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Eron Falbo: [0:05] Boa noite, boa noite. Sejam bem-vindos ao Brasileiros Extraordinários com a Julia Garcia. Então, acho que para começar, para quem não te conhece, se eu pudesse só falar um pouquinho sobre você, quem você é, muito além da profissão, que eu conheço, mas não é todo mundo que conhece.
Julia Garcia: [0:22] O pior é que agora eu estou me definindo como uma outra pessoa além da profissão, porque antes da gravidez, para quem não sabe, eu estou grávida de sete meses, eu só me definia pelo que eu fazia, só pelo meu trabalho mesmo. Eu estou há dez anos na Globo, há quatro cuidando de esportes eletrônicos, que é minha grande paixão, eu me encontrei nesse mundo. E aí eu faço matérias para o site, eu faço entrevistas no nosso canal do YouTube, no ge.globo.com também. Durante um certo período eu tinha uns quadros ao vivo, mas eu só me definia como isso. Então agora estou entrando nesse mundo maravilhoso que é a maternidade, então é um assunto também que eu falo muito. E fora disso, como eu falei contigo, eu gosto muito de viajar. Então meus anos eram divididos entre trabalho e as férias, tanto que quando eu engravidei, eu tava assim: mãe, e agora? Como é que vai se meter? Eu não posso, eu tenho uma viagem programada! Nossa, tava em outro... E, cara, todo...
Eron Falbo: [1:38] Mundo tem uma história dessas, né? Essa é a sombra do momento aí da quarentena, né? Porra, é... planos. Onde está o meu plano, né?
Julia Garcia: [1:48] Não, o universo falou, Eron: mesmo se você não tivesse filhos, você não ia viajar. Então, aquieta e vai.
Eron Falbo: [1:57] Diz que a gente faz planos e Deus ri. Acho que em 2020 Deus está gargalhando.
Julia Garcia: [2:04] É um grande filme, mas é interessante.
Eron Falbo: [2:12] Então, isso é legal para a gente conversar sobre o que você falou no comentário lá da citação que eu pus lá hoje, sobre viagens internas. A gente pode começar assim: a gente tem viagem, a gente pode viajar de várias formas, não com as coisas óbvias, mas com filmes, com livros, com profissões diferentes, talentos diferentes. Fala um pouco sobre isso, você na sua quarentena: que outros tipos de viagem você tem explorado?
Julia Garcia: [2:47] Muitas viagens. Pra começar, eu tô dando valor a todas as mães, muito mais do que eu já dava, porque essa daí é a sua mãe, com certeza vai rir; a minha mãe também. Eu tenho dias que eu dou uns clipes, assim, aí chega o pai da minha mãe e fala: 'Mãe, me desculpa por ter feito isso.' Que aí agora começa a bater o arrependimento: já fiz isso na minha adolescência. Eu fico... Será que eu vou pagar todos os meus pecados agora com o meu filho? E eu tenho admirado muito isso. Minha mãe sempre fala, e acho que todas as mães falam: quando você for mãe, você vai saber o que é isso.
Eron Falbo: [3:28] E agora...
Julia Garcia: [3:31] Eu acho que eu já tô sentindo na pele, porque é cada sofrimento. Então eu tô nessa viagem, assim... Tem dias que eu olho pra minha barriga e ela já começa a fazer aquele movimento, você já vê os chutinhos, você sente muito isso. Então eu fico: caraca, algumas camadas de pele estão me separando de um ser humano! Então isso já é muito louco. E aí, outra coisa que eu tenho, assim, viajado muito, é que com a maternidade a gente passa a ver todo mundo lindo, todo mundo maravilhoso, todo mundo perfeito. Você fica tão assim: tomara que meu filho tenha cinco dedinhos ou duas perninhas, você fica torcendo por essas coisas, e mesmo se vier com uma perninha, você vai amar do mesmo jeito.
Eron Falbo: [4:16] Porque você tá transbordando de amor, né?
Julia Garcia: [4:20] E aí, quando você escuta um comentário: 'nossa, que nariz feio', 'nossa, que pessoa gorda', você fica... Nossa, que pessoa vazia falar isso! Tipo, todo mundo é lindo, maravilhoso, perfeito. Então, essas têm sido minhas viagens, assim, na quarentena.
Eron Falbo: [4:35] É, pô, mas isso é uma viagem muito louca, né? Você sai de um lugar onde você estava antes, de ser incapaz de ver uma coisa, né? Porque eu também sou pai, né? Claro que, pô, não quero entrar nessa competição de quem sente mais, que a mãe ganha sempre. Mas a gente também tem uma jornada como pai de passar um pouco por isso. E, cara, eu acho que o que você está falando, o jeito que eu vejo, é tipo: você era uma pessoa antes, né? E agora que você vira mãe, você está vendo coisas que você era incapaz de ver antes.
Julia Garcia: [5:09] Não, Eron, e o louco é que assim, eu era incapaz de ver em janeiro. Então é uma transformação muito rápida.
Eron Falbo: [5:16] É uma loucura, é muito rápido. É a mesma coisa de ir pra China, sabe? Você passa, sei lá quantas horas, trinta e oito horas, sei lá quantas horas é pra China. No avião, você chega lá e, caraca, só passou trinta horas e eu tô aqui no outro planeta. É uma coisa assim que eu tô fazendo para ela de viagem, né? Tipo, é uma viagem de verdade, essas viagens interiores, né? São muito parecidas com viagens externas. Eu acho que esse assunto é... É muito interessante, acho que a gente pode voltar para ele, mas antes de voltar para o assunto mais viagem filosófica, que é o que eu gosto mais, vamos falar um pouquinho dessas viagens, de repente começando antes do apocalipse, antes do mundo acabar: quando você viajava a trabalho, você viajava muito, como é que era isso, para onde você ia, como é que era essa situação?
Julia Garcia: [6:08] A trabalho fazia muito a ponte aérea mesmo, Rio-São Paulo, muito. Eu diria...
Eron Falbo: [6:13] Calma aí, calma aí. Tem problema em beber um vinho ou não?
Julia Garcia: [6:17] Não, eu tô aqui tomando também o vinho que eu posso.
Eron Falbo: [6:21] Tá bom, tá bom. Obrigado. Desculpa, continue.
Julia Garcia: [6:26] Então, antes eu viajava muito para São Paulo e fiz algumas viagens internacionais para acompanhar a competição de Counter-Strike, que é o jogo que eu mais gosto. Ou, na época em que eu fazia documentário, fiz documentário durante três anos, aí fazia as outras. Mas a grande maioria das minhas viagens eu faço com a minha mãe, que é minha parceiraça, minha companhia favorita de viagem, a gente tem muita sintonia. E eu tenho um objetivo de conhecer 100 países até os 40 anos, eu botei essa meta como meta de vida.
Eron Falbo: [7:07] E onde você está agora?
Julia Garcia: [7:09] Estou em 58 países e 18 anos. Então ainda tenho 22 anos pela frente.
Eron Falbo: [7:19] Ah, é que você tem 18 anos. Isso eu sei. Estudei com você, sei sua idade.
