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Eron Falbo: [0:00] Muito obrigado. No Alvo com o Eron Falbo. Muito obrigado.
Amanda Palma: [0:26] Tudo bem, Eron. Boa noite.
Eron Falbo: [0:29] Boa noite. Seja bem-vinda. Muito obrigado por aceitar o nosso convite.
Amanda Palma: [0:34] Obrigada a você.
Eron Falbo: [0:36] Muito bom que você está aqui. Eu conheço muito pouco de você. Cara, vai ser bom. A gente vai se conhecer ao vivo aqui. É uma coisa que o Larry King fazia. Às vezes eu faço, às vezes não. Mas os resultados são normalmente bons. Por curiosidade, né? A gente faz perguntas que realmente quer saber, às vezes é mais autêntico dessa forma. Você mora aqui no Rio ou não?
Amanda Palma: [1:07] A minha base hoje é no Rio de Janeiro, mas procurei criar uma realidade onde eu estou geograficamente livre. Então, eu gosto de estar sempre num lugar diferente. Claro que agora, com a pandemia, as coisas são diferentes. Mas eu já morei na Bélgica, já morei na França, já morei em Portugal. Eu tenho essa característica de gostar de estar sempre em movimento e procuro isso. E até, inclusive, a própria pandemia acabou me incentivando a trazer mais e mais a minha profissão para o digital. Então, hoje eu estou no Rio, é a minha base, mas eu já estou planejando o meu próximo lugar para eu estar sempre em movimento.
Eron Falbo: [1:50] O que te incentivou a começar a procurar essa vida flexível?
Amanda Palma: [2:00] Olha, desde que eu tenho 17 anos, eu gosto muito de viajar. Já com 17 anos, eu fiz a minha primeira viagem longa, de dois meses, sozinha. Sempre viajei sozinha. Sempre me atraiu mesmo essa questão de ir, de conhecer o outro, de estar vivendo a vida do outro. Então acho que até isso acabou me levando a ser documentarista. Então é uma coisa natural minha, não foi uma coisa que eu busquei. É uma coisa que eu não consigo evitar, assim. Eu gosto muito de estar em movimento.
Eron Falbo: [2:35] Legal. Só pra você me conhecer também um pouquinho e a gente conversar um pouquinho. Eu era meio assim, né. Até casar, eu casei com uns 31 anos, mais ou menos, e hoje eu não sou mais casado, mas eu tive dois filhos, aí fica um pouco mais difícil de ser nômade dessa forma. Mas, até então... Você vê que a gente tem coisa em comum, eu já morei em mais de sete países, acho que, se não me engano, 17 cidades diferentes, não sei exatamente agora, e vivi assim também desde os 16 anos, então... Na verdade, desde os
Amanda Palma: [3:14] 6 anos, então.
Eron Falbo: [3:22] Assim, é muito legal. Eu compartilho desse espírito também. Eu entendo exatamente de onde vem. A gente tá junto nessa. Até uma pergunta, assim, só por curiosidade, porque eu falei, mencionei, by the way, essa coisa de ter família. E a questão de família pra você, você nunca pensou isso em termos de... porque tem partes muito boas da vida do nômade, só que tem alguns sacrifícios em termos de coisas que você tem que se comprometer. Por exemplo, eu estudava piano quando eu era mais novo. Eu nunca aprofundei muito no piano, porque piano não dá pra carregar pra todos os lugares, entendeu? Tem algumas coisas que não dá pra fazer. Você pensa assim? Quais são as coisas que você sente falta?
Amanda Palma: [4:10] É, eu acho que assim... nossa, o Fábio tá dizendo que já morou no trem do circo. Fábio, depois me conta essa história. Meu Deus, como assim? Eu amo o circo, eu sou muito curiosa com a vida no circo, é algo que eu ainda queria documentar. Eu acho que é assim, Eron: tudo tem o seu lado positivo e o seu lado não tão positivo, né? Então, tudo são escolhas. Realmente, a escolha que eu fiz foi: eu tenho que desapegar muito da quantidade de coisas. Então, até por isso, eu tô com um projeto, né, que se chama Curadoria Nômade, que eu gosto de trazer coisas das viagens, especialmente quando eu vou... Eu vou muito pra lugares do interior do Brasil, pro interior do interior, vou pra aldeia indígena. Então eu gosto de trazer coisas naturais da nossa terra, né, óleo de babaçu, as coisas da nossa terra, joias indígenas. Eu gosto de comprar até para estimular a nossa economia local. Então, eu estou com um projeto de curadoria nômade, que eu vou ter um espaço físico aqui em Copacabana, dentro de uma loja chamada AZ Sustentabilidade, que é uma loja só de coisas sustentáveis, de produtos sustentáveis, para justamente poder estar fazendo esse giro: trazendo as coisas e vendendo ali. Quanto à minha profissão, hoje eu já tenho o meu esquema, que é a minha produtora que anda comigo, né. É o meu computador. Eu procuro sempre ter o melhor que eu puder ter. Então, eu tenho o melhor computador pra trabalhar, o melhor celular, o melhor equipamento. E eu tenho exatamente aquilo que eu preciso. Claro que eu fico sonhando com outras coisas. Uma hora eu queria aprender a usar um drone e carregar um drone comigo também, pra fazer imagens aéreas. Mas tudo de pouquinho em pouquinho. O que eu preciso hoje pra trabalhar é a minha câmera, meu celular, computador e os meus equipamentos, e assim eu vou: livre, leve e solta.
Eron Falbo: [6:24] Você foi influenciada de alguma forma pelo Tim Ferriss? Porque me lembra muito o Tim Ferriss, esse espírito, sabe, da semana de trabalho de quatro horas, esse livro?
Amanda Palma: [6:37] Eu vi, inclusive, eu tava vendo nos teus stories a capa dele, mas eu não li esse livro. Eu fui influenciada bastante pela literatura beat, Kerouac. Eu fui bastante... Kerouac nasceu
Eron Falbo: [6:53] Foi minha primeira grande influência, ele nasceu no mesmo dia que eu.
Amanda Palma: [6:57] Ah, é?
Eron Falbo: [6:58] É, ele foi. E eu já escrevi um romance beat também, não acabei lançando, mas eu tenho o romance.
Amanda Palma: [7:05] Ah, lança! Lança, lança. Então, pra falar a verdade, o On the Road eu não sou tão fã. Mas o Vagabundos Iluminados, Vagabundos do Dharma, né, em inglês, me influenciou muito. Não só pela questão da viagem, mas também pela questão dessa cultura budista, que também foi uma coisa que eu me adentrei muito com a yoga. Então, dentro dessas minhas viagens, eu já morei em um templo Hare Krishna, no Reino Unido. Já fiquei um tempo, assim, tendo uma viagem espiritual.
Eron Falbo: [7:37] Do Ginsberg. O Allen Ginsberg.
Amanda Palma: [7:41] Sim, sim, gosto também. E tem um personagem que, agora eu esqueci o nome dele na vida real, que ele é o... Não sei se você já leu Os Vagabundos Iluminados?
Eron Falbo: [7:50] Qual o nome dele no livro?
