Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.
Eron Falbo: [0:05] Sejam bem-vindos! Você entrou no Alvo, eu sou o Eron Falbo e hoje a gente tá com o Victor Barros. Não sei se é Vitor ou Vítor, mas sendo que ele é brasileiro deve ser Vitor, sendo que ele mora em Portugal deve ser Vítor. Victor Barros é um empreendedor digital, criador de conteúdo, especialmente sobre gastronomia. Ele mora em Portugal e é o criador do canal Cooking in Portugal. Victor Barros acabou de entrar. Então fiquem à vontade, gente. Peguem uma água para ser mais saudável. Sentem com a gente e vamos começar. Fala, meu querido. Tudo bem, Victor?
Victor Barros: [0:50] Tudo bem. Prazer em te conhecer.
Eron Falbo: [0:53] Muito prazer, meu querido. Prazer em te conhecer virtualmente.
Victor Barros: [0:58] Pois é, hoje, nos tempos em que estamos, é assim que é a única forma de se conhecer as pessoas de outros continentes.
Eron Falbo: [1:09] Você já está criando frases que nem parecem português. Estou sentindo aí uma... São muitos anos em Portugal.
Victor Barros: [1:20] É, eu leciono aqui na universidade para portugueses, grande parte.
Eron Falbo: [1:25] Então você tem que fazer com que eles saibam, né? Tem que traduzir para eles poderem entender.
Victor Barros: [1:32] Entenderam, para eles poderem perceber. Perceber, isso mesmo. Obrigado. Conheço que os seus convidados aí são cada um mais importante que o outro. Eu sou um entusiasta aqui.
Eron Falbo: [1:52] Que isso, que isso! Você é um dos mais importantes aqui, que tem uma história única pra contar pra gente. Certamente. Na verdade, a qualidade dos meus convidados reflete a qualidade dos meus amigos. Então, os amigos que recomendam... Graças a Deus, eu não estou tentando me gabar, eu não fiz nada para merecer isso, mas eu tenho amigos tão bons que recomendam só gente boa. Graças a Deus, e como você foi muito bem recomendado, tenho certeza absoluta que vamos ter uma conversa única e especial e, sobretudo, que vai ser inspiradora para as pessoas, que é pra isso que a gente está aqui.
Victor Barros: [2:34] É isso aí. Obrigado.
Eron Falbo: [2:37] Obrigado a você por aceitar o convite. E me conta, como foi que você foi pra faculdade?
Victor Barros: [2:44] Eu vim para Portugal há quase 10 anos para cursar um doutorado na área de informática. Aí o pessoal também pergunta, o pessoal acha que eu vim fazer curso de gastronomia, porque o meu Instagram e as atividades que eu faço hoje no mundo da gastronomia, muitas das vezes, é o que mais se divulga, porque o mundo acadêmico é muito restrito. Dentro do universo acadêmico, acaba que as pessoas desconhecem esse lado, passando por esse universo aí do mundo da gastronomia, né?
Eron Falbo: [3:19] Aí o pessoal te adiciona no Instagram e fala: caramba, cara, não sabia que você era tão famoso.
Victor Barros: [3:28] Pois é, é verdade, acaba que a gente vai conquistando aí um público, mas é porque a gente faz aquilo que ama, né? Então acaba que isso também reflete um pouco aí: as pessoas vão assistindo, vão se envolvendo e vão se interessando.
Eron Falbo: [3:43] Bom, fala com você, porque eu não gosto muito de fazer isso aqui que a gente tá fazendo não. Eu faço pelo dinheiro.
Victor Barros: [3:51] Ah, isso é bom!
Eron Falbo: [3:54] Parece que não ganha nada.
Victor Barros: [3:57] Não ganha nada. Mas hoje em dia é uma forma de se comunicar com as pessoas, de se interagir com elas. Eu falo que eu sou uma pessoa que estive sempre rodando o mundo, tanto pela minha atividade profissional e também por gostar muito disso, quem é que não gosta de viajar, de se envolver nesse universo da gastronomia.
Eron Falbo: [4:18] Peraí, eu tô ouvindo... o Rodrigo Silva entrou. Eu... o Rodrigo Silva? Que honra você estar vendo aqui a minha live. Desculpa aí, te interrompi.
Victor Barros: [4:27] Não é problema. Então, aí acabou que... pronto, o rodar ao mundo, aí acaba que a gente vai criando esse interesse aí pela gastronomia.
Eron Falbo: [4:42] E é muito bom a gente poder ter essas ferramentas hoje em dia para poder fazer, criar conteúdo com tanta facilidade, para poder desenvolver os nossos interesses, né? Tipo assim, coisas que talvez em outro momento, com muita timidez, a gente não ia se dar ao luxo de tentar ou não ia se dar ao luxo de explorar. Hoje a gente tem, graças a Deus, muita facilidade de explorar novos mundos, de tentar novas coisas, e às vezes a gente se encontra dessa forma, né? Eu mesmo me encontrei assim, hoje a maior fonte de autorrealização que eu tenho é esse programa, estar conversando com pessoas como você, conhecendo gente nova como você. Então é muito legal.
Victor Barros: [5:26] Isso é muito bom. A gente cresce bastante. Eu também entrei nesse universo por causa dessa pandemia. A Europa é muito restritiva, acaba que obriga a gente a inventar algumas coisas, porque senão você fica louco. Então, para não ficar louco, eu comecei a conversar com o pessoal. Mas, enfim, acaba que... pelo menos, de uma forma divertida.
Eron Falbo: [5:52] Deixa eu te perguntar uma coisa, você tá me ouvindo bem? Como é que tá aí o interrompimento?
Victor Barros: [5:56] Muito bem, tá ótimo, aqui pra mim tá ótimo. Não sei se o meu também tá bom.
Eron Falbo: [6:01] Eu tô me ouvindo duas vezes, será que é só eu ou é todo mundo ouvindo? Aí eu queria te perguntar, há quanto tempo você tá em Portugal?
Victor Barros: [6:12] Então, há quase 10 anos já em Portugal. Isso, 9 anos aqui em Portugal.
Eron Falbo: [6:22] Você se sente em casa aí ou não? Você já fala bem a língua?
Victor Barros: [6:30] É uma das coisas que nós não temos dificuldade, até porque eles entendem a nós muito melhor do que nós a eles, né? Porque, claro, aqui a novela brasileira tomou conta durante muitos anos. Essa facilidade em perceber é muito maior do que a nossa, porque eles, foneticamente falando, eles falam muito pra dentro. Então, tem algumas palavras que nós falamos abertamente.
