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Eron Falbo: [0:05] Sejam bem-vindos! Você entrou no Alvo, eu sou Eron Falbo e hoje a gente tá aqui com o Minotouro, Rogério Nogueira. Rogério é um grande campeão de luta. Ele é um guerreiro nato, já lutou MMA no UFC e no Pride, e foi duas vezes campeão brasileiro dos pesos pesados no boxe. Além disso, hoje é um empresário de sucesso e filantropo dedicado. Fala, meu querido Rogério, tudo bem?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [0:38] Tudo bom?
Eron Falbo: [0:39] Graças a Deus, tudo certo.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [0:41] Um trânsito absurdo aqui.
Eron Falbo: [0:44] Tudo bem, que isso? Atrasou um pouquinho.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [0:47] Como é que tá, meu amigo? Prazer estar com você aqui.
Eron Falbo: [0:49] Grande prazer, prazer te ver aí. Desculpa, não te visitei, tô devendo essa visita. Vai rolar a qualquer momento aí.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [0:58] Dá um treino lá de arte marcial, de Jiu-Jitsu.
Eron Falbo: [1:03] Você vai ser meu sparring partner? Vai dar uns soquinhos em mim? Se você me der um soco, eu morro.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [1:12] Quem não é da luta acha diferente, mas quando vai lá, bota uma luva, bate no saco e tal, e depois o negócio meio que entra no sangue, vicia, todo mundo vicia, todo mundo fica viciado.
Eron Falbo: [1:29] Eu adoraria fazer isso.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [1:33] E assim, você acha que é a orelha, né? No caso, a orelha fica... Você é um cara que é muito profissional, já que tem muito tempo de tatame, aí que acontece isso, né? Muitos espalhos.
Eron Falbo: [1:46] Mas vamos falar da sua academia um pouco, só para o pessoal que não conhece aí. Você está com uma academia que já está espalhada pelo mundo inteiro, mas tem uma aqui no Rio também. Qual é a proposta da academia, se você puder fazer essa divulgação para a gente?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [2:03] Meu amigo, assim, como é que surgiu essa história da academia? Minha mãe era professora de Educação Física. Eu, com quatro anos de idade, me encontrei dentro de uma academia. Com três anos de idade, ela me botou no tatame. Minha mãe, dona Marina, tinha cinco filhos. Minha tia morreu, ela pegou mais quatro para criar. E tinha um tio meu temporão, eram dez crianças em casa. E ela tinha que cuidar dessa criançada toda. Aí a professora de Educação Física falou: vou montar uma academia e vou ocupar essa galera toda treinando. Minhas irmãs faziam balé, jazz, ginástica, musculação. Desde criança a gente já estava nesse ambiente de alimentação saudável. E aí ela colocou um professor de judô, depois colocou um cara de taekwondo pra treinar a gente, muay thai, e assim me vi treinando desde os três anos de idade.
Eron Falbo: [3:01] E esse pessoal junto com a academia, você falou que algumas pessoas eram meio agregados, você considerava eles irmãos também, esse pessoal que sua mãe pegou para criar?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [3:14] Claro, são meus irmãos, são meus irmãos. Minha tia... filho da minha tia, irmã da minha mãe, isso, são nossos irmãos. Ela colocava todo mundo numa atividade física para poder treinar. E aí, também, para a questão da disciplina, não era nem para ocupar o tempo, era a questão da disciplina. Você vê muitas crianças hoje em dia, o pai e a mãe ficam muito preocupados com essa questão da disciplina, mas o pai também está naquela correria do dia a dia e não tem tempo para dar atenção à educação. Você sabe, hoje em dia...
Eron Falbo: [3:52] Precisa de uma mãe forte, né?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [3:54] Aí os pais levam para a academia com a intenção de colocar a criança num programa de disciplina. E a arte marcial serve para isso também. Então, quando minha mãe viu, ela estava ali acompanhando o judô, ia nas competições e tal. Então, além de entrar num programa de disciplina, que era um programa que a gente chama de escolinha, ela começou a se empolgar com as competições. E foi aí que a gente começou essa história de virar competidor, até chegar nas histórias do UFC, sonhando mais alto, para uma competição internacional.
Eron Falbo: [4:30] E outros irmãos seus também, além do Rodrigo, foram para frente com outras competições e coisas do tipo?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [4:39] Não, naquela época meu irmão mais velho fez alguns... lutou alguns campeonatos, mas não foi tão bem. Ele era um menino que não gostava tanto, gostava mais de musculação, outras coisinhas assim, tal, e aí não.
Eron Falbo: [4:55] Não entrou, vocês é que foram.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [4:58] Mais longe, é claro. E aí, o meu irmão, o Rodrigo Minotauro, é muito competitivo. Então a gente ficava nessa da competição, e melhor um, ou melhor outro, um dia ou outro. E a gente sempre teve esse negócio da competição na veia, e isso aí foi bom, né, porque a gente não queria perder. Você perde na academia, mas aí você não podia ficar chateado. Então, essa questão de você ser competitivo, isso vai muito do atleta profissional, o cara mais competitivo.
Eron Falbo: [5:29] E você e seu irmão tinham uma certa rivalidade? Eu ouvi falar de alguma coisa assim. Tinha competição, mas vocês tinham uma rivalidade um com o outro?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [5:39] Não, era uma rivalidade mais saudável, esse negócio da competição. De treinar melhor: hoje eu treinei melhor, eu fiz essa posição, hoje eu consegui executar esse golpe, e tal. E aí ele era um cara que corria muito atrás, muito pesquisador, então todo dia ele trazia coisa nova pra eu acompanhar, eu tinha que treinar bastante também, né, pra passar, sabe como é que é irmão gêmeo, né? Então isso foi porque um ia motivando o outro. Chegou uma época que ele era o meu melhor treino, que era um cara grandão também, pesado pra idade. Talvez, quando a gente chegou com 13, 14 anos, a gente tinha 85 quilos. Não é normal, criança com 85 quilos com 13 anos. E eu era o melhor treino para ele naquela época, os outros meninos eram menores, com 15 anos o cara tinha 90 quilos, já era cheio de... Então, a gente ficava nessa de estar melhor fisicamente. De manhã cedo a gente acordava pra poder remar. Eu era criança, com 16 anos, acordava às 5 da manhã pra poder fazer remo. São poucas crianças que fazem isso. Mas aí foi bom, por eu ter um cara competitivo, o Rodrigo, ia puxando ali a barra pra cima. Tinha que ter disposição pra estar junto.
