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#92 Talvez a gente consiga ser o país do futuro

com Cristiane Brasil · 19 de abr de 2021

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura e boas-vindas com brinde (0:00)

Cristiane Brasil: [0:05] Oi, gente. Tudo bem? Oi.

Eron Falbo: [0:09] Pessoal, sejam bem-vindos. Boa noite. Vamos começar de novo isso aqui, agora sem problemas. Agora está tudo bem, está tudo funcionando. Seja muito bem-vinda, receta. Vamos brindar. Você está com alguma coisa para a gente brindar?

Cristiane Brasil: [0:29] Cê acha que eu esqueci, querido? Vou esquecer logo para um homem educado, elegante desse, fino? Não, jamais.

Eron Falbo: [0:37] Obrigado, querida. Muito obrigado por participar da nossa conversa brilhante que a gente vai ter a partir de agora.

Infância em Petrópolis e carreira na TV (0:41)

Cristiane Brasil: [0:44] Amém.

Eron Falbo: [0:46] Então, Cristiane, você nasceu em Petrópolis?

Cristiane Brasil: [0:50] Nasci, sou petropolitana de nascimento, apesar de ter vivido muito mais no Rio do que em Petrópolis, intercalando momentos de Rio e momentos de Petrópolis, que meu pai gostava de mudar. Ele ficava para lá e para cá com a gente, mas eu sou nascida e passei uma parte da minha vida lá, na cidade imperial.

Eron Falbo: [1:13] Isso te influenciou, crescendo com a história da cidade? Como é a sua visão da cidade?

Cristiane Brasil: [1:23] Eu tive alguns momentos muito legais com Petrópolis, e alguns deles depois que virei até deputada. Petrópolis foi a cidade que eu mais ajudei com recurso depois do meu mandato de federal. Eu consegui mais de 10 milhões diretamente para eles, mas a coisa que eu mais curti foi que consegui convencer o presidente Temer a fazer uma doação das cartas que ele recebeu do Putin de presente. Ele foi à Rússia uma vez e recebeu de presente do Putin, acho que algumas cartas, umas cinco cartas, que o Putin, muito gentilmente, ele pegou num leilão do Dom Pedro II, cartas históricas, e deu de presente. E eu fiquei sabendo disso e fiquei sabendo que ele queria doar essas cartas.

Eron Falbo: [2:18] Você é apresentadora também, você não faz live não? Você faz alguma coisa do tipo?

Cristiane Brasil: [2:24] Eu já apresentei muito programa de televisão, curti muito, muito, muito, muito. Olha só. Eu fui secretária municipal do idoso, sempre trabalhei nessa parte de defesa da pessoa idosa, sou uma especialista em envelhecimento populacional, e por conta disso eu sempre me interessei muito pelo tema bem-estar, saúde, envelhecimento e tal. E tem no Brasil realmente uma galera que é muito boa nisso: cientistas, pesquisadores, universitários, psicólogos, uma galera que manja muito disso, né? E desde a parte de dermatologia, alimentação. Então, teve uma época que eu fiz um programa incrível sobre isso, né? Rio no Coração, se eu não me engano. E aí eu entrevistei, assim, anos. Anos! Tenho DVD desses programas, que eu teria que dar uma transformada para poder eu mesma ver, porque eu não tenho mais aparelho de DVD, mas eu, poxa, curtia tanto fazer meu programinha. E olha, sou uma pessoa tão privilegiada, Eron, que... meu pai, que foi apresentador de programa também, começou a vida dele no Povo na TV, né, muito tempo atrás e tal. Fui substituída, por causa da Justiça Eleitoral, porque eu tive que me afastar para concorrer à reeleição de vereadora. Então, tipo assim, só eu, Cristiane Brasil, que tenho Roberto Jefferson para me substituir. Ele falou: 'Cara, não acredito que eu estou aqui fazendo isso para você.' Falei: 'Ai, eu sou uma privilegiada, Roberto Jefferson me substitui quando eu estou concorrendo.' Falei: 'Muito legal, muito legal.' E eu amava. Então, assim, eu tenho essa cancha toda aí por causa disso também, muito legal, curti. Só não estou curtindo ver o seu lindo rosto congelando.

Eron Falbo: [4:45] Fico até envergonhado com isso, mas realmente não sei o que está acontecendo.

Cristiane Brasil: [4:50] Não, deve ser o meu. Pode ser o meu. Hoje choveu aqui. Estou no Morumbi, agora moro em São Paulo. Pode ser que a minha conexão tenha...

Eron Falbo: [5:03] Dado uma... Um dos problemas da questão da live é que a gente quer fazer coisas ultraprofissionais e dar um conteúdo legal para as pessoas, mas às vezes com essa coisa de residências, a gente meio que acaba se perdendo nesse tipo de coisa. Mas acho que também o público está acostumado, sabe que tem, graças a Deus, uma coisa vai com a outra, sabe que as coisas estão fechadas, etc. E o que importa é o conteúdo, o que importa é o que a gente tem para dizer e que a maioria do tempo vai ser interrupto. Então, Cristiane, eu queria saber um pouquinho do seu início de carreira política, o que te motivou, o que te inspirou a contribuir para o quadro social, para as mudanças do Brasil.

