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Eron Falbo: [0:00] Eron Falbo: No Alvo com o Eron Falbo. E aí, pessoal, sejam bem-vindos! Você entrou no Alvo. Eu sou o Eron Falbo, estamos aqui com Alexia Dechamps. E a Alexia é uma atriz, é uma ex-modelo e hoje ativista em prol da causa dos animais e do meio ambiente, no caso. Vamos ver se a Alexia já entrou. É possível que sim. Eu deixei aqui um tubarão, não sei se vocês viram. Eu quero perguntar para a Alexia se ela também gosta dos predadores. Oi, Alexia, tudo bem?
Alexia Dechamps: [0:44] Alexia Dechamps: Oiê, e aí?
Eron Falbo: [0:46] Eron Falbo: E aí, beleza?
Alexia Dechamps: [0:49] Alexia Dechamps: Tudo ótimo, ótimo.
Eron Falbo: [0:51] Eron Falbo: Seja muito bem-vinda.
Alexia Dechamps: [0:54] Alexia Dechamps: Amém!
Eron Falbo: [0:54] Eron Falbo: Estamos juntos aqui. Vamos fazer uma conversa genial. Você já está aí há quanto tempo? Você viu o meu tubarãozinho?
Alexia Dechamps: [1:04] Alexia Dechamps: Que amor! Eu vi ele no sofá, né? Eu amo bicho de pelúcia, né? Eu tenho vários. Agora eu dei um pouco, porque não tinha mais lugar pra colocar. Aí comecei a dar um pouco, mas com apego.
Eron Falbo: [1:25] Eron Falbo: E também tá aglomerando, né? Bichinho de pelúcia demais fica ruim pra eles.
Alexia Dechamps: [1:31] Alexia Dechamps: Fica sem ar, né?
Eron Falbo: [1:34] Eron Falbo: Não, eles passam Covid um para o outro, né? Tem que ter distância social.
Alexia Dechamps: [1:39] Alexia Dechamps: Não, gente, vou falar, já não estou tendo approach social muito com ninguém. Ainda tiver que separar dos meus bichinhos. Os bichinhos foram embora porque estava na hora mesmo. Mas eu gosto muito. Eu sou daquela que vou para a Disney e compro.
Eron Falbo: [1:59] Eron Falbo: Você tava desde os 16 anos esperando, né? Tipo, a sua mãe falou, às vezes você já tem 16 anos, você tá debutando, tem que dar esses bichinhos. Aí você falou, não, meu Deus, espera mais um pouco.
Alexia Dechamps: [2:10] Alexia Dechamps: Pior não era nem a mãe, são os namorados, né? Chegavam pra mim e falavam assim: amor, você não acha que você tá um pouquinho madura já pra ter o bichinho em cima da cama? Eu falei...
Eron Falbo: [2:24] Ah, Alex, você não acha que a melhor coisa do mundo é a gente manter o máximo possível o E.T.?
Alexia Dechamps: [2:33] Eu tenho uma coleção de E.T.s, tenho um lá na cozinha, e amo E.T. Os E.T. eu não dei, sacou?
Eron Falbo: [2:47] Esse aí não deve ser muito bom de dormir junto, não.
Alexia Dechamps: [2:50] Não, esse aqui não. Vai que você acorda em outro planeta, literalmente.
Eron Falbo: [2:57] O que eu estava dizendo é que essa coisa da gente manter algumas coisas da infância é muito bom, que a gente se mantém um pouquinho ingênuo, um pouquinho inocente, um pouquinho no mundo da fantasia.
Alexia Dechamps: [3:11] Eu tento fazer isso com a minha carreira no teatro. A gente tenta fugir um pouco dessa realidade, que é isso. Acho que fujo um pouco bastante, porque tenho os bichinhos, gosto de ir para lugar de criança, amo fazer teatro, tenho sentido muita falta do teatro agora, principalmente nesse momento de pandemia. Seria um sonho poder ir para o mundo faz de conta. Está muito dura a realidade.
Eron Falbo: [3:42] É o momento que a gente mais precisa. Bom, pelo menos tem o Netflix. O Netflix está bombando aí, está cheio de coisa nova. Graças a Deus voltaram a fazer produções em certos lugares do mundo que têm vacina.
Alexia Dechamps: [3:56] Eu amo a Globo. Eu sou noveleira. Amo uma empresa que eu trabalhei anos, que vira e mexe eu estou lá. Eu me dou com as pessoas de lá. Às vezes a gente tem umas conversas para voltar. Então, assim, vira e mexe eu me pego vendo a Globo. Hoje em dia a gente tem Netflix. Caramba, eu vejo Globo!
Eron Falbo: [4:17] Você deve ser o último dos moicanos que ainda está assistindo. Você tem uma relação diferente, você trabalhou muito tempo, você tem uma relação pessoal. Porque, na minha vida inteira, eu não conheço muita gente, eu tenho alguns amigos que são da Globo, já trabalham na Globo, mas eu nunca ouvi isso deles, e nunca ouvi de ninguém. Essa frase, eu amo a Globo, eu nunca ouvi.
Alexia Dechamps: [4:40] Eu amo a Globo e fico puta da vida com as pessoas que falam que Globo é lixo. Globo é lixo, meu cu, entendeu? Desculpa, mas... Porque sabe o que acontece? Ela dá 25 mil, 30 mil empregos na cidade do Rio de Janeiro, que é uma cidade complicada, quase quebrada, entendeu?
Eron Falbo: [5:00] Mas com esse argumento aí, também Hitler deu muito emprego. Uma coisa não justifica muito o fato de que eles dão muitos empregos. Eu não estou dizendo, porque na verdade nem julgo, entendeu? Para mim, as emissoras de televisão estão tentando ganhar dinheiro, elas sabem o que têm que fazer. Eu não tenho essa coisa de Globo lixo. Eu acho que quem chama de Globo lixo tem uma expectativa de que a Globo vai falar a verdade sempre, ou que a Globo vai ter tudo o que eles sempre queriam. Aí, que nem uma criança, quando se sente abandonada, xinga e não sei o quê. Mas, cara, as emissoras de televisão têm a obrigação de subir os ratings, né? Têm a obrigação de fazer programação de acordo com a agenda delas mesmas. Não devem nada a ninguém.
Alexia Dechamps: [5:52] Eu acho que, no Brasil, na América Latina, é a melhor televisão, acho que é uma das melhores do mundo. A dramaturgia, as novelas não devem nada a ninguém, nem as séries, nem os atores brasileiros, nada. É uma empresa pela qual tenho uma simpatia. Primeiro porque trabalhei lá, fui muito feliz, segundo que tenho muitos amigos, considero talentosíssima a empresa mesmo. Então, assim, para te falar, eu me pego, é vício, às vezes tem a Netflix, tem tudo na mão da gente, mas eu me pego vendo a Globo, vendo a novela, eu adoro o Jornal da Globo mesmo, adoro o Bonner, e eu sou do time que apoio a galera toda lá, eu acho todo mundo bom, entendeu?
Eron Falbo: [6:39] Estou te perguntando isso também, porque é uma visão única. A gente está aqui para isso, para sair da caixa, ter uma visão única. Alguém aqui que está assistindo falou que é absurda essa comparação com o Hitler. Peço desculpas, peço desculpas pelo fato de que você entrou na minha live. Por favor, vá embora.
