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Eron Falbo: [0:00] Sejam bem-vindos, meus amigos! Você entrou no Alvo, eu sou o Eron Falbo. E nós estamos aqui com a Gottsha. Gottsha é um dos maiores nomes da dance music brasileira. Ela é atriz, cantora e dubladora. Deixa eu ver se eu lembro a musiquinha que o Maurício me ensinou: 'Uma mulher de verdade, que o Rio confia e gosta, não pense duas vezes, bebê, vereadora Gottsha.' Eu já começo a...
Gottsha: [0:41] Chorar do rio aqui, eu tô muito! É um bom prazer, boa noite! Muito prazer mesmo estar aqui com você, principalmente escutando você cantando a minha música de candidata a vereadora.
Eron Falbo: [0:59] Isso aí eu não sei se o Maurício fez aqui no WhatsApp, eu decifrei alguma coisa aí, não sei se saiu próximo. É uma versão que eu compus.
Gottsha: [1:17] Maravilhoso! Deixa eu te perguntar uma coisa, eu tô sem fone, vê se você tá ouvindo bem.
Eron Falbo: [1:23] Eu tô ouvindo bem. E o pessoal? Ah, tá com eco. Cara, quando tá assim, eu vou tentar tirar o meu...
Gottsha: [1:30] Agora você ficou sem... Ah, tá. Agora veio.
Eron Falbo: [1:34] Tá melhor?
Gottsha: [1:36] Pra mim tá perfeito.
Eron Falbo: [1:37] Eu acho que se os dois tiverem esse microfone... Me diz aí, produção, tá rolando? Rola um pouco, né? Vamos ver, só um segundinho pra gente concentrar.
Gottsha: [1:52] O Maurício tá dizendo que melhorou tudo.
Eron Falbo: [1:54] Ah, melhorou tudo? Melhorou tudo, tá sem eco, beleza. Então vou tirar aqui o... Cara, o Instagram é um mistério inacreditável.
Gottsha: [2:03] Exatamente. É uma complexidade e cada dia uma novidade, né? Eu amo esse Instagram, porque agora, quando eu faço live, eu faço logo um surubão na live. Presente de bater papo.
Eron Falbo: [2:19] É mesmo?
Gottsha: [2:21] Boto!
Eron Falbo: [2:23] E como é que você faz isso?
Gottsha: [2:25] Mas tem como convidar, se você quiser convidar alguém você pode.
Eron Falbo: [2:28] Ah, dá pra convidar mais gente agora?
Gottsha: [2:30] Tá, agora dá pra convidar mais dois.
Eron Falbo: [2:33] Ah, eu não sabia disso não, vamos convidar o Maurício só pra dar um oi pra ele.
Gottsha: [2:37] Você clica nessa setinha sua aí em cima, Eron, aí você vai lá e busca o Maurício. Essa figura icônica do Rio de Janeiro.
Eron Falbo: [2:49] Eu adorei seu fundo. Seu fundo é de CDs, né?
Gottsha: [2:53] É, pra todo mundo achar que eu ouço muita música, né? Isso aqui não é, não.
Eron Falbo: [2:58] Mas também é vintage, né? CDs não tem onde tocar mais.
Gottsha: [3:03] Exatamente. A gente ouve tudo no Spotify, né? Mas agora virou quase um plano de fundo. Olha quem veio.
Eron Falbo: [3:11] Gente, eu tô sem roupa, olha só.
Gottsha: [3:15] Assim que é bom, pelado.
Eron Falbo: [3:17] Assim que é bom, vou tirar a minha também.
Gottsha: [3:21] Olha, tô amando, tô ficando com calor aqui, gente.
Eron Falbo: [3:29] É muito legal porque parece a transmissão do Golden Globe esse ano. Tudo bem, Gottsha? Que bom te ver aqui, te encontrar, Eron. Tudo bem? Esse cara é um novo fenômeno da internet no Brasil, Gottsha.
Gottsha: [3:44] Gente, eu estou vendo, estou passada com ele, os seguidores. E quando ele nem entra, ele é tão chique que deixa a live começar apenas com uma poltrona e um microfone. E uma planinha, eu achei chique, Eron. Aí eu falei: ai, gente, que pobreza eu abrindo minhas lives.
Eron Falbo: [4:02] Que isso! Eu acabei de inventar essa ideia, totalmente nova, e eu estava super insegura até essa elogiar agora.
Gottsha: [4:10] Amei, aprovadíssimo. Achei chique, elegante, eu me senti quase no sofá da Hebe. Eu falei... E eu acendi a...
Eron Falbo: [4:21] Música para ele. Eu falei: olha, você tem que cantar a música da Gottsha, porque realmente ela foi feita como... Foi uma das melhores músicas de campanha que eu ouvi durante essa campanha, que agora já foi candidata nas últimas eleições. E eu achei tão incrível que falei: poxa, passei para o Eron cantar.
Gottsha: [4:39] Ele é razooso, gente. Eu falei: ué, ele canta também?
Eron Falbo: [4:42] Ele canta, ele canta para caramba. Cantava, cantava. Eu sou aposentado.
Gottsha: [4:50] Você é aposentado, mas sempre tem um momento de retorno nas nossas vidas. Principalmente em momentos pandêmicos, que a gente está se reinventando. Quem sabe?
Eron Falbo: [5:01] E o marido dela também canta, Eron. Vamos todo mundo se conhecer. Você mora no Rio ou não? Eu moro no Rio. Você chama de Gottsha, né?
Gottsha: [5:12] Isso.
Eron Falbo: [5:14] Eu não quero atrapalhar a entrevista. Passei só para dar um hello.
Gottsha: [5:16] Eu amei, eu amei ver esse peitinho, esse mamilo.
Eron Falbo: [5:21] Valeu, Maurício. Adorei ver sua mira em público. E você foi minha primeira terceira pessoa dentro de uma live. Nada melhor do que você para ser cobaia da tecnologia do Instagram. Bom, mas me pegar pelado é sacanagem, né? Mas tudo bem.
Gottsha: [5:40] Eu já posso dizer que eu desvirginei o Eron nessa questão do trisal, do suruba.
Eron Falbo: [5:48] É, exatamente. Já falaram de Soroba, de Svetlina, de Trisal. Acho que vai dar muito certo essa live.
Gottsha: [5:55] Essa live é babada. Eu falei, vai ser babada, e vai. Maurício, eu te amo. Estou com muita saudade. Você está lindo, como sempre.
Eron Falbo: [6:04] Opa, para com ela aí, pelo amor de Deus.
Gottsha: [6:06] Cuida, dá um beijo na mami. E qualquer dia eu vou chamar a Eleninha Rotman, que eu estou com saudade dela.
Eron Falbo: [6:12] Pode deixar. Valeu, beijão, Maurício. Beijo, geral. Gente, vou estar acompanhando vocês aqui. Um beijo, tchau. Valeu, tchau, tchau. Adorei, adorei.
Gottsha: [6:21] É você que tem que sair, Maurício.
Eron Falbo: [6:23] Cara, mas agora... e pra saber onde tá o X?
Gottsha: [6:26] Tem um Xzinho aí em cima do seu.
Eron Falbo: [6:28] Mas tá em cima do dele, né, na verdade. Eu não tô conseguindo expulsar. Peraí, eu vou sair e depois eu entro junto.
Gottsha: [6:37] Isso!
Eron Falbo: [6:39] Boa! E aí, Gottsha, já deve ter se acostumado as pessoas chamarem de Gottsha, que eu vou demorar um pouquinho. Eu não estou acostumado a chamar assim, com o nome artístico, mas é isso que você prefere.
Gottsha: [6:56] Mas você sabe que eu ganhei esse nome em 1993, e desde lá nem mais minha mãe me chama do meu nome de batismo, né? Porque meu nome de batismo é Sandra. E aí eu sempre digo que, se alguém me chama de Sandra, ou é algum contador, ou é alguma cobrança, é algum problema, entendeu? Não é uma coisa normal.
