Líder do Movimento Monarquista
André Miranda lidera o Movimento Monarquista brasileiro e estuda estoicismo, cultura japonesa e história.
Transcrição do áudio do episódio.
Eron Falbo: [0:01] Opa! Tudo bom?
André Miranda: [0:03] Beleza, cara, e você? Agora consegui. Agora sim. Você viu o que aconteceu com a música aí? A gente não consegue ouvir música porque o Instagram bloqueia. Por causa de direitos autoritários.
Eron Falbo: [0:23] Direitos autoritários, isso aí.
André Miranda: [0:27] Então, pessoal, queria apresentar pra vocês o Andr. Andr Miranda, meu filho.
Eron Falbo: [0:34] Quer agradecer a você pelo convite?
André Miranda: [0:35] Oi?
Eron Falbo: [0:36] Agradecer a você pelo convite.
André Miranda: [0:40] Isso aí é para ser uma conversa informal, a ideia é unir pessoas do bem, pessoas que se importam com a comunidade, com o Brasil como um todo e pessoas de ação, não só de palavras. O Andr é uma dessas pessoas, tive o prazer de conhecê-lo. Recentemente, mas a gente pensa muito igual, já tivemos várias conversas e pensamos muito parecido, apesar de ter backgrounds muito diferentes. Então a gente vai fazer uma conversa, eu acho que o objetivo é que todos nós, acho que qualquer brasileiro, seja de esquerda ou de direita, seja da Bahia ou de Porto Alegre, Qualquer brasileiro rico ou pobre está decepcionado com o Brasil, está decepcionado com várias coisas.
André Miranda: [1:43] Cada um tem o seu foco, mas está todo mundo decepcionado. E a gente propõe que o que a gente pode fazer é se melhorar. Pelo menos uma das coisas que a gente pode fazer é trabalhar em si mesmo e ser uma pessoa melhor. Então essas conversas são para fomentar isso, essas conversas são para a gente aprender juntos, inclusive as pessoas que estão observando aí, eu gostaria muito de pedir a participação de vocês, que vocês façam intervenções, falem da opinião de vocês, de como vocês pensam que o Brasil pode melhorar e principalmente o brasileiro, como que o brasileiro pode melhorar, que a minha opinião pessoal é que Não é coincidência que nos últimos 100 anos o Brasil só teve governos corruptos. Não é porque calhou de todas as piores pessoas entrarem no governo. Eu acho que tem um problema inerente em nós, em eu, em você.
André Miranda: [2:46] Alguma coisa na nossa cultura, alguma coisa que a gente se acostumou, que a gente se viciou. E eu acho que o caminho mesmo é a gente melhorar. E nessa quarentena a gente tá aqui parado entre aspas, tem gente que está trabalhando mais ainda, mas tem alguns momentos aí de mais reflexão, de mais calma, de mais serenidade para poder contemplar, para poder se melhorar internamente. E essas conversas vão servir para ajudar isso, para a gente ajudar. Então eu quero convidar vocês, amigos aí, vocês que estão entrando, vocês que estão assistindo, quero convidar um por um, para participar, para dar opinião. Então, se vocês puderem escrever aí, se vocês concordam, se vocês discordam aí com o que eu tô falando. É isso aí, Marcela. Então é isso aí, o Andr é o nosso primeiro convidado aí, porque ele trabalha bastante comigo, a gente tem vários projetos juntos, mas a gente não vai entrar nos méritos políticos aqui.
André Miranda: [3:52] E também, assim, eu vou pedir para o Andr daqui a pouco falar um pouco sobre ele, dar uma breve introdução dele, mas o objetivo aqui não é trazer especialistas, não é tipo, agora vamos falar com um médico sobre coronavírus. A gente está falando com brasileiros, com cidadãos, então que transcende a profissão, transcende a ideologia, transcende o lado político, se é esquerda ou direita e tudo isso. Então vamos começar. Andr, se você puder dar uma breve introdução sobre quem você é, de onde você vem, o que você faz e qualquer outra coisa que você queira dizer sobre você e sua trajetória.
Eron Falbo: [4:38] Vamos lá. Bom, eu sou advogado, profissionalmente sou advogado. Eu não gosto de começar dessa forma porque, quando a gente fala assim, normalmente quando fala quem é, fala da profissão. E, na verdade, a gente é muito mais do que simplesmente o lado profissional. Mas vou seguir a praxe, eu sou advogado, atuo na área do plebiscível, sou militante do movimento monarco, ou ativista do movimento monarco, como preferirem, participei da época do plebiscito, na juventude monarca, hoje continuo participando do movimento monarco, sou católico, tradicionalista. Bom, minhas áreas de interesse, eu sou praticante de arte marcial desde criança, gosto da cultura japonesa, da filosofia japonesa, e o grande desafio para mim é conseguir conciliar o pensamento japonês, o pensamento oriental, a cultura oriental com o catolicismo, com a nossa cultura, Mas, enfim, eu até aqui tenho conseguido conciliar.
Eron Falbo: [5:54] E é isso. No mais, a gente vai conversando aí e vai se descobrir.
André Miranda: [6:02] Legal, legal. Então, assim, para a gente sair um pouco da... Que nem a gente falou de... O Dan está perguntando que arte marcial. Ele luta Karatê. Que tipo de Karatê mesmo?
Eron Falbo: [6:17] Então, eu... Desde os 10 anos de idade eu pratico Karatê, Karatê-do, Chotokan, estilo Chotokan. E durante a minha vida eu pratiquei outros estilos de arte marcial. Eu pratiquei Aikido durante alguns anos, pratiquei Jiu-Jitsu. Isso tudo pra quê? No sentido de incorporar algumas técnicas no meu Karatê. E a minha outra paixão da arte marcial, que aí já não tem muito a ver com o Karatê, é o Kenjutsu, ou como o pessoal conhece a modalidade esportiva, o Kendo, que é a arte da espada japonesa, a qual eu pratiquei também durante alguns anos e estou louco para voltar. Assim que tiver um tempo eu vou tentar voltar.
