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#77 Arte, psicodélicos e família

com João Suplicy · 15 de mar de 2021

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura e apresentação de João Suplicy (0:00)

Eron Falbo: [0:00] Alô, alô, alô! Como estamos, amigos? Sejam bem-vindos ao No Alvo. Eu sou Eron Falbo. Estamos aqui com João Suplicy, hoje da lendária família Suplicy, de políticos e músicos.

João Suplicy: [0:28] Fala, João!

Eron Falbo: [0:30] Seja bem-vindo, meu querido!

João Suplicy: [0:33] E aí, Eron!

Eron Falbo: [0:35] E aí, João!

João Suplicy: [0:36] Tudo bem?

Eron Falbo: [0:38] Beleza! Estava fazendo um malabarismo aqui. Aconteceu na entrada.

João Suplicy: [0:42] Não, eu estava vendo aqui. Eu tinha atualizado há pouco tempo esse Instagram, agora...

Eron Falbo: [0:48] É, mas é uma pegadinha, só para não funcionar mesmo. É tudo sacanagem, viu?

João Suplicy: [0:54] Legal! Você estava tocando uns Elvis aí, né?

Eron Falbo: [0:59] Eu tava ouvindo suas músicas aqui, você me inspirou essas coisas que você faz no YouTube. A gente tem um gosto muito parecido, parece... não sei se...

João Suplicy: [1:07] Você sabe, falando em Elvis, eu cheguei a lançar um álbum inteiro de sucesso do Elvis em versão de bossa nova, em 2006. Tá no Spotify e tal, quer dizer, em todas as plataformas digitais, né? Tá como "Elvis em Bossa", volume 1 e volume 2. Eu gravei com o produtor Roberto Menescal, que é um papa da Bossa Nova, né?

Eron Falbo: [1:39] Boa, genial, genial! Então deve ser autêntico, pô. Eu ia até perguntar pra você, que você se animou a ter essa coisa, meu amor... Meio gringo, meio americano. Aí depois, quando você foi em carreira, só se abraçou o Brasil total.

Diferenças entre os irmãos Suplicy (1:42)

João Suplicy: [1:54] Ele é mais gringo que eu, digamos assim. É porque, na verdade, ele passou os primeiros anos da vida dele nos Estados Unidos mesmo. Meus pais tiveram ele e foram para os Estados Unidos estudar e fazer mestrado, enfim. E eu nasci e eles já tinham voltado para o Brasil. Então ele é bem mais americano. Ele é mais gringo mesmo.

Eron Falbo: [2:22] Ele é meio gringão, né? Eu nunca entendi essa lógica, porque sua família é super... Tipo, eu não entendi porque eu não acompanhei muito, sei lá. Eu também morei fora a minha vida inteira. Então, tipo assim, o Suplicy pra mim é... Na verdade, vocês, Brothers from Brazil, são música brasileira. Tipo, eu acompanhava outros países que eu tava fora, sei lá. Aí a galera falava, eu via, né? O Supla foi muito memorável com o cabelo dele. Mas eu nunca entendi o porquê. Que eu lembre, minha família... Sou de Brasília. Então a gente se conhece. Acho que o senador Riquião é muito amigo da sua família, não é muito amigo da minha família. Sempre ouvi falar da sua família também. E eu nunca entendi por que você mora tão gringo, porque eu sei que sua família Matarazzo é super brasileira.

João Suplicy: [3:15] Mas tem muito disso, mas musicalmente eu de fato fui muito mais próximo da música brasileira do que ele. Aí no Brothers of Brazil que a gente fez junto foi meio que uma fusão disso, a gente achou um ponto comum entre os dois, que na verdade somos muito distintos, tanto musicalmente como personalidade, mas tem um ponto ali que a gente se encontra, e aí criou o Brothers of Brazil. Foi um projeto muito legal, que eu adorei ter feito com ele. Ficamos oito anos bem focados nisso. Teve programa de TV, muitas viagens, turnês, contrato com uma gravadora em Los Angeles. Muita coisa que a gente fez junto. Mas aí, de uns quatro, cinco anos pra cá, eu senti que eu precisava realmente voltar pro meu trabalho solo, né? Então, aí lancei meu álbum João, tô no autoral, é meio que um reencontro comigo mesmo. Nasceram vários singles, fiz um projeto com uma big band também, que eu curto muito. E continuo produzindo muita coisa solo, mas também tô reencontrando meu irmão pra lançar o material inédito do Brothers of Brazil. Então, tô fazendo tudo.

Brothers of Brazil e carreira solo (3:25)

Eron Falbo: [4:35] E quais são as suas influências? Eu achei a capa do João bem Johnny Cash, a capa do...

Influências musicais e estilo no violão (4:37)

João Suplicy: [4:42] É uma influência assumida essa aí, na capa. Mais ali na capa, na estética até, do que musicalmente. Eu curto Johnny Cash, mas nunca foi uma coisa que eu ouvi muito. Eu tenho influências outras muito mais presentes e muito diversas, tanto internacionais como nacionais. Minha maior influência na música, a razão de eu ser músico mesmo, é Beatles. Isso não posso...

Eron Falbo: [5:10] Eu não posso negar.

João Suplicy: [5:11] Sou um Beatlemaníaco de carteirinha. Agora, eu mergulhei muito em alguns trabalhos, principalmente em alguns violonistas e guitarristas, sabe, que acabaram sendo essenciais para eu criar o meu jeito de tocar. Então, uma época eu mergulhei muito no João Bosco, naquele violão dele. Ah, muito bom. Tirando aquelas músicas, na época não tinha...

Eron Falbo: [5:40] Falando nisso, você é muito bom violonista, cara. Tipo, eu fiquei impressionado. Você tem uma fluidez, você toca todo tipo de coisa. Tipo, o acorde junto com o dedilhado, junto com o solo, acho que é raro isso. Normalmente alguém vai pra algum lado, né? Tipo, ou fica mais no violão, no ritmozinho, ou faz solo, né? Com... Como chama? Escalas, né? Aí você faz uma nova mescla, uma coisa bem, sei lá, Mississippi John Hurt, essa galera do blues.

