Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.
Eron Falbo: [0:00] Fala pessoal, beleza?
Dado Dolabella: [0:03] Vamos lá. Tudo certo, melhor agora, queridão. E aí, como é que você tá? Tudo bem?
Eron Falbo: [0:14] Graças a Deus, tudo certo, cara. Muito obrigado pela sua presença aqui no nosso programa.
Dado Dolabella: [0:20] Imagina, prazer. Eu que agradeço o convite, cara. É uma honra estar aqui. Já vi mó galera irada que eu sou fã aqui, que você entrevistou. É um prazer, meu amor, estar aqui, irmão.
Eron Falbo: [0:37] Cara, primeiro essa camisa aí é muito fera, vegan da NASA, né? Tipo, vegano do futuro, né?
Dado Dolabella: [0:46] Cara, eu considero assim a melhor decisão pessoal da minha vida, sabe? Foi a melhor coisa que eu fiz por mim, em toda a minha existência. E é assim que eu me sinto hoje, cara. Tipo, no espaço. Eu costumo falar que quando eu comia de tudo, eu comia carne, eu sobrevivia. E hoje eu super vivo. É viver em outra frequência, entendeu? Um exemplo rápido disso é que quando eu comia churrasco, por exemplo, eu sempre falava pros meus amigos, assim, eu comia, comia, comia, comia. Aí tinha uma hora que eu não aguentava mais comer, que eu chegava pra galera e falava assim, aí, eu vou dar uma jiboiada ali no canto. Jiboiada, cê tem noção do que é isso, cara? Dá uma jiboiada, cai igual uma cobra ali digerindo. E é tipo assim, resumindo a obra, mais ou menos isso, é muito peso pra gente digerir, né? Nós, seres humanos, possuímos zero por cento de instinto carnívoro e a gente não tem nada que se equipare aos carnívoros, assim, não temos garras. A gente sua pelos poros, os carnívoros suam pela língua, a arcada dentária deles, dos carnívoros, abre e fecha só pra cortar. A nossa tem o poder de moer o grão, de fazer assim com o dente. Então, cara, depois que eu virei vegano, é outra frequência vibracional, a vida decola...
Eron Falbo: [2:51] Bom, vou te dizer que você deu uns argumentos rápidos aí, bem formulados, cara. Normalmente eu escuto argumentos que eu não compro tão facilmente. Você teve uma pegada mais científica, assim, mais revolucionária?
Dado Dolabella: [3:07] É, eu... Quando eu assisti a uma palestra de um ativista americano, um jornalista que se transformou em ativista, que é o Gary Yourofsky, quando eu assisti a palestra dele eu fiquei sem argumento. Eu era churrasqueiro, era eu que fazia o churrasco da galera. Eu que cortava carne, eu que gostava, pô, adorava comprar as peças, escolher as peças e tal. E cara, aí quando eu assisti a palestra, que eu comecei a assistir assim, eu tava louco pra achar algum vacilo dele ali, pra eu ganhar logo no mesmo. Falar, ah não, peraí.
Eron Falbo: [3:53] Pra você poder ir no churrasco.
Dado Dolabella: [3:57] Exatamente! E aí, cara, eu fui voto vencido, assim, não tive nenhum argumento no final que fosse plausível. E aí quando eu terminei de assistir a palestra, eu falei, cara, eu sou vegano e não sabia. E aí foi da noite pro dia, assim, eu não tive aquela coisa, assim, ah, vou virar primeiro ovolactovegetariano, comer peixe, vou aguardar... Você foi convertido de cara? Foi, por quê? Eu mudei o que eu acreditava, né? E aí, quando você muda o que você acredita, quando você muda o que você pensa, o próximo passo é mudar o que você faz, né? E aí, não fazia mais sentido pra mim comer animais mortos, entendeu? A partir do momento que eu falei, não vou mais comer animais mortos, eu vou escolher qual animal que eu posso matar, qual que eu não posso matar pra comer, entendeu? Então, pra mim, o veganismo fez muito mais sentido e aí eu sempre gostei de comer tudo. Pra mim foi muito fácil. Eu comecei, inclusive, a mergulhar num universo que é maravilhoso, que é o universo da gastronomia vegetariana. E descobri um milhão de alimentos que eu não fazia nem ideia que existiam. Por exemplo, raiz de lótus. Você já ouviu falar na raiz de lótus? A raiz de lótus, cara, é uma raiz, né? Claro, o nome já diz, da lótus. E aí, além de linda, ela é deliciosa se você faz uma refogadinha, super nutritiva. E como a raiz de lótus, eu descobri um milhão de alimentos que você só conhece quando você começa mesmo a se interessar, né, pelo...
Eron Falbo: [5:47] É, e você teve uma trajetória também de muitas mudanças, né, nos últimos anos. Acho que foi numa revista que você falou recentemente que você tem se arrependido de coisas do passado, mudado bastante seus comportamentos e coisas do tipo. Acho que o veganismo deve entrar um pouco nisso também, de reexaminar a sua vida e passar para um novo estágio, mais maduro. Estou falando isso porque eu também acho que a gente tem uma idade parecida, acho que mais ou menos... Eu tenho 36, você tem 40. Mais ou menos essa é a idade, depois dos 15, que a gente começa...
Dado Dolabella: [6:27] Refletia, né? Pode crer, total. E o que me ajudou muito com isso também foram os meus filhos, né? Hoje eu tenho três filhos e aí ser pai também, né?
Eron Falbo: [6:41] É, eu tenho dois também.
Dado Dolabella: [6:43] Aumenta bastante ainda a responsabilidade, né? Do que você, antes de qualquer coisa, do que você é, né? Do que você tá passando ali para aqueles seres que dependem de você e têm como você uma figura paterna. Só isso já, tipo, aumenta, assim, muito, né? Pra mim, pelo menos, aumentou muito.
Eron Falbo: [7:07] Pô, multiplicou muito. Quando eu tive meu primeiro filho, eu comecei a ganhar dinheiro pela primeira vez, assim, a levar a sério. Porque, às vezes, a gente ganha dinheiro, acho que talvez tenha sido o seu caso também, mas a gente ganha esporadicamente. Quando a gente não tem filho, a gente gasta o que quiser e tudo mais. Agora, quando a gente tem filho, a gente fala: não, tem que fazer um planejamento pro futuro.