Alexia Dechamps: [6:59] Então, não sei. Eu, de verdade, conheço a empresa lá dentro, desde o cameraman, sabe, até o cara, até o eletricista, até não sei o quê, é uma empresa super importante.
Eron Falbo: [7:14] Claro, claro. As pessoas às vezes esquecem disso. O que você falou é muito importante, até entrando mais a fundo nessa comparação que eu fiz. Você falou que gera empregos, porque às vezes a maioria das pessoas que são audiência da Globo não sabem que é toda uma família, que é toda uma organização, um sistema que mexe com a vida pessoal das pessoas assim como mexe com a sua vida. E às vezes julgam por um aumento político do país ou por certas escolhas da gestão atual, ou não. E, cara, o jeito que eu vejo isso é que muitas instituições, especialmente as que estão mais em voga, tipo o Neymar Júnior, os artistas que estão em voga, as instituições que estão no topo, elas se colocam em jogo, para muita crítica, para muita coisa que muitas vezes é injusta. A gente estava até conversando antes sobre isso, sobre essa cultura de cancelamento, de julgar e cancelar.
Alexia Dechamps: [8:20] É assim em geral. A partir do momento em que você está muito exposta, você apanha, entendeu? Quem está quieto não apanha. Mas, por exemplo, isso é uma coisa que as pessoas falam: você está sumida, está no seu campo. E eu falo, olha só, gente, estou fazendo teatro. Parei, tive que parar um tempo, trabalhei muito, várias coisas aconteceram na minha vida, inclusive uma síndrome, talvez, naquela época, de superexposição. Eu fiz muita novela, trabalhei muito, aí tinha a coisa que eu vinha dar de modelo, e não sei o quê, e tudo. E assim, chegou uma hora que eu estava me sentindo muito exposta e aí não estava legal também, precisei dar um tempo. E quando voltei a trabalhar, voltei para o teatro. A Globo realmente mudou, muitas pessoas... Era mais família, hoje em dia é mais empresa, realmente. E muita gente que estava lá, que eu trabalhava, não está mais lá. Então, é uma nova empresa, é um novo recomeço, apesar de eu ter vários amigos. Então, o que eu tenho a dizer? Eu sentia que, quando você está muito exposta, você apanha o tempo inteiro, entendeu? Você entra num restaurante, as pessoas estão te julgando, olhando tua roupa, olhando teu sapato, olhando teu cabelo, olhando a tua pele, olhando se você está magra, se você está gorda. Cara, vou te falar, é um controle sobre a sua vida e muita fofoca. É complexo.
Eron Falbo: [9:43] Eles ficam tentando achar defeito e, se precisar, inventam. Como você tem muito sucesso, as pessoas acham que é inveja, não sei qual é o processo psicológico envolvido. Na mitologia germânica, tem um deus chamado Baldur, que era considerado o mais perfeito, como se fosse o Apolo dentro do mundo grego e romano. E o cara era mais lindo, mais inteligente, mais sábio, tudo era perfeito. Aí, como ele tinha tudo de perfeito, ele realmente tinha tudo de perfeito, os outros deuses começaram a tentar achar defeitos no Baldur, né? Aí eles fizeram um festival falando: ninguém conseguiu achar defeitos no Baldur, então vamos fazer um festival de atirar tudo que a gente conseguir no Baldur, até encontrar alguma coisa no cosmos que consiga penetrar o corpo perfeito dele. Aí eles começaram a atirar montanhas, atirar flechas, bazucas, tudo que os deuses podem atirar, até planetas em cima do Baldur. Aí, finalmente, eles esqueceram de uma pequena plantinha, tão pequenininha e tão esquecida que os deuses nem lembravam que ela existia. Aí Loki, que é um dos deuses, tipo Lúcifer, o deus da malandragem, tipo Mercúrio nos romanos, pega uma flecha e põe essa plantinha na ponta da flecha. E como todos os deuses tinham esquecido dessa plantinha, essa plantinha mata o Baldur, entendeu? Essa é a mensagem mitológica. Mas acho que no mundo das celebridades, no mundo da Globo, de tudo mais, a gente percebe muito essa vontade humana de derrubar as coisas que estão dando muito certo. Tipo assim, se está dando muito certo, tem alguma coisa errada. Se está muito grande, se está exposta demais... Onde a gente encontra o erro disso, né? Você sentiu isso quando você estava com essa coisa de síndrome de exposição?
Alexia Dechamps: [12:02] Eu sinto que você incomoda. Não sei dizer se é inveja. Percebo que tudo que é muito famoso no Brasil vira alguma coisa: 'Ah, é isso!' Não, mas é não sei o quê, inventam coisas. O Ayrton Senna era não sei o quê, a Xuxa namorava 500 paquitas, é aquela história maluca que falam, estão sempre falando alguma coisa. É como se o sucesso incomodasse. É difícil, talvez, ser famoso aqui. Eu não cheguei nesse tamanho, jamais cheguei nesse tamanho de fama, mas era uma coisa que me chamava a atenção nessas pessoas tão famosas. E o que me incomodava realmente era ser constantemente observada, julgada, cobrada. E isso é uma coisa que, até hoje, eu vejo na internet, por exemplo, nas redes sociais. Tem uma geração que talvez nem me conheça, mas como tenho meu nome certificado, por exemplo, no Instagram, cada crítica que faço, política, em algum site de notícia, nossa senhora, aquele certificado vem com 90 mil pessoas me respondendo, me defendendo, me atacando, me defendendo, me atacando. E tem gente lá que fala assim: quem é essa? Nem sei quem é essa. Ah, não, não, não, é você que está me respondendo porque está incomodado comigo, entendeu? Então, assim, eu vejo que as pessoas... É muito doido isso, porque tem gente que talvez realmente não saiba quem eu sou, dessa geração, mas por você ter um certificado significa que você é famosa. Se você é famosa, qualquer coisa que você responda traz ataque ou traz elogio. Mas, politicamente, ultimamente, tem sido muito ataque, porque tem uma galera do ódio ali na política que está complicada.
Eron Falbo: [14:01] Com certeza, com certeza. Dos dois lados tem muito ataque, não é?
Alexia Dechamps: [14:07] Dos dois lados, os dois, mas tem um que eu acho que... Muito, sim, muito.
Eron Falbo: [14:14] Sei qual. E, assim, você que já sofreu isso e não gosta disso... Na verdade, antes da gente entrar nisso, que é um pouco mais batido, vamos entrar nesse aspecto psicológico de você se sentir exposta e de não gostar disso, porque eu já tive um pouco disso. Eu comecei sendo músico lá na Inglaterra, nem perto do que você teve, mas eu senti um pouquinho dessa coisa de pressão, das outras pessoas criarem uma expectativa de você fazer X ou Y, e quando você vai fazer o próximo, de que jeito que vai ser. E o que eu senti, e vê se tem a ver com o que você sentiu, foi perder um pouquinho de autenticidade da arte que eu queria fazer. Porque às vezes você se sente um pouco assim: não, eu vou fazer porque estou sentindo a pressão. E eu sempre senti um medo de fazer por essa razão, e não fazer porque era o que eu queria expressar como artista, o que eu queria realizar como ser humano.