Julia Garcia: [7:23] Mas são 58 países. Eu ia agora para oito países diferentes, agora em junho. Isso foi adiado pra não sei quando, porque eu ia pra lugares assim que... Nem se eu quisesse ir grávida, que eu ia pra Chernobyl. Então acho que não seria uma boa ideia. E também acho que os lugares que eu ia são bem chatos pra fazer com criança, assim. A não ser que o Davi...
Eron Falbo: [7:53] Mas no começo o Davizinho não vai... Ele vai ser só o companheiro ali. Você tem que viajar com a babá, né? Só isso.
Julia Garcia: [8:02] É, a.k.a.
Eron Falbo: [8:02] Mamãe.
Julia Garcia: [8:06] Ela já tá ciente dessa nova função dela.
Eron Falbo: [8:10] Então, que bom. Eu sei que ela tá, porque ela tá aí te acompanhando heroicamente desde o começo da quarentena. Eu, infelizmente, não tenho estado com vocês. Mas a gente se fala, eu sei das notícias e tô torcendo o tempo todo. Vocês sabem que podem contar comigo sempre. Tá legal, mas e depois? Você pretende continuar isso?
Julia Garcia: [8:39] Pretendo.
Eron Falbo: [8:40] Os planos de viajar, você pretende? Não vai mudar isso?
Julia Garcia: [8:44] Quero conhecer 100 países. Essa é realmente uma grande paixão que eu tenho, porque eu acho que você fica com a mente mais aberta, conhecendo outras culturas, outras gastronomias. Você fica menos com a pessoa, mais pé no chão. É muito doido, porque você gasta tanto pra viajar, mas te mantém mais pé no chão, eu acho.
Eron Falbo: [9:06] Você se encontra até ali, de certa forma.
Julia Garcia: [9:09] É, você tem contato com outras culturas, você aprende até a apreciar mais o país que você vive. Sei lá, sua casinha, que você fica... Gente, eu não moro num ambiente que é cama, hotel cinco estrelas, mas é a melhor cama do mundo. É muito bom, é muito, muito, muito bom.
Eron Falbo: [9:30] Cara, falando nisso, eu tô investindo ultimamente em cama, cara. Tenho comprado lençóis a minha vida inteira. Eu não me preocupei com isso, mas eu me separei recentemente, então sempre não era eu que...
Julia Garcia: [9:46] Mas é um bom investimento.
Eron Falbo: [9:48] É, mas agora que sou eu o dono da cama, vou fazer tudo que eu sempre quis.
Julia Garcia: [9:56] Ah, melhor coisa. Mas é um bom investimento.
Eron Falbo: [9:58] E tem hotéis que são totalmente diferentes um do outro. Tem um hotel que é cinco estrelas, mas a cama é ruim. Aí tem outro hotel que é boutique e tal, paga pouco, mas cama, eles investiram totalmente.
Julia Garcia: [10:11] Não, eu tenho uma... Sempre que eu viajo, pra minha mãe, ela fala assim, minha filha, você escolhe tudo. Então, o escolhe tudo com uma pessoa desorganizada, tá? A gente começa em tal ponto e termina em tal ponto. O que vai ter entre ponto A e ponto B, eu não sei. Então, let's figure it out. Então, a gente já fez viagens assim, que minha mãe, eu acho que tava com bronquite, alguma coisa assim. E a gente... De madrugada, na estrada, sem aparecer cidade. Aí eu botei minha mãe, tadinha, pra ficar num acampamento com bronquite. O hospital mais próximo era, tipo, cinco horas dali.
Eron Falbo: [10:56] E não tinha banheiro. Caraca, cara. Sua mãe é uma santa, cara.
Julia Garcia: [11:02] É.
Eron Falbo: [11:03] E você, admitindo em público, ser mimada aí...
Julia Garcia: [11:08] Não tem como, né? Mães são santas. Eu espero que meu filho pense assim de mim.
Eron Falbo: [11:16] Então, eu estou consultando as perguntas que eu tinha para você. Fala os seus top três lugares que você já foi.
Julia Garcia: [11:25] Nossa, top três... Olha, eu vou falar uns que estão frescos assim na minha memória. Eu amei a Bielorrússia, Minsk, assim, eu achei surreal.
Eron Falbo: [11:41] Não existe Bielorrússia.
Julia Garcia: [11:44] E olha que não é um país fácil de entrar, não. Mas, brasileiro, para quem não sabe, tem o passaporte liberado, não precisa de visto para lá, um dos poucos países que não precisa de visto. E é muito curioso, para você ter noção: caraca, você não pode entrar com nada no país, não pode entrar com nada. Mas você vê assim, é tudo muito organizado, as pessoas são muito simpáticas, foi uma grata surpresa. Então, assim, tudo que é muito diferente do que a gente tem, eu adoro. Cuba eu amei, mas aí...
Eron Falbo: [12:22] Mas você amou como? Você amou de que jeito? Tipo, politicamente, ou...? Fala sobre isso, porque eu fui para Cuba no final do ano passado, então quero ter te interessado.
Julia Garcia: [12:31] Ah, então deve ter sido muito diferente da época que eu fui, ainda, porque quando eu fui ainda não estava tudo aberto. Eu fui em 2012, talvez, e eu achei a comida muito boa, as pessoas muito simpáticas, eu gosto da música cubana, da música caribenha, então adoro o mojito. Então foi essa combinação, assim, eu não fiquei muito ligada nesse aspecto político, até porque eu não curto muito, mas...
Eron Falbo: [13:10] Não, não, eu tava falando sobre impressões também, né? Também, quando eu falo político... Na verdade, nem quis dizer política, quis dizer em termos de instalações, experiência social, se os hotéis estavam bons.
Julia Garcia: [13:28] A internet lá era inexistente, não sei.
Eron Falbo: [13:32] Como é que está agora? Mas a...
Julia Garcia: [13:34] Estrutura era toda muito precária. Não sei, achei interessante.
Eron Falbo: [13:40] Bom, também isso é uma experiência de desconexão. Você alugou aqueles carros? Eu andei naquele...
Julia Garcia: [13:46] É que tem uns táxis lá, lindos.
Eron Falbo: [13:49] Mas você dirigiu ou foi de...?
Julia Garcia: [13:52] Não, só andei neles como táxi mesmo. Ai, gostei de tudo. E um terceiro país... Nossa, isso é difícil. Ah, eu acho que eu me sinto até mal em falar isso, mas é que eu amo os Estados Unidos. É tão bobo assim... não, não é bobo. Mas eu tenho um carinho muito grande pela Califórnia e por Tennessee.
Eron Falbo: [14:24] Tennessee, cara. Califórnia e Tennessee.
Julia Garcia: [14:27] É Goiás e Rio, né?
Eron Falbo: [14:29] Ah, saquei, se identificou.
Julia Garcia: [14:35] Nossa, e tem tanto... Sei lá, é um país tão grande assim que, óbvio, super capitalista. Cada cidade que você entra, assim: 'Ah, hoje tá tendo o festival da abóbora', chega aí que vai ter festa a semana inteira, 'festival do tomate'. Você fica: 'Mano, o que essa galera tá gritando?'