Início da carreira política (5:34)

Cristiane Brasil: [5:55] Eu estava estudando, na verdade, para ser juíza. Estava lá, tinha 27 anos de idade. Aí Roberto Jefferson, meu pai, vira para mim e fala assim... Eu estava na EMERJ, eu era representante de turma da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro. O papai vermelho olhou para mim e falou assim: "Você quer ser secretária municipal?" Aí eu: "Vou largar aqui o negócio, mas eu volto daqui a seis meses. Posso trancar? Posso." Eu volto, vou ficar um tempo, vem eleição, eu fico. Cadê, nunca mais eu saí da política. Eu comecei essa saga em abril de 2003. Em abril de 2014 eu estava me afastando da secretaria já para ser candidata a vereadora, e me elegi. Me elegi em outubro de 2004, eu estava sendo eleita pela primeira vez vereadora do Rio de Janeiro. E aí foi vereadora 2004, vereadora 2008, aliás vereadora em 2012, e deputada federal em 2016.

Eron Falbo: [7:03] Você ficou morrendo, deputada federal? Não?

Cristiane Brasil: [7:10] Deputada foi só um mandato, três de vereadora, sendo que eu fiquei muito tempo como secretária municipal dos idosos. E aí foi essa parte do envelhecimento populacional, que a galera curtia muito. Pintava com eles. Fazia evento para 4 mil pessoas, botava ônibus. Não tem bom açaí ainda, não achei um bom açaí ainda. Não sei quem está perguntando, mas não achei o açaí ainda, compatível com o Tacacá do Norte, que é aquele no Flamengo que eu tomava quase sempre ali no Rio de Janeiro. Pode ser que eu conheça, mas ainda não conheci. Não estou fazendo desfeita com São Paulo, não. Mas, então, mandato longo, cara.

Eron Falbo: [8:00] Você está aí desde 2018, na Secretaria de Planejamento?

Cristiane Brasil: [8:09] Não, não, não. Eu vim para cá agora, em janeiro. Eu estava como dirigente partidária. Eu sou presidente do Diretório Municipal do PTB desde 2003, antes da eleição. Inclusive, quem era meu liderado era o Carlos Bolsonaro, que na época era vereador. O Bolsonaro era do PTB e a relação era ótima. Depois eles foram para o PP, ficaram um longo tempo no PP, e eu continuei no PTB, continuei dirigente. No PTB eu já fui presidente do PTB Mulher, já fui presidente nacional do partido quando eu virei deputada federal, em 2014. Na sequência, virei presidente nacional do PTB. Meu pai estava preso, e depois que ele foi preso eu tive a oportunidade de assumir o partido. Me elegi, me assumi como presidente nacional, metendo o ferro na esquerda, no PT, na condução da economia. Era da oposição no início do governo, até que fui realmente uma das condutoras do processo do impeachment, o processo que levou ao impeachment da Dilma. Com muito orgulho, bato no peito, uma das líderes desse movimento.

Eron Falbo: [9:38] É engraçado, eu sempre tive a impressão que o PTB era mais de esquerda, não é assim?

Cristiane Brasil: [9:44] Não, está doido. Não fomos, nunca fomos, na verdade. Na época do Brizola, na época do Jango, eles tinham um pezinho na esquerda, tanto é que o Jango foi deposto. E o PTB foi, inclusive... Acabaram com o PTB, os deputados foram cassados e tal. Mas na criação do PTB, o PTB não podia ser de esquerda. Podia ser, no máximo, progressista, que era a escola do Getúlio Vargas, muito desenvolvimentista e tal, mas nunca comunista, nunca esquerdista. Ele até podia fazer a defesa intransigente dos trabalhadores, dos direitos dos trabalhadores, mas sempre tinha o viés dos cristãos, da família e, principalmente, a defesa do desenvolvimento econômico. Eles defendiam também o patronato, os patrões, entendeu? Não era assim, não.

Origem e ideologia do PTB (9:50)

Eron Falbo: [10:48] É, talvez por causa do nome. Eu sempre tive essa exceção, defendia aquela coisa neomarxista dos trabalhadores contra os empregados... os empregadores, desculpe, e esse tipo de viés que é, vamos dizer, a carta mais utilizada da esquerda.

Cristiane Brasil: [11:15] Não, o PTB não. O PTB fazia o contrário. Ele tentava... Na verdade, o Getúlio Vargas, que foi o fundador do partido, ele criou os alicerces, os arcabouços do Estado Novo no Brasil. Ele criou o Estado Novo brasileiro. E do pós-guerra e tal, reorganizou o Brasil, criou a CLT, ele criou esses grandes conselhos, grandes associações, CNI, tudo isso foi criação dele. Então ele fez o quê? Ele falou: "Bom, estou aqui, governo, eu estou aqui para mediar as relações entre patrões e empregados, mas de uma maneira que não atrapalhe o desenvolvimento do Brasil. Não pode atrapalhar o desenvolvimento do Brasil." E ele sempre combatia os pelegos.

Eron Falbo: [12:09] Você ainda é do PTB, é isso? Você ainda se identifica com a coisa? O que eu quero entender é como foi, um partido fundado por Vargas e tudo mais, como foi a evolução do partido em termos de, talvez, sair um pouquinho do modelo keynesiano de economia, um pouquinho menos totalitário em todos os aspectos da sociedade. Como é que é isso para você, pessoalmente, e para o partido? Vocês estão juntos nisso? Como é que é o seu pensamento?