Dado Dolabella: [7:27] Planejamento, conta, né? Exatamente. E aí vem a responsabilidade e a cobrança: o que a gente é, né? O que, na verdade, quem nós somos, o que a gente veio fazer aqui, o que a gente vai deixar de legado, né? Não só pros filhos, mas pro futuro, né? Quais são as pegadas que a gente tá deixando aqui na terra, já que o nosso período aqui nesse planeta é tão pequeno, né? A vida aqui é tão curta. Pô, parece que foi ontem, e agora, pô, você tá com 36, né? Eu com 40. Pô, ontem eu tinha 20 anos. Ontem eu tava começando na televisão, parece que foi, sei lá, no ano passado. O tempo é muito rápido. E é uma coisa muito louca, porque parece que é uma escala logarítmica, né? Vai acelerando com o passar do tempo, né? Quanto mais perto a gente vai ficando do fim, mais rápido vai ficando o tempo. Essa coisa é relativa. É aquela coisa, por exemplo, da viagem: quando você tá indo pra algum lugar, demora muito mais pra você chegar do que a volta. Porque eu acho que a ansiedade de querer chegar faz com que o tempo passe mais devagar. A ansiedade faz aquilo que a gente quer muito e rápido demorar mais pra acontecer. E quando a gente já tá mais velho, acho que a gente já fica menos ansioso, vai ficando menos... e aí vai ficando mais perto do fim, e aí vai acelerando. Eu sei que, cara, eu já pisei no freio e o tempo não para.
Eron Falbo: [9:26] E quais são as outras coisas que você tem feito? Você tem tido mais atividades com a natureza? Você parou de beber álcool, alguma coisa assim? Ou não necessariamente?
Dado Dolabella: [9:39] Não, não parei não. Eu só diminuí naturalmente, assim. Não foi uma coisa assim de "ah, vou parar de beber". Eu gosto de beber, mas hoje eu bebo em momentos especiais, sabe? Celebrando alguma data importante, alguma ocasião especial. Antigamente eu bebia quase todo dia.
Eron Falbo: [10:09] Era pra se anestesiar, né? Antigamente.
Dado Dolabella: [10:11] Exatamente. Eu tinha uma necessidade, assim, de... Porque é uma coisa que eu percebi depois que eu virei vegano: como é que a gente fala tanto em ter paz, em autoconhecimento, em amor, em compaixão, e como é que você vai no café da manhã ingerindo morte? Seguido de estupro e assassinato. No almoço, você vai comer o bicho que foi asfixiado sem ar. No jantar, você vai comer o outro que morreu num corredor da morte com outros irmãos pendurados na frente. E alimento é energia, né? Você vai colocando toda essa energia na sua corrente sanguínea. Chega no final do dia, como é que você vai querer ter paz pra encostar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo?
Eron Falbo: [11:17] Cara, eu até concordo com essa coisa.
Dado Dolabella: [11:20] Teu amigo, haja tarja preta, haja álcool, haja outras substâncias, entendeu? Para poder o cara desligar toda aquela energia. Pra mim, hoje, você fica muito mais, como é que eu posso dizer, com muito mais clareza pra escolher o caminho, sabe, com mais tranquilidade, e pô, tudo flui melhor, a cabeça.
Eron Falbo: [11:52] Eu vou te perguntar uma coisa assim, só pra saber sua opinião nesse assunto. É que, assim, eu até concordo que o objetivo, por um certo ponto de vista, o objetivo da vida é buscar mais paz, serenidade, clareza, esse tipo de coisa. Só que também eu acredito que o mundo acaba sendo, muitas vezes, muito cruel, muito selvagem. E a gente acaba se beneficiando de ter experiências com a realidade dessa crueldade, dessa selvageria. É tipo assim, até a história de Siddhartha Buda, né, que ele vive no palácio dele como se nada existisse, em total paz, como se a morte não existisse, como se a dor não existisse. E todo o processo de iluminação dele foi sair e ver que existia a morte, existia a dor, etc. E aí ele passou por um grande desafio, um processo de desenvolvimento que levou ele a uma paz e serenidade além disso tudo. Então, acho que tem três fases. Uma, onde você tem uma paz e serenidade que, vamos dizer, é dada de graça pelos seus pais, você não entende como o mundo é de fato. Aí, depois, você entra na revelação da selvageria do mundo, depois supera isso, saindo da samsara, saindo dos desejos e coisas do tipo, e consegue uma outra paixonidade num nível muito superior. Aí o que eu queria dizer é o seguinte: a minha pergunta é, talvez, será que a gente não precisa de um pouco dessa selvageria que você falou? Talvez, se a gente abdicar totalmente dessa... Porque a gente vive em tempos, por exemplo, que a gente não vai pra guerra. Cem anos atrás, os nossos avós, bisavós, todos iam pra guerra. Durante uma vida, via gente morrendo, matava, entendeu? E, por isso, eram talvez mais fortes, mais capazes de sobreviver, entendeu? Mais realistas, né? Eu vejo que talvez a nossa geração, muitas vezes, não sempre, mas muitas vezes, é um pouco alienada, né? É um pouco... manipulada.
Dado Dolabella: [14:15] Eu diria manipulada, né?
Eron Falbo: [14:17] Também, exatamente. Se você for mais forte, talvez você vai ter um pé atrás, você vai ser defensivo, entendeu? O que você acha disso vis-à-vis o veganismo, isso que você falou?
