Publications

#79 Tenis, o esporte da mente

com Lui Carvalho · 17 de mar de 2021

rss.comSpotifyApple PodcastsAmazon MusicDeezerYouTubeYouTube (só áudio)

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura e brincadeira com roupa de tênis (0:00)

Eron Falbo: [0:06] Oi, gente, bem-vindos. Eu sou a Cate Viamonte, vocês entraram no Alvo com o Eron Falbo. Hoje a gente tá aqui com o Lui Carvalho. O Lui, ele é vice-presidente de tênis da MGE, diretor da Rio Open. Se assustaram, né? Acharam que era o Eron aqui, mas eu já vou chamar ele. Estão preparados? Com vocês, Eron Falbo!

Lui Carvalho: [0:35] Valeu, gente, valeu.

Eron Falbo: [0:37] Muito obrigado. Obrigado pela presença de todos. Pode falar, porra. Muitos fãs, hein? E aí, pessoal? Hoje eu estou vestido de tenista. Eu estou pronto para a gente fazer uma conversa especial. Olha o Dan. E aí, Lui? Já vou te colocar aqui, então. Fala, Lui.

Lui Carvalho: [1:05] E aí, o Eron Guga, o Eron Marley, tô assim confuso.

Eron Falbo: [1:12] Eu tô me sentindo patriota, além de super tenista.

Lui Carvalho: [1:16] Nossa, só assim mesmo, guerreiro mesmo.

Eron Falbo: [1:20] Essa parada que eu estava procurando, uma parada só para sacanear, não tinha, para sacanear no geral, usar as cores do Brasil jogando tênis, porque ninguém faz isso. Os jogadores de tênis são da Rússia, da Bulgária, ninguém usa as cores do país. Eu falei: pô, vou usar as cores do país. Eu só achei na Amazon e Americanas para comprar roupa de tênis do Brasil.

Lui Carvalho: [1:44] A gente gosta de ver de amarelo, mas é um pouco chamativa. Agora virou Andy Roddick.

Eron Falbo: [1:57] E aí, cara, beleza?

Lui Carvalho: [1:59] Tudo ótimo, e você?

Eron Falbo: [2:01] Tranquilo. Você tá em São Paulo?

Lui Carvalho: [2:04] Cara, eu tô em Londres. Eu me mudei pra Londres, na verdade.

Mudança para Londres em plena pandemia (2:07)

Eron Falbo: [2:07] É mesmo, tá tarde pra caramba aí, cara.

Lui Carvalho: [2:10] Ah, são 10 horas, tá? É relativo, enfim.

Eron Falbo: [2:13] Ah, então tá naquela época do ano que é mais tranquilo, né? Tem uma época do ano que é mais longe o horário.

Lui Carvalho: [2:21] É, o fuso, né? Agora tá tranquilo, daqui a pouco vai virar isso. Mas nada, tá tranquilo. Ainda mais em lockdown aqui, a gente também tá fechado ainda, então também não.

Eron Falbo: [2:31] Pô, tá super fechado aí, né, cara? E aqui no esquema, você já pagou mil libras para sair de casa, não? De multa?

Lui Carvalho: [2:39] Cara, eu morri de medo de ser multado, que é aquela coisa, né? Quando brasileiro vai para o exterior sempre segue a regra. Se não segue a regra é para o Brasil, mas quando é para o exterior fica na pianinha.

Eron Falbo: [2:51] É o mais, né? É deixar a cabeça fechada.

Lui Carvalho: [2:56] Não, mas eu segui a regra direitinho aqui, graças a Deus, não fui multado, até porque ser multado em libra vezes oito vai doer no bolso, então...

Eron Falbo: [3:04] Caraca, que isso não vale a pena não. Nem eu aglomeraria. Você está há quanto tempo? Meu irmão mora aí também.

Lui Carvalho: [3:14] Eu vim em novembro, passei um tempinho aqui, voltei para o Brasil para o Natal e Ano Novo, e voltei para cá agora em fevereiro. Então, estou aqui já um tempinho. É porque, na verdade, você foi então...

Eron Falbo: [3:27] Quando teve a abertura de leve, teve um pouquinho de abertura e pôde entrar.

Lui Carvalho: [3:31] Eu não peguei Londres aberta ainda, acredita? Eu vim em novembro, estava tudo fechado. Quando fui embora... quando eu voltei já estava tudo fechado de novo. Então, as pessoas estão gostando de Londres, eu falo: cara, meu apartamento é incrível.

Eron Falbo: [3:46] Mas o que você foi fazer aí? Por que você foi nessa época? É curioso se mudar...

Lui Carvalho: [3:53] É, né, um pouco estranho. Enfim, a verdade é que eu recebi um convite em 2019, já no final de 2019, para assumir essa posição dentro da IMG. A IMG é uma mega empresa de esporte, entretenimento, enfim, tem vários braços, né? O tênis é um dos deles, muito forte. Então, eu fui convidado para assumir uma área dentro da IMG de eventos, do portfólio de eventos deles, são 17 eventos. E aí, nesse novo emprego, eu precisaria estar em algum país-sede, onde a empresa tem escritório. E aí poderia ser os Estados Unidos ou Londres. Enfim, na era Trump o visto para os Estados Unidos estava um pouco complicado. Acabei vindo para Londres. Estou gostando, assim, na medida do possível. Realmente ainda não vivi muita coisa. Mas é uma experiência legal morar na Europa. Enfim, é outra coisa, outra cabeça.

Eron Falbo: [4:47] É, vou te esperando aí. Você entra pelo menos no clima. Eu espero que abra... Acho que tem um plano para abrir, né? Dia 1º de junho, alguma coisa assim.

Lui Carvalho: [4:54] Para abrir as... dia 12 de abril começa a abrir, começam as edições, aí tem umas fases, né? A gente acha que, quando chega junho, 21 de junho, parece que é o grande dia aqui.

Eron Falbo: [5:09] Cara, mas só de você ter essa experiência já é uma coisa super única, assim, porque, primeiro, não está acontecendo muita coisa de contratação, porque as empresas, especialmente empresas grandes, estão cautelosas na época da pandemia, não está mudando muita coisa. Estão mais é demitindo, gente.

Lui Carvalho: [5:27] Ainda mais no mercado de eventos. Os eventos não estão acontecendo, imagina só.

Eron Falbo: [5:34] É loucura, realmente. Você está em uma posição única, e você não só está numa posição nova como está em Londres, já tudo fechado. Uma coisa totalmente fora do comum. E cara, eu te desejo o melhor, meu irmão. Deve estar foda pra ele, porque ele já está há muito tempo, ele está há mais de dez anos aí. Está difícil a situação aí. Mas a galera também está vacinando em massa, e daqui a pouco, se Deus quiser, vai acabar tudo e você vai poder curtir um pouquinho do West End. Vou te dar umas dicas, que você sabe, eu morei quatro anos em Londres.

Lui Carvalho: [6:14] Sério? Vou querer, vou querer dicas.

Eron Falbo: [6:17] Eu tenho umas dicas de Londres que...

Lui Carvalho: [6:20] Eu falo que amo. Então estou acreditando nas pessoas, estou seguindo o que as pessoas estão falando.

Eron Falbo: [6:26] E você está com um vinhozinho aí para a gente brindar.

Lui Carvalho: [6:30] Opa! O meu já está servido. Já estava curtindo aqui na taça.

Eron Falbo: [6:36] Só, se a gente demorou um pouquinho lá atrás, a gente tá testando, assim, uma nova forma de introduzir pra... pra ficar um clima menos live, mais televisão, entendeu?

Lui Carvalho: [6:49] Sensacional. Cheers!

Eron Falbo: [6:51] Valeu, cheers! Tudo de bom.

Paixão pelo tênis: estilos Federer e Nadal (6:53)

Lui Carvalho: [6:55] Assim, o vinho sempre é bom. Sempre ajuda a dormir melhor.