Cristiane Brasil: [12:50] Sim, vamos lá. A gente teve essa guinada à esquerda em 1964, depois, na refundação do PTB com Ivete Vargas, nós já saímos um pouco dessa pegada, e a Ivete esteve alinhada já com os presidentes que saíram mais liberais a partir de 1988. E o meu pai também participou já bastante desse processo, e a gente foi colocando isso no nosso estatuto. Então hoje está lá, está no estatuto: nós apoiamos uma condução liberal da economia, uma interferência mínima do Estado. Nós entendemos que o capitalismo é a forma de conduzir a economia, de se pensar a economia, que realmente dá mais acesso, até as pessoas, de uma maneira global, a chance de ganhar dinheiro. E o socialismo só aprofundou a pobreza onde ele existe. Não existe, a não ser, claro, para os amigos, por exemplo, do Partido Comunista Chinês. Vamos falar da China, que teve um crescimento econômico em plena pandemia de 18% de economia esse mês. O que será? Fico pensando: pandemia, os caras estão lá bombando. Trabalho escravo, a miséria, para eles a vida humana não presta para nada. O bando de ateu não pode ter, estão lá de jeito nenhum. E o que que é dignidade da pessoa humana lá? Não existe isso. Se tem um viruzinho e matou metade, graças a Deus, é menos gente pra encher o saco do Estado. Se morrer velho, então melhor ainda, que aí tem menos despesa. Agora não, aqui a gente fica pensando nas pessoas, fica pensando no social, e fica pensando sempre. Ainda tem uma mentalidade no Brasil que, na minha opinião, tem que ser modulada: a nossa Constituição tem quatro vezes a palavra deveres e mais de 100 vezes a palavra direitos. Direitos aqui tem para caramba, mas deveres, o cidadão olha e fala: "Não, não tem dever de nada, não." Mas assim, o capitalismo, ele realmente, ele continua sendo a forma de se pensar economicamente que proporciona o acúmulo, claro, de recursos via trabalho, mas que coloca as pessoas para trabalhar, não inventar uma coisa melhor, não. Eu não gosto de comunismo, detesto o socialismo, e o PTB também, gente, pode ter certeza.

China, comunismo e Constituição de 88 (14:08)

Eron Falbo: [15:40] A Constituição do Brasil, a nossa Constituição atual, foi criada para satisfazer uma série de pequenos grupos de interesses, que acho que não levou muito em consideração o bem-estar do povo. Era mais uma demagogia, uma forma de fazer a transição do regime militar por causa das pressões.

Cristiane Brasil: [16:08] Exatamente.

Eron Falbo: [16:10] E não foi bem feito, infelizmente. Por isso que uma das coisas que eu gosto de pensar em mim mesmo, como um ativista político, de certa forma, e a minha única pauta é a mudança da Constituição do Brasil, uma Constituição moderna, que seja feita com a ajuda do povo. Se Deus quiser, parlamentarista. E, se Deus estiver muito generoso, uma monarquia parlamentarista.

Cristiane Brasil: [16:42] Que isso, gente! Você vai ser amigo do rei? Se você for amigo do rei, está tudo bem. Eu também quero ser amigo do rei.

Eron Falbo: [16:53] Isso é uma longa história. Em resumo, é porque para mim existe uma separação entre Estado e governo, e o Estado precisa ser perene, e o governo precisa mudar de tempos em tempos para equilibrar e trazer progresso para a nação como um todo, para o Estado etc. Só que o Estado precisa ter o mínimo de mudança possível para poder manter uma estabilidade na nação, para poder haver investidores externos, aumentar a economia, ter credibilidade internacional, esse tipo de coisa. E o Estado, para conseguir ser perene, precisa ter um chefe de Estado que não mude, que não seja de um.

Cristiane Brasil: [17:36] Partido, que não seja... Concordo com você. Então, você falou de algumas coisas assim. Bom, deixa eu te contar meus planos. Estou aqui em São Paulo, estou aplicando para ser aluna de mestrado aqui, numa instituição de ensino. Não vou falar por enquanto, para não dar errado e virar fofoca. Todos os fofoqueiros... Mas estou aqui aplicando para várias, mas provavelmente em Direito Constitucional, que é a matéria que eu mais gosto. Não sei se você sabe que eu sou advogada, especialista em Direito Público e Regulatório pela FGV. Formei na PUC de Petrópolis, na FGV no Rio, e agora vou fazer um mestrado em Constitucional. Gosto muito de Direito Constitucional. Você falou da questão da Constituinte. Eu penso que seria uma ótima possibilidade para o Brasil, mas em termos muito estritos. Para a gente garantir, por exemplo, que não se repetisse o que aconteceu na Constituinte de 88. Exatamente no que você disse, que foram enxertados vários penduricalhos nessa Constituição para garantir privilégios para entidades de classe, para entidades que não têm nada a ver com a Constituição.

Mestrado em direito constitucional (17:42)

Eron Falbo: [19:07] Então teve que diluir tanto essa... Acho que esse é um dos maiores problemas, que às vezes, quando você tem uma oligarquia mais forte, mais presente, tem mais racionalidade na coisa. Mas eram vários grupos, e a coisa diluiu. A Constituição é até contraditória consigo própria.

Cristiane Brasil: [19:27] Tem vários artigos, vários princípios que se contradizem, que se contrapõem o tempo todo, e aí fica uma Constituição muito interpretável. E essa corte de ministros foi para nós um grande exemplo de que deixar margem para interpretações, mesmo em artigos absolutamente claros, não traz bons resultados. Porque, infelizmente, vou repetir aqui um ditado péssimo, mas super real: cabeça de ministro e bom dia de bebê, você não sabe o que vem. Não sabe. Ainda mais nessa corte. Essa corte inova. Ela transformou a interpretação em elasticidade, em inovação. Elas fazem uma verdadeira transformação, diria assim, teratológica na nossa Constituição. Com relação à Constituinte, que foi o que eu queria determinar no meu raciocínio para você, eu acho que a gente deveria ter uma Constituinte muito, muito amarrada. Por exemplo, eu penso que as pessoas talvez não precisassem nem ser eleitas. Isso não é uma ideia bem para a gente jogar aqui e pensar. Elas podiam ser nomeadas. Nomeadas por setores. E outra: pessoas que fossem nomeadas, como se fosse um grande conselhão para participar do processo constituinte, jamais poderiam ser candidatas a nada. Elas só estariam ali sem receber, no máximo ajuda de custo, para ficar em Brasília, para comer e tal, se locomover. Mas esquece, podia estar o Congresso rolando ao mesmo tempo, não importa. O trabalho da constituinte seria um, e o trabalho do Congresso, outro completamente distinto. Aquelas pessoas ali, estando ali apenas para servir ao país, ao futuro do país, aí sim. Do contrário, eu não vejo como isso pode prosperar.