João Suplicy: [6:13] Eu acabei misturando muitas influências do blues, inclusive, tipo como Stevie Ray Vaughan, Hendrix, com grandes violonistas brasileiros, como João Bosco, Baden Powell, o mesmo Gilberto Gil, aquela escola, né? E aí eu acabei criando pra mim um jeito de tocar violão mesmo, de nylon, que é meio guitarrístico, né?

Eron Falbo: [6:41] É, eu vi. Você fazia, lá no Brasil, você fazia uns solos com violão e você mudava lá no pedal, né? Fazia um solo que parecia uma guitarrona mesmo.

João Suplicy: [6:50] É, eu uso os pedais no violão elétrico. Eu uso bastante, principalmente a distorção, mas uso outros também, né? Mas aí, de repente, o violão vira uma... Parece uma guitarra, mas também é uma guitarra meio vintage, assim, né?

Eron Falbo: [7:07] É fera, fera, porra! É bem único. Você tem uma parada única no seu estilo geral, assim, bem... É realmente diferente do seu irmão. Mas lá no começo do Brothers from Brazil, eu peguei uma parada meio rockabilly, assim, uma vibe rockabilly. Você tem isso? O topete, o chapéu. Ela tá usando chapéu porque eu achei que você ia usar chapéu, sacou? Eu nunca uso chapéu.

João Suplicy: [7:29] Normalmente eu uso. Mas agora eu tô sem, mas tá lá, tá?

Eron Falbo: [7:33] Eu tô abandonado aqui.

João Suplicy: [7:34] Tá sempre com o chapéuzinho perto.

Eron Falbo: [7:39] Mas você tem uma parada rockabilly também ou não?

João Suplicy: [7:43] Cara, tem uma influência assim de Stray Cats também, né? Do próprio Elvis, que a gente falou, que tem também uma... É que dialoga também com essa coisa do rockabilly, né? Mas eu nunca fui, eu nunca me considero... Eu, na verdade, cara, eu não me enquadro, eu não me vejo dentro de nenhum estilo segmentado assim, entendeu? Eu não me vejo como... Identidade de grupo. Não me vejo como rockeiro, não me vejo como...

Eron Falbo: [8:11] Eu também não, nós estamos juntos nisso.

João Suplicy: [8:13] Eu não me vejo como forrozeiro, mas eu toco tudo isso e misturo isso, entendeu? E... E até por conta disso, o meu próximo álbum, já dando um spoiler aqui, que é um projeto que eu já... Eu venho falando dele desde o começo da pandemia, aí foi adiando, adiando, e eu ainda não vou lançar, mas eu posso dar um spoiler porque o álbum vai chamar o que o... O meu rótulo, enfim, entendeu?

Novo álbum Sun Blues anunciado (8:21)

Eron Falbo: [8:46] Ah, é o rótulo?

João Suplicy: [8:48] É o Sun Blues.

Eron Falbo: [8:50] Sunblues?

João Suplicy: [8:51] Sunblues, que é meio que o que eu faço mesmo, a mistura não é nem só de samba e de blues, mas aí eu foquei nisso, então fica como um... Vai ser o nome do álbum, o nome do projeto, mas ainda não vou lançar ele agora, eu ainda tenho... Eu lancei um single agora que, enfim, é um shot, nem caberia nesse álbum, esse álbum ele é mais focado nessa fusão mesmo, no samba com blues, digamos assim. Mas antes ainda tem coisas pra lançar,.

Raízes históricas do samba e do blues (9:24)

Eron Falbo: [9:26] Tipo, o próprio Brothers... Pô, fera demais, CDR, cara. É assim, pra dar uma explorada, assim, historicamente na música, que eu gosto muito dessa parada de tipo, de onde veio as coisas, né? Tipo, quem influenciou quem. Antigamente eu era musicólogo, assim, amador, óbvio, né? Que nem qualquer charlatão. Eu sou um charlatão, assim, tudo eu for meio especial e... Mas eu era musicólogo charlatão e eu entrava muito a fundo, pelo menos nas coisas que eu gostava. E blues e samba, por exemplo, eram coisas que eu gostava bastante. E assim, o samba, tanto quanto o blues, era música de... Escravos, de ex-escravos, escravos que desenvolveram essa fusão de uma música folclórica local com a música africana. E do samba nasceu o bossa nova, que é a versão sofisticada do samba, vamos dizer, e do blues nasceu o jazz, que é a versão sofisticada do blusa, todo esse colchão, esse back de moda.

João Suplicy: [10:30] A grosso modo é isso mesmo, e sabe que tem muita coisa interessante nisso, que eu fui descobrindo ao me interessar por esse tema. De fato, O samba e o blues, eles são muito diferentes musicalmente. O samba é muito mais sincopado, mais ritmado. O blues, a harmonia, é tudo muito diferente. E eu fiquei pensando, mas por que será que é tão diferente? Será que foram de diferentes regiões da África que vieram?

Eron Falbo: [11:04] Minha teoria sobre isso é que eu acho que o... Vamos ter os negros americanos, eu acho que eles já estavam mais estabelecidos na época que surgiam as gravações e tudo mais. Os membros americanos já estavam mais... Primeiro que já estavam emancipados há mais tempo. Especialmente no norte dos Estados Unidos, eles já integravam a sociedade. Então acho que eles tinham mais influência de música folclórica irlandesa, inglesa, entendeu? Então eles tinham mais uma coisa menos africana e mais instrumental. Essa é a minha visão. Eu acho que o samba era mais o rootsão africano, porque os negros brasileiros, a emancipação dos negros foi bem depois, foi em 1888, e dos Estados Unidos foi em 1860 e poucos, teve a Guerra Civil e tudo mais, então teve mais tempo, acho que teve mais tempo de integração na sociedade.

