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#8 A arte do bom anfitrião

com Roberto Cohen · 18 de jun de 2020

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura e apresentação do convidado (0:00)

Eron Falbo: [0:05] Alô, boa noite, pessoal. Sejam bem-vindos a mais um Brasileiros Extraordinários. Hoje a gente vai falar com o cerimonialista Roberto Cohen. Eu convidei o Roberto. O Roberto fez o meu casamento. Hoje eu não sou mais casado, mas ele fez o meu primeiro casamento. Espero que ele faça os próximos três.

Roberto Cohen: [0:28] Estamos aqui prontos.

Eron Falbo: [0:31] Mas eu conheci ele assim, e sempre foi um gentleman, uma pessoa de uma classe realmente que eu conheço pouquíssimos que se igualam em elegância, caráter, sensibilidade com as pessoas. E por isso eu resolvi convidar o Roberto aqui hoje, porque eu acho que ele tem muito a dizer, ele tem muito conteúdo. E eu andei vendo suas entrevistas, Roberto, no YouTube, e assim, bom, tem muitos bons momentos e tudo, mas você fala muito sobre sua profissão, né? Sobre organização de casamento. Mas eu sei, te conhecendo, eu sei que você tem muito mais a contribuir, né? Muito mais conteúdo dentro de você. E hoje eu gostaria de explorar um pouco disso, um pouco do que você nunca falou, né? Dos seus interesses pessoais e além. Então, se você puder, num primeiro momento, se apresentar do jeito que você quiser se apresentar, e um pouquinho transcender a profissão, seria legal.

Roberto Cohen: [1:44] Em primeiro lugar, superobrigado pelo convite. Uma honra estar aqui para, se Deus quiser, falar além do Covid apenas. Como estão sendo as frustrações de remarcar as festas e tal, etc. Por favor, não me peçam para falar a palavra "se reinventar", porque já cansei dela. Porque acho que ela tomou várias vertentes, algumas intoleráveis, outras engraçadas e outras já viraram meme até. Mas sou um brasileiro carioca, nascido na classe média, estudei em escola pública grande parte da minha vida, tenho 58 anos, sou de 1962. Seguindo aquele certinho, aquele padrão de classe média da época, me empenhei numa profissão incrível da época, uma profissão rentável. Eu sempre gostei de lidar com pessoas, e aí entrei para odontologia. Aí todo mundo achou que ia ser alguma outra coisa. Então, fui ser dentista numa época em que, para você ser dentista, tinham poucas faculdades, não tinham faculdades particulares no Rio de Janeiro. Eu não tinha sequer grana para me inscrever em uma faculdade fora do Rio e viver fora do Rio, etc. Então, eu tinha que passar para a Federal. Passei para a Federal. Era, na minha época, mais difícil fazer odonto do que medicina. Nós éramos 18 candidatos por vaga, para você ter ideia. E tudo bem, passei para o odonto e tal, cursei odontologia e estava lá muito feliz, parceiro na odontologia, quando uma amiga me pediu para ajudar a fazer o casamento dela. E aí, foi porque ela me ajudou nisso: eu era metido no colégio a organizar encontros do Grêmio, festas do Grêmio, coisas assim. Era metido mesmo, gostava de organização, e por isso ela me ajudou. Na época, uma menina judia casando com um católico, uma coisa inaceitável para aquela época, e eu queria dar uma grande ideia para ela. Todo mundo vai dizer assim, mas que grande ideia foi essa? Para hoje, nada demais. Casar no mesmo lugar da festa, botando violino, flores etc. Só que, em vez de ter um padre, um rabino, um pastor, eu tinha um juiz de paz. E esse juiz de paz casou ela. Só que, na época, foi uma grande ideia. No Brasil, não tinha sequer divórcio, era desquite. Então, todo mundo que quisesse casar de novo e tal, qualquer coisa dessa, essa era a única solução. Então, assim foram os meus inícios. E depois, uma chamou a outra, não tinha Google, internet, nada disso para você, né?

Carioca e dentista de formação (2:09)

O primeiro casamento organizado (3:50)

Eron Falbo: [5:13] Era bom assim, né?

Roberto Cohen: [5:15] Não tinha blogueira. E aí o que aconteceu? Acabou acontecendo isso. O povo pegou, e era por indicação, boca a boca, e as pessoas chegavam a mim. E, depois de um tempo, tive que entrar para a Globo para fazer, como se chama, casamentos de novela. Fiz "O Amor Está no Ar". Como assim?

Casamentos de novela na Globo (5:19)

Eron Falbo: [5:46] Tipo, a organização da cenografia?

Roberto Cohen: [5:49] Exatamente. Na verdade, eu fiz a cenografia, fiz os casamentos de Caminho das Índias, fiz os casamentos daquela minissérie... Você Decide. O povo telefonava para dizer, quero, não quero, decide, sim, não e tal, etc. Bom, enfim, o que aconteceu foi isso.

Eron Falbo: [6:17] Você Decide, cara, eu tinha esquecido.

Roberto Cohen: [6:19] Aí a Rede Globo me pediu uma coisa chamada nota fiscal. Falei: "O quê? O que é isso?" Eu era um simples dentista, que dava um RPA, recibo de profissional autônomo, e agora preciso de uma nota fiscal? Aí eu tive que abrir uma empresa, fechei o consultório e passei a viver de eventos.

Eron Falbo: [6:43] Que coisa, que coisa! E assim, então, durante um bom tempo, vamos dizer, você ficou nas duas coisas: você ficou sendo dentista e ajudando, né? Dez anos? Dez anos, caramba!

