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#120 Arquitetando um legado

com Paulo Sergio Niemeyer · 7 de ago de 2026

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Quem é Paulo Sergio Niemeyer

Arquiteto, urbanista e designer de móveis

Paulo Sergio Niemeyer é arquiteto e presidente do Instituto Niemeyer, criado em 2010 com seu avô, Oscar Niemeyer.

Transcrição do áudio do episódio.

Eron Falbo: [0:10] Tudo bom, Eron? Prazer. Que bom estar aí com você.

Paulo Sergio Niemeyer: [0:13] Muito prazer.

Eron Falbo: [0:14] Obrigado pelo convite.

Paulo Sergio Niemeyer: [0:16] Valeu, pô. O prazer é todo meu. E eu que agradeço você ter aceitado o convite pra vir aqui. Maravilha. Eu fico um pouco inseguro com... Fico.

Eron Falbo: [0:29] Um pouco inseguro com a nossa tecnologia, que a gente fica achando que está falhando, que a internet está ruim. Mas está tudo bem, eu acho.

Paulo Sergio Niemeyer: [0:39] Confia em mim que eu também fico inseguro. Vamos começar, vamos começar brindando aqui nosso champanhe. A Ana Maria falou muito, muito bem de você e minha equipe já te elogiou bastante aqui também, falando que você é super gente boa, super aberta, solista. Então é um grande prazer te conhecer.

Eron Falbo: [1:00] Aí sim, porque é verdadeira. Também falaram que você tem feito um trabalho incrível e que o canal tem sido um sucesso então um brinde né e obrigado aí por me convidar valeu.

Paulo Sergio Niemeyer: [1:16] Meu querido brinde tudo de bom é pessoal é vocês podem aumentar um pouco meu retorno não tem como aumentar o seu retorno acho que não Então, eu fico muito impressionado, Paulo Sérgio, com... Não é toda família que tem alguém como você, que aceitou o desafio da sucessão, de levar pra frente um trabalho. Muita gente sente pressão, esse tipo de coisa. Eu só vou te dar um background, eu trabalhei em family office, em gestão de patrimônio durante muitos anos. Então eu conheci muitas famílias e muitas, eu posso te dizer que 99% não tem alguém que aceita isso. As pessoas acham que é óbvio que tem esse herói, eu o considero herói. Então eu queria começar dizendo que é um baita desafio que você aceitou.

Eron Falbo: [2:22] É, e é complicado mesmo, porque tem uma carga muito pesada, porque só o fato de... Nem é uma fortuna, não é uma questão financeira, mas é administrar e levar uma marca que tem uma simbologia muito forte no país e no exterior, então é sempre difícil. Se preocupar com o posicionamento, se preocupar com o que a gente fala, será que isso que a gente fez tá certo? Será que a gente faz ou não faz esse projeto? É complicado.

Paulo Sergio Niemeyer: [3:03] É isso do Instituto Niemeyer que você lidera?

Eron Falbo: [3:09] É, tô falando da marca mesmo, da família. Eu tenho a marca Niemeyer hoje, né?

Paulo Sergio Niemeyer: [3:14] Ah, entendi.

Eron Falbo: [3:15] Que eu atentiei, que a gente toca aí, e que levo nos produtos, faço design e tudo. Então... Eu sei que é difícil... Eu vejo a dificuldade às vezes... Das soluções.

Paulo Sergio Niemeyer: [3:31] Então... Só para o pessoal que está nos escutando entender melhor... Fala um pouquinho sobre como foi, se você puder, sua relação com o seu avô e como foi esse processo de o seu avô como arquiteto, Oscar Niemeyer, se tornar uma marca e depois isso com o tempo se tornar uma empresa, várias empresas, vários projetos etc. E como você veio a liderar esse projeto.

Eron Falbo: [4:13] Então... Na verdade eu... Eu tive... Meu pai e minha mãe se conheceram na UNB... Universidade de Brasília. Meu pai veio de São Paulo e minha mãe do Rio. Minha mãe que é a neta do Oscar. E... A minha vida então ela está envolvida na arquitetura desde o início. Eu brinco que eu tenho 51 anos hoje... Mas que eu tenho de arquitetura 49. Com dois anos de idade eu já estava indo visitar meu pai e minha mãe na obra. E normalmente eram obras do meu avô... Porque os dois sempre tiveram envolvidos com o meu avô de alguma forma. Aí quando eu fui fazer arquitetura... Eu não tive muita opção... Eu pensei até em fazer outras carreiras... Pela carga que... Que eu devia... Pensar que a arquitetura era complicada... Porque... Ninguém ia ser gênio igual o Oscar... Eu não ia conseguir...

Eron Falbo: [5:14] Mas eu nunca tive essa meta de ser o Oscar Niemeyer. Então... Quando eu fui fazer faculdade a arquitetura foi natural... Eu acabei escolhendo a arquitetura.

Paulo Sergio Niemeyer: [5:26] Isso é uma curiosidade minha... Você não teve nenhuma pressão para escolher?

Eron Falbo: [5:33] Pelo contrário, eu tive pressão para não ser arquiteto.

Paulo Sergio Niemeyer: [5:38] Não mexe com isso não, meu filho. Parece carreira de músico.

Eron Falbo: [5:42] Tamo.

Paulo Sergio Niemeyer: [5:48] Em casa, tamo em casa. Aí, ele caiu. Isso aí foi coisa do Firefox. Opa!

Eron Falbo: [6:43] Caiu?

Paulo Sergio Niemeyer: [6:44] É... Só, só rapidinho. Isso aí foi aquele negócio de permissão? Não, isso foi a sua internet que caiu, não.

