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#68 Representação LGBT

com Tavinhu Furtado · 25 de fev de 2021

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Apresentação e política da representação LGBT (0:00)

Eron Falbo: [0:05] Sejam bem-vindos! Se você entrou no Alvo, eu sou o Eron Falbo. Estamos aqui com o Tavinhu Furtado, que é editor do site Maior Viagem e Gay Travel and Fun, diretor de turismo da Câmara de Comércio e Turismo LGBT no Brasil. Como é que funciona a visão política? E quando eu digo política, não estou falando do governo, estou falando de politicagem, de representações. Como é que esse mundo de liderança e representação da comunidade, as instituições que existem, funciona, para a galera meio que entender que existe esse mundo, e depois a gente ir mais a fundo.

Tavinhu Furtado: [0:48] Como eu estava falando, apesar de não ser um trabalho político no sentido literal, qualquer organização que trabalhe com comunidades, com grupos que, historicamente, sofreram, tiveram um caso, têm algum tipo de profundidade, invariavelmente isso vai envolver política. Você está na luta, na briga, pela representatividade, então naturalmente isso vai virar uma luta, não tem como fugir disso.

Eron Falbo: [1:19] Vai entrar na política também, vai ter um crossover, vai conversar com a política.

Tavinhu Furtado: [1:24] Exatamente.

Eron Falbo: [1:25] Legislação...

Tavinhu Furtado: [1:27] Especificamente o trabalho da Câmara, de todas as entidades LGBT mais fortes, talvez seja o trabalho que, para o grande público, é menos político. Porque a Câmara, como a Câmara de Comércio, ela trabalha a promoção de negócios, no caso, promoção de negócios que envolvam a comunidade LGBT. O que acontece é que a gente acaba tendo que lidar com o poder público também para fazer essa promoção de um negócio. Por exemplo, se a gente falar de turismo, a gente tem que falar com destinos, e aí vai envolver obrigatoriamente o poder público. Quando a gente fala, por exemplo, de empresas que abraçam a diversidade, você, em muitos momentos, vai ter que trabalhar com a gente para fazer uma série de projetos e parcerias que possam fazer com que as coisas aconteçam. Apesar da Câmara não ser, vamos dizer assim, a sua base na política, o tempo inteiro ela está falando com o universo político. Fora isso, claro, a gente defende os valores e as necessidades da comunidade LGBT. E aí tem que ter política invariavelmente. Quando a gente está falando de busca de direitos, de busca de igualdade, isso tem que ser feito através da política. Seja de legislação, seja através do judiciário, mas você invariavelmente vai ter que passar pela justiça para alcançar o objetivo.

Câmara de comércio LGBT explicada (1:29)

Eron Falbo: [2:55] Não tinha entendido, agora eu entendi melhor. Câmara, na verdade, é uma câmara de comércio, como se fosse a AMCHAM, a câmara americana, que está representando os interesses dos Estados Unidos nas relações com o Brasil. Então você, como se fosse a câmara LGBT, seria como se fosse a AMCHAM, só que, ao invés dos Estados Unidos, você está representando a comunidade LGBT e os seus interesses de negócio, de trade.

Tavinhu Furtado: [3:22] Exatamente, uma Câmara de Comércio brasileira. E aí, comércio, Brasil. Claro que também tem o comércio internacional, mas sempre envolvendo o Brasil, ou seja, o comércio internacional.

Estrutura da câmara: turismo, cultura e negócios (3:23)

Eron Falbo: [3:34] Interessante.

Tavinhu Furtado: [3:35] E, no nosso caso, focado em questões LGBT. Então, a gente tem uma tríade: por exemplo, com a Câmara, a gente atua em turismo, em cultura e em empresas de respeito à diversidade. A gente promove negócios através do turismo voltado à LGBT, a gente promove a cultura LGBT como negócio. Então, na verdade, a gente não promove, por exemplo, a questão cultural em si, tipo, qual vai ser o mote de uma peça ou alguma coisa assim. O que a gente faz é como aquela peça vira um negócio para se mostrar.

Eron Falbo: [4:11] E ajuda a comunidade, os diretores e quem estiver idealizando aquela obra ou aquele evento, alguma coisa assim, a monetizar, a viabilizar, ou fazer parcerias, legislar.

Tavinhu Furtado: [4:30] A Câmara mesmo não investe dinheiro, porque a Câmara é uma entidade central.

Eron Falbo: [4:35] É intermediar.

Tavinhu Furtado: [4:38] Exatamente. Na verdade, o que acontece? Se você chega com um projeto, ela vai te ajudar a achar alguma maneira de você fazer esse projeto acontecer, seja ele qual for. Então, na verdade, o nosso trabalho é o trabalho de intermediação. A gente une as pontas: quem está produzindo o negócio com quem pode ajudar esse negócio a acontecer.

Justificativa para políticas afirmativas LGBT (4:54)

Eron Falbo: [5:00] Como você justificaria a existência de uma entidade dessas? Eu não estou questionando a importância, mas eu estou querendo que isso seja expressado por você que está no meio disso. Mas, vamos dizer, para alguém que defenderia, por exemplo, que não é melhor as pessoas LGBT... Vou usar gays, eu não sei se eu posso usar, mas vou usar, tipo assim, que os gays não seriam melhor tratados como pessoas comuns e usarem artifícios ou instituições que já existem para o cidadão comum, para o brasileiro comum? Por que tem que ser alguma coisa especial para a comunidade LGBT? Que diferencial? Como se justifica a existência disso?

