Deputada distrital e advogada
Júlia Lucy é advogada e deputada distrital pelo Distrito Federal, autora de um livro sobre campanha e política.
Transcrição do áudio do episódio.
Eron Falbo: [0:00] Sejam bem-vindos, meus amigos! Aqui quem fala é o narrador de suas mais intensas emoções, Jerôme Vau. Vamos sair dos nossos tempos agora. Existem quatro elementos, quatro criaturas, quatro essências. Água, fogo, ar e terra. Vamos agora para o quinto elemento. Disciplinar-se para fazer o que sabe ser correto e importante, embora difícil, é o caminho mais alto para orgulho, autoestima e satisfação pessoal.
Eron Falbo: [1:06] Margaret Thatcher Go away from my windows Believe that you're on chosen speed I'm not the one you want, babe I'm not the one you need You say you're looking for someone Who's never weak, but always strong To protect you and defend you Whether you are right or wrong Someone to open each and every door But it ain't me, babe No, no, no, it ain't me, babe It ain't me you're looking for, babe Agora com vocês, senhoras e senhoras A jovem modelo botando velhos barrigudos pra correr no congresso A liberalice tradicional ao mesmo tempo A Ayn Rand do Brasil, Julia Lucy!
Júlia Lucy: [2:26] E.
Eron Falbo: [2:32] Aí, Julia, muito prazer, tudo bem? Não tô conseguindo te ouvir, acho que deve estar mutado.
Júlia Lucy: [2:39] Tô aqui vermelha com a sua descrição, apesar de vermelho não ser uma cor que eu goste, mas que eu costumo usar. Mas não mereço tanto.
Eron Falbo: [2:49] Deve merecer mais, o que a gente não conhece tão bem ainda. E aí, muito prazer te ter aqui, seja bem-vinda. É uma honra ter alguém como você, tão jovem, tão preparado. Eu acompanho alguns dos seus conteúdos no geral, suas lives, seus posts. E assim, você escreveu um livro já também sobre pessoas novas na política. Vou querer saber sobre tudo isso.
Júlia Lucy: [3:19] Tá bom. Vamos lá.
Eron Falbo: [3:22] Vamos lá.
Júlia Lucy: [3:22] Que vinho é esse que você tá tomando?
Eron Falbo: [3:24] Esse aqui é um... Caber nesse avião é um grande bodegão. É daquele clube Wine. Não sei se chega aí no Brasil.
Júlia Lucy: [3:33] Não, como assim?
Eron Falbo: [3:37] Não sei, tem algumas coisas que é só em São Paulo, outras coisas que é no máximo São Paulo e Rio, né? Mas tem isso aí, não?
Júlia Lucy: [3:46] Tem, tem vários.
Eron Falbo: [3:48] Cara, Brasília tá muito luxuosa, cara. Toda vez que eu vou aí, tá aparecendo sei lá o quê, cara.
Júlia Lucy: [3:54] Na realidade, é o maior IBH do Brasil, né?
Eron Falbo: [3:59] Mas, pô, eu cresci em Brasília, né? Você sabe, eu sou de Brasília também.
Júlia Lucy: [4:05] Não, eu não sabia.
Eron Falbo: [4:07] É, eu sou de Brasília, eu cresci em Brasília. E não era assim, basicamente, né? Era mais capenga.
Júlia Lucy: [4:15] É, e a tendência é o gosto ficar cada vez mais refinado, ainda mais agora depois do Covid, tem muita gente que passou a não sair mais, não querer viajar mais, então é natural que se busque serviços de maior qualidade, ser produtos e serviços. Então é uma tendência que veio pra ficar mesmo aqui em Brasília.
Eron Falbo: [4:38] Então tá, que bom. Eu fico feliz, cara, sinceramente eu tô feliz com o Brasil, mas você é daí também, né?
Júlia Lucy: [4:44] Não, eu sou mineira.
Eron Falbo: [4:45] Ah, mas você passou muito tempo aí, não?
Júlia Lucy: [4:48] Sim, eu cheguei com oito anos.
Eron Falbo: [4:50] Ah, Bateu fé. Você estudou aonde mesmo?
Júlia Lucy: [4:53] Olha, eu estudei na Fundação Bradesco, não sei se você conhece, e no Sigma, ensino médico no Sigma.
Eron Falbo: [5:02] Bateu fé, eu estudei na escola americana, daqueles alienados malucos.
Júlia Lucy: [5:09] Eu estudei com algumas pessoas da escola americana na UNB.
Eron Falbo: [5:14] Ah é? Tipo quem?
Júlia Lucy: [5:16] Tipo Natália Souza.
Eron Falbo: [5:19] Natália Souza?
Júlia Lucy: [5:20] Natália Souza. Morou um tempo na França.
Eron Falbo: [5:24] Deve ser uma de uma série mais baixa que eu. Você deve ser mais nova que eu.
Júlia Lucy: [5:28] Não sei. Eu sou de 85.
Eron Falbo: [5:31] Ah, eu também, ué. Então deve ser uma série abaixo. Acho que eu sei com quem você tá falando, mas deve ser uma série abaixo que a minha.
Júlia Lucy: [5:36] É, a Nathalia, ela é bem alta, e aí ela fez ciência política comigo, e passou um tempo na França, depois agora tá na Espanha, casou por lá, mas assim, ela era, não tinha nada de alienada, era uma pessoa incrível.
Eron Falbo: [5:51] Ela é exceção.
Júlia Lucy: [5:56] Não posso falar pelos outros, mas ela foi um bom cartaz colabericano.
Eron Falbo: [5:59] Você tá com cara de reconhecer a gente, a gente é colabericano que segue a regra, mas tudo bem. Bom, mas, cara, acho que talvez eu vou inaugurar falando do porquê eu escolhi essa música. É uma música do Bob Dylan, que o nome da música é It Ain't Me, Babe, né? Tipo, não sou eu. E a letra é maravilhosa, que é tipo, falando, se você quer que eu não erre, se você quer que eu te trate bem, mesmo você sendo babaca, tá falando pra uma mulher, né? Tá falando, não é comigo, entendeu? Pode procurar outra pessoa. E eu acho que isso é legal, porque enquanto a gente tá vivendo uma revolução cultural, que as mulheres estão se empoderando, mas por um outro lado também estão ficando... Algumas mulheres estão ficando cada vez mais... Porque estão recebendo mais direitos e um pouco menos responsabilidades do que tinham em algum outro momento. Algumas estão usando isso pelo bem, pelo lado da luz, como você, e outras mulheres estão ficando um pouco suportáveis.
Júlia Lucy: [7:01] Eu concordo com você. Eu não sei se a explicação é estar recebendo mais direitos, mas eu concordo que Até mesmo em relacionamentos.
Eron Falbo: [7:13] Até outro dia eu não podia votar, sacou? Então tá rezando mais direitos, tá recebendo assim.
Júlia Lucy: [7:17] É, tem...
Eron Falbo: [7:18] Tô dizendo no geral, né? O feminismo tem coisas boas, tá lutando por coisas que são... Que têm acontecido, né? Não tô falando que chegou no melhor momento, não tô falando nada disso. Não tô falando que tá igual, que não tem nenhuma pauta, eu tô falando que, pô, venho melhorando, graças a Deus. É, só isso. Mas desculpa, te cortei.