André Miranda: [7:00] Eu estou louco para começar isso aí. De repente na próxima encarnação eu vou ter um pouco mais de tempo. De repente você pode responder. Perguntaram aqui se a gente acha que o mundo vai ficar melhor depois do depois da quarentena, depois do coronavírus?
Eron Falbo: [7:20] Então, eu acredito que a gente vai ter dois tipos de situações. Uma é que você vai ter realmente pessoas que passaram por essa experiência de isolamento, passaram por essa experiência de uma pandemia e todas as dificuldades que isso traz e que vai vai buscar novos talentos, vai buscar um lado mais espiritual, vai buscar uma conexão maior e vai buscar ser mais solidária. E você vai ter um outro tipo de pessoa, aquela pessoa que vai só focar esse período todo no problema, vai focar na questão de estar sem poder trabalhar, de estar com dívidas e tal. A gente sabe que tem muita gente com necessidade, que é difícil, pessoa pensar em outra coisa quando está passando fome ou sem poder pagar as contas e tal.
Eron Falbo: [8:21] Mas a gente tem, dependente da condição social, a gente tem, todos nós temos um lado espiritual, um lado mais solidário, um lado de maior conexão. Então, eu acho que vai ter esses dois tipos de pessoa saindo dessa crise. Agora, Como o mundo vai responder depois, é muito complicado falar ainda. Por quê? Porque a maior crise, para mim, não é essa da pandemia. Essa da pandemia é uma crise de saúde e que vai estar causando muitas mortes, muitas vítimas, mas a crise pior vai ser a crise econômica que virá depois. Isso independe se o Brasil vai continuar no isolamento ou não, porque o Brasil não é uma ilha isolada do Brasil é um país que tem relações comerciais, relações diplomáticas, relações políticas com outros vários países, como é hoje no mundo todo. Então não adianta a gente querer pensar, focar só, a gente tem que sair do isolamento porque a economia está prejudicando.
Eron Falbo: [9:24] A economia vai estar prejudicada de qualquer forma, no meu entender, porque a partir do momento que você tem uma recessão na Europa, você tem uma recessão nos Estados Unidos, no Canadá, vai ter uma recessão no Japão, você vai ter uma recessão no mundo todo. Não tem como o Brasil sair em colônia dessa situação.
André Miranda: [9:42] Tá certo, Andr, mas deixa eu te perguntar, mesmo com esse problema de recessão e economia e tudo, vamos voltar no indivíduo, no crescimento pessoal, na nobreza pessoal do indivíduo. Essa coisa, esse problema econômico todo, como que a gente ultrapassa isso individualmente, independente se você é rico ou pobre? Eu tenho conhecidos que são empresários e tenho conhecidos que são autônomos, que vivem de serviços manuais e ambas essas classes sofrem com esse problema econômico. Em diferentes níveis, obviamente, mas como que a gente ultrapassa isso em termos éticos, em termos de disciplina pessoal? O que você aprendeu nas artes marciais? O que você aprendeu no Bushido, o código do samurai, que é o código da disciplina pessoal japonesa?
André Miranda: [10:48] O que você aprendeu que você acha que pode contribuir para a gente, para passar dessa quarentena com mais serenidade?
Eron Falbo: [10:57] Eu acho que quatro palavrinhas definem bem. Resiliência, você conseguir suportar o que poucos conseguem suportar, suportar as grandes dificuldades. Altruísmo, cultivar esse espírito altruísta, independente das dificuldades que você seguir em frente. Eu acho que a outra palavrinha seria solidariedade e esperança. Eu acho que essa é talvez uma das receitas para você conseguir futuramente vencer a crise. Então é resiliência, altruísmo, esperança e... Bom, a outra eu esqueci agora. Acabei de falar e esqueci. Mas eu acho que esse é o caminho. Esse aí, para mim, é o que a arte marcial me ensinou. É você acreditar em você, acreditar no ser humano, ter resiliência, aguentar firme ali, quando você acha que não aguenta mais, a gente sempre no treino, o sensei sempre fala isso, quando a sua energia, você acha que não aguenta mais, mas você ainda tem muito ainda para dar, ainda tem muita energia para gastar.
Eron Falbo: [12:18] Então é isso, quando a gente achar que não aguenta mais o problema, a gente ainda tem que continuar, persistir, perseverar e seguir em frente.
André Miranda: [12:26] É, porque a gente vê aqui no Brasil, a gente vê gente reclamando em todas as classes, então reclamando de injustiça, dizendo, ah, pô, eu sou empresário, então tem impostos injustos e torna minha vida quase impossível, quase impossível ser empresário no Brasil. Aí alguém que é um funcionário diz, poxa, eu ganho tão pouco que é quase impossível pagar as contas no Brasil e viver onde eu vivo. E coisas do tipo. E agora com o corona, ainda mais com 600 reais que estão dando para as pessoas, que é um pouco quase cômico. Apesar de eu entender que não estou culpando o governo por isso, mas é uma coisa que não resolve a vida de ninguém. Mas o que eu quero dizer com isso é o seguinte, que eu percebo no Brasil, eu já morei, como você sabe, eu já morei em diversos países do mundo E eu meio que naveguei, vamos dizer, diversas mentalidades, diversas formas de ver a sociedade e como reagia o governo.
André Miranda: [13:40] No Brasil, especificamente, eu vejo que as pessoas testerizam muito a culpa, põem a culpa muitas vezes no governo. Acho que a gente se acostuma, a gente se acostumou muito a depender, a pedir, a rogar do governo como se o governo fosse uma espécie de Deus que a gente venera. E que é responsável por nós. E óbvio que o sistema do governo influenciou isso. Desde Vargas, lá, a gente tem um governo totalmente centralizado e que torna os cidadãos dependentes. Aí o que eu queria te perguntar é como que o indivíduo sai dessa prisão pessoal, sabe, como que o indivíduo sai dessa reclamação e começa a enfrentar a sua própria realidade, tomar responsabilidade pelas ações, pela cidadania, por o que ele tem que ser e o que ele tem que fazer?