Eron Falbo: [6:59] E não está tão tarde aí, cara, jurava que estava mais tarde. Mas vamos começar a falar sobre os assuntos que você domina. Eu sou viciado em tênis de uma forma doentia, só que eu sou o tipo de pessoa que joga e não assiste. Acho que eu nunca assisti, na minha vida, uma partida de tênis. Então, assim, isso é meio anormal, as pessoas normalmente viciadas em esporte ficam assistindo, acompanhando bastante. Eu estou jogando dois torneios no momento, simultaneamente, e jogo todos os dias. Todos os dias da minha vida eu jogo tênis.

Lui Carvalho: [7:42] Mas pera aí, você nunca viu um torneio ao vivo? Você nunca foi no Rio Open?

Eron Falbo: [7:47] Não, nunca fui. Eu não sou do Rio, né? Eu sou de Brasília e moro em Londres, Israel, moro em vários lugares. Eu nunca cheguei a participar. Infelizmente, até agora que eu tô jogando, eu tenho mais curiosidade e gostaria de participar. Fala aí, vamos dizer para alguém que nunca assistiu, que nunca foi ao vivo, como é que você aconselha a começar essa carreira de espectador ao vivo de tênis.

Lui Carvalho: [8:17] Cara, assim, se você é brasileiro e mora no Brasil... Eu sempre falo assim: o lugar, é o torneio, é para você prestigiar, e até para prestigiar o país. A gente fica o ano inteiro para organizar o evento, aí eu falo: poxa, o cara que é brasileiro fala 'pô, eu fui para Miami, eu fui para Wimbledon', ou fui para sei lá... Eu falo, cara, tipo assim, não é feio falar isso para mim, porque é igual, né, brasileiro que fala 'pô, fui para Mykonos, não fui para Santorini, e não fui para o Nordeste', assim, quase que uma ofensa. Mas, enfim, como você falou que você nunca foi, então a gente vai resolver isso e você vai no Rio.

Eron Falbo: [8:52] Eu sou super brasileiro então.

Lui Carvalho: [8:57] Mas, cara, vou te falar, eu fiz minha lição de casa, vi seus vídeos jogando. Achei que você tá mais pra Nadal do que pra Federer. Você não tem um estilo tão clássico, você tem uma coisa... por causa do.

Eron Falbo: [9:10] Cabelo, né, que já tá tendo umas entradas aqui.

Lui Carvalho: [9:17] Mas enfim, que legal, cara. Eu dou o maior valor pra essas pessoas que realmente jogam tênis, e tem uma galera que é igual você, viciada, joga todo dia e vira competitivo, né? E tênis é um esporte legal, porque... eu sou meio suspeito pra falar, mas é um esporte que você pode jogar desde 4, 5 anos até 80, 90 anos, né? É um esporte de uma carreira bem longa. Outros esportes você não consegue ter essa longevidade por questões físicas, enfim, etc. E o tênis é muito legal por isso, e é muito social também, acho que você deve ter grandes amigos no tênis, joga o teniszinho, depois toma uma cervejinha, bebe um vinho, fala dos resultados...

Eron Falbo: [9:59] Eu faço isso, mas as minhas amigas estão todas carentes pra caramba. Ninguém mais bebe. Tipo assim, porra, eu sou o único que treina todo dia. Acordo cedo e não bebo. Sou do Italiano. Eu não bebo todo dia, treino todo dia. Sou meio que pendular. Tipo 880.

Lui Carvalho: [10:21] Tem que tentar mais pra tenista profissional então. Porque as pessoas não fazem treino e bebem muito. Eles têm uma vida.

Eron Falbo: [10:28] Meu futuro é tenista amador profissional.

Lui Carvalho: [10:33] Não, mas é muito legal. Eu estava assistindo você jogar e achei que você parece mais com o estilo de jogo do Nadal mesmo, até jogar de Babolat, que eu vi. Então está na linha certa. Mas assim, vai rápido, o Nadal também.

Eron Falbo: [10:47] Mas o que a gente fez além do Babolat? Só para a gente entender, assim como as pessoas aí de casa entenderam, como é que você fez esse cálculo? Além do cabelo, que é óbvio.

Lui Carvalho: [11:01] No tênis, a gente brinca bastante com dois estilos que são bem diferentes: o Federer, que é um estilo mais clássico, mais fluido. O Federer não faz força, parece que ele tá flutuando na quadra, e tem um estilo bem clássico, bem leve.

Eron Falbo: [11:19] Ou seja, tudo que eu quero é ser o Federer.

Lui Carvalho: [11:22] Tudo que todo mundo quer ser, mas não é possível. É uma coisa que tem que nascer. Já o Nadal é um pouquinho mais força, mais físico. Ele é mais, se eu quero descrever assim, mais bruto, mais... enfim. Mas tem tantos títulos quanto o Federer. Não sei, mas no mundo do tênis também tem essa coisa, ou você é Nadal ou você é Federer. Parece o Brasil: ou você é de esquerda ou você é de direita, ou você é Lula ou você é Bolsonaro. No tênis é você é Federer ou é Nadal. E se você fala que é um... nossa, é um... Então, assim, para todos os efeitos, eu sou Del Potro. Não sei quem é o seu jogador favorito, o meu jogador favorito é o Del Potro.

Eron Falbo: [12:02] O meu é um feather, na verdade, então você está acabando com os meus sonhos. Mas eu entendo o que você está falando. Eu também comecei... tipo assim, eu voltei a jogar há um ano e meio mais ou menos, e eu poderia... aquela citação do Marlon Brando, 'I could have been somebody'. Tipo assim, eu poderia ter tido alguma carreira no tênis, mas eu parei com 14 anos. Depois fiquei 20 anos parado, e agora, um ano e meio atrás, eu voltei. Então eu imagino assim, o Federer, ele tem uma internalização assim que é quase um Michelangelo do tênis, é uma coisa que... a coisa para ele é parte dele. Eu acho que tem a ver. Eu não estou querendo me achar, dizer que eu sou super amador, nível básico. Mas eu entendo essa parada de forçar, porque acho que depois você está aprendendo com mais consciência. Tipo, eu estou aprendendo com esforço e disciplina, não com naturalidade. Estou aprendendo lendo livros e assistindo vídeos no YouTube, concentrando e botando força mesmo.

Lui Carvalho: [13:16] O começo é engraçado, porque o tênis, o começo é assim... é igual andar de bicicleta, dirigir: você fica melhor quando faz de forma inconsciente. O tênis é muito disso. Você tá pensando: como eu vou bater a bola? Se a raquete tá aqui, se é de cima pra baixo... você pensa muito, você se atrapalha, porque é uma fração de segundo. E quando você faz de forma inconsciente, aí quer dizer... o Pedro parece que tá num sono profundo quando ele joga.

Eron Falbo: [13:42] Eu queria até aproveitar esse espaço para recomendar o livro The Inner Game of Tennis, o jogo interno do tênis, do Tim Galloway. Não é esse o nome?

Lui Carvalho: [13:52] Sim.

Eron Falbo: [13:53] Timothy Galloway.

Lui Carvalho: [13:54] Sim, ele mesmo. Até o meu coach...

Eron Falbo: [13:56] Isso aí, cara, mudou o meu jogo. Pra você ter ideia, eu tava assim, engatinhando, super tímido. Eu tinha jogado só dois torneios, porque desde que eu comecei eu já entrei. Na verdade, um grande amigo... eu queria até mandar um abraço pro Luiz Felipe Conde, que é uma pessoa maravilhosa e é competidor hoje de equitação. Ele começou na equitação com uns 40 anos já, e hoje ele deve ter uns 40 e muitos ou 50 até. E ele hoje é campeão de equitação, da classe dele, da idade dele, ele sempre ganha os torneios e tudo mais. Então ele me falou, cara, eu tinha essa... Eu acho que muita gente tem, por isso que eu fiz, até você viu o vídeo que eu fiz incentivando os torneios. Eu fiz isso porque ele me incentivou dessa forma, e eu tinha uma visão, que eu acho que muita gente tem, de que torneio é pra gente que leva a parada muito a sério, que tá fazendo isso desde sempre. E acho que tem essa... essa crença popular de que as coisas... E ele me falou, cara, comecei com 40 anos, comecei a se conhecer com 40 anos. E eu vi, eu fui ver ele no torneio, porra, tirei foto com ele no palanque, sei lá como é que chama aquela parada lá que tem os três negócinhos, e aí eu me senti, porra... eu vi na prática que alguém pode se colocar pro jogo, começar a treinar, levar a sério, crescer, ir crescendo aos poucos e ser alguém nesse mundo.

