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Eron Falbo: [0:05] Bem-vindos, meus amigos! Você tá no alvo, eu sou o Eron Falbo. Estamos aqui hoje com o José Carlos Guerreiro. José Carlos é um empresário, produtor cultural, ator, cantor e criador de joias. Ele é diretor criativo da Guerreiro Joalheria. Então, entrem, juntem-se a nós. E vamos ouvir as palavras sábias desse nobre e poderoso criador de muitas coisas. E aí, Guerreiro, me conta.
José Carlos Guerreiro: [0:41] O que você quer saber?
Eron Falbo: [0:43] Eu quero saber tudo, mas... Bom, na verdade, eu quero saber tudo que você ainda não contou pra ninguém, entendeu? Isso é principalmente o que eu quero saber.
José Carlos Guerreiro: [0:52] O que eu não contei... Aliás, deixa eu te contar rapidamente a história. Faz isso. Vinte, trinta anos que todo mundo me fala: pô, Guerreiro, você tem que escrever um livro, você tem que escrever um livro, você tem que escrever um livro. Eu falo: como é que eu vou escrever um livro com tanta mulher na minha vida? Hoje eu estou casado, estou cheio de filhos, mas eu era danado.
Eron Falbo: [1:14] Você está casado e cheio de filhos. Quantos filhos você tem?
José Carlos Guerreiro: [1:19] Eu tenho seis filhos.
Eron Falbo: [1:21] Seis filhos é o número que eu quero, sabia? É o mínimo que eu quero. Eu quero, no mínimo, seis filhos.
José Carlos Guerreiro: [1:27] E tem uma porrada de netos também.
Eron Falbo: [1:30] Mas são todos de uma mulher só ou de várias mulheres?
José Carlos Guerreiro: [1:33] Não, não. Da primeira mulher foram duas meninas. Depois, com a última, glória, foram duas moças e dois rapazes.
Eron Falbo: [1:45] Ah, tá. Então, quatro com uma. Isso aí é bom.
José Carlos Guerreiro: [1:48] Essa, eu tô com essa há quarenta e tantos anos já.
Eron Falbo: [1:54] Caraca, como é que você ficou quarenta e tantos anos com uma mulher só depois de ter vadiado tanto?
José Carlos Guerreiro: [2:01] Não dava pra pensar diferente, né? Mas foi hora da vida.
Eron Falbo: [2:08] Por que não? Como é que era a mentalidade naquela época que era diferente?
José Carlos Guerreiro: [2:12] A diferença? De que? De solteiro?
Eron Falbo: [2:16] É, quando você era solteiro, em tempos diferentes.
José Carlos Guerreiro: [2:18] Era totalmente diferente, porque as meninas, para começar, escondiam a virgindade. Estou falando dos anos 50, 60. Ninguém tinha carro, então você morava no cinema, ou no elevador do prédio, ou na escada de serviço do prédio, totalmente diferente. Nos anos 50, 60 e 70 é que o negócio começou a virar, aí virou tudo. Aí vieram aqueles roqueiros malucos lá...
Eron Falbo: [3:01] O Led Zeppelin?
José Carlos Guerreiro: [3:03] É, nos Estados Unidos, veio a droga, e foi mudando tudo, né? Mudou tudo, mudou tudo.
Eron Falbo: [3:09] A droga já tinha nos anos 60, né?
José Carlos Guerreiro: [3:13] A droga já tinha nos anos 60. A cocaína era dos cantores e mais meia dúzia de empresários.
Eron Falbo: [3:24] E era cocaína de verdade, não é?
José Carlos Guerreiro: [3:26] Era cocaína pura, era. Não era aquela coisa misturada. Geralmente, os bons conseguiam com a polícia aquilo. Era uma loucura, totalmente diferente de hoje. Você parava ali no apoiador, tinha um lugar que você podia parar com o carro, sem a calçada. Era corrida de submarino, já ouviu falar? Vamos ver, coisa assim maneira. Você entrava com a menina, parava o carro ali, os outros paravam do lado, e você não tinha assalto, não tinha nada, você ficava hiper à vontade. Hiper à vontade.
Eron Falbo: [4:03] E o que será que começou a mudar as coisas? Além do Led Zeppelin?
José Carlos Guerreiro: [4:06] Começou a mudar... Não. Beatles, né? Beatles começou a mudar, era uma loucura, né? Beatles foi uma loucura que apareceu.
Eron Falbo: [4:18] Mas Beatles era comportadinho, né? Eles eram comportadinhos comparado com os outros que vieram nos anos 70.
José Carlos Guerreiro: [4:23] Sim, mas eles apareceram assim de uma vez, e foi uma loucura. É, mudou tudo, né?
Eron Falbo: [4:29] Mudou tudo, né?
José Carlos Guerreiro: [4:31] E os anos 50 foi com Elvis, com Bill Haley, rock, aliás, eu canto rock há muito tempo, né? Cantei com o Paulo Ricardo, gravamos... Fizemos umas relações de rock e tal. Adoro cantar rock.
Eron Falbo: [4:50] Ah, legal. E o que você gosta de rock?
José Carlos Guerreiro: [4:53] Eu gosto... Bem, tô falando de rock dos anos 50.
Eron Falbo: [4:57] Pode ser. É o que eu gosto. Eu gosto de 50 até 74, irmão.
José Carlos Guerreiro: [5:03] É Bill Haley, né? Elvis Presley.
Eron Falbo: [5:09] Little Richard, Charlie Lewis.
José Carlos Guerreiro: [5:12] Little Richard é uma loucura. Altão, né?
Eron Falbo: [5:19] É em fá, né?
José Carlos Guerreiro: [5:21] O quê?
Eron Falbo: [5:21] O Little Richard cantava em fá. E o Paul McCartney cantava em sol, só pra humilhar.
José Carlos Guerreiro: [5:32] Então a gente tem que conversar muito fora aqui, viu? Quando for pro Rio, não precisa me contar, porque já vi que você é macho. Você é garoto? Você tem quantos anos?
Eron Falbo: [5:45] Eu tenho 35, se não me engano.
José Carlos Guerreiro: [5:48] 35? E eu tenho 82, porra.
Eron Falbo: [5:53] 82? Você tá assim, pô. Tá assim bem pra caramba.
José Carlos Guerreiro: [5:57] Que isso?
Eron Falbo: [5:58] Então vamos sair junto aqui no Rio, quando você vier.
José Carlos Guerreiro: [6:02] Ah, vamos. Pegar uma na Maria. Eu ia pro Rio, eu saia sempre com a Ana. Uma vez fomos lá na casa dela, foi a Laysa Minelli na casa dela. Nossa! Fizemos uma fala.
Eron Falbo: [6:16] Você já teve uma história com a Laysa Minelli, não uma parceria?
José Carlos Guerreiro: [6:20] Não entendi.
Eron Falbo: [6:22] Você não teve uma parceria com a Laysa Minelli?
José Carlos Guerreiro: [6:25] Tinha sim, de cantar. Vocês cantaram juntos? É, cantamos juntos na casa da Laysa. Depois eu fui para Nova York e fui cantar num bar de jazz. E a Ana Maria não me falou nada. E ela combinou com a Laysa Minnelli.
Eron Falbo: [6:39] A Laysa Minnelli.
José Carlos Guerreiro: [6:40] É. Quando acabei de cantar, quando desci do palco, estava a Laysa Minnelli em pé, fazendo um xauzinho para mim. E eu já fui na mesa, já tinha falado com ela, lógico, com a Laysa. Mas é fantástico, é fantástico. Isso aí é uma vigésima parte da minha vida.