Eron Falbo: [6:56] E qual de vocês começou antes? Porque, assim, gêmeos, né? Algum de vocês liderou um pouco mais a questão de campeonatos e coisas do tipo?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [7:07] A gente começou junto no judô. Aí no boxe a gente fez junto também, uma época. Aí no jiu-jitsu ele começou um pouquinho antes, lá em Salvador. Nessa época eu tava fazendo um trabalho, trabalhava num negócio lá pra poder levantar uma graninha e ganhar mais dinheiro. Eu não conseguia entrar no jiu-jitsu primeiro, aí depois no MMA, ele foi pros Estados Unidos e eu fiquei na competição de jiu-jitsu. E ele estreou primeiro no MMA, porque nos Estados Unidos tinha mais MMA naquela época, que no Brasil tava bem fraco. Ele estreou lá primeiro que eu no MMA. E aí eu fui pro Japão, fiz uma luta no Japão, logo na segunda, terceira luta, e aí falaram: amor, é uma luta pra você fazer, ano que vem você se prepara direitinho e ano que vem você vai pra lá. Foi isso aí, então, de repente.
Eron Falbo: [8:05] Foi como ele começou antes também no MMA. De repente, foi por isso que ele tem o nome Minotauro e você, Minotouro? Quem escolheu isso? Como é que ficou isso?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [8:15] Na verdade, cara, o nome Minotauro, Minotouro, foi um cara lá da... pô, lá da Academia Champion, um cara chamado Passarinha, um cara super engraçado, que botava apelido em todo mundo. Esse cara, um dia, foi fazer um sparring com ele, e aí ele deu um soco nele, e aí o cara ligou pra mulher e falou: amor, hoje eu não vou poder jantar contigo, um cara aqui, o Minotauro, me deu um soco na boca. Aí, brincando, zoando, o apelido pegou, e ficou Minotauro. E esse aqui, Minotouro.
Eron Falbo: [8:48] E aí o cara me bateu nos dois.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [8:50] E aí meu irmão ainda ficou bravo no dia, assim, aí quando você fica bravo, aí piora, né?
Eron Falbo: [8:56] Aí pegou, né, cada dia.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [8:57] Já era, minotório, minotório. Chegava no tatame, era minotório.
Eron Falbo: [9:01] Então foi aleatório, cara, só escolheu o Rodrigo foi o minotório.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [9:06] Isso virou até sobrenome, né? Minotório, minotório, minotório.
Eron Falbo: [9:09] É, porque nos Estados Unidos é conhecido como Little Nog, né? É de Nogueira, é?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [9:14] Little Nog, Big Nog, de Nogueira, né? Porque eles falam mais, porque não falam Rogério e Rodrigo, Nogueira.
Eron Falbo: [9:20] É, eu sou sério.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [9:22] E aí, quando... Uma vez o Danoite falou, né? Ah, esse eu quero o Big One, o Little One. Aí ficou o Little Nog, Big Nog, o Danoite deu uma zoada, ela fez uma piada lá no dia. E aí, Danoite fala aquilo ali, a galera, todos os repórteres virou apelido, aí virou quase que um só.
Eron Falbo: [9:43] Ah, legal. É porque a galera só fala Little Nog, né? Estranho que aqui no Brasil isso não é conhecido como Little Nog, não tem nada a ver.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [9:50] Não, não. A galera lá fala muito mais sobre o nome. Lá no Japão também. No Japão, Nogueira. Nogueira era bem conhecido lá como Os Nogueiras. Aqui no Japão. Tanto é que a gente colocou o nome da academia Tio Nogueira. E aqui no Brasil não era tão conhecido Tio Nogueira, porque Nogueira era mais Minotauro e Minotouro. Aqui é engraçado. Você pega mais o nome próprio.
Eron Falbo: [10:14] E apelido. E a sacanagem.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [10:17] E a sacanagem. E lá totalmente só o sobrenome. Todo mundo conhece mais, geralmente, pelo sobrenome. Mas eu me lembro que naquela época, no Japão... O Japão é pequeno, é uma ilha, né? Então, tudo que você faz lá, se fizer bem feita, a chance de... Ainda mais na luta, eles adoram luta, porque a cultura de arte marcial lá do samurai, já vem do samurai, e eu me lembro que o Rodrigo chegou lá e eu cheguei e a gente finalizava rápido as lutas, começava assim um minuto, teve uma luta que eu finalizei com 30 segundos, o Rodrigo pegou um cara lá campeão, finalizou com 40 segundos, então chegou dois irmãos, gêmeos, os caras finalizavam, acabaram as lutas rápido, então pegou muito rápido isso, né?
Eron Falbo: [11:08] É genial, os dois gêmeos, é muita coincidência vocês entrarem juntos no MMA e fazerem tanto sucesso. É isso que eu estava querendo saber de você, porque você me contou um pouco que teve sua mãe que incentivou e tal. Mas assim, o que foi pra você? Qual seria a resposta pra essa pergunta? Tipo assim, tem a família Gracie, que tem um milhão de pessoas aí que foram campeões e tudo, mas na sua, assim, especialmente, foi o quê? Por que foi especificamente você e seu irmão? E por que vocês foram tão longe juntos? Tinha uma parceria, alguma coisa assim que vocês fizeram juntos? Você já falou isso um pouco, mas tem algo a adicionar? Alguma coisa especial?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [11:51] O meu irmão, cara, ele teve uma história muito bacana. Ele foi atropelado por um caminhão quando tinha 11 anos de idade. A gente estava em frente a uma festa de aniversário, e de repente estava brincando em cima do caminhão, e o cara ligou o caminhão. O cara saiu arrancando de ré, ele caiu, a gente pulou pelo lado do caminhão, assim, pela lateral, e ele pulou por trás. Ele caiu sentado num monte de areia, não conseguiu sair, e o caminhão saiu passando devagarzinho em cima do monte de areia e passou por cima dele. E aí, cara, a barriga dele estourou, a costela, fígado, pulmão e tal. E aí ele foi um cara que teve uma infância muito sofrida por causa desse acidente. Passou 11 meses internado, mais de 18 cirurgias no pulmão, fígado. E aí, cara, ele era um cara que via as coisas com certa facilidade, porque o cara passou muita dificuldade. Quem aceitava, por exemplo, lutar contra o Bob Sapp, um cara gigante de 172 quilos, e ele com 102 quilos? Ninguém aceitava lutar com o cara. Eu me lembro que chegamos lá no Japão, ninguém queria ir lutar com o cara. Fizeram um Pride Dynamite, um evento com 110 mil pessoas, no Estádio Nacional de Tóquio. Na luta final, meu irmão estava com um problema na coluna, que ele não saía de casa porque não conseguia ficar em pé. A gente foi, soube que tinha um cara chamado Burt, um preparador físico lá no interior da Holanda, que esse cara era da NBA. Ele negociava lá da NBA, saía dos Estados Unidos para fazer uma temporada de três meses lá para tratar a coluna, porque os caras são gigantes, saltam muito alto e descem, e dá problema no lombar. E aí soubemos que esse cara fazia isso e fomos bater lá no interior da Holanda. Ficamos lá um mês e tal, tratando a coluna. E aí, no meio dessa viagem, o cara chamou: 'Ó, tem uma viagem para o Japão pra fazer uma negociação de uma luta.' Partimos pra lá, pro Japão, e o cara falou assim: 'Ó, tem uma luta pra você, né.' E nisso meu irmão estava voltando ao treinamento, no dia liberou, liberou, pode treinar. A gente viajou pro Japão, chegou lá, o cara mostrou a fita do gigante, e era assim: era um soco, pum, e o cara caía. Tipo assim, começou a luta, um soco, pum, caía. Luta de oito segundos. Tipo, mais tarde você vai lutar. Aí eu falei: 'Bichão, é assim, das duas uma: ou você não aceita, ou você aceita e ganha muita grana, porque ninguém quer.' Aí ele falou: 'Não, claro, peguei e tal.' E aí, tanto é que ele pediu um pouco a mais do que ele ganhava, e o cara aceitou rapidamente, tipo, nem terminou a negociação. Então, tipo, as coisas que ninguém aceitava, ele aceitava, porque não via perigo. Então já tinha esse negócio de não ver perigo em nada. E como a gente treinava demais, eu acho que... por a gente estar acostumado a treinar demais, sempre treinar duro, então a gente sempre via que tinha condições de fazer uma coisa que muitas vezes as pessoas não aceitavam. Acho que essa talvez seja uma estratégia: você achar oportunidades onde as pessoas acham dificuldade. É você ser um cara trabalhador a nível que, no mercado que você entrar, seja duro como for, você encara, e aí muitas vezes você encontra... as pessoas vão encontrar dificuldade. A pandemia, talvez, na pandemia sejam as maiores oportunidades, porque tem coisas que ninguém quer fazer porque acha que está tudo horrível, não é mesmo? É agora que quem souber fazer direito vai fazer, vai ganhar dinheiro, porque está voltando, e quem começar na frente agora, na dificuldade, vai pegar a oportunidade. Então, naquela época, quando ninguém aceitava os...
