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Eron Falbo: [0:05] A publicar seu primeiro livro, porque você tem um milhão de livros já publicados e você tem, no máximo, vinte e poucos anos.
Renata Vázquez: [0:13] Exatamente, é tipo isso. Não, eu comecei a escrever em 2000, assim, escrever mesmo desde sempre, só que eu escrevia em espanhol e eu escrevia só poesia no início. Daí eu fiz um mestrado em Barcelona, onde eu fiz jornalismo, e eu não queria voltar pro Brasil. E quando eu voltei, eu fiz um blog, daí as pessoas falavam assim: "Tá no Brasil, você tem que escrever em português." Aí eu tive que me retraduzir, porque eu não sabia nem mais assim onde colocar mesóclise e próclise. E aí, assim, dez meses depois de estar no Brasil, eu comecei a escrever meu primeiro romance, e nem sabia como eu ia descrever o romance, assim, não foi premeditado. Você tinha quantos...
Eron Falbo: [1:01] Anos quando você voltou pro Brasil?
Renata Vázquez: [1:04] Tinha 30, eu acho.
Eron Falbo: [1:08] E você fez mestrado em jornalismo no Columbia University?
Renata Vázquez: [1:13] Era da Universidade de Barcelona, em parceria com a Columbia. Era dupla titulação.
Eron Falbo: [1:18] Então, dois mestrados. Eu achei que era dois mestrados que você tinha.
Renata Vázquez: [1:21] Não, era dupla titulação, mas a gente tinha professor de lá, professor catalão, era bem misturado.
Eron Falbo: [1:28] Isso aqui. Você fez mestrado, doutorado, várias coisas, e ele ficou um pouco intimidado na conversa. E, assim, jornalismo, você nunca fez nada a ver com isso?
Renata Vázquez: [1:50] Trabalhei na Espanha, trabalhei no La Vanguardia, que era um jornal bilíngue, saía a edição em catalão e saía a edição em português. E pra mim era bem tranquilo, porque assim, embora não tenha estudado catalão, nunca me interessei, porque eles eram muito nacionalistas e isso me dava uma broxada. Mas assim, por falar português e francês, eu entendi o catalão completamente. Óbvio que eu trabalhava nas matérias em que eu redigia espanhol, mas se tivesse uma conferência e eu precisasse cobrir alguma coisa em catalão, pra mim era tranquilo, sabe? E eu ficava irritada também, porque sabiam que eu era advogada e me mandavam muito pra matéria de tribunal. Aí eu falei, gente, eu tô, sabe, saindo desse caminho e tão me enfiando de novo. Mas era muito divertido.
Eron Falbo: [2:36] E assim, como é que você começou nessa onda do ocultismo, do esoterismo?
Renata Vázquez: [2:42] Cara, eu posso até te mostrar essa cadeira aqui. Porque eu acho que algumas pessoas vêm com uma herança de magia tanto ancestral, isso sim é uma teoria minha, tá? Tanto ancestral quanto sanguíneo.
Eron Falbo: [2:58] Então...
Renata Vázquez: [3:08] Eu acho que eu tenho isso nas duas vertentes. Tem toda a magia ancestral, que ok, eu lembro, recordo, acesso aos registros de forma involuntária. Agora já está sendo mais voluntário. Mas, na minha família, eu tive pessoas importantíssimas. Da parte da carícia do meu pai... Oi?
Eron Falbo: [3:36] O que quer dizer acessar os registros?
Renata Vázquez: [3:39] Ah, registros akáshicos, quando você termina recordando vidas passadas, assim. Mas...
Eron Falbo: [3:45] Registros akáshicos. Eu sei, mas eu quero falar para pessoas que não sabem.
Renata Vázquez: [3:51] Ah, tá. Então, é a possibilidade de você acessar não só as suas próprias existências passadas, mas também você pode acessar informação que, de repente, não está no seu cérebro físico. Isso já aconteceu muito comigo pela escrita. No início, eu achei que fosse coincidência, mas depois, tipo, aconteceu num livro, no outro, no outro, tipo, putz. Né? Assim.
Eron Falbo: [4:11] E às vezes... Tipo um DNA do cosmos, né?
Renata Vázquez: [4:16] Tipo uma coisa... Tipo um iCloud.
Eron Falbo: [4:19] Você pode acessar registros, como se fosse qualquer coisa que existe, já existiu, vai existir, está nesses registros akáshicos, né? Que estão aí e podem ser acessados com uma certa acessibilidade.
Renata Vázquez: [4:35] Sim. E isso pode ser desde linha do tempo, desde uma própria existência sua, ou uma informação que está fora do seu cérebro, sei lá. Tipo, eu escrever um livro que se passa em Bogotá, nunca fui a Bogotá, e colocar dois bairros que realmente existiam sem nunca ter ido. Aí eu falei, ok, coincidência, foi a primeira vez. Daí meu editor, na época, não queria que eu falasse isso, porque ele achava muito bizarro. Mas daí foi acontecendo outras vezes também.
Eron Falbo: [5:08] Só um segundinho. A gente tá fazendo um sistema novo aqui. E é para o bem de todos. É para melhorar a qualidade de som, de imagem, de tudo. Só que tem novidades e a gente tá um pouco confuso.
Renata Vázquez: [5:25] Não, tá perfeito.
Eron Falbo: [5:26] A tecnologia da parada. E sua imagem tá super boa também. Você deve ter um ring light aí.
Renata Vázquez: [5:34] Estou fritando aqui contigo, nesse ring light aqui.
Eron Falbo: [5:37] É mesmo? Que honra.
Renata Vázquez: [5:39] É.
Eron Falbo: [5:41] É isso mesmo, tem que só apertar pela zoom in e só depois enquadrar. Pra baixo. Isso, tá bom. Tá bom, tá bom, tá bom. Valeu. E aí, eu tô aparecendo bem?
Renata Vázquez: [5:57] Tá, tá perfeito. Com o violeta e tal, assim, deu uma... Cromacitada, perfeita, super alinhada.
Eron Falbo: [6:07] Valeu. Vamos falar, cara, você sabe que eu sou um pouquinho do ocultismo, eu gosto um pouco do ocultismo, por isso que eu tenho Wagner ali, o compositor. Poucas pessoas sabem, mas Wagner também era super por dentro do ocultismo, ele gostava muito, ele tinha um algo de mitologia, de outras coisas, mas a verdade é que ele gostava de uns rituais. E, cara, vamos falar um pouco sobre isso, que eu acho que muita gente se interessa, que você se autoproclama, autointitula bruxa. E eu queria saber de você o que isso implica. Porque existe uma concepção no consciente popular, no inconsciente popular, e existe uma prática, vamos dizer, do dia a dia, uma coisa que se faz. O que é essa coisa que se faz? O que você faz no dia a dia pra ser bruxa?
Renata Vázquez: [7:07] Eu acho que, de repente, não é nenhuma coisa que se faz no dia a dia. É a forma como você existe, é tudo que você respeita, com tudo que você se conecta. Então, assim, se eu fosse hindu, eu poderia falar... Às vezes, você tem certas habilidades. A escrita é um canal, é um canal de conexão. Você tá sendo um vórtice. Assim como um médium na Umbanda tá sendo um vórtice. Sabe? Assim como uma pessoa de um candomblé tá sendo um vórtice, assim como um espírita que tá psicografando tá sendo um vórtice. Então, às vezes, você tem algumas habilidades, sei lá, seja uma clara audiência, seja uma telepatia, seja uma escrita canalizada, daí também você já poderia dizer, ok, é uma bruxa, beleza? Mas assim, desde habilidades de orar, por isso seria o mais tradicional, o mais... Catalogado, controlado, digamos assim, mas acho que tem, hoje em dia, a presença da bruxaria em si, eu não diria tanto do paganismo, porque tem muita gente usando o termo sem realmente mergulhar e abraçar e ter essa devoção tão pura pelo paganismo. Então, acho que passeia por aí.