Eron Falbo: [7:07] Você fez um monte de coisa, né? Vamos tentar entender, só. Vamos tentar entender. Você já foi nadador profissional quando você era jovem?
José Carlos Guerreiro: [7:16] Nadeiro no Botafogo. Nadeiro no Botafogo.
Eron Falbo: [7:18] Nadouro no Botafogo.
José Carlos Guerreiro: [7:19] Em 1953.
Eron Falbo: [7:22] 53? Caramba, você tinha... 15 anos. 15 anos, exatamente. Você nasceu no começo da Segunda Guerra Mundial, né? Como é que foi isso? 1938.
José Carlos Guerreiro: [7:37] Mas assim, de memória, eu lembro que, quando eu ia pra cidade, tinha aqueles letreiros da Foice e Martelo, do Hitler, da Stalin. Então a gente sabia que estava acontecendo aquela guerra, mas era a época do rádio, não tinha televisão. Aliás, fui um dos primeiros caras a ter televisão no Rio de Janeiro. Eu era vizinho do Luiz Carlos Barreto, olha que coisa, morava em Botafogo, no apartamento 604, ele morava no 603. Então, minha mãe foi lá em Cias, comprou-nos uma TV, e nós ficamos vendo a Tupi fazendo os primeiros programas, uma coisa que é tudo ao vivo, tudo meio esculhambado. Mas, em 1973, a televisão ficou colorida. A gente não via, o futebol era assim: em 1966, no Chile, a gente ouvia os jogos, depois vinha o videotape e a televisão passava para a gente ver o jogo.
Eron Falbo: [8:54] E nos anos 60, você já era músico? Você já cantava ou não?
José Carlos Guerreiro: [8:58] Eu sempre cantei. Aliás, o meu bairro...
Eron Falbo: [9:01] Mas você fazia parte... Você era daqui do Rio? De que bairro?
José Carlos Guerreiro: [9:05] Botafogo. Ah, Botafogo.
Eron Falbo: [9:09] Porque tinha a galera da Tijuca ali, não? Tim Maia, Jorge Ben, Carlos Imperial, Roberto.
José Carlos Guerreiro: [9:14] Carlos... Tudo amigo meu. Fiz show com o Tim Maia, com essa turma toda. Fiz show da Ródia com o Jorge Ben, Rita Lee. Nossa! Vou começar a contar.
Eron Falbo: [9:27] E o Carlos Imperial. Eu tinha uma festa lá em São Paulo que era tributo a Carlos Imperial. Chamava-se Imperial Tropical. Era só nas músicas.
José Carlos Guerreiro: [9:38] Eu falava muito com ele na praia. À época, eu morava bem no Castelinho, ao lado do... Já ouviu falar no Castelinho, no Bar Castelinho?
Eron Falbo: [9:48] Não.
José Carlos Guerreiro: [9:49] O Bar Castelinho ficava ao lado da esquina da Rainha Elizabeth com a Ondeira Souto, e nessa esquina tinha o 1800, que era um bar que ainda existe, mas que tem outro nome. Então, nossa, tem histórias engraçadíssimas, loucíssimas nessa época. E eu morava com o Paulo Suvino, quer dizer, morava. O Paulo Suvino morava com a mãe ali pertinho, e o apartamento a gente fazia as farras. Imagina, o Paulo Suvino, que era um puta de louco, uma figura...
Eron Falbo: [10:25] Mas no Brasil não tinha muito psicotrópico, não tinha muito uso de drogas? Como é que era aqui no Brasil? Tipo o ácido chegou aqui bastante?
José Carlos Guerreiro: [10:34] O ácido chegou, até quando o ácido chegou, foi com uma amiga minha que era artista da Globo. Ela trouxe, isso foi em 66, 67. Ela trouxe o ácido. Então, nós tomamos, né?
Eron Falbo: [10:56] E você lembra da última vez que você tomou ácido?
José Carlos Guerreiro: [11:00] Me lembro, foi mais ou menos em 1970...
Eron Falbo: [11:06] Mas por que você ficou tanto tempo sem tomar?
José Carlos Guerreiro: [11:10] O que houve? Não, muito louco aquilo... Muito louco, você não tem ideia. Eu entrava, de repente... Tomei uma vez...
Eron Falbo: [11:18] Mas conta da sua experiência em 1970.
José Carlos Guerreiro: [11:22] Mas qual tipo de experiência?
Eron Falbo: [11:24] Não, eu digo, sei lá, qual foi o contexto, com quem você tomou?
José Carlos Guerreiro: [11:28] Em 70 foi quando eu comecei a fazer joias. Ele deu uma casa nos jardins, ali perto da Oscar Freire, e, no fundo da garagem, eu e o Walter Mantini, que é o dono da família Mantini, montamos uma tenda cigana, e comecei a fazer joias, pulseiras, e o negócio bombou, bombou, você não acredita. Então, a loja era um ponto de encontro da turma toda na época. E logo depois, em 72, o Walter não quis mais ser sócio, porque, pô, Guerreiro, onde eu vou dormir às cinco horas da manhã? Não posso vir para cá. E eu fiquei sócio do Luiz Gustavo, do Beto Rockefeller.
Eron Falbo: [12:16] O Beto Rockefeller?
José Carlos Guerreiro: [12:18] Sabe quem é?
Eron Falbo: [12:18] O Luiz Gustavo? Mas, peraí, você falou Luiz Gustavo?
José Carlos Guerreiro: [12:22] Como assim? Luiz Gustavo era o Beto Rockefeller, pô.
Eron Falbo: [12:25] Ah, eu nunca soube que era o Luiz Gustavo.
José Carlos Guerreiro: [12:26] Vavado, sai de baixo! Vavado, sai de baixo!
Eron Falbo: [12:30] Ah, Beto Rockefeller é o nome artístico dele?
José Carlos Guerreiro: [12:33] É, ele fez... ah, desculpa, não conheço bem. Nossa, foi a primeira novela que fez mais sucesso no Brasil, foi essa novela. Ele era um playboy durão, ia nos lugares badalados e tal, chegava lá: "oi, tudo bem, tudo bem", e falava.
Eron Falbo: [12:52] Você dizia que ele era um Rockefeller.
José Carlos Guerreiro: [12:54] É, isso, Beto Rockefeller.
Eron Falbo: [12:57] Lindo latão, que nem eu.
José Carlos Guerreiro: [13:00] Você já tá bebendo água? Pô, eu nem brindei com você.
Eron Falbo: [13:06] Pô, a gente nem brindou nossa água. Você parou de tomar ácido? Você parou de beber álcool?
José Carlos Guerreiro: [13:14] Não, beber álcool não. Eu só canto tomando uísque puro. Só isso. Nossa, saúde.
Eron Falbo: [13:22] Saúde, nossa saúde. Tudo de bom.
José Carlos Guerreiro: [13:26] Ah, parei de tomar ácido. Eu tomei ácido por muito pouco tempo, porque era uma loucura, você ficava doido, o cara pirava, né? Então, você via o que acontecia com os seus amigos, seus conhecidos, né? A mesma coisa com a cocaína, a cocaína era a mesma coisa. Tantos amigos que eu tive, quantos morreram, cara?
Eron Falbo: [13:49] É, o problema é só que naquela geração, o pessoal meio que fez todo mundo junto, né? Então, tinha uma coisa meio desenfreada. Hoje em dia se usa, às vezes. Eu mesmo, sei lá, devo ter usado uns três meses atrás.