Eron Falbo: [7:02] E eles fizeram uma guerra contra os vogais também. Eles se recusam a pronunciar vogais, uma coisa que eles atropelam. E as novelas portuguesas são tão ruins que eles preferem a novela brasileira, é bizarro.
Victor Barros: [7:22] Não é, mas é porque antes não se tinha tanto isso aqui em Portugal. Hoje eu tenho algumas novelas aí que estão criando algum destaque. Eu não sou desse universo, não consigo falar sobre isso e nem assisto TV. Há muitos anos que eu não sei o que é ligar uma TV.
Eron Falbo: [7:39] Estou contigo, irmão. Pra que TV? Pra que live? Pra que live de Instagram, entendeu? Vamos ler mais, gente. O que vocês estão fazendo aqui, gente?
Victor Barros: [7:49] Boa! Eu acho que hoje as lives trazem muito conteúdo bacana, né? E não só entretenimento, traz conteúdo de qualidade, que se você souber filtrar, que é difícil, porque, na espera para entrar aqui na sua live, acho que recebi uns 15 ou 20: 'está começando a live', 'está começando a live', 'está começando a live'. Então, uau, aqui a concorrência é enorme.
Eron Falbo: [8:16] Tá, mas a chance de cair numa merda é muito grande, né? É que nem você estar numa ilha num pântano gigantesco de merda e você achou uma live boa, que é a nossa, né? Hoje, essa hora, agora, o que tá rolando, que é boa, é essa aqui. Então vocês foram felizardos de encontrar. Mas diz uma coisa, você já se sente em casa em Portugal? Já tá bem?
Victor Barros: [8:53] Posso dizer que sim. É claro que isso depende muito de pessoa para pessoa, a forma que ela se envolve, a forma que ela se conecta com o pessoal. Então, existem um monte de regras diferentes da nossa, estilos diferentes. Então, se você conseguir se adaptar, ser resiliente, que eu acho que hoje é o tema do século, acaba que você consegue se adaptar muito bem, né? E o pessoal é muito receptivo, assim, né? Eles são meio, né? Têm uma forma muito afirmativa de dizer as coisas, mas se você conseguir, né, se envolver com o pessoal, acaba que... Onde eu já falo muitos, hein? E eu conto anedotas, né?
Eron Falbo: [9:39] Adoro os portugueses. Queria mandar um grande beijo aí aos meus amigos portugueses que acompanham minhas lives. Os seus amigos portugueses também, quero mandar um beijo pra eles. Especialmente meus portugueses lindos. O bigode, né? Porque a gente escuta isso na escola. Só que... cortou aí. Só que, quando eu fui pro Portugal, eu fiquei espantado com o tanto de portuguesa bonita que tem. Aí você escuta aquele sotaque engraçado e fica quase um fetiche, né? Tipo, uma coisa diferente, uma mulher bonita com sotaque engraçado, uau!
Victor Barros: [10:17] Mas eles vão rodando o mundo, né? Essa questão do sotaque, a gente vai escutando outras línguas.
Eron Falbo: [10:24] Você tá anestesiado, você não sabe mais o que é engraçado. Você não lembra que, no começo, chegou e falou: caralho!
Victor Barros: [10:32] Uma coisa interessante que eu vou lhe dizer é esse termo 'engraçado', por exemplo, né? Porque aqui o engraçado não é no sentido de palhaço, riso e tudo mais. Aqui é uma coisa igual: essa live nossa é engraçada, ou seja, ela tá com uma boa dinâmica, ela tá funcionando muito bem. Eu já tive muito problema falando com o Brasil, eu uso o termo 'engraçado' demais, olha. Não, mas essa conversa nossa tá muito engraçada.
Eron Falbo: [11:00] Aí você vai virar pra mim e...
Victor Barros: [11:01] Até me chamar de palhaço, né? Pode conter, mas faz um problema.
Eron Falbo: [11:11] Mas se eu te perguntar qual que é o termo certo aí em Portugal pra o nosso 'engraçado'? Eu não lembrava dessa diferença.
Victor Barros: [11:19] É, foi... eu adoro, mas agora não consigo construir a ideia rapidamente, porque essa pergunta é um pouco difícil. Não sei, seria 'hilário'? Não sei, não consigo construir aqui rapidamente. Eu acho que seria 'engraçado' mesmo, pra cá. Mas, assim, o termo 'engraçado' tem esse sentido, eu acho muito bacana. E o problema é que, quando a...
Eron Falbo: [11:40] Gente conversa em live, não dá pra falar.
Victor Barros: [11:44] É, fala aí pra nós. O engraçado é rir, né? De dar aquela sensação de rir.
Eron Falbo: [11:52] Ô, Victor. O teu é piada. Piadora.
Victor Barros: [11:56] Olha o Thiago. Valeu, Thiago. É isso. É piada. É isso mesmo. É que são termos que eu uso pouco, né? Então acaba que eu penso isso mesmo.
Eron Falbo: [12:07] Mas sua vida é muito séria.
Victor Barros: [12:09] É muito séria. É verdade.
Eron Falbo: [12:13] Ô Victor, dá licença um segundo pra ver se eu tô com a internet certa aqui, porque eu acho que tá meio que falhando um pouquinho. Só um segundo. Tá aqui. Eu voltei aí? Voltei?
Victor Barros: [12:23] Voltou. Tá de volta.
Eron Falbo: [12:26] Tá certo aqui. Tô de volta. Sou eu aqui, na segunda pessoa, por exemplo.
Victor Barros: [12:35] Também é uma coisa muito complexa aqui em Portugal. A gente trata a pessoa pelo nome. Igual eu ia falar: 'O Eron tá bem?' Então acaba que cria essa situação também, que as pessoas não falam você.
Eron Falbo: [12:51] Você fala que eu sou a terceira pessoa, né?
Victor Barros: [12:53] Você fala: 'Ó, o Victor tem que...'
Eron Falbo: [12:55] Mandar isso e isso pra lá. Que engraçado, cara.
Victor Barros: [13:01] Isso é muito engraçado. O Victor sou eu.
Eron Falbo: [13:07] É, mas o engraçado também é que a gente fala você, eles falam tu e tratam da pessoa, da terceira pessoa, como nome, né? Só que você é a terceira pessoa. Voz Micê é a terceira pessoa, originalmente. Então, o nosso você que a gente usa pra segunda pessoa é a terceira. Então, tem uma coisa muito louca aí. Inclusive, falando em loucura, eu ia te perguntar a sua opinião. Você acha que existe uma patologia das pessoas quererem fugir do Brasil e ir pra Portugal? Ou você acha que é uma coisa saudável?
Victor Barros: [13:38] Isso é uma discussão de horas e horas. Dependem de muitas circunstâncias e muitas variáveis. Perguntar isso em uma academia é muito complexo.
