Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.
Malu Paes Leme: [0:00] Fala.
Eron Falbo: [0:05] Malu. Tudo bem?
Malu Paes Leme: [0:06] Boa noite, Alvo. Tudo bem?
Eron Falbo: [0:10] Boa noite. Tudo bem e você?
Malu Paes Leme: [0:12] Também. Boa noite a todos e a todas que estão presentes. Que delícia. Que honra estar aqui.
Eron Falbo: [0:21] Uma honra toda minha, com certeza. Muito obrigado por ter aceitado o convite. Eu tô empolgado aí pra nossa conversa, porque você parece ser uma mulher muito madura. Até me trouxe um objeto fálico no meu armário pra poder me defender, que eu sou um pouco imaturo como homem. Então, você é mais nova que eu, percebi. Eu fico até nervoso quando eu vejo a sua idade, porque, realmente, você parece muito... Maduro é a melhor palavra, mas tem melhor do que isso. Você é bem resolvida, você sabe o que você quer, onde você está. Isso tudo eu analisei através das suas fotos, mas imagino que seus amigos que estão aí podem confirmar. Vamos ver se tem alguém já entrando aí.
Malu Paes Leme: [1:15] Com certeza.
Eron Falbo: [1:18] Então é isso, foi uma ótima conversa. Você mora no Rio ou não?
Malu Paes Leme: [1:25] Não, eu sou carioca, mas já saí do Rio tem alguns anos. Eu moro em Ubatuba hoje em dia.
Eron Falbo: [1:31] Ah, é, a gente falou sobre isso. É porque eu te falei que eu tô agora ligando, porque antes eu ligava pras pessoas um dia antes. Aí eu falei, cara, não dá pra fazer isso um dia antes, que eu tenho que fazer uma pesquisa da pessoa, tem que conhecer um pouco. Então, tá profissionalizando mais algumas coisas que saem da memória. E você tá em Ubatuba há quanto tempo?
Malu Paes Leme: [1:52] Eu já... tem quatro anos, quatro anos e meio agora. Muito feliz de ter saído do Rio.
Eron Falbo: [2:01] Você tem dois filhos, né? O Cauê...
Malu Paes Leme: [2:04] E o Yuri. Tem dois pequenininhos, um...
Eron Falbo: [2:10] Nome nativo brasileiro, né? E o outro nome russo, como é que você explica isso?
Malu Paes Leme: [2:20] É, o Cauê foi o primeiro, né? Eu acho que, nossa, nome é aquela coisa super forte, né? Você escolheu um nome pro seu filho. E aí, na época, mãe de primeira viagem, eu fiquei procurando, pesquisando na internet. E aí eu pesquisava e ficava sentindo o nome, né? Será que faz sentido e tal? Vi o significado também. E aí eu lembro que o Cauê, assim, foi estranho, porque na época tava muito na moda o Cauã. Tem essas coisas, né, nomes da moda assim. É o meu, por exemplo, o meu é maluco, mas na verdade meu nome é Maria Luísa. E aí, na época em que eu nasci, em 89, eu acho que era normal Maria Luísa, nomes compostos, né? Meu irmão é Luiz Fernando. E aí, quando eu tava grávida dele, aí me bateu o Cauê, e ficou uma coisa estranha, Cauê, né, não era o Cauã, que a gente tava mais acostumado a ouvir. Mas, não sei, bateu forte, eu falei: gente, gostei do significado, e foi. O Yuri já foi diferente.
Eron Falbo: [3:27] Qual o significado do Cauê?
Malu Paes Leme: [3:29] Hã?
Eron Falbo: [3:30] Qual o significado?
Malu Paes Leme: [3:32] É homem bondoso que age com inteligência.
Eron Falbo: [3:36] Caraca, homem bondoso que age com inteligência. Os dois são muito raros. Esse aqui é os dois.
Malu Paes Leme: [3:43] E aí eu até pensei: nossa, que saco isso, que pressão no garoto. Homem bondoso.
Eron Falbo: [3:50] Homem já é raro, imagina bondoso.
Malu Paes Leme: [3:53] Mas enfim, aí a gente colocou e eu adoro o nomezinho dele. O Yuri já foi diferente.
Eron Falbo: [4:03] Eu admiro essa ideia de dar um nome indígena. Você sabe que o Brasil foi um dos primeiros países, muito antes dos Estados Unidos e de qualquer outro país, a começar a ter essa moda de usar nomes indígenas nos locais. No Brasil, na realeza brasileira, eles valorizavam muito, no Império Brasileiro e antes, até quando o Brasil era colônia de Portugal, eles valorizavam muito a cultura indígena e davam nomes de lugares. Você pode ver que muitos lugares do Brasil, até estados, tipo Goiás, imagino que Tocantins também. Nunca pensei sobre isso, mas é difícil dar esses nomes. Você pegar um nome que não é da sua cultura, você tem que ter uma certa coragem. Eu acho que os nossos colonizadores tiveram esse... Porque muita gente fala mal do Brasil, mas eu gosto de ver as partes boas, a gente valorizar o que a gente tem de bom. E isso é uma das coisas, e eu admiro isso muito, você pegar e dar para o seu filho uma coisa da terra, uma coisa que é ancestral, que é mais antiga do que os portugueses, a terra.
Malu Paes Leme: [5:11] Total. É, e todos nós temos alguma conexão com índio, né? E eu tenho bem direta, na verdade. Acho que a bisavó do meu pai é índia mesmo. Eu tenho, inclusive, a minha pele... a pele do meu pai, que tem quase, sei lá, 60 e poucos anos, parece de um garoto até hoje. Então tem umas coisas bem da genética do índio mesmo que eu acabei herdando dele. O meu irmão já puxou mais a minha mãe, que é mais europeia, assim, a pele, tudo.
Eron Falbo: [5:47] Isso eu não sinto muito índia, você não parece. Mas a sua família, do que você falou, que é mais europeia, de onde?