José Carlos Guerreiro: [14:05] Hoje a cocaína se usa muito, mas é aquela cocaína misturada, uma coisa que não é legal. Eu parei em 69 com a cocaína porque eu morava no Copan. Então, o negócio era assim: quando chegava onze horas, você ia para a boate, ia para o tom-tom. Onze, meia-noite, uma hora da manhã, o cara que trouxe a cocaína, que dividia com você no banheiro, foi embora e acabou a cocaína. Aí você ligava para os caras, ligava para o fulano, para o Ciclista, dizendo que não tinha. E eu passei muito mal. Fui para casa sozinho, deixei a porta da rua aberta, porque, se eu morrer, não vou ficar apodrecendo lá.
Eron Falbo: [14:53] É a irresponsabilidade, né? Leva a fissura, né? A vontade, tipo, leva você a fazer coisas loucas.
José Carlos Guerreiro: [15:00] A cocaína é barra pesada. Se você não estiver preparado... E aí eu fui, logo nesse fim de semana, pra Ribeirão Preto. Fui eu, o Clodovil, nossa, foi uma turma. Fomos pra lá. Mas lá não tinha nada, não tinha hotel, não tinha motel, não tinha porra nenhuma. Era uma loucura.
Eron Falbo: [15:23] Não tinha nem camisinha, avó.
José Carlos Guerreiro: [15:25] Não, camisinha tinha. Mas era muito engraçado, porque, como falei, as mulheres escondiam a virgindade.
Eron Falbo: [15:41] Como é que funciona isso? Como é que é esconder a virgindade?
José Carlos Guerreiro: [15:45] Ah, cê sai com a menina, aí cê pega aqui, pega aqui, aí cê vai no cinema, mete a mão aqui, ela tira tua mão, cê abre, ela tira e tal, e ela, ah, eu sou vítima. Aí cê depois descobre que não era vítima porra nenhuma, que ela tava tirando uma onda. Uma loucura, uma loucura.
Eron Falbo: [16:06] Mas naquela época era mais fácil mulher dizer não pro homem, era só dizer que era virgem, né? Porque hoje em dia o homem não é cristão.
José Carlos Guerreiro: [16:15] Não, hoje não existe mais. E naquela época era uma coisa engraçada. Mulher, mas nem pensar em usar tatuagem. Nem pensar. Tatuagem era um negócio de bandido. E elas... Uma coisa assim...
Eron Falbo: [16:31] No Japão ainda é.
José Carlos Guerreiro: [16:33] O quê?
Eron Falbo: [16:35] No Japão só gangue que usa tatuagem. Até hoje.
José Carlos Guerreiro: [16:39] É mesmo? Olha que barato! E aí começou a tatuar em 1970 e pouco. E nessa época, os anos 60, 50, as mulheres não raspavam, não.
Eron Falbo: [16:55] Ah, é, tinha esse problema.
José Carlos Guerreiro: [16:56] Era tudo poludo.
Eron Falbo: [16:57] Também aqui, no Suvaco...
José Carlos Guerreiro: [16:59] Mas no Suvaco não, no Suvaco raspavam, sim.
Eron Falbo: [17:02] Mas algumas não, eu já ouvi falar.
José Carlos Guerreiro: [17:05] Não, isso pode ser anos 40, as coroas. Eu andei na época...
Eron Falbo: [17:13] Eu vi umas fotos aí. As suas eram limpinhas.
José Carlos Guerreiro: [17:19] Pô, nós estamos fazendo um programa de sacanagem, pô.
Eron Falbo: [17:23] É, praticamente. Falando em sacanagem, você já curtiu uma festinha com o meu tio Eron?
José Carlos Guerreiro: [17:28] Não, não. Eu não tinha. Eu encontrava muito com ele na boate, no Tom Tom, no Mau Mau e tal, mas eu não era da turma dele. Não era amigo.
Eron Falbo: [17:38] Qual que era a turma dele? Você lembra?
José Carlos Guerreiro: [17:42] A turma dele? Eu não lembro.
Eron Falbo: [17:45] Só por curiosidade.
José Carlos Guerreiro: [17:46] É, eu não lembro a turma dele.
Eron Falbo: [17:47] A Rosemary? Ele namorava a Rosemary?
José Carlos Guerreiro: [17:49] Ah, não. A Rosemary eu conhecia. Ele namorava a Rosemary, exatamente.
Eron Falbo: [17:54] Um beijo pra Rosemary que ela tá assistindo.
José Carlos Guerreiro: [17:56] Ele namorava a Rosemary, exatamente. Que baita. A Rosemary era uma gata, né, linda.
Eron Falbo: [18:08] Até hoje ela é linda.
José Carlos Guerreiro: [18:11] E depois vêm os anos 1970, e o Walter Mantini, que era o dono do Tom Tom, fala: "Pô, Guerreiro, por que você é tão habilidoso?" Eu fazia desenho, fazia retrato, fazia retrato de mulheres de sociedade, brancas.
Eron Falbo: [18:28] Pois eu quero ver, eu ainda não vi os seus retratos. Onde a gente acha?
José Carlos Guerreiro: [18:34] Ah, isso eu pintei nos anos 50, 60, isso aí você não vai achar.
Eron Falbo: [18:39] Tem que botar no Instagram, é pra gente curtir.
José Carlos Guerreiro: [18:43] Eu tenho a coluna do Ibrahim com retrato, ele falando de mim, isso aí eu tenho.
Eron Falbo: [18:50] Mas vamos botar no Instagram os seus retratos, por que não?
José Carlos Guerreiro: [18:54] Eu tenho um retrato da Verusca.
Eron Falbo: [18:57] Ah, é isso que a gente quer ver.
José Carlos Guerreiro: [18:58] É.
Eron Falbo: [19:00] Você viu que eu te mostrei da Verusca?
José Carlos Guerreiro: [19:01] Não vi. Eu mandei pra você, eu jantando com ela. Você viu?
Eron Falbo: [19:07] Eu vi. Exatamente isso que eu botei no meu stories. Depois você vê lá. Mas eu vou te mostrar aqui rapidamente pra ver se você consegue ver daí. Só um segundinho, gente. Vou mostrar uma foto aqui pra ele.
José Carlos Guerreiro: [19:21] Sem problema.
Eron Falbo: [19:24] Aqui, ó. Tá vendo?
José Carlos Guerreiro: [19:27] Ah, sim. Essa é a foto famosa.
Eron Falbo: [19:30] Então, isso aí sou eu. Sou eu e o Guilherme, sou eu imitando a Blow Up, isso aí.
José Carlos Guerreiro: [19:35] Ah, é?
Eron Falbo: [19:36] É, sou eu, tio. Tá vendo? Eu tô tirando foto com o celular.
José Carlos Guerreiro: [19:40] E quem é a mulher? Quem é ela?
Eron Falbo: [19:42] A mulher é uma modelo, uma amiga minha.
José Carlos Guerreiro: [19:44] Ai, que barato.
Eron Falbo: [19:47] É só coincidência que você me falou isso. Eu acabei de tirar essa foto semana passada. Só pra explicar pro pessoal que tá assistindo e escutando: o Guerreiro fez um retrato de uma modelo famosa alemã chamada Veruschka.
José Carlos Guerreiro: [20:01] Veruschka.
Eron Falbo: [20:02] É, famosíssima dos anos 60, começo dos anos 50. E essa modelo famosa, Veruschka, era a modelo que foi fotografada no filme Blow Up, que é a foto que eu imitei na semana passada, que foi com...