Amanda Palma: [7:53] No Vagabundos Iluminados? É o Jeppe. Agora eu esqueci o nome dele na vida real, mas também é um poeta beat, e é um personagem que eu adoro também. Fui dar uma pesquisada nele e gosto também bastante. Mas assim, foi uma fase que foi bastante influenciada por essa literatura. E eu acho que, nesse sentido, foi a grande influência. Esse livro do quatro horas de trabalho por semana, acho que é, né? Quatro dias por semana. Eu nunca li.
Eron Falbo: [8:25] Esse livro é um livro que, cara, você deveria ler. Porque é desse seu... eu digo seu porque eu meio que abandonei esse barco... desse seu estilo de vida, é talvez a coisa mais popular que existe hoje em dia. Então é legal você até ficar, ah, vou ler, porque é totalmente na mesma frequência, né? E ele promove que as pessoas comecem a viver mais assim, comecem a trabalhar menos, ficarem mais flexíveis, menos dependentes das coisas, usarem coisas mais baratas e melhores, e viver com luxo, mas sem gastar, entendeu? Tipo, vivendo pelo mundo inteiro. E ele dá um monte de dicas muito interessantes. Eu mesmo, inclusive, apesar de não estar tão assim nesse estilo de vida, mudei totalmente a minha perspectiva, né? Que eu tava muito nessa coisa de trabalhar 20 horas por dia e, pô, tem que trabalhar mais pra poder ganhar mais dinheiro, não sei o quê. Aí depois virou meu objetivo trabalhar menos e ganhar mais e viver com mais qualidade de vida. Aí eu comecei a fazer mais aulas, mais passinhos e coisas do tipo, e dar valor a isso, porque afinal a gente tá nessa vida pra viver, né? Isso deveria ser uma prioridade, né? O trabalho é um meio, não é um fim. Eu acho que a nossa sociedade vê o trabalho muito como, tipo, a coisa central da minha vida, o trabalho. Se você não tá trabalhando, você fica até deprimido, né? Eu não tô falando... óbvio que se você tá desempregado, é uma merda. Eu tô falando, é a mentalidade mesmo. E tem muitos países...
Amanda Palma: [10:17] Eu acho que tem uma cultura que assim... ai, se a pessoa não tá visivelmente estressada, correndo, é como se ela não estivesse trabalhando, né. Ai, nossa, essa pessoa... ah, tá vivendo numa boa, né, não tá estressada, não tá trabalhando. Não, se eu tô trabalhando de uma forma inteligente, eu trabalho muito. Eu começo a trabalhar às seis da manhã, porque eu já começo o dia com uma sala lá no Clubhouse, então eu também sou comunicadora, assim como você, né, eu sou comunicadora também. Eu passei a assumir esse papel num determinado momento, entendi que não posso só ficar atrás da câmera. Pra eu vender meus projetos, pra eu fazer a minha roda girar, eu preciso estar na frente da câmera, as pessoas precisam me conhecer. Então, às seis da manhã, eu já tô trabalhando, porque eu já tô no Clubhouse, numa sala sobre hábitos matinais, que é um dos meus pilares de vida, assim, a questão da yoga, da disciplina e tal. Então, eu começo a trabalhar às seis da manhã, e amo trabalhar, adoro trabalhar. Mas assim, se eu quiser tirar meu cochilo... se amanhã eu tô trabalhando, né... não vou dar spoiler, mas se amanhã eu tô trabalhando numa vila paradisíaca, lá no meio da floresta, tô bem também. A questão, eu acho que fica meio essa cultura de... ai, que todo mundo tem que estar estressado, triste, louco, atrás do trabalho. E não, acho que a gente tem que fazer o trabalho trabalhar por nós, né, o dinheiro trabalhar por nós, e não a gente ser escravo do dinheiro o tempo todo.
Eron Falbo: [11:53] Vou dar um exemplo que aconteceu na minha vida. Depois que eu mudei essa mentalidade, é bizarro como a gente não vê o que a gente não está preparado para ver, ou que a gente talvez não se permite ver, não se programa de uma certa maneira que abre os portais da percepção para a gente poder enxergar certas coisas. Eu vivia atrás de um emprego melhor para poder me pagar mais, para poder ganhar uma promoção e conquistar os meus sonhos, etc. E eu fui economizando, ganhando dinheiro, etc. Aí, quando eu voltei para o Brasil... eu morei em Israel, morei três anos em Israel. Voltei para o Brasil, fiquei desesperado buscando um emprego, porque eu precisava ter dois filhos para sustentar, precisava ganhar tanto. E deixei as minhas finanças, porque eu sou consultor financeiro, então eu sei cuidar das minhas finanças e tudo mais, mas eu deixei lá porque eu estava numa lombra de buscar emprego, obcecado com isso. Aí fui e achei um emprego super errado pra mim, não deu certo. Durante aquele tempo, eu conseguia aquele salário que eu precisava desesperadamente. Aí, do nada, rolou o apocalipse, a pandemia. E eu falei, cara, agora eu não vou conseguir, porque o mercado financeiro foi destruído. Eu tive essa oportunidade de, porra, não vou conseguir emprego agora, o que vai acontecer? Aí eu respiro, medito, aquela parada toda, e o que vai acontecer agora? O que eu vou fazer? E eu comecei a olhar pra minha vida e falar o que eu acredito mesmo. Eu lembrei do Four Hour Work Week, a semana de quatro horas de trabalho, esse nome em português é uma loucura. E eu pensei, o que eu quero fazer? E eu comecei a olhar para as minhas finanças e remanejar os meus investimentos e tudo, e eu percebi que já fazia uns três anos que eu podia viver de renda passiva. E eu não estava vivendo de renda passiva porque eu não remanejei minhas finanças agora, porque eu estava obcecado com procurar um trabalho e tudo mais. Aí, o que aconteceu? Eu movi os palitinhos e comecei esse programa que eu estou fazendo agora, porque eu tinha dinheiro para poder fazer isso e nunca tinha feito isso, que é a minha autorrealização. É isso que eu quero fazer da vida, tipo, conhecer pessoas interessantes como você, conversar, aprender, entendeu? Crescer. E eu tava lá, pô, buscando trabalhos que não tinham nada a ver comigo, sem precisar. Isso é uma loucura, cara. E óbvio que muita gente precisa, entendeu? Eu não tô, tipo, fazendo aquela coisa de coaching, tipo, de...
Amanda Palma: [14:49] Sabe?
Eron Falbo: [14:50] Lei da atração, ok? Pô, tem verdade e tem exagero. Mas o que eu tô dizendo é que, às vezes, a gente pode parar um pouquinho e repensar o que a gente realmente quer da vida. E, às vezes, a gente tem muito mais recursos do que a gente acha que tem, se a gente tiver coragem de olhar pra nossa vida com os olhos, assim, honestos.
Amanda Palma: [15:15] Com certeza.
Eron Falbo: [15:18] Então, é isso. E como é que você atingiu essa capacidade? Porque isso eu acho que é uma pergunta pra muitas pessoas, pessoas que estão nos ouvindo: como é que a gente chega nisso, né? Como é que a gente chega nessa liberdade interna e até física? Como é que você alcança um estado de organização, de liberdade mental, de tudo isso, pra poder se dar esse direito de viajar, de tudo mais.
