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#78 Morrer pelo seu propósito

com Coaracy Nunes · 16 de mar de 2021

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura com Coracy Nunes (0:00)

Eron Falbo: [0:05] Alô, alô, sejam bem-vindos! Você entrou no Alvo, eu sou Eron Falbo. Estamos aqui hoje com Coaracy Nunes, que é diretor do Museum of Yoga, o mais querido estúdio de yoga. E aí, Coaracy?

Coaracy Nunes: [0:27] E aí, Eron, tudo bom, querido? Tá me ouvindo bem aí?

Eron Falbo: [0:32] Tô te ouvindo bem, não... porque agora tô sem fone de ouvido, infelizmente, porque agora só funciona assim no Instagram, mas tô te ouvindo. Vamos lá, tá valendo.

Coaracy Nunes: [0:41] Ó, tá muito legal! Todo mundo aí, alô! Todo mundo aí chegando, alô, alô, galera!

Eron Falbo: [0:48] Já tem 600 pessoas e nem começou.

Coaracy Nunes: [0:50] Ainda... tá bom o negócio aí, parabéns aí, super legal, parabéns pra...

Eron Falbo: [0:55] Você, isso aí é tudo você, que eu não atraio ninguém, duvido! Cara, estou com ansiedade absoluta. Estou jogando tênis, eu inventei de jogar dois torneios de tênis ao mesmo tempo. Aí eu não consigo marcar os dias, aí tem que ser logo antes da live, aí eu faço o jogo do torneio e vou fazer a live.

Coaracy Nunes: [1:22] O Diogo Covites adora ioga.

Eron Falbo: [1:27] Ah é? Então é um bom motivo.

Coaracy Nunes: [1:30] Ele adora, ele faz... Cara, vamos começar.

Eron Falbo: [1:33] Com uma dica de jogador de tênis: respiração para o Domenico. Eu faço a respiração do tigre, sabe? Não sei se é do yoga, é tipo... faz uma coisa pra hiperventilar, pra ficar acordado.

Yoga aplicado a atletas e lutadores (1:43)

Coaracy Nunes: [1:52] Muito legal. Não, você pode, dependendo da situação, obviamente, se você quer estar ativo no jogo de tênis, fazer uma respiração, a gente chama de respiração do fogo, que é mais ou menos assim: você vai inspirando e expirando pelo nariz, assim.

Eron Falbo: [2:07] É aquela que você faz da barriga pra dentro e pra fora? Você faz um negócio, tipo assim, sei lá?

Coaracy Nunes: [2:13] Sim, sim, é legal.

Eron Falbo: [2:15] Que a barriga entra.

Coaracy Nunes: [2:16] É muito legal, mas se você é uma pessoa muito hiperativa, Você pode também acalmar o seu...

Eron Falbo: [2:23] Não, mas eu faço coaching de alta performance. Aí, no início, quando eu comecei a jogar torneios, eu fazia tipo, não, tem que concentrar, aí eu fazia uma meditação, entrava assim, aí eu entrava no jogo assim... Aí o meu coach falou, ele falou, cara, eu também sou coach do Minotouro, né? Ele é coach também do Minotouro lutador.

Coaracy Nunes: [2:51] Conheço.

Eron Falbo: [2:52] Aí ele falou, o Minotouro tinha o mesmo problema. Ele queria concentrar, ele ficava muito em concentração, aí ele chegava na luta assim, perdia no primeiro round, sacou? Aí ele falou, não, bicho, faz hiperventilação pra você entrar a todo vapor e acabar a luta no primeiro round, você ganhando. Aí eu comecei a fazer isso e mudou tudo.

Coaracy Nunes: [3:11] Não, muda tudo. A gente já teve aqui, eu tenho esse estudo de yoga aqui em Panima há 15 anos, eu tenho muita história de lutador, de MMA, que fez yoga aqui. Então, uma das histórias engraçadas é que ele começou a fazer yoga, você aumenta a concentração, você fica mais energético, e ele começou a ganhar tudo. Agora, a coisa engraçada, meio trágica, é que aquela coisa, o cara quando no MMA começa a ganhar tudo, faz tangue. Abrendo o jogo ele ser um cara de golpe certeiro.

Eron Falbo: [3:48] Você tem que se desculpar.

Coaracy Nunes: [3:51] É uma coisa meio esquisita porque a.

Eron Falbo: [3:53] Prática de yoga é pacífica, namastê.

Raízes guerreiras do yoga e Bhagavad Gita (3:58)

Coaracy Nunes: [3:58] E depois ele estava usando isso para...

Eron Falbo: [4:01] Mas olha só, yoga não foi sempre tão essa coisa hippie não. Yoga lá nos Pimontes era feito por guerreiros, né? Tanto que a Arjuna, né? As lendas do... Como é que chama?

Coaracy Nunes: [4:17] Do... Bagabaguita.

Eron Falbo: [4:19] Do Bagabaguita, mas o Bagabaguita faz parte do Mahabharata. Qual o nome?

Coaracy Nunes: [4:22] Mahabharata, exatamente.

Eron Falbo: [4:24] É, Mahabharata. Então, tem um épico maravilhoso que eu adoro. Eu uso pra...

Coaracy Nunes: [4:30] É espetacular.

Eron Falbo: [4:31] Eu uso como sedução para meninas que não conhecem.

Coaracy Nunes: [4:39] É muito esquisito que ele organiza essa coisa toda pacífica, porque um dos grandes livros, nada mais é que uma guerra, que é o Arjuna lutando contra os pais mais velhos.

Eron Falbo: [4:50] Cara, o Bhagavad Gita pra mim é uma das coisas que mais me incentivaram na vida. E é uma coisa, assim, que acho que tem tudo a ver com a nossa conversa que eu tenho certeza que a gente vai ter hoje. Que, cara, eu fiquei super triste ultimamente. Agora eu tô melhor, tá? Porque eu ouvi uma música boa e tal. Mas eu fiquei super triste que uma amiga minha me cancelou. Tipo assim, porque eu postei uma parada, entendeu? Eu postei algo contra, tipo, pra galera não ficar em casa, entendeu? Eu vou entrar no que tem a ver com Bhagavad Gita nisso. Porque, cara, tem uma passagem do Bhagavad Gita em que o Arjuna está falando com o Krishna. Tem os Pandavas, e as duas famílias estão lá lutando. Só que, na verdade, são primos, primos distantes, que estão lá lutando uma guerra. Aí o Arjuna, que é um grande guerreiro, está lá, vai matar a galera, e ele fala: e o Namastê, né? Tipo assim, é a galera da minha família, como é que eu vou matar? Aí o Krishna fala uma palavra que mudou a minha vida, que ele fala: quem é você que acha que consegue matar alguma coisa nesse cosmos?