João Suplicy: [12:01] Pode ter havido isso também, mas eu vou te dar um outro dado bem interessante e que acho que certamente diz muito sobre essa questão. Porque na primeira metade ainda do século XVIII, teve uma rebelião muito violenta na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, dos negros, e mataram o mundo branco e tal. Foi muito forte, só que acabaram vencidos. Acabaram vencidos e aí veio uma retaliação violentíssima com várias regras novas mais rígidas tal e uma dessas novas leis é que eles não poderiam não podiam mais batucar de forma nenhuma e essa lei se espalhou para os Estados Unidos todo e durou mais um século até a guerra civil então quer dizer eles foram.

Eron Falbo: [13:04] Eu não sabia dessa parada nunca Pois.

João Suplicy: [13:06] É, eles foram de fato proibidos de batucar por mais de um século. Aqui no Brasil a batucada era perseguida, mas não era uma coisa tão... Porque.

Eron Falbo: [13:16] Isso foi feito em muitas culturas, que tiram, como se fosse... O Império Romano fez isso com o povo judeu, quando dominou a Judeia, que não podia circuncisar. Quando você tira uma coisa, você tira a identidade, você tira uma coisa que é forte, você castra a cultura do povo.

João Suplicy: [13:38] É uma coisa muito violenta. Mas, dessa violência, eles acabaram criando uma outra forma de expressão. Onde eles podiam se encontrar com certa liberdade era nas igrejas. Começaram a criar aqueles cantos maravilhosos. Ou nas plantações de algodão. Então criaram uma outra...

Eron Falbo: [13:58] Sabe o Lead Belly dos anos 40? Aquela época, Woody Guthrie, Lead Belly, o começo do folk. Mas ele tá cantando a justa música de campo, de catar algodão. Sabe?

João Suplicy: [14:27] Ah, sim.

Eron Falbo: [14:28] Também.

João Suplicy: [14:35] São os cantos que chamam de spirituals, que depois deram origem ao blues e tal. Mas, enfim, são curiosidades da história. Na verdade, o que me move é a paixão pela música. E essa fusão desses dois estilos eu já faço há muito tempo, no meu jeito de tocar mesmo. Mas isso ainda é só um spoiler: ainda não estou lançando isso, mas, na verdade, eu já faço isso.

Eron Falbo: [15:07] Não estou ligado. Seu estilo, apesar de você ter uma versatilidade grande, ao mesmo tempo dá para ver que você gosta de... Eu não consigo, mesmo com isso, dar nome para isso, mas dá para ver o que é: você gosta de uma coisa ali no meio da interseção de todas essas coisas. E você tá com o coco aí, não? Você tá tomando coco também?

João Suplicy: [15:30] Ih, cara, esqueci, deixa eu pegar lá. Peraí, esqueci que tinha essa tradição.

Eron Falbo: [15:36] Preocupa não, preocupa não.

João Suplicy: [15:40] Só que é o coco de caixinha.

Eron Falbo: [15:45] É o Quero Coco, qual é que é o nome?

João Suplicy: [15:47] É o que temos, esse aqui é o Puro Coco.

Eron Falbo: [15:51] Eu consegui um aqui. Eu fui lá, fui comprar.

João Suplicy: [15:55] Não, tá aqui. Eu não vou mostrar a caixinha não, só no copo mesmo.

Eron Falbo: [16:01] Mas você não bebe álcool não, cara?

João Suplicy: [16:05] Bebo, bebo, bebo. Só que se eu bebo assim antes de jantar, aí depois do jantar eu já tô inútil.

Eron Falbo: [16:14] Ele também não janta muito bem, né? Quando começa a beber, eu perco o apetite muito rápido. Já era, o jantar já era. Mas o que você gosta de beber em termos de álcool?

João Suplicy: [16:26] Eu gosto de tomar um vinho.

Eron Falbo: [16:28] John Bean?

João Suplicy: [16:30] Vinho, vinho. Ah, vinho.

Eron Falbo: [16:32] Ah não, é Jim Bean, o whisky.

João Suplicy: [16:35] Não, não.

Eron Falbo: [16:36] Então eu gosto de tomar um vinho, pode ser.

João Suplicy: [16:38] Minha bebida que eu mais gosto, acho que é um vinho, tipo, normalmente vinho tinto, assim. Você bebe os queijinhos junto também, show.

Eron Falbo: [16:47] Um grano padrano, vinhozinho tinto.

João Suplicy: [16:51] É que eu gosto muito de um licor que chama Amarula, sabe? É um africano.

Eron Falbo: [16:55] Eu gosto também bastante. O meu favorito é o Quatroma, mas.

Vida no Rio e canto com o pai (16:56)

João Suplicy: [16:58] O Amarula é muito bom também.

Eron Falbo: [17:01] Você mora no Rio ou não, cara? Não, eu moro em São Paulo.

João Suplicy: [17:04] Eu morei no Rio há muito tempo. Catorze anos da minha vida eu morei no Rio.

Eron Falbo: [17:10] E é isso, como é que foi pro Rio pra você? Você mora com o seu irmão ou sozinho?

João Suplicy: [17:16] No Rio, não, eu morei sozinho, morei com a Maria Paula, com quem fui casado. Morei uns anos com minha tia também. Eu morei duas vezes no Rio: um período de sete anos e depois outro de sete anos.

Eron Falbo: [17:30] Eu estava tentando imaginar seu irmão no Rio. Acho que nunca veriam a mãe.

João Suplicy: [17:35] Meu irmão no Rio? Não, não quero ver.

Eron Falbo: [17:37] Acho que o Rio é meio jet set. É muito urbano. Mas a onda dele é mais punk, né?

João Suplicy: [17:51] É, ele curte bastante essa cultura aí.

Eron Falbo: [17:57] Cara, eu achei muito bonito, eu estava pesquisando as suas músicas. Achei muito bonito você cantando com seu pai, Father and Son, cara.