Amanda Palma: [15:47] Como é que foi isso? É um processo, né, Eron? Porque assim, as pessoas acham estranho, as pessoas no início não compreendem. Então, por exemplo, hoje eu converso com o meu pai, assim, ele fala: nossa, Amanda, hoje eu entendo você. Porque tá tudo se encaixando. Porque no início nem eu sabia o que eu tava fazendo. Eu tava viajando, eu tava perdida, e quantos perrengues eu já não passei, assim, perrengues reais que eu já passei, de estar sozinha na estrada, assim, sem celular, pegando em outro país, carregando um monte de coisa pesada, com as minhas costas doendo, sem saber direito. Eu já passei por muitas situações dessas, e já passei por situações de escassez sozinha, e perigos que ninguém nem sabe, que eu nem falo, é... deixa pra lá. Mas enfim, eu tive que passar por essas situações pra entender justamente o que você tá falando: qual é o meu propósito na vida? Como é que, de fato, eu posso servir pra minha sociedade, ser útil? E também ter o meu retorno, não ficar só dando, dando, dando. Às vezes a gente pode ficar numa fase, eu já passei por essa fase de ficar só dando, eu vou ficar só dando, dando, dando, dando. Mas eu também preciso garantir o meu conforto. E pra mim foi através do empreendedorismo. Então eu empreendo de diversas formas. Uma das formas principais é através do meu produto online, que é o Clube das Heroínas, que é a Jornada das Heroínas, que é uma jornada de autoconhecimento onde a gente prepara empreendedoras, pra que a gente ajude as empreendedoras a produzirem seu próprio conteúdo, a se comunicarem na internet com autenticidade, a venderem seus produtos, porque isso está sendo essencial nesse momento, que as pessoas saibam que estão aqui, utilizando essa ferramenta pra se autopromover, pra vender, pra continuar com a sua vida, especialmente agora na pandemia. E os produtos físicos, eu acho que isso é uma combinação pra mim que me garante, hoje tá me garantindo essa possibilidade, que vai ser através dessa loja física que eu tô montando em Copacabana, dentro de uma loja, um espaço dentro de uma loja. E fora isso... Você vai cuidar da...
Eron Falbo: [18:05] Loja física e continuar viajando e tudo mais?
Amanda Palma: [18:08] É, porque é dentro de uma loja que já tem esse propósito de ter estandes de diversos criadores, artistas, então ela vai fazer parte de um todo. Então, justamente, o meu papel vai ser promover e trazer os produtos de onde eu estiver. Então, o meu próximo destino, não vou dar spoiler, mas daqui a um tempo eu vou pra um outro lugar, e aí eu vou trazer desse lugar os produtos naturais que eu encontrar por lá. Então o meu trabalho vai ser estar sempre trazendo novidades lá pro espaço e alimentando a minha marca, né. Hoje eu considero... a minha marca, eu considero o meu perfil aqui no Instagram muito mais do que um perfil pessoal meu de amizades, claro que também tem, mas eu considero que é a minha marca. Então eu tô sempre alimentando a minha marca com o meu estilo de vida, com aquilo que eu acredito. E eu, de fato, sou essa pessoa. Eu sou essa pessoa que acorda pra meditar. Eu sou a pessoa que só usa produto natural, só uso maquiagem natural quando eu uso.
Eron Falbo: [19:11] Eu queria entender melhor o que é essa curadoria, quais são os produtos, qual é a sua marca. Vamos entrar nisso.
Amanda Palma: [19:21] Vamos. Bom, então o espaço vai se chamar Espaço Toda Natural, dentro dessa loja chamada AZ Sustentabilidade. E essa primeira coleção que eu vou lançar é inspirada no Maranhão, que foi a minha última moradia fixa fora do Rio de Janeiro. Quer dizer, eu passei pelo Rio Grande do Sul, mas foi mais por uma questão familiar, estar junto com a minha família. E essa é uma coleção inspirada no Maranhão. Então tem as minhas roupas de viagem, roupas que eu adquiri lá, que são da cultura maranhense, roupas de danças maranhenses, e também objetos. Então, objetos da cultura indígena, objetos que eu fui recolhendo lá durante essa viagem, e algumas coisas de outros produtores locais também que eu comprei. Então são roupas e objetos.
Eron Falbo: [20:14] Os objetos que você encontra dentro das suas viagens exóticas, vamos dizer, que são difíceis de encontrar, que são únicos, porque não são feitos industrialmente, e você vai trazer aqui pro cara que não tem coragem de ir pros lugares que você vai.
Amanda Palma: [20:32] É isso. E não só isso também. A minha ideia é, futuramente, eu já estou pesquisando alguns fornecedores, pra eu trazer também produtoras locais, de produtos naturais mesmo. Então, produtos que são feitos com carinho pelas pessoas, produtos de beleza, cosmética, de saúde dental também, que eu uso, meus produtos de saúde dental são todos naturais. Então eu também quero ter esse espaço de beleza feito naturalmente, não por mim, porque eu não tenho como produzir, eu não tenho mais como colocar mais essa agenda dentro do meu trabalho. Então a minha ideia é ser uma promotora de quem já faz isso, de quem já cria esses produtos e está vendendo.
Eron Falbo: [21:26] Esses produtos, eu imagino que existem, porque os indígenas, os indianos também usam isso, as sociedades antigas, os romanos antigos tinham certas ervas e coisas, mas isso hoje em dia tem muito... eu não tenho a mínima ideia dessa cena, só pra você nos dizer um pouquinho sobre esse mundo.
Amanda Palma: [21:51] Então, o meu princípio dentro de tudo isso, dentro da minha busca pela saúde, porque é isso que me move... o meu pilar, quando de fato eu resolvi: vou mudar minha vida, foi através da busca pela minha saúde, sabe, Eron? Foi através de uma busca pela minha saúde. Eu entendi que eu não queria continuar me tratando da maneira que eu tava me tratando. Eu queria ter mais saúde, eu queria ter mais disposição. E o meu despertar foi através da ioga, e através da ioga veio a medicina ayurvédica, que é uma medicina, como você diz, uma medicina originária, né, uma medicina ancestral, assim como a gente tem aqui as medicinas indígenas. Só que a diferença é que a medicina ayurvédica está toda escrita, documentada, enquanto que aqui, a nossa medicina indígena, agora que tá sendo feito os trabalhos de escrita, de documentação, de livros, porque a nossa cultura originária é uma cultura ágrafa, é cultura oral. Então a medicina indiana está toda documentada. E eu sinto que no Brasil, pelo que eu acompanho das pessoas, houve, de uns anos pra cá, assim como eu, muitas pessoas que despertaram pra se tratar de forma natural, pra ter a sua saúde de forma mais natural. E eu sinto que existe cada vez mais uma preocupação com isso. Eu realmente, assim como você estava falando do trabalho e do dinheiro ser uma coisa central na vida das pessoas, eu, num dado momento, coloquei a minha saúde em primeiro lugar. Então, com isso, eu acabei mudando o meu estilo de vida, eu acabei não aceitando mais determinados trabalhos, até as minhas amizades mudaram, porque eu comecei a entender que eu queria ter saúde na minha vida, e pra isso eu precisava mudar meus hábitos. Eu comecei a mudar meus hábitos radicalmente. Então isso fez com que muitas coisas mudassem. Mas foi a partir da medicina ayurvédica, que é a medicina indiana, como você falou, que aí tem, né, esses elementos: é gengibre, todo mundo tá falando do tal do shot matinal, a cúrcuma, o gengibre, ele vem da medicina ayurvédica.