Coaracy Nunes: [5:56] É muito legal.

Eron Falbo: [5:57] Será que alguma coisa morre? É muito legal. E isso vale muito para os nossos tempos, que as pessoas, sem menosprezar o sofrimento de parentes, pelo amor de Deus, tanta gente sofrendo, tanta gente entubada, parentes sofrendo. Meu coração está com eles, eu tive parentes que morreram também. Mas, cara, esse medo da morte é que nem o do Deepak Chopra, que eu até achei. Você me falou e eu fui procurar. É a terceira pandemia, né? É o medo, a ansiedade e o medo da morte.

Medo da morte como terceira pandemia (6:22)

Coaracy Nunes: [6:32] Sim, esse é o grande problema. Que hoje a gente tem três grandes grupos assim. Um que fala assim, você não pode sair de casa, que, se você sair de casa, você vai para o inferno, vai pegar vírus. Tem o segundo grupo, que é o contrário: vou na aglomeração, vou na praia lotada, não sei o que lá. Eu acredito muito, querido, que existe esse terceiro grupo, que a gente tem que sair de casa, sim, mas tomando os devidos protocolos, evitando a aglomeração, porque, no final das contas, você quer aumentar a sua imunidade. Para aumentar a imunidade, você tem que comer bem, fazer exercício físico que você gosta, pegar um sol.

Eron Falbo: [7:10] Sem perigo.

Coaracy Nunes: [7:12] Namorar, fazer coisas normais que a gente faz no dia a dia. As pessoas estão dizendo que você tem que ficar em casa com medo, com paranoia, ansiedade, vontade de suicídio, que está rolando direto.

Eron Falbo: [7:24] Claro, claro. Entre nós, eu tenho uma das minhas amigas mais próximas, que era como uma filha para a minha mãe, e se suicidou durante a pandemia. Então foi uma coisa super pesada pra mim. E assim, minha mãe ficou deprimida, meu irmão ficou deprimido. Tô dizendo que minha família tem tendência à depressão. Mas você sabe que muita gente ficou muito mal, né? Meu irmão tá morando na Inglaterra, que você ganha uma multa de mil libras se você sair de casa, sacou? Então é uma parada assim tão doentia, esses protocolos que as pessoas estão fazendo. Em nome do quê? De salvar a vida? Você vai, tipo, estragar a vida pra poder salvar a vida? É uma coisa assim que, pra mim, a conta não fecha, entendeu?

Coaracy Nunes: [8:06] Não fecha mesmo. Inglaterra, Japão e Austrália, tem hoje o que chamam de Ministério da Solidão, que nada mais é... Vamos abrir o jogo aqui: nada mais é do que o Ministério do Suicídio. As pessoas estão se suicidando lá, e não é número pequeno, não. E não é só velho, não. É suicídio de adolescente, de jovem.

Eron Falbo: [8:27] E na pandemia isso aumentou muito, ninguém tá falando disso. Tá falando só de coisas que têm a ver com Big Pharma, coisas que têm a ver com propaganda do governo. A galera chama de negacionista. Não é isso, é só falando a informação completa, sacou? Galera, vamos falar das coisas que importam. Tem uma galera se suicidando. Isso é muito ruim. Tanto de gente desempregada, perdendo a vida... Estou vivo, estou respirando, mas estou no supermercado implorando para alguém pagar arroz. Porra! Qual é o custo dessa dignidade perdida?

Conviver com o vírus num mundo globalizado (9:03)

Coaracy Nunes: [9:08] Mas, sem a menor dúvida, o que está sendo colocado aqui agora é um relacionamento... Vê se vocês vêm comigo nessa, assim. É um relacionamento que a gente vai ter que ter pro resto das nossas vidas. O vírus não é uma coisa nova. Rolou 10 anos atrás, vai rolar hoje, vai rolar daqui a 10 anos também.

Eron Falbo: [9:29] Isso eu acho que é um ponto que vamos deixar registrado aqui. Foi você que trouxe isso pra mim, acho que foi um grande aprendizado, a gente conversou antes do programa, e você me trouxe essa ideia aqui, vamos deixar registrado isso. Cara, a gente está vivendo num mundo globalizado. Foda-se os globalistas, tipo assim, essa ideia de teoria da conspiração, de ter um grupinho tentando... Não é isso que eu tô falando. A gente tá vivendo um mundo claramente globalizado, onde tem milhares, centenas de milhares de voos da China pra Europa, pro Brasil. E não vai ser a primeira, nem a última. Vai ter muitas doenças dessas acontecendo agora. Infelizmente, não tô rogando praga, é só uma realidade do mundo globalizado. A gente tá vivendo um mundo em que as coisas vão se espalhar. Então não adianta postergar, não adianta todo mundo se trancar em casa e falar: não, daqui a seis meses eu começo minha vida de novo. Cara, a gente tem que aprender a viver a vida desse jeito. Então se a galera tem medo, usa máscara, se protege. E cada um, pô, cada um faz o que tem que fazer. Tipo assim, ninguém tem que me proteger e eu não tenho que proteger ninguém, entendeu? As pessoas têm que ter noção e se proteger. Ah, mas o sistema de saúde tá sobrecarregado. Então o sistema de saúde tem que mudar. Porque também só tá sobrecarregado porque tem certas restrições. Eu não posso fazer uma clínica aqui em casa, se eu quiser. Você não pode fazer no seu centro de yoga. Senão, como é que é possível faltar leito? Como é que é possível faltar respirador com o tanto de respirador a mais que foi comprado por corrupção, entendeu? Então, a ideia é essa, que foi falada hoje e que eu acho importantíssimo a gente colocar. A gente vai conviver com esse tipo de coisa a partir de agora. Então não vamos postergar a vida, vamos viver a vida e vamos viver intensamente, como sempre.

Coaracy Nunes: [11:20] E o discurso tem que ser um pouco mais positivo. Não pode ser assim, o que eu não posso fazer? O que você pode fazer? Você pode comer frutas, verduras, mas não precisa virar vegetariano. Você tem cuidado com a sua nutrição? Sim. O que o yoga fala é que você tem que saber como respirar, que as pessoas respiram errado. As pessoas têm que saber também o que pensar. A nutrição não é só física, de alimentação, é uma nutrição da respiração, nutrição dos seus pensamentos, das pessoas que você escolhe ter em volta, entendeu? Então tem várias coisas legais: o que você pode fazer para aumentar a sua imunidade e ter uma vida razoavelmente com bom senso, usando a máscara, lavando a mão, mas sem ficar em casa parado, paranoico, com ansiedade. Eu acho que nessa época... As pessoas estão chegando para mim, estou abrindo o meu centro de yoga aqui em Ipanema, e as pessoas falam assim: eu não aguento mais isso. Minha mãe me falou que eu sou maluca. Você não é maluca, querida, eu falei. Você tá cuidando da sua saúde, a gente tá usando máscara aqui, tá lavando a mão, você tá se alimentando bem, você tá pegando um sol, tudo isso é saúde.