Eron Falbo: [21:52] Não sei se você conhece, eu sou relativamente próximo, me considero amigo do deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança. Você conhece o trabalho que ele está fazendo da Constituição, uma proposta de uma nova Constituição para o Brasil? Ele tem feito um trabalho que eu acho, assim, não só admirável, como... pra ele, assim, que muita gente, vamos dizer, julga ele por ser descendente de Dom Pedro II, quando deveriam fazer o contrário, deveriam honrar ele. Mas algumas pessoas acham que isso não dá a ele a credibilidade que ele merece, por causa dessa posição dele. Mas ele tem feito um trabalho que eu, sinceramente, nunca vi no mundo. Existem outros trabalhos similares, mas eu nunca vi com tanta consideração de elementos da ciência política que são essenciais. E as considerações que ele está fazendo para esse projeto são as seguintes. Primeiro, ele está querendo envolver o povo brasileiro do começo ao fim nessa nova constituinte.

Proposta de nova Constituição participativa (22:00)

Cristiane Brasil: [23:09] Legal.

Eron Falbo: [23:10] Através de mecanismos tecnológicos e, vamos dizer, não controlados e limitados pela atual máfia governante, vamos dizer. Isso é possível através de algoritmos, de mídia social, através de blockchain, através de intermediários invisíveis que existem dentro do sistema de blockchain. E o objetivo disso, para o pessoal que está nos escutando, é dar legitimidade para a Constituição. Isso é uma coisa muito importante. Coisa que a Constituição atual tem zero, que foi feita em quatro paredes, sem conhecimento do povo, para satisfazer certos grupos, certas oligarquias etc., partidos e grupos de interesse. O jeito que a gente tem a Constituição hoje é contrário ao básico que se precisa para você ter uma Constituição, porque a Constituição é o nível um do sistema político de uma nação. Você tem o povo, que são pessoas.

Cristiane Brasil: [24:27] Que existem... Todos os cidadãos que habitam naquele espaço territorial.

Eron Falbo: [24:33] Que são considerados cidadãos, esse é o básico. Depois disso, você tem a Constituição que protege esse povo de qualquer coisa que vem por cima. Se você não tem essa Constituição bem feita, você não tem nada, não adianta... Você pode eleger as melhores pessoas do planeta para entrar no Congresso que, só por serem seres humanos, se a Constituição der brecha, eles vão entrar em conluio, entrar em máfia, e aí o sistema partidário tem milhões de erros derivados. Depois da Constituição, que não vale nem a pena a gente entrar em consideração aqui. Mas o grande pulo do gato que o deputado Luiz Philippe tá trazendo é trazer legitimidade pra Constituição, em primeiro lugar, que não tem desde a época do Império, que foi a Constituição que mais durou do Brasil. Tudo bem que a legitimidade daquela época levava em consideração outras coisas, que hoje as pessoas não dão tanto valor, mas, mesmo assim, o povo estava pelo menos alinhado com o povo da época, aceitava esse tipo de coisa. Então, essa legitimidade foi dada àquela Constituição, e tanto que durou. Foi a Constituição que a gente teve, foi a Constituição que mais perdurou. Então, para não entrar muito nesse assunto específico, eu acredito que nós, brasileiros, para a gente que está ouvindo, para você mesma, Cristiane, e todas as pessoas que pensam como nós, que a gente estude muito formas de constituição do mundo, o que deu certo, o que não deu certo, e proponha novidades, que hoje a gente tem acesso, que antigamente não tinha. Para dar um breve exemplo, na Constituição do Império, foi enviada a Constituição, antes de homologá-la, para todas as paróquias do Brasil inteiro, para que o povo pudesse ouvir e estar ciente do que ia acontecer, e dada a oportunidade para os governantes etc. trazerem novidades e mudanças para essa Constituição. A de 88 não foi feita nada parecido. E eu acho que hoje em dia, com a tecnologia, a gente consegue incluir o povo de uma maneira ou de outra, de maneiras que nunca houve essa oportunidade antes. Então, na verdade, quem tem esperança pelo Brasil, eu acho que poderia ver isso como uma... Talvez a gente consiga ser o país do futuro de fato. É só a gente readjustar essa base que está quebrada.