Eron Falbo: [8:22] Devoção, porque para mim foi o que ficou comigo, Antes da gente entrar no teórico, em termos de prática, não tem feitiços, não tem amuletos, não tem coisas que você faz no dia a dia que são... Da carteirinha do clube.
Renata Vázquez: [8:44] Tem, óbvio que tem, óbvio que tem. O meu altar, assim, tem toda a parte embu, depois tem a parte do paganismo, a parte egípcia, assim, você vai acoplando a Grégoras, tem todos os ornamentos que, obviamente, eu uso, tem a parte da meditação e você fazer seu campo de proteção, tem toda a alunação, o aluno, né, que você vai precisar fazer ali um banheirinho.
Eron Falbo: [9:14] Mostrar seu altar ou é contra as regras?
Renata Vázquez: [9:17] Não, eu nem tô, não. Altar é igual mandar nude, assim. Eu acho até mais... Olha, e quem.
Eron Falbo: [9:24] Tá encerrado mandando nude? Uma galera manda, pô.
Renata Vázquez: [9:26] Do altar?
Eron Falbo: [9:28] Eu também não mostro meu altar. Na verdade, o meu altar aqui em casa é escondido de uma forma que a pessoa tem que saber o que é o altar pra poder saber. Então tá escondido, como é que chama isso? Em plena luz do dia. Esqueci o nome disso em português. Mas eu entendo isso, porque a ideia de estudantes, pra mim, vê se você concorda com isso. Porque você sabe que a gente vem de escolas de ocultismo um pouco diferente, né? A minha é do mal, a sua é do bem. Você é a bruxa, eu sou charlatão. São coisas de backgrounds diferentes.
Renata Vázquez: [10:11] Mas os personagens são reais.
Eron Falbo: [10:13] Óbvio.
Renata Vázquez: [10:15] Mas ambos os personagens são reais, então tá ótimo.
Eron Falbo: [10:18] É, fale com você, André. Não, tô brincando. Mas eu estudo o oculto, eu gosto de estudar, eu não gosto de falar que eu sou mago, nem nada do tipo, porque realmente o que eu gosto mesmo é de estudar. Como eu te falei, eu sou cético e tal, mas esse é outro assunto. A minha questão do meu altar, o jeito que eu vejo é que, como eu tava falando, é assim: uma auto-hipnose. Ou seja, o que é auto-hipnose? Quando você se auto-hipnotiza, você quer reforçar um mantra. Um mantra que você está falando: 'eu sou bonito, eu sou bonito'. Aí, nos seus próprios olhos, mesmo que você não seja bonito como eu, nos seus próprios olhos, pelo menos, você fica parecendo. Não é só sua mãe que fala, porque na sua mãe você não acredita, mas fazendo uma auto-hipnose para você mesmo, você passa a acreditar, pelo menos um pouco. Não é que a auto-hipnose seja absoluta, mas ela ajuda um pouco. Se você passar o dia inteiro falando 'eu sou bonito', pelo menos você não vai ficar achando que você é feio quando você não é, entendeu? Então, afinal, isso funciona de uma certa maneira. Se você tem um altar que você volta o tempo todo, que você acende uma vela, que você põe incenso, que está em um lugar importante da sua casa, que tem certos elementos da sua vida ou que sejam importantes para você, eles servem de lembrança para o seu inconsciente, e pro consciente, mas especialmente pro seu inconsciente, porque você não tá conscientemente registrando essas coisas o tempo todo. É de você criar, conscientemente, uma identidade de quem você é. Ou seja, eu vou dar um exemplo do meu, e depois você me fala do seu, pra ver se a gente tá no mesmo planeta, né, sobre essa interpretação. Mas, por exemplo, eu ponho uma imagem minha quando eu era bebê, outra imagem de quando eu era criança, antes de eu perder a minha inocência, ou seja, para poder ter acesso à minha inocência. Eu ponho certas cartas de tarô que me remetem a coisas positivas. Eu tenho uma balança do Livro dos Mortos egípcio, que... não sei se você conhece isso, mas de um lado tem um coração e do outro lado tem uma pena, e está tudo no mesmo peso. E isso era: quando você chegava lá, para poder entrar na sala de Osíris, você tinha que passar por essa antessala, e o seu coração era retirado do seu corpo e colocado nessa balança para ver se tinha o mesmo peso de uma pena. Estou falando, era uma ocasião histórica: o seu coração era colocado dentro de uma balança para ver se tinha o mesmo peso de uma pena. E se tivesse, ou seja, se o peso da sua consciência tivesse que ser como uma pena, aí você podia ter acesso ao mundo dos mortos, que era uma maravilha. Eu falo de primeira mão, porque vale a pena você ter um coração muito leve. Mas esse tipo de coisa eu não vou dar mais detalhes, até porque as pessoas têm que ser muito íntimas minhas e visitar a minha casa e conhecer o meu altar pessoalmente para poder ter acesso a essas informações. Mas você entendeu o que eu estou falando? São coisas que te dão uma lembrança para você poder construir seu caráter, sua alma, sua persona, de uma forma que você ache positiva. Eu, por exemplo, acho que é super positivo você ter uma consciência leve, por isso eu tenho essa porra desse negócio do Livro dos Mortos, sempre lá me lembrando disso. E para você, o que é o seu altar, Renata Vázquez?
Renata Vázquez: [14:04] Olha, eu concordo muito com a parte que você falou, de repente, sobre auto-hipnose, não sei se é isso que você falou. Mas assim, eu vejo como também uma grande automagia nesse sentido. E acho que é como se fosse também uma dimensão paralela, um santuário. Ali é, assim, mais do que um templo, é um momento de conexão. Eu também faço coisas muito parecidas com você. Sei lá, tem o oráculo de Ísis, que às vezes eu vou tirando alguma carta, então eu boto a energia que eu tô precisando ali. Tem o Lenormand, ou então até uns guardiões mais do xamanismo, assim, que são já mais recentes. Mas é esse portal, assim, presente. E, óbvio, a gente vai regando e cultivando a energia que você está precisando naquele momento, seja de proteção, seja algo que você quer eliminar. Ou, assim, a cada lua nova você vai semear uma intenção para os próximos seis meses. Às vezes vai acumulando... Como é que você elimina?
Eron Falbo: [15:07] Não, tá, preciso usar um exemplo real, mas hipotético. Como é que você elimina? Tipo assim, ó, uma pessoa chata que você quer tirar da sua vida, o que você faz?
Renata Vázquez: [15:20] Olha, pode ser... escrever numa folha de louro. Geralmente, quando é mais pra eliminar, eu faço fora do altar, assim, entendeu? Mas quando você precisa...
Eron Falbo: [15:30] O que você faz fora do altar?
Renata Vázquez: [15:35] Quando é mais magia de banimento.
Eron Falbo: [15:37] De banimento? Ah, tá, ritual de banimento.
Renata Vázquez: [15:41] Isso, eu não vou fazer ali, mas certamente eu vou ter um campo de proteção ali antes, entendeu? E dá pra você medir muita coisa, né? Assim, às vezes, sei lá, uma vela que começa a queimar errado, ou, sei lá, uma folhinha de lírio que deu uma chamuscada. Você tem os sinais, assim, pra perceber o que funcionou, o que não funcionou.