Eron Falbo: [12:34] Os japoneses fazem isso de qualquer jeito, é uma questão de higiene. Eu não faço pessoalmente porque eu sou meio que militante contra a paranoia. Quando a árvore está crescendo torta para um lado, na botânica se entorta a árvore para o outro lado para ela poder crescer reta. Eu tô meio que fazendo um trabalho desse tipo. Eu vejo tanta gente que eu tô sendo meio que anti. Eu não tô me protegendo, tô me arriscando? Tô me arriscando. Mas dentro da minha faixa etária, eu faço exercício pra caramba, tenho imunidade alta, eu sou positivo. Então eu não tô com medo, eu não tô com ansiedade, entendeu? Então, porra, se eu morrer, que eu viva lutando por essa causa de não viver com medo, entendeu? Sinceramente, eu não tenho o mínimo medo de morrer.

Coaracy Nunes: [13:26] É por aí. Eu acho que na prática de yoga a gente fala que a gente tem que conviver e superar várias das quais a gente chama de aflições. As aflições estão no Bhagavad Gita, estão nos Yoga Sutras, vários livros assim. A aflição das aflições é você, primeiro, não saber que você é uma pessoa eterna. Ou seja, você tá vivendo uma encarnação agora em que você é o Eron, ou parecida, mas houve outras antes, vão ver outras depois, ou seja, somos seres eternos. E se a gente acredita nisso, a gente também passa a ter menos medo da morte. Agora, o que eu acho é que a gente tem que cuidar desse instrumento que é o corpo físico, tratando ele bem, comendo bem, dando amor... Voltando para o...

Eron Falbo: [14:15] Voltando ao Bhagavad Gita, acho que aquela mensagem do Krishna falando: quem é você para achar que pode matar alguém nesse cosmos? Eu acho que a grande mensagem disso é que ele tinha que lutar, ele tinha que fazer uma guerra contra o mal, contra uma injustiça. Foi feita uma injustiça com certas pessoas e ele tinha que lutar. Então tem coisas na nossa vida que a gente tem que fazer, que são nossa obrigação. E essas coisas vão ter que ser feitas independente do perigo que... entendeu? Às vezes a gente fala: não, pera aí, agora não, isso é perigoso demais. Cara, as coisas da vida têm que ser feitas, entendeu? Tipo assim, os filhos têm que ser educados, a gente tem que dar amor aos nossos parentes, a gente tem que cuidar dos pais. Tem certas coisas que são eticamente prerrogativas nossas, que são obrigações cósmicas. E não importa se a gente vai morrer ou vai matar no meio do caminho fazendo essas coisas, a gente tem que fazer, é obrigatório a gente fazer. Então é isso que eu acho que falta na nossa geração, porque as pessoas não têm muito senso de propósito, né? Porque a gente perdeu muita espiritualidade, muita cultura religiosa, essa coisa toda, e a gente não tem senso de propósito. Então, a gente veio pra quê? Pra assistir Netflix, que a gente pode fazer na pandemia de qualquer jeito. E se a gente não estiver vivo, a gente não vai poder continuar assistindo Netflix. Então a gente fala: porra, vou assistir Netflix durante oito meses pra poder trabalhar depois disso, pra poder assistir mais Netflix depois.

Coaracy Nunes: [15:50] O que a prática de yoga fala é que a sua vida só começa quando você acha o seu Dharma. Antes, não aconteceu nada. Eu estou concordando com você, Eron. O que acontece? A gente chama... Dharma é o propósito da vida, essa palavra Dharma tem várias traduções, mas o que a gente está falando agora é o propósito da vida. Então, se as pessoas estão ouvindo a gente agora, que elas saibam que o fundamental são dois dias fundamentais na sua vida: primeiro, o dia em que você nasceu, graças aos seus pais; o segundo dia é quando você sabe qual é, repetindo a palavra que você acabou de falar, o propósito da sua vida, entendeu? Isso é uma coisa que demora, você investiga, a prática de yoga ajuda muito, meditação, você lê, você estuda e tal. Então, eu acho que, tendo um propósito de vida, a vida ganha muito mais força. E, na minha experiência pessoal, a sua imunidade vai lá pra cima, porque a sua energia está indo em direção a alguma coisa que vai servir não só a você, mas também ao universo. Você passa a ser o instrumento do universo. Então, exatamente o que você acabou de falar, eu acho que é o grande ponto, Eron. As pessoas, abrindo o jogo com você, estão perdidas, porque a nossa cultura, concordando com você, não puxa pelo propósito. Ela puxa sem ganhar dinheiro, sem trabalhar, sem ter que ser famoso, sem ter que ir pro Big Brother. Esquece da pergunta fundamental, que é a seguinte: quem sou eu? Então, eu acho que esse é um grande momento agora, que as pessoas estão em casa e vão ser forçadas a meditar sobre essa pergunta, entendeu? Então, vale a pena a gente conversar sobre isso, entrar nisso. E, para você saber quem você é, segundo os livros de yoga, não sou eu quem está criando, não sou o líder, Thales Massa, você me conhece, não é? Yoga pra mim não tem nada a ver com seita, com religião, é mais uma inteligência rolando aqui. Para você saber o que você é, você tem que ter o corpo são, saudável, você tem que ter a respiração tranquila, te dando um nível... e você tem que ter a mente clara. Então, o corpo, a respiração e a mente estão preparados e aí vem esse momento. O que eu sinto é que as pessoas estão, mais uma vez, distraídas pro Netflix, ou para ambições de uma cidade que...

Propósito de vida e Dharma (15:59)

Eron Falbo: [18:10] A vida inteira está distraída. Aí eu, sinceramente, não entendo por que quer prolongar a vida tanto. Porque se a vida é tão, vamos dizer em inglês, bereft, vazia de propósito, eu, sinceramente, não ia nem ter medo do Covid. Eu ia falar: pô, vamos lá, vamos aglomerar mesmo. Eu acho que tem uma citação, não sei se é de Sêneca, que diz que se você não sabe para que porto está indo, qualquer vento é favorável. Então, tipo assim, ao mesmo tempo, ao contrário disso, quando você sabe, e só quando você sabe para que ponto está indo, aí você sabe o que não é favorável e o que é favorável, aí você sabe o que você tem que fazer. É o que eu te falei hoje mais cedo: podia estar rolando a Terceira Guerra Mundial, que eu ia estar vivendo do jeito que eu estou vivendo. Eu ia estar encontrando meus amigos, é mais difícil, mas eu ia fazer de tudo. Eu ia estar fazendo yoga, ia estar meditando, ia estar me expressando livremente. Se eu morasse na Rússia bolchevista, onde você não podia se expressar, eu ia me expressar do mesmo jeito, porque eu acredito em livre expressão, sacou? Eu ia me expressar e iam me matar. Beleza, morri. Morri feliz, entendeu?