Volta ao tênis depois de 20 anos parado (15:21)

Lui Carvalho: [15:42] Eu tenho uma curiosidade agora: se eu puder te perguntar umas coisas também, claro.

Eron Falbo: [15:46] Por favor, que isso.

Lui Carvalho: [15:48] Como é que você voltou pro tênis depois de 20 anos? Qual foi o gatilho que te fez falar: cara, quero voltar a jogar?

Eron Falbo: [15:56] Então, para ser bem sincero, eu trabalho no mercado financeiro. Trabalho com vendas, ainda trabalho. Então, se alguém quiser dicas e quiser me dar muito dinheiro para dar algumas dicas muito boas, eu estou aberto. Eu não tenho muito tempo, então as dicas vão ter que ser muito, muito boas, e o dinheiro vai ter que ser muito, muito bom. Mas eu estou aberto, continuo aberto. Então, por um certo ponto de vista... quando você trabalha no mercado financeiro, especialmente nesse mundo de high net worth, você trabalha com gente bilionária, você pensa muito em como fazer networking com essa galera, networking de high net worth. E a verdade é que existem certos esportes que são ligados a elites, claro que o tênis, desses esportes, é um dos mais democratizados, ultimamente, nos últimos anos, tem se aberto muito, tem mais incentivos e tudo mais. Mas, para ser totalmente sincero, a minha primeira motivação foi essa: que esporte eu vou fazer? Vou fazer um esporte que eu possa fazer business e treinar. E, como você falou, é uma coisa que está escrita naquele livro Pai Rico, Pai Pobre, que é um livro clássico de finanças que todo mundo lê. Diz assim: treine tênis e golfe, porque são coisas que você pode fazer até os 80 anos, pelo menos golfe você pode fazer até os 90 anos. Então é uma parada que tem várias razões pra ser essa questão de networking, né, especialmente de high net worth. Então essa foi minha motivação inicial. E depois, em termos de torneio, foi essa parada do Luiz Felipe Conde que eu percebi... Na verdade, eu já tinha começado a jogar um pouco de tênis com amigos e tal, só que eu tava naquela de tentar achar amigos pra jogar. Aquela coisa tímida: será que eu faço aula? Não, eu tô muito velho, não vou me dedicar a isso, vou acabar pagando a aula e não indo. Sabe, tem todos esses bloqueios mentais que a gente tem. Aí, vendo o Luiz Felipe Conde, meu amigo, eu falei: porra, eu vou fazer a aula, vou entrar. Eu gosto de tênis, eu era relativamente bom, sacou? Tem coisas que eu era bom antigamente... não é que nem andar de bicicleta, mas tênis eu lembro que eu sempre mantive mais ou menos algum nível. E é isso, aí eu comecei aos poucos. Entrei logo de cara, já que eu comecei com esse intuito. Logo de cara eu entrei num torneio do CETAVE, você deve conhecer o CETAVE aqui, que faz um belo trabalho de torneios amadores, torneios que não são no nível ATP, no nível Rio Open, essas paradas, mas são lindos, são bem feitos, bem organizados. Não sei se respondi a sua pergunta como entrevistador.

Lui Carvalho: [19:01] Respondeu, respondeu. Eu mesmo joguei tênis a vida inteira.

Eron Falbo: [19:07] Eu ia te perguntar isso.

Lui Carvalho: [19:08] Se eu não estivesse envolvido no tênis, assim... se hoje me demitirem e falarem que eu não vou poder mais trabalhar com tênis, eu vou morrer de fome. Eu só sei fazer isso da vida mesmo. Meu avô... não sei se você sabe dessa história, mas meu avô foi o primeiro brasileiro a jogar tênis. Desculpa, jogar tênis não... o primeiro brasileiro a jogar Wimbledon, em 1938.

Avô pioneiro brasileiro em Wimbledon (19:13)

Eron Falbo: [19:27] Então a minha história... Caraca, o primeiro brasileiro?

Lui Carvalho: [19:29] Isso é pedigree, hein?

Eron Falbo: [19:32] Sim, isso.

Lui Carvalho: [19:33] A jogar Wimbledon, muito legal, inclusive.

Eron Falbo: [19:34] Aqui em São Paulo, o Dom Pedro.

Lui Carvalho: [19:36] II do tênis, praticamente. E aí, cara, e aí então, sim, ele realmente foi o presidente da confederação, da Federação Paulista de Tênis. Ele abriu muito das portas do esporte no Brasil e, enfim, aí eu vim de família de tenista. Meu pai também jogou tênis a vida inteira. Minha mãe, tiveram academia de tênis, imagina, durante 20 anos. Aqui no Rio?

Eron Falbo: [20:04] Ou não? Aonde, aonde?

Lui Carvalho: [20:07] Morumbi, no Morumbi do lado.

Eron Falbo: [20:08] Ah, em São Paulo.

Lui Carvalho: [20:10] Morumbi já existia, porque o Morumbi era...

Eron Falbo: [20:12] A reality show de novo.

Lui Carvalho: [20:14] É, em São Paulo. E aí, cara, eu ia pra academia de tênis. Eu saía da escola e ia pra, sei lá, uma da tarde, ia pra academia, ia pra casa às sete horas da noite. Eu jogava tênis o dia inteiro. Então, eu joguei juvenil.

Eron Falbo: [20:26] Mas você chegou a disputar torneio, essas paradas também?

Lui Carvalho: [20:29] Cheguei, cheguei. Modéstia à parte, que eu posso falar, eu fui um bom juvenil. Eu fui o número um do Brasil com 14 anos, eu jogava bem, eu estava entre os melhores.

Eron Falbo: [20:39] Número um do Brasil com 14 anos?

Lui Carvalho: [20:42] Caraca, pera aí, só um segundo. Eu sou da época... Pra aí é legal a gente até equalizar isso, da época do Bruno Soares, né? O Bruno tá indo super bem no circuito aí, nas duplas, né?

Eron Falbo: [20:56] Ah, não foi isso.

Lui Carvalho: [20:57] Eu sou um ano mais velho que o Bruno.

Eron Falbo: [20:59] Mas enfim, peraí, você foi o primeiro do Brasil no juvenil?

Lui Carvalho: [21:02] Foi. Mas isso ficou assim, na época... Quando o Dom Pedro tava lá pra bater, eu era no meio.

Eron Falbo: [21:13] No meio do primeiro, né?

Lui Carvalho: [21:15] Então, joguei tênis, cheguei a ser profissional durante um tempo. Aí acabei indo por um caminho diferente, que é até um caminho que bastante gente no Brasil acaba fazendo.

Eron Falbo: [21:28] As drogas, a prostituição?

Lui Carvalho: [21:34] Mas... desculpa.

Eron Falbo: [21:42] Fala qual o caminho que você foi, viajante.

Lui Carvalho: [21:45] Eu fui de universidade nos Estados Unidos para jogar tênis universitário, ganhando bolsa. E aí foi ali que me deu...

Eron Falbo: [21:53] Se vendeu, né, safado? Foi ganhar scholarship para estudar.

Tênis universitário e início na ATP (21:54)

Lui Carvalho: [21:59] Me vendi para os gringos, me vendi barato, uns 30 mil dólares por ano, estava valendo a pena.

Eron Falbo: [22:04] Boa, ótimo.

Lui Carvalho: [22:06] E aí foi assim que até surgiu a minha primeira vaga. Eu comecei a trabalhar, meu primeiro emprego foi na ATP, como estagiário. Imagina só. Então eu saí de jogar tênis a vida inteira e caí de paraquedas dentro da ATP, que tem uma sede em Ponte Vedra Beach.

Eron Falbo: [22:23] Você foi trabalhar na ATP?

Lui Carvalho: [22:25] Trabalhar na ATP, na Associação de Serviços Profissionais.

Eron Falbo: [22:27] Associação de Serviços Profissionais, é isso? Estou chutando.

