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#117 Sol nas favelas

com Eduardo Ávila · 7 de ago de 2026

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Quem é Eduardo Ávila

Diretor executivo da Revolusolar

Eduardo Ávila é economista formado pela UFRJ e diretor executivo da Revolusolar, que leva energia solar a comunidades do Rio de Janeiro.

Transcrição do áudio do episódio.

Eron Falbo: [0:00] Sejam bem-vindos, meus amigos! Aqui quem fala é o narrador de suas mais intensas emoções, Heron Balbo. Vamos sair dos nossos tempos, já. Existem quatro elementos, quatro criaturas, quatro essências. Água, fogo, ar. Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras São Francisco de Assis Dois em uma vez, em uma valia das lágrimas Um vendedor está jogando com a arma do boxeiro E os elefantes estão dançando, os macacos estão gritando E qualquer um para o tênis, não seria legal?

Eron Falbo: [1:13] Senhoras e senhoras, o raio de sol do futuro, Eduardo Avila!

Eduardo Ávila: [1:22] E.

Eron Falbo: [1:27] Aí, Eduardo, beleza?

Speaker 3: [1:29] Fala, Eron. Prazer te conhecer. Parabéns aí pela música. Adorei.

Eron Falbo: [1:35] Ah, valeu. Você já conhecia essa música ou não?

Speaker 3: [1:39] Não conhecia, não conhecia. De quem é?

Eron Falbo: [1:41] É do Eric Clapton na primeira... Você pode aumentar o volu... O monitor falou que eu não consigo ouvir direito. É do Eric Clapton na... Acho que segunda banda dele. Acho que a primeira foi Yardbird. Sabe? Sei lá. Tem uma banda aí que ele teve lá das antigas, nos anos 60, chamada Cream. E, cara, a música é perfeita pra nossa conversa aqui, que a letra é irônica, né? Falando de tudo que é tipo aquele cenário American Dream, né? É tudo dando certo, só que tá tudo ao contrário, tá tudo dando errado. Aí a letra, alguém quer jogar tênis? Não seria legal? É tipo, o mundo tá caindo aos pedaços e a gente jogando tênis. Eu tô falando isso porque eu jogo tênis todo dia que nem você.

Speaker 3: [2:29] Ah, você já sabia. Caraca, que coincidência.

Eron Falbo: [2:33] E você faz ação social e tudo. Então é uma forma da gente reconhecer que apesar da gente estar jogando tênis, tem gente sofrendo no mundo.

Speaker 3: [2:45] É claro. Jogar tênis é um esporte, eu entendo a brincadeira da música.

Eron Falbo: [2:50] A ideia da música é essa, que a galera que está jogando tênis é uma galera Ainda mais naquela época. Hoje em dia o tênis democratizou muito. Nos anos 60 o tênis era uma coisa super elitista.

Speaker 3: [3:01] Hoje eu jogo em dois clubes aqui na Zona Sul do Rio. Tem um projeto social inclusive chamado Tênis na Lagoa. Não sei se você conhece, aqui na Zona Sul do Rio de Janeiro, para jovens... Ah, conheci, conheci. É, para jovens de baixa renda. Então também é uma janela de oportunidades aí para o pessoal também, através do esporte, conseguir um lugar melhor na vida, né? Mas... Mas é...

Eron Falbo: [3:26] É, a ideia, cara, é uma música, né? Tipo, é uma metáfora e eu acho que é super válida. E tem a ver com o nosso assunto, por isso que, pô, eu tento escolher músicas e como eu não te conheço muito bem, pô, foi... Eu até achei que foi uma dádiva, assim, achar essa música que, sabe, se encaixa de uma forma legal.

Speaker 3: [3:46] Sim, encaixou perfeito. Eu gosto de uma do Eric Clapton, que eu não sou tão conhecedor, mas tem uma que eu escuto direto, que é o Change the World. Dele, essa eu escuto as vezes.

Eron Falbo: [3:57] Ah, eu lembro vagamente dessa, mas ele tem essa onda, né, tipo de... Uma visão assim...

Eduardo Ávila: [4:05] É!

Speaker 3: [4:06] Enfim, uma visão mais holística do mundo, assim, também, ou pro negativo, como essa música que você trouxe, ou pra uma visão mais positiva, como essa Change the World, é legal também.

Eron Falbo: [4:19] Bota fé aí, cara, você joga... Entrando um pouquinho no assunto de tênis, você parece que joga bem, porque você tá sacando de uma forma profissional.

Speaker 3: [4:29] Ah, foto na rede social.

Eron Falbo: [4:32] Você tá jogando há muito tempo?

Speaker 3: [4:33] Cara, eu jogava muito na minha adolescência, dos 9 até os 17 anos. Jogava Federação aqui no Rio de Janeiro, no Brasil, joguei alguns torneios nos Estados Unidos também. Só que aí, de 17 para 18 anos, veio vestibular, várias coisas, universidade, vida real. Aí eu parei, cara. Eu parei até ano passado. Então, ano passado eu voltei, porque tênis é, durante a pandemia, o único esporte que, sem corrida, sozinho, assim, é um esporte que é mais tranquilo de praticar, sem pôr em risco, né? Então eu tenho jogado muito nos últimos meses de bola.

Eron Falbo: [5:12] Tem esgrima também, que você usa máscara.

Speaker 3: [5:14] É verdade, esgrima dá, mas eu não sei jogar esgrima não.

Eron Falbo: [5:19] Mas o que eu ia perguntar? Então eu ia te chamar para jogar tênis, não vai rolar, cara, porque eu sou setável, sacou?

Speaker 3: [5:26] Nível... Nada, a gente brinca, tranquilo. Mas você é aqui do Rio ou São Paulo?

Eron Falbo: [5:32] Eu moro no Rio.

Speaker 3: [5:34] Ah, legal. A gente marca sim, com certeza. Você joga onde?

Eron Falbo: [5:37] No Lehman Tênis Club, e você?

Speaker 3: [5:40] Eu jogo no Caixares e no Flamengo um pouco.

Eron Falbo: [5:43] E essa parada da Lagoa, como é que você participa?

Speaker 3: [5:47] Eu não participo, eu passo ali na frente. Eu tenho um amigo que é como um exemplo de que também é acessível. Eu tenho um amigo que é psicólogo e trabalha lá e o Caixares e o Flamengo ficam do lado. Mas eu não participo não, mas é bem legal esse projeto.

Eron Falbo: [6:04] Fera, bota fera. Cara, acho que uma forma legal da gente começar, de repente, você falando um pouquinho sobre o RevoluSolar e o seu trabalho para a galera te conhecer um pouco melhor. A gente partir daí para perguntas, para o que o pessoal que estiver assistindo quiser.

Speaker 3: [6:24] Claro, eu sou economista recém formado aqui pela UFRJ, eu formei em abril de 2020 no meio da pandemia, então um home study e eu sou economista, Eu sempre, durante a universidade, eu sempre gostei de inovação, de empreendedorismo. Então, com alguns amigos, a gente fundou uma liga universitária na época de finanças e investimentos, mas que a gente queria mudar um pouco como é que era o ensino na universidade e tal. Trabalhei no mercado financeiro depois disso, só que aí eu sempre gostei muito de estudar tendências do mundo, da economia. E eu me apaixonei por esse tema que é a transição energética. A gente mudar completamente a forma como a gente gera e consome energia e me apaixonei pela energia Solar. E aí comecei a procurar empresas e tal. Mas aí juntei com outro grupo da favela da Babilônia e no Leme perto de onde você mora.