Cristiane Brasil: [27:25] Nossa, é um projeto, né? É um projeto interessante. Teríamos que pensar em diversas filigranas, detalhes que poderiam fugir do nosso controle, para que efetivamente não tivéssemos, no meio do caminho, que lidar com grupos ou pessoas que tentassem tomar conta desse processo, nem para a direita, nem para a esquerda, para ser uma coisa que refletisse a vontade do povo brasileiro, em especial das pessoas que produzem nesse país, que trabalham nesse país, que dão sangue, que querem que seus filhos tenham um futuro melhor, que estão cansadas de ouvir, como a gente ouviu desde a infância, que esse é o país do futuro, mas esse futuro nunca chega. Sempre é o amanhã, nunca é o hoje. E a gente vive sendo, praticamente, ameaçado por grandes potências que querem tomar nosso território, querem se locupletar das nossas riquezas, como já fizeram por anos e anos e anos no passado, e que, na verdade, não trazem tecnologia, não se importam com o que está acontecendo com os nossos cidadãos, e que não querem que as pessoas estudem, não querem que as pessoas mudem de vida. É lógico, entendeu? E a gente vive, realmente, assim, numa realidade que está bem distante daquilo que nós desejamos em termos institucionais, constitucionais e civis. E, enfim, se a gente for falar, tem tanta coisa para reclamar que não acaba mais. Ainda estamos no meio de uma pandemia, num vírus maluco que nenhum de nós sabe efetivamente como surgiu e como foi espalhado na humanidade. Isso é que está ceifando vidas de pessoas e famílias, enfim, pessoas próximas, distantes, amigos e tal. E a gente fica pensando... As pessoas tentando pensar em como é que elas vão sobreviver, como é que elas vão virar a página disso e viver nessa nova realidade, viver a realidade do mundo virtual, do trabalho home office, o que eu vou fazer do meu futuro, como é que eu vou me colocar no mercado, como é que eu vou sustentar meus filhos, porque mudou completamente, de uma hora para outra, num piscar de olhos, tudo que a gente via como verdade. E sair dessa caixinha, sair desse lugar tranquilo, desse lugar que a gente tem, da tranquilidade que a gente tinha no passado, até um ano atrás, ainda é muito difícil, porque muita gente demorou a reagir. Ah, não, daqui a pouco melhora. Ah, não, amanhã a gente volta. Ah, não, tá? Enfim, até os próprios governantes erraram muito na condução de um processo que ninguém sabia como que ia ser. Diga-se de passagem, erraram socialistas, erraram trabalhistas, erraram conservadores, fizeram meia-curva...

Pandemia e incertezas do país (29:09)

Rótulos políticos, feminismo e cancelamento (30:42)

Eron Falbo: [30:44] Entrou com muita vontade de fazer grandes mudanças num momento que é praticamente impossível, porque eu não me considero bolsonarista, mas, como você falou, sou liberal, especialmente economicamente.

Cristiane Brasil: [31:04] E conservador também, não é?

Eron Falbo: [31:07] Eu não gosto dessas dualidades. O liberal econômico, para mim, é uma coisa provada pela natureza. Agora, em termos de conservador e liberal, no geral, acho que esses termos para mim são obsoletos. Acho que o mundo está usando esses termos, esquerda e direita, só para demagogia, e estão sequestrando o que convém para as pessoas. Com todo respeito, os políticos estão fazendo isso muito. É claro que eu entendo, e se eu fosse político, eu faria a mesma coisa, porque é uma questão de mensagem. Eu sou formado em campanhas políticas, eu fiz um curso de marketing político, e eu entendo muito bem que uma das coisas que a gente precisa, ao se eleger, ao comunicar alguma coisa ao público, é ter mensagens simples e repetir essas mensagens de uma forma clara e concisa, para que essa coisa seja realmente fixada. Então, eu entendo isso, faz parte do mecanismo político. Só que, se a gente for ter uma conversa franca, esses termos não significam nada. Direita e esquerda: eu sou conservador do que precisa ser conservado, e sou progressista do que precisa ser progredido.

Cristiane Brasil: [32:30] Concordo, concordo plenamente. Concordo com você. Também, em comum dessas ideias, eu sou conservadora em determinados pontos, que eu acho que precisam ser conservados, sim. E sou progressista em poucos outros que... Eu penso que nós não podemos deixar que outros grupos se apoderem dos discursos, dos temas, e que digam: não, conservador não pode falar sobre isso. Falo: peraí, peraí, vamos com calma, muita calma nessa hora. Quer dizer que eu não posso falar sobre violência contra a mulher? Tá maluco? Eu mesma sofri violência política contra mim, várias e várias vezes, e numa virulência...

Eron Falbo: [33:23] As pessoas entram nessa. Quem entra na bandeirinha, entra na ideologia de grupo, aí acabam indo contra os próprios interesses. Tipo assim, porque agora sou conservador, não posso falar sobre violência contra a mulher. Aí fica contra a história, a pessoa fica numa... As pessoas viram fantoches, viram autômatos de ideologias. E todo mundo está nessa. Não é como se tivesse um grande mestre que estivesse controlando isso. É uma egrégora, é uma coisa além do controle humano, isso que é o pior, porque uma egrégora não tem coração, uma egrégora tem sangue frio, ela trabalha consigo própria, com a própria preservação. Então se você... Ah, agora eu sou feminista.

Cristiane Brasil: [34:08] É insano isso, né?

Eron Falbo: [34:11] Tem feminista que é contra a mulher, que é contra a grande parte das mulheres. Tem feminista que é contra a maternidade. Tem feminista que é contra mulheres que escolhem ter famílias. Isso, pô, biologicamente...

Cristiane Brasil: [34:22] Isso é louco! Isso é louco! Eu acho que ser feminista é você defender as pautas universais, que são os direitos de todas as mulheres, porque por muitos e muitos e muitos anos, efetivamente, nós mulheres tivemos uma série de direitos negados e tolhidos, e precisamos discutir isso. Precisamos discutir a nossa segurança dentro de uma relação. Tem casos e casos e casos. Estou vendo a Graça Inienov, que é vice-presidente nacional do partido e que é presidente do movimento de mulheres do partido, concordando com a gente que muitas vezes a gente se sente realmente tolido das pautas de gênero feminino. De gênero, não. As pautas feministas, por exemplo. Tenho que corrigir as palavras, meu Deus do céu.

Eron Falbo: [35:21] Aqui você não precisa corrigir nada não, só fala que todo mundo vai saber o que você está querendo dizer, porque aqui não tem cancelamento, não tem nada.