Lui Carvalho: [22:31] É, na Associação de Serviços Profissionais.

Eron Falbo: [22:33] Mas é em francês, não é? É em francês o ATP?

Lui Carvalho: [22:36] Não, é Association of Tennis Professionals.

Eron Falbo: [22:42] Associação dos Profissionais de Tênis.

Lui Carvalho: [23:12] O feminino é o WTA, que é Women's Tennis Association.

Eron Falbo: [23:17] A mulher joga tênis também?

Lui Carvalho: [23:19] Também joga, cara. Não, direitos iguais. Inclusive, agora eu vou defender meu esporte.

Eron Falbo: [23:24] Eu só falei isso pra irritar as mulheres que estão assistindo aí, que eu sei que estão assistindo.

Lui Carvalho: [23:29] Se elas não jogam, pelo menos roupinhas de tênis elas gostam de comprar.

Eron Falbo: [23:32] Quando você vai começando a entrar muito no vício do tênis, você começa a procurar de manhã, quando acorda, coisas no search. Eu fui na Amazon.com e botei 'tênis apparel'. Aí só apareceu coisa de mulher. Claramente mulher compra muito mais.

Lui Carvalho: [23:50] A mulherada pira.

Eron Falbo: [23:51] Aí eu comprei uma sainha pra mim, para poder causar nos torneios.

Lui Carvalho: [23:56] Com certeza.

Eron Falbo: [23:57] Porque é psicológico, né? Você entra com uma sainha e pensa: 'Caraca, o que que esse cara quer?'

Lui Carvalho: [24:07] Faz isso, sim. Ainda deve ser mais fresquinho, né, do que jogar de shorts. Deve ser ótimo.

Eron Falbo: [24:12] Total, né? Aquela brisa escrotal, caralho... Agora exagerei. Às vezes eu tento ser politicamente incorreto de propósito, porque o meu programa levanta essa bandeira de ser politicamente incorreto, mas às vezes eu exagero. Eu juro que 'brisa escrotal' eu acabei de inventar. Eu quero deixar isso registrado, porque depois vou fazer uma marca. Eu quero que ninguém copie.

Lui Carvalho: [24:45] Mas enfim, foi isso, cara. Aí eu caí de paraquedas, fiquei 4 anos lá. Eu viajava o mundo, olha só que emprego, as pessoas falavam 'eu quero o seu emprego'. Eu viajava o mundo, uns 15, 20 torneios por ano. Eu era praticamente o assessor de imprensa da ATP, então eu fazia toda a parte de comunicação e marketing dos jogadores, dos torneios, nos torneios. Então eu pegava o player do vestiário e levava para a coletiva de imprensa. Cara, tem uma que você gosta do player.

Eron Falbo: [25:15] Você já pegou o player no vestiário?

Lui Carvalho: [25:17] Peguei o player do vestiário.

Eron Falbo: [25:18] Desculpa aí.

Lui Carvalho: [25:23] Mas tem uma, será que você lembra? Eu não sei se você não acompanha tanto tênis assim na TV, não vai lembrar, mas teve um jogo que o Federer perdeu em Miami para o Djokovic, há muito tempo. Ele perdeu. Desculpa te falar isso, mas ele perdeu. Ele quebrou a raquete, cara. Ele foi o primeiro...

Bastidor: Federer quebra a raquete (25:25)

Eron Falbo: [25:44] Caraca, eu só quero ver! Produção, produção, fogo na noite aí, porque eu quero ver esse vídeo.

Lui Carvalho: [25:50] Põe esse vídeo, cara! Ele quebrou a raquete assim...

Eron Falbo: [25:53] É no US Open, você falou?

Lui Carvalho: [25:54] Não, Miami, Miami Open.

Eron Falbo: [25:56] Miami Open.

Lui Carvalho: [25:57] Cara, tem um ataque de fúria, assim, e cara, ele é um cara que jamais perdeu a linha.

Eron Falbo: [26:01] Pô, ele é uma bailarina, praticamente, não dá pra imaginar ele tendo um ataque de fúria.

Lui Carvalho: [26:06] Perdeu, cara, assim, quebrou a raquete, perdeu o jogo, saiu da quadra, e aí o cara falou: Lui, você tem que buscar o Federer no vestiário fazer coletiva de imprensa. Falei: eu? Tá louco, ele acabou de quebrar a raquete. É, você.

Eron Falbo: [26:19] Cara, que medo, que medo.

Lui Carvalho: [26:21] Caraca, sabe quando joga ovelhinha assim, aquela ovelhinha bonitinha?

Eron Falbo: [26:26] Na esteira, né?

Lui Carvalho: [26:28] Tipo... Cara, vou te falar, e eu tenho um respeito assim por ele, a pessoa do tênis, assim, absurdo. Ele já era o Federer de sempre.

Eron Falbo: [26:39] Imagina, ele ter quebrado a raquete já era o Federer.

Lui Carvalho: [26:44] Puto, aí, tipo assim, cara, tava no vestiário de Miami assim, ele é todo compartilhado, eu só sei que eu vi ele de longe assim, cara, e me escondi atrás da parede, falei: que medo desse cara. Aí eu fui, botei a cara assim, e só fiz assim: Roger, whenever you ready, falei, quando você estiver pronto pra ir pra coletiva.

Eron Falbo: [27:03] Essa é bonita, essa é bonita.

Lui Carvalho: [27:05] Aí ele falou, cara, ele não dirigiu a palavra pra mim, ele só fez assim: me olhou, abaixou a cabeça. Beleza, aí eu fiquei ali quietinho, esperando, mexendo no meu Blackberry, na época era Blackberry.

Eron Falbo: [27:17] Caraca, dos tempos do Blackberry!

Lui Carvalho: [27:20] Fingindo que eu não tava nem me importando com ele, mas só de olho. Aí eu vi de rabo de olho, ele levantou, eu saí andando na frente, ele saiu andando atrás de mim. Aí fomos, levei ele pra coletiva. Cara, sentamos na coletiva, tinha, tipo, sei lá, 40 jornalistas, a coletiva lotada. Eu tinha quebrado a raquete, nunca tinha acontecido isso. Na primeira pergunta, eu fiz assim: 'Questions, please.' O cara levantou a mão, eu fiz assim pra ele e falei: 'Federer, eu nunca vi você quebrar uma raquete, o que aconteceu?' Cara, o Federer só fez assim, olhou pra mim, falou assim: 'Do I have to answer?' Eu fiz assim: 'Não, deixa eu falar.' Levantou e foi embora. Sério, levantou e foi embora.

Eron Falbo: [28:09] Caraca, por isso que eu amo ele. Ele é uma lenda, é exatamente o que eu faria. A gente pensa muito igual, a gente é muito parecido.

Lui Carvalho: [28:18] Caraca. Beleza, depois ele voltou a atender a imprensa suíça, que ele sempre atende. Ele faz imprensa sempre no mínimo em dois idiomas. Ele fala em inglês e depois ele fala em suíço-alemão com a imprensa suíça. Cara, é sensacional. Tipo assim, o Federer, sério... Por isso.

Eron Falbo: [28:40] Que eu falei de Dom Pedro II, pô. Eu falei do seu avô, na verdade, agora eu tô me misturando tudo. É porque... o que já tá acontecendo é que ele já tá no final do copo, tá vendo? Mas ele é um príncipe. Ele é realmente assim, ele tem uma parada aristocrática, no bom sentido, no sentido de um cara que está no auge e está internalizado. Fiquei impressionado realmente que ele quebrou a raquete, mas eu fiquei feliz que ele equilibrou a parada de quebrar a raquete saindo da press conference. Porque uma pessoa como ele... eu vou te dar o racional dessa parada, olha a loucura: uma pessoa como ele, que tem tanta pressão pra ser, ele quer ser tipo uma bailarina, que é sempre medida, que está tudo sob controle, está tudo certo, tudo sempre dentro, sem volatilidade. Faz uma parada assim fora da curva, a expectativa de todo mundo, é uma pessoa que gera expectativa pra caralho. Tipo assim, eu espero que você seja sempre como ele. Então existe uma expectativa de você reagir de uma certa forma, e ele chega na press conference e faz o oposto de novo. Porque, depois de ter perdido a cabeça, o esperado dele seria: 'não, gente, foi um momento, com licença e tudo mais.' Mas não, fez o oposto, falou 'foda-se todo mundo, vou nessa.' Então ele mostrou uma autenticidade incrível. Ele não respondeu às expectativas, ele foi ele.