Malu Paes Leme: [5:58] Não sei, eu acho que... você sabe que eu nem sei falar isso direito agora, de vergonha, mas é da Europa, é da Inglaterra, eu acho, irlandês, tem uns nomes, Luke, Peer... Eu sei que tem isso aí.
Eron Falbo: [6:13] Você deve ser da Alemanha.
Malu Paes Leme: [6:16] É, vocês não devem ver muita coisa indígena, mas eu vejo muito no meu pai, no meu avô.
Eron Falbo: [6:22] Eu não tenho, óbvio que você não tem não. Eu já fiz testes de DNA e tudo, acho que todo mundo tem um, sei lá, 0, alguma coisa, por cima.
Malu Paes Leme: [6:29] Todo mundo tem, todo mundo tem. É Brasil.
Eron Falbo: [6:33] Eu posso te chamar de Malu? Malu, você me deu como nome de qualquer jeito. E o Cauê é de que língua? É do Tupi-Guarani? E aí, o Batuba, você tá totalmente lockdownizada? Como é que tá seu dia a dia?
Malu Paes Leme: [6:58] Cara, o Batuba tá bem, ficou numa fase roxa, né? Bem chatinho assim, porque a gente fica aqui no litoral e aí muita gente acaba descendo, é quase aquela coisa assim, traz a doença das grandes cidades, né? Então tava rolando uma galera de São Paulo vindo, muito do Rio também vindo, aí rolou uma fase vermelha que foi pra roxa, aí começou a dar umas barreiras, aí então tá tudo bem vazio, tá tudo bem quietinho, tudo delivery, né? Não tem nada funcionando assim, mas eu moro, moro num bairro muito tranquilo, muita natureza, do lado da floresta, é perto do centro, mas é do lado da floresta, então eu já tô muito acostumada a ficar em casa. Eu moro numa casa, num espaço... Você foi pra lá, né?
Eron Falbo: [7:51] Tipo, você foi pra lá pra ficar no lockdown de qualquer jeito.
Malu Paes Leme: [7:55] Não, não, porque aqui não é uma cidade... Sei lá, eu não sei. Acho que eu já tô muito acostumada a morar e sair da cidade grande, né? Porque antes a gente fez uma transição pra fazenda, a gente morou numa fazenda. A gente plantou nossa comida e aquela coisa toda, mas aí foi um exagero, porque era uma fazenda que não tinha ninguém perto, era tudo muito longe, sete quilômetros da estrada, mas não sei quantos quilômetros de uma cidade próxima, aí acabou ficando meio... eu, com filho pequeno, me senti muito sozinha, não tinha muito vizinho e tal.
Eron Falbo: [8:29] Tem esse problema que, assim, um dos meus sonhos é morar em cidade pequena, morar afastado, ter essa vida mais pacata. Só que eu descobri isso com um pouquinho de maturidade que eu já adquiri, que não é exatamente o que a gente quer, o que a gente imagina, o que a gente vislumbra, o que a gente está preparado para viver. Então, assim, quando eu era casado, eu me mudei para Israel. O primeiro lugar que eu me mudei foi em Zichron Yaacov, que é uma... Duvido falar isso de novo. É uma cidade pequena no norte de Israel, super pequena, tipo, não tem acesso a nada. Tem poucos ônibus passando pra ir pra Tel Aviv, né. E tem vinícolas, é uma maravilha, na verdade. Só que eu senti que eu não tava pronto, né. Eu não tava nesse momento da vida, né. Eu tinha que ainda viver muitas coisas na Babilônia, né. E eu digo isso metaforicamente, né, porque Babilônia é logo ali, né. Mas eu queria dizer na cidade grande.
Malu Paes Leme: [9:40] É, no caos, na loucura, você sente.
Eron Falbo: [9:47] Você já tá assim, nesse ponto?
Malu Paes Leme: [9:48] É, tô bem, vivendo afastada assim. Eu lembro que, quando eu morava no Rio, né, eu já lembrava disso, já tinha muita vontade de sair da cidade grande, porque eu já levava uma vida muito natural, muito saudável, desde os meus 17 anos. Então já era uma coisa esquisita estar na cidade grande e querer ser muito saudável. Era uma coisa que às vezes não combinava mais.
Eron Falbo: [10:17] Eu adoro esse tipo de hippie, isso aí é hippie roots mesmo, né?
Malu Paes Leme: [10:21] Não, mas eu não vejo pelo hippie, não. Não, eu não quero tanta poluição.
Eron Falbo: [10:27] Eu tô brincando, a palavra é só uma brincadeira. Mas eu quero dizer, essa pessoa... tem muita gente que é conectada com a natureza e tudo mais, mas tem muita gente que encontrou Jesus, tem 40 anos, foi fazer uma trilha, e aí começa a querer catequizar todo mundo, né? Que aí eu chamo de hipnazista. Tipo, eu descobri a natureza, todo mundo tem que ir pra natureza, ah, vamos pra natureza. Eu não acredito, você tá bebendo, aí vira vegano, né? Dois anos depois volta, né? Volta pra idade.
Malu Paes Leme: [11:01] É, eu já fui vegana, porque trabalhei muitos anos com alimentação. Então, eu realmente tinha uma pegada muito saudável, mas no Rio... Acabava que eu curtia muito o Rio, a natureza do Rio. Então, teve uma época que eu tava fazendo faculdade e, antes de ir pra faculdade, eu subia a Vista Chinesa correndo, descia, ia tomar banho de cachoeira e ia pra faculdade. Assim, essa era a minha vida, né? Então era uma vida em que eu estava usufruindo do melhor do Rio, e desses lugares da forma mais saudável possível. E eu ainda era jovem, então eu gostava de sair à noite, essa coisa toda. Então é isso que você falou mesmo, tem época pra estar na cidade, eu acho, e época pra sair da cidade. Eu ia sair quando eu casasse, quando eu tivesse minha família. Porque os filhos, eles trazem essa coisa, né? Você tá cuidando desse ninho e desse ser que você tá botando no mundo, né? E aí, a cidade é muito...