Roberto Cohen: [6:58] Dez anos eu exerci as duas coisas, Eron.

Eron Falbo: [7:01] É muita coragem.

Roberto Cohen: [7:03] Foi muito corrido.

Eron Falbo: [7:04] Mas você tinha uma paixão durante esses dez anos, para... Você estava querendo ser mais cerimonialista? Como é que estava isso? Era aquela coisa que você... "Ah, não, eu não sei se ainda vou, porque ainda está um pouco incerto"... Ou o quê? Como é que foi esse sentimento?

Roberto Cohen: [7:21] Olha, na verdade, eu adorava fazer os eventos, mas eu não conseguia imaginar que eu ia viver de eventos. A nossa profissão, a minha grande meta, eu gostaria de morrer vendo essa profissão de organizador de eventos, cerimonialista ou assessoria, como quiserem chamar, porque o Brasil é tão grande que a nomenclatura muda. São Paulo é assessoria, Rio é cerimonial...

Regulamentar a profissão de cerimonialista (7:38)

Eron Falbo: [8:01] No mundo inteiro.

Roberto Cohen: [8:02] Produtor de evento em Curitiba, cada lugar chama de uma coisa. Mas, se você quiser saber, o cerimonialista de Brasília, que faz o protocolo de compor a mesa solene, aquela coisa toda, nem ele tem a carteira dele assinada como cerimonialista ou mestre de cerimônias. Ele é tido como auxiliar técnico. Então, gostaria, com esses cursos hoje em dia, que eu dou, curso, palestra, etc.

Eron Falbo: [8:35] Você quer oficializar mais a profissão?

Roberto Cohen: [8:39] Perdão?

Eron Falbo: [8:40] O que é oficializar mais a profissão? Fazer uma profissão mais digna, mais clara.

Roberto Cohen: [8:45] Exatamente.

Eron Falbo: [8:47] Mais reconhecida.

Roberto Cohen: [8:49] A profissão não é reconhecida. Não existe casamento ou evento que não tenha uma pessoa dessas, que a pessoa não chame. A pessoa pode chamar o profissional top ou o tradicional, simples. Tem cerimonial de todo valor, para todos os gostos, bolsos e custos. Ninguém faz um casamento hoje em dia sem ter um cerimonial. Só que a produção não é reconhecida. E o que vai acontecer? Todo mundo que trabalha com isso, um mercado que atende, que faz bilhões de reais por ano, todo mundo, de certa forma, é uma microempresa.

Eron Falbo: [9:39] E o pior é que o que você está falando é no nível mais alto. No mercado de luxo, a coisa está desorganizada. E eu acho que esse mercado ainda tem um potencial gigantesco para ir muito mais além. Se alguém quiser organizar um churrasco um pouco mais bem feito em casa, pode chamar um cerimonialista de mais baixo custo, porque você tem que contratar churrasqueiro, alguém para fazer a limpeza, alguém para servir. E às vezes a pessoa em si faz tudo errado, entendeu? O dono da casa se estressa e às vezes não consegue pagar mais caro, quando podia pagar um cerimonialista que já tem os fornecedores, entendeu? É uma coisa assim, para expandir ainda mais, para níveis bem menores do que o seu. Então, eu acho que o que você está fazendo é realmente um trabalho de pioneiro, para abrir uma porteira que pode passar depois. Pode ter Uber de cerimonialista, entendeu? Pode se oficializar.

Roberto Cohen: [10:45] E aí acaba o seguinte: evento é uma coisa que você não conserta. Se você fizer um armário na sua casa com um marceneiro ruim, sem arquiteto e tal, o máximo que vai acontecer é você fazer de novo. Se o piso ficar mal colocado porque você contratou um pedreiro ruim, você acaba pagando duas vezes e refazendo. Evento não tem conserto, entendeu? E aí o que acontece? Como a profissão não é regulamentada, essa pessoa, se for lesada, não tem nem a quem recorrer para o conserto, entendeu? Ela, no máximo, vai a um juizado de pequenas causas. Ela vai processar uma pessoa física, entendeu? E aí a coisa fica muito no ar. Mas o que ele te prometeu? Até onde realmente ia e tal? Eu vi a minha classe, tadinha, perdida, sem ter a maioria, sabe? Porque muita gente é informal, né?

Eron Falbo: [11:53] É. Isso me parece realmente... Eu acho que, pela minha intuição, você está num caminho muito correto, e te apoio com toda a minha simpatia com essa causa, porque eu realmente acho que é uma das coisas que o Brasil precisa, essas oficializações de profissões e coisas do tipo. Mas vamos entrar um pouquinho num assunto, se você quiser. Eu, na verdade, fico muito curioso sobre algumas coisas. Eu acho que agora, nessa época de quarentena... Não vou falar sobre nada de quarentena, a não ser...

Voltar às festas pós-quarentena (12:28)

Roberto Cohen: [12:38] Vamos.

Eron Falbo: [12:38] Dizer, um sintoma da quarentena. Um sintoma da quarentena é que todo mundo se isolou. E a gente agora vai começar a voltar a se ver de novo, a ter festas, a fazer sociais e tudo mais. Eu achei que é muito interessante pegar a sua expertise em festas gigantescas que você faz para centenas, às vezes milhares de pessoas, e tentar destrinchar um pouquinho essa arte e ajudar as pessoas a, de repente, começarem a organizar festas nas próprias casas, entendeu? Porque isso certamente é o que vai começar a acontecer, porque as boates, casas de festa e tudo mais vão ser, provavelmente, as últimas coisas que vão abrir agora na quarentena. Só que as pessoas estão morrendo de vontade de fazer festa. Então, eu sei que já estão organizando festas. Tem festas clandestinas, que eu nunca admitiria que eu fui. Mas existem algumas coisinhas acontecendo por aí. E eu acho que o público gostaria de saber um pouco sobre quais são as leis de ser anfitrião, as leis de organizar a própria festa bem feita. Pode ser contratando um cerimonialista, mas de repente o orçamento das festas não permitiria, ou você pode dizer que existem cerimonialistas trainee que gostariam de se envolver nesse tipo de coisa. Então, queria saber o que você acha dessa ideia toda e o que você tem a dizer sobre isso.