Eron Falbo: [13:50] Fala tudo o que você está pensando. Tudo o que veio na sua cabeça que você achou que não, que não dá pra falar demais. Que é isso que a gente quer ouvir.
Victor Barros: [14:02] Mas o país, o país aqui estava há alguns anos atrás, talvez desde que eu cheguei, estava necessitando de mão de obra, porque assim, não tinha muito, grande parte da faixa etária produtiva, acabou migrando em outros países. Então, esse envolvimento brasileiro aqui em Portugal foi muito bom para o país, porque abriu muitos negócios, cresceu, o país cresce e automaticamente os brasileiros que também estão aqui também. É claro que são situações e situações, aí vai chegando, igual em tempo como agora, em pandemia, então inverte um pouco o processo, já não tem emprego, muitos estão sendo despedidos, acaba que uma certa grande massa da população brasileira acaba perdendo um pouco os espaços aqui, então é complicado.
Eron Falbo: [14:58] É uma feura de dois legumes.
Victor Barros: [15:01] E aí situações como nós tivemos aqui na época da pandemia, de pessoal não conseguir voltar, Então isso trouxe muitos problemas. Eu faço parte da comunidade aqui que apoia o consultado, então acaba que a gente teve aí, se envolveu bastante com muitos brasileiros em situações críticas, porque não tinha mais onde morar, não tinha mais trabalho, estava sem dinheiro e tinha que. Voltar e não tinha como. A gente veio falar da sua perspectiva.
Eron Falbo: [15:43] Única e eu quero tirar de você coisas que você nunca falaria pra ninguém. É isso que todo mundo quer ver. Isso que todo mundo quer ver. E, na verdade, esse é que é o nosso coração verdadeiro. Essa é a coisa que tá pulsando aqui, que todo mundo quer ouvir. Mas o Vitor, estão me dizendo que está falhando o áudio e seu vídeo aí. Você está na internet boa aí? Já chegou a internet aí em Portugal?
Victor Barros: [16:14] Já, e é muito... Olha que eu chegava no Brasil achando que eu não ia ter problema com internet e tinha, então...
Eron Falbo: [16:21] Eu sei português muito bem. Então me fala sobre o Cooking in Portugal, qual a ideia dele para o pessoal que estiver ouvindo aí no Spotify, no podcast, para poder ser direcionado, se for do interesse das pessoas.
Victor Barros: [16:41] Claro, claro. Então, isso veio dessa paixão pela gastronomia. Portugal, a sua riqueza gastronômica é muito grande. Então, seis anos atrás, eu que roubava muito os restaurantes, eu conversava muito com os chefes e tal, o pessoal me contactava direto pra falar assim, olha, onde é o melhor lugar pra ir? Onde é o melhor lugar pra poder conhecer um avenino? Eu falava, olha, vai lá mesmo que lá eu conheço o dono e ele vai te receber. Ou vai lá que o chefe é meu amigo e tal. E o pessoal falou, olha, nós queremos, na hora que eu vim aqui de um grupo de amigos, a gente quer que você faça essa gestão. Eu falei, olha, eu sou professor universitário, não faz sentido. Mas aí foi a veia empreendedora, eu me associei com um amigo meu que me ajudava muito nos congressos científicos aqui com a parte de viagens, que ele tem uma agência de turismo, o Guilherme, está até nos ouvindo aí. E aí eu falei, olha, vamos juntos construir aí um programa que seja diferente, fuja um pouco desse tradicional, né?
Eron Falbo: [17:49] Você tem duas qualidades muito importantes que não são normalmente juntas, né? Uma é que é ser goiano, que goiano é uma pessoa aposta, uma pessoa simples e aberta, e outra é ser um acadêmico que te torna uma pessoa séria e intelectual. Que não necessariamente é o clássico do Goiano. Normalmente é mais esse casca-grossa. Então você tem essa união de duas grandes qualidades que te torna uma pessoa carismática e única para poder fazer coisas, conteúdo digital, esse tipo de coisa.
Victor Barros: [18:28] Obrigado. Creio que seja um elogio. Eu sempre digo, o pessoal fala assim, de onde você é? Eu falo, eu sou do coração do Brasil, centro do universo, Goiás. E a minha cidade é Jacair. Quantos devem ter ouvido, mas falam o tempo inteiro. Já tá aí, cadê o ciclano? Já tá aí, já tá aí e fica na memória.
Eron Falbo: [18:53] Olha esse tipo de coisa que tem no Goiás, essa piada. É piada de tiozão, mas do jeito que você conta fica engraçado. Ô Vitor, eu sou do DF, né? Então a gente lutou a guerra de independência contra o Goiás e conquistou aquele quadradinho ali no meio do Goiás. Então, de certa forma, eu também sou do Goiás. Pode-se dizer que eu tô ali no meio, entendeu?
Victor Barros: [19:22] Na verdade, é parte de nós. Cedemos no espaço em troca de alguns benefícios. Não, mas pronto, vou entrar nesse neto que deve ter muita gente do Distrito Federal ouvindo.
Eron Falbo: [19:38] Pô, eu sou do Distrito Federal. E eu posso cagar no Distrito Federal se eu quiser, entendeu? Eu sou de lá. Eu posso...
Victor Barros: [19:43] Não, mas é bem bacana, é um lugar, a nível de gastronomia... tem uma riqueza brutal. Aproveita-se muito do cerrado, né?
Eron Falbo: [19:52] É, é ótimo. O que você conhece de gastronomia do DF?
Victor Barros: [19:57] Não, eu falo em nível de restaurantes, nessa tem uma variedade muito grande. Pra nós que estamos em Goiás, o Distrito Federal é o mais próximo em diversidade de gastronomia, você encontra de tudo. Você vai comer uma comida italiana com a Gezinha, de alta qualidade, é o padrão. Uma da Bahia, de muito boa qualidade. Enfim, tem muita coisa nesse sentido. Eu não quero dizer que...
Eron Falbo: [20:28] Eu queria até fazer uma propaganda e mandar um beijão pro meu amigo gordinho, que eu conheço, o Marcelo, que é o dono aqui do Bloco C, um restaurante em Brasília que eu considero o melhor restaurante de Brasília. Não sei se ainda é, mas deve ser, porque ele é um chef maravilhoso. Então eu queria recomendar, já que a gente tá falando de gastronomia, o restaurante Bloco C, e mandar um beijão pro Marcelinho. Você conhece o Bloco C?