Eron Falbo: [6:51] A minha internet? Então, sim.

Paulo Sergio Niemeyer: [6:54] Ok, não está dando problema, então acho que é coisa do browser mesmo. Depois a gente vê isso. Não, isso aí foi a nossa internet que caiu, então não teve nada a ver com a coincidência.

Eron Falbo: [7:06] Eu não fui eu.

Paulo Sergio Niemeyer: [7:06] A gente estava falando sobre não ter pressão de ter sido, de escolher a carreira de arquiteto.

Eron Falbo: [7:20] Então... Aí teve uma pressão contrária, porque... Como é que ia ser... Dar continuidade a um trabalho tão magnífico como o do Oscar, né? É... E que você... Provavelmente ia ter frustrações e tudo. Mas... Foi o contrário. Eu tive... Eu tive grandes alegrias... Muito feliz hoje... Sendo arquiteto e tendo trabalhado com ele.

Paulo Sergio Niemeyer: [7:48] Maravilha.

Eron Falbo: [7:50] Um ambiente de orgulho. Então eu trabalhei com o meu pai... Que é um arquiteto importante... Em São Paulo... Trabalhei com a minha mãe... E naturalmente fui trabalhar com o Oscar... Desenvolvi obras... Acompanhei projetos... Tive a oportunidade de conviver com ele... Morar com ele... Então... Eu brinco de vez em quando em palestras... Ou falo sobre o assunto... Tinha overdose de Oscar. Que é muito gratificante. E aí hoje eu tenho um instituto, que foi criado por mim e por ele em 2010, e eu criei a marca Niemeyer aqui. Eu tenho vários produtos de design, etc. Tenho um lançamento, lancei uma linha de azulejos, lancei imobiliário, agora estamos lançando uma linha de porcelanato, uma vila gris, com grandes parceiros que apoiam sempre nossos projetos.

Eron Falbo: [8:54] Então, eu só tenho a agradecer a arquitetura e a escolha que eu fiz, que quase foi outra. Quase que eu fui o oceanógrafo.

Paulo Sergio Niemeyer: [9:06] Oceanógrafo? Isso aí é aquela galera que mapeia o oceano e ondas e tudo mais?

Eron Falbo: [9:13] É. Eu sempre fui muito ligado no mar. Fiz natação... Então eu achava que podia fazer alguma coisa ligada a... E aí essa ligação forte. Mas... Aí acabei escolhendo arquitetura porque... Foi o que eu vi desde pequeno, entendeu? Toda a minha vida foi... Ligada na arquitetura, então... Aí escolhi esse projeto... E hoje tenho o escritório Neymar Arquitetos... Que é o presídio, e o Instituto Niemeyer, que está indo muito bem. E hoje nós estamos com grandes parceiros. Fizemos uma viagem do sul de Santa Catarina. Estamos com projetos em várias unidades do Brasil e até no exterior. Então, eu tenho certeza hoje que o caminho foi o melhor.

Paulo Sergio Niemeyer: [10:19] Mas você deve, assim como os oceanos, vamos dizer, você tem outros... Porque assim, eu imagino, eu conversei com a filha do Vinícius de Moraes outro dia, e aí é parecido com essa situação, né, que ela meio que está liderando o acervo, o instituto, Vinícius de Moraes, não sei qual é o nome exatamente agora, mas a gente como as pessoas olham para pessoas como vocês, sucessores, de grandes nomes, e às vezes não paro para pensar que existem uma personalidade necessariamente diferente e muitas vezes totalmente diferente das pessoas que vocês estão representando, ou do nome que vocês estão carregando pra frente. Talvez isso te dá a oportunidade de você usar esse espaço para falar um pouco de você e das coisas que você aprendeu, mas das coisas que não necessariamente você...

Paulo Sergio Niemeyer: [11:29] Que você faz igual, das coisas que você inovou, trouxe, entendeu?

Eron Falbo: [11:35] Então, eu tive o prazer lá de ver... Isso foi muito interessante, convivi com o meu avô e etc. Quando eu estive no trabalho com ele, eu comecei a ver várias coisas que foram me chamando a atenção. Uma delas é o design, que eu acho muito legal de estar fazendo. E era uma coisa que meu avô já não tinha muito desejo de fazer. Mas ele fez a linha de imobiliário e tal. E aí isso me motivou. E eu hoje tenho... Acho legal... A agilidade que você tem para fazer um produto. E em pouco tempo ele é uma realidade diferente da arquitetura. Então isso é um prazer que eu tenho. E o instituto, que apesar de ter ligado o nome dele, ele tem vários projetos separados.

Eron Falbo: [12:44] Então a gente tem apoio, a gente apoia projetos sociais, a gente tem muita coisa. Então é interessantíssima que não só fala de arquitetura. E a gente está trazendo para o Instituto essa discussão em cultura. A gente apoiou agora um livro, chama Cidades Assassinadas, está sendo lançado agora pela Rio Books, um livro com vários textos de pessoas interessantes, sobre especialistas, sobre o assunto. Misturando arquitetura, urbanismo e também essa época que a gente está vivendo, que já é o segundo volume de um outro livro que a gente já fez no início da pandemia. E tem o Fórum Mundial Neymar, que a gente faz, que também não é restrito à arquitetura, mas fala principalmente de cidade. Então a gente está... Eu acho que...