Eron Falbo: [7:18] Ah, então tá ótimo. Gottsha... Porque você acabou de fazer uma live com o Minotouro, né? E ele ganhou o Minotouro depois de um tempo na carreira, né? Antes ele era... esqueci o nome, né? Lero... tinha outros nomes aí, ele me notou, não é uma coisa que ele usa, né? Eu chamo de Rogério, aí sei lá, tem que perguntar quem usa o quê. Aí seu contador entrou aqui, ó: Nando Vieira, beijoca, Sandra, saudades, ele.
Gottsha: [7:48] Tá me sacaneando. Tem aqui minha afilhada de casamento, que tá me chamando de madrinha, é verdade. Tem uma galera incrível aí, ó. Um beijo bem gotioso pra vocês. Eu aproveito esse gote, e tudo virou uma grande brincadeira em cima de ser gotioso, um beijo gotioso. Eu sou gotiosa, vocês gostam.
Eron Falbo: [8:14] Eu adorei o... como é que chama... jinglezinho. E você não é vereadora agora?
Gottsha: [8:22] Não, eu fui candidata a vereadora.
Eron Falbo: [8:24] Como você não ganhou?
Gottsha: [8:27] Porque sou doida, né, cara? Falei, não entendo nada de política, mas tenho um grande amigo que era deputado federal e agora está aqui na gestão do Eduardo Paes, aqui no Rio, que é o Marcelo Calero, que é uma grande figura, e ele me incentivou muito a entrar para a política, porque ele acha que tenho esse dom natural de lidar com a comunicação, com as pessoas, com qualquer tipo de gente.
Eron Falbo: [8:54] Acho que qualquer pessoa acha isso.
Gottsha: [8:57] E aí ele falou: "Cara, acho que você tem que se candidatar a vereadora, porque acho que você tem grandes chances de chegar lá, pelo menos de conquistar uma galera, porque você é da parte da arte, da cultura, do entretenimento", e tudo que eu gostaria realmente era que a gente valorizasse mais isso aqui, não só no Rio de Janeiro, como no Brasil. E aí ele falou, ele me cantou muito, e eu acabei sendo convencida por ele, mas hoje eu dou graças a Deus que não entrei.
Eron Falbo: [9:25] Então você não gostou da experiência? É meio maçante, uma coisa meio... muito?
Gottsha: [9:31] E a gente ainda pegou um momento pandêmico, que foi o ano passado inteiro, que a gente não pôde fazer uma campanha corpo a corpo, então eu tive que fazer tudo pela internet, uma coisa totalmente diferente de tudo que a gente já passou na vida. Mas, assim, valeu super a pena, eu escutei muita gente aqui pela internet, pessoas variadas.
Eron Falbo: [9:55] Isso é legal. O contato variado deve ser a melhor parte, que você acaba escutando pessoas, entrando em contato com certos problemas, certos mundos.
Gottsha: [10:08] Exatamente. E o mais legal é que você vê que os problemas são muito parecidos em qualquer lugar do Brasil. É a falta de cultura, é a falta de informação, é a falta de verba para você poder frequentar um teatro, para você poder pagar por um show. É tudo muito parecido.
Eron Falbo: [10:27] E sua agenda era essa? A coisa que você queria fazer era alguma promoção de cultura, arte e cultura aqui no Rio de Janeiro?
Gottsha: [10:38] Completamente, porque eu já estava querendo movimentar, já tenho muitas ideias, inclusive vou usar essas ideias em breve, para trazer pessoas de outros estados para se apresentarem aqui, fazer um grande festival da canção ao vivo, que a gente não tem mais.
Eron Falbo: [10:54] E conte comigo para isso, conte comigo para todas essas coisas aí, estamos juntos. O que eu mais quero fazer aqui no Rio de Janeiro é fomentar a arte e cultura e fazer o Rio de Janeiro recuperar um pouquinho do que já foi, de um centro mundial de arte e cultura, de um exportador de arte e cultura.
Gottsha: [11:13] E principalmente depois desse momento delicado, mais de um ano, a gente vivendo sem isso, porque eu sou artista, mais artista de palco do que qualquer outra coisa. Então estou sem trabalhar literalmente há mais de um ano, entendeu? Agora, em março, faz praticamente um ano mesmo que parei completamente de trabalhar. Então a gente ficou... E não tem esse papo de se reinventar e ganhar dinheiro, eu não sei fazer outra coisa. Minha reinvenção foi a internet, ficar aqui conhecendo pessoas, brincando, alegrando o povo, porque eu tenho muito...
Eron Falbo: [11:48] É, mas não dá muito dinheiro, né? Eu mesmo tô ganhando 0,0...
Gottsha: [11:54] Experiência, né? A gente diz que a gente ganha experiência quando a gente não ganha dinheiro, mas realmente é impressionante como eu conquistei pessoas, conheci pessoas incríveis aqui na internet, talentos, pessoas inteligentes.
Eron Falbo: [12:10] Eu também, minha vida sexual aumentou bastante também.
Gottsha: [12:13] Imagina, um gato desse como você, tudo bem arrumado aí na Itaá, meu filho, só se você não quiser mesmo, né?
Eron Falbo: [12:21] Mas agora, você que tá por dentro do governo, né, e tá claramente envolvida, super política, vê se você consegue um alvará pra eu fazer uma festinha aqui em casa sexta-feira, porque eles proibiram até a festa em casa, pô.
Gottsha: [12:37] Tem que ser super proibido, isso aí não vai rolar um alvará, você tem que, ó, malta, todo mundo fique em quarentena aí 15 dias, faz logo uma festa quinzenal. Você bota o povo aí e não tira nunca mais, só depois de 15 dias.
Eron Falbo: [12:52] Depois você vai me dar essas dicas aí, Gottsha, de festinhas, festivais.
Gottsha: [12:57] Galera, tá todo mundo pagando uma multa alta, cara. Você tá falando que não tá ganhando nada, então nem vou te dar essa dica. Vai ter que pagar o dinheiro, vai ter que pedir um empréstimo no banco.
Eron Falbo: [13:10] Me fala um pouquinho da coisa da arte-cultura. O que você visava fazer? O que o vereador pode fazer? Porque vereador, para mim, não entendo muito. Eu queria entrar na política também, mas eu queria começar como senador, entendeu?
Gottsha: [13:25] Já começa lá. Pois é, na verdade, o vereador é a pessoa que cobra, ele é praticamente o que eu escuto quase mensalmente do meu banco. Ele telefona e fala: você está devendo tanto, sua dívida aumentou. Então, você fica cobrando as pessoas, que são os senadores, os deputados, o prefeito, aquela galera que está, as secretarias todas do Rio de Janeiro, desse município. Você cobra o quê?
Eron Falbo: [13:59] Você cobra o quê? Resultados?
Gottsha: [14:02] Você dá algumas ideias e, a partir do momento em que eles compram a sua ideia ou eles também falam de alguma ideia que vão ter... Por exemplo, vão consertar o BRT. Você já sabe que o prefeito falou que o BRT vai fazer um conserto e ele vai botar todos funcionando. Você já sabe que isso aí foi batido no martelo. Todo dia você vai lá e pergunta como é que está o BRT. Você já consertou quantos? Quantos estão na rua?
Eron Falbo: [14:29] Então é a galera mais chata, a galera que deve ser mais odiada na pirâmide.
Gottsha: [14:35] É muito louco. E, assim, os vereadores têm de estar muito de acordo, porque também não adianta você gritar sozinho. São 52 vereadores, se não me engano, no Rio de Janeiro. E aí você tem de fazer uma amizade, fazer um grupo grande a favor de alguma coisa importante para a sua cidade e ficar numa cobrança e levar algumas ideias. Pensei muito em levar ideias, porque os vereadores também levam muitos projetos para a prefeitura.
Eron Falbo: [15:05] Mas a galera escuta os vereadores, o pessoal escuta os vereadores. Estou perguntando por curiosidade, porque realmente não entendo, e acho que muita gente também não entende, então é bom a gente...
Gottsha: [15:16] Eu comecei a aprender... vou te falar que aprendi muito sobre essa questão política pequena, porque não cheguei nessa questão de presidente da República, de governador, nada disso. Estou fora, viu, minha gente? Mas eu realmente comecei a pesquisar o que um vereador... exatamente isso, qual é o papel do vereador. Acho que o povo tem que saber, até para a gente votar, e para a gente votar direito, a gente tem que entender o que um vereador pode proporcionar para a sua cidade, para o seu povo. Entendeu? Então, é isso.