Coaracy Nunes: [19:35] Você viveu a vida, não ficou esperando dentro de casa. Qual é o problema hoje? O problema hoje é que centenas de milhões de pessoas estão presas em casa, forçadas, com boas intenções, porque elas acham que isso vai salvar a vida delas. Ao mesmo tempo, está vindo uma absoluta coqueluche, uma epidemia mesmo de doenças que a gente chama de doença mental, que é ansiedade, é depressão, é vontade de suicídio, é o estresse, vai falando aí, entendeu? Então, o que eu acho é que, se vocês estão me ouvindo, ouvindo eu e o Eron agora, é hora de dar uma mudada nisso, é hora de acionar isso. Começa pelo corpo físico mesmo, você fazer um exercício, tem várias aulas online, não só aqui no Mestre Antônio de Oliveira, você também aprender a respirar, você ter livros mais interessantes, pessoas mais interessantes. Mas o grande lance é, abrindo o jogo com você, é a cura mesmo, assim, é você, como você falou, achar o seu propósito aqui. Acordar de manhã com curiosidade, sabendo que você tá indo numa direção na qual só você pode ajudar esse planeta.

Eron Falbo: [20:47] Você tem uma missão. Se a pessoa entrar nisso que você tá recomendando, ela vai esquecer que tá rolando pandemia. Foda-se pandemia! Que pandemia! Entendeu?

Coaracy Nunes: [21:01] Então, a ideia toda é a gente ser mais propositivo dentro disso que a gente está vivendo. Há um discurso, que é como você falou, que, infelizmente, é bom para vários tipos de empresas internacionais, como a mídia, como a Big Pharma e, obviamente, a internet. Todas as ações da Amazon, todas as ações da Apple... E a gente tem...

Eron Falbo: [21:28] Isso é importante lembrar, independente de eu achar que as pessoas ou chamam de teoria da conspiração ou negacionismo. Mas, cara, algumas coisas são inteligência, tipo assim, você tem que entender como o mercado funciona. O Noam Chomsky tem um livro sobre isso, se eu lembro o nome dele agora... Manufacturing Consent, fabricação do consentimento. Ele fala como, no século XX, todos os estados do planeta... isso é uma constante, na Pérsia Antiga, em Florença renascentista, qualquer lugar que você for, é uma constante: o estado precisa arrumar formas de manter o povo mais ou menos sob controle, para ter uma certa identidade, e tem razões positivas para isso. Mas, para isso, em ditaduras, em sistemas totalitários, existe o cacetete, então vai atrás, existe exército entrando na rua. Quando a mídia, depois do telégrafo, depois da televisão, foi expandindo demais, o povo começou a ficar informado demais e o cacetete ficou um pouco ineficaz para essas coisas. Aí que começou a era da propaganda. Quando eu digo propaganda, digo no sentido inglês, que em inglês tem propaganda e tem advertisement, a gente usa a mesma palavra para as duas coisas. Propaganda, em inglês, é a propaganda de influenciar as massas através de mensagens dos governantes, usando a mídia, usando cartazes, usando todo tipo de coisa. Então isso é um fato que existe desde sempre. Em Roma Antiga já existia isso, só que no século XX foi aperfeiçoado. O Goebbels, o ministro de propaganda de Hitler, se não me engano, aperfeiçoou isso a um nível supremo. Aí, depois, o sobrinho do Freud, o Edward Bernays, sobrinho do Sigmund Freud, que era judeu, pegou o que o Goebbels tinha aperfeiçoado e inventou o que hoje a gente chama de relações públicas, que é uma forma mais sutil de fazer propaganda, que os governos passaram a usar. E ele tem livros, o Edward Bernays, em que explica como a galera faz essas coisas. Então, entender que isso existe é crucial para a nossa liberdade pessoal. Tipo assim, isso não só existe como está acontecendo, gente. E a Big Pharma, se eles não estão fazendo propaganda, eles são loucos, porque, se eles têm tanto dinheiro e tanto controle sobre tantas indústrias do mundo, óbvio que eles estão fazendo isso. Os estados do mundo, os governos, de fato, nos últimos vinte anos perderam muito poder. A mídia mainstream, a Globo, essas coisas, perderam muito poder. Quem exatamente está ganhando poder agora, de novo, com a pandemia? São os estados, os governos e a mídia mainstream.

Propaganda, mídia e Big Pharma (21:53)

Coaracy Nunes: [24:51] Simples assim, simples assim, é uma loucura o que está rolando. O que eu queria falar para as pessoas é: é mais fácil. Seja feliz hoje. Você tem alguém para dizer eu te amo? Liga agora e diz eu te amo. Você tem alguém para perdoar? Diz para essa pessoa, vamos nos perdoar. Posso melhorar um pouco o meu prato de comida? A gente pode trazer essa conversa para o dia a dia, para as coisas mais básicas. Eu estou vendo as pessoas esquecendo isso, a gratidão... Não sei se você vem de viagem ou não, de estar aqui com a gente, esse sentimento de gratidão de ter o ar que você está respirando. Ou seja, tem muita coisa positiva que pode ser feita, e hoje as pessoas estão perdidas nesse turbilhão. Vou te contar uma história engraçada: chegou uma menina aqui no meu centro de yoga em Ipanema e falou assim pra mim: olha, eu vou colocar um biquíni ali no seu banheiro e vou pra praia. Você tá entendendo? Ela queria a minha aprovação para botar um biquíni, a gente mora a duas quadras aqui da praia de Ipanema, no Posto 9, espetacular. Então, a ideia toda é que eu falei pra ela, eu tô nesse discurso positivo, olha, você vai na praia, num bairro não muito aglomerado, vai pegar um sol, vai dar o famoso tibum, você vai sair de lá mais feliz, melhor, tá entendendo? Então, o que eu quero falar para as pessoas é: vamos viver a vida, não é negacionismo, como você falou, vamos viver nesse meio-termo gostoso, dizendo eu te amo, indo para uma praia não muito aglomerada, comendo bem. E essa coisa que o yoga fala, os livros que você mencionou, o Bhagavad Gita, os Yoga Sutras, eles começam a te dar ideias interessantes, e aí entrando no sentido de você ser uma pessoa independente, uma pessoa livre do jugo e da dominação da mídia, ou de qualquer guru, ou de qualquer religião.