Eron Falbo: [13:51] Então, essa pegada que meu avô deixou da arquitetura, e Brasília, eu brincava com ele no escritório, falava, pô, Dindinho, eu chamava ele de Dindinho. E aí eu falava assim, minha Brasília, olha a pretensão. Mas eu acho que hoje em dia, de uma certa forma, Eu tô fazendo várias Brasílias. Quando a gente tem autoridade, a gente tá discutindo vários municípios diferentes. De forma diferente, não é a Brasília, mas a gente tá discutindo por um ponto de vista moderno, né? Sustentabilidade, mobilidade urbana.

Paulo Sergio Niemeyer: [14:42] Isso pra mim é um assunto muito interessante. Eu não sei se a Ana Maria te falou, Mas eu nasci em Brasília, né? Eu nasci e cresci em Brasília. Então eu tive o privilégio de ser um... Como é que chama o... Um... Guinea pig, em inglês? Qual que é o nome em português? Por não achar a palavra, eu vou dizer laboratório. Porque eu cresci no Brasil e fui parte do experimento da família de vocês. E posso te dar todo o feedback que você quiser. É uma cidade que consegue ser, ao mesmo tempo, uma cidade moderna de hoje em dia, de um Brasil atual comparado com outras metrópoles.

Paulo Sergio Niemeyer: [15:48] Do Brasil, um standard de vida muito alto.

Eron Falbo: [15:53] O que eu acho interessante em Brasília, uma vez eu estava em Brasília, vi um grupo de estrangeiros e eu fiquei curioso porque eu achava que Brasília era uma coisa, como a arquitetura moderna, muitos gostam de, não é o que eu.

Paulo Sergio Niemeyer: [16:11] Penso,.

Eron Falbo: [16:13] Mas muitos gostam de dizer que a arquitetura moderna mudou, que hoje a arquitetura Eu acho... Eu fico com a... A conversa que eu tive com o meu avô... Quando ele era vivo... No escritório... À tarde... A gente conversava muito no final da tarde... Quando o escritório estava meio vazio... Ele dava uma parada no trabalho... A gente fazia um lanche... E ficava batendo papo. E aí ele falou assim... Eu perguntei para ele... Como é que ele achava da nossa sociedade... Dos novos modelos de arquitetura... Ele falou... Uma babaquice... E ele falava que a arquitetura moderna não ia acabar... Não acabou... E óbito, né... Então eu perguntei para esse grupo que estava lá em Brasília... Por que que eles estavam visitando Brasília... E aí eu fiquei contente de ver que... Que eles estavam... Confirmando o que meu avô falava...

Eron Falbo: [17:13] Fizeram que Brasília é considerada a meca da arquitetura moderna.

Paulo Sergio Niemeyer: [17:17] Mas quando você diz moderna, você diz contemporânea ou modernista em termos de estilo?

Eron Falbo: [17:23] Modernismo mesmo. Meu avô achava, e eu também acho que o modernismo...

Paulo Sergio Niemeyer: [17:31] É ultra modernista, né?

Eron Falbo: [17:36] É, eu também acho. Hoje em dia tem gente fazendo cidade muito mais feia não conseguem evoluir para coisas bonitas como era feito. A arquitetura de Brasil, o urbanismo, toda cidade tem um desenho, tem uma articulação dos espaços vazios e cheios. O meu avô dizia, o Oscar dizia isso, que o espaço vazio faz parte da arquitetura. Brasília tem isso, né? Aquilo que o Djavan botou aí na música, né? O céu de Brasília é tão lindo. O Renato também...

Paulo Sergio Niemeyer: [18:23] Aquela coisa que eu falei, uma citação, não sei se você estava já assistindo, mas no início eu falei uma citação do Jim Rohn, que é um mestre coach aí das antigas, que ele fala, as coisas que nós construímos nos construindo. Então, isso no ponto de vista arquitetônico, a gente, acho que no mundo atual, isso se perdeu muito, que é o conceito de que você viver numa cidade, aquela arquitetura está te dando um feedback de educação, aquelas coisas lá estão te inspirando, estão te direcionando, estão possibilitando ou despossibilitando o tráfego, o tráfego de ideias, até assim, inspiração pessoal, se você anda em um certo bairro que está limpo, que tem preservado, que a arquitetura foi bem feita, que é de uma certa forma homogênea, que foi planejada, que foi vislumbrada por algum visionário, você pode viver de uma forma mais inspiradora.

Paulo Sergio Niemeyer: [19:53] O que aconteceu com a internet de novo? Tenta desligar o Wi-Fi. Aproveita e desliga o Wi-Fi.

Eron Falbo: [20:02] Voltamos.

Paulo Sergio Niemeyer: [20:04] Oi, desculpa. Vê se tá ligado o cabo da Ethernet, que é o cabo de dados, não é aí? Vê no chão esse cabo preto saindo de lá que sai do modem. Não é isso, eu peguei o óleo pra onde eu tô, aqui ó. Ali no chão, vê se tem um carro preto, que sai no modo, ali ó. Aí saiu o monitor, agora que você desconectou, conecta de volta ali o negócio azul. Desculpa aí, Paulo Cé, no negócio azul.

Eron Falbo: [21:01] Não, tudo bem. Então aqui, a gente tem que desadaptar a tecnologia, E aí ela vai pregando essas peças, né?

Paulo Sergio Niemeyer: [21:10] É, agora veja o humor aí. É, é.

Eron Falbo: [21:15] Mas é pra ver o que a.

Paulo Sergio Niemeyer: [21:16] Gente tá vendo ali.

Eron Falbo: [21:18] Tem um carro preto atrás de tudo.

Paulo Sergio Niemeyer: [21:21] Atrás de tudo, atrás de tudo ali.

Eron Falbo: [21:23] Tipo, cria mais emoção, né?