Alexia Dechamps: [15:24] É, você fica muito refém dos seus fãs, do que as pessoas esperam de você. Não é fácil se manter, digamos assim, protagonista dos seus projetos quando tem uma turma muito grande esperando de você. Eu, por exemplo, fui fazer projetos de teatro que não são comerciais. Fiz dois Nelsons, dois Nelson Rodrigues agora, com pessoas muito interessantes, muito bons atores, com o diretor Fajala, maravilhoso, com a Letícia Espilha, Rosamaria Mutinho. Enfim, fiz dois projetos muito incríveis que, por isso, talvez a gente tenha tido muita repercussão, muito sucesso, porque percebo que o povo não gosta. São projetos muito de ator, são projetos muito artísticos, de uma profundidade artística, mas que não alcançam a grande massa, não é o que a grande massa quer ver. Então, é muito difícil, o povo fala assim: 'mas você está fazendo Nelson?' É, gente, eu fazendo Nelson. Até ganhei uma medalha de Nelson.
Eron Falbo: [16:40] Eu não sabia que tinha isso. Como é essa história? Só para eu entender, porque Nelson Rodrigues é muito intelectual. Qual é o ganho?
Alexia Dechamps: [16:47] Nelson é muito intelectual, Nelson é muito profundo, Nelson é muito especial, Nelson é muito único. Assim, Dona Fernanda Montenegro, que eu chamo de dona porque... Com respeito, com respeito, uma reverência, muito... Ela foi assistir às nossas duas peças. Eu tive a Fernanda Montenegro duas vezes na minha plateia porque a gente estava fazendo o Nelson. Ela não foi por mim nem pela Letícia Espilha, talvez ela tenha ido pela Rosamaria Mutinho. E, assim, Nelson é Nelson, entendeu? Não é um Shakespeare, mas é um artista único, sacou? E não agrada a massa, não é uma coisa das massas, e principalmente dessa massa atual. Eu vejo que o Brasil talvez esteja tão sufocado, a gente está tão frustrado, a gente está tão represado com tanta coisa acontecendo, que acho que o brasileiro está precisando rir. As pessoas estão procurando mesmo formas de se divertir. E talvez os teatros, as peças, os projetos que estou escolhendo fazer não sejam da grande massa, mas estou muito feliz com a minha escolha. São escolhas que são minhas.
Eron Falbo: [18:04] Autorrealização, né? Você está buscando a sua autorrealização. Na pirâmide de Maslow, na base da pirâmide estão necessidades como fome, sexo, etc., e no topo está a autorrealização. Então, na verdade, isso diz sobre você que você já está em outro momento da vida, que você já está suprida nos desejos mais básicos e está buscando coisas maiores na sua vida.
Alexia Dechamps: [18:33] Eu estou assim porque, na verdade, isso não quer dizer que eu não vou fazer daqui a pouco alguma coisa engraçada. A gente estava fazendo Dogville, que é o filme de Lars von Trier que a Nicole Kidman fez. A gente fez Dogville.
Eron Falbo: [18:47] Você fez a Nicole Kidman?
Alexia Dechamps: [18:48] Não, eu não tenho mais idade para fazer. Quem fazia a Nicole Kidman era a Mel Lisboa, a Mel fazia o papel da Nicole. Depois a Larissa Maciel fez, na viagem para Brasília, quando a gente se apresentou em Brasília. E a gente estava viajando, fez Minas Gerais, fez BH lotando, cinco dias em Brasília lotando. Cara, o sucesso, todo mundo amava. E é uma peça que foi escrita em 1942, 43, sei lá, e tem tudo a ver com o momento que a gente está vivendo hoje. O teatro fica em silêncio, sabe? Então, são coisas assim... É isso, voltando para o assunto de que as pessoas às vezes esperam que você faça coisas e você escolhe fazer outras. E, nesse momento, você não fica tão popular, sacou? Mas você está fazendo uma coisa para você. E é isso, daqui a pouco eu estou lá, vou voltando para a televisão, daqui a pouco estou no streaming, daqui a pouco estou fazendo uma comédia, vamos que vamos.
Eron Falbo: [19:51] Que assim seja, estamos torcendo por você e por todos os seus projetos futuros. E que, em breve, a gente possa fazer produções maiores, começar a espalhar essas vacinas para quem precisa e tudo mais, para a gente poder voltar um pouquinho às festas, né? Ou, pelo menos, a festas normais, que não são clandestinas.
Alexia Dechamps: [20:15] Então, eu, na verdade, quero muito voltar para o teatro. A gente precisa voltar a trabalhar, tem uma classe... São seis milhões de empregos que o entretenimento gera, e eu sou a ponta da pirâmide, legal, mas tem lá o Cabo Mena, o pipoqueiro, o cara da porta do teatro. As pessoas estão sem trabalhar, então é muito grave.
Eron Falbo: [20:43] Isso é o pior. Mas também os artistas, as pessoas presumem que os artistas são supermilionários. Até o artista da Globo tem dificuldade, e ainda mais artistas de teatro e outras pessoas assim. E na pandemia é uma coisa que não teve: barraquinha de cachorro-quente até é possível na frente da praia. Teatro e essas coisas realmente pararam durante a maioria do tempo.
Alexia Dechamps: [21:15] Gente, tem uma pessoa muito louca aqui, que eu vou printar ela depois, porque ela me chama de drogada, de maconheira, de que eu fumo. Eu não fumo cigarro, eu não fumo maconha, mas eu vou printar ela, porque se ela continuar me ofendendo, eu vou processar a fofinha!
Eron Falbo: [21:34] Caraca! Mas isso é normal, porque é aquilo que a gente estava falando, entendeu?
Alexia Dechamps: [21:41] É aquilo que a gente estava falando, é hater, você não sabe nem por quê.
Eron Falbo: [21:45] Mas ignora essas coisas. Falaram algumas coisas para mim também. Me falaram para eu não chamar uma mulher de cara, porque eu falo cara tipo uma expressão. Aí depois ele chamou de gostosa. Então, não sei se qualquer... Olha só...
Alexia Dechamps: [22:02] Eu estou contando os dias. Você pegou Covid? Você teve Covid?
Eron Falbo: [22:08] Eu já peguei, pelo menos uma vez. Eu não tô com muita preocupação, eu vejo que tô numa zona de nenhum risco. Mesmo o risco de dirigir 15 quilômetros para o trabalho, eu não tô com muito problema. É óbvio que a minha mãe é exposta.
Alexia Dechamps: [22:28] Você mora com ela?
Eron Falbo: [22:30] Não, não moro com ela.
Alexia Dechamps: [22:31] Eu não peguei, que eu me considero uma sortuda, mas eu tomei muito cuidado também, sabe? Eu sou a maluca da máscara, sacou? E uso muita máscara, acho que me ajudou muito. E assim, fiz tudo o que tinha para fazer, respeitei tudo o que tinha para respeitar. Chegou uma hora que a gente vê que voltou para a vida, mas sempre com máscara, sabe? E sempre, assim, ao ar livre. Respeitei tudo e não peguei ainda. Confesso, assim, que vira e mexe eu dou umas choradas, né? Tá estranho tudo, tá meio... emocionalmente, para...
Eron Falbo: [23:18] Para mim, está pior do que os riscos. Alguém chamado Os Indefesos está gritando que todos estão em risco. É muito engraçado que o nome é Os Indefesos, então não faz sentido.
Alexia Dechamps: [23:29] É uma ONG animal da Rosana Guerra. Ela sabia que eu ia fazer e ela falou que o marido dela te segue. Ela vai lá e eu vou assistir.
