquela época funcionava. Então, o que a Ogon faz hoje? A Ogon, ela tem muitos vieses da maçonaria, porque eu fui da maçonaria e trouxe muita coisa de lá, e os vieses da Ordem Hermetista, inclusive alguns vieses de Rosa Cruz, que é o quê? A gente tem o nosso trabalho interno e tem um trabalho de assessoria à comunidade. Então, a gente faz, por exemplo, a gente trabalha muito com Pessoas que sofrem violência doméstica. A gente ajuda muito essas pessoas. Muitas vezes a gente tira ela da casa e aloca em outro lugar. Temos também trabalhos de apoio psicológico às pessoas. Esses problemas que estão acontecendo hoje em dia, que são problemas relativamente novos, que muita gente deixa de lado, porque, no geral, a caridade é feita dando dinheiro para a pessoa comprar comida, mas existem outros problemas tantos que também têm que ser trabalhados. E a gente vai fazendo essas coisas e, para isso, o nosso desenvolvimento pessoal. Para a gente conseguir atingir esses ferramentos que a gente está falando, olhar de fora, sem estabelecer necessariamente críticas, mas compreendendo a problemática da situação para a gente tentar trabalhar alguma coisa, a nossa ordem vai desse ponto.
Nino Denani: [59:20] Outras ordens trabalham de outra forma, a OTO também trabalha de outra forma, a IOT, a AA, enfim, a Auro Solis, É uma galera.
Eron Falbo: [59:29] É, vocês estão fazendo um trabalho parecido com a teosofia, só que talvez mais mágico. Também já fui teósofo, já fui de tudo.
Nino Denani: [59:39] É, tô vendo, cara.
Eron Falbo: [59:41] Eu achei que eu posso chegar aqui.
Nino Denani: [59:45] E achar um cara que não soubesse de nada, tá ligado? Um profano. Um profano total.
Eron Falbo: [59:50] Já fui drag queen, já fui...
Nino Denani: [59:52] É, que eu tivesse que fazer aquele negócio de, ah, o que é magia? Ah, da onde você vem? Ah, pra onde você vai? Que é o que geralmente acontece em entrevista, né?
Eron Falbo: [60:01] Cara, eu faço até uma boa oportunidade, já que a gente tá entre iguais, de dizer um pouquinho, eu criei o meu programa muito parecido com o que você se coloca, como se fosse um representante de de ordens iniciáticas profundas que está certificando o quality control do processo de revelação de certos segredos e coisas do tipo. Eu me vejo como alguém que faz isso indiretamente, porque afinal eu tive o privilégio de... Eu não sou um grande mago, eu não sou, vamos dizer, eu não me considero um mestre de nada, mas eu tive o privilégio de participar de coisas muito... De altos graus e de estar presente em coisas que me deram um edge, me deram uma vantagem muito grande na vida e não no sentido de oportunismo, mas no sentido de não me ferrar tanto quanto eu vejo outras pessoas sofrendo, infelizmente.
Eron Falbo: [61:23] E às vezes eu me safo por uma ajuda divina, no sentido de que a gente teve a bênção de receber essa sabedoria de uma forma ou de outra, mas muito humana também, no sentido de que seres humanos mantiveram essa sabedoria viva e sistemática, e completa o suficiente pra passar pra frente e eu conseguir, na minha geração, mesmo que de uma forma desastrosa, né, porque na nossa geração aí eu não sei nem o que que é a verdade, mesmo dentro do... Como é que chama? Argus Argento?
Nino Denani: [62:11] Ástrom Argento.
Eron Falbo: [62:14] O que é supostamente a fraternidade das fraternidades, a gente nunca sabe se é ou não dela.
Nino Denani: [62:23] Na verdade é que assim, toda ordem mais moderna é uma loucura do Crawley, meio isso.
Eron Falbo: [62:29] Mas eu acho que o que é essa ideia, que é outra coisa que a gente pode até mencionar aqui, que é uma ideia de que é importante botar isso, para as pessoas desmistificarem o místico, porque mesmo a gente que participou dessas paradas, eu me pego às vezes ficando com áries. Veja bem... O AA, o Astro Margento, supostamente é para ser uma fraternidade sem nome, que o Arasakori deu o nome, ou ele foi iniciado de fato e recebeu o nome, não se sabe. Mas a ideia é que existe uma fraternidade de fraternidades, que está acima de fraternidades, que você fica sabendo de uma forma ou de outra que você... Eu não confio em nada disso, que pra mim é... É que na Universidade de Berkeley tem um departamento de seitas, né? E uma das definições de seitas é que você não pode verificar a fonte daquela informação, né?