Eron Falbo: [15:50] Gigantes, ele pegava. Abraça o gigante, aceita o gigante. Dá graças a Deus que o gigante existe, para você poder ganhar uma grana extra, desafiar o gigante que está lá.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [16:02] E ficar conhecido mais rápido. Talvez foi isso.
Eron Falbo: [16:06] Exatamente. É pular os degraus.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [16:10] Enquanto muita gente quer fazer a coisa devagarzinho, se você fizer uma coisa muito difícil, você vai ter mais reconhecimento mais rápido. Talvez seja isso. Então, eu me lembro que num ano ele era um cara, no outro ele já era outro. Num ano eu era uma pessoa, no outro eu já era outro, porque às vezes eu pegava sete lutas em um ano. Talvez tinha pessoas que faziam duas lutas em um ano, eu fazia sete, seis. Então eu ia pegando o máximo que eu podia, porque eu queria mais rápido.
Eron Falbo: [16:39] Muito bom. Isso é o que a gente... na verdade, a gente se conheceu através de um coach de alta performance, que é justo esse assunto que a gente está falando: alta performance. Isso sempre foi importante pra você? Essa questão de fazer mais, se sobressair e ganhar de si mesmo?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [16:58] Claro, claro. Eu acho que isso é o grande X que eu vejo da questão. Muitas vezes a gente acha que o problema são os inimigos externos, mas os inimigos internos são os piores, né? Porque você tem os inimigos internos: é o seu ego, é você achar que não precisa fazer tanto, é você achar que você já está bom demais e que não precisa ir atrás. E talvez, quando você começa a ser mais decidido, fala 'não, eu vou, vou arriscar', e você vai perder, mas você tem que encarar aquela derrota no dia a dia, porque muitas vezes o cara vai perder e ali ele aprende. Se você for pegar, por exemplo, os Beatles, né, grande sensação, né? Mas os caras fizeram shows durante anos, boteco, badinho, show por dia, todos os dias, os caras chegaram num momento que fizeram dois mil shows... Você gosta de Beatles?
Eron Falbo: [17:57] Eu nunca ia imaginar, você gosta de Beatles?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [18:01] Cara, não, eu estudei a história deles assim. Eu falei: cara, os caras que são bons acima da média, eles fizeram tudo, todos os dias, durante muitos anos.
Eron Falbo: [18:13] É assim, só pra te falar: eu baseei grande parte da minha carreira na história dos Beatles, então tô achando engraçado que você tá falando exatamente essa história. Ah, é? Porque assim, eu era músico, no começo eu era músico, e bom, quis ter algumas coisas legais dentro da música, mas seguindo essa coisa dos Beatles. Eu fazia shows em cruzeiro, os Beatles faziam show em Hamburgo, na Alemanha, faziam às vezes quatro horas de show numa noite. E nos cruzeiros eu fazia quatro shows por dia, todos os dias, estando gripado ou não, com febre ou não, tinha que fazer o show, porque isso te dá uma milhagem, te dá uma experiência, te dá também a coragem de enfrentar desafios. E também, vamos dizer, a energia. Tipo assim, se você tá fazendo um showzinho todo dia, um showzinho pequeno, chega um show de estádio, aí você tá treinado pra fazer aquele show de estádio. Aí pra você, talvez, na luta... se você fez seis, sete lutas no ano, aí chega o campeãozão que você tem que enfrentar, você tá treinado, né?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [19:22] Com certeza, com certeza. Outro dia eu fui fazer uma live com um cara que é campeão olímpico, né, o Robson Conceição, brasileiro, o único campeão olímpico do Brasil, né. Então, o cara é um moleque novo, eu conheci ele na seleção. Tipo, ele chegou na seleção com dezesseis anos de idade, eu tava na seleção brasileira de boxe naquela época, ganhando experiência. E aí eu fui fazer a live com ele, eu falei: 'Pô, passa o seu cartel aí, seu currículo, né? Quantas lutas você tem?' E tal, quantas lutas de boxe? Na média, né, noventa e poucos. Ele falou: 'Não, eu tenho trezentos e setenta lutas.' E aí você entende o cara que é campeão olímpico, né? O cara tem 370 lutas, o cara lutava três vezes por semana. Um cara novo, vinte e poucos anos. Você vê que... eu fui em Cuba, aí tinha um moleque que devia ter uns 12 anos de idade, 10 anos de idade, e eu tinha 30 lutas de boxe. O cara devia ter uns vinte e tantos anos e tal. E aí eu cheguei pro moleque e falei assim: 'Quantas lutas você tem?' Ele falou: 'Eu tenho 80.' 80 lutas de boxe, eu tinha 30. Um moleque de 12, 10, 12 anos. Então você entende por que os cubanos estão aí nos mundiais tão cedo, porque ele começa muito novo e não tem quantidade... quanto mais, melhor, né?
Eron Falbo: [20:44] Você conhece o Joe Rogan? Você conhece o Joe Rogan pessoalmente ou não?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [20:49] Quem?
Eron Falbo: [20:50] O Joe Rogan, comentarista do UFC.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [20:52] Ah, conheço, conheço.