Eron Falbo: [14:47] Então, eu morei um ano em Portugal e uma coisa que eu percebi é que as pessoas lá, elas planejam sua vida a longo prazo. Aqui, as pessoas planejam muito a curto prazo, as pessoas são muito imediatistas, as pessoas querem resultados rápidos. E isso não é bom, eu acho que isso não é o caminho, entendeu? Você pega, por exemplo, uma família na Europa, quando você vê uma pessoa que tem um negócio próprio, normalmente aquele negócio não começou naquela geração, começou nas gerações anteriores, e aí acabou que ela foi se desenvolvendo e tal, E quando alguém começa um negócio novo, ele começa com uma perspectiva de não ficar rico. Ele quer fazer aquele negócio funcionar, e aquilo ali tem a subsistência e possa criar os seus filhos, e aí aquilo vai crescendo conforme as gerações.
Eron Falbo: [15:48] Aqui o cara abre um negócio, ele já quer ver um resultado em pouco tempo e já quer ficar rico em poucos anos. Isso é meio complicado. Então, muito disso que eu vejo é que causa frustração também no empresário brasileiro. O empresário brasileiro quer grandes resultados em pouco tempo. E as coisas não são assim. A natureza não dá saltos. A natureza vai se desenvolvendo com o tempo. Então, isso que o brasileiro teria que cultivar, esse senso de longo prazo. Isso também tem muito a ver com a nossa história. Quando a gente rompe com a nossa história e vem para um outro sistema, uma outra forma de governo, em que você passa a ter um monarco, desculpe, você passa a ter um governante a cada quatro anos, a cada cinco anos, e as políticas tem que dar resultado nesses poucos anos, então isso vai criando no povo uma nova visão de mundo.
Eron Falbo: [17:02] Isso é complicado, então a gente tem que mudar um pouco essa visão, baixar um pouco a bola e ver que as coisas não são tão rápidas assim, as coisas demoram um tempo para maturar. E como isso vai para o povo? Eu acho que tem que realmente cultivar um novo olhar, uma nova perspectiva, quebrar paradigmas e a gente vê que as coisas têm que ir aos poucos, não tão rápido. As coisas têm um tempo para acontecer e a gente tem que aceitar as coisas boas ou ruins de forma sempre positiva, porque independente do que aconteça, seja bom ou ruim, aquilo vai te trazer uma experiência, aquilo vai te trazer uma consciência do que você está fazendo. Então com aquilo você tem que ir crescendo. Porque a gente não cresce só com sucesso, a gente cresce principalmente com insucesso.
André Miranda: [17:59] Se você erra... Tem a história do Zeno de Chipre, que é o fundador do estoicismo. Ele era um homem muito rico e ele estava um dia navegando e houve um naufrágio e ele perdeu toda a fortuna dele no empreendimento que ele estava fazendo. E aí ele começou, por causa dessa tragédia, ele começou a ler Platão e os outros filósofos da época dele. E desenvolveu o que hoje a gente conhece como estoicismo, que é uma das filosofias mais atrativas, que até hoje os grandes empresários, fundadores de empresas e tudo, seguem esses princípios do estoicismo até mais do que as próprias religiões, muitas vezes. Então o fundador do estoicismo nasceu de uma grande tragédia pessoal.
André Miranda: [19:01] Ele foi obrigado a perceber que ele podia fazer uma escolha naquele momento de ou abandonar as forças, quando ele perdeu toda a fortuna dele, entrar em depressão, abandonar a motivação dele, ou se reinventar e encontrar dentro da própria alma dele uma força pessoal. E como Epíteto, que é um grande estoico, o grande lance dele é falar O sofrimento não vem das coisas que acontecem com a gente externamente, mas do jeito que a gente julga as coisas que acontecem. Então, você pode julgar a pandemia como uma grande tragédia ou você pode julgar ela como uma grande oportunidade de melhorar. De se sobressair, de buscar novas ferramentas para crescer.
André Miranda: [20:06] Mesma coisa na grande depressão americana de 1929. Grandes fortunas foram perdidas, mas grandes invenções foram criadas, grandes novas fortunas foram feitas.
Eron Falbo: [20:21] Sempre onde tem uma tragédia, tem oportunidade. Isso é fato. Você pega um personagem que eu gosto muito, Júlio César. Júlio César nasceu em família bastada, teve uma carreira militar brilhante e, em determinado, foi cônsul da República Romana e, depois disso, ele caiu em, como dizer, não gosto dessa palavra, mas ele perdeu o prestígio Foi pra derrotar a Galha, conseguiu derrotar e quando ele voltou, ele ia ser preso, porque o Senado não tinha permitido. Então quer dizer, o cara saiu de uma situação ruim, voltou vitorioso e ainda assim seria preso. E ali ele teve que decidir, né? Por isso que tem aquela expressão, né? Atravessar o Rubicão. Se ele atravessava o Rubicão, que era.
André Miranda: [21:22] Um rio próximo da... Que não podia atravessar. Se atravessasse, era uma declaração de guerra.
Eron Falbo: [21:28] Não podia atravessar com um exército, né? Nenhum general poderia atravessar o Rubicão com um exército, então ele teria que decidir. Se ele atravessasse sem um exército, ele ia ser preso, condenado e provavelmente morto. Então ele atravessa o Rubicão e depois se torna o grande Júlio César. Ele chegou a ser imperador, embora as pessoas considerem ele imperador, mas dali é que se tornou o Império Romano, parte dele. Tanto é que todos os outros imperadores foram batizados como César na hora da coroação.