Roberto Cohen: [14:14] Bom, em primeiro lugar, acho o seguinte: o brasileiro, principalmente, é muito festivo. O fato de eu já ter representado o Brasil em muitos eventos fora é que realmente existe um foco, existe um olhar de respeito para as festas brasileiras, para os casamentos, para os 15 anos, para os bar mitzvahs. O brasileiro é muito bem visto lá fora. Somos muito exigentes e a gente capricha muito em termos de festa. E, obviamente, o brasileiro está louco para voltar a comemorar. Nós, então, cerimonialistas, casamenteiros, festeiros, organizadores de rave, de baile funk, de favela, todos, sem exceção... Eu costumo dizer que fomos os primeiros a parar e vamos ser os últimos a voltar. Porque festa foi assim: não houve atenção, "vocês vão fechar". Não, foi assim: arrasou e acabou. Agora, por outro lado, ninguém pode brincar com a saúde, porque não é só a sua. O problema é com quem a gente contamina e quem a gente deixa mal nessa história.

Eron Falbo: [15:46] Claro, claro. Olha, eu não tô entrando nesse mérito pela seguinte questão: porque eu tô respeitando que isso aí é a responsabilidade de cada pessoa. Eu tô falando assim, o fato de que as pessoas já estão voltando a fazer festa é um fato, tá entendendo? Eu, pessoalmente, tenho a minha posição ética, né, de não contaminar as pessoas, tomar cuidado com isso e tudo. Mas eu acho que, se a gente puder deixar isso de lado um pouquinho, vamos dizer, são pessoas que sabem que não estão expondo pessoas de risco. É uma incógnita, a gente não sabe até que ponto. Por exemplo, até na Europa, que está voltando as coisas, na Coreia do Sul, que teve festas... Abriram as boates de novo, aí em uma das boates descobriram um caso de coronavírus e depois fecharam todas as boates de novo. Ou seja, a gente não sabe o que vai acontecer, independente de voltar ou não voltar. Então, é por isso que eu estou falando teoricamente. Vamos deixar essa parte de lado. Eu estou sugerindo a gente falar da produção da coisa.

Roberto Cohen: [17:09] Sim, acho que, quem quiser voltar, brinco que é como se fosse uma fisioterapia: tem que voltar aos poucos. Depois que você acorda de um coma... O nosso coma foi essa quarentena: a gente colidiu com uma Scania a 180 km por hora, ficou parado na CTI, num coma chamado Covid-19, a quarentena. E agora estamos devagarzinho na fisioterapia. A minha sugestão: está louco para voltar a uma festa? Começa na sua família. Acho que é uma forma responsável. Faz uma festa de família, bota a música, dancem e tal, etc., porque ali você já começa a saber onde está a sua família e tal, etc. E depois você vai ampliando, à medida que tivermos relaxamento, vai aumentando o círculo, seja o círculo da academia, seja o que for. Porém, acho que todos nós somos responsáveis também. Brinco que as primeiras festas de cada um, seja uma taça de vinho, um jantar ou uma rave, faça uma festa secreta. Não saia daí postando, divulgando, porque, às vezes, vão ver... Por exemplo, aqui você está vendo um copo, mas você não sabe se eu bebi um litro, uma garrafa, ou se isso aqui é um guaraná, não é verdade? Então, a postagem, a divulgação tem que ser muito responsável também, porque você não sabe o alcance que vai ter a sua postagem. Por isso, acho que deve ser uma festa secreta.

Festas secretas e discrição (18:06)

Eron Falbo: [19:08] Inclusive, eu te digo que isso vale como um aprendizado para sempre. Mesmo se não tiver Covid-19, é uma coisa... As pessoas se acostumaram a se expor demais em termos do que estão fazendo e como estão fazendo. Acho que isso vale até como aprendizado, esse momento em que é prudente, é claramente prudente, você ser mais discreto. Porque, assim, eu sou uma pessoa que valoriza a discrição como uma virtude, como uma coisa que se deve ter independente de qualquer coisa. Então, eu acho que é uma oportunidade para a gente, no futuro, a gente saber, antes do apocalipse, que tipo de fotos as pessoas postavam no Instagram, fazendo coisas que viravam até uma ostentação, tipo "olha como eu sou livre", "olha como eu sou sensual", "como eu não tenho pudor" e qualquer coisa do tipo. Eu acho que vale uma repensada nesse tipo de atitude, porque eu não sou assim... Como é que chama em inglês, "approved"? Eu não sou um hipócrita, eu me divirto, eu sei me divertir, quem já se divertiu comigo sabe muito bem disso, mas a questão é que você não precisa ostentar isso, é como se fosse uma vulgaridade desnecessária.

Roberto Cohen: [20:34] Exatamente, desnecessário. Rebaixa tanto, não é verdade? Porque você não sabe qual vai ser o alcance disso tudo, e quem você vai atingir, e que tipo de exemplo você pode dar, né?

