Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.
Eron Falbo: [0:00] Sejam bem-vindos! Você entrou no No Alvo e eu sou o Eron Falbo. Estamos hoje com o Muti Randolph. Acho que eu falei isso de uma maneira muito nórdica, mas é Muti. E Muti Randolph foi um dos pioneiros da arte em computação no Brasil, passando espaços virtuais 3D para ambientes reais, criando cenários, instalações e projetos magníficos através de seus desenhos de luz. Então, junte-se a nós, sentem-se ao redor da fogueira e vamos ter acesso, junto a esse nobre e poderoso arquiteto da percepção, Muti Randolph.
Muti Randolph: [0:51] E aí?
Eron Falbo: [0:51] Fala, Muti!
Muti Randolph: [0:52] Tudo bem?
Eron Falbo: [0:53] Beleza? Tudo bem, e você? Cara, eu tenho uma luz aqui na minha cara, às vezes eu não sou o melhor para julgar isso, porque eu não te vejo tão bem quanto outras pessoas veem. Mas eu consigo te ver, consigo olhar nos seus olhos aqui, dá para...
Muti Randolph: [1:11] Ótimo.
Eron Falbo: [1:13] Qualquer coisa, se alguém não conseguir ver, por favor, anuncia aí para a gente consertar.
Muti Randolph: [1:18] É, eu posso talvez ficar assim.
Eron Falbo: [1:21] Não, tá bom, tá bom agora, melhorou até, mas tá bom. E aí, Muti?
Muti Randolph: [1:27] Beleza, cara, beleza. E aí, se você...
Eron Falbo: [1:31] Quiser, eu vou colocar o fone, tá?
Muti Randolph: [1:32] Se tiver ruim pra vocês aí, ah...
Eron Falbo: [1:34] Sim, na verdade é melhor o fone, cara. Se você tiver um fone aí, é melhor para o áudio ficar bom depois no... Esqueci de te avisar isso, vou até trocar o meu pra nunca fazer essa parte técnica.
Muti Randolph: [1:52] Pronto. Melhorou?
Eron Falbo: [1:55] Melhorou.
Muti Randolph: [1:56] Ótimo.
Eron Falbo: [1:58] E aí, você tá aí na Serra?
Muti Randolph: [2:01] Tô.
Eron Falbo: [2:03] Você tá aí desde quando mesmo?
Muti Randolph: [2:06] Na verdade, eu vim pra cá antes até da OMS declarar a pandemia, né? Tipo, começo de março. Estoquei comida.
Eron Falbo: [2:19] Você é aqueles caras aí, como é que chama isso aí? Os caras que ficam se preparando para o apocalipse?
Muti Randolph: [2:26] Apocalipse. Tipo isso. Só que, na verdade, a expectativa estava bem ajustada. Foi mais ou menos isso que eu esperava.
Eron Falbo: [2:37] Você foi profética. Mas você tem essa onda meio futurólogo, né? Você tem uma parada assim, não tem, não?
Muti Randolph: [2:45] Ah, não, eu simplesmente gosto de me informar e gosto de tecnologia. Então as pessoas, talvez eu sou assim, o meu trabalho é um trabalho futurista, né? Mas eu gosto de trabalhar com as tecnologias que a gente tem na mão aí.
Eron Falbo: [2:58] Eu vejo assim, em termos estéticos, pelo menos no seu trabalho, eu senti uma vibe meio tipo futuro dos anos 80, sabe? Futuro Atari.
Muti Randolph: [3:07] Retro e futurista. Eu adoro os anos 80, certamente é uma influência minha, até porque os anos 80 foi uma época que influenciou muito a minha vida, e o futurismo da época eu gostava bastante. Engraçado, eu já fui retrofuturista dos anos 60 também.
Eron Falbo: [3:25] Eu adoro futurismo dos anos 60, cara, muito fera.
Muti Randolph: [3:29] Os primeiros projetos que eu fiz, aí o Turn lá em São Paulo, que foi o primeiro clube que eu desenhei.
Eron Falbo: [3:32] Eu vi, eu vi.
Muti Randolph: [3:33] E também o The Edge original, que o primeiro The Edge original é de Campo Grande. O projeto original é totalmente retrofuturista, nos...
Eron Falbo: [3:45] Anos 60? Assim é mesmo, tipo, uma parada Kubrick assim, tipo, total Kubrick assim, é aquele maluco... milk bar, né? Não?
Muti Randolph: [3:57] Tanto, milk bar, né, que eu adoro, né. Não tanto lá em mecânica, mas mais, talvez, eu diria, no espaço.
Eron Falbo: [4:03] Mesmo? Ah, pô, melhor ainda! Porque tem...
Muti Randolph: [4:07] Uns ambientes ali que, inclusive, a área VIP lá foi bastante inspirada em 2001. Mas o projeto geral, não. O projeto geral é como se fosse uma mistura de pantom com Kubrick. Mas é bem legal, é um projeto que eu tenho muito orgulho. Foi um projeto que, também, a partir dele, muita coisa aconteceu. E eu fiz um projeto também, com essa mesma onda, pra MTV, nessa mesma época, em 1999. Nos anos 90, eu era super reto e futurista. A partir dos anos 2000, eu fiquei reto e futurista desde os anos 80.
Eron Falbo: [4:45] Você deve gostar de quê? Kraftwerk, David Bowie. David Bowie tem essa vibe meio anos 80 e anos 60 ao mesmo tempo, né? Tipo, essa parada do labirinto.