André Miranda: [21:56] Essa imagem realmente é incrível, você se imaginar logo antes do Rubicão, com seu exército relativamente pequeno, porque se Pompeu tivesse chegado, se os outros generais tivessem chegado ali, ele ia ser aniquilado. Então ele estava brincando com probabilidades muito impossíveis, vamos dizer. Só que ele fez essa escolha apesar de tudo. Então realmente essa imagem é uma coisa que faz a gente pensar, pô, o coronavírus não é tão grave assim.
Eron Falbo: [22:36] Não, não é não. Tem muitos casos. O povo japonês, eu gosto muito da história do Japão, o povo japonês como saiu da segunda guerra, destruído, como se tornou uma potência mundial. Tem muitos casos, muitas situações.
André Miranda: [22:53] Então, entrando nessa coisa do povo japonês e voltando para aquela coisa do brasileiro ser um pouco passivo e depender do governo para empurrar ele, o Bushido e a própria classe Samurai, e o próprio Japão feudal como um todo, não nasce de cima para baixo, não é um imperador que fez tudo acontecer e qualquer coisa. São indivíduos que adotam um código pessoal, um código de conduta pessoal, e juram lealdade para esse código de conduta pessoal, treinam pra caramba dia e noite para virarem guerreiros incríveis, e se juntam e formam grupos, formam cidades-estados, formam educados, não sei qual é o nome em japonês.
Eron Falbo: [23:51] O Japão tem uma formação, e vou usar essa palavra, embora ela não se enquadre muito no caso do Japão, é uma formação medieval interessante, porque Você tem duas elites no Japão. Você tem os nobres, que viviam na corte com o imperador. E você tem a nobreza baixa, que seriam os Daimyo, que são líderes feudais do campo. E depois eles tomam o poder, mantém o imperador, mas tomam o poder e tem o generalíssimo que é o Dai Shogun. Shogun é general. Os grandes generais eram os Shoguns, mas o Dai Shogun era o grande general. E aí vai se formando os Samurais, né? E o Samurai tem essa fidelidade com o seu mestre. É muito interessante a história do Japão. Muito bonita a forma. O guerreiro japonês, ao mesmo tempo que ele era um grande guerreiro na arte do combate, com várias armas, Ele também era um erudito, ele praticava caligrafia, pintura, literatura, poesia.
Eron Falbo: [25:10] Então são os dois que a gente chama, os caminhos. Dor é caminho. Por isso que você vê Karatedor, Judô, Bushidô. Dor é caminho.
André Miranda: [25:20] Eu estava até dando uma estudada no Bushidô hoje para poder conversar mais no seu nível. Mas eu vi que uma grande virtude dos samurais era a benevolência. Clemência, misericórdia. A gente costuma pensar no samurai como um brutal, como alguém que sem pudor, que corta a cabeça fora da pessoa por desobedecer.
Eron Falbo: [25:52] Pelo contrário, o samurai cultivava as artes. A própria espada era uma arte. E você pega o samurai e diz que tem o nido, ou uma palavra que o pessoal até vai zoar. Eu gosto de usar nido porque para o nosso idioma fica menos engraçado, mas é bu-bu-bu-nido. Aí eu gosto só de usar o nido. Nido é ni de dois e do de caminho, dois caminhos, que é o da pena e o da espada. Eles entendiam que se você fosse um bom calígrafo, você seria um bom esgrimista.
André Miranda: [26:31] Incrível. Eu estava lendo justo hoje C.S. Lewis falando sobre cavalaria medieval e sobre como as pessoas hoje, nos tempos modernos, tem essa dualidade de esquerda ou direita, de força ou paz, e um fica latino contra o outro. E pensa assim, um pensa que todo mundo é muito fraco e você tem que ser mais forte, carregar armas e coisas do tipo. E o outro pensa que todo mundo é muito violento e a gente tem que abandonar as armas e ser da paz. Aí o CS Lu estava falando que isso leva ao pior tipo de pessoa, porque quando vem uma necessidade de guerra, aquela pessoa que é a escola da paz, ela foge, porque ela não consegue confrontar. E ao mesmo tempo, quando ele tem uma necessidade de clemência, de paz, de doçura, aquela pessoa que é muito violenta, ela exagera e causa danos irreversíveis nas pessoas.
André Miranda: [27:39] Então, o Ser e as Luas, ele diz que como existir na cavaleireira, que é muito similar, o Bushido é muito similar ao conceito japonês. Existiu o conceito, até começa nas histórias do Rei Arthur, na história do Rei Arthur, dizendo que Lancelot Ao mesmo tempo era doce e defendia os pobres e oprimidos da maneira mais clemente possível e ao mesmo tempo na guerra era um guerreiro feroz. Então o Sérgio diz que como a gente está perdendo isso nos nossos tempos, essa capacidade de fundir as duas coisas, ser as duas coisas, defender as duas coisas, não fugir da guerra e também não fugir do amor, da doçura, da gentileza, não se sentir inferior por conseguir ser flexível, por conseguir aguentar um sulto.
André Miranda: [28:47] Por conseguir ser tolerante a minorias, a grupos desfavorecidos e qualquer coisa do tipo, e ao mesmo tempo se defender de injustiças que podem adivinhar de certas políticas mal feitas.
Eron Falbo: [29:09] Então, uma coisa que é bem interessante porque Existe realmente uma similaridade entre os samurais e os cavaleiros, porque o cavaleiro tinha o código de conduta do cavaleiro. Tem até um livro, eu não lembro se é de Thomas More, que fala sobre o código de cavalaria, e você vê ali como ele era lapidado, a educação do cavaleiro medieval, como era lapidada. Claro que nem todos os cavaleiros eram lapidados dessa forma, mas o ideal da cavalaria era lapidar o homem para buscar o homem perfeito. Aquele homem exemplo de sociedade que é o mesmo que acontece no Japão medieval, no Japão dos samurais. O interessante é que quando as artes marciais vêm para o ocidente, muito disso se perde.
