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#119 O medo é informação

com Flávio Daflon · 7 de ago de 2026

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Quem é Flávio Daflon

Fundador da Companhia da Escalada

Flávio Daflon deixou a carreira em tecnologia para fundar a Companhia da Escalada, formando guias e instrutores.

Transcrição do áudio do episódio.

Eron Falbo: [0:00] Sejam bem-vindos, meus amigos! Aqui quem fala é o narrador de suas mais intensas emoções, Perón Valbo. Vamos sair dos nossos tempos agora. Honramos as quatro direções, leste, oeste, norte e sul. E também honramos aqui a direção vertical, que nos leva acima de um ponto. Somos capazes de fazer muito mais do que imaginávamos, mas só descobrimos essa capacidade quando testamos o nosso limite. Tommy Caldwell.

Eron Falbo: [1:12] If you need me, call me No matter where you are No matter how far Don't worry baby, just call my name I'll be there when you want me You don't have to worry Cause.

Flávio Daflon: [1:27] Baby, there ain't no mountain high enough.

Eron Falbo: [1:31] Ain't no valley low enough Ain't no river wide enough Senhoras e senhoras, o líder da seita de todos os psicopatas que colocam a vida em risco diariamente por razão nenhuma, o Pelé das rochas, o imperador vertical, o mestre do mestre do meu mestre, Flávio da Flow! E aí, Flávio, beleza?

Speaker 2: [2:06] Muito prazer.

Eron Falbo: [2:09] Muito prazer finalmente te conhecer. Tanta gente fala de você que eu estava criando uma lenda, sabe? Uma imagem. Estava imaginando que você era gigante.

Speaker 2: [2:23] Tudo bom, Adão?

Eron Falbo: [2:25] Tudo bem, graças a Deus. E com você?

Speaker 2: [2:27] Prazer te conhecer. Por enquanto online, né? Daqui a pouco a gente vai se conhecer ao vivo.

Eron Falbo: [2:33] Com certeza. Adoraria ter uma aula com você. Você dá aula também, não?

Speaker 2: [2:36] Sim, sim. Todos os cursos eu termino. Então a gente vai fazer algumas aulas, sim. Provavelmente as duas últimas. É só não ter batido o nosso horário, porque às vezes eu dou mais aulas também. Mas é uma correria. E às vezes tem que trabalhar no computador, trabalhar no escritório. Aí nem todos os dias a gente consegue.

Eron Falbo: [3:00] Imagino. Só para a gente iniciar aqui, que eu percebi que dentro do mundo do... Da escalada, se é realmente uma... A gente brinca no começo do programa. A gente que não se conhece tão bem, talvez fique um pouco demais, só pra dizer que é uma brincadeira de bom grado. Mas eu queria dizer que fora do mundo da escalada, é legal para as pessoas que estão nos escutando aqui, te conhecer um pouquinho para a galera que está escutando. Dentro do Mundo Escalado, eu que escalo, por exemplo, ele é um cara que todo mundo fala, que é uma espécie de mentor para muita gente, um grande especialista, considerado por muita gente. Então se você puder dar uma breve trajetória da sua vida de escalada e o que você faz hoje, Sim, é.

Speaker 2: [3:54] Porque eu comecei a escalar foi em 89, eu tinha 16 anos. Fazia até trilhas, antes de escalar já fazia até algumas trilhas, mas escalar mesmo foi em 89, que eu fiz um curso. Aí comecei a escalar ali pela URCA. E 95, ainda nessa época, eu estava prestando vestibular, entrei para o vestibular de informática, consegui passar informática para a UERJ, E fui levando à faculdade e escalava a final de semana. Mas chegou 95, eu já estava cansado da informática, trabalhava até com informática. Mas aí fiquei saturado um pouco da informática, ficava no escritório o dia inteiro. Aí eu falei, sabe de uma coisa? Eu acho que tem um mercado para trabalhar com escalada. Naquela época tinha dois, três, quatro instrutores no máximo no Rio de Janeiro que davam aula. E ocasionalmente. Eu falei, eu acho que tem um mercado para isso.

Eron Falbo: [4:54] Mas isso é um pouco depois, você começou em 89 e...

Speaker 2: [4:57] Isso, foi em 95 que eu comecei a pensar em trabalhar com escalada. E aí eu resolvi, falei, vou fazer uma experiência. Tirei um ano na empresa que eu trabalhava. Eles estavam capengando das pernas e aí abriram demissão voluntária. Aí eu falei, eu levantei a mão e falei, eu sou o primeiro.

Eron Falbo: [5:21] Demissão voluntária.

Speaker 2: [5:24] Tô aqui, que aí eu já recebi uma grana da demissão, eu falei, é isso mesmo. Aí eu peguei e falei, sério, uma coisa, eu vou viajar. Eu vou viajar pra escalar. E quando eu voltar eu vou decidir. E aí eu comecei a viagem, fui pra Argentina com os amigos. Eu ia ficar 21 dias com eles, mas eu já sabia, não, eles vão voltar e eu ia continuar. Aí acabei indo pra Argentina, Chile, fui Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Peru.

Eron Falbo: [5:52] Mas antes, só pra você poder perguntar, como começou essa... Psicologicamente falando, porque uma coisa do nosso programa pra você conhecer um pouco, a gente tenta sair um pouco do lugar comum, que isso aqui você já deve ter falado em várias entrevistas. Vamos tentar entrar um pouquinho em coisas que talvez você nunca falou antes. Talvez um aspecto psicológico de, inicialmente, que tipo de pessoa você era. Vamos dizer, antes de começar a escalar e como você acha que... Isso aí também é um lugar comum de como esse tipo de mudança já deve ter respondido, mas o que eu queria mais especificamente saber é em que momento você decidiu, não, isso é uma coisa que eu quero levar mais a fundo e o que você acha que aconteceu com você para você querer levar mais a fundo essa sua paixão?

Speaker 2: [6:44] Não foi de um momento para outro. Não foi uma coisa de um dia para outro que você tomou uma decisão dessa, uma decisão que muda a sua vida toda. Você está em uma faculdade, esperando completar uma faculdade e vai decidir largar tudo para trabalhar com algo que é totalmente incerto. Então, não é de uma hora para outra. Então, foi assim... Raramente eu tomo decisões precipitadas, eu sempre penso bastante. Então, fui pensando, pensando. Cada dia que você acorda, você está pensando naquilo. E foi justamente nessa viagem que, quando voltei, eu senti. Eu falei, não, não consigo mais. Não consigo mais ficar dentro de uma sala de aula, estudando matemática, estudando programação, ou dentro de uma empresa, oito horas por dia, sentado na frente do computador, programando. Eu não consigo mais, eu mudei. Eu gostava disso, eu não fiz informática porque era da moda, era uma opção do futuro.

Speaker 2: [7:51] Eu gostava, realmente eu gostava.

Eron Falbo: [7:53] Não é porque você tinha muitas mulheres, porque informática não é a coisa mais atrativa.

Speaker 2: [8:00] Não. Aí quando eu voltei dessa viagem, eu falei, não, agora não dá mais. Até tentei terminar a faculdade, mas não conseguia. Não conseguia mais me concentrar, não conseguia mais estudar. Na UERJ não é uma faculdade fácil, não é uma coisa que você vai lá rapidinho, faz a provinha e está aprovado.