Victor Barros: [20:55] Não, não conheço, mas, por exemplo, por causa dessa paralisação, a gente foi pro virtual, né? Então, eu entrevistei uma chef aí, chama-se Chef de Oliveira, que é do Distrito Federal, e ela tem um restaurante Brasil, né? Na verdade, ela diz que o Brasil, na sua complexidade, é mais que um Brasil, são vários. Então, ela tenta fundir sabores de vários estados. É uma coisa fantástica. Eu ainda não estive lá presencialmente, mas ela inclusive trouxe para Portugal uma das maiores festas juninas que teve aqui em Portugal, com a Elba Ramalho. Trouxe a gastronomia brasileira de uma forma única. É parecido com o Alex Atala.
Eron Falbo: [21:38] O Alex Atala faz isso também, essa coisa de fusão de sabores brasileiros.
Victor Barros: [21:44] Pois é, pois é. Então, isso é muito bom. Eu ando fazendo essa live, conhecendo o Brasil. Nós já estamos no 18º estado. Vamos rodar 27 estados falando com chefs.
Eron Falbo: [21:55] Então, é muito bom.
Victor Barros: [21:56] Olha, eu estou tendo uma aula todos os dias, porque você aprende.
Eron Falbo: [22:03] Eu faço isso com vida. É isso que eu estou adorando. E você está fazendo todos os dias live?
Victor Barros: [22:09] Não, é uma vez por semana, essas lives. Tudo começou por causa dessa paralisação. Eu fiz um desafio gastronômico, onde as pessoas do mundo todo cozinhavam. A gente selecionou 16 países e eles faziam um prato, a gente votava na internet e o melhor ganhava prêmios, porque eu tinha parceiros aqui em Portugal. Fiz pelo mundo todo, 16 países. Aí eu falei, agora acabou, eu vou ter que inventar mais coisas porque a pandemia continua. E aí eu fiz esse dos chefs brasileiros, que aí é rodando os 27 estados, e um outro que é com comidas do mundo. Com guias, os guias, eu sempre que viajo, opto por guia. E aí fica uma dica aí pra todo mundo que tá ouvindo, né? Contrate um guia local. O cara conhece tudo. Você aproveita o seu tempo a 200, 300%. Eu faço isso sempre. Toda vez que eu viajo, 100 dias, eu acho péssima a viagem. Eu não aproveito como eu tinha que aproveitar. Porque eles conhecem a história, eles conhecem a região. E se for brasileiro, então é melhor. E tem bastante. Eu faço parte de uma comunidade de 300 mil.
Eron Falbo: [23:27] Você oferece esse serviço também aí em Portugal?
Victor Barros: [23:31] Não, não. Aí eu tenho vários amigos que eu indico e tal, né? Na verdade, eu fiz esse programa por ser diferente, então o pessoal me acompanha, e aí eu falo que eu vou visitar meus amigos e estou levando outros amigos, né? Então acaba que fica aquele convívio. É grupos pequenos, oito pessoas, no máximo. Já fiz a doze pessoas, mas gosto de fazer com pouca gente, porque assim a gente consegue. A gente vai na casa dos chefs, a gente entra dentro dos restaurantes, na cozinha. Tem vários tipos de bacalhau, né? Você vai aprender a fazer um deles. Ah, eu não gosto de cozinhar. Mas é legal, você vê como é que é o processo. A hora que alguém perguntar, você fala assim, não, você cortou, o pimentão tá errado, corte não é assim. Então é muito legal. Você vai falar de vinhos, que é o universo aqui, pô. Aqui nem dá pra falar de vinhos. Acho que precisa de 10 lives pra falar de vinhos. É mais de 5 marcas... 5 vinhos.
Eron Falbo: [24:32] Por que você não quis beber vinho comigo? Tá muito cedo aí, né?
Victor Barros: [24:36] Eu só aprecio. Eu vou beber água aqui quando chego. Eu aprecio, mas não bebo.
Eron Falbo: [24:43] Eu aprecio vinho, mas não bebo. Como é seu jogo?
Victor Barros: [24:47] Experimenta igual, nós estamos juntos.
Eron Falbo: [24:50] É muito coragem, é muito coragem. Aí você acaba... Eu bebo um pouquinho. Ah, você bebe um pouquinho. Esse é pior ainda, pô. É só a cabeça.
Victor Barros: [25:03] Quem tá aqui comigo sabe que é bem pouco mesmo. Então assim, eu só experimento pra saber: ah, esse aqui tem tons florais, tem um terroir diferente. Eu tento descobrir pela curiosidade, né?
Eron Falbo: [25:19] Só o entendedor não. As pessoas que são loucas que nem você, que degustam e depois só bebem um pouquinhozinho, elas aprendem muito mais sobre vinho do que outras pessoas. Por exemplo, eu bebo a jarra, que aqui os meus copos são gigantes, e bebo inteira. Aí eu seguro a garrafa e bebo, sei lá, pô. Aí eu faço aquele segredo de ir diminuindo a quantidade. Aí a gente vai aumentando a nossa capacidade de degustação de vinho, vai ficando mais cara a nossa adega, né? Tipo assim, daqui a pouco, por vinho de 40 reais, a gente tem uma convulsão, né? Se a gente tomar, não dá mais pra tomar.
Victor Barros: [26:03] É que você toma querendo entender um pouco mais, querendo perceber, te contrariando, porque o seu automático não vai perceber nada. Perceber, né? É o termo em português. Mas você se contraria, você fala assim...
Eron Falbo: [26:18] Eu vou tentar descobrir. Eu sou brasileiro.
Victor Barros: [26:20] Ah, mesmo? Olha, você iria andar hoje aí, né? Você iria andar hoje aí, né?
Eron Falbo: [26:27] Você iria andar aí, hoje né? Detectar o você aí, iria né? Andar hoje sabor.
Victor Barros: [26:29] Eu gosto disso. Eu saio com o pessoal que bebe o tempo inteiro e eu sempre... Só provo. Pega a taça de um, provo. Ah, essa é bacana. Acompanha aí nessas redes sociais de vinho pra poder saber. Você pega a taça de vinho do...
Eron Falbo: [26:44] Seu lado assim, pô. Se sai com os amigos, você não pede um pra você. Você vai pegando a taça. Mesmo no Covid, você pega a taça de todo mundo e fica bebendo. Isso não é boa prática, não.