Eron Falbo: [14:54] O maior pepino do mundo, essa é a cidade mundial do pepino, né?
Julia Garcia: [15:02] Exato! E aí, tipo, no meio do Tennessee tem uma réplica do Titanic, que é a segunda maior réplica do mundo. Aí você fica: 'Por que Tennessee?' Tipo, Tennessee não tinha nem como o Titanic chegar aqui. Why? Mas é muito curioso, é legal.
Eron Falbo: [15:20] Olha só, minha mãe tá falando alguma coisa. Vamos ver se tem perguntas. Acho que até agora só tem uma pergunta. Mãe, manda pergunta!
Julia Garcia: [15:32] Participa, mãe! Tudo bem que você já sabe tudo da sua filha, mas...
Eron Falbo: [15:37] Eu queria saber se tem gente da IAB assistindo, cara.
Julia Garcia: [15:43] Eu vi a Nani aí.
Eron Falbo: [15:44] Ah, é?
Julia Garcia: [15:45] Que fera! Vi o Calil também.
Eron Falbo: [15:49] É mesmo? Sejam bem-vindos, cara. E por favor, façam perguntas, cara, pra gente se envergonhar em público com as suas perguntas.
Julia Garcia: [15:59] Com os hormônios agora, é capaz de eu chorar no meio da live, viu? Já aviso todo mundo. Porque eu tô assim. É capaz de eu estar aqui falando assim: nossa, a Bielorrússia é um lugar maravilhoso.
Eron Falbo: [16:13] Ai, Bielorrússia! Tinha o Ivan, o bielorrusso que eu conheci.
Julia Garcia: [16:23] Cadê a barriga? A Nani tá pedindo pra ver a barriga, vou mostrar.
Eron Falbo: [16:26] Ah, põe a barriga, põe a barriga.
Julia Garcia: [16:31] Vê se dá pra ver.
Eron Falbo: [16:33] Tá linda, tá linda. Sabe que eu fico com um pouquinho de... Pô, é um pouquinho triste, assim. Porque outro dia você tava sem barriga e a gente se encontrou, né? Antes do apocalipse, a gente se encontrou e se abraçou e tal, né? Não existia doença, né? Aí hoje você já tá com uma barriga e eu não tô acompanhando isso.
Julia Garcia: [16:56] Mas você não tá entendendo o tanto que isso me deixa triste? Que, por exemplo, o meu pai, que mora em Brasília, meu pai acompanhou absolutamente todas as fases da minha vida, boas e ruins, e graças a Deus a minha mãe tá aqui, mas eu fico assim, cara: meu pai não vai me ver um dia grávida? É punk, são nove meses, dez, sei lá, porque até hoje eu sou meio ruim nessa matemática, mãe. Eu até agora não processei. Pra mim são dez anos.
Eron Falbo: [17:28] Mas sabe o que rola? Rola uma parada muito louca. Isso eu vivi, né? Eu tenho dois filhos, né? Acho que a Nani também tem dois, né?
Julia Garcia: [17:35] Tem.
Eron Falbo: [17:36] Então a gente vai saber isso. Rola uma amnésia filial, sei lá qual é o nome disso. Mas rola tipo assim: durante a época que você está tendo filho, você estuda tudo, você sabe tudo, você aprende tudo. Você pode fazer um vestibular de ter filho. Mas um ano, dois anos depois, cara, você não sabe absolutamente nada. Então a população sacou, todo mundo ficou opinando, só que ninguém sabe nada, entendeu? Você tá lá tendo filho, você fica perguntando: pô, você já teve filho, já teve filho? Mas não pergunta, cara, porque a galera não sabe, entendeu? Essas mães que tão andando por aí, que já tiveram filho há muito tempo atrás, elas não sabem nada. Ah, que carrinho que eu compro? Não sei, cara, não sei. Meus filhos têm outra idade hoje. Eu sei hoje sobre masturbação, eu sei hoje... Outra coisa que eles têm é uma fase, sacou? Tô falando, tô em outra fase da vida, entendeu? Então já esqueceu. E pai é assim, sacou? A gente fica estudando, que nem louco, ali na internet, no YouTube, a fase que tá rolando, aquele momento, entendeu? E a fase anterior, você já... já fiz errado, entendeu? Pronto.
Julia Garcia: [18:47] É que hoje, por exemplo, eu estava falando com uma amiga minha de Brasília, e ela está com um filho com seis anos, sei lá, sete. E aí ela tava me falando: ah, na época do Gutinho não tinha isso. Aí a gente fica assim, cara: era seis anos atrás? Imagina! Nossa, tudo muda muito rápido.
Eron Falbo: [19:07] Sem contar isso, né, muda. Mas não precisa mudar.
Julia Garcia: [19:11] O Damiro vai nascer e ele não vai precisar mais de fralda, que vai ter um negócio assim, tipo, um açúcar, tudo.
Eron Falbo: [19:16] Tipo isso. E é isso que a galera tá fazendo na quarentena em casa, né. Pensando em como melhorar as fraldas. Espera aí.
Julia Garcia: [19:27] Estou aqui vendo a Anitta, tanto que você quer.
Eron Falbo: [19:29] Também estou vendo, está rolando demais. Vamos lá. Você quer responder alguma coisa? Fala aí o que você quer.
Julia Garcia: [19:36] A pergunta da sua mãe é muito boa.
Eron Falbo: [19:42] Que isso, cara, que discreto.
Julia Garcia: [19:46] Não, e o mais engraçado é que o grande mistério da minha gravidez, pra quem me segue, é quem é o pai. Então ontem eu postei isso e teve gente assim: "ele que é o pai". E eu assim: gente, pelo amor de Deus!
Eron Falbo: [19:59] Não vou dizer! Não sou eu, não sou eu.
Julia Garcia: [20:04] Tá muito engraçado. Mas é muito divertido ter esse mistério.
Eron Falbo: [20:09] Mas o que tá acontecendo com a minha mãe é que ela tá lembrando, entendeu? Porque eu tava na escola, e na escola ela era mestre de me envergonhar em público, entendeu? Então ela tá querendo voltar, sabe como? Ficou inspirada, porque ela nunca fez isso antes.
Julia Garcia: [20:23] Aí, ó... Olha!
Eron Falbo: [20:29] Que absurdo, cara.
Julia Garcia: [20:29] E é difícil manter a amizade tanto tempo. Que bom que a gente consegue manter, né?
Eron Falbo: [20:35] Total. E vou dizer outra coisa, respondendo de uma forma política, minha mãe, vou falar: existe alguma coisa além da amizade? Existe uma coisa mais bonita que amizade? Não. Existe, cara. Existe. Então, o que eu... E tá aí, ó.
Julia Garcia: [20:48] Tá aí uma coisa. O pai do meu filho é grande amigo meu. E eu fico assim, cara, eu vou mostrar pras pessoas que esse modelo é um modelo perfeito. Tipo, não é o tradicional, mas é um que funciona.