Eron Falbo: [16:01] É que você sabe se eu tô errado nesses sinais? Isso pra mim é uma coisa que eu não sei, né? Pra mim, eu sempre suponho que eu tô errado, então eu não sigo. Como é que você... tipo assim, eu sei que tem uma medida de unidade, mas como é que você sabe se você está viajando, ou se, tipo assim, se pilotaria um avião com sinais? Ou, tipo, se estivesse pilotando um avião e falasse 'não, é melhor agora eu desacelerar, acelerar', ou você seguiria as medidas do equipamento eletrônico?
Renata Vázquez: [16:33] Não, nesse caso, eu seguiria as medidas.
Eron Falbo: [16:37] Eu sei, mas é a minha pergunta pra você: qual o nível de confiança? Tipo assim, de 1 a 10, aparece um sinal pra você? Ou depende do sinal, se é mais forte ou menos forte?
Renata Vázquez: [16:50] Não, geralmente você sabe, hein. Você sabe se você tá calibrado pra fazer, assim... você tem essa permissão, essa intuição, seja por clariaudiência ou não, sabe?
Eron Falbo: [17:02] É calibrado assim também, porque, assim, só pra destrinchar tudo: calibrado é quando você tá certo? Calibrado é quando você tá, talvez... se você se preparou bem, que você não tá distraída, que você tomou banho essa semana, que você tá concentrada, que você não está impura nas intenções? É esse tipo de coisa que é calibrado?
Renata Vázquez: [17:29] Sim, e também num estado de harmonia energética consigo mesma. Essa questão da pureza que você falou é belíssima, porque isso até faz parte do Tratado de Magia Branca. Mas, principalmente, aquela mente flerte pra você saber que a sua intenção tá forte, porque não vai ter magia que segure se a sua intenção não estiver forte. Isso você sabe, todo mundo sabe. Acho que até a pessoa que vai lá, o católico que vai acender uma vela, que está duvidando daquilo... ok, isso é uma classe de magia, a gente pode falar disso depois, mas se ele estiver exitoso, eu acho que vai tudo por aí.
Eron Falbo: [18:06] Eu acho que esse assunto é muito legal da gente aprofundar um pouco mais, que é a questão da importância da vontade, da glândula volitiva, sei lá como é que fala isso, mas a nossa capacidade humana... Quando a gente fala vontade, em inglês é will, né? Vontade, em português, é tanto desire quanto will, em inglês. E às vezes eu acho que em português confunde muito, porque vontade é a carta do mago, do tarô, das varas... como é que chama? As varas? Wands. Em português, como é que fala? Vara?
Renata Vázquez: [18:51] Wands, né? É.
Eron Falbo: [18:54] O naipe das wands tem essa parada da vontade divina, não é uma vontade tipo 'eu tô com vontade de tomar sorvete'. É uma vontade que atropela os pensamentos, que atropela as ações, que atropela os desejos, inclusive. É a sua vontade das vontades, é uma coisa que tá no corpo dos corpos. Tipo assim, dentro do hinduísmo tem aquela coisa que a gente já conversou sobre isso, que a teosofia fala, os sete níveis da mônada: o primeiro nível físico, depois energético, depois emocional, depois kama-manas, que é a mente inferior, depois manas, que é a mente pura, depois budhi, intuitivo, e depois atma, que é o coletivo, que é a vontade. Atma é o indivisível. E a única coisa indivisível que o ser humano tem, que é a atma, vem do sânscrito, mas em grego seria atmos, significa indivisível. Mas o que eu quero dizer com isso tudo, o que eu quero explorar com você é a importância da vontade dentro da magia. Porque muita gente, eu acredito que é religiosa, que é do mundo profano, da magia profana, vamos dizer, não entende, acha que se você falar uma reza, ou se você, sei lá, acreditar em Jesus, algumas coisas mágicas vão acontecer na sua vida. E não põe muito nessa equação, nessa fórmula, a vontade, a vontade pura, a intenção. Quando eu falo vontade, também quero dizer intenção, porque a intenção eu acho que é a expressão da vontade, de uma certa forma. É você alinhar a sua vontade com a sua ação, talvez, sei lá. Mas o que você tem a dizer sobre isso que eu tô falando? Qual é, dentro da magia, dentro desses rituais, a importância, o poder da vontade e da intenção.
Renata Vázquez: [20:55] Eu acho que é o alicerce primordial. Se você tá fazendo de forma mecânica, não vai funcionar. É o que eu acabei de falar. Pelo menos na questão da magia branca, a pureza é a regra nova, é a regra que vai motivar tudo. A vontade também é, sei lá, o combustível primordial. Se a sua vontade tá branda, não tá fortalecida, não é um pilar total, não vai funcionar, não vai funcionar. A vontade nasce de uma mente forte, de uma mente estável. Então, assim, é matéria-prima básica, né?
Eron Falbo: [21:36] Por isso que magia nunca funciona comigo, né? Porque a minha mente é super instável.
Renata Vázquez: [21:40] Não, não acredito, não. Teria que fazer um inventário.
Eron Falbo: [21:46] Você tá fazendo um elogio maravilhoso. Realmente, tô brincando. Eu já fiz de tudo, né? E, cara, na minha experiência com magia, com rituais de magia, acho que também vale uma breve explicação do que é magia. Quando a gente fala magia, primeiro, não é ilusionismo, não é tirar coelhos de chapéus, e também não é Harry Potter, no sentido de que é uma coisa tão simples que você fala umas certas coisas e acontece um monte de... Ao mesmo tempo, não é tão longe do Harry Potter. O Harry Potter não tá no caminho certo. E também, cara, me corrija se eu estiver errado, essa é a primeira live que eu faço com alguém que tem, assim, um nível de prática de ocultismo parecido com o meu. Aí eu tô um pouco empolgado de falar desses assuntos.
Renata Vázquez: [22:44] Tá, mas acho que é por isso até que o Crowley botou a magia com K, e agora você também endossa o que eu tô falando, né, para diferenciar da magia ilusionista, né, da mágica, né, que em português a gente tem duas palavras, mas eles não, então...
Eron Falbo: [23:02] Total, é isso. O Aleister Crowley é um... Talvez um dos maiores, de acordo com muita gente, ele é um dos maiores, e certamente uma pessoa a ser estudada por qualquer estudante de ocultismo. E o que ela está falando é que ele mudou a palavra magia, em inglês magic, para escrever com CK e não só com C, porque magic com C virou profano nas palavras dele. Ou seja, as pessoas passaram a usar da maneira errada. Então ele fala: quando você está falando de magia, vamos dizer, de alguém tão estudioso da magia mesmo, da magia real, e não magia Harry Potter ou magia ilusionismo, aí vamos mudar a palavra para ser escrita de uma maneira diferente, para a gente não confundir as duas coisas. E eu acho que isso é muito importante, porque realmente a gente está falando de intenção, de vontade e tudo mais, a semântica dentro da magia é muito importante também. Porque quando a gente entende uma palavra errada, a nossa autohipnose também está errada. Então, se você entende que magia é Harry Potter, e você fala 'porra, eu quero fazer magia melhor', você pode, sei lá, se virar diretor de cinema. Se você entende que magia é ilusionismo, você pode virar um mágico de circo. Porque a semântica é muito importante na hora de fazer... E acho que também é outra coisa, é uma falha de concepção no mundo moderno, né? Que as pessoas acreditam que as palavras são meio que... Não, é uma coisa e pronto. Mas, cara, as palavras, pra cada pessoa, é uma parada. Então, na minha opinião, você tem esse trabalho também de, tipo, de semântica, assim? Conhecer mais profundamente a palavra para poder acertar aquela potência da palavra.