Eron Falbo: [15:52] E você sente que valeu a pena? Porque você é artista, eu já fui artista, me considero aposentado como artista, porque acabei ganhando dinheiro na vida indo para o mercado financeiro, e não dá para você ganhar dinheiro sendo artista, é uma pena, não dá. Eu me considero aposentado para continuar, para musicar, para não parar de ganhar dinheiro. Eu continuo fazendo arte, mas vou me manter como artista amador.
Gottsha: [16:22] Eu sei, você pinta o set, eu já entendia. É bom que você ganha dinheiro por um lado e aí você se diverte por outro, porque realmente a vida artística é uma grande diversão, mas o dinheiro é complicado.
Eron Falbo: [16:36] E o salário, como é que era?
Gottsha: [16:38] O salário, é óbvio que a gente tem os artistas já consagrados.
Eron Falbo: [16:44] Mas você fez bastante sucesso, isso é uma coisa que... bom, duas coisas são raras, né? Primeiro, músico fazer sucesso no Brasil. Você fez sucesso com dance music em inglês, e você não tinha aquele corpo que as pessoas tinham como expectativa na época, e até hoje em dia ainda mais. Ainda é assim, apesar de pegar Délia, teve outros exemplos. Mas você fez coisas raras na sua época. Você teve hits em inglês, com um visual diferente. E isso, pra mim, é inusitado, uma coisa que no mundo não existe, no Brasil quanto menos. Então eu queria saber da sua experiência, assim, na época, como é que foi ser um artista totalmente diferente, né? Que talvez não se encaixasse em outras...
Gottsha: [17:37] Eu era fora de todos os padrões, tudo o que eu poderia não ser, eu fui. Era uma cantora de dance music que tinha que rebolar, que tinha que ser bailarina, e eu não sou. Era uma cantora brasileira cantando em inglês, o que já era uma coisa difícil de quebrar essa barreira, cantando para os brasileiros. Sendo brasileira, cantando numa outra língua, e não tendo o padrão visual que todo mundo espera ver. Hoje em dia, nem tanto, mas naquela época eu tive muita cobrança. Fui tão cobrada que fui parar num spa, tive que emagrecer através da gravadora, mas mesmo assim...
Eron Falbo: [18:20] Deu certo?
Gottsha: [18:21] Não deu certo, porque eu já dava certo antes.
Eron Falbo: [18:25] Já tinha uma pessoa que estava comissionada.
Gottsha: [18:29] Eu acho que a minha autenticidade, a minha verdade, isso ficou muito transparente desde quando eu comecei.
Eron Falbo: [18:36] E olha só, nos anos 90 eu sou formado em music business, né? Minha formação inicial, meu bacharelado é em music business. Então eu estudei bastante essa história do music business e tudo mais, da indústria, das gravadoras e tudo mais. E nos anos 90, que é quando você fez seus hits, 94, 95, mais ou menos, né? Seus maiores hits. Nessa época as gravadoras já estavam muito engessadas, já estavam muito formulaicas. Então não tinha mais aquela coisa de experimentar. O artista era meio que... tinha que entrar dentro de um molde.
Gottsha: [19:11] De um padrão.
Eron Falbo: [19:12] E era isso, né? Não era que nem nos anos 60, nos anos 70, que tinha muita experimentação, tinha todo tipo de artista. Que nem o Jesus Soares falou na sua entrevista, do Mama Cass, das Mamas and the Papas. Já era uma sex symbol mais ou menos, né?
Gottsha: [19:26] Já morreu de depósito. Acho que vim justamente para quebrar todos esses tabus, porque acabei me transformando na primeira brasileira da década de 90 a fazer todo um trabalho em inglês e ser exportada para mais de 50 países do mundo. Fui a primeira a abrir portas para muitos brasileiros fazerem o mesmo trabalho que eu. Virei a rainha gay do Brasil, fui considerada pelo Jornal do Brasil, na época, a rainha gay, porque eu tinha um visual que era...
Eron Falbo: [19:57] O público gay, né? Você não é homossexual.
Gottsha: [19:59] Não sou. Por um acaso, eu digo que sou fluida, que cada dia eu estou numa energia, entendeu? Mas eu gosto muito de...
Eron Falbo: [20:09] Mas eu entendo, você é glorious, que a comunidade gay, as boates gays, gostam muito... Na verdade, uma coisa que eu ia te falar, até um elogio para você, que não é normal uma pessoa ser tão aberta, tão de bem consigo, tão bem resolvida, estando na posição que você estava, com as pressões que você estava, com as novidades que você estava. E eu percebi você, nas suas entrevistas, nas suas performances, muito com os chakras abertos.
Gottsha: [20:43] É verdade.
Eron Falbo: [20:43] Realmente entregue. Como é que você virou assim? Foi por prática no teatro? Psicoterapia? Nada, cara? Drogas?
Gottsha: [20:53] Eu sempre fui muito assim. Acho que a minha educação, minha mãe me educou de uma maneira muito bacana, que na minha cabeça essa coisa do diferente era ser normal. Então, qualquer tipo de diferença para mim era natural. Se eu visse um negro, para mim era igualzinho a mim. Se eu visse um gay, era idêntico a mim, uma lésbica, uma trans. Eu nunca tive essa questão preconceitual na vida, o mais pobre, o mais rico, não. Então, acho que a minha natureza foi de muita transparência mesmo, ser sempre isso, entendeu? O teatro, óbvio, comecei a fazer teatro e isso me ajudou a ampliar essa questão toda que eu sempre tive dentro de mim, que ser uma pessoa bacana, uma pessoa que, assim, eu gosto do caráter do próximo. Não me interessa quem ele é, como ele seja, se ele tem cabelo duro, cabelo liso, cabelo preto, cabelo... não me importa, entendeu? Pode ser anão, pode ser grande, pode ser gordo, pode ser magro. Agora, se ele tiver um caráter bacana, se ele for uma pessoa inteligente... E, acima de tudo, tem que ter humor. Porque eu acho que, na vida, a pessoa que não tem humor, ela não tem alegria. E aí eu não gosto de gente que não tem alegria. Eu sou muito gay, porque o gay, na verdade, é alegre.
Eron Falbo: [22:18] É verdade, é verdade.
Gottsha: [22:19] Quando a gente fala assim, eu sou gay, eu acho que nasci gay, porque tenho uma mãe que é muito assim, muito cheia de energia, muito alegre, e que me deu essa educação superliberal, entendeu? De gostar do próximo através da representatividade do coração dele, e não do que ele tem, do que ele possui, do que ele acredita. E aí virei essa Gottsha que a galera tem uma simpatia, ou tem uma empatia grande, por qualquer tipo de público. Me dei bem em qualquer lugar, entendeu? Público gay, público hétero, público mais velho, que eu também fiz durante a minha carreira, um público mais velho com a questão dos musicais, público infantil, porque eu sou dubladora. Então, na verdade... ah, é, dubladora.
Eron Falbo: [23:14] Você fez o Monstros S.A., né? Fiz o Monstros S.A. Qual foi o seu maior? Porque eu notei aqui, mas eu não lembro qual que era o maior deles.
Gottsha: [23:23] Foi o Enrolados, que eu fiz a madrasta da Rapunzel.
Eron Falbo: [23:28] Ah, é que eu vi isso aí. Só que eu vejo tudo em inglês. Minha primeira língua é inglês. Estudante de escola americana, sempre vejo tudo em inglês. Eu não tô famoso pra tirar auto, pelo contrário. Até fico um pouco envergonhado.
Gottsha: [23:40] É bom mesmo ver em inglês. Mas eu vou te falar uma coisa: me falaram aí, já, o pessoal dos estúdios, que a minha dublagem é melhor do que a da americana.
Eron Falbo: [23:49] Imagina, melhorou muito. Começou lá com aquela coisa do Claudinho Buchecha... o Claudinho Buchecha não... Qual era o nome do planeta?
Gottsha: [23:58] Claudio Botelho e Charles Miller.