Speaker 3: [7:27] E aí demos início ao trabalho na Revolução Solar que agora está ganhando bastante força no último ano. E o que a gente faz na Revolução Solar? A Revolução Solar, a gente é uma ONG, então é uma associação sem fins lucrativos, e a gente busca promover o desenvolvimento das comunidades sustentável através da energia Solar. Então a gente faz instalação de energia Solar para reduzir os custos da população com energia. Quem mora aqui no Rio sabe... Como.

Eron Falbo: [7:54] Você entrou na onda do sustentável e ação social e ONG, em contrapartida startup e for profit, de lucro. Como é que foi essa transição para você ou o que aconteceu para você nessa direção?

Speaker 3: [8:13] A gente não tem fins lucrativos na Revolução Solar, a gente é sem fins lucrativos. Desde a minha experiência com o empreendedorismo universitário, a gente sempre teve esse viés social. Eu estudei numa escola também que traz muito essa perspectiva, que é o SEAT, não sei se alguém que está escutando conhece ou se você conhece. Tem muito artista lá, tem muitos atores que saem de lá, mas lá no SEAT a gente sempre é provocada essa perspectiva mais do nosso lugar enquanto cidadão, da nossa responsabilidade social, do que a gente constrói no mundo. Então, e aqui em casa, também na minha família, sempre foi fomentado esse tipo de pensamento. E aí, desde quando a gente trabalhava com mercado financeiro em outros projetos, a gente também trazia essa perspectiva de impacto social. O outro projeto que eu tinha chamava Impactos, na universidade também, trazia um pouco do social para o mercado financeiro e com a energia não podia ser diferente.

Speaker 3: [9:14] A gente, a economia no FRJ fica ali na Praia Vermelha, no Leme, é a 500 metros ali da favela da Babilônia. E você vê um monte de gente estudando transição energética na Alemanha, na China, nos Estados Unidos, enquanto a 500 metros do lado Tem uma comunidade que não tem acesso básico a energia, sabe?

Eron Falbo: [9:34] Esse é um bom ponto.

Speaker 3: [9:34] Isso é um bom ponto.

Eron Falbo: [9:35] Que tem tudo a ver com a música do... Anyone for Tennis. Sim. A parada do... A galera tá jogando tênis do lado e todo mundo tá desabando, né?

Speaker 3: [9:45] Tipo... Eu jogo tênis e ajudo a não desabar um pouco também.

Eron Falbo: [9:50] Não é a pessoa, eu estou falando a metáfora. É isso cara, realmente a gente, e o Rio de Janeiro tem muito esse aspecto. No Brasil é normal, em São Paulo, sei lá, É muito normal ter um centro que é mais abastado e periferias que são piores. O Rio de Janeiro tem uma condição que é um pouco diferente, que você tem o núcleo do maior abastecimento ou abastado, ser do lado de também núcleos muito fortes de miséria, de problemas sociais. Então isso acho que é ao mesmo tempo que uma tragédia, óbvio, mas também uma oportunidade para a gente desenvolver combates a esses problemas brasileiros aqui no Rio de Janeiro, porque a gente está vendo, a gente está convivendo com com comunidades.

Eron Falbo: [10:51] Eu frequento a mesma praia aqui no Leme. Não que eu frequente praia, mas quando, raramente, uma vez por ano, eu vou lá fazer um ritual qualquer, aí eu frequento a mesma praia que... E não é por isso que não frequento, só porque eu sou de Brasília, tá? Só pra disclaimer, antes que eu seja mais cancelado do que eu já sou. Eu frequento o mesmo ambiente, isso é outra coisa democratizante do Rio, né? Então, realmente, acho que a gente tem, como eu não sou carioca, mas a gente que mora no Rio, tem essa oportunidade de observar mais e participar mais e estar no nosso radar. Porque, cara, São Paulo é uma galera totalmente alienada sobre a realidade de uma galera que vive diferente.

Speaker 3: [11:38] Sim, isso que eu ia falar, essa característica peculiar aqui do Rio de ser junto, as favelas serem morros no meio da cidade, Tem essa... Traz desafios, traz problemas, questões negativas É porque, pô, se imagina, cara, o jovem de favela está ali A família dele tem uma renda de R$ 1.500,00 por mês e ele desce E ele desce a favela e ele vê o pessoal de BMW, de carrão, e ele sobe e não tem comida no prato da mesa. Então, esse choque, esse conflito de realidades é um ponto negativo dessa estrutura, mas também, como você falou, cara, tem várias oportunidades que surgem disso. Então, por exemplo, na energia Solar. É um mercado que cresce pra caramba, principalmente hoje com os mais ricos. E aí você ter a favela próxima possibilita uma das coisas que a gente faz na Revolução Solar, que é capacitar os moradores das favelas para serem instaladores de energia Solar e ganharem oportunidades de emprego qualificado e trabalhar nesse mercado que está se desenvolvendo tanto aqui no Rio.

Speaker 3: [12:47] Então surgem várias oportunidades também dessa mescla e acho que agora na pandemia uma coisa que está ficando bastante clara é esses muros caindo, né? A gente conhecendo cada vez mais essa realidade, então a cultura de doação cresceu muito no Brasil durante a pandemia. A gente está vendo mais próximo essa realidade e não só jogando tênis, buscando contribuir para destruir essa realidade, porque, cara, é uma bomba relógio, Eron.

Eron Falbo: [13:16] É, com certeza.

Speaker 3: [13:17] Se a gente não resolver isso agora, vai explodir.

Eron Falbo: [13:20] Com certeza. Cara, eu vivi em Londres num episódio que rolou London Riots de 2011, eu acho que era 2011 ou 10, 11, onde a população se revoltou do nada, em Londres. Londres é o berço da civilização moderna. Você já foi pra Londres? Tudo arrumadinho, ninguém fala alto, pede licença pra tudo. Não é que nem em Nova York, você entra no metrô, a galera tá transando e tá pichando uns aos outros. No metrô de Londres tá a galera assim, tirando alguém. E em silêncio total. Se alguém falar alto, o outro já olha. Tá doido, meu irmão? E rolou esse London Riot, que foi uma revolta da população mais pobre de Londres, sem razão nenhuma, só porque explodiu.

Speaker 3: [14:25] Sem razão nenhuma não, né?

Eron Falbo: [14:26] Não, tô dizendo assim, não teve liderança, não teve um Lula falando pra rua, não teve porra nenhuma. O que aconteceu é que tava rolando do lado da minha casa, Eu vi acontecendo, foi bizarro. Do lado da minha casa, eu morava no décimo andar, alguma coisa assim. Então dava pra ver longe, né? Não foi, tipo, foi, sei lá, dez quarteirões da minha casa. E tava rolando uma festa de rua, ninguém tocando reggae e tal. Aí a polícia chegou com quatro ou cinco policiais falando pra dispersar, porque tava uma festa já grande demais, tinha carro passando. E a galera da festa falou não. Aí a polícia trouxe mais gente e a galera do bairro se revoltou com a polícia. E polícia britânica não usa armas, porque as coisas não tem armas no país. Deve ter operações especiais, mas na polícia normal não tem.