Eron Falbo: [63:36] Então no momento que você fala, não, tem uma nave espacial que tá me dando informações aqui diretamente, mas sério, não confie em ninguém que fala isso, incluindo quem fala de Jesus ou de qualquer coisa que seja. Você não pode ligar pra sua mãe e perguntar, ó, é verdade. Tipo assim, não, eu sou de uma igreja aqui que fala de tal coisa, Mãe, existe cristianismo da... Não, filho, não existe.
Nino Denani: [64:03] É tipo perguntar para o Aulas, né?
Eron Falbo: [64:07] É, exatamente. É aí, porra, eu também posso ter. Eu também tenho aqui, porra. Aqui, ó. Tira do bolso. Não que seja mentira também. Você não pode dizer que é mentira, né?
Nino Denani: [64:21] É, porque a gente vai trabalhar com o mecanismo de... Aí é que tá, tá vendo? Porque, tipo, não importa. Existe um ditado que a gente usa hoje, modernamente, que é assim. Toda experiência é uma experiência mágica. E toda experiência mágica é uma experiência válida. Ou seja, tipo, não importa se o Crowley realmente encontrou com o iOS ou se ele tirou aquilo lá, sei lá, de uma apiração de LSD, ligado?
Eron Falbo: [64:46] Falando nisso, a Steli dá revelação aqui.
Nino Denani: [64:49] Desculpa.
Eron Falbo: [64:53] Enfim, no caso, não importa se o.
Nino Denani: [64:55] IOS existe, ou se o Crowley tirou aquilo lá de uma viagem de óbvio. O importante é que ele foi maculado pela ideia. Então a partir do momento que ele é maculado pela ideia, aquilo gera uma resposta psíquica, de psiquismo mesmo, da psicologia. E a partir desse momento que ele foi maculado, aquilo se torna real. Então é muito mais importante você estudar as consequências, a decorrência do ato do que o ato em si, tá ligado? Sim, total. Então, por exemplo, o Crowley começou com uma sonaria, depois ele fundou a ordem dele, porque ele ficou puto, aí depois expulsaram ele da ordem dele, fundou uma outra ordem e expulsaram ele de novo. E ele transava com todo mundo, pai, sei lá. E o cara é um dos grandes nomes hoje em dia da magia, né?
Eron Falbo: [65:43] Então, mas é uma crítica, acho que a gente aprendendo, fazendo agora, mostrando para o público qual que é a prática em si do mago, é essa. Tipo assim, você pega um grande mago como o Alistair Crowley e você caga em cima dele. Tipo assim, a gente não é... A gente não tem melindre. Tipo assim, o Alistair Crowley é um grande mago e eu nunca talvez... Talvez eu já fiz isso, mas vamos dizer, em termos filológicos, o cara já leu muito mais livros do que eu tenho paciência para ler. Ou seja, eu não me comparo nesse sentido de excelência com Alastair Crowley, mas ele errou claramente em termos mágicos para mim, na minha opinião, no sentido de se permitir iniciar uma seita e não perceber que ele estava fazendo isso. Ou seja, não perceber o mecanismo mental de criar uma coisa que você não pode verificar e lançar isso.
Eron Falbo: [66:45] Tipo o Eyewas, mesmo que fosse verdade, não lança isso para o público que você fez isso. Não baseia a sua retórica numa coisa que uma pessoa vai precisar usar de superstição pra agarrar, entendeu?
Nino Denani: [67:01] Mas tem um negócio, cara, que o Crowley, ele fala, se eu não me engano, no prefácio do Liberol, né, o Liberol Verleges, que ele fala que esse livro é pra ser consultado e depois queimado.