Eron Falbo: [24:05] Qual é esse shot matinal? Eu tenho o shot matinal do Tony Robbins.
Amanda Palma: [24:07] Como é que é o shot dele?
Eron Falbo: [24:11] Que hoje em dia eu nem sou eu que faço, mas tinha vitamina B3, greens powder, que são vegetais em pó.
Amanda Palma: [24:29] Ah, não conheço.
Eron Falbo: [24:31] Você toma um shot que tem algumas coisas que você precisa, e eu não lembro agora quais são.
Amanda Palma: [24:44] Vou procurar o shot do Tony Robbins, vou ver qual é. O meu é bem simples, o meu é bem simples.
Eron Falbo: [24:49] Eu tenho minhas anotações, eu posso até te mandar depois. Postar no Stories pra todo mundo ver.
Amanda Palma: [24:58] Possa, possa. É legal, você tá influenciando as pessoas positivamente. O meu shot é bem simples, ele é limão, cúrcuma, né, que é o açafrão em pó. Compra em qualquer feira, qualquer loja de produtos a granel. Gengibre em pó, pode ser fresco, mas é mais fácil em pó. Mistura, assim. E aí, às vezes, eu coloco ou mel ou própolis. No momento, eu tô botando própolis. E preencho com água e tá. Primeira coisa de manhã. Aí, depois, eu vou fazer meu exercício, vou correr, vou dar de planta, vou caminhar, o que tiver ao meu alcance. Aí, eu volto e começo meu dia. E é assim.
Eron Falbo: [25:39] Eu faço jejum intermitente também. Então, a única coisa de manhã que eu mais ou menos me alimento é esse shot, depois só almoço de tarde. Mas, pô, eu tenho uma energia maravilhosa de manhã, graças a Deus. Meditação, né?
Amanda Palma: [25:54] Você também acorda cedo?
Eron Falbo: [25:56] Não, infelizmente não. Na época que eu era o mais feliz da minha vida, eu acordava quase cedo, né? Todos os dias. Mas eu tô... Porque, assim, ano passado eu divorciei e... Não sei se você sabe como é que é isso, mas depois de cinco.
Amanda Palma: [26:14] Anos casado... Sei não.
Eron Falbo: [26:16] Você vira adolescente de novo durante o tempo. Eu tô um pouco nessa... Como é que chama? Nessa aurora aí de uma nova vida que eu ainda não sei qual que vai ser. Mas por enquanto eu tô dormindo um pouco tarde, né? Acordando tarde. Mas eu não sou totalmente adolescente. É aquela adolescência 2.0, entendeu? Eu acordo, sei lá, 8 da manhã, eu jogo tênis, corro na praia, aquela coisa de acordar uma hora da tarde. Mas o que eu mais gosto é realmente acordar às 4, 4 e meia da manhã. E você acorda que hora?
Amanda Palma: [27:02] Eu acordo às 5 e meia. 4h30 já acho um pouco demais, eu não consigo. E assim, não é que é uma coisa fácil e não é que é uma coisa natural pra mim, assim. Justamente, quando começou, estourou a pandemia, eu comecei a abrir todos os dias a live aqui no Instagram e fazer uma prática de yoga às sete da manhã. E não era nem... era por mim, pelas outras pessoas, mas mais pra eu me disciplinar. Pra eu saber que eu tinha aquele compromisso com as pessoas. Aí já tinha umas pessoas que estavam acostumadas a me ver ali às sete horas da manhã, todos os dias. Pra gente se alongar, respirar, né. Que nem você falou, respira. Você falava, respira, vamos respirar. Então, isso foi muito legal, assim. Porque eu ganhei uma disciplina. Eu tendo compromisso com o outro me dá muita disciplina. Às vezes, mais do que eu comigo mesma. Então, por isso também que eu acabei criando a sala do Clubhouse, que eu sei que eu tenho que estar lá às seis da manhã, bem bela, plena, pra falar com as pessoas. Então eu sei que eu tenho que acordar um pouco antes. Então isso me motiva muito. E tá sendo fantástico, assim, essa experiência.
Eron Falbo: [28:08] Eu vou mandar um assunto, que eu acho que você vai ter muito que contribuir. Que é o seguinte, eu acho que muita gente se ilude, vamos dizer, não consegue se disciplinar, não consegue adotar novas coisas na vida, etc. Porque a gente tem uma ilusão que vem do ego, eu acho, que a gente está muito mais no controle do que a gente está. Então, por exemplo, a gente acha, pô, e se eu não estou acordando tal horário? Porque aí a gente cria racionalização, porque na verdade não é muito importante para mim, etc. Mas, na verdade, a gente tem uma constatação de coisas que regem na nossa vida, como os amigos que a gente está frequentando, os lugares, o tipo de filme que a gente está vendo, o tipo de música. Tem um milhão de fatores que estão influenciando, que ditam praticamente, né, como se a gente fosse fantoche, tem várias cordinhas assim, que estão editando os nossos hábitos. E se a gente abdicar dessa ilusão do controle, a gente começa a hackear o nosso próprio sistema. Então fala, já que eu sei, tipo assim, pô, tal amigo, toda vez que eu vejo ele, para pra pensar, porra, toda vez que eu vejo ele, eu vou dormir seis horas da manhã, porque o cara é um enabler, né, me leva pra tais coisas, etc. Aí você fala, caraca, é um hack. É só eu meio que dar um tempo desse cara, vamos ver se eu consigo acordar cedo. Aí você dá um tempo desse seu amigo e você vê, caraca, que coisa. Eu não tava tanto no controle assim, era só aquele fator que tava me levando a fazer outra coisa. Mas eu acho que o cerne disso é você entender que você não tá no controle tanto quanto você acha que você tá. Tem uma série de coisas que você tem que antecipar, né, pra você se enganar, né? Enganar seu sistema. Tipo assim, porra, tem que beber mais água. Cara, põe garrafas de água espalhadas pela casa, sacou? Você não vai ter a disciplina de lembrar, de beber água. Pô, põe a porra... Tipo, vou ter que ir pra geladeira. Não, vou lembrar. Eu sou disciplinado, vou lembrar. Eu vou sempre me hidratar mais. Não, você não vai, cara. Se você tem programa de hidratação, hackeia. Põe um garrafão de água em todo lugar, espalhado. Põe alarme no celular, entendeu? Tem que se tratar como um idiota. As pessoas acham que são muito inteligentes. Mas se você se tratar como um idiota, você vai virar muito inteligente.