Victor Barros: [26:56] Na verdade, na verdade. Não faço isso necessariamente quando tenho medo. Se for beber, beba no seu próprio corpo. E olha, quando você tá com os proprietários, gente, é uma coisa impressionante. Então, assim, se primeiro tem a alma ali, então a gente conta a história, o porquê que ele tá ali. Quem não bebe, bebe. Porque você ser envolvido naquela história, eu acho que se fizesse uma propaganda comercial desses caras falando, todo mundo bebia vinho. Aumenta o consumo de vinho aí 30%. Transborda, amor, transborda, transborda, né? E você acaba se envolvendo. E a gastronomia é a mesma coisa. O chefe não porque fez assim, porque trabalhou isso. Pô, talvez uma coisa normal, um prato comum, típico aqui, acaba que a pessoa se transforma. E ao te explicar, é muito bom. Não sei, eu sou uma pessoa extremamente curiosa, né? Só por isso que eu sou pesquisador na universidade, adoro isso. Então, para dar aula, você tem que descobrir coisas novas, porque os alunos sabem mais do que você. Então, você tem que se atualizar, porque as coisas modernas... Ainda bem que eles não perguntam assim, o senhor sabia? Eles não perguntam, o senhor sabia? Porque aí eu vou ter que falar assim, só Deus que eu não sei. Mas vamos lá, o que você acha? Vai pesquisar e traz pra mim na próxima aula.
Eron Falbo: [28:37] Eu tenho um segredo: vai lá na Wikipédia, na Wikipédia da matéria que você tá dando, e leia a Wikipédia, e depois fala alguma coisa que não tá na Wikipédia, que eles nunca vão saber, porque eles só leem a Wikipédia.
Victor Barros: [28:48] Isso também é um defeito muito grande, a gente tenta desconstruir isso nos alunos, mas é muito difícil. Olha, isso é natural do ser humano, é o fácil, é aquele que vem primeiro. Eles pegam notícias que qualquer um lê, a gente não sabe se aquilo é verídico, se tem alguma validade. Agora, vai pegar um artigo científico pra ler, é chato pra caramba, é difícil, você tem que ler duas ou três vezes pra entender, e olha lá. Então, sim.
Eron Falbo: [29:18] E também, claro, tem que aprender alguma coisa nova.
Victor Barros: [29:22] Entrou.
Eron Falbo: [29:27] Aí, nosso amigo, outro lusófilo, Pedro Henrique de Souza. Será que é de Sousa ou de Souza? Nosso grande amigo, tô aqui me confundindo também nas línguas. Um beijão, Pedro.
Victor Barros: [29:44] Muito bom.
Eron Falbo: [29:45] Cara, e diz uma coisa: você também faz crítica de restaurante em Portugal? Você entrou nessa onda também?
Victor Barros: [29:56] Eu entrei nessa onda só no sentido de mapear, entendeu? Eu tenho aqui, igual no Google, né? Acho que o pessoal, a maioria, usa o Google, você consegue salvar os lugares que você vai, né? E eu tiro foto, eu gosto de tirar foto, né? Eu gosto de ter o registro. E aí eu comento. Então, eu faço isso há muito tempo. E o que acontece é que hoje, por exemplo, o TripAdvisor, aqui em Portugal, eu sou o terceiro maior conteudista nesse sentido. É, mas é natural, porque as minhas viagens são assim: eu só tomo café da manhã no hotel, tem que ser muito cedo pra dar tempo de tomar café da manhã em outro lugar. Aí eu tenho indicação do almoço em outro lugar. Aí eu vou tomar o café da tarde duas vezes, porque eu vou encontrar com um guia, ou eu vou encontrar com um professor, aí eu escolho lugares diferentes, eu não sou doido, né?
Eron Falbo: [30:50] Caraca!
Victor Barros: [30:53] Eu já tive caso, não posso contar aqui, mas eu vou contando tudo, já que é pra contar, de jantar duas vezes. Eu vou cedo jantar com a mamãe e com o pessoal, aí eu tenho estrutura, aí eu aguento. Mas enfim, aí eu vou no restaurante, aquela comida...
Eron Falbo: [31:08] É igual a minha. Deixa eu te dar uma paranoia pra você ficar mais à vontade com as suas loucuras: o meu trabalho passa quatro horas por semana, você tem que ficar conhecendo gente o tempo todo, cara. Eu também, pela mesma razão, às vezes eu vou a um jantar, depois eu venho a outro jantar e falo, ah, que eu janto toda tarde mesmo, aí eu marco 10 da noite, aí depois do jantar eu morro em festa que eu não quero ir. Muita coisa acontecendo aí, que as pessoas acham que, na verdade, eu tô me divertindo, só que eu tô lá conhecendo gente. Acho que eu tô mostrando.
Victor Barros: [31:42] Isso é muito bom, conhecer pessoas, conhecer a história dessas pessoas. Isso é uma coisa que me alimenta a alma, entendeu? É claro que eu também aprecio as delícias todas, mas alimenta a alma.
Eron Falbo: [32:00] Mas nem sempre aprecia, esse que é o lance. Você tá lá se colocando pra junto, tá se expondo, né? Tipo assim: eu tô me expondo pra festa ruim, tô me expondo pra conhecer gente burra, gente louca, gente assassina. E você tá se expondo pra restaurante meio trefe, né? Pra lugar perigoso.
Victor Barros: [32:22] É, acaba que... Enfim, vale a experiência. Também, como diz...
Eron Falbo: [32:29] A longo prazo é uma grande bênção, mesmo as coisas ruins, porque te ensina, ou sobre você mesmo, ou sobre o universo. E você tem experiências, pô, inovadoras, né? Só de você se abrir pra lugares novos. É que nem você tá falando. Por que a gente convida o guia? Porque o guia foi em todos os lugares. Tipo, o guia foi em um lugar que você não imagina e tá atualizado, né? Ele sabe que o lugar fechou.
Victor Barros: [33:07] Ele estudou o país, entendeu? O guia tem que fazer uma prova no país. Eu conversei com 26, na última temporada foram 26 guias. Então, assim, a bagagem que eles carregam é uma coisa fantástica, porque eles têm que estudar o país, fazem prova, conhecem muito, entendeu?
Eron Falbo: [33:26] Você me apresenta o seu amigo guia que você acha o melhor de Portugal, o melhor de Lisboa, sei lá, pra eu chamar pra uma live? Que eu tô achando que a vida acontece.
Victor Barros: [33:39] Não, ó, Eron, pode escolher o país, escolhe o país que eu indico. Mas aqui de Portugal, eu, Guilherme, conheço de norte a sul do país, um cara, ele é maior que eu na altura, eu acho que eu sou mais lá que ele um bocadinho, mas o cara é fantástico, então você vai adorar e ele tem uma dinâmica de conversa muito boa. E no rumo todo, se quiser um nativo da República Tcheca que aprendeu português, viveu no Brasil, temos também. Eu falo que temos, porque é amigo. Eu indico a África do Sul, ela cozinhou pra nós, então foi uma...
Eron Falbo: [34:19] Lá em Goiânia, entendiram?