Eron Falbo: [67:16] Ok, mas isso é outro erro dele, by the way, que ele não tá living up pra coisa que ele tá falando. Porque ele está falando assim, isso é fácil. E isso líderes de seita fazem. É tipo quando você é da CIA, não sei se você foi da CIA também, mas uma das seitas que eu participei. Mas uma das coisas que te ensinam na CIA, assim que você entra num lugar, você procura a rota de fuga. Então isso é uma rota de fuga. Você está falando, eu vou criar uma seita aqui, mas já com uma rota de fuga. Se disserem que eu errei de alguma forma, ah, mas eu falei que era para queimar o livro. Então assim, a gente como mago, a gente pode olhar isso e ver, não, beleza, o mecanismo funcionou. Um monte de gente aderiu a isso. Mas não necessariamente porque uma coisa funciona você deve perpetuar. A gente preza, acima de tudo, a liberdade pessoal.
Eron Falbo: [68:17] Até o próprio Alistair Crowley. Quando a gente vê uma hipocrisia no nível de você ser contra os próprios dogmas da coisa que você está perpetuando, que é tipo... Love is the law, love under will. Como é que é em português isso? Amor é a lei...
Nino Denani: [68:39] É sobre vontade.
Eron Falbo: [68:41] Lei sobre vontade. Isso é uma coisa hermética da valorização da liberdade. É uma tradução de outro preceito hermético. E você cria coisas que estão aprisionando os seguidores agora. Tipo assim, o conceito de você seguir uma coisa que você não pode verificar, e eu não tô falando verificando através dos sentidos, você não pode... Não é válido, não é negável na verdade, não é falsificável, você não consegue falsificar aquela coisa, você não pode criar um experimento... Falsear. Falsear, desculpa. Você não pode falsear aquela coisa de uma maneira ou de outra. Aí você está necessariamente dando uma tentação para o pessoal, uma... Tipo assim, você só pode acreditar nesses preceitos se você acreditar em mim.
Nino Denani: [69:38] Sim. Mas cara, tem um negócio, assim ó, não estou defendendo o Crawler, não sou seguidor de Crawler, tá ligado?
Eron Falbo: [69:44] Tá bom, não, não, isso aqui é um... Vamos lá.
Nino Denani: [69:47] Ah meu Deus, sabe por quê, cara?
Eron Falbo: [69:48] O conceito, o conceito.
Nino Denani: [69:51] Eu não quero mais apanhar de telemita também, tá ligado? Mas tem um negócio que o Crowley falou que eu acho que é bem legal Que ele fala assim, tem toda essa pegada e ele fala, os escravos servirão, né? Já que o amor é...
Eron Falbo: [70:09] Outra saída, né?
Nino Denani: [70:10] É, outra saída, mas é uma saída... Eu entendo o seu paradigma, mas eu acho que assim Se você realmente compreende isso, você percebe que E, de novo, não estou defendendo o crawler. Eu não sigo nada que é telemóvel, quer dizer, sigo algumas coisas que eu acho que faz sentido. Mas eu não sou de telemóvel.
Eron Falbo: [70:27] Ninguém, você não é telemita.
Nino Denani: [70:29] Hã?
Eron Falbo: [70:29] Você não é telemita, não é a sua...
Nino Denani: [70:31] Não, eu sou atletista. A minha pegada, a minha escola é outra. Mas, de qualquer forma, é assim, eu acho que pelo menos o aviso está. Agora, se você pega esse aviso e faz o contrário, aí não tem muito o que você fazer, né, cara? Se você vai, tipo, entrar na telemóvel, E a Telemã é uma escola muito legal, eu tenho vários amigos que estudam de Telemã, eles me ensinam muita coisa Mas se você vai entrar na Telemã e usar a Telemã como uma religião Isso tá contra o que foi falado, cara, se você tá fazendo isso, você.
Eron Falbo: [71:00] Tá fazendo errado Mas aí a gente não entra no mesmo problema para tudo? Dentro do cristianismo, eu acho que dentro do tarô você tem todos os arquétipos. Dentro do cristianismo, se você for olhar, a coisa só sobrevive se ela tiver todos os arquétipos. Porque o que define o que um sistema sobrevive versus outro que não sobrevive é uma incompletude. Um está incompleto, outro está mais completo. Tipo assim, o cristianismo só sobreviveu durante dois mil anos, dois mil e vinte e um anos, depende da data que você acredita, porque inclui, na minha opinião, o Velho Testamento, que inclui tudo, sacou? Tipo, você consegue dentro da guermátria, dentro da cabala, você consegue tirar qualquer coisa de lá. Então nesse momento você não consegue mais criticar o cristianismo, porque você pode dizer, ah não, não vou criticar o cristianismo, porque lá eles dão a saída para aquela coisa que você está criticando.