José Carlos Guerreiro: [20:15] O mundo é pequeno, como eu te falei, tem muita paranormalidade. Matei, cara! Tem um negócio, por exemplo: meu tio falava assim, vamos lá na casa de fulano para vender um quadro para ele que eu pintava. Era funcionário do Banco do Brasil e ganhava dinheiro fazendo os quadros. Aí vamos, pô. Eu desci ali na Rua Elisabeth, com a bobeira solta, fui no posto de gasolina, falei no telefone. Nisso, passa um amigo meu de carro. Ele dizia assim: 'Ah, estou indo lá para Flamengo.' 'Ah, vamos, que eu vou para lá e vou te dar uma carona.' E, cortando a história, ele ia exatamente no apartamento que eu ia. E histórias assim eu tenho dezenas.
Eron Falbo: [21:08] Claro, é. Pior que eu acredito, sim, que tem essas coisas. Tem umas coisas que são muito loucas.
José Carlos Guerreiro: [21:14] Muito loucas.
Eron Falbo: [21:16] Que não dá pra explicar. Tipo assim, você tá aqui, você conheceu meu tio, a gente tá aqui fazendo uma live, tipo, o mundo dá umas voltas meio bizarras, assim, tipo, pessoas se encontram, né? As pontas vão se encontrando depois de anos e anos e anos.
José Carlos Guerreiro: [21:33] Eu tenho que contar minha história pra você. Eu fui muito amigo de um paranormal conhecidíssimo, um cara muito conhecido, mas não dá pra você falar as coisas que você passou com o cara. Vou contar uma historinha rapidinho, que o meu filho tá lá dentro. Ele era pequenininho, tinha nascido, e eu levei ele pra casa desse rapaz que se chamava Thomas. Falei: Thomas, tô trazendo aqui o... o meu filho, para você dar uma geralmeza, dar uma... Tudo bem.
Eron Falbo: [22:04] Uma abençoada.
José Carlos Guerreiro: [22:05] É, dar uma abençoada. Aí fomos a uma pizzaria, não deu pra jantar, mas olha a história. Saímos de lá uma hora da manhã. Ele estava com o Landau, foi ele, o Landau, ele sentado com a mulher dele, e o Landau, eu, minha mulher e meu filho no meio. Minha mulher falou assim, na época meu filho tinha nascido em maio, era mais ou menos junho, e tinha muita neblina. Olha, cuidado, tem muita neblina, é assim que gosto. Ele botou a mão, juro por Deus, pelos olhos dos meus filhos, botou as duas mãos na cabeça e o carro foi sozinho até a casa dele, fazia curva, parava. Estou contando para você porque entrei no esquema. Escrevi um livro sobre ele e conheci o Eiffel.
Eron Falbo: [23:02] Thomas o quê? Qual o sobrenome dele?
José Carlos Guerreiro: [23:04] Thomas Green Morton. Foi o cara que descobriu... não foi a penicilina, foi um remédio.
Eron Falbo: [23:16] E você se debruçou dentro desse mundo de ocultismo, de paranormal, essa coisa toda? Você entrou nessas cenas? Você conheceu outras coisas, com o Paulo Coelho, o Alceste, a galera do O.T.O., o Aleister Crowley?
José Carlos Guerreiro: [23:34] Ah, fui conhecer tudo, foi tudo que você pode imaginar, pra conhecer. Até tem uma história muito interessante...
Eron Falbo: [23:43] Mas o que você entrou mais, o que você gostou mais desse mundo?
José Carlos Guerreiro: [23:46] É que com os outros eu não via nada, era só... E com esse cara eu vi tudo, você pode imaginar.
Eron Falbo: [23:57] O Thomas Green Morton inventou a anestesia.
José Carlos Guerreiro: [24:01] Exatamente. Inventou a anestesia.
Eron Falbo: [24:07] Então, mas desculpa, o que você estava falando desse mundo? Com os outros você não via, não participava?
José Carlos Guerreiro: [24:14] Você não via coisa nenhuma. Você ia no Pai de Santo... Eu fui até bem íntimo com ele, porque ele já estava mal, para morrer, lá o mineiro, como é o nome... o famosíssimo lá, ai meu Deus do céu... Fui eu, minha mulher...
Eron Falbo: [24:37] Os Roque e Xavier, qual o nome dele?
José Carlos Guerreiro: [24:40] É, esse aí mesmo. Esse aí. Ele tava assim já pra morrer, então ficamos no quarto dele, batendo papo, eu e minha mulher, com um amigo de Miami e tal. E tem foto dele com a minha mulher e tal, mas... Os caras falavam que o cara ia lá, que o filho morreu, e ele escrevia umas coisas que o cara achava que era aquilo mesmo, que o filho dele estava escrevendo ali.
Eron Falbo: [25:13] Chico Xavier.
José Carlos Guerreiro: [25:15] Chico Xavier, mas não sou testemunha de nada dele. Mas acredito, porque a gente vê essas coisas, o Tomas, coisas que eu vi fantásticas. Mas era tudo espiritismo?
Eron Falbo: [25:30] Era tudo essa onda espiritista do Chico Xavier?
José Carlos Guerreiro: [25:33] Não. O Chico Xavier sim, mas o Tomas não. O Tomas era loucura. Loucura.
Eron Falbo: [25:43] Mas que tipo de loucura? Ele tirava de onde qualquer hora?
José Carlos Guerreiro: [25:45] Assim, você estava sentado num barco, numa turma assim, e daqui a pouco ele... Chegava um cara na mesa e dizia, escuta, vem cá, como é teu nome? Pega a tua carteira, bota em cima da mesa, bota a mão em cima dela. Aí ele fechava assim e fazia assim. Tem uma nota de 20 reais com a série 4, 5, 5, 7, 4, 5, vou ter uma oitava.
Eron Falbo: [26:12] Ah, mas isso tem a ver com médio, né? Os médios são assim.
José Carlos Guerreiro: [26:16] Eu falava tudo que tinha na carteira do cara. Aí você vai começar a falar com o cara, e o cara não acredita. Tá louco, isso não existe. Eu curti o cara há quase 20 anos. Muito amigo meu. Ele agora tá morando na Alemanha, né?
Eron Falbo: [26:35] Você lembra do Harry Houdini, aquele ilusionista? O escritor do Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, ele era espiritista, ele era médio também, ele fazia esse trabalho de adivinhar, e saber sobre as pessoas, sobre pessoas mortas e sobre pessoas vivas, etc. E o Harry Houdini fez um estudo gigantesco para tentar desmascará-lo. Essa história é engraçada porque, na verdade, é que nem você tá falando. As coisas, às vezes, quando tá em público, não vem, não acontece. Aí você viu, você acredita, mas aí, de repente, quando a pessoa não funcionou, é difícil provar.
José Carlos Guerreiro: [27:24] É verdade. Mas sou um cara muito inteligente, muito inteligente, então eu saco. Se o cara senta na mesa aqui assim, tira um negócio, uma nota de dinheiro, faz assim, a nota some, eu... Mágico, você viu as coisas que os mágicos fazem? Sou fã de mágica, sou fã do que os caras fazem. E sou fã daquele... Até conheci o cara que tinha um programa na televisão americana, Tinha um programa na televisão.
Eron Falbo: [27:55] David Copperfield.
José Carlos Guerreiro: [27:56] Não, não no David Copperfield. David Copperfield. Eu fui ver um show dele em Las Vegas. Era um outro que ensinava as mágicas.