Lui Carvalho: [30:20] Ele e o Nadal são de outro planeta, de outro planeta mesmo, em termos de educação, de tratamento do público. Eles realmente entendem qual é o role deles no esporte.

Eron Falbo: [30:33] O Nadal eu vejo ele como uma coisa entre Christiane F. e Cristiano Ronaldo, assim, tipo... Christiane F., eu digo porque ele sempre faz assim no nariz, parece que ele acabou de cheirar. E o Cristiano Ronaldo, aquele super garotão, não sei o quê. Então eu não sei nada da personalidade dele, então talvez eu tô julgando ele...

Lui Carvalho: [31:00] Que foi necessário dele. Até a personalidade é um pouco parecida, dá um pouquinho mais novo, um pouco mais, e até o espanhol.

Eron Falbo: [31:12] Eu acho que tem aquela parada espanhola.

Lui Carvalho: [31:15] O suíço e o espanhol. O Federer tem a postura mais suíça.

Eron Falbo: [31:20] Na verdade os países já definem a diferença.

Lui Carvalho: [31:25] Exatamente. Mas, cara, são dois caras fantásticos, o tênis vai sofrer muito quando eles pararem. Enfim, a gente sabe que esse momento está chegando, o Federer vai fazer 40 anos esse ano.

Federer, Nadal e Djokovic na atualidade (31:34)

Eron Falbo: [31:36] Mas o Nadal ainda tem tempo, o Nadal é mais novo.

Lui Carvalho: [31:41] O Nadal, se não me engano, tem três anos a menos. Acho que o Nadal tem 36 anos e o Djokovic tem 33. Acho que a diferença é essa, não é tão grande não. Mas o Nadal também, por ele ser mais físico, eu não sei se ele consegue aguentar o tranco até os 40, né? E aí é onde você vai duvidar do Nadal e vai quebrar a cara, porque ele vai durar até os 40 só por isso.

Eron Falbo: [32:06] Não, dá pra ver que ele tá bem em forma, que ele tá bem... Que ele não tá perdendo, não tá deixando a peteca cair, né? Pelo menos é o que eu tô vendo. Eu não assisto, né? Eu te pergunto: o que você acha da performance dele? Como é que é o gráfico dele, né? Tá indo pra cima, já tá plateauing, né?

Lui Carvalho: [32:25] Agora, nesses últimos tempos, realmente o Djokovic está dominando os grandes torneios e o Federer e o Nadal deram uma parada, tirando o Roland Garros, que é sempre do Nadal. Só o Nadal se inscrever que ia ter ele já. Não sei nem por que a gente joga o Roland Garros, é só tipo: cara, Roland Garros, Nadal campeão, vamos ver quem vai ser vice, devia ser assim.

Eron Falbo: [32:47] Mas por que, se a diferença faz, ele ganha o Roland Garros e não o US Open?

Lui Carvalho: [32:52] Cara, porque ele é especialista no saibro, né? Que eu fiz, inclusive, o Rio Open.

Eron Falbo: [32:56] Eu também sou. A gente é super parecido mesmo.

Lui Carvalho: [33:00] Então, o Nadal, ele inclusive já ganhou a primeira edição do Rio Open. O Nadal jogou as três primeiras edições, a primeira em 2014, foi o Nadal, foi o campeão. E ele é imbatível nesse piso, porque a técnica dele é a mais apropriada e ele mentalmente é muito forte. E é um piso que, por jogar, você deve saber, é um jogo mais físico, é um jogo até mais tático, porque você não consegue tanto usar a força para ganhar os pontos, você tem que usar mais angulação, a variação de bola. E é mais difícil porque ele também dura mais, os jogos são mais lentos, os pontos se alongam mais e o Nadal tem vantagem nisso. Nadal, se deixar, ele fica 7, 8, 9, 10, 50 horas.

Eron Falbo: [33:38] Cara, isso é muito legal, essas paradas técnicas poucas pessoas sabem do tênis. E, na verdade, eu queria te dizer uma coisa: eu tenho um milhão de perguntas para você, não vai dar tempo de fazer todas as perguntas. E eu esqueci de ligar a edição. Então, eu queria primeiro te ameaçar que eu vou fazer perguntas no WhatsApp. Sem resposta se quiser, é só ignorar mesmo, entendeu?

Lui Carvalho: [34:04] Só pra falar uma regra que eu acho que os seus seguidores vão gostar de ouvir: áudio só até 30 segundos, não me venha com áudio de 1 minuto.

Eron Falbo: [34:11] Não, não se preocupa, cara, eu sou super objetivo. Para mim também: se você me der uma resposta de mais de 30 segundos, eu vou ouvir ela inteira e vou adorar, porque, porra, pode dar quantos minutos quiser, porque eu vou querer ouvir todos os detalhes. Mas outra pergunta que eu queria fazer pra você, agora seja sincero, por favor: eu quero, como coach, entendeu, eu tenho 36 anos, quais são as minhas chances de eu alcançar o Nadal até os 40 anos?

Lui Carvalho: [34:44] Nenhuma. Zero. Negativa, desiste. Vai fazer outra coisa. Vê alguma coisa que você faz bem e tenta ganhar dele nessa coisa. De repente, quem fica bêbado mais rápido nessa, eu acho que você ganha.

Eron Falbo: [34:59] Eu assinei o meu vídeo e falei: Magal, Sidney Magal. Você acha que eu consigo?

Lui Carvalho: [35:08] O Sidney Magal já tem mais de 40.

Eron Falbo: [35:14] Aí eu vou precisar de mais anos ainda pra chegar.

Lui Carvalho: [35:19] Não, cara, isso vai ser difícil.

Eron Falbo: [35:21] Na verdade, o meu grande sonho é o Sid Moreira, porque o que eu quero fazer da minha vida é ler audiobook bíblico. Eu tô fazendo isso aqui como um gateway drug pra chegar no Sid Moreira. Desculpa, a gente saiu do tênis um pouco, gente, desculpa.

Lui Carvalho: [35:38] Eu vou ouvir seu audiobook. Se você dizer, eu vou ouvir. Eu compro.

Rio Open e categorias do circuito ATP (35:41)

Eron Falbo: [35:44] Valeu, obrigado. Você é público, é bom começar com um, para a gente se motivar. Mas vamos voltar para o tênis, que eu tenho muitas perguntas para você. O que eu queria saber: a gente voltando para aquela parada de carreira como consumidor de torneios de tênis, você falou vamos começar com o Rio Open. Eu acho que você está errado, entendeu? Porque vamos começar antes disso: como que as pessoas podem se motivar numa parada menor, de repente. Eu concordo com você, em vez de ir para o Miami Open, vai para o Rio Open, é mais acessível, você prestigia, você conhece sem tanto comprometimento. Mas não tem como a gente começar com torneios ainda menores? Não tem coisa que dá para ir assistir?

Lui Carvalho: [36:36] Não, tem. Na verdade, o Brasil, infelizmente, não tem um calendário tão extenso de eventos profissionais, né? Aí eu acho que é legal você assistir um torneio profissional, por menor que ele seja, porque aí você se motiva, né? Você se motiva vendo alguém que é bom fazendo aquela coisa bem feita. Vamos ser honestos, em qualquer coisa na vida, não só no tênis. No Brasil, o único torneio ATP que existe hoje é o Rio Open. Existe uma série, como se fosse uma categoria de acesso para os torneios ATP. Não sei se as pessoas sabem, mas tem três categorias de torneios ATP: Masters 1000, ATP 500 e ATP 250. É assim que se divide o Rio Open. O Rio Open é um ATP 500. Só tem três ATP 500 no mundo. Então é super especial ter um ATP 500 na América do Sul. O Rio Open é o maior da América do Sul, mas em cima dos 500 tem os 1.000, e aí são os Masters 1000.