Júlia Lucy: [7:38] Se a gente até analisa o direito do voto aqui no Brasil, a gente observa que não foi necessariamente uma conquista feminina. A primeira mulher que votou, ela votou porque o marido dela fez o registro dela no cartório. Então, aqui no Brasil, a gente ainda tem muito que caminhar. E aí existe uma confusão entre lutar por uma autonomia, por uma liberdade e permanecer feminina. Eu trabalho muito com essa pauta, até mesmo porque eu quero mostrar para as mulheres que não é necessário abrir mão da feminilidade e do seu papel de mulher, né? Porque eu, por exemplo, sou uma mulher forte e eu gosto de homens fortes, né? Eu gosto de homens que entendem que ele é homem, eu não quero um homem que não entende o papel dele. Então, eu acho que é um momento de transição que não é muito fácil. Muitos homens também se perdem nesse papel.
Júlia Lucy: [8:39] Ah, mas se eu for cavaleiro, então eu tô sendo machista? Não, você não está sendo machista se você for cavaleiro. Se você abrir a porta do carro pra mulher descer, se você se oferecer pra pagar a conta do restaurante. Isso não significa uma diminuição do avanço que a mulher teve. Ah, mas eu vou me oferecer, eu não vou deixar a mulher pagar a conta, ela vai se sentir ofendida. Sinceramente, se a mulher se sente ofendida com isso, eu acho que tem muito autoestima aí que ela precisa recuperar.
Eron Falbo: [9:08] Total. E eu também acho assim, se uma mulher vim trazer café da manhã na cama pra mim, eu não acho que ela tá sendo menos forte. Tá sendo submissa.
Júlia Lucy: [9:18] Não!
Eron Falbo: [9:20] Inclusive, só uma mensagem para todas as mulheres aí que estão me escutando.
Júlia Lucy: [9:26] De forma nenhuma, de forma nenhuma. Você cuidar e ter gestos de delicadeza é importante em qualquer relação.
Eron Falbo: [9:34] Você tem que ter muita autoestima pra você não achar que você não pode entrar dentro de alguma ideologia de grupo, alguma identidade que outras pessoas vão pensar. E a verdade é que você tem que pensar o que você realmente acredita ou não, o que você quer fazer ou não. Porque tem muita mãe que quer ficar em casa sendo mãe e outras mulheres não deveriam julgar isso.
Júlia Lucy: [9:56] Claro que não, de jeito nenhum. Eu acho que ninguém tem que julgar. Sendo uma escolha... E sendo uma escolha livre, não uma coisa que foi imposta, a gente tem que defender isso, porque significa a pessoa vivendo de acordo com o propósito dela, e quanto mais pessoas vivendo de acordo com o seu propósito, mais a gente tem uma sociedade mais feliz, mais pacífica. O problema que eu vejo hoje, pessoas absolutamente desconectadas do seu propósito, vivendo ali naquele modo de acorda, come, deita, dorme, trabalha, acorda, deita, dorme, trabalha, uma situação animalesca, que ela não se realiza naquilo nem do ponto de vista pessoal nem do ponto de vista para a humanidade. Então a gente vê uma sucessão de mediocridade nas vidas das pessoas e é natural que a gente como país esteja tão atrás de outros países que já encararam a necessidade de permitir as pessoas serem o que elas são. Aqui no Brasil, por exemplo, alguém que nasce artista dificilmente consegue levar adiante esse talento inato.
Júlia Lucy: [10:59] Isso é muito triste. Então você vê uma série de artistas frustrados trabalhando em áreas burocráticas, são péssimos funcionários onde estão, entendeu? E a gente como humanidade perdeu muito por não ter aquele talento explorado. E por aí vai outros exemplos também.
Eron Falbo: [11:14] Total. No Brasil, especialmente, tem essa coisa de um pouco de passividade, Na verdade, eu acho que na geração inteira, mas no Brasil especialmente, porque o Brasil está vivendo isso politicamente há muitas décadas já, que essa coisa do governo ser grande demais. Você deu um partido novo, que eu imagino que defenda um Estado mais mínimo no geral, e eu acho que o Estado brasileiro é semi-totalitário.
Júlia Lucy: [11:43] Totalmente.
Eron Falbo: [11:44] Os tentáculos do Estado. É porque eu acho que muita gente se confunde com rótulos e títulos e tudo mais. Por exemplo, o Brasil é a federação do Brasil, mas não tem nada federativo no Brasil. Totalmente centralista, unitário. Então, às vezes, as coisas que se divulga e se fala... Igual a república. Tipo assim, as repúblicas da América Latina quase todas são ditaduras. Foram historicamente ditaduras e aos poucos foram se tornando mais para inglês ver, uma coisa assim oligárquica que deixa qualquer pessoa entrar na presidência aparentemente. Então assim, eu acho que no Brasil especialmente, já que o Estado está com os tentáculos em todas as áreas da sociedade, as pessoas acabam olhando para o Estado como um pai rico, como uma coisa assim, se o Estado não fizer, eu nunca vou fazer. E isso é um problema muito sério. Eu queria até te perguntar, que você deve ter pensado muito sobre isso, para você qual é a solução?
Eron Falbo: [12:49] Obviamente em termos simples, se você tivesse todo o dinheiro do mundo, se tivesse uma varinha mágica, pra poder mudar alguma coisa sustentável. Não tipo assim, pô, vou consertar o Brasil. Mas algo assim, como que seria o retrato de um Brasil totalmente mudado, se você tivesse uma varinha mágica?
Júlia Lucy: [13:06] Olha, a varinha mágica seria pra colocar uma constituição em chuta, E assim, uma constituição que coloca como valor primordial a liberdade, porque realmente eu penso sobre saídas para todos os problemas e eu sempre chego à mesma conclusão, é liberdade. Quanto mais a gente colocar liberdade, quanto mais o indivíduo ter autonomia, mais o indivíduo consegue, por meio da organização coletiva, buscar as melhores soluções. Isso é em todas as pautas. Eu posso te falar, é na pauta ambiental, é na pauta da ciência e tecnologia, é na própria pauta da educação. Por isso eu lutei muito para aprovar aqui o projeto Homeschooling no Distrito Federal. Eu sou uma das autoras do projeto. Primeiro estado, o DF não é estado,.
Eron Falbo: [13:55] Mas vamos chamar de estado.
Júlia Lucy: [13:57] É o primeiro lugar da federação que conseguiu regulamentar isso, que na minha opinião já deveria ter sido regulamentado.
Eron Falbo: [14:04] Já está regulamentado aí?
Júlia Lucy: [14:06] Já, a gente aprovou aqui no DEC, já é autorizado.
Eron Falbo: [14:09] Vamos morar em Brasília.
Júlia Lucy: [14:11] Exatamente foi a primeira unidade da federação essa discussão ainda está sendo feita no Congresso outros estados já conseguiram mas a gente conseguiu o ano passado muito os outros estados também foram inspirados na nossa ação aqui. Então quanto mais liberdade a gente gera competição a competição traz inevitavelmente melhores resultados. Então eu acho que liberdade combinada com uma constituição enxuta, a gente conseguiria ter uma sociedade melhor.
Eron Falbo: [14:39] Bom, já que a gente não tem varinha mágica, eu só queria dizer uma coisa, que pra mim, eu ia falar mesmo, até quando eu conversei com o Cristóvão Buarque, eu que tive que dizer da reconstituição. Mas você falou, sem eu ter que dizer, que essa, pra mim, é a pauta principal da solução do Brasil. Pra mim, tem duas soluções do Brasil. Ou Miami, ou ir pra Miami ou Portugal, ou mudar a Constituição.
