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#61 Business com folia

com Alexis De Vaulx · 15 de fev de 2021

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura e apresentação de Alexi Duvaux (0:00)

Eron Falbo: [0:05] Sejam bem-vindos. Você entrou no Alvo. Eu sou o Eron Falbo e estamos aqui com Alexis De Vaulx. Alexis é um empresário executivo da Incentivo Brasil e produtor de eventos. Então, junte-se a nós, sente-se ao redor dessa fogueira linda e vamos ouvir as palavras desse nobre e poderoso cavaleiro, Alexis De Vaulx. Muito obrigado por aceitar o convite e seja muito bem-vindo ao nosso programa. Eu vi as coisas boas de você, dos nossos amigos em comum que a gente tem aqui no Rio de Janeiro. Você está há quanto tempo aqui no Rio?

Trajetória pelo Brasil e história da Tokstok (0:36)

Alexis De Vaulx: [0:45] Então, o Rio faz uns 15 anos já, tendo morado em São Paulo, Campinas, Porto Alegre, Recife, Salvador. Eu conheço bem o nosso Brasil, que eu tanto amo, devido a... E você.

Eron Falbo: [1:02] Já morou em outro lugar sem ser o Brasil, não?

Alexis De Vaulx: [1:06] Devido ao primeiro emprego, que foi a Tok&Stok.

Eron Falbo: [1:10] Sim, sim, eu vi nas suas entrevistas. A sua irmã foi a fundadora do Tok&Stok?

Alexis De Vaulx: [1:16] Foram 30 anos à frente das lojas, na área comercial, e até vender a um grupo estrangeiro em 2012.

Eron Falbo: [1:33] Vocês venderam para a Carlyle, igual a CVC?

Alexis De Vaulx: [1:39] Isso, que é o grupo Carlyle que vendeu também para a CVC.

Eron Falbo: [1:44] Eu lembro dessa época. Bons tempos, Guilherme Paulos.

Alexis De Vaulx: [1:51] Meu termo não é mais o mesmo do tempo da Tok&Stok. Meu termo agora é sem brilho. Nós estamos em pleno carnaval, hoje é segunda-feira, segundo dia dos desfiles do grupo especial, e obviamente um afeto no coração com a Sapucaí sem barulho, sem desfile, e dezenas de trabalhadores, centenas de trabalhadores parados. Uma situação bastante difícil para todos.

Eron Falbo: [2:26] Lá fora aqui estão tocando o samba. Não sei se dá para ouvir aqui, mas eu fiquei ouvindo o dia inteiro.

Alexis De Vaulx: [2:34] Quando eu ia entrar no teu programa, eu estava com o samba, porque eu estou fazendo um carnaval em casa, para não perder o costume. Então, vestei um cubo e tinha um samba. Mas como a nossa conexão demorou, você acabou não vindo, mas eu tinha preparado um samba.

Eron Falbo: [2:55] Poxa! Eu perdi?

Alexis De Vaulx: [2:57] É?

Eron Falbo: [2:59] Eu perdi o samba?

Alexis De Vaulx: [3:01] Aí você perdeu o samba, mas enfim. Agora eu preparei outra coisa pra você. Eu preparei um vinho pra gente poder brindar.

Eron Falbo: [3:09] Toma aqui. Isso.

Alexis De Vaulx: [3:12] Vamos tomar um Merlot hoje.

Eron Falbo: [3:14] Tá ali.

Alexis De Vaulx: [3:15] Para brindar a vida. Nós temos que manter as esperanças, ter o pensamento sempre positivo, se precaver. Nada de festa nesse momento, ficar em casa, sair na rua com máscaras e ter a esperança de que tudo vai passar, que a vacina já está andando e que vamos passar por esse momento muito difícil e ter um grande 2022 que nos espera à frente.

Eron Falbo: [3:47] Amém. Tamo junto. Lehaim. E aí, Alexis, então agora, esse ano foi o primeiro ano... desde quantos anos? 15 anos que você falou que tá aqui. Primeiro ano que você não tá fazendo carnaval, que você não tá fazendo o seu camarote.

Origem do camarote na Sapucaí (3:52)

Alexis De Vaulx: [4:08] Então, na realidade, em 2008, não, em 2007, anunciaram o Ano da França no Brasil, e aí em 2009 eu quis fazer um projeto contributivo, e inventei de fazer um desfile sobre a França na Marquês de Sapucaí. Então, procurei o Jaider, da Grande Rio, que eu já conhecia, que já tinha me chamado para a escola, gentilmente, na diretoria da escola, desfilando já há uns 4, 5 anos com a Grande Rio. Jaider Soares, que eu conheci dentro da Tokstok, comprando móveis. E fui procurar e, então, juntei grandes empresas francesas, e fizemos o Ano da França com o Brasil, na Sapucaí, e trouxemos o Moulin Rouge, o Moulin Rouge de Paris. Naquela ocasião...