Eron Falbo: [20:50] Eu acho que cada um tem que...

Roberto Cohen: [20:51] Ser responsável por esse pedacinho agora.

Eron Falbo: [20:55] Eu queria aproveitar para dizer para o pessoal que o objetivo dessas conversas é uma coisa light, entre amigos, a gente conversando, e vocês se sintam à vontade para contribuir, falando comentários e perguntas. O Akira está falando uma coisa muito legal, que é verdade, porque, no final das contas, se eu for pensar, se você fizer de uma maneira sustentável, você pode fazer mais, pode fazer durante mais tempo. É uma coisa que se sabia muito no século XIX. No século XIX, todo mundo era externamente muito galante e, entre quatro paredes, era capaz de selvagerias. Eu não acho isso hipocrisia, acho que isso é uma forma de preservar a sociedade, preservar o mundo, preservar cada coisa no seu devido lugar, vamos dizer. Acho isso importante. Mas, Roberto, se você pudesse responder... Então, nessas festas, vamos dizer, secretas ou discretas, para ser menos culposa... Isso surgiu aqui nessa conversa, na verdade: o que você acha dessa ideia de chamá-las de minifestas, para festas menores, de 10 a 50 convidados? O que você acha dessa ideia?

Cerimonialista para festas menores (22:04)

Roberto Cohen: [22:32] Olha, eu acho o seguinte: se a pessoa acha que precisa de uma consultoria para um evento desses, eu não vejo por que ela não usar. Eu não me oponho a isso. Não chamaria nem uma festa pequena dessas de minifesta. Aliás, detesto a palavra mini, porque mini é mini de tudo, tudo é pequeno, tudo é diminutivo, não tem por quê. Amanhã mesmo a gente vai dar uma aula, eu e um grupo de brasileiros, a gente fala sobre eventos boutique. Então, o que vai ser um evento boutique? Acho que primeiro a gente vai voltar com isso: fazer um evento menor, para um grupo de pessoas bacana. O que é um grupo de pessoas bacana? Não é só quem você curte, é quem você sabe que teve uma atitude responsável nesse período e tal, etc. Então, você vai selecionar muito mais, vai caprichar no vinho, na gastronomia, e vai fazer um evento maravilhoso. Mas eu não chamaria de minifesta, para dez, doze, pode ser até para quatro pessoas. Se ela for caprichosa, é um evento muito típico. E eu acho que essa é uma volta que deve acontecer, muito bem feita, dessa forma. Não vejo problema nisso, não. Se a pessoa quiser todos os cuidados de distanciamento, de medir temperatura, de botar um tapete higiênico na entrada, álcool em gel, ela vai precisar de um sistema, seja para 10, para 100 ou para 1.000. Ela vai precisar de qualquer maneira.

Eron Falbo: [24:25] É verdade. Mas isso alguém já falou, eu não sei, algum cerimonialista falou que isso já existe, né? Mas eu fico até curioso, acho que muita gente fica, porque eu acho que a maioria das pessoas... Por exemplo, um ano atrás eu contratei um churrasqueiro, eu chamei, sei lá, 30 amigos, e ele fazia tipo um mini cerimonial, ele tinha os garçons dele, toda a estrutura dele. Aí o que eu queria entender é se existe essa coisa, porque, te conhecendo, eu sei que o orçamento não caberia te convidar para ser o cerimonialista de uma festa pequena assim, de um get together entre amigos. Aí o que eu queria entender é se existe essa hierarquia, existe um treinamento. Eu sei que você dá cursos, né? Então, você está fomentando isso, de pessoas começarem a organizar coisas menores e serem chamadas para isso? Existe essa indústria? Como é que está sendo isso?

Roberto Cohen: [25:30] Não, olha, eu acho que, nesse nosso mercado, existe lugar para todo mundo, tá? Tem lugar para o churrasqueiro, tem para o que faz crepe, tem para todo mundo. Então, é tranquilo mesmo, não tem problema nenhum, tem espaço, tem lugar para todo mundo. O que cabe aí é a necessidade ou não. Vou dar um exemplo: você chamou esse churrasqueiro e tal, até que, com certeza, ele estava... Não sei se foi nesse momento agora ou não, não importa, mas vamos lá. Se ele está completo, com tudo que você precisa, por exemplo, manobrista, segurança, gerador, limpeza, prato, copo, talher, gelo, alimentos, bebidas e tal, você não precisa. Ele não é um mini cerimonial, ele é um super cerimonial.

Eron Falbo: [26:28] Não, mas olha só, Roberto...

Roberto Cohen: [26:30] Serviço de alimentos e bebidas, tá? Mas quem vai fazer para você a manobra, a segurança, a limpeza, o gerador, remover o lixo, o controle na porta, ver se está tudo bem servido e tal? Aí é o cerimonial.

Eron Falbo: [26:47] Então, mas aí, eu vi numa entrevista sua você falando que um dos pilares... Na verdade, você falou que duas das coisas mais importantes de uma festa são a música e a iluminação. Não sei se você ainda concorda com isso, mas...

Roberto Cohen: [27:03] Na música, comida e bebida.

Eron Falbo: [27:05] Sim, a comida e bebida é o sangue da peça, é o combustível. Você falou isso, sim, tudo bem: comida e bebida. Mas a música é um dos ingredientes cruciais, junto com a iluminação. Então, o que eu estou falando, na verdade, é uma coisa um pouco mais além, assim. Eu estou entrando, assim, na filosofia... Até alguém perguntou qual é o tema da nossa conversa hoje. O tema é a arte de ser anfitrião, né? E eu vejo, assim, estudando a história, que eu gosto muito de estudar, que os grandes momentos da história do mundo foram feitos com grandes eventos, né? Como, assim, aquela festa do rei na Meguilat Esther, na história de Purim, no Velho Testamento, tem uma festa de Esther com o rei. Aquilo e outros eventos, não só esse, como a coroação do Xá do Irã, que trazem grandes líderes juntos.