Eron Falbo: [28:08] Ah, o Mr. M, não?
José Carlos Guerreiro: [28:10] O Mr. M. Eu conheci ele pessoalmente. Inclusive, eu fui com ele para Las Vegas. Ele queria abrir uma loja Guerreiro em Las Vegas, mas, enfim, não deu certo.
Eron Falbo: [28:24] Mas eu já fiz, só para a gente se colocar na mesma página, eu já fiz rituais ocultistas com a mesma galera do Paulo Coelho e o Hallucinations, que é do Templo e Orientes. Já fiz rituais complexos com 30 pessoas numa sala, todo mundo vestido de preto, invocando demônios e anjos e não sei o quê. E assim, eu já tive experiências bem bizarras de realmente ver seres diferentes, e outras pessoas verem comigo e conversarem com esses seres juntos, esse tipo de coisa. E mesmo assim, mesmo tendo visto assim, eu sou totalmente cético.
José Carlos Guerreiro: [29:05] É, mas você vai conhecer o Thomas. Você vai conhecer o Thomas. Esse cara não tem jeito.
Eron Falbo: [29:16] Mas ele tá vivo ainda, esse Thomas?
José Carlos Guerreiro: [29:17] Tá, tá vivo. Ele mora na Alemanha e ele tem uma casa em Pouso Alegre. Eu tenho até um terreno que eu comprei para o Zaleghi, que ele quer trocar com o terreno dele. Ele me ligou outro dia.
Eron Falbo: [29:30] Vamos chamar ele para fazer uma live, para a gente conversar sobre isso, sobre se ele me convence.
José Carlos Guerreiro: [29:35] Eu fui para Portugal dar uma entrevista para a televisão, porque eles descobriram uma turma lá da televisão em Portugal. Eles foram para o hotel famoso, que eu não estou lembrando o nome, e descobriram que eu era amigo do Thomas. Então, me procuraram para entrar em contato com o Thomas, porque eles queriam que o Thomas fosse para Portugal. Eu não vou, mas ele está 15 mil para ele. Não quero, não quero. Aí, você não quer ir para lá para falar sobre ele? Eu vou. Na televisão, vocês têm que pagar também uma mulher para ele não ficar sozinho. Eu e a Glória fomos para lá. Chegamos, o motorista com a Mercedes, que era o motorista da embaixada brasileira. Fomos para todo aquele lugar. O cara me levava para ver fado, não onde ia turista.
Eron Falbo: [30:32] Você está falando fado no estilo musical, não fada, né?
José Carlos Guerreiro: [30:36] Não, não, fado, fado. Ah, eu curti bastante Portugal. Bacana, legal. Me perdi, onde é que nós estávamos?
Eron Falbo: [30:49] A gente estava em Portugal. Mas você estava falando que estava levando o Thomas Greenmorton para passear. Você falou que ia chamar ele para uma live aqui comigo.
José Carlos Guerreiro: [31:04] Eu fui com ele para o Paraguai. Estava viajando muito. Fomos para Miami. Eu ia muito a Miami. Eu fico com ele em Miami e tal. Só onde tem brasileiro, né?
Eron Falbo: [31:16] Portugal, Miami. É só onde tem brasileiro. Portugal, Paraguai, Miami.
José Carlos Guerreiro: [31:23] Olha, eu não me dou com americano. É mesmo?
Eron Falbo: [31:27] Por que não?
José Carlos Guerreiro: [31:29] Porque eles são diferentes, cara. Você não vai na casa do comando de paz e diz: "Ô, ô, ô, Eron! Você tá aí, ô! Terceiro andar! Eron, é o Guerreiro!" Você não vai disso. Eu sou muito esculhambado, cara, não sou americano. Eu morei lá... Eu tive apartamento nos Estados Unidos, no Oregon, nos Estados Unidos. E, um dia, eu estava em um apartamento, porque eu estava batendo alguma coisa na parede para fazer alguma coisa, e falei para a minha mulher: daqui a cinco minutos vai vir o síndico, o porteiro, reclamar do barulho. Dito e feito. Tem uns porteiros lá.
Eron Falbo: [32:12] É verdade, é que é muito chato mesmo, muito chato.
José Carlos Guerreiro: [32:14] É, você está andando lá na Califórnia com o celularzinho fotografando, vem uns americanos, um garotão de 20 anos, tem uma turma de três, quatro, cinco, aí você está filmando tudo, filma eles, não é? Para! Não dá.
Eron Falbo: [32:32] Eu lembro, morando lá nos Estados Unidos, tipo assim: se eu olhava... "Ah, que menino bonitinho", aí você fazia um belô belô com o neném, aí a mãe falava: "Não ouse encostar no meu filho." Isso era muito normal, era recorrente. Tanto que meu pai ia visitar lá, eu morava em Miami. Meu pai ia visitar e eu falava: "Pai, não mexe com os filhos dos outros."
José Carlos Guerreiro: [32:58] Pega a mão. Então, realmente, eu não tinha. Meus amigos eram todos brasileiros. Tinha uma turma lá boa para caramba. Depois, a turma se desfez toda, porque era tudo contrabandista. Era tudo contrabandista.
Eron Falbo: [33:16] Mas faz sentido maior no Paraguai. Agora...
José Carlos Guerreiro: [33:24] Vou contar um pouquinho de como foi a minha vida também, ficar com o cara famoso, o Guerreiro famoso das joias. Foi com o Walter Mancini, que vamos fazer uma joia, comecei a fazer, e a garotada, naquela época, o homem não usava anel, pulseira, não. Então, nasceu uma linha de coisa assim, e abri loja no shopping, abri loja na Rua Augusta, abri loja com o Luiz Gustavo, um cara famoso. Depois abri o Mini Paris, que foi muito legal, porque a loja em cima tinha um apartamento com três quartos, então a gente não precisava ficar em hotel. Depois fomos para Saint-Tropez. Saint-Tropez é uma maravilha. Nossa Senhora! Muito bom! Saint-Tropez é uma coisa maravilhosa. E a minha loja tinha uma localização que era incrível. Você estava numa rua assim e lá no fundo você via a Guerreiro, aquela loja lá. E era bem pertinho. Você conhece Saint-Tropez?
Eron Falbo: [34:34] Eu já fui quando era pequeno, não vou lembrar as localizações. Mas a sua loja era lá em Saint-Tropez?
José Carlos Guerreiro: [34:44] A loja era em Saint-Tropez. Tinha uma rua assim, meia quadra da... Onde era o passeio que ficavam os iates e os bares?
Eron Falbo: [34:58] É, mas é tudo igual, né? Mônaco, essas coisas, tudo...
José Carlos Guerreiro: [35:01] É. Não, Mônaco também, tive Mônaco.
Eron Falbo: [35:04] Você teve loja em Mônaco também?
José Carlos Guerreiro: [35:06] Em Mônaco? Não.
Eron Falbo: [35:07] Era de alto luxo.
José Carlos Guerreiro: [35:09] É, em Mônaco eu não tive loja, mas o meu genro... Ah, você esteve lá! O meu genro tinha uma Ferrari lá, então nós fomos pra Mônaco pra ele pegar a Ferrari, que ficava guardada lá, alguma coisa assim. Aí, pra São Tropez, depois de viajar a Botafogo, eu nunca pedia pra dirigir. E ele ficava puto comigo. Ele falou assim: "Porra, por que que você não dirige? Quer dirigir?" "Ah, não gosto de dirigir carro, porra." Chato.