Eron Falbo: [72:01] Então você fala, todo mundo deve ser cristão.
Nino Denani: [72:03] Eu vou falar um negócio que se você depois quiser na edição cortar, tudo bem, eu vou entender. O cristianismo só vive porque ele mata a gente.
Eron Falbo: [72:13] Cara, mas isso aí é uma visão, é um adêndono ao que eu disse, não só você tem que ter tudo completo, você tem que estar disposto a matar muita gente, isso é outro ponto.
Nino Denani: [72:28] Ele se tornou popular porque durante a Idade Média quem não era cristão era um cara morto, tem as cruzadas.
Eron Falbo: [72:34] Claro, é verdade. E isso é verdade, você tem que matar outras paradas, mas depois você tem que acoplar um monte de outras coisas. Tem que acoplar a mitologia nórdica e botar santos. E como você consegue acoplar? Só se sua semente estiver contendo tudo, pra começar. Se for uma semente que é adaptável a qualquer coisa. Porque tem muita seita que a gente vê que se desenvolve e tem uma morte súbita, né? Porque chegou... A teoria de memes do Richard Dawkins. Chega um momento que as pessoas se tornam imune àquela ideia. Aí ela tem que se camuflar. Tanto que o helenismo virou o cristianismo. O helenismo chegou a um ponto que se espalhou no mundo que as pessoas se tornaram imune ao helenismo. Os bárbaros já não estavam mais adaptando ao helenismo. Aí teve que criar uma coisa assim que e se tornou o cristianismo.
Eron Falbo: [73:38] Por que você troca de vestimenta? Do mesmo jeito, por que eu tenho que morrer? Agora a gente tomou cogumelo mesmo. Eu não vou entrar nesse...
Nino Denani: [73:51] É morte figurativa, tá gente? Deixa eu contar um negócio pra vocês. O mago, no caminho do mago, a gente faz iniciação. Essa iniciação, o registro mais preciso, bacana, das iniciações que a gente tem hoje em dia, ela nasce no culto de Eleusis.
Eron Falbo: [74:10] Adoro isso, vou até masturbar aqui.
Nino Denani: [74:15] É um culto agrário lá da Grécia. O que é o culto? O que é uma iniciação? É quando você morre e renasce. Então, por exemplo, o que é a iniciação cristã? É o batismo. Você morre para a sociedade profana, e entra pra sociedade cristã. E eu preciso explicar o que é um profano, tá? Profano é quem tá fora. Então, quando eu falo, ó, a gente tá falando aqui de magia, pra profano, são pessoas que não estão no mundo mágico. Cristão, quando você é do mundo, como é que eles falam a palavra?
Eron Falbo: [74:51] Mundano.
Nino Denani: [74:52] Não, tem outra palavra que eles falam. Secular. Quando você é secular, você é um profano para o cristianismo, tá? Então, por exemplo, a minha filha não foi batizada, ela é uma profana. O rito de iniciação é o rito de morte, por isso que envolve... Entendi,.
Eron Falbo: [75:08] Vis-à-vis o católico, ela é profana.
Nino Denani: [75:12] Sim. A minha filha é profana de tudo, ela é ateína, até ela não aprende nada, nem no que eu faço.
Eron Falbo: [75:16] Mas no seu exemplo, é vis-à-vis o catolicismo. Eu estou dizendo que pode ter alguém que é iniciado em uma coisa e é visto como profano em outra.
Nino Denani: [75:30] Por exemplo, hoje eu sou profano a Otto. Eu não participei da Otto. Então eu sou profano. Assim como você é profano de algum. Eu estou falando que não tem juízo de maluco.
Eron Falbo: [75:41] Eu, como um iniciado da Otto, te digo que você não é profano da Otto.
Nino Denani: [75:48] Enfim, a morte que a gente está falando aqui tem a ver com isso, tá gente? Você precisa morrer para um mundo para acordar no outro, beleza? Essa iniciação é representada inclusive em formatura de faculdade, tá? Você morre para o mundo normal e.