Cristiane Brasil: [35:28] Não, mas você que pensa, a gente está bebendo um vinhozinho, dando uma bicada. Teve uma infeliz aí que falou: dois bêbados. Falei: ai, não é possível, que eu tenho que ler isso em plena segunda-feira à noite, meu Deus do céu, senhor.

Eron Falbo: [35:46] Eu acho que uma pessoa que fala esse tipo de coisa sem conhecer as pessoas, etc., já vive no inferno, né? Só porque é uma pessoa pública, acha que tem total liberdade para trolar, para derrubar e difamar. Acho que a gente tem que manter a cordialidade, independente do que a gente pensa, do que a gente sabe sobre as pessoas. Hoje mesmo eu estava lendo um livro do Robert Bly, que é um grande pensador, é um psicólogo junguiano. E ele diz assim: quando a gente tem sombras, quando a gente tem coisas, esqueletos no armário, quando a gente tem coisas debaixo do tapete, guardadas por muito tempo, a gente começa a projetar, né? Tipo assim, fala coisas do tipo: eu quero paz e amor, e o bem da humanidade, eu quero ouvir todas as pessoas, porque eu sou muito tolerante, menos o Bolsonaro, porque ele não é uma pessoa verdadeira, ele é um monstro, e por isso... Então, assim, é uma coisa tipo... O que ele quer dizer é que quando a gente entra dentro das nossas sombras, das nossas inseguranças, as coisas que a gente não sabe, a gente começa a projetar essas inseguranças em certas figuras, né? Começa a dizer... Isso vale tanto pra pessoas que odeiam o Bolsonaro quanto pra racistas que odeiam os negros, para pessoas que são contra gays, qualquer coisa do tipo.

Sombra psicológica e projeção nas críticas (36:10)

Cristiane Brasil: [37:19] Pessoas que também não gostam de mulher, não gostam de mulher na política, cara. Tem gente que não gosta de mulher na política.

Eron Falbo: [37:26] Porque sente uma insegurança muito grande, talvez a mãe da pessoa controlou demais, aí projeta isso: não, nenhuma mulher pode estar na política, porque senão eu vou sofrer pessoalmente, entendeu? Eu, se eu viro uma mulher na política, aí fala pra Dilma, que só foi uma pessoa, que fez muita merda, mulheres não podem estar no poder. E não é assim, entendeu? Porque não é uma questão, não é um exemplo, não prova uma...

Cristiane Brasil: [38:00] Não, pois é. Mulheres no poder, não pode. Dilma fez aquele... atrapalhada toda na administração, se isolou politicamente, ouviu um bando de idiotas, fez uma condução econômica péssima e fez as pedaladas, que realmente não dava pra perdoar. Graças a Deus a gente conseguiu tirá-la de lá. Agora vou dizer que todas as prefeitas que já foram, com missão, que estão fazendo um trabalho incrível, deputadas, senadoras, são horríveis? Que absurdo falar um negócio desse, né? Agora, quer ver uma coisa engraçada? Eu estou deixando, depois que eu fui presa, porque eu não tenho nenhuma vergonha de dizer que eu fui presa injustamente... Ali não é lugar para ninguém, não. Ali nem para bicho é. Jaula não é lugar nem para bicho, o que dirá para a gente, entendeu? E eu fui colocada lá efetivamente cinco dias depois que eu lancei minha candidatura à prefeitura. Tipo assim, não é o assunto do momento. Eu tô dizendo que começou a crescer meu cabelo, né, e tal. Aí eu falei: cara, eu tô com o cabelo grisalho, quer saber do negócio? Vou deixar esse cabelo... Só pra fazer um adendozinho do que você falou, pra ver como é que fica. Aí deixei o cabelo, cara, tá grande já, enorme. E tipo, sem corte, porque eu tô deixando crescer, não tô nem aí. Aí tem gente conhecida, pouco conhecida, que eu conheço assim na rua, que vira pra mim e fala assim: Eron, pinta o cabelo. Mas por que eu vou pintar o cabelo? Cara, porque você tá com cara de velha. Eu falo: mas isso está apontando para a sua insegurança com o seu envelhecimento? Eu não tenho problemas com isso? Eu estou me sentindo uma pessoa ótima com meus cabelos grisalhos? Então assim... Fica aí com a sua opinião, super respeito e tal, mas eu tô bem assim, e assumida, com os meus cabelos grisalhos lindos, inclusive, afinal, pelo amor de Deus, tá sério.

Eron Falbo: [40:16] A gente deve se questionar, né? Quando a gente tá julgando outra pessoa, quando a gente tá criticando outra pessoa, até às vezes dando conselho pra outra pessoa, a gente deve se questionar de onde tá vindo isso. E, na verdade, 120% das vezes está vindo da nossa sombra, está vindo das nossas inseguranças.

Cristiane Brasil: [40:38] Aponta para a gente.

Eron Falbo: [40:41] Se você discorda com o Bolsonaro, você não precisa odiar o Bolsonaro, não precisa ser o diabo na terra, só fala: porra, a gente precisa de um novo presidente. Por que ódio? Fala: não, eu discordo com o XYZ que ele fez. Porque aí já viram genocidas... Cara, houveram genocidas no mundo. O que ele tá fazendo não é genocídio. Genocídio é quando você olha para um grupo específico de pessoas e sistematicamente extermina essas pessoas. Isso é definição de genocídio. Se você quiser ser respeitado, não afliga os termos. Não chama ele de fascista, genocídio. Eu nem concordo com ele. Eu acho que ele é, como o Lula, um outro demagogo. Infelizmente, para o Brasil, para as pessoas se tornarem presidentes, precisa ser demagogo sensacionalista. E essa é uma realidade do presidencialismo, é uma realidade da Constituição terrível que a gente tem. Então, eu estou falando essas coisas para defender o Bolsonaro. Já que a gente está falando sobre conservadorismo e temos, provavelmente, públicos que estão ouvindo esse tipo de coisa, eu estou, na verdade, alertando os públicos que se consideram conservador para não entrar na mesma demagogia das coisas que eles odeiam, dos mesmos fake news, das mesmas ampliações, exageros.