Júlia Lucy: [15:03] A gente tem que mudar o Brasil, não é?
Eron Falbo: [15:08] Tô contigo, tô aqui também. Tamo junto, irmã. Relaxa, tô brincando. Mas eu acho que tem um outro passo, que na falta da varinha mágica, que está em falta na pandemia, não está tendo importação.
Júlia Lucy: [15:22] Está girando escassez.
Eron Falbo: [15:23] Eu acredito que a gente tem uma coisa que é essencial, que é candidaturas independentes. Candidatura sem partido. Com todo respeito ao seu partido, é um partido que eu admiro. Mas assim, para poder sair das oligarquias, das máfias dos partidos e ter votação que vá fazer uma Constituição justa, que tenha chance de fazer uma Constituição justa, a gente tem que repopular o Congresso sem as máfias.
Júlia Lucy: [15:50] É, concordo. Inclusive, a candidatura independente é uma das pautas do partido novo. A gente luta por isso.
Eron Falbo: [15:57] É só autodestrutivo.
Júlia Lucy: [15:58] É, mas é isso mesmo, o partido hoje no Brasil ele nada mais é do que uma instituição criada para intermediar candidaturas e pegar o dinheiro público e centralizar o dinheiro público na mão do dono do partido. É isso, o partido é isso. E por isso eu estou no Novo, porque o Novo não usa dinheiro público e nós não temos um dono, então faz muita diferença. Você está num partido que tem o conjunto de premissas, então de um parlamentar do partido novo você pode esperar um conjunto de princípios para a atuação dele. A gente vai lutar pela redução de imposto, a gente vai lutar pela redução de burocracia, a gente vai lutar pelo aumento da liberdade das pessoas cada vez mais, pela autonomia do indivíduo, São coisas a se esperar de nós, porque são premissas nossas, mas assim, o novo não me liga para falar assim, olha, Julia, nesse projeto você vai votar desse jeito, porque eu já negociei aqui um cargo e aí eu vou pegar o ministério para eu pegar o ministério, você vai acompanhar na pauta tal, tal, tal, isso não existe, entendeu?
Júlia Lucy: [17:08] Eu tenho autonomia para analisar o projeto e decidir como vou votar. Então, isso é muito raro, eu não vejo os outros partidos dando essa liberdade para os seus representantes. Montagem de gabinete também é outro ponto extremamente importante, geralmente o partido ele roteia o gabinete do parlamentar, coloca fantasma, aí o fantasma não trabalha, então o parlamentar não consegue elaborar projeto de lei com qualidade, não consegue se posicionar com qualidade, então a gente perde muito como república. Se você me perguntar, você acha que vai ter alguma reforma eleitoral por agora para acabar com os partidos? Não, pelo simples motivo que eu te expliquei.
Eron Falbo: [17:47] Mas o Rodrigo Mezoma, você conhece o Rodrigo Mezoma? Ele está loucado por candidaturas independentes e a última notícia que ele me deu é que está no STF, última instância, que está quase conseguindo É, aí se.
Júlia Lucy: [18:03] For uma decisão do Supremo, pode ser. Agora se depender de uma reforma eleitoral para isso...
Eron Falbo: [18:08] Não, não, acho que não é por reforma. O que ele está fazendo, na verdade, é porque o Brasil assinou um tratado, esqueci o nome agora, mas... Para quem estiver assistindo, assistam a nossa entrevista. Eu e o Rodrigo Mezomo, lá tem todas as informações. Mas eu fiz uma entrevista com ele e ele deixou isso claro. Ele falou que no Brasil tem um tratado internacional que assinou e, tecnicamente, a gente é obrigado, por lei internacional, a ter candidatura independente. Aí ele foi atrás dessas coisas super difíceis, imagina, fazer um processo internacional para...
Júlia Lucy: [18:44] É, se for tratado de direito humano e tiver entrado aqui no Brasil com três quintos em dois turnos, ele tem status de emenda à Constituição. Aí, nesse caso, o Brasil realmente se obriga. Então tomara que...
Eron Falbo: [18:58] Eu não sei o que você acabou de falar, mas eu boto ferro. Deve ser.
Júlia Lucy: [19:02] Porque o Brasil não se submete à legislação internacional, não somos absolutamente autônomos, mas se o Brasil ratifica um tratado internacional e esse tratado trata de direitos humanos e ele tenha sido recepcionado no Brasil em dois turnos de votação no Congresso com aprovação de três quintos, dos membros, então ele passou pelo mesmo critério de uma emenda constitucional.
Eron Falbo: [19:29] Deve ter sido uma parada assim. Eu não sabia que esse era o due process aqui do Brasil.
Júlia Lucy: [19:36] Para ter status de emenda constitucional é.
Eron Falbo: [19:39] Deve ser isso. Toda lei que o Brasil entrou deve ter sido em pleno reconhecimento, auto-reconhecimento.
Júlia Lucy: [19:53] É porque você pode simplesmente reconhecer por meio de uma votação simples ou você pode passar por esse procedimento que eu citei que é bastante difícil, que é o mesmo exigido por uma emenda constitucional. Então se ele passa por esse processo de emenda, ele entrou na Constituição brasileira. Entendeu? Então ele tem status constitucional, então tomara que seja respeitado.
Eron Falbo: [20:16] Pessoal, anota aí essa questão aí pra gente depois perguntar pro Rodrigo Mezoma. Eu vou até fazer outra entrevista com ele. É porque é um assunto assim, ele que eu saiba é o maior militante. Dessa questão que eu conheço. Então é legal, ele tá sempre muito entormado nesse assunto, até vale a pena seguir ele no Instagram, ele tá sempre soltando notícia.
Júlia Lucy: [20:45] Ah, eu vou seguir sim. Mas eu concordo com você. E essa alteração que estão discutindo agora de ser o distritão, que vai entrar quem tiver mais votos, É interessante, quando eu estudava ciência política, eu era favorável. Agora que eu estou como parlamentar, eu sou contra. Eu acho que se a gente colocar as pessoas que tiveram mais votação, nós vamos ter um mesmo segmento, sempre o mesmo segmento. Aqui em Brasília, por exemplo, você vai ter a maioria sendo dono de empresa de terceirização. Se não for dono de empresa de terceirização de serviço, vai ser pastor.
Eron Falbo: [21:24] Mas como é que funciona isso? Me explica melhor, porque eu não sei dessa diferença.
Júlia Lucy: [21:30] Olha, para eleger cargos proporcionais, vereador, deputado estadual ou deputado federal, não é necessariamente o mais bem votado que vai ocupar a cadeira. Para você chegar na pessoa que vai ocupar a cadeira, você passa por dois cálculos. Primeiro, você utiliza o coeficiente eleitoral, que você pega o número de votos válidos, ou seja, você exclui os nulos e os em branco, você pega o número de votos válidos e você divide pelo número de cadeiras. Então aqui em Brasília, por exemplo, o coeficiente eleitoral foi de 60 mil votos, aproximadamente 60 mil votos. Então para um partido ou uma coligação fazer uma cadeira para deputado distrital, ele tinha que ter 60 mil votos. Esse foi o caso do novo, a gente atingiu esse número. E aí depois é que você vai ver dentro da coligação, você vai ver quem foi o mais bem votado, aí você entra no coeficiente partidário, entendeu?