Eron Falbo: [5:04] Eu ia te perguntar, e você dançando no Sambódromo, você desfila mesmo? Você vai lá e... Como é que é a sua dança?

Alexis De Vaulx: [5:12] Ah, francês não tem pena de samba, não. Eu tiro o dedinho e olha lá. Mas dá pra desfilar isso aí, francês, não tem samba no pé, não.

Eron Falbo: [5:25] Não tem esperança.

Alexis De Vaulx: [5:26] Até hoje, mas eu sou apaixonado pela cultura popular brasileira, defendo, acho que ela é muito sacrificada, ela não tem a exposição que ela merece e sempre que eu posso, eu trabalho nesse sentido, sou apaixonado por paredes, sou apaixonado pelas festas juninas, sou apaixonado pelo Carnaval do Rio. Tanto é que estou agora trabalhando num projeto junto à França de levar o nosso Carnaval para lá. Mas, voltando, teve o Desfile da Grande Rio e um camarote onde os empresários foram para poder assistir a Grande Rio. E aí eu percebi, naquele ano, que esses empresários todos estavam recebendo clientes no camarote da Grande Rio. Aquele ano foi um grande sucesso. Fizemos um belíssimo desfile. E, no ano seguinte, junto com a Câmara de Comércio França-Brasil, a Câmara me sugeriu e os empresários de fazer um camarote. Mas eu não tinha experiência, nem expertise. Eu tinha terminado o meu projeto, tinha as lojas da Tokstok, mas insistiram tanto que fui encontrar o Rio Samba e Carnaval, famoso na avenida, e comprei um espaço. A Rio Samba e Carnaval fez o primeiro camarote em 2010, Espaço França-Brasil. 600 pessoas, divididas pelas noites dos desfiles. E aí começou um camarote de business.

Eron Falbo: [7:09] E você organizava tudo? Você era sempre o mestre de cerimônias, a pessoa que botava tudo para rodar?

Alexis De Vaulx: [7:18] Não entendi.

Eron Falbo: [7:19] Você que organizava tudo do camarote?

Alexis De Vaulx: [7:22] Sim. Na realidade, em 2010, a Rio Samba e Carnaval fez toda a minha operação e eu trouxe os clientes, as empresas, acompanhei o layout do camarote, obviamente, mas eles que fizeram a operação.

Eron Falbo: [7:40] Uma curiosidade minha é como é que você compõe os convidados? Deve ter sido diferente, mas, no geral, em média, como é que você fazia? Quem chamar? Como compor o ambiente para ficar agradável para todos?

Como funciona o camarote de negócios (7:47)

Alexis De Vaulx: [8:03] Nós temos cinco dias de evento. E uma característica absolutamente genial: é o único evento no mundo que tem oito horas de duração. Começa às nove da noite, termina às seis da manhã. Então, se comparado a um Roland Garros, uma Fórmula 1, ou até uma Copa do Mundo, onde as empresas levam seus clientes para relacionamento, nós temos na mão oito horas para estar com o nosso cliente. Então, favorece os negócios. Em Roland Garros, você fica quietinho assistindo o jogo. Você que é jogador de tênis, eu sei. Você não fala com o seu cliente. Agora, imagina no camarote, na Sapucaí: você tem oito horas.

Eron Falbo: [8:52] E ainda está bebendo, todo mundo bebendo, levantando o dedinho, aí fica mais propício.

Alexis De Vaulx: [8:58] O dedinho e as outras comunidades, de uma forma geral, de outros países, também levantando o dedinho, e os empresários brasileiros já se ensaiando com passe de samba dentro do camarote. Mas isso é fenomenal. Então, nos cinco dias, a gente consegue dissociar os dois primeiros dias do grupo de acesso para o RH das empresas, campanha de incentivo. E aí eu vendo isso para o ano inteiro, para que a empresa beneficie seu melhor funcionário, o funcionário que mais se destacou no ano. A gente trabalha isso no sábado, porque na sexta-feira a gente abre o camarote ao carioca como ação social. Depois da ação social e do marketing junto com os funcionários, nós temos domingo e segunda. Aí é puro relacionamento e business. É a empresa com seus clientes. E o Sábado das Campeãs também.

Eron Falbo: [9:56] E aí é a empresa com seus clientes? Uma empresa ganha um certo número de convites e convida seus clientes e executivos, é isso?