Eron Falbo: [37:36] Então é 250, 500, 1.000.

Lui Carvalho: [37:38] É 250, 500, 1.000, isso. É o circuito da ATP masculino. E aí, embaixo disso, tem uma categoria de acesso que a gente chama de categoria Challenger, que é um dos torneios com premiação menor, com jogadores entre 150 e 300 do mundo, o que é muito legal. São ótimos jogadores. Inclusive, todos os grandes tenistas, hoje em dia, já passaram por esse circuito Challenger para conseguir ganhar os pontos e poder subir no ranking e poder entrar nos torneios maiores. Só que no Brasil, infelizmente, a gente não tem tantos torneios Challengers e só tem o Rio Open. Eu vou continuar puxando sardinha pro Rio Open e falar: ó, gente, em fevereiro, Rio Open, não tem erro.

Eron Falbo: [38:18] Vai rolar, Nelson, vai rolar.

Lui Carvalho: [38:20] Então, a gente, infelizmente, não conseguiu organizar agora em fevereiro, né, por causa da pandemia.

Eron Falbo: [38:25] Esse fevereiro, mas fevereiro que vem, sim, né?

Lui Carvalho: [38:27] Fevereiro que vem, com certeza, vai rolar. Fevereiro que vem, com certeza.

Eron Falbo: [38:31] Bom, até fevereiro que vem eu já vou estar jogando essa parada. Eu estou crescendo muito rápido.

Lui Carvalho: [38:36] Tem convite, tem wildcard, ó. A gente está jogando bem, eu vou dar uma olhada e, de repente, você ganha um wildcard.

Eron Falbo: [38:42] Eu duvido muito, mas vamos deixar essa porta aberta, porque eu vou me dedicar.

Lui Carvalho: [38:48] De repente seus seguidores fazem aí um movimento, uma promoção.

Eron Falbo: [38:54] Compreensão.

Lui Carvalho: [38:55] A hashtag é a de Calderon, vai que... Eu não sei, de repente. O nosso patrocinador principal é a Claro.

Eron Falbo: [39:02] É mesmo? Gente, eu queria falar: tem 314 pessoas ouvindo aqui hoje, a gente... É a nossa internet aqui que tá funcionando perfeitamente, é da Claro hoje.

Lui Carvalho: [39:15] Só não posso falar que a minha é da Claro porque eu tô em Londres.

Eron Falbo: [39:18] A sua é da Clear.

Lui Carvalho: [39:21] A sua deve ser Orange, quê?

Eron Falbo: [39:27] Deve ser aí na Londres?

Lui Carvalho: [39:29] Eu não sei o que é a minha. Deve ser alguma coisa dessas.

Eron Falbo: [39:37] BT. Como é que é?

Lui Carvalho: [39:40] British Telecom?

Eron Falbo: [39:42] Como é que é? BT. British Telecommunication. Sei lá.

Lui Carvalho: [39:48] Tudo a rainha.

Eron Falbo: [39:51] Eu já tive vários problemas. É a mesma coisa em qualquer lugar do Brasil: você fica lá, aí fala com a operadorazinha, aí te transmite pra mil menus, aí depois vai tu, tu, tu, tu e você tem que ligar de novo, é uma merda. Vai se acostumando aí que, entendeu, certas coisas no mundo é igual.

Lui Carvalho: [40:14] Aqui tem um agravante, você não entende o que a pessoa tá falando também e eu morro em vários momentos.

Eron Falbo: [40:22] É que é na Irlanda, né? Às sete na Irlanda e às sete na Índia. Então é tipo: 'Hello, Roma, speaking to...' Com todo respeito racial, e todas as coisas, eu vou ser cancelado por ter falado isso. Mas é isso, cara. Outra coisa que eu queria te perguntar: eu vi você falando em alguma entrevista, alguma coisa, que os jogadores são seres humanos. Você deu esse exemplo do pé. Eu queria que você discursasse, eu te dou cinco minutos para você dar um discurso filosófico sobre como os jogadores também são seres humanos e como as pessoas não sabem disso.

Pressão e lado humano dos tenistas (41:02)

Lui Carvalho: [41:13] Cara, e as pessoas não sabem...

Eron Falbo: [41:16] Senta só.

Lui Carvalho: [41:17] É impressionante, mas assim, não vou dar o filosófico, mas as pessoas não sabem mesmo que os jogadores, eles têm namoradas, as jogadoras têm namorado, e tem que saber esses sentimentos... tem muitos casais do circuito. Não sei se você sabe, mas tem muito homem e mulher namorando jogadores mesmo. Então você vê assim, quando um jogador tem algum problema, eles brigam, você vê nitidamente que o jogador está chateado, que ele não está a fim de estar ali aquele dia. E a gente vê, assim, esse lado humano deles, mas também o lado humano deles de, poxa, eles estão... Pensa só, a gente tá falando de jogadores de tênis, eles realmente se destacam entre 20 e 30 anos. Cara, você já parou pra pensar o que você fez entre 20 e 30 anos? Eu era um moleque, inclusive ainda acho que eu sou. Mas, assim... mas um moleque no sentido, tipo assim, os caras têm, sei lá, 30 milhões.

Eron Falbo: [42:11] No banco... Você tem quantos anos, by the way? Só pra... 39? Então você é um apresentador... desculpa, só um parênteses: você é uma pessoa extremamente aberta, sério, você nasceu pra comunicação, cara. Não sei se você faz podcast ou alguma coisa, de diva, que nem eu, ou charlatão, que é a minha verdade. Mas você deveria fazer, porque sinceramente você é uma pessoa com muita abertura, você comunica muito bem, você faz piadas, você tá aberto. E, pô, eu tô falando isso porque você acabou de fazer uma piada com você mesmo. Não é uma piada, mas você falou uma parada honesta, né, sincera com você mesmo. E ao vivo, né, pra três mil pessoas.

Lui Carvalho: [42:57] E vai ficar gravado isso? Pelo amor de Deus.

Eron Falbo: [43:01] Claro, claro. Essa parte eu vou editar, porque elogio é só pra mim.

Lui Carvalho: [43:06] Mas enfim, então, cara, assim, a gente vê muita coisa acontecendo no circuito, dessa galera. Tipo assim, normal o cara ganhar um Grand Slam, um torneio grande, ganhar um dinheiro e tirar. Porque o cara nunca teve... O cara, olha só, tenista, de fato, eles saem da escola muito cedo, Eron. Eles não estudam, eles não têm uma faculdade. E isso não é pra dizer que isso faz deles piores pessoas, mas eles não tiveram a educação que outras pessoas tiveram. Então, assim, quando você tem 20, 25 anos, você tem 30 milhões no banco. E as pessoas acham que o cara tá focado ali, jogando tênis o dia inteiro, se treinando. Pô, não pode beber, não pode sair, não pode viajar... Cara, eu só vou ter 25 anos uma vez na vida. Porque você vê alguns caras que são...

Eron Falbo: [43:50] Totalmente... Por isso que eles bebem tanto, né?

Lui Carvalho: [43:53] Bebem? Não, por isso.

Eron Falbo: [43:57] Eles têm tanta pressão. Eles são muito jovens, né? Eles têm que ter uma... Sem preparo, sem uma educação, eles têm que lidar com muita pressão e muito dinheiro.

Lui Carvalho: [44:07] Exatamente. Então, assim, eles têm uma vida além disso. E cara, o circuito de tênis é muito brutal, porque você começa com quase 42 semanas seguidas. Começa na semana 1, termina em novembro. Então, se os caras não têm um time off... os caras, tipo, você vê esporte olímpico, por exemplo, tem um ciclo olímpico, os caras tiram um ano. É, totalmente diferente. De novo, eu queria que você falasse que o tênis é melhor ou pior, mas o tênis é particular disso, é um esporte muito individual.

Eron Falbo: [44:40] É melhor, é superior.

Lui Carvalho: [44:42] Muito louco. Por isso que eles ganham mais dinheiro que todo mundo.