Eron Falbo: [26:56] Isso é muito importante. Tem uma citação, não sei a citação exata, mas vou falar o conceito, de Epicteto. Epicteto era um filósofo grego que era escravo, e ele era uma das pessoas mais sábias que existiram. Ele viveu mais ou menos na mesma época de Marco Aurélio, que era imperador de Roma, e eles eram da mesma escola, eram estoicos. Um era imperador, o outro era escravo, e os dois pregavam exatamente a mesma coisa: a liberdade é interior. Aí muita gente fala, porra, é muito fácil se você é imperador de Roma, mas não é tão fácil se você é escravo, se eu falar isso. Então, tipo assim, uma coisa é: se tem gente te acorrentando fisicamente na sua cadeira, mesmo assim você pode ser feliz meditando, mesmo assim você pode ser feliz. Mas o que tá acontecendo é que as pessoas estão se aprisionando a elas mesmas, isso é muito mais grave. Ninguém tá te acorrentando. Então isso é uma mensagem que a gente tem que passar, que eu gostaria de passar pessoalmente: porra, ninguém tá te acorrentando com corda, você pode ser feliz agora. Minha mãe tava em Natal, ela mora em Portugal, aí não podia mais entrar em Portugal por causa dessa ditadura, essa loucura. E ela ficou em Natal, na casa de praia dela, trancada, e ficou superparanoica, sozinha. E, por causa do medo e da paranoia, ela não queria viajar de avião pra ficar aqui comigo. Finalmente, depois de nove meses em que ela ficou superdeprimida, eu falei: cara, intervenção. Falei com todas as amigas dela em Natal, disse que ela tinha que vir para o Rio ficar comigo. Ela veio para o Rio, eu convenci ela, cara, vai viver sua vida, vai ser feliz. E ela está agora superfeliz, está indo para a praia, está saindo, nem está lembrando que existe Covid, entendeu? E é a mesma pessoa, então tá dentro da gente, entendeu? Ela tava lá só olhando... Quando você tá olhando só pro globo, você tá lendo notícias, vendo a taxa de morte subir, entendeu, aí... pô, o que vai acontecer na sua cabeça? Você vai ficar... todo mundo, os parentes vão morrer, eu vou morrer, vai todo mundo morrer. Aí você começa a falar: você tem que fazer isso, né? Aí todo mundo vira polícia de todo mundo.

Liberdade interior e estoicismo (27:03)

Coaracy Nunes: [29:06] A Milena Mariana está falando aqui uma coisa muito legal, que ela já falou muitas vezes: a única coisa no nosso caminho somos nós mesmos. É isso aí, Milena, a gente tem que saber discernir, como a Juliana Nunes Uchoa está falando aqui, quais são os pensamentos que valem a pena e quais não valem a pena. Mas, para mim, é muito simples: faz aquilo que te faz saudável, vamos ser felizes hoje, é possível. O que me dói no coração é que tem tanta... Eu sou muito relacionado com pessoas que fazem teatro, cinema aqui também, e as pessoas estão meio que paradas, principalmente o pessoal do teatro, do show ao vivo, e eu falo assim: pô, o que eles podem fazer? Obviamente o pessoal está fazendo várias reuniões online também, mas eu acho que a gente tem que, agora, se Deus quiser, passar dessa fase. Acho que a gente já teve o suficiente dessa coisa da pandemia, eu acho que você e eu estamos sendo politicamente incorretos, graças a Deus, porque a gente tem que falar que, ah, não, tem que ficar em casa, tem que... não, não, não, tem que sair, mas com bom senso. Então não quero que as pessoas falem que o Eron parece ser negacionista, não, eu acho que é o bom senso.

Eron Falbo: [30:17] E dentro do nível de cada um. Eu queria pegar essa tangente sua do bom senso, porque o bom senso não é outra pessoa que define pra gente, a gente tem o nosso próprio bom senso, sacou? Tipo assim, se eu fosse um velho com tuberculose de 80 anos, eu ia estar me protegendo pra caramba, entendeu? Eu ia estar me protegendo porque, porra, a doença ataca justo pessoas com problemas respiratórios e mais velhas. Então assim, aí seria uma dificuldade. Agora, na minha idade, a estatística é tão baixa que, porra, eu escalo montanha, entendeu? Tipo, eu ando a cavalo. Eu faço coisas que são tão perigosas quanto a Covid, naturalmente. Então, porra, eu não uso máscara... Tipo, eu uso máscara socialmente, eu não sou babaca, entendeu? Tipo, eu entro numa loja, eu uso porque tá todo mundo usando, entendeu, caso eu tenha alguma coisa, não passar para outras pessoas e coisas do tipo. Mas se eu tô na rua para me proteger, se eu tô ao ar livre, eu não uso e não faço questão de usar, e eu aglomero. É assim que eu vivo, porque eu tô disposto a morrer de fato. Então, se a notícia tá certa ou a notícia é fabricada, sinceramente, eu não sei e eu não tenho opinião sobre isso. Eu não tenho opinião porque não dá pra saber. Não dá pra saber o que é certo e errado. Em todo o país tá tendo discrepâncias enormes sobre os dados etc. Então eu não vou entrar nessa discussão, porque é uma coisa que tá fora do meu alcance. Já que é assim, pode ser que seja tudo absolutamente verdade. Não só verdade, pode ser que seja pior. Então pode ser que seja uma parada super letal e eu tô correndo risco. Então, primeiro, eu tô disposto a correr o risco de vida? Eu, pessoalmente, tô. Então é assim que eu tô falando. A gente não precisa falar qual que é o protocolo pra outras pessoas seguirem. O ônus da liberdade é a gente correr esse tipo de risco, e deixar outra pessoa que também é livre correr esse tipo de risco também, e a gente correr o risco às custas de outra pessoa que tá correndo risco. Isso é ser livre. Esse é o lance do seu livro?

Três pandemias segundo Deepak Chopra (32:22)

Coaracy Nunes: [32:29] É aquele que eu apresentei, um médico que você conhece, eu conheço também, famosíssimo, chamado Deepak Chopra.

Eron Falbo: [32:35] É um indiano... Posso ler a citação dele, que eu anotei, que eu ia ler agora? Mas não, pode dar a introdução que você ia dar, aí eu vou ler a citação dele.

Coaracy Nunes: [32:43] Não, o Deepak Chopra, conversando com outro mestre indiano, um deles é Sadhguru, que é muito ativo também na mídia online, ele falou que se você acha que uma vacina vai te proteger de todos esses vírus por aí, isso é uma estratégia muito superficial. Se você me perguntar se eu vou tomar a vacina, eu vou tomar a vacina. Mas a vacina não vai me proteger. Quem vai me proteger, ou quem vai te proteger, é você mesmo, com seus hábitos.

Eron Falbo: [33:12] Sua força pessoal, seu senso de propósito, sua saúde física.