Tavinhu Furtado: [5:55] Na verdade, é muito fácil explicar isso. No mundo ideal, não precisaria, porque a gente viveria em uma sociedade em que não há exclusão. E aí você pode levar para qualquer tipo de minoria, né? LGBTs, negros, mulheres... Enfim, o assunto é bem amplo. Quando você faz políticas afirmativas em determinadas comunidades, é porque elas, na prática, não têm as mesmas oportunidades que as outras comunidades. Então, na verdade, você precisa fazer um trabalho específico para elas. Comparando, claro que não é a mesma coisa, mas só para as pessoas entenderem: por exemplo, muita gente fala, principalmente na época em que se discutiu a criminalização da homofobia e transfobia, para que tem que criminalizar se, na verdade, aquilo já é um crime? Porque, na verdade, você precisa reafirmar que aquilo acontece e que você precisa... Deixa o telefone tocando aqui.

Eron Falbo: [6:53] Espera parar de tocar e a gente continua.

Tavinhu Furtado: [6:58] Ninguém nunca liga nessa hora para casa. É só porque estou em uma live. É impressionante. Como eu estava falando, na verdade, é uma crítica de reafirmação. É a mesma coisa, por exemplo, porque criou-se, se fez um movimento específico da criminalização da homofobia e transfobia. Ou do crime de racismo, ou do crime de feminicídio, são todos os mesmos exemplos. Porque, na verdade, você precisa reafirmar que aquilo acontece como uma forma de você determinar que aquilo não pode acontecer. Por lei, aquilo já não poderia acontecer. Porque um crime é um crime e não importa com quem ele seja feito. É a mesma coisa, a questão. Agora a gente está se portando para uma coisa positiva, que é o desenvolvimento dos negócios. A comunidade LGBT, a comunidade negra, as mulheres, de uma forma geral, têm menos oportunidades do que, vamos dizer assim, de forma padrão. Têm mais oportunidades pessoas brancas, héteros, enfim, essa é a questão. E aí não há nenhum tipo de negação ou de achar, enfim, né? Eu sou branco, sou gay, eu sou branco, sou heteronormativo, sei que eu tenho também muitos privilégios. Mas, na verdade, o que acontece é que essa população tem mais dificuldade de ter acesso a determinados negócios ou a determinados projetos.

Eron Falbo: [8:26] É, eu até não diria que tem... Porque, assim, no momento em que você fala 'mais dificuldade', eu quero aprofundar o assunto. Eu acho que tem certas dificuldades que o hétero não tem. Não sei, porque depende do hétero, entendeu? Tem muito hétero aí que tem muito mais dificuldade que muita gente. Entendeu? Tipo assim, o cara é gay e às vezes é muito mais rico, muito mais bem-sucedido, muito mais organizado. E o cara é hétero e está quebrado, drogado, desempregado. Só para... É, mas acho importante falar isso. Não é um evento isolado, estou falando assim: você vê, a grande população dos héteros é desempregada, a maioria do mundo é hétero, a maioria dos pobres são héteros. Então, eles não são necessariamente mais ou menos desfavorecidos. O que eu acho é que talvez, vamos dizer, 'nós contra eles', isso é minha opinião pessoal, é dizer talvez que sofrem certos preconceitos que héteros não sofreriam, certas circunstâncias que são passadas. Então isso já vale uma defesa, não precisa ser mais do que um hétero, não precisa ser uma competição.

Tavinhu Furtado: [9:52] No nosso trabalho não é para fazer mais. Na verdade, o nosso trabalho tem dois pilares.

Eron Falbo: [9:56] Não, não digo isso. Estou falando que não preciso sofrer mais, entendeu?

Segmentação de mercado no turismo LGBT (9:58)

Tavinhu Furtado: [9:59] É que, na verdade, são dois pilares. Um é promoção de oportunidade para a comunidade LGBT, que é importante porque, assim, isso é estatístico: tem mais dificuldade de acesso, mais dificuldade de emprego mesmo, em condições normais, mais preconceito que outra pessoa, isso é fato, é estatístico. E o outro é negócios, e aí pode não ser... Peraí.

Eron Falbo: [10:26] By the way, rapidão, só uma provocação, tipo assim, em determinadas circunstâncias, entendeu? Porque também, se você for fazer um tryout pra RuPaul, se você não for gay, você vai receber preconceito. Então, de novo, eu acho importante esclarecer, porque existe... A razão pela qual o Bolsonaro ganhou as eleições, existe uma revolta com o jeito de colocar algumas coisas, que eu não acho que seja necessariamente a intenção. Quando a gente está representando uma causa, qualquer que seja, a intenção não é deixar revoltadas as pessoas que não são assim, ou qualquer coisa assim. É só porque, como a gente às vezes é muito passional com um determinado assunto, a gente fala de um determinado jeito. Então, eu gosto de trazer essas nuances, entendeu, para a gente esclarecer essas coisas.

Tavinhu Furtado: [11:29] Mas não é excludente. O nosso trabalho não é excludente, é um trabalho de inclusão.

