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#95 Os desafios do jornalismo diário e a vida na música

com Natália Boere · 23 de abr de 2021

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Apresentação de Natália Boeri (0:00)

Eron Falbo: [0:00] E aí, Natália, tudo bem?

Natália Boere: [0:07] Ei, querido, boa noite.

Eron Falbo: [0:09] Boa noite, como é que você tá?

Natália Boere: [0:12] Tô ótima, tô me sentindo no programa do Jô.

Eron Falbo: [0:15] Muito chique. Foi muito bom ter te conhecido, a gente se conheceu recentemente, né? Você teve a generosidade de me entrevistar no blog. E depois a gente ficou amigo, trocou ideia, né? E descobrimos que tem muita coisa em comum, né? Que você tá fazendo agora suas lives, você é música, como é que fala isso?

Natália Boere: [0:40] Tanto é compositora, meu filho, é artista.

Eron Falbo: [0:45] E é isso, assim, eu queria que você me contasse um pouco sobre como você se vê, porque você tem tantas coisas que você faz, né? Você se define de alguma forma? Você busca uma coisa mais do que a outra?

Natália Boere: [1:00] Primeiro, eu queria dizer que estou muito feliz de estar aqui com você hoje. É um privilégio, realmente. E fico muito grata pelo carinho. E é tão curioso estar do outro lado, porque eu sou jornalista. Eu faço isso desde que o mundo é mundo. E estou acostumada a entrevistar as pessoas, inclusive você. E hoje tô aqui, né? Num outro papel, mas tô igualmente muito feliz. O que eu me considero, eu sempre gostei de cantar, sabe? A música tá em mim desde criança. Eu comecei a compor com cinco anos. Minha primeira música, meu primeiro hit, foi o Rock do Fusquinha. "Não deixe o Fusquinha passar na sua frente, porque dá muita azar e muita dor de dente. Olha pro Fusquinha, senão vai bater. O motorista é inocente, mas não é você." Com sete anos, com vocabulário já mais vasto, eu fiz uma música mais rebuscada, que foi o Cãozinho Belarmino. "Eu tenho um cãozinho que se chama Belarmino, Belarmino. Tenho cheiro de pepino, Belarmino. Estou no banho todo dia, todo dia, todo dia, com shampoo da freguesia." Então, eu canto e componho desde cedo, desde que eu me entendo por gente.

Primeiras composições na infância (1:34)

Eron Falbo: [2:35] Você falou que idade mesmo?

Natália Boere: [2:37] Cinco. O Rock do Fusquinha foi com cinco.

Eron Falbo: [2:39] Você tinha conhecimento musical pra fazer isso?

Natália Boere: [2:42] Não tinha. Na verdade, todas as músicas que eu compus até hoje foram por instinto, porque eu não toco violão. Na verdade, eu toco violão mal e porcamente, eu toco cinco músicas há 20 anos. Meu pai me ensinou a Asa Branca, o meu carro-chefe. Então, eu componho de ouvido, a letra e a música juntas, mas de ouvido. E depois eu canto para meu pai e ele cifra para mim. E aí eu toco.

Eron Falbo: [3:14] Que coisa, que interessante! Eu nunca ouvi falar disso. Eu sou músico há muitos anos.

Natália Boere: [3:20] É? Vou te ensinar.

Eron Falbo: [3:23] Seria legal eu participar desse processo. Um dia você me manda alguma coisa.

Natália Boere: [3:29] É curioso. Meu filho é quase que um despacho, entendeu? Eu recebo, eu aceito. Ela vem e eu falo. Vem, vem, vem. Continue, continue.

Eron Falbo: [3:39] E você, quais são as suas influências pra você ter essas coisas? Porque, assim, a gente, o nosso... Antes de continuar, na verdade, vamos brindar pra gente relaxar um pouquinho.

Natália Boere: [3:49] Saúde, Aaron Paulo!

Eron Falbo: [3:52] Valeu, saúde! Tomar um pouquinho de vinho. Cara, essas fases tecnológicas me deixam louco, porque você tá tudo certo, aí do nada, bum, para de funcionar. Aí você não sabe por que, Acabou de acontecer isso, cara. Tinha uma parada, tipo... A gente fez o teste cinco minutos antes. Aí botamos ao vivo, aí todo mundo que falou no Instagram... Ah, o áudio tá sem áudio. Aí, milagrosamente, o áudio tinha desaparecido. Impressionante, cara.

Perrengues técnicos em transmissões ao vivo (3:53)

Natália Boere: [4:29] É, o áudio ficou nervoso.

Eron Falbo: [4:31] Oi?

Natália Boere: [4:31] Com a minha presença, o áudio ficou nervoso, sacanhou.

Eron Falbo: [4:36] Mas você viveu isso muito na sua vida, essa coisa de a gente lidar com... Como é que se chama? Com horários, né? Pô, vai começar algo ao vivo agora. Você fez muita coisa ao vivo? Muita transmissão ao vivo?