João Suplicy: [18:04] Ah, legal.

Eron Falbo: [18:05] É que era uma das músicas favoritas do meu pai. Ele faleceu recentemente, então... Aí, pô, seu pai cantando, muito lindo, cara, muito bonito. E ele se expôs, né? Ele é um político de altíssimo escalão. Se expôs cantando assim, eu achei muito bonito.

João Suplicy: [18:26] Adoro, esse é um dos clássicos dele. A gente canta essa música junto desde que eu tinha dezesseis anos. Lá se vão... faz um tempo.

Eron Falbo: [18:38] É mesmo? Você ainda sabe tocar? Quer tocar um pouquinho?

João Suplicy: [18:42] Ah, sei!

Eron Falbo: [18:44] Você quer fazer... Eu faço o pai e você faz o filho?

João Suplicy: [18:47] Mas não tem o delay? Será que dá?

Eron Falbo: [18:50] Não, não, mas aí o que acontece é que na hora do filme eu paro de notar e você começa.

João Suplicy: [18:54] Ah tá, eu vou fazer o pai e você vai fazer o filho ou ao contrário?

Eron Falbo: [18:59] Não, bom, eu vou fazer a mesma coisa que você fez com o seu pai, mas pode ser o que você quiser, o que você achar melhor.

João Suplicy: [19:04] Ah tá, você faz o pai, vai lá.

Eron Falbo: [19:09] Vamos tentar, eu nunca fiz isso antes. É uma tentativa de transpor as barreiras do Instagram pra ver se dá pra tocar a música junto.

João Suplicy: [19:16] Vai lá, vai lá.

Eron Falbo: [19:18] Então eu vou te botar a letra aqui só pra lembrar.

João Suplicy: [19:20] Você tá no tom original, né?

Eron Falbo: [19:23] É, em sol.

João Suplicy: [19:24] Né? É. Vamos feitar.

Eron Falbo: [19:31] É inédito isso aqui, hein, gente? Eu queria dedicar isso pro meu pai. Que ele descansa em paz. E pro seu também, que foi super gente boa. Eu só vou estragar tudo aqui, peraí. Então, para a fernalha aqui.

João Suplicy: [20:17] Yes. It's not time to make a change. Just relax. It's not time to make a change. Just relax. Take it easy, you're still young That's your fault, there's so much you have to know Find a girl, settle down If you want, you can find a freak to get me I'm old, but I'm happy I was once like you are now And I know that it's not easy to be calm When you found something going on Take your time, think a lot Think of everything you've got Or you will still be here tomorrow But your dreams may not How. Can I try to explain Quando eu faço, ele volta. De novo, é sempre a mesma história. Desde o momento que eu pude falar, eu estava esperando para ouvir. Agora há um caminho, e eu sei, mas eu tenho que ir embora. Eu sei, eu tenho que ir embora. It's not time to make a change Just sit down, take it slow You're still young, that's your fault There's so much you have to go through Find a girl, settle down If you want, you can marry Look at me, I am old, but I'm happy. All the times that I cried Keeping all the things I knew inside It's hard, but it's harder to ignore it They were right, I'll agree But it's them they know, not me Now there's a way And I know what I have to do I know I have to go. Perguntaram o nome da música aqui, é Father and Son.

Eron Falbo: [23:22] Que isso, que maravilha. Obrigadão, João. Obrigado por isso aí. Obrigado por aceitar.

João Suplicy: [23:28] Obrigado. É uma pena que quando a gente divide a live assim, o som não fica tão bom, né? Além de ter o dia...

Eron Falbo: [23:34] É, mas acho que de repente na gravação vai ficar. É difícil saber, cara. Toda vez que eu faço live é uma nova história, a questão do som e como funciona. Às vezes com o headphone é melhor, às vezes não. Mas se Deus quiser vai ficar bom na gravação, porque foi um momento muito especial, cara. Muito obrigado. Que legal, cara. Valeu. Mas e aí, o seu pai canta? Vocês cantam juntos? Como é que é essa situação? Eu vi também vocês cantando Blowin' in the Wind.

João Suplicy: [24:05] É, Blowin' in the Wind é outro clássico dele. Ele tem uns cinco clássicos. A única que não canta é minha mãe, porque o nosso outro irmão do meio também canta, o André. Ele é advogado, mas também canta. Ele tem a voz mais grave.

Eron Falbo: [24:26] Ele não quis entrar no Brothers do Brasil?

Experiência com os Yanomami aos 16 anos (24:27)

João Suplicy: [24:30] É que a gente já era músico há um bom tempo quando fez o Brothers do Brasil, e ele já tava noutra, né?

Eron Falbo: [24:38] Cara, lembra que a gente falou brevemente da sua experiência aos 16 anos indo visitar os Yanomami? E como é que foi isso? Você tinha 16 anos, seu pai te levou lá. O que aconteceu exatamente e como é que te influenciou?

João Suplicy: [25:02] Cara, foi uma experiência bem interessante mesmo. E aí eles estavam tomando, aspirando, né, o Yakuan. Não sei se estou falando certo, mas eles assopravam... era tipo uns tubos, uns canudos compridos de madeira, e eles faziam assim e assopravam dentro do nariz da pessoa. Crianças também, adultos, crianças. E tinha gente que tomava e ficava correndo em círculo, a mil por hora. Cada um fazia a sua viagem. Aí eu falava: vamos experimentar isso aí, né, tamo aí, vamos. Aí eu provei, só que, pô, o negócio é forte, cara. Ele nem veio com tudo, acho que até foi moderado, e mesmo assim eu apaguei, cara. Na verdade, eu apaguei, não lembro da experiência. Tem uma foto minha ali, depois assim, meio que voltando a ser...

Eron Falbo: [26:22] Você não é alucinógeno? Você não lembra de algum trip assim?