Amanda Palma: [30:40] Ai, Eron, eu adorei esse teu jeito de explicar as coisas de uma forma muito única. E eu concordo, eu acho que assim, muitas vezes as pessoas falam assim... Ai, não, imagina, eu tomo 500ml de água e pra mim tá ótimo, tá super bom. Eu digo assim, mas você já experimentou tomar dois litros? Então a gente tem que experimentar, a gente tem que experimentar. A gente tem que experimentar as coisas pra saber se funciona pra nós ou não. Então, quando eu experimentei determinadas coisas relacionadas à minha alimentação, relacionadas a chás, a ervas, e não por um dia, por mais dias, foi que eu comecei a ver que eu estava fazendo as coisas erradas e que eu devia mudar. Uma coisa que eu fazia que era meio cultural. Eu acho que isso que você tá falando são questões culturais. Eu fui levada a acreditar, porque eu sou alta, né, assim, mega alta. Mas assim, eu sou uma mulher grande, assim, não sou, assim, aquela minhonzinha. Eu achava que eu precisava comer, assim, absurdamente, pra eu ficar em pé. Eu achava, assim. Eu era daquela, assim... Sabe aquela famosa que dá o prejuízo no buffet? Eu era a famosa, tipo assim. E eu era a famosa na minha família. A famosa que fica de mau humor quando tá com fome. Então todo mundo já sabia, assim. Ai, Jesus, Amanda que vai ficar com fome, dá uma comida ali pra ela. E eu percebi, estudando sobre o corpo, que eu comia demais. Que eu não precisava comer tudo aquilo. Apesar de eu não engordar, assim, porque não é da natureza do meu corpo. Eu tava comendo demais, eu não precisava. E eu fiquei um mês lá, comendo menos. Fazendo o maior esforço pra depois entender que era melhor pra mim. E aquilo depois se acostumou. Hoje em dia, eu já tenho uma relação mais normal com a comida. Eu tinha isso de... Meu Deus, preciso comer, preciso comer, preciso comer, preciso comer. Então, se eu não tivesse experimentado isso, se eu tivesse dito... Não, meu corpo funciona assim. Eu ia estar até hoje com menos disposição, porque eu tinha muito menos disposição. E eu não sei se você sentiu isso, Eron, mas eu sinto agora... Eu tenho 32 anos. Eu me sinto agora muito melhor do que quando eu tinha 20 anos. Muito melhor. Muito mais disposição, muito mais energia, muito mais conhecimento acumulado. Então, assim...
Eron Falbo: [33:03] Até porque quando eu tinha 25 anos, eu era beatnik mesmo, assim. Eu só bebia todos os dias... Tem um livro do Jack Kerouac, eu acho que é... Como é que era? Satori in Paris. Já leu esse, não? Ele escreveu, acho que 28 dias da vida dele, que ele sobreviveu só de conhaque.
Amanda Palma: [33:25] É, tem caloria, né? Tem caloria, é possível.
Eron Falbo: [33:29] E assim, eu realmente vivi assim, dos meus 16 anos até os 27 anos. Eu era assim, cara, experimentando todo tipo de droga que você pode imaginar. Bebia quase todos os dias. E o bebendo era tipo garrafa de absinto, em Paris, sacou? Tipo, garrafa de absinto búlgaro de 89% de álcool, sacou? Garrafa inteira na mão, andando pelas ruas de Paris. Era uma parada, assim, super...
Amanda Palma: [34:01] É, é uma mistura de Bukowski com os Beats.
Eron Falbo: [34:08] Mas os Beats, o Jack Kerouac era assim mesmo. Ele era um alcoólatra.
Amanda Palma: [34:12] Eu nunca fui alcoólatra.
Eron Falbo: [34:13] Apesar de eu beber muito, eu parava durante um tempo, eu não tinha muita identificação também. Era mais uma parada de entrar na loucura mesmo, de não ter limites. Aí, depois disso... Pô, tá bem agora, né? Tipo, o Jack Kerouac, apesar de ter um gênio e tudo, ele não morreu feliz, ele foi um cara não saudável. Aí eu comecei a perceber isso. Aí, pô, eu quero ser uma pessoa feliz. Tanto que por isso que eu não publiquei meu livro. Uma das razões que eu não publiquei meu livro é que eu não queria entrar nessa onda das pessoas esperarem isso de mim, né? Porque esse meu livro, por exemplo, eu revelo coisas que, você sabe, a literatura beat, apesar de mudar os nomes, é tudo real, né? Tudo histórias reais. E esse meu romance é uma história real, tipo, coisas que eu fazia que se você ler, você fala, é possível que ele get away, é possível que alguém fez isso aí e sobreviveu. Que nem você falou, né? Tipo, já vivi coisas aí nas aberturas aí que ninguém acreditaria. Eu te vejo mais como... Allen Ginsberg era mais assim, era mais meditativa, mais budista, né? E ele foi, assim, com as ideias budistas, mas o Jack Kerouac era muito mais jazz. Quando você pega budismo e jazz, você tem o movimento beat. Só que a parte jazz era o Jack Kerouac, a parte budista.
Amanda Palma: [35:37] E eu sinto que o Kerouac, ele não chegou a se encontrar. Isso, pra mim, fica muito claro no Vagabundos Iluminados, assim. Tanto que eu gosto do livro, eu gosto dos personagens. Mas eu não me relaciono tanto com o Kerouac. O Kerouac, ele terminou a vida dele assim. Ele fez uma jornada e ele voltou pro mesmo lugar. Ele não terminou a vida dele feliz. Eu sinto que ele tinha um sofrimento muito grande que ele não conseguiu superar. E eu... Ai, a gente tá perguntando qual é o teu signo. Eu também fiquei curiosa. Eu sinto que respirar, a gente se sentir feliz, se sentir bem… Todos os dias, eu coloco… A partir da minha sala lá do Clubhouse, a gente fala as palavras do dia. E todos os dias, eu faço um post nos stories com as palavras que cada pessoa que sobe na sala fala, né. Então, tem muitas coisas, cada dia são palavras diferentes. E um dia vieram perguntar assim: Amanda, você... É real isso? Você se sente assim? Você sente essa felicidade? Você se sente dessa forma? Você sente isso? Sim, eu sinto. Eu me sinto todos os dias feliz. Eu acho uma bênção estar viva, eu agradeço estar viva. Eu acho que ainda mais agora, vivendo tudo isso que a gente tá vivendo. A gente acordar de manhã e poder respirar. Respirar. Esse é um dos grandes legados que eu quero passar para as pessoas. Respire, se alongue, tome água e gengibre. Gengibre é bom também.