A arte de ser anfitrião na história (27:15)

Roberto Cohen: [28:08] A festa existe na vida de todos os povos. O índio faz a pajelança, não é? Aquele banquete, aquela coisa toda. O índio dança, o índio tem música, o índio tem comida. A pajelança, o que é senão uma rave, nas tribos? Se você for ver, os judeus cruzam o Mar Vermelho, a primeira coisa que eles fazem do lado de lá, a Miriam pega os pandeiros e começa a dançar com todo mundo.

Eron Falbo: [28:42] Exatamente. É uma espécie de... como é que se chama? É uma espécie de momento que marca, que marca alguma coisa, que marca na lembrança, que testemunha algum fechamento, alguma coisa. Então, o casamento, por que você convida? Isso eu descobri no meu casamento. Eu descobri, assim, pessoas que casaram sem festa, eu percebi que tinham um elo, sem querer julgar, é algo que depende do caso, mas, no geral, comparando pessoas que tinham um grande casamento com pessoas que não tinham um casamento tão grande, você sentia uma responsabilidade muito maior, né, com aquele elo, porque tinha tantas testemunhas. No meu casamento, sei lá, tinha, não sei se você lembra, 500 pessoas, tinha muita gente, então você fica tremendo, tipo, pô, isso aqui é uma responsabilidade muito grande. Eu nem tinha tanta certeza assim, e agora tenho certeza. Mentira, eu tinha tanta certeza. Mas você sente essas coisas. E a mesma coisa num grande evento, assim, numa coroação de um rei ou no inaugural speech do presidente, né? Aquilo adiciona, né? Aqueles olhos olhando pra você, ou as pessoas presentes e presenciando aquela coisa, marca aquilo com uma importância gigantesca, né? E eu acho que você fazer isso bem-feito é você honrar as pessoas que estão presentes naquele momento e honrar o objetivo daquele momento. Mesmo que seja uma rave, mesmo que seja tipo uma festa de música eletrônica, assim, o objetivo pode ser ou acasalamento ou alegria, né? Ou as pessoas espalharem alegria ou qualquer coisa do tipo. Mas se você fizer isso com a iluminação certa, com bom gosto, com respeito aos convidados, com higiene, com esse tipo de coisa, é uma festa. É a diferença entre uma festa e um conglomerado, uma aglomeração, para usar um termo...

Roberto Cohen: [30:59] Eu acho que a gente vai também sofrendo metamorfoses aqui de vida. Eu tive uma época em que achava que era só bebida e música, depois que era só comida. E acho que tudo isso são fases. Eu vinha numa fase em que dizia o seguinte, até março de 2020, que a coisa principal de uma festa era o equilíbrio. Não adiantava uma super decoração e uma comida mais ou menos. Não adiantava uma super música e uma bebida mais ou menos. Então, as coisas tinham que ter equilíbrio. Isso era a primeira coisa. Porque você nunca vai ter convidados que gostem de tudo. Tem gente que vai mais para olhar decoração, flor, bolo, doce. Outros que vão para olhar só para curtir música. Outros que vão só para beber. Tem gente que só está lá, não está nem aí para comida, para bebida, está lá para ver o público. Uma festa boa tem que ter um mix de gente interessante para acontecer isso. Mas acho que, agora, o principal para você deixar uma pessoa feliz na sua festa, com vontade, com tesão de ir na sua festa, é o quão bem recebida ela vai ser. Estou dizendo que agora não vamos ter mais convidados, vamos ter eleitos. A gente vai eleger quem quer na nossa festa. E aí essa pessoa vai até, sabe? Ela vai talvez ter mais consciência em dizer, confirmar a presença, se vai ou não. E não dizer que apareça lá e tudo, porque a coisa, como vai começar devagarzinho, ela vai começar, então, todo mundo vai saber. Olha, eu vou fazer falta. No casamento de 500, se 50 vão embora, eles não fizeram a menor falta. Se forem 50 chatos, então, fizeram falta nenhuma. Agora, no casamento de 100, numa festa de 100, e aí se saírem 20, deu uma esvaziada na festa. Então, a gente vai ter que eleger quem a gente quer lá. A gente vai ter que receber bem essa pessoa. Não tira essa pessoa de casa para dar nada mais ou menos. Mais ou menos ela tem em casa. Se bobear, tem melhor do que na sua recepção.

Eleitos, não convidados (32:19)

Eron Falbo: [33:41] Você está desonrando ela.

Roberto Cohen: [33:43] E receber melhor.

Eron Falbo: [33:46] Você está desonrando o tempo dela, você está desrespeitando o fato de que ela, na verdade, te deu uma chance, te deu uma chance de entreter ela. Não é tão óbvio assim, as pessoas costumam pensar assim, pô, eu já estou convidando, então só de eu estar oferecendo minha casa já é... já é ótimo, né? Então, às vezes elas entram... É nisso que eu quero chegar, entendeu, Roberto? Que quando você falou assim do churrasqueiro, ah, o churrasqueiro tem XYZ, tá bom, mas ele não tem ambientação, ele não tem requinte, ele não tem o certo... pra entender qual que é... a sensibilidade, né? Entender o que você quer dos seus convidados, que tipo de convidados você tem, que tipo de música seria apropriada para isso. Eu acho que isso é uma coisa que é desvalorizada.