Eron Falbo: [8:18] Vamos entrar nessa tangente um pouquinho, essa questão da dicotomia entre você ficar trancado num computador e você sair pra fazer uma coisa com as mãos, que você tá, bom, pelo menos de acordo com o seu corpo, você tá arriscando a sua própria vida. O seu corpo lê isso. Eu sei isso eu mesmo escalando. Então o seu ID ganha informação de que você está correndo perigo, então você tem que lutar contra isso. Então é justo o contrário de uma vida teórica, uma vida de programação, de informática, de cabos e rede, etc. Para uma vida totalmente no agora e no fight or flight, como é que é? Fuga ou luta, sei lá como é que é em português. Esse sistema nervoso que a gente tem de defensividade automática do inconsciente. Fala um pouco sobre essa dicotomia, esses dois mundos que você vivia e talvez sobre o que muita gente está vivendo esse problema hoje em dia.

Speaker 2: [9:18] Sim, na verdade eu acho que eu sempre tive isso comigo, essa parte aventureira de buscar aventura, isso eu acho que não é uma coisa que você talvez ganhe de morar para outra. Eu acredito que eu nasci com isso, eu tenho esse gene, é uma coisa assim, é um gene de curiosidade, de querer explorar, de querer se admirar, de querer se arriscar. Eu acho que é um gene. Aquela lixa estava em mim. E eu comecei a gostar disso fazendo trilhas. Eu começava a fazer caminhada e curtia muito. Daqui a pouco você fica pensando, pô, mas eu preciso de mais. Quero fazer alguma coisa mais, um pouco, dar um passo mais à frente. Aí comecei a acampar, a fazer acampamento em Itatiaia. Então você vai aos pouquinhos dando um passo. Até que na escalada eu lia também, saía nas revistas. Saía nas revistas aquelas escaladas, na matéria de escalada, revista Manchete na época, tinha National Geographic.

Speaker 2: [10:24] Aquelas matérias eu ficava lendo, eu ficava empolgado com aquilo, queria fazer alguma coisa igual aquilo ali. Isso era junto, ao mesmo tempo que eu gostava da informática, eu também tinha atração por essa área. Só não tive o pontapé inicial. O pontapé inicial, por acaso, foi... Por acaso, foi um muro de escalada. Foi em dó. Não era bem em dó. Era um hotel fazenda que eu fui com a família. Minha mãe tirou um final de semana para levar a gente no hotel fazenda. No hotel fazenda tinha um muro de escalada. E aí, por acaso, o instrutor que trabalhava lá no muro, que dava aula nesse muro, era o falecido Mozart Catão. Que era um escalador brasileiro que faleceu no Aconcagua. E era um excelente escalador, cara.

Eron Falbo: [11:13] Ele faleceu por erro de equipamento ou porque ele foi fazer free solo?

Flávio Daflon: [11:17] Não, não.

Speaker 2: [11:18] Ele estava numa escalada difícil, uma escalada que geralmente leva três, quatro dias para subir o Aconcagua, uma parede bastante íngreme. E foi uma avalanche.

Eron Falbo: [11:26] Uau. Essa avalanche também é super comum, né? Quando está em neve.

Speaker 2: [11:30] Matou ele e mais os dois parceiros que estavam com ele.

Eron Falbo: [11:34] Eu acho que vale a gente fazer um disclaimer, um aviso rápido. Eu acho que tem muita gente, nossos ouvintes que estão acompanhando, que gostariam de talvez entrar dentro da escalada. Eu acho que o meu próprio relato vale, porque a gente falou agora de um acidente e essas coisas sim acontecem, as pessoas precisam estar cientes disso, mas também acontecem acidentes de carros, acontecem acidentes cirúrgicos, não é por isso que a gente para de dirigir e ir para o médico. Por isso que eu até brinquei no começo, as pessoas que se arriscam diariamente sem razão nenhuma, mas eu tô brincando com isso porque eu acho que tem uma razão e uma razão muito séria e a razão que eu comecei a escalar que eu percebia, em primeiro lugar, que eu era muito sedentário, muito nesse mundo de boemia, intelectualidade, informática também, mídia social e até estar por trás de um computador.

Eron Falbo: [12:42] E também escrevendo, eu gosto de escrever.

Speaker 2: [12:45] É verdade.

Eron Falbo: [12:54] E esse amigo meu me chamou para escalar do nada e eu aceitei por causa disso, porque eu queria buscar essa coisa. E assim que eu fui, eu tenho essa coisa de autodesenvolvimento. Cara, eu morro de medo de altura. Então, eu consegui escalar, sei lá, 3 metros e estava paralisado. Mas como eu tenho essa lombra com autodesenvolvimento, de querer me sobressair e tal, eu falei, deixa eu descer, porque eu conheço não deixar o sistema nervoso queimar. Tipo, deixa eu descer e eu deixei as paradas cardíacas abaixarem, diminuírem e respirei. Aí eu falei, vou tentar de novo, mesmo que todo o meu corpo estava dizendo, não, não tenta. Aí eu fui, sei lá, 4, 5 metros, aí de novo paralisei, depois um pouco mais e paralisei. Eu falei, hoje por hoje é só, tipo, cansei, porque também quanto mais adrenalina, mais cansaço também, quanto mais você tá nervoso, mais você tem que exercer. Mas o que eu quero dizer com você, que eu discordo com você quando você falou que talvez essa foi sua leitura, então com todo respeito, mas eu acho que como você gosta de testar limites, eu acho que as pessoas que acham que nasceram sem esse gene de aventura, deveriam testar os próprios limites também.

Eron Falbo: [14:09] E aos poucos, talvez seu limite é pouco, é só uma trilha, talvez você tenha tanto medo que uma trilha te deixaria muito nervoso. Então testa uma trilha, vai aos poucos, depois testa uma maior, de repente conversar com alguém que entende disso. O Daflão, tipo outros outros instrutores da Companhia da Escalada, inclusive aproveitando para fazer a propaganda. Qual que é o site? Acho que eu nunca entendi o site. Eu sou aluno, só para a galera entender. Qual que é o site da Companhia?

Speaker 2: [14:44] Companhiadascalada.com.br, bem simples. Companhia com NH, Se digitar no Google também a gente aparece logo, Companhia da Escalada.

Eron Falbo: [14:52] É bem simples de lembrar também, Companhia da Escalada. E eles têm uma estrutura super profissional, são talvez o mais antigo do mercado, pelo menos no Rio de Janeiro, certamente.

Speaker 2: [15:02] Sim, no Rio de Janeiro sim.

Eron Falbo: [15:04] Então vale muito a pena, pelo menos começar por eles, antes cada um tem seu estilo e tudo mais, mas começar por eles é muito bom porque eles são muito acolhedores, muito práticos, muito bem organizados. Então, mas voltando para o assunto psicológico, eu acho que você que é, pelo menos do Rio de Janeiro, o mais antigo, talvez o maior especialista, um dos maiores do Brasil, certamente, do mundo, se você puder dar essa perspectiva para o iniciante, essa jornada psicológica, você que acompanhou tantas pessoas do início, como é que é esse processo de quebrar o medo? Passar do medo pra paixão de escalar.

Speaker 2: [15:47] Sim. O que a gente vê é que 99% das pessoas têm medo. A gente tem medo. Nós, instrutores, eu tenho medo. Ter medo, acho que todo mundo tem. É raro alguém que não tenha medo nenhum. Isso é até perigoso, né?

Eron Falbo: [16:08] Sim, exatamente. Que nem o cara do Fui Solo, que eu vi antes de ontem.

Speaker 2: [16:12] Sim, sim. Então, o medo faz parte. Isso não tem como tirar do jogo. O que você tem que fazer é aprender a conviver com medo, a controlar o seu medo. E isso vai através também do autoconhecimento, que nem você falou, você subiu um pouco, você percebeu que estava desconfortável e você sabe que você precisa de um tempo maior para me adaptar, não tem problema nenhum, volta, descansa, para e aí tenta de novo. Nós temos vários casos de alunos que tinham muito, muito medo E que a gente até pensava, não, esse aluno não vai conseguir completar o curso, esse aluno não vai continuar escalando depois do curso. E às vezes acontece exatamente o oposto do que você imagina. Tem alunos que tinham muito, muito medo e hoje são guias de cordada, guiam também os amigos.