Natália Boere: [4:52] Ah, eu fiz. E paguei muito mico. Eu ri muito. O meu primeiro ao vivo. Porque eu sou jornalista, né, gente? Antes de qualquer coisa, de forma nenhuma. Desde os 19 anos eu sou repórter. Eu sou baiana, né? Me percebeu. E com 19 anos eu já era repórter, já teve ela na Bahia. E aí, um belo dia me perguntaram se eu podia fazer um ao vivo com o Horácio Moreira. Falei, ai, meu Deus do céu! Claro! Venha! Eu sou dessas, né? Me façam um desafio... Eu vi caro. E aí, quando eu vi, tava eu entrevistando o Horácio Moreira, eu olhava pra minha mãe, ela não temia. Freneticamente, eu segurando ela, assim, calma, minha filha. De tão nervosa e tão emocionada, né? Porque eu era uma menina. E nunca tinha feito aquilo diante de um artista.

Eron Falbo: [5:46] Mas você passou por coisas do tipo de... Que nem assim, que nem aconteceu hoje. Tipo, cara, eu tenho que começar alguma coisa e alguma coisa deu erro e... Ou começou diferente do que eu esperava. Esse tipo de coisa tem... Porque eu tô aprendendo agora.

Natália Boere: [6:04] Ah, já. Segurar no carão, né? Deixa eu contar antes, Jun... Eu sou dessas que lembro da história e tenho que contar. Eu cobri a posse de Jax Wagner, porque eu sou antiga, né, gente? Eu cobri a posse de Jax Wagner no governo da Bahia, em 1902, quando eles derrotaram a CN. E eu tinha que narrar todos os ministros que estavam no palco. E eu esqueci que Valdir Pires era o ministro da Defesa. E aí eu falei, o ministro, o ministro, o ministro, o ministro... Ministro Waldir Pires. Mas acontecia do convidado demorar pra entrar. E aí eu tinha que segurar um carão.

Eron Falbo: [6:45] Falar... Fazer uma piada, fazer um malabar.

Natália Boere: [6:48] A receita de bolo. Comentar a temperatura. Enfim.

Eron Falbo: [6:54] A gente tá vendo isso muito. Bom, tem muita gente, até gente famosa, né, que tá aprendendo a lidar com essas tecnologias pra poder fazer streaming, pra poder... como é que chama... broadcast, em português?

Natália Boere: [7:11] Transmissão, né? Fazer a transmissão.

Eron Falbo: [7:13] Fazer uma transmissão ao vivo de cara. E a gente tá quebrando a cabeça, né, porque, pô, a gente tá fazendo essa parada em tempo real. Tipo assim, a pandemia fez esse mercado existir, né, essa parada de lives e coisa do tipo. E o processo profissional de fazer isso acontecer está sendo inventado, está sendo desenvolvido, está sendo aprendido nesse momento.

Natália Boere: [7:42] Eu acho super legítimo, sabia? Que essas ferramentas tenham chegado nas mãos de todo mundo, e que cada um possa fazer uso da forma que entender.

Eron Falbo: [7:54] É, por isso que eu tô aqui, não sou jornalista, não sou nada disso desse mundo, mas eu tô aqui de gaiato.

Natália Boere: [8:02] Agora você é um comunicador, meu filho. Daqui a pouco o David Letterman tá te ligando.

Como nasceu o Me Cante Uma História (8:03)

Eron Falbo: [8:09] Eu que vou ligar pra ele pra ele ser convidado.

Natália Boere: [8:13] Gostei bastante.

Eron Falbo: [8:16] Mas o que te levou a começar a fazer live?

Natália Boere: [8:19] Foi a pandemia mesmo. Na verdade, eu já tinha tido uma ideia de um programete que eu faria pro YouTube: Me Cante uma História. Porque eu gostei do nome, sabe? Eu tive esse insight. Eu sempre, no colégio, começava minhas redações pelo título, e depois eu fazia a conclusão, porque eu achava que tinha que ser lacrante. Aí, depois, eu vinha pro recheio. E eu tive essa ideia do título e guardei comigo. Falei: olha, cheguei a gravar uns vídeos com o meu amigo da Videomaker, com ele explicando as histórias por trás das minhas músicas: Me Cante uma História. Eu falei, de repente as pessoas vão gostar de ouvir as histórias por trás das minhas músicas, porque é curioso, às vezes você não faz ideia de como a música surgiu. A minha professora de canto da vida, Sueli Mesquita, que é a diretora-geral do meu show, ela fez uma música pra indústria fonográfica, uma música que eu cantava já há muito tempo, e eu não fazia ideia que ela tinha feito uma crítica pra indústria fonográfica, sabe? Então eu achei que as pessoas fossem gostar dessas histórias. Aí, na pandemia, que eu vi a febre das lives e a queda das fronteiras, mesmo, que você percebeu também, eu falei: olha, de repente eu posso conversar com outros artistas sobre as histórias por trás de músicas deles também, e dividir essas histórias com as pessoas, né? Mas num momento tão difícil, né? As pessoas tão consternadas.

Eron Falbo: [9:49] As suas lives são chamando músicos pra conversar. E você, você tá me ouvindo bem, by the way?

Natália Boere: [10:00] Tô te ouvindo lindamente, by the way.