Eron Falbo: [23:38] Aí ela tá me assistindo. Gente, eu sou propósito, com licença. Às vezes eu brinco com as coisas, mas é só no espírito de brincadeira. É porque realmente é engraçado, um mês e depois todo mundo tá em risco. Só para endereçar essa coisa: realmente todo mundo tá em risco sempre. A gente tá em risco, a vida é totalmente imprevisível, a vida é uma selva. E, você tem ideia, todo dia de manhã eu faço meditação, faço quatro meditações. A primeira é para agradecer, para eu entrar com espírito de gratidão no dia. O segundo... Eu acho que isso saiu.
Alexia Dechamps: [24:14] Voltou, voltou.
Eron Falbo: [24:16] Primeiro é de gratidão, para entrar com o espírito de gratidão no dia. Segundo é um fortalecimento pessoal, uma imaginação das forças entrando em mim, de diversos níveis. A terceira é... Como é que se diz? É agradecendo pelo futuro, que aí você entra numa espécie de auto-hipnose de que você já chegou aonde você quer chegar. Sinta, ignora, já estou vendo também. E a última coisa é imaginando eu morrendo de diversas formas diferentes, você entende? Para poder tirar um pouco dessa fragilidade da vida. A vida é difícil mesmo, e é possível que eu morra hoje.
Alexia Dechamps: [25:00] Mas você se imagina morrendo, é isso?
Eron Falbo: [25:04] Eu imagino morrendo de diversas maneiras diferentes. Isso aí vem do código do samurai, do bushido, porque isso é uma forma de você se tornar mais corajoso e mais desapegado das coisas materiais, vivendo por coisas que importam mais, vamos dizer. Ou seja, ao invés de você se importar se eu vou morrer ou não, importa se você tá sendo carinhoso com alguém, se você tá sendo justo, se você tá sendo corajoso, inteligente, e não esse negócio de perigoso pra minha vida. Foda-se se eu vou morrer, o importante é se eu tô fazendo bem, entendeu?
Alexia Dechamps: [25:46] É, porque a morte é difícil, né? A gente tem que aprender a lidar com isso, mas é difícil, nem todo mundo aprende.
Eron Falbo: [25:53] Se você lida com isso, se você lida com essa questão da morte, você se preocupa com as coisas que importam, que não têm a ver... Deixa eu ver se dá para bloquear essa pessoa aqui, porque ela está falando demais.
Alexia Dechamps: [26:06] Nossa, mas a pessoa tem uma obsessão com droga, deve estar precisando, deve estar com síndrome da falta de droga. É hater, é hater mesmo, e é repetitivo. Um hater é repetitivo. Tem muita criatividade.
Eron Falbo: [26:21] Na verdade, é só encher o saco aqui, eu não preciso. Exatamente, se fica fazendo flooding, botando muita resposta, eu nem estou julgando ele. Se ele está drogado...
Alexia Dechamps: [26:34] É maconha! É maconha! É maconha!
Eron Falbo: [26:37] É maconha! Encher o saco, encher o saco. Enchendo o saco na nossa festa particular, ninguém convidou ele.
Alexia Dechamps: [26:45] Porra, falando nisso, falando em maconha, você viu o negócio da Anvisa, que eles pararam, deram uma interrompida na produção de maconha e canabidiol para as crianças?
Eron Falbo: [26:57] Por que deram uma interrompida?
Alexia Dechamps: [27:00] Não sei, em plena pandemia a Anvisa mandou parar a produção de canabidiol medicinal, que é uma coisa muito séria.
Eron Falbo: [27:07] Eron Falbo: Por quê? Mas eles deram um porquê disso?
Alexia Dechamps: [27:09] Alexia Dechamps: Não deram. Eu vou até postar, porque eu vou saber disso agora melhor, porque eu acho que a justiça tem que voltar com isso urgente, porque tem um monte de criança dependendo disso. É seríssimo, entendeu? A gente está vivendo umas coisas muito estranhas, né? Mas, enfim... E aí, o canabidiol... As crianças com problemas de... Elas têm convulsões, né? E o canabidiol segura, né? Então, eu vou postar, porque realmente a gente precisa ajudar isso, sabe? Eu uso muito o meu espaço para ajudar.
Eron Falbo: [27:41] Eron Falbo: Ótimo.
Alexia Dechamps: [27:43] Alexia Dechamps: Eu uso muito o espaço para ajudar. Minha causa é ambiental e animal.
Eron Falbo: [27:47] Eron Falbo: Só uma curiosidade: você é a favor da legalização das drogas no geral, ou só medicinal? Qual é a sua posição? Só para você se sentir mais à vontade, eu sou a favor da legalização das drogas no geral. Você pode falar o que quiser.
Alexia Dechamps: [28:03] Alexia Dechamps: Eu não tenho uma posição clara a respeito do geral. Do canabidiol, claro, os países como Califórnia, os países adiantados, Primeiro Mundo, está todo mundo produzindo, está sendo muito bom para a saúde das crianças e tal. Do geral, quando eu vejo o Fernando Henrique falar que ele é super a favor da legalização, eu acho que ele tem completa razão, que a gente gera, enfim, cada um vai pagar imposto, vai acabar o proibido, vai acabar o tráfico, vai acabar o bandido da arma, fica uma coisa legalizada que paga imposto, e cada um vai se drogar porque quer, porque é legalizado.
Eron Falbo: [28:45] Eron Falbo: Exatamente.
Alexia Dechamps: [28:46] Alexia Dechamps: Eu não me drogo porque...
Eron Falbo: [28:48] Eron Falbo: Acaso esse ponto que você falou, o Fernando Henrique normalmente é super de esquerda, mas essa posição dele é super liberalista, que normalmente é uma posição, em termos clássicos, de direita, que é a liberdade individual do ser humano, a liberdade de ir e vir, de buscar os próprios problemas ou soluções. Tipo assim, não é um problema do Estado se eu quero buscar uma recreação me drogando, seja com cocaína, seja com maconha, ou seja com o cigarro, que é uma indústria super trilionária, por isso nunca foi ilegalizada, e álcool. Álcool é universalmente aceito, porque existe tanto nos Astecas quanto na China quanto na Europa, e por isso ninguém nunca deixou ilegal. Mas as outras coisas foram tornadas ilegais porque são culturalmente marginais, não têm nada a ver com o efeito. Tanto que o cigarro, em estudos sobre drogas, é a droga mais viciante que existe no mundo, em primeiro lugar.
Alexia Dechamps: [29:57] Alexia Dechamps: Eu fui fumante durante muitos anos. Fumei durante 20 anos, comecei a fumar adolescente. E foi assim: eu não bebia, realmente não faço drogas, não curto, e não gosto de nada que me tira do meu... Então, eu gostava muito de fumar, fumava berça, sabe? E foi uma das coisas mais difíceis de largar. Eu tinha síndrome de abstinência, duas horas da tarde era uma drogaça, eu fumava mó borão, sabe? E aí eu tinha abstinência, eu perdi o sono, eu tive insônia quando resolvi parar. Foi muito difícil. O Dráuzio Varella até me ajudou na época. Ele foi me encaminhando para certos processos, para poder ser mais fácil, porque eu tinha depressão, eu chorava. Um negócio horroroso. Foi muito difícil parar de fumar. Muito, muito, muito, muito. Mas eu consegui. Nunca mais fumei um cigarro. Você sabe que, às vezes, até hoje... Você vê como é que é essa droga, né? Eu parei de fumar tem 15 anos, sei lá. Aí, às vezes, eu seguro o cigarro apagado. E aí eu fico com o cigarro apagado, porque eu tenho vontade de fumar. E aí está todo mundo fumando, e eu estou tomando um drink. Hoje eu tomo um drink, antigamente nem tomava, hoje eu tomo. Aí eu estou ali fumando um cigarro, eu estou ali, ó. Eu faço todo o movimento social da parada, e tudo bem.