Eron Falbo: [12:01] É, verdade, é melhor. E é isso aí, foi justo o que aconteceu. Quando eu fui lá pra Zitônia, Córdova... Porque minha esposa, na época, tava grávida. Então eu pensei: agora eu zerei o jogo, vou me aposentar aqui e cuidar dos meus filhos, porque pra mim a educação dos filhos, o exemplo certo pros filhos e o ambiente certo é talvez a coisa mais importante da minha vida. E assim, eu fiz de tudo pra poder estar no lugar certo. Mas também a gente tem que ver que as nossas limitações fazem parte de ser pai, né? Tipo, se você fingir que você é outra coisa, isso vai ser pior. Vai dar uma insegurança pros filhos, né? E óbvio, a gente, no processo de amadurecimento, tem muita tentativa e erro, né? A gente não sabe quem a gente é absolutamente. E a gente finge um pouco. Todo mundo finge um pouco para si próprio. Eu não tô falando nem em fingir pros outros. E tem outra coisa, eu divulguei ano passado só pra dar um feedback: que agora, graças a Deus, você tá casada, você tá bem, e espero que depois dessa vida você tenha paz, né? Desejo paz pra vocês, pra sua família, e muita nobreza, e que vocês fiquem assim, crescendo pra sempre assim. Só que, no meu caso, eu tive essa discussão da vida, né? Que é o divórcio, que ninguém planeja se divorciar, né? Só que aí eu comecei a perceber que depois disso eu voltei pra uma fase que eu achei que nunca ia voltar. Então, agora eu não quero mais ser atriz, eu queria ser atriz. Aí eu voltei, porque agora eu sou solteiro de novo. Eu tenho que voltar pro... Ninho de rato, né? Como é que chama? O lugar onde as pessoas têm que falar alto, porque não dá pra se escutar.
Malu Paes Leme: [13:54] Total.
Eron Falbo: [13:55] Total.
Malu Paes Leme: [13:57] Isso é total. Por isso a família vai trazendo esse lugar de você estar mais... Eu não digo nem recolhida, não. Porque eu acho que o casal curte a vida também. Mas é num outro fluxo, né? É diferente.
Eron Falbo: [14:12] Tem que ficar mais calmo, né? Emocionalmente, se tudo estiver bem, obviamente, se tudo estiver dando certo, que é pra isso que a gente forma a família, né? Você realmente fica mais calmo, você fica mais tranquilo. E eu até promovo isso, apesar de eu ser solteiro hoje, como você, há pouco tempo. Eu até quero ficar solteiro. Não é que eu quero me encontrar com alguém maravilhoso, eu vou ficar feliz, mas eu não quero rush in, não quero sair procurando outra casa pra descansar. Porque tem que ter muita maturidade. Dessa vez eu gostaria de fazer de uma forma mais madura e realmente zerar os jogos, se possível. Mas realmente eu promovo, pra todas as pessoas, que procurem o casamento de uma maneira ou de outra, porque a estabilidade, que você tenha mais rotina, que você possa contar com alguém, né? Porque a gente sai da casa dos pais e a gente acha que vai ser filho e vai rezar a vida, mas nossos pais tem que descansar, a gente tem que cuidar deles em algum momento, e pra isso a gente tem que ter alguém.
Malu Paes Leme: [15:22] Eu tenho outra cabeça em relação a isso. Eu acho que quando pai e mãe cuidam de si, não é esse peso pro filho cuidar de pai e mãe depois. O filho tem que ir pra vida e cuidar da vida dele.
Eron Falbo: [15:37] Não, o que eu quero dizer é que quando pai e mãe chegam a uma idade...
Malu Paes Leme: [15:39] Eu entendi, eu entendi. Isso é uma construção que eu faço como analista corporal. Então, até meu público, que deve estar aqui também, sabe que eu falo muito isso, que são os pais desnecessários. Então, isso dá muita vida pra gente, né? Essa coisa da gente construir uma família, da gente querer vida, da gente querer construir desejos e sonhos. Então, é menos um peso ter que pensar: 'puts, tenho que voltar pra cuidar do meu pai e da minha mãe.'
Eron Falbo: [16:06] A minha visão sobre isso é que existe esse passo da vida, igual existe o passo da vida de sair da casa dos pais, se aventurar pelo mundo, descobrir aquela coisa do Pinóquio, quando ele vai pra ilha dos desejos, ilha dos prazeres. Você lembra do desenho do Pinóquio? Tem um momento que ele bebe, que ele rouba. Esse é um momento de aventura da adolescência, que ele sai da casa do Geppetto e vai pra ilha dos prazeres. Aí, só que depois tem um outro momento, que é o momento que ele busca ser uma pessoa de verdade, ser um menino de verdade, que é aquela coisa que ele para de mentir, ou seja, para de viver ilusões e começa a buscar uma vida mais autêntica. E isso, realmente, os pais não podem atrapalhar nesse momento, porque senão você não vira um menino de verdade, você continua sendo um fantoche do Geppetto, que era como ele começou. O Pinóquio começou como fantoche de madeira. Mas existe um outro momento que eu acho que também faz parte da vida, que é quando você prova que você é um pai de verdade, ou seja, que você não é mais filho. É quase que você precisa disso pra você mesmo. Que você para de ser filho mesmo quando você tá lá cuidando dos seus pais, quando ele já tem lá 70 anos, né? Aí, quando eu digo cuidar, não é ficar babysitting, né? Tô falando de dar apoio, né? Parar de ter, no mínimo, parar de ter essa expectativa de filho que a gente continua tendo, né? Tipo, hoje mesmo eu briguei com minha mãe, entendeu? Tipo, eu odeio brigar com minha mãe porque, pô, eu quero chegar logo nessa maturidade e, pô, gritei com minha mãe, um absurdo, né? E é porque eu ainda me sinto, de certa forma, né, como filho, como, né, com certos direitos, com certas... Mas me fala sobre essa sua coisa de análise corporal. Primeiro, assim, acho que pode dar uma introdução pro pessoal que tá ouvindo a gente entender um pouco o que é, porque eu sei mais ou menos, poderia chutar o que é, mas vamos, você diga oficialmente o que é.