Renata Vázquez: [25:15] Não, total. E quando é, sei lá, um spell, assim, que em português a palavra é muito... né, quando é uma magia, vamos traduzir assim, às vezes eu escrevo em inglês e aí sempre precisa ter uma rima, parece uma coisa até celta, meio arcaica, mas assim, quando é em português, eu também, assim, nunca, jamais eu vou colocar uma palavra negativa, não, porque eu já tô anulando. Assim, eu com as palavras, não sei se é por ser escritora ou não, mas assim, é um cuidado minucioso. Realmente já teve coisa que eu tive que refazer, porque as palavras não estavam totalmente alinhadas.
Eron Falbo: [25:54] Cara, tem umas palavras, é muito incrível isso. Tipo assim, no hebraico... Eu esqueci a palavra agora do hebraico. Procura aí, Kátia. Mentira, desculpa. Tem uma palavra no hebraico que está na Bíblia, em Isaías, que fala que a mãe de Emanuel vai ter um filho... Eu devo estar errado sobre isso exatamente, mas tem uma palavra que em hebraico significa uma jovem menina. E os cristãos traduziram isso como uma virgem, porque eles aprenderam pelo grego. No grego, a palavra que eles traduziram é muito similar a uma virgem, eles interpretaram como virgem. E os cristãos usam isso pra provar que Jesus foi profetizado por Isaías muito tempo antes. Só que no hebraico não existe essa conotação, é uma jovem menina, não uma virgem.
Renata Vázquez: [26:57] Entendeu?
Eron Falbo: [26:58] E, sem contar que Emanuel não é o vencido. Mas só um exemplo. Tipo assim, uma semantiquinha pode causar toda uma crença religiosa milenar, entendeu? Uma pequena falha de tradução pode ser justificada, tipo assim: Nietzsche foi retraduzido pela irmã dele para provar que Nietzsche era anti-semita. Estou dando exemplos que são um pouco mais acadêmicos, sei lá, mas quando você fala do poder de uma palavra específica, o seu entendimento muda tudo, sacou? Muda o seu próprio nome. Uma parada que eu aprendi, que é de magia, eu vejo como magia, que eu até aconselho para o público, para quem estiver nos ouvindo, é assim: ressignificar o próprio nome, por exemplo, é muito importante, porque o nome é uma parada que, mesmo se você quiser, você vai ter que forçar muita barra para mudar. Então, o ideal é você aprender a etimologia do seu nome e a história do seu nome e jogar fora todas as interpretações negativas e escolher as interpretações boas. Tipo assim, o meu nome secretamente vem do meu tio-avô, que é Eronides. Então, o nome do Nordeste, sei lá, inventado, que não significa nada... Só que Eron, em grego, é genitivo plural de herói. Então, genitivo, filho, plural, doce, filho dos heróis. Aí o herói fica chique. Agora eu saí do Sergipe e fui pro céu, pro Monte Olimpo. Você tem esse tipo de ressignificação consciente, tipo: vou mudar o significado da palavra?
Renata Vázquez: [28:56] Não, eu tive... Quando eu comecei a publicar mesmo, assim, aí eu coloquei a grafia mais exata da minha parte espanhola, assim, porque aí foi uma homenagem. E aí, realmente, assim, não sei se foi inconsciente, mas aí eu tô voltando até pro início da nossa conversa, porque assim, nessa ramificação da minha família, na parte da Galícia, assim, a minha avó mesmo e a irmã dela mais velha, assim, elas rezavam as pessoas com plantas e tal. Então, assim, a parte da magia sanguínea já estava aí. Mas, assim, eu ressignifiquei o nome dessa forma, assim, né? Assim, eu peguei e... O primeiro nome eu sempre soube o que significava: renascida e tal. Então tem o pleonasmo, porque meu outro nome também fala de nascimento. Então, né, nasce tantas vezes. Acho que isso é sansara. Enfim.
Eron Falbo: [29:50] Eu sempre cheio de sansara. Ai, sansara, de novo.
Renata Vázquez: [29:55] Total, total. Mas ressignifiquei dessa forma: eu homenageio as minhas antepassadas que tiveram um trabalho tão forte. Essa parte de por que elas vieram para o Brasil, eu não sei. Pode ter alguma coisa parecida com o meu quinto livro, não sei.
Eron Falbo: [30:15] Porque hoje em dia eu não sou de leitura, cara.
Renata Vázquez: [30:19] Você faz isso. Não, mas isso é o quinto livro, aí você tá tipo me trollando, né?
Eron Falbo: [30:26] Eu não li, infelizmente eu não li. Eu tô esperando você mandar o livro até hoje, que você teve uma, pô, descordialidade. Vocês acham que eu tenho dinheiro pra comprar livro, pô?
Renata Vázquez: [30:36] Não, acho que não.
Eron Falbo: [30:38] Não faço pra ninguém, Renata. Mentira, é porque eu quero autografada e eu me recuso a ler se não for autografado por você.
Renata Vázquez: [30:45] Mas eu tenho uma pergunta pra você. Você, enquanto mago, você tá na galera que acredita na Triple Law? Que tudo voltaria três vezes? Ou não?
Eron Falbo: [30:59] Cara, olha só. Primeiro, assim, em público eu não me autodenomino mago. Isso aí é uma coisa que, pra mim, pode pegar mal em certos círculos. Até porque eu ganho dinheiro ainda no mercado financeiro. Tem gente que me paga uma grana, e se soubesse que eu sou supostamente mago, eu acho que eles não me dariam o dinheiro. Eu não colocaria dinheiro na mão de alguém que se chama de mago, sinceramente. A chance de ser infantil é muito grande. Mas respondendo a sua pergunta: cara, eu sou extremamente cético. Eu estudo o budismo, eu não acredito em nenhuma regra doutrinária tipo essa. Eu acredito no mecanismo. Vou dar um exemplo, por exemplo, do judaísmo. O judaísmo tem uma regra, supostamente, que quando você está tentando se converter para o judaísmo, os rabinos são obrigados a te negar três vezes antes de você... Se, depois da terceira vez que eles te negaram, você ainda queria se converter, aí eles podem te aceitar. Mas essa regra é o quê? É tipo, falaram: 'porra, verifica se o cara tá sério'. Ao mesmo tempo que tem essa regra, tem um grande rabino chamado Hillel, no Talmude, que põe o cara em pé numa perna só, tipo aquela coisa com as pernas pro alto, uma perna só, e fala: fala numa sentença qual que é a síntese do judaísmo. Aí ele fala: 'ame ao próximo como a si mesmo', que todo mundo acha que o cristianismo e o evangelismo tinham muito antes. E aí o cara falou: 'tá bom, você pode se converter'. Ele não negou nenhuma vez, fez esse teste, falou: se você entende a coisa tão profundamente a ponto... Então, o que eu quero dizer com isso? Existem doutrinas, entendeu, que é pra poder... na minha opinião, respeito muita gente que segue a doutrina, que é muito mais graduado do que eu, vamos dizer. Mas, na minha opinião, doutrina serve pra, em caso de dúvida, seguir as regras, entendeu? É tipo assim: o avião caiu e tem aquela paradinha, pô, põe primeiro a máscara em você e depois põe na criança. Mas vamos dizer que você é um exemplo justo, entendeu, e você não vai ficar em pânico, e seu filho é asmático, sacou? Você não vai botar primeiro em você porque você tá supercalmo, você tá mantendo a respiração boa. Vai botando em seu filho e depois vai botando em você. As regras é: em caso de dúvida, siga as regras. Em caso de não conhecer o porquê das regras, é melhor seguir as regras. Você entende do que eu tô falando?