Eron Falbo: [37:14] Vou falar uma coisa que mudou minha perspectiva. Eu acho que, se as pessoas pararem para pensar um pouco sobre isso, é fácil ser feliz até em momentos de muita dificuldade. Que é o seguinte, tipo: você venderia os seus olhos por quanto? Você viraria cega por quanto? Acho que todo mundo tem um número. Se não por 100 bilhões de dólares, talvez pela vida de outros, dos seus familiares. E se não por 100 bilhões de dólares, significa que você tem 100 bilhões de dólares aqui, entendeu? Porque, se você não vende seus olhos por 100 bilhões de dólares, você tem o valor de 100 bilhões de dólares aqui no seu corpo. E se você pensar na vida com essa perspectiva, você fala: caraca, eu tenho um valor. Tipo assim, tem gente que não tem a visão. Tem gente que ouve, no cérebro, e perdeu a visão. Mas hoje a gente tá aqui, a gente pode olhar o pôr do sol, a gente pode ver as pessoas, a gente pode viver com a simplicidade, ver a beleza da vida, as cores, o brilho, e isso vale no mínimo 100 milhões de dólares. É fantástico, isso pode te deixar feliz. Ao mesmo tempo, eu gosto de dizer, cara: a nossa geração, uma das coisas que eu acredito piamente, e pode botar no meme isso depois, é que a definição de decadência é igualar felicidade com conforto. Ou seja, tipo assim, muita gente hoje em dia acredita que, se você tá bem, você tá feliz, significa que você tá confortável. Tipo, se eu tenho uma casa legal, se eu tô confortável financeiramente, eu tô feliz, e coisa do tipo. E você, que passa por aventuras e tudo, sabe que às vezes, e na maioria das vezes, quando a gente tá menos confortável, é que bate aquela sensação da felicidade mais pura da vida, daquele êxtase da vida de verdade, como uma mãe parindo. Não existe coisa mais desconfortável, e não existe felicidade mais extática, do que dar à luz a um nenê. Eu acho que na nossa geração a gente precisa lembrar disso, porque todas as influências do mundo estão fazendo a gente acreditar que a gente precisa ter mais conforto, porque querem vender coisas pra gente. Então, pegando a nossa glândula mais preguiçosa, mas com aversão a dificuldades, com vontade de estar seguro e tudo mais. Então, alimentando com informação pra você comprar, comprar, comprar essa vida de facilidades, essa coisa toda. E a gente está perdendo nossa vida, porque as melhores coisas precisam estar desconfortáveis. Você precisa ser picado como um mosquito, você precisa... É, ficar ouvindo um idiota falar em outra língua por horas, até você conseguir entender que o ser humano não precisa de línguas pra se entender. Que é uma coisa que você só consegue entender se você passar por esse desconforto.
Amanda Palma: [40:38] Com certeza. Sem escala também, né? Eu vi nas suas fotos. E, nesse dia, você tava vendo... Tem um seriado sobre o pessoal que mora no Alasca. E tinha um personagem muito interessante lá, um seriado documental, que falou assim: a aventura, ela começa quando a gente já queria que ela tivesse acabado. Então a gente vai pra aventura, acha que o caminho vai ser esse. Daqui a pouco o caminho, ups, vai pra outro lugar. E é nesse momento que tudo dá errado. Você diz assim... Aí é onde o filho chora e a mãe não vê, né? Na escalada também. Que aí é onde a gente cresce. Onde a gente se depara com aquilo que não se depararia normalmente. Onde a gente tem que se desafiar. Então esse é o lugar do crescimento. Ah, e o pessoal tá perguntando aqui qual é o signo.
Eron Falbo: [41:31] Procura a data de aniversário do Jack Kerouac. Aí você coloca aí qual que é o signo.
Amanda Palma: [41:39] Depois eu procuro também.
Eron Falbo: [41:41] Porque hoje em dia é de novo aquela coisa do que a gente está comprando. Então, a gente está comprando, ao invés de buscar uma aventura, uma jornada do herói, a gente está comprando um pacote de aventura que alguém vendeu, que tem começo, meio e fim, e a gente sente um pouco de adrenalina. Só que isso não é a aventura. A aventura é quando a gente não planejou, é quando a coisa cresce e tá falando. Isso é o arco narrativo da nossa jornada de herói de verdade. É quando deu errado, entendeu? Quando afundou, a porta quebrou, eu caí da montanha. Aí, pode sair um pouco.
Amanda Palma: [42:21] Exatamente.
Eron Falbo: [42:23] Mas, só de ter isso, é uma aventura que dura alguns milésimos. Qualquer que seja, você tá caminhando, erra o caminho e o celular acaba a bateria. É aí que começa o Jornal da Aventura, meu irmão. Então não vamos buscar coisas enlatadas, vamos se abrir. Aí, acho que volto... Acho que é uma coisa que eu queria complementar do que você tava falando, que você tava falando de como você começou a buscar coisas diferentes, tipo mudar a rotina. Mas, anyway, o que eu queria adicionar a isso, eu não lembro exatamente se você falava, mas o que eu queria adicionar a isso é que a gente se identifica muito com quem a gente acha que é, sacou? Eu acho que o começo de mudar tudo é você rir de si mesmo, falar: pô, eu não sou quem eu acho que eu sou. É uma mentira, entendeu? Minha persona não é verdadeira. Então, cara, acorda um dia e veste uma roupa que você não vestiria, sacou? Veste uma roupa que eu tô vestindo? Chega, duvido. Porque eu duvido que eu mesmo vestiria essa roupa. Eu fui lá e olhei minhas roupas e falei: cara, o que que eu vou vestir lá? Pô, bicho, é um pote bizarro. Aí eu vesti, eu botei essa coisa aqui que eu nunca usei na vida, que é uma pernazinha de índio. É que você... Tá louco? Eu fui índio? Aí eu botei isso aqui e falei: pô, eu vou dar um trato pra um negócio de índio, nada a ver, entendeu? Mas é isso, é isso. Te corta, entendeu? Te corta o paradigma mental, corta a hipnose de quem você acha que é. Aí você se abre, abre um novo canal na sua existência pra uma novidade, pra você ser outra pessoa. Você concorda com isso? Como foi isso pra você quebrar isso? Porque, em algum momento, você concorda comigo, com o que eu tô falando, e, se sim, como foi esse momento de você cortar essa identidade?
Amanda Palma: [44:25] É, eu acho que a gente... A gente carrega muitas informações de criação, de mídia. E isso é uma coisa que bate muito forte também na mulher. E eu sei que eu trabalho com isso, com as mulheres, com as minhas alunas, com as minhas mentoradas, sobre como a mídia influencia a gente no que a gente acredita que é o nosso papel, no que a gente acredita que a gente deve fazer. Eu tenho um workshop que eu chamo de Cultura, Consumo e Representação, onde eu discorro sobre isso, sobre a questão de como a mulher é representada na mídia. E, se a gente for observar... Eu observava isso há uns anos atrás, hoje tá mudando um pouco, mas, se a gente observar as propagandas da TV, onde que a mulher está presente nas propagandas? Nas propagandas de limpeza, de dor de cabeça... Hoje já está tendo, eu acompanho esse movimento, mas antigamente raramente você tinha uma mulher dirigindo um carro, as propagandas de carro eram sempre com homens dirigindo. Então, a mídia, mais a nossa família, e tudo aquilo que vem de informação, vai construindo aquilo que a gente acredita e como a gente vê a realidade. No momento que a gente enxerga que a gente pode construir a realidade, que eu posso ser uma mega empresária, eu posso empreender da minha casa, eu posso ganhar dinheiro sendo artista, sim. Eu não preciso passar fome para ser artista, porque eu tenho outras maneiras de gerar renda que não seja só depender do edital.
Eron Falbo: [46:01] Como é que você se permite abrir a cabeça para começar a pensar assim?