Eron Falbo: [44:47] Mas uma coisa que eu gostaria de falar como tenista, obviamente puxando a sardinha para o tênis e para o meu lado. Mas sinceramente, por isso que, assim, o primeiro livro significativo de coaching do mundo, que eu saiba, foi o Game of Tennis, que era de fato um coach de esporte. E tem uma diferença enorme, por exemplo, de um jogador de futebol. Isso que você está falando até agora parece que as pessoas... jogador de futebol também tem esse mesmo problema, começa cedo e tal, não pode fazer faculdade. Mas, cara, jogador de futebol, para começar, ele tem toda a estrutura de um clube por trás dele. Ele tem outros jogadores que estão lá dando apoio emocional. O próprio esporte é muito mais técnico do que mental, no sentido de que, se você for débil mental... tanto que você vê o Ronaldinho Gaúcho preso no Paraguai com o passaporte falso, você pode ser uma pessoa assim, tipo, brain dead literalmente. Não, desculpa, não tanto. É óbvio que todos os esportes do mundo têm um lado interno. Desculpa aí para o Ronaldinho Gaúcho, não conheço ele pessoalmente, até que eu tenho amigos muito próximos que conhecem pessoalmente, mas eu não, falei no geral. Eu falo isso assim não para não ser cancelado, porque eu não sou cancelado, mas realmente para não desmerecer o Ronaldinho. Acho que eu não conheço nada sobre ele, não tô criticando ele, tô brincando, só uma brincadeira de mau gosto mesmo, foi mal. Mas é o que eu quero dizer aqui: no geral, você vê que as pessoas no futebol se concentram mais na parte técnica, chutam muito bem, muito acurado, sabem driblar, têm o preparo físico muito bom, eles vão muito para frente, e ótimo, beleza? São esportes diferentes nesse sentido. E muitos esportes, especialmente de time, são mais essa coisa de aprender a lidar com o emocional do time, aprender a se inserir. Só que o tênis é mais uma parada entre você e você mesmo, e uma parada de foco, de concentração. E se você tem algum... Você tá sempre tendo que estar alerta, né, em alta velocidade. Ninguém vai segurar a sua... a não ser em dupla, que é a outra parada que eu não sei nada, mas ninguém vai segurar a sua onda pra você. É você... e você olhando para a bola, nem o oponente, o oponente é um aparato secundário, né, tipo você. E se você vai, no momento do deslocamento da bola, você vai estar no 100% de otimização, você tem até o sidestep, que é uma técnica que eu aprendi recentemente, de você usar a física a seu favor para poder chegar na bola ao mesmo tempo, no tempo correto. Então tem um monte de coisa que você tá... o posicionamento na quadra, onde você está. Essas coisas estão acontecendo tudo ao mesmo tempo, e você tem que processar essa parada inteira ao mesmo tempo. Para você poder processar todas essas variáveis, você lista comigo: tem tipo o sidestep, para você poder ir na direção da bola certa; a abertura do seu braço na hora de bater a bola; você olhar para a bola para ter certeza de onde você vai bater na bola no momento da batida, se é esquerda ou direita, se é o tipo de batida, se é voleio, se é smash, se é uma forehand ou backhand, ou aquela que faz o slice. Tem alguma coisa que eu esqueci? Você tem todas as variáveis ao mesmo tempo, e aí, para fazer esse cálculo, você tem que ser uma máquina para começar, além de ser uma máquina emocional central. Se tiver inseguro, aí fudeu tudo. Se você estiver pensando na namorada... que você está falando que as pessoas têm namorada de fato, eu não imaginava que tenista tinha namorada, mas eles têm, e qualquer outra coisa, sei lá, a galera está te olhando. Cara, eu já vi o Nadal tipo coçando o saco no US Open, sacou? E isso é porque ele tá tão concentrado que ele tá pouco se fodendo que ele tá no US Open, sacou? Ele tá lá concentrando a cueca, ele tá tão dentro do jogo dele, sacou? E eu acho que é... então eu só queria dar esse meu discurso, depoimento pessoal, sobre o que eu vejo. Mas o que você vê nesse sentido? Qual que é a diferença mental entre o tênis e outros esportes e tudo mais?

Lui Carvalho: [49:24] Cara, eu acho que o primeiro ponto que você falou é que é um esporte individual, de fato individual, porque o técnico não tem nenhuma conexão com você. Uma vez que você entra na quadra, você tem que resolver os seus problemas. O técnico obviamente tenta passar instrução fora da quadra, isso é normal, vamos dizer assim, mas é contra as regras, tanto é que, se o juiz de cadeira pegar o técnico dando algum sinal para o jogador dentro da quadra, ele toma uma advertência. Então o tênis, se você começa a comparar com os outros esportes, onde não tem o seu técnico podendo te ajudar... e pode ajudar antes do jogo, mas ali, na hora que entra na quadra, é com você. É um esporte em que se lida com muito erro, você não consegue... no meio do jogo.

Eron Falbo: [50:00] Não pode ajudar? O coach não pode ajudar, não pode falar nada?

Lui Carvalho: [50:05] Qual é a verdadeira parte, Lizé? Óbvio, tem os técnicos lá que mexem o boné, não sei o quê, tentam dar um sinal combinado com o jogo. Agora é engraçado, olha só que engraçado, que agora os técnicos vão de máscara, então agora eles conseguem falar, porque não dá pra ver o cara abrindo e fechando a boca. Então, antigamente, o cara tapava a boca, fazia assim, enfim. Mas é normal, faz parte do esporte, esporte profissional é isso, é tentar aquela vantagenzinha mínima que vai fazer o cara ganhar o jogo. Então, assim, é um esporte em que você... você não tem uma carreira muito longa, então você treina a vida inteira para aqueles dez anos. E outra, o tenista não tem salário, o tenista só ganha premiação, a não ser que ele tenha um patrocinador. Enquanto em outros esportes você tem o clube que te banca, você tem contratos milionários que, independente de você, seu dinheiro tá pingando todo mês. Um tenista, se o cara tiver um ano ruim, ele praticamente não ganha dinheiro, que é uma reclamação grande aí.

Eron Falbo: [51:07] Tudo bem que ele já nasceu rico, né? Porque, se ele é atleta profissional, ele já tá com a maior possibilidade aqui, né, tipo já tem uma família boa. Vamos ver o resto, vamos abrir o jogo aqui pra todo mundo.

Lui Carvalho: [51:19] Esse é o estigma. Não, cara, vou te falar.

Eron Falbo: [51:22] Não, não é uma regra, mas a tendência é uma... Tipo assim, eu tô falando assim, óbvio que democratizou muito, mas é um esporte ainda limitado no sentido de que, tipo, se você tem dinheiro pra se dedicar a ponto de virar um tenista profissional, você tem certas circunstâncias a favor, né? Não é que nem futebol, que você tem um clube, que, pô, treina em qualquer lugar, né?

Lui Carvalho: [51:44] Sim, não, concordo, concordo. É cultural. No Brasil, por exemplo, na Argentina, onde tem muita quadra pública, você tem muitos tenistas que vêm de condições super simples, assim mesmo. E depois, porque eles veem no tênis uma forma de realmente vencer na vida, aí você vê que eles têm essa garra, eles têm essa...

Eron Falbo: [52:03] Não, eu vejo isso, tem muito boleiro que vira tenista profissional. Isso é muito bonito, e eu até recomendo isso. Mas eu queria te perguntar, na moral, sem a sua versão política: em termos de porcentagem, qual é a maioria dos ATP members?

Lui Carvalho: [52:22] Não, assim, você vê, a maioria realmente vem de países onde tem boas condições, Europa, Estados Unidos, de fato. Mas você também tem os do leste europeu, ou os próprios sul-americanos, que também não tiveram tantas condições e se destacam. Porque, no final do dia, Eron, eu acho interessante fazer até essa analogia: o tênis é muito mental, muito mental. Então, quando você vem de uma infância um pouquinho mais difícil, você fica mentalmente mais forte, então isso acaba se transferindo para o esporte. O Federer não dá, é a opção, dois casos à parte, mas você tem esses tenistas que... Djokovic, o próprio Djokovic, que fugiu de guerra, que tem uma história de vida super sofrida. É um cara que, cara, ele não abre o osso por nada, você vai ganhar pra ganhar dele, tipo assim, é muito difícil. Então, assim, tem uma correlação entre essas coisas.