Muti Randolph: [4:58] Eu amo, nossa! David Bowie é muito louco, porque quem me introduziu David Bowie foi meu pai, né? E meu pai, eu tava em Nova Iorque com ele, e ele me levou. E eu, engraçado, ele fez questão de ir no show do David Bowie. Eu não conhecia muito bem o David Bowie, eu tinha 13 anos. Fui no Madison Square Garden, era a turnê do Let's Dance. Então, é um show que ficou marcado na minha memória. Agora, sem dúvida, Kraftwerk é uma influência muito maior do que David Bowie no meu trabalho. É uma coisa que, inclusive, a maneira como eles trabalham a relação entre a imagem, o vídeo e a música é um sync perfeito. No caso deles, eles dão play ali, eles tocam a música e, ao mesmo tempo, junto com o vídeo, né?
Eron Falbo: [5:45] Sim, e tinha umas bandas de prog rock também que faziam uma parada assim, né, com show de luz e sincronização. Eu tô botando meu whisky, você já tá com whisky ou não?
Muti Randolph: [6:03] Já tô aqui, ó, já tô no meu segundo, na verdade.
Eron Falbo: [6:06] E caralho, não esperou pra brindar, pô! E você tem... como é que chama, família escocesa? Não? Onde você aprendeu, foi sua mãe que te ensinou a tomar?
Muti Randolph: [6:24] Com água? Pois é, na verdade, foi um aprendizado depois de velho, do estômago.
Eron Falbo: [6:29] Foi o estômago que te ensinou? Saúde! Mas os escoceses bebem assim mesmo, pois você sabe mais de uísque que todo mundo, né? Galera, com a minha, exatamente.
Muti Randolph: [6:40] Eu tomo, depende da temperatura, depende da situação. Eu tomo ou puro ou com água, e se já muito quente, com gelinho também, ou então com água gelada.
Eron Falbo: [6:51] Eles dizem que quando faz whisky já mistura água de qualquer jeito, então, tipo, você falar que não deve misturar... como assim, todo whisky já tem água? É só uma questão de você botar mais ou menos para poder calibrar para o seu gosto. Agora que você me fala isso, vou ter que... Não, é mentira, eu botei água mineral. Mas me diz uma coisa que eu lembrei também do seu trabalho: aquela parada do Black Mirror Bandersnatch. Você viu esse Black Mirror Bandersnatch?
Muti Randolph: [7:27] Cara, eu vi quase todos os Black Mirrors, mas assim, eu sou péssimo para nomes.
Eron Falbo: [7:31] Não, o Bandersnatch é aquele filme, o único que é interativo. Você pode escolher... Ah, eu vi.
Muti Randolph: [7:38] Eu vi o filme interativo do Black Mirror. Não foi o que eu mais gostei, não. Mas me lembro um pouquinho da história. Eu vi.
Eron Falbo: [7:44] Não, mas me lembra o seu trabalho porque você tem essa coisa de influência do Atari lá no início. E o cara tá criando um jogo que é...
Muti Randolph: [7:54] Lembrei, desligado.
Eron Falbo: [7:55] É uma realidade interativa, que você escolhe onde você vai, e confunde com a realidade do mundo dele.
Muti Randolph: [8:01] O cara é um programador de jogo, lembrei. Tem uma relação. Programação é uma coisa que também é muito presente na minha vida, né? Eu, a partir de um certo momento, comecei a desenvolver minhas próprias tecnologias, porque não achava nada aqui no mercado assim pronto, porque eu queria, entendeu? Então isso é uma coisa boa. Isso foi, tipo, uns 10 anos atrás, assim, quando eu... Mais, né? Nossa, o tempo tá passando mais rápido do que eu imaginei. Tipo, eu fiz o The Edge de São Paulo em 2003. Nesse projeto, pela primeira vez, tinha um sistema de luz integrado, ligado diretamente ao sistema de áudio, e eram simplesmente aqueles visualizadores de equalizador, sabe, os VUs, que visualizam cada frequência de áudio, a gente fala de barrinhas verdes, essa coisa mais manjada e clichê hoje em dia, mas naquela época, tipo assim, ninguém tinha pensado numa coisa tão simples de fazer um daqueles displays de VU gigantes nas paredes, até porque eu não tinha nem tecnologia pra isso. Foi a primeira vez que eu fui usar o LED. Cara, isso foi em 2003, tá? Foi ontem, né? Pra mim, na minha cabeça era 10 anos, mas na verdade...
Eron Falbo: [9:17] As coisas mudaram muito rápido, né, cara? As coisas nesse cenário de cenografia, de show, hoje em dia, cara, as paradas estão... Tem coisa que eu não sei nem como é que faz, você entra assim nos museus e você vê... cadê o projetor? Só que tá tudo projetado, você não sabe onde tá o projetor.
Muti Randolph: [9:35] Porque às vezes nem tem projetor, né? Às vezes é LED mesmo, e o LED tá cada vez com mais resolução, isso que eu amo, né? Eu adoro LED porque o painel de LED, assim, com alta resolução, às vezes você se confunde com projeção, e você pode pisar nele sem sombra, porque... já existe painel de LED no chão, né? Eu fiz uma instalação recentemente para o YouTube, que é um cubo de LED, sabe? Você tinha LED nas seis faces do cubo; você ficava literalmente dentro de um espaço virtual sem usar óculos.
Eron Falbo: [10:04] Caraca! É tipo um augmented reality físico, né?
Muti Randolph: [10:09] Exatamente. Um virtual reality, na verdade. Você tá vendo?
Eron Falbo: [10:13] Só que eu digo augmented porque, de certa