Roberto Cohen: [34:42] Mas às vezes essas pessoas, Eron, eu entendo, às vezes elas nem querem fazer isso, tá? Muitas vezes... Churrasqueiro, você disse? É o cliente que quer tirar do churrasqueiro a série de funções que não são da coisa deles.

Eron Falbo: [35:01] Mas por isso que eu estou sugerindo que, de repente, o futuro, ainda mais no futuro de tecnologia, onde muita gente vai perder o emprego porque as máquinas vão fazer tudo, o que as máquinas não vão fazer é coisas como ser cerimonialista, porque as máquinas não vão ter essa sensibilidade. Então, ser cerimonialista é, na minha opinião, uma profissão do futuro. É uma coisa assim que até a gente conseguir inteligência artificial para substituir o Roberto Cohen, aí vai 300 anos pelo menos.

Roberto Cohen: [35:38] Esse tipo tem muita coisa, dá para botar caixa eletrônico, dá para botar drive-thru, muita coisa, mas evento personalizado...

Eron Falbo: [35:49] É isso que eu tô querendo enxergar, entendeu? Tipo assim, as pessoas, sim, às vezes esperam que o churrasqueiro vai resolver tudo, mas isso é errado, porque o churrasqueiro, porra, coitado, ele nem quer. O fato de ele oferecer o garçom e oferecer outras coisas foi um added value, uma coisa que ele aprendeu que depois de um tempo ele ia ganhar um pouco a mais fazendo, mas não é uma coisa que ele sabe fazer, que ele não entende de festa ou coisa assim. O que eu tô propondo é: será que não vale a pena ter... mini, a gente não pode usar, mas será que vale a pena a gente ter uma versão, vamos dizer, mais humilde do cerimonialista para... Vale.

Roberto Cohen: [36:33] Claro que vale. Se você quer ser um anfitrião consciente, se você quer receber bem seus convidados, você pode ter organizador, cerimonialista, produtor, o que você quiser falar, para todo porte de FM. Eu já organizei vários elopements. O elopement, para quem não sabe, é o casamento de duas pessoas, entendeu? Duas pessoas que querem uma curtição, que querem uma experiência incrível. Eu peguei um casal num heliponto de um hotel, não vou falar aqui, não vou fazer a propaganda, levei eles de helicóptero até o... o Morro da Urca, de lá eles desceram e foram para o Corcovado, casaram só os dois e, depois, de onde eles saíram do heliponto, enquanto eles saíram para fazer esse tour, nós colocamos uma mesa só para os dois e eles tiveram um superjantar harmonizado só para o casal. Ou seja, você pode fazer de uma coisa mini uma coisa muito especial, uma coisa boutique, uma coisa impressionante para essa pessoa. Agora, ele poderia ligar para o helicóptero, mandar o helicóptero pousar e depois ligar para o cara do carro e depois ligar para o padre lá do Corcovado. Padre, estou chegando. Manda tocar o violino. Não! Então é isso que estou dizendo, o número de pessoas, o tamanho do evento, não está nada ligado à complexidade dele.

Eventos boutique e elopements (36:41)

Eron Falbo: [38:24] Entendi.

Roberto Cohen: [38:26] Você vê como uma escola de samba de milhares de pessoas, não tem milhares de pessoas para organizá-la e botá-la. Tem até poucas, gente, e ela entra bonitinha, carro alegórico, ala das baianas, bateria e tal, mas não tem milhares de pessoas, não. Tem milhares de pessoas desfilando. Então, é aquela coisa, o aparato que você precisa... Vamos comparar aqui uma outra coisa. Você vai fazer uma cirurgia, tá? Se você vai entrar em um centro cirúrgico para tirar um quisto ou para fazer um transplante, você precisa da mesma equipe. O anestesista, o instrumentador, o médico, o não sei o quê, tem a mesma coisa, entendeu? Então, não é o tamanho da operação, mas, sim, o quanto você quer que ela saia perfeita, o quanto você quer que essa engrenagem funcione. E por isso que acho que essa profissão não é uma profissão de máquina nenhuma, com certeza.

Eron Falbo: [39:38] Tô nessa, inclusive, eu quero entrar nesse bis justo por causa disso. E, assim, eu não sei se você sabe sobre mim, né, mas eu, desde os 17 anos, festa. Então, assim, muito antes de conhecer... Eu, quando eu tinha 17 anos, meus amigos até brincavam: eu dirigi um carro que era da empresa do meu pai, não tinha papéis. Era um carro daqueles que, tipo, se parasse em blitz podia deixar, porque estava com tanta multa. Então eu dirigi mesmo com 17 anos. Era um Fiat Uno. Aí, obviamente, com 17 anos, eu levava meus amigos pra todo lugar. Aí, os meus amigos... Até hoje, conta-se a história que abria um porta-malas e tava sempre dinheiro caindo, saindo do porta-malas, porque eu organizava festa. Eu morava em Brasília, né? E não tinha muita festa de rock. E eu tava sempre organizando festa de rock, então eu ganhava bastante dinheiro. Bastante dinheiro pra quem tem 17 anos, né? Eu ganhava, sei lá, três salários mínimos. Além da minha mesada, vamos dizer, né?

Roberto Cohen: [40:51] E era um dinheirão isso, né?