Eron Falbo: [15:29] Aí começou a juntar mais gente. E daqui a pouco o que virou essa parada foi Londres inteira em revolta, saqueando lojas e, cara, prédios, vários prédios inteiros pegando fogo. Tipo assim, chegou o ponto de polícia não dar conta de absolutamente nada. Eu tava aí, eu e meu irmão, que eu morava com meu irmão, pegando faca. Entendeu? E barrando a porta com sofá, porque estavam entrando nos prédios, cara. Tipo, destruindo tudo.

Speaker 3: [16:01] Apocalipse mesmo.

Eron Falbo: [16:02] É, tipo isso. Total, sacou zumbis. Cara, imagina isso. E começou assim, entendeu? Com uma festa. Ou seja, a parada tava borbulhando tanto.

Speaker 3: [16:14] Exatamente. Mas é porque é isso, não vai ser um grande evento que todo mundo por causa desse evento vai se revoltar. É um acúmulo de injustiças no dia a dia. Você vê, a menina hoje ou ontem, de vinte e poucos anos, grávida, inocente, morreu. A bala perdida, que é a bala achada, né, na verdade. Então, são essas... Não são pequenas, mas são essas coisas no dia-a-dia que vão acumulando e vai chegar algum momento que se a gente não mudar drasticamente a nossa relação com isso, vai explodir em algum momento.

Eron Falbo: [16:50] Eu tô usando isso como prova pra falar que você tá certo nisso. Já voltamos para a nossa conversa. Queremos usar esse espaço privilegiado e sua atenção especial para divulgar artistas que merecem ser reconhecidos. Além disso, queremos contribuir para o crescimento desses artistas. A cada episódio escolhemos um ganhador para divulgarmos, darmos incentivo financeiro, parcerias e oportunidades. Vote no que você gosta mais e faça uma diferença. Fique agora com os nossos escolhidos.

Eduardo Ávila: [20:01] Legendas pela comunidade Amara.org e aí E aí E aí.

Speaker 3: [23:05] É só que não.

Eron Falbo: [23:06] Precisa de um catalisador. Lá nos Estados Unidos rolou uma coisa similar recentemente, que é o Black Lives Matter, mas isso teve um engatilhador que transformou em manifestos e que transformou em caos durante pouco tempo. Agora, essa parada que rolou em Londres, eu também acho interessante o tanto que ninguém fala sobre isso.

Speaker 3: [23:27] Eu não sabia.

Eron Falbo: [23:28] Então, foi uma parada que... Porque é como se a gente não quisesse acreditar que isso é possível.

Speaker 3: [23:37] E não quer dar muita ideia.

Eron Falbo: [23:39] Na Inglaterra foi super gigante isso, só que no resto do mundo eu acho que é tipo... A galera não quer falar, porra, não quero mandar essa notícia de que caralho, qualquer momento pode explodir uma bomba, entendeu? Acho que tem um pouquinho disso, sabe? Porque eu lembro que eu via, eu falava com a galera no Brasil, eu mandava vídeo, sacou? Cara, eu tenho vídeo do meu celular, da galera na minha casa, embaixo, assim, olhando o prédio, sabe? Debaixo, logo no meu prédio. Chegando a polícia com o escudo, e uma galera chutando a polícia e depois jogando pedra no meu prédio pra entrar. O prédio, sacou? E foi nesse momento que a gente botou o sofá na porta, que a galera entrou no meu prédio e a polícia fugiu. A polícia ficou com medo, sacou? Foi embora.

Speaker 3: [24:33] É. É, aqui a polícia vai para cima, quer dizer, já está indo para cima.

Eron Falbo: [24:38] Não, mas cara, porque aqui nunca borbulhou nesse ponto, sacou? Aqui... Não, em uma época, lá na época da Dilma, sei lá, tinha uma época aí que estava rolando revolta o tempo todo.

Speaker 3: [24:49] Sim, em 2013.

Eron Falbo: [24:50] Isso aí foi foda, aí teve um caos aí que foi pesado mesmo aqui. Só que eu acho que não transbordou, cara, porque Londres queimou, aqui também queimou coisa, né? Na verdade, eu não estava aqui nessa época, então não...

Speaker 3: [25:02] Não lembro. Sim.

Eron Falbo: [25:04] Como é que foi?

Eduardo Ávila: [25:05] Mas é isso.

Speaker 3: [25:06] Não, em 2013 também foi um pouco disso. Era coisa dos 20 centavos, de aumentar a tarifa do ônibus.

Eron Falbo: [25:13] Nossa, é um detalhe assim que... São.

Speaker 3: [25:14] Coisas assim, são super pequenas, mas que acumulam uma insatisfação. Não teve uma grande coisa. Em 2013, por exemplo, a gente estava no mais alto nível histórico de atividade econômica no país e menor taxa de desemprego na história. E borbulhou uma manifestação contra a questão econômica.

Eron Falbo: [25:36] Caraca, essa parada que você está falando é um ponto importantíssimo que ninguém fala também. Que o lance, uma das coisas que... Isso é pouco polêmico, mas o que falaram os comentaristas econômicos sociais lá da Inglaterra, falaram que boa parte das pessoas que estavam envolvidas no saqueamento, que entraram e roubaram televisores, Cara, estupraram pessoas na rua. Cara, foi tipo o apocalipse mesmo. Falando que boa parte das pessoas que foram apreendidas eram pessoas que estavam no DOL, que estavam recebendo welfare, estavam recebendo tipo Bolsa Família. Olha só a bizarrice, eu não estou julgando e estimulando nenhuma, mas o que você falou, a galera no melhor momento de economia reivindicou os direitos. O que eu fico impressionado é que a galera na pandemia agora, Apesar de muita gente estar desempregada e sendo absolutamente contra, tipo assim, o prefeito fechando os estabelecimentos e tudo e a galera ficando...

Eron Falbo: [26:42] Como a economia está muito ruim, está todo mundo na pior, ninguém se revoltou, sacou? Então rola com um fenômeno assim, tipo quando você está bem, você tira um pouquinho, você se revolta.

Speaker 3: [26:54] É ser humano, né cara? Não tem muita... É uma loucura o que acontece dentro das nossas cabeças e no grupo de cabeças de grupos de seres humanos. Às vezes a gente tentar achar muita explicação lógica e objetiva. É ser humano, às vezes é uma loucura.

Eron Falbo: [27:10] Mas é bom a gente tentar sim, porque o negócio está ficando feio. Eu jurava que durante a pandemia ia rolar uma revolta. Eu via no rosto das pessoas, você via direto coisa acontecendo. Eu fazia live. E entrava a gente toda hora, tô desesperado, me ajudem, entendeu?

Eduardo Ávila: [27:30] Sim.

Speaker 3: [27:31] É, mas a situação ainda tá feia. A gente ainda tá na pandemia, né? A questão ainda tá... Vamos ver. Tomara que a gente melhore essa situação no ano que vem e em diante. Mas é isso, cara. Precisamos ter uma nova visão e uma mudança profunda. Em relação à forma como a gente trata a desigualdade, as injustiças sociais no Brasil.

Eron Falbo: [27:53] E qual é a sua visão econômica disso, de como chegar a essas mudanças? Porque você trabalhou no mercado financeiro, tem essa visão econômica privilegiada?

Speaker 3: [28:05] Olha, você não tem experiência nenhuma no mundo de países desenvolvidos, de economias desenvolvidas, em que você não teve um papel forte do Estado. Na promoção de uma indústria nacional forte, na promoção do emprego, em tirar muita gente da pobreza. Então, enfim, hoje se tem no Brasil o mainstream, o mainstream que é a principal corrente econômica, um pensamento mais liberal, de que, ok, governo sai, deixa o mercado trabalhar sozinho, que ele vai... Ele é um dos representantes dessa visão.