Eron Falbo: [24:01] É isso não, que tem aquele grupo de comédia brasileiro... Minhoca, que tem um planeta com uma minhoquinha. Cara, eu dei um branco sinistro. Eu ia falar, aí rolou uma dissonância cognitiva e não saiu nada. Mas tudo bem. Mas eu lembro... Tinha uma época que as dublagens eram horríveis, né? Era tipo Cacete e Planeta, sem emoção, né? Teve uma época que chamaram Cacete e Planeta pra começar a fazer as dublagens e aumentou um pouco o standard. Começou a ser pessoas que eram humoristas, né?
Gottsha: [24:42] Eles estão falando que é Cacete e Planeta.
Eron Falbo: [24:46] Adorei.
Gottsha: [24:51] Que foi minhoca e buraco... deve ser, não sei.
Eron Falbo: [24:55] Minhoca e um planetozinho.
Gottsha: [24:58] Muito bom, muito bom. Essa naturalidade é o que eu mais gosto no ser humano, porque eu acho que a gente é passível de todos os erros e deve errar. Eu acho que, para aprender, a gente precisa...
Eron Falbo: [25:16] Você não sabe muito bem disso, porque me falaram que você não bebe álcool, então isso eu considero um grande erro.
Gottsha: [25:24] Sou obrigado a beber muita água, porque eu tô fazendo uma dieta, entendeu? E aí meu médico falou: bebe três litros d'água por dia. Às vezes eu não bebo nenhum. E aí eu falei: pô, vou sacanear o Eron, que deve beber um vinho, um cara chique. E eu... falei: caramba!
Eron Falbo: [25:40] Eu não sou chique, eu sou charlatão. Eu tento aprender com os meus convidados, entendeu? Eu sou tipo o talentoso Sr. Ripley.
Gottsha: [25:46] Eu amo esse estilo seu, assim, que se você não é, você aparenta, entendeu? E as aparências, elas são importantes. Apesar de eu ter sido uma exceção.
Eron Falbo: [25:58] As aparências enganam, e enganam muito bem. As pessoas compram.
Gottsha: [26:03] Eu fui uma exceção, porque eu era aquilo mesmo. O pessoal via aquilo e falava: ela é doida assim mesmo, ela usa cabelo... Eu sempre digo pra galera que eu me sinto um pouco a Lady Gaga tupiniquim. Porque tudo que ela fez... essa loucura de se vestir, de roupa de carne, sabe? Que era carne mesmo. Eu fiz isso com papel, que a gente aqui é um pouco mais humilde. Mas eu fiz... uma vez, eu fiz um show todo vestido de bombom sonho de valsa. Eram rolos de papel.
Eron Falbo: [26:36] O orçamento da gravadora aqui é menor, né?
Gottsha: [26:39] É, pô, bem menor. Tudo um pouco menor, né, gente? E aí, a gente vê como é que o brasileiro é criativo, né? Porque eu sou totalmente... eu falo que eu sou uma Lady Gaga Tupiniquim. Tudo que ela usou, eu usei: cabelo de medusa, e muito antes dela, né?
Eron Falbo: [26:57] Muito antes dela.
Gottsha: [26:58] Ela nem era nascida, eu acho, gente.
Eron Falbo: [27:01] Mas eu gosto dela porque ela sabe cantar, ela tá atropelada.
Gottsha: [27:04] Eu gosto dela também.
Eron Falbo: [27:05] Ela atua, acho que ela é bem melhor do que a Madonna. A Madonna chegou aqui, ela foi mais longe em termos de talento. Até as músicas que ela compõe, ela mesmo, grande parte das músicas que ela compõe são hits. Acho que mais poderoso do que... Tipo assim, a Madonna foi uma das primeiras, né, nos anos 80. Assim, como mulher, assim, só ela.
Gottsha: [27:28] É incrível também, eu acho que a...
Eron Falbo: [27:30] Madonna é uma diferença. Aí a Britney Spears não chegou nem perto da Madonna. Que era comparado, né? Então, a Bruna se desculpou. Aí a Lady Gaga, pô, superou totalmente todo mundo.
Gottsha: [27:42] Minha opinião, o bagulho da Lady Gaga é que ela abriu um leque e mostrou que ela não é só uma performer, ela é uma cantora, ela é uma artista. Ela foi lá e gravou com, pô, sabe, Tony Bennett, fez duets.
Eron Falbo: [27:58] É, exatamente. Ou seja, ela tem bom gosto, ela tem autenticidade. E sabia que tem uma história, até que eu estudei isso quando eu tava na faculdade de Music Business, que ela lançou um disco, olha que bizarro. Ela tava no auge da carreira, no primeiro lugar das paradas, com discos e com singles. Aí ela lançou um disco de arte que ela queria lançar. E foi tank, assim, não deu zero. Ela teve que pedir desculpa pros fãs. Imagina, a Lady Gaga estava no auge.
Gottsha: [28:29] Mas acontece que às vezes a gente cisma, né? O artista às vezes acha que, ai, eu quero fazer a minha onda, o que eu acredito, e às vezes não é.
Eron Falbo: [28:39] É, tem dois lados disso. Acho que um dos lados é triste que os fãs sejam tão limitados, que não se abrem para uma experiência que a própria artista, da qual eles são fãs, está propondo para eles uma jornada nova. E, ao mesmo tempo, também tem o nosso lado de artista, que às vezes a gente viaja um pouco na maionese em termos de ego e vaidade, né? Agora eu vou tentar fazer...
Gottsha: [29:08] Exatamente, eu acho que eu já fiz um pouco de cada coisa, porque eu já fiz televisão, eu comecei pela música, então eu fiz CD, viajei o Brasil inteiro, cantei com um artista internacional, fui a primeira brasileira a sair do Brasil com músicas em inglês, Made in Brasil, eu tive toda uma loucura assim, e óbvio, eu era muito garota, e isso deixa a gente realmente com um deslumbre, sabe, que você tem que aprender a trabalhar, é bom, é muito bom você ter sucesso, ter essa fama toda, mas aí, de repente, quando você cai em si, você vê que isso não é o suficiente, e isso não segura a pessoa durante muito tempo. Então, essa reinvenção tem que acontecer diariamente, praticamente, para qualquer ser humano. Eu acho que em qualquer segmento, inclusive.
Eron Falbo: [30:02] E você tem que criar um elo com os seus seguidores. Hoje em dia a gente chama de seguidor, mas eu nem gosto, prefiro até fã, porque fã é uma coisa... seguidor é mais para seita, né? Tipo, fã é uma coisa mais artística.
Gottsha: [30:17] Seguidor é uma seita, é uma loucura.
Eron Falbo: [30:20] Então, o Maurício Bruno está falando que Renato Russo era um grande fã seu. Como eu cresci sendo fã de Renato Russo, indiretamente eu sou duas vezes seu fã.
Gottsha: [30:33] Essa história do Renato Russo é quase um desmaio, um suspiro, é muito doido, porque eu realmente vivi uma época dos anos 80, cheguei a pegar um finalzinho dos anos 80, frequentando as noites e vendo o Cazuza cantar, sabe? Vendo o pessoal... a Legião, o Renato, depois. E aí eu tive o prazer de conhecer o Renato fazendo backing vocal pra um grupo, cara. E o cara veio falar comigo, me dar os parabéns, falou: 'Quem é você?', sabe? Eu já tinha escutado isso do Baden Powell também, antes, até de Segoccia. Falou assim: 'Acabou de nascer a nova Elis Regina.' Eu falei: 'Pelo amor de Deus, não diz isso, porque isso você tá me colocando a maior responsabilidade da vida, e eu não quero essa responsabilidade.' Quer dizer, eu realmente passei muitos momentos com pessoas incríveis, né? Pessoas bacanas, que me permitiram ouvir coisas boas, sabe?
Eron Falbo: [31:38] Então... Pô, é uma maravilha isso. Eu sempre considerei... Acho que você não sabe da minha carreira musical, você tava falando do Tom Maurício. É, mas eu fui, como se fosse, um músico em ascensão com muito potencial. Eu era assinado pela Universal Music. O meu empresário era o Tony Calder, que era o empresário dos Rolling Stones.
Gottsha: [32:04] Então eu tinha, assim...
Eron Falbo: [32:05] E eu gravei o último disco do Bob... O produtor Bob Johnston, que era o produtor do Bob Dylan, Leonard Cohen, Simon & Garfunkel. O último disco da carreira dele, ele que me produziu.