Eron Falbo: [21:02] Mas, Julia, a gente pode... Cara, a gente sempre viajou muito, né? Juntos, a gente... Em termos internos, né? A gente passa horas conversando. Mas isso, cara, é um ponto que eu acho que você pensa muito como eu. E eu acho que é muito legal a gente falar sobre qual é o modelo futuro, né? Do relacionamento. Qual é o modelo futuro da paternidade, da maternidade. Porque, cara, não é óbvio que todo mundo pense que vai continuar do mesmo jeito, mas não é óbvio isso, cara. A gente tá vendo que tá fracassando os modelos antigos e a gente tá vendo que hoje em dia cada vez mais estão se questionando as coisas, as coisas estão acontecendo diferente, as coisas estão funcionando, tem muita coisa, crise de sucesso. Em outros momentos, os psicólogos diriam, a estatística diria que jamais iria funcionar, mas está funcionando. Eu queria, se você quiser, porque eu não sei até que ponto e como você se sentiu confortável, falar sobre o que você acha disso e qual é o futuro para você desses modelos.
Julia Garcia: [22:12] Nossa, eu, por exemplo, o programa que eu mais curto assistir agora nessa quarentena e na gravidez é Queer Eye. Você já assistiu?
Eron Falbo: [22:20] Já assisti um pouquinho e eu me amarro muito. Muito legal.
Julia Garcia: [22:22] Nossa, é maravilhoso. Pra quem não sabe, são cinco homens gays que... Aliás, eles recebem indicação de uma pessoa pra mudar a vida dela em uma semana. Então mudam casa, ou mudam escritório, ambiente de trabalho, mudam o jeito de vestir, mas em tudo eles se adequam à pessoa, eles não se adequam ao que a sociedade exige. Então eu já fico maravilhada com isso. E aí eu fico pensando: gente, tem cinco pessoas aí, um se diz não binário e os outros quatro são gays, aí vocês já viram, são muito diferentes. Eu fico vendo o caminho que o mundo tá indo e já penso muito no Davi. Eu já sou tão cabeça aberta, porque ele já tá vindo numa situação e circunstância completamente diferente. E um lado meu, eu acho que tô certa...
Eron Falbo: [23:32] Eu tô igual.
Julia Garcia: [23:35] Porque, por exemplo, eu tô com 12 amigas grávidas agora. 12, 11, alguma coisa assim.
Eron Falbo: [23:41] Tem até uma listinha, pô. Cê fez um Excel.
Julia Garcia: [23:44] Sim. E 60% delas não são casadas. Então, cê já fica vendo... Tão perguntando aqui qual é o nome da série: é Queer Eye, tá no Netflix. E aí você vê assim, poxa, 60% dessas 12 grávidas, ou 11, sei lá, não estão casadas, ou estão namorando, ou assim, aconteceu, foi com um amigo, ou foi na balada, ou enfim, tropeçou na fadaria, engravidou. Mas eu acho que a gente tá indo pra esse caminho, assim. Tem muita gente que quer ter filho. E é curioso, porque eu vejo que os homens ficam mais agoniados, eles falam: cara, a gente depende da mulher pra ter filho. E a maioria das mulheres quer o modelo tradicional.
Eron Falbo: [24:36] Cara, rola esse problema, rola muito. A gente acaba... Desculpa, falei.
Julia Garcia: [24:43] Não, muitos vêm me falar: Julia, eu queria ter uma amiga, sei lá, pra ter um filho, seria ótimo. Eu acho que vai dar certo, vai dar certo.
Eron Falbo: [24:55] Cara, certeza absoluta, você e sua família, pessoas tão especiais, talentosas, competentes, maravilhosas. Cara, eu acho que isso é o mais importante, porque antigamente a gente ficava muito... Focado no modelo, né? Qual que é o modelo que vai fazer funcionar? Mas, cara, são as pessoas que vão fazer funcionar. Se tiver as pessoas certas, né? É um filho com pessoas boas, que como é que o filho vai aprender se é uma pessoa boa, se não tiver com pessoas boas, pessoas de mente aberta, pessoas talentosas, né? Cê pode botar no modelo que for, na escola que for, que se não tiver com as pessoas certas ao redor... E eu acho que antigamente a gente tinha esse modelo mais quadrado. Eu não culpo os nossos bisavós por ter apostado nesse modelo, porque eram outros tempos. Então tinha que ter certos resguardos e não tinha um monte de coisa que a gente pode fazer hoje que não podia fazer na época, como prevenção, escolha genética e SUS, sei lá, tem um monte de coisa que existe hoje em dia que facilita esse processo, que dá mais segurança para os pais, que não existia antigamente. Mas hoje em dia existe, entendeu? Existem essas coisas. Então hoje em dia a gente pode começar a explorar mais e ver a essência melhor, né? Ver o que importa de verdade. E eu realmente acho que o que importa de verdade é o exemplo. É ter pessoas de caráter, de bondade, e não só isso também, né? Essa parada é a parte mais conservadora, tem outras coisas, tem criatividade, tem sinistridade.
Julia Garcia: [26:41] O que o pai do meu filho mais fala é assim, cara: o mundo já tá cheio de gente ruim, por que a gente vai ser mais um? Então vamos fazer o bem, eu, você, Davi também, vai ser todo mundo do bem. E eu... É uma coisa que muita gente, por exemplo, os meus seguidores, eles ficavam: Julia, você estava namorando? Não. Ué, mas como é que você engravidou? Gente... Então, preciso explicar.
Eron Falbo: [27:16] Precisa explicar como é que funciona.
Julia Garcia: [27:18] E aí, o povo perplexo, ainda um povo jovem, sabe, falando: "Como é que você vai ter filho se você não é casada?" Eu não estou entendendo.
Eron Falbo: [27:27] Ela tem muito medo.
Julia Garcia: [27:29] Por que precisa casar hoje em dia? Me dá um motivo, eu gostaria de entender. A minha cabeça é... cara, é programação.
Eron Falbo: [27:38] Mas a galera nem pensa assim. Eles só reagem dessa forma porque é a programação deles, né? Se eu parar para conversar com eles mesmos, eles não pensam dessa forma. O discurso não é esse.
Julia Garcia: [27:52] Estou vendo que eu li aqui, que falou: "Julia, está em 2077."
Eron Falbo: [27:58] Eu também penso isso. Quem falou isso? Vamos dar um carro zero quilômetro.
Julia Garcia: [28:08] Não, mas é porque, por exemplo, na época dos nossos avós, o pessoal casava para sair de casa, porque você não podia simplesmente sair e morar sozinho, ainda mais mulher. Era tipo, quando você está louca...
Eron Falbo: [28:23] Você podia ser atacada se você fosse na padaria. Homem é uma desgraça. Ainda é, mas na época era muito pior.
Julia Garcia: [28:31] Pois é. Vou fazer um menino maravilhoso para o mundo. O mundo tem sido recado.
Eron Falbo: [28:36] Você é um menino messias. Bem-vindo, descendente da casa de Davi.
Julia Garcia: [28:42] Estou muito animada.