Convidados e crescimento das lives (10:02)

Eron Falbo: [10:02] Tá bom. E você chama músicos profissionais, músicos renomados, ou não necessariamente, só mais conhecidos?

Natália Boere: [10:13] Eu chamo as pessoas que eu admiro. Eu quis começar com Roberto Menescal porque eu cresci cantando bossa nova com meu pai. Então a bossa nova é uma coisa muito forte pra mim, muito significativa, e Menescal é um ídolo, né? Então ele me deu esse presente: foi o primeiro convidado a aceitar, e foi o que me deu força, porque eu tenho uma bebezinha, eu estava cuidando de casa, do meu trabalho, e eu que produzia a minha live. Por sete meses eu produzi essa live sozinha. Então o Menescal ter aceitado foi o empurrão que eu precisava. Aí vieram Pretinho da Serrinha, João Cavalcante, Lobão, enfim, Supla. A coisa foi crescendo, né, tomando uma proporção que eu nem imaginava, e foi muito bom.

Eron Falbo: [11:03] Uau, que incrível! Eu nem sabia, porque assim, eu acompanhei um pouquinho, a gente conversou um pouquinho sobre isso. Só que, cara, converso com um milhão de pessoas, eu não lembrava das pessoas. Mas eu lembro que você tinha me falado isso. E você, pô, cresceu muito rápido, né? Você começou a fazer as lives, e as pessoas começaram a aceitar. Pô, é o seu jeito carismático de encantar as pessoas. Você tem essa alegria, esse sorrisão aí.

Natália Boere: [11:32] Meu filho, entrevistei a Alceu Valença, entrevistei a Estrela de Pilares, agora recentemente, foi tão legal. Foi muita gente boa, foi realmente um privilégio, um presente que eu recebi desses artistas.

Eron Falbo: [11:46] Então, assim, para o público que está nos ouvindo no Spotify, no YouTube daqui a 50 anos, as suas lives se chamam Cante Sua História, né?

Natália Boere: [11:58] Me Cante Uma História.

Eron Falbo: [12:00] Me Cante Uma História. Então, ouviram aí, Me Cante Uma História. Pode encontrar. Está disponível aonde?

Natália Boere: [12:08] No meu Instagram, arroba Natália Boere. E no meu YouTube, youtube.com barra Natália Boere. Boere é B-O-E-R-E. E se inscrevam, tá, gente? Eu fiz essa live com o Chonji, que estava bombando na vida. Eu esqueci de fazer a propaganda, de pedir para as pessoas me seguirem no Instagram, porque é meu show. Eu vou fazer um show que seria neste sábado, mas por conta da pandemia a gente adiou para o fim do ano. Ele vai ser transmitido pelo meu canal no YouTube. E eu tô postando todas as lives lá, então quem seguir não vai perder.

Eron Falbo: [12:43] É isso. Então, sigam a Natália e o seu... Você chama de quê? De live, de podcast?

Natália Boere: [12:51] É uma série de lives.

Eron Falbo: [12:53] Uma série de lives. Aí fica gravado no IGTV.

Natália Boere: [12:56] Fica com todos no IGTV. E eu tô postando toda semana agora no meu canal no YouTube. Chama Nátiba.

Eron Falbo: [13:03] Legal. E, basicamente, resumindo, ela entrevista músicos e conta a história de como eles compuseram as músicas, né?

Natália Boere: [13:15] Isso, as histórias por trás das músicas deles. E eu canto e conto a história por trás de uma música minha.

Eron Falbo: [13:21] Ah, você também faz isso? Interessante. E qual foi, sei lá, a mais interessante das histórias que você ouviu de música?

Histórias curiosas por trás de músicas (13:23)

Natália Boere: [13:33] Nossa, eu ouvi tanta coisa legal, Eron! É que nem se ia perguntar o filho preferido. Mas uma que me veio à cabeça aqui, que foi bem engraçada: Moreno Veloso compôs uma música que vai participar do meu show hoje, gente. Ele compôs uma música que ele achou a cara de Maria Bethânia, a tia dele, e foi oferecer. Uma música chamada É de Hoje, uma música inédita, linda. E ela não quis gravar porque a música tinha a palavra 'bunda'. Ela falou: 'Não, Maurinho, é bonito e tudo, mas essa bunda aqui não tá funcionando.' Ele: 'Não, minha tia, eu tiro a bunda.' Ela falou: 'Não, não precisa, não. Pode ficar pra você.' E eu achei bem divertido.

Eron Falbo: [14:20] E a Maria Bethânia largou da música, mas a música ficou famosa depois?

Natália Boere: [14:26] Não, eu acho que não foi nem gravada ainda. Tem uma história de uma música famosa que é legal, que eu lembrei agora também. Belle de Jour, de Alceu Valença. Ele fez pra Jacqueline Bisset. Ele encontrou num café de Paris, enfim, ele morou em Paris por muito tempo. Só que ele achou que Jacqueline Bisset era Catherine Deneuve. Então, ele fez para Catherine Deneuve que, na verdade, era Jacqueline Bisset.