Renata Vázquez: [34:01] Sim.
Eron Falbo: [34:03] E você, sobre as regras, fala, que eu fico até curioso.
Renata Vázquez: [34:09] Não, eu não sigo regra. Eu, particularmente, não sou do tipo que segue, né? Isso veio mais da wicca. Não sigo essa regra, assim. Às vezes você precisa tomar uma atitude e não... E você precisa ir...
Eron Falbo: [34:25] Precisa avançar o sinal vermelho, né?
Renata Vázquez: [34:27] Quê?
Eron Falbo: [34:29] Às vezes você precisa avançar o sinal vermelho, né?
Renata Vázquez: [34:32] Total. Né? Assim. Você precisa desembainhar a sua espada e ok.
Eron Falbo: [34:39] E o que você acha que... Porque religiões, na minha opinião, o que você acha? Religiões seguem regras demais? Religiosos, religiões?
Renata Vázquez: [34:49] Total, total.
Eron Falbo: [34:51] Qual a diferença entre um ocultista, um mago, uma bruxa e um religioso?
Renata Vázquez: [34:57] Que os religiosos estão cheios de bulas. Bulas mentais, assim. Estou fazendo uma analogia com aquelas bulas de remédio, assim, sabe? É muita regra, é muito efeito colateral. Você não vai pra tal lugar, você não vai atingir isso e tal. Isso é tão, sabe, anti-divindade humana, assim, né? Como eu vejo, então... Cara, eu vou.
Eron Falbo: [35:23] Falar uma parada que eu quero que vire meme. Então, produção, anotem exatamente as palavras. Porque a gente faz uma fotinho. Com as letras. Toda religião é uma seita que não foi impedida. Toda religião é uma seita que não foi impedida. O que significa isso? A gente, hoje em dia, compara muito religião e seita. Isso aí não é uma seita, é uma coisa séria, uma religião. Tem o Vaticano... Tá lá pra provar que não é uma seita, afinal eles têm dinheiro pra caralho. Os mormons, pô, como é que os mormons não são uma seita? Eles acreditam que Joseph Smith tava fazendo trekking, tava fazendo uma trilha e tropeçou numa pedra e começou a cavar e achou uma estele, tipo essa aqui ó, achou uma estele escrita em egípcio antigo, que eu acho que é mais antigo que esse aqui, e do lado dessa parada, porque óbvio que o Joseph Smith era um cara americano, de Utah, do lado dessa parada especial que ele achou, que é o livro dos mórmons hoje em dia, tinha um dicionário inglês egípcio antigo, para ele poder traduzir a parada. E os mórmons acreditam nisso, eles vivem Aí, como é que você pode dizer que isso é uma religião e não uma seita? Com todo o respeito aos mormons. Na verdade, grandes amigos meus são mormons e eu tenho o maior respeito por eles. Tipo, o Carlos Weezer, que é o dono da Weezer, ele é um inteligente pra caramba, é um semi-judeu, praticamente. Ele sabe ganhar dinheiro tão bem que, pô, os mormons são ótimos nisso. Então, assim, two thumbs up pros mormons, adoro eles. Mas, cara, é uma seita, pô. É tipo... O neguinho acredita que é uma coisa que não dá pra acreditar. Aí os índios americanos eram uma das tribos perdidas de Israel. Beleza. Acredite nessas paradas todas. Mas o que eu quero ilustrar é que, tipo, existe no mundo moderno uma categorização. Existem seitas e religiões. O que eu tô sugerindo é que é a mesma coisa. A religião simplesmente porra, comprou o suficiente governo pra galera parar de mexer no saco deles. E agora parou de ser considerada seita. Mas Oxxo e o Papa só correm a mesma merda, entendeu? São, porra, líderes carismáticos que a galera diz amém pro que eles tão sendo. Que que cê acha sobre isso?
Renata Vázquez: [38:17] Eu acho que sempre onde tem dogma e limitação e restrição, eu acho que anula boa parcela do nosso potencial completo. Eu acho que tem uma boa ressonância entre religião e seita, mas de repente nem toda religião é tão seita assim. Não iria ao extremo de ser uma seita.
Eron Falbo: [38:47] Mas o que quer dizer tão seita assim? Também não é toda seita que é tão seita assim. Só um disclaimer. Quando eu falo que é seita, eu não tô falando pejorativamente. Até alguém já falou, vai pra porra. Então quem foi pra porra no final? Foi você. Aqui não sabe escrever porra. Mas o que eu quero dizer é que todas... Quando eu estou dizendo isso, eu quero dizer aceitas não são do mal, necessariamente. A Apple é uma aceita, entendeu? A Apple é uma coisa que tem um líder carismático, o Steve Jobs, que faz as pessoas comprarem o que eles têm e todo mundo segue o que o cara diz, mesmo se o... O que o cara tá vendendo não funcionar, a galera compra de qualquer jeito, etc e tal. Então, o que eu tô falando, não necessariamente uma seita é uma forma de controle da mente da pessoa, pra poder conseguir transar com as menininhas virgens, não necessariamente isso. Pode ser um cara que quer o bem das pessoas, só que, eu concordo com você, tem que ter dogma, tem que ter doutrinas, tem que ter regras, tem que ter limitações. Que um seguidor da seita Apple não pode comprar um Samsung Galaxy, que pega mal pra caralho, né? É isso que eu tô falando. É ideologia de grupo, no final das contas, e a diferença entre ideologia de grupo no geral e uma seita é que uma seita tem um líder carismático. Então, por exemplo, Budismo é uma religião? Não é exatamente, porque tem vários Budismos, né? Tipo, o Budismo de Nepal é uma seita. Tem o Dalai Lama, que é um cara carismático e ele tem que o que esse cara fala tem que seguir e tudo mais. O budismo gerar uma coisa... Tanto que cristianismo não é uma religião. O que é uma religião é o catolicismo, que tem uma série de doutrinas específicas. O catolicismo e o espiritismo são os dois cristianismos, mas são totalmente diferentes. Você entende?
Renata Vázquez: [40:56] Só pra dar o disclaimer... Entendo, entendo. Eu fui Hare Krishna há muito tempo e a minha devoção expandiu pra um nível que eu sei que só vou alcançar aquele nível se eu tiver um filho. Mas assim, por que eu me afastei? Porque quando eu voltei pra Índia eu tava num nível tão elevado que quando eu voltei eu quis me afastar porque era tanta obrigação, tanta mecanização do que devia ser mais fluido e natural que eu acabei cansando. Assim, a devoção ainda tá ali, sabe? Tanto que eu tenho a parte do hinduísmo, a parte do paganismo, etc. Voltei para o Hare Krishna, mas era... Tanta obrigação. Não sei quantas voltas de japa. Não pode, sei lá. O alho com a cebola e tal. Aprendi muita coisa, né? Tem textos meus que reverberam até hoje. Mas essa restrição tão polida, tão estrita... Isso é cansativo. E isso realmente tá mais nessa...
Eron Falbo: [41:52] Mas você aprendeu muito com a Hélio Cristian, né?
Renata Vázquez: [41:55] Muito.
Eron Falbo: [41:56] Absorveu muito.
Renata Vázquez: [41:58] Muito, muito, muito, muito. Assim, devo... E devo esse lugar do presente até a isso mesmo. Porque foi lá que realmente eu tive esse conselho. Não siga seus estudos. Porque eu queria ir pra um templo chamado Templo das Gangamatas. Onde eram só brahmacharines, só celibatárias e tal. E ser o guru alma liberada que pode ver toda a sua linha do templo ou não.
Eron Falbo: [42:25] Você é celibatária?
Renata Vázquez: [42:27] Não, mas eu queria ser.