Eron Falbo: [76:03] Entra no Aí voltando pra sintetizar tudo, porque a gente tem que acabar o nosso tempo, infelizmente, porque a gente pode ser sabido que isso aqui vai durar pra sempre. Eu acho que uma ponte legal é essa parada, porque eu acho que tirando tudo que... Tirando o... Como é que chama? O Merrill. O líquidozinho que tem na espinha do assalto.
Nino Denani: [76:34] O líquido espinhal.
Eron Falbo: [76:36] Líquido espinhal. Tirando a essência da parada, o líquido espinhal da nossa conversa, o que a gente mais tocou e voltou nas analogias que existem para as pessoas poderem desmistificar o místico, é entender que, na verdade, o sagrado é profano. No sentido do que você acabou de falar, está na graduação que todo mundo faz, ou pelo menos todo mundo conhece, não é uma coisa iniciática, os arquétipos, as coisas que se participam dentro do mundo da magia, dentro do mundo do misticismo, está em tudo o que a gente faz. Se pode dizer que a sociedade, e isso é um assunto que eu gosto muito, é como você olhar para a sociedade como uma regurgitação dos magos. Tipo assim, tudo que deu errado na sociedade é onde os magos erraram.
Eron Falbo: [77:37] Mas assim, a sociedade só existe. Todas as hierarquias, todas as definições, as ciências, as religiões são o que foi diluído de conclavos, de reuniões entre magos, que era de um jeito e virou futebol, sacou?
Nino Denani: [78:02] Só quero deixar claro que a gente não quer dominar o mundo. Beleza?
Eron Falbo: [78:06] A gente já domina o mundo.
Nino Denani: [78:07] A gente tá não plantando o chip da besta em vocês, a gente não.
Eron Falbo: [78:11] Tá estabelecendo... Fale por você, fale por você. Não tá no seu grau, mas... Aí.
Nino Denani: [78:18] Começam as teorias da conspiração, né? É assim, a gente tem sim vontade de dominar o mundo, tá? E eu vou ser sincero com vocês, nós temos mesmo. Mas é porque toda a ordem de magos Como eu falei pra vocês, Algon tem a vontade de melhorar a humanidade através de aquisição e compartilhamento de conhecimento. Não ia ser legal? É claro que sim. O que eu quero deixar claro pra vocês é assim, as ordens de magia, ultimamente, elas não têm mais uma função de escravização, aprisionamento, cessação de liberdade. A gente quer o contrário. A gente quer promover pra você A liberdade. É isso que um mago é. Se um mago é livre, não tem como eu te escravizar. Eu preciso te deixar livre. Só que pra isso, você precisa de conhecimento. Você precisa ir na faculdade, fazer uma universidade, fazer uma pós-graduação. Você precisa adquirir conhecimento pra entender como é que a vida funciona. Estudar filosofia, ciência, sociologia.
Nino Denani: [79:18] A gente citou um monte de coisas hoje aqui, das mais diferentes áreas de conhecimento humano. Exatamente por quê? Porque é assim que você se liberta. Você vai ser livre, inclusive, pra se escravizar no que você quiser. Eu, por exemplo, hoje...
Eron Falbo: [79:32] Colher sua dualidade.
Nino Denani: [79:34] É, exato. Eu geralmente falo que mago é ativo até quando passivo. A gente muda até quando a gente não quer.
Eron Falbo: [79:42] Mas, enfim... Que machista.
Nino Denani: [79:43] Eu, por exemplo, saí completamente da linha de trabalho. Eu não vivo uma relação trabalhista. Eu tenho a minha produção de conteúdo aqui no canal, que eu curto. Eu faço as coisas que eu gosto.
Eron Falbo: [79:57] Ah, você faz coisa profana também? É? Você faz coisa profana também?