Dado Dolabella: [14:30] Então, eu acho o seguinte: eu acho que, quando a gente julga uma situação, por exemplo, longe da gente, fica muito mais fácil da gente julgar. Vou dar um exemplo. Quando a gente julga, por exemplo, o tsunami que aconteceu na Ásia, há tempos atrás, a gente ficou bolado. Foi uma coisa que mexeu com o mundo inteiro, mas foi diferente quando caiu aqui, lá, Brumadinho. A lama lá matou mó galera, foi uma comoção nacional, o país parou, né? E é diferente quando acontece com algum familiar nosso. Quando acontece uma injustiça ou uma dor, uma perda que é próxima da gente, a gente tende a sentir diferente. E por que eu tô falando isso? Quando a gente joga na história, no passado ou longe da gente, a gente tá tirando da gente a história, tá tirando a dor do momento da gente. Mas quando a gente pega isso e coloca na gente, as coisas ficam diferentes. Por que eu tô falando isso? É fácil a gente falar assim: ah, beleza, a gente precisa de uma selvageria, eu acho que é importante matar, a cadeia alimentar tá aí pra isso, o homem não inventou o arco e flecha pra caçar alface, aqueles argumentos que a gente escuta, né? Não, que a evolução veio a partir da carne que a gente começou a comer. Peraí, calma, vamos lá. Primeiro, a evolução: o animal que mais se assemelha a gente, em termos de DNA e percentual de DNA parecido com o nosso, é o gorila. O gorila, que é o maior dos macacos, o mais desenvolvido dos macacos, o mais imponente dos macacos, ele é 100% herbívoro. Ele só come folhas e frutas. Pra ele chegar numa posição de gorila, ele já evoluiu comendo plantas, folhas e frutas. E, pra mim, eu acredito na ciência, eu acredito muito mais na evolução das espécies, na teoria de Darwin, que a gente provavelmente vem dos macacos. Então, pra mim, essa teoria já é aniquilada aí com isso, entendeu? E aí a outra coisa que eu queria falar sobre essa questão de a gente colocar longe as coisas é que, quando a gente é a vítima, quando nós somos a vítima da história, a gente não consegue aceitar injustiça nem dor. Agora, quando é uma terceira pessoa ou uma outra situação, fica muito mais fácil de você falar: ah, tudo bem, aconteceu, e que não aconteça de novo. Agora, quando é a gente... E por que eu tô falando isso? Porque eu acho que o grande segredo pra você se manter vegano é você se colocar no lugar da vítima, é você se colocar no lugar dos bichos que estão ali sofrendo. E aí, quando você se coloca no lugar deles, você não vai querer colocar aquilo que eles sentiram pra dentro, entendeu? E aí eu acho que, pô, é uma utopia, um mundo perfeito, sem agressividade, sem violência, sem morte. Claro que é. O mundo é assim, a morte é natural, mas eu acho que faz parte de um processo. E eu acredito, eu acredito muito nisso. Como eu me transformei, como eu venho me transformando, porque não é assim, você não... ah, vou virar vegano, e pronto, já virei vegano. Não, demora, em média, sete anos pra gente conseguir transformar todas as células do nosso corpo em célula vegana, por exemplo. Então, até você conseguir realmente se tornar vegano, a partir do momento que você começa uma dieta nova, tem uma caminhada ainda de troca pela frente, que não é só mudar o pensamento, aí você tem que mudar as células também.
Eron Falbo: [19:41] Tem sete anos pra trocar todas as células do corpo, você está falando.
Dado Dolabella: [19:46] Em média, é. E você acha que isso tem a...
Eron Falbo: [19:48] Ver também com a abstinência, com a vontade de comer? Você tá há quanto tempo sendo vegano?
Dado Dolabella: [19:56] Seis anos.
Eron Falbo: [19:57] Seis anos, daqui a pouco você vai conseguir virar vegano completo.
Dado Dolabella: [20:01] É, já tô quase.
Eron Falbo: [20:03] E você tem alguma religião, alguma visão espiritual, alguma coisa do tipo?
Dado Dolabella: [20:13] A minha religião é o amor, e eu consigo ver o amor em várias religiões que a gente tem. Eu gosto do budismo, eu gosto do espiritismo, eu gosto de algumas coisas do evangelho, o que está escrito no evangelho. Eu sigo o amor. Não tenho nenhuma religião que eu seja absolutamente fiel àquela religião, mas eu também tenho conhecido bastante sobre os rituais xamânicos, que são dos povos mais antigos aqui, pelo menos da nossa região. E eu acho que em todas elas tem coisas maravilhosas, muita coisa boa pra gente aprender ali e usar como um instrumento na vida.
Eron Falbo: [21:17] Entendi, mas você não tem uma específica, né? Você gosta de estudar diferentes coisas. Você falou bastante de ciência e tal. Muita gente que vira vegano acaba virando por causa de alguma crise espiritual, ou pelo menos é mais ligada a alguma escola, sei lá, alguma coisa que vem estudando, sei lá o quê. Por isso que eu pergunto, né? Mas é interessante, realmente você começou com um discurso já científico e também não foi anti-religioso, porque às vezes quando você começa também a se sentir demais pode ser um pouco ilusório também.
Dado Dolabella: [21:57] É, pode ser. Eu tenho um irmão, por exemplo, que ele é ateu, ele não acredita em Deus. Eu acho que ele é louco, entendeu? Ou, na verdade, não sei se ele é louco, porque às vezes ele não teve a oportunidade que eu tive, por exemplo. Porque eu já, algumas vezes, já tive a prova de que existe essa força. Algumas pessoas chamam de Deus, outras pessoas chamam de Buda, outras chamam de universo. Mas essa força superior que eu sinto que tá por trás de tudo isso existe e, cara, tem uma influência sobre a gente muito grande. Eu sinto isso, isso daí eu sinto.
Eron Falbo: [22:50] Você acha que o veganismo te tornou mais pacífico, mais calmo?
Dado Dolabella: [22:57] Mais ou menos, mais ou menos, no sentido de que, quando eu virei vegano, eu descobri um caos. Então, logo que eu virei vegano, me veio uma revolta muito grande. Me veio uma coisa do tipo: cara, o que a gente tá fazendo com o mundo? O que a gente tá fazendo com os animais, com o planeta e, consequentemente, com a gente? O meu pai morreu de diabetes, a minha avó morreu de câncer, eu tenho tio que morreu também de câncer, eu perdi alguns amigos por câncer, e agora o coronavírus. Então, essas doenças, as principais causas de morte hoje no planeta, são causadas pela origem animal. Ponto. Isso não sou eu que estou falando, isso é a ciência que comprova isso. De cada quatro zoonoses que surgiu no último século, de cada quatro doenças letais que surgiram no último século, a cada quatro, três são zoonoses, que são doenças oriundas de exploração animal. É injusto até a gente falar que a doença veio do animal, porque a doença não vem do animal. Porque quando a gente fala assim, a gente pensa, né, que o bicho é sujo. E, por exemplo: ah, o chinês comeu morcego, o morcego é sujo, e aí nasceu o coronavírus. Não, não. O morcego não é sujo, o homem é sujo. O homem explorou o morcego. O morcego, que é um mamífero que voa, ele é o único mamífero de todas as espécies que voa. Pegou esse cara que voa, confinou esse cara, ou seja, tirou o maior dom que ele tem, que é voar, confinou esse cara num lugar onde ele não sabia se era dia, se era noite, se debatendo entre milhões ali dentro. Então, você imagina o que esse corpo ali não alimentou de toxina, não alimentou de tristeza. E onde tem tristeza, tem acidez. E onde tem acidez, tem doença, entendeu? Então, primeiro, a gente está deixando os animais confinados, escravizados, a gente tortura os animais, a gente deixa os animais doentes, e depois a gente está ingerindo todas essas doenças. Para mim é muito claro o cenário, sabe?