Eron Falbo: [53:13] Mas... Cara, uma coisa que eu queria te perguntar, que eu até esqueci, agora eu lembrei. E também dizendo que a gente tem... Que, assim, se eu me empolgar aqui, eu tô até me policiando, a gente tem mais quatro minutos pra gente fazer todos os pontos importantes que a gente precisa fazer. Mas uma pergunta que eu não queria deixar de fazer, já que você mencionou o Djokovic: seja sincero de novo, por favor, esquece a política e sua posição dentro do IMG... meu nome, desculpa.

Brincadeira picante sobre Djokovic e Rússia (53:20)

Lui Carvalho: [53:42] Já vi que eu sou sincero, manda.

Eron Falbo: [53:43] E eu vou... IMG, desculpa, é que eu confundo com a AMG, que é a empresa de cinema, ou outra coisa. A minha pergunta é o seguinte: seja absolutamente sincero. Eu sei que você tem sido super insincero até agora, seja outra pessoa. Até agora você está sendo super político, rígido e formal. Eu quero que, por favor, se solte. Toma um gole, vamos tomar um gole.

Lui Carvalho: [54:15] Vamos matar.

Eron Falbo: [54:18] Vamos tomar um shot. Caraca, vamos fazer um shot também.

Lui Carvalho: [54:26] Que isso. Você é dos meus. Bebe bem.

Eron Falbo: [54:31] Pronto. Eu tenho coragem de fazer essa pergunta. Eu tenho medo. O Djokovic trabalha para o Putin?

Lui Carvalho: [54:44] Cara, eu acho que não. Mas se ele trabalhasse, a gente também não ia saber. Então, não sei.

Eron Falbo: [54:51] Eu tô suando aqui porque o Putin me ligou antes da live e falou: se tu fizer essa pergunta, vai dar ruim pra você. Eu vou botar a vacina do Covid no seu 5G. Ele me abençoou.

Lui Carvalho: [55:08] Não sei, eu tenho meio medo, assim. Você sabe que os russos estão começando a dominar o circuito masculino, né? Os russos, Medvedev, Rublev, Khachanov, tem três caras, assim, que são... Tá rolando.

Eron Falbo: [55:18] É a União Soviética 2.0, Putin, cara. Fudeu.

Lui Carvalho: [55:22] Se prepara, se prepara.

Eron Falbo: [55:24] Aposto que ele sabe jogar xadrez e lutar artes marciais. O Djokovic. Porque é a mesma coisa. Eles estão colocados numa esteira, sacou? Aí você treina xadrez, você joga tênis, você joga vôlei, sacou? Rola a mesma esteira. Aí os melhores de cada coisa, eles liberam.

Lui Carvalho: [55:50] Liberam. Enfim, ali é uma máquina, o microfone é uma máquina. E ele ainda tem personalidade, ele é engraçado.

Eron Falbo: [55:58] Não, porque eles já sacaram essa onda. Porque o problema da União Soviética 1.0 é que a galera meio roubou. Todo mundo falava... Como é que é? Da, tovarisch. Tipo... Sim, camarada. Tá certo, né? Spasiba, tovarisch. O certo é você ser o cara que está sendo contra o sistema, e o Djokovic tem essa parada. Não, eu tenho minha personalidade. Mas desculpa, eu nem conheço a personalidade do Djokovic. Quando você disse que ele tem personalidade, o que você quer dizer?

Lui Carvalho: [56:32] Ele é ótimo, ele é engraçado, ele é super espontâneo, né? É um dos tenistas assim, tipo, que mais humor tem. Ele tem uma coisa dele. Os outros são mais durões, mas protocolares. O jogo já é mais solto.

Eron Falbo: [56:49] Olha só como eles já estão. Desculpa te colocar essa posição. Estou te vendo já. Primeira vez você está encabulado. Só para te falar, cara, eu estou totalmente brincando, 100%. É óbvio que não, que eu não ache que a Rússia não é capaz desse tipo de coisa, mas eu não estou sugerindo que eu tenha nenhum tipo de crença a respeito da visão que a gente está. É só a pergunta. Ninguém ia esperar uma pergunta idiota dessa. Só isso. E também, logo antes, você teve o azar de eu ter bebido. Não consigo nem falar direito. Mas eu queria te agradecer demais pela presença no programa e, porra, eu até saí do normal, que eu sempre saio do normal, mas é sair do normal do normal, que é sair do normal. E porque eu adoro o tênis, estou jogando, então eu tô realmente interessado, com uma lista gigantesca de coisas que eu não te perguntei e gostaria de perguntar. Eu ia ler uma citação que a minha produção fez, só para sair do meu plano. Mas não tem nada a ver com o que a gente está falando, mas vamos ler de qualquer jeito. Peraí, isso tá certo? Tá certo, peraí. A maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado. Rui Barbosa.

Citações finais e despedida calorosa (58:22)

Lui Carvalho: [58:36] Que profundo. Eu gosto mais de uma outra que é Pressure is a Privilege. Pressão é um privilégio. Acho que foi Billie Jean King. Essa é a puxada.

Eron Falbo: [58:48] Billie Jean King é a mulher do Michael Jackson. Billie Jean é uma das.

Lui Carvalho: [58:59] Maiores pianistas de todos os tempos. Americana, percussora, crioula.

Eron Falbo: [59:05] Que situação.

Lui Carvalho: [59:07] Sensação. E está escrito na porta da entrada do S-Open dos jogadores, do corredor que você entra na casa central. Está escrito pressão é privilégio porque o cara está ali o cara se borrando na calça para entrar na quadra de ler aquilo já.

Eron Falbo: [59:21] Eu falo para todos os convidados e a maioria das vezes assim exceto dois que eu estou pensando agora é de verdade. Eu gosto de conhecer as pessoas ao vivo. Hoje eu estive com o Minotouro o cara do MMA. O cara é uma pessoa maravilhosa e para ele também é verdade. Mas para você eu estou dizendo o cara Sinceramente, eu adoraria te conhecer pessoalmente, que a gente tomasse um vinho juntos, que dá pra ver que a gente poderia ficar até 5 horas da manhã falando merda, contando piada, e eu te alugando sobre o tema. Sinceramente, eu te convido, eu devo invistar meu irmão assim que a Inglaterra virar um país livre de novo, e não ser uma ditadura militar que está rolando agora. Oxalá para você porque mal pode esperar para eu poder te oferecer uma coisa também que é o melhor dos lugares boas festinhas. Eu tenho eu organizado a festa em Londres agora. Então eu sei que eu tenho aqui literalmente e acho que se você votou.

Lui Carvalho: [1:00:34] Eu estou escutando mas você se congelou para mim mas estou escutando. Agora votou.

Eron Falbo: [1:00:42] É isso a internet de Londres que é uma merda.

Lui Carvalho: [1:00:45] Então.

Eron Falbo: [1:00:50] É claro eu tenho lugares para ti para ti e para te recomendar a questão do tipo é Ice White Shot sabe do Kubrick chegou de você de máscara de entrar a chegar na porta e mordor um atender e você falar Fidelio aí você Está rolando um ritual, sacou? Todo mundo de vestido de monge, de máscara.

Lui Carvalho: [1:01:16] Vou comprar.

Eron Falbo: [1:01:17] Vou comprar.

Lui Carvalho: [1:01:19] Quero ir nesse lugar.

Eron Falbo: [1:01:23] É isso, Luan.

Lui Carvalho: [1:01:26] É um prazer muito conhecê-lo.

Eron Falbo: [1:01:28] Muito obrigado por aceitar o convite. Você é uma pessoa maravilhosa. Obrigado mesmo, cara. Valeu.

Lui Carvalho: [1:01:34] Obrigadão pela oportunidade. Tamo junto.

Eron Falbo: [1:01:37] Tamo junto. É isso, gente. Boa noite a todos, tudo de bom. Boa noite às pessoas de Londres que não estão assistindo.

Lui Carvalho: [1:01:46] Valeu, um abraço.

Eron Falbo: [1:01:48] Tchau, tchau.

No Alvo com Eron Falbo · episódio #79 · todos os episódios