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#6 Desafios de liderança de jovens sucessores

com Matheus Neves · 26 de mai de 2020

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura e apresentação (0:00)

Matheus Neves: [0:00] Beleza. Então, pra quem tá assistindo aí, eu tô vendo aqui que muitos que entraram já me conhecem, mas com certeza alguns ainda não. Sou Matheus, eu tenho 30 anos, né? Sou de BH mesmo. Meu pai é Rono, minha mãe é Norma, meu irmão é Lucas, a minha irmã é Naara, e agora eu tenho aí o meu filhotinho, que é Matheus também.

Eron Falbo: [0:26] É, parabéns.

Matheus Neves: [0:29] Eu vi que a Lulu está aí, que a mãe dele está assistindo a gente. Então, trabalho, basicamente, com o segmento de varejo de alimentos e o mercado imobiliário. Mas aí, pegando um gancho no que você falou de político, não querendo entrar nesse tema, porque eu acho ele muito polêmico, mas trazendo já para a questão da juventude, porque eu, particularmente, comecei a me interessar por política não tem muito tempo. E eu acho que isso não é uma novidade para o brasileiro, porque na história rápida da política, a gente vê a ditadura, a democracia do mundo, é um modelo novo, relativamente. Então, acho que a gente mesmo está se descobrindo em qual é... como lidar com isso tudo. Infelizmente nós tivemos no meio do caminho aí uma desestruturação por causa da corrupção instaurada e, enfim, uma coisa que eu acho que nem cabe entrar. Mas foi a partir disso que eu achei importante para o brasileiro enxergar.

Juventude e interesse pela política (0:37)

Eron Falbo: [1:40] Mas você está otimista, você está falando que a gente está aprendendo, está conseguindo se encontrar?

Matheus Neves: [1:47] Pois é, eu sempre sou otimista, mas também sempre sou preocupado. São duas coisas, duas características do bem comum. Mas eu estou otimista, sim, porque, independente do cenário político que a gente está vivendo, eu penso que um primeiro passo importante da sociedade que foi dado, e eu acho que isso vale para qualquer âmbito da vida, profissional, pessoal, o que quer que seja, para transformar, chama-se interesse. Eu acho que o brasileiro hoje está mais interessado pela política, e sim, é um passo importante para alguma transformação.

Eron Falbo: [2:28] Isso eu concordo plenamente. Assim, como eu falei, eu morei fora muitos anos, quase metade da minha vida eu morei fora do Brasil, e realmente eu nunca vi isso que eu estou vendo agora no Brasil, depois que eu voltei, a ver essa sede, essa fome de mudança, de conscientização, de cansaço com certos problemas, certas repetições. Então, eu concordo.

Matheus Neves: [2:56] E é interessante, porque hoje a gente vê jovens com pessoas mais experientes, jovens com jovens, enfim, debatendo política, o que não era nem um pouco comum.

Eron Falbo: [3:10] É, verdade. Não era nada comum. As pessoas achavam chato, né?

Matheus Neves: [3:15] Não era um assunto legal, né? Hoje é um assunto interessante.

Eron Falbo: [3:19] E não sabiam, né? Eu lembro, como jovem, eu não tinha nenhuma ideia de como funcionava o governo, entendeu? O que cada poder fazia e como o mecanismo inteiro funcionava. As pessoas estão se interessando mesmo.

Matheus Neves: [3:34] Exatamente. Mas aí eu penso que, trazendo para essa questão da liderança jovem que você falou, é importante a gente continuar com debates não só de política, mas sobre transformação, sobre cenário. Eu acredito que nós vamos falar um pouco aqui à frente de cenário econômico. É exatamente a juventude se interessar pelos temas, porque são elas que vão fazer a mudança lá na frente, não é?

Eron Falbo: [4:04] Absolutamente.

Matheus Neves: [4:05] Cara dos 60, 70 anos, não que ele não seja importante, não estou descartando de forma alguma. Muito pelo contrário, são figuras extremamente importantes, porque foram elas que nos trouxeram até onde a gente está, e são elas que vão contribuir com experiência e conhecimento para a gente chegar lá na frente. Mas esse interesse, essa pujança, essa energia da juventude é que vai fazer a máquina continuar andando.

Eron Falbo: [4:30] Matheus, me conta, continuando um pouquinho na sua biografia, que a gente acha que não foi a fundo o suficiente, me conta sobre sua trajetória. Eu dei uma lida aqui na internet, que você já está há 15 anos... Quanto tempo você está aí em posições de liderança, em posições administrativas? Como é que foi isso?

Trajetória na empresa familiar (4:53)

Matheus Neves: [4:54] Então, a nossa empresa é familiar, sempre teve a estrutura familiar. Então, eu comecei a trabalhar na empresa do meu pai com 15 anos, que era uma rede de supermercadista aqui da Grande Belo Horizonte. E aí eu entrei num processo de formação, que era um programa trainee, onde a minha dinâmica era passar por todas as áreas. Então, fiquei lá quase cinco anos, num processo de aprendizagem mesmo, vivendo a operação, vivendo as lojas, conhecendo os setores. E aí, quando eu tinha meus 20 anos, foi exatamente o momento que meu pai saiu dessa sociedade e nós entramos na sociedade que está atualmente. Tivemos aí uma outra empresa num curto período, foram três anos de varejo também, que foi vendida depois, as lojas foram vendidas para BH, e a gente permaneceu no Marte Minas, que é a empresa que a gente está hoje. Quando eu vim para o Marte Minas, eu estava com 21 anos, tinha acabado de completar meus 21 anos, e aí o meu pai me convidou para estar do lado dele e assumir a área administrativa financeira do grupo. Enfim, e aí, no dia a dia, a gente foi se formando. Então, na sociedade temos o meu pai e o Murilo, que são os acionistas da empresa, e temos na diretoria eu, Felipe e o João Batista, e o Danilo, que está aí com a gente também, que participa na parte operacional. Então, esse processo de formação, eu tive cinco anos, vamos dizer assim, de treinamento, e depois eu tive aí já um cargo, uma posição na empresa, e continuo em treinamento, não aprendi tudo que eu tenho que aprender, não, mas... Mas, desde então, eu assumi uma posição e tive à frente da equipe. E aí foram aparecendo outros desafios. Faço parte da AMIS Jovem, faço parte da AMIS, que é a Associação Mineira de Supermercados. Atuo também na empresa imobiliária que a gente tem. Enfim, de forma objetiva, foi assim que... Nós tivemos aí uma série de desafios, lógico.