Malu Paes Leme: [18:18] Então, basicamente, o formato do corpo da pessoa... Eu, como analista, analiso o formato do corpo e descubro como a mente dessa pessoa funciona, inclusive sobre a história dela, porque tá tudo registrado no formato do corpo dela. E isso é uma ferramenta de extremo empoderamento, porque ela faz com que você tome consciência do porquê que certas coisas acontecem na sua vida, quais são os seus maiores desafios e quais são os seus maiores recursos. E muitas vezes a gente perde muito tempo na nossa vida tentando ser algo que a gente não é, ou seja, que a gente não foi feito pra ser, tá? E esse processo de formação, que a gente chama de traços de caráter, acontece na primeira etapa da nossa vida, desde a fase em que a gente tá na barriga da nossa mãe até os 5, 6 anos de idade. A gente passa por um processo de mielinização do sistema nervoso e vai registrando várias informações, sensações intensas, dores e traumas, enfim, tudo aquilo. E aí chega o momento que o corpo fala assim: beleza, quais foram esses caminhos mais intensos que você fez, que você precisou criar recursos pra lidar, e aí o seu corpo precisa se moldar de uma certa maneira pra...
Eron Falbo: [19:42] Ele somatiza aquela coisa lá pra poder sobreviver, pra poder ter um equilíbrio, de certa forma.
Malu Paes Leme: [19:50] É, ele registra, ele vai registrando.
Eron Falbo: [19:54] Mas esse registro se automatiza, vira uma postura, vira um jeito de andar.
Malu Paes Leme: [20:03] É um jeito de funcionar na vida, sim. É um jeito de funcionar. Por exemplo, e por que é tão libertador assim? Porque eu, por exemplo, eu tenho um traço. Todos nós temos os cinco traços, só que em quantidades diferentes. Então, quando eu faço atendimento, eu consigo ver exatamente a porcentagem que a pessoa tem de cada um e o quanto aquilo influencia na vida dela. Falando assim, às vezes parece até muito normal, como e tal, mas é muito fantástico. E eu tenho um traço muito baixo que é de organização, de planejamento, de rotina, de fazer todo dia a mesma coisa. E durante muito tempo da minha vida, porque eu cheguei também a estudar o coaching, fiz coaching na época e queria e tal. E a gente fica muito nessa coisa de eu posso ser o que eu quiser. Eu vim para a vida e posso ser o que eu quiser. E aí eu ficava tentando ser isso que eu não sou. Eu não sou planejadora, eu não sou organizada, eu não sou de rotina. Tipo, o meu corpo não é desenhado, minha mente não funciona dessa maneira. Para eu fazer isso é como se... é cansativo para mim, entendeu? É um caminho neural.
Eron Falbo: [21:17] Eu vou fazer uma confissão que eu acho que é legal. Eu sempre tive essa dúvida na minha vida e hoje em dia é realmente uma dúvida. Antigamente eu era muito mais essa onda do coaching. Tipo, eu posso fazer o que eu quiser, entendeu? O universo é meu e eu vou, entendeu? Tipo, se alguém pode fazer, eu posso também. Aquela coisa meio Tony Robbins. E o Tony Robbins é meio obcecado com isso. Eu acho que ele até tem uma patologia nesse sentido.
Malu Paes Leme: [21:43] Então, o Tony Robbins é maneiro. Não tô falando da gente conseguir fazer as coisas, não. É de querer ser algo que eu não sou.
Eron Falbo: [21:54] Claro, mas eu tô dizendo com sinceridade, eu adoro o Tony Robbins, eu acho que todo mundo tem patologia, todo mundo tem um motor do porquê que age de uma certa forma. Eu acho que o Tony Robbins teve sofrimentos tão grandes na vida dele que ele teve que projetar esse sucesso de uma maneira muito... megalomaníaca, né? E beleza, às vezes, também tem uma coisa na Kabbalah que é legal, que às vezes, mesmo os nossos vícios, a gente pode montar em cima deles, né? E cavalgar mais longe, por exemplo, no momento que a gente domina os nossos vícios, no momento que a gente tem consciência deles, aí não vira mais um vício, vira uma característica, né? Eu tenho uma característica X, e assim, talvez... E eu concordo que hoje, ainda mais nos últimos 2, 3 anos da minha vida, eu tô muito procurando me conhecer pra poder não fazer o que eu não sou. Só porque eu posso, só porque é possível, só porque eu consigo, não significa que vai ser o melhor pra mim, que eu vou gostar.
Malu Paes Leme: [23:00] Você vai conseguir sustentar. A gente pode, porque, assim como eu tava explicando, o fato de eu ter menos esse traço faz com que eu consigo acessar esse recurso, que é organizar, planejar, só que, assim, é com mais dificuldade, e eu não consigo sustentar isso a longo prazo como uma pessoa.
Eron Falbo: [23:21] Uma cidade maior, uma energia muito maior, né? É aquela coisa de eu morando na cidade pequena, tipo, eu poderia fazer um esforço gigante, mas aí eu ia me estressar, eu ia ficar deprimido.
Malu Paes Leme: [23:35] Então, meu trabalho, o trabalho da análise, é exatamente tornar mais fácil ser quem você é, ou seja, você vai mais para o recurso do que para a dor dos traços, ou para você ficar perdendo tempo sendo algo que você não é. Então hoje eu administro a necessidade que na vida a gente tem de organizar, de planejar, de ter uma constância nas coisas: eu delego. Então, eu tenho gente que trabalha comigo, que me ajuda na minha organização. Eu delego a parte do meu financeiro. Então, eu contrato uma pessoa...