Eron Falbo: [11:34] Entendo, entendo. Eu estou com você, estou dizendo isso só para a gente se acertar.

Tavinhu Furtado: [11:38] A maior prova disso é que, aí a gente vai falar, a segunda parte é desenvolver negócios para o público LGBT. Porque, assim, você pode... Eu vou usar o turismo como exemplo, que talvez seja mais fácil das pessoas entenderem. Quando você vai desenvolver um produto de turismo, você nicha o mercado, seja ele qual for. Pode ser turismo de família, pode ser turismo da diversidade, pode ser turismo de aventura. Você pode nichar esse produto para um mercado específico, ou você pode fazer esse produto para o mercado de massa. Você pode fazer produtos voltados para esse mercado e atingir essa parcela de população que é grande. As pesquisas dizem que é 30% da população mundial. Então, é uma parcela considerável. E você pode atingir os anseios dessa população. Igual você vai atingir, por exemplo, quando você vai fazer um projeto de parceria no turismo, você vai ter que fazer um bloqueio à beça. Entendi. Então, na verdade, é só isso, é só você trabalhar para atingir esse público.

Eron Falbo: [12:47] Entendi. Tenho uma pergunta sobre isso que eu acho que também é... Não acho que seja tão polêmico, mas é interessante que, quando você segmenta para pessoas LGBT, é engraçado, porque você pode segmentar, mas os membros da comunidade LGBT às vezes pensam totalmente diferente um do outro. O Clodovil era de direita, e às vezes, em algumas coisas, você... Pega uma massa crítica, uma tendência, ou tem alguns problemas que são meio universais, como, sei lá, no geral, membros LGBT vão gostar de boates gays ou de hotéis que são gay-friendly, ou simpatizantes ao menos. Eu acho que o interessante da gente explorar é essa segmentação. Quais são os parâmetros dessa segmentação?

Tavinhu Furtado: [13:52] Acho que isso talvez... Isso vai te mostrar essa primeira questão que você estava colocando. Existem dois tipos de produtos: você pode fazer um produto exclusivo, do Viva LGBT, daí você vai trabalhar focado; ou você pode fazer um produto inclusivo, que, na verdade, você também vai ter que ter o público, além do público. Então, por exemplo, um hotel, como pode ser um hotel... A gente nem usa mais o termo 'gay friendly', tá? Na verdade, é um hotel inclusivo, porque, na verdade, ele não é gay friendly, ele é inclusivo, ele aceita diversidade. O que acontece é que esse hotel pode ser, como já existe, uma rede de hotel lá na Europa, eles brincam que são hetero-friendly. Eles são feitos para o público, mas também aceitam eles.

Produtos exclusivos e inclusivos no turismo (13:54)

Eron Falbo: [14:40] Ah, legal. Isso é bom.

Tavinhu Furtado: [14:42] É engraçado. Então, na verdade, você pode ter, por exemplo, uma grande cadeia de hotéis como o Grupo Accor. Eles são, por exemplo, associados da Câmara. A gente tem todo um trabalho de como atender esse público. Mas eles não atendem só isso. Então, na verdade, quando você vai trabalhar, não é que você vai focar só nela. Você pode focar só nela em determinada coisa. Ou você pode pegar o seu nicho e transformar ele em um vídeo.

Eron Falbo: [15:13] Só um parênteses, eu adoro a boate gay que é hétero-friendly, que você pode ir lá dançar uma música legal e ter um clima meio liberal, que muitas vezes as boates gays conseguem atingir. Estou falando de uma maneira positiva, é claro que tem outros problemas, que não é o ponto que eu estou fazendo, mas existe um ambiente de "estamos aqui, todo mundo aceita", e isso é muito legal. Em muitos ambientes gays ou LGBT, não é hétero-friendly. Às vezes a coisa é muito... Sei lá, eu já entrei em lugares que a galera estava vestida de couro e tal, e é uma coisa muito...

Tavinhu Furtado: [16:03] Na verdade, não é hétero-friendly, e apenas tem. Porque, assim, também é uma coisa que as pessoas... Até o ponto que você estava tocando, a gente acabou indo para outro assunto, mas também é importante entender: a comunidade LGBT é muito diferente. Então, assim, dentro da comunidade LGBT tem gente que gosta de turismo de aventura, tem gente que vai fazer turismo de romance, turismo de família, tem gente que vai pra balada...

Eron Falbo: [16:28] Gente que vai pra balada.

Tavinhu Furtado: [16:28] Então, assim, na verdade, é isso. E aí, a mesma coisa, por exemplo, você falou das baladas, das baladas gay, LGBT. Vai ter aquela balada que é mais parecida com a balada hétero, e vai ter a balada, por exemplo, que é a galera que gosta de couro, e ok, e outra, essa balada, existe a balada certa no jeito que a galera gosta de couro. Claro, claro, claro. Não, porque eu tô querendo dizer o seguinte: se um hétero que gosta de couro for numa balada, numa balada com couro, ele não vai se sentir deslocado nessa balada.