João Suplicy: [26:26] Não, não. É verdade que eu apaguei, e lembro do meu pai falando: João, João, temos uma viagem a seguir. Mas viagem mesmo eu tive foi com a ayahuasca, do Santo Daime. Uma vez eu provei e curti bastante. Uma vez.

Viagens de Ayahuasca e insights (26:28)

Eron Falbo: [26:51] Só tomou uma vez?

João Suplicy: [26:52] Só tomei uma vez, mas tomaria de novo, tomaria de novo.

Eron Falbo: [26:56] Ah, bota fé, pô, já tomei mais de cem vezes.

João Suplicy: [26:59] Mais de cem vezes? Uau!

Eron Falbo: [27:04] Mas, pô, como é que foi pra você? Qual a diferença? Porque eu gosto de entrar nessa coisa de, vamos dizer, perspectiva, né? Tipo, depois que você tem uma certa experiência, é como é que você vê o mundo depois, entendeu? Como foi pra você?

João Suplicy: [27:19] O Daime? Cara, na viagem ali eu tive várias fases. Acredito que pra maioria das pessoas aconteça isso. Pra mim foi bem nítido as fases, porque eu fiquei oito horas direto lá no ritual. Então, tem uma fase que eu senti frio, outra que eu tive insights, teve uma outra... Quase que foi alucinógeno, de ver coisa se mexer perto, tive tudo isso. Mas o maior barato mesmo do negócio, acho, são os insights, né, são... quando você entra lá no teu consciente, ali dentro de você...

Eron Falbo: [28:05] Isso é bem lúcido, né? Tipo assim.

João Suplicy: [28:09] Constante, lúcido, te traz uma lucidez. É... e isso eu achei super interessante. E eu, por isso, tenho uma pergunta pra você.

Eron Falbo: [28:21] Uma pergunta assim, que é meio clássica. Foi mais emocional, familiar, ou mais filosófico, abstrato?

João Suplicy: [28:36] Foi meio tudo isso. Como eu falei, teve várias fases, vários momentos. Então, acho que pode cobrir todas essas áreas aí.

Eron Falbo: [28:49] Você fez uma vez, então você deve ser mais vivo. É que eu lembro que as primeiras minhas foram mais filosóficas, e depois eu fui entrando mais em contato com coisas minhas, com coisas emocionais. Eu acho que a gente, quando vai amadurecendo, vai ficando mais velho, a gente vai criando mais casca grossa pra poder enfrentar certas coisas emocionais que a gente põe debaixo do tapete quando a gente é mais novo.

João Suplicy: [29:16] Tem gente que tem medo.

Eron Falbo: [29:20] Quem tem medo. Mas deve ter medo. Na verdade, tem um documentário do Netflix que achei super bonito, porque, ou você vê essas coisas de drogas... ou você vê apologistas, ou você vê, sei lá, acusadores, pessoas que estão tentando denunciar, de um lado ou outro. Mas tem um documentário da Netflix muito bom que fala sobre os dois lados, fala sobre muita gente que salvou a vida com a ayahuasca, literalmente. Tinha gente assim... Tem uma mulher que foi entrevistada lá que perdeu, acho, o marido e dois filhos. Foi uma tragédia, sabe, daquelas impossíveis de recuperar. E eu acho que ela conseguiu encontrar uma certa paz, uma certa conexão. Não foi uma coisa tipo hippie de esquecer, ela ficou madura, dá pra ver nela. Mas, ao mesmo tempo, lá no documentário fala dos problemas sérios que tem. Existem pessoas que tiveram convulsões, que foram mal cuidadas. Então, assim, não é simples. Eu não diria... Não recomendaria pra qualquer um, é bom ir pra algum centro que saiba o que está fazendo. Eu recomendo pra todo mundo, na verdade, mas eu digo assim, mas com cautela. Você tem que se conhecer bem, você não pode estar num momento assim de muita fragilidade, não pode estar num momento... Você tem que ver, tem certas coisas, tem condições mentais que não combinam bem, né?

João Suplicy: [31:08] É bom estar acompanhado de alguém que você confie também, né? Acontece alguma coisa...

Eron Falbo: [31:14] Com certeza. É isso mesmo. É o lugar que está bem equipado.

João Suplicy: [31:20] Oi? Oi? Eu tomei isso faz uns 10 anos, foi na Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso.

Eron Falbo: [31:27] Eu acho que a primeira vez que eu tomei foi lá também. Eu sou de Brasília, eu cresci em Brasília.

João Suplicy: [31:31] Ah, sim, você é de Brasília. Mas você está onde agora?

Eron Falbo: [31:35] Estou no Rio de Janeiro.

João Suplicy: [31:36] Rio de Janeiro.

Eron Falbo: [31:37] Apesar do calor, eu estava tentando entrar no seu estilo só, pô.

João Suplicy: [31:42] Mas você deve estar com o ar condicionado aí, imagina.

Eron Falbo: [31:45] Não estou com o ar condicionado não, mas é alguma condição.

João Suplicy: [31:51] Até aqui em São Paulo está calor.

Clipe Intimidade e criatividade na pandemia (31:54)

Eron Falbo: [31:54] Você gosta muito do Chapada, não? Porque o clipe do Intimidade foi lá também.

João Suplicy: [31:58] Sim. Eu tenho dois filhos com a Maria Paula que moravam no Rio. A gente morava no Rio quando era casado. E a Maria Paula se mudou para Brasília, porque ela é de Brasília. Ela se mudou para lá com eles. Então, eu vou muito para lá para visitá-los. E aí, no meio da quarentena, ano passado, eu fui até lá de carro, eu e a Lígia, minha namorada, e aí fizemos o vídeo lá e ficamos lá na casa com a Maria Paula.

Eron Falbo: [32:35] A Maria Paula do quê? Qual o sobrenome dela, da Maria Paula?

João Suplicy: [32:39] Maria Paula Fidalgo.

Eron Falbo: [32:41] Fidalgo?

João Suplicy: [32:43] Ah, tá. Ela tem uma fazenda lá.