Eron Falbo: [17:09] Só para o pessoal entender, guia de cordada é a galera que vai primeiro e vai sem corda e põe no grampo a corda para o outro poder escalar. Então tem que ter uma coragem nível máximo.

Speaker 2: [17:22] Sim, o participante tem um pouco mais de segurança no momento em que se ele cair a corda já está esticadinha na cintura dele. O guia, o que vai na frente, se ele cair, ele tá preso ainda pela corda, ele não vai cair da montanha toda, mas ele toma uma queda um pouco maior do que o participante. Então é psicologicamente mais desafiador.

Eron Falbo: [17:47] É, mas tô dizendo, no iniciozinho ele sobe pelo menos um trechinho, né?

Speaker 2: [17:51] Ah, é, mas é um trecho pequeno. Mas é mais desafiador, Guiar, é mais desafiador, com certeza. E é muito difícil você dizer para uma pessoa, você ver uma pessoa escalar e falar, não, essa pessoa não tem jeito, essa pessoa não vai conseguir. Porque a gente já viu vários casos ao contrário. Que você achava que a pessoa não ia continuar e a pessoa continua e se torna um escalador bom.

Eron Falbo: [18:25] Já voltamos para a nossa conversa. Queremos usar esse espaço privilegiado e sua atenção especial para divulgar artistas que merecem ser reconhecidos. Além disso, queremos contribuir para o crescimento desses artistas. A cada episódio escolhemos um ganhador para divulgarmos, darmos incentivo financeiro, parcerias e oportunidades. Vote no que você gosta mais e faça uma diferença. Fique agora com os nossos escolhidos.

Flávio Daflon: [18:58] Fica tudo bem Mas tá tudo bem, eu juro A gente ganha no final Se for pra ser Não faz mal Eu não faço questão eu só quero ter um pouco de tudo que eu sei que a gente pode sentir e ainda vai quando a gente E aí E eu sei que a gente pode sentir A gente ainda vai fugir Eu sinto que você vai me deixar louco eu quero mais um pouco de sufocar é o que eu te quero Eu não sei.

Eron Falbo: [23:40] Por isso que eu posso até admitir da possibilidade que existe alguma coisa genética, que nem você falou, só que a gente não tem como saber. E já que a gente não tem como saber, é melhor a gente pensar que é provável que a gente só esteja com medo e que a gente consiga sobressair.

Speaker 2: [23:58] Sim, sim. No meu caso, eu acredito nessa genética. A genética que eu falei, no meu caso, eu acredito que eu já tinha isso. Porque desde a época que eu tinha 14 anos, eu já sentia essa atração por esse tipo de atividade. Mas não necessariamente de outras pessoas. Tem pessoas que nunca fizeram isso. E se encontram na escalada. Nós temos alunos também que nunca pensaram em escalar até às vezes os 40 anos. E quando começam a escalar, ficam viciados, querem escalar todo final de semana. Compra o material todo, viajam, fazem facílias.

Eron Falbo: [24:37] Foi o meu caso, esse é o meu relato. Por isso que eu... Na verdade, nesse programa, uma das coisas que a gente faz aqui é tentar inspirar as pessoas a sobressair os próprios limites. Nesse caso específico, Eu sou um caso real, que eu me expus no sentido de que, cara, nunca fiz nada. Eu nasci em Brasília, sacou? Morei a minha vida metade em Londres, em lugares que não tem... Pra você ficar lá, você tem que sair da cidade, sacou? A galera do Rio de Janeiro não entende o que é isso tão bem. Porque aqui no Rio tem tanta coisa, você pega o carro de 5 minutos aqui do Leme e você tá no Pão de Açúcar. E é difícil imaginar o que é a vida de alguém que é totalmente urbano mesmo. Eu cresci assim. Em Brasília tem alto paraíso, mas você tem que dirigir três horas. Em termos de Europa, isso é outra cidade, outro país. Então, pra mim, foi uma mudança de vida radical.

Eron Falbo: [25:39] Eu comecei a escalar, eu tive que sobressair limitações próprias, só que o tanto que isso valeu pra mim é indescritível. Porque eu passei de ser uma pessoa totalmente sem consciência corporal sem consciência dos meus controles mentais, porque também acho que você deve saber disso, mas você fica uma pessoa com mais capacidade de controlar quando você está com raiva, quando você está com qualquer desequilíbrio emocional, porque você cria um elo da sua mente 1, mente 2, sua mente que a vozinha que fala, é melhor sair daqui porque aqui tá muito perigoso e a mente que fala, porra, relaxa que a corda tá te prendendo, tá tudo certo. E você tem esse diálogo melhor, você tem essa visão também? Isso pra você é um aprendizado, essa parte psicológica?

Eron Falbo: [26:41] Isso é uma curiosidade?

Speaker 2: [26:42] Sim, mesmo escalando há 30 anos, eu ainda, a cada dia, eu ainda tenho coisas pra aprender. Ainda tenho coisas pra vender, não só na parte técnica, mas nessa parte mental principalmente. Isso a gente não para nunca. Tanto que... O legal da escada é justamente isso, né? Você trabalhar a parte física e mental. Você tem que trabalhar os dois. Pra escalar numa montanha, pra escalar em rocha, você tem que trabalhar muito os dois. Se você tiver uma parte física ótima, mas... A tua mente está fraca, não está decidida, está em dúvida, você também não consegue subir uma montanha. E também não adianta você ter uma mente superpoderosa e também não estar preparado fisicamente. Ou você tem uma mente super... Que te joga sempre pra frente, em direção aos desafios, mas você não tá preparado também fisicamente.

Speaker 2: [27:45] Então, os dois têm que trabalhar juntos, não tem jeito. E legal, porque antigamente se dava muito... Muito valor à parte física na escalada. E de uns anos pra cá, eu falo de uns 15 anos pra cá, saíram alguns livros sobre treinamento mental pra escaladores. Então, agora já é uma parte já bem explorada.

Flávio Daflon: [28:07] Ah, é?

Eron Falbo: [28:08] Uau! Se você puder recomendar algum que você ache interessante.

Speaker 2: [28:11] Sim, então, tem um que a gente até traduziu. A gente fez a edição em português. O livro é de um americano, o Arno, Arno Ilgner, e ele foi traduzido já em seis idiomas, o livro. Ele tem até dois volumes, ele fez dois volumes. E eu já tinha lido o livro em espanhol. Quando eu li o livro em espanhol, eu falei, caraca, esse livro é excepcional, é muito bom. Eu li o livro duas vezes, para você ter uma ideia. Aí surgiu a chance. Porque a gente já editava livro aqui no Rio, né? Parte do nosso trabalho, também pra quem não conhece, a gente trabalha com cursos de escalada, mas também com publicações de escalada. Então a gente faz os livros, né? O Guia de Escaladas da Urca, o Guia de Escalada da Floresta, as 50 Vias Clássicas do Brasil, a gente tem alguns...

Eron Falbo: [29:01] Eu até ganhei um livro de vocês, mas acho que nem abria.

Speaker 2: [29:04] Isso, escale melhor com segurança. E esses livros a gente edita também, a gente tem oito livros já editados com o silo Comprei da Escalada.

Eron Falbo: [29:16] Que legal, parabéns pelo trabalho. Isso aí é uma coisa que não é óbvia, vocês estão pegando todas as necessidades da pessoa que está recebendo.