Eron Falbo: [20:54] Então, o Joe Rogan hoje é o cara mais popular da Terra. Não sei se você sabe disso, ele é o podcast mais ouvido do planeta Terra, mais de 300 downloads por mês. E sabe qual é a metodologia que ele fez para poder chegar nessa audiência? Não é porque ele é comentarista do UFC, porque tem muito comentarista do UFC, mas ele mesmo fala: ele faz podcast todos os dias. Todos os dias ele faz um podcast, ele grava uma coisa, ele tá fazendo isso há anos. E aí eu tô seguindo isso também, claro que eu não sou tão bom quanto ele, eu não tenho tanta resiliência quanto ele, que eu não lutei, que ele também lutou MMA, mas eu tô fazendo quatro por semana, entendeu? Pra eu poder aprender, pra eu poder crescer e ser um apresentador melhor, entendeu?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [21:40] É demais, é demais isso. Eu sempre pensei nisso, assim, quando moleque eu pensava nisso, assim, como filosofia de vida, né? Você fazer a mesma coisa todos os dias durante muitos anos, você vai ficar bom naquilo ali. Tem um livro, cara, que eu li assim, eu levo ele assim como livro de cabeceira: Outliers, né? Já ouviu falar desse livro?
Eron Falbo: [22:04] Ouvi falar, mas eu não li, não.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [22:05] Esse livro, ele fala da teoria das 10 mil horas.
Eron Falbo: [22:09] Ah, sim, sim.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [22:11] Tem uma coisa: você tem que fazer aquilo ali durante 10 mil horas. Aí, se você for pegar o tempo de uma faculdade, é mais ou menos aquilo ali: cinco anos, quatro, cinco horas por dia, daí dá umas 10 mil horas. Só que o cara sai da faculdade e não tem a prática, né? Então, o ideal seria que você dividisse entre a faculdade e, à tarde, no outro turno, você fazer aquele trabalho, colocando em prática aquilo que você estudou. Não é só o estudo, é estudo e prática. Eu vejo muito hoje, a gente tá vivendo essa era da educação, né? Das lives, podcast e tudo, muita informação, e as pessoas não colocam em prática.
Eron Falbo: [22:46] Muito consumo, né? Muito consumo e pouca aplicação, né?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [22:52] Aplicação. Se a gente conseguisse realmente fazer uma faculdade com aquilo que você fosse colocar em prática, ficava muito mais fácil. Como eu, na época, fazia direito, eu deveria ter feito educação física, algo ligado à luta, poderia ter saído até melhor com a luta. Mas, assim, não tive tanta teoria e depois eu tive que estudar mais. Mas eu acredito muito nisso: se você conseguir fazer horas de prática e horas de estudo naquele mesmo foco, você consegue alavancar aquilo ali.
Eron Falbo: [23:26] Rogério, eu queria entrar num assunto, assim, voltando, na verdade, para um assunto inicial que a gente estava falando, sobre resiliência, você sendo atropelado por um caminhão e se levantando para ser um grande lutador, e vocês, dentro desse espírito competitivo, um, vamos dizer, desafiando o outro, crescendo dessa forma. A minha impressão, de outras pessoas parecidas que pensam parecido comigo, é que a nossa geração, a geração mais jovem hoje em dia, está um pouco maricas, está um pouco fragilizada, está um pouco, vamos dizer, com essa coisa de melindres, de não pode falar as coisas, e tudo tem que reclamar, e tudo tem que pedir para o Estado pagar, e não sei o quê. O que você acha? Eu imagino que, pelo que eu li da sua academia, você passa essa ideia para os jovens de resiliência, de lutar, de ser mais tough, como é que fala em português, de ser mais durão e aguentar mais. Qual a sua opinião sobre isso versus a geração e o que você tem visto dentro da nossa geração, da geração de gente mais jovem do que a gente, os universitários, 20 anos e pouco?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [24:48] Eu acho que é muito difícil você falar de educação, porque cada um tem a sua opção de educação. Por exemplo, a gente vem discutindo, eu e minha mulher, sobre qual escola colocar ela: não gosto daquela ali, muito liberal, e a outra é esse outro estilo de educação. Então, cada pai, eu acho, tem isso de particular, em que ele quer que o filho siga uma linha de educação. Mas, com certeza, quando você vê muitas opções, a criança fala: se eu não me der bem aqui, eu vou pra cá; se eu não me der bem lá, eu vou pra outro lugar. Então, você começa a pegar as crianças com 14 anos, tudo bem, ele não sabe o que quer da vida, mas, geralmente, aquele menino, por exemplo... Você aprendeu a tocar provavelmente mais cedo, né? Porque às vezes tem um talento, ele começa a desenvolver aquilo mais cedo, e vai indo, e vai indo, e quando você vê, já tá tocando. Eu vejo muitas pessoas talentosas: ou começaram mais cedo, ou começaram mais tarde, mas deram um hiperfoco naquela atividade, pararam ali durante alguns anos pra fazer aquele foco naquilo ali.
Eron Falbo: [25:58] Dedicação ou foco?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [26:00] Dedicação, foco. Então, eu vejo, quando tem muitas opções e muita informação, o cara fala: ah, vou fazer de tudo. Você termina que vira um generalista, e você não vira um especialista em nada. E eu vejo, assim, por exemplo, a criança falar 'eu vou aqui, eu vou aqui', os pais deixam à vontade, né? E aí você fica nessa opção. Então, você nunca quer infortunar, porque, com certeza, a pessoa vai ser talvez dedicada naquilo que ela achar que tem que ser melhor pra ela. Com certeza, cada um escolhe o seu futuro, mas eu acho que as pessoas desistem muito fácil, cara. A gente criou até um slogan que chama Never Quit. Aí você vê esses caras... Never Quit, lá nos Estados Unidos, expressão americana, nunca desiste, é mais uma gíria, assim. E você vê que as pessoas que conseguem grandes resultados são as pessoas que não desistiram. Se você pegar os grandes atletas, os grandes profissionais, os caras passaram por um tempo de resiliência. E eu vejo que essa é a característica de um cara que consegue sucesso, seja no esporte, seja em outra profissão: aquele cara que batalhou, que teve tudo pra desistir, foi lá e lutou. Não aquele cara que ganhou de mão beijada.
Eron Falbo: [27:18] Esse é o mais bonito também, o mais bonito é ver isso. Hoje eu faço aula de palhaço, por exemplo, e o meu professor me falou o seguinte: que no circo tem o momento do trapézio, o trapezista, ele tem um momento, quando ele vai fazer a manobra mais difícil, que ele fala: 'Agora eu vou tentar uma coisa', e ele cai de propósito, ele cai lá na rede de propósito, para o público poder aplaudir e achar que ele vai ter uma chance de não conseguir fazer. Ele vai falar: 'Vou tentar de novo, agora vou subir lá no trapézio de novo.' Ele sobe lá, aí rola aqueles tambores, aquele suspense: será que ele vai conseguir de fato? Aí ele vai lá e faz a pirueta e consegue fazer aquela coisa maravilhosa dentro do trapézio. Mas o público, se ele fosse só perfeito, se ele chegasse lá no trapézio e fizesse o malabarismo, os pulos que ele tem que fazer, qualquer coisa assim, e sempre conseguisse, a galera ia falar: 'Pô, vou parar de assistir essa merda', entendeu? Então se desenvolveu esse suspense, esse drama, e a gente na vida tem isso, a vida é melhor com esses desafios.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [28:33] E a grande sacada do palhaço é que ele faz essa cagada, ele se permite errar porque ele vai ganhar empatia da plateia, porque todo mundo erra. Ele vai dizer: 'Sou gente como você.' Aí ele ganha empatia. Depois, ele ganha o passe para ser o cara palhaço. Primeiro ele faz merda, aí ele ganha a plateia.