Eron Falbo: [7:31] Entendi. Em termos de... Desculpa te perguntar, se fica à vontade o que você quiser responder ou não. Mas eu queria entender assim, como que você se formou, como que você formou a sua cabeça, se você fez cursos de gestão, como que você se preparou para chegar onde você está hoje?

Formação sem faculdade (7:47)

Matheus Neves: [7:50] Então, eu não fiz uma faculdade. Eu brinco que a minha faculdade foi na CEASA. Para quem conhece a CEASA sabe bem que lá é uma boa faculdade, mas eu não tive uma faculdade escolar, não frequentei. Fiz até o terceiro ano do ensino médio, mas sempre busquei debater, discutir, conversar com pessoas que são de negócios, não especificamente do varejo. Sempre quis me aproximar daquelas pessoas mais experientes. Sempre participei de feiras, sempre participei de viagens, sempre fiz de... Enfim, não sou um bom leitor de livros, mas já tive algumas experiências aí com algumas leituras interessantes. Então, a formação do conhecimento foi muito...

Eron Falbo: [8:45] Foi na prática, né?

Matheus Neves: [8:47] Na prática e na busca, né?

Eron Falbo: [8:48] Com pessoas que poderiam... Sim, sim, entendi. Com a curiosidade, né? De perguntar, de... É isso?

Matheus Neves: [8:56] Isso aí, exatamente.

Eron Falbo: [8:58] É, o seu pai tá até falando aqui, uma honra tê-lo aqui com a gente, tá até falando que você teve a melhor faculdade, a faculdade da vida. E eu já sabia disso, já tinha te perguntado isso antes. A razão que eu te perguntei agora é porque eu acho que isso é muito inspirador. Você está na posição que você está, com a competência que você tem, com o domínio que você tem dos negócios, e não ter feito uma faculdade e ter, ao invés, aprendido isso com outras pessoas, e na marra, com sua própria força de vontade, com sua própria exposição e tudo mais. E isso, pra mim, é uma coisa muito, muito legal, e que é inspiradora pra todo tipo de pessoa, porque tem gente hoje em dia querendo trocar de ramo, entendeu? Fez tal coisa, quer trocar, e tem muita insegurança, né? Pô, como é que eu faço, vai dar certo ou não vai dar certo? Eu acho que essa história sua, né, de começar a fazer e ir aprendendo fazendo e ir melhorando, eu acho que é muito legal, sabe? Só pra você entender por que eu te perguntei.

Matheus Neves: [10:05] Pois é, eu vejo assim, eu sempre me inspirei em pessoas, né? Eu começo pelo meu pai, pela minha mãe. Tenho ícones do empreendedorismo, tenho ícones como ser humano. Acho que a gente tem de se inspirar em pessoas que a gente acha que estão à frente. É olhando para a frente que a gente realmente consegue construir um horizonte. Mas tem dois fatores que sempre me faltaram, que para mim foram muito importantes para a minha trajetória. O primeiro deles foi sempre buscar ter um conhecimento. Como eu sempre estava inserido num meio onde são pessoas mais maduras, eventualmente tinham de carreira o que eu tinha de idade, e eu tinha que ter uma condição de debater, então eu tinha que buscar conhecimento. E aí era realmente chegar no trabalho e continuar trabalhando. Só que eu estava estudando, estava conversando com pessoas, estava vendo vídeos. Enfim, era o interesse por conhecer um pouco mais para conseguir ter autoridade, vamos dizer assim, para conquistar o seu espaço, né?

Eron Falbo: [11:33] Sim, para conquistar o seu espaço, né?

Matheus Neves: [11:35] Nivelado. E é uma questão que eu acho que foi importante para mim: ver problema como oportunidade. Então, sempre que eu vi um problema, eu queria trazer o problema para mim, porque à medida que eu conseguia, independente se era sozinho, que normalmente não é assim, ou com time, eu conseguia trazer uma solução para o problema, eu resolvi um monte de problema ali. Eu ganhava autoridade no time, porque eu estava resolvendo o problema, eu aprendia, porque eu estava resolvendo o problema, conseguia ter um nível de experiência, um nível de consciência melhor, para mim me desafiar mais e trazer mais problemas, ou problemas maiores. E aí veio o processo de crescimento, amadurecimento, enfim, virou um ciclo, na minha opinião, virtuoso. Ao contrário de pessoas que, na hora que é segunda-feira... Porra, segunda-feira, né? Que saco, começando a semana. Segunda-feira, para mim, é bom caramba. Você tem um monte de coisa para resolver, um monte de coisa para fazer, um monte de coisa para aprender.

Eron Falbo: [12:36] Um monte de problema.

Matheus Neves: [12:38] É, um monte de problema.

Eron Falbo: [12:40] Muito legal. Se você não se incomodar, vamos fazer umas perguntinhas aqui, que acho que tem o pessoal já perguntando algumas coisas. A Cláudia perguntou quais os principais impactos da jovem liderança nos negócios conservadores, na opinião de vocês.