Speaker 2: [29:25] Sim, eu gosto muito de escrever, eu gosto muito de fazer livro. Dá um trabalho danado, por isso que às vezes também eu não consigo dar muitas aulas. Tem época que a gente está ou trabalhando em algum livro, ou reeditando algum livro. Então, eu tenho que trabalhar muito também no computador, de qualquer maneira. Então, tem época que eu tenho que dar menos aulas. Mas esse livro, a gente editou ele em português e ele é fantástico. Se você tiver a chance de ler, é O Caminho do Guerreiro da Rocha.

Eron Falbo: [29:48] Uau, já adorei o nome e ia ler de qualquer jeito. Vou ler imediatamente, você pode ter certeza.

Speaker 2: [29:56] O Caminho do Guerreiro da Rocha. A gente vende pelo nosso site também. Quando eu estiver com você, eu levo um. O Arno, ele pega a tradição do guerreiro, ele pega a tradição do guerreiro samurai, por exemplo, o guerreiro japonês, o guerreiro asiático e mistura com um pouco da psicologia do esporte. Sim, e é um livro que não é aquela coisa chata de você ficar lendo e parecer uma coisa de autoajuda. O livro tem passos práticos, ele tem passo número um, são sete passos que ele conseguiu dividir. E aí você vai, passo 1 é isso, passo 2 é o objetivo é.

Eron Falbo: [30:41] Esse, passo 3... Vou ler imediatamente, cara. Inclusive, vamos acabar aqui, entrevista mais rápida que eu quero ler.

Speaker 2: [30:47] E deu tanto certo, a última vez que eu tenho contato com ele de vez em quando, com o Arno, a gente troca as mensagens, e ele falou que agora a editora pediu para ele fazer o mesmo formato de livro para não escaladores. Ou seja, o livro, quando você está lendo, você percebe que você consegue usar aquele livro não só na escalada, você consegue usar no seu dia a dia, na sua vida, nos seus problemas diários, você consegue usar os ensinamentos que ele coloca ali no livro. E agora a editora pediu isso a ele. Então, ele vai lançar um que vai ser para uma infinidade de situações, você vai poder usar o livro.

Eron Falbo: [31:29] Sabe que tem um dos primeiros livros da história do coaching, dessa coisa de alta ajuda e tudo mais. É um livro chamado The Inner Game of Tennis, Jogo Interno do Tênis. E é justo alguém fazendo isso que você está falando, só que com tênis. Um dos meus livros favoritos da história é esse livro, O Jogo Interno do Tênis. Que eu jogo tênis pra caramba. Quando eu digo isso, é frequentemente, não muito. E esse livro, cara, muda alguém que gosta de psicologia, que gosta de auto-desenvolvimento e joga um pouquinho de tênis, começa a se apaixonar pelo tênis. Através desse livro. Então eu diria, eu arrisco dizer que esse livro de montanhismo, de escalada, deve, alguém que se interessa por trilha, por alguma coisa assim e lê esse livro, com certeza vai se apaixonar de uma forma de uma forma muito mais intensa, porque a verdade é que a gente tá nesse mundo, na minha opinião, eu acho que na opinião de outras pessoas também, a gente tá nesse mundo pra se melhorar, pra ser pessoas melhores, pra se conhecer, pra ter uma experiência dessa vida intensa.

Eron Falbo: [32:41] E a escalada é um caminho pra isso que é difícil comparar, né? Porque você, ao mesmo tempo que você tá tendo essa experiência presente, que você pode ter no tênis também, só que o tênis não tá te levando pra cima de uma montanha pra você ver uma vista maravilhosa, pra você ter esse contato, ao mesmo tempo, com a morte e com Deus. Com o máximo da vida e com o máximo do medo e das suas capacidades biológicas mais primitivas.

Speaker 2: [33:13] Sim. Vários autores de escalada, escaladores famosos que escreveram sobre sua vida na escalada, comentam isso quase todos comentam a mesma coisa a escalada você a pessoa se despe das suas máscaras não tem como você é se mascarar e escalar ao mesmo tempo.

Eron Falbo: [33:45] Até tá pensando sobre outra coisa, né?

Speaker 2: [33:47] Sim, você aparece, quando você tá na montanha, você aparece como você realmente é. Aí você consegue conhecer realmente uma pessoa nessa situação, nessas situações difíceis. Situações de dificuldade, desafio. Às vezes, até uma pessoa que você acha que você conhecia muito, você pode, numa escalada, conhecer um outro lado dela que você não conhecia. E o contrário também aparece, uma pessoa que você não conhecia muito e você vê que é um excelente parceiro, uma excelente pessoa para enfrentar os problemas e enfrentar os desafios que estão aparecendo.

Eron Falbo: [34:26] Isso é verdade. Para a gente entrar um pouco nisso...

Speaker 2: [34:28] E não dá para se mentir.

Eron Falbo: [34:30] Pra gente entrar um pouco nisso pra galera que não é escalador, a escalada é uma parada que se você estiver junto com uma outra pessoa, primeiro lugar, antes de qualquer coisa você tem que confiar, tem que aprender a teoria física da coisa, porque senão é difícil confiar na corda, no grampo, na montanha em si. Se você não tiver uma mínima teoria disso, o seu corpo te informa que aquilo é uma loucura que você está fazendo. Agora, isso é o número um. Mas a segunda coisa é que você precisa do seu parceiro de escalada para cada momento. E se você não confia que ele verificou o equipamento dele, se ele não tem a prudência própria, se ele não tem um cuidado dele mesmo, você deveria estar preocupado, porque se ele se ferrar, você se ferra também.

Speaker 2: [35:21] É, um depende do outro, a parceria escalada.

Eron Falbo: [35:24] Exato, então é uma coisa que tipo assim, se sei lá, time de vôlei, time de futebol ajuda ter um trabalho em equipe bom, escalada, ajuda você a ter uma irmandade praticamente, porque você entrega sua vida na mão de outra pessoa.

Speaker 2: [35:38] Sim, literalmente.

Eron Falbo: [35:40] E isso não é uma coisa pra desmotivar as pessoas, isso é uma coisa pra dizer, cara, se beber, não escalhe. Primeiro lugar. E para você aprender a ter essa confiança, porque tudo na vida, a gente não para para pensar isso, mas cara, se você está dirigindo um carro, você está confiando lá na Ford e na capacidade deles de criar freios. Porque se você está dirigindo 90 por hora e o freio não funciona, você vai bater, você vai morrer. Então você está confiando em um ser humano todo dia. Se você está andando na calçada, você está confiando em um ser humano que está dirigindo na rua. Pode não ser esse nível de confiança consciente que você está depositando numa pessoa que você escolheu, ou seja, melhor ainda escalado porque você escolheu aquela pessoa, você está olhando para aquela pessoa, olhando nos olhos daquela pessoa, você está aprendendo aos poucos também porque você não vai confiar nela da noite para o dia.

Speaker 2: [36:39] Sim, da noite para o dia é, claro.

Eron Falbo: [36:43] Sei lá, se a pessoa já tem um credencial, tipo os instrutores da Companhia do Escalado, você entende que a galera já tá lá, porque tem um carimbo ali do Flávio Daflão, que é uma pessoa... Então assim, do mesmo jeito que a Ford tem os freios, existem o UAA, né?

Speaker 2: [37:03] A UIA.

Eron Falbo: [37:08] Quando você tá quase caindo, você fala UIA. Mas existem carimbos de credenciais do mesmo jeito que existe empresa de carro. Eu acho que isso é muito importante para a gente, como ser humano, entender, porque tudo que a gente está fazendo tem risco. O lance da escalada é que você precisa tomar conhecimento sobre os riscos, tomar conhecimento sobre o que você está se expondo e se conectar com as coisas certas. Ou seja, não chegar no Google e botar instrutor de escalada do nada e ver o que aparece.