Victor Barros: [34:22] Pois é, aí o Brasil, é engraçado, a gente conhece o mundo, a hora que vai para o nosso país, eu já tenho uma fragilidade um pouco maior. Mas eu saí de cá, eu saí muito novo, eu saí da minha cidade, eu saí com 17 anos e fui estudar. E eu só fui entender que conversar com as pessoas era, pode ser uma coisa interessante, pode valer a pena. Eu já estava com 20 e tal anos de idade, antes eu só não queria nada disso. Que maravilha, Victor.
Eron Falbo: [34:52] O seu trabalho é maravilhoso. Eu vou só para o pessoal resumir e saber bem o que você faz. O Victor tem o Cooking in Portugal, que é @cookinginportugal, @desafio.gastronomico, @cookingexperience.world, W-O-R-L-D. E @VF Barros, ou VFA Barros, não é verdade não?
Victor Barros: [35:19] Isso, VFA Barros.
Eron Falbo: [35:24] E cê tem o seu site, né, que é cookinportugal.com?
Victor Barros: [35:30] Isso, lá você consegue encontrar, tanto faz, cookinportugal.com ou .br. Eu, um digital pouco em Portugal, nós estamos...
Eron Falbo: [35:42] Caraca, esse cê é esperto, hein? Já monopolizou aí o homem.
Victor Barros: [35:48] E aí, eu sou da área de informática, né? Acaba que isso também tem... Cara, tudo.
Eron Falbo: [35:53] De Goiânia que eu conheço é assim, Goiânia é... se faz de boa, fica sorrindo, aí depois é o cara mais inteligente da sala, sempre.
Victor Barros: [36:05] Não, não é isso não. Mas acaba que o que a gente sabe, eu sou professor, então eu adoro partilhar isso. Então, por exemplo, essas lives que eu fiz com tchecos, com guias, muitos deles estão lá localmente. Então, a hora que vai para o mundo digital, aprendi muita coisa. Eu comecei esse universo das lives agora e estou aprendendo todo dia. Fizemos podcast também, que, dentro do Cooking Portugal, vocês vão ver lá. Tem várias quintas, vários restaurantes, chefes de...
Eron Falbo: [36:39] Todo lugar do Brasil. Eu estava fazendo propaganda do Cooking Portugal, aí eu acabei entrando em tudo que você faz e confundi aí o nosso querido ouvinte, o nosso amigo que tá ouvindo aí o podcast. Mas só pra esclarecer, o Victor é um amante da gastronomia, que tem um site chamado Cooking in Portugal, que ajuda brasileiros que tão chegando, especialmente brasileiros, mas também qualquer pessoa que tá chegando em Portugal, para conhecer a gastronomia portuguesa, conhecer o que está acontecendo em Portugal. Estou certo ou errado?
Victor Barros: [37:18] Na verdade, a gente pega esse público aí no Brasil que quer ter uma experiência diferente aqui em Portugal. Eles ficam uma semana aqui comigo, é uma semana, a gente roda...
Eron Falbo: [37:32] É uma experiência.
Victor Barros: [37:34] É uma experiência inteira aí, é um pacote, onde ele fica uma semana aqui. Eu faço, a única coisa que ele tem que se preocupar é entrar no avião e descer em Portugal. O resto pode guardar a carteira, pode guardar tudo, que é tudo com a gente aqui. Rodamos a...
Eron Falbo: [37:56] Mas também serve pra galera que quer acompanhar, assim, o site tem informação, né? É, serve, assim, pra quem não tinha contratado, dá pra aprender lá no site algumas coisas, né?
Victor Barros: [38:06] Ah, sim, sim, porque é igual a esse podcast, a gente conversa com esse público todo. Então, o pessoal fica a saber, né? Fica a saber umas quintas bacanas pra poder visitar, fica a conhecer uns restaurantes bacanas.
Eron Falbo: [38:18] Quinta, sítio, gente.
Victor Barros: [38:21] Quinta é uma fazenda. A gente chama de quinta. Mas é que são pequenos fragmentos de terra. Na minha proporção Brasil-Portugal, eu venho de Goiás, um dos maiores produtores de grãos do país, pelo menos do estado, compete com o Mato Grosso. Então, já está aí, já esteve no ranking dos maiores produtores de milho.
Eron Falbo: [38:49] Você já foi no MotoZera, você nem sabe o que é o MotoZera.
Victor Barros: [38:54] Então, para a nova dimensão é outro. Uma fazenda pequenininha. Um sítio aí é enorme, perto das quintas aqui.
Eron Falbo: [39:05] Goiás é incrível. O tamanho das fazendas que existem no Goiás. As pessoas que não conhecem, não conhecem.
Victor Barros: [39:15] Tem um caso engraçado. Eu estive na Itália. Meus amigos pararam para ver uma plantação de... Ai, gente, agora eu não vou lembrar. Aquela planta, flor que olha pro sol. Ah, aquela flor! Eita!
Eron Falbo: [39:34] Agora eu lembro.
Victor Barros: [39:38] Infelizmente esqueci, que a história era bacana, mas enfim, o que acontece é que era um espaço pequenininho ali, aí o pessoal tirou a sola porque achou aquilo lindo. Eu nem saí do carro, porque lá no Goiânia, o meu estado, aonde eu vejo a produção, aonde eu vejo, tem plantação de dinossauro, porque aonde o seu olho enxergar é uma plantação. O cara vem três por três, eu vou sair pra tirar foto? Ah, não vou, não. Valeu aí, pessoal, ajudando. Girassol.
Eron Falbo: [40:11] O pessoal tá ajudando. A Lu sempre me corrige aqui. Dessa vez, eu fui antes dela. Falei, giro só antes. Valeu, Lu. Obrigado pela contribuição, viu.
Victor Barros: [40:24] Então assim, isso é uma coisa incrível que o nosso estado de Goiás tem. Eu comecei a apreciar muito o meu estado quando eu vim pra cá. Eu precisei sair de lá pra perceber o quanto aquilo é rico, é de uma imensidão fora do comum. É o meu estado de Goiás. Total.
Eron Falbo: [40:45] Toda vez que eu vou pra Barra também aprecio muito a zona sul do Rio. Só uma brincadeira interna do Rio de Janeiro. Desculpa, mas eu te pergunto, você não é chefe?
Victor Barros: [41:00] Não percebi.
Eron Falbo: [41:03] Você não é chefe, não?
Victor Barros: [41:07] Não, eu gosto muito desse universo, conheço um monte de chefes, mas não sou chefe.
Eron Falbo: [41:14] Mas o que a gente está te pedindo?
Victor Barros: [41:17] Skill me falta. Um dia eu chego lá e já tentei fazer. Esse programa meu, o pessoal cozinha, né? Aprende a cozinhar. Então, em seis anos, fazendo quase os mesmos pratos, eu posso dizer que já sei cortar a cebola certinho. Já é um pouco isso, né?