Liderança jovem em negócios conservadores (12:45)

Matheus Neves: [12:58] Pô, tem vários, né? Porque a partir do momento que você traz uma ideia jovem, normalmente ela vem com algumas disrupções. E os negócios conservadores, o próprio nome já fala a característica dele: é conservador. Então, se a juventude não tiver respeito e não tiver conhecimento e não tiver também o hábito ou habilidade da conversa, da negociação, é muito prejudicial para os negócios. Principalmente porque um negócio conservador, na minha opinião, ele carrega um fator muito importante e muito determinante para o sucesso e para a continuidade do negócio, que são os valores. Quando a gente fala assim, isso daqui é a alma do negócio, são aqueles valores que o fundador depositou no negócio, construiu pautado nisso, e se você traz ideias muito diferentes, não respeitando aqueles valores, você vai acabar mudando a essência do negócio, e aí, naturalmente, você está perdendo a onda do negócio, e aí é o caminho para o fracasso.

Eron Falbo: [14:13] Eu vi um vídeo hoje de manhã, por coincidência, que o psicólogo Jordan B. Peterson estava falando sobre como os jovens muitas vezes não entendem esse conceito de entender o conservador e respeitar os valores de uma geração anterior, e às vezes eles chegam falando: 'Poxa, está aqui uma nova ideia, isso aqui é super inovador, está à frente do seu tempo', e isso não é interessante para um empresário conservador, porque ele não está interessado no que está na frente do seu tempo, é mais arriscado o que está na frente do seu tempo. Às vezes os jovens não entendem isso, eles entendem: não, o bom é o progresso e estar à frente do tempo, e não necessariamente consolidar o que você tem e tomar cuidado com os riscos que você pode estar correndo. O que eu vejo é isso, que os jovens precisam ter essa sensibilidade de entender que existe uma razão por que preservar o que já está funcionando, de certa forma.

Matheus Neves: [15:21] Sim, tem essa ideia de que o novo é o melhor. E também tem uma questão que é muito importante, que nós, jovens, não temos, que é a paciência. As coisas são feitas com o tempo. Traz uma nova ideia, implementa, estou colhendo frutos. O que estava funcionando anteriormente, por que não tem um modelo tecnológico que eu vi funcionando? Vamos preservar o fundamental. E a partir disso, com paciência, com cuidado, envolvendo as pessoas certas, e aí eu acredito que você criou um modelo vencedor.

Eron Falbo: [16:06] Concordo. Vamos ver aqui outra pergunta. Acho que tem outra aqui, vamos ver. A Rafaela Rabelo está perguntando qual a importância dos treinamentos comportamentais na formação das equipes, na opinião de vocês. Vocês têm isso aí no Martins? Deve ter, né? Alguma coisa de treinamento?

Valores, cultura e treinamentos (16:18)

Matheus Neves: [16:27] Comportamentais? Não, não. A gente não quer treinar... Só técnico mesmo. Isso eu acho que é meio robótico, né? Cordismo. Eu penso assim: quando a gente tem valores estabelecidos, você já começa a atrair pessoas com valores similares. Então, se a nossa empresa é uma empresa focada, é uma empresa honesta, é uma empresa que busca eficiência, e tem outros valores também, tá? Naturalmente, essas pessoas que não estão alinhadas com isso, no dia a dia, vão se sentir incomodadas. Então, é uma questão, realmente, de atração por empatia. Então, acho que o principal trabalho que a gente deve fazer na companhia, em termos de pessoas, é a gente ter valores bem estabelecidos e uma cultura muito sólida, uma cultura bem disseminada. E aí eu volto lá na questão que eu falei: por isso que os valores têm que ser preservados. E aí, a partir disso, sim, a gente vem mapeando competências, ajustando as pessoas no lugar adequado. A gente identifica um problema, fazemos duas análises: normalmente, ou o processo está errado e a gente tem que rever o processo, ou, então, as pessoas estão alocadas no lugar errado. Se as pessoas estão alinhadas com os valores e têm a cultura da nossa empresa, eu não acredito que tenha uma pessoa ruim, acredito que tenha uma pessoa boa no lugar errado. E aí a gente tem que só fazer o rearranjo dessa posição. Mas, assim, lógico que tem treinamentos. O varejo tem uma característica muito forte no primeiro emprego. Então, sim, nós treinamos a pessoa a operar o caixa, nós treinamos a pessoa a recolher a mercadoria da forma adequada, nós fazemos os treinamentos técnicos, mas os comportamentais, eu acho que é uma questão mais de atração pelo ecossistema que já foi construído. Entendi.

Eron Falbo: [18:50] Mas mesmo na diretoria, assim, vocês não têm, sei lá... Porque eu acho que talvez para o ramo de vocês não seja tão relevante, mas às vezes umas dinâmicas de grupo, algumas coisas assim para entrosar a equipe, para integrar as pessoas, esse tipo de coisa. Vocês já experimentaram esse tipo de coisa?

Matheus Neves: [19:09] Como é que é? Desculpa.

Eron Falbo: [19:12] Essas coisas que as pessoas fazem, retiro, sabe? Fazem retiro, quando a diretoria vai junto, para integrar, para criar uma... E vocês fazem?

Matheus Neves: [19:22] Nós temos um programa que era semestral e passou a ser anual na empresa, por uma série de motivos, tanto o amadurecimento da equipe, com pessoas e como gestão, quanto a proporção do tamanho do encontro que se tornou. A gente faz um encontro, hoje é anual, com toda a liderança da empresa. São todos os gerentes de departamentos, todos os talentos que a gente chama, são aquelas pessoas que vão assumir ou podem assumir alguma posição de liderança. E a gente fica cinco dias falando do negócio. Temos também palestras externas que falam de temas diversos, desde economia, política, motivacional etc. Mas é fundamental: em cada um desses encontros nós trazemos um tema do momento, resgatando tudo aquilo que a gente já fez, exatamente para a gente criar uma cultura sólida, e também atualizando porque o mundo está em movimento. Então, o nosso primeiro encontro... Eu não vou lembrar a ordem de todos, porque já tem cinco anos que a gente faz isso, tivemos uns sete ou oito encontros. Então, o nosso primeiro encontro foi exatamente de integração. A gente foi lá, nós como diretores, sócios e também os gerentes, para contar da sua história de vida, como chegou no varejo, como foi a trajetória, quem é quem. E aí fomos nos conhecendo mais. Aí foi onde a gente construiu o que a gente chama hoje da família Martins. Além da empresa, nós sabemos quem é cada um, qual é a história de vida um pouquinho. A gente brinca, a gente tem momento de lazer, a gente tem lá o momento de bate-papo, a gente fica bêbado junto, a gente fala da vida, enfim, histórias etc. Então, a gente faz isso, sim. E vou te falar, na minha opinião: se a empresa não tivesse feito isso, sem dúvida nenhuma, a gente não teria esse time que a gente tem.