Eron Falbo: [28:46] Cara, mas vamos ver umas perguntas aqui, que a gente está abandonando o público. Pera aí, eu tô aqui com o computador, tá? Porque eu não tenho a equipe da Globo pra me ajudar, entendeu? Então tô eu mesmo aqui com o computador. Peraí: "Eron, você tá morando aonde?" É isso, porra... pra mim, cara, ninguém quer saber de mim, cara. Eu tô morando no Rio de Janeiro.
Julia Garcia: [29:14] Cidade boa, né, by the way.
Eron Falbo: [29:17] Cara, eu tô aprendendo a gostar, sabia? As pessoas que estão aí assistindo, que me conhecem muito bem, sabem que eu fui muito resistente ao Rio de Janeiro, mas eu tô gostando. Sabe o que acontece comigo, cara? Eu vim de um planeta que era o oposto do Rio de Janeiro. E eu fui colocado em Brasília, sabe? Minha nave-mãe achou em algum lugar, e o lugar mais bizarro que eles acharam foi Brasília, que tem tudo a ver com alienígena, não tem nada a ver com nada. Aí eu sou um ser de Brasília, eu sou um ser abstrato, entendeu? As nuvens... super formal e sério. Aí eu vim morar no Rio e tô aprendendo a ser mais carioca agora. Tô aprendendo a fazer piada, entendeu? Ser mais solto. Tô achando muito bom pra mim.
Julia Garcia: [30:08] Você não aprende a fazer piada. Você sabe, né? Tipo, piada é um negócio que flui.
Eron Falbo: [30:13] É mesmo? Então porra, é por isso que não tá fluindo, cara.
Julia Garcia: [30:18] Muita gente tá falando que ainda tem muitas meninas que sonham com o casamento à moda antiga. Você acredita que eu sonho zero com isso? Zero. E sempre foi assim.
Eron Falbo: [30:38] Mas, Julia, fala sobre a sua experiência no Rio, cara, porque você também é da mesma cidade bizarra que eu, que é Brasília, e a gente cresceu naquela parada que, pô, hoje em dia eu tô aprendendo também a apreciar. Meio doida, né, uma ideia meio louca botar lá a capital, tal, fez de uma maneira estranha, tudo bem, mas tem o seu valor. Agora, qual é, pra você, psicologicamente, qual é a lombra de vir morar no Rio? O que você descobriu sobre você mesmo nessa viagem?
Julia Garcia: [31:08] Nossa, pra morar no Rio, eu confesso que fui fugindo de muita coisa que tinha em Brasília, que não tem nada a ver comigo. Nossa, nada a ver mesmo. Tive uma vez, assim, que... pra mim, essa é a história mais bizarra: fui num casamento que tinha área VIP. E eu ficava assim, falando: "O que eu tô fazendo aqui?" Tipo, dentro dos convidados desse casamento ainda tem o grupo, o seleto grupo de VIPs. Então aquilo dali, pra mim, foi meio que... não é muito a minha cara.
Eron Falbo: [31:45] Que isso, cara, nunca ouvi falar disso.
Julia Garcia: [31:48] É, eu acho meio bizarro. E aqui no Rio... eu amo Havaianas, quem me acompanha no Instagram vê que eu só uso Havaiana. Então, lá em Brasília, eu me sentia mal de ir para um lugar arrumada de Havaiana. Eu não sou uma pessoa muito vaidosa. E aqui no Rio as pessoas nem olham pra você. Você pode ir pro shopping, mas ninguém tá nem aí, de short, havaiana, boné. Eu acho isso maravilhoso, você se sente muito... livre. Eu gosto desse lifestyle, apesar que tem muita coisa nesse lifestyle que afeta o resultado.
Eron Falbo: [32:35] Mas você tá falando em termos de casualidade, né? Também você não é assim, não é livre no sentido, tipo assim, em Londres, cê vai com um cabelo rosa e no metrô e ninguém nem levanta do jornal.
Julia Garcia: [32:49] O brasileiro em geral é muito padronizado, né?
Eron Falbo: [32:55] Não, tô só dizendo que, sim, isso é legal em termos de casualidade, né? Mas, em termos de... Tô falando isso porque, pô, você tá falando o contrário de mim. Você tá falando que sua nave-mãe foi lá pra Brasília e, na verdade, ela era uma nave-mãe que veio do Rio, né? Tipo, você veio ser natural do Rio, assim, você sente mais confortável no Rio, mas te colocaram lá em Jaulara, em Brasília, e você tá se sentindo muito mais confortável aqui, né?
Julia Garcia: [33:19] Sim, eu me sentia bem deslocada, mas aí, olha só como as coisas são doidas. Eu, por exemplo, eu olho o tipo de infância que eu tive, brincando, comendo cocô de galinha, comendo mariposa, na terra, subindo em árvore. Aí eu fico assim, mano, meu filho vai ser barrense? Ele vai subir em que árvore? No coqueiro da praia? O policial vai fazer ele descer na hora. Aí me dá meio que um desespero, eu sinto falta de bagulho raiz, de guerra de cocô de vaca.
Eron Falbo: [33:58] Cara, mas você tem que comprar uma casa de praia em Teresópolis, entendeu? Alguma coisa assim.
Julia Garcia: [34:03] Casa de praia em Teresópolis.
Eron Falbo: [34:06] Porque a gente cresceu em Brasília, então casa de praia pra gente é ter casa em outro lugar, sacou? Quem mora no Rio, casa de praia é ter em lugar diferente, sacou?
Julia Garcia: [34:19] Eu gosto da roça, viu? Eu gosto muito.
Eron Falbo: [34:21] Pô, eu gosto muito também. Você tem sangue do Goiás, né? E isso é muito legal. Tipo, pô, é uma coisa que... Eu cresci em fazenda, sabe? Só que eu cresci só até tipo uns 15, 16 anos. Inclusive, uma das fazendas que eu cresci, eu fui outro dia. Não sei se alguém tá vendo aí, mas um abraço aí. Eu não vou expor eles, não. Desculpa. Mas eu fui numa fazenda que eu não fui há muito tempo, cara. E, pô, cara, como eu gosto do campo, cara.
Julia Garcia: [34:52] É muito bom.
Eron Falbo: [34:53] Pô, muito bom, muito bom. Mas como é que a gente faz essa conciliação? Tipo, mora no Rio, gosta de morar no Rio e vive no campo, vive outros lugares. Como que faz isso pra você?
Julia Garcia: [35:07] Ah, eu... Minha mãe até me fala assim: minha filha, você vai me deixar viajar com o Davi? Que aí eu quero levar direto pra fazenda, vou levar pra Goiânia. E eu fico: ai, mãe... Eu não quero me separar dele, eu já tô possessiva. Mas eu acho que é o jeito, é visitando a família. O bom do Rio é que é bem diferente de São Paulo, aqui você tem muito verde, né? Tipo, dez minutos da minha casa você tá na Pedra Bonita, então você pode fazer uma trilha, cinco minutos você tá na praia. Então tem ainda muito esse contato com a natureza que eu acho super importante.
Eron Falbo: [35:46] Mas aí... Meu pai tá falando aí, tem fazendas históricas em Três Rios e mais umas cinco cidades. A fazenda que eu tava falando, não sei se ele tá fazendo isso de propósito, mas é que eu fui outro dia, furando quarentena, eu fui lá, encostei nos cavalos.