Eron Falbo: [25:54] Mas você pessoalmente, depois desse primeiro momento de crise, de raiva, de tudo mais, no final das contas, porque eu já ouvi isso de muita gente, que o veganismo dá um pouquinho mais de calma e tranquilidade.
Dado Dolabella: [26:11] Com certeza, com certeza, com certeza, porque é simples, né? Que nem eu estava falando, quando a gente come muita carne e a gente vai dar aquela giboiada, né? A gente vai ficar horas digerindo ali aquela comida. O que acontece? O teu sangue se concentra todo no teu sistema digestivo. Todo o sangue do teu organismo vai pro sistema digestivo, então ele se concentra todo nessa região aqui, todo nesse chakra aqui. Então, quando você tem uma alimentação com mais luz, com uma absorção mais fácil, que o corpo não precisa desgastar tanta energia, desprender tanta energia para digerir, sobra energia por todo o corpo. Porque você consegue os mesmos nutrientes que você busca na carne, você consegue na origem vegetal, porém com uma absorção muito mais fácil, muito mais simples e mais rápida. Com isso, você fica com mais luz em todo o seu corpo. Quer ver um exemplo? Quando a gente fala, pô, uma pessoa tá nervosa, quando alguém tá nervoso na rua, você fala o quê? Nossa, aquela pessoa tá enfesada. O que significa a pessoa tá enfesada?
Eron Falbo: [27:36] Tá cheia de merda.
Dado Dolabella: [27:38] Tá cheia de fezes, entendeu? E como resolve isso? Comendo fibra. Como resolve pra sair as fezes? Comendo fibra. Nas carnes você não tem fibra, na origem animal você não tem fibra, entendeu? Então, com certeza, com certeza, deixa mais calmo. É só você observar as espécies herbívoras na natureza e as espécies carnívoras, né? As espécies carnívoras são bandos de, no máximo, 5, 6, 7, as hienas, ali, 10, no máximo, no passo de 10. Eles não se aturam, eles se matam. É o pai matando o filho, é o filho matando o pai, é o irmão matando o outro irmão.
Eron Falbo: [28:28] Cara, já que a gente tá falando em matar, eu só queria te perguntar uma coisa. É que, assim, nesse programa a gente tenta não repetir nada. Então não quero te perguntar coisas que você já falou em outro lugar. Tem aquela situação lá do João Gordo, né, que você chegou lá com o machado e tudo mais. Você já deve ter vídeos no YouTube explicando o que aconteceu. O que estava rolando pra você naquele momento? Porque, se tiver, a gente só indica onde tem e a gente assiste.
Dado Dolabella: [28:55] Não, não, cara. O pior é que eu nunca falei, cara.
Eron Falbo: [28:58] Eu nunca falei sobre isso.
Dado Dolabella: [29:01] Muita gente até hoje me pergunta: mas por quê, cara? Por que você levou aquelas armas pro programa? Bom, vamos lá, voltando no túnel do tempo, né? Nessa época eu tinha recém me separado da Wanessa Camargo, que foi minha namorada na ocasião, e ela foi participar do programa do Gordo. Ela foi no programa dele e, quando acabou, me ligou aos prantos, chorando compulsivamente. Ela não conseguia falar. Eu perguntei: 'O que houve, amor? O que aconteceu?' Ela falou: 'Depois eu falo, quando chegar em casa eu falo.' 'Tô saindo do programa, foi muito difícil, não sei o quê.' Eu falei: 'Caramba, cara, mas por que isso? O que houve?' 'Esquece esse cara, deixa pra lá.' 'Vai ficar assim por causa desse Gordo? Deixa esse cara nojento falar.' Eu, hein? E aí, quando eu assisti o programa com ela, pô, fiquei revoltado, o cara foi grosso com ela do começo ao fim, foi rude, foi ignorante, falou do pai dela, falou da música dela, enfim, destruiu a menina ali. Eu acho que provavelmente ele nem ouviu nenhuma faixa dela e saiu destilando o veneno dele. E aí eu falei pra ela: calma, esse cara vai me chamar pra ir lá no programa e ele vai ter o que merece. E aí o que eu quis ali, no alto dos meus vinte e poucos anos, foi fazer com que ele provasse do próprio veneno, entendeu? Era a minha ideia, porque eu já tinha visto ele quebrar CD com porrete no programa, com os porretes, com as correntes na mão ali e tal. Aí eu falei: cara, quando ele começar a me sacanear, eu vou só puxar os brinquedinhos, botar em cima da mesa e vamos ver o que acontece, né? Mas eu jamais imaginava que ia chegar naquele ponto.
Eron Falbo: [31:28] Que isso, cara! Você nunca falou isso antes? Esse seu lado, assim?
Dado Dolabella: [31:35] Não, essa parte, não. Cara, eu acredito que sim, ó.
Eron Falbo: [31:42] Eu imaginei que você tinha alguma explicação. Não achei nada na internet, dei uma pesquisada, e imaginei que tinha alguma explicação, entendeu? Só que eu nunca imaginei que fizesse tanto sentido quanto agora.
Dado Dolabella: [31:53] E eu também, além de ter passado com isso com a minha ex-namorada, assim, que eu tava vendo ali e tal... Eu vi ele quebrando o CD, eu não me lembro, acho que era do Djavan na época. O Djavan, pra mim, cara, é um deus na Terra, entendeu? Um músico maravilhoso.
Eron Falbo: [32:13] E por que você falou que ele traiu o movimento punk?
Dado Dolabella: [32:16] Porque, na letra do Ratos de Porão, eles falam muito sobre ser contra o sistema, contra o capitalismo, letras anarquistas até. E o cara trabalhava na MTV e fazia comercial pra Coca-Cola, pra funk. Então como é que pode isso? Como é que o cara pode...