Eron Falbo: [28:59] Exatamente.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [29:00] E a plateia... ela cria uma simpatia por quem não desiste, por quem já sofreu, por quem passou. É a própria jornada do herói. O herói passa por várias fases. A primeira fase do herói é um fracasso, é ter falido, é estar sem dinheiro. Todo mundo cria uma simpatia com o herói. Depois ele fala: 'E agora eu cheguei até aqui, você também pode.' Eu já dei umas palestras, sou palestrante também, e alguns atletas, ele vai lá e fala: 'Eu fiz isso, isso, isso, isso, isso, hoje eu sou campeão.' Aí eu pensei na minha cabeça, falei: 'Como é que você vai fazer assim?' Porque você tem que mostrar que não foi tão fácil assim. Mostra a verdade. Mostra que você sofreu todo o sofrimento e a trajetória pra você chegar até ali. Porque se o cara falar 'eu nasci campeão, eu fui campeão da final', é muito difícil. Talvez nem o Cristiano Ronaldo fez isso, que é um cara super talentoso.
Eron Falbo: [29:59] E você estudou com o Márcio Libar também? Só uma curiosidade.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [30:04] Márcio Libar, Márcio Libar. Quando você falou do Patriarca de Pedírica.
Eron Falbo: [30:08] É com ele que eu tô fazendo esse curso aí do palhaço.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [30:13] Quando você falou isso eu lembrei dele. É muito legal.
Eron Falbo: [30:20] Vamos mandar um abraço para os nossos amigos em comum. Então, Carlos Eduardo Brito e Márcio Libar.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [30:26] Um abraço para você, meu amigo. Saudade, Dr. Eduardo, você é sensacional. Grande fã do seu trabalho. Eu fiz um curso com o doutor Duarte, um treinamento dos cinco pilares, alguns meses, eu acho que três meses, se eu não me engano. Ia lá toda terça-feira à noite, passava três, quatro horas lá, muito conteúdo. Cara, ele é muito bom, ele é muito bom. E além disso, eu fiz a parte de coach com ele durante alguns meses numa preparação para uma luta minha em 2017 lá no UFC Curitiba. Entrei focadão, fiz um lutão, fiz com ele, com o Fernando e com o Márcio Libar.
Eron Falbo: [31:11] E ele te deu a respiração do tigre, né? Pra entrar com mais energia, porque você é um cara calmo. Ele até me falou isso hoje, que eu estive com ele hoje, né? Ele falou: 'Pô, o Minotouro é um docinho, é um cara super calmo, super gente boa', e você vendo ele lutando, você não pode imaginar o cara que ele é na vida pessoal. E obviamente, pô, quem conversa com você dá pra ver que você é um cara centrado, um cara calmo, um cara pra frente, gente boa. Você foi super generoso comigo. Mas como é que foi esse preparo para você sair dessa calmaria e entrar no touro?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [31:49] Então, cara, eu acho que o primeiro passo, talvez, dessa parte mental, do treinador mental, como o Dr. Adelardo, que é o psicólogo esportivo, junto com a equipe dele, com o Márcio, é você ativar o melhor daquele cara. Ele tem que ser um cara agressivo, mas ele não pode ser excessivamente agressivo, senão ele entra em um irracional. Então há autoconhecimento, você tem que saber. Tem gente que tem que acalmar. O cara tem que meditar ali pra caramba antes de entrar na luta, porque ele tá tão afoito, ele não dormiu de noite e tal, ele tá tão pilhado que tem que acalmar pra organizar os pensamentos, a agressividade na hora da luta. E tem gente que é muito calmo como eu, ele tem que ativar a respiração. Então ele usa algumas respirações, ele faz isso, ele coloca naquela cadeira ali e aí vai vendo como é que tá o coração do cara e o pensamento, né? A parte do estímulo elétrico, ele faz desde daqueles exercícios de light e tal pra conhecer como é que é o atleta. Então eu tinha que ativar. E ele já tinha atletas que ele tinha que usar a respiração pra calmar, pra diminuir, porque o cara ainda tava tão pilhado que ele ficava demais pilhado e chegava na hora cansava. Então, você tem que se autoconhecer antes de uma luta como aquela, né? Pra você não tomar a decisão errada. E eu vejo muito isso. Às vezes o cara vai para uma reunião nervoso e, se ele não se conhecer muito bem, como é que vai ser a reação dele ali, ele pode fazer besteira, tomar decisão. Está tocando aqui.
Eron Falbo: [33:24] Esse barulho aí ou aqui? Só porque eu não sei se eu estou... Não dá para te ouvir.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [33:29] Ah, beleza. Esse cara tem que se conhecer, não é só na luta, não. Talvez um empresário mesmo, na hora de tomar uma decisão ali, para não ser precipitado. O cara vai dentro de uma reunião, dá uma meditada, ou então se o cara...
Eron Falbo: [33:46] Calibrar, né? Calibrar, tem que entrar no lugar certo. Tem ali uma janela que tem que achar, de se calibrar, que se você for demais, você vai ficar agressivo e vai entrar, como você falou, na irracionalidade. Você não pode ser apático também, senão você vai tomar porrada.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [34:05] É, e aí muitas vezes o aquecimento não é só o aquecimento físico. Você tem que se aquecer para a luta, né, tirar o suor, você tira adrenalina, você tem que aquecer. Se você lutar sem aquecer, você cansa ali no primeiro minuto. Você tem que aquecer, suar, tirar adrenalina. No batimento da luta, tem quem tá ali a 170, 180 de batimento. Se você sair do 90, aí você cai, dá queda. Então você já tem que entrar no batimento da luta. Mas, ao mesmo tempo, você também tem que aquecer sua cabeça com respiração, ativação. Você já aquece sua cabeça também com respiração, né? Respirando forte. Uau!
Eron Falbo: [34:49] Eu vou... Alô, você tá ouvindo?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [34:52] Tô, tô ouvindo.