Eron Falbo: [42:29] Graças a Deus.
Renata Vázquez: [42:32] Não, mas é ele que podia olhar, né? Olhar toda a linha do tempo. Ele falou: 'não, você segue seus estudos', assim. A pergunta era: deu ruim?
Eron Falbo: [42:40] Era pedir demais, era uma coisa assim que talvez você não tava preparado pra fazer e...
Renata Vázquez: [42:45] Não, acho que é porque ele viu que o meu propósito de alma era outro.
Eron Falbo: [42:48] Era outra avenida. Eu vejo muita sinceridade nos seus olhos quando você fala da Hare Krishna. Dá pra ver, assim, que foi uma coisa que te deu muita estabilidade, que te deu um portal para coisas que talvez em outro lugar você nunca teria acesso. Isso que eu sinto na minha intimidade, na minha intuição, quer dizer. E eu tive isso com o judaísmo ortodoxo e a Kabbalah, essa coisa toda, e às vezes eu me pergunto se eu tô certo em ter abandonado, porque eu também meio que abandonei pela mesma razão que você, porque realmente teve muitas regras, eu não cresci com essas regras, então pra mim não é tão natural quanto é para outras pessoas que talvez cresceram nesse meio, etc e tal. Você se pergunta às vezes se você deveria estar nesse caminho?
Renata Vázquez: [43:59] Olha, eu sei que não, mas o que eu vou te responder, tanto para mim quanto para você, é que a gente nunca abandona. Esse caminho segue com a gente. A gente está acoplando a Gregoras. Eu acho que está dando eco, não é? Então, assim, eu acho que... Enfim, eu acho que esse caminho nunca te abandonou, assim. Tanto que às vezes eu falo assim: 'não, eu sou uma...' Ok, eu sou do paganismo, mas eu tenho ali o hinduísmo meio disfarçado, tipo, dentro da minha capa, sabe? Então acho que, não sei, eu posso estar sendo um pouquinho prepotente, mas eu acho que esse caminho também está dentro de você, sabe? Que lá no fundo você não se desvencilhou disso, entendeu? Que tudo que você aprendeu ainda tá aí em camadas, em selos, sabe?
Eron Falbo: [44:49] Eu acho que o que você falou é uma coisa muito bonita, porque também existe uma aceitação do nosso próprio caminho. Porque eu acho que, quando a gente está começando a aprender essas coisas que são muito sagradas, que são muito protegidas pelos sábios da humanidade, a gente se empolga um pouco no começo e a gente se acha um pouco. Então a gente acha que é capaz de muito mais do que é. E também acho que faz parte do caminho ter um pouquinho de autoconhecimento das limitações. E às vezes também não há só limitações, é o naipe, o naipe da sua jornada, o tipo de caminho que você está trilhando. E às vezes não há nenhuma questão de superior ou inferior. Na verdade, certamente não há nenhuma questão de superior ou inferior. Mas em muitos momentos a gente pode pensar que é, porque a gente olha lá para o guru e pensa: certamente ele é superior do que eu, né? Porque, pô, olha o que ele faz com as pernas dele. Olha onde estão as pernas dele, vis-à-vis a cabeça, né? Tipo... Mas isso já é um indício de superioridade. Mas eu acho que é muito importante, eu acho que é muito bonito isso que você falou, que a gente começa a aceitar. Não sei se foi isso que você falou, mas foi isso que eu tô interpretando, e eu tô vivendo isso, né, ultimamente na minha vida. Que é tipo assim: porra, legal, é uma escola muito boa. E algumas escolas, para algumas pessoas, para algumas encarnações, são para essa vida. Então o cara vira sacerdote e essa é a parada dele. Ele tem que ir lá, seguir aquelas paradas lá à risca, botar o incensozinho e a água de um copo para o outro e dar três pulinhos. Essa parada toda ele tem que seguir porque essa é a dança que ele tá dançando. Mas outras pessoas... e eu acho que isso entra na diferença entre religioso e mago, na minha opinião. Eu acho que o mago é necessariamente, como é na carta do tarô, né? Na carta do tarô, não sei se você já percebeu, mas o mago tá segurando todos os naipes, né? Ele tá... dependendo do tarô que você usa, mas em grande parte dos tarôs, o mago... como é que é? Mágico? Qual é o nome em português? É mago mesmo.
Renata Vázquez: [47:10] Mago.
Eron Falbo: [47:12] O mago tá segurando todos os naipes. O que significa isso? Que ele não tá se limitando a uma avenida. Tipo assim, os quatro lados do tarô que representam comércio, agricultura, a vontade, a guerra, sei lá... E a espada, a guerra política, etc. E o mago tá segurando os quatro naipes. Então, ele não tá... ele não tá... como é que se chama? Ele não está se submetendo a uma história.
Renata Vázquez: [47:45] Ele não está atrelado, ele não está atrelado.
Eron Falbo: [47:48] Não é uma história, ele está sobrevoando. Tem uma passagem na Bíblia que é o seguinte: Abraão saiu de sua tenda e olhou para as estrelas. E muita gente que é astrólogo usa isso para justificar a astrologia: 'porra, Abraão era um grande astrólogo, sabia o futuro', ele olhou. Só que os cabalistas falam: quando ele saiu da tenda dele, significa que ele saiu do cosmos, sabe, do cosmo, quando eu digo é do universo inteiro, e olhou para as estrelas de cima para baixo, e ele movimentou as estrelas para poder definir qual era o futuro, não descobrir, com a vontade dele definir qual era o futuro, você entende? Isso é a definição do mago para mim, que é você treinar a sua vontade para você poder definir a realidade e não descobrir. Porque eu acho que tem certos magos que eu acho que são aprendizes, que estão no nível da mediunidade, que é tipo: eu vou ficar receptivo pra poder ver quais são as mensagens do universo, pra poder seguir da melhor forma possível. Pra mim, o mago mesmo, ou a bruxa mesmo, é a que sai da sua tenda, sai do universo, olha de cima pra baixo pras estrelas, e movimenta as estrelas do jeito que sua vontade dita, entendeu? Para o universo mudar de acordo com sua vontade. E essa passagem, pra mim, muda tudo na definição do mago.
Renata Vázquez: [49:21] Metaforicamente, bem precisa. Acho que é bem por aí. Tem alguém fazendo uma pergunta aqui, irmão? Faz a pergunta, por favor.
Eron Falbo: [49:32] Irmão, faz a pergunta de novo, por favor, porque eu parei o eco. Eu volto lá embaixo no Ego ali pra ver. Eu adoro o Ego. O Ego pode se apropriar da realização em qualquer momento. Isso não é uma pergunta. Próxima. Não, faz a pergunta de novo, por favor.
Renata Vázquez: [49:53] Não, é o P. Guelli.
Eron Falbo: [49:56] É, tá, mas isso aí não é uma pergunta. Eu quero ir pra um ponto de interrogação, isso não é uma pergunta. Com todo o respeito, irmão. Mas voltando, saindo um pouquinho, que ninguém tá interessado nesse papo de ocultismo, ninguém tá aprendendo nada. É uma coisa muito técnica de... Então, vamos voltar para os seus livros, porque o único tempo que a gente tem na vida pra conversar quando a gente tá fazendo live, e eu quero saber um monte de coisas dos seus livros, pô. Então, assim, na verdade acabou o nosso tempo. Então, ela tá falando que não é pergunta, é comentário, que a gente falou do ebó. Mas então, o que você quer que eu fale sobre isso, meu amigo? Meu irmão, desculpa. Você tem que me dizer o que você quer que eu fale. Mas a gente... Vamos se dar cinco minutos a mais, porque eu quero que você fale um pouquinho dos seus livros e sobre, em termos menos ocultistas e menos esotéricos, o que você quer da sua carreira? Como é que você se vê no futuro escrevendo livro? O que você quer explorar, que assuntos você quer abordar, o que você já abordou, o que você quer mandar no futuro.