Eron Falbo: [31:35] Eron Falbo: É igual, eu tenho um rabino... Eu sou judeu, tenho um rabino com quem eu estudei, que é chassídico há 40 anos, que é a parte do judaísmo mais rígida que existe. 40 anos, e hoje é um rabino, com barba branca e tal. Aí eu perguntei para ele um dia, sei lá, a gente estava falando sobre comida, aí: qual é a sua comida favorita? Aí ele: lagosta. Aí, judeu é proibido de comer lagosta, né? Judeu, todo dia, é proibido de comer lagosta. Aí eu achei: como assim, lagosta? E ele falando publicamente, assim, lagosta? Aí ele falou: faz 40 anos que eu não como lagosta, mas ainda sinto o gosto na minha boca.
Alexia Dechamps: [32:15] Alexia Dechamps: Mas ele comeu? Ele pôde experimentar lagosta?
Eron Falbo: [32:20] Eron Falbo: Não, ele não come. Ele pôde experimentar antes de ser rabino, né? Quando ele era só um judeu normal.
Alexia Dechamps: [32:25] Alexia Dechamps: Ah, ok, judeu normal come.
Eron Falbo: [32:27] Não, não, judeu normal também não pode por lei judaica, mas os rabinos levam a sério a lei judaica, e os judeus normais não. Só isso.
Alexia Dechamps: [32:34] Cara, eu vou te falar, eu amo isso. Eles não comem porco, você sabe, eu sou vegetariana, né?
Eron Falbo: [32:41] É, isso aí eu ia te perguntar até sobre isso, sobre se você aprova, por exemplo, comer carne de boi se for kosher, porque, no kosher, eles não têm sofrimento no abate.
Alexia Dechamps: [32:55] É, a questão não é só o sofrimento, entendeu? É claro que isso é o que pesa muito, mas a questão é a libertação, o direito à vida desses seres. Eu tenho eles como vida. Eles são vida. São sentimentos, entendeu?
Eron Falbo: [33:14] Só para você entender, eu não... Desculpa, desculpa, eu termino, que depois eu pergunto.
Alexia Dechamps: [33:18] Eu acho que a gente não tem o direito de tirar a vida de ninguém. Acho que a gente não é ninguém para tirar a vida de alguém, nem de um animal, porque o animal tem muito sentimento, e o sentimento do animal já está comprovado, que os animais são sentientes, não sou eu. Ah, papo de doido! Não, é comprovado que os animais são sentientes, e eles só não são racional, o resto eles sentem como a gente, tudo. Então, eu estou totalmente contra. Eu acho que é libertação animal mesmo, entendeu? Mesmo, mesmo.
Eron Falbo: [33:54] Mas, assim, uma pergunta pra você, só pra esclarecer: eu não sou contra a defesa dos animais nem nada. O meu trabalho aqui é gerar uma conversa interessante. Então, em nome disso, com todo o respeito, eu te pergunto: se os animais têm que ser protegidos, se eles têm uma espécie de direito de ser protegidos, é porque eles são tão bons quanto a gente, em algum sentido, tá certo? Ou melhor, pelo menos tão bons quanto a gente, porque a gente tem leis protegendo os seres humanos de serem assassinados.
Alexia Dechamps: [34:31] E a gente está trabalhando, eu estou trabalhando nessa lei para legalizar.
Eron Falbo: [34:38] Mas vamos seguir o raciocínio: em nome dessa lógica de que eles são tão bons quanto a gente e merecem ser protegidos por causa disso, se eles são tão bons quanto a gente, eles também não deveriam ser julgados por matar outros animais? Porque um leão mata uma zebra.
Alexia Dechamps: [34:56] Eles não são racionais, entendeu?
Eron Falbo: [34:59] Mas eles não são tão bons quanto a gente, se eles têm alguma deficiência.
Alexia Dechamps: [35:04] Porque você não pode colocar... Os animais têm que ser protegidos pela gente porque eles são vulneráveis. Nós somos superiores, nós somos racionais, nós pensamos, falamos, escrevemos; eles não. Então, assim, a gente tem que proteger eles. Por exemplo, o Código Civil brasileiro, e na verdade, em vários lugares do mundo, colocavam o animal como coisa. O animal não é uma coisa, nós estamos justamente mudando isso, né? Tirando o animal... Mudando no Código Civil, o animal passa a ser um ser de direitos. Ele tem o mínimo de direitos, para a gente não usar e abusar de qualquer forma.
Eron Falbo: [35:46] Alguém falou aqui: o leão é carnívoro e a gente é onívoro, então por que a gente não pode comer um boi, por exemplo, se o leão pode? Essa é a minha pergunta.
Alexia Dechamps: [36:00] A gente tem várias outras opções, a opção deles é essa: eles são isso, é entre eles. Ué, mas não é ele.
Eron Falbo: [36:09] A gente não é animal também? A gente não é considerado...
Alexia Dechamps: [36:12] Eu não como bicho há quatro anos, tá? Eu tenho milhões de outras opções. Eles não têm arroz, feijão, né? Uns comem, outros comem. Ah, hoje eu vou comer uma massa. Entendeu? O deles é uma coisa... Não é nenhum cultural, porque culturas se mudam, né? Várias já mudaram, inclusive. O deles é... Como é que chama isso? É uma coisa deles, eles vieram para a Terra caçando, comendo uns aos outros.
Eron Falbo: [36:45] Mas não seria possível treinar leões, por exemplo, a comerem vegetais? Eu já ouvi falar disso, acho que existe.
Alexia Dechamps: [36:52] Não, porque isso é deles. A gente tem o corpo treinado, eles não.
Eron Falbo: [36:58] Mas você não acredita que o ser humano também não tem alguma espécie de natureza? Na verdade, eu não sei, não sei a resposta disso.
Alexia Dechamps: [37:08] Olha só, as pessoas falam... Eu nasci na Argentina, em Buenos Aires. Minha família mora lá até hoje. Eu vou para lá visitar minha família, vou para o Uruguai visitar minha família. E assim, é carne, carne, carne. Era carne na mamadeira.
Eron Falbo: [37:25] Eu nasci com isso.
Alexia Dechamps: [37:27] Cara, muito boa. Eu cresci com carne e continuo, na minha família lá, com carne. E até o meu irmão que mora lá já está repensando essa questão da carne. Eu acho que o mundo está se despertando, tanto é que estão crescendo cada vez mais os restaurantes vegetarianos.