Eron Falbo: [32:45] Mas a MTV já era o lugar mais vendido do mundo, era a máquina de enlatar as coisas, né?
Dado Dolabella: [32:54] Então, e aí, pô, como é que alguém... trai os movimentos, né? Daí eu falei, porque o cara tava me chamando de playboy ali, falando: 'Ô, seu playboy.' Eu falei: 'Pô, playboy eu, brother?'
Eron Falbo: [33:04] Pelo menos eu não falo que sou.
Dado Dolabella: [33:05] Playboy, eu não traio movimento, entendeu?
Eron Falbo: [33:07] Cara, é inacreditável que você tenha uma explicação racional pra tudo isso. E fez sentido você levar umas armas e quebrar a cara do cara.
Dado Dolabella: [33:19] Mas então, cara, que nem eu te falei, a ideia não era essa, sacou? Foi que o negócio foi indo, foi indo, quando a gente viu, já tava ali naquele jeito.
Eron Falbo: [33:33] Mas assim, por que você nunca falou isso antes? Porque, cara, você sabe, queimou seu filme com uma coisa assim, não tô te culpando, tá bom? Você podia ter explicado isso e as pessoas iam ver o seu lado.
Dado Dolabella: [33:49] Então, você falou que queimou meu filme, eu já acho que não, cara. Eu ganhei muitos fãs por causa disso.
Eron Falbo: [34:00] Não, tá bom. Por um lado tá certo, mas tu fala...
Dado Dolabella: [34:04] Até hoje, cara, muita gente veio falar pra mim, meu irmão, eu te achava mó bunda mole, depois.
Eron Falbo: [34:10] Daquela parada... Ah, vai te ferrar, vai te ferrar.
Dado Dolabella: [34:12] Você mostrou que você, pô, é um cara de atitude. Uma vez, cara, eu tava no Maracanã, no banheiro do Maracanã, era intervalo do Flamengo, eu tava no mictório, daí, de repente, vem um cara e fala: caralho, Dado, é tu! Porra, meu irmão, deixa eu apertar a sua mão. Falei: porra, peraí, deixa eu acabar aqui, daqui a pouquinho pode ser? O cara falou: meu irmão, precisa apertar a tua mão, aquela parada que tu fez com o gordo, bro. Alguém tinha que fazer isso com aquele cara, porra, não merecia, porque eu... Entendeu? Então assim, pra tudo na vida, cara, tem dois lados, né?
Eron Falbo: [34:51] É, eu não tinha nem pensado por esse lado, mas cara, isso acho que é um outro exemplo de, pô, certos momentos de agressividade valem a pena. Eu não tô dizendo que justifica matar os animais e tudo mais, mas isso acho que é um exemplo daquilo que eu tava te falando, né? Que na nossa geração, no mundo em geral, hoje em dia, as pessoas estão às vezes um pouquinho passivas, né? Eu realmente não sei qual é a resposta disso, não necessariamente a resposta é ser carnívoro, sacou? Mas certamente as pessoas precisam ter um pouco mais de atitude, entendeu? Realmente, pô, se colocar em jogo, que eu acho isso admirável que você fez, que não é qualquer um que coloca em risco, vamos dizer, a reputação, ou arrisca as consequências que podem acontecer para equilibrar uma balança, equilibrar uma coisa que foi uma injustiça, alguma coisa do tipo. E isso que eu vejo em você, que você fala mesmo o que você pensa, eu vi várias entrevistas suas em diferentes momentos da vida, né? E você, bom, em alguns momentos você podia estar mais imaturo, mais maduro, todo mundo tá, mas independente do momento, você sempre se colocou assim autenticamente o que você pensa e sem medo de falar isso, eu sempre achei legal.
Dado Dolabella: [36:08] É, isso tem um preço na cabeça, que é aquilo que eu tava falando. Como tem muita gente que não entende, tem muita gente que me admira por isso, né? Então, pô, nem Jesus Cristo agradou todo mundo, quem sou eu, né?
Eron Falbo: [36:32] Gostei da comparação, tá parecendo eu. Mas cara, eu queria te perguntar, porque você tem uma citação que eu gostei também, que você falou: quem vive pra vida some da mídia. Que você meio que desapareceu da televisão, alguém falou isso numa entrevista e você respondeu isso. Aí eu queria te perguntar sobre essa parada da fama, né? Tipo, porra, reality show, aparecer pra caralho e, do nada, não aparecer mais. Como é que é isso psicologicamente? Quais são os efeitos? Como é que você lida com isso? O que você recomenda?
Dado Dolabella: [37:20] Então é o que eu quis dizer com isso. Quando eu falei isso assim, porque eu acredito hoje que a mídia... Tem um serzinho aqui aparecendo no fundo, é isso? Vem cá, filha. Vem cá. Vem cá. Fala oi aqui pro Eron. Vem cá. Oi. Olá. Essa é a Nathô, esse é o Eron. Você tá com fome? Ela veio aqui na minha orelha pra dizer: tô com fome, papai. Você conhece o pai solteiro, tá vendo?
Eron Falbo: [37:58] Eu sou o pai solteiro.
Dado Dolabella: [38:01] Meu amor, aqui, ó, tá com 9 anos. Vai ali, come uma bananinha, amor. Já estamos acabando. Tá suado, papai. É, então, liga o arzinho ali, que tá quente. Liga o arzinho ali pra gente, por favor. E aonde que a gente tava?
Eron Falbo: [38:19] A gente tava sobre fama, sobre...
Dado Dolabella: [38:21] Quando a gente... Como é que eu falei da mídia?
Eron Falbo: [38:26] Vive pra vida, some da mídia.
Dado Dolabella: [38:29] Quando a gente vive... Por que eu quis dizer isso? Por que eu quis falar sobre isso? Porque hoje eu acredito assim, a mídia ela é o quê? O expoente das indústrias. A mídia é o... Como é que eu posso dizer? A isca. A isca das indústrias. Então, a gente tem aí duas indústrias que comandam o mundo, que é a indústria alimentícia e a indústria farmacêutica. Essas indústrias... Não interessa para essas indústrias uma sociedade saudável. Não interessa para essas indústrias uma sociedade sã e segura de si. Porque justamente elas se alimentam do caos, se alimentam da doença, se alimentam da violência. E por que eu tô falando isso, cara? Porque se você pega um comercial de televisão, você não vê um anúncio de, sei lá, um alimento saudável, você não vê família celebrando, comendo shiitake, comendo cogumelos.