Speaker 2: [37:43] Aqui no Rio, a gente tem uma vantagem, que a gente tem no Brasil, até agora, até o momento, é o único estado que tem uma associação de guias. Então, a gente tem uma associação de guias em que você, para entrar, você precisa ter um currículo, comprovar um currículo e fazer provas. É a única no Brasil, chama Aguiperge. E a Aguiperge deu tão certo que agora a Confederação Brasileira de Escalada, de Montanhismo e Escalada, adotou um processo bem similar ao da Aguiperge, a Aguiperge também está ajudando nesse processo, e agora vai ter uma certificação nacional. Então, vai ajudar, por exemplo, a quem quer começar, se você quer contratar alguém para te ensinar, para te levar para a montanha, melhor contratar um profissional que já foi avaliado pelos seus pares.

Eron Falbo: [38:37] Já voltamos para a nossa conversa. Queremos usar esse espaço privilegiado e sua atenção especial para divulgar artistas que merecem ser reconhecidos. Além disso, queremos contribuir para o crescimento desses artistas. A cada episódio escolhemos um ganhador para divulgarmos, darmos incentivo financeiro, parcerias e oportunidades. Vote no que você gosta mais e faça uma diferença. Fique agora com os nossos escolhidos.

Flávio Daflon: [39:18] Nada era certo Mas parecia tão normal Me acostumei Com a incerteza ideal Nos faz querer o tudo O pouco não é opção Será surreal Ter o mundo.

Eron Falbo: [39:40] Em minhas mãos.

Flávio Daflon: [39:54] Estrangeira estrangeira acordamos só pra ter e compartilhar com aqueles que nos fazem sentir que estamos perto saber que o longe é opção é E.

Eron Falbo: [43:14] Cara, eu percebi uma coisa pela primeira.

Speaker 2: [43:16] Vez... Qualquer um pode dizer que é guia de escalada hoje em dia na internet. O pessoal põe lá, eu sou guia de escalada. Mas quem certificou aquela pessoa, quem avaliou, então agora vai ter um selo da CBME, da Confederação Brasileira de Montanhismo Escalado.

Eron Falbo: [43:29] Isso vai ser... Isso aí é bom para aliviar um pouco dessa coisa, mas eu acho que mesmo assim, a escalada é tão presente, é tão fora do cotidiano. Não é uma coisa que um ser humano nasce subindo em árvores. Talvez não sejam superpassados, muito distantes. Mas é uma coisa tão fora do cotidiano que você precisa fazer esse exercício mental de falar, pera aí, agora eu vou confiar. Tipo assim, a primeira pessoa que me chamou pra... E eu vou mandar um beijo aqui pro Nicolas Besnas, que foi aluno do Companhia Descalada, inclusive foi que me recomendou vocês. Mas ele era tipo... Ele é primo, mas é tipo primo sobrinho da minha ex-mulher. Então assim, eu conheci ele assim num contexto meio que de uma pessoa mais nova, que não é tão confiável, com todo o respeito aí ao nosso Nicolas Bersh.

Eron Falbo: [44:30] E quando eu fui escalar com ele, eu vi o cuidado, o carinho que ele tinha com o equipamento, o carinho que ele tinha com os detalhes. Que você ganha isso, você adquire isso com a escalada. Uma percepção dos passos, primeiros passos, do apoio, do que precisa para você poder fazer uma próxima coisa. Ou seja, que nem o Tommy Caldwell, ele tem uma citação que é tipo, escalar é você olhar para uma parada que parece impossível e você pensar, como é que eu vou conseguir fazer isso? Você entender que a parada é uma questão de passo a passo, uma questão de você ter apoio e planejar. A galera escala o El Capitan em Yosemite depois de três anos, quatro anos de planejamento, de exercícios, etc. E isso te leva àquela parada de sobressair os limites.

Eron Falbo: [45:31] Que é tipo assim, foda-se se eu tenho ou não as ferramentas, eu crio as ferramentas, eu faço acontecer e aí eu chego. Acho que esse aspecto é muito lindo da escalada.

Speaker 2: [45:45] Sim, o grande base da escalada é essa, é o desafio natural, essa é a ideia, é você ter alguma coisa que é natural como uma montanha, a gente não quer modificar a montanha, O que a gente quer é modificar. Temos que modificar a nós mesmos para atingir o nível de escalar a montanha. Essa é a ideia. Então, se você vai pra uma montanha e você não consegue escalar ela, você não tem que ficar puto com isso, você não tem que chegar lá. Então, eu vou botar uma escada aqui na montanha pra eu subir. Eu vou dar um jeito, mas eu vou subir essa montanha de qualquer maneira. Não, essa não é ideia. A ideia é, pô, a montanha, eu não consegui subir, caramba, então eu vou voltar, vou treinar mais, vou voltar ano que vem. Aí, não conseguir subir de novo, você volta, treina mais até o dia que você vai subir. Ou então, você vai desistir, mas... O importante é você tentar se colocar no nível da montanha. Não é rebaixar a montanha ao seu nível, é essa a ideia.

Speaker 2: [46:47] É o que a gente estava falando, é melhora pessoal.

Eron Falbo: [46:50] E outra mensagem que eu acho super relevante para as pessoas que estão começando é que a galera da escalada, eu fiquei abismado com isso, é a galera que menos julga. Porque eles estiveram onde você tá agora. Ninguém nasceu em cima de uma montanha. Então todo mundo, não é tipo, porra, eu tenho mais facilidade pra tênis ou alguma coisa assim. Tipo assim, cara, todo mundo começou do chão. Então, todo mundo começou com um pouquinho. Então, galera, olha para você. Eu estava assistindo Free Solo ontem. Qual o nome do cara? Ronald?

Speaker 2: [47:22] Isso, Alex Ronald.

Eron Falbo: [47:24] Alex Ronald. O cara é um psicopata. Ele fez um teste lá no MRI e ele não tem a amígdala dele, não funciona tão bem. Precisa de mais estímulo do que a outra pessoa.

Speaker 2: [47:35] Precisa de mais estímulo, é.

Eron Falbo: [47:36] Isso aí também a gente vai questionar daqui a pouco. Mas mesmo ele, ele ia fazer a escalada mais difícil que eu ia captar, que é o muro escalado free solo, que é a forma de escalar sem corda, ou seja, se errou, morreu. Ele falou isso no filme, 80% da galera que levou isso como a coisa mais importante da vida morreu disso. E by the way, só disclaimer, a Companhia do Escalado não promove nem dá aula de free solo. É só uma coisa só pra gente...

Speaker 2: [48:20] O free solo é uma coisa extrema.

Eron Falbo: [48:23] É para aquela galera que quer se desafiar. Mas só desse ponto específico, mesmo o Alex Holland que é um pouco louco só de fazer o free solo, só de se propor, ele no dia que ele foi fazer e tinha a camera crew que estava se preparando, a galera filmando, estava se preparando há meses. Pra filmar aquela parada, tava indo com ele. No dia que ele falou, vou escalar, ele escalou o comecinho, não tinha nem nascido o sol ainda, antes do nascer do sol, e ele falou... Não vou, não estou pronto.

Speaker 2: [48:58] É, hoje eu não estou bem.

Eron Falbo: [48:59] Ele deu uma desculpa lá, ele falou, roubei, eu não quero... Só que obviamente era porque... Ou seja, e ele foi falar para o amigo dele, o cara que também era do Free Solo, o cara mais velho, esqueci o nome dele.

Speaker 2: [49:14] Ah, o Peter Croft.

Eron Falbo: [49:15] É, o Peter Croft, exatamente. E eu achei lindo, lindo, lindo, para mim a melhor cena do filme. Ele, by the way, pra galera que quer assistir, Free Solo, não sei aonde assiste, eu assisti num... Acho que no National Geographic, é. National Geographic. Ele foi falar pro Peter Croft.