Eron Falbo: [28:54] É o que está mais agindo, vamos dizer.

Speaker 3: [28:57] É o que está aí e as coisas vão se resolver. De 2016 para cá, as coisas não estão se resolvendo, as coisas só estão piorando e não tem um exemplo na história da economia mundial Não existe um exemplo de uma economia, de qualquer economia grande desenvolvida em que você teve essas resoluções sociais todas sem o papel Mas.

Eron Falbo: [29:20] Também você não tem um exemplo do contrário, de uma economia keynesiana onde as coisas fluíram, porque normalmente nas economias, vamos dizer que optadas pelos países um pouco mais socialistas, quando não tem uma mescla de um liberalismo saudável, fomentador do capitalismo junto com uma uma intervenção pontual do Estado, também tem muito pelo contrário, você vê causando mais miséria, mais fome e nivelando mais por baixo.

Speaker 3: [30:01] É, mas eu não falei em socialismo, os Estados Unidos é socialista? A França socialista, a Alemanha...

Eron Falbo: [30:10] Os Estados Unidos primeiro liberalizou na maioria dos polos bem-sucedidos, tipo Nova York, Chicago, e depois trouxe incentivos estatais para melhorar.

Speaker 3: [30:31] Ao contrário, primeiro o governo desenhou as bases. Então, por exemplo, depois da crise de 1929, que paz ficou devastada. Você vê o Franklin Roosevelt com o New Deal deles em 1930. E reconstruiu ali os Estados Unidos com uma intervenção forte.

Eron Falbo: [30:49] Mas primeiro foi um liberalismo total e por isso que levou à crise de 29, é isso que eu estou falando. Aí já existiu uma cultura no povo de empreendedorismo, de alta sustentabilidade produtiva. Depois que a coisa deu errado, entrou reparos do governo. Porque o que eu vejo, isso é minha opinião pessoal, a minha preocupação é uma preocupação psicológica. Se você sempre segura a mão do seu filho, ele nunca vai ter coragem de andar sozinho, entendeu?

Speaker 3: [31:33] Mas se o seu filho tá caindo num penhasco, você vai... Ah, claro, claro.

Eron Falbo: [31:37] Entendeu? Porque você não precisa ter uma coisa ou outra. Só tô dizendo que as duas coisas são importantes. Se o seu filho tá caindo no penhasco, aí você intervém. Enquanto ele tá caindo no penhasco, aí depois você deixa ele andar sozinho.

Speaker 3: [31:49] Com certeza.

Eron Falbo: [31:51] Isso eu consigo, porque muita gente acredita em uma... Não, o Estado precisa estar lá segurando a mão o tempo todo. E o Brasil teve muito essa mentalidade. Desde muitos anos, na verdade desde Vargas talvez, teve muita intervenção do Estado. Então, por exemplo, a cultura do Brasil praticamente não anda se não tiver o Estado. Então, não tem uma... Hoje a cultura é 100% dependente do Estado. O Estado retira isso, a galera não sabe. O Walter Salles, que é filho de bilionários banqueiros, usa a Lei Rouanet para fazer filmes. Não tem ninguém que se arrisque e coloque o dinheiro para fazer cultura porque não é uma coisa que existe no Brasil.

Speaker 3: [32:40] Sim. Aí você deu um exemplo de uma coisa que eu também concordo que deveria ser combatida. O dinheiro do Estado deveria ser para aqueles que não têm a menor condição de começar o básico e de conseguir oportunidades básicas para competir com os outros. A partir do momento que a gente tem, tranquilo.

Eron Falbo: [32:58] E também para o público que não tem, porque o que acontece no Brasil é tipo, o dinheiro vai para o Caetano Veloso e o Gilberto Gil, que já tem carreiras formadas, e o público dessa galera apaga R$300,00 para assistir eles. Entendeu? Tipo assim, eles fazem um show no Alley Rouanet, aí o público é errado e a pessoa beneficiada também é errada.

Speaker 3: [33:22] Não, com certeza tem disfunções e injustiças gravíssimas na condução da política estatal aqui no Brasil, com certeza absoluta, e elas têm que ser muito combatidas. Só que não dá pra achar que a gente vai corrigir essas injustiças apenas com a atuação de mercado. Entendeu? Não existe um exemplo no mundo, na história disso. Então é isso.

Eron Falbo: [33:57] Mas existe exemplo, assim, eu acho que o que... E também a gente tá concordando, by the way, né? Tipo, quando pareceu que a gente tava discordando, acho que era só um ajustezinho. Mas eu pessoalmente... Venho cada vez mais acreditando numa questão psicológica social. Como eu dei o exemplo do filho, se a sociedade brasileira não está acostumada a pagar ingressos a entender que as pessoas estão se arriscando. Por exemplo, se você entende que seu primo tá se arriscando fazendo shows de música. Às vezes tá perdendo dinheiro, às vezes tá ganhando. Na hora de ir pra um show de música, você não vai pagar a meia se você não for meia, entendeu?

Eron Falbo: [34:57] Agora, se o Estado tá pagando uma merda do Caetano Veloso que... Eu até gosto da música dele, mas essa parada da Lei Rouanet e tudo mais foi uma merda. Mas, entendeu? Um artista que já está estabelecido de gravadora internacional, sabe? Aí você fala, óbvio que eu vou pagar meia, aí rola esse vício psicológico, né? E eu pessoalmente acredito que uma das razões, eu concordo com você, se você tirar totalmente a sustentabilidade que Paulo Guedes está sugerindo, muito do funcionamento é atrapalhado, mas eu acho que é bom psicologicamente para o povo, porque começa a gerar uma nova mentalidade de se virar, de tipo assim, agora a gente vai ter que, se não tem cultura, vamos investir, porque o povo não fica sem cultura. Isso é fatual desde a era pré-histórica.

Speaker 3: [35:59] Sim, mas Euron, aí a gente está falando Eu estou usando cultura, tudo bem. Não, não, mas nesse exemplo da meia ou do pagagem, eu e você, nós somos, sei lá, 1, 2, 5% se for mais até generoso, mais ricos da sociedade do Brasil. 90% Da sociedade brasileira é miserável e não tem dinheiro para pagar nem meia, nem um quarto, nem um décimo de um ingresso desse. Então, Eu trago aqui esse recorte da importância do papel do Estado para os miseráveis, para quem não tem a menor condição.

Eron Falbo: [36:32] Mas lembrando que no século XIX, a miséria era muito maior do que era no Brasil hoje em dia para qualquer país do mundo. O Brasil, tipo assim, a norma era ter uma classe absolutamente miserável e pouquíssimos ricos. Democratizou muito em todos os países do mundo. Isso é uma estatística mundial. A maneira que inaugurou países bem sucedidos como Suécia, como Estados Unidos, etc., foi com o início de se virem. Esse é o ponto que eu tô falando. A gente não teve esse... Bom, teve na época do império, né, Mas depois disso, mas... Tanto que na época do Império a gente era mais bem sucedido. Depois que entrou, vamos dizer, governos demagógicos, etc, o Estado cresceu muito. Cresceu muito a intervenção e a manipulação e a corrupção. O que eu acho que aconteceu foi que a gente ficou aleijado como sociedade. E eu acho que a gente tem que fazer fisioterapia para aprender a andar.

Eron Falbo: [37:35] E isso é doloroso. Porque em outras sociedades, você não tem dinheiro para pagar ingresso, mas sua alma precisa de entretenimento. Então alguém lá da comunidade vai fazer malabares e você vai pagar centavos e isso vai crescer para virar ciclo do soleil, que esse é o processo que toda civilização evoluiu. Nunca foi uma instituição, pessoas bem intencionadas que se juntaram e fizeram um plano para ajudar as pessoas. Isso nunca houve na história da civilização. O que houve sim foi, depois que a coisa já estava engrenando e houveram problemas com a queda da bolsa de 1929, por causa de um estado forte e bem resolvido, intervenções estatais para reparar algumas coisas e crescer, não para fazer a coisa funcionar do início.

Speaker 3: [38:39] Para construir um básico, acho que é o nosso ponto de convergência. Para criar um básico, a ideia do estado de bem-estar social, na Suécia, nos Estados Unidos, todo mundo tem um básico aqui para conseguir comer, enfim, ter alguma educação de qualidade, tem um básico de saúde, E a partir daí, concordo contigo, se virem, cada um tem suas especificidades. Um vai gostar de ser ator, outro vai gostar de trabalhar com energia, com engenharia, com tal. Cada um segue suas individualidades e busca suas opiniões, mas com um básico. E esse básico não veio de outra forma. Senão o Estado ia dar esse básico.

Eron Falbo: [39:17] E aí depois... Qual que é o básico? Isso que as pessoas não concordam, qual que é o básico? Porque nesse argumento do básico que começam coisas como lei Rouanet. Aí o governo, o regime atual vai lá e sequestra essa lei que é criada com as melhores das intenções e cria uma máfia em cima disso. Já voltamos para a nossa conversa. Queremos usar esse espaço privilegiado e sua atenção especial para divulgar artistas que merecem ser reconhecidos. Além disso, queremos contribuir para o crescimento desses artistas. A cada episódio escolhemos um ganhador para divulgarmos, darmos incentivo financeiro, parcerias e oportunidades. Vote no que você gosta mais e faça uma diferença. Fique agora com os nossos escolhidos.

Eduardo Ávila: [40:28] Tentando descobrir o que se passa Em sua cabeça, sem barulho A boa educação por natureza Não lhe permite uma palavra torpe Pra ofender seus inimigos Nunca ouvirá uma canção no rádio Que fale de amor ou de violência E aí E aí E aí E aí Eu fico olhando aquele surdo mudo Tentando descobrir o que se passa Em sua cabeça, sem barulho A boa educação por natureza Não lhe permite uma palavra torpe Pra ofender seus inimigos no rádio que falem de amor ou de tristeza eu fico olhando aquele mudo surdo pensando em como é atrofiada E aí.

Speaker 3: [44:36] E Uma educação pública de qualidade é básico?

Eron Falbo: [45:06] Aí Não, não acho porque a definição... Eu fiz uma entrevista com o Cristóvão Buarque e o Cristóvão Buarque, a coisa principal que ele vive por isso é a educação pública. Só que a gente definiu juntos na entrevista que existe uma diferença entre educação estatal e educação pública. E também concordar com... Primeiro, qual é essa diferença? E segundo, o que é exatamente o básico disso? Tipo assim, alfabetização, eu concordo que é. Certos conceitos Tipo assim, matemática básica para as pessoas poderem se virar. Aí depois disso, coisas que têm a ver com cidadania seriam mais básicas e nem estão no currículo. Tipo, aprender a pagar impostos, a fazer imposto de renda, as leis de casamento, que a maioria da população passa por isso e não é ensinado.

Eron Falbo: [46:12] De separação, de sustentação de pessoas. Então o que eu quero dizer basicamente é que eu concordo, só que o problema é as definições. E no momento que não está constitucionado, que não está na Constituição, essas definições levam ao governo sequestrar e criar máfias em cima.

Speaker 3: [46:36] Com certeza. E olha, desde que o diálogo seja assim de ideias, Tem, vão surgir argumentos dos dois lados e é um debate que acho que é produtivo e rico. Só que o que a gente está vendo hoje no mundo, no Brasil principalmente, não é esse diálogo, né? Esse debate. Então, desde o momento que você... Eu não concordo tanto com você em relação a isso, mas é isso. Estamos aqui dialogando e concordem em discordar. Mas, por exemplo, trazendo o assunto para... A pauta do assunto para a energia Solar, que é onde eu mais Tem atuado, conhece. Você não vê hoje... O mercado de energia Solar de geração distribuída, que a gente chama, que é cada um instalar o painel em cima da sua casa, existe no mundo tem 20, 30 anos. É uma tecnologia super nova. E você não tem um exemplo de nenhum mercado desenvolvido no mundo em que você não teve algum tipo de empurrão estatal no início da indústria, para que ela nasça.

Speaker 3: [47:38] Porque no início é muito difícil, você não tem escala ainda para que a iniciativa privada veja o retorno mínimo necessário para investir ali. E aí você precisa do Estado vendo, não, eu tenho aqui a visão de sociedade. Qual que é o Brasil, que é os Estados Unidos ou a Alemanha que eu quero para daqui a 20 anos, para daqui a 10 anos. Isso não vai me trazer retorno de curto prazo, mas isso vai construir um projeto país que eu quero ter daqui a 15 anos, então vou dar. E aí, por exemplo, na China você teve um modelo de intervenção estadual que foi investimento direto. Na Alemanha você teve outro modelo, que foi quem produzir em casa sua própria energia Solar, bota na rede elétrica e ganha um preço premiado por essa energia. Nos Estados Unidos já foi bem diferente, foi quem investir em equipamentos de energia Solar ganha 30% de crédito fiscal em relação ao imposto de renda. Diferentes formas...

Eron Falbo: [48:34] Mas sabe que também a gente só tem o ponto de que alguma parte disso, isso também não é para discordar não, é para a gente poder aprofundar o assunto. Alguma parte disso é porque os países têm uma certa competição entre um e o outro e, por exemplo, carros elétricos. Se carro elétrico é o futuro, alguns países vão ficar para trás. Então, às vezes, não é fomentando a indústria para poder ajudar as pessoas, etc. Muitas vezes é vendido como isso, para ganhar votos ou para a parada se viabilizar, mas em termos práticos, as economias dos países não querem ficar para trás no cenário mundial e fomentam certas indústrias quando os convém, Não é porque convém para os pobres, porque muita coisa poderia convir para os pobres e não é feito. Agora, quando está no cenário de inteligência artificial, carros elétricos, energia Solar, que é uma coisa que é estabelecida, que é o futuro, aí as pessoas começam a ajudar um pouco.

Eron Falbo: [49:40] Só que no Brasil nem isso.

Speaker 3: [49:42] É isso que eu ia puxar. Aqui no Brasil não tem ainda, a gente não tem hoje essa visão Qual é o Brasil que a gente quer para a década? Qual que é o projeto que a gente tem de Brasil? Onde a gente quer estar nesse novo mundo do século XXI? Como é que a gente quer se posicionar? Não vejo ainda essa visão macro do Brasil e faltam incentivos. Então, trazendo aqui para a energia Solar no Brasil, acho que não tem incentivo nenhum. A gente está na raça, fazendo com os recursos que a gente tem. Enfim, mas é isso.

Eron Falbo: [50:18] E como está o cenário da energia Solar no Brasil hoje? O que você vê comparado com como está no mundo? Como você vê os próximos cinco anos? Esse tipo de coisa.

Speaker 3: [50:30] Cara, o Brasil tem um potencial fantástico de energia Solar. Em Florianópolis, que é o lugar que tem menos irradiação Solar no Brasil, Lá tem quatro vezes mais irradiação Solar do que o melhor lugar da Alemanha, que é um dos líderes do mundo. E a Alemanha tá 10, 11 vezes, não é nem 7 a 1, é um 14 a 1 que eles estão na nossa frente. Então é uma loucura. O Brasil tem o potencial de ser o líder em energia Solar no mundo, de ser o protagonista nesse novo mercado, só que a gente ainda tá começando a caminhar. O mercado surgiu no Brasil em 2012, quando surgiu a primeira regulação desse mercado no Brasil, que permitiu que as pessoas instalassem energia em casa, energia Solar em casa, injetassem na rede e serem remunerados por causa disso, aí foi aí que começou o mercado. E aí ele cresceu exponencialmente desde 2012. A gente acabou de bater 600 mil casas e pequenos comércios com placas de energia Solar no Só que num universo de 85 milhões de chamam unidades consumidoras.

Speaker 3: [51:41] Então a gente não tem nem 1% ainda aí do potencial que a gente pode ter no Brasil. Eu acredito sim que com o incentivo do governo vai ter mais, mas sem incentivo também hoje já é um negócio muito lucrativo a energia Solar. Tem um relatório novo da Agência Internacional de Energia que mostra que a energia Solar é a fonte de eletricidade mais barata da história em todos os países do mundo. Porque você instala a placa ali e ela dura 25 anos sem fazer manutenção, gerando energia de graça para você. E aqui no Rio de Janeiro, onde a gente está, a conta de luz aumentou 106% na última década. A inflação foi de 70%. Então, mais que dobrou o custo da energia convencional aqui no Rio. Adivinha quanto mudou o preço dos equipamentos de energia Solar nesse mesmo período. A conta de luz ficou 106% mais cara. Os custos e equipamentos de energia Solar ficaram 90% mais baratos. Então, uma energia cada vez mais cara e a outra cada vez mais barata.

Eron Falbo: [52:44] E faz sentido, que uma está crescendo a escassez e o outro... Tipo assim, a gente tem alguns milhões de anos ainda de sol.

Speaker 3: [52:50] Porra! Tem um livro, cara, que é... Aqui, olha. Não sei se você conhece esse cara, Eduardo Gianetti. Esse livro, Trópicos e Utópicos dele, que é legal para o pessoal ler. São algumas crônicas que ele faz e que ele fala ali, ele fala como a planta tem esse dom da fotossíntese de aproveitar a luz do sol e criar sua própria energia e a gente ser humano com todas essas máquinas ainda não aproveitou isso. E a gente tem mais estoque de sol nessa mesma crônica que ele fala. No mundo a gente tem mais estoque de sol do que gás, carvão, petróleo, urano, tudo combinado.

Eron Falbo: [53:32] É, cara, tem aquela parada do Zeitgeist, você já viu o Zeitgeist?

Speaker 3: [53:37] Sim, sim.

Eron Falbo: [53:38] Aquele Jack, qual o nome dele? Jack Fresno, que ele tem aquele sonho, né? Se uma humanidade fosse da maneira que devia ser, eu adoro isso, tipo, a gente teria um trem de Nova Iorque até Beijing, que duraria duas horas, sacou? A gente tem tecnologia para fazer isso. Imagina, ou seja, imagina chegar em Nova Iorque do Brasil para Nova Iorque ser uma hora, sacou? A gente tem tecnologia para não ter, em vez de lei seca para as pessoas não morrerem, deixar as pessoas dirigirem bêbadas e botarem tecnologia nas beiras das estradas que seja impossível das pessoas morrerem.

Speaker 3: [54:23] A tendência que a gente tem de tecnologia em termos de automóvel são os automóveis autônomos, os carros autônomos. Nos Estados Unidos isso aí já está surgindo, é uma tendência bastante interessante também dos carros autônomos. Mas é isso, da energia Solar, a energia Solar hoje já é um uma opção super viável economicamente, super vantajosa economicamente, só que para os mais pobres tem uma barreira estrutural, que é a questão do investimento inicial, porque elas duram 25, 30 anos, só que você precisa botar o dinheiro de cara para investir nela, ou acesso a crédito para conseguir um financiamento, e esse pessoal de baixa renda não tem. E são eles os que mais sofrem com a conta de luz muito cara no Brasil. Então a gente está criando um modelo aqui com que eles paguem mensalmente um valor que seja menor do que eles estão pagando hoje para a empresa concessionária de energia.

Speaker 3: [55:25] Ou seja, ele já tem impacto no bolso positivo já desde o primeiro mês sem fazer investimento inicial nenhum. E a gente consegue ter um modelo que é alto sustentável economicamente. Que vai pagar a equipe local que está fazendo a instalação e a manutenção das placas. Que vai permitir expandir essas instalações. Então, a gente está fazendo isso agora com esse novo projeto nosso, que é a primeira cooperativa de energia Solar em favelas do Brasil. Na favela da Babilônia, perto de onde você está.

Eron Falbo: [55:54] Dá para ir visitar lá? Eu poderia ir visitar em algum momento?

Speaker 3: [55:58] Com certeza.

Eron Falbo: [55:59] Iniciativa de vocês, divulgar, ajudar a espalhar a ideia.

Speaker 3: [56:04] Vai ser um convidado de honra. A gente tem o que a gente chama de imersão sustentável. A gente tem várias instalações de energia Solar já na favela. Então, a gente desenhou um corredor Solar que a gente vai passando uma a uma e aí tem um workshop que a gente fala sobre energia Solar, sustentabilidade e tal e termina com um almoço na favela orgânica, que é um restaurante lá dentro da Babilônia, dentro da favela Babilônia, só de comida orgânico, reaproveitamento de alimento vegetariano e com uma vista maravilhosa da praia de Copacabana. Aí a gente termina ali com um happy hour, está super convidado.

Eron Falbo: [56:42] Pô, fera demais cara, obrigado.

Speaker 3: [56:44] Claro.

Eron Falbo: [56:45] Muito legal. Cara, só para ficar claro para o público que está assistindo a gente, porque eu acho que eu entendi, aí depois se me fala, eu vou tentar resumir para leigos que você está envolvido aí na situação. Basicamente a energia Solar é uma parada que não destrói o cosmos, porque o Sol tá aí pra isso, pra dar energia e sempre deu, e não é a principal fonte de energia que a gente usa no planeta hoje. O mundo está tentando usar energia Solar, energia eólica, muito mais do que energia de fósseis. E o problema disso é que Inicialmente existem equipamentos etc para poder captar essa energia Solar, aí depois tem um custo relativamente pequeno de manutenção, de troca de placas e coisas do tipo.

Eron Falbo: [57:47] E para poder iniciar essa cultura, vamos dizer, essa mentalidade nova de uso de uma energia diferente é caro no início e depois é muito, muito, muitas vezes mais barato.

Speaker 3: [57:59] Como qualquer fonte de energia. Para instalar usinas de carvão, de petróleo, também você tem investimento inicial grande. A grande questão é que a decisão de investimento no setor de energia sempre teve na mão de governos ou grandes corporações.

Eron Falbo: [58:16] Oligarquias, basicamente.

Speaker 3: [58:17] De grandes grupos, sejam eles privados ou públicos. A grande diferença da energia Solar é que ela permite que o próprio consumidor, nós, os indivíduos, as famílias, os pequenos comércios, instalemos as placas no telhado das nossas casas e geremos a nossa própria energia. Isso é uma coisa super nova. É uma tecnologia dos últimos anos. Então é aí que a capacidade de investimento dos indivíduos, das famílias é menor do que desses dois grandes grupos. Então é aí que está a diferença.

Eron Falbo: [58:48] E um tem mais poder de lobby. É como se fosse o advento do MP3. O MP3 chegou e as grandes gravadoras do mundo que distribuíam música nas lojas e tudo boicotaram a distribuição do MP3, né? Tem o famoso Metallica, como é que chama? Processando Napster pra... Ou seja, as pessoas só queriam ouvir música e foi um advento de uma tecnologia que podia revolucionar pra todo mundo ouvir as músicas que ninguém tinha acesso. E, óbvio, que as oligarquias que retinham esses direitos fizeram de tudo para boicotar e causar, pelo menos, uma grande fricção nessa evolução.

Speaker 3: [59:40] Mas não tem jeito, né, cara?

Eron Falbo: [59:42] É, do mesmo jeito que hoje a gente tem Spotify, que qualquer um ouve, mas algumas pessoas têm que ouvir uma propaganda, mas qualquer um ouve qualquer coisa, pelo menos. Então a gente vai chegar em algum modelo que todo mundo vai ter essas placas solares, só que vai ter que ter algum custo por isso. Aí você está oferecendo... Eu estou resumindo para a gente poder criar uma forma, vamos dizer, leiga de entender isso. Já voltamos para a nossa conversa. Queremos usar esse espaço privilegiado e sua atenção especial para divulgar artistas que merecem ser reconhecidos. Além disso, queremos contribuir para o crescimento desses artistas. A cada episódio escolhemos um ganhador para divulgarmos, darmos incentivo financeiro, parcerias e oportunidades. Vote no que você gosta mais e faça uma diferença. Fique agora com os nossos escolhidos.

Eduardo Ávila: [60:51] E aí.

Speaker 3: [64:47] Deixa eu desenhar um pouquinho da história para o pessoal entender. A eletricidade foi inventada no final do século XIX. Antes disso não tinha eletricidade no mundo. Teve inclusive um filme que o pessoal pode ver, A Batalha das Correntes, que é o Thomas Edison contra o Nikola Tesla. Eles foram os caras que começaram a inventar, um tinha um modelo, outro tinha um modelo. Os caras, na última década do século XIX, eles botavam...

Eron Falbo: [65:17] O Nikola Tesla também está junto, mas é o Westinghouse, como é que é o nome?

Speaker 3: [65:21] Isso, exatamente. Westinghouse, isso. Mas o Thomas Edison...

Eron Falbo: [65:27] É porque o Tesla também está nessa. Desculpa, desculpa.

Speaker 3: [65:31] Não, exatamente isso. Dessa loucura toda desses caras, desses gênios do final do século XIX, A batalha das correntes surgiu a energia elétrica no mundo. E aí ao longo do século XX ela foi se difundindo e sendo incorporada na economia nesse modelo em que a gente gera energia de forma centralizada numa escala gigantesca. Grandes usinas termoelétricas, que é que que é termoelétrica? Queimar carvão, queimar gás, queimar petróleo. Numa escala gigantesca, aproveitando o que os economistas chamam de economia de escala, ou seja, tendo um custo menorzinho. Porra, foi se difundindo, foi entrando em nossas casas e tal.

Eron Falbo: [66:13] Criou um industrialismo.

Speaker 3: [66:15] Exatamente.

Eron Falbo: [66:16] Isso é o potencial de se a gente começar a usar energia Solar, é o potencial de tanto demais energia que pode ser consumida no mundo.

Speaker 3: [66:26] Exatamente.

Eron Falbo: [66:27] Boa parte do custo, é porque as pessoas às vezes não param para pensar isso. Quando você vai em um restaurante, você está pagando para a energia ficar ligada, sacou também. Se for mais barato, o restaurante também, a comida que você vai consumir no restaurante... Mas além disso, o restaurante está comprando frango, que ele está te entregando as coxinhas de frango, a fazenda está cobrando essa energia lá disso também. Então, o mundo inteiro vai ficar mais barato.

Speaker 3: [66:59] Com certeza, a energia barata é o grande motor do desenvolvimento econômico moderno. Você tem para os comércios aqui no Brasil, o primeiro, o segundo ou o terceiro maior item de custo é a energia elétrica, sempre. Se não é o terceiro, em um ou outro vai ser o quarto. Mas é sempre primeiro, segundo ou terceiro. E principalmente aqui no Rio, que está uma loucura o preço de energia elétrica aqui no Rio. Para as casas também e tal. Mas o que aconteceu, Eron? Desde a década de 60, a gente vê esse processo de industrialização muito forte no mundo. E aí a gente ficou baseado, a gente estava baseado sempre na geração de energia elétrica por esses combustíveis fósseis. E eles são muito poluentes para a atmosfera, para o mundo. Eles começaram a emitir. Então se você vê a curva de emissão de gases de efeito estufa, que é um gás poluente para a atmosfera, estava aqui assim ó, ao longo da história da humanidade. Século XVII, XVIII, XIX, aí XX, aí década de 60, do século XX até...

Speaker 3: [68:03] Foi assim. Coisa explodiu da década de 60 até hoje. E aí está causando todos os efeitos negativos climáticos que o pessoal conhece pela emergência climática. Todas as mudanças climáticas que a gente está vendo e o principal causador disso a nível global é a geração de energia a partir de combustíveis fósseis. Aqui no Brasil é o segundo, esse o principal causador. Principal é a questão do uso da terra e das florestas. Mas aqui no Brasil, a gente tem uma matriz energética que chama como é que a gente gera a nossa energia, que até que é limpa comparado ao resto do mundo.

Eron Falbo: [68:44] Hidroelétrica e tal.

Speaker 3: [68:46] Dois terços da nossa energia elétrica vem de hidroelétricas. Elas não emitem esses gases poluentes, mas elas têm outros efeitos negativos gravíssimos. De inundação de comunidades, ribeirinhas. E agora como é?

Eron Falbo: [69:01] Desculpa.

Speaker 3: [69:02] Não, vai, fala.

Eron Falbo: [69:03] Cara, tem uma outra parada que acho que é essencial, que entra nessa parada da quebra do monopólio das máfias e corrupção brasileira. Que como já está estabelecido, Electrobrás, Light, essas paradas todas, esse monopólio gera um custo muito maior. No momento que você permite às casas individualmente, vamos dizer, de tal próprio destino energético, de tal próprio destino em termos de energia elétrica, você abre a oportunidade, aí entra no começo da conversa, de competição, você quebra monopólios essenciais, porque beleza, a ideia é limpo, então esse lado é bom, que bom, que muitos lugares, na Inglaterra, Manchester, é uma coisa... É horrível. Pelo menos a gente tem isso de bom, mas aí tem esse outro lado, que é essas oligarquias, essas companhias muito fortes ligadas a máfias estatais e coisas do tipo, que a energia elétrica quebra totalmente, que fala, porra, agora se vira e você pode criar novas empresas.

Eron Falbo: [70:17] Que nem vocês estão fazendo, com a Revolução Solar, abrindo a possibilidade para pessoas não serem escravas desse sistema oligárquico. Pessoas que nunca seriam, nem por conhecimento próprio, nem por recurso próprio, capazes de lutar contra essas corrupções e coisas do tipo.

Speaker 3: [70:41] Essa é a grande Revolo Solar que a gente chama, Eron. É o setor de energia tradicionalmente desse jeito que eu falei centralizado com grandes grupos distante da gente concentrado numa fonte. E agora a gente está tendo a oportunidade de cada um botar as placas solares na sua casa e economizar na conta de luz gerar sua própria energia. Os vizinhos ganharem empregos para trabalhar nesse setor porque tem um outro dado que é super importante que a fonte de energia Solar entre as fontes de energia renovável todas hidroelétrica, eólica, biomassa, todas essas, é a que mais gera empregos entre todas. E são empregos locais onde as placas são instaladas e de qualidade, que pagam bem mais do que a média de salário da economia.

Eron Falbo: [71:25] Porque você tem que instalar, tem que... A hidroelétrica você constrói e bota dois caras lá operando, né?

Speaker 3: [71:31] Exatamente. Então você precisa do cara para instalar, do cara para fazer a manutenção, do engenheiro para estar no software ali, do cara para vender, do cara para administrar, você precisa de muita coisa, da manutenção e tal. Então, tem oportunidades fantásticas com essa Revolo Solar que a gente chama, só que a grande coisa é que, até agora, essa Revolo Solar está num nicho pequeno da sociedade, quem tem o capital inicial para investir nessas placas. Historicamente, a gente não investia nas usinas, a gente paga mês a mês a nossa conta. E a grande Revolo Solar que a gente vê, Além dessa questão ambiental, além desse empoderamento do consumidor, também a gente levar essa fonte de energia e essa transição energética para quem mais precisa dela, que são os mais pobres. É isso que a gente está buscando fazer aqui nas favelas do Rio.

Eron Falbo: [72:20] Bote fé. Cara, Eduardo, muito bom te receber aqui no nosso programa. Eu acho que a gente teve uma conversa super elucidadora sobre economia e acho que muita gente está se beneficiando de nos ouvir para entender detalhes importantes de como funcionam essas paradas de verdade e o que a gente deveria estar lutando para construir um futuro para o Brasil onde tudo seja mais barato. Isso pra mim é uma coisa que às vezes a gente luta por, sei lá, igualdade de gênero antes de comer, né? Antes de poder... Levar mais comida, porque, no final das contas, a energia Solar é o que permite coisas básicas existirem. Então, cara, conte comigo aí para divulgar isso, para ajudar com qualquer coisa que eu puder. E muito obrigado pela sua presença.

Speaker 3: [73:22] Perfeito, é isso aí. O último recado aqui, pessoal, é o que a gente já... A Revolo é a energia que vem da favela. Tá todo mundo convidado lá a conhecer o trabalho da Revolução Solar nas redes sociais.

Eron Falbo: [73:34] Legal, antes da gente terminar eu ia até te fazer uma última pergunta e depois se você puder... Na verdade eu vou te fazer a última pergunta e depois eu te falo outra coisa. É uma pergunta que eu faço para os convidados para a gente poder ter um... Um momento de meditação coletiva. Eu queria te perguntar pra você, Eduardo Ávila, nesse momento, qual que é a coisa mais importante nesse mundo?

Speaker 3: [74:02] Qual que é a coisa mais importante? Eu acho que é empatia, diálogo, que nem a gente teve aqui, sabe? A gente não concorda em tudo, no como, a gente concorda no fim que a gente quer, E a gente conseguiu um entender o lado do outro e conversar e dialogar e trocar ideia. Então, acho que hoje no mundo, principalmente no Brasil, está faltando diálogo. Isso é bastante importante.

Eron Falbo: [74:27] Concordo, concordo total. Estamos juntos nessa. Então, se eu puder terminar só falando onde encontrar vocês, como é que as pessoas podem contribuir, participar.

Speaker 3: [74:37] Perfeito. Olha, galera, estamos em todas as redes sociais lá. RevoluSolar, Revolução Solar. Nosso site lá tem um botão de Douwe, revolucionar.com.br barra Douwe. É importante para a gente dar amplitude a esse impacto social que a gente gera. E estamos sempre postando vídeo lá dos bastidores. A gente está construindo essa que é a primeira cooperativa de energia Solar em favelas do Brasil. A gente mostrou lá vídeos das placas chegando, das placas subindo na favela, do pessoal instalando no telhado, pessoal nas janelas da favela vendo as placas sendo instaladas, vislumbradas. Tá lá nas nossas redes sociais, então convido todo mundo a acompanhar nosso trabalho por lá. E brigadão, Eron, pelo papo, eu adorei. E parabéns pelo programa no Alvo, alto nível.

Eron Falbo: [75:22] Valeu, bicho. Cara, você se incomoda de ficar só um minutinho na linha, aí a gente conversa em um minutinho?

Speaker 3: [75:30] Tranquilo.

Eron Falbo: [75:31] Valeu, valeu. Boa noite, tudo de bom. Então pessoal, vou dizer agora tudo o que a gente conversou, o que eu aprendi, qual que é a condensação desse nosso programa de hoje em um minuto. E antes eu só queria pedir pra todo mundo nos seguir e entrar nos canais todos, arrobaeronfalbo, eronfalbo.org e ajudar a gente a manter o programa rodando. Aí com energia Solar, mentira. Ainda não, mas a gente trabalha nisso. E o que eu aprendi com o Eduardo hoje é que, cara, a gente pode realmente, na verdade eu concordo muito com ele, né, que essa é um dos pilares do nosso programa, a razão que a gente faz isso aqui é para fugir dessa polarização de opiniões diferentes. E a gente poder ter diálogos sem entrar em detalhes.

Eron Falbo: [76:31] Eu sou um pouco obcecado com criar sínteses e tentar concordar, mas eu acho que realmente a gente não precisa concordar sempre. Acho que a gente pode simplesmente, como ele diz, concordar em não concordar. E partir para os pontos que a gente sim concorda e que são os relevantes, porque o importante é que a gente esteja sempre discutindo formas de melhoria e deixar esse diálogo, essa porta, essa arena aberta para a resposta certa um dia nascer e não para a gente estar certo. Então, isso eu gostei muito e também gostei muito da ideia da importância da energia no mundo. Eu vi aquele filme Guerra das Correntes, eu esqueci o nome, que a gente mencionou na entrevista, e eu não entendi o tanto que essa parada está acontecendo hoje em dia. Quando você vê o filme, você vê que a energia é muito importante e mudou o mundo.

Eron Falbo: [77:35] E isso tá acontecendo de novo agora. Então eu aprendi isso, a importância de voltar e pleitear isso e lutar por isso, né? Por a gente ter... Muitos problemas que a gente tá matando uns aos outros pra resolver hoje em dia, seria resolvido simplesmente por energia mais barata. Então, de repente, galera, vamos... Apoiar essa causa mais. Nunca se esqueçam, a gente tá todos os dias, 7 horas da noite, todos os dias da vida, faça chuva, faça tsunami, estamos aqui juntos. E também nunca se esqueçam, a esperança é a última que morre. Respeito.

Episódio de No Alvo com Eron Falbo. Veja todos os episódios, Praise e Quotes.