Eron Falbo: [41:38] Aquela manhã do punho, né? Que você fica assim pra não morrer.
Victor Barros: [41:43] É, tem que pegar o jeito certo pra não sair o alho, a forma de cortar o alho. Eu não como em casa, eu só como fora, então eu não cozinho, então é mais difícil. Mas lá, quando eu tô no programa, eu acabo indo lá e fazendo um pouco, né? Os meus colegas me chamam...
Eron Falbo: [42:00] Tirando uma casquinha, né?
Victor Barros: [42:02] Mas o que eu gosto mesmo... Eu gosto de sentar, tem um chefe que entrou aqui agora há pouco, eu chego no restaurante dele e falo assim: cheguei. Acabou. Pronto. Aí a mesa, ele inventa. Eu nem sei o que tem no cardápio dele, há mais de três anos que eu não abro o cardápio dele.
Eron Falbo: [42:20] Mas é muito bom. O pessoal tá brincando aqui, a Tati, deve ser sua amiga, Tati Bungert. Você vai num restaurante de comida típica inglesa. É tão ruim a comida inglesa que tem dedo dentro, né? Porque a galera não enxerga.
Victor Barros: [42:40] Segunda-feira passada, começou novos episódios de empreendedores no ramo da gastronomia pelo mundo. Ela é uma que vai falar com a gente. Faz uns brigadeiros fantásticos. Estou louco para conhecê-la. Ainda não falei com ela pessoalmente, mas já é contato aí de próprios, né? Vai ter também na Noruega um restaurante brasileiro, que o cara tem uma paixão por arte e por arquitetura, que o restaurante eu pegava um voo e ia pra lá hoje, se eu pudesse. Que é fantástico!
Eron Falbo: [43:17] Eu vi no seu Instagram que você é amante de pintura também, né? Amante das artes, de música clássica, de alta cultura.
Victor Barros: [43:28] É, assim, eu ainda tô aprendendo. Tô tendo até aula pra aprender um pouquinho mais, porque, assim, eu sempre gostei. O Andrea Bocelli, quando eu vim pra Portugal há oito anos, eu vou todos os anos no show dele lá em Lajatico, na Itália, que é o show que ele faz pra ele, pra cidade dele. Então eu sou apaixonado, vou todo ano. Tanto é que eu já carrego hoje um monte de amigos, né?
Eron Falbo: [43:52] Que falam assim... Você é groupie do Andrea Bocelli? Você é o único groupie do Andrea Bocelli? Tipo assim, porque groupie normalmente é de rock, não sei o quê. Se ele conseguisse te ver, ele ficaria muito orgulhoso de você e do seu corte de cabelo, do jeito que você se veste.
Victor Barros: [44:16] Mas quando eu vou no show, eu sento à frente, assim, porque eu falo lá para os meus amigos: se ele tropeçar, eu seguro; se ele espirrar ali, eu estou ali na frente, eu vou ter que receber o negócio.
Eron Falbo: [44:32] Ele deve ter que mandar o...
Victor Barros: [44:36] Mas tem os mais apaixonados do que eu. Eu cheguei lá e descobri que tinha, conheci até uns brasileiros que ganham de mim, porque, igual, eu vou nos shows mais peculiares, né? Então, assim, no Lajatico é num campo, ou seja, é no meio do nada. É o Andrea Bocelli e a lua, entendeu? Traz aquela imagem fantástica.
Eron Falbo: [45:03] Eu adoro ele também. Ele é um cara assim, em termos de música erudita, um cara que é acessível e, ao mesmo tempo, não é, como é que se diz, não é de baixa qualidade, porque muitas vezes os que são mais acessíveis são meio charlatão gringo.
Victor Barros: [45:25] Não é, ele foi um dos que popularizou a música clássica. Primeiro começou com Pavarotti, com Pavarotti and Friends, os Três Tenores. Começou a mostrar para uma obra, no caso, a casa daqueles menos culturalmente envolvidos, vamos dizer assim. Então, como eu disse, é conhecer mais, é mais próximo. Agora, claro, dentro da Europa, você tem tudo aos seus pés. Você tem museus, você tem shows. Eu tenho alcance desses shows aqui, estão diretos. Então, a facilidade de você ir para um país é muito fácil. Então essas coisas cativam o estado em Portugal, ou cativam o estado na Europa, né? Não quer dizer que não tenha coisas semelhantes no Brasil. O Rio de Janeiro e São Paulo, né? Eu converso com o pessoal que gosta de música, tem certos shows que chegam aí que não chegam aqui em Portugal, entendeu? Mas aqui é fácil, você vai daqui pra Espanha, pra Alemanha, você roda a Europa. Eu rodei a Europa aqui de uma forma tão fácil.
Eron Falbo: [46:39] Antes da China dominar a Europa e conquistar 24 territórios, com quantos exércitos? 50 exércitos? Eu tô dizendo que antigamente, muito tempo atrás, quando existia o Ryanair, que a gente podia ir pra Londres, podia ir pra qualquer lugar da Europa com muita facilidade, desde o Porto.
Victor Barros: [47:12] Pois, então, é. É igual, eu tô numa cidade chamada Guimarães, onde nasceu Portugal, entendeu? Então eu saí do berço do universo...
Eron Falbo: [47:24] Ah, você tá no Norte?
Victor Barros: [47:26] É, eu tô no Norte, em Guimarães, na terra...
Eron Falbo: [47:30] Poucas pessoas sabem disso, então vamos falar um pouquinho sobre isso: Portugal é o país mais antigo da Europa. E é o único país que está intacto desde lá dos primórdios da Era Medieval até hoje. Começou aí no Norte de Portugal, na terra de Bragança e de Guimarães, de Trás-os-Montes, essa terra linda, que é a terra da minha família e é a terra da família real brasileira, da família imperial brasileira, que fundou o nosso país também. Então é muito importante vocês conhecerem isso, gente.
Victor Barros: [48:11] E é o que a gente mostra aqui, a gente roda essa região toda, entendeu? Que é rica demais, rica em sabores, em vinhos, em história. E é muito bom ouvir história de quem sabe, igual eu contar uma história aqui é uma coisa, agora o cara lá em Trás-os-Montes explicar por que que os vinhedos tem que ter essa disposição, por que que ali que foi onde tudo começou, qual que era a disposição geográfica, se já foi naquele...
Eron Falbo: [48:42] Museu em Belmonte, dos judeus?
Victor Barros: [48:51] É, é bem famoso, é bem conhecido também.