Speaker 2: [49:33] Isso.

Eron Falbo: [49:34] Ele foi falar pro Peter Croft. Então não rolou, aí o cara falou pra ele. Good for you. Ele falou parabéns. Primeira coisa que ele falou. Ele falou parabéns por ter sabido e esse é outro cara que faz a mesma merda.

Speaker 2: [49:51] É um gigante.

Eron Falbo: [49:54] A primeira coisa que ele falou é sorrir e olhar para ele. Parabéns por ter desistido. Caraca, isso é lindo. É lindo, cara. Tipo o escalador, o Vitor Gonzalez, o professor que foi o meu primeiro professor, um beijo pro Vitor também que é um querido. Sempre que eu falei que eu quero descer, ele falou, vamos lá, isso aí, não tem problema. Daqui a pouco você ganha, sei lá. Cara, esse é o espírito de gente que escala. É tipo 100% sem julgamento, você pode ser de qualquer lugar do mundo, você pode ser qualquer cor, qualquer peso, qualquer condicionamento físico, que a galera vai te entender, vai te aceitar, vai te ajudar, vai te dar apoio para você ir além.

Speaker 2: [50:42] Sim. E olha que o Ronald, você estava citando ele lá no Free Solo, ele já estava nesse preparativo por anos. É uma coisa também que ele fez de moral pra moral. Ele já estava nesse preparativo por anos. Na primeira vez que ele tentou, ele desistiu. Pra você ver como é. Mas desistiu. Treinou um pouco mais e depois voltou e conseguiu fazer. É o que a gente fala, os alunos que não tem dificuldade, né? Que eles falam, ah, mas eu tô, eu tô tendo dificuldade pra subir essa escala aqui de quarto grau de dificuldade. E a gente fala pra eles, a única diferença do aluno pro instrutor é que, é o grau só, porque o aluno vai ter dificuldade no quarto, mas o instrutor também tem suas dificuldades. A gente vai ter nossa dificuldade lá no oitavo, no nono, no décimo grau, o aluno vai ter no quarto, mas as dificuldades são as mesmas. A gente também, como instrutor, tem vias que a gente tenta subir, também não consegue, a gente tem que descer.

Speaker 2: [51:43] Então a gente sabe que isso faz parte, não é? O livro, O Caminho do Guerreiro, do Arnon, ele fala justamente isso. Ele fala uma coisa bem interessante no livro, que ele fala que você tem que cortar do seu vocabulário de escalador, você tem que cortar duas palavras. Você tem que cortar sucesso, e cortar fracasso. Esquece sucesso, esquece fracasso. O sucesso, ele fala, é uma consequência do aprendizado. Então, o que você tem que se focar é no aprendizado. Você tem que aprender. Qualquer escola que você fizer, você está aprendendo. Se você foi e desistiu, você aprendeu alguma coisa. Se você foi e completou a escola, você aprendeu outra coisa. E às vezes você aprende mais na derrota do que na vitória. Então as derrotas não são necessariamente fracassos, porque você aprendeu. Então ele fala isso, pra gente focar no aprendizado, é o mais importante, não é focar...

Speaker 2: [52:45] Você não pode falar assim, eu fracassei nessa via, eu sou um fracassado, eu não sirvo como escalador, eu escalo mal, isso não vai te levar a lugar nenhum.

Eron Falbo: [52:56] Total, cara, quando eu vejo assim, voltando ao tênis, que eu jogo frequentemente, Quando eu vejo alguém como o Rafael Nadal, não lembro quem foi, ou o Djokovic, algum dos maiores do mundo, quebrar a raquete porque ficaram tão irritados, eu vejo que isso é um grande fracasso. O cara é um dos melhores do mundo no tênis e ele, em público, não está bem consigo o suficiente, não dominou propriamente para se segurar a ponto de não quebrar a raquete.

Speaker 2: [53:31] Sim, tem gente que não consegue se controlar. Nessa hora que o controle mental tem que falar mais alto. A pessoa tem que entender que a derrota faz parte. Faz parte, a gente aprende com isso, sério.

Eron Falbo: [53:45] Não, eu tô dizendo que às vezes esses caras ganham. Às vezes esse cara, tipo, eu não lembro dessa partida específica e nem quem foi, então não quero culpar ninguém, mas existe isso, né? E no TN você vê, tipo, a galera se irritando, falando com... Pô, seu filho da puta, como é que você... Falando com o cone mesmo, né?

Speaker 2: [54:00] Tipo... Sim, sim.

Eron Falbo: [54:01] Aí você vê, cara, tipo, galera, como é que você treinou sua mente a ponto de... Está jogando Wimbledon, todo mundo olhando, então você está segurando, só que você esqueceu dessa parte. É isso que eu queria trazer atenção para o Alex Ronald, o tanto que ele tem que ter de autocontrole para ele desapontar. Ele tem o domínio do próprio medo o suficiente para se propor a escalar o Capitano. Só que, além disso, ele tem o domínio da própria vergonha pra poder dizer pra uma galera que tá treinando com ele há meses ou há anos, sei lá, o galera da câmera, não sei quanto tempo ficou, pra dizer, galera, acabou. E eles nem tinham promessa de que vai ter outro projeto e eles que vão filmar essa coisa. É uma parada, não vai rolar. Hoje eu me preparei pra isso e acabou. E óbvio que a galera já sabia disso antes, mas cara, pra você se propor a isso, a primeiro a ser filmado enquanto você tá fazendo uma...

Eron Falbo: [55:09] Acho que no próprio filme ele fala, você tá fazendo uma parada que você precisa ser um medalhista de ouro olímpico, e ao mesmo tempo, se você errar essa parada que você tá fazendo, você morre.

Speaker 2: [55:20] É, ele fala isso mesmo, o que o Tom Calder fala, o que o Alex faz é como se você estivesse disputando uma final olímpica e que se você não ganhar o ouro, se você não fizer os movimentos perfeitos, você simplesmente morre. Não é que você não vai ganhar uma medalha. Numa ginástica olímpica, você errou um movimento, você não vai ganhar a medalha. Acabou. Só isso. No dia seguinte, você está lá trabalhando de novo. Agora, na escada do Alex, não. Se você não fizer os movimentos perfeitos, se você errar os movimentos, Ele paga com a vida. É impressionante. Tanto que o filme, pouca gente sabe, mas o filme ganhou o Oscar, né? Ganhou o Oscar de melhor documentário.

Eron Falbo: [56:09] Caraca, não sabia não. É, ganhou o Oscar de melhor documentário.

Speaker 2: [56:13] É, o Free Solo.

Eron Falbo: [56:14] Porra, do National Geographic, não?

Speaker 2: [56:15] Do National Geographic. Ganhou o Oscar de Melhor Documentário 2019, se eu não me engano.

Eron Falbo: [56:21] Eu só queria voltar pra reenfatizar isso pra galera entender a nuance dessa parada. É tipo, o cara é um duplo controle psicológico. Não é que ele é louco e a amígdala não tem estímulo, então foda-se. Ele tem as duas coisas.

Speaker 2: [56:35] Ele tem um autocontrole muito grande.

Eron Falbo: [56:38] Exatamente, porque as pessoas gostam de sair por essa culatra, essa justificativa. Ele nasceu e ele é louco e é por isso. Não, se ele fosse louco, ele teria ido nesse dia. Esse é que é a nuance da parada. Ele não é louco, ele é tão controlado que ele controlou o medo e controlou o senso de vergonha ao mesmo tempo. Já voltamos para a nossa conversa. Queremos usar esse espaço privilegiado e sua atenção especial para divulgar artistas que merecem ser reconhecidos. Além disso, queremos contribuir para o crescimento desses artistas. A cada episódio escolhemos um ganhador para divulgarmos, darmos incentivo financeiro, parcerias e oportunidades. Vote no que você gosta mais e faça uma diferença. Fique agora com os nossos escolhidos.