Amanda Palma: [46:07] Eu acho que é você tendo consciência. Você tendo consciência de como as coisas funcionam. Então, tem uma aula que eu dou lá na Jornada das Heroínas que eu falo exatamente sobre isso. Eu digo assim: gente, 95% dos filmes, 95% das propagandas sobre mulheres são escritos e dirigidos por homens. Então, a gente tá querendo se encaixar num papel que foi escrito e dirigido por outras pessoas pra nós. E a gente pode ser aquilo que a gente quiser. Então, eu acho que a gente ter consciência de como funciona o sistema, de que a gente está dentro de um sistema, de um sistema de mídia que é muito forte, que é muito poderoso, e que eu, na minha opinião, aí eu vou trazer a minha questão filosófica pessoal, que eu acredito que tudo é inventado. Então, a economia é algo que é inventado, a política é inventada, alguém inventou. Alguém inventou que a gente come peru de Natal lá no Natal. Alguém inventou que bota passas no arroz. Alguém inventou. Por que eu não posso criar a minha receita do meu Natal? Por que eu não posso criar a minha data comemorativa? Hoje eu vou comemorar. Enfim, a gente pode criar, pode e deve criar a nossa realidade. Mas a gente é tão tolhida disso desde criança. Ai, não, não faz isso, não faz aquilo. Isso não é o seu papel, né? Isso não é o papel da mulher. Isso não é o seu papel. Que a gente fica, a gente se sente mal, a gente se sente vergonha, a gente se sente medo do que os outros vão pensar. Então, eu acho que ter consciência e buscar ser feliz. E começar a não ligar mais pro que os outros pensam. Porque isso tolhe muita gente.
Eron Falbo: [47:48] Essa parada que você falou até me lembra tribos indígenas. Porque tribos indígenas têm uma educação muito ancestral, tradicional. Eles têm papéis muito bem definidos e coisas do tipo. Eu acho assim, o jeito que eu vivo pessoalmente é assim, é tipo, customizando a minha existência, né? Tipo, eu coloco a minha vontade em tudo e ganho consciência, só que também acho que a nossa geração tá indo um pouco rápido demais, às vezes, em determinados momentos, nessa coisa de reinventar tudo, né? Porque existem certos códigos que estão sendo transmitidos muito conscientes, muito intuitivos, que a gente não entende completamente. Eu vou dar um exemplo que eu acho que é o mais óbvio na nossa cultura, que é o abandono total da religião. Eu sou um dos maiores críticos que existem de religião, só que o maior crítico do mundo é o Richard Dawkins, que odeia todas as religiões, que é um grande ateu, que é ativista também. Por quê? Porque, assim, para você chegar a um nível de maturidade de escolher o que você quer de diferentes religiões e fazer um conglomerado e seguir certas coisas, você tem que ter uma maturidade espiritual muito grande. Para grande parte das pessoas, o DNA de certas religiões está ensinando um monte de coisas que o Richard Dawkins nem imagina. Então, no momento que você pega uma religião inteira e joga pela janela, aí você está jogando fora o bom com o ruim. Tudo bem, tem pedofilia, tudo bem, tem exageros, tudo bem, tem indulgências, tem um monte de coisas, superstições, etc., que existem na religião, mas também existe um monte de coisa que está educando a sociedade que, se você jogar fora, a gente ainda não tem substituições para essas coisas, entendeu? Na ciência, na cultura, a gente ainda é muito primitivo em termos sociais, em termos morais. Na sociedade a gente vê isso, porque olha quem a gente tá elegendo, a gente tá escolhendo entre Bolsonaro e Lula, sacou? No século XXI, tem dois demagogos infantis, tipo ursinhos, que a gente tá discutindo na mesa de jantar quem é melhor, sacou? Nenhum dos dois é o melhor, cara. Não é possível que isso não seja óbvio para as pessoas, mas não é. E já que não é, cara, a gente ainda tem muita coisa para aprender e não dá para jogar fora e falar, pô, a gente está iluminado. E às vezes a gente, quando é culto, sei lá, leu muita coisa e tal, a gente acha que todo mundo é assim. Tipo, a gente sai um pouquinho da caverna e acha que é só voltar para a caverna e falar: ó, galera, olá! Porque a galera acredita na caverna, sacou? Acredita nas sombras, sacou? Então não adianta falar para eles: galera, é sombra. Agora, pô, não é sombra. Isso aqui eu vivi minha vida inteira assim. Então, entendeu? Tem que ter cautela. Eu tô com você cem por cento, entendeu, dessa liberdade e tudo mais, mas eu acho que tem que ter esse disclaimer, né, tipo, galera, mas com calma, entendeu, com cautela, porque tem muita coisa boa aí que a gente não pode jogar fora.
Amanda Palma: [51:10] É, eu acho que... Aí a gente entra num outro lugar, né, sobre a questão das instituições e tal, mas eu acho que eu tenho uma coisa que eu carrego comigo, que é: a única pessoa que existe no mundo que eu posso mudar sou eu. Então, eu não posso exigir que o outro seja honesto se eu não for 100% honesta. Então, eu tenho alguns preceitos que eu sigo. E eu, sendo bem sincera, eu busquei esses preceitos na yoga, que é verdade, honestidade. Tem todo um conjunto lá de leis que eu procuro seguir, que são bons hábitos meus comigo mesma: cuidar da minha boa saúde, procurar falar com boas palavras, ter bons pensamentos com as outras pessoas. Claro que nem sempre a gente consegue. Às vezes eu sou grossa, às vezes eu dou patada nas pessoas, porque nós somos seres humanos. Mas eu acho que a gente tem que ter algum local onde se apoiar, alguém pra gente se inspirar, e que tenha essa consciência de que não vai ser uma religião que vai nos salvar, não vai ser um salvador, vai ser nós, cada pessoa, individualmente, procurando fazer o seu melhor. E deixando os locais um pouquinho melhor do que como a gente encontrou. E eu acho que a gente, como sociedade, tem uma tendência ao contrário. E é físico, você vê fisicamente. Tem uma lata de lixo ali, não tem nada. Botou um papelzinho aqui, quando vê, aquilo tá uma bagunça. E tem um ditado budista que diz: se tem um banheiro público, ele tá perfeitamente limpo; se alguém for lá e riscar com um risquinho de grafite, aquilo tá perdido. Porque aquele risco vai fazer com que outra pessoa deixe outro risco, com que outra pessoa pinte, daqui a pouco deixe uma sujeira. Então, eu pelo menos acredito muito nisso. Assim, eu tô aqui nesse local, a gente tá trocando essa ideia. Eu quero deixar esse local, quando eu sair, um pouco melhor do que quando eu cheguei. Nem sempre eu vou conseguir, porque às vezes a gente tem preguiça, como você falou, né. A gente é preguiçoso, a gente é preguiçoso. A gente não quer fazer a mudança pra ver se vai dar certo. A gente já diz: ai, pra mim não funciona. Então, a gente é preguiçoso.
Eron Falbo: [53:34] Isso que você está falando é uma prática parecida com a que eu faço. Se você deixa cair um pedacinho de papel, aí existem as pessoas que falam: vou fazer a minha parte, vou pegar meu pedacinho de papel. Mas quando você for pegar os pedacinhos de papel, olha para o chão e vê se tem outro pedacinho de papel e pega outro também. Você não precisa limpar o chão inteiro, mas você está adicionando, você não está só fazendo a sua parte, faça um pouco mais do que a sua parte, e isso já está iluminando o universo.