Demagogia, genocídio e educação do voto (40:54)

Cristiane Brasil: [42:05] Experiência. Teria que haver uma educação para isso, e é uma coisa que só o tempo, só o tempo resolve. Só a educação, um povo educado consegue efetivamente ter consciência da importância do seu voto, da importância de escolher realmente gestores preparados, pessoas que são coerentes com as suas ideias, que têm um projeto de governo. Mas as pessoas não entendem nem o que faz um político, não sabem o que faz um vereador, um deputado, um senador, um deputado estadual. Muitas dizem: 'Não, votei consciente, eu sei o que estou fazendo', mas de fato vendem o seu voto por R$200. Não vou dizer o que ele vai fazer com os R$200, pode ser que encha a despensa da casa de comida, mas pode ser também que essa pessoa saia dali da urna eleitoral e vá para a praia beber com os amigos. Vai vender o seu voto.

Eron Falbo: [43:16] Esse Luiz Fernando Batilha não vai ser para beber, não, porque parece que ele tem um medo enorme de álcool. Ele está falando que ele está bêbado.

Cristiane Brasil: [43:27] Estou vendo uma série coreana, que parece uma novelinha, que gira em torno de um casal de protagonistas bem novinhos. O menino é um corredor da seleção coreana, porque na Coreia, isso me lembrou aqui para falar do álcool, só para dar esse exemplo: na Coreia, para sobressair na sociedade, eles não têm muitas opções. Então o esporte lá é muito valorizado, Eron. Então aqueles jovenzinhos todos fazem de tudo para terem êxito, sucesso em algum esporte, porque é a única chance de ascensão social que eles têm. Mas um deles, o mais bonitinho, mais gente boa, mais fofinho, é filho de um deputado federal de quarto mandato, é a família, nossa, perfeita. E aí tem o menino, tem a filha, que também é campeã mundial de golfe, tem a mãe, que é uma artista famosa do cinema, e ele, o deputado, que está querendo ser presidente do país. Eles, sem brincadeira, já tem uns 12 capítulos que eu estou vendo. É bonito de você ver, por exemplo, o respeito dos mais jovens pelos mais velhos. É bonito de você ver a relação entre eles. Tem 12 capítulos e só deram a mão, não deram nem um beijinho, nada. Igual assim, no Brasil já tá aquela... tá na novela, já tá na cama se atracando, já tá... Não existe isso lá. Falei: gente, será que até o final dessa novela, dessa série, que são 16 capítulos e cada capítulo é de uma hora, blá, blá, blá. Mas o mais interessante é a questão do álcool. Álcool pode. Os protagonistas bebem nos capítulos, ficam bêbados e ninguém fala nada. Nem o Luiz Fernando Batilha ia falar nada, entendeu? Porque lá os protagonistas bebem mesmo. Queria ver se fosse no Brasil, ia ter essa patrulha, igual o Luiz Fernando aí, patrulhando a gente, tomando um rolinho aqui enquanto bebe, enquanto faz a entrevista. Lá não tem isso, não.

Série coreana, disciplina e autocontrole (43:42)

Eron Falbo: [45:49] Luiz Fernando, eu te indico um livro que você nunca deve ter ouvido falar, chamado Banquete de Platão, onde o protagonista... Alcibíades, na verdade o protagonista é Sócrates, mas o segundo protagonista, Alcibíades, faz um discurso no final falando que Sócrates é a pessoa mais iluminada do planeta por causa do autocontrole que ele tem. E ele diz o seguinte: que vai ter autocontrole se a gente foge de todas as possibilidades de não ter controle da vida. Então, o que acontece? No final desse livro, o Banquete de Platão, Sócrates bebeu mais do que todo mundo. Todo mundo está numa mesa conversando sobre filosofia da mais alta e mais divina possível. Sócrates é o único que se mantém acordado, todo mundo dormiu. E lá pelas oito horas da manhã, não sei bem qual era o horário, acho que eles não tinham relógio, Sócrates vai fazer os afazeres dele do dia, as obrigações dele do dia. Vai para o mercado, vai pagar os funcionários, e ele bebeu mais que todo mundo, não dormiu e tem a força maior que todo mundo. Então, a gente não deve ser julgado...

Cristiane Brasil: [47:12] Repete o nome, o pessoal quer saber o nome do livro.

Eron Falbo: [47:15] É o Banquete de Platão.

Cristiane Brasil: [47:17] O Banquete de Platão. E a série que eu tô vendo, assim... eu mataria a protagonista, porque ela é muito chata. Nossa, ela perturba o coitadinho, tão bonzinho, o menininho, a gente se apaixona por ele. Mas chama 'Na Direção do Amor', em inglês é 'Run On'. É na direção do amor. Gente, muito legal, quem gosta de ver sobre culturas diferentes, como eles têm inflexões na voz para tratar pessoas diferentes. Tem quase castas lá: se você é pobre, não tem influência, não tem dinheiro, não tem parente rico, você tem que falar, tipo, se colocando no seu lugar. Se você é o irmão mais novo, você não pode se dirigir ao seu irmão mais velho de uma maneira desrespeitosa, entendeu? Senão, inclusive, ele pode te bater fisicamente.