Alexis De Vaulx: [10:05] Na realidade, as empresas compram cotas de convite exatamente para depois distribuir, mas também elas compram ativações, inúmeras ativações, vai desde vans plotadas, as vans que transportam os clientes, logomarca em camisas, logomarca no interior do camarote, ativações a nível de espaço, espaço da beleza, espaço da massagem. Tem uma série de ativações, painel central, painel de LED. Então, nós temos aí também ativação de marca que funciona muito bem.

Eron Falbo: [10:46] E no geral, fica um bando de homens de cabelo branco ou tem umas mulheres bonitas também? Como é que funcionam os convites?

Alexis De Vaulx: [10:55] Bem, o meu público é empresário, não é um camarote de festa, não é um camarote de...

Eron Falbo: [11:03] É business mesmo? Fica um ambiente mais sério?

Alexis De Vaulx: [11:07] Fica um ambiente sobretudo confortável demais, porque é mil metros quadrados para 400 pessoas por noite. Você imagina, então ninguém se esbarra, não tem fila para banheiro, não tem fila para poder jantar, é uma tranquilidade só, exatamente porque existe dentro do camarote empresários brasileiros e empresas europeus, chineses, americanos, hoje em dia se estendeu a outros países. E esse público que vem de fora, que é chamado pelas empresas, que chamam as matrizes deles, eles gostam de conforto. Então, eu sou obrigado a manter um conforto. E o meu público começa com 40, 45 e vai até 80 anos. Mas eu não tenho, não. Eu não tenho balada, eu não tenho DJ.

Eron Falbo: [11:57] Eu tenho 35 anos e ainda não estou convidado. Tenho que esperar um tempinho aí para passar do cut-off point.

Alexis De Vaulx: [12:10] Você tem o quê?

Eron Falbo: [12:11] Eu tenho 35, eu não tô convidado então.

Alexis De Vaulx: [12:14] Ah, mas se você quer business, conforto e qualidade... Valeu, muito obrigado.

Eron Falbo: [12:23] Você sabe que eu não sei se te falaram, mas eu sou no mercado financeiro, então estou acostumado a ir em muitos desses coquetéis e coisas de networking. Eu também organizo alguns, não do seu nível, não no maior evento do mundo, mas em alguns eventos menores eu já organizei alguns coquetéis. Então eu sei bem como é essa coisa de saber quem chamar e quem botar junto. É uma arte, né?

Alexis De Vaulx: [12:53] É uma arte. E é um trabalho que levava seis meses, praticamente, para poder estar prestando todos os trabalhos necessários para que nasça o espaço com o champanhe francês. O único camarote da Sapuca aí, que seria o champanhe francês, para mostrar exatamente a qualidade que nós proporcionamos para esses empresários e o conforto que tem nesse espaço, que fica no Sétor 5 Especial, Camarote Mais Brasil.

Eron Falbo: [13:25] E ele é um dos maiores ou maior? Como é que é em termos que eu não conheço? Eu confesso que eu sou totalmente ignorante com Carnaval. Acho que fui uma vez ou outra. Eu morei muito tempo fora do Brasil. Sapuca, eu acho que eu nunca fui, não, na verdade. Acho que eu fui só em Salvador.

Alexis De Vaulx: [13:45] Olha, as nossas empresas compram e não se preocupam com mais nada, porque a gente vai até buscar os clientes das empresas nos aeroportos. Nós reservamos os hotéis da cidade, da Orla, de Copacabana, principalmente. Nós temos um hotel em especial, é super parceiro com o Fermão, mas os outros hotéis também trabalhamos com reserva, dependendo da demanda dos clientes. Então, a partir daí, o cliente se credencia para o camarote, depois pegamos nos hotéis e levamos na porta do camarote, então não tem preocupação nenhuma, já veste a camisa, já tem um receptivo da cultura popular brasileira, das passistas, recebendo os clientes na porta do camarote, com mini-show na própria porta do camarote. Taça de champanhe de boas-vindas, e aí eu desfruto a noite inteira de todos os serviços que a gente proporciona, desde salão de beleza, salão de massagem, experiências virtuais. Esse ano tinha um cacime que muito deu o que falar na imprensa, porque...

Experiência completa dos convidados no camarote (13:46)

Eron Falbo: [14:54] Ah, conta sobre essa história que o pessoal do... Que a polícia apareceu na quarta-feira.

Alexis De Vaulx: [15:00] Exatamente. Tivemos um cliente inesperado, que foi a Polícia Federal, mas ela fez o trabalho dela. Ela recebeu uma denúncia de que estávamos usando dinheiro no cassino. Obviamente, isso não era verdade. Isso foi algum invejoso. Tivemos um cassino de Las Vegas de 400 metros quadrados, onde as pessoas brincavam junto a 18 croupiers dos blackjack, craps, roulette, pôquer. E até Slot Machine, mas a Slot Machine era, obviamente, de... Como que fala? De videogame.