Eron Falbo: [39:51] Isso aí tem a ver também com o fato de que é mais fácil explorar o lado negro do ser humano, a sombra. Isso tem a ver também com a política, os demagogos políticos sempre vendem as mensagens simplórias, mas supostamente humanistas, e não necessariamente têm uma agenda humanista. A indústria faz a mesma coisa. Tipo assim, é muito mais fácil você colocar numa televisão uma carne suculenta que vai fazer o ser humano ter tentação, uma mulher bonita, sei lá, joias para as mulheres, o que quer que seja. E que atrai a sombra imediatamente, ou seja, o inconsciente, o lado reflexivo, que é um reflexo que não é pensado, que não é cogitado, do que se colocar uma salada, do que se colocar um hambúrguer vegetariano que não parece visualmente apetitoso para a pior parte do ser humano, vamos dizer.
Dado Dolabella: [41:04] Cara, eu vejo assim, quando a gente fala da mídia e a gente fala do governo, são dois braços que trabalham em prol do lucro. Eu não vejo nem a mídia, nem o governo preocupados, por exemplo, com o meio ambiente. E aí você entra em duas coisas que são altamente destrutivas para a vida, que é a monocultura, que é a produção desenfreada de soja, milho e trigo, principalmente no Brasil, fazendo do Brasil o quintal do mundo, com que os gringos venham aqui, plantem e façam do Brasil o quintal, e a criação de animais. Hoje, a gente tem 70 bilhões de animais assassinados por ano. 70 bilhões de animais assassinados por ano. Ora, se a gente consegue alimentar 70 bilhões de animais, como é que a gente não consegue alimentar 7 bilhões de pessoas? É muito simples, você não precisa ser um Einstein para entender essa equação.
Eron Falbo: [42:28] Mas como a gente faria isso? Porque tem que ter distribuição dessa renda, porque a razão que não consegue fazer isso é porque não tem um Estado centralizado redistribuindo essa renda. Você é a favor dessa redistribuição?
Dado Dolabella: [42:40] Então, a redistribuição vai ser natural. Eu acho que ela vai acontecer naturalmente, que vem girando desde o começo da civilização, que é aquela coisa, o pai rico, o filho nobre e o neto pobre. E assim a roda da fortuna vai girando. Mas o que eu estou dizendo é em relação aos animais mesmo, cara. Você tem 70 bilhões de animais, sete bilhões de pessoas. Se você pega a comida que é destinada para esses animais, ou seja, 80% da nossa produção de alimentos hoje no mundo, 80% da produção de vegetais é destinado para alimentar os animais e as pessoas comerem os animais. Se você tira os animais da jogada e você pega os grãos que foram produzidos para os animais e você distribui para a sociedade, vai ter fartura de comida, você automaticamente...
Eron Falbo: [43:54] Mas a questão é só quem é você, tipo assim, você tá falando assim, você pega e faz isso. Infelizmente, no mundo, não tem um você que possa tirar os animais como os intermediários dessa comida e dar para pessoas que estão famintas. Assim, eu acho que é um pensamento bonito, mas a gente infelizmente tem indústrias e tudo mais, e ao mesmo tempo não tão infelizmente, porque a questão marxista, a questão de pensamento marxista, é justo a gente centralizar os meios de produção em um partido único, e esse partido único fazer esse tipo de decisão. Tipo assim, pô, tá tendo... Comida tá indo pros animais, como podia estar indo pras pessoas? Se você colocar uma pessoa e um animal, e eu tiver que escolher entre alimentar um animal e alimentar uma pessoa, eu vou escolher a pessoa. Só que... A humanidade, como um organismo complexo, tem um monte de fatores, um monte de pessoas que fazem decisões, tomadoras de decisão, e no meio dessa disputa está o capitalismo e a indústria, que não necessariamente é uma coisa ruim, é uma coisa que de fato leva, que nem a gente falou, leva as pessoas a... Como é que se diz, leva a vender mais pro lado negro da humanidade. Só que a alternativa é a alternativa marxista, você dar o poder pra um partido único e ter aquelas decisões feitas pelo Estado. E isso, até hoje, a gente não viu nenhum exemplo, nem perto, de ter funcionado em nenhum lugar do mundo. Então a gente fica entre essas duas coisas: ou uma indústria que é um pouco, não é muito, vamos dizer, agressiva em termos de explorar as fraquezas humanas, vamos dizer, e, do outro lado, um Estado que, além de incompetente, ainda pode ser tirânico. E... Pode ser não. Em praticamente todas as instâncias onde houveram Estados totalmente centralizados, dominando todas as partes da sociedade, houveram tiranias, praticamente em todas as instâncias, se eu não estiver esquecendo de alguma. Então, assim, é essa a questão, sabe? O cálculo pra mim funciona, só não funciona a questão do como. Como fazer isso? Agora, você tá sugerindo que se a gente, todo mundo virar vegano, vai sobrar comida, talvez, aí essa comida as pessoas vão lá e vão usar, talvez.