Julia Garcia: [36:04] Você sabe que o Lenny Kravitz tem uma fazenda colonial linda aqui no Rio de Janeiro, né?
Eron Falbo: [36:10] Cara, eu sei tudo sobre o Lenny Kravitz. Mentira, eu não sabia que o Lenny Kravitz tinha.
Julia Garcia: [36:17] Você vê, é incrível a fazenda dele. Nossa, direto vou lá jogar futebol com ele! Sério? Não.
Eron Falbo: [36:23] Sério? Sei lá, pô, você tem uns contatos aí obscuros.
Julia Garcia: [36:30] Mas pode espalhar.
Eron Falbo: [36:32] Cara, não duvidaria. Falando nisso, fala, sem mencionar nomes: fala viagens que você encontrou pessoas, né? Porque a gente não tá name dropping aqui, né? Mas fala viagens que você encontrou pessoas que todo mundo conheceria e que você fez coisas legais com essas pessoas que todo mundo conheceria. Acho que todo mundo quer ouvir isso.
Julia Garcia: [36:57] Nossa, é porque... Vamos ver. Tá, Nova York. Eu tenho uma história muito boa de Nova York que eu não tenho problema em falar, não. Na época do MySpace, eu morava em Nova York e aí eu ficava tipo mandando mensagem para várias pessoas que eu curtia. E aí um belo dia o CeeLo Green, que na época era do Gnarls Barkley, me mandou uma mensagem.
Eron Falbo: [37:24] Caraca, ele é uma das melhores pessoas dos últimos tempos.
Julia Garcia: [37:27] Muito bom, né? Dele: 'Olha, vem, vou lançar... vai ter o lançamento de uma vodka, se eu não me engano, era a Grey Ghost, e eu vou tocar. Então, se você quiser, eu vou deixar dois invites para você. É um negócio para 200 pessoas, embaixo de Times Square.' Aí o meu namorado da época ele falava assim: 'Júlia, não viaja. Quero Mick Jagger, quero Drake.' Ele falou: 'Cara, eu não viajo, ninguém faz esse approach no MySpace.' Eu: 'Tá, não custa nada a gente ir até lá, ver se tem esse tal ingresso mesmo.' Cheguei lá, tinha um ingresso. E aí, a gente foi na festinha, tipo, uma festinha pequena, 200 pessoas, do CeeLo, do lançamento.
Eron Falbo: [38:17] Caraca, que féria, que féria! E como é que foi essa festa? Conta como é que foi essa festa. Ai, meu Deus.
Julia Garcia: [38:24] Eu tava assim, uma... Tem seu lado bom e tem seu lado ruim. Porque, na época, não tinha Instagram, você não podia fazer stories, o celular era... Você não podia mostrar o que estava gravando. Então você não conseguia tirar... Tipo, a foto que eu tirei do CeeLo, se eu mostrar pra alguém hoje, vão falar.
Eron Falbo: [38:43] Ou seja, não aconteceu, né? A peça não aconteceu de verdade.
Julia Garcia: [38:49] Até a minha foto que eu tirei lá dentro, então você desistia. Então era bom, porque você acabava aproveitando mais, né?
Eron Falbo: [39:00] Ó, pra quem não sabe, o CeeLo Green é o cara que fez aquela música... Você ia fazer isso? Faz você.
Julia Garcia: [39:09] Total.
Eron Falbo: [39:12] Essa é a segunda que eu ia falar. São duas das músicas mais populares dos últimos 20 anos. Tipo, se for no recorde mesmo de vendas, são duas das músicas mais populares que rolaram. Então, uma foi como CeeLo Green, que é a Fuck You, e a outra foi como Gnarls Barkley, que é o Crazy. Então, um cara lendário no mundo da música, cara. O cara escreve hit matador. Eu sou músico frustrado, né? Então... O CeeLo Green é um...
Julia Garcia: [39:52] É muito bacana.
Eron Falbo: [39:54] Pô, assim, nisso que você conheceu ele, que você tirou uma foto...
Julia Garcia: [39:57] Não, eu tenho algumas histórias aqui. Tipo, uma do... Na época da Olimpíada, com os atletas, que acabei ficando parceira por causa de entrevista e tal. Júlia, vamos pra balada. Aí eu ficava assim: mano, não vai dar pra eu ir pra balada, porque agora, na Olimpíada, estou trabalhando como jornalista. Aliás, estou sempre como jornalista. Mas aí, por exemplo, imagina, vou pra balada lá com o Zambonis, aí vai aquela história lá daquela... Eu não lembro o nome dela, Jade Bolt, e aí tô eu lá nas fotos.
Eron Falbo: [40:35] É tipo estar no Leblon outro dia.
Julia Garcia: [40:41] Nossa, não, ia ser... Exatamente, não dá pra arriscar sair nesse momento de quarentena.
Eron Falbo: [40:50] Cara, graças a Deus eu tava em Ipanema, cara. Que porra...
Julia Garcia: [40:54] Imagina você na Capri, rodando o mundo, sem máscara, na Dias Ferreira, mó que emoção.
Eron Falbo: [41:00] Ah, total.
Julia Garcia: [41:02] É louco, não?
Eron Falbo: [41:04] No comment. Sem o meu advogado aqui eu não vou falar mais nada. Vamos ver as perguntas aqui, se tem alguma coisa muito interessante que não é constrangedora.
Julia Garcia: [41:17] Eu adoro perguntas constrangedoras. Até porque eu sei... Eu tenho zero vergonha, e muitas das vezes, assim, eu sempre tô numa situação que eu tô entrevistando a pessoa, né? Então eu não tô acostumada a quando, sei lá, eu fico meio apanhada, mas agora você já viu que eu tô solta, né.
Eron Falbo: [41:36] O cara me fala uma coisa. Hoje eu tava... Sabe, como é que você, já foi, você não foi no shopping, né? Você não tá...
Julia Garcia: [41:43] Saindo, não. Eu só fui na praia e tomei muito hate, assim, porque eu literalmente tirei uma foto, porque, mano, eu tô grávida, eu quero tirar uma foto na praia, de máscara, e a galera me deu hate na rede social.
Eron Falbo: [41:57] Cara, segunda vez que o Felipe, da nossa escola, que estudou com a gente, tá falando o meu nome. É Eron! Ele tá falando só Eron, obrigado, cara. Pô, fala alguma coisa, bicho. Então, hoje eu fui no shopping cortar o cabelo, fiz um corte Peaky Blinders. Mas eu fui no shopping pela primeira vez na vida, parecia, né? Tava lá, sabe a garota de Kansas que tá indo no shopping, saindo do carro? Caraca, o shopping! Aí eu fui entrando, assim, vendo luzes, uau. Aí o cara falou pra mim, irmão, entra na fila, porra.
Julia Garcia: [42:33] Que fila?
Eron Falbo: [42:33] Que fila pra entrar no shopping! Aí eu vi que tinha uma filinha daquelas, cada um indo assim. Aí o cara falou: "Porra, meu irmão, viajou na maionese." Aí eu tinha fila do que o cara queria entrar.