Eron Falbo: [32:46] O Brasil é meio pequeno, né? Todo mundo meio que se conhece. A Brasília é meio que uma comunidade pequena, mas é bem capaz que as pessoas se conheçam. Então o Chapada é muito bonito, né? Você sempre vai lá?

João Suplicy: [33:01] É lindo, é lindo, é lindo. Eu já fui bastante por conta disso, né? Eu acho muito bonito mesmo. E ter feito o vídeo lá, eu achei muito legal, cara. Aquele visual todo, né? Quem não conferiu ainda, eu recomendo que veja. É o meu single mais recente, chama Intimidade. Além de estar nas plataformas digitais, tem esse videoclipe feito na Chapada dos Veadeiros.

Eron Falbo: [33:29] Eron Falbo: E esse videoclipe você fez agora na pandemia? Ou já tinha feito antes?

João Suplicy: [33:34] João Suplicy: Não, foi quando a gente foi lá visitar meus filhos, e fizemos o vídeo lá também.

Eron Falbo: [33:42] Eron Falbo: Ah, fera, fera!

João Suplicy: [33:44] João Suplicy: Foi ainda depois do ano passado, só que a música só saiu agora, faz umas três semanas, três ou quatro semanas.

Eron Falbo: [33:51] Eron Falbo: Estou vendo muita gente fazendo muita coisa criativa na pandemia, fazendo vídeos de uma maneira... pô, isso é um lado bom, né? Tipo, a gente tá tendo que ser mais criativo pra tirar uma...

João Suplicy: [34:02] João Suplicy: Na dificuldade se usa a criatividade, né?

Eron Falbo: [34:06] Eron Falbo: Nossa, o vídeo é ótimo, pô, super, flui super bem, a música é ótima. Você gravou a música também a distância, com os músicos?

João Suplicy: [34:17] João Suplicy: Totalmente a distância.

Eron Falbo: [34:19] Eron Falbo: Vou botar um negócio mais perto aí, que a senhora não está me ouvindo bem.

João Suplicy: [34:23] João Suplicy: Foi totalmente a distância. Não encontrei ninguém para gravar.

Eron Falbo: [34:27] Eron Falbo: Pois é, a galera está fazendo isso mesmo. É legal. A gente vai aprendendo novas formas. Espero que a gente volte logo às atividades normais, mas é bom: a gente vai levar essas coisas que a gente aprendeu. A criatividade, a capacidade de fazer live, a capacidade de trabalhar à distância.

João Suplicy: [34:45] João Suplicy: Sim. Muita coisa... Esse mundo virtual acelerou muito, se adiantou muito com essa pandemia. Todo mundo teve que recorrer a isso, aprender a usar isso. Eu mesmo evoluí bastante nessa área e ainda tenho muito a aprender nisso também. Não tenho muita facilidade com tecnologia, não, mas tem que... Se não tiver isso, não tem nada hoje.

Eron Falbo: [35:13] Eron Falbo: Então... e vai ser mais e mais, né, cara. Então a gente tem que realmente abraçar essa parada. E também tem muita coisa que dá pra fazer legal. Tipo assim, essas paradas de lives que a gente tá fazendo, é uma... assim, pessoas que talvez nunca... Tipo assim, eu comecei um podcast na pandemia, que é isso que a gente tá fazendo agora, e eu nunca teria começado. Assim, pra começar um podcast, você teria que fazer um estúdio e chamar as pessoas. E agora estou tendo acesso a pessoas como você através de amigos, que a gente está tendo essa oportunidade de fazer o que a gente está fazendo. Senão era bem improvável que chegasse a esse momento. Essa música que a gente gravou agora na loucura, depois a gente vai ver se ficou aceitável, mas é uma coisa inovadora.

João Suplicy: [36:05] João Suplicy: Legal. A Sueli que viu o videoclipe... de intimidade.

Redes sociais e próximos lançamentos (36:11)

Eron Falbo: [36:11] Ah, legal. Recomendo todos a ver. Já tá no YouTube, né? Acho que eu vi no YouTube.

João Suplicy: [36:14] Sim, sim.

Eron Falbo: [36:16] E você tem site? Se quiser falar seus credenciais, seus endereços.

João Suplicy: [36:22] Recomendo principalmente o Instagram mesmo, que eu tô aqui já com ele, né? Que é João Suplicy. O meu Facebook também é João Suplicy. E o meu canal do YouTube, que é youtube.com.br, João Suplicy TV. E lá tem todos os vídeos e tal, e nas plataformas digitais também, que tem as músicas, né? No Spotify, no Deezer, tá tudo com o meu nome mesmo, os lançamentos, os singles, escutem.

Eron Falbo: [36:51] Lá, e tá por vir aí um.

João Suplicy: [36:53] Sun Blues, né? Mas antes do Sun Blues, ainda vou lançar um EP do Brothers of Brasil com cinco músicas.

Eron Falbo: [37:01] Ah, vai ser antes ainda?

João Suplicy: [37:03] Vai ser antes, vai ser agora, logo.

Eron Falbo: [37:04] Ah, já tá pronto.

João Suplicy: [37:08] Vou lançar dois singles meus que não são parte do Sun Blues também.

Eron Falbo: [37:15] E também já estão prontos? Já tem nome?

João Suplicy: [37:18] Singles? Já! São hits? Um é uma música que chama Repare na Verdade, que eu cheguei a lançar ela já em 2006, é... no 2004, no meu CD caseiro. Só que eu fiz um arranjo com a Big Band na Gaveta. Não fui eu que escrevi o arranjo, mas gravei com a Big Band na Gaveta, que fez um arranjo fantástico. E ainda não tinha lançado essa música. Então eu vou lançar agora, antes do Sun Blues. E vou lançar também uma música que é uma fábula, é da Rã e do Escorpião. Não sei se você já ouviu falar dessa fábula.

Eron Falbo: [37:53] Pra quem, Escorpião?

João Suplicy: [37:54] A fábula da Rã e do Escorpião.