Eron Falbo: [37:44] Dentro do judaísmo tem essa questão. Existe uma proibição de comer carne que não seja kasher, e essa proibição vem... Por exemplo, peixe não tem essa proibição. Por quê? Porque peixe não tem o sistema nervoso que permite ele sentir dor da mesma maneira que o boi, por exemplo, sente. Então isso é uma coisa séria dentro da religião. Então, como é que funciona? Se corta o pescoço do boi com uma faca que é apontada de uma maneira milenarmente treinada, muito rígida, e existe uma veia que passa da cabeça do boi até o corpo do boi, o sentimento da dor. E essa veia, eles estudam a anatomia durante anos e anos, a anatomia do boi, para poder entender exatamente onde é essa veia, para aquela faca, que é apontada no máximo possível, atingir aquela veia primeiro, antes de qualquer coisa, para o boi não passar a dor da cabeça, que é sentida psicologicamente, vamos dizer, para o resto do corpo, para a carne poder ser consumida sem esse sentimento de dor. Eu não estou agora fazendo apologia dizendo que é certo ou errado, eu só estou dizendo assim: a questão que eu vejo no mundo sendo cada vez mais abraçada, vamos dizer, é a questão de você se aliar à dor dos animais. E tem aquele documentário mostrando os abates. Você deve ter visto, todos os ativistas.
Alexia Dechamps: [39:36] Alguns eu não consegui ver. Eu não precisei ver para parar de comer, não.
Eron Falbo: [39:43] Estou um pouco curioso do porquê você parou e como você parou, ainda mais sendo argentina, que você traiu a nação.
Alexia Dechamps: [39:51] Acho que sou uma espécie de moderna, mais civilizada. Chego lá e adoro falar: não como carne.
Eron Falbo: [40:00] Lá em Sant'Elmo deve ter muitos vegetarianos já.
Alexia Dechamps: [40:06] Acho que tem. Acho que é uma coisa mundial, uma coisa de civilização mesmo. A gente está mudando, está transcendendo. O mercado vegano, vegetariano está cada vez maior, maior, maior. Eu acho que hoje a gente tem muito conhecimento, não precisa mais. A gente pode respeitar outras formas de vida, e eu sou a favor de respeitar outras formas de vida. Eu decidi porque eu sou da causa animal, atuante, desde 2002. Eu entrei na causa animal em 2002, não tinha nem rede social. Eu já estava lá, inclusive, no Cetas do Ibama, que agora está dando uma puta confusão. Morreram 600 animais lá. Eu fui para lá em 2002, primeira vez na minha vida, brigar por uns animais que estavam morrendo lá, mas enfim. E aí eu fui entrando na questão dos animais, dos animais. Minha mãe fundou o Partido Verde junto com o Gabeira, estava lá na fundação. Eu sempre cresci no meio ambiental e animal. E eu sempre tive muito bicho em casa, e a gente sempre gostou. Você vê um monte de foto minha de criança com vira-lata, eu sempre gostei de vira-lata. E aí foi indo, indo, e eu fui fazendo, fazendo, e um dia eu falei: cara, sabe aquele momento que eu te falei, eu parei de trabalhar, eu não tava legal, eu tava triste, eu não digo depressão, mas eu não tava bem? Foi um momento que eu falei: cara, eu não vim nessa vida a passeio. Nem vim para ser bonita, nem vim para ficar vestindo roupa bonita e só fazendo isso. Eu vim com alguma missão, cara. Qual é a missão? E aí a vida foi me levando para esses animais, para essa coisa dos animais. E chegou uma hora que eu falei: cara, eu não posso mais comer esses animais. Como é que eu brigo por um cachorro e como um porco? O porco é mais inteligente que o cachorro, bicho. Ele responde mais a você do que um cachorro.
Eron Falbo: [41:59] É verdade.
Alexia Dechamps: [41:59] Ele é um dos quatro animais mais inteligentes da cadeia, entendeu?
Eron Falbo: [42:03] Alex, o que eu tô vendo é que eu acho que é até uma coisa muito bonita. A primeira coisa que eu adorei que você falou é a questão, assim, de primeiro você ser muito bonita e ser reconhecida como muito bonita publicamente e como uma atriz já em sucesso, e mesmo assim isso te incomodar. Porque, assim, é muito fácil você se incomodar com isso quando ninguém tá te reconhecendo, né? Porque existe isso, existem umas patologias no mundo, as pessoas falando que as pessoas têm que ser muito menos superficiais, e na verdade o que a pessoa quer é atenção. Tipo assim, eu adoraria ser superficial, eu sou superficial, ninguém tá me dando atenção, e agora eu sou hater do superficial. Isso acontece no neomarxismo muitas vezes. Tipo, eu adoraria ser rico, adoraria ter iPhone novo. Como eu não tenho, eu odeio as classes ricas. Existe essa patologia na humanidade. Quando eu respeito uma pessoa é quando ela tem o cacife para poder falar. Então você é uma pessoa que foi, ou é, eu não sei como é que está a sua carreira no momento, mas certamente foi nessa época que você estava sendo esposa e tudo mais, considerada sex symbol, considerada lindíssima e atriz.
Alexia Dechamps: [43:22] É, todos juntos.
Eron Falbo: [43:25] E você poder dizer isso, que tipo, eu não estava satisfeita com essa superficialidade ou com só isso da vida, não vinha na vida passeio, acho isso uma coisa muito bonita. Eu queria primeiro te congratular por esse instante, por ter coragem de fazer isso, porque não é todo mundo que consegue sobressair essa tentação, da tensão de estar sendo aplaudida, de estar sendo criticada, porque muita gente pode se sentir superior ao estar sendo criticada, etc. Então, primeiro, parabéns. E segundo, o que eu ia falar? Agora esqueci, entrei na onda. Esqueci, vou voltar para o que você estava falando.
Alexia Dechamps: [44:12] A gente estava falando...
Eron Falbo: [44:14] Mas principalmente isso, que é muito legal essa coisa.
Alexia Dechamps: [44:16] Eu vou ser superficial. Na verdade, eu resolvi, já que eu me considero uma pessoa muito privilegiada no mundo por tudo, por educação, por saúde, por família, por tudo que tive, por tudo que conquistei, resolvi colocar isso tudo à disposição de ajudar causas vulneráveis. E não falo isso porque está de moda. Está de moda agora, que legal que está de moda, que bom que está de moda. Mesmo assim, tem um monte de gente que não faz nada pelo outro, não está fazendo nada, não está ajudando nada. Mas eu comecei com isso em 2002, quando não tinha nem rede social, nem sabia o que eu fazia. E eu estou muito mais feliz. Isso foi uma coisa que me ajudou muito a sair da minha depressão. Os animais... Acabei de ver aí, descobri que tenho uma veia ativista total, não consigo me calar, sou do tipo que, se tiver que botar um pé na porta para tirar animal, vou tirar. É uma coisa que fui descobrindo e me fez muito bem. Acho que cheguei naquela fase que te falei, que eu estava muito bonita, famosa, modelo, só que entrei numa crise louca e precisei reconectar. E foi quando resgatei a minha primeira cachorra de rua, que, na verdade, tirei da rua, porque os outros que eu tinha tinham nascido na minha casa, todos os vira-latas que eu tinha. Essa eu resgatei e levei para a minha casa. E foi um puta de um resgate, eu acho espiritual. E foi o que me ajudou a sair da minha depressão. E, a partir dali, eu realmente saí de cabeça e falei, vou dedicar tudo o que eu posso dedicar. Agora eu...