Eron Falbo: [17:03] Não, concordo, concordo totalmente. Isso aí é, tipo, da comunidade, como é que chama, sadomasoquista, ou pode ser uma vertente específica que não tem nada a ver com ser gay ou não ser gay, né? Mas não, isso que eu quis dizer, assim, como é interessante que eu nunca tinha ouvido falar do termo, como é que você falou, hétero... Que eu acho legal, porque realmente eu já senti isso em determinados lugares. Talvez eu dê um mau exemplo, porque eu só lembrei que, outro dia, eu fui a Brasília e não tinha mais lugar nenhum aberto. A galera falou assim: "que lugar tá aberto?", sentou aqui. Eu cheguei no vestido de couro e fiquei, caraca... Eu me sentia à vontade, porque não tô acostumado com esse tipo de coisa. Mas em muitos lugares gays, é muito mais só gay. E é mais pros gays que são mais fechados dentro da comunidade gay. É a mesma coisa. Eu tô tentando explicar qual a experiência que eu já tive. Se for pra um negócio de expat, em Paris, entendeu? Tipo, expat é a galera que mora em Paris, ou que é da Inglaterra ou dos Estados Unidos, entendeu? Alguns lugares de expat são French-friendly, entendeu? E vão alguns franceses. Outros lugares são meio tipo hardcore, que tem a bandeira da Inglaterra, alguém tá assistindo rugby, aí assim, o francês se sente deslocado ali, entendeu? Então é tipo, é isso, assim, dentro da cultura...

Tavinhu Furtado: [18:36] Eu acho que o ponto é esse, na verdade, é tipo, qual é a sua tribo? Depende da sua identidade.

Eron Falbo: [18:42] Com certeza.

Tavinhu Furtado: [18:43] Tipo assim, sua tribo, por exemplo. Muita gente até brinca. Vou dar um exemplo aqui, do pop. Tem o dia do pop, e todo mundo brinca que o dia do pop é o dia gay do pop. Porque normalmente vêm as grandes divas e tal, então o dia gay é o dia gay do pop. E normalmente brinca que o metal é o dia mais hétero. Tem muito gay que se amarra e faz um pouquinho de metal.

Eron Falbo: [19:12] Mas tudo na vida é um período, uma tendência. Até você falar em comunidade LGBT, não está representando muita gente que não se identifica com LGBT. É só uma pessoa que é livre sexualmente e transa com todo tipo de gente e não quer saber de comunidade nenhuma. E às vezes ele está lá como uma sigla e não se sente representado. Então sempre na humanidade tem esse problema, que a gente está falando de tendências, de formas que as pessoas se expressam, e é dinâmico. Muitas vezes mudam. Em determinada década, era de um jeito. Mas eu achei engraçado que não só eu já senti isso, né, essa coisa, eu também tava brincando que, pra mim, que pelo menos ultimamente me identifico mais como heterossexual, é um lugar que você pode ir, e aí também tem esse lado hétero-friendly, é aberto, a galera tá inclusiva, e ao mesmo tempo tem umas mulheres que não se sentem muito mal se você der em cima delas, porque tem essa coisa mais hétero-friendly, entendeu?

Tavinhu Furtado: [20:22] Tem, inclusive, mulheres que frequentam balada gay porque elas se sentem mais à vontade na balada gay, porque o assédio é menor. A questão, assim, o principal é entender que, na verdade, o ambiente é diverso, ele nunca é exclusivo. Por exemplo, você não precisa apresentar uma carteirinha de que é LGBT para ser LGBT quando entra nesse lugar. Na verdade, é um ambiente aberto e acessível nesse mundo. Se você quiser frequentar, você vai ser bem recebido. É a mesma coisa que, por exemplo, se eu for numa balada de rock'n'roll e você, de repente, não for de rock'n'roll, mas, ok, deu vontade de ir, você vai ser bem recebido. Mas você sabe que você vai encontrar uma galera que tá ali falando de rock'n'roll.

Eron Falbo: [21:07] Claro. E eu até lembro desse sentimento de ir para as baladas gays e sentir que... Isso falando um pouco dessa agressão masculina, de... Como é que você diz? Masculinidade tóxica. Você sente um pouco que as mulheres realmente se sentem mais à vontade, e você, ou eu, como heterossexual, indo para uma balada gay, sente na pele um pouco disso, o fato de que as mulheres estão mais à vontade. Aí fica mais claro pra você que existe algum desconforto em baladas normais. Porque, às vezes, quando você vai para uma balada heterossexual, como certos comportamentos já foram normalizados, você não tem a sensibilidade de entender o que as mulheres estão sentindo de fato. Mas numa balada gay, isso fica mais óbvio. E a mulher se sente mais empoderada. E a mulher, como está protegida por toda a comunidade gay ali, se você chega nela de uma maneira que você não calibrou, da maneira correta, ela se sente super à vontade de te destruir totalmente. E aí você começa a entender, uau, caramba, de repente eu preciso criar uma sensibilidade maior sobre esse tipo de coisa.

Assédio e masculinidade tóxica em baladas (21:08)

Tavinhu Furtado: [22:36] É claro que todo exagero é negado, tem a ver com a palavra. Eu posso, por exemplo, dizer que todo hétero vai ter uma postura respeitosa. Eu tenho muitos amigos que são héteros. Eu acho que caiu.

Eron Falbo: [22:55] Eu dei um corte só. Eu tô te ouvindo, tá cortado. Vamos esperar pra ver se volta.

Tavinhu Furtado: [23:01] Bom, vou continuar falando enquanto a gente tenta aqui voltar, porque aqui a internet tá funcionando, tá pipocando aqui.