Julia Garcia: [42:46] Não, o pior é que não te dá meio que agonia, não, porque, assim, a gente já tá num lugar enclausurado, todo fechado, e aí você sai pra ir pra outro lugar enclausurado, todo fechado. E ainda, sei lá, eu, assim, quando eu vou sair, eu quero sair, tipo, fazer uma trilha, nadar no mar.
Eron Falbo: [43:04] É, mas se você fazer uma trilha, você pode fazer, porra, a planta não pegou Covid. Você não pode tirar foto que vai receber hate, pode falar pra ninguém.
Julia Garcia: [43:13] Tá aí uma coisa que eu sou sortuda, sabe, Eron, até hoje? Porque, querendo ou não, o pessoal na rede social dá muito hate, né? E às vezes por besteira. E eu vejo assim, a proporção de hate que eu levo com relação aos meus seguidores é muito pequena.
Eron Falbo: [43:32] É?
Julia Garcia: [43:33] Feliz.
Eron Falbo: [43:33] Mas comparado com outras celebridades, você recebe menos hate, você acha? Eu acredito, porque eu revelei no meu story anterior, entendeu? Você é a pessoa mais true que eu conheço, cara. Você fala as paradas na lata e parece que você cresceu nesse mundo, parece que seu pai já fazia isso antes, entendeu? Parece que você sabe se comunicar melhor que todo mundo, porra. É sinistro, cara. Não, mas tô falando sério, eu brinquei um pouco, mas é sério. É bizarro, cara, é bizarro. Vejo, tipo, você na cama, assim, sabe? Tipo a Paris Hilton, entendeu? Falando um monte de merda. Só que você fala um monte de merda, só que você não fala as merdas erradas, você fala as merdas certas.
Julia Garcia: [44:25] Ah, que bom! É porque tem uma linha tênue, né?
Eron Falbo: [44:28] É que eu não conheço a Julia, entendeu? A gente nunca se encontrou na vida, e eu tô querendo conhecer essa linha, tô querendo me comunicar melhor e tudo mais. O que me leva a isso hoje foi que, na fila, eu tava lá e o cara falou: "Viajou na maionese, cara." Que significa viajar na maionese, cara? De onde esse termo... é gíria?
Julia Garcia: [44:51] Dos anos 50, sei lá, então. Foi passando de geração em geração.
Eron Falbo: [44:59] Mas aí o que eu lembrei? Lembra quando a gente tava na escola, a galera... Quando a galera falava "viajar na maionese", o que significava isso? Significava que você perdeu o status social, sacou? Você falou uma merda, alguém falou: "Cara, você viajou na maionese." Um macaquinho no zoológico, um macaquinho tá lá comendo a bananinha dele, outro macaquinho rouba a bananinha: "Meu irmão, viajou! Meu irmão, banana é minha agora!" Viajar na maionese é uma desmoralização total da criança inofensiva que tá lá. E eu fico pensando: por que viajar não é bom? Tem a ver com o nosso tema. Por que a galera não fala, tipo, o cara tá na aula de física e ele respondeu a pergunta da história? Pô, o cara viajou, criatividade boa, viajou, maionese, coisa legal.
Julia Garcia: [45:46] Voltar aqui ficou errado, né? Às vezes era da matéria anterior, ele teve um super delay.
Eron Falbo: [45:52] Ah, isso tem a ver... Gosto de tudo, tá? Isso é uma coisa que eu queria te perguntar, que você tem experiência com isso: tipo, quando você tá sendo jornalista, tipo, eu tô te entrevistando, é uma coisa louca, né? Tipo, se colocar pra jogo, entrevistar uma jornalista. Como é que é essa parada de timing? Como é que é essa parada de viajar na maionese, tipo, sair do... sabe, perder o gancho? Como é que foi a sua experiência com isso?
Julia Garcia: [46:18] Quando eu tô num papel de entrevistadora, se diz...
Eron Falbo: [46:21] Ah, claro, pô, que é o normal, né?
Julia Garcia: [46:24] Então, muito raramente eu faço roteiro, porque eu prefiro que o papo flua assim. Às vezes as entrevistas ficam até muito mais longas por causa disso, mas você acaba extraindo mais coisa legal, porque você fugiu do roteiro. E tem horas que você fica bem frustrado, porque você entrevista alguém que a pessoa é aquela monossilábica, sabe? Não consegue falar outra coisa que não seja... Olha, a Vanessa Arneis aí!
Eron Falbo: [47:02] Vanessa Arneis está chegando! Nessa Flores? Você vê o que é empatia: está chegando com o refri, eu aqui com o vinho, ela fazendo a coisa certa.
Julia Garcia: [47:11] No caso, tem que chegar agora com a mamadeira. Essa daí é uma que me permite muito ter esse contato com a natureza.
Eron Falbo: [47:21] Ufa! É mesmo? Ela vai com você? Mas continua, que estava interessante a coisa dos ganchos, perder os ganchos.
Julia Garcia: [47:30] Sim.
Eron Falbo: [47:31] E entrevistas?
Julia Garcia: [47:33] Então, assim, tem pessoas que você acaba entrevistando que não rende nada. A pessoa não tem uma história. E até eu acho que o media training, de uma certa forma, atrapalha, porque você é tão treinado a ter uma postura diante de um repórter que às vezes você não consegue criar mais uma resposta. Você já tá com tudo tão pronto. Aí você fica assim: "Ai, cara, que saco. Por que essa pessoa deixou você tão manipulada por um media training?"
Eron Falbo: [48:00] Você perde a novidade, que é a melhor parte. Você perde o espontâneo.
Julia Garcia: [48:04] Era tão bom quando ela era autêntica, assim. Então, eu tenho, óbvio, as pessoas que eu gosto mais de entrevistar, porque eu prezo muito por essa espontaneidade e autenticidade em entrevistas. Mas, nossa, adoro.
Eron Falbo: [48:23] É muito melhor. Eu tô fazendo meio que amador isso aqui, né? Eu tô gostando muito do tipo, pô, pega um assunto e vai acontecendo coisas. Como tá acontecendo agora, todo mundo tá vendo aí, totalmente... Se a gente tivesse ensaiado isso...
Julia Garcia: [48:41] Não, e o tempo passa rapidão, aí você não percebe, né?
Eron Falbo: [48:45] Tipo num jogo de futebol, você vê.
Julia Garcia: [48:47] Os caras lá no campo, sempre a mesma pergunta, sempre. Sim.
Eron Falbo: [48:52] Cara, é muito chato, não consigo, cara. Não aguento, eu fico assim, cara.
Julia Garcia: [48:54] Por que ainda precisa de repórter, às vezes?
Eron Falbo: [48:56] Mas por isso que eu tô fazendo isso, sacou? Eu tô fazendo isso pra poder sair da caixa, sacou? Pô, vamos fazer uma parada que não tem nada a ver com... Não tem programa nisso, são pessoas... Esse é o tema. Mas tem... O Felipe finalmente falou uma pergunta aqui que eu acho que vai ser legal. Ele falou... Fala pra Julia falar das festinhas na casa dela.