Eron Falbo: [34:54] Eu vou usar isso urgentemente no tênis. Eu jogo torneio de tênis amador, eu vou usar essa dica aí, vou suar um pouco antes de começar o jogo.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [35:04] Para entrar mais no ritmo, para você entrar no ritmo. Eu vejo muito jogador de futebol fazer isso um pouco: ele aquece antes e tal, sente, vai lá fora, aquece na beira do gramado, com a torcida. Pô, o Eduardo fez um trabalho comigo que era tão legal, ele aquecia antes de entrar para o treino. E ele colocava o narrador me chamando, e não 'Antônio', e eu entrava para treinar. E aí eu fazia uma edição da visualização que a gente faz, a visualização antes da luta, né, durante três meses. Aí eu fico vendo o tempo da luta lá, 15 minutos, e vejo a luta perfeita: eu vejo eu ganhando, eu vejo genial. Quando chega na hora da luta, a luta parece que, pô, eu já vivi isso aqui, porque eu já pensei tanto, que o cérebro não... Que é o real e o imaginário. Então você abriu tanto essa situação, você dando aquele golpe, que quando chega na hora da luta, sai muito mais rápido. Então você não pensa muito. E aí eu fazia a ativação da respiração, do som e do mental. Eu ficava imaginando a luta acontecer. Pô, era muito bacana. E no treino também, a mesma coisa: eu fazia aquecimento para entrar no treino, entramos no treino também na mesma batida da luta. Então você diminui a carga de ansiedade e a adrenalina para entrar na luta.
Eron Falbo: [36:26] Genial, genial. E isso é uma coisa assim: os psicólogos hoje em dia estão usando esse tipo de coisa, mas os samurais já tinham isso, essa meditação, essa visualização, esse domínio do poder mental, não é não?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [36:41] O samurai tinha o poder de você colocar o corpo e a mente no mesmo lugar, né? Então, muitas vezes, quando você entra numa luta como essa, numa batalha, que nem no samurai, parece que você tá vivendo um trip, um sonho, né? É um sonho. A sensação, quando você não tá bem assim com a sua cabeça, é como se você estivesse ali num sonho, você não tá com o corpo presente. Mas quando você medita, você tá muito presente, né? Porque a meditação te dá um estado de presença muito grande. Às vezes você toma um golpe, você perde a noção, e se você tá meditando, você toma um golpe, respira, rapidinho você volta com a presença.
Eron Falbo: [37:22] Eu ia até te perguntar isso. Quando você tá no meio... Eu vi muitas lutas suas, né, pra poder me preparar aqui. Confesso que não sou o cara de assistir MMA, mas vi algumas coisas suas, tipo, você toma um socão na cara e depois tem que focar logo depois pra poder acertar um outro soco.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [37:39] Né?
Eron Falbo: [37:40] Aí, fala um pouco desse momento assim do voltar, assim, desse sentimento de você ter acabado de... Porque, assim, os socos são muito violentos, né? No MMA é muito mais do que o boxe, que tem uma luva, talvez, vou te...
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [37:56] Falar. É, não, porque no boxe o cara tem que voltar de novo, tem uma contagem, você volta tonto e o cara bate lá embaixo. No MMA ele acaba, mas você pode se embolar com ele ali, segurar os braços e fazer um clinch, né, digamos assim, e ali tentar descansar. Então depende muito do estado que você cai. Se você cai numa posição de muita desvantagem, o cara consegue finalizar a luta rapidinho. Mas se você conseguir agarrar ele, você consegue ganhar uns tempos ali pra poder voltar por cima. Mas é muito importante você ter esse negócio da respiração... Acho que deu uma falhadinha. Você ter essa consciência da inspiração e da presença, porque isso te volta rápido. Já aconteceu uma vez comigo assim. Ele voltou?
Eron Falbo: [38:46] Voltou, desculpa.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [38:47] Eu tava numa luta e, de repente, tomei um soco muito forte. Eu vi três na minha frente. Três! E de repente eu falei: qual que eu tô lutando? Aquele da direita, da esquerda ou do meio? Aí, de repente, eu parei. Falei: vou dar uma volta, vou dar uns passos pra trás, vou perceber que eu tô vivo aqui, vou dar uma respirada. Respirei, voltei. Quando eu tava presente, tudo voltou. Voltei. Agora eu vou voltar de novo. Então, se eu não tivesse esse negócio, porque... Não sei se você medita, né? Meditar é justamente você controlar os seus pensamentos, que vem muito pensamento. E na hora que você toma um soco desse, na sua cabeça... Posso falar um palavrão? Pode falar. O que...
Eron Falbo: [39:31] Você quiser, por favor.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [39:32] Fudeu, fudeu, fudeu, cara. A sensação é como se você estivesse bêbado. Você tá, de uma hora pra outra, bêbado na frente do cara, bêbado, você não consegue nem ficar em pé. Fala com a cara: fudeu, tô bêbado, não tô vendo nada. Qualquer hora pode vir esse cara ali da direita e dar um soco nele, você não vê onde é que ele tá. Aí você tem que fazer presença e tal, e ver o seu corpo, né? Onde tá seu corpo. E só que vão passando vários pensamentos: pô, fudeu, e tal, e eu peguei essa luta, e meu patrocínio, meu treinador, minha família... Se você não controlar aquilo ali, eu falo: não, eu tô aqui agora, na luta, presente. É impressionante, cara, assim como você trazer isso para o estado de presença e como facilita, e você consegue recuperar mais rápido.
Eron Falbo: [40:20] Genial explicação, linda, e hoje mesmo eu faço isso. Eu faço treinamento de muita coisa que eu estou querendo, isso que a gente está fazendo aqui, fazer bem. Hoje eu estava fazendo um treinamento com a Vânia Brito, que estava falando sobre a importância de você se alinhar e ter consciência do seu corpo. A importância de você ter uma... Porque a presença, quando a gente está falando de meditação, isso pode acontecer só em termos, vamos dizer, mentais. Só que, para você que é lutador, uma pessoa de ação, ao mesmo tempo você não pode só estar lá mentalmente, você tem que se conectar com o seu corpo, você tem que estar lá sentindo... Toda a sua consciência corporal tem que estar presente junto com a sua mente. Você sente isso? Isso tem ressonância com o que você estava falando?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [41:14] Sim, com certeza, com certeza. Até na própria meditação tem aquele negócio do escaneamento, quando você começa a pensar... Você começa a levar, agora da cabeça, agora vai para o ponto do pé, agora vai sentindo o ombro, o peito, e tal. Você conhece um pouco mais do seu corpo. Eu me lembro que, quando eu era moleque, eu estava treinando e eu criava posições, alguma técnica. O professor falou assim: 'que legal, quem ensinou isso?' 'Ah, não sei, eu fiz.' Então a sua consciência corporal começa a ficar tão... Você começa a criar movimentos que só você faz, às vezes ninguém faz, você aprendeu sozinho, porque você foi levando, o seu corpo chegou num estágio que você nem pensa, mas ele sai.