Coaracy Nunes: [33:19] Sim, sim. Você quer ler o negócio de pastor?

Eron Falbo: [33:25] Não, desculpa, aconteceu uma coisa aqui. Tranquilo. Então, nesse artigo de Paxson, fala o seguinte: ele fala que no mundo, na verdade, está tendo três pandemias, que as pessoas só estão concentrando em uma. Primeiro tem o Covid-19, que agora já virou Covid-20. A segunda, uma crise financeira enorme, que é uma crise financeira tão gigante que é realmente pandêmica. É o mundo inteiro. E as pessoas precisam entender isso, especialmente nos países mais pobres. E o Brasil nem é dos países mais pobres, tem países que estão sofrendo mil vezes mais que o Brasil, mas o Brasil está sangrando financeiramente. O povo brasileiro está sangrando financeiramente. E isso precisa ser entendido como uma pandemia também, tão ruim quanto a primeira. A terceira, que a gente já mencionou, é a ansiedade e o medo da morte. Também é uma coisa que é pandêmica igual, o mundo inteiro entrou nessa parada. E assim, eu até adicionaria, a ansiedade e o medo da morte é uma depressão profunda, né? Solidão, tendência ao suicídio, esse tipo de coisa toda. Aí ele falou o seguinte, na citação: se você está estressado agora, se você está com raiva, com hostilidade, com lamentação, que é isso que está acontecendo, você vai comprometer seu sistema imunológico. E se você comprometer o sistema imunológico, o vírus vai ser muito pior para você. Então, o que adianta a vacina? Você pode se vacinar, se você não entrar na onda de começar a ter um pouco mais de coragem e começar a olhar para a parada de uma maneira diferente. E ele não falou a outra coisa que a gente já conversou, sobre o que a gente extrapola disso: e os próximos vírus, que a gente não está preparado? Se o protocolo é ficar trancado, destruir a economia, fazer vacina, repete? E os próximos vírus vão fazer isso até o mundo acabar?

Coaracy Nunes: [35:33] Não faz sentido, a conta não fecha. Abrindo o jogo com você, eu tenho falado isso desde o começo da pandemia, e fui muito mal levado. As pessoas falam que eu sou negacionista, mas há uma necessidade de a gente, depois de aprender nesses seis, oito meses de pandemia, tomar uma outra atitude: uma atitude mais positiva, uma atitude mais relacionada à saúde, como a Maria da Glória está falando aqui, equilíbrio, sem exagero, mas assim, tendo uma vida normal, tão normal, o novo normal, quanto possível.

Eron Falbo: [36:13] Outra coisa, cada pessoa é responsável por entender as próprias necessidades. Tem gente que é mais sociável do que outras, então essas pessoas precisam de mais gente junto. Aí se você é super sociável e você tá trancado, você vai ficar deprimido, entendeu? Então você tem que cuidar de você mesmo e se conhecer pessoalmente. Eu tenho um amigo, assim, que é uma pessoa que eu admiro pra caramba. Eu até chamei ele pra uma live hoje, mas não vou falar o nome dele, aquilo que eu não sei se ele quer ser cancelado, mas aposto que se ele tivesse aqui ele ia falar, mas não vou falar. Mas ele é um amigo meu que deve ter uns 65 anos, mais ou menos, então ele é relativamente grupo de risco, né? Só que a coisa dele, o espírito dele, é: 'cara, eu tenho imunidade a Covid, eu sou um cara que ama a vida, é impossível o Covid me pegar.' Então ele faz tudo, ele vai pra Dias Ferreira, ele não tá nem aí mesmo. E ele não pegou nenhuma vez. Não pegou nem gripe, entendeu? De todas, eu peguei até. Tipo assim, ele nunca pegou. Então assim, eu não tô querendo fazer apologia à antimedicina, ou qualquer coisa do tipo. Mas existe o sistema neurológico, existe. E o cérebro... Até o Deepak Chopra tem estudos maravilhosos sobre isso, né? É como o nosso estado mental afeta o sistema neurológico, afeta o corpo, a saúde, etc. E isso já é provado. Na verdade, desde a Era Medieval já se usava terapia desse tipo, para alegrar as pessoas, para melhorar o estado, e coisas do tipo. Então, agora eu tenho que lembrar disso também. Tipo assim, se você quiser mesmo, se você conseguir bancar isso, você não vai ser afetado.

Coaracy Nunes: [38:08] É, o que eu sinto falta, assim, é dar abraço, abraço de amigo meu, abraço de amizade mesmo. Tiraram o contato humano mesmo das pessoas, sem muito... E uma outra coisa também que aumentou muito, falando o que o Phil Flora está falando aqui também, é que as pessoas estão mais em casa e elas estão passando a tomar muita substância que não tomavam antes, tipo álcool, entendeu? Então, a ideia toda aqui, por exemplo, estatisticamente, no lado feminino, as mulheres estão bebendo álcool muito mais do que tomariam normalmente. Não é aquela garrafinha de vinho, por exemplo, de álcool.

Eron Falbo: [38:50] Então, as festas vão ser boas depois que acabar a pandemia.

Coaracy Nunes: [38:55] Então, o que eu quero dizer, assim, é que esse negócio de ficar em casa, assim, já entendi, houve boa intenção, mas se Deus quisesse... a nossa conversa...

Eron Falbo: [39:03] Claro, tem um monte de patologia envolvida.

Coaracy Nunes: [39:06] Agora estou ouvindo.

Eron Falbo: [39:07] Estou te ouvindo também. Estou te ouvindo. Você estava falando uma coisa, desculpa te interromper. Você lembra? Não é?

Coaracy Nunes: [39:15] Não, nem lembro. Vai falando aí.

Eron Falbo: [39:18] Não, tudo bem. O que eu estava falando agora também deu branco. Mas cara, é isso. Tipo assim, yoga eu acho que é uma coisa que pode ajudar muito as pessoas a se centrarem um pouco. É importante saber que yoga não é só uma coisa que te acalma, é uma coisa que também pode te colocar na excitação que você precisa para ter coragem de sair de casa.

Coaracy Nunes: [39:42] Com certeza. O grande lance da prática de yoga é essa coisa que a yoga fala assim: não basta você ter o corpo físico, a coisa que mais aparece no Instagram, essas posturas de yoga que são espetaculares também, assim. Mas é o seu corpo físico, é como você respira, é como você pensa, quais são os livros que você lê, é como você controla os pensamentos, inclusive pensamentos de depressão, que a gente tá falando aqui, e também se você tem um caminho espiritual seu, entendeu? Então, a saúde, ela passa pelo físico, pelo energético, pelo mental, pelo meditativo, pelo espiritual. Ou seja, dá trabalho para ser feliz. Não é uma coisa que vai ser...