Eron Falbo: [24:13] Isso que você está falando é perfeito, porque muita gente faz muito menos porque não consegue delegar, porque não consegue ter esse autoconhecimento de falar: não, eu tenho essas limitações. Porque no momento que você admite que você tem, você fala: não, não só é melhor delegar, como, se eu não delegar, não vou conseguir preencher essas caixinhas da minha vida.
Malu Paes Leme: [24:37] E aí eu faço muito melhor aquilo que eu sou, aquilo que o meu corpo se desenhou para mim.
Eron Falbo: [24:43] Mas eu queria falar do outro lado, do lado mais além. Estamos juntos nessa página. Vamos primeiro brindar. Kombucha, né? Como chá.
Malu Paes Leme: [24:54] Aqui.
Eron Falbo: [24:54] É o quê? Tem kombucha? É chá de kombucha? O que é isso aqui exatamente que torceram aqui?
Malu Paes Leme: [25:02] Pera aí que me ligaram aqui e falhou. O que você perguntou?
Eron Falbo: [25:06] Não, eu perguntei se isso aqui é... o que é? Por que você gosta disso antes de beber?
Malu Paes Leme: [25:12] Ah, porque é uma bebida fermentada, né? Eu gosto muito do kombucha. Eu gosto do gázinho, né? Enfim, é bem gostoso. Eu não sou muito da bebida alcoólica. Nunca fui. Aí achei legal te convidar a tomar o kombucha também. Você já tinha tomado antes?
Eron Falbo: [25:36] Um brinde, um brinde. Valeu, maluco.
Malu Paes Leme: [25:39] Você já tinha experimentado antes?
Eron Falbo: [25:43] Eu já tinha experimentado, e pior que hoje eu tô gostando mais. A primeira vez que eu tomei eu prometi que eu nunca mais ia tomar.
Malu Paes Leme: [25:50] Ah, mas é porque tem uns muito ruins. Tem muito ruim. Não é todo mundo que sabe fazer kombucha não. Então, é delicado mesmo, mas que bom. Mas o que você quer falar mais aí?
Eron Falbo: [26:06] Eu quero falar muita coisa. Na verdade, eu queria ir para o próximo nível dessa parada. A gente está na mesma página aqui sobre que a gente tem que achar os nossos talentos para poder maximizar o nosso poder e também... Na verdade, vamos melhorar isso da seguinte forma. Tem aquele livro best-seller, acho que é do Mark Manson, depois me fala aí o pessoal da produção, mas é o A Sutil Arte de Ligar o Foda-se. E nesse livro ele fala uma coisa muito importante que merecia ser falado, que a gente tem que... Na verdade, o livro inteiro é sobre isso, que quando você tá fazer uma escolha na vida, fazer uma empreitada nova, quando você vai buscar alguma coisa, um desejo, ah, não, eu quero ser diretor de cinema, entendeu? Qualquer coisa que sai da cachola, você precisa se perguntar: qual que é o custo disso? Eu tô pronto pra enfrentar o custo disso? Porque muita gente pensa no resultado e fala: eu quero muito esse resultado, e nunca calcula o custo. Então, por exemplo, eu, quando tinha 17 anos, eu queria... Eu olhei, eu fui ver um remake dos Beatles, do Hard Day's Night, e eu olhei pra tela e falei: ah, isso aí eu consigo fazer. Olhei pros Beatles já prontos, né, tocando, eu consigo fazer isso, e eu adorei fazer isso. E eu vi, tipo, as menininhas no aeroporto adorando os Beatles, e falei: pô, isso aí eu consigo fazer, vou fazer, legal. Aí eu comecei uma banda, tudo, e passei 10 anos da minha vida me dedicando à música ao vivo e tudo mais. Aí no final, beleza, eu conquistei coisas maravilhosas, etc. Mas, pô, ganhar dinheiro eu ganhei muito pouco na vida como músico. Então, assim, existia um custo. No momento que eu descobri qual que era o custo, eu não queria pagar esse custo, que era, pô, tinha... Quando o meu empresário falou: você tem que malhar mais pra ficar com a sua barriga sarada, você tem que namorar tal pessoa que isso vai te dar uma coisa boa na imprensa, turnê, você paga muito mais do que você ganha, entendeu? Aí tudo pra se lançar, se lançar com a possibilidade. Aí eu falei: cara, eu não quero pagar esse custo. Então, eu não descobri o custo antes de eu assinar embaixo e falar que eu vou fazer essa parada, entendeu? Então, eu já tava fazendo durante 10 anos, aí eu descobri o custo e falei: pô, se eu soubesse, eu não teria aceito.
Malu Paes Leme: [28:37] Ué, ou não, mas vale também, né? Que o importante é a gente desejar e caminhar. Não, assim, tipo, eu acho que tem muita coisa que a gente vai testando na vida e que a gente só vai saber também o custo daquilo fazendo, e que às vezes, dependendo de quem você é e o quanto você dá conta de sustentar isso por mais tempo, você vai fazer isso muito bem, vai ser muito prazeroso, né? Então, eu não sei, durante a minha vida mais nova, antes de ser mãe, eu lembro que assim, eu me testei muito, eu gostava muito de me testar, isso faz parte do meu traço também, eu gosto de me desafiar, então eu sou assim, é assim que eu funciono. Então eu trabalhei com várias coisas que não tinha nada a ver, não tinha nada a ver até com o que eu estudava mais, que era alimentação, mas eu fiz de tudo assim, e eu achava legal isso, porque era isso, eu estava me experimentando e eu falava assim: nossa, eu não quero trabalhar com isso. Mas eu tô fazendo. Eu queria ter meu dinheiro, eu queria me testar, né?