Speaker 2: [57:38] Quando a gente tem a visão de.

Eron Falbo: [57:40] Fora, é que se compreende o todo. Talvez seja por isso que quando eu.

Speaker 2: [57:44] Cheguei aqui no alto e vi esse.

Flávio Daflon: [57:45] Horizonte básico, o meu olhar se perdeu.

Eron Falbo: [57:48] No infinito, e logo vieram as surpresas.

Flávio Daflon: [57:52] Por que inquietude? Por que ansiedade? Por que queiram largar depois de te salvar? Estrangeira estrangeira.

Eron Falbo: [61:22] Quando a gente estava falando do... Eu não sei se isso... Acho que não, porque já tinha entrado o erro na tela. Só a nuance desse pensamento... E se já, galera da edição, se já rolou isso, corta pra ficar conciso, por favor. A nuance dessa coisa de que o autocontrole dele era real, né? Ele tinha... Acho que essa parada é muito importante que a gente tá falando e que isso não é uma coisa que se fala sempre, né? Tipo assim, muita gente joga pela culata, pela justificativa de que, não, o cara é louco. A galera que escala nasceu meio biruta e por isso que eles escalam. E dividem o mundo em dois, né? As pessoas que são normais, que não escalam, Que isso. Então eu divido o mundo em dois, as pessoas que não escalam, as pessoas que escalam.

Speaker 2: [62:16] Por elas não entenderem, por elas não entenderem aquele outro grupo, ela taxa como louco.

Eron Falbo: [62:25] Exatamente, exatamente. Aí o Alex Ronald, ele demonstra isso nesse filme, que é lindo esse momento, que ele desiste quando se a gente for botar ele na categoria que ele é louco, ele iria. Ele iria escalar.

Speaker 2: [62:40] E provavelmente morreria, né?

Eron Falbo: [62:42] E provavelmente morreria. Só que ele tinha o autocontrole pra dizer, caraca, eu não tô bem, então não deveria, e ao mesmo tempo ele tinha o autocontrole pra dizer, caraca, aquela galera que tá me olhando aqui, que passou meses treinando comigo pra poder filmar, não vão poder filmar e não tem problema, porque o que importa é a vida. Ou seja, ele não é louco, ele preserva a vida. E ele disse, cara, isso é uma prova pra mim, porque o Alex Ronald falou lá no MRI, por isso que eu falei que a gente ia discutir isso depois, sacou? Porque ele botou no scan, ele foi colocar dentro de uma máquina pra ver se o cérebro dele funcionava direito. Aí a máquina percebeu que a amígdala dele funciona perfeitamente, Só que precisa de mais estímulo. Ou seja, a amígdala o que controla? Controla a parada do Id. Tipo assim, se chega um cara com uma arma na sua cabeça, o que responde é a amígdala. A primeira parte do cérebro a responder é isso. Então você fica com medo tremendo, você dá um golpe de judô se você for treinado.

Eron Falbo: [63:44] Ou o que for, você fica com medo, você reage. E na amígdala dele não respondeu. Então o que eu proponho é que, na verdade, a amígdala dele é treinada.

Speaker 2: [63:54] Então, a dúvida que você fica é isso. Você não sabe se isso é algo genético na amígdala dele ou se a amígdala dele é assim porque ele já tem 30 anos de treino.

Eron Falbo: [64:07] O que você acha? Qual é a sua visão disso de, sei lá, com 30 anos de escalar?

Speaker 2: [64:13] Olha, pode ser um pouco dos dois. Eu acho que tem um pouco dos dois, que eu acho que só com treinamento Eu não sei se dá pra chegar num nível desse que o Alex chegou.

Eron Falbo: [64:24] O nível talvez... Mas cara, sinceramente, a minha visão, vou te dar uma visão que é uma síntese dos dois. Que é o seguinte, não é genético, mas que ele fala um pouquinho dos pais dele, a visão que ele tem dos pais. Ele tem um pouquinho de perfeccionismo vindo dos pais dele. Eu acho que talvez o perfeccionismo levou ele a escalar.

Speaker 2: [64:47] Eu falei, então vamos nós três.

Eron Falbo: [64:49] Fez aquele esquema de duas cordas ou.

Speaker 2: [64:51] De... Sim, aí deixamos, claro, deixamos ele guiar tudo, ficamos no pão de açúcar.

Eron Falbo: [64:56] E ele concordou ir com corda?

Speaker 2: [64:58] Concordou ir com corda, mas teve um trecho lá, teve um trecho que a gente usa a proteção móvel na fenda, a gente coloca mais grampos, digamos assim.

Eron Falbo: [65:08] Pode continuar falando, mas já tá rolando a gravação, tá? Ele tá falando da escalada que ele teve aqui no Rio com Alex Ronald.

Speaker 2: [65:16] Foi. O Alex veio pro Rio, tava sem parceiro. Um dia aí me ligaram. Ah, o Alex tá no Rio. Queria dar uma escalada. Você topa? Eu falei, pô, claro. Aí fomos lá pro Pão de Açúcar. Levamos ele pra uma via... Fui eu, Ralf e ele. Ralf, parceiro meu aqui do Rio. E aí a gente levou ele pra uma via que é difícil. Uma via que dá uns 250 metros no Pão de Açúcar. E tem... A maior parte é sétimo, oitavo grau. E tem um trecho que dá quase um décimo grau. Aí a gente deixou ele na frente, ele vai guiando, foi com corda, claro. E foi super bem, que eu não preciso nem falar. Realmente, eu já imaginava que ele tinha uma mente muito forte, né? Para se manter escalando e concentrado, mas aí nesse dia eu percebi que ele também tem uma técnica muito forte, muito especial.

Speaker 2: [66:18] Porque às vezes, ele até não tinha um vídeo dele que ele falava isso. Eu não sou o melhor escalador do mundo, eu não sou o escalador do mundo mais forte, mas em muitos lugares que os escaladores param, que os escaladores bloqueiam, a mente deles não deixa eles seguirem, eu continuo escalando. Então, apesar dele não ser o mais forte...

Eron Falbo: [66:39] A amiga dela dele tá treinando.

Speaker 2: [66:41] Sim, por causa da mente dele, ele consegue ir além do que os mais fortes não vão. Mas o nível dele é muito forte também. E a gente escalou essa via inteira, realmente teve alguns lances difíceis nessa via, ele foi super bem, foi excepcional mesmo e muito simples. Alex é um cara muito simples. Conversa de tudo, não se gaba em momento nenhum de nada.

Eron Falbo: [67:08] Cara, Dafne, eu queria dizer uma coisa, tipo assim, eu faço cinco entrevistas por semana e eu vou te dizer, cara, essa conversa que a gente teve foi uma das mais... Foi tão inspiradora quanto técnica no sentido de autodesenvolvimento que eu estou falando. No sentido de entender as nuances, de certos detalhes. Porque tem gente que eu acho que... Tipo assim, o Tony Robbins, que é um gigante do autodesenvolvimento. Ele tem umas paradas que eu acho que você sabe melhor que ele. Eu tô falando, por não ser teórico, tudo bem que ele também deve escalar também, mas a escalada tem essa coisa especial que te dá... Eu juro que nesse momento eu não consigo pensar em uma coisa que te dá um autodesenvolvimento tão prático e teórico ao mesmo tempo, que dá pra ver que você sendo um cara treinado, e também quando você vê o Free Solo, que eu não assisti aquele Valley, não sei o que, ainda não, mas o Dawn Wall, que também não deu tempo da gente falar sobre isso, mas eu recomendo, que é novo no Netflix, o Dawn Wall, que é do Tommy Caldwell, e o Free Solo, que é do Alex Ronald.