Eron Falbo: [48:54] É uma maravilha, eu sei, porque a minha família é judia, né? Quanto da Holanda, quanto de Bragança... Como é que é? Rio Frio. Minha família é de Rio Frio, que é perto de Bragança, um pouco... Não sei se você conhece, é bem pequeno.
Victor Barros: [49:13] Não, tá ficando difícil. O senhor é muito específico agora, mas eu vou anotar aqui que eu vou descobrir. Uma quinta lá, só pra eu poder ir lá conhecer.
Eron Falbo: [49:25] A gente é de Rio Frio e são os maiores boêmios da Europa. A gente ganhou o campeonato de boêmia profissional dos poetas europeus. Então a gente é a galera que melhor bebe. Você não sabe o que é isso, mas pra gente é muito importante beber mais do que outras pessoas, entendeu?
Victor Barros: [49:45] Ah, entendi. É legal, né? Deve ser uma experiência sine qua non.
Eron Falbo: [49:53] Você nunca saberia, porque você vive sua vida inteira... Não, né?
Victor Barros: [49:59] É muito bom a gente conhecer os sabores todos, até das bebidas alcoólicas, e se manter controlador do seu próprio eu, né? Então, isso é muito bom.
Eron Falbo: [50:11] Também é ótimo a gente ter essa troca, né? O quá e o não, né?
Victor Barros: [50:16] Mas olha, a vantagem é essa, tem que ser sempre alguém que não bebe, né? Pra ajudar a conduzir, a dirigir, a...
Eron Falbo: [50:26] É o amigo evangélico, é o amigo da vez, o amigo que sai com a galera que é curioso, mas não transa, não bebe... Só que eu tenho.
Victor Barros: [50:39] Um problema também, que eu também não dirijo, sabe? Então o pessoal aqui fica só perto. Você não bebe? Você não dirige? Você serve pra quê? Eu sirvo pra levar vocês em bons restaurantes e apresentar excelentes vinhos.
Eron Falbo: [50:55] Pra ser o discernimento de qualidade, galera.
Victor Barros: [51:02] Alguém tem que ter isso, mano. Já que você não consegue...
Eron Falbo: [51:05] Quando você vier pro Rio, eu vou te convidar pra... Já que eu sou de Rio, eu faço umas festas aqui. Eu só sou o último a ficar em pé, entendeu? E acordo e vou trabalhar no dia seguinte, 8 horas da manhã, normal. Porque, pô, a gente bebe profissionalmente mesmo. Quando eu digo profissional, eu fico com responsabilidade, entendeu? Que nem Sócrates. E eu vou te convidar pra uma salsinha aqui que a gente fica até as 6, 7 da manhã bebendo. E você vai ser o cara que não vai deixar a gente beber vinho ruim. Você vai falar: 'Vocês estão doidão? Isso aqui é ruim, gente. Isso aqui é ruim.'
Victor Barros: [51:41] E olha, eu participo da festa do mesmo jeito. Você vai ver que a animação aqui não para.
Eron Falbo: [51:47] É mesmo? Você deve dar salsinha.
Victor Barros: [51:53] O pessoal que vem aqui em Portugal também, igual, passa o dia, a gente visita 5, 6, 7 quintas, né? Aquelas fazendas aí, os sítios, né? Então, o pessoal em todas elas bebe. Então, no final...
Eron Falbo: [52:06] Mas, Victor, eu tenho essa cara, porque eu sou charlatão, eu tenho essa farsa de príncipe, mas aqui rola funk, bicho. Você consegue, aqui em casa rola de tudo. Rola até... Não conte pra ninguém isso, mas rola até música eletrônica aqui em casa, às vezes. Ela é mochela, você dança mesmo assim?
Victor Barros: [52:26] A gente é eclético, sem dúvida. Se a festa for boa, a companhia for boa, a gente suporta qualquer coisa. Mas é muito bom. Você bebeu?
Eron Falbo: [52:40] Eu, cara, se eu não beber, eu não aguentaria os meus amigos.
Victor Barros: [52:48] Jogue baralho, conta piada, faça a farra. Não tem comigo, não tem isso não. Esse meu lado goiano é festeiro, gosta de uma festa, só não bebo.
Eron Falbo: [53:00] Victor, acabou nosso tempo aqui, só queria relembrar a galera do seu site, para entrar no seu site, se for para Portugal, depois que Portugal ganhar mais uma guerra contra os mouros, contra os invasores bárbaros. Na verdade, até que os árabes estão causando problema no mundo, mas dessa vez é mais os chineses. Mas Portugal vai perseverar, Portugal vai ganhar disso, mais uma vez, vai continuar o primeiro país da Europa. E quando as pessoas voltarem aí para Portugal, voltarem a fugir do Brasil e saírem do Rio de Janeiro, abandonar o Rio de Janeiro, deixar o lixo para trás, aí vocês vão para Portugal, vocês sabem quem procurar: é o Victor F.A. Barros, dentro do Instagram, e o Cook in Portugal, pra ter uma experiência fora do comum, uma experiência inigualável, porque esse cara ainda tá claramente saindo da zona de conforto pra conhecer um monte de merda pra saber qualquer coisa boa de Portugal e levar vocês. Claro que Portugal tem pouca coisa ruim, né? A comida aí é maravilhosa. Mas, Victor, eu queria te agradecer imensamente pela sua presença, pelo seu bom humor. Desculpa o jeito que eu falei de Goiás, que eu adoro Goiás. Eu tô me sentindo culpado. A verdade é que eu adoro Goiás, mas todo mundo faz piada com Goiás.
Victor Barros: [54:33] Mas é bom, é bom. Eu que agradeço a oportunidade. E fica convidado também a conhecer Portugal. Então, vindo cá, conhecer ao meu olhar, de uma forma diferente. Você já conhece, mas enfim, fica aí meu convite também. Tá bom? Vai adorar, entendeu? Não é só música clássica, não, pode ficar despreocupado. Existe funk português? Se existe, eu desconheço, mas eu posso buscar saber, né? Então, a gente, como é grupos pequenos, a gente acaba conhecendo um pouco o cliente, aí a gente adapta também, põe um funkzinho dentro do carro, não é problema.
Eron Falbo: [55:17] Gente, a galera que tá escutando aí, por favor, mandem no meu inbox um exemplo de funk português. Deve ser a coisa mais hilária, deve ser a maior piada do planeta Terra, funk português. Por favor, me mandem isso, hoje ainda, porque eu quero ouvir. Muito obrigado. Obrigado a todos, beijão. Valeu, Victor, mais uma vez.
Victor Barros: [55:38] Abraço, tudo de bom, valeu.
Eron Falbo: [55:40] Valeu, abração.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #64 · todos os episódios