Eron Falbo: [40:29] Tem que dar uma estudada.

Coaracy Nunes: [40:30] ...Assim, de bobeira. Você vai ver que é uma coisa muito intensa, ou seja, não é só comer bem, não é só cantar o mantra om, entendeu? A coisa é mais fundamentalmente: quando você descobre o seu caminho espiritual, você também descobre aquilo que a gente estava falando aqui, que é o seu propósito de vida, o seu Dharma, aquilo que você quer fazer daqui por diante. Então, isso não diz respeito a que religião você é.

Eron Falbo: [41:00] Você pode ser de qualquer uma. Ou nenhuma.

Coaracy Nunes: [41:05] É muito legal isso. É um método que você segue como se fosse uma receita de bolo. Você vai fazendo e vai te dando energia física, clareza mental e também vai te apontando o lado espiritual.

Formação em Nova York e substâncias (41:22)

Eron Falbo: [41:22] É só uma curiosidade... Uma curiosidade, Coaracy. Eu confundi curiosidade com Coaracy. Quase que eu falei 'quarecidade', alguma coisa assim. O seu doutorado é em quê mesmo?

Coaracy Nunes: [41:36] Em educação e tecnologia pela NYU, New York University.

Eron Falbo: [41:40] Ah, que maravilha, hein? NYU é muito bom, lá em Manhattan, né?

Coaracy Nunes: [41:47] Em Manhattan, ali na Broadway, um espetáculo. Foi lá que me apaixonei pelo yoga também. Eu só estudava e fazia yoga, era o que dava tempo.

Eron Falbo: [41:57] E você morava onde lá em Nova York?

Coaracy Nunes: [41:59] Eu morava no West Village, no Bank Street, entre Washington e Greenwich. Eu, brincando, sei que é uma piada politicamente incorreta, eu falava que eu era o último homem heterossexual do West Village.

Eron Falbo: [42:12] Ah, você é heterossexual, o que foi?

Coaracy Nunes: [42:15] Mas, assim, adoro, sei lá, vou lá e falo para as pessoas que eu não fumo, não uso drogas, não bebo álcool.

Eron Falbo: [42:21] Pô, faz tempo que eu não conheço um heterossexual. Mas você também não bebe?

Coaracy Nunes: [42:30] Eu não fumo, não bebo, não uso drogas.

Eron Falbo: [42:32] Não bebe? Pô, eu ia te convidar para tomar um vinho, pô, eu podia beber. Você está no Rio de Janeiro?

Coaracy Nunes: [42:37] Eu bebo socialmente, eu bebo. Mas, assim, a questão toda é que...

Eron Falbo: [42:40] Eu adoro Nova York.

Coaracy Nunes: [42:41] Eu sou viciado na cidade de Nova York. Eu vou lá e eu adoro.

Eron Falbo: [42:45] E nenhuma droga, nem ayahuasca? Essas coisas você não usa, não?

Coaracy Nunes: [42:49] O que a ioga fala é que qualquer coisa externa é desnecessária. Você já tem uma droga super...

Eron Falbo: [42:57] Não, mas é desnecessária, Paula. Sexo também é desnecessário, mas eu gosto. É desnecessário, tipo...

Coaracy Nunes: [43:04] O que a gente fala é que você já tem uma droga criada na glândula glial chamada DMT.

Eron Falbo: [43:10] Claro, claro. Dimetiltriptamina. Já é droga suficiente. Eu, inclusive, recomendo isso. Mas o lance que eu gosto de Ayahuasca é que muita gente, muita gente não, todo mundo praticamente, a não ser que você seja um iogue, assim, pra praticar certas coisas espirituais, é muito difícil você acessar a DMT inicialmente, sem você ter alguma espécie de prática muito intensa. Então o que eu gosto, eu acho, é que te leva para um nível, tipo assim, te abre uma... É tipo turismo, sacou? Se você quer aprender sobre o ser humano, não adianta ir para a China. Você não vai aprender porra nenhuma só ficar no hotel cinco estrelas em Xangai. Você vai comprar a bolsa Louis Vuitton, sacou, e vai voltar para o Brasil. Agora, se você for tipo Marco Polo e ir lá ficar com o Kublai Khan durante anos, aí você vai aprender uma coisa sobre o ser humano. Então, assim, ao mesmo tempo, se você for para a China, ao menos você vai ver que existe gente que come barata, pra você poder sair um pouquinho da sua bolha. Então você não vai se iluminar com essa trip, com essa viagem, mas vai abrir a cabeça um pouco.

Coaracy Nunes: [44:26] Deixa eu te falar um pouquinho sobre a Ayahuasca. Primeiro, a ioga fala a questão externa. A segunda questão também é que depende da pessoa.

Eron Falbo: [44:37] Claro.

Coaracy Nunes: [44:38] Tem pessoas que a gente chama de Vata. Vata é a pessoa mais magrinha, mais nervosa, assim. Ela é levada pela Ayahuasca de uma maneira que uma pessoa, por exemplo, que é mais gordinha, mais Kapha, ela não é, tá entendendo? O efeito da Ayahuasca ou de qualquer droga em pessoas é diferente.

Eron Falbo: [44:56] Sim, claro.

Coaracy Nunes: [44:57] Então, para algumas pessoas, pode ser que o efeito não seja tão ruim. Mas para outras pessoas, pode ser que o efeito seja, desculpa a sinceridade, eu conheço uma pessoa que tomou a Ayahuasca.

Eron Falbo: [45:08] Ah, eu sei, eu sei. Eu falei isso ontem, tem um documentário que fala, cara, tem o lado negro e o lado, vamos dizer, positivo de praticamente tudo nesse cosmos, né? Até yoga, desculpa dizer, existe a seita de Krama, né? Existem várias seitas de yoga assim que, pô, não só por causa das seitas, mas por prática em si, se mal feito, se mal usado, você pode estragar seu corpo, etc. O que eu quero dizer é tipo, cara, primeiro, disclaimer: não é para todo mundo mesmo a Ayahuasca, então eu não quero que ninguém ouça a gente falando... Porra, o Eron falou que é para usar... Não, cara, é só para entender que existe o lado positivo e que, porra, se você estiver com a pessoa certa e com o guia certo... Não é uma coisa de yoga, by the way, né? É muito importante para você não perder seu tempo, você está com os guias certos. E até eu queria te perguntar um pouco da sua linhagem, que isso pra mim é super importante, porque eu quero voltar a fazer mais yoga, mais intenso, só que eu quero me conectar com alguém, entendeu? De repente é você... Aí eu queria saber um pouquinho do seu background, entendeu?