Paulo Sergio Niemeyer: [21:25] Desculpa aí, eu tô só tentando... Porque se eu conseguir resolver a internet, vai ter um... Um tempo mais agradável entre nós. Pebe, aquele branco ali, a caixa branca que tá... A última caixa branca tem um cabo saindo, preto. Agora o vídeo tá indo. E provavelmente esse aqui, ó. Pebe... Provavelmente esse aqui... Pebe, onde eu tô apontando? Aqui, ó. Provavelmente é esse, não esse, o próximo é esse. Veja se é esse que está conectado em alguma coisa que está conectada no computador. Se está, então desliga o Wi-Fi, que aí vai pelo cabo.

Eron Falbo: [22:24] Então, mas a gente pode ir falando também que o...

Paulo Sergio Niemeyer: [22:33] Agora conecta de novo. O novo monitor, bebê. Desculpa aí, eu quero... Bebê, o monitor... Do azul... E aí, viu? Desculpa aí, vamos falando, vamos falando. Tá dando pra todo mundo ouvir ou só tem um feedback aí do público? Milena, se você puder me dizer como é que você tá recebendo o Santos? É... A gente tem uma pessoa que trabalha com a gente remotamente, que vai dizer se tá tudo certo. Porque, é... Paulo Sérgio, só não quero que a gente fale daí, entendeu? As pessoas não... Sejam ouvindo a gente bem.

Eron Falbo: [23:18] Para! Milena, você... Tá ouvindo bem minha imagem?

Paulo Sergio Niemeyer: [23:26] Muito bem aqui, eu só quero saber se o público tá vendo.

Eron Falbo: [23:29] Que bom. Então, mas a gente vai falando aqui, a gente vai conversando, eles vão consertando.

Paulo Sergio Niemeyer: [23:40] É.

Eron Falbo: [23:40] A gente vai... The show must go on, né, herói?

Paulo Sergio Niemeyer: [23:44] É, tá certo. Deixa eu te mostrar isso aqui, que eu comprei no leilão. Que é tipo um azulejo, em Brasília, em alto relevo.

Eron Falbo: [23:56] Olha, que barato!

Paulo Sergio Niemeyer: [24:00] E aqui é de... De que ano que é? Tipo, era nos anos 60. É impressionante que é a mesma coisa. Oi?

Eron Falbo: [24:14] É do Bulcão?

Paulo Sergio Niemeyer: [24:17] Não, não. Não, não, não. Isso aqui é de uma pessoa chamada Olila. Parece que é um negócio de arte,.

Eron Falbo: [24:32] Mas, cara... Que legal.

Paulo Sergio Niemeyer: [24:35] É, mas eu achei isso aqui... Como eu sou de Brasília, eu comprei. Achei que eu podia te mostrar. Aqui você tem que visitar o Instituto.

Eron Falbo: [24:47] A gente tem um acervo interessante com coisas do meu avô. A gente mistura aqui arquitetura e arte. Estamos criando a Escola Niemeyer, que vai ser um projeto muito legal do Instituto. Que a ideia é para a gente difundir a nossa arquitetura, dizer que a arquitetura moderna está viva, e é bela, e foi o auge da arquitetura... Da arquitetura no mundo, né? Nossa arquitetura influenciou o mundo todo.

Paulo Sergio Niemeyer: [25:24] E quanto sobre a arquitetura, vamos dizer... Outras arquiteturas brasileiras que não são tão únicas, mas que são feitas como arquitetura imperial, por exemplo?

Eron Falbo: [25:43] Ah, eu gosto muito. Meu avô, ele teve muita influência do pessoal do Infano, do Rodrigo Melo Franco de Andrade, e conviveu com o Capanema quando eles fizeram aquele primeiro projeto aqui no centro do Rio, que é o Gustavo Capanema, e eles eram muito focados no histórico do Brasil e a influência portuguesa, que é esse aí, esse projeto imperial. Você fala? As casas portuguesas, meu avô era fã, e aprendeu muito com o Lúcio Costa... Que também veio dessa turma.

Paulo Sergio Niemeyer: [26:33] Seu avô lhe deu com o Lúcio Costa?

Eron Falbo: [26:36] Muito... Porque o meu avô foi estagiar com o Lúcio.

Paulo Sergio Niemeyer: [26:42] Ah... Eu não sabia disso.

Eron Falbo: [26:44] Na verdade... Ele aprendeu com muita gente... Assim... Ele... Pegou referências de vários... Vários atores na vida dele... E isso foi... Moldou o Oscar, mas igual, como referência.

Paulo Sergio Niemeyer: [27:05] Uma coisa que eu sempre tive curiosidade é como que Brasília, com o Juscelino Kubitschek e tudo mais, como que isso virou uma coisa tão fixa nas mãos de Lúcio Costa e do seu avô? Como é que foi uma coisa com tanto poder, eu vou explicar isso que eu quero dizer, porque eu cresci em Brasília e a gente não podia trocar as fachadas dos prédios, tinha uma lei, me disseram isso, me corrija se eu estiver errado, que até a morte do seu avô não podia fazer certas mudanças em Brasília, aí me falam sobre isso, essa questão até onde você se sabe, desse acordo entre o Estado brasileiro e o governo, porque isso acendia o governo, porque isso é uma coisa que ficou em vários regimes, em vários governos.

Paulo Sergio Niemeyer: [28:24] Então, como foi feita essa negociação no início, o que você sabe sobre isso?