Polícia Federal aparece no cassino do camarote (15:01)

Eron Falbo: [15:36] Videogame.

Debate sobre legalização dos cassinos no Brasil (15:37)

Alexis De Vaulx: [15:37] E eu já tinha, inclusive, ido à Brasília, você que é de Brasília, que eu já sei, você vê que eu estudei. Estudei você antes da live.

Eron Falbo: [15:45] Pô, me sinto lusogiado.

Alexis De Vaulx: [15:46] Eu fui pra Brasília, na Câmara dos Deputados, pra falar sobre... Porque existe, na Câmara dos Deputados, em Brasília, essa retomada dos cassinos no Brasil, que eu sou totalmente a favor.

Eron Falbo: [15:58] É isso que eu ia te perguntar sobre isso. O que que a gente tem que fazer pra voltar aos cassinos? Você que tá mais por dentro dessa história.

Alexis De Vaulx: [16:08] Os cassinos têm que entrar em resorts, têm que ter legislação, obviamente, mas é fundamental para a atividade econômica, é fundamental para o entretenimento, é fundamental para o emprego. Há sérias situações e não tem porquê o Brasil, um país com aquela dimensão, não possa ter seus cassinos e seus jogos. A ter os próprios... Ou ao menos.

Eron Falbo: [16:34] Deixar os estados decidirem por si só, porque o Brasil supostamente é federalista, não é unitário, então não deveria ter uma lei federal proibindo os estados de fazerem as próprias decisões?

Alexis De Vaulx: [16:54] Exatamente. E aí eu fui a Brasília, junto à Câmara dos Deputados. Falei com o deputado do Rio de Janeiro do cassino, mandei carta para o superintendente da Polícia Federal, contratei uma empresa de cassino de São Paulo, que já faz para casamento, para festa, para festa de final de ano, etc., que é a Cassino Experience, e junto ao superintendente mandei a carta explicando como seria o cassino. Então não tinha porquê, porque era um cassino lúdico, era um cassino de brincadeira, de fichinha, não tinha porquê ter essa visita da Polícia Federal. Mas ela aconteceu na quarta-feira, no Dia de Cinzas, e, obviamente...

Eron Falbo: [17:34] Mas eles interromperam alguma coisa? Eles interromperam alguma festa, alguma coisa que estava acontecendo?

Alexis De Vaulx: [17:40] Não, porque na quarta-feira já tinha acabado o carnaval, os desfiles, e a gente estava em pleno dia da apuração. Aí foi constatado que não tinha nada errado, obviamente. E no sábado nós reabrimos para o desfile das campeãs com o camarote lotado, ele não tinha mais ingresso para vender, porque deu uma repercussão tão grande em todos os canais de televisão, enfim.

Eron Falbo: [18:14] Eles te ajudaram.

Alexis De Vaulx: [18:16] Foi polêmico, com certeza, mas foi proposital. E eu sou uma pessoa a favor. Você sabe que existia praticamente uns 50, 60 mil pessoas empregadas pelos cassinos quando o Dutra, o presidente Dutra, encerrou e fechou os cassinos no Brasil.

Eron Falbo: [18:37] É um absurdo mesmo. Isso aí é uma coisa que não dá para entender muito bem. Uma coisa que poderia salvar o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro é um dos que mais foram atingidos por uma coisa dessa, porque o turismo é muito fomentado pelo jogo, pelos cassinos.

Alexis De Vaulx: [18:54] Só você olhar pelo hotel de Petrópolis, eu acho que é a Quitandinha, eu não lembro exatamente onde tinha o cassino, como se desenvolveu economicamente falando na época e como isso hoje retraiu demais e quanto isso precisava voltar, entendeu? Então, sem dúvida nenhuma, os cassinos são geradores de uma economia. É só olhar para Las Vegas, para Macau etc. e tal, para entender da necessidade e da importância.

Virada de carreira da Tokstok aos eventos (19:21)

Eron Falbo: [19:26] Como foi para você essa transição de ser um executivo da Tok&Stok de tantos anos para organizar full-time eventos e coisas sociais? Porque imagino você como economista, alguém que estava behind the desk, trabalhando, vamos dizer, no preto e branco diariamente, para ir para uma coisa social, de festas e de organização e de tudo mais. É um mundo totalmente diferente.