Júlia Lucy: [22:37] Você pega o coeficiente eleitoral e você divide pelo partido, pelo número de partidos que está ali, você chega no coeficiente partidário para poder definir quem vai sentar na cadeira. Então é um cálculo que permite que não necessariamente os mais bem votados, em termos absolutos, ocupem cadeiras. É o meu caso, por exemplo. Se você fosse pegar só os mais bem votados, eu não seria deputada hoje. Eu fui, eu estou deputada por causa desse cálculo que tem como premissa a representação de minorias também. Porque se você não tiver esse cálculo, você vai ter uma representação de maioria. É um caos. Se você prima pelo maior número de votos, você necessariamente acaba instituindo uma ditadura da maioria.
Eron Falbo: [23:25] E só pra quem não tá sabendo, a Julia tem um livro que é pra amadores na política, pra pessoas iniciantes. Qual o nome do seu livro mesmo? Tem aqui escrito em algum lugar.
Júlia Lucy: [23:39] Manual do Candidato de Primeira Viagem, do Anonimato ao Mandato.
Eron Falbo: [23:44] Que bonito. Por isso você sabe todas essas coisas que nenhum outro deputado sabe.
Júlia Lucy: [23:50] É, geralmente não sabem, menos não.
Eron Falbo: [23:54] Então, explica pra gente que eu acho que muito legal isso, cara, porque eu até já pensei, é porque eu sou cara de pau pra caramba, mas eu não sou cara de pau o suficiente pra ser político.
Júlia Lucy: [24:03] É, entendi você mesmo.
Eron Falbo: [24:04] Então, eu até, tipo assim, pensei em momentos da minha vida em entrar na política, E eu gostei do fato, acho que a primeira vez que eu te descobri na internet, eu vi que você tinha escrito esse livro e achei muito legal isso, porque eu tava até precisando disso. Não cheguei a comprar seu livro, mas agora que eu lembrei que você tinha escrito esse livro, eu... Bom, prometeu uma palavra forte, mas eu vou manter em mente e gostaria mesmo de ler esse livro, ainda mais agora vendo que você é tão preparada e tem essas coisas na ponta da... Você não tem script aí não, né? Porque você falou direitinho os conceitos. Não, não, não.
Júlia Lucy: [24:45] Não, não, não tenho, não. É, mas o livro é bem interessante mesmo, vale a pena, inclusive a primeira edição dele tá esgotada, então quem quiser comprar o livro é só na Amazon, mas eu vou fazer uma reimpressão dessa primeira edição agora em breve, até porque eu tô com uma demanda muito grande, mas eu vou fazer o lançamento dele em Brasília, até queria convidar você O lançamento vai ser em outubro. Até agora eu não lancei em Brasília, eu lancei só em outras cidades, porque o ano passado foi um ano de eleição municipal, então eu viajei o Brasil fazendo palestras sobre política para engajar mulheres também. Inclusive eu te digo, se você já sentiu isso alguma vez na sua vida, eu escutaria o coração e seria candidato. Porque não é à toa que essa vontade nasce e é um processo de extremo enriquecimento, sabe? É um estágio de como ganhar habilidades.
Júlia Lucy: [25:47] Uma campanha política é um... Não existe nenhum MBA, não existe nenhum curso que vai te dar tanto conhecimento em tão pouco tempo como uma campanha. Inclusive como ser um bom cara de pau.
Eron Falbo: [25:59] Mas isso sou há muito tempo, então.
Júlia Lucy: [26:00] Tipo... Então, você já tá na frente.
Eron Falbo: [26:03] Já to treinando aí, porra, há muito tempo. Na verdade, não sei se você sabe disso, mas minha família inteira é indiretamente da política. Minha avó já foi chefe de gabinete de três presidentes. Minha mãe já foi chefe de cerimonial do Senado. Meu pai gerenciava o hotel mais importante de Brasília, então tinha muito lobby, né? Muito, literalmente, lobby, né? No lobby do hotel. No restaurante panorâmico do Hotel Heron, não sei se você já ouviu falar do Hotel Heron, mas até os anos 80 era o hotel mais Era o único boate que existia em Brasília.
Júlia Lucy: [26:47] Então o lobby era completo, então.
Eron Falbo: [26:51] É lá que o Juscelino Kubitschek fez sua última festinha antes de morrer. Então tem várias coisas legais. Inclusive o hotel nasceu antes de mim, então eu era conhecido como o homem hotel. Eu tinha essa... Eu vim depois do hotel, então... É meio triste esse filme familiar. Não, tô brincando. Meu tio. Meu tio era herói também, então foi por causa do meu tio, não por causa do hotel que eu tenho esse nome. Mas, então, eu tenho um pezinho na política e aprendi, entendeu? Como sambar dentro de Brasília. Mas vale a pena.
Júlia Lucy: [27:33] Vale a pena, sim. Eu acho que vale super a pena. Agora você tá no Rio, né?
Eron Falbo: [27:38] Tô no Rio, é. E o que você acha que é um cargo pra mim?
Júlia Lucy: [27:40] Você pode ser candidato aí ou em Brasília.
Eron Falbo: [27:43] Oi?
Júlia Lucy: [27:43] Você pode ser candidato tanto no Rio como em Brasília.
Eron Falbo: [27:46] Ué, mas se tem homeschooling em Brasília, eu acho que eu vou pra aí.
Júlia Lucy: [27:48] Ai, tá mesmo? Eu concluí segundo grau?
Eron Falbo: [27:53] Eu concluí.
Júlia Lucy: [27:54] Ai, meu Deus.
Eron Falbo: [27:58] Isso teria sido surpreendente. Mas eu comprei o diploma, na verdade, que eu fiz CETEB, sabe?
Júlia Lucy: [28:03] Sei. Então, eu acho que o CETEB deve me odiar, porque pra todos os estudantes homeschoolers, o CETEB sempre foi a saída, assim, pra pegar o diploma ali e poder fazer a matrícula na faculdade. Então, acabei com o mercado deles.
Eron Falbo: [28:19] Boa. Pô, eu teria sido muito mais feliz fazendo homeschooling, cara. Porque a razão que eu larguei a escola foi porque eu já tinha zerado a escola e ainda tinha que ir pra escola.
Júlia Lucy: [28:30] Porque é uma indústria Não é focado na educação, no engrandecimento de ser humano, é uma indústria.
Eron Falbo: [28:38] A universidade também, by the way.
Júlia Lucy: [28:40] Não, principalmente, a universidade é outra grande indústria, mas o mercado é muito soberano, o mercado já entende que não é requisito mais faculdade, não é garantir, ah, fulano é formado em tal lugar, então ele vai ser bom. Não, geralmente é o contrário.
Eron Falbo: [29:00] É o mercado que está começando... Tipo assim, eu morei quatro anos na Inglaterra. Na Inglaterra é bizarro, meu irmão é formado em história, sacou? Gente que é formada em história é maconheiro no máximo, sacou? Tipo, com todo respeito aos maconheiros, mas no máximo, eu estou falando. Você pode ser, hoje, empreendido a ser maconhista, então não tem problema. Agora, aqui no Brasil você fez história para poder fumar mais maconha Como é que chama? No CA? Como é que é o paradigma? Mas meu irmão foi formado em história e hoje ele é diretor de uma empresa de marketing dinamarquesa, sacou? Então, tipo, nada a ver. Aqui no Brasil tá começando ainda essa parada.