Eron Falbo: [35:41] Eu também não tenho a mínima vontade.
José Carlos Guerreiro: [35:43] Eu gosto de... Sabe o que eu gosto? Eu gosto daqueles carros de lá, de 55, da época.
Eron Falbo: [35:48] Eu também, porra.
José Carlos Guerreiro: [35:49] Eu gosto de ficar na rua, dirigindo.
Eron Falbo: [35:50] De Rolls-Royce.
José Carlos Guerreiro: [35:51] Porra. Fica aqui, porra, fica lá. Você mesmo não gosta de trocar.
Eron Falbo: [35:55] Eu já gosto.
José Carlos Guerreiro: [35:56] É. Delícia. Nós somos dois loucos. Ah, meu Deus do céu. E aí realmente eu fiz muito sucesso com as joias.
Eron Falbo: [36:09] Que maravilha! E você abriu lojas em que outros lugares?
José Carlos Guerreiro: [36:16] Eu abri no Shopping Iguatemi. Tem duas lojas lá no Shopping Iguatemi.
Eron Falbo: [36:20] Ainda tem? Ainda tá lá?
José Carlos Guerreiro: [36:22] Tá lá. Nós temos, no Shopping Cidade Jardim. Eu lembro. Eu lembro das lojas. Ah, você conheceu a loja minha? Sim, sim. Então você manja mais ou menos as coisas. Sim, sim. Eu até botei no braço uns anéis. Ah, que legal.
Eron Falbo: [36:45] Poxa, eu vou dar uma olhada e vou te pedir alguma coisa customizável. Eu também uso aqui, ó, um anel. Comprei em Jerusalém, numa loja lá.
José Carlos Guerreiro: [36:56] E naquela época, ninguém usava, a Uber não usava. Ficou um sucesso terrível, minhas joias. E ele nem era fogo.
Eron Falbo: [37:09] Que maravilha, Guerreiro.
José Carlos Guerreiro: [37:11] E agora tenho uma filha de 60 anos, agora médica. A outra tem 50 e poucos. Aqui em casa tenho dois filhos com 34, 35 anos. Caramba! Tenho uma filha de 40, casada, morava em Nova Iorque, e agora vieram para cá, mudaram para cá. E eu tenho uma sobrinha, filha deles, que é americana, nasceu lá. Minha filha foi barriguda para lá, escondida no avião, e teve que ficar uns três meses para a menina, sei lá, dar o golpe.
Eron Falbo: [37:56] Isso era clássico antigamente. Mas me conta sobre a evolução. As joias continuam bem? Você tem feito o quê nos últimos anos de novidade?
José Carlos Guerreiro: [38:11] Esse último ano, aproximado dessa pandemia, essa loucura aí, nós fechamos os lojas, fechamos o Shopping Iguatemi e tal. E o meu escritório na Faria Lima, quatro, três andares. Dispensamos as pessoas, pagamos a grana para os caras. Bem, agora daqui a pouco vamos voltar, só tem que não voltar lá nunca. E agora estão funcionando os escritórios, e as lojas abrem até, sei lá, oito horas de jogo no Shopping Iguatemi, mas não vendem como era antes.
Eron Falbo: [38:51] Claro, mas vão voltar, se você quiser.
José Carlos Guerreiro: [38:53] Ah, vão voltar. Tem certeza. E a gente está vendendo muito agora pela internet.
Eron Falbo: [39:02] E você continua cantando ou não?
José Carlos Guerreiro: [39:05] Não, porque eu cantei dez anos num lugar. A filha do dono do Banco Real, ela tinha ali, perto do Hotel Fasano, um barzinho. Eu cantei dez anos lá. Que eu não consigo lembrar o nome, porque eu peguei essa pandemia aí, e a minha cabeça, ela bloqueia.
Eron Falbo: [39:33] Do Fazendo o quê? De São Paulo?
José Carlos Guerreiro: [39:35] Como é que é?
Eron Falbo: [39:36] Do Fazendo de São Paulo?
José Carlos Guerreiro: [39:38] Fazendo de São Paulo, na ruazinha do Fazendo de São Paulo. Logo tinha um barzinho muito chique. Eu cantei dez anos lá.
Eron Falbo: [39:48] Tô tentando lembrar.
José Carlos Guerreiro: [39:49] Não consigo lembrar o nome.
Eron Falbo: [39:50] Era Blue Note, talvez?
José Carlos Guerreiro: [39:52] Não, não, não. Blue Note foi há pouco tempo que fizeram. Fizeram no Rio, não sei se deu certo. Fizeram em São Paulo, depois acho que fechou. Estava... não sei... lá. E cantei no Fazendo também, numa época, numa temporada muito gostosa.
Eron Falbo: [40:10] Mas hoje em dia você parou, não está mais...
José Carlos Guerreiro: [40:13] Parei porque não tem mais. Você não pode fazer show em lugar nenhum.
Eron Falbo: [40:16] Não, mas eu estou falando da pandemia. Antes da pandemia, você ainda estava cantando?
José Carlos Guerreiro: [40:22] Estava cantando. Estava direto.
Eron Falbo: [40:25] Ah, depois você vai continuar, então?
José Carlos Guerreiro: [40:27] Depois eu vou continuar, mas eu canto o Sinatra, né? Fantástico. E o Rock Pram, tem um amigo meu que é médico e tem uma banda de Beatles. Agora ele vai fazer um show terça-feira aqui em São Paulo. Ele sempre me chama pra cantar lá, né? Aí eu canto os Rock e canto os Sinatras também. Porque os caras não conhecem, né? Você pega o músico desse brinco, dos Beatles...
Eron Falbo: [40:59] Não sabem tocar Sinatra, não.
José Carlos Guerreiro: [41:00] Você fala o nome da música, eles não sabem a música.
Eron Falbo: [41:05] Mas é muito mais difícil, né? Beatles é 10 vezes mais fácil que Sinatra.
José Carlos Guerreiro: [41:10] Não sei se é mais fácil, mas é que tocava muito.
Eron Falbo: [41:13] Em termos musicais, é. Eu tinha uma banda de Beatles, que tocava Beatles também. E a gente não conseguia tocar Sinatra de jeito nenhum.
José Carlos Guerreiro: [41:21] Eu adoro Beatles.
Eron Falbo: [41:25] Eu só tocava Beatles porque eu não era bom músico o suficiente para tocar Sinatra. Se eu fosse, eu tocaria Sinatra.
José Carlos Guerreiro: [41:33] Você gosta de Sinatra, de músicos? Não é só Sinatra, eu falo Sinatra porque é um...
Eron Falbo: [41:38] Não, é Nat King Cole, né?
José Carlos Guerreiro: [41:40] Santos Santos, Billy June, Nat King Cole, Tony Bennett, nossa!
Eron Falbo: [41:44] O meu favorito é Nat King Cole, na verdade.
José Carlos Guerreiro: [41:46] Nat King Cole. Kim Foster, infelizmente.
Eron Falbo: [41:49] Dessa galera aí. Ou até Louis Armstrong, gosto muito dele.
José Carlos Guerreiro: [41:54] Você sabe que eu estou segurando o trocinho até agora, né?
Eron Falbo: [41:59] Ah, você tá segurando?
José Carlos Guerreiro: [42:00] Eu tô segurando porque ele tinha um tripezinho, mas o tripé tava deitado. Aí eu botei o apoio da minha mão aqui.
Eron Falbo: [42:10] Nossa.