Eron Falbo: [23:10] Agora voltou, agora voltou. Ótimo.

Tavinhu Furtado: [23:11] Bom, como eu estava falando, não dá para generalizar, mas, assim, a gente sabe, em baladas isso é comum a gente ouvir: as mulheres, às vezes, são invadidas, e o comportamento é, infelizmente, mais agressivo para a mulher, no sentido de não saber, às vezes, chegar e ligar. Em balada gay, sim, em balada gay também pode acontecer.

Eron Falbo: [23:43] É claro. E homem com homem também pode acontecer, né?

Tavinhu Furtado: [23:45] Exatamente.

Eron Falbo: [23:46] Na verdade, o homem tem um problema com ele mesmo, né? Que às vezes ele não consegue medir o nível da calibragem.

Tavinhu Furtado: [23:55] Deixa eu deixar isso claro, que parece.

Eron Falbo: [23:56] Que a gente tá fazendo... Sim, não, tá certo. E eu agradeço você deixar isso claro.

Tavinhu Furtado: [24:02] Só que o que acontece? Normalmente, e aí eu posso falar de experiências diferentes, conhecidas, mulheres, amigas que frequentam a balada, elas se sentem mais abonadas, porque elas se sentem livres para curtir a noite, sem se preocupar se um homem vai chegar, se um homem vai nos pegar na mão, não tem isso, só isso, entendeu? E, na verdade, eu tenho amigos héteros, homens, que frequentam a balada, que estão indo ali para curtir o som, porque gostam do som, que querem visitar amigos.

Eron Falbo: [24:33] Eu vou te dizer uma coisa, eu tenho amigos gays que não se sentem bem em balada gay por causa da agressão dos homens também. Muitas vezes vão em balada hétero pra poder dançar e ficar com as amigas. Olhar os héteros e não ter essa coisa de ser approached, receber o approach, porque existe isso. Muitas vezes a gente não quer ser assediado, não quer ser interrompido. É a mesma coisa de você estar jantando e chegar naquelas mesas no Rio de Janeiro, que é mais perto da praia, e toda hora chega um mendigo pedindo dinheiro, e você tá lá com um jantar romântico, tentando fazer uma conversa filosófica com um amigo, e toda hora é interrompido. É uma invasão, uma interrupção daquele momento. E isso é ruim de diversos ângulos.

Tavinhu Furtado: [25:40] O assédio é ruim de qualquer forma. Qualquer tipo de assédio.

Eron Falbo: [25:43] A invasão, ultrapassar barreiras, ultrapassar fronteiras, é...

Tavinhu Furtado: [25:47] Uma coisa... E pessoa assediadora depende da sexualidade dela. É uma característica da individualidade da pessoa, não da sexualidade dela. Então, na verdade, acontece que homens fazem.

Eron Falbo: [26:04] Isso muito mais do que mulheres.

Tavinhu Furtado: [26:07] Não dá para negar que vivemos em uma sociedade machista. Infelizmente, isso ainda é uma realidade. Tem melhorado, mas ainda é uma realidade. Então, assim, se normatizou o assédio masculino. Então, a mulher é assediada e, às vezes, ela se sente protegida pela sociedade, entendeu, por aquele aceitador. E aí ela acaba descobrindo uma balada gay, porque ela sabe que isso não vai acontecer com ela numa balada gay. Entendeu? Então, na verdade, a pessoa tá sendo mais protegida.

Biologia, sociedade machista e comportamento masculino (26:13)

Eron Falbo: [26:39] Mas eu não sei se normatizou. Tipo, homens, no geral, tem um pinto, né? Esse pinto já tá invadindo mais espaço, mais espaço aéreo, no geral, que é perturbador. E a mulher, como tem uma vagina, tá mais discreta, a vagina dela, entendeu? O homem, assim, por, vamos dizer, até pela biologia, já é mais brutamontes, já tá ocupando mais espaço. Não, eu não estou justificando nem, tipo, não sendo, vamos dizer, compassivo com o sofrimento das pessoas e tudo mais. Só estou dizendo que um status da natureza, observando a natureza, é que isso é uma realidade. Então a gente tem que aprender a lidar com a realidade, porque eu também vejo muito na sociedade, às vezes, homens sofrendo bullying, entendeu? Tipo assim, no sentido de que tem certas coisas que são masculinas, é simplesmente masculino. Uma pessoa abusar, vamos dizer, da sua força física ou das convenções sociais para tirar uma casquinha ou para ultrapassar barreiras é inaceitável, independente se seja homem, mulher ou qualquer coisa do tipo. Agora, eu não acredito que não seja inerente do homem, a gente precisa entender isso. O homem tem isso na psicologia, o cérebro é diferente da mulher, o corpo é diferente da mulher, isso é tudo... Nenhum psicólogo, vamos dizer, mainstream ou mais moderno, nega isso. Isso é fatual. Até diria que o cérebro da mulher é muito mais evoluído em muitas maneiras, na maioria das maneiras, muito mais sensível.

Tavinhu Furtado: [28:30] É óbvio que existem diferenças biológicas. Mas existe muito mais uma questão comportamental da sociedade do que efetivamente a biológica de uma espécie. Por exemplo, o assédio masculino em nada é biológico. Em nada?