Eron Falbo: [42:01] Você está sendo criativo com o seu corpo, você está criando novidades. Isso até volta para a coisa dos Beatles, que é interessante: os Beatles tocaram tanto cover... Porque hoje em dia o cara tem 16 anos e já começa a compor achando que está compondo novidade na música. Os Beatles tocaram tanto cover, eles tocaram, sei lá, 500 músicas do Elvis, do Little Richard, da galera que veio antes deles, que no momento que eles começaram a lançar a carreira deles, aquelas músicas geniais que todo mundo conhece dos Beatles já estavam dentro do corpo deles, como se fosse... Que nem você tá falando, aí você tá trazendo isso, e isso pra mim é uma novidade, tô aprendendo isso com você, né? Porque eu sou uma pessoa que fui, minha vida inteira, muito mental, muito aéreo, assim, muito vivendo o mundo das ideias. Eu tô agora... A maravilhosa Vânia Brito tá me ensinando a entrar dentro do meu corpo, a tomar posse do meu corpo. E isso que você tá falando é genial, porque você tá falando, não sei se era essa a sua intenção, mas o que eu tô lendo é que chega um momento que você domina tanto que você vira um criador com o seu corpo.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [43:14] É, você começa a fazer uma coisa que ninguém fez, né? Aí o professor falou assim, um professor muito bom, cara, ele falou assim: 'cara, de onde é que você fez isso aí?' Falei: 'cara, eu não sei, sei que eu fiz.' E eu treinei tanto, e aí, num campeonato brasileiro, essa posição era uma raspagem que eu fazia de meia guarda, e tal. Nessa época, hoje todo mundo fala de raspar e tal, mas naquela época eu fazia aquele negócio tão bem, e pouca gente fazia, talvez ninguém fazia, eu nunca tinha visto ninguém fazer. No campeonato eu fiz em todas as lutas, fiz em todo mundo, e todo mundo sabia que eu fazia, mas não conseguia conter, porque eu fazia tão bem que todo mundo sabia que eu ia fazer, mas não conseguia segurar, entendeu? Porque eu já estava... Entendeu? Eu ia falar 'agora eu vou fazer isso', e aí não tinha defesa praticamente. Aí você pega um campeão olímpico de judô, por exemplo, um cara top, ele faz aquela queda, que é o Uchi Mata. Todo mundo sabe que o Uchi Mata é uma das quedas mais básicas que o cara aprende com o Vajabrando, mas ele vai lá e joga todo mundo de Uchi Mata, porque ele faz tão rápido e tão bem, ele faz diferente, ele faz num timing tão grande, que ele chama pra dançar, ele chama na andada, quando seu pé sai do chão, ele: bum! Ele te joga. Você nunca mais vai estar ali com ele jogando pegada, e ele fala: 'agora eu vou te levar pra andada, quando o pé sair do chão, eu jogo.' É o timing, né? Você começa a ganhar um timing mais rápido que ninguém tem.
Eron Falbo: [44:38] Eu queria ouvir você e o Sermão, lá no Danilo Gentili, falando... Vocês estavam falando qual estratégia você ia usar contra o Alan... Esqueci o nome do cara. O americano branquelo, ruivo. Oi?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [44:54] O Smyle, né? Smyle.
Eron Falbo: [44:57] Não sei, foi o Smyle? Acho que foi 2018 essa luta. Mas... Aí você...
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [45:04] Mas eu ganhei desse jeito mesmo que eu falei, cara.
Eron Falbo: [45:07] É, mas aí você anunciou no Danilo Gentili, antes da luta, qual estratégia você ia usar. Porque não importa, porque você faz tão bem, já está acostumado. Você falou que ia fingir, ia voltar pra cansar ele. Você lembra disso?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [45:20] E aí, eu estava fazendo um trabalho com um coach, o Zé, e ele falou: 'como é que vai ser a luta?' Eu falei: 'Zé, eu vou ganhar essa luta no segundo round, de knockout, o direto e o de direita, ele vai cair pra frente. Depois eu te mando esse vídeo, exatamente como eu falei, eu vou meter um...'
Eron Falbo: [45:43] Direto... Não, vê agora, vê antes.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [45:46] Da gente conversar, aí ele: 'caralho, como é que você sabe?' Eu falei: 'cara, eu tô treinando muito isso, e vai ser desse jeito.' E aí foi do mesmo jeito, porque ainda tomei um soco no final do primeiro round, fiquei tontão, não consegui recuperar. Falei: 'pronto, agora eu vou parar de brincadeira e vou fazer a estratégia agora.'
Eron Falbo: [46:04] Que fera, cara. Que fera. Cara, bom, tá acabando nosso tempo aqui, mas antes da gente falar as últimas palavras, assim, inspiracionais, paroquiais, para o público, para os jovens e tudo mais, eu queria... A gente nem abriu o nosso Minotauro, né, Energy Drink. Você tá com ele aí? Eu queria te agradecer, você me presenteou. Não sei nem se você sabe que você me presenteou, mas o pessoal da academia lá me apresentou, então vou experimentar aqui em público, para todo mundo ver, e você está com ele aí também.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [46:41] Não, tá aqui. Tá aqui no copo.
Eron Falbo: [46:42] Aqui, a beleza. Então, vamos brindar. Valeu, Rogério, obrigado por aceitar meu convite, viu.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [46:50] Excelente entrevista, adorei. Tá aqui com você, galera, tá em peso, bastante gente na entrevista, muito legal, muito inteligente. Eu acho o importante de você trazer as pessoas diferentes, de você trazer um lutador, você é um cara que é esportista, mas é um músico, fala de todos os assuntos, eu acho que é tentar tirar isso de cada um, e você tá conseguindo tirar essa entrevista. Parabéns aí pelo trabalho, meu irmão.
Eron Falbo: [47:16] Muito obrigado, querido. Muito obrigado. Saúde, saúde.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [47:19] Valeu. Saúde, meu irmão.
Eron Falbo: [47:22] Então, aí eu também queria falar das coisas para o pessoal que está ouvindo, saber o que vocês estão fazendo agora. Vocês estão fazendo o projeto Escola Vida, desde 2016, que é de filantropia, que incentiva o esporte. Vocês têm o Instituto Irmãos Nogueira, o Team Nogueira também, as academias. Só estou tentando... Se eu esquecer alguma coisa, você fala, se quiser dizer o que vocês estão fazendo. A marca Naturalíssimo, o Energy Drink Minotauro. Mais alguma coisa que vocês estão fazendo agora que o pessoal não sabe ainda?