Renata Vázquez: [51:10] Ah, sim. A questão de sempre ter uma mensagem espiritual nos livros é mais forte que eu. O primeiro livro é contemporâneo, ele se passa em Bogotá. Eu acho que era um prenúncio do que eu ia viver, sabe? Porque é uma personagem que, sim, ela acessa os registros akáshicos e abre portais, ok. Tem um preparado de ervas e aguardente, ela encontra alma gêmea e tal. Eu acho que ali tinha muito, muito de elementos autobiográficos e eu não percebia, sabe? Estava me preparando para o que eu ia viver, assim. Ah, já sabia que eu acessava e tal, mas eu não tinha de forma tão consciente. Daí, depois, o segundo já é mais autoral e eu diria que aí eu revisito essa herança Hare Krishna. Depois o terceiro se passa no século VII, mas também tem uma pegada de ancestralidade, de Atlântida. Então, eu acho que isso já é uma marca, é uma impressão digital, e essa pegada eu acho que não vou conseguir deixar, porque é muito entranhada, é muito meu DNA. Isso é uma arte minha também, sabe?
Eron Falbo: [52:17] Escreveu e publicou livros, isso faz parte da sua história. Agora, tem uma coisa que você está criando a partir disso, você tem o próximo e o próximo.
Renata Vázquez: [52:27] Sim, aí depois teve o quarto, que já era mais experimental, mais psicodélico, um conto de fadas, de uma fada basoaquiana, que tinha tráfico de pó de fada. Então, ele é adulto, ele é infantil, porque tem, assim, sei lá, uma marmelada que você pode ler, a mente já lê, a fada fica chapada, ela é estressada, a varinha descarrega. Então, assim, esse foi, de repente, um pouquinho mais difícil, porque eu tava fora da minha zona de conforto. E o último foi quando eu falei: putz, é assim, é muito um processo mediúnico, que eu fui lá para 1492, uma vida que eu tinha uns recortes aí, entendi, com uma pessoa que eu me relacionei, que era da Reconquista e tal. Então, assim, essa marca vai continuar, mas eu tenho vontade de escrever uma coisa para ambos os sexos, uma coisa mais, sabe, dos personagens terem histórias, mas assim... Até então.
Eron Falbo: [53:18] Foi bem feminino o seu, então?
Renata Vázquez: [53:21] É, basicamente.
Eron Falbo: [53:24] Eu juro que, Renata, poucas pessoas vivas... Eu quero ler os livros, especialmente ficção, porque eu não leio mais ficção.
Renata Vázquez: [53:34] Não tem mais?
Eron Falbo: [53:36] Inclusive, para as pessoas que estão nos ouvindo na posteridade, dentro daqueles 50 anos, procurem Renata Vázquez, com zê. Vázquez, com zê. Porque eu não li seus livros, mas eu tenho certeza que você tem conteúdo pra caramba, que você é séria, que você... Tipo assim, o Paulo Correia era assim, entendeu? Então, na língua portuguesa, sinceramente, não vi outra pessoa que tenha essa sinceridade em termos de discipulado, de ter seguido certas coisas e ser séria mesmo nas práticas e, ao mesmo tempo, ter a capacidade comercial de escrever romance, de escrever ficção, que isso também não é pra qualquer um. Independente de você ter roubado e ter acessado escritores antigos aí na sua linha de encarnações.
Renata Vázquez: [54:34] Não, vai que eu fui um deles, assim, uma médium já me falou. Ela, assim, ela é incorporada, mas tem que se derrubar.
Eron Falbo: [54:39] Eu não tô falando, mas tem que se derrubar. Eu tô falando, aprenda nessa vida, faça o que todos nós... Não. Do Robert McKee, entendeu? Estou falando coisa que está pulando a etapa. Mas o que eu quero dizer para a galera é que procure Renata Vázquez. E depois que eu ler, prometo que vou divulgar no Instagram e falar: agora eu li e tenho certeza de que estava falando correto. Mas eu queria saber do futuro, dos seus planos futuros de escrever livros.
Renata Vázquez: [55:13] Ah, se eu pudesse, na boa, se eu pudesse, eu publicava dois por ano, assim, porque a impressão que dá é que a vida é tão curta, é tanta coisa, sabe, assim? Depois que você publica o primeiro e engata... Isso eu já não sei se acontece com outros escritores, mas sei lá, o primeiro livro tem a continuação, já com 80% escrito, às vezes um livro atropela o outro, assim, dá uma pressa, sabe, assim? Óbvio que tem outros caminhos que eu quero trilhar, né, assim, eu não vou abarcar todos aqui e agora, mas assim, a escrita, sim, é isso, vou, sei lá, até quando o meu cérebro físico estiver ok.
Eron Falbo: [55:50] Tem coisa que você quer explorar, assuntos que você tá com vontade de abordar, estudar mais e se aprofundar?
Renata Vázquez: [56:00] Sim, assim, outros gêneros, como esse que eu falei. Sei lá, um casal homossexual, de repente, sabe? Isso tá muito em pauta, já meio que dei uma ensaiada. Mas, assim, sair também do tradicional. Acho que a pegada espiritual é mais difícil. Eu não consigo... Acho que eu não me vejo escrevendo um livro assim como eu era antes. Sabe?
Eron Falbo: [56:24] Mas você tem uma pegada muito medieval também, né? Você faria um casal homossexual medieval? Ou... provavelmente, né?
Renata Vázquez: [56:33] Puts, aí você já domina muita ideia e fica...
Eron Falbo: [56:39] Mas você é uma pessoa em ficção científica no futuro? Porque aí você não pode roubar, você não pode cessar... registrar cascos...
Renata Vázquez: [56:49] Não, quem disse? Quem disse? Se meu eu superior não for daqui... você, né, assim... E aí, de onde viemos, para onde vamos? Viemos do futuro ou viemos do passado?
Eron Falbo: [57:06] Eu vim da sarjeta e acho que vou voltar pra lá. Tô indo mal.
Renata Vázquez: [57:12] Pois é, não...
Eron Falbo: [57:13] Os regios sarcásticos podem ser, em termos de futuro, também... Tem fora da Terra. Mas você já pensou em ficção científica?
Renata Vázquez: [57:26] Total, total. Quando eu estudei roteiro fora, um ano e meio, meu projeto era ficção científica e tal.
Eron Falbo: [57:36] Mas sempre dentro de uma parada esotérica, né? Tipo, você não vai me abandonar e começar a falar sobre, sei lá...
Renata Vázquez: [57:46] Eu acho que engloba tudo, porque realmente eu vejo esoterismo como um grande tabuleiro de microalquimias. Então, ok, pode ter ficção científica, mas pode ter um personagem fazendo uma hipnose, aí você tá passeando por tudo. Pode ter o personagem crente e o descrente. É um mar totalmente permeável. Agora, se o grande navio que vai permear a história é a ficção científica, ok, mas são assuntos que conversam entre si, então não dá para você excluir um do outro. A não ser que seja todo mundo robotizado e, ok, Palo Santo aqui não pode, isso é esoterismo.
Eron Falbo: [58:26] Uma última pergunta para você. Antes de qualquer coisa, eu queria te agradecer por ter aceitado o meu convite. Infelizmente, a gente tem uma hora de duração da nossa conversa, mas, pô, tem um milhão de coisas que dá pra gente abordar e desenvolver. Na próxima vez, eu não vou convidar o Big L pra nossa live. Não sei se dá pra pré-bloquear alguém da conversa, mas ele tá falando umas besteiras.