Eron Falbo: [40:53] Pra mim era assim, eu era o rei, né? Nossa! Era o rei que pagava as cervejinhas. Então, ou seja, eu tenho uma experiência de organização de festas. Depois que eu namorei em Londres, eu trabalhava com organização de festival de rock. Então, eu organizava muitos festivais internacionais. Na Espanha, na Alemanha. Em Londres, em diferentes lugares da Inglaterra. Então, assim, eu tenho essa experiência, só pra te dar essa introdução. Mas o que eu vejo é que dentro desse mundo de organização de festas, de cerimonial, de cerimonialista, normalmente a trajetória, pelo menos no mundo do entretenimento, de festivais, de raves, de qualquer coisa, a pessoa começa sendo DJ, entendeu? Começa sendo músico, começa sendo algum elemento, né, dentro daquela organização, e começam a falar, porra, ninguém tá organizando o resto. Aí as pessoas que são um pouco mais organizadas começam a crescer dentro daquilo. Eu acho que no futuro, eu espero que não seja assim. Eu fui assim. Eu comecei a organizar festival pra centenas de milhares de pessoas na Inglaterra. Comecei sendo músico. Eu era DJ de rock no curatinho, 17, 18 anos. Só que eu acho que você fazendo cursos e educando as pessoas, é possível criar uma trajetória, uma história de carreira, como é que chama isso? Uma carreira, né? Que a pessoa já vise esse fim de ser cerimonialista desde o zero e comece organizando, pô, tem uma festinha na casa de alguém, precisa de um cerimonialista, porque precisa. Então, você precisa organizar o bar, você precisa organizar, porra, n coisas que muitas das vezes as pessoas, os anfitriões, acabam se ocupando com essas coisas, acabam fazendo mal feito e acabam diminuindo o valor da festa, entendeu? Então, de repente, seria interessante mesmo ter pessoas assim de mais... Porque o que você falou foi coisas de boutique, assim, que custam mais caro, o helicóptero, né? Estou falando para diferentes níveis, porque tem diferentes níveis de pessoas, tem diferentes níveis de cerimonialistas e diferentes níveis de experiência também.

Roberto Cohen: [43:15] Mas, acima de tudo, acho que as pessoas precisam, para se lançar melhor nessa profissão, elas precisam de verdade ter uma boa referência de futuro. E, infelizmente, ainda é uma profissão muito informal, sabe, Eron? Então, acho que está faltando realmente o nosso governo reconhecer essa profissão. O povo já reconhece. Todo mundo contrata. Existe para todo mundo... Como chama? Todo mundo... Chama um cerimonialista, um produtor para a sua festa, para tudo, para tudo. Tem para todos os gostos, para todos os bolsos, para todos os níveis. Agora, o que acho que realmente o que venho fazendo... Hoje mesmo dei aula o dia inteiro na faculdade Roberto Miranda, no MBA de eventos, que dou aula lá. Turma maravilhosa e tal, gente que está investindo nisso. Agora, a pessoa está investindo, o governo tem que fazer a parte dele, o Ministério da Educação tem que fazer a parte dele. Isso tem que virar uma profissão, porque é visto como o quê? Devem achar até que eu não dei certo como dentista e fui fazer outra festa, mas não, graças a Deus, eu tinha um consultório cheio, gostava da odontologia também, só que eu digo que existe o fator uau... Eu não acho que...

Eron Falbo: [45:01] Ninguém ache isso, parênteses, eu acho que ninguém acha isso, porque você é um senhor tão especial, que todo mundo reconhece, ninguém nunca pensou que você, que seu plano B era ser...

Roberto Cohen: [45:13] Mas era um fator uau dos eventos que me atraíam nos eventos. Aquilo que eu entregava era tão agarrado, era tão bem-vindo, era tão degustado pelas pessoas que eu me sentia quase o anfitrião daquele evento. A festa era sua, mas, juro, digo para todos os meus clientes que o prazer que eles me permitiam dar, me permitia usufruir do prazer de fazer a festa deles. Era incrível, era incrível. Tem muita gente falando assim, rezando para que passe. Não, não. Eu rezava para que as festas chegassem. Eu nunca saí de uma festa antes dela acabar. Sempre fui o primeiro a chegar e o último a sair. Depois de levar os noivos bêbados para o quarto, depois de entregar tudo de volta, comprar bebida e tudo, tá?

Eron Falbo: [46:18] Roberto, eu não sei se você lembra, mas o meu casamento foi o primeiro casamento que eu fui, lembra disso?

Roberto Cohen: [46:24] Lembro.

Eron Falbo: [46:25] Foi o primeiro casamento da minha vida, foi o meu próprio casamento, e eu não sabia como me importar. E eu fui o primeiro a querer ir embora. Era tipo uma, duas da manhã, eu falei: pô, quero ir embora. E você tinha que estar lá, super querendo ficar.

Roberto Cohen: [46:42] Eu não tenho pressa de ir embora do evento, adoro. É uma coisa maravilhosa, e realmente amo o que faço, e me sinto abençoado de poder... Não cobro hora extra, para ninguém ficar preocupado. Me sinto abençoado de trabalhar com essa alegria, que é proporcionar essa noite mágica para as pessoas.