Júlia Lucy: [29:43] Quando eu fui recrutar também, no início eu recrutava, falava assim, ah, eu quero diploma nas áreas tais, tais, tais. Agora não exige mais nada.
Eron Falbo: [29:51] Pô, eu exijo filosofia, tem que ser formado em filosofia, senão... Não, tô brincando. Aqui ninguém tem diploma, aqui é todo mundo vagabundo. Né, gente?
Júlia Lucy: [30:00] Rebeldes do sistema.
Eron Falbo: [30:03] Não, tô brincando, eu sou aqui, Harvard. Mas vamos falar mais sobre o seu livro. Eu queria saber, primeiro, qual foi a motivação pra você escrever isso? É sua primeira viagem, né? Com política, não?
Júlia Lucy: [30:20] Sim.
Eron Falbo: [30:20] E como é que você já chegou como deputada, Pombas?
Júlia Lucy: [30:23] Aí que tá o segredo do livro.
Eron Falbo: [30:26] Vai ter que comprar o livro.
Júlia Lucy: [30:28] Vai ter que ler, vai ter que comprar. Olha, quando eu comecei a candidatura era totalmente improvável, né? Ninguém imaginava. Ai, ela tem chance, ela tem chance. Só que falta muita leitura para as pessoas, né? E aí Maquiavel, que é o maior gênio político de todos os tempos, ele sempre falava, né?
Eron Falbo: [30:51] Você tem que ir com infortuna.
Júlia Lucy: [30:54] Não, Maquiavel, amo. E é bem essa ideia mesmo. Se você, no momento correto, né, que é a fortuna, você tem as características necessárias, que é virtu, você tem uma mistura perfeita para qualquer projeto deslanchar. Então, o ano de 2018 foi um ano, do ponto de vista eleitoral, que a sociedade clamava por novas pessoas na política, que iriam necessariamente outsiders, sabe? Então, eu fiz a leitura desse momento, A sociedade em 2018 e agora também quer muitas mulheres, entendeu? Hoje você ser mulher é um ponto super positivo por ser candidato, porque a população confia mais em mulher. E o trabalho que nós estamos fazendo, de muito resultado, também está convencendo aquelas pessoas que não botavam fé. Ah, porque mulher não vai dar conta de tocar. Não, a gente já está conseguindo convencer de que a gente chega e resolve. Então, toda essa leitura e está dentro do Partido Novo também.
Júlia Lucy: [31:58] Fiz uma leitura do cenário aqui do DF. Eu vi que tinha chance de a gente fazer uma bela campanha. Realmente, eu não esperava que eu fosse ganhar, mas de fazer uma campanha exemplar, eu sabia que eu ia conseguir fazer. Então, eu revelo a estratégia que eu usei no meu livro. Eu gastei R$29.600 na minha campanha.
Eron Falbo: [32:18] Do seu bolso?
Júlia Lucy: [32:20] Não, do meu bolso foi só R$9.000. O resto, eu fiz vaquinha virtual, eu tive um doador maior e tal, mas.
Eron Falbo: [32:28] Assim, Não, Botafel, mas foi de seu incentivo. Tipo assim, não foi, sei lá, de empresas?
Júlia Lucy: [32:35] Não, pessoa física.
Eron Falbo: [32:36] Oligarquias?
Júlia Lucy: [32:38] Oligarquias, não. Agora as oligarquias estão atrás de mim, agora.
Eron Falbo: [32:44] Eu tenho uma só oligarquia.
Júlia Lucy: [32:46] Por quê? Porque a oligarquia, ela vai pôr dinheiro em quem ganha. Entendeu? Essa é uma lógica também da escolha do voto no Brasil.
Eron Falbo: [32:57] E você vai ser reeleita? Você tá com esse sentimento?
Júlia Lucy: [33:01] Pra reeleição a chance é muito grande de eu ser reeleita. Eu tô, na realidade, estudando pra outros cargos, né?
Eron Falbo: [33:08] Tipo presidente?
Júlia Lucy: [33:09] Olha, todo político que se preza pensa em chegar na cadeira presidencial.
Eron Falbo: [33:17] Principalmente o Frank Underwood.
Júlia Lucy: [33:22] Exato. Então, aí eu expliquei como foi a estratégia da minha campanha. O livro, ele é escrito numa linguagem de startup. Então, na realidade, não é para montar uma campanha política, é para desenvolver um projeto. O livro é sobre gestão de projetos. Então, fala sobre gestão de pessoas, gestão de processos, gestão de RH, gestão de marketing, para qualquer projeto. Por isso que ele está sendo tão comprado, porque vários empresários e responsáveis por empresas, depois de terem lido o livro, começaram a recomendar para os seus funcionários. Então, assim, é muito legal mesmo, a gente na Amazon, nós somos o segundo mais vendido na categoria, Então, e olha que eu não tô investindo em divulgação, não tô fazendo campanha de venda, eu até dei uma parada recentemente porque é muito trabalho pra fazer. Mas a motivação foi ajudar pessoas de fora da política a chegarem na política. Porque todo mundo fala, se você não tiver dinheiro, você não chega.
Júlia Lucy: [34:24] Se você não tiver parente na política, você não chega. Se você não tiver disputado cinco eleições, você não chega. E a gente quebrou esses paradigmas, entre outros. Mas esses, os principais foram quebrados. Então, eu falo, olha, eu fiz isso.
Eron Falbo: [34:39] E eu, o que eu faço?
Júlia Lucy: [34:40] Isso aqui deu errado.
Eron Falbo: [34:43] O que você recomenda que eu faça para entrar na política? Como é que eu sei o que é o cargo certo, qual que é o partido certo, como é que eu começo?
Júlia Lucy: [34:55] Primeira coisa, você tem que ter um propósito muito claro dentro de você. Porque todo o resto gira em torno do propósito. Até o seu autoconvencimento. Porque não existe um candidato capaz de tirar um voto se ele mesmo não está consciente de que ele é o melhor candidato.
Eron Falbo: [35:14] Comece com o porquê.
Júlia Lucy: [35:17] Não, exato. Então, assim, eu lidei com vários candidatos ao longo da minha campanha que, caramba, era nítido que ele não acreditava nele, entendeu? Então, assim, eu ia para alguns debates e aí eu fazia rapidamente ali a leitura corporal de quem ia debater comigo, principalmente mulher. Na minha apresentação, eu já saía vitoriosa do debate, porque eu já percebia a insegurança delas, que geralmente eram debates só de mulheres, e eu me utilizava dessa insegurança delas para botar uma banca muito grande, de que eu era mais bem preparada, de que eu ia ganhar, e eu ganhava o debate. Então, a primeira coisa é um propósito muito claro dentro de si. Vocês têm que estar convencidos para você convencer as outras pessoas a te apoiarem na campanha. Você precisa mostrar que você vai ganhar.
Eron Falbo: [36:08] E o que você recomenda pra pessoa buscar esse propósito? Porque assim, eu acho que muita gente que tá entrando na política, assim como Platão já dizia, tá entrando pelas razões erradas, tá entrando porque quer aparecer, quer ter poder, porque a emasculava, castrava, e agora ele quer provar pro mundo que ele tem pinto. Mãe... Então tem esse tipo de problema na política no geral. Como que a pessoa descobre propósito se ela não tem propósito nenhum, como a maioria dos políticos do Brasil? Aí que tá.