Alexis De Vaulx: [19:57] É um mundo totalmente diferente, sem dúvida nenhuma. Vou até falar para quem está nos ouvindo que essa transição ocorreu... Primeiro que sou um apaixonado pela cultura popular brasileira, já falei, mas nunca perdi um desfile na Sapucaí desde que cheguei ao Brasil, há 30 anos. Sempre gostei de eventos, desde pequeno. A Tok&Stok foi uma empresa familiar, na qual eu me dediquei durante 30 anos, até ela ser vendida. E o que me fez entrar realmente nesse negócio da Marquês de Sapucaí e dos eventos, porque a gente também, a nossa empresa hoje faz evento corporativo, na demanda, vamos dizer assim, e também leva clientes para outros eventos, na Amazônia, do Parintins. Mas também fazemos eventos corporativos, levamos também o Carnaval para fora das fronteiras do Brasil. Mas o que fez acontecer, sem dúvida nenhuma, foi o Ano da França no Brasil, esse contato junto à Grande Rio, junto ao Jair de Soares, que é um apaixonado também do Carnaval, que é um marqueteiro, a ver com a escola dele, o quanto ele sabe proporcionar a nível de muita celebridade, uma visibilidade muito grande dessa escola Grande Rio. E aprendi muito, aprendi muito. Enfim, foi acontecendo. Começou com um espaço pequeno, o Espaço França-Brasil, em 2010, onde tinha 200 pessoas por noite, e hoje temos aí 400 pessoas por noite num espaço de 1.000 metros quadrados sediado no Setor 5.

Eron Falbo: [22:00] O que aconteceu para você sentir que ia fazer isso mais do que ser executivo, porque mesmo a Tok&Stok tendo sido vendida, você poderia ter optado por continuar dentro do mundo corporativo, certamente com os contatos que você fez, sua estatura dentro da empresa, você poderia ter saído de lá para qualquer outra função ou até montado sua própria empresa de outra maneira? Qual foi o momento que você soube: ah, não, quero me dedicar para essa coisa de eventos, para essa coisa de networking, de juntar as pessoas?

Alexis De Vaulx: [22:40] Então, sem dúvida nenhuma, 2009 e 2010 foram dois anos de aprendizado, de aprendizagem, e eu estava fazendo as coisas em paralelo. Eu estava na Tok&Stok, fiz o projeto do Ano da França.

Eron Falbo: [22:59] Trabalhando demais.

Alexis De Vaulx: [23:00] E fiz o camarote de 2010 na Sapucaí. Foi em 2010 que eu realmente percebi que havia essa demanda da parte das empresas de poder receber seus clientes de negócio. E eu sou uma pessoa que ama fazer, encontrar, receber. Eu adoro receber em casa. Isso é uma coisa que vem do meu DNA. A minha mãe já era uma pessoa assim. Era sempre um grande jantar em casa. Então, gosto de receber. Mas o que mais me motiva é ainda apresentar as pessoas que estão presentes: um político, um empresário, um outro empresário. Me motiva muito esse meio campo de poder estar, socialmente falando, juntando essas pessoas que estão... Como também uma empresa que precisa de um evento, ou motivacional, uma viagem internacional, ou aqui no Brasil, uma ação motivacional. Sempre me motiva a trabalhar, e aí eu não tenho mais hora, nessas horas, para poder chegar ao resultado.

Eron Falbo: [24:27] É muito bom quando você tem essa motivação intrínseca para fazer alguma coisa acontecer, ainda mais quando é o seu filho, uma coisa que você iniciou e fez crescer com tanto sucesso.

Ação social do camarote com ONGs (24:28)

Alexis De Vaulx: [24:43] Eu queria também te falar um ponto importante da Sapucaí hoje, que é a nossa ação social. Ela leva 400 crianças de seis ONGs, e eu agradeço a todas as empresas que apoiam. É fundamental esse momento. A ação social abre o Carnaval Carioca na sexta-feira, com o hino nacional na porta do camarote, na presença das ONGs. Os jovens de Sazon cantam o hino nacional e depois desfrutam de uma noite com todos os serviços do camarote para eles. É uma emoção muito grande. Nós temos cobertura de uma grande rede de televisão todo ano, a quem eu agradeço também, que é a TV Globo. E é muito importante esse momento, que a gente proporciona para esses homens como Amiratou, Sensotraco, Gol de Letra do nosso amigo Raí. É um momento muito especial.

Eron Falbo: [25:49] Maravilha. Parabéns, muito bom. Qual é o nome, de novo, da empresa, do projeto?

Alexis De Vaulx: [25:57] Um sorriso vale mais que mil palavras.

Eron Falbo: [26:00] Muito bom.