Eron Falbo: [28:31] Então, na verdade, eu falo isso quando eu falo isso. As pessoas entendem o Oscar como mais um brasileiro. Eu considero ele o brasileiro. O Oscar, ele é uma espécie de Michelangelo, Salvador da Picasso. Só que o trabalho dele é duro. E isso foi entendido quando ele começou a trabalhar trabalhar e quando fez Brasília. E o Ifan que ele ajudou a criar fez parte. Foi amigo do Rodrigo Melo. O Franco é considerado o pai do Ifan. Junto com outros que criaram um patrimônio histórico nacional. Tudo isso vem do Ifan, que foi uma coisa da época deles que é preservar justamente a cultura portuguesa. Arquitetura moderna, tudo que teve a ver com a gente, como cultura.

Eron Falbo: [29:35] E a arquitetura dos caras, ela é fundamental para o entendimento da arquitetura mundial. Vários arquitetos hoje refletem ou reproduzem projetos que são, de alguma forma, têm um passamento ali na arquitetura demais. Então, isso foi entendido lá atrás, e aí por isso o tombamento. Por isso esse... Quando foi feito Brasília, entendeu-se que aquela cidade que foi construída, ela sendo feita, ela não podia ser mexida de qualquer modo, porque aquilo ia interferir no futuro dela.

Paulo Sergio Niemeyer: [30:20] Isso foi muito visionado no regiamento, né? Porque era uma cidade que, na construção, algum momento, uma coisa que na concepção já seria visto como um patrimônio histórico, cultural, né?

Eron Falbo: [30:41] É. E é engraçado porque naquela época o Oscar enfrentava muitas... Até hoje. Eu vejo a gente falando mal, dizendo que a arquitetura do Oscar não gosta e tudo. Eu acho que isso é um pouco de falta de... De senso e falta de conhecimento, porque a arquitetura dos caras é o que ele falava, ele em vida falava isso. Você pode dizer que a minha arquitetura não é tão feia, mas você que já viu coisa parecida, você não pode. Quer dizer que a arquitetura era de surpresa. Quer dizer que a arquitetura tinha que ter espaço. Surpresa, que é o que a gente estava falando antes. Do impacto disso na cidade. Quer dizer, todo esse arcabouço em volta do Oscar foi muito importante.

Eron Falbo: [31:42] E foi compreendido pelas pessoas que trabalharam com o Oscar. Como é que você pega uma obra de arte ou compara a obra de arte de alguém que estava fazendo... Ao mesmo tempo que estava fazendo Brasília, eu já estava fazendo a ONU em Nova Iorque. Estava fazendo o Chango, estava fazendo o Constantino. Logo depois, lá em Nargélia. Partiu do Comunista Maniqueiro. Foi uma copa em São Paulo. Era uma riqueza de projeto, né?

Paulo Sergio Niemeyer: [32:18] Como é a sua visão sobre a visão política do seu avô?

Eron Falbo: [32:28] Ah, ele era comunista. Ele achava que o mundo tinha que ser... Ele achava que o mundo tinha que ser mais humano, né? Mais solidário.

Paulo Sergio Niemeyer: [32:41] Mas ele era socialista, né? Ele tinha uma coisa, assim, de... De egalitário, de... Brasilia é meio assim, né? As residências, né? São... São muito parecidas, né?

Eron Falbo: [33:00] É, então, as residências, ele não teria... O Oscar...

Paulo Sergio Niemeyer: [33:04] Não, não tem, Rodrigo. Assim, não. O fato de que eles têm superquadros e tem um certo número de prédios, um certo tamanho do prédio, pelo menos não dentro das residências.

Eron Falbo: [33:20] É. Então, ele trabalha mais no... Isso é um plano do... Que era uma necessidade, né? E, inclusive, o próprio Oscar criticava. Ele achava que Brasília... Ela tinha esse problema de não agregar todo mundo. Porque quando os operários estavam lá trabalhando, tiveram que ir embora. E a cidade ficou como tinha. Riquem era rico e podíamos sustentar ou viver na cidade, né?

Paulo Sergio Niemeyer: [33:58] Até hoje, né?

Eron Falbo: [34:00] Na Quadra ou na Edicionais, ou na ZKL, né? Então ele ficava... Ele achava que isso era um defeito. Porque importou no crescimento.

Paulo Sergio Niemeyer: [34:13] Eu acho que isso é uma incompatibilidade com o plano, vamos dizer, que talvez deslumbrasse um Brasil socialista, um Brasil comunista, que acabou assim. O capitalismo meio que fez o negócio se tornar... Uma das coisas que a gente vê, pelo menos que eu já ouvi falar, é que o Brasil foi desenhado pra pessoas com um certo número de população, né? Pra... Um certo número de carros e coisas do tal. Vocês recebem esse tipo de feedback, essas coisas?

Eron Falbo: [34:52] Não, então, o Oscar era vinda. A gente já discutia isso. E ele mesmo falava nos livros e nas entrevistas que confirmavam que a Brasília foi feita para 5 mil pessoas, e aí... Mais que isso, ela já complicava. Claro que não era isso, né?

Paulo Sergio Niemeyer: [35:12] Mas quem deteu isso, esses 5 mil pessoas?

Eron Falbo: [35:14] 300 Pessoas, não. Aí tinham uma ideia que 500 mil é o suficiente. 500 Mil habitantes dava pra sobreviver. E ia ter uma qualidade de vida planejada. No Brasil, isso não havia. E aí, com a presença desse instituto, passou a 3 milhões de habitantes, a cidade foi crescendo e inchando. E isso era uma coisa que, já no Brasil, a gente não ia suportar. A bateria que está sendo replicada em outros lugares. O plano pirou, né?

Paulo Sergio Niemeyer: [35:52] Tem que.