Nino Denani: [80:03] Ah, profana... Ah, faço, de vez em quando. Porque assim, cara, eu literalmente faço o que eu quero. Então, tipo, se alguém um dia me ligar e falar assim, ah Nino, você quer fazer, sei lá, trabalhar com design, que era o que eu fazia antes? Eu vou e trabalho, se você não tiver com vontade eu vou falar não. Ah Nino, você vai fazer não sei o que lá? Pô, se tiver, acho legal, eu vou e faço, tá ligado? Eu literalmente Faço o que eu bem entendo. Até com a minha filha, com os meus pais, a gente tem uma relação... Você tem uma ideia de como isso acontece, cara? Eu não vou muito mais segurar seu tempo. A gente aqui em casa, eu e minha filha, nós temos um nosso calendário. Então a gente não comemora os feriados que todo mundo comemora, nós comemoramos as datas em dias completamente diferentes. A minha filha sai de férias na escola em agosto, não é em julho, porque agosto ninguém tá de férias. Então, tipo, eu já ligo pra escola e falo assim, olha, na semana tal.
Eron Falbo: [80:58] A minha filha não vai vir, ela.
Nino Denani: [80:59] Tá por uma louca assim.
Eron Falbo: [80:59] Eu admiro. Vou fazer isso com os meus filhos também. Eu tenho um filho de 33 e uma filha de 51.
Nino Denani: [81:10] É, você fez o mesmo ritual que eu nessa ocasião. Eu entendi, Seu Cid. Mas, afim, o Ano Novo a gente comemora no dia 16 de Março.
Eron Falbo: [81:21] Pô, muito legal isso, cara.
Nino Denani: [81:23] É, a gente é livre, tá ligado? E eu proponho isso pra ela, eu acho que em algum momento eu vou dificultar a vida dela, mas por enquanto tá funcionando. A gente não quer dominar o mundo, tá gente? A gente quer que vocês sejam livres.
Eron Falbo: [81:37] Mas por um lado a gente já domina o mundo, você tá falando a gente em termos da sua ordem, mas em termos de magos no geral, quem retém, agora fazendo um reviravolta, não sei se é reviravolta a palavra certa, mas voltando pro começo da nossa conversa, Os magos, a função dos magos do mundo é a proteção do conhecimento. E as pessoas que protegem o conhecimento,.
Nino Denani: [82:06] Sim,.
Eron Falbo: [82:08] Administram esse mundo. De uma maneira ou de outra. Pode não ser um grupo, e eu realmente não acredito nisso, porque eu já fui maçom, todo mundo acredita que os maçons dominam o mundo, e quando você vai numa reunião de loja, não consegue nem pagar a luz. Então se não é exatamente um grupo X que se reúne, e domina o mundo, mas as pessoas que retém o conhecimento sim dominam o mundo. Isso é inegável. E as pessoas que retém o conhecimento, o nome delas é mago. Seja da SIA ou seja do Grande Oriente Místico, a gente está buscando o conhecimento que vai nos dar uma vantagem e não necessariamente em cima de outras pessoas, mas dá uma vantagem versus o que eu tinha ontem. Eu tinha uma vantagem ontem e hoje, porque eu aprendi certa coisa, eu tenho uma vantagem maior.
Eron Falbo: [83:15] E isso não necessariamente precisa ser horizontal, é vertical dentro do tempo. E isso é muito importante até para as próximas gerações de seres humanos, porque eu acredito na Guerra nas Estrelas, Jornada nas Estrelas, Star Trek. Eu acredito num mundo onde a humanidade inteira vai ser unificada. E aí a gente vai continuar, ainda vai ter magos. Ainda vai ter, independente de... Porque você começou falando que você tá certo e realmente historicamente foi assim, né? Já existiam tribos e nações, uma contra a outra, mas a gente não precisa de um inimigo pra ter o privilégio da informação, né? Porque às vezes a gente faz mal, tem coisas que você não fala pra sua filha porque vai fazer mal pra ela. Então você retém esse conhecimento porque vai fazer mal pra ela. Então, por amor, você retém o conhecimento.
Eron Falbo: [84:17] Na verdade, essa é a melhor forma. Tipo assim, eu costumo dizer, a forma mais esdrúxula, uma iniciação maçônica, por exemplo. Eu não te falo o que aconteceu, amarrar e botar... Tô brincando. Isso aí já tá na internet. Eu não falo os detalhes do que acontece. É uma inerção maçônica pra... Pra... Pra...
Nino Denani: [84:46] Pra... Pra... Pra... Pra... Pra... Pra... Pra...