Gottsha: [32:17] A gente vai bater um papo, eu...
Eron Falbo: [32:18] Não queria me gabar com isso, só queria dizer que eu sempre valorizei muito as pessoas que, com muita experiência na indústria, me valorizaram, muito mais até do que o público, que às vezes entra em modismos e outras coisas. Mas, sem tirar o mérito do Renato Russo, que é a imagem do Renato Russo que estava no auge, né? É verdade. É, mais isso eu adoro. Eu já tinha isso... Eu já estava no Estrelaça, eu já estava cantando em italiano.
Gottsha: [32:45] É um gênio, né? E aí você vê que, até hoje, os dois são considerados gênios: um gênio do violão, entendeu? Das composições. E o outro também gênio das composições, das músicas que são completamente atuais, que é o Renato, né, cara? E eu, infelizmente, não tive intimidade para realmente colar no Renato, porque eu adoraria ter sido amiga do Renato, sabe? Eu acho ele genial, genial. Eu ainda não estou fazendo um trabalho em português, mas daqui a pouco, com certeza, vou regravar alguma coisa do Renato.
Eron Falbo: [33:21] Você ainda não tá fazendo em português? Você nunca fez nada em português?
Gottsha: [33:25] Eu fiz, cara. Primeiro, antes de eu lançar meu álbum em inglês, eu gravei uma música da Rita Lee. Eu regravei aquela... 'Nada é melhor do que não fazer nada'... Caramba, esqueci o nome dessa música! 'Meu bem, você me dá'... 'Água, era louca'... E eu regravei em dance essa música, ela entrou naquela época, naquelas... paradas de sucesso, né?
Eron Falbo: [33:50] Ah, muito bom, ótimo pra isso.
Gottsha: [33:52] Aquelas coisas de coletânea de música. E aí, depois disso, realmente... Sério, não, Maurício, essa é... Gente, alguém fala o nome dessa música, em nome de Deus...
Eron Falbo: [34:04] Eu acho que esse não é o nome, não. Em Nome de Deus, acho que...
Gottsha: [34:07] Caramba, vocês vão saber, tem gente aqui, eles sabem, tem uma galera aqui.
Eron Falbo: [34:15] Relaxa que a produção tá me falando... Mania de Você.
Gottsha: [34:19] Mania de Você, garoto! Ponto pra ele, acabou de ganhar 100 mil reais aqui no programa. O que acertou: Mania de Você.
Eron Falbo: [34:29] A Carol tá falando que você fez um show do Roberto Carlos.
Gottsha: [34:35] Fiz isso bem depois, assim, depois de tudo, eu resolvi e falei: gente, eu preciso cantar alguma coisa em português. Eu regravei uma música de Secos e Molhados que, aliás, vai voltar agora em novembro.
Eron Falbo: [34:46] Mas a versão dança é ótima também, Sexo Moral é ótima dança.
Gottsha: [34:50] Eu fiz uma versão super cult, bem underground, uma coisa bem diferente, e ela entrou na Som Livre, na trilha de Tititi, que vai voltar agora, não vale a pena ver de novo, depois dessa novela que está passando. E aí, quando eu gravei, eu gosto de algumas coisas, é porque eu fui muito influenciada pela música norte-americana, pela Motown, pela black music, o rhythm and blues.
Eron Falbo: [35:19] Eu também, demais! Motown e Stax, Motown e...
Gottsha: [35:23] O funk, o americano mesmo. Então, eu tenho muito essa cultura. Mas, brasileiro, o que eu peguei? Eu peguei essa época da Tropicália, Mutantes, Secos e Molhados.
Eron Falbo: [35:38] A gente tem o mesmo gosto musical.
Gottsha: [35:42] A gente vai conversar depois. Já entendi, eu vou colar ali.
Eron Falbo: [35:47] E você ainda tá fazendo shows assim? Porque eu imagino, com a sua voz e tudo mais, você podia fazer shows tipo cantando jazz, essas coisas. Você não fez esse tipo de coisa, não?
Gottsha: [35:59] Eu já fiz alguns musicais, né? Fiz até com o Porter, Ele Nunca Disse Que Me Amava.
Eron Falbo: [36:03] O American Songbook, né? Que nem fez... qual é o nome dele? O Rod Stewart.
Gottsha: [36:11] Ah, eu adoraria. Eu vou ter que ficar ainda um pouco mais conhecida pra poder um dia fazer que nem a Lady Gaga. Ah, vou fazer um disco... ai, gente, vou cantar o que eu quiser, entendeu? Uma bossa nova junto com jazz.
Eron Falbo: [36:23] Mas acho que aqui no Brasil tem muito público pra isso, pra fazer eventos e tudo mais, porque você pode ganhar um bom dinheiro. Porque são públicos que têm dinheiro pra pagar e você não precisa de uma banda muito grande. Pode ter um pianista e você, entendeu? É uma coisa que eu vou até te adicionar, isso aí a gente faz juntos.
Gottsha: [36:41] Eu acho bom, estou precisando de alguém que me dê uma direção, porque, na verdade, eu estou voltando agora, acabei de assinar com a mesma gravadora que me lançou em 1995, e estou fazendo uma releitura daquela Gottsha de 95, mas agora, nos anos 2020. Então, é uma Gottsha mais madura, uma Gottsha mais objetiva, com mais precisão, entendeu? Com mais segurança. Então, tô regravando algumas coisas. Inclusive, acabei de regravar um dueto com o Miguel Falabella, porque eu falei...
Eron Falbo: [37:17] É, é?
Gottsha: [37:18] É, cara. Eu e o... Don't Go Breaking My Heart, de Elton John.
Eron Falbo: [37:22] Que legal! Tem uma versão do Robbie Williams, ó.
Gottsha: [37:27] Versão do Elton John com a RuPaul, dessa música.
Eron Falbo: [37:33] Tem sério? Ela tá jogando com o Drag Queen, o RuPaul, né?
Gottsha: [37:39] Não, o RuPaul é a Drag Queen.
Eron Falbo: [37:40] Você sabe o que chama? Chama de ela, não? Porque eu conheço ele como... cara, eu sou muito fã.
Gottsha: [37:47] Eu chamo de ela porque eu não posso ver ninguém com uma peruca que já vira ela.
Eron Falbo: [37:52] Eu fico super confuso nessa coisa de ela e ele, né?
Gottsha: [37:55] É, agora a gente... amigues, né? A gente bota um...
Eron Falbo: [37:59] Eu não tenho problema nenhum com isso, senhorita. Outro dia eu fui encontrar uma amiga minha, antes da pandemia. Eu não lembro o que... Cara, eu acho que eu falei, tipo, neguinho. Neguinho tá muito doido.
Gottsha: [38:14] Não pode nem falar isso, senão você vai preso.
Eron Falbo: [38:16] A gente não fala mais essas coisas.
Gottsha: [38:18] Não pode.
Eron Falbo: [38:18] Como assim a gente não fala mais?
Gottsha: [38:21] Não pode falar, porque o povo acha... Porque eu também acho que tá tudo muito radical, né?
Eron Falbo: [38:27] É, é um problema social do povo, entendeu? Porque, pô, eu falei a minha vida inteira e eu não sou racista, não falo como racista, porque a semântica é semântica, entendeu? Tipo assim, o neguinho que eu tô falando não é uma coisa de escravidão, não é uma coisa com negros, é uma coisa que eu sou acostumado a falar.
Gottsha: [38:43] Não, e eu, quando falo isso, eu não entendo. Eu falo com tanto carinho, sabe? Quando eu falo assim, pô, aquele neguinho ali, não sei o quê, é tudo com carinho, é tudo com amor, entendeu?
Eron Falbo: [38:54] Então, quando essa minha amiga me falou, eu falei, como assim a gente não fala? Você não fala mais, né? Porque eu continuo falando, meus amigos continuam falando, e se tá se ofendendo, peço desculpas até, porra, procuro não falar perto de você se você é sensível, mas, porra, não vou deixar de falar porque eu te ofendo.
Gottsha: [39:13] Tá muito louco tudo, a gente não pode cantar uma marchinha de carnaval, mas uma Maria Sapatão, de dia é a Maria, de noite...