Eron Falbo: [46:10] Lembrei o que eu ia falar, que eu acho que casa muito com o que você falou de novo, que é o seguinte: independente da causa que você está seguindo, porque, vamos dizer, a gente pode estar errado, pode estar certo, mas o importante é a gente lutar. A gente pode estar, vamos dizer, desinformado sobre uma coisa, ou mal informado, ou sendo manipulado de uma maneira ou de outra, mas não é por isso que a gente vai parar de ajudar, parar de lutar, de querer, desejar um mundo melhor. Então, tipo, a causa dos animais, por exemplo, não é uma coisa que eu me identifico pessoalmente, então eu sou muito honesto sobre isso, mas eu acho bonito o fato de que você saiu da sua carreira para ir buscar uma melhoria, uma coisa que você sentiu que estava errada, entendeu? Então, independente das razões ou do que você vê, ou, sei lá, dos argumentos, porque tem muito argumento para comer carne, tem muito argumento para não comer carne, e tem vários lados, em toda causa tem vários lados.
Alexia Dechamps: [47:18] E são escolhas, mas eu olho para um pedaço de carne hoje e falo, é um cadáver, você está comendo um trem morto, bicho.
Eron Falbo: [47:26] Certo, certo. E eu ia entrar nessa coisa também, é tipo assim, existe também uma conexão quase espiritual das coisas que você acredita e o jeito que você vive. Então, por exemplo, os budistas, os tibetanos, por exemplo, que não pisam em formiga pra não matar nada, existe uma questão assim. Eles, do jeito que eles vivem, estão vivendo uma certa crença que pra eles é uma grande excelência espiritual você tomar cuidado onde você pisa pra você não matar uma formiga. Isso já é uma grandeza espiritual. Agora, pra outra pessoa, que tem outros objetivos de vida e tudo mais, se você parar pra não pisar numa formiga, talvez você vai deixar um ser humano morrer, porque você não vai conseguir chegar a ele a tempo. Mas dentro da crença espiritual, do jeito que o budista tibetano vive, ele já vive isolado, ele já vive numa montanha. Então, aquilo faz sentido para aquela construção espiritual dele. E para algumas pessoas faz sentido o veganismo, faz sentido lutar pelos direitos dos animais. Quem está certo ou errado, eu não sei, eu acho que, sinceramente, ninguém sabe. Mas eu acho que a gente vai... Olá, qual é o nome dele?
Alexia Dechamps: [48:47] Essa é Lady Pituxa, é a minha outra vira-latinha resgatada. E é uma coisinha, adotei adulta, com oito anos de idade, é a coisa mais maravilhosa de educada, essa menina.
Eron Falbo: [49:01] Ela está mostrando, para quem está ouvindo, ela está mostrando um cachorrinho, qual é a raça dele, não sei.
Alexia Dechamps: [49:08] Não é, não é, é vira-lata, gente, vira-lata, da rua. Esse é de rua, mamãe.
Eron Falbo: [49:14] Lady Pituxa.
Alexia Dechamps: [49:16] Não, o nome é Lady Pituxa porque ela é muito lady, cara, juro, é uma coisa incrível.
Eron Falbo: [49:22] Apesar de ter sido criada nas ruas.
Alexia Dechamps: [49:25] Ela veio da rua muito mais educada que vários de raça caríssimos que vejo. Essa é impressionante. Aliás, todas as minhas vira-latas eu adotei adultas, tirei da rua, e são educadíssimas todas. Eu não pego cachorro de raça, tenho que tirar da rua.
Eron Falbo: [49:44] Eu tinha um amigo, quando eu tinha 18 anos, que era guardador de carro, e eu não tinha muito essa coisa de barreiras, então eu fazia amizade com todo mundo. Eu o levava às festinhas, eu era meio que da sociedade, sou de Brasília, sociedade brasileira, então a gente ia às festas de diplomatas e eu levava o Wilson, que era o meu amigo guardador de carro. Ele era muito mais educado do que muitos diplomatas. Com certeza.
Alexia Dechamps: [50:14] Com certeza. E muito mais impressionante. A minha funcionária é educadíssima. Isso não tem nada a ver, gente. E você mora em Brasília ainda? Você está morando aí?
Eron Falbo: [50:26] Não, eu estou no Rio de Janeiro agora, estamos aqui. Cara, o que eu estou gostando mais do Rio é porque eu era meio babaca, meio travadão, assim, formal. Você vê que eu me visto que nem um idiota.
Alexia Dechamps: [50:42] Quem quer se ver que nem um idiota?
Eron Falbo: [50:45] Não, porque no Rio de Janeiro não cabe muito isso. Como não é todo mundo que sabe que eu estou no Rio, eu não estou sendo tão alienado assim. A gente está na internet, né? A gente está no éter.
Alexia Dechamps: [50:54] Todo mundo é.
Eron Falbo: [50:55] Então posso dizer assim.
Alexia Dechamps: [50:57] A gente está em todo lugar.
Eron Falbo: [50:59] Mas o que eu adorei sobre o Rio de Janeiro é que tem essa coisa laissez-faire, essa coisa meio solta, que antes eu odiava, e hoje estou aprendendo com isso, estou aprendendo a me sobressair, ser uma pessoa melhor dessa forma, ser mais leve, mais solto, mais carioca.
Alexia Dechamps: [51:18] Eu, por exemplo, essa coisa carioca eu adoro, mas sinto um pouco de falta às vezes do frio, de poder vestir, de poder botar uma calça, uma camisa, um suéter, um casaquinho, sei lá. Sinto um pouco de falta disso no Rio.
Eron Falbo: [51:37] Eu também, sim.
Alexia Dechamps: [51:38] Acho pouco demais também, Havaianas, entendeu?
Eron Falbo: [51:41] Estamos juntos, irmã. Eu acredito que você, pelas suas fotos do Instagram, acha que você era mais da praia mesmo, porque você tem muita foto na praia. Mas é bom saber que a gente concorda nisso.
Alexia Dechamps: [51:56] É uma galoça de praia, né? Mas... aí eu gosto de poder botar um casaquinho, botar uma roupinha, uma bota. Gosto de uma botinha, de um tênis.
Eron Falbo: [52:07] Cara, eu ia te perguntar sobre um monte de coisa, sobre o Peter Singer, no livro dele, Animal Liberation, Martha Nussbaum, o professor Kymlicka, a galera que são os intelectuais mais populares, que assim, eu já vi muito sobre direitos de animais, essa coisa toda, mas isso ia criar muita polêmica, porque às vezes eu gosto de, tipo, ver até onde vai a coisa, tipo, onde vai a crença das pessoas.
Alexia Dechamps: [52:36] E eu, para dar opinião, tenho que estar muito por dentro, porque, mesmo quando você está por dentro, eu tenho muito essa coisa de me colocar no lugar do outro. É difícil eu dar uma opinião... Então, assim, se eu não tenho muito conhecimento, é difícil até de eu conversar muito com você, porque eu vou ficar... Claro, claro.
Eron Falbo: [52:56] Não, mas o que eu quis dizer com isso é o seguinte: eu não vou entrar nessa onda porque você me convenceu, entendeu, do seu ativismo animal, não pelos animais, tipo assim, sinceramente, né? Mas pela sua sinceridade e pelo fato de que você teve que sobressair coisas do seu ego, especialidades, pra poder chegar nisso. E a razão que eu sou contra muitos desses ativismos é porque eu vejo que muitos desses ativismos vêm de um lugar do ego, vêm de um lugar de querer atenção, de querer isso e aquilo, e isso eu sou contra. Então, já que dá pra ver que você não tem isso, eu sou a favor disso e te apoio nisso, e quero dizer a todos para seguirem a Alexia Dechamps pelo ativismo, e todas as pessoas que são a favor disso, ou até as pessoas que não são, que estão em dúvida, qualquer coisa, aprendam um pouco com uma pessoa de coração bom, que está com boas intenções.