Alexis De Vaulx: [26:01] Essa alegria do brasileiro... Nós estávamos falando disso hoje com um chef francês, porque agora tem tido um... Eu tenho o meu canal, o IBTV, do YouTube, onde eu estou entrevistando grandes chefes aqui no Rio de Janeiro, chama-se Na Intimidade do Chef, e a gente estava falando exatamente disso: um chef francês hoje dizendo por que se apaixonou pelo Brasil. E o Brasil tem esse fator apaixonante que está no DNA dos brasileiros, que é essa alegria. Não importa a questão financeira, a questão econômica, entendeu? Você vai encontrar essa alegria em todos os brasileiros. Obviamente, tem os que têm muito mais dificuldade do que outros. Nós sabemos da questão de disparidade que nós temos, que existe no Brasil, que não é tão pronunciada em países, talvez como a Europa ou os Estados Unidos, onde existe uma classe média muito maior. Aqui nós temos disparidades muito grandes, mas a gente sempre encontra essa alegria. E essa alegria é fascinante para o estrangeiro. Eu sempre costumo dizer que o americano não se toca para se cumprimentar. O francês dá a mão, mas muitas vezes dá meia mão. Tem empresários que dão meia mão, ou seja, não te dão a mão por inteira. E o brasileiro se abraça, e isso é extraordinário.

Pandemia comparada entre Brasil e França (27:35)

Eron Falbo: [27:35] E o que você tem achado da situação na França atualmente? Você tem voltado lá?

Alexis De Vaulx: [27:39] Bom, existe dois approaches em relação a essa pandemia. Existe a questão na Europa, que são países de pessoas muito mais velhas, então um olhar muito mais para pessoas velhas. No Brasil, nós somos um país muito jovem, então existe um olhar muito mais voltado para os jovens. Lá, tudo fechado, seis horas, outubro, rofã, não pode mais sair na rua, bar, restaurante fechado, etc. O Brasil não está vivendo isso, está relativamente aberto. Existem alguns focos mais fechados, mas de uma forma geral... Mas você, numa população de 220 milhões de habitantes, não vai conseguir fazer o auxílio. Na Europa, Portugal com 10 milhões, uma França com 50, 60 milhões, o governo consegue suprir e ajudar bastante. No Brasil com 220 milhões, nos Estados Unidos com 350 milhões, na Índia com bilhões de pessoas, como você vai fazer um auxílio para a população? Então, a população tem que trabalhar, a população tem que ganhar seu dinheiro, e o Brasil está mais para a questão econômica. Imagina se a gente prender as pessoas dentro de casa? Vão passar fome, vão morrer. Enfim, eu vejo também que esse slowdown está fazendo as pessoas pirarem. E aí existem doenças do coração, existem doenças psicológicas, jovens... Existem estudos agora na Europa de jovens que estão com problemas psicológicos, etc. Eu sou a favor dos gestos fundamentais: da máscara, do álcool gel, do distanciamento social. Você vê que eu paralisei todos os eventos que eu tinha da minha empresa, não estou fazendo nenhum em respeito a esse momento que a gente está vivendo. Mas eu acredito que o lockdown, completo ou parcial, é...

Eron Falbo: [29:54] O problema é que realmente tira o emprego de muita gente também, né? Porque, assim, aqui eles falaram sobre, talvez, fechar de novo os restaurantes e bares aqui no Rio, né? E o Rio de Janeiro, praticamente... boa parte da renda aqui dos empresários vem de bares, restaurantes e turismo, né?

Alexis De Vaulx: [30:15] Exatamente. Nós dependemos muito do turismo atualmente. Eu tenho conversado muito com os hotéis daqui, principalmente, com o turismo hoje. Ele é muito mais voltado para o turismo interno. Nós não temos turista estrangeiro, praticamente, mas esse turista interno, São Paulo, Minas Gerais, Porto Alegre, os outros estados que vêm nos visitar no Rio, tem mantido um certo dinamismo econômico, que é fundamental para o Rio de Janeiro. E, realmente, nós temos que estar no meio caminho sempre. Nem tudo liberado, e tem de ter os focos e tem de ter os cuidados, mas também nem uma situação como a França, que não tem bar aberto, que não tem restaurante aberto, que as pessoas são trancadas dentro de casa a partir das 18 horas. Temos de estar sempre olhando e tentar ver onde podemos atuar.

Cultura francesa e exposição em Moulins (31:10)

Eron Falbo: [31:15] Mas no geral, que você veio para o Brasil 15 anos atrás, o que você acha da cultura francesa? O que tem acontecido com a França? Porque tem muita gente comentando sobre isso, sobre como a França talvez perdeu um pouco da cultura, da força, do espírito francês original. Qual a sua posição sobre isso? Você que tem essa comparação de dois...