Eron Falbo: [39:21] É, ninguém é foda, né, Gottsha? Ninguém é foda.
Gottsha: [39:24] Essa coisa de cabelo duro, entendeu? Não pode mais, gente. Imagina, gente.
Eron Falbo: [39:31] Mas pode sim. Esse não pode mais. É uma invenção de jovens universitários. São grupos pequenos que falam, que são muito vocais, que falam como se eles representassem uma grande parte da população, mas na verdade não representam. E é isso que tem um movimento grande nos Estados Unidos que é chamado, dependendo de quem tá falando, ou de Alt-Right, Alternative Right, que isso é uma difamação do movimento, ou de Intellectual Dark Web, que é uma galera que tá sendo contra essas fragilidades, essa guerra contra a expressão, a favor da liberdade de expressão. Inclusive... A mulher não pode mandar usar turbante? Ah, não entendi isso, Marisa tá falando alguma coisa que eu não entendi.
Gottsha: [40:18] Eu não, mas já tô lendo um monte de coisa assim, porque realmente, assim, a gente às vezes é chamado de gordo e tá tudo certo.
Eron Falbo: [40:26] É, porra!
Gottsha: [40:29] Então também não pode, gente, porque também, entendeu? E aí vai ficar tudo muito chato.
Eron Falbo: [40:34] Ah, sim. O Maurício tá falando de apropriação cultural. Porra, isso é a pior coisa. Cara, o tanto de gente que perdeu a carreira nos Estados Unidos porque botou tinta preta na cara. Porra, o que tem de errado? Você usar um chapéu de índio, pintar a cara de preto, você tá pelo contrário, você tá honrando a cultura da pessoa. Se eu vou de Martin Luther King.
Gottsha: [40:56] No bairro de... E então eu coro, porque, gente, eu uso cabelo.
Eron Falbo: [41:01] Black, eu faço... Mulher branca não pode dar tomate, não. Os jovens universitários idiotas, que não representam ninguém, tentam dizer que a gente não pode fazer as cores. Não é que não pode, a gente pode fazer o que quiser.
Gottsha: [41:14] Mas, então, eu estou toda errada. Porque, olha, eu uso black nos meus shows, eu canto só música de preto, entendeu? Porque eu tenho essa cultura, eu amo, entendeu? Eu uso tudo, olha, é uma loucura. Eu sou capaz...
Eron Falbo: [41:29] Eu vou até ver se eu tenho alguma roupa de índio aqui pra colocar agora pra... Não tenho nada.
Gottsha: [41:35] Ai, meu Deus do céu.
Eron Falbo: [41:37] Eu tenho aqui uma... O gosto de Wagner. E eu sou judeu, né? Então Wagner é um grande antissemita. E foda-se, tá aqui ó, sou judeu com grande antissemita. Eu gosto da música dele, galera.
Gottsha: [41:56] A gente não dá pra ser tão radical em nada, né, gente? A gente tem sempre... As coisas, você tem que buscar um equilíbrio. A vida é feita disso. A gente tá vivendo essa loucura agora, entendeu? E eu espero que alguns seres humanos aprendam que a gente é todo mundo igual. Morre pobre, morre rico. Morre preto, morre branco.
Eron Falbo: [42:18] Ninguém escolhe a condição, mesmo os ricos não escolhem a condição. Então o cara vai ser culpado, vai ter que pagar alguma coisa por ter nascido rico, por ter ganhado dinheiro, ter que pedir desculpa. É melhor a mais gente ser rico.
Gottsha: [42:39] Toda minha vida tô assistindo esse BBB, porque eu já vi que começou a dar uma confusão do cão. Eu detesto o BBB, acho uma coisa mais chata do mundo. Mas eu resolvi assistir. Falei, porra, tá dando tanta kizumba que eu vou olhar. E aí, cara, eu vi justamente o inverso disso. Eu vi a negra falando mal da branca, falando que era uma questão de branquitude. E aí, cara... Como é isso? Daí você fala assim... E a branca.
Eron Falbo: [43:07] Não pode se defender. Porque se a branca se defender, ela é white power. Aí fudeu pra ela.
Gottsha: [43:13] Daí não pode, gente. A gente é todo mundo igual, gente.
Eron Falbo: [43:16] Cara, isso é uma loucura. Eu tava até falando isso com o Gabriel Moura ontem. Isso é uma questão de identidade de grupo. Os marxistas inventaram essa coisa de identidade de grupo que simplesmente não existia. Era uma coisa assim: cara, negro não é tudo igual, sacou? Negro pensa totalmente diferente. Um negro é totalmente diferente do outro. Como é que você pode defender os direitos dos negros no geral? Negro é totalmente diferente: tem um negro que tá ganhando dinheiro, tem um negro que não tá. Tem um negro que é pedreiro, tem um negro que é médico.
Gottsha: [43:44] E tem uma negra que fala exatamente isso no BBB, que é a Camila. Ela fala assim: 'Ó, não me coloca nessa militância', entendeu? Porque ela é até bem inteligente, a menina é super gente boa, não tem esse papo.
Eron Falbo: [43:59] Aí as pessoas falam: você é judeu, seu povo sofreu muito. Cara, o meu povo especificamente não sofreu muito não, a gente morava na Holanda, entendeu? Depois mudou para o Brasil, não sofreu o holocausto. Então, alguns judeus sofreram o holocausto. Muitos glótidos, inclusive, sofreram o holocausto, horrível isso, beleza. Mas não é assim, não é judeu sofrer, porra, depende do judeu. E outra coisa, foi outra geração. Muita gente tá falando assim: não, se eu sou negro, o tanto que eu sofri com escravidão, ainda mais nos Estados Unidos, no Black Lives Matter. Ninguém nasceu nos países mais desenvolvidos do mundo, com oportunidade de trabalho que nenhum outro país do mundo tem, com música, com cultura, com um monte de coisa, e tá reclamando que o antepassado dele era escravo, quando tem branco no Brasil que tá sofrendo muito mais do que eles.
Gottsha: [45:02] Porque isso eu também digo, entendeu? Digo assim: se vocês acham que não tem branco na comunidade, branco favelado, por favor! Temos brancos passando fome, temos negros... Graças a Deus, temos pessoas que chegam em lugares ótimos e, infelizmente, algumas pessoas que são maravilhosas também não chegam.
Eron Falbo: [45:22] E isso é o racismo, é colocar tudo no mesmo grupo. Os negros são assim, a gente pensa igual, a gente é igualzinho: isso é racismo. Porque, pra mim, eu não vejo esse negro assim. Pra mim, cada negro que eu conheço é uma pessoa. Eu não falo: pô, como é que eu vou falar com essa pessoa se é XYZ. Depende da pessoa. Se a pessoa for sensível, eu vou falar; gente, se não for...
Gottsha: [45:47] Foi o que eu falei no início dessa live: eu acho que fui educada de uma maneira para eu gostar do caráter das pessoas, e eu acho que isso é o que define o ser humano.
Eron Falbo: [45:58] É muito retrógrada essa mentalidade de identidade de grupo. É muito tribal, uma mentalidade tribal.
Gottsha: [46:08] Eu estou sentindo que virou uma moda de segregar. Em vez de se misturar, estamos fazendo o oposto. Infelizmente, porque a gente só ganha na união.
Eron Falbo: [46:21] Inclusive, o Brasil entrou nessa onda americana de segmentação, de segregação. O Brasil, desde Dom João VI, que era o pai de Dom Pedro I, já tinha uma visão. Tem uma carta de Dom João VI para a família dele falando que o Brasil vai ser o país do futuro, que vai misturar as raças para criar uma raça superior. Então o Brasil tinha um programa de misturar as raças desde o século XVIII.
Gottsha: [46:50] Eu vou falar, e convenhamos: aqui no Brasil é onde temos as pessoas mais lindas do mundo, é aqui. Me desculpem os outros países, eu sou viajada, já fui para a Europa, já fui para os Estados Unidos, até não fui para a Ásia, mas, cara, eu acho que toda essa mistura e todas as raças são lindas, gente. O grande lance é esse. Agora, aqui, como a gente tem muita mistura, a gente tem muita diversificação de pele, de rosto, de cor.