Carreira em jornalismo até o Rio (14:52)

Eron Falbo: [15:00] Então, me conta um pouco da sua história como jornalista. A sua principal coisa que você fez como profissão foi jornalismo, não foi?

Natália Boere: [15:12] Até hoje, sim. Eu fiz jornalismo porque sempre gostei de escrever, além de cantar. E música você não deixa de escrever também. É uma forma de expressão, de qualquer jeito. Eu trabalho desde os 19 anos. Eu já fui repórter na Rádio Bahia, na TVE, apresentei jornal. E pedi demissão pra passar um tempo em Nova York, porque o meu sonho sempre foi viver de arte. Então, meus pais ficaram doidos, porque a filha estava linda e loira apresentando jornal, e a gente... Uau! Deu uma escapulida. Morei um ano e meio lá, estudei canto na Juilliard, estudei teatro na Strasberg. E quando eu voltei, meu sonho sempre foi morar no Rio, desde criança. Com 10 anos, eu vim pra cá. Tinha uma tia minha que morava aqui. E achei esse lugar... Menino, eu fiquei apaixonada. Não sei dizer, era coisa de criança, sabe? Eu cheguei e vi aquelas pessoas tão ativas na praia, fazendo exercício. E eu fui no shopping, tinha artista no shopping, achei tão chique aquilo. E aí eu falei, preciso morar nesse lugar, e mordeu no meu coração. Então meu sonho não era morar em Nova Iorque, por mais que tenha sido incrível morar em Nova Iorque. Mas meu sonho era morar no Rio.

Eron Falbo: [16:32] Ah, mas você é da Bahia, né? Nova Iorque é outro planeta, né?

Natália Boere: [16:36] É incrível também, sabia? É, mas é outra vibe. Nova Iorque tem mais a ver com São Paulo. As pessoas, cada uma toma conta da sua vida. Eu tive que aprender a apertar a mão em vez de abraçar. Tava treinando pros tempos de coronavírus. Porque lá em Nova Iorque, ninguém abraça ninguém, né? E eu sou baiana, abracinha, eu ia... Aí me continha.

Pandemia e mudanças nos hábitos sociais (16:37)

Eron Falbo: [16:59] E na pandemia rolou isso também, né?

Natália Boere: [17:01] Pronto, já tinha feito o laboratório.

Eron Falbo: [17:04] É, mas eu fiquei impressionado, cara. Como nós, brasileiros, assim, eu achava... Porque a pandemia começou mais tarde no Brasil, né. A gente viu na televisão antes de viver aqui no Brasil, né. Aí eu pensei, cara, quando chegar isso no Brasil, nunca que a galera vai usar máscara. Aí eu saindo aqui no Rio de Janeiro, todo mundo na rua de máscara. Pelo menos um certo momento ali, em maio do ano passado, rolou isso. Tipo, quando fechou tudo, cara, vocês saíam, tava todo mundo de máscara. Falei, caraca, a galera entrou no padrão mesmo. Achei que nunca ia acontecer. Hoje, assim, o pessoal que trabalha aqui comigo, ninguém se encosta, ninguém dá a mão e tal. É uma parada louca que a gente passou de ser uma cultura abraçadora muito rápida.

Natália Boere: [17:55] É, novas diretrizes. E o triste é que a gente não sabe quando as coisas vão voltar a ser como eram antes. É bem provável que não voltem a ser como era antes, né?

Fake news, desinformação e confiança na mídia (17:57)

Eron Falbo: [18:05] Acho que, assim, realmente... Natália, eu queria saber da sua perspectiva como jornalista, dessa coisa toda da pandemia. Porque, assim, tem tanta informação confusa, né? Tipo, assim, informação de uma fonte X e outra fonte menos X, né? Tipo, outra é totalmente o oposto. Você que tá por dentro mesmo, né, você trabalha no Globo, você trabalha em coisas, assim, de peso. Qual que é a sua perspectiva dessa misinformation, né, que fala em inglês. Que é tipo, desinformação, sei lá como que fala em português. Que é tipo, as pessoas... não é fake news, exatamente. Porque tem muita coisa que não é exatamente fake news. É só tá usando fontes diferentes, e tem agendas políticas diferentes, e coisas do tipo. Você está vivendo isso? Você está prestando atenção nisso?

Natália Boere: [19:05] Eu vivo, meu filho. Eu vivo porque virou favor nessa pandemia e felizmente aqui no Brasil isso foi reduzido. A política, uma questão sanitária tão séria, foi reduzida a política e o país está dividido, está polarizado entre pessoas que acreditam em uma verdade, que são informadas pelas redes sociais e creem naquilo e se deixam manipular. É o meu ver, tá, gente? Essa é a minha opinião. E tem pessoas que são informadas pela mídia. Eles acabam se rivalizando.

Eron Falbo: [19:48] Você acredita que existe uma polaridade entre mídia e rede social? Porque o que eu vejo é que mesmo a mainstream mídia tem uma polarização, assim. Tem CNN versus Globo, né? Ah, sim!

Natália Boere: [20:00] Existe um lado...