Eron Falbo: [21:44] É isso. Acho que parte da pergunta talvez pudesse ser respondida assim: esse tipo de dinâmica, de evento, de atividade, une muito a equipe.

Tornar-se líder (22:01)

Matheus Neves: [22:01] É fundamental, porque a empresa é feita de pessoas. Qualquer negócio é feito de pessoas. Tudo bem que é voltado para resultado, mas são pessoas.

Eron Falbo: [22:09] Me conta, Matheus, como foi para você esse processo de se tornar líder. Em que momento você se viu como líder e se sentiu autoconfiante o suficiente para se sentir à vontade liderando?

Matheus Neves: [22:28] Hoje, com a consciência que eu tenho, eu percebi que eu era líder desde a escola. Na escola, eu era o que normalmente juntava a turma em casa, reunia os amigos, propunha as viagens, andava na frente na hora do recreio. Acho que dali começou a ter alguns traços. Eu percebo isso hoje. Mas a minha questão da posição de virada mesmo, eu não consigo ver o momento exato, mas...

Eron Falbo: [23:15] É o processo, talvez.

Matheus Neves: [23:16] Foi uma trajetória construída. Acho que cada elogio de algum funcionário que estava do meu lado no momento em que eu estava aprendendo, ou que estava subordinado no momento em que eu estava gerenciando uma área, eu acho que é uma aprovação de liderança, porque você vê que tem pessoas mais velhas te respeitando pela sua conquista, reconhecendo sua autoridade, enfim. Então, eu acho que não tem um dia certo, né?

Eron Falbo: [23:49] Sei, sei.

Matheus Neves: [23:51] Mas tem alguma pergunta ali no meio do caminho que eu vi, da Mahara?

Eron Falbo: [23:55] Responde aí.

Matheus Neves: [23:57] Vários desafios, quais foram os principais desafios? Mas eu acho que tem uma coisa que culmina aí, que é qual foi o grande desafio e qual foi o momento que você conhece como líder. Eu acho que é o momento que o seu pai e a sua mãe te veem como profissional, e não só como filho, entendeu? Então, acho que você consegue separar bem e falar: não, estou me tornando realmente um bom profissional, porque minha mãe está validando como caráter, como ética, enfim, tudo aquilo que ela me ensinou, e porque meu pai também está me validando com tudo isso que me ensinou, e também está me dando autoridade para tomar decisões. Porque isso, na minha opinião, demonstra que você está carregando aqueles valores. Então, a ideia de você conseguir continuar fazendo mudanças, mas preservando a essência do negócio, fica mais sólida, e aí é onde começa a ter mais segurança.

Eron Falbo: [25:02] Tá até aqui a Marcela Bretas, tá falando... Matheus, quais foram os seus espelhos de liderança no mercado de varejo, quando você começou a trabalhar? Você já falou do seu pai e da sua mãe, mas teve outras pessoas dentro do mercado?

Matheus Neves: [25:15] Ah, tem vários, né? Não só no varejo. Eu acho que Antônio Ermírio de Moraes, Jorge Gerdau, Jorge Pauleta, o Abílio Diniz, o Pedro do BH, o meu pai, o Valtir, o Vicente. São histórias empreendedoras e inspiracionais. Qualquer um desses que você estudar e tiver oportunidade, como eu fui privilegiado, primeiro porque eu tenho um professor dedicado, com uma rede de relacionamento de um monte de feras, que eu já citei alguns nomes, e eu tive a oportunidade de sentar e bater papo com um monte deles. Então, além de inspiração para qualquer um, eu conheci a história. Então, não foi uma pessoa que formou a minha opinião, nem que me atraiu para o empreendedorismo, foi um monte de cases, vamos dizer.

Eron Falbo: [26:18] Você tinha me falado, algum dia que a gente conversou, eu lembro que você falou que viaja muito para ir para conferências, você foi até naquele Singularity University. Você pode falar um pouquinho sobre isso? O que você gosta de ir, o que você gosta de ver, o que você aprende, como?

Matheus Neves: [26:36] Eu costumo fazer viagens para conhecer negócios ou tendências que podem impactar o varejo e também tudo aquilo que está totalmente desconectado com a realidade do mundo. Então, e-commerce, tem a feira NRF, em Nova Iorque, que fala de tecnologia para o varejo, e aí vem e-commerce, vem transformação digital, vem análise de comportamento, enfim, consumo, uma série de coisas. Eu gosto de entender isso para saber quando isso pode impactar no negócio e se isso vai impactar no negócio. E também nas ideias de zumbidos, pra ver o que o mundo anda viajando. Singularity mesmo é um absurdo de viagem.

Eron Falbo: [27:29] É, realmente... Como é que foi? Conta dessa experiência.

Matheus Neves: [27:34] Pois é, é uma experiência que a gente vê os filmes sendo pensados na realidade, tipo os Jetsons, aquele maior teleporte de pré-crime, sabe? Essas coisas bem loucas. Começar a ver que existe gente pensando nisso, na verdade. Então, é interessante para ver que o mundo está olhando para isso e, com certeza, muitas das coisas vão vir na prática. Há 25 anos atrás, ninguém falava do celular. Hoje, ninguém vive sem.

Eron Falbo: [28:08] É verdade. É bom estar a par dessas tendências.

Matheus Neves: [28:13] Eu acho que é fundamental. Teve uma pergunta aí que eu achei interessante, da Larissa, que ela falou alguma coisa da gestão, se há alguma diferença aí da gestão no Brasil comparado a outros países.