Eron Falbo: [28:49] Mas isso acontece no reino animal em quase todas as espécies. O reino animal criou sociedades muito parecidas com o ser humano. Você entende do que eu estou falando? Eu entendo que algumas coisas foram... O homem ser o provedor e sentar lá e coçar o saco enquanto ele lê um jornal e a mulher traz as paradas, isso foi uma parada social. Mas o homem sentir um tesão de um certo tipo, que a mulher sente tesão, mas ela expressa de uma maneira totalmente diferente do homem, em tendência. Claro que dentro de um homem tem uma mulher e dentro de uma mulher tem um homem, então a gente tem lados femininos, lados masculinos dentro da gente, só que em termos biológicos a tendência de um homem é agir de uma certa maneira, isso é expressado dentro da sociedade, e a tendência da mulher é agir de outra. Agora, a sociedade às vezes não... É que nem assim, existe a causa LGBT. A causa LGBT, voltando para a causa LGBT, para a gente não viajar muito. Existe a causa LGBT porque a sociedade às vezes foi longe demais em, por religião, por qualquer coisa, aí isso é realmente criado socialmente em desfavorecer gays, que isso, por exemplo, no reino animal não rola. Um leão, por exemplo, tem atitudes gays e às vezes ele é o macho alfa. O leão brinca às vezes de forma gay, um com o outro. Até botei isso aqui de brincadeira. Eu tenho dois filhos, um homem e uma mulher, o leãozinho e o unicórnio, só para provocar, depois a gente conversar sobre identidade de gênero, essas coisas assim. Mas o que eu quero dizer é que, claro, a sociedade cria exageros, mas existe uma base biológica de onde nasceram essas coisas. E é nosso trabalho, como seres racionais, de consertar os exageros e as loucuras que a gente criou.

Tavinhu Furtado: [30:57] No final dessa sua frase, você resumiu tudo. A diferença é que nós somos seres racionais. Então, assim, justificar que biologicamente poderia existir algo de... predisposição no homem e ir pra cima da mulher. Então a gente volta... De novo, você...

Eron Falbo: [31:18] Tá falando de justificar, eu não tô justificando. Quando alguém invade o espaço que não é dele, não só não é cavalheiresco, no sentido de que a definição de um bom homem jamais vai ser alguém que faz esse tipo de coisa. Eu só tô falando que se a gente entender que nasce num lado biológico, às vezes a estratégia de lidar com isso vai ser muito mais eficaz do que fingir que é uma construção totalmente social e a gente tem que só botar a culpa nos jovens homens de ser homem, entendeu? Acho que rola isso muito, infelizmente, na sociedade de hoje em dia. Muitos jovens homens heterossexuais, porque eles não têm comunidades defendendo eles, qualquer coisa, sentem culpa de ser branco, de ser hétero, entendeu? E se sentem mais fragilizados, assim, de, pô, é melingrado, entendeu? Será que eu posso falar isso? Será que eu posso fazer isso? E não necessariamente esse seria um cara que está invadindo o espaço de ninguém. E, por outro lado, muita gente trans, muita gente gay invade o espaço de outras pessoas. Então, não é uma coisa que o hétero normativo está fazendo de errado, entendeu? É uma coisa que às vezes sofre bullying, não estou falando que sofre mais ou menos e que se compara com a causa gay. Estou dizendo só que rola isso, ainda mais nos nossos tempos. Tem todo um movimento de tentar proteger a psicologia de uma pessoa que entra no mundo e não sabe ser heteronormativa.

Tavinhu Furtado: [32:51] É exagerado, até a militância. Só que a gente também precisa lembrar que é graças a muita dessa militância que muita gente até considera que é contábil, que viu avançado.

Militância, movimento feminista e avanços sociais (32:55)

Eron Falbo: [33:04] Hoje em dia é um mundo melhor.

Tavinhu Furtado: [33:05] Na verdade, quando você tem uma parcela da sociedade... Aí eu posso até ser ativista LGBT e falar de qualquer outro assunto. Quando você tem uma parcela da sociedade que é historicamente oprimida, ela precisa, às vezes, falar mais alto para que ela possa ser ouvida. Porque não é assim, para mim, os nocais teriam, no mínimo, mais dificuldade para conseguirem ser muito escutados. Então, por exemplo, vou testar o exemplo, que nem é no lugar de fala, do movimento feminista. Eu sei que tem muita mulher que acha o movimento feminista errado, exagerado. Mas se não tivesse o movimento feminista indo de uma maneira muito forte para cima, as coisas não teriam evoluído.

Eron Falbo: [33:52] Sim, eu concordo com você e eu acho que isso tudo são dores de parto de um mundo mais justo, mais tranquilo, menos violento, mais aberto a ideias, a criatividade, as diferenças e coisas do tipo. Eu acho que o interessante dessa discussão toda é ver assim, porque muita gente fala como se fosse assim: não, agora a gente está... Acho que é até uma ideia comunista isso, que a gente está agora em novos tempos e tudo que era no passado era pior e agora a gente está indo para uns tempos melhores. Só que a gente tem que lembrar que não é tão simples assim. Tipo, o século XIX realmente tinha certas coisas, que agora a gente tá com feminismo, com orgulho gay, esse tipo de coisa, a gente tá modulando, consertando, fazendo mais justo, legal, pra ter menos violência, coisas inaceitáveis, né? Tipo, alguém ser espancado por andar na rua e por andar de uma forma mais afeminada, isso rolava muito no mundo antigo. Ainda rola, mas rolava. Eu sei que ainda rola. E eu sinto muito... Quando eu digo que sinto muito, eu não tenho nada a ver com isso, não tenho nenhuma culpa. Eu digo que sinto muito porque eu acho uma merda que isso ainda rola. Agora, graças a Deus, rola muito menos do que rolava em outras décadas, vamos dizer. Mas o que eu acho interessante é perceber, por exemplo, que na Grécia Antiga era chique ser gay. Além de chique, era mais, tipo assim, um cara que era muito hétero era visto como alguém que não era tão masculino na Grécia Antiga. Você viu isso no banquete de Platão?