Amanda Palma: [54:05] Exatamente. Não, acho que era isso mesmo, não lembro.
Eron Falbo: [54:12] Então vamos explorar um pouco esses documentários, porque eu não sei nada sobre esses documentários. Você fala qual é essa coisa indígena.
Amanda Palma: [54:21] Então, eu comecei a trabalhar com documentário oficialmente, vamos dizer que comecei a trabalhar com cinema ali por 2014, 2015, e desde então eu dirigi diversas curtas, trabalhei com a ONU Mulheres aqui no Brasil, então fiz curtas sobre questões de gênero, sobre questões da mulher na mídia. Tem um documentário sobre Brumadinho que tá em fase de construção. Eu fui pra Brumadinho um mês depois que aconteceu a questão ambiental lá. E pretendo voltar assim que a pandemia estiver melhor, que tiver acabada essa questão, pra ver o antes e o depois da cidade. E a minha questão indígena: acabei me aproximando dos povos indígenas através do ensino. Então, eu ensino documentário para jovens, e eu já vinha com algumas turmas no Rio de Janeiro, em projetos sociais. Eu sou muito a favor da autorrepresentação, então acredito que todo mundo hoje tem um poder muito grande com a imagem, de produzir suas próprias imagens, de criar suas próprias narrativas. Eu acredito que a gente precisa de novos narradores contando essas histórias, que não sejam sempre os mesmos contando as histórias dos outros. E acabei sendo convidada também pra ir em algumas aldeias indígenas pra fazer esse movimento de criar documentário com os alunos de lá, que já existe um movimento bem grande do cinema indígena no mundo inteiro. E pela minha tendência natural de gostar de natureza, de gostar desse estilo de vida, acabei criando, assim, uma amizade forte com várias pessoas, dos meus cineastas indígenas, meus alunos. E continuo sempre trabalhando junto, assim, procurando levar os filmes pros festivais, procurando espalhar as produções aí pelo mundo. E o meu trabalho com documentário é esse, assim. O meu interesse hoje maior é nessas questões ambientais. Então eu acho que o meu maior trabalho é esse de Brumadinho, que eu tô em fase de entender o que aconteceu lá. Porque é muita coisa pra digerir, assim. Foi uma experiência, assim, que até hoje reverbera. Porque um local que ficou completamente dizimado, né. Um cenário de guerra mesmo. E acho que essa vai ser a minha estreia com um longa documentário bem marcante. Em breve vocês vão saber.
Eron Falbo: [57:03] O pessoal tá ouvindo, na posteridade, daqui a 50 anos, onde a gente encontra os seus documentários?
Amanda Palma: [57:13] Então, eu tenho um site que é www.amandapalma.com.br, e eu estou estudando a possibilidade de manter esse site ou de começar com o meu site, já que também comprei o domínio Toda Natural, que é o meu arroba, que vai ser o nome da minha loja. Então, eu estou estudando essas possibilidades, tô dando uma reestruturada no meu portfólio. Mas você pode encontrar aqui mesmo, no meu perfil do Instagram. Todos os dias eu posto imagens, eu posto trechos. E eu gosto muito de ter essa comunicação direta com o público. Eu estou produzindo uma coisa, eu já tô postando, eu já tô mostrando, eu já tô pedindo opinião. Então, você pode falar comigo mesmo, que eu mostro o caminho. Tem os festivais também.
Eron Falbo: [58:01] O seu Instagram qual é mesmo?
Amanda Palma: [58:05] É arroba toda_natural. Bom, a gente acabou nosso tempo aqui.
Eron Falbo: [58:13] Eu vou te fazer uma última pergunta. Qual é o seu, ou os seus, dois ou três documentaristas favoritos? O que você recomenda para as pessoas?
Amanda Palma: [58:25] Bom, eu sou muito fã da Petra Costa, por ser uma documentarista brasileira. Gosto muito da visão dela. E tem um documentarista que eu sou muito fã, que é o Werner Herzog, que é muito cru, assim, também. Sou fã do Herzog. A gente tem uma veia, assim, de gostar desse povo meio maluco, né. Herzog, povo beat. Então, se eu for falar dois, tem um cineasta que eu gosto muito, que talvez você vai curtir. E o Fábio que falou de circo, que é o Emir Kusturica. Não sei se você já viu os filmes do Emir Kusturica. Ah, é maravilhoso. Eu acho que tem muita outra vibe, você vai gostar. Então, três cineastas que eu deixaria aí pra prestar atenção: o Herzog, a Petra Costa e o Emir Kusturica.
Eron Falbo: [59:19] Legal, legal. Então, Amanda, muito obrigado por aceitar o convite, muito obrigado por estar aqui comigo hoje. E vamos nos manter em contato. Gostei muito de te conhecer. E é isso, boa sorte nos documentários. Eu quero saber, por favor, me fala quando tiver o Brumadinho pronto, porque acho que, apesar de ter tido uma grande repercussão, acho que as pessoas precisam saber mais desse tipo de coisa. A gente tem que, no máximo possível, conseguir se preparar, participar e ter formas novas de ajudar, mas acho que esse tipo de consciência é muito bem-vinda pra todos nós. Obrigado.
Amanda Palma: [59:59] Perfeito, Eron. Obrigada, obrigada por me convidar. Olha, queria dizer que tá rolando um bolão aqui nos comentários, porque as pessoas estão querendo saber o teu signo. Tem uns falando que é gêmeos, que é sagitário, que é capricórnio. Você tá fazendo mistério aí.
Eron Falbo: [1:00:16] Eu corro muito do mistério. Eu tenho um princípio na minha vida que eu não vivo por horóscopo, porque eu acho que isso te limita, você acaba se auto-identificando.
Amanda Palma: [1:00:24] Eu achei. Eu ia te perguntar se você acreditava nessas coisas, e eu estava achando que não.
Eron Falbo: [1:00:29] Eu estudo astrologia pra caramba, só que eu acho que, se você se identificar com um signo só, você perde a oportunidade de ser todos os signos. Então, eu sou uma das raras pessoas que nasceram naquele dia do ano que não tem nenhum signo. Eu tenho o que eu quero, que são todos os signos ao mesmo tempo. Eu recomendo isso pra todos. Renato e Nácia, nesse dia do ar.
Amanda Palma: [1:00:53] Perfeito. Queria agradecer a quem estava aí, que ficou comentando, meus amigos. O pessoal mandando beijo, abraço. Não fiquei lendo muito comentário, mas eu fico louca, fico vendo os comentários. Quero falar pro pessoal: beijo, beijo, meus amores. Boa noite pra todo mundo. E obrigada, Eron, obrigada por me convidar. Foi ótima a nossa conversa, gostei muito de te conhecer. E boa sorte nos teus projetos, continue, siga em frente. E é isso, boa noite.
Eron Falbo: [1:01:22] Obrigado, tudo de bom. Boa noite e boa sorte pra você também, em tudo que você fizer.
Amanda Palma: [1:01:27] Beijo, tchau. Tchau, gente. Beijo.
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