Júlia Lucy: [36:42] Eu não acho que exista razão errada. Toda razão é válida. Ela só precisa ser real para você e você precisa saber comunicar a sua razão. Então se interiormente a pessoa fala assim eu quero ser conhecido eu quero me tornar famoso. Esse pode ser o propósito da pessoa. Agora ele precisa conseguir vender isso. Para que as pessoas enxerguem nisso um valor para poder votar nela.
Eron Falbo: [37:08] Mas você não acha que um propósito verdadeiro, um propósito que realmente motive é uma coisa que você precisa ter coragem para enfrentar, para descobrir até, porque às vezes é o curso de você... Com certeza!
Júlia Lucy: [37:18] Com certeza, não é um processo fácil. Quando eu recebi o convite para ser candidata, eu disse não. Depois de um tempo, depois de um mês sem dormir, é que eu percebi que tinha uma coisa ali dentro de mim e quando eu percebi que eu tinha uma oportunidade de colocar em prática o que eu acreditava, colocar à disposição os meus talentos, e no meu caso, eu tô na política pra servir, esse é o meu propósito, puro e simples. E eu tenho certeza que as pessoas que lidam comigo, elas sentem isso no meu olhar.
Eron Falbo: [37:53] Então Platão, continuando a coisa do Platão, ele também fala que as pessoas que buscam estar na política normalmente é pelos propósitos errados e o filósofo rei, o que ele diria que seria o político perfeito, seria a pessoa que negava estar na política. Em primeira instância nega, aí depois de entender que está sendo aclamada, ou seja, se ela não fizer, outra pessoa inferior que vai causar danos vai fazer no lugar dela, aí ela entra contra a própria vontade na política.
Júlia Lucy: [38:32] Não, não concordo com o Platão. Mesmo porque para você estar na política, você tem que ter muita segurança do seu propósito, porque você trabalha muito, você apanha o tempo inteiro, ninguém vai reconhecer o que você faz.
Eron Falbo: [38:47] Mas olha só, só para ir mais além, porque ninguém pode chegar no meu programa e falar que não concordo com o Platão.
Júlia Lucy: [38:53] Não concordo com o Platão, desculpa.
Eron Falbo: [38:55] Então eu vou explicar o Platão um pouco melhor. Eu acho que o que ele quer dizer E eu acho que é o que você estava dizendo. Só que se você tem um ímpeto egóico, um ímpeto primário de querer ir para a política, normalmente a primeira razão não é a mais nobre. Então é legal você passar por um ponto...
Júlia Lucy: [39:19] Ele está dizendo que há motivos que são nobres e há outros que não são. É neste ponto que eu não concordo.
Eron Falbo: [39:27] Ué, como assim? Se for roubar o dinheiro do povo é nobre?
Júlia Lucy: [39:30] Não, aí é ilícito, aí é um crime.
Eron Falbo: [39:33] O que eu tô dizendo é o.
Júlia Lucy: [39:34] Seguinte, se a pessoa entra na política...
Eron Falbo: [39:35] Mas também é ignóbil, né? Além de criminoso, também não é nobre, né?
Júlia Lucy: [39:42] Não, aí a gente tem que colocar a categoria do que é crime e outros tipos de categorias. Se a pessoa entra porque ela quer roubar, ela é uma bandida e, obviamente, ela não tem que querer entrar na política.
Eron Falbo: [39:52] Você pode ser gordo e feio ao mesmo tempo. Tudo bem, aí não é nobre, mas.
Júlia Lucy: [39:56] Vamos supor que a pessoa queira simplesmente entrar porque ela quer ter poder. Eu não vejo problema nisso.
Eron Falbo: [40:03] Ué, mas se ela só quer ter poder e ela está disposta a causar mal para o povo... Não é que ela só quer ter poder.
Júlia Lucy: [40:08] Se ela utiliza o poder para coisas boas e aí já é uma segunda etapa...
Eron Falbo: [40:13] É, mas aí ela tem que ter esse objetivo também. Se ela só quer ter poder, aí ela faz isso às custas do povo.
Júlia Lucy: [40:21] Para você enfrentar uma campanha, você tem que saber aquilo que te motiva. Se o que te motiva é ter poder, você tem que ter muito claro isso com você. Porque senão você não sustenta.
Eron Falbo: [40:33] Eu sei, mas tá bom, você não sustenta, mas você pode ser um megalomaníaco que quer muito ter poder e você pode querer... Eu não estou nem aí se a Europa inteira for bombardeada porque eu quero ter poder. Aí você vira Hitler.
Júlia Lucy: [40:50] Não, mas é porque você está derivando, entendeu? Uma coisa é eu quero ter poder. Outra coisa é o que eu vou fazer com o meu poder.
Eron Falbo: [40:59] Não, eu sei disso. Mas se eu quero ter poder, e o meu poder é o poder máximo, ou seja, eu quero ser ditador da Europa inteira, eu não importo se muita gente se escravizar para eu ter poder. Não é uma segunda coisa, é para eu ter poder, é a primeira coisa. É para eu poder chegar nesse... Você.
Júlia Lucy: [41:14] Está entendendo que se a pessoa simplesmente quer ter poder, ela quer ir para o lado errado, ela quer passar por cima dos outros. O que eu tô dizendo é...
Eron Falbo: [41:21] Ela só quer ter isso sim. Ela precisa ter algum ímpeto de ética básico de querer ter outra coisa além do poder também. Ela tem que ter algum limite.
Júlia Lucy: [41:30] Você que vai decidir se você vai ser candidato, pra te mover, pra você acordar às 5 horas da manhã e pedir voto até 1 hora da manhã, você tem que ter a sua motivação. Não importa qual seja ela, você tem que estar agarrada nela. E se for, eu quero ter poder.
Eron Falbo: [41:48] Então eu entendi isso, aí você talvez vai virar o grande ditador da Europa. Você vai ser um político a você mesmo, você vai ser um bem-sucedido. Mas eu estou falando o que Platão está dizendo é o que difere entre o bom político e o mau político. O que é bom para o povo e o que é mau para o povo. O que é bom para o povo é aquele que recusa ser político porque ele não segue o primeiro ímpeto. Ele se questiona para ver, será que eu sou bom o suficiente para ser político? Será que eu sou uma boa pessoa o suficiente? Será que eu vou causar o bem?
Júlia Lucy: [42:14] Entendi, só que ele coloca isso numa esfera de uma espécie de sacrifício, entendeu? Eu não tenho ninguém melhor do que eu, então deixa que eu vou. Eu vou fazer isso porque não tenho ninguém melhor do que eu. É isso que não funciona.
Eron Falbo: [42:30] Mas é só o primeiro pensamento, que óbvio que se você é uma pessoa boa e você quer servir, é óbvio que você vai acordar todo dia motivado para servir.
Júlia Lucy: [42:39] Não é óbvio.
Eron Falbo: [42:40] Oi?
Júlia Lucy: [42:41] Não é óbvio.
Eron Falbo: [42:42] Se você é uma pessoa boa de fato, estou falando exatamente o que você está falando. Você não vai ser um grande sacrifício. Vai ser uma coisa que você... É nisso que ele é.
Júlia Lucy: [42:51] Não, se não for o seu desejo, vai ser um sacrifício. Mesmo que há diversas formas de você servir as pessoas.