Eron Falbo: [47:23] E a gente está caindo numa armadilha que a gente está importando dos Estados Unidos, que é essa parada de segmentação. Eles cresceram em guetos, então eles sempre foram segmentados, sempre um contra o outro. E, beleza, isso é usado como plataforma política. Mas no Brasil essa não é a realidade. Claro que existe racismo, eu não sou um idiota alienado a ponto de dizer que não existe racismo, claro que existe. Mas não é só contra negro, é contra branco também, é contra índio. Eu não estou dizendo que branco sofreu, mas no Brasil não tem a realidade que os Estados Unidos têm.
Gottsha: [47:58] O ser humano sofre de qualquer maneira. Se você é alto demais, se você sai um pouco do padrão, esse cara é uma girafa; se é gorda, é uma baleia. Então, a gente vai ouvindo. A questão, acho que é a de educação: a gente sendo bem educado, tendo uns pais bacanas, uma escola que te eduque para você socializar em vez de desagrupar, que é a tendência que tenho percebido hoje. Com 51 anos, posso dizer isso de cadeira. Na minha época de colégio, eu estudei num colégio de rico, sou uma privilegiada, estudei no Colégio Andrius, um colégio que era... nem tão privilegiado.
Eron Falbo: [48:41] Porque eu também estudei em colégio de rico e, às vezes, a gente é muito mais alienado por causa disso. Então, as coisas são mais complexas do que dizer 'privilegiado' e você tem que pedir desculpa. Pô, tem muita coisa que a gente sofre de não entender do mundo porque foi alienado, foi sheltered, foi mantido protegido.
Gottsha: [49:00] Eu tive a sorte, e ainda era bolsista. Às vezes chegava um pouco com vergonha, porque não podia falar que era bolsista no colégio. Mas é engraçado que a minha mãe sempre ensinou: 'Gente, meninas, digam que vocês ganharam uma bolsa porque sua mãe trabalha muito.' Então tudo isso fez eu ser quem sou. E hoje eu tenho muito orgulho de falar essas coisas com naturalidade. Eu converso assim, eu converso do gari ao presidente, e eu não tenho problema, a minha linguagem é uma só. Eu sou uma pessoa muito...
Eron Falbo: [49:34] Eu concordo com o Gary presidente, eu.
Gottsha: [49:36] Não gosto muito... Vamos falar de um presidente de uma firma.
Eron Falbo: [49:40] Vamos dizer, Gari e Príncipe.
Gottsha: [49:42] É, porque dá remédio que nem conheço. Já falei que só conheço até o deputado. Depois, prefeito conheci, governador já não conheço nenhum, entendeu? Então, parei ali no prefeito. Está bom para mim.
Eron Falbo: [49:59] Mas deixa eu te perguntar uma coisa. Você só está deixando de beber álcool agora ou você parou no bar da vida?
Gottsha: [50:05] Nunca bebi álcool, cara. Nunca me droguei. Fumei maconha na época do colégio.
Eron Falbo: [50:11] Eu modifico o grito.
Gottsha: [50:13] Juro, nunca bebi. E o pior é que, às vezes, eu ganho de presente aqueles Veuve Clicquot. Aí eu falo, que máximo, eu detesto, eu acho horrível. Não consigo tomar.
Eron Falbo: [50:27] Eu não confio em quem não bebe, só que dá para ver que você é muito aberta, e você já nasceu com uma glândula assim que o álcool aciona.
Gottsha: [50:42] Estão dizendo que se eu bebo, eu derrubo. Então, realmente, eu já vim, gente. Acho que eu vim drogada. Minha mãe deve ter uns hormônios muito loucos, que ela é bem louca. Agora está mais calma, está com 77, foi vacinada ontem, graças a Deus.
Eron Falbo: [51:00] Que felicidade, graças a Deus. A mãe me gosta, ela me adicionou, ela me seguiu.
Gottsha: [51:07] Ela deve estar aí, porque eu falei, vamos lá assistir a live, ela é o máximo.
Eron Falbo: [51:11] Beijo para a recém-vacinada Mami Gotti.
Gottsha: [51:14] E é Mami Gotti mesmo. Todo mundo chama ela de Mami, que ela já adota todo mundo, que ela gosta de todo mundo. Ela é super... Ela sou eu, assim, ao cubo, sabe?
Eron Falbo: [51:26] Mas você mora no Rio? Você mora no Rio, né?
Gottsha: [51:28] Moro no Rio, moro no Flamengo.
Eron Falbo: [51:30] Eu ia te chamar para a gente tomar alguma coisa com o Maurício, alguma coisa, mas você não precisa, porque você pode beber um chá.
Gottsha: [51:36] Não, mas aí eu acho chique que vocês bebem e eu finjo, que eu adoro fingir para fazer a fina, sabe? E aí estou com um copo d'água com gás, aí a gente joga uma azeitona dentro, que eu acho que tem uma bebida que é linda, que tem uma azeitona, não sei que bebida é.
Eron Falbo: [51:56] É a Martini.
Gottsha: [51:57] Eu acho chiquérmio.
Eron Falbo: [51:59] E é o que o Maurício adora beber. Sempre que eu estou com o Maurício, eu bebo Martini. Aí ele bebe assim, né?
Gottsha: [52:04] É meio rosa. Pode ser eu gosto de saquê eu gosto ó tá aí uma bebida que eu gosto saquê eu gosto saquê eu consigo beber ainda mais se tiver uma fruta aí que dá um gostinho acabei.
Eron Falbo: [52:23] De pedir um saquê agora que eu vou beber agora um saquê eu vou.
Gottsha: [52:26] Comer um japonês ó vai lembrar de mim olha garoto agora você tá ferrado que agora eu desconheci eu vou colar na tua.
Eron Falbo: [52:35] E eu também vou total por lá na sua, porque eu preciso de mais gente como você na minha vida, gente aberta, gente bem resolvida, gente que sabe quem é, sabe o que quer, e é isso. Você tá convidada pra ser da minha vida.
Gottsha: [52:58] Você já viu que é essa louca, né? Porque eu sou assim diariamente. E todo mundo que me conhece fala, mas vem cá, você não tem um momento de tristeza? Claro que às vezes tem um momento que dá uma baixa. Tudo isso que a gente está vivendo é muito complicado. São inconcebíveis na minha cabeça. Eu fico chocada, eu falo, gente, às vezes a gente vê uma guerra, eu choro daqui, eu não posso ver um filme, um filme de guerra que eu me debulho. Então a gente está vivendo isso agora e realmente a gente tem que começar a valorizar o que realmente importa. Porque essas coisas pequenas, elas são tão pequenas que elas têm que ser jogadas fora, elas têm que ir embora.
Eron Falbo: [53:44] Essas semânticas, Essas divisões entre pessoas, essas existências entre barris.
Gottsha: [53:53] A gente tem que ser mais humano, mais amigo. A gente tem que entrar todo mundo numa corrente, uma corrente de energia bacana, de querer o bem para o mundo, entendeu? A gente tem que querer o bem até para quem quer o mal da gente. Porque isso, na verdade, é um bate-e-volta. Ele volta bem pra gente. Então esse papo de, ai, eu odeio aquela pessoa, detesto. Não, gente, deixa ela, vai ver que ela não tá bem, tá gato. Isso é pra me pedir em casamento que você botou esse coração? Foi isso.
Eron Falbo: [54:28] É pra gente falar de amor. Pra gente falar de bondade, de todo mundo se amar. De suruba no Instagram.
Gottsha: [54:39] A gente tá precisando disso mesmo.
Eron Falbo: [54:42] Acabou nosso tempo. Gente, passou como uma ventania, passou como um Opala nos anos 90. E eu queria deixar um espaço para você, se você tiver alguma coisa para divulgar que você está fazendo, só para a gente deixar esse espaço, que isso aqui vai ficar para a eternidade. Sabe que o meu programa vai bombar sinistramente, aí vai virar uma coisa... os arqueólogos vão cavar e vão achar o meu programa daqui a 100 mil horas.
Gottsha: [55:16] Eu sou louca para ser âncora de um programa, assim, por exemplo, ir para a rua. Você pode fazer um programa, já vou dar essa ideia aqui, ninguém vai roubar porque vai ficar gravado, tá? Você faz um programa, tipo, no teu sofazão, no sofazão do Eron, entendeu? E aí é a Gottsha na rua, cara, falando com a galera, que eu gosto do povo, entendeu? Adoro.