Eron Falbo: [36:02] Ter mais lojas na rua. Eu comecei a viver muito tempo em Paris. Eu achava que o bom era Paris. Estar nas ruas vendo as lojas, vendo as pessoas na rua. Cafés no meio. Então ele gostava disso. E o que ele fazia muito aqui no Rio, né? Aqui no Rio ele andava muito pela...

Paulo Sergio Niemeyer: [36:28] Isso é uma maravilha.

Eron Falbo: [36:30] Ia no clube, ia no marimbás, se encontrava com os amigos. Vinha na aula da praia. Ele gostava dessa vida do cotidiano, do brasileiro, do encontro, né?

Paulo Sergio Niemeyer: [36:45] Esse é o problema do planejado, né? Porque se você maneja alguma coisa, esse tipo de coisa normalmente sai do orgânico, né? Sai das lojas aparecendo, né? Ficando do lado de uma casa. Então a pessoa sai. Aquelas coisas aí tem os setores, né? Então se você desce abaixo do bloco, não tem loja nenhuma. Tem a banca, né? No mar.

Eron Falbo: [37:08] É. Exato. E aí isso incomoda. Ele achava que as áreas podiam estar mais justas, com as lojas e tudo para as pessoas poderem caminhar entre os espaços. Mas ele sempre respeitou o plano do Lúcio e defendeu. Ele defendeu muito o Lúcio. O Lúcio chegou a perder o concurso. Chegou a procurar o Oscar aqui porque queriam fazer um plano diferente. O Oscar falou que o plano Lúcia tava certo. Como era uma novidade e era uma experiência. O Oscar também não entendia muito como é que o ano podia acontecer lá na frente, né? E é isso que acabou ficando o que foi que aconteceu.

Paulo Sergio Niemeyer: [38:02] Mas o planejamento é esse, Lúcia? O que ficou com o... Com o design funcional, né?

Eron Falbo: [38:09] Isso. É, o Oscar contribuiu, né? Tinha lá que é um do eixo monumental. Tinha um plano que já existia desde quem morou em Brasília. Tem desde o pensamento do outro. O pensamento da cruz, que em Brasília devia ser ali. Então aquilo foi surgindo nessa construção. Tinha várias mãos, né? Mas o Lúcio desenhou isto. Concebeu o plano do... O plano piloto, o eixo monumental, o eixo que são as árvores, as espécies.

Paulo Sergio Niemeyer: [38:50] Enquanto isso, o seu voo acabou sendo o, vamos dizer, o pessoal mais animado de Brasília, só que, pelo que vocês estavam falando, para ser histórico, é que o Lucio Posta era meio que o cabeça do projeto, que liderou a coisa, e o seu voo foi o maior teto que botou a imagem, a cara, isso.

Eron Falbo: [39:13] É, na verdade eu não gosto, eu não acho que tenha cabeça, porque na idade Brasília surgiu o JK e o Oscar. O Oscar que trouxe o Lúcio. Até em retribuição trabalharam com o Lúcio. Mas quem estava fazendo o plano pelo Lúcio que estava em Brasília foi o JK e o Oscar. E aí eles chegaram à conclusão que o Lúcio tinha que vir em julho. O Oscar por demanda do próprio Oscar.

Paulo Sergio Niemeyer: [39:46] E o Lúcio também tinha uma ideologia meio comunista, não tinha não? Na sua opinião?

Eron Falbo: [39:53] Acho que não tanto.

Paulo Sergio Niemeyer: [39:55] Ah é? Porque eu tô falando de Brasília. Tipo assim, que as coisas são todas setorizadas, né? Os nomes são... Inveja, não tem números, né? Que isso você vê... Na União Soviética, quando eles planejavam cidades, né? Sei lá, minha opinião é só... Morando em Brasília. Agora, isso pra mim sempre foi uma questão, né? Porque eu vejo... É uma dúvida pessoal, desculpa se eu tô te botando assim numa posição delicada, né?

Eron Falbo: [40:26] Não, não! Pra quem já passou de nada. Se eu puder responder, eu respondo.

Paulo Sergio Niemeyer: [40:33] Então assim, é isso que o Cris ouvinte quer, é isso que tá acontecendo, a gente tá conversando numa boa... Então,.

Eron Falbo: [40:44] Eu acho que eu até me sinto um pouco na obrigação, porque algumas coisas vão virando lenda, as pessoas vão repetindo...

Paulo Sergio Niemeyer: [40:53] Sim, eu quero até justificar, né, botar justiça nas coisas.

Eron Falbo: [40:58] É, um pouco do meu trabalho, às vezes, É, eu trabalho com arquitetura, faço meus projetos aqui, sem nenhuma... ...Proteção do seu char. É claro, eles me observam assim. Ah, você vai fazer outro? Aí, claro, vou. Eu gosto de fazer outra coisa, brinco. Porque a arquitetura é mais bonita. Quem dera... ...Quem dera eu possa ser... ...Chegar perto do char. Às vezes brincam, né? Porque é lógico. Ah, que eu tenho traço parecido com... Não tenho. Meu avô era um gênio e... Fazia desenhos incríveis. Tô longe de ser, mas vou trabalhando. Então, antes de ficar, a gente fala do comunista, do achacunista, do Lúcio. O Lúcio não era. O Lúcio vinha de uma família de classe média alta. Tinha uma vida... Isso eu não vou falar, né? Eu via o Lúcio e ele não tinha muito... Que nem o Oscar.

Eron Falbo: [41:59] O Oscar tava sempre lutando mesmo. Ele parava de trabalho pra atender o MST.

Paulo Sergio Niemeyer: [42:06] Isso é conhecido, não é você que tá falando.