Tavinhu Furtado: [35:27] Historicamente, existem momentos da história em que eram normatizadas as ações homossexuais. Você pode falar da Grécia Antiga, você pode falar do Império Romano, você pode falar até do Império Maia, em que homens afeminados eram considerados sábios. Então, assim, de uma maneira geral, existiu durante um tempo a dominação da crença católica no mundo. Foram as grandes expansões que levaram os dogmas católicos. Mas tem vários lugares mais católicos pra onde eles queriam expandir, e dentro desses lugares mais católicos determinados comportamentos ainda são considerados errados. O que eu costumo dizer é o seguinte: eu não preciso que ninguém diga assim, porque eu sou católico, apesar disso tem muita gente que acha errado. Não praticante, mas sou, tenho meu contato direto com o meu Deus aqui, faço o meu papo, mas entro em igreja, pergunto a eles se podem dar vontade, não tem nada a ver com nada. Mas eu nem por isso passo a mão para a igreja, e aí não é a igreja, são coisas diferentes. Ainda há requerimento de comportamento homossexual. Então, assim, como tudo na vida, né? A gente precisa concordar com tudo. Ainda bem que a gente concorda, porque é assim que a humanidade vive. Mas o que aconteceu é que a gente criou uma opressão mesmo. E aí você passa a falar de mulher: muita mulher era criada pra casar e viver à sombra do marido por muito tempo. Aí veio o movimento e começou a mudar. A mesma coisa é o movimento LGBT: por muito tempo, o movimento LGBT foi perseguido. A gente ainda tem 50 países no mundo em que há criminalização da minoria. É muita coisa. Ainda é crime, em alguns lugares, uma sentença de morte, você ser gay. Então, assim, a gente tá falando de uma realidade que ainda precisa muito, precisa muito. E aí também não é só a igreja católica, tá? Há muitos países hoje em que ainda é crime ser gay, e isso não tem mais nada a ver com a igreja católica.

Eron Falbo: [38:11] Isso é muito interessante. Tem até o Milo Yiannopoulos. Você conhece o Milo Yiannopoulos? Ele é uma grande contradição humana. Eu acho ele interessantíssimo. E eu acho, na verdade, muito legal que existe a figura do Milo Yiannopoulos no mundo, porque ele provoca as pessoas a abrirem a cabeça. Só para quem não conhece o Milo Yiannopoulos, primeiro eu recomendo que conheçam, porque é um cara engraçado pra caramba. E assim, independente de você concordar ou não com ele, só de ele falar assim, ele revela um monte de problemas em lógica, em qualquer lado que existe, porque ele é uma contradição ambulante. Ele é um gay assumido que tem um namorado negro de anos, ele é católico, ele é anti-muçulmano declarado, então ele faz guerra com os muçulmanos de uma forma bem agressiva. E ele é de direita, né? Então ele é meio que extrema direita, apoiador do Trump, né? E eu acho que isso é muito legal que existe, entendeu? Porque eu acho que, pra mim, um mundo inclusivo... Eu acho que o mundo que Oscar Wilde lutou para que existisse é um mundo de diversidade, de criatividade, de pessoas que ousam contradizer, que ousam transcender rótulos, que ousam transcender nomenclaturas e costumes, de uma maneira, obviamente, sempre respeitosa, de uma maneira que seja inspirada e não violenta. Porque tem muita gente também que está querendo transcender para chamar a atenção.

Milo Yiannopoulos e diversidade de pensamento (38:12)

Tavinhu Furtado: [40:07] Que...

Eron Falbo: [40:08] Seja chamada de algum pronome.

Tavinhu Furtado: [40:10] A diversidade e a pluralidade é importante até para a evolução humana. Se todo mundo pensasse igual, o mundo teria evoluído. Então, assim, é óbvio que o contraditório é necessário, em qualquer movimento. E eu gosto de dizer, em qualquer movimento que esteja, ele não é infalível, ele também vai cometer erros. Então, assim, também não precisa entrar na história de que o contraditório é ali pra procurar, que o assédio é ali, que a tríade é ali.

Eron Falbo: [40:45] Que o assédio é ali, que o...

Tavinhu Furtado: [40:45] Assédio é ali, que o assédio é ali. Agora, existem determinados limites que não podem ser ultrapassados. O limite da agressão física, agressão de ideias. Pode ser uma ideia contraditória, sem problema nenhum. Você só não pode achar que tem gente que te entenda como um tipo de omissão, por exemplo.