Eron Falbo: [55:40] Eu fico seguro no meu sofá, adorei bem.
Gottsha: [55:43] Você fica no seu drink, no seu martini, com o seu convidado, e de vez em quando eu apareço no off, assim, mostrando a galera, nessa elegância, e eu bem bagaceira já na rua.
Eron Falbo: [55:58] E é bom que eu posso usar blazer, porque na rua não dá pra usar blazer.
Gottsha: [56:01] É, não dá.
Eron Falbo: [56:02] Três coisas: ou você vai ser roubado, ou você vai ser ridicularizado, ou você vai tirar por causa do calor.
Gottsha: [56:09] Por causa do calor, exatamente. E eu vou, tá vendo? Estão falando que eu adoro uma aglomeração, eu amo aglomerar. Eu tô sofrendo muito não podendo aglomerar, mas daqui a pouco.
Eron Falbo: [56:19] Mas você não está saindo mesmo, não? Você está respeitando? Você não é mais política. Você pode falar abertamente.
Gottsha: [56:25] Não, eu estou super respeitando. Eu até parei de ir para a academia.
Eron Falbo: [56:29] Eu não estou, não. Queria dizer, eu não estou respeitando, entendeu? Até desculpa se eu te passei o Covid agora na live.
Gottsha: [56:35] Na live é bom que a gente não passa nada para ninguém, entendeu? Mas eu estou cagada, cara.
Eron Falbo: [56:42] O amor e carinho a gente passa, sim. A gente está passando. Está chegando até aqui o seu carisma. Várias coisas que eu chego a mentir.
Gottsha: [56:50] Você também é incrível, é gato, hein, Zé? Hein, Maurício? Olha ele! Eu adoro brincar de filtro também. Daqui a pouco eu vou botar um aqui meu... Ah, o meu que é feio! Por favor, pare agora, senhor juiz.
Eron Falbo: [57:12] Você tá falando que você é rebelde? Ah, falando nisso, isso é no Liceu Belgio que você tá fazendo?
Gottsha: [57:18] Esse não, esse é Wanderléia. Ah, tá.
Eron Falbo: [57:22] Porque eu sei que você viu lá no YouTube, o menino que trabalha comigo na nossa produção, a Cate, Cate Viamonte, acho que é o sobrenome dela, trabalhou com você no Liceu Belgio.
Gottsha: [57:35] Ela é uma fofo, eu fiz a madre superiora e agora, ó, minhas novidades são.
Eron Falbo: [57:40] Um beijo pra Cate.
Gottsha: [57:42] E um beijo, já tô seguindo a Cate que ela botou lá com tanto amor, assim, ah, eu amo a Gottsha, eu também já amo. Quem me ama, eu amo na hora, gente, eu sou assim. Falou, eu amo a Gottsha, eu já amo, entendeu?
Eron Falbo: [57:54] Você tem bom gosto, né? Eu também sou assim. Na verdade, a melhor coisa é a citação do Groucho Marx, né? Tipo assim, eu nunca faria parte de um clube que me aceitaria como membro.
Gottsha: [58:07] Só membro, não. Quem me ama, eu amo na hora, gente. Mas deixa eu falar as novidades para vocês.
Eron Falbo: [58:18] Fala aí.
Gottsha: [58:19] Em agosto, vou fazer Cinderela em São Paulo, vou fazer A Madrasta. Então vou fazer uma vilanzona para vocês, muito divertida, vai ser bem legal. Se tudo der certo e os teatros realmente reabrirem dessa maneira, vagarosamente, tudo dentro dos conformes da saúde, das regras da OMS...
Eron Falbo: [58:42] As coisas politicamente corretas.
Gottsha: [58:44] E eu também tô lançando singles a partir desse mês. O primeiro com o Miguel Falabella, cantando comigo, Don't Go Breaking My Heart, do Elton John, que vão ser vários remixes e vai sair tudo no mesmo dia. Eu vou avisar o pré-save pra vocês antes aqui, que tá demais. Tem até um videozinho que a gente fez no estúdio, que a gente vai rolar. E mensalmente vai vir um single meu, cantando o que vocês gostam de ouvir, que são essas músicas super alto astral, músicas leves, músicas que fizeram sucesso. Vem música inédita também, mas é um pouquinho mais pra frente. Mas se liguem no meu Spotify, nas minhas redes sociais, porque vem muita coisa boa. Eu parei essa pandemia, eu falei, ó, chega de sofrer. Agora, quando acabar a pandemia... Produção, produção, produção, de mim, a galera vai ser muito feliz. Se depender de Gottsha, minha gente, vocês vão ser muito felizes.
Eron Falbo: [59:43] Bom, e se você não odiar muito as minhas músicas, depois, quando você for ouvir, vamos fazer alguma coisa dessas, que eu sempre quis fazer uma coisa fora do armário.
Gottsha: [59:53] Mentira! Olha, o dono da minha gravadora tava procurando um dueto pra fazer, depois eu te conto de quê. Você vai rir, cara. É hilário.
Eron Falbo: [1:00:01] Tô dentro, já assinei.
Gottsha: [1:00:03] Hilário, é uma coisa super engraçada, mas eu acho que dá um pé, e você tem um pouco da cara do cara que fez.
Eron Falbo: [1:00:12] Vai escutar primeiro, você vai se arrepender de ter falado isso, mas tudo bem. Agora já assinou, já pode assinar.
Gottsha: [1:00:18] Eu vou ouvir, vou lá criticar, vou dar nota, vou ver se eu viro a cadeira, The Voice.
Eron Falbo: [1:00:24] Gottsha, eu te adorei. Adorei o papo, adorei sua energia, é um alívio, é muito bom que pessoas como você existem, que não existem, que é só você a única, mas que você existe.
Gottsha: [1:00:39] Obrigada.
Eron Falbo: [1:00:39] É bom se conhecer, conseguir sair da sua casa, se desentocar. Agora que sua mãe está segura, talvez de repente você consiga abrir um pouco mais. Graças a Deus.
Gottsha: [1:00:52] Verdade, gente. Daqui a pouco a gente combina, nós três, a gente vai de máscara, tira só pra beber, bota máscara.
Eron Falbo: [1:01:00] Eu sei de máscara.
Gottsha: [1:01:01] Eu já estou amando a máscara. Agora eu já me sinto uma Gottsha amascarada. Eu vou me lançar cantando de máscara.
Eron Falbo: [1:01:07] Eu só vou de máscara se for de negro ou de índio também.
Gottsha: [1:01:11] Ai, gente, mas foi um prazer. Adorei você também, viu? Parabéns pro filhote. Depois eu quero conhecer esse moleque, que eu amo criança. Amo.
Eron Falbo: [1:01:23] Valeu, obrigada. Vou falar pra ele que você mandou um beijo de aniversário.
Gottsha: [1:01:27] Manda um beijão e fala assim: ah, madrasta da Enrolados mandou um beijo.
Eron Falbo: [1:01:32] Vou falar pra ele assistir em português, caraca, porque ele só assiste em inglês também. E vai assistir.
Gottsha: [1:01:41] A versão em português só vale a pena porque eu tô lá, tá?
Eron Falbo: [1:01:46] Vou assistir com certeza, pode ter certeza. E vou te dar o feedback.
Gottsha: [1:01:50] Tô esperando, a gente já tá em contato.
Eron Falbo: [1:01:53] Valeu, Gottsha. Beijão. Beijão a todos que participaram. Adorei todos os comentários. Não respondi nada porque a gente tentou aqui, dando o papo super louco.
Gottsha: [1:02:03] Mas é isso. Melhor pedir desculpa do que... Um beijo para todos vocês. Obrigada pelo carinho. E até já, se Deus quiser, daqui a pouco a gente está junto no real, no presencial, se abraçando e se beijando muito.
Eron Falbo: [1:02:18] Amém. Tudo de bom. Beijão.
Gottsha: [1:02:20] Amém, meu amor. Um beijo.
Eron Falbo: [1:02:21] Obrigada. Tchau, tchau. Faz beijão.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #74 · todos os episódios