Eron Falbo: [42:09] Então o Oscar era um conquista mesmo. Ele foi pra frente de batalha. Ele foi pra luta, ele defendeu. Ele foi pra luta armada, sabe? Ele teve o lado do PES. Ele dizia que se os TEDs chegassem no escritório, ele parava tudo, os TEDs tinham que subir, por causa dele. Ele dizia que era uma luta importante da divisão de renda, etc, etc. E todo mundo que o encontrava falava assim, Oscar é o último comunista do Brasil. Ele dizia que a solução era a revolução. Um dia que o mundo estava aí era esse. Ele recebia desde o Marcelo Lebrecht, ao Deodoro, ao porteiro do...

Eron Falbo: [43:11] E levava todo mundo na mesa.

Paulo Sergio Niemeyer: [43:17] Ah, legal. O que me pergunta, talvez, é como ele era sorteado. Porque eu também já ouvi uma lenda, né? Talvez você tenha algum feedback sobre isso. Que o Juscelino era meio comunista, né? Então, talvez isso... Porque o meu problema é o seguinte. A cidade, em termos funcionais, em termos de planejamento, é claramente futurista. Futurista também, mas comunista. Tipo assim, tem... As coisas são niveladas em números e enomes, não remetem ao passado, que é uma ideologia comum. Então, a minha pergunta é, como que isso foi permitir a capital de um país que era supostamente capitalista na época, entendeu? Como é que isso foi concebido dessa forma? Você tem esse tipo de...

Paulo Sergio Niemeyer: [44:20] Conhecimento?

Eron Falbo: [44:21] Então, na verdade, a gente conversava muito sobre isso, e ele, pelo contrário, hoje, que não achava que era uma cidade, porque ela é muito segreda, o Brasil é um pouco segredo, só mora ali, quem recua?

Paulo Sergio Niemeyer: [44:35] Dentro do capitalismo ela é segreda, mas se fosse um partido como esse, eles iam designar.

Eron Falbo: [44:42] O pobre, ele é obrigado a morar na cidade.

Paulo Sergio Niemeyer: [44:47] Não, mas se eu fosse um patrimonista como o da Brasil, aí o Brasil ia funcionar. Essa é justamente a minha primeira pergunta, entendeu?

Eron Falbo: [44:55] É, sim. Claro. Então, é aí que eu já falava. O cara achava que a cidade mais socialista do Rio de Janeiro era a praia. Ele achava que era a praia que todo mundo se encontrava. Aí que... Pobre, preto, branco, gostava muito do Rio. E você podia chegar em lugar, quer dizer, no Rio, a pessoa sai do... Sai lá de Bangu, lá de... De Caxias, ou do lugar mais forte do Rio de Janeiro, e vai pra praia, e tão todos com a mesma roupa, que é, sunga, biquíni, calção, etc. Então, hoje eu já dizia que uma cidade democrática é o Rio. Quando... Né, no fim de semana, todo mundo tá... Os candidatos.

Paulo Sergio Niemeyer: [46:20] Então essa é a minha pergunta, tipo assim, Brasília, o jeito que foi planejado, foi planejado para ser administrado socialisticamente. Porque, eu vou dar um exemplo, eu nasci no Brasil em 316 sul. Aí Brasília, pra quem não conhece Brasília, vou até explicar, Brasília funciona da seguinte forma. Quadros chamados superquadros, onde prédios residenciais, e cada núcleo de empresários tem um núcleo de comércio, tem uma linhazinha de comércio, tem até o 16 Sul, que é do lado da 116 Sul, agora que eu faço muita produção no Brasil,.

Eron Falbo: [47:12] E.

Paulo Sergio Niemeyer: [47:12] Aí você tem um núcleo de comércio que vai servir aquelas A lógica é que naquele comércio você tem o que aquele não precisa. Então você tem um barbeiro, você tem um supermercado, tudo que aquela coisa precisa. Dentro de um governo unista, isso funciona porque aquilo não tem nada. Então aquela lógica de um barbeiro, assim por diante. Dentro de uma situação capitalista, E isso acontece o que aconteceu na rua das farmácias em Brasília. Só que só tem farmácia. E isso por causa do barismo. Aconteceu que era mais conveniente. Para as farmácias seguirem. E ficou só farmácia. O certo mesmo seria ter um barbeiro. Ou seja, claramente o projeto de Brasília foi desenhado ilumbrando futuro brasileiro comunista.

Paulo Sergio Niemeyer: [48:16] Aí a minha pergunta é como é que isso pode ser possível?

Eron Falbo: [48:44] Tá lá no fundo, tá lá fazendo exílio essa ligação com toda a parte pública de fácil acesso. Só que ela foi feita pra carro, dificilmente cobre carro, então o sistema de transporte tá melhorando, tem o metrô. Mesmo assim, esse encontro não ficou. Se isso fosse se aumentando e não se tivesse cidade de satélite, aí sim, estaria funcionando. Hoje ela, realmente, pelas gestões que foram tendo, que não foram preservando a cidade, ela é uma cidade mais capaz do que a socialista. Mas você tem razão. Se fosse um governo socialista que pudesse todos morarem, não fosse morarem nada.

Paulo Sergio Niemeyer: [49:35] Veja só a pergunta, como que é possível, me perguntem, e talvez não seja tendo a sua, não seja, vamos dizer, sua, sua preocupação é outra, com a arquitetura, mas dá uma pergunta pessoal minha, que eu sempre tive crescendo em Brasília. É tipo assim, se a capital de um país, e essa, Esse país não é comunista. E a cidade foi projetada tipo assim... É... Que... É... O povo não tem carro. Mas dentro de um... Sistema comunista... Tipo assim... Em Cuba, por exemplo... É... As pessoas ou tem alguma coisa ou não. Tem, e aquilo é dividido... Igualmente.