Eron Falbo: [20:03] Um lado dizendo que a pandemia não tá tão grave assim, outro lado dizendo que tá mais mortal do que qualquer coisa que já houve no estado do mundo. Então, é tipo... esse lado que eu tô falando, porque eu vejo muito jornalista falando nesse ponto de vista. Tem o fake news, que é tipo de coisas, fontes que não são confiáveis, e tem a news... meio instrumental, né. Só que, vamos esquecer, dentro da própria mainstream news, o que é confiável, o que não é?

Natália Boere: [20:43] Eu acho que vai da perspectiva de cada um. Não existe uma verdade, porque os veículos de comunicação, cada um tem os seus princípios. Por exemplo, a CNN fala que eles acreditam ser a verdade, ou a verdade que é interessante naquele momento, e as pessoas que têm a CNN como referência vão acreditar naquela informação e vão achar que a Globo é um lixo, né? E vice-versa. Então, eu não tenho autoridade nenhuma pra dizer o que é o certo e o que é o errado. Eu sei que cada veículo de comunicação tem a sua perspectiva, e as pessoas estão, né, muito divididas nesse momento.

Eron Falbo: [21:36] Eu acho muito bonito você, sendo uma jornalista que tem tanto, vamos dizer, insider knowledge, você está por dentro do que está acontecendo, e você disse: eu não tenho autoridade para dizer qual é o certo. É uma postura muito digna. A maioria das brigas nos jantares de família estão acontecendo porque as pessoas acham que têm autoridade suficiente para dizer qual é o certo.

Natália Boere: [21:59] Eu prefiro me abster, na verdade, nessas questões de família, inclusive, porque eu não vou convencer ninguém. Essa foi a postura que eu adotei, sabe? Não vou convencer ninguém na minha opinião, ninguém vai me convencer. Então, é melhor que a gente não discuta, né? Vamos falar sobre a nova estreia da Netflix pra poupar a cútis. Mas o que eu queria dizer é que eu acho uma temeridade se informar exclusivamente por WhatsApp, sabe? Tem muita gente que recebe muita coisa, que não enxerga e compartilha, e isso vai criando um caráter de verdade muito grande.

Eron Falbo: [22:32] Cara, eu sou meio que... eu acho que todo mundo deveria fazer isso, então eu tô até recomendando isso pra todas as pessoas que estão nos ouvindo aí. Cara, tipo, se você receber uma parada, primeiro, sobretudo se for alguma coisa que não te interessa, não dá pra ser vigilante, né, tipo, polícia do fake news. Porra, se você recebe uma coisa e te interessa... outro dia eu recebi uma notícia que um médico da China tinha dito... não, um médico do Japão tinha dito que trabalhou em Wuhan, na província de Wuhan. Você ouviu falar disso aí?

Natália Boere: [23:18] E...

Eron Falbo: [23:20] E fez testes e descobriu, através da ciência, que o coronavírus tinha sido inventado em laboratório. E isso, sendo uma ganhadora de prêmio Nobel, era uma coisa grande. Aí eu li a notícia e falei: cara, essa notícia, se isso for verdade, isso muda o mundo inteiro, sacou? Então, antes de eu dar o forward, antes de eu encaminhar a notícia, eu fui lá, botei no Google, né, pô, pra ver se é verdade. E hoje em dia tem um monte de fact-checker, né, tipo, verificador de veracidade da informação. Cara, e eu não acredito nem nisso. Aí eu fui ver na página do cara, do médico que supostamente teria dito isso, pra ver se na biografia dele diz que ele já trabalhou em Wuhan, entendeu? E, pô, uma notícia dessas muda o mundo, pode causar uma guerra mundial, entendeu? Então, você passar pra frente é uma... além de idiotice sua, porque você vai estar acreditando numa mentira, você tá passando pra frente uma...

Natália Boere: [24:33] É irresponsável, né?

Eron Falbo: [24:35] É, você tá passando... em hebraico, chama-se... que é a língua do mal. Você tá passando pra frente uma informação do mal, que tá gerando mal, que tá gerando uma... isso, eu acho que é complicadíssimo.

Natália Boere: [24:50] O que eu faço, eu costumo ver: saiu no Globo, saiu no G1, na Folha, no Estadão, no UOL, veículos que eu acredito, sabe? Beleza, está valendo pra mim, entendeu? Eu não confio em nenhum veículo.