Eron Falbo: [30:14] Se traz muito a questão esportiva, mas não se traz esse ideal da ação do homem para se tornar o homem perfeito, o homem completo. Porque se você pegar a palavra Bushido, que é o código de conduta do samurai, Bushi vai ter no seu ideograma, no seu Kandi, que é o ideograma japonês, a palavra Detera Alabarda, que significa o quê? Deter a violência. Então você treina para não usar aquilo, você treina para não ser violento. Então você busca a paz através da guerra. Esse é o ideal da arte marcial, esse é o ideal do guerreiro, inclusive do guerreiro ocidental. Você treina para estar preparado se precisar usar, mas não deve usar simplesmente por usar. E fazendo uma analogia com o esporte moderno, Você pega uma frase que eu gosto muito que, se não me engano, está na entrada da Universidade de Michigan, onde o Michael Phelps treinava, que diz lá, quando você entra na universidade, tem um painel lá, uma placa, que diz assim, quando a hora de competir chegar, a hora de se preparar já passou.
Eron Falbo: [31:30] Então o que quer dizer isso? Você tem que estar preparado para qualquer situação. Não quer dizer que você vai ter que usar aquilo, mas você tem que estar preparado. Porque se você chegar naquele momento e você não estiver preparado, não vai conseguir mais se preparar. Então é isso, o guerreiro, a gente tem que trazer esse espírito guerreiro, que se traduziu também no espírito de competição nesse caso, mas trazer esse espírito guerreiro para a nossa vida, que é você estar sempre preparado, mas não necessariamente você vai precisar usar aquilo. Inclusive vi um comentário aí, tem que descer a katana. Tem um samurai da época do Miyamoto Musashi, o Miyamoto Musashi foi o maior espadachim do Japão, Alguns consideram só como espadachim, outros consideram como samurai. E tem um outro samurai da época dele, que é o Yagyu Munenori, que era o mestre de armas do Shogun, na época do Musashi, que era o Shogun Tokugawa Ieyasu. E aí tem o Yagyu Munenori, ele tem um livro que ele diz, a espada que dá vida.
Eron Falbo: [32:30] Ou seja, a espada é um instrumento criado para a morte. Mas ela pode dar vida quando você edifica sua vida através dos princípios da arte marcial e quando você usa isso para salvar outras vidas, para evitar maiores danos. Então eu acho que é mais ou menos por aí. Então a gente tem que usar esse espírito hoje nas nossas vidas, na vida empresarial, na vida de família, estar sempre preparado para o pior e enfrentar as coisas com altruísmo, com esperança, com... Enfim. Com as nossas aptidões, da melhor forma possível, enfrentar coisas como são.
André Miranda: [33:12] Vamos fazer uma intervenção aqui para perguntar para o pessoal que está assistindo. Eu estou vendo que teve algumas perguntas aí que foram, vamos dizer, esquecidas. Sempre que a gente não vira uma pergunta, por favor, repetem, porque a gente não está ignorando não, porque a gente se empolgando aqui conversando, às vezes a gente não vê a pergunta. Eu anotei aqui uma pergunta que foi como adquirir essa alma tão nobre. Mas eu vou pedir para a gente voltar um pouquinho para o contexto brasileiro, porque o objetivo das nossas conversas aqui é a gente aos poucos criar, pelo menos dentro de nós mesmos, das pessoas que estão assistindo, das pessoas que se importam com esse tipo de coisa, criar soluções, pelo menos planos, estratégias, para como o brasileiro pode melhorar, pelo menos a gente, para poder influenciar outras pessoas, ser o exemplo para outras pessoas.
André Miranda: [34:12] Então vamos tentar trazer essa coisa japonesa muito nobre para a nossa realidade brasileira, enxergar que passos que a gente pode tomar para começar. Aí eu vou pegar essa pergunta da Tani, que é minha mãe, inclusive, que está assistindo. Ela perguntou como Como adquirir a alma tão nobre? O que você me diz aí?
Eron Falbo: [34:44] Acho que a primeira coisa é você cultivar o seu lado espiritual. Eu sou católico, como eu disse, então eu cultivo diariamente o meu lado espiritual, busco uma conexão, faço minhas orações. De manhã à noite e sempre que possível durante o dia também faço algumas orações, tiro um momento, né? Pra ter essa conexão com Deus, ter essa conversa com Deus, isso é uma uma das formas de você cultivar, né? Ou seja, você ter você seguir um no meu caso católico, né? Seguir uma religião, seguir um espirituais, você cultivar uma uma paz interior, né? Eu no caso eu faço meditação, né? Não não consigo fazer todos os dias, mas sempre que posso eu faço meditação silenciosa e aí é que tá você conseguir conciliar, né?
Eron Falbo: [35:45] O seu lado católico com o seu lado marcial, né? E você conseguir tirar essa essa visão religiosa da da da da meditação, a meditação ela é um exercício mental, né? Então se tem que cultivar a meditação como exercício mental. A não ser que você seja um budista, aí você vai olhar por outro prisma, não é o meu caso. E principalmente porque eu busco converter as pessoas. Eu sou aquele católico chato. Mas então, você cultivar o lado espiritual, você cultivar exercícios mentais, você ter gatilhos de exercícios mentais, não só a meditação, mas que você, num momento de contenda, num momento de... E de perda da paz ali, você conseguir puxar esse gatilho e você conseguir voltar para o teu centro, porque o importante é você buscar o centro. O centro é aquele lugar em que você está vendo tudo acontecer ao seu redor e você continua ali, firme. Eu gosto de, claro, eu nunca tive no olho de um furacão, mas eu gosto de usar essa força de expressão.
Eron Falbo: [36:53] Claro que eu não acredito que se você ficar no meio do furacão você vai estar lá quietinho e tudo acontecendo ao seu redor, mas eu gosto de usar essa força de expressão que é justamente isso, é você estar ali no centro do furacão vendo tudo acontecer ao seu redor e você continuar mantendo o seu centro, continuar mantendo o seu espírito calmo para você ser um observador, você conseguir olhar o problema como se você estivesse de fora e aí você buscar a solução.