Eron Falbo: [48:12] Lá?

Cristiane Brasil: [48:15] Agressões físicas são permitidas e, inclusive, assim... o filme gira em torno da raiva, não digo, mas indignação do protagonista com relação a essas agressões físicas dentro do esporte: de treinador para treinandos, para atletas, e de atletas mais velhos para atletas iniciantes, entendeu? Então super vale a pena, super recomendo, porque é legal saber esse aspecto.

Eron Falbo: [48:49] Acabou nosso horário, mas eu vou... Você pode fazer seus avisos para o QI também, eu vou terminar com uma historinha que eu vi, que é sobre isso que você está falando, acho que resume muito do que a gente está falando também. Tem uma história de um grande rabino, o rabino Dessler, com a filha dele, não lembro o nome dela, que certo dia fez uma coisa que era claramente contra as regras da família, vamos dizer. Ah, não pode bater a porta, alguma coisa assim. E ele olhou pra ela, ela ficou com medo na hora que ele chegou perto dela, ele olhou pra ela e foi embora, não fez nada. Duas semanas depois, ele chegou perto dela e deu um tapão na cara dela. Ela olhou pra ele e entendeu exatamente pra que era o tapão. Foi por aquele momento, duas semanas antes, que ela fez uma merda. Caramba! O que ele não bateu na hora é porque ele não queria bater nela porque ele estava com raiva. Ele queria bater nela porque ela precisa aprender a não fazer aquela coisa de novo. Existe uma grande diferença entre abuso, bater nas pessoas porque você é um tirano abusivo, e bater na pessoa porque você ama a pessoa e não quer que ela cresça e seja uma pessoa inferior ao que ela pode ser. Então, acho que na nossa sociedade a gente se foca muito na agressão física ou não, mas o físico não importa. O que importa é por que você está fazendo aquela ação. Muitas pessoas poderiam se beneficiar, e muito, com mais rigidez, com mais disciplina, com mais, até realmente, agressões físicas. E claro que a gente chama agressão, já é pejorativo. Com o contato físico.

Cristiane Brasil: [50:46] Se depender do coreano, querido, realmente o contato físico é uma coisa muito extrema, porque até agora só pegou na mão, e olha lá. E a moça, meu Deus, é muito chata, não sei como aquele protagonista aguenta. Mas essa é só brincadeira, a gente já caminha aqui para o encerramento. Foi dizer com a pena: a gente pode falar mais vezes, tá? A gente pode falar de temas específicos. 'Fala, Cristiane, dessa vez vamos falar só sobre constituinte.' Aí eu vou pegar, vou perturbar o Luiz Felipe, vou falar: 'me passa aí o que você está fazendo'. Vou dar uma analisada e vou voltar, porque é um tema que eu adoro, tá? Direito Constitucional, toda a parte da Constituição, vou poder estudar realmente, porque vou estar me dedicando a isso. Tem gente que perguntou se eu tenho pretensões políticas. Não sei ainda, mas, cara, quem já foi político uma vez está sempre querendo fazer alguma coisa. Eu já estou inventando projeto social, eu já estou inventando em São Paulo. Eu quero treinar cuidadores comunitários para idosos, tipo, treinar gente na comunidade para cuidar de idoso que está acamado, que está isolado dentro da comunidade, entendeu? E... eu quero ver se eu consigo fazer isso com a tua ajuda, ou a ajuda de outras pessoas, porque é muita gente que precisa de ajuda, entendeu? E eu gosto é disso. Então, obrigado aí pelo seu convite. Eu quero dizer que eu vou assistir outras lives suas, inclusive com um teor denso, teórico, assim, filosófico. Eu falei: meu Deus, esse menino vai me pegar de jeito ali, mas eu não vou dar um olho pra ele, não. Inclusive, eu gosto de um tarôzinho também, entendeu? A gente podia falar de tarô. A Patrícia Piccolini falou: 'Ai, Cris, fala de tarô aí.' Mas deixa, a gente fica para a próxima.

Eron Falbo: [52:41] Vamos falar só de tarô ainda.

Cristiane Brasil: [52:43] Só de tarô. E a Patrícia participa aí também com a gente. Essa ideia é muito boa.

Eron Falbo: [52:49] Cristiane, você é muito lúcida, muito honesta. Dá para ver que você está aí correndo riscos ao falar o que você pensa, e isso eu acho admirável. Não deu tempo pra gente se conhecer profundamente, pra eu saber todos os seus pensamentos, mas tudo que eu vi hoje, eu subscrevo, assino embaixo. E tamo junto aí, vamos manter em contato, conversar mais, fazer mais lives. Muito obrigado por aceitar o convite.

Cristiane Brasil: [53:22] Foi maravilhoso. Eu quero fazer um elogio especial para todos da sua equipe. Que equipe profissional! Eu gosto de trabalhar com gente assim, que sabe tudo, sabe? Que vê, estuda o perfil da pessoa antes da entrevista, que se preocupa em pegar a foto que o entrevistado quer para fazer o cardzinho. Que te avisa antes. Gente, profissionalismo é tudo na vida. E você está de parabéns. Sua equipe é nota mil. Está aí todo mundo elogiado, hein? E você também. É nota mil, viu? Parabéns. Está todo mundo assim, né? Isso aí.

Eron Falbo: [54:00] Está até rolando champanhe. Obrigado, Cristiane. Obrigado a todos que nos ouviram. Beijo para todos. Vamos fazer uma nova Constituição. Tamo junto.

Cristiane Brasil: [54:14] Vamos sim. Um super beijo, amor. Fica com Deus. Deixa eu me acertar. Tchau.

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