Eron Falbo: [25:10] O jeito que eu penso é tipo: qual é o peso dessa notícia, entendeu? Cara, o que isso muda? Tipo, e se muda uma coisa grave, aí eu tento, cara, usar o common sense, o senso comum, tipo, de ver quais são os motivadores por trás, né? Às vezes você vê, o João Dória falou que tem muito mais casos do que o comum, mas às vezes, eu não estou nem querendo dizer que isso é verdade, não tome isso como verdade, mas se o João Dória fechou São Paulo, que é o centro da economia brasileira, o coração da economia brasileira, e ele fechou isso, agora ele gera uma motivação para justificar o fechamento disso. Então, gera uma motivação pessoal de, mesmo que ele tenha que tirar números de fontes não necessariamente confiáveis, dizer que a coisa tá pior do que tá. Isso é uma motivação que ele tem, como pessoa, pra fazer, porque, se não forem essas informações, aí ele tá fudido, entendeu? Ele, pessoalmente, tá fudido. Então, isso gera pra mim uma suspeita psicológica, entendeu, se eu entendo que isso está acontecendo. Agora, se rola o contrário, se você tem uma motivação para mentir e você está dizendo uma verdade, tipo, sei lá, se hoje, numa empresa, alguém seria mandado embora por admitir certas falcatruas, mas aí ele vai lá e admite e fala: pô, aí você tende a acreditar mais no que ele está dizendo. Você entende? Eu acho que nunca é, tipo, ou tá certo ou tá errado. Eu acho que a gente tem que sempre ser cético sobre o que tá rolando. Porque não é questão de, tipo assim, você, Natália Boere, tá como jornalista falando uma mentira, não é essa a questão. É que você tá pegando uma fonte que foi te dada por uma outra pessoa, e tem uma equipe inteira, e não tem como saber. Não tem como o jornalista saber o que é certo ou errado. Por isso que a gente tem que ter discernimento.

Natália Boere: [27:44] É, eu acho que discernimento é mais importante.

Eron Falbo: [27:47] E, nessa questão de fake news e jornalismo, fact-checking, essa coisa toda, dentro do seu mundo pessoal, como que é pra você, pessoalmente, essa coisa assim das informações que você passa, das informações que você recebe? Como que você vive isso diariamente? Acho que muita gente se interessa nisso, você entende, Natália? Desculpa te botar nessa coisa.

Natália Boere: [28:20] Claro, imagina. Eu falo que eu confio, enfim, no geral, né? Eu confio nesses veículos porque eu trabalho com jornalismo diário há muitos anos, no Globo, e eu vejo a seriedade dos meus colegas, sabe? O quanto eles checam, rechecam, apuram, reapuram, voltam à fonte. Então, eu acho que tem...

Eron Falbo: [28:45] Sim.

Natália Boere: [28:47] Uma seriedade nesse trabalho, entendeu?

Eron Falbo: [28:49] Claro, certamente, pela análise do mainstream, especialmente de, vamos dizer, emissoras ou canais que estão estabelecidos, né? Eles já têm muita ideia, né, por fazer besteira, por falar... Sim, tem.

Natália Boere: [29:06] Um nome a zelar, gente. Uma reputação a zelar, construída há tantos anos. Trabalhada, digamos assim.

Eron Falbo: [29:13] As pessoas que são meio negacionistas, dizendo que, pô, as pessoas inventam coisas. Não é exatamente assim, né? Tipo, não dá pra só inventar coisas pra essas pessoas que têm esse ceticismo absoluto de certos canais de mídia. É verdade isso que estou falando? Você, trabalhando nisso, não dá. Tem muitas camadas de proteção, tem stakeholders, tem acionistas, tem uma série de... É isso?

Natália Boere: [29:51] É o que você falou. Nós, jornalistas, temos o nome a zelar, e os veículos têm a reputação a zelar. Eu acho que a responsabilidade é muito grande e o cuidado é muito grande, apesar de tudo, dos interesses que existem de stakeholders e afins.

Eron Falbo: [30:14] Legal, é bom ouvir sua perspectiva sobre isso. Voltando um pouquinho para o seu trabalho pessoal, saindo dessa coisa polêmica... Talvez unindo as duas coisas: você é uma jornalista profissional que trabalha para grandes outlets, como se chama, grandes nomes da imprensa.

Autenticidade entre vida pessoal e profissional (30:30)

Natália Boere: [30:49] Oh, meu Deus! Eu sou incrível! Oh, meu Deus!

Eron Falbo: [30:54] Como que você faz essa diferenciação entre o seu trabalho pessoal, você como influencer, lançando uma música ou fazendo as suas lives, e você como uma profissional trabalhando para uma emissora, para um canal mais estabelecido?

Natália Boere: [31:25] Para um veículo, você fala? Eu não diferencio muito não, sabe? Eu sou muito autêntica, eu sou muito eu em todas as minhas atividades. É engraçado, quando eu estou entrevistando as pessoas, você deve ter percebido isso, eu sou muito informal. Às vezes eu tô entrevistando alguém e aí chega a minha filha, porque a gente tá em home office, né, eu tô em casa, tô com uma bebezinha, chega a Isabela e fala... Aí eu falo: 'Peraí, rapidinho. Minha filha, agora não dá pra mamar não, daqui a pouco a mãe fala com você.' Porque eu sou assim no meu dia a dia, sabe? Tem gente que pode, sei lá, não saber como lidar. Às vezes a Isabela entrava na minha live. Aconteceu com o Padre Omar, a Isabela era pequenininha, não tinha feito nem um ano ainda. O Padre Omar foi um dos meus primeiros convidados, ela queria mamar, ela mamou. Ela mamou na live!

Eron Falbo: [32:21] Sério?