André Miranda: [37:16] Então isso são exercícios que você vai praticando por um tempo.
Eron Falbo: [37:21] Uma conexão com a sua família. A família pra mim é essencial. Tem que ter uma conexão com a sua família.
André Miranda: [37:26] Só um parentezinho, voltando ao estoicismo, que eu acho muito interessante esses paralelos, que dois dos maiores estoicos da história do estoicismo eram Marco Aurelio, que era o imperador de Roma, e Epíteto, que era um escravo. Então isso é muito interessante. Como que você pode ter um escravo e um imperador sendo como se fosse colega de trabalho e duas realidades completamente diferentes. E Epíteto dizendo que você pode estar correntado, totalmente imóvel e ainda ser o homem mais livre do mundo. Porque internamente você não está atormentado pelos seus julgamentos, pelos seus próprios demônios. E ao mesmo tempo Marco Aurélio teve que enfrentar duas guerras ao mesmo tempo, em duas frentes ao mesmo tempo, enquanto acho que três ou quatro dos filhos deles morreram.
André Miranda: [38:26] Então tu ganhou as duas guerras, então é uma capacidade de você encontrar seu centro apesar do que está acontecendo no lado externo. Agora para responder minha mãe que fez.
Eron Falbo: [38:42] A pergunta, Deixa eu só colocar uma última coisa. Eu faço isso, né? Mantenho um diário. Um diário, eu chamo de diário de guerra. Então aqui, por exemplo, eu tenho aqui meu diáriozinho de guerra. Tem dois já. Esse aqui é mais ligado à arte marcial. Então você vai pegar aqui, por exemplo, eu tenho as minhas reflexões que eu faço, Tem os ensinamentos que os mestres passam. Deixa eu ver se eu consigo abrir aqui. Então é sempre bom você ter um diário para você anotar o que você vai aprendendo aí na sua caminhada. Aqui foram as anotações que os mestres me passaram. Aí eu vou anotando e faço os ideogramas, tento fazer os ideogramas. Tem algumas outras anotações aqui.
André Miranda: [39:37] Ah, legal. Caligrafia você tem aqui.
Eron Falbo: [39:40] Vou colocando aqui meus ensinamentos. E aí você sempre tem uma fonte de consulta para você estar buscando esses bons ensinamentos. Bom, é isso. Ler bons livros, enfim.
André Miranda: [39:53] Legal, legal. O Ray Dalio, que é um dos maiores hedge fund managers do mundo, um dos homens mais ricos do mundo, mas bem sedito no mercado financeiro, ele disse que a única coisa que ele tem para ensinar é princípios. Que você, durante sua vida inteira, anote princípios e vá crescendo, que nem você está fazendo, então é muito interessante isso mesmo. Agora eu vou dar a minha resposta para a minha mãe, que eu acho que eu tive um insight que acho que é relevante para essa conversa. Ela perguntou como adquirir uma alma nobre, e eu acho que o mundo moderno vê ver essas coisas que a gente está falando e até a gente fala sobre histórico, sobre samurais, sobre cavaleiros da tábua redonda e isso parece muito distante, parece uma coisa muito piegas, até como se fosse, já foi desmentido.
André Miranda: [40:55] Não existe isso de verdade, essas coisas não existem. É mitologia essas coisas. O jeito que eu queria responder isso é dizer, não vamos dizer como adquirir uma alma tão nobre, porque nossa alma vem de Deus e já é bem feita. Vamos adquirir hábitos nobres. Vamos trazer para a terra essa prática. Eu acho que o brasileiro precisa muito dessa, na minha opinião, precisa tirar da teoria, tirar da distância, como se fosse assim, não deixe o governo resolver tudo para a minha vida porque é tudo impossível, eu não consigo fazer nada mesmo, entendeu? Então acho que uma das melhores soluções é a gente começar a trazer para a gente, para o nosso dia a dia, para o nosso para a nossa vida pessoal, como que eu posso adquirir hábitos melhores. Como dizia Alice Kotles, a excelência não é um estado, não é alguma coisa que você tem ou não tem.
André Miranda: [42:03] A excelência é o que você faz todo dia. A excelência é uma aglomeração de hábitos. Então, como está ruim esse estado mais nobre, a minha resposta seria, talvez não vai ser amanhã, mas comece a se perguntar o que você pode fazer todo dia que vai te ennobrecer. Ao invés de dar caridade uma vez por ano, uma vez por mês, dá todo dia. Menos. Porque isso vai te tornar uma pessoa mais caridosa.
Eron Falbo: [42:39] Caridade é... São as três virtudes teologais. Então, na Bíblia, fé, esperança e caridade. Você ter essa fé que existe um Deus, no meu caso, existe Deus. Vamos falar como católicos, existe Deus. Você ter a esperança de coisas maiores e ser caridoso, tratar o outro como você gostaria de se tratar. Mas você falou uma questão que eu queria pontuar, que é como as pessoas hoje falam, indagam, mas isso aí é coisa do passado e tal. Aí novamente o diário, meu diariozinho de salvação aqui. Então aqui eu anotei, olha só, eu me pergunto se essas coisas estão ultrapassadas. Sete princípios do Bushido, os sete princípios do samurai.
André Miranda: [43:33] Justiça,.
Eron Falbo: [43:37] Benevolência, bravura, polidez, Educação, boa educação. Verdade, agir com a verdade. Honra e lealdade. Isso para mim não está ultrapassado. Não posso pensar que isso está ultrapassado. Aí eu vou para um outro livro de outro samurai, que é o Hagakure, de Yamamoto Tsunetomo, que foi um samurai que viveu, acho que em 1600, por aí. Nunca ser superado no caminho do samurai, quer dizer, buscar sempre a autossuperação. Isso está ultrapassado? Ser de utilidade para o seu mestre, ser de utilidade para o seu patrão, ser de utilidade para os seus pais,.