Eron Falbo: [41:13] Sim, com certeza. Acho que a gente pensa muito parecido nesse sentido, né? Isso aí é tipo um pano pra manga eterno, né? Tem detalhes aí, tem muita coisa pra ir. Mas a gente tem mais dez minutos, eu queria só que a gente falasse, ou cinco minutos, na verdade. E assim, a conversa fiada que a gente fala aqui no programa, a ideia é exatamente o que aconteceu aqui. Tipo, a gente foi pra um papo que eu nunca imaginaria que a gente iria. Mas foi ótimo, a gente falou coisas muito legais e muito importantes de serem ditas, calibrar entendimentos de como as coisas funcionam e entender que, independente da bandeira que você carrega, que você levanta, somos seres humanos tentando viver vidas saudáveis, tentando expressar nossas ideias, sermos livres. Então, só para você falar um pouquinho do seu trabalho, para deixar registrado o que exatamente você faz, as coisas que você representa, e a gente deixar uma divulgação para o pessoal poder te encontrar, encontrar as coisas que você representa.

Tavinhu Furtado: [42:33] Atualmente, eu sou o diretor de turismo da Câmara LGBT. Então o meu trabalho, através do turismo, não é um turismo convencional, são outros trabalhos, nada do tipo. E como eu expliquei, o meu trabalho, na verdade, é um trabalho de turismo focado em princípios. Seja, de novo, inclusivo. Então, na verdade, eu faço todo um trabalho junto com o trade turístico, que é quem faz com que o turismo aconteça, para que eles consigam incluir a população LGBT no seu atendimento. Ou seja, como atender a população, entender os conceitos dessa população, criar produtos para essa população, enfim. E aí também é importante destacar que não existe um isolamento. Você pode ser, como eu falei, uma empresa que atende todo o público, não só um público específico, mas você também pode ser uma empresa formada exclusivamente por pessoas que não têm problema nenhum. Desde que você faça de maneira verdadeira e não só pelo dinheiro.

Encerramento: trabalho e contatos do Tavinho (42:45)

Eron Falbo: [43:45] E como um membro da comunidade LGBT entra em contato com a Câmara? Como é que encontra? Alguém que está escutando aqui e quer ter uma ideia de negócio, como faz?

Tavinhu Furtado: [43:57] A gente tem o nosso site, câmara-lgbt.org.br. A gente tem as redes sociais também, Câmara LGBT, o nosso Instagram, tem Facebook, tem todas as informações, todos os trabalhos que a gente faz, em todas as áreas que a gente trabalha, não só na área de jornalismo. E ali, se você entrar, por exemplo, no nosso site, na parte da diretoria, tem lá o contato, tem lá os diretores, todo diretor com e-mail, telefone. Tem o contato, se tiver alguma dúvida.

Eron Falbo: [44:31] Ótimo. E o Maior Viagem e o Gay Travel Fun?

Tavinhu Furtado: [44:36] Isso, não atrapalha a parte. Na verdade, sou editor desses dois sites. O Maior Viagem já tem cinco anos, vou para o sexto ano agora. É um site de turismo e gastronomia focado principalmente em experiências de luxo. É um pouco mais focado em experiências de viagem. E o Gay Travel Fun, na verdade, surgiu depois do Maior Viagem. Eu já escrevia sobre o Maior Viagem, e aí depois isso acabou. Se percebeu que daria para falar mais, eu criei esse outro site. Ele hoje fala mais sobre turismo, comportamento, saúde, moda, cultura, enfim, sobre a comunidade LGBT em geral. Eu sou editor desse site. Na verdade, meu trabalho vem dessa área.

Eron Falbo: [45:32] Ótimo, ótimo. E para acessar esses sites, se puder falar.

Tavinhu Furtado: [45:37] Maior Viagem, Maior Viagem. Também estamos nas redes sociais, Instagram, Facebook e tudo. E o Gay Travel Fun, Gay Travel Fun, também nas redes sociais, Instagram também.

Eron Falbo: [45:50] E o seu Instagram, para quem quiser encontrar o Tavinhu, é Tavinhu, T-A-V-I-N-H-U, underline, Furtado, F-U-R-T-A-D-O.

Tavinhu Furtado: [46:02] Isso, isso.

Eron Falbo: [46:04] Ótimo. Beleza, Tavinhu. Então, é isso. Mais uma vez, eu te agradeço pela sua razoabilidade, pela sua abertura e paciência, que talvez eu tenha ficado um pouco desastrado com o jeito de falar.

Tavinhu Furtado: [46:20] Não, mas isso é supernormal. Isso é uma coisa também que eu falo sempre com as pessoas: a gente tem que estar aberto a conversar. Se eu for conversar só com a comunidade LGBT, é fácil, todo mundo já entende o que é. Eu preciso conversar com as outras pessoas, eu preciso levar isso a mais pessoas. Para que, efetivamente, a gente tenha respeitada a diversidade e a pauta seja levada a sério.

Eron Falbo: [46:43] Está certo, é isso. Então, parabéns pelo trabalho. Muito obrigado mais uma vez por aceitar vir aqui. Obrigado a todos por participarem. E é isso, continua assim, se precisar, estamos aí.

Tavinhu Furtado: [46:56] Obrigado, obrigado.

Eron Falbo: [46:58] Então valeu, boa noite a todos.

Tavinhu Furtado: [47:00] Tchau, tchau.

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