O potencial do Brasil (28:27)

Eron Falbo: [28:31] Ok.

Matheus Neves: [28:32] Eu acho o Brasil o melhor país que tem, vou te falar a verdade.

Eron Falbo: [28:36] Você já me falou isso.

Matheus Neves: [28:37] País tropical, não tem, tirando a política nossa, não tem grandes conflitos, o povo alto astral. É um país em desenvolvimento. Então você tem... O que eu falei, né? Tem um monte de problema pra resolver. Olha que tamanho potencial que a gente tem, né? Tem problema de infraestrutura, saneamento, de...

Eron Falbo: [29:00] Mas não é todo mundo que adora problema como você, não.

Matheus Neves: [29:03] Mas é uma oportunidade de transformação. Você vai virar entregador, comprar uma televisão de plasma e achar que tá bom? Pô, nem sei...

Eron Falbo: [29:14] Entrar na esteirinha, né? Entrar no sisteminha dele.

Matheus Neves: [29:20] Não tem muito. Então, sim. E outra coisa: eu falo que o Brasil é pra brasileiro. Amador, ou quem é de fora, não entra aqui, porque é tão complexo que só o brasileiro entra aqui. Então, é um pouco corretivo, porque você diminui a sua concorrência... E é um ponto positivo, porque a partir do momento que você tem oportunidades aqui, e você acaba se tornando bom em uma determinada área que você se dedica, fica muito fácil trabalhar em qualquer país do mundo. Como o programa de logística dos Estados Unidos, por exemplo, o cara que é bom de logística pode ir pra lá e dar banho em qualquer lugar.

Eron Falbo: [30:00] Até um cara que eu gosto bastante, o Dom Bertrand de Orléans e Bragança, que é um príncipe do Brasil, ele fala isso, que ele estava na entrevista com o Danilo... Qual o nome dele? Do The Noite.

Matheus Neves: [30:21] Danilo Gentil.

Eron Falbo: [30:22] Danilo Gentil. Aí o Danilo Gentil estava brincando, Brasil é o país do futuro, há quanto tempo é o país do futuro? Aí ele perguntou, como se fosse ironicamente, para o Dom Bertrand: você acha que ele ainda é o país do futuro? Aí o Dom Bertrand falou: acho, claro que é. É um país que tem todos os recursos naturais que precisa, tem um povo bom, povo de talento, você viu a gente exportando talento pelo mundo inteiro. E a única coisa que a gente tem, que não faz desenrolar a coisa, é problemas do governo específico. E o país não é só o governo, o país é toda uma sociedade, uma produção, tradições, tem várias coisas acontecendo no Brasil que as pessoas nem ficam sabendo, que é uma das razões que a gente tá fazendo isso aqui agora, entendeu? Que é... Pô, o Brasil tem muitos valores... Até que não tem tantos, mas a gente vai criando.

Matheus Neves: [31:32] Sim, é um pouco bom, só. Tem, lógico, seus problemas, como qualquer país, qualquer casa vai ter, sabe? Faz parte da vida, o bem, o mal, o direito e o esquerdo, sabe? Faz parte. Mas eu vejo o Brasil, o que você falou, é tudo de bom mesmo, porque burocracia, problema político, a sociedade corrige. Como é que você corrige uma sociedade velha? Onde é que é maior o Estado velho? Só se começar a fazer menino, esperar 30 anos.

Eron Falbo: [32:10] Isso ninguém fala, acho que poucas pessoas falam isso. Eu acho que é importante, sabe, para inspirar o povo, ainda mais nesse tempo de quarentena, de confusão, de transição no governo. É bom lembrar das partes que a gente já tem. A gente tem aí uma sociedade produtiva, uma sociedade criativa, um capital humano muito, muito bom.

Matheus Neves: [32:32] O país é extremo, e eu falo que é rico, viu? Você vê o tanto que a gente foi roubado nos últimos anos, e a gente ainda tá de pé, gera riqueza, gera emprego, tá em crescimento. Uma Venezuela aí, com muito menos, tá numa condição muito alta, ditadura bruta, todo mundo passando uma necessidade muito grande, o que foi tentado fazer aqui, graças a Deus, a sociedade não deixou.

Eron Falbo: [32:59] Legal. Vamos ver aqui, tinha outra pergunta aqui, não sei onde eu coloquei. Aqui, a Mahara Helena está perguntando, a gente meio que já falou um pouco sobre isso, mas acho que dá para elaborar um pouco mais. No momento em que você primeiro assumiu a liderança, a gente falou um pouco sobre isso, mas como é que foi esse primeiro momento? Quais foram os maiores desafios e tomadas de ações quando você tinha vinte e poucos anos ao assumir a liderança?

Desafios ao assumir a liderança (33:09)

Matheus Neves: [33:32] Putz, não tem um desafio, né? São alguns. Eu já tinha falado que o golpe é você ter o cuidado com a equipe, para que ela também tenha o cuidado com você, porque eu não gostaria, eu não queria, naquele momento, transparecer simplesmente e exercer simplesmente o poder do meu cargo. Queria que eles me respeitassem pelo conhecimento. E aí é um ponto de inflexão, porque como é que uma pessoa com 20, 30, 40 anos de experiência vai respeitar uma pessoa de 20, 21, 22 anos, acreditando que ela tem bagagem e conhecimento suficiente para tomar a decisão, e aquela pessoa vai acreditar numa ideia. O desafio maior era esse, era como se relacionar com a equipe. Eu tive o cuidado de conversar, na maioria das vezes, e ser firme quando eu achava que deveria. Eu acho que essa relação foi construída e bem estabelecida, com respeito, com credibilidade. Então, assim, eu acho que a conversa resolve um monte de problemas. E foi o que eu tentei fazer.

Eron Falbo: [35:07] E que tipo de obstáculo, vamos dizer, você enfrentou nesse sentido? Porque imagino que não deve ter sido todo mundo que te respeitou de cara, né. As pessoas não deixavam você fazer o seu trabalho? Nesse sentido.