Renata Vázquez: [58:55] Nem vi. Nem vi.
Eron Falbo: [58:58] Mas, sinceramente, gostaria de te agradecer pelo convite. Você tem muito conteúdo e continua assim. Prometo ler seus livros, pelo menos dois deles, prometo. Me fala depois quais você acha que são os melhores para uma pessoa como eu. E também, na verdade, a gente tem que fazer a última pergunta. Fala para o público qual você acha que as pessoas deveriam iniciar. Qual você acha que é o livro para te conhecer, conhecer sua obra?
Renata Vázquez: [59:33] Acho que tanto, sei lá, tanto o último quanto o primeiro, né? Assim, a da Miscura é mais contemporâneo, mas o último... A Letícia Pintori perguntou aqui qual que eu gostei mais. Não é qual que eu tenha gostado mais, mas, de repente, o que me tirou totalmente dessa linha do tempo na pandemia foi o último. Assim, eu não estava vivendo nesse século, eu estava vivendo no século XV. Então, assim, acho que qualquer um depende do gosto. Se você não gostar de romance, tenha o Existência Física, um grande teatro cósmico, que vai ter conto, vai ter prosa poética, vai ter poesia, vai ter coisa espanhola, italiana.
Eron Falbo: [1:00:08] De repente é um amor para poder te conhecer, aquilo que pode ler. Sim.
Renata Vázquez: [1:00:13] Tem gente que fala: não leio romance, não gosto de história e tal. Então, talvez seja esse. Mas para quem gosta de romance, assim, todo estudo, sabe? Tem um ritmo bacana, não é arrastado, sabe? Hoje, como as pessoas leem tão pouco, eu não sou muito adepta de tijolão, eu prefiro fazer um que tem uma continuação, então...
Eron Falbo: [1:00:34] Eu acho que, assim, dos livros românticos ou mais curtidos, mais populares no mundo, talvez o mais popular seja O Alquimista, do Paulo Coelho, né?
Renata Vázquez: [1:00:44] Acho que sim.
Eron Falbo: [1:00:45] Você se influenciou de alguma forma com esse tipo de coisa?
Renata Vázquez: [1:00:49] Ah, eu era muito pirralha, assim, 12 anos, 13 anos, assim, nessa idade. E eu acho que o Paulo Coelho, ele pegou muito, assim... A gente percebe que ele estudou o Bhagavad Gita, né, assim. Então, quando ele fala de lenda pessoal, ele tá falando de dharma. Ele tá me citando o Bhagavad Gita. E aí, se você pensar, eles fizeram a música Gita. E você pensar, ele deu uma tretada ali com a magia, você vê ele com uma sika. Então, a sika é do Hare Krishna, né, pra Krishna te puxar por aqui. Então, assim, bebeu da fonte e está certíssimo, né?
Eron Falbo: [1:01:23] Então, agora vem a minha última pergunta. Você sabe que o Paulo Coelho é da mesma fraternidade que eu, até agora sou, não parei de pagar pensão, mas possivelmente ainda sou, da UTO. Isso é só um parêntese. Mas por que você acha, e isso é uma questão mais de você como autora, de você como escritora em termos de carreira, por que você acha que não só o Paulo Coelho, mas O Alquimista ficou tão popular internacionalmente?
Renata Vázquez: [1:01:54] Eu acho que é porque ele foi direto ao ponto. Ele trata muito do propósito da alma e ele coloca de uma forma muito clara. De repente, tem uma escrita mais acessível, sabe? Mais mastigada, mais destrinchada, sabe? Uma simplicidade, né? Coloca uma espiritualidade não tão engessada, mas diluída, que assim, qualquer vertente vai conseguir ler, sabe? Eu acho que é um livro que tem um tamanho ok, sei lá, 200 páginas, 185, dependendo da edição. Então, assim, é o que eu vejo como meta de livro: aquele livro no tamanho ok, com ritmo legal, que você vai ler, vai emprestar e tal, tal, tal.
Eron Falbo: [1:02:43] Tem que ser acessível, né? A linguagem tem que ser acessível, tem que traduzir, talvez, coisas metafóricas, complexas, de uma forma que seja simbólica, que as pessoas absorvam mais com pouca informação.
Renata Vázquez: [1:02:58] Sim, eu acho que por aí, total.
Eron Falbo: [1:03:01] Legal. Estou perguntando pessoalmente, para as pessoas que estão ouvindo, acho que tem muitos escritores, certamente, que estão ali clicando no Spotify para ouvir você, porque ou já te seguem, ou vêem que você é escritora, para poder aprender um pouco sobre ser escritora. Acho que tem muita gente que tem isso.
Renata Vázquez: [1:03:20] Acho que ele usa uma linguagem bem comum, bem acessível. Então, dependendo do grau, em termos de instrução, ele consegue atingir bem. Não teria mais por aí, assim, no meu ponto de vista.
Eron Falbo: [1:03:37] E se você tivesse uma última mensagem para dar para jovens escritores que estão começando, especialmente pessoas que têm essa sensibilidade que você tem de coisas esotéricas e coisas do tipo, o que você daria de mensagem para as pessoas se motivarem e continuarem nesse caminho, ou até aprenderem.
Renata Vázquez: [1:03:56] Acho que a primeira coisa é disciplina, assim, bem o básico do básico: escrever todo dia. Se você vai escrever um trabalho maior, ter uma meta diária, sei lá, vou escrever duas páginas por dia. Isso pra quem já tá num romance, né? Mas, fora isso, ensaios, crônicas, definir qual é o seu gênero. Eu escrevo poesia, ok, leia poesia. Se você está empreendendo pelo caminho do romance, leia os autores com os quais você se identifica, que você se inspira. E disciplina. Disciplina, disciplina, disciplina. É uma grande ilusão, romantização: o autor precisa sofrer para escrever uma poesia legal? Não, mentira. Você precisa estar inspirado para escrever? Não, mentira. Você precisa sentar e se propor, pensar: vou ficar seis horas e vou produzir três horas. É isso, sabe? Hoje eu não estou bem. Problema. Segue. Porque se você contabilizar, sei lá, se você escrever três páginas por dia, num mês você já tem um trabalho substancial, sabe? Então, é tudo sobre disciplina.
Eron Falbo: [1:05:10] Manifestar, né? Você botar no papel que tem que estar, né?
Renata Vázquez: [1:05:14] Pois é, concretizar.
Eron Falbo: [1:05:16] Então, acabou o nosso tempo. Já passou o nosso tempo, eu não consegui ver.
Renata Vázquez: [1:05:20] Pois é.
Eron Falbo: [1:05:22] Mas, obrigado de novo. Vamos fazer um... de você aceitar, a gente faz um em outro momento, marca um com o outro, conversa melhor antes sobre o que a gente pode abordar, prepara coisas, etc. Mas foi uma conversa, acho, com muitos aprendizados para pessoas que não conhecem esse mundo em que você tá imersa, esse mundo em que você se graduou, você é uma pessoa formada nesse mundo. E eu tô muito feliz que agora a gente tem essa conversa gravada aí pras pessoas aprenderem tanta coisa sobre você.
Renata Vázquez: [1:05:55] Que bom, o prazer foi meu. Boa confluência, boa ressonância. Gostei muito.
Eron Falbo: [1:06:00] Valeu, Renata. Tudo de bom, então.
Renata Vázquez: [1:06:02] Tá bom? Tá bom. Beijo, boa noite pra todos. Tchau.
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