Eron Falbo: [29:43] Esse conceito, Malu, que você tá falando, pra mim também é muito importante. Que você não pode ter um arrependimento do que aconteceu. Eu acho, na minha opinião, você tem que ver isso como divino. O que aconteceu no passado foi um presente de Deus. E agora você tem essa informação, essa experiência, pra você analisar e tudo mais. E fazer escolhas informadoras mais fáceis no futuro.
Malu Paes Leme: [30:06] Eu entendi o que você falou, que às vezes a gente também perde muito tempo fazendo umas coisas que nem precisava fazer.
Eron Falbo: [30:14] Um exemplo, Malu, esse programa que eu tô fazendo hoje, com muito mais maturidade, entendendo isso, até depois de ler esse livro, que eu até recomendo. Esse livro é um desses livros best-sellers de hoje em dia que, bom, se é best-seller, tá todo mundo lendo, mas que, tipo assim, vale... É um livro pequeno, então vale, porque é só um ponto, mas esse ponto vale martelar, sabe? É um ponto tão importante que vale martelar na cabeça, que é, tipo, às vezes a gente tem que fazer esse cálculo. Porque não só a gente poupa tempo, a gente entra mais nas coisas que a gente quer fazer de verdade. Porque às vezes a gente entra muito no glamour, né, vendo na mídia social que outra pessoa tá tendo muitos likes porque ela fez tal coisa, aí você vai lá e faz tal coisa. É meio que como um autômato, né, alguém que tá repetindo o que outra pessoa tá fazendo. E se você parar pra meditar e falar: porra, eu quero fazer isso? Tipo assim, aquele cara lá, dono da Igreja Universal, esqueci o nome dele. Qual o nome dele, gente?
Malu Paes Leme: [31:18] Bispo Macedo.
Eron Falbo: [31:20] Bispo Macedo. Tipo assim, a galera fala: Bispo Macedo tá lá ganhando milhões, bilhões, dono do mundo, etc. Se me perguntar, você quer ser o Bispo Macedo? Nunca, cara. Nunca quero. Imagina, ele tem que ser o Bispo Macedo 24 horas por dia. Independente se ele tá dirigindo o Ferrari, ou se ele parou uma pessoa na rua, ele tem que fazer aquela demagogia, ele tem que falar da Bíblia, ele tem que ser o Edir Macedo, exatamente. Ele tem que falar com todo mundo no denominador comum. Se ele gostar de alguma coisa de egiptologia ou de filosofia grega, ele não pode falar, porque senão ele tá traindo...
Malu Paes Leme: [32:04] É só as prisões, né?
Eron Falbo: [32:09] São várias exceções. É, exatamente. Então é o custo que você tem que pagar. Então, tipo, você quer ser um bilionário? Beleza. Você pode ser bilionário, mas tem que entender que você vai ter custo. E esse custo você tem que perguntar se você quer pagar. Você quer realmente ser essa pessoa. Inclusive, procurar onde você está morando, tem custo. Você não vai ter festinha. Você não vai ter... Tem um custo. Tem sim.
Malu Paes Leme: [32:30] Você acha que não? O que é isso? Vindo para cá, eu tive uma vida social muito mais ativa do que quando eu estava no Rio. Porque aqui é tudo muito mais próximo. A gente tem mais tempo. Lá no Rio, não. Ninguém tem tempo para nada. Tudo é longe, trânsito. Então, eu lembro que eu ficava muito mais em casa do que aqui. Aqui a gente, nossa, aqui é muito gostoso. Aqui eu tive, e com criança, muito mais gostoso do que quando eu estava no Rio. Aqui a gente tem mais tempo, eu sinto. Mas é isso, a vida é ônus e bônus, né? Então toda escolha vai ter alguma renúncia, isso aí é fato, né? Só que é isso que você fala aí da coisa da maturidade, né? Que a gente vai ganhando aos poucos. E vai percebendo... Eu não sei, eu sinto que a maternidade trouxe pra mim, assim, muito essa... uma calma. Não no começo. No começo, você fica desesperado. Você fala: caraca, acabou a minha vida.
Eron Falbo: [33:34] Tá aprendendo uma coisa nova.
Malu Paes Leme: [33:35] Meu Deus, eu não vou poder nunca mais sair, dormir uma noite inteira, não sei o quê, não sei o quê lá.
Eron Falbo: [33:41] Principalmente pra mãe, né? Pra gente, a gente só fica meio que...
Malu Paes Leme: [33:43] É, pra mãe é mais intenso, exatamente. E aí dá um desespero, mas quando você passa pelas etapas, o filho começa a crescer. E aí, como eu já tenho dois, no segundo já foi muito mais suave, a gente já tá muito mais tranquilo. Você vai percebendo que a vida são ciclos e etapas. Então, assim, você perde naquele momento, só que...
Eron Falbo: [34:07] Você aceita mais.
Malu Paes Leme: [34:08] Você me dá uma volta, e eu falei assim: caraca, eu fiquei 25 anos...
Eron Falbo: [34:11] Você deixa fluir, você fica atento.
Malu Paes Leme: [34:13] É, eu fui mãe com 25. Eu falei: fiquei 25 anos solteira, porra, saí, aproveitei, viajei por aí fora, é.
Eron Falbo: [34:26] Muito esperta, malandra, poxa! 25 anos... Teve filho com 17 anos, voltada pra natureza, ainda nem tinha dormido, isso é...