Eron Falbo: [42:57] O seu desejo é servir as pessoas. O seu desejo não é ocupar um cargo de liderança, porque isso vai tirar você dos seus estudos, da sua liberdade. Existe sacrifício em ser político. Você tem que trabalhar pra caramba. Não é que é um grande sacrifício, porque também tem a gratificação de você estar servindo o povo. E tá fazendo coisas nobres, mas a questão é que existe uma coisa que você tem que doar de si, e não é pra qualquer uma, não é uma coisa fácil.
Júlia Lucy: [43:26] Eu entendi o raciocínio de Platão, o que eu humildemente discordo dele, eu não sei se ele já foi candidato na vida dele, eu já fui. Então assim, pra você pedir voto pra uma pessoa, O que vai te segurar ali é a sua motivação que às vezes... No caso, eu quero ter poder. Se eu sou coach de alguém que vai ser candidato e a pessoa me revela isso, eu vou falar assim, ótimo, nós vamos usar isso pra te manter firme até o dia 7 de outubro. E eu não vou colocar julgamento. Ah, mas isso é nobre, isso não é nobre. Não importa, eu quero que o meu candidato ganhe. Entendeu? Porque uma coisa é eleição, outra coisa é mandato.
Eron Falbo: [44:09] Claro.
Júlia Lucy: [44:10] Então, para uma pessoa ganhar, o termo que eu uso no meu livro é tesão. Se ela não tiver um tesão, ela vai ser derrubada. Não tem jeito. Ela mesma vai se derrubar.
Eron Falbo: [44:21] Eu acho que a diferença que a gente está falando é porque você está falando como ganhar uma eleição.
Júlia Lucy: [44:27] Isso.
Eron Falbo: [44:27] Porque a pergunta é o que fazer para ganhar. Platão está falando como você ser bem sucedido como um gestor da pólis.
Júlia Lucy: [44:34] Sim, mas aí vamos lá. Uma coisa é campanha, outra coisa é mandato.
Eron Falbo: [44:38] A sua pergunta foi como ganhei a.
Júlia Lucy: [44:40] Minha campanha, como decidi. Então, a primeira etapa é qual o meu propósito.
Eron Falbo: [44:46] Você tem que ter um drive, você tem que ter uma motivação muito forte que venha de você mesmo, que seja uma coisa que não seja para poder enfrentar tanto desgaste, tanto exposição, tanta rejeição.
Júlia Lucy: [45:00] É muito pesado. Eu te falo assim, eu apanhei de uma senhora na minha campanha. Eu fui agarrada por um homem.
Eron Falbo: [45:10] Como é que foi a situação?
Júlia Lucy: [45:12] Eu apanhei de uma senhora e isso foi péssimo porque eu não pude reagir. Porque se fosse uma mulher da minha idade, eu teria dado na cara dela. Entendeu? Então assim, na hora que ela me bateu, eu tive que apanhar quieta. Porque se eu reajo com uma senhora, aí ia dar polícia, ia virar um escândalo.
Eron Falbo: [45:28] E tem vídeo disso ou não?
Júlia Lucy: [45:31] Tem um vídeo eu relatando uma história chorando, né? Que tinha acabado de acontecer e eu fiquei realmente revoltadíssima. E ela me bateu exatamente porque eu cheguei pra pedir voto.
Eron Falbo: [45:43] Mas você chorou porque doeu ou porque foi uma dificuldade, tipo assim, um momento difícil, sei lá, uma situação?
Júlia Lucy: [45:49] É porque eu tinha já passado por tantas situações complicadas que eu acho que foi a gota d'água e eu falei exatamente isso no vídeo. Falei, olha, não é à toa que não há pessoas boas na política, porque você está ali com a melhor das intenções, fazendo uma coisa super honesta e vem uma pessoa se achando do direito de te agredir.
Eron Falbo: [46:10] A política no Brasil hoje é crime. As pessoas têm uma parada assim que se você... Você se expôs, quer dizer que você pode apanhar quando quiser.
Júlia Lucy: [46:19] Exato, é isso. Ó, você tocou no ponto. Tem muita gente que acha que quando vê um candidato, aquela pessoa, ela está ali disponível para ser xingada, ela está disponível para ser agarrada. Ela está ali disponível para todo código de conduta que existe na sociedade. Tem gente que acha que esse código tem que ser jogado na lata do lixo, porque aquela pessoa é candidata e está pedindo voto. E como ela quer entrar na política, ela é um bandido, então, portanto, ela merece...
Eron Falbo: [46:47] A política é o pior, porque se você for, sei lá, o Mick Jagger, você está se expondo publicamente, mas o seu número não tem que estar em lugar nenhum. Você não precisa falar hoje em dia até que um pouco mais.
Júlia Lucy: [46:59] Por isso que eu te falo se você não souber o seu propósito você desiste. Então se você coloca a ideia eu quero servir a comunidade na primeira vez você tomar um tapa na cara. Você vai falar assim, você quer essa mesma coisa? Eu não vou fazer isso.
Eron Falbo: [47:13] Quanto mais eu descubro meu propósito, eu desisto mais. É por isso que eu tô fazendo esse programa ao invés de fazer política. Mas eu concordo com você, você tem que ter essa motivação primária. Sobre essa parada de exposição, na mitologia germânica tem um personagem chamado Balder, que era o supostamente... É tipo o Apolo na mitologia germânica. É o cara mais bonito e perfeito da história da humanidade. E da indeusidade, que ele era um deus. E o Balder, porque ele era tão perfeito, todos os deuses queriam sempre achar o defeito dele. Então ele foi colocado em um poste, E fizeram um festival homenageando a perfeição de Balder. E jogavam todas as coisas... Os deuses ficavam pegando montanhas e jogando em cima do Balder. Pegando todo tipo de coisa pra ver o que ia machucar Balder.
Eron Falbo: [48:16] Aí, finalmente, Loki, que é o deus da sacanagem, ele achou uma plantinha, que eu esqueci o nome em português, e me soltou. Em inglês. É uma plantinha, coisa de branco, germânico, sei lá, no Brasil não tem isso. Mas ele pegou essa plantinha, que era tão pequenininha, tão esquecida, que os deuses todos tinham esquecido dessa plantinha. E ele botou numa flecha... Bom, tem toda uma outra história aí que eu não vou falar, porque não vem ao caso. Mas ele botou numa flecha e atirou no Balder, e matou o Balder com essa paradinha que todo mundo tinha esquecido.
Júlia Lucy: [48:52] Tóxica.
Eron Falbo: [48:53] Aí o Baldi finalmente morreu, mas eu acho que essa... Bom, toda mitologia está carregada de muitos sentidos.
Júlia Lucy: [48:59] Olha, eu posso pegar um adendo nessa fala?
Eron Falbo: [49:02] Por favor.
Júlia Lucy: [49:03] O meu partido vive a situação de Bounder.
Eron Falbo: [49:06] É sério. Porque tá dando tão certo a todo mundo.
Júlia Lucy: [49:10] Não, é porque o que a gente vive é tão dentro do que a população sempre falou que queria. E aí as pessoas ficam assim buscando defeitinhos assim. Ah, mas o deputado tal correu sem máscara no parque. O deputado do Partido Novo. O cara é o melhor deputado do Congresso.
Eron Falbo: [49:32] Eu ia falar, pelo menos ele tá correndo, porra.
Júlia Lucy: [49:34] Mas entende, assim, tudo que a gente, qualquer coisinha, qualquer besteira que façam, vira um super escândalo. Por quê? A gente não rouba, a gente não negocia voto, a gente faz o que tem que fazer, a gente tem coragem de votar de uma forma que não é populista. Então, assim, O que o deputado do Novo faz? Qualquer pessoa do Novo fala ou faz. Nossa, é uma porra. Você pode observar, nenhum partido, nenhum parlamentar assim, fulano de tal do PSDB. Não importa o partido, né? Agora, quando é agenteiro Novo, é uma tristeza, assim, é...