José Carlos Guerreiro: [42:11] E tô segurando. Tem uma coisa escrita aqui em cima? Aí tá aparecendo?
Eron Falbo: [42:18] Tá.
José Carlos Guerreiro: [42:19] Tá?
Eron Falbo: [42:19] Não, esse aí é o chat. Você tá falando do pessoal falando alguma coisa? Não.
José Carlos Guerreiro: [42:25] Não, não, não.
Eron Falbo: [42:28] É em cima?
José Carlos Guerreiro: [42:29] O chat é embaixo, né?
Eron Falbo: [42:30] Em cima é... Ah, tá em cima?
José Carlos Guerreiro: [42:32] É um calendário.
Eron Falbo: [42:32] Ah, em cima é só... É umas informaçõezinhas aí?
José Carlos Guerreiro: [42:35] É. Aí eu fui mexer nesse negócio aí... e meu negócio saiu.
Eron Falbo: [42:42] Ah, entendi. Daquela hora que congelou.
José Carlos Guerreiro: [42:44] Puxa mais um negócio aí. Puxa mais um pouco, que que horas são?
Eron Falbo: [42:49] Já... A gente tem mais uns dez minutos.
José Carlos Guerreiro: [42:53] Dez minutos. Então peraí, peraí. Tanta coisa.
Eron Falbo: [42:58] Só tem 10 minutos. Puxa uma história muito legal, vamos dizer. Eu vou tentar te ajudar a escolher uma, vamos dizer.
José Carlos Guerreiro: [43:09] Fala.
Eron Falbo: [43:12] Diga.
José Carlos Guerreiro: [43:13] Eu morava em Ipanema. Ipanema tinha uns bares ricos, você ia e encontrava com o Tom, com aqueles caras todos da Bossa Nova, você encontrava com os caras. E eu não conhecia ela. Não passava, mas não falava com ela. Aí um cara, um gringo, parou na praia e falou assim: escuta, você quer fazer um filme mexicano? Tudo bem, vamos. Marcou comigo, pegamos a lancha da Manchete e fomos lá para a Ilha do Governador. Ia se rodar na Ilha do Governador. Aí os caras me pegaram e queriam que eu fosse ser garçom. Falei: bom, vamos lá, vou ser garçom. Falaram: você está louco, meu irmão? Ele vai ser namorado da Leila Diniz. Aí eu fui ser namorado da Leila Diniz. Olha que legal, fazer o papel de namorado da Leila Diniz. Eles tinham um iate e eu ficava, eu era o tomador de conta do iate.
Eron Falbo: [44:20] E tinha fala? Você tinha fala?
José Carlos Guerreiro: [44:24] Tinha fala, mas era um negócio... Quando acabava a filmagem, a gente voltava para o Rio, e eu tinha um Dauphine azul, e eu dava carona para a Leila, levava a Leila para Copacabana, para a casa dela. Mas a minha vida era tão louca que nem cantar ela eu lembro, cara.
Eron Falbo: [44:46] Você não lembrou?
José Carlos Guerreiro: [44:50] Não, a vida era uma loucura. Você não tem ideia do que é.
Eron Falbo: [44:55] Mas como é que era sua vida? Você fala tanto que sua vida era tão louca. Explica isso.
José Carlos Guerreiro: [44:59] Eu era um louco de alta sacanagem. Mulher. Eu era solteiro, cara. Eu era um cara bonito, né? Eu já tô com 82 anos, pô.
Eron Falbo: [45:14] E que dica você dá para as pessoas que estão escutando aí? Os jovens que querem curtir a vida. Manusear a mulher...
José Carlos Guerreiro: [45:24] Mas hoje é muito diferente de antigamente. Muito diferente. Naquela época, ninguém tinha carro, era uma loucura. Eu comprei um DKW, imagina. Olha que loucura. Eu comprei um DKW e trabalhava no Banco do Brasil. E o dinheiro que eu ganhava fazendo os retratos, às vezes, não dava para eu ir nas boates. Então, o que eu fiz? Botei o DKW na praça e rodava com o carro de noite. Jantava na casa da minha irmã, que era em Ipanema, jantava, depois pegava o DKW, ia até Copacabana, ia até uma, duas horas da manhã, voltava para casa e fazia um dinheirinho. Eu comprei um apartamento e dirigia um táxi, porque era diferente naquela época. Juro por Deus, era diferente. Não tinha tanto táxi como tem hoje. Era mais difícil. Por isso que eles estão tentando atacar.
Eron Falbo: [46:20] A Uber hoje em dia, porque a galera da velha guarda comprou bastante.
José Carlos Guerreiro: [46:25] Então tem umas coisas que tem hoje que antigamente não tinha, mas antes era um negócio tão bacana, como eram os anos 50, 60, que não dá para falar, não dá para contar como era. Os prédios não tinham grade, aquela coisa do prédio, só as grades.
Eron Falbo: [46:44] E como é que a gente chega nisso de novo? Como é que a gente melhora o mundo? Você estava falando assim que o mundo deu uma decaída, né? Mas na sua opinião, você que tem experiência, já viveu de tudo, o que a gente faz?
José Carlos Guerreiro: [46:55] Eu acho que não dá pra fazer nada, o mundo tá tão difícil.
Eron Falbo: [46:59] Não tem esperança?
José Carlos Guerreiro: [47:01] Totalmente diferente mesmo.
Eron Falbo: [47:05] Será que a gente vende pra China? Porque parece que é o que tá acontecendo.
José Carlos Guerreiro: [47:12] Será que a gente vende o resto do mundo? Eu me lembro dos anos 1950, eu sempre gostei muito de ler, li muito. E eu li uns livros sobre a China, assim, fulano que foi visitar a China e tal. O cara descia do hotel e de manhã tinha negro morto na rua, morreu. Na rua, morreu. Miséria, miséria. A China era uma miséria, 1950. Hoje, quando você vê umas cenas da China, umas coisas, todo mundo... Você não acredita.
Eron Falbo: [47:49] Gostoso.
José Carlos Guerreiro: [47:50] Como é que eles conseguiram mudar e fazer aquilo tudo. Aquela coisa... É diferente. Agora, é um regime duro, não é moleza.
Eron Falbo: [48:03] Não recomendo para o Ocidente.
José Carlos Guerreiro: [48:07] Não, é diferente. Para a gente, tem que ser essa bagunça mesmo. Aqui não vai deixar de ser bagunça nunca, não tem jeito. Você viu agora os caras todos com o nego morrendo... Você gosta de ver televisão? Jornal?
Eron Falbo: [48:25] Não, obrigado.
José Carlos Guerreiro: [48:26] Você não vê? Não verão? Não vê?
Eron Falbo: [48:29] Não vejo nada, não vejo nada, não.
José Carlos Guerreiro: [48:31] Vejo nada, nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, não vejo nada, vejo nada, não vejo nada, ve dançando, pulando, e a polícia jogando gás em cima deles, e os negros morrendo.
Eron Falbo: [48:47] É loucura, é loucura.
José Carlos Guerreiro: [48:49] Você não lê mesmo, não? Não lê?
Eron Falbo: [48:51] Não, eu leio, eu leio bastante. É muito diferente. Eu me mantenho enterrado na notícia. Não assisto televisão, não tenho televisão. Assisto filme, Netflix, essas coisas. E escuto podcast pra ouvir notícia, que é tipo rádio.
José Carlos Guerreiro: [49:12] Ah, tá. É, isso é legal. Você pega...
Eron Falbo: [49:15] Eu entro na UOL... Fico enterrado nas notícias.