Alexis De Vaulx: [31:43] Países, então vejo que a cultura no Brasil precisa ser muito mais valorizada, receber muito mais subsídios, como nos países da Europa, por exemplo, os museus. Vejo a verba que os museus têm para trabalhar na Europa, e me dá uma inveja muito grande. Por que uma cidade como o Rio de Janeiro não tem um museu do carnaval, para os turistas? Existe um museu, mas ele tem 300 metros quadrados debaixo da Sapucaí. É insuficiente. Toda cultura sofre, sofre muito. O meio artístico sofre muito no Brasil. E realmente há uma necessidade... A cultura é realmente fundamental para a educação de um povo, para o conhecimento de um povo. Ela tem que ser valorizada, ela tem que ser ajudada, ela tem que ser multiplicada, ela tem que ser disseminada. Não pode ser cultura de elite, ela tem que ser disseminada sempre. E existe uma cultura muito rica no Brasil, que é a cultura popular, com a qual eu sou apaixonado. Tanto é que, esse ano que o Rio não tem carnaval, eu acabei inventando, junto com o único museu de figurino do mundo, que é sediado a uma hora de Paris, de levar o carnaval do Rio de Janeiro para lá. A Air France embarcou a semana passada quase duas toneladas de fantasia para seis meses de exposição. Obviamente, o museu está aguardando a reabertura dos museus para montar a exposição, mas essa exposição ocorrerá durante seis meses e vai retraçar, nos seus três carnavais, o de rua, o Bate-Bola, o dos bailes e o da Marquês de Sapucaí.

Eron Falbo: [33:36] É uma exposição que vai acontecer, você falou, perto de Paris. Ainda não começou, está tudo fechado lá.

Alexis De Vaulx: [33:43] Ainda está fechado, mas já... E tem previsão? Já chegou lá, foi levado pela Air France. Nós alugamos junto a vários ateliês aqui do Rio de Janeiro. Tivemos apoio da Anies, apoio da Leotour, apoio do Governo do Estado, apoio, o que falo, institucionais, porque todo o projeto foi bancado a nível do Ministério da Cultura da França, a nível do Museu Centro Nacional do Costume de Seine, Centro Nacional do Figurino de Cena, e da própria cidade de Moulins, que estão financiando toda a operação para levar essa cultura. Eu espero, com seis meses de exposição, também dar um dinamismo. Eu vejo duas coisas: porque existe uma população europeia que tem o nível mais, economicamente falando, que nem sempre pode viajar, então vai poder ver o próprio carnaval no museu; e aquela que tem condições de poder vir aqui para o Brasil, vir para o carnaval de 2022, e relançar um pouco esse turismo, que agora está parado há um ano e que vai ficar parado desde o final do Carnaval de 2020, e só vai, pelo jeito, recomeçar em 2022.

Eron Falbo: [35:11] Mas lá na França tem alguma previsão para abrir as coisas, para poder começar a exposição?

Alexis De Vaulx: [35:20] A reabertura dos museus depende do andamento das vacinas, dos protocolos sanitários ligados à questão do Covid. E, por enquanto, tá fechado. Eu falei que, diferentemente do Brasil, muitas coisas na Europa, e principalmente na França, estão fechadas. É um país que olha mais para a sua...

Eron Falbo: [35:41] Eu sei disso, mas ninguém falou nada sobre previsão de abertura?

Alexis De Vaulx: [35:46] Não.

Eron Falbo: [35:46] Não existe nada.

Alexis De Vaulx: [35:48] A previsão era maio de 2021, acredito, e vejo que será provável para setembro. Essa exposição contou com um curador aqui do Rio de Janeiro, figurinista, o Alexandre Couto, que foi fundamental para que essa exposição possa acontecer, mas que nos deixou pela Covid na noite do embarque das fantasias, ou seja, ele subiu ao céu junto com as criações dele naquela quinta-feira. Faleceu do Covid com cinquenta e poucos anos. Foi uma situação extremamente difícil, era o projeto de vida dele, e eu vou fazer acontecer a exposição em nome dele.

Incentivo cultural e mentalidade do ingresso grátis (36:29)

Eron Falbo: [36:43] Eu queria saber de você uma coisa assim: como você já está há muito tempo aqui, você deve ter visto que, no Brasil, as coisas acontecem muito com a ajuda do governo. Os produtores culturais, no geral, esperam um pouquinho de incentivo fiscal, projetos, Lei Rouanet, qualquer outro dos diferentes projetos que tem aqui. Como que você acha que você, sendo um empresário, sendo um executivo, alguém que já fez acontecer tanta coisa, como que nós, brasileiros, podemos nos empoderar mais como uma sociedade para poder organizar coisas apesar do governo? Porque às vezes, com o governo, nem sempre a gente consegue contar.