Malu Paes Leme: [34:33] Uma noção de luxo, é. E aí, e aí, foi engraçado porque eu falei assim: gente, fala sério, eu não vou perder um ano, o primeiro ano da vida do meu filho? Não, eu tenho que desesperadamente ir pra balada? Porque eu não posso ficar um ano sem fazer nada, só cuidando do meu bebê e tal. E não é que a gente fica sem fazer nada, mas enfim, fica tão cansada, e depois você vai entendendo que passa, entendeu? E a vida volta, e é muito gostoso você falar: caramba, as coisas voltam, a gente volta a ter tempo de novo, a gente volta, a coisa vai se reformulando. Então, eu não sei, eu sinto que essa coisa, esse desespero, é muitas vezes do jovem, né? Porque o jovem, ele quer aproveitar a vida agora, tudo agora, porque o mundo vai acabar, entendeu? Tipo... E, na verdade, não necessariamente, né? Eu acho que a maturidade vai trazendo isso. Por isso que eu acho que, pra mim, a maternidade sempre tá sendo a minha grande escola, nesse sentido de olhar pra vida, de falar: caramba, nada tá perdido.
Eron Falbo: [35:43] É impressionante como esses ciclos biológicos, essas coisas que são muito fortes, né? Tipo assim, transformam mesmo. É que nem você falou, escola... Você podia ler o livro que for, mas a maternidade em si te ensina muito mais do que qualquer coisa acadêmica.
Malu Paes Leme: [35:57] Total, total. Mas é legal, é legal se preparar. Eu acho que é importante a gente se preparar, assim. Mas se preparar não quer dizer que você vai acertar. Não quer dizer que você não vai errar. Não quer dizer que vai ser exatamente o que estava escrito ali. Mas é uma forma de você esperar algumas coisas, né? Então, você vai vendo que, ah, legal, a criança está vivendo essa fase aqui agora, então eu vou tentar lidar da melhor maneira possível. É uma coisa meio que esperada. E aí tem muitas e muitas linhas, é bem legal isso. Quando a gente vai estudando sobre a criança e como a gente vai crescendo no mundo, é muito interessante, para a gente poder dar uma melhor...
Eron Falbo: [36:43] Eu considero que comecei a aprender mesmo depois que tive filho. Eu comecei a levar a sério, porque às vezes também você fica um pouco avoado antes de ter filho, você... Acho que você tá um pouco desconectado da realidade, né? Quando você tem filho, você meio que... Você olha pro próximo e pensa: caraca, essa parada existe mesmo! As regras existem, porra! E as forças são reais e te puxam muito, né? Pra natureza. Não só a natureza de plantas, mas a biológica, né? A necessidade.
Malu Paes Leme: [37:19] E pegando.
Eron Falbo: [37:25] O gancho de ritmo. Na verdade, eu queria te perguntar sobre... você mencionou que gosta muito de rotina, né?
Malu Paes Leme: [37:33] Não, não gosto.
Eron Falbo: [37:34] Ah, não, desculpa, é porque aqui tá... ritual matinal, não rotina. Que você tem um ritual matinal especial, e a razão que eu adoro o ritual matinal é que se você tiver um bom ritual matinal, você vai começar o dia muito mais produtivo. Então eu queria que você falasse um pouco sobre o seu, pra eu aprender, pra gente poder aprender um pouco sobre ritual matinal.
Malu Paes Leme: [37:59] Ah, legal. Então, ritual matinal, olha que louco, eu descobri durante a maternidade. Porque no primeiro filho, eu sempre brinco que eu era mãe da madrugada, porque eu acordava com meu filho e aí eu botava ele para dormir e tentava fazer o dia inteiro de noite, de madrugada. Aí eu ficava morta, exausta, e tinha que acordar e amamentar à noite, aquela coisa. Quando chegou meu segundo filho, eu já fiquei muito desesperada. Eu falei: gente, eu não tenho tempo. Caraca, eu durmo e acordo com eles e não tenho respiro, né? E aí, nem lembro como é que eu descobri o livro, que é o Milagre da Manhã, que é um livro bem famoso.
Eron Falbo: [38:42] Ah, maravilhoso.
Malu Paes Leme: [38:43] É, super. Que normalmente é usado pra quem é empresário e querem produzir e tal. E pra mim era: eu quero tempo. Era mais pra mãe.
Eron Falbo: [38:54] Mas uma mãe, ainda mais de dois filhos, produz muito mais que empresário.
Malu Paes Leme: [39:00] Sim, mas eu digo produtividade e trabalho.
Eron Falbo: [39:02] É, isso é importante dizer também, especialmente hoje em dia com o feminismo, que o feminismo tem muita coisa boa, mas também tem muito bullying dos feministas, que às vezes a maternidade não é tão valorizada quanto poderia ser, etc. Então, acho que vale a pena falar isso, que mães são trabalhadoras de fato, não é uma escolha passiva, não é uma escolha covarde, pelo contrário. Às vezes é um refúgio emocional você ser CEO de uma empresa, como mulher. Às vezes você não quer enfrentar o ônus e a pressão de ser mãe.
Malu Paes Leme: [39:42] Eu tô falando sempre.
Eron Falbo: [39:43] Tem gente que nasceu pra ser CEO de empresa, beleza. Mas eu já conheci gente, existe isso patologicamente, que é um refúgio. Tipo, maternidade é amedrontante, cara. Pra qualquer pessoa que já viu um parto... Eu já segurei na mão da minha ex-mulher quando ela tava tendo um parto. É uma parada, é uma força, é liberdade, uma força da natureza. A vida acontecendo.
Malu Paes Leme: [40:09] É muito forte. Então, assim, eu lembro que foi meio que um desespero, eu precisava desse tempo. E aí eu comecei a entender: bom, eu já deito, vou deitar mais cedo com eles, eles eram bem pequenininhos, né? O Yuri tava com meses ainda, tinha uns sete, oito meses. Mas é isso, a segunda gravidez, a segunda maternidade já é bem mais suave. Então, eu comecei a acordar mais cedo. Acordava às cinco da manhã, porque era o único momento que eu tinha ali, uma horinha antes deles acordarem. E foi revolucionário na minha vida, porque eu conseguia, assim, respirar, estar só comigo e o silêncio da manhã. Porque pra mim era assim: caraca, o mundo não começou ainda, eu tô ainda despertando, eu consigo me ouvir, me escutar, fazer meus exercícios, tá só comigo, estudar alguma coisa e tal, trabalhar, enfim, o que eu quisesse fazer eu tinha ali aquela hora. Então foi muito especial, e eu fui mantendo isso a longo prazo, né? Então, o que aconteceu é que, até hoje, eu mantenho o meu ritual matinal, ele só foi mudando ao longo do tempo, principalmente depois que eu voltei a menstruar.