José Carlos Guerreiro: [49:17] De manhã eu entro na UOL, aí já vem toda aquela notícia. O Bolsonaro, não sei o quê, então fica sabendo de tudo. Tem que saber, senão vou ser totalmente ignorante, né?
Eron Falbo: [49:31] Mas eu não confio muito na UOL, nessas coisas, não. É porque hoje em dia tem muita fonte de notícias. Essas coisas são um pouco mais casadas. São casadas com indústrias, com ideologias, partidos políticos, etc.
José Carlos Guerreiro: [49:51] Mas também se você sair fora disso, você fica alienado completamente.
Eron Falbo: [49:56] É, mas eu não saio completamente, não, eu só tento filtrar um pouquinho.
José Carlos Guerreiro: [50:02] É, mas você pode filtrar, ou então achar que essa notícia está meio esquisita. Pode. Você pega, por exemplo... Comprei um livro agora, 'O Capitão e o Exército', é sobre o Bolsonaro, a vida dele no exército. Se você vê, não acredita nas coisas que esse cara fez. Aí você vê na televisão falando: não vou tomar vacina, não sei o quê. É meio esculhambado o negócio.
Eron Falbo: [50:41] Mas, enfim. Sei lá, acho que a gente não tem tempo suficiente pra falar do Bolsonaro agora.
José Carlos Guerreiro: [50:49] Ah não, tu vai arranjar inimigo, né? Eu tenho uns amigos inimigos que a gente morre de rir. Todo dia eu mando umas coisas pra ele, ele manda pra mim. Eu falo: 'cara, como é que você pode ser tão burro de acreditar nessas coisas?' Que é boa: eu não vou tomar vacina, minha mulher não vai tomar vacina, meus pais não vão tomar vacina.
Eron Falbo: [51:13] Pelo menos vocês não se cancelam, porque a nossa geração não continua se falando, não. Tipo assim: se um pensa uma coisa e o outro pensa outra, eles param de se falar pro resto da vida.
José Carlos Guerreiro: [51:24] É verdade.
Eron Falbo: [51:24] Vocês continuam amigos.
José Carlos Guerreiro: [51:25] Não, eles continuam amigos. E tem muitos, muitos assim, caras famosos, até famosos aí, cantores famosos que... Um deles...
Eron Falbo: [51:35] Não quer falar um não, só para expor?
José Carlos Guerreiro: [51:37] Não. O Ronnie Vaughn.
Eron Falbo: [51:41] O Ronnie Vaughn é a cara dele. Ele é meio bolsonarista.
José Carlos Guerreiro: [51:46] Eu fiz três shows com ele. Um cara hiper simpático. Cantei no programa dele.
Eron Falbo: [51:53] Mas faz sentido. O Ronnie Vaughn é piloto de avião. Ele é conservador.
José Carlos Guerreiro: [51:58] É conservador.
Eron Falbo: [52:00] E aí ele mandou para nós... Silvia, 20 horas domingo. Lembra?
José Carlos Guerreiro: [52:06] É? Como é que é?
Eron Falbo: [52:08] Eu cantei a música do Ronnie Vaughn. Silvia, 20 horas domingo.
José Carlos Guerreiro: [52:13] E eu adoro ele. Então, de vez em quando eu pego ele no WhatsApp, no Instagram, aí eu falo: pô, Ronnie, o que aconteceu com você que você não me dá resposta? E o Paulo Ricardo também. Paulo Ricardo, simplesmente...
Eron Falbo: [52:34] Ele te cancelou?
José Carlos Guerreiro: [52:36] Cancelou. Vinha na minha loja, usava coisa minha e tal. Ele deixou de falar comigo.
Eron Falbo: [52:41] Mas ele te cancelou porque você não é bolsonarista?
José Carlos Guerreiro: [52:45] Não, não sei por quê. Não tenho ideia.
Eron Falbo: [52:49] Mas você é petista.
José Carlos Guerreiro: [52:51] Mas eu sei que ele é da direita, né, o Paulo Ricardo.
Eron Falbo: [52:55] Mas você acredita no outro lado ou você só não acredita no Bolsonaro?
José Carlos Guerreiro: [53:00] Você acredita no PT? Acredito, que é o único parceiro popular que existe, né? Não tem outro parceiro. Ah, entendi.
Eron Falbo: [53:10] Vai, faz nesse sentido. Não, porque realmente são boas férias, que é uma coisa de edificação.
José Carlos Guerreiro: [53:15] É, você vai conhecer... Conheço várias pessoas. Fernando Henrique... Eu ia até contar umas coisas aqui malucas. Não vou contar, Fernando Henrique. É que eu tenho intimidade com ele, tá? Sei lá, esse Dória, por exemplo. Conheço o cara, conheço a mulher dele. Mas não dá. É outro estilo, né? É outro tipo.
Eron Falbo: [53:44] O pai dele era muito amigo do meu tio. Também já fui lá na casa dele.
José Carlos Guerreiro: [53:51] E ele agora brigou com o Bolsonaro. Está muito engraçado. Aliás, tem uma porrada de caras que era...
Eron Falbo: [54:01] Mas quando que a política brasileira não foi engraçada? Sempre foi um show de horrores. Zorra Total nunca foi tão engraçada quanto a política brasileira. Bom, exceto na época do Império.
José Carlos Guerreiro: [54:15] Eu sei bastante, vi muito sobre isso. Era uma época horrorosa de escravidão, coisa de dar nojo. Mas enfim, é isso aí. Mas vamos marcar outra hora aí pra gente puxar um papo.
Eron Falbo: [54:34] Com certeza, vamos se conhecer pessoalmente. Acabou nosso horário.
José Carlos Guerreiro: [54:39] Nosso papo ficou muito louco, hein?
Eron Falbo: [54:40] Mas é, Guerreiro, deixa eu só te explicar: o nosso programa é isso aqui mesmo. O que as pessoas querem ouvir é a galera falando abertamente o que pensa. E é isso aí, vai pra lá, vai pra cá.
José Carlos Guerreiro: [54:55] Faz uma curva. É isso aí.
Eron Falbo: [54:59] Entendeu? Mas eu queria te agradecer muito, de coração, a sua presença aqui. Me honro muito você ter aceitado o convite.
José Carlos Guerreiro: [55:06] Foi hiperlegal, cara. Foi muito gostoso. Muito gostoso.
Eron Falbo: [55:11] Vamos tomar um uísque junto a qualquer momento.
José Carlos Guerreiro: [55:13] Vamos. Quando você vinha a São Paulo?
Eron Falbo: [55:16] Antes do apocalipse, eu vinha. Mas a gente pode cantar junto, a gente canta Sinatra. Cantar eu sei, Sinatra eu não sei tocar, mas cantar eu canto.
José Carlos Guerreiro: [55:29] A gente arruma um pianista. Você vê o piano que eu tenho aqui na minha sala? Aqui eu faço.
Eron Falbo: [55:36] Aqui tem filho que canta.
José Carlos Guerreiro: [55:38] Não toco, mas eu tenho uns caras que são terríveis no piano.
Eron Falbo: [55:42] É isso, Guerreiro, muito obrigado. Abração pra você, abração pra todo mundo aí da sua família. Obrigado por participar e a gente se vê em breve.
José Carlos Guerreiro: [55:51] E um abraço para todos que ouviram essas barbaridades que eu falei. Foi muito bom. Sensacional.
Eron Falbo: [55:59] Valeu, valeu. Um abração. Tchau, tchau. Tudo de bom.
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