Eron Falbo: [37:58] Ah, da Rã e do Escorpião.

João Suplicy: [37:59] É uma fábula antiga.

Eron Falbo: [38:01] Não, acho que eu sei qual que é. Esopo, provavelmente, né? Do escorpião que... bom, não quero estragar.

João Suplicy: [38:08] Não, eu vou te contar. A música conta do jeito dela, né? Mas a fábula, resumindo rápido, é que a rã ia atravessar o rio e o escorpião pediu uma carona, porque ele não sabia nadar. Aí a rã falou: pô, mas você vai me dar uma ferroada, né? Se é escorpião, dá ferroada. Mas se eu te der uma ferroada, você vai afundar e eu vou junto. Daí a rã falou: então tá, então vamos. Daí chegou no meio do caminho, o escorpião ferroou. Daí a rã: pô, mas a gente vai morrer, você falou que não ia. Daí o escorpião: é, mas é da minha natureza, não tem jeito. E essa é a fábula da rã e do escorpião. E eu musiquei, fiz uma música contando essa fábula, junto com o parceiro João Pelegrino, já faz uns 20 anos, e nunca lancei. Acho que é muito legal, gravei agora e vou aproveitar para lançar, porque vou lançar esse EP do Brothers e não quero lançar o Sunblues junto. Então vou lançar esses dois singles, enquanto isso o do Brothers também, depois eu venho com o Sunblues. Esse é o plano, se você puder falar...

Eron Falbo: [39:13] Um pouquinho do seu histórico, porque a gente vê sua família. Eu falei no começo, tanto políticos quanto músicos bem-sucedidos, pessoas que se desenvolveram. Eu estava olhando na Wikipédia e vi que você tem, talvez, um bisavô.

Família Matarazzo e espírito empreendedor (39:14)

João Suplicy: [39:29] Que era o Conde Matarazzo, meu tataravô.

Eron Falbo: [39:36] Tataravô. Eu estava lendo sobre ele, que já era filântropo, já apoiava muito a cultura. Eu queria saber seu testemunho sobre sua família: o que você sabe desse background mais antigo e como isso se desenvolveu?

João Suplicy: [39:54] Foi uma família que... o Matarazzo, o Francisco, de fato, era avô da minha avó. Foi um italiano que veio e criou um império de fábricas e coisas. Até hoje estou procurando esse meu tino comercial, deve estar em algum lugar aqui no DNA, esse tino empresarial, porque a minha cabeça...

Eron Falbo: [40:30] É muito mais... você é mais das artes e nunca teve nada empresarial?

João Suplicy: [40:35] Não, não. Agora que eu estou melhorando um pouco nessa praia, depois dos 40 anos nessa área, mas eu sinto dificuldade.

Eron Falbo: [40:44] E você não está sentindo essa necessidade? Porque nos nossos tempos os artistas estão meio que abandonados, porque não tem mais tanto gravadora, não dá mais apoio, não tem mais aquela coisa.

João Suplicy: [40:55] Tem isso, mas, por outro lado, também é uma coisa mais democratizada, porque qualquer um pode... claro!

Eron Falbo: [41:01] Estou dizendo para você, porque eu mesmo comecei sendo só músico, né? E eu senti essa necessidade, então falei: pô, não vou ficar dependendo. Fui assinado pela Universal Music, ganhei zero dólares da Universal Music. Aí eu falei: pô, não vou viver de glamour, né? Comecei a estudar finanças e fiz faculdade de Music Business na Inglaterra, para poder aprender um pouquinho de business. Mas você não sente esse call? Não estamos num momento histórico em que os artistas precisam começar a ser empreendedores?

João Suplicy: [41:40] Super! Todo artista precisa dessa parte, e é muito difícil ter alguém que faça isso por você. É muito difícil. Você se dá o luxo de só cuidar da parte artística, da música. Você tem que ficar meio atento a tudo. E tem artistas que têm essa veia naturalmente, essa veia mais empresarial, mais estratégica. E eu não tenho muito isso naturalmente, não. É uma coisa que eu peno pra caramba pra fazer. Eu, por mim, passava o dia compondo, tocando, entendeu?

Eron Falbo: [42:17] Por um lado, é bom ser menos corrupto nesse sentido, porque às vezes também, quando o artista vai entrando na coisa comercial, se vende um pouquinho. Eu me vendi bastante quando comecei a aprender a ganhar dinheiro.

João Suplicy: [42:31] O bom é achar um equilíbrio, porque a arte precisa desse lado também.

Eron Falbo: [42:37] A arte precisa. Precisa viabilizar.

João Suplicy: [42:41] Precisa viabilizar, precisa viabilizar.

Eron Falbo: [42:46] Se depender do artista só ficar sonhando, a gente fica tocando igual a toda fogueira até hoje.

João Suplicy: [42:50] Pois é. Não dá. Música não chega nas pessoas, gente. A arte não chega. Precisa ter esse complemento. Às vezes eu lembro que, quando eu morava no Rio, eu falava: não, aqui o Rio é mais artístico que São Paulo, é mais presente. Então são cidades que se completam. É meio exagero, né? É porque o Rio tem muito essa coisa meio solta, né? O pessoal só fica de não realizar, não ser muito assim ponta firme nos horários, né? Tem essa fama. E São Paulo já é mais na linha do trabalho, mas é isso, é isso.

Eron Falbo: [43:31] E você, é mais como? Qual que é o seu perfil?

João Suplicy: [43:35] Não, eu no trabalho, essa coisa de horário e tal, eu sou bem seguro. Eu detesto atrasar, não gosto desse negócio de gente que fala que vai e não vai.

Eron Falbo: [43:48] Eu também.

João Suplicy: [43:49] Essa conversa eu nunca entendi do Rio de Janeiro. Fala que vai ligar e não vai, vai passar e não passa.