Natália Boere: [32:21] É isso, meu amor. Eu falei, o que eu ia fazer? Eu tava terminando uma live, ela tava chorando... Foi isso, foi a verdade: vem a minha filha, mamou. Eu sou uma só, sabe, Eron? Na verdade... Olha aqui, momento análise: eu descobri, na análise, que tem duas Natálias. E aprendi a conviver e respeitar cada uma delas. Não sei se você sentiu isso, porque às vezes eu tô assim, exuberante, falante, e tem dias que eu tô introspectiva, que eu atravesso a rua porque eu não tô a fim de dar bom dia, sei lá, pro cachorro.

Eron Falbo: [32:59] Imagina se fosse... Toda vez que eu conversei com você, você tava sorrindo de ponta a ponta.

Natália Boere: [33:04] Ah, meu filho, mas eu tenho meus dias de patinho feio. Eu aprendi a respeitar, sabe, e entender que é normal. Pode não ser tão legal aos meus olhos, né, aos olhos de outras pessoas, talvez, mas sou eu. Então, hoje eu já convivo bem com as duas narrativas.

Eron Falbo: [33:24] Eu vejo muito em você que você faz muito bem, que é o tipo de se aceitar, né? Você falar: "ah, isso aí é meu, vou aumentar na live", isso aí me impressionou. Mas isso é importante, eu estou aprendendo isso como comunicador, como alguém que está saindo do armário como comunicador. Eu estou descobrindo a importância da gente estar bem consigo, né? Tipo, você tem que se aceitar, aceitar as limitações, aceitar os erros e lidar com isso. Tipo, hoje mesmo rolou esses problemas técnicos, pô, eu tenho muito o que aprender ainda em termos de voltar pro centro e fazer um bom trabalho independente.

Natália Boere: [34:09] É porque essas coisas acontecem, fogem do nosso controle, né? Então não adianta a gente ficar se autoflagelando. Por quê? Não vai fazer diferença. Foca na solução e vai. Eu sou especialista em resolução de problemas, não fico sofrendo pelo que acontece, não. Agora, esse negócio de se aceitar, eu me lembrei de uma coisa. Quando eu vinha pro Rio, quando era criança, né, eu achava o sotaque carioca lindo. Então eu passava uma semana no Rio e voltava pra Salvador insuportável. E quando eu me mudei pra cá, eu falei: "não, gente, eu sou baiana, esse é o meu sotaque, né, esse sou eu". Então eu faço questão, eu fiz questão de guardar o sotaque comigo, e ele estará sempre comigo, porque é um orgulho muito grande. Eu amo o Rio de Janeiro, é aqui que eu quero estar, mas eu tenho muito orgulho de ser baiana, da minha terra, das minhas raízes.

Sotaque baiano e identidade brasileira (34:27)

Eron Falbo: [35:10] Você quer guardar o sotaque de Salvador, né?

Natália Boere: [35:12] Isso, o sotaque da Bahia.

Eron Falbo: [35:15] Eu vivi uma parada parecida com essa, achando que eu era londrino, né? Eu cresci em Brasília, eu era conhecido como o londrino de Brasília. E aí, quando eu me mudei pra Londres, até foi o Núcio Felipe Jornalismo Braganza que me falou isso. Ele falou: "cara, você descobre quando você é brasileiro por eliminação". Tipo assim, você vai em vários lugares e você vê que você não é bem aquela parada, porque o Brasil tem Paraná, tem Mato Grosso, tem Nordeste, tem todo tipo de característica bizarramente diferente. E é difícil a gente saber o que é brasileiro de fato. Pro gringo, o brasileiro é ou carioca ou baiana, porque é isso que eles veem. A gente sabe, como brasileiro, que tem mundos totalmente diferentes. O gaúcho, até hoje, ninguém decifrou de onde nasceu aquela figura.

Natália Boere: [36:16] Mas...

Eron Falbo: [36:20] Cara, a identidade brasileira é foda. Então, tipo, a gente realmente... Eu sou...

Natália Boere: [36:37] Baiano, não, baiana...

Eron Falbo: [36:56] Eliminando isso, porque, realmente, a gente tem que começar a aceitar, começar a descobrir também, porque às vezes a gente não sabe, inconscientemente, a gente bloqueia, joga debaixo do tapete. A gente tem que fazer muita busca, muita exploração desse nosso eu para descobrir quem a gente é de fato, para poder projetar isso.

Natália Boere: [37:18] Enfim, eu me digo muito feliz, sabe?

Eron Falbo: [37:22] Eu acho que... Para você, isso foi óbvio? Ou você teve uma evolução nisso como comunicadora, como jornalista?

Natália Boere: [37:33] Em relação à autenticidade, não, foi a evolução. Quando eu me mudei para o Rio, eu já estava meio que bem resolvida. Mas, por um tempo, no telejornalismo especificamente, acho que o sotaque nordestino aqui no Sudeste não é tão bem visto. Inclusive, uma colega, de uma emissora, eu descobri que ela era nordestina fora do trabalho, porque eu já tinha visto ela no ar. Não dava a menor pinta de nordestina ali. Nos bastidores é que eu vi o sotaque e falei: "olha..." Então ainda existe. Na verdade, eles tentam polir, sabe? Dá uma geneizada.