Eron Falbo: [47:08] E nessa ideia que você entrou... A gente só tem mais uns dez minutos, então vou falar uma última coisa aqui para a gente entrar num assunto que eu queria entrar desde o início, e depois vamos responder algumas perguntas aqui. Na verdade não tem muitas perguntas, tem muitos comentários dessa vez. Mas a gente vê daqui a pouco se tem muitas perguntas. O que eu queria explorar um pouquinho é assim: tem um conceito que é bem filosófico, que até vem da Kabbalah, né? Dentro da Kabbalah tem o conceito de que um dos nomes de Deus é Havayat Tzevaot, o mestre dos anfitriões, né? Uma das traduções. E o conceito é o seguinte: que nesse mundo a gente é convidado de Deus, entendeu? O mundo que a gente vive aqui, a gente é os convidados, a gente chegou aqui na festa. Porque assim, quando a gente nasce, a gente tem esse sentimento: a gente nasceu aqui, entrou numa... pô, tá tudo pronto, a gente... os nossos pais estão nos alimentando, a gente tá aqui como convidado. Aí existe o conceito de que as melhores pessoas, as pessoas mais elevadas, são as pessoas que conseguem se igualar um pouco ou chegar mais perto de Deus, que é o anfitrião, né? Então, ou seja, os anfitriões são pessoas como se fossem divinos. É como se fosse um ato divino você ser anfitrião. Então é isso que eu queria ouvir um pouco de você, porque você já falou um pouco do orgulho que você tem de ser quase anfitrião e tudo mais, e eu gostaria muito de passar isso para as pessoas. Essa coisa das pessoas terem orgulho de serem anfitriões, orgulho de serem generosas, de cuidar das pessoas, de convidar as pessoas para casa delas e servi-las. Orgulho de servir, porque muita gente se sente muito convidada nessa vida, se sente que quer ser servida pelo garçom, mesmo na própria casa. Mesmo na própria casa, ela, pô, contrata todo mundo e fala: mas eu que contratei, então tem que ser assim, tem que ser assado. Mas o anfitrião não é assim, o anfitrião é generoso. O anfitrião é uma pessoa que está preocupada se os convidados estão bem servidos, e não se ela, né, está... ah, essa comida está ruim. Então, o que eu queria saber é a sua opinião sobre isso, sobre esse aspecto. O que você tem de mensagem para as pessoas nesse sentido?

O anfitrião divino na Kabbalah (47:21)

Roberto Cohen: [49:43] Bom, muita gente via nas festas... E usei, inclusive, a Kabbalah para me ajudar a entender qual era o meu papel nesse mundo, nessa terra, como co-anfitrião, como organizador de festas. E a Kabbalah me ajudou muito a entender que muita gente vê assim: nossa, que vaidade, não é? Gastar esse dinheiro com a banda, com essa turma, com essa comida toda etc. Um rabino, inclusive, cabalista, me ensinou uma coisa muito nobre: a pessoa poderia pegar, se ela fosse mais vaidosa ainda, ela comprava um colar de brilhante, ela comprava uma coroa e desfilava. Fora que aquele bem, aquela coroa, aquele colar de brilhante, ela poderia usar para o resto da vida. Quando precisasse de dinheiro, ia lá, vendia a coroa, vendia o colar de brilhantes. Era um bem só dela para o resto da vida. Quando uma pessoa dá uma festa, primeiro, ela emprega. Para cada convidado, ela está dando um emprego direto ou indireto: garçom, manobrista, segurança, a pessoa que fez o convite, que escreveu o convite, o boy que entregou o convite, o pessoal da cozinha, o pessoal que descascou a batata, o cara que plantou a batata, colheu e vendeu. Se não fosse o teu casamento, não ia comer cinquenta quilos de batata, ia comer meio quilo, entendeu? Então isso gera... uns trocados para uma série de pessoas. É uma energia que roda. Fora que a pessoa prepara aquilo tudo e ela usufrui. Você, quando dá um presente, qual é a tua curtição de dar um presente? Você dá por obrigação? Não. O presente legal é aquele que você compra pensando na pessoa. Então a sua curtição é ver a pessoa abrir o presente e a expressão dela, a reação dela ao abrir aquele seu presente. Então eu acho que o mercado de eventos gera uma energia muito boa, ele compartilha muita coisa boa com muita gente. Eron, só vamos tomar cuidado, temos três minutos e a nossa live cai.

Eron Falbo: [52:12] Sim, é verdade. Vamos ver se tem alguma pergunta urgente aqui, mas já vai acabar. Já vai acabar, pessoal, obrigado pela presença de todos. Eu não tô vendo pergunta. Tem alguém que falou aqui uma coisa grande, só não quero representar por alguém. Mas acho que não teve muita pergunta, o pessoal tava atento aí ouvindo o papo.

Roberto Cohen: [52:38] Bate-papo de amigos mesmo. Quero te agradecer mais uma vez pelo seu convite aqui. Em breve a gente possa estar brindando pessoalmente. E quem olhará por nós, meu filho? Alguém vai ter que olhar por nós. Enquanto isso, olha por você, olha por quem está ao seu lado, porque é isso que a gente tem que fazer.

Eron Falbo: [53:07] Roberto, muito, muito obrigado. Você aceitar o meu convite para fazer uma live para mim já foi uma grande honra. Você fazer a live, chegar aqui com essa cara saudável, essa cara com energia boa, dando sua sabedoria gratuitamente para a gente, realmente é um grande privilégio. Espero que todo mundo que esteja assistindo se sinta tão privilegiado quanto eu estou me sentindo pela sua presença, pelas suas palavras. E vamos, por favor, vamos nos encontrar cada vez mais. Eu sempre te admirei, vou continuar admirando ainda mais depois dessa conversa, que a gente pode aprofundar um pouquinho mais as nossas opiniões e tudo mais. Então é isso, Roberto. Tudo de bom para você, e a gente se vê. Grande abraço, tchau, tchau.

Roberto Cohen: [53:58] Até a próxima.

Eron Falbo: [53:59] Valeu, tchau, tchau.

No Alvo com Eron Falbo · episódio #8 · todos os episódios