André Miranda: [44:17] Ser de utilidade para o seu colega.
Eron Falbo: [44:20] Isso está ultrapassado? Ser um bom filho para os seus pais. Está ultrapassado? Não. Manifestar compaixão e agir em prol da humanidade. Está no meu diário, mas se você pegar aqui... Vou mostrar no livro. Está no finalzinho do livro. Não sei se vai dar para ver aqui. Está aqui. Então isso não está ultrapassado. Esse símbolo aqui no livro está errado, tá, gente? Esse símbolo está errado, não devia estar no livro. Eu sempre critico esse livro. E aí eu vou para o Ocidente, o Código de Cavalaria. Buscar a perfeição humana. Retidão nas ações, agir com retidão. Respeito ao semelhante, respeito ao próximo. Amor pelos familiares, quer dizer, amor pelos seus parentes. Piedade com os enfermos. Doçura com as crianças e mulheres. Ser justo e valente na guerra e leal na paz.
Eron Falbo: [45:22] Nada disso está ultrapassado. É totalmente atual.
André Miranda: [45:26] É só a gente cultivar, né? Se todos cultivassem os míticos, o mundo seria melhor. Com certeza, cara. Tamo junto nessa. Eu queria perguntar para o pessoal que está assistindo aí, porque eu percebo que a gente começou com muito mais gente, agora claro que vai demorando e as pessoas vão saindo. Eu queria mais participação de vocês aí, se pudessem fazer comentários, perguntas, alguma coisa aí para fomentar ou até críticas. A gente está aqui para fazer conversa filosófica, conversa que vai incitar uma abertura, uma coisa nova. A gente não está querendo fazer sermão, a gente está querendo aprender. Porque eu acho que o objetivo do projeto que a gente está criando, que é Brasileiros Extraordinários, é a gente aprender. Porque eu com certeza não sei a resposta de como o brasileiro pode se tornar extraordinário.
André Miranda: [46:32] Eu não sei isso. Depois até humildade.
Eron Falbo: [46:38] Humildade também, né? Humildade. Você tem o senso de ser vivo.
André Miranda: [46:46] Andr, ela falou pra você repetir os títulos dos livros. Se você puder. Ela perguntou se você podia repetir os títulos dos livros.
Eron Falbo: [46:58] Esse aqui é o Hagakure. Do Yamamoto Sunetomo. Aí você tem uma trilogia. Aí você tem esse aqui que chama... Não, espera aí. Esse aqui é Arte da Guerra. Eu peguei o livro errado. Esse aqui tem um livro chamado Bushido, mas na verdade o nome dele não é Bushido. Mas você vai encontrar por Bushido, porque foi como traduziram. Bushido é um código de conduta não escrito. Então todos os livros que você tem como Bushido, na verdade, são livros escritos por samurais traduzindo o que seria o Bushido. E aí quando você achar Bushido, na verdade o nome dele é outro, mas ele vai estar como Bushido. Você tem esse aqui que eu citei, que é do Yagyu Munenori, a espada que dá vida. Você tem um dos que eu mais gosto, que é o Livro dos Cinco Anéis, do Miyamoto Musashi. Bom, A Arte da Guerra é um dos meus livros de cabeceira.
André Miranda: [48:00] Inclusive tem um audiobook, que é narrado pelo... Qual que é o nome dele? Littlefinger, o cara do Game of Thrones. É incrível a versão de Aogubu que é muito bom e é rapidinho, é tipo uma hora, duas horas de álcool.
Eron Falbo: [48:16] Um livrinho moderno, moderno, mas que eu acho que seria muito recomendável para os pais é esse aqui. Esse aqui, Os 20 Fundamentais do Karatê, do Gichifu Nakoshi. Porque muita gente hoje treina arte marcial e não conhece os princípios. Esse aqui é um livro maravilhoso para a formação de qualquer pessoa, principalmente as crianças. Então botar só na escola de arte marcial sem o fundamento filosófico é legal, mas não é tanto. É mais legal quando você tem um fundamento filosófico. E aí também, como eu disse, você, no caso eu católico, os princípios católicos. A igreja católica tem um manancial de princípios, de formação do jovem, e você encontra a resposta para quase tudo na igreja católica.
Eron Falbo: [49:22] Tem uma pergunta aí para comentar sobre o Movimento Monarca, então depois a gente passa para esse assunto.
André Miranda: [49:27] Eu vou até gentilmente cortar esse assunto, porque isso começa a entrar em coisas partidárias e também a gente pode se empolgar demais. E falar muito aqui.
Eron Falbo: [49:42] Deixa eu só fazer um comentário, só um comentário.
André Miranda: [49:44] Então, mas rapidinho, só fazer um anúncio rapidinho, a gente só tem mais 5 minutos. Então, isso aqui vai estar gravado, então depois todo mundo pode ir. Eu vou botar no meu canal de YouTube, que na verdade eu ainda nem tenho, mas eu vou fazer um canal de YouTube aí. Depois vocês vão, é só você botar, se bem que você botar Eron Falbo no YouTube, você vai ver um monte de música, mas... Eu vou botar no meu stories em algum momento o canal do YouTube especificamente que eu vou botar esse vídeo. E vou salvar todos os encontros que a gente for fazendo. Então vai lá, Andr. Comenta aí o que você ia comentar. Desculpa aí.
Eron Falbo: [50:23] Então, um comentário bem rápido. O movimento monárquico tem que ser visto como um movimento suprapartidade, em que cabe qualquer pessoa. Então eu vejo às vezes um foco muito grande Ah, não, de direita, não sei o quê. Eu sou conservador, eu sou conservador. Mas eu acho que o movimento monárquico, ele é para todos, para todas as ideologias. Agora, claro, tem pessoas que elas têm uma visão mais radical, independente do aspecto político. Aí é realmente complicado você falar sobre monarquia com essas pessoas, mas a grande maioria não tem esse radicalismo. Então você pode falar abertamente sobre monarquia com essas pessoas. E é importante a gente criar o hábito da tolerância. A gente tem que ser tolerante com as outras visões ideológicas. Por quê? Porque uma democracia sadia, ela só é construída quando você tem o debate entre as diferentes posições ideológicas.