Eron Falbo: [38:25] Até tem uma história dos Rolling Stones, né. Tem os Beatles e os Rolling Stones. E os Rolling Stones, eles mudaram o sotaque deles, né, pra conversar. Tipo assim, quando o Mick Jagger fala, ele fala como se ele fosse londrino, sempre foi de lá etc. E os Beatles sempre... Na verdade, eu não lembro se o Mick Jagger é londrino ou não, mas ele mudou, ele ficou com o sotaque mais polido, né, pras pessoas se entenderem. Ele não tinha aquele sotaque classe trabalhadora. Eu não lembro exatamente o que que é, mas ele tinha um sotaque, mudou. E o John Lennon se orgulhava de nunca ter mudado o sotaque de Liverpool, sempre o manteve, né. É que nem você falou, às vezes a gente muda durante um tempo e volta, né, porque a gente se descobre e fala: "que babaca que eu estava sendo".

Natália Boere: [39:20] E às vezes não é nem por vontade própria. Nesse caso do telejornalismo, é meio que uma exigência do mercado mesmo. Eu cheguei a fazer fono, e na fono existe um padrão a seguir. Por exemplo, a gente fala "perdão", "perdoar". No Sudeste fala "perdão", "perdoar", e isso é mais aceito, teoricamente é mais sonoro. Não existe um trabalho em relação a isso. Mas o que eu perdoo!

Eron Falbo: [39:51] Natália, foi ótimo te ter aqui. Mais uma vez, desculpa pelos erros técnicos que ocorreram no início. Eu queria que, antes da gente terminar aqui, você relembrasse as diferentes coisas que você tem a oferecer, aonde encontrar.

Despedida com música ao vivo (40:05)

Natália Boere: [40:10] O seu trabalho. Você sabe o que eu vou fazer? Deixa eu ver se eu consigo, tá? Vamos falando aí. Eu vou cantar uma música pra você.

Eron Falbo: [40:18] Tá ótimo.

Natália Boere: [40:19] Que tal? Uma música minha. Agora, eu não tinha preparado. Quem sabe faz ao vivo, né? A pessoa tem a ideia. Aí, de repente, resolve fazer. Aí, vê se consegue. É, eu sou dessas. Então, vamos conversando aí, Haru, enquanto eu... Beijo, senhor.

Eron Falbo: [40:35] Vamos conversando, conversando.

Natália Boere: [40:36] Peraí.

Eron Falbo: [40:37] Você já ouviu aquela piada de português?

Natália Boere: [40:40] Ai, é ótima!

Eron Falbo: [40:43] Ainda pode fazer piada de português?

Natália Boere: [40:45] Não, hoje não é mais indicado. Mas você sabe que eu descobri que em Portugal eles também fazem piada com brasileiros, você sabe, né?

Eron Falbo: [40:56] É mesmo, Natália? Você não podia falar, não?

Natália Boere: [40:57] É, seríssimo. Eu morei na Espanha, né? Fiz um semestre do meu curso de jornalismo lá em Santiago de Compostela. E aí eu aproveitei pra viajar por ali. Estava com umas amigas e a gente conheceu bastante isso de Portugal. E uma das minhas grandes surpresas foi descobrir que piada de brasileiro lá é igual a piada de português aqui.

Eron Falbo: [41:21] Natália, vamos tentar colocar a música da Natália? Vamos tentar ver se a gente coloca ao vivo a música e depois a gente vê você cantando também, pode ser?

Natália Boere: [41:31] Eu achei aqui. A base. Você quer que eu mande pra você a música? É isso?

Eron Falbo: [41:39] Não, não, não, porque a gente tem que... Coloca aí. Vamos ver. Vamos colocar.

Natália Boere: [41:44] Deixa eu ver se você ouve. Ai, você tem imagens minhas. Que beleza, estou achando chique. Você está me ouvindo, Eron?

Eron Falbo: [41:53] Estou ouvindo, mas a gente está ouvindo a música.

Natália Boere: [41:56] É difícil. Está ouvindo a base? Conviver comigo, complicado entender o que eu digo. Quando eu digo, pois o orgulho não deixa a verdade sair, só o que eu sei é fingir que eu não ligo. Se eu não sei onde te achar, que eu não ligo. Se você não quer voltar, que eu não ligo. Se tiver com outra pessoa e saber que eu te perdi, por ser assim me arrependo. Digo: olha, deu pra caixa, não perfeito, sinto a falta de você, do seu jeito. Até quando vou ser fraca, insistir em esconder e fugir da verdade? O mundo tem que saber que eu ligo. Se eu não sei onde te achar, se eu ligo. Se você não quer voltar, como eu lhe vou? Se estiver com outra pessoa e saber que eu te perdi, por ser assim... Obrigada.

Eron Falbo: [43:18] Muito bom, muito bom. Natália, foi uma maravilha te ter aqui. Você é uma pessoa maravilhosa. Obrigado por tudo.

Natália Boere: [43:26] Foi um prazer conhecer você, Eron. Imagina.

Eron Falbo: [43:31] Valeu, gente. Boa noite a todos.

Natália Boere: [43:33] Beijo, gente. Boa noite. Até a próxima.

No Alvo com Eron Falbo · episódio #95 · todos os episódios