Alexia Dechamps: [53:56] Obrigada, muito obrigada. Eu tento fazer um pouquinho, passar um pouquinho do que eu vejo, do que eu penso, do que eu sonho e do que eu sou feliz com os meus bichinhos e com os bichinhos do mundo. Eu tento, eu tento. Tento salvar o que dá, é isso. Estamos aí, né?
Eron Falbo: [54:15] Que ótimo, que ótimo. Infelizmente acabou o nosso tempo aqui. A gente tem um milhão de coisas aqui que eu nem entrei que eu queria te perguntar. Mas tudo bem, eu te pergunto pessoalmente quando a gente se conhecer. Claro! Eu não sei se você bebe álcool, sendo vegana.
Alexia Dechamps: [54:33] Eu bebo vinho tinto.
Eron Falbo: [54:36] Coisa que eu mais gosto. Então a gente concorda no vinho tinto. Te convido um dia para a gente sentar num restaurante, beber um vinho tinto e chamar o Maurício, chamar os amigos.
Alexia Dechamps: [54:46] Maurício! Cadê ele? Não está aí assistindo a gente.
Eron Falbo: [54:51] Ele normalmente adora assistir. Ainda mais quando ele apresenta. Ele está super me apoiando, é meu padrinho aqui no Rio de Janeiro. Mas ele está envolvido numa produção super intensa.
Alexia Dechamps: [55:06] Ele fala assim, Lexius, Lexius, Lexius.
Eron Falbo: [55:12] Tem aquela cara de vampiro.
Alexia Dechamps: [55:16] Não, Lexius. Eu amo ele, gente. É muito divertido. Eu trabalhei com o Maurício numa série. Cara, a gente passou um pouco de abamaçô para a série. Olha, vou te falar, a produção era uma loucura. A gente tinha que se virar. De um dia para o outro, a gente tinha que decorar 30 páginas, era humanamente impossível. Então a gente só ria, a gente ria para não chorar. E aí ficaram as histórias, ficaram as histórias que não têm preço, as histórias dessa série não têm preço. O que a gente fazia? Eu botava cola, cola do que eu tinha que falar, no sofá, e ficava assim...
Eron Falbo: [55:56] Mas não era nem comédia, né? Posso... não, não, era...
Alexia Dechamps: [56:00] Não, não era comédia, cara, mas vou te falar, a gente acabou transformando numa comédia interna. As histórias dão para a gente rir até hoje, é muito bom isso.
Eron Falbo: [56:11] As produções, a melhor parte são esses behind the scenes, essas coisas que acontecem, quando está gravando, quando a galera está lá imersa já há dias e dias, comendo a mesma coisa, no mesmo lugar, com a mesma pessoa. É como se soltasse.
Alexia Dechamps: [56:28] É muito maravilhoso. Acho que trabalhar com Tom Cruise deve ser meio tenso em Hollywood, mas já me falaram que ele é meio estressado, meio tenso.
Eron Falbo: [56:39] Ele é cientologista, óbvio que ele é tenso, pô. Ele acredita que o mundo foi feito... é aquela seita, né... cientologia. Não sei se tem alguém assistindo. Cientologista é uma galera que acredita que, sei lá, Jesus e outros... Ah, não, isso é os mórmons. Cara, eles acreditam que... agora eu não lembro direito, mas tem uma parada de extraterrestres e... É uma coisa difícil de acreditar, entendeu? É bem claramente uma seita. Tem até um documentário do Netflix, Going Clear, que é sobre como a cientologia é uma seita. É uma seita bem pesada e agressiva, violenta. E o Tom Cruise e o John Travolta são cientologistas fora do armário.
Alexia Dechamps: [57:30] Agora, já que a gente começou falando nessa coisa da Netflix, vou procurar esse documentário lá na Netflix.
Eron Falbo: [57:37] Chama Going Clear. Não sei como é que é em português.
Alexia Dechamps: [57:41] Ok, vou ver. Que ótimo! Maravilhoso! Que maneiro! Então já combinamos o nosso vinho. Eu vou me transformar em vegetariano.
Eron Falbo: [57:54] Eu vou te transformar em argentino.
Alexia Dechamps: [58:00] Nossa, eu vou pra lá e não como carne, cara. Meu irmão, a primeira vez, ele não acreditou e eu passei... Ainda mais depois.
Eron Falbo: [58:07] De duas garrafas de vinho, eu vou chorar o churrasco.
Alexia Dechamps: [58:11] Não, eu não vou te acompanhar, entendeu? Mas pode ser qualquer um que quiser.
Eron Falbo: [58:16] Eu não sou chata, estou provocando os seus amigos aí do cinema direto.
Alexia Dechamps: [58:21] Não, não sou chata. Não pode ser chata, se a gente for chata as pessoas correm. Claro, claro.
Eron Falbo: [58:27] E a gente tem que falar as verdades, tem que falar as coisas boas e ser gente boa com as pessoas. Mas aproveitando que a gente falou do Maurício, vamos mandar, que ele adora isso. Assim como eu, ele é uma pessoa que gosta, que não superou um pouquinho a vaidade mesmo de ter sido artista. Então eu gosto de dar uma conhecida.
Alexia Dechamps: [58:47] Maurício White! Maurício, Vani, Chihuahite!
Eron Falbo: [58:53] Beijão, Larissa! A gente te ama, todos nós te amamos, os animais te amam, Jesus te ama.
Alexia Dechamps: [59:00] Todos te amam. O PT te ama, o bolsonarista te ama, todos os lados do mundo te amam.
Eron Falbo: [59:06] O Bolsonaro... eu não sei por que ele odeia o Bolsonaro. Eu também não sei se eles amam. Mas aposto que ele é tão querido que até o Bolsonaro também adoraria o Maurício. Muito obrigado por apresentar a gente.
Alexia Dechamps: [59:21] Obrigada. O Maurício é divertido, né?
Eron Falbo: [59:25] E ele é do bem, ele tem um coração bom, ele chega e anima qualquer sala, qualquer ambiente, sendo ele mesmo, sem fazer maladares.
Alexia Dechamps: [59:37] Sem nada. Cara, olha só, eu amei. A gente está supercombinado com o nosso vinho, e a gente continua conversando depois, assim.
Eron Falbo: [59:49] Com o Maurício, a gente dá uma...
Alexia Dechamps: [59:50] Risada. Eu vou te contar as histórias da série O Mal Pode Esperar, o mal pode esperar.
Eron Falbo: [59:55] Alexia, muito obrigado por aceitar o meu convite. Sucesso para você nos seus projetos, em tudo que você fizer, sucesso no seu ativismo, sucesso a todos aí, no ativismo de todos. Que a gente morra com a espada na mão e vá para Valhalla lutando pelo que a gente acredita.
Alexia Dechamps: [1:00:11] Eu sou tinhosa, eu luto, fico cansada, tomo uma porrada, apanho, mas estou aí firme e forte. Vamos que vamos.
Eron Falbo: [1:00:21] Valeu, linda. Tudo de bom. Muito obrigado. Grande beijo. Grande prazer te conhecer. Beijos a todos. Boa noite a todos. Obrigado.
Alexia Dechamps: [1:00:28] Beijo pra todo mundo que assistiu a gente. Valeu. Tchau.
Eron Falbo: [1:00:34] Tchau, tchau. Beijão.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #70 · todos os episódios