Alexis De Vaulx: [37:27] Eu vejo realmente a classe cultural: todos os profissionais precisam estar sempre unidos, obviamente, e sempre batalhando para que essa cultura aconteça, para que essa cultura chegue à população. Então, vejo às vezes artistas tomando posição, se engajar. O engajamento é fundamental. Fizemos uma revolução em 1789, em que deu muito o que falar, Liberté, Égalité, Fraternité. Os brasileiros manifestam, principalmente na cultura deles, popular, do Carnaval. Você sabe que todo ano, nas ruas, nesse momento do Carnaval, há um manifesto muito grande contra governos, contra medidas, contra políticas, etc. Mas não é só nesse período que tem de se unir, que tem de, de uma forma sempre pacífica, nunca foi a favor de movimento social, de manifestações, mas de engajamento. E, realmente, a classe artística se posicionar, já tem artista que se posiciona, e isso é muito importante, e estar sempre unido para estar proporcionando, divulgando essa cultura, essa cultura fenomenal, que é tão criativa. A cultura brasileira é tão criativa, tão criativa, e às vezes os profissionais não são valorizados como devem.

Eron Falbo: [39:19] E os investidores? Como unir? Você faz sua feijoada, faz seu camarote, une tantos investidores. Como é que a gente pega esses investidores para fazer mais coisas culturais? Para organizar eventos, para ganhar ingressos, fomentar uma indústria de entretenimento brasileira que praticamente não existe.

Alexis De Vaulx: [39:39] Olha, ganhar ingressos... Você sabe que, ano passado, a cantora que falou sobre não ter ingressos, não ter amigos, tem trabalhador, eles têm que se remunerar, etc. Porque, quando chega perto dos eventos, seja uma feijoada de Carnaval, uma feijoada durante o ano, seja o próprio camarote, seja qualquer tipo de evento, existe uma fila de pessoas pedindo ingresso. E realmente eles esquecem, essas pessoas, que existe um contingente de pessoas trabalhando, de pessoas investindo tempo e recursos muito elevados para poder proporcionar isso tudo. Ou seja, não existe coisa de graça. Você sabe muito bem disso. Você precisa de um patrocinador para manter o seu trabalho. Você precisa de pessoas que te apoiam. E nós também, os camaroteiros, como eu chamo dessa boca aí, nós precisamos de pessoas que comprem efetivamente. Então, isso é muito importante. Qualquer evento precisa, realmente, a lista VIP, a lista dos fura-filas, a lista dos que querem levar vantagem, não funciona, gente, não funciona.

Eron Falbo: [41:11] Essa, para mim, parece ser mais ou menos a mentalidade geral brasileira, e realmente as pessoas não param para pensar que alguém está pagando a conta e... Porque, tipo assim, você vai fazer filme, vai fazer teatro aqui no Brasil, tem uma mentalidade de que tem que ser por incentivo do governo, e aí os ingressos é meio que... Não é uma coisa assim pra pagar a luz, talvez, mas não é pra pagar o espetáculo, não é pra pagar todos... E pra isso você tem que ter um incentivo, você tem que ter algum hand-out, alguma coisa de graça tem que ter. E tem essa mentalidade, não tem uma mentalidade de, se a gente investir aqui, a gente tem um retorno e pode investir em outra coisa. Eu, na Inglaterra, trabalhava com organização de festival, e a gente era uma empresa pequena que organizava festival de música, e a gente ganhava dinheiro em um festival, e aquilo era o suficiente só para organizar o outro e ganhar um pouquinho para pagar algumas pessoas, se não o dono, e organizar o próximo.

Alexis De Vaulx: [42:21] Não dá para beber champanhe de graça, não. Alguém tem que pagar a conta, e custa caro, apesar de ter parcerias, mas acaba também tendo um valor. Não funcionam as marcas, elas proporcionam o suporte, mas elas também cobram valores, tem que ser pago, enfim. Os 0800.

Eron Falbo: [42:53] Almoço grátis.

Alexis De Vaulx: [42:55] Em eventos. Agora, os eventos corporativos é um pouco diferente para mim, porque aí é a própria empresa que contrata, e depois ela convida o cliente de relacionamento ou até colaboradores. Nesse caso, não existe essa questão de convite. Mas, enfim, eu falo de ingresso quando se trata de evento, eu erradiquei do dicionário a palavra convite.

Eron Falbo: [43:25] É uma boa. Para brasileira é necessário. O pessoal fala: "Comprei convite".

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