Eron Falbo: [68:30] Cara, esses filmes, pra galera que, foda-se se você escala ou não, primeiro se você é do auto-desenvolvimento, se você é de ganhar de si, treinar sua mente, ser uma pessoa melhor, É... Escalar é quase um dever de casa pra vocês agora. Mas se não, pelo menos assistam esse filme. Cara, o do Tommy Caldwell é uma parada... E não vou nem dar o spoiler aqui do porquê, mas cara... Os dois, os dois é difícil até comparar. Mas depois dessa análise nossa aqui, o Free Solo é necessário assistir, né? Porque a gente acha que aqui dissecou a parada, porque não é todo mundo que percebe. Alguém que tá assistindo sem escalar não percebe essas nuances que a gente...

Speaker 2: [69:12] Não percebe.

Eron Falbo: [69:14] Botou o lofote aqui. Mas cara, eu queria te agradecer imensamente pela sua presença, porque... Realmente, a gente quebrou barreiras do auto-desenvolvimento aqui. Infelizmente, a gente tem uma hora aqui só para conversar.

Speaker 2: [69:27] Eu recomendo, se você sabe a escalada, você começou a praticar, você acha que é só mais um esporte, é só como fosse jogar, sei lá, um vôlei ali na praia, alguma coisa assim, e você percebe que tem algo por trás muito diferente. Muito diferente. Você começa a ver que a mente é que controla tudo. Então, assim, é difícil de escrever se você nunca praticou, né? Mas no momento que você pratica, você percebe que tem uma coisa diferente na escalada, né? Tem uma coisa que mexe com você e que você sabe que precisa melhorar, que tem que se controlar.

Eron Falbo: [70:12] Cara, você está ao mesmo tempo ganhando de si, você está criando um elo com outra pessoa e com Deus ao mesmo tempo, sacou? É uma parada completa nesse sentido.

Speaker 2: [70:20] E as pessoas falam muito pra gente, os alunos, muitos deles falam pra gente o seguinte, quando eles vão escalar, eles não conseguem pensar em nada, nenhum problema na vida, nada que eles têm que resolver. É tão intenso o momento que você tem que se focar 100% no presente. Você não consegue estar escalando e pensando, tem que chegar em casa, tem que pagar aquela conta, depois eu vou ter que ir pegar, dirigir até não sei aonde. Você não consegue. É uma coisa por isso que muitos curtem a escalada de falar isso. Pô, é uma hora que eu me desligo completamente do meu dia a dia.

Eron Falbo: [70:59] E um ponto a mais é que não só você se desliga, por causa desse desligamento, você tem uma clareza depois. Depois que você ganha do seu objetivo lá na escala daquele dia, você desce e porque você não ficou imerso naquele problema, você olhou para aquele problema de cima.

Speaker 2: [71:14] Sim, de cima, com muito mais calma, muito mais tranquilidade e você vê que até passa a ser mais fácil resolver os problemas. Não dá essa ideia? Total.

Eron Falbo: [71:25] Cara, isso é lindo, é muito bonito. Então, muito obrigado mesmo da Flamengo. Eu sei que você é extremamente ocupado.

Speaker 2: [71:34] Não, mas quando precisar aí, qualquer coisa, qualquer ajuda.

Eron Falbo: [71:38] Obrigado.

Speaker 2: [71:39] Estou aí para ajudar vocês também.

Eron Falbo: [71:41] Igualmente.

Speaker 2: [71:41] E vamos escalar juntos para a gente poder botar esse papo aí em dia na escalada para você ver.

Eron Falbo: [71:47] Isso é outro ponto que você tem um tempão para ficar filosofando.

Speaker 2: [71:53] Sim, sim. Durante a escalada... Eu gosto desse assunto, né? A toa que eu leio esses livros todos, né? Esses livros todos me interessam muito. Eu leio... E você tem que ler mais de uma vez. Você não consegue ler uma vez só e absorver aquele conteúdo todo. Você tem que ler... Cada vez que você lê, você absorve um pouquinho. Isso que é legal.

Flávio Daflon: [72:13] Perfeito.

Speaker 2: [72:14] Mesmo com 30 anos de escalada, então pra você ver como tem muita coisa pra você ainda aprender na escalada, tem muita coisa.

Eron Falbo: [72:20] É infinito. Daflão, muito obrigado mais uma vez pela presença. Se você puder ficar um minutinho aí em mim enquanto eu dou uns avisos para o que há isso, aí a gente se fala.

Speaker 2: [72:30] Beleza, sem problema.

Eron Falbo: [72:31] Valeu, tudo de bom. Boa noite a todos.

Speaker 2: [72:34] Valeu, vocês também.

Eron Falbo: [72:36] Então, gente, agora eu vou dar a pílula de conhecimento. Um minutinho. Uma hora condensada em um minuto. Vai ser agora. Quem estiver lavando louça, para. Quem estiver dirigindo carro, para de segurar o volante. Porque agora vai rolar a pílula do conhecimento. Só que antes, antes de tudo, façam que vocês já ouviram milhões de marqueteiros digitais falando. Todo mundo sabe, dá o like, dá o seguir, entra em todos os canais, e sejam gado. Sejam pessoas que fazem o que todas as pessoas fazem. Porra, esse não é o momento de ser rebelde, esse não é o momento de ser independente. Esse é o momento de ser irmão, representante, igual a todas as pessoas. Eu também te sigo, porra. Provavelmente. Por que você não me segue? Mentira, não é uma troca de seguimento.

Eron Falbo: [73:39] Mas eu sigo outras pessoas que eu quero informação, que eu gostei, etc. Pra contribuir. Enquanto isso, O que eu aprendi com Daflão hoje? Primeiro que eu deveria chamar mais especialistas em escalada pro programa porque eu sou muito apaixonado por esse esporte barra caminho do guerreiro. Cara, o Daflão é um cara sinceramente lendário dentro do mundo da escalada. Então só de conseguir uma audiência com ele É porque é aquela parada, é tipo o Gustavo Lima com dois T's ou com dois V's. Tem dois alguma coisa no nome dele, aquela coisa de gente da sertaneja. Muita gente não sabe nem quem ele é em muitos lugares do mundo, só que ele tem um jatinho particular e a Taylor Swift não tem, sacou? Então, tipo, é uma parada de nicho. Muita gente é muito famosa em um nicho e o mundo, o resto do mundo, não conhece tão bem.

Eron Falbo: [74:43] Mas o da Flo é uma espécie de Gustavo Lima. Pô, desculpa essa comparação do mundo da escalada. E ele tá aqui, com simplicidade, falando com todos nós, rédeos mortais. Um cara que escalou com Alex Ronald, que é praticamente um alienígena. Então ele é além desse nível de lendária. Tá aqui com a gente numa boa. Então o que eu aprendo com ele é que, cara, sempre saibam, ao mesmo tempo que sempre sobressaiam os seus limites, saibam manter essa simplicidade, essa falta de cabelo, esse controle capilar. Tô brincando. Essa falta de vaidade que eu tenho muito que aprender. Claramente eu tô escondido aqui por trás de uma armadura executiva. Mentira, é só meu estilo, eu sou super consciente sobre isso, não tem problema nenhum, eu tô aqui transparente diante de vocês. Mas é isso, gente. Muito obrigado, Luluf. Estamos aqui juntos, todos os dias, em um horário específico, todas as noites.

Eron Falbo: [75:46] E nunca se esqueçam, cada cabeça uma sentença. Beijos!

Episódio de No Alvo com Eron Falbo. Veja todos os episódios, Praise e Quotes.