Eron Falbo: [84:48] Pra... Pra... Pra... Pra... Pra... Pra... Pra... Pra... Pra... Porque você, tendo todo o impacto de não saber, faz parte do tanto de conhecimento que você vai adquirir naquela coisa. Porque se você já souber, já antecipar aquelas paradas todas, você vai entrar como um turista, entendeu? Entra no Riot de Xangai, entendeu? Você está indo para o Xangai, mas você está indo em um lugar assim que você já imaginou em Nova York. É por isso, então você vai se foder. Então se alguém te falar, eu vou te falar os segredos dos maçons, você fala, não fala, eu quero viver. Eu falo, não fala mesmo. Porque o cara não pode te falar, você tem que vivenciar aquela parada.
Eron Falbo: [85:50] Você não concorda comigo? Uma parte essencial.
Nino Denani: [85:53] Não, eu concordo. Eu não só concordo, cara, como isso tem viés psicológicos, né? A mesma experiência não macula duas pessoas da mesma forma. Ou, como a gente diz em ordens iniciáticas, você nunca mergulha no mesmo rio.
Eron Falbo: [86:07] E pra incrementar isso, só que o mesmo texto torna duas estrelas magníficas no mesmo imbecil. Se você acreditar na informação e não na experiência, se você acreditar na doutrina e não na experiência, você se torna igual. Está muito boa essa conversa, mas vamos encerrar.
Nino Denani: [86:34] Se eu puder deixar um último recado.
Eron Falbo: [86:35] Por favor. Eu queria também que você dissesse, depois do seu recado, Aonde te encontrar, aonde te dar dinheiro pra fazer...
Nino Denani: [86:45] Não, não, o recado é super rápido, gente. Toda vez que você se deparar com uma parede, quebra. Liberdade é isso. Claro que eu tô falando metaforicamente, não vai sair por aí derrubando o prédio, tá ligado?
Eron Falbo: [87:00] Disclaimer, senão eu vou mandar conta no Albuquerque.
Nino Denani: [87:07] Cara, aonde me encontrar, na verdade é bem fácil. Eu tenho um canal consideravelmente grande dentro do nicho que eu faço. E eu tenho diversas situações aí na internet, mas de qualquer jeito, o Nino Denani. Procura no Google que você vai achar meu Instagram.
Eron Falbo: [87:21] Mas que outras situações? Fala sobre o site da Ordem, se puder falar.
Nino Denani: [87:27] Bom, eu tenho todas as minhas histórias. Tenho meu site, inclusive, que junta tudo nele, que é o ninodenani.com.br. Eu faço trabalho público de educação mágica. Então eu tenho alguns trabalhos que são pagos. Eu tenho o Teoria da Magia, onde a gente reúne bastante gente do mundo mágico pra dar aula lá. E tem a Ordem do Grande Direito Místico, que é ogon.org. Diferentemente da maçonaria, onde você entra por indicação, a Ogon a gente tem dois processos seletivos por ano, que é em fevereiro e agosto. Então se você estiver interessado, entra lá, ogon.org.
Eron Falbo: [88:01] É só sacrificar uma virgem.
Nino Denani: [88:04] É, virgem não existe mais, cara. E tem também, a Ogon tem canal no YouTube também, onde alguns iniciados fazem vídeo lá pra promover a educação, essas coisas todas. Mas se você procurar Nino Denanilou Google, você vai achar tudo que eu faço. Eu sou figurinha fácil.
Eron Falbo: [88:24] Caramba, pô. É a, como é que chama? The Horror of Babylon. Cara, até que eu investi pesado na.
Nino Denani: [88:35] História da divulgação Então, por exemplo, a gente tá aqui na terça-feira, no sábado e no domingo eu fiz um evento nacional de magia e ocultismo Sei lá, com várias pessoas participando juntos, 12 nomes grandes da magia De diversas ordens de Terema, de Goetia, de magia noquiana Eu juntei tudo numa galera pra falar de.
Eron Falbo: [88:57] Coisas... Cara, eu vou até te pedir, assim, porque eu passei os últimos 10 anos praticamente, um pouco menos, mas sem uma contagem específica, mais dentro da cabala, mas eu vou até te pedir indicações, mas a gente daqui a pouco vai, se você puder esperar 5 minutos, Eu vou fazer uma última pergunta agora para você que a gente faz para todos os convidados e depois se puder esperar cinco minutinhos a gente conversa rapidinho. Nino, Essa vai parecer engraçada, mas é assim que eu normalmente pergunto. Se você tivesse uma varinha mágica, e pudesse mudar o mundo de alguma forma, hoje, o que você faria? Como é que seria e por quê?