Julia Garcia: [49:15] Eles já vêm em alguma? Fiquei curiosa.
Eron Falbo: [49:20] Ela não deve ter vindo, eu sei. Eu já vim, eu lembro, com 7 anos, na sua piscina.
Julia Garcia: [49:27] Ah, gente! Nossa, não, as festas... Olha, desculpa, gente, mas a minha mãe arrasava pra organizar a festa. E eu já falei pra ela que ela vai ter que buscar isso na memória dela pra fazer, todo ano, uma festinha pro Davi. Gente, era muito da hora, porque... Eu acho que o pessoal... Olha, a Vanessa falando que nunca foi convidada, eu sempre fui. O pessoal sempre ficava muito na expectativa das festinhas, assim... É o que me dizem, tá? Eu vou tentar manter a humildade aqui, mas é o que me dizem. As festinhas na casa da Cleo e lá em casa eram, assim, as mais esperadas.
Eron Falbo: [50:09] Total, é verdade. E eram praticamente os hubs, né? Tipo, a gente só lembra do nome um do outro por causa da casa de vocês, sacou?
Julia Garcia: [50:19] Era muito legal. A Cleo sempre... Ela trazia um nível acima na hora das lembrancinhas. Porque, pô, ela deu um coelho, né? Coelho pra todo mundo nessa festa aí.
Eron Falbo: [50:31] Eu lembro disso, cara. Eu tava nessa parada, cara.
Julia Garcia: [50:36] Pra raiva de todos os pais, né? Mas lá em casa também era muito bom, porque sempre tinha tema, assim.
Eron Falbo: [50:44] Ai, eu tenho só lembrancinha. Mas lembrancinha é uma arte que não existe mais, né? Tipo, pelo menos de adulto não tem tanto. Devia ter mais, né, pô?
Julia Garcia: [50:54] Bring lembrancinhas back.
Eron Falbo: [50:56] Total, cara. Eu fico vendo, cara, lendo sobre histórias, sobre peças sinistras das antigas, tipo o baile preto e branco... Qual o nome dele? Esqueci o nome dele. O baile surrealista da Marie-Hélène de Rothschild. Pô, tinha jogos, tinha brindes... Era muito legal.
Julia Garcia: [51:18] O aniversário do Davi já definiu o tema do primeiro ano dele. Vai ser Estúdio 54 para crianças. Vai ser legal. As criancinhas chegando, vai acabar limpando.
Eron Falbo: [51:39] Agora você viajou na maionese.
Julia Garcia: [51:45] Isso eu também.
Eron Falbo: [51:47] Eu tô falando isso no termo positivo, sabe? O garoto falando: "Pô, o cara viajou na maionese, que bonito." Agora você viajou na maionese de Dijon, sacou? Você fez uma coisa bonita, você fez bem. Eu tô te apoiando nisso, cara. Você entende isso, cara? Viajar na maionese, às vezes, é bom, cara.
Julia Garcia: [52:07] É bom? É bom, você exercita a criatividade, coisa que o mundo censura quando a gente é muito pequeno, né?
Eron Falbo: [52:14] Exatamente, é isso que eu tava falando. Por isso que eu lembrei, eu tava na filazinha lá, em 1984, deu o All Pink Floyd, sacou? Com o próximo da fila. Aí entro no shopping, ponho o álcool em gel e falo: beleza, vamos respeitar, mas é meio viagem, assim, turista distópico, né? Aí eu lembrei do Viaja da Manhã. Ou seja, eu próprio viajei.
Julia Garcia: [52:37] Era um filosofão na Viaja da Manhã, né? Deixa eu só falar aqui, o BSB Grill tá aqui. Nossa! É minha vida. Eu amo a esfirra deles, é a melhor esfirra. Eu, se eu tivesse grávida em Brasília, olha...
Eron Falbo: [52:54] Ganhei um cliente aí, na próxima vez que eu for. Eu nunca fui no BSB Grill, mas eu...
Julia Garcia: [53:01] É muito bom.
Eron Falbo: [53:04] Se você lembrar assim... todos os lugares.
Julia Garcia: [53:06] Toda vez que eu vou em Brasília, a gente vai falando de coisas assim, eu mudo completamente.
Eron Falbo: [53:13] Então, mas é isso que acontece com a gente, cara. Quando a gente tá numa coisa que a gente não tá mais acostumado a fazer, cara, é muito bom pra criatividade. Sério, a próxima vez que você for pro shopping, me fala isso. Vai pro shopping, você vai ver como isso aí, porra, é a Disney, sacou? É o mundo de novas ideias, novas coisas. Cara, muito legal. Vai pra praia. Eu fiz um post sobre isso outro dia, sacou? Que a gente se anestesiou do que era óbvio. Antes era tudo muito óbvio. A gente tinha um monte de coisas legais na vida e era tudo muito óbvio. Agora a gente tá dando valor que a gente não tem essas paradas todas. E agora, na volta, no processo que a gente tá voltando pras coisas normais, vai ser uma grande viagem. Só você sair de casa, ir pra praia, ir fazer uma trilha, ir visitar uma amiga, vai ser uma grande viagem, sabe? Isso é uma coisa... vai valorizar as coisas mais simples. É, e é muito bonito isso. Isso é um lado quase transcendental de pensar nisso. Tipo, uma coisa, a gente conseguir ver com esses olhos a coisa que a gente take for granted, que a gente achava óbvio antes. É uma gratidão, uma... você sabe que.
Julia Garcia: [54:25] Pré-pandemia eu sempre chego muito em cima da hora no aeroporto. Sempre, sempre. É uma coisa surreal, assim. Eu sou sempre aquela pessoa que tem que cortar a fila no raio-x porque senão vai perder o voo, aí tira o sapato, sai voando descalço até chegar lá. Essa sou eu. Então, agora, a saudade que eu tô já de aeroporto é capaz de eu chegar cinco horas de antecedência pra uma ponte aérea.
Eron Falbo: [54:53] Ficar lá no aeroporto.
Julia Garcia: [54:55] Que incrível isso, esperando aqui no saguão. Que momento.
Eron Falbo: [55:03] Vou te fechar, cara. Julia, a gente tá acabando aqui. Falta, sei lá, um minuto, dois minutos. Então vamos encerrar com dignidade e não acabar no meio da sentença. Eu queria agradecer a sua presença, assim, do fundo do coração. Espero que a gente faça isso 100 mil vezes fora da câmera, mas algumas vezes na câmera de novo.
Julia Garcia: [55:24] Com certeza.
Eron Falbo: [55:25] Então é isso. Muito obrigado, querida.
Julia Garcia: [55:27] Obrigada a você. Já tô doida pra você conhecer o Davi. Obrigada a todo mundo que tava aqui. Manda um beijão pra sua família, beijo pra todo mundo da EAB, beijo pra...
Eron Falbo: [55:35] Todo mundo que acompanha, nos esportes. Beijão!
Julia Garcia: [55:39] Beijo!
No Alvo com Eron Falbo · episódio #9 · todos os episódios