Linhagem e técnicas de yoga (45:51)

Coaracy Nunes: [46:19] Aí, então, o meu background é bem amplo, entendeu? Lá em Nova Iorque, o legal de Nova Iorque é que eu tenho 20 centros de yoga lá que eu vou. Então, são várias linhas, umas linhas são mais chegadas à respiração, outras são mais chegadas à prática mais intensa, mais forte, outras são mais chegadas a ler livros, enfim. O que a gente fala aqui é que, no final das contas, todo tipo de yoga é baseado nos mesmos livros, tá, Eron? Então, se quiser, até te mando, eles estão disponíveis em PDF de graça, o Yoga Sutras, o Bhagavad Gita, o Gheranda Samhita, Shiva Samhita. E aí os bons professores fazem uso dessas técnicas, que foram criadas por mim, de uma maneira legal de levar nesse caminho espiritual. A gente está aqui há 15 anos em Ipanema, o sol gosta, a gente usa música nas nossas aulas, a gente tem pessoas de todas as religiões aqui, tem católicos, judeus, budistas, gente que não acredita em nada. Então, o que é trabalhado aqui é essa questão da felicidade completa, ou seja, você tem que ter um corpo saudável, você tem que saber respirar, saber também controlar os seus pensamentos, saber relaxar o corpo, que é uma arte por si própria, você tá entendendo? Então é muito legal isso, então vale a pena. Mas, em termos de linhagem...

Eron Falbo: [47:41] Das seitas de yoga, essas diferentes denominações, ou De Rose, ou coisas do tipo, você tem alguma escolha específica ou você é meio que estudioso de diferentes?

Coaracy Nunes: [47:53] Eu acredito muito que você tem que ter uma visão ampla de prática de yoga. Abrindo o jogo com você, vou só te dar o meu ponto de vista. Então, as técnicas de ásanas, das posturas, não foram criadas por ninguém. Não foi criado pelo De Rose, nem foi criado pelo Hermógenes, nem foi criado por mim, nem por ninguém.

Eron Falbo: [48:19] Foi criado por Shiva. Hã? Foi criado por Shiva.

Coaracy Nunes: [48:24] Foi criado por Shiva, porque muita gente... O que acontece? Coloca o nome deles ao lado da palavra yoga, tipo Bikram Yoga, o fulaninho yoga.

Eron Falbo: [48:32] Sim, sim.

Coaracy Nunes: [48:33] O que é um egocentrismo enorme, de uma coisa que tem mais de 5.000 anos, você tá entendendo? Então a prática de yoga, tem muita gente fazendo marketing, né? Ah, eu tenho o super yoga, eu tenho um sei lá yoga, x, y, z yoga, quando na verdade a prática de yoga está escrita nesses livros que ninguém sabe quem escreveu e você, o professor, seguindo os princípios da prática de yoga. O princípio máximo da prática de yoga, se você aprender uma coisa hoje, o princípio máximo da prática de yoga chama-se não violência. Ou seja, se você, antes de conversar com alguém, antes de você tomar qualquer decisão, você pensar assim: eu vou ser uma pessoa não violenta. Entendeu? Numa discussão com uma pessoa, como você vai escolher a sua comida... E mesmo.

Eron Falbo: [49:22] Que você tiver que matar a pessoa, isso que eu sempre falo, você não precisa julgar, nem se irritar, nem ser violento para matar uma pessoa. Se a pessoa precisa morrer, mata. É aquela coisa do Arjuna. O que eu quero dizer é para não contradizer o nosso discurso no início. Violência não é uma coisa que precisa existir.

Coaracy Nunes: [49:43] A ideia toda é meio por aí. Você tem esse princípio grande, que é da não violência, e depois você tem essas grandes técnicas, que são as técnicas físicas, dos ásanas, das posturas, que são as técnicas de respiração também. Existem técnicas também que você usa para concentrar a sua energia, por exemplo, juntando os dedinhos das mãos, juntando os mudrás. Você tem também os bandhas que você ativa. Então, tem uma série de técnicas da prática de yoga que ensina você a controlar a sua energia e, controlando a sua energia, você estabiliza ela, a mente fica mais clara e aí fica mais fácil você tomar decisões equilibradas, tá entendendo o que eu tô falando assim?

Eron Falbo: [50:28] Sim, claro.

Coaracy Nunes: [50:29] Então, é um método que não foi criado por ninguém, nem por mim, e como você falou, por Shiva, né? E que hoje ele tá sendo contemporaneamente, espetacularmente jogado aqui.

Eron Falbo: [50:41] Ah, legal. E pra gente visitar o Mizinho, porque tá acabando o nosso tempo, só pra gente poder ter as coordenadas de como chegar aí, aonde te encontrar e tudo mais, pra gente não deixar de falar essas coisas.

Despedida e endereço do estúdio (50:54)

Coaracy Nunes: [50:54] Eu adoraria conversar com você pessoalmente. Adorei a conversa. Estou muito feliz com a conversa.

Eron Falbo: [51:02] Eu também, estou muito satisfeito.

Coaracy Nunes: [51:03] A gente fica aqui em Ipanema, na Rua Joana Angélica, 116, em frente à praça do Museu da Paz, onde a gente já me trouxe, do Posto Norte. Eu estou aqui praticamente o dia inteiro, de manhã até a noite. Se você botar Yoga Ipanema no Google, tem o Museu de Yoga Inglês que aparece lá em cima.

Eron Falbo: [51:18] E você mora aí perto também?

Coaracy Nunes: [51:20] Eu moro aqui perto. A gente está aguardando com muita ansiedade a abertura do Talho Capixaba aqui na praça, mas essa é uma outra história. Enfim, estamos de olho.

Eron Falbo: [51:32] Vou te convidar, você e o Maurício, para vir aqui em casa tomar um vinho, conversar sobre tudo.

Coaracy Nunes: [51:36] Vamos conversar, eu topo. Vamos fazer coisa junto. Eu sou muito otimista, as pessoas me chamam de Poliana. Está vindo uma onda nova de que as pessoas estão de saco cheio de ficar em casa e elas querem fazer coisas de uma maneira legal, responsável, bom senso. Pode jogar nessa, pode ser uma coisa legal.

Eron Falbo: [51:58] Vamos organizar festinhas responsáveis. Foi maravilhoso, muito inspirador. É um alívio conversar com você, porque você é realmente muito esclarecido. Ao mesmo tempo, você não estava falando nada exagerado, tudo foi comedido, racional, do bem, entendeu? Então, namastê pra você. Muito obrigado, obrigado por tudo aí. Obrigado por aceitar o convite. E vamos nos manter em contato, com certeza.

Coaracy Nunes: [52:36] Tá legal, um abraço, querido. Obrigado a todo mundo que participou e que tá ouvindo a gente aqui.

Eron Falbo: [52:41] Valeu, valeu, gente. Beijão pra todos, tudo de bom.

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