Matheus Neves: [35:27] Não, não. Era... Quando você é novo, você ainda está muito ligado à figura do pai, né? "Eu quero que você faça isso aqui, porque o caminho é o melhor." "Ah, você já conversou com o seu pai?" Sabe?

Eron Falbo: [35:45] Sei, já te desmoraliza.

Matheus Neves: [35:48] Já vai te infantilizando, sabe? Outra coisa: "não conversei, mas você pode tomar a decisão, pode fazer o que eu estou mandando ou o que foi combinado, porque, se der merda, não sei o que estou fazendo".

Eron Falbo: [36:03] Eu me responsabilizo.

Matheus Neves: [36:05] Então, tem esses desafios. Tem uma pergunta que acho importante, a gente já abriu falando sobre isso: como é que o empreendedorismo, como é que os empresários ou privados, não lembro qual é o termo, se entrelaçam com o político?

Liderança e política (36:13)

Eron Falbo: [36:28] Ah, sim, sim. Liderança e política, como se entrelaçam?

Matheus Neves: [36:30] Para mim, é cem por cento. Política não vive sem a relação empresarial, e vice-versa. Nós temos empresas privadas e públicas, nós temos empresas só públicas, nós temos empresas privadas, e todo o ecossistema tem que ter essa sinergia. Só que a gente construiu isso errado. O Brasil está num formato errado, onde o Estado quer ser empresário, onde o Estado quer legislar até qual é o tamanho da mesa de sinuca que você põe no boteco, coisas surreais, absurdas. Então, o papel do Estado é criar ferramentas para facilitar o emprego, para gerar emprego, dar uma condição segura pra sociedade. É o básico que a gente sabe, né? Saúde, infraestrutura, e deixar a sociedade trabalhar e pagar imposto.

Eron Falbo: [37:34] Liberaliza o econômico, né?

Matheus Neves: [37:37] E aí que a máquina funciona. O governo tem que ser fiscalizador e facilitador. O empresário tem que trabalhar e tem que dar o imposto pro governo. E aí você cria essa parte, né? Esse símbolo aí que é saudável.

Eron Falbo: [37:52] Eu vou responder aqui também um pouquinho essa pergunta, que é liderança e política, entrando um pouquinho na minha experiência na política brasileira. Eu acho que, assim, no Brasil... Justo, acho que tem a ver com o que você está falando também, que o maquinário do Estado é muito grande, então ele tenta seguir esse modelo keynesiano de dar empregos para as pessoas, e a Petrobras, e uma série de estatais, controlando a economia, como você falou, colocando o tamanho da mesa de sinuca do boteco.

Matheus Neves: [38:34] Ele julga de alfinete a foguete.

Eron Falbo: [38:42] Aí o que acontece? Isso cria esse Estado muito grande, meio que castra as pessoas, meio que inibe um pouquinho a liderança, entendeu? Torna as pessoas um pouco tipo aquela famosa história do funcionário público mamando na teta do governo. Assim também os políticos mamam na teta do governo. O sistema eleitoral que a gente tem no Brasil, de partidos políticos recebendo dinheiro do governo, é todo mundo criando uma dependência. Claro, exatamente, tem concessões, tem n coisas aí que o governo pode dar. A própria cultura brasileira, dependente, com a Lei Rouanet, era dependente do governo, só conseguia girar com o governo. Então, o jeito que eu estou respondendo isso é que liderança e política se entrelaçam idealmente, mas eu acho que no Brasil falta muita liderança na política, falta muito sentimento, a energia, a força da liderança dentro da política. Que é pessoas com autenticidade, sobressaindo os partidos, falando além dos partidos, movimentos que são apartidários, que não são de esquerda ou direita, mas que são pró-soluções, que são pró-mercado, que são pró-coisas boas, não necessariamente defendendo, levantando uma bandeira ou outra, entendeu? A bandeira do Brasil. Essa atrás aqui.

Matheus Neves: [40:26] Mas é porque o Brasil tem uma cultura, quer dizer, uma fé de problemas. Mas é um dos poucos países que eu vejo que política é carreira. O cara é político de carreira. Onde você viu isso? O cara tem que ser político para entregar experiências, trocar experiências, contribuir com o país. A gente está vendo isso agora. Estamos experimentando um modelo novo, com alguns empresários contribuindo, desde prefeitura até governos, até secretarias e ministérios, etc. Então, a gente está sentindo isso um pouquinho. É o melhor modelo? Acredito que sim. Vamos ver nos próximos anos. Mas eu acho que é o modelo mais vencedor. Agora, teve uma pergunta aí, qual que é a colherna que fez ela, não sei se eu consigo ver. Qual seria o melhor caminho para política e liderança empresarial poder buscar o interesse coletivo? Para mim, é cada um cumprindo seu papel, na essência, e com diálogo. É a política fazendo política, o legislativo legislando, o judiciário julgando, cumprindo o papel dele, diferente do que a gente está enxergando. O executivo controlando, dando o rumo aí do país, e o empresário trabalhando. Trabalhador trabalhando.

Eron Falbo: [41:57] E como é que foi a questão da quarentena? Afetou muito vocês?

Pandemia e expansão da rede (41:58)

Matheus Neves: [42:01] Afetou o mundo, né? Mudou o plano do mundo. Então, sim, a gente teve impactos positivos e negativos. Eu acho que o ponto negativo foi que nós tivemos, sem dúvida, como várias outras empresas, um aumento de despesas, nós tivemos perda de vendas. O ramo do nosso consumidor é o pequeno comerciante, ele está fechado, então não tem perda de venda. Mas o ponto positivo é que nós estamos funcionando, atividade essencial, muito melhor do que muita gente que não estava funcionando. E nós estamos redescobrindo o modelo de gestão, trabalhando com parte da equipe em home office, escalas alternadas. O que a gente achava, de sempre ter as pessoas ali fisicamente, com contato, com atendimento ao fornecedor, a gente está reaprendendo. Acho isso legal porque é um novo modelo. A gente pode voltar para o tradicional, mas eu acho que o mundo não vai voltar. Nós estamos aprendendo coisas novas e mais baratas. Pode você ver, hoje eu não preciso pegar um avião para fazer uma reunião em São Paulo: eu entro aqui no aplicativo, abro a tela, estou na minha mesa conversando. É muito mais barato e muito mais rápido.