Nino Denani: [89:55] Cara, eu acho que tem só uma coisa, que você precisa extrair do homem, do homem quanto espécie, para que o mundo mude, que é a preguiça. A preguiça intelectual, a preguiça de ação, a preguiça. Se eu pudesse ter esse poder de ter uma varinha, uma paqueta, como a gente chama, eu tiraria a preguiça. Eu acabaria com a preguiça do mundo.
Eron Falbo: [90:23] Muito bom, muito bom. Eu fico feliz que os brasileiros estão... Porque eu tive toda uma iniciação na Inglaterra. Mas eu fico feliz que os brasileiros estão tão elevados a ponto de usar baquetas como variológicas. Porque isso é um nível muito alto de não estar nem aí, né? Mas, Nino, eu queria te agradecer muito pela sua presença. Foi muito especial aqui nessa conversa, uma conexão muito boa que a gente teve. E só pra todo mundo saber, a gente não teve desavença em nenhum momento aqui. Foi uma troca muito bonita. E é isso. Obrigado. A gente se fala daqui a pouco. Forte abraço, cara.
Nino Denani: [91:08] Forte abraço.
Eron Falbo: [91:16] Então agora eu vou falar o que eu aprendi com Nino Denani. Antes de eu entrar nesse mérito, queria dizer só pra vocês fazerem as diretrizes da religião dos nossos tempos, que é seguir o Instagram, seguir o YouTube, Vocês já leram a bíblia dos nossos tempos, então não preciso repetir o que vocês precisam fazer. Me sigam, me venerem, e também o Nino Denani, por favor, sigam todas as coisas dele. Agora que eu lembrei que existem outras pessoas, porque agora a câmera só tá em mim. Então você já sabe o que fazer. E eu peço isso porque o que a gente tá fazendo aqui é de grátis. E pra gente poder ser sem amarras, sem as cordas no pescoço do demônio, que não é o demônio que a gente gosta de aprender, mas o demônio do demônio.
Eron Falbo: [92:25] Que é o Facebook, o Instagram, sem entregar nossa liberdade, isso que eu quero dizer, sem a gente entregar quem a gente é, os nossos princípios, o que a gente realmente acredita, o que a gente realmente quer fazer dentro da nossa vontade, das vontades, a gente precisa não ter muita tentação. Então, se vocês não me seguirem, O que vai acontecer é que esse programa vai fazer sucesso e eu vou vender pra Multishow. E tudo vai ser de menor qualidade. O Nino Denani provavelmente não poderia falar todas essas coisas que ele falou aqui hoje. Então é isso. Pelo seu próprio bem, nos siga. O que eu aprendi com o Nindenane hoje foi que primeiro eu tenho que voltar a confraternizar com ocultistas, porque é muito divertido. Segundo...
Eron Falbo: [93:25] Eu aprendi como a gente pode ser de coisas extremamente secretas ou privilegiadas e ao mesmo tempo ter um ar muito humilde, muito aberto, muito acessível. O Nino realmente tem esse... Desde que eu... Uma das razões que eu chamei ele aqui para ser convidado Foi porque eu vi isso, ele é muito entregue, muito aberto, e isso não é uma técnica, isso é um grau iniciático. Você chega nesse nível de, ao mesmo tempo, estar em um grau muito alto e estar conectado com um grau muito baixo, com grandeza, não é através de foguetes, não é através de corta caminhos, porque muita gente pode tomar cogumelo, como eu tomei, mentira, não tomei, pode tomar ayahuasca e comungar com os deuses.
Eron Falbo: [94:39] E o difícil é você fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Você manter o pé no chão e a cabeça no céu. E o Nino Denani claramente tem esse grau de comungar com os dois mundos ao mesmo tempo. É isso, nos assistam ao vivo toda segunda, terça, quarta, quinta e sexta, nove horas da noite. E nunca se esqueçam, a ignorância é a mãe de todas as doenças. Boa noite.
Episódio de No Alvo com Eron Falbo. Veja todos os episódios, Praise e Quotes.