Dado Dolabella: [46:32] É, então isso já tá acontecendo meio que naturalmente, assim, através da informação, né? E isso só está sendo possível por causa da internet, porque até então, até 20 anos atrás, a gente tinha um monopólio na comunicação, nos veículos de comunicação. Existia um monopólio central em todos os países, onde um jornal ou uma TV, basicamente uma família ali, escolhia o que ia ser comunicado e como ia ser comunicado aquilo. Então, durante muito tempo, as pessoas foram obrigadas a receber aquela informação e aquela verdade que era apontada. Com a internet, a informação ficou muito mais democratizada. Você tem muito mais opções e muito mais canais de comunicação. E aí, com isso, a informação... Olha só que legal, vamos destrinchar essa palavra: informa ação. A informação é o que forma a ação. Cara, isso foi um pensamento oriental que eu aprendi ainda na época do CAL, na época que eu estudava teatro na escola. E eu tenho um amigo que é paraibano, o Clóvis, que estudava comigo na época, e era super já espiritualizado, já tinha morado uns anos na Índia, e foi um dos primeiros a trazer incenso da Índia para o Brasil. E ele tinha uma frase que ele me falou e eu nunca mais esqueci na minha vida, que é muito legal, que diz o seguinte: o pensamento faz com que você tenha uma ação, essa ação repetida faz você criar um hábito, e o hábito é que gera o seu destino. Então, olha a força do pensamento, olha o poder que tem a informação. Então, eu acho que a informação é a chave de qualquer mudança. A partir do momento que a gente sabe disso, por exemplo, que existem 70 bilhões de animais no mundo vivos, e esses 70 bilhões de animais estão alimentados, como é que existem pessoas passando fome no mundo se nós estamos em 7 bilhões, sabe? Então, eu acho que, partindo de cada um, se cada um fizer a sua parte, se cada um... É, começar. Não... Eu não digo nem, tipo assim, que ah, eu tô aqui pra fazer com que você vire vegano. Não, eu, longe de mim, querer transformar alguém. Mas a única coisa que eu peço, cara, é que as pessoas se informem. Busquem, até pra julgar, até pra falar: pô, não, isso não é pra mim, sabe? Mas assiste, cara, assiste o Cowspiracy, assiste o What the Health, sabe? Assiste os documentários, o Seaspiracy que lançaram agora falando sobre os oceanos, sabe? Busca se informar sobre o veganismo, que pra mim hoje é a única forma de você sair desse sistema de uma forma... De uma forma linda, de uma forma...
Eron Falbo: [50:27] Mas que sistema que você sai?
Dado Dolabella: [50:31] Esse sistema que eu tô falando, que sobrevive ainda da monocultura e da criação de animais, que é praticamente 80, 60% do nosso PIB, né?
Eron Falbo: [50:45] Botiferno, botiferno. É, cara, e assim, voltando pra essa coisa da fama, que a gente talvez não explorou tanto, você sente que você, vamos dizer, dominou isso? Você sente que você tá bem, assim, sei lá, com onde você tá agora, o que você vê daqui pra frente? Na verdade, eu queria até te conhecer melhor nesse sentido, o que você tem feito, porque eu sei que você tá dando palestras sobre veganismo. Você foi... Não sei se você ainda se considera músico, você ainda exerce a profissão de músico, por exemplo?
Dado Dolabella: [51:27] Sim, sim, pô. Mais do que nunca ainda, porque, que nem eu te falei, assim, o veganismo ele transforma a vida, né? Transforma de dentro pra fora. A mudança começa com o que a gente acredita. E quando a gente muda os nossos hábitos, a gente muda nosso físico, a gente muda tudo, né? Não é à toa que existe aquela frase, né? A gente é o que a gente come. E, cara, eu estou vivendo os melhores momentos da minha vida. Estou vivendo os momentos de mais luz na minha vida inteira.
Eron Falbo: [52:11] E o que você tem feito de novo em termos de criação, de trabalho? Você tem planos para ser ator de novo, alguma coisa do tipo?
Dado Dolabella: [52:22] Não, no momento, talvez, cara. A única coisa que eu penso em fazer como ator, assim, por agora, pelo menos, é talvez vir com um monólogo meu falando sobre a minha vida, como se fosse um stand-up, assim, contando a minha versão de todos os fatos, de tudo que falam sobre mim, sabe? Uma espécie de, sei lá, colocando os pingos nos is, sabe? E aí talvez eu venha fazendo isso, mas ainda é projeto, é sonho.
Eron Falbo: [53:03] Mas no geral, na pandemia, você está parado em termos de qualquer coisa com a mídia?
Dado Dolabella: [53:09] Com a mídia sim, a não ser ali as mídias sociais, que eu uso hoje como instrumento de comunicação do veganismo. E eu acredito que isso seja o nosso próximo degrau de evolução da humanidade aqui na Terra. E eu acho absolutamente necessário e urgente a gente falar sobre isso. Então, se você olhar ali meus posts, pô, a cada, sei lá, cinco posts que eu faço, eu procuro sempre falar alguma coisa sobre o veganismo, né, tá? Alguma informação. Tem sido um agente transformador muito legal. Eu recebo várias mensagens do Brasil e do mundo, de pessoas que foram sem querer parar no meu Instagram e que, de ver ali postagens e textos que eu escrevo, de ter despertado para o movimento. Então, para mim... Você está focando mais nisso? Eu estou focando no movimento vegano, ultimamente. E, assim, meu próximo passo agora na vida vai ser o êxodo urbano, assim. Eu sinto que, pra mim, já encerrei meu ciclo na cidade grande.
Eron Falbo: [54:35] É meu sonho também.
Dado Dolabella: [54:36] Eu tô doido pra voltar pro mato, pisar no chão, sabe? Com meu pé no chão, plantar, comer o que eu plantar, viver na natureza, acordar com os passarinhos cantando, sair dessa loucura de metrópole, onde tá mais que comprovado que não deu certo, né? Essa evolução que a gente...
Eron Falbo: [55:00] Isso eu até concordo.
Dado Dolabella: [55:02] Não deu certo, né? Tamos confinados, cara. A gente tá confinado dentro de casa, sem poder sair. Então, acho que a gente chegou no limite, assim. Daqui vamos pra onde, né? Daqui a gente vai pra quê? Pra uma guerra civil?
Eron Falbo: [55:15] Você tava falando dos morcegos, mas a gente também foi confinado. A gente tá aqui, tá aqui no hashtag fica em casa.
Dado Dolabella: [55:21] Mas é, vamos pro carma. É tudo karma, aquilo que a gente planta é aquilo que a gente colhe, né?
Eron Falbo: [55:28] Tudo que a gente planta, depois da...
Dado Dolabella: [55:31] Fase... Qual o segundo, eu falo?
Eron Falbo: [55:33] Cara, então podemos ouvir uma musiquinha sua? A gente pode colocar aquela musiquinha lá.
Dado Dolabella: [55:38] Tenho uma ideia melhor, cara. Posso tocar uma aqui?
Eron Falbo: [55:43] Claro, toca aí, toca aí.
Dado Dolabella: [55:44] Agora?
Eron Falbo: [55:45] Claro, por favor.