Eron Falbo: [43:29] E uma coisa que eu lembro, que ano passado vocês estavam abrindo lojas novas, vocês continuam fazendo? Já passou de 40, não?

Matheus Neves: [43:36] Não, nós estamos com 38.

Eron Falbo: [43:38] Ah, legal.

Matheus Neves: [43:39] Ainda a meta nossa, quando a gente estava em 2016, era: fechamos o ano com 21 lojas. E a meta era 2020, 40. Nós vamos cumprir. Nós vamos chegar ao final do ano com pelo menos 44 lojas. Acredito em 40... Desculpa, pelo menos 42 lojas. Acredito em 43. Vamos abrir mais quatro. E o ano que vem já estamos aí com pelo menos mais cinco para abrir.

Eron Falbo: [44:07] E vocês estão fora de Minas ou só Minas? Porque o nome é Mart Minas, então... Não, só aqui.

Matheus Neves: [44:14] Só Minas. Temos ainda algumas cidades que estão no radar para abrir. Por exemplo, Belo Horizonte, que nós não temos loja. Temos mais lojas em Uberlândia. Vamos abrir outra em Patos. Tem também João Monlevade. Enfim, algumas outras cidades. E não temos plano de sair de Minas, não. A estratégia está no Estado.

Eron Falbo: [44:42] Eu gostei bastante aqui da pergunta da Polihai. Qual seria o melhor caminho do meio para que a política e as lideranças empresariais possam buscar os interesses coletivos? Eu vejo isso assim: como os empresários podem ajudar, de repente, a sociedade como um todo a se melhorar.

Matheus Neves: [45:14] Tem uma série de ferramentas. Eu acho que uma delas, que não é complexa, é essa daqui: a gente bater papo sobre... sobre cenários, sobre Brasil, sobre ideias, perspectivas, para que as pessoas comecem também a provocar nelas próprias a reflexão. Não é o empresário que vai resolver o problema, nem é o político que vai resolver o problema, é a sociedade. O debate tem que acontecer pela sociedade. O papel do empresário, na minha opinião, é promover o debate, promover o conhecimento, promover o emprego. Então, não acho que é uma ação única, exclusiva do empresariado. Acredito que o empresariado tem que estar mais próximo da política de uma forma saudável, construtiva, não como foi construído o modelo anterior, o modelo ganha, propina para lá, e verba, incentivo para cá, tem que ser o debate mesmo. O que a política pode fazer para ajudar a continuar a desburocratizar o país, e o que o empresário pode fazer para continuar.

Eron Falbo: [46:47] E o empresário também tem muita influência de lobby. O empresário também tem muita influência de pressionar o governo, de buscar, de fazer certas pressões no governo para que as coisas caminhem, para que os interesses da sociedade sejam preservados, sejam representados. Eu acho que essa coisa que a gente tá fazendo aqui agora é só o começo. O nosso objetivo como Brasileiros Extraordinários é depois juntar essas pessoas aqui que a gente tá juntando um a um aqui nas lives e botar o pessoal em painéis, entendeu? Botar de chamada. Tenho certeza que você vai participar aí, que você... tem muita energia, tenho certeza que você está vendo os problemas do Brasil e quer contribuir. E a gente quer fazer mais, quer juntar e tirar dinheiro do bolso e criar ONGs e criar o que for para defender a sociedade brasileira mesmo. Eu acho que os empresários estão fazendo isso. Cada um no seu nicho, cada um pouquinho por pouquinho. Mas a nossa proposta é aumentar a nossa força, unir mais pessoas do bem, mais pessoas que estão querendo esse futuro do Brasil mais ajeitado, mais ordenado, com uma economia mais livre. Então acho que essa pergunta eu gostei dela por causa disso, que acho que tem tudo a ver com o que a gente está fazendo aqui.

Matheus Neves: [48:27] É um movimento, isso é um movimento. Mas eu gosto sempre de trazer a responsabilidade para a sociedade. Repito, não é o empresário e não é a política, é a sociedade. Enquanto a sociedade não tiver o interesse na política, o interesse em como as coisas são construídas, questionar, propor dentro de cada um, do seu nível, do seu acesso, fazer movimentos, como eu estou falando, que são movimentos, promover movimentos para mudança, não é um clichê, para mudar o país.

Eron Falbo: [49:12] Claro. É isso que a gente costuma dizer, que a sociedade precisa tomar as rédeas do próprio destino. Esse é o nosso slogan. A gente costuma terceirizar para o governo, reclamar, criticar, como se o governo fosse à parte, como se fosse uma outra coisa. Mas a responsabilidade é nossa mesmo.

Matheus Neves: [49:33] Exatamente. Estou vendo que tem uma série de perguntas aqui.

Eron Falbo: [49:38] Vamos lá, a história é minha.

Matheus Neves: [49:40] Como trabalhar o turnover dos jovens dentro das empresas? Acho que é um... um redescobrimento que a gente está tendo de propósito. Os jovens têm uma necessidade imediata de resultado. A gente precisa tentar estar mais próximos, como empresa, deles, para entender se realmente é uma perspectiva individual. Não é fácil. Não é fácil. É um caminho bem desafiador, porque, no horizonte de grandes empresas, você não consegue estar próximo de todo mundo. Mas é desenvolver a liderança para conseguir cumprir o papel dela como pai, psicólogo, apoiador, líder, chefe, tudo o que precisa ali no meio do caminho.