Eron Falbo: [43:58] Não, e aqui, agora na era do WhatsApp, tem uma onda de não responder o WhatsApp. Tudo bem, não responde, não precisa responder, aí um belo dia aparece e tá tudo normal. Eu tenho uma dificuldade enorme com isso, Suplicy. Porque, você sabe, nós, artistas, músicos, é normal que já tenha problema com horário. Mas eu sempre fui, cara. Quando eu tinha banda, a gente tocava em cruzeiro, ensaiava todo dia, 8 horas da manhã, 4 horas por dia. Bom, quando a gente tava tocando em cruzeiro, não que o Suplicy ia ser atroz demais, mas quando a gente tava... não era todo dia, era três vezes por semana, quatro horas por dia que ensaiava. Mas era disciplinado, só que a gente tinha 21 anos.

João Suplicy: [44:44] Legal.

Eron Falbo: [44:46] Em Brasília, pô. Mas ninguém era assim, tipo, todo mundo era, pô, músico. Ah, não, sou músico, relaxa.

João Suplicy: [44:55] Ó, a Suelen aqui tá falando que adorou a música Intimidade, que é o meu single novo.

Eron Falbo: [45:01] Ah, você vai tocar um trechinho pra gente?

João Suplicy: [45:04] Vou dar uma palhinha aqui. Ela perguntou se a música é minha. É minha, sim. Então vou dar uma palhinha aqui da intimidade.

Eron Falbo: [45:13] Valeu.

João Suplicy: [45:15] O antidepressivo é você, é antes, é depois e é agora. Eu quero te ter, te ver. Porque eu fico bem triste se você não está, me alegro ao te ver chegar. Eu sei, eu sei, eu sei, eu sei. Te quero todo instante, é urgente, é gritante, e é você que me faz perceber o que a vida tem de bom. E o melhor é mesmo você. E hoje eu acordei na minha cama, meu bem. Me acostumei com o calor do teu corpo e tudo que ele tem. Na minha roupa, só que ao contrário, sem hora, sem fim, sem horário. Sinto saudades, é daquela intimidade que só a gente tem, neném. Sinto saudades, é daquela intimidade de que só a gente tem, muito.

Eron Falbo: [46:33] Bom, muito bom. Tem uma coisa meio baião nisso, é isso que eu só peço.

João Suplicy: [46:41] Para o músico da vida é meio um xote, meio reggae. Eu até perguntei lá, fiz um post: 'Você acha que essa música é um xote ou é um...' Aí teve alguém que respondeu: 'Ah, pra mim é uma música de amor.' Daí eu falei: 'Ah, perfeito, é isso aí mesmo, também acho.' Porque, como eu não gosto muito, como eu falei, eu não sou forrozinho.

Eron Falbo: [47:05] Pode categorizar.

João Suplicy: [47:06] Não sou uma banda de reggae, não sou, né? Não sou sambista, não sou rockeiro. Eu sou o João. Então, é isso.

Eron Falbo: [47:16] Eu sou o João.

João Suplicy: [47:18] Sou o João.

Eron Falbo: [47:19] Essa é uma ótima definição. Então, a gente chegou aqui no final do nosso horário. Só queria que você lembrasse... o seu site, o seu Instagram, só para a gente falar pro pessoal que está escutando. O Instagram dele, João Suplicy, é bem fácil de lembrar.

João Suplicy: [47:40] Eu estou nele agora, inclusive.

Eron Falbo: [47:43] Mas o Spotify não vai conseguir.

João Suplicy: [47:47] Mas é tudo isso também, é tudo João Suplicy. joaosuplicy.com.br, no Facebook, só o YouTube que é João Suplicy TV, youtube.com barra João Suplicy TV.

Eron Falbo: [48:02] Eu vou te fazer uma última pergunta: qual é a lombra do Smith depois do primeiro nome do seu irmão? Tem João Smith? Você não tem o segundo nome Smith?

João Suplicy: [48:13] João Smith Vasconcelos Suplicy. Era para ser Smith de Vasconcelos, esse que é o certo, só que na minha certidão esqueceram de botar o "de".

Eron Falbo: [48:25] Então... mas seu irmão também tem Smith, né? Mas Smith é só o nome de família?

João Suplicy: [48:30] Quem tem? Você tem Smith?

Eron Falbo: [48:33] Não, não, você e o seu irmão não têm os dois? Não têm Smith?

João Suplicy: [48:36] Tem, tem, Smith de Vasconcelos, mas é nome de família? Sim, sim, sim, e da minha mãe: Smith de Vasconcelos é da minha mãe, e Suplicy é do meu pai. Ah, tá.

Eron Falbo: [48:46] Bom, achei que era alguma coisa que botaram nos dois. O seu nome mesmo é só João?

João Suplicy: [48:53] Só João, não tem João, é só João mesmo.

Eron Falbo: [48:57] Então, muito obrigado, João, obrigado por aceitar o convite aí. E quando você vier para o Rio, por favor, vamos marcar um encontro aí, eu juro que eu chego no horário, eu não sou carioca.

João Suplicy: [49:08] Valeu, eu espero que a gente possa mesmo se encontrar, todo mundo, em breve, fazer show, voltar, tudo isso.

Eron Falbo: [49:14] Então tá, vamos marcar alguma coisa juntos, pô. A gente toca juntos e, se não for show, a gente faz um som aqui tomando vinho, comendo queijo.

João Suplicy: [49:23] Opa, aí é bom, hein? Maravilha, Eron! Muito obrigado. Um grande abraço ao Maurício aí também. O Maurício Branco dando um salve aí.

Eron Falbo: [49:30] Valeu, Maurício. Obrigado pelo encontro aí.

João Suplicy: [49:33] Valeu.

Eron Falbo: [49:33] Valeu, todo mundo.

João Suplicy: [49:34] Obrigado. Um abração.

Eron Falbo: [49:36] Tchau. Um abração. Tudo de bom.

João Suplicy: [49:38] Valeu.

No Alvo com Eron Falbo · episódio #77 · todos os episódios