Dado Dolabella: [55:47] Inclusive... Você vai dançar, filha? Vamos ter uma participação hoje no Corpo de Balé? Não. Que é menino, não? Ah, não acredito, duvido. Essa música é impossível não dançar. E ela ilustra um pouquinho desse sentimento que eu tenho hoje, assim, de querer voltar para a natureza, de querer voltar para a essência, porque eu acho que o ser humano... essa coisa da polarização que a gente tem vivido, tanto política como social: do partido de esquerda, do partido de direita, do homem contra a mulher, do sexismo, essa questão do feminismo contra o machismo, do movimento dos pretos também, contra o racismo. Essa polarização que a gente tem hoje no mundo, eu sinto que é porque nós estamos desconectados da nossa essência humana. E como é que a gente reconecta essa essência humana? Resolvendo o especismo. Que nós, veganos, denominamos de especismo o quê? Uma espécie se julgar superior a outra espécie a ponto de explorar, escravizar, torturar e até mesmo matar. Então, eu acredito que, resolvendo o especismo, você resolve a raiz, a base de todas as outras corrupções humanas, de todas as outras injustiças que a gente tem pela frente. E Schopenhauer, se não me engano, já falou isso lá atrás: quando o ser humano aprender a respeitar a menor das criaturas, seja ela de origem animal ou vegetal, ninguém vai precisar ensinar a respeitar o seu semelhante. Então, fica aí essa reflexão. E eu vou tocar aqui agora, pra finalizar, uma música chamada Casa da Floresta, que é do Nanã, um amigo, mas que eu amo de paixão, e é a minha vibe hoje. E é isso. Eu quero morar numa casinha feita a mão, numa floresta onde eu possa plantar o que eu quiser, e andar de pé no chão. Eu quero morar numa casinha feita a mão, numa floresta onde eu possa plantar o que eu quiser, e andar de pé no chão. E vou plantar abacaxi com banana, bolo de yoca, cacau, batata doce, feijão, palmito, um café bem bonito, na sombra da goiaba e do mamão. Sob a copa do coqueiro, açaí, abacateiro, casneiro e maracujá. E lá no alto da seringueira, numa curva na beira, contemplando uma vista pro mar. Eu quero morar numa casinha feita a mão, agrofloresta, onde eu possa plantar o que eu quiser, e andar de pé. Trilha pro rio, cachoeira, cascata no ferro. Canto e canto, tudo sobe e abre. Na revoada, borboleta, saída bem faceira. Fico espreita na procura do jantar. A velha nativa fazendo comé. E acolhendo pra lá e pra cá. Espero que tenha um fundo muito bom.
Eron Falbo: [1:00:51] Cara! Essa você fez agora? Você compôs recentemente?
Dado Dolabella: [1:00:56] Não, essa música é do Nanã. Essa música é de um amigo.
Eron Falbo: [1:01:01] Ah, de um amigo seu.
Dado Dolabella: [1:01:03] É de um camarada da floresta, assim.
Eron Falbo: [1:01:08] Ah, fera demais, pô, fera demais.
Dado Dolabella: [1:01:11] É, totalmente conectado à nova era. Eu acho assim, cara: a nova era chegou, sabe? E todos os grandes pensadores, grandes seres humanos, sempre falaram disso, como o Chico Xavier, por exemplo, que falou da data limite: que se a gente passasse pela data limite sem uma terceira guerra mundial, haveria desencarnações em massa. Então, a gente está vendo tudo isso acontecer hoje. E quem não se adequar à nova era, eu acho, quem insistir nesses padrões 3D, né, que a gente tem aqui, muito superficial e material, vai acabar caindo do pé, assim, vai acabar tendo que voltar e aprender tudo de novo, assim. Eu acho que a gente chegou num...
Eron Falbo: [1:02:14] Momento... Ah, que bom, que bom! Achei que era uma ameaça, eu já tava preocupado.
Dado Dolabella: [1:02:19] Não, não, não. Vai, China.
Eron Falbo: [1:02:21] Tô brincando. Entendi. Eu tô com você, a gente tem que ter um pensamento mesmo do futuro, um pensamento que une o melhor do passado, sem ser cabeça dura com certas coisas do passado, e pensando no que a gente pode viver melhor. Mas, cara, eu queria te agradecer profundamente pela sua generosidade, falando tudo abertamente, de coração. Gostei do seu novo Dado, da pessoa que você é agora. Não tive a oportunidade de conhecer antes, mas eu conheci na mídia, e parece que você tá realmente muito melhor agora. Então, parabéns aí por todas as mudanças. Tamo junto, né?
Dado Dolabella: [1:02:57] Gratidão, Eron. Gratidão. Tamo junto. Tamo junto. Eu, pô... Cara, eu falo assim, ó: eu também não era um monstro, assim, como... Às vezes até eu falando: nossa, eu me transformei, hoje eu sou outra pessoa. Eu tô, às vezes, cuspindo naquele Dado, né? Que me fez ser quem eu sou hoje, né? Eu acho que... A nossa vida, ela se constitui, a gente é fruto dos nossos erros e dos nossos acertos. Mas, principalmente, eu acho que o que a gente faz com os nossos erros. E aí eu acredito no seguinte, eu acredito que a humildade é o último grau da sofisticação humana. Eu acho que a humildade, o poder de você se colocar, por exemplo, como uma poeira cósmica, que é o que a gente é em relação ao universo, em relação ao tempo. Nós somos meras poeiras cósmicas. Então, se colocar sempre à disposição para aprender, para pelo menos tentar entender outras versões e não ser... Não ser tão cabeçador. Nós somos seres que estamos aqui, no meu ponto de vista, numa metamorfose ambulante, como já dizia o grande Raul Seixas. E, cara, eu acho que a gente tem que, nessa metamorfose, buscar sempre a luz. Buscar sempre aquilo que te deixa confortável e feliz. Onde tem vida. Então, eu acho que naturalmente o caminho de todo mundo é esse. Não tem como muito fugir disso. E aí é isso, cara. Eu, pra mim, o veganismo foi uma descoberta que me transformou. E eu acredito que possa transformar também o mundo, também pode mudar o que a gente vive hoje como sociedade, principalmente, como coletivo.
Eron Falbo: [1:05:40] Bota fé, cara. Muito obrigado mais uma vez. Tudo de bom aí. Te desejo sorte em todos os seus projetos. Maravilha, cara. Boa noite a todos aí.
Dado Dolabella: [1:05:48] Valeu, Eron. Pra você também. Tudo de melhor. Muita luz. Gratidão, querido.
Eron Falbo: [1:05:55] Tchau, tchau, tudo de bom.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #96 · todos os episódios