Eron Falbo: [50:32] Então... É, claro.

Paulo Sergio Niemeyer: [50:35] Os carros são propriedade do governo brasileiro. Então o que acontece é que...

Eron Falbo: [50:43] A partir da inspeção dos avanços dos carros e tudo, a Brasília se daria.

Paulo Sergio Niemeyer: [50:49] De uma forma mais... Aí a pergunta é isso. Como que pode ter sido planejado uma cidade vislumbrando o futuro comunista para o Brasil, E foi feito dentro de um regime, é... É... Fatalista, supostamente.

Eron Falbo: [51:09] Com certeza.

Paulo Sergio Niemeyer: [51:11] Aí, cê tem... Cê tem algum, tipo... Alguma coisa que não... Botar na... Na Wikipédia, sabe? Entendeu?

Eron Falbo: [51:20] Não, cê tem razão. Por exemplo, se parar, uma coisa que me interessa já é... A ilha, ela tem uma penalização... Frente às necessidades... A imprensa é a cidade. A cidade, ela é criada. A Reimann não tem torres, não tem projetos faraônicos. Tem uma coerência de arquitetura, onde todos se entendem. Se não tivesse tido um governo socialista, você ia ter o povo se riburando juntos. Ela era uma cidade quase... Era brasileira mesmo. Onde todos vão estar... Todos estariam... Felizes, inclusive. E vai implicando... Brasil em vários lugares. Seria muito legal, né? É.

Paulo Sergio Niemeyer: [52:19] Eu, personalmente, não sou adepto, né, de comunismo. Uma coisa que posso dizer é que Brasília, com todos os problemas funcionais que as pessoas reclamam, ainda é, ter sido planejado, uma das cidades mais seguras, mais de alto nível de... Pelo menos o público do Brasil. Claro que tem problemas de desigualdade muito sérios, por causa dessa discrepância de planejamento, versus a realidade do regime atual. Só que ao mesmo tempo... É isso que faz a diferença E é uma coisa maravilhosa, né?

Paulo Sergio Niemeyer: [53:29] Andar lá pelo leixão ou pelo leixão metal, especialmente com as obras do seu avô. É um sentimento realmente de honra.

Eron Falbo: [53:38] Eu falo isso, eu falo isso às vezes, quando eu tenho a oportunidade, que Brasília, ela é muito especial, mas também se não tivesse o Oscar e o Juscelino. O Juscelino, porque foi um... E o Oscar que lutou pelo Lúcio Costa, lutou pelos projetos, e isso foi tornar o Brasil uma realidade. Agora, se não tivesse os monumentos lá, a Catedral, o Palácio do Congresso e tudo, o Brasil seria mais uma cidade planejada, sem tão querer esse. É claro que os monumentos arregam e fazem com que As pessoas queriam visitar a Brasília e até morarem. Eu brinco com as pessoas assim. Vocês sabem quantas cidades planejadas existem?

Eron Falbo: [54:39] Ninguém lembra do nome. Brasília não é a única.

Paulo Sergio Niemeyer: [54:42] Aqui no Brasil, há uma cidade planejada e ninguém conhece. Washington, pelo menos o núcleo.

Eron Falbo: [54:58] Também é. Mas aqui no Brasil mesmo, próximo da gente, tem 3, 4, tem mais de 4 cidades planejadas.

Paulo Sergio Niemeyer: [55:06] Quais são?

Eron Falbo: [55:06] Eu tô... Eu agora não vou fugir o nome. O nome é nada. Pais Palmas é uma...

Paulo Sergio Niemeyer: [55:17] É, mas isso... A ideia é fantástica, né? Que é uma coisa que a gente pode vender com os comunistas, que, na minha opinião, é uma das raras coisas.

Eron Falbo: [55:26] Que a gente faz.

Paulo Sergio Niemeyer: [55:28] Mas é uma coisa que a gente pode aprender com os comunistas, que é tipo, nem tudo precisa ser uma derivação do passado, às vezes a gente pode arriscar e experimentar, fazer uma coisa nova, pegar um pedaço de terra e planejar uma cidade inovadora.

Eron Falbo: [55:56] A gente depende daqui, por isso nós estamos aqui na Escola Neymar. A Escola Neymar começa agora em agosto, com a primeira turma, aqui no Rio de Janeiro. E a gente já tem parceria com várias cidades querendo que a gente faça cursos livres da escola. Uma das coisas que a gente quer fazer é falar sobre esses temas e poder debater mesmo. Tem muita gente que não entende o que é que foi o Oscar... E quando eu chego na palestra... Eu não gosto muito de palestras. Aliás, estou aqui... Com muito prazer... Porque você é um herói... E o seu trabalho é muito bom... Muito bem feito.

Paulo Sergio Niemeyer: [56:46] Que isso... Muito obrigado.

Eron Falbo: [56:48] Eu estou aqui com uma amiga nossa... Muito querida... Quem tem...

Paulo Sergio Niemeyer: [57:14] Que é isso, com certeza não, Paulo Sérgio. Você já tá convidado, pré-convidado aqui pra minha casa, pra gente tomar um chão aí. Pessoalmente, eu não imagino que você fuma charuto, porque seu avô era comunista, então eu imagino que você tenha aprendido. Oi? É um correio. Você gosta de fumar, não? Ótimo!

Paulo Sergio Niemeyer: [58:25] Com certeza!

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