Características de um líder (50:36)

Eron Falbo: [50:37] Matheus, acho que a gente podia entrar em um assunto que a gente não entrou ainda. Que eu acho que é como... Porque assim, você teve a sua história, seguiu os passos do seu pai, você teve esse modelo aí, você teve a sorte, vamos dizer, de ter um guru dentro de casa, que não é todo mundo que tem essa oportunidade. Então eu queria que você desse uma mensagem do que você aprendeu e o que você acha que uma pessoa que não tem isso, que quer ser um líder, que quer crescer como líder, o que você acha que daria de dicas para chegar a um nível de competência, de experiência que você chegou?

Matheus Neves: [51:20] Eu acho que algumas características... Acho não. Quem acha, não sabe. Certeza que algumas características são fundamentais. Disciplina. A pessoa tem que ser disciplinada, focada. A pessoa tem que ser interessada. Então, é pró-atividade, do que eu já tinha falado, buscar conhecimento, trocar experiências. A pessoa tem que gostar de assumir riscos. Um líder que não assume risco não tem jeito, porque você tem que tomar decisão. Você tem que estar predisposto a isso. E a pessoa tem que lidar bem em cometer erros e corrigi-los rápido, porque acho que é um pouco místico essa ideia de que pessoas de sucesso não erram. Não, é pelo contrário, todo mundo erra e erra todo dia. Só que você erra e corrige rápido ou você comete menos erros, ou não, ou de fato você comete menos erros do que a quantidade de acertos que você teve. Então, essa balança tem que estar sempre desequilibrada, mas os erros fazem parte. E a pessoa tem que ser resiliente, tem que aguentar a porrada, senão não tem jeito.

Eron Falbo: [53:01] Gostar do problema, né?

Matheus Neves: [53:03] Fantástico.

Eron Falbo: [53:06] Que você falou lá no início. Para mim, isso valeu a live inteira, essa resposta aí. Muito boa. É bom, a gente tem mais... tem oportunidade.

Matheus Neves: [53:19] Todo mundo acha que, se colocar isso no radar, vai mudar muito a relação com o trabalho.

Eron Falbo: [53:29] Beleza, a gente tem mais dois minutos só, então vamos... talvez pegar a última pergunta, mas... eu vou te fazer uma pergunta. Eu queria dizer... acho que outras pessoas já fizeram perguntas similares. Então, daqui pra frente, como a gente fica? O que você... nesse último minuto de live, o que você diria que... a principal coisa que os brasileiros, a sociedade brasileira, o governo, os empresários, todos nós precisamos... manter em mente, fazer, para ter um Brasil melhor?

Matheus Neves: [54:07] Vou tentar responder essa pergunta rápida, porque eu quero deixar um recado também. Um Brasil melhor, eu acho que é ser otimista, de fato, questionar o modelo, levantar cedo e trabalhar. Botar a mão na massa, promover mudanças, promover discussões, como eu tinha falado lá no início, um modelo novo, testamos, a geração anterior testou algumas formas e relações e a gente viu que não foi o melhor caminho. E o caminho é a gente tentar, é aproximar a política, é conversar com pessoas que a gente acha que pode agregar, fazer movimentos que a gente acredita, eu penso que se a gente não acredita num Brasil melhor, nós não vamos fazer um Brasil melhor. Para mim, os piores brasileiros são aqueles que saem aqui e vão para os Estados Unidos. Entendeu? O que o cara vai agregar no Brasil? Fazer porra do ouro pelo país, sinceramente.

Eron Falbo: [55:13] Eu estou de volta agora, hein, Matheus.

Matheus Neves: [55:15] Pois é, mas você foi refinar seus conhecimentos e trazer de volta para poder contribuir melhor com a gente.

Eron Falbo: [55:26] É verdade, é verdade. Então a gente pode contar com você, com o nosso movimento, para participar, para estar com a gente, conversando, batendo um papo.

Matheus Neves: [55:36] Com certeza. Mas eu queria deixar a mensagem que eu falei. Esse momento de pandemia, eu acho que é um apontamento muito grande para a liderança jovem participar mais da mudança do Brasil. Por quê, na minha concepção? Porque isso é novo, não é para o jovem, isso é novo para qualquer um. Ninguém viveu o que nós estamos vivendo. Então, quando você está diante de um problema novo, você vai mudar a relação de trabalho, a relação de pessoas, a relação de consumo. Eu falei isso num outro bate-papo que eu tive. As pessoas vão aprender a viver com menos. Então, eu acredito que quando aquelas pessoas mais experientes estão deparando com problemas novos, tendenciosamente, elas vão estar mais abertas a escutar sugestões. Então, penso que é um momento muito bom para o jovem aproximar, interagir, fazer movimentos, obviamente, conscientes, consistentes, estruturados, com as pessoas que são mais experientes. Elas estão mais abertas. Nós estamos com um problema novo, onde eu acho que qualquer colaboração vai ser bem-vinda. Então é um problema de gerar oportunidade, tá vendo?

Eron Falbo: [57:03] E como você falou mesmo, a sua mensagem, eu acho que da noite aí, é o ame os problemas, né? Porque realmente, eu acho que isso é muito importante mesmo, eu acho que isso é central aí pra sua mensagem. E ficou muito claro hoje com a nossa live, com a nossa conversa. E tenho certeza que inspirou muita gente aí que está assistindo.

Matheus Neves: [57:28] Valeu, obrigado pelo convite. Acho que é bem legal. Parabéns pela iniciativa. Acho que é bem legal o que você está promovendo, exatamente porque são ações como essa, que hoje começa pequeno, mas eu tenho certeza que vai ficar grande, que vai fazer a gente chegar no Brasil que a gente acredita ser melhor.

Eron Falbo: [57:52] Tamo junto, Matheus, muito, muito obrigado aí pela sua presença, por aceitar o convite, e vamos continuar isso.

Matheus Neves: [57:59] Valeu, obrigado aí a todos que participaram e contribuíram. Espero que vocês encontrem vários brasileiros extraordinários, porque tem.

Eron Falbo: [58:08] Tem mesmo, tem mesmo. Valeu, pessoal, valeu todo mundo, obrigado pela presença, tudo de bom aí, boa noite.

Matheus Neves: [58:15] Um abração.

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