Eron Falbo: [41:27] O que você faz?
Malu Paes Leme: [41:29] Ah, isso é cíclico. Esse é o meu trabalho, né? Eu trabalho muito com a questão da ciclicidade, então ele é muito cíclico. Por exemplo, agora eu tô menstruando, e aí eu não acordo cedo, eu durmo até mais tarde, mas eu acordo porque o meu corpo durante a menstruação vai precisar descansar mais e tal. Então eu não entendo isso como uma rotina, eu não me esforço porque eu preciso manter uma rotina, uma coisa; não, é tipo, é cíclico. E aí eu vou retornando, aí eu vou voltando a acordar mais cedo de novo quando passa a menstruação, que eu vou ficando com mais energia. E normalmente é isso, é o momento que eu tenho para estar me escutando, para estar fazendo um exercício físico, que eu faço em casa mesmo, ou eu saio, vou pedalar ou correr, alguma coisa.
Eron Falbo: [42:22] Por favor, se você puder falar do que você faz, como as pessoas podem te encontrar, para as pessoas que estão nos ouvindo poder te achar.
Malu Paes Leme: [42:30] Então, eu trabalho muito com o público feminino, né? E eu trabalho muito com essa coisa da ciclicidade da mulher e da sexualidade. E como analista corporal também, eu atendo individualmente. E agora, a partir da semana que vem, eu vou abrir as inscrições para a imersão, que é uma imersão de dois dias comigo, online, né? Tudo online. Que é o mapa do desejo, né? Que é exatamente um pouco do que a gente falou aqui, que é como a gente vai ativando esse desejo de vida. Então, como é que a gente desbloqueia o nosso desejo de vida e o nosso desejo sexual? Porque, para mim, a sexualidade e o desejar na vida caminham muito lado a lado. Uma dá força para a outra e a gente realiza muito mais na nossa vida. Então, é uma imersão super especial. A gente já fez a primeira edição em janeiro, foi muito legal. E aí, a gente vai fazer a segunda edição agora. Todo mundo tá convidado, mulheres, né? É um encontro só para mulheres, mas é muito legal, e vai ter todas as informações semana que vem. Quem quiser me seguir, é arroba malu.paesleme. E é isso, sempre tô com conteúdos e lives e coisas lá no Instagram, também tem meu site, isso.
Eron Falbo: [43:48] É Malu ponto Paes Leme, P-A-E-S, Paes Leme. www.malupaesleme.com.br. Aí você encontra... Se eu fosse mulher, eu ia participar disso. Fiquei com um pouquinho de ciúmes de todas as mulheres do planeta poderem participar disso. O que me parece muito legal é ter consciência sexual, consciência corporal. É uma coisa que ativa muito o poder pessoal, né? Ativa... Você tem uma máquina pra usar, né? Que é o nosso corpo. E eu sinto que eu tô... Nos últimos seis meses, isso virou minha obsessão, assim, de conhecer meu corpo e me cuidar melhor. Eu realmente recomendo isso, até por ser Malu. Eu não sei se você já ouviu isso, mas eu falei que você realmente me passa uma credibilidade espiritual, você me passa uma energia de serenidade, de estar centrada, de estar bem consigo, e isso pra mim é extremamente importante pra alguém que tá lidando com essas forças, especialmente no sexo, porque são forças muito, muito intensas, né? E se tiver com uma pessoa que é desequilibrada, pode transbordar isso pra você também.
Malu Paes Leme: [45:10] É verdade. É... o meu caminho, a minha jornada. E o que eu convido as pessoas, eu digo até que é esse caminho leve, né? Do prazer, da vida orgástica. Então, foi um prazer estar aqui falando com você. Um prazer também ao público, se quiser vir me conhecer, vai gostar lá dos conteúdos. Estamos aí.
Eron Falbo: [45:34] Vamos lá, todo mundo visitando o Instagram da Malu Paes Leme. E Malu, eu queria te agradecer imensamente, eu vi que uns 10 amigos seus falaram que queriam te ouvir falar mais. Mas só para justificar, isso não é uma entrevista, o conceito do nosso programa é de uma conversa, e a ideia é realmente ir para assuntos que não têm nada a ver e daí tirar coisas que são inusitadas, né? Eu não planejava ter essa conversa com você, eu não tenho aqui uma pauta, né? E para mim foi uma conversa super rica. A gente falou de umas coisas muito importantes, e eu acho que qualquer pessoa que estiver nos ouvindo aí vai concordar que tem aprendizado, coisas muito boas aqui pra gente falar. E claro, espero que não seja a nossa primeira conversa, a gente pode ter outras, dá para ver que você tem muito conteúdo, e a gente pode ter outros encontros. Eu convido seus amigos, nossos amigos, para voltarem aí.
Malu Paes Leme: [46:35] Te ouvir falar muito mais, mas eu...
Eron Falbo: [46:39] Queria te agradecer imensamente, agradecer à Uniaz por ter nos apresentado, e isso continua.
Malu Paes Leme: [46:45] Assim, muito obrigada. Uma boa noite para todo mundo, e boa noite para você. Muito obrigada mesmo por ceder
Eron Falbo: [46:54] o espaço. Valeu, Malu, tudo de bom. Tchau, tchau.
Malu Paes Leme: [46:57] Um beijo.
Eron Falbo: [46:59] Beijo pra todo mundo.
Malu Paes Leme: [47:00] Tchau.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #87 · todos os episódios