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [48:00] Então, a gente está com esse projeto social, um dos grandes... Grande sonho que a gente começou com esse negócio, que a gente vê esse negócio do esporte no país. A gente não tem tanto incentivo, não vou reclamar agora, que a gente teve grandes apoios do próprio Estado nos nossos projetos sociais, mas a gente fez um negócio que a gente está lutando com isso já desde 2007, quando a gente construiu a academia no Recreio, com jovens de comunidade. Hoje a gente está com 1.200 crianças. Agora, na pandemia, deu uma parada com o negócio das aulas. Vamos voltar agora, estou esperando voltar, liberar aqui os núcleos para a gente poder voltar com o projeto. Mas é um projeto muito bacana, que você vê que esses meninos... Quando eu falo muito dessa história, que o jovem vem de onde não tem um plano B, né? Quando você tem vários planos, você fica: ah, se eu não for agora eu vou fazer medicina, se eu não for agora eu vou pra luta, ah, se não der certo na luta eu vou jogar bola. Aí você tem aquele cara indeciso. Mas quando aquele cara sabe que a única opção dele é ir pra luta ou fazer a faculdade, ele vai encarar aquele negócio com mais seriedade, né? Ele vai encarar com mais seriedade. Então, esse menino, ele não tem opções, né? Ele talvez vá estagiar em alguma empresa, se ele tiver muita sorte, mas ele não tem a oportunidade porque está dentro da comunidade. Então, você levar esse menino para conhecer o mundo... De repente, vários atletas que a gente já pegou de projeto, que saíram de dentro da comunidade, onde ele ganhava, sei lá, 4 reais por dia para trabalhar, onde ele ganhava 80 reais por mês, de repente ele está lutando na Rússia, ganhando 20, 30 mil dólares numa luta. Ele voltava pra casa com 120 mil reais pra dar pra mãe dele. Então, a gente viu esse poder de dar oportunidade pra esse jovem. Então, com esse instituto, a gente começou a trazer isso pra um time. Aí ele se destacava no instituto, aí ele vinha pro Team Nogueira. E no Team Nogueira, ele tinha um manager que ia levando esse cara pra alguns eventos internacionais. Então, é uma roda, né? No começo, ele não vai te dar nada, ele não vai ter nada dele, mas aí você pega esse cara e fala assim: qual é a sua meta, velho? Eu falo assim, se um dia eu ganhar dois mil reais por mês, eu sou um característico. E você volta depois de um ano e esse cara tá ganhando 300 mil reais.
Eron Falbo: [50:25] 20 mil dólares.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [50:26] É, 200 mil dólares, 800 mil reais em um ano.
Eron Falbo: [50:31] Que bonito, que bonito.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [50:32] Cada um tem que fazer duas lutas por ano, e esse cara faz um milhão. Aí você vê que realmente você foi uma ferramenta no caminho daquele... Isso aí.
Eron Falbo: [50:40] É o que eu chamo de fábrica de sonhos. Porque o cara tinha um sonho, aí ele chegou nesse sonho, aí você criou um novo sonho pra ele. É uma fábrica de sonhos, porque antes ele não tinha capacidade de ter esse sonho, porque você deu pra ele uma capacidade de criar um sonho novo.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [50:58] É um sonho novo e é onde ele não tinha coragem nem de sonhar. Porque ele fala: cara, o meu teto é dois mil reais. De repente, ele fala assim: dois mil reais, meu amigo? Você ia estar ganhando 120, você nem sabe. É só os acionistas que contratam aqui. Ou então, de repente, o cara volta no outro ano, de dois mil, ele já estava ganhando 120. E aí o cara, porra, se realiza. O cara: caramba, agora eu cresci. Então, assim, eu vi que a gente teve uma oportunidade na luta, né, meu irmão, que a gente pôde, de repente, dar essa oportunidade para outros jovens. De jovens que vieram do interior, do mesmo jeito que a gente veio também, de jovens que vieram da Bahia, de Manaus. Uma professora que a gente estava, há dois anos atrás, professora lá da academia, professora de educação física, ela estava ganhando R$ 25,00 a hora, ela trabalhava três horas por dia, ganhava R$ 75,00 por dia, durante um mês, vinte dias, R$ 1.500,00. Menina formada em educação física, inteligente, de repente hoje tá ganhando aí 170 mil dólares numa luta. Então é isso, eu acho que isso foi pra gente uma realização. Então, pra gente, o Instituto tá sendo um meio da gente, o Instituto e o Team Nogueira tá sendo um meio da gente começar a viver o nosso sonho de novo, em cima de outros atletas também.
Eron Falbo: [52:20] Incrível, incrível. Rogério, assim, eu tenho um milhão de coisas que eu não te perguntei, que eu gostaria muito de saber. Qualquer dia eu vou te visitar, pra gente conversar um pouco mais, se Deus quiser. E também, sei lá, de repente, em outro momento, chamar pra outra live, porque tem assunto aqui muito interessante que a gente pode desenvolver. Mas eu queria te agradecer de novo pela sua presença, pelo seu jeito de ser tão tranquilo, tão gente boa, tão aberto, e o trabalho que vocês estão fazendo, que é lindo. Eu não sabia de metade disso. Na verdade, a gente lê sobre os detalhes, mas tem muita gente fazendo filantropia que a gente não sente essa preocupação real, que dá pra sentir do seu coração, de se emocionar pela transformação de outras pessoas, de querer ver outras pessoas crescendo, trazer outras pessoas para cima da pirâmide, e ter um grande prazer nesse processo. Então eu acho isso uma das coisas mais bonitas que existe, especialmente com alguém que teve tanto sucesso quanto você teve. E eu queria te agradecer em nome do público, agradecer por essa conversa maravilhosa. E é isso. Obrigado. Obrigado por tudo.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [53:41] Eu que agradeço, meu irmão. Eu que agradeço. Parabéns pela entrevista, mais uma vez, pela live, pela oportunidade. Com certeza vamos marcar outro dia. Vamos fazer uma live mais bacana ainda, com mais assunto.
Eron Falbo: [53:53] Com certeza.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [53:54] Realizada aí com esse universo aí da luta, tá? Parabéns aí pelo trabalho, e eu acho assim, cara, esse negócio de você brigar, né, pelo sucesso do outro, é uma coisa que o ser humano ele é bom por natureza, né? Se você tiver uma oportunidade de fazer uma coisa boa aí, você vê que você tá realizando o seu sonho em cima de outra pessoa, né? Qualquer um vai querer fazer isso, talvez, na nossa essência, nessa busca pelo não só reconhecer o pessoal, mas outro talento de outra pessoa, né? E isso aí a gente vai levando, talvez esse trabalho que você tá fazendo, né, chamando essas pessoas, né, pra fazer as lives, isso aí tá mostrando também o valor, né, pra pessoas contarem as histórias de valor da vida delas. E a vida é feita de histórias, né? Se eu puder ter a oportunidade de contar a minha história, e você, nessa entrevista, puxar a essência de uma história, e amanhã você pegar a história de outra pessoa, e as pessoas que não conheciam também poderem apanhar a história de outra pessoa, isso é um trabalho fantástico. Tá bom? Valeu pra mim.
Eron Falbo: [54:59] Muito obrigado. Tô emocionado com o seu reconhecimento aí do meu trabalho. Muito obrigado. Obrigado a todos. Boa noite a todos. Obrigado e a gente se vê.
Antônio Rogério Minotouro (Little Nog): [55:07] Tá bom. Um abraço.
Eron Falbo: [55:08] Tchau, tchau. Abração. Tudo de bom. Valeu.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #65 · todos os episódios