Eron Falbo: [50:14] A gente quer ouvir ele falando também.
Júlia Lucy: [50:19] Que ódio.
Eron Falbo: [50:23] Eu gosto quando você fala de você, eu não gosto quando você fala do Partido Novo, porque eu sou cético e contra todos os partidos, com todo respeito. O Partido Novo, eu sei que é novo e tal, é inovador, imagino que deve ter coisas boas, mas é você que é a estrela, entendeu? Você tem que ter a sua força de vontade pessoal, independente do Partido Novo. Quando você for candidata independente, eu vou votar mais ainda em você. Eu boicoto esse sistema particularmente, mas se tiver a candidatura, eu pago a multa, que é a fila menor do que... Você não costuma votar? Nunca eu votei na vida. Eu boicote o sistema, eu acredito que o sistema é falho por natureza, oligárquico, é assim há muitas décadas, mas eu luto, eu acredito muito em política, só pra deixar claro, eu não me abstenho, e eu faço nos bastidores muitos... Ações, campanhas, reuniões, arrecadar fundos, apoiando certas pautas, certas coisas.
Eron Falbo: [51:28] Então, eu ajo de outra maneira. Eu não acho que votar é o meu talento. Mentira, se fosse parlamentarismo, eu votaria. Mas isso é uma pauta para outra conversa.
Júlia Lucy: [51:40] É verdade, eu estou até um pouco em choque aqui.
Eron Falbo: [51:44] Você está me julgando.
Júlia Lucy: [51:47] Nossa, ainda mais assim, entendendo o valor da política, é mais difícil ainda de compreender. Eu entendo a ideia de boicotar o sistema e tal, mas mesmo assim um voto faz muita diferença. Nossa, quantas pessoas já perderam a eleição por um voto.
Eron Falbo: [52:05] Isso aí eu te justifico em outro momento. Eu te prometo que não vai ser, deve aumentar a minha resposta. Mas, cara, Julia, acho que acabou o nosso tempo, né? Acabou o nosso tempo, infelizmente. Mas queria te agradecer muito pela sua presença. Eu realmente acredito em você, você tem uma... Uma postura, dá pra ver que você tem fogo, você tem uma... Que nem você falou, você sabe, você está conectado com o seu propósito, tem uma pessoa... Voltando para a mitologia germânica, você vai provar o rala na mitologia germânica, não se você aceitou Jesus Cristo no seu coração, não se você aceitou Maomé ou se você chegou em Nirvana ou qualquer coisa do tipo, mas se você morrer lutando com uma espada na mão. Isso significa que se você lutar pelo que você acredita, não importa se seja bom ou ruim, se você realmente lutar pelo que você acredita, você vai para Valhalla, que é o céu germânico. Então eu não sei porque você atraiu a mitologia germânica, mas...
Eron Falbo: [53:09] Adorei. Mas tem isso. Então, muito obrigado pela sua presença e que a gente faça isso mais vezes. Próxima vez você tome um vinho, por favor. Não sei se você está permitida pelo partido.
Júlia Lucy: [53:18] Ah, tá bom. Tá bom. Olha, quando você estiver a Brasília, aqui em Brasília, já está super convidado para ir no nosso gabinete também. Vai ser um prazer te receber. Todo mundo que está escutando a gente aqui agora vai ser muito bem recebido com legítimo pão de queijo. Com uma marca selecionada a dedo, porque não dá pra ser qualquer um.
Eron Falbo: [53:42] Olha que tem muita gente escutando, vai ter podcast pra todo mundo.
Júlia Lucy: [53:46] E assim, olha, você, até comunicar aqui, a gente que vem do Cerrado, você é de Brasília, eu sou de Minas, e tô aqui no DF, a gente tá vivendo um momento muito complicado no Cerrado que as nossas nascentes estão secando. Eu quero deixar esse alerta aqui porque a gente tá perdendo água e a conta de luz tá mais alta porque a gente tá na bandeira vermelha, porque a gente não tem água para produzir energia e esse já é um sinal claro da irresponsabilidade que a gente tá cometendo. Então, eu tô bastante engajada nessa pauta de recuperação de nascentes, e eu sei que é uma pauta que atrai muitos olhares. Então, se de repente você puder ajudar a divulgar isso também. Mas todo mundo olha muito pra Amazônia. Mas o Cerrado é o bioma mais estratégico para o Brasil. É onde a gente mantém a riqueza brasileira, que vem do agro, está no Cerrado. Então, se a gente quiser se sustentar como país e permanecer vivo, tendo água, é necessário ter um olhar responsável para o Cerrado.
Júlia Lucy: [54:47] Então, queria pedir o seu engajamento nessa pauta também.
Eron Falbo: [54:50] Conte comigo, água no Cerrado.
Júlia Lucy: [54:53] É, e não deixar na mão da galera de fora. Eu acho que nós temos condições de cuidar disso aqui internamente, com um olhar mesmo genuíno brasileiro em torno do tema. Então, depois eu vou encaminhar algumas ações pra vocês que nós estamos fazendo, mas vai ser legal ter mais uma pessoa falando sobre isso. Sabe?
Eron Falbo: [55:12] Ainda mais na minha casa, pô. Vender água no deserto. Vamos fazer isso. Conte comigo, sério mesmo. Mas brigadão. Você pode só esperar um minutinho pra fazer umas mensagens para o Kiai, ou você tem compromisso agora?
Júlia Lucy: [55:28] Posso esperar, posso esperar.
Eron Falbo: [55:29] Só um minutinho. Obrigado, então. Tudo de bom, Julia.
Júlia Lucy: [55:33] Prazer. Beijo, tchau.
Eron Falbo: [55:35] Então, como sempre, temos agora nossa pílula de sabedoria condensada uma hora em um minuto. E antes disso, queria dizer... Vinhos Grand Bodegon. Mentira, eles não pagaram nada pra isso. Queria dizer, sigam o nosso canal em todas as formas possíveis, gente. Vocês sabem o que fazer. Eu e meu sócio Mark Zuckerberg, ele é sócio majoritário, ganha mais do que eu, mas a gente queria mais usuários clicando e seguindo. Sejam gado, esse é o momento. Enquanto isso, a pílula de sabedoria é que a Julia Lucy sempre mantém a elegância, é uma pessoa mais cara de pau que eu, teve cara de pau suficiente de ser mulher, ser bonita, ser jovem e não ser vereadora, ser deputada direto. Impressionante.
Eron Falbo: [56:36] Mas é sério, isso realmente... Eu não estou realmente querendo ser político, mas aquelas pessoas que querem ser alguma coisa, pensem alto, pensem com força de vontade, se conectem com o seu propósito. É isso que eu aprendi com ela. E comprem o livro dela, que é... Candidato de primeira viagem? Alguma coisa assim. Mas o importante é Julia Lucy, lembrem desse nome. A nova Margaret Thatcher. É isso, jentem. Jentem. Jentem. Assistam a gente todos os dias, num horário nobre. E nunca se esqueçam, é necessidade que se conhece o amigo. Beijos.
Episódio de No Alvo com Eron Falbo. Veja todos os episódios, Praise e Quotes.