Eron Falbo: [51:27] Se você não tem esse debate, Você não tem democracia, você não tem uma política sadia.
André Miranda: [51:33] Então isso é importante. Vou dizer uma coisa que eu aprendi, que mudou minha vida, sobre tolerância. Que é o seguinte, a gente costuma ver tolerância como, por exemplo, eu tolero os gays, aí assim, alguém que não se incomoda, eu não me incomodo quando uma pessoa diz eu tolero os gays, talvez a pessoa não se incomoda, porque pra ela não faz diferença se as pessoas são gays ou não são gays e diz eu tolero, entendeu? Mas o que eu aprendi, que foi muito profundo, é que tolerar não é você aceitar aquilo que é irrelevante pra você. Tolerar é você aceitar justo aquilo que te enfurece, justo aquilo que te incomoda. Tolerar é você dar espaço, dar vazão pra justo aquilo que tá pisando no seu calcanhar de aquilis, que tá pisando na sua ferida. Então, acho que o brasileiro precisa aprender isso.
André Miranda: [52:34] Precisa aprender que a gente não pode dizer que o discurso da outra pessoa é impossível de ouvir. Perfil de pessoas de Facebook que coloca ele não, se votou no Bolsonaro nem conversa comigo, ou vice-versa, se é petista nem conversa comigo. É uma coisa assim, tipo, como assim não conversa com você? É impossível que a pessoa do outro lado não tenha algo a oferecer, de repente a pessoa tem alguma coisa a oferecer que não tem nada a ver com política. Entendeu? Como é que não vai conversar com a pessoa? E isso é uma epidemia, muito maior do que o coronavírus, inclusive.
Eron Falbo: [53:22] Eu sou conservador, tenho amigos à esquerda e às vezes, claro, a gente se exalta no debate e tal, mas a gente continua amigo. Inclusive, ontem, ontem não, hoje é quinta, né? Acho que foi na segunda, Na segunda, eu tive um debate acalorado pelo Facebook com um amigo, terminei extrapolando e logo depois, acho que no dia seguinte, que a cabeça tinha esfriado, eu fui lá, pedi desculpa publicamente, porque eu acho que se a ofensa foi pública, a desculpa tem que ser pública também. Depois falei com ele pessoalmente, a gente tá numa boa, tá tudo certo. Eu acho que tem que ser por aí. Aí eu volto novamente aos princípios marciais, né? O Dojo Kun, os cinco princípios do Karate. Ali é o nidho kumbha, os vinte princípios. Mas tem o dojo kumbha, que são os princípios do dojo. Tem dois, eu acho que se enquadram perfeitamente com o que você falou. Conter o espírito de agressão, ou seja, você segurar esse espírito de agressão, não conter, não extravasar esse espírito de agressão.
Eron Falbo: [54:26] E o principal, respeito acima de tudo. O que é respeito acima de tudo? Pelas pessoas, pelas ideias delas. Você pode combater, mas de forma serena e com argumentos. Não de forma violenta.
André Miranda: [54:40] Então, chegou o nosso horário de terminar. Pra terminar aqui o nosso live hoje, eu vou contar uma história aí do Samurais, que pra mim também mudou a minha vida. É uma coisa pra todo mundo pensar, que é o seguinte, antes de qualquer coisa, deixa eu agradecer ao Andr, agradecer a sua participação. Muito obrigado, espero que a gente faça mais dessas, porque é uma hora, muito pouco tempo aí pra gente conversar todos esses assuntos. Muito obrigado mesmo, de coração, por dar seu tempo aí pra gente. Eu sei que você é muito ocupado e muito dedicado. Obrigado.
Eron Falbo: [55:18] Obrigado a você por ter me convidado. Eu sempre à disposição aí, quando precisar.
André Miranda: [55:23] Valeu. Então a história é o seguinte. Tinha um samurai que, como o Andr sabe, os samurais, quando o mestre deles morre, eles viram Honin. Eles viram samurais nômades. E eles ficam como se fossem órfãos. E o objetivo de vida deles passa a ser vingar a morte do mestre deles. Tá certo isso? Tem essa história de um grande guerreiro cujo mestre morreu. E o cara que matou ele era um dos maiores guerreiros do Japão. O cara que matou o mestre. Eu não sei se essa é a história ou não, mas esse grande guerreiro, que virou órfão, virou honin, obviamente jurou que ele ia matar esse outro samurai, que era um dos maiores guerreiros do Japão.
André Miranda: [56:30] Então ele passou 20 anos treinando. 20 Anos planejando, estrategizando. Ele fez várias tentativas de infiltrar dentro do dojo, do palácio do cara, da fortaleza desse samurai. E um belo dia, depois de 20 anos tentando, ele finalmente conseguiu. Ele matou todo mundo como um grande espadachim. Ele infiltrou a base, aquilo que a gente vê em filme, cortando a cabeça de todo mundo, o sangue pra todo lado, e no final chegou e derrotou esse grande samurai. E botou a espada no pescoço desse grande samurai. E quando ele ia matar esse grande samurai, ele se sentiu, ele se percebeu, percebeu como estava o estado de espírito dele e ele percebeu que ele estava com raiva, que ele não estava matando esse cara por justiça, que ele estava matando esse cara porque ele odiava esse cara.
André Miranda: [57:39] Aí ele tirou a espada, botou de volta lá no negócio dele e foi embora, desistiu de matar o cara. Valeu gente, tá acabando aí. Um abraço.
Episódio de No Alvo com Eron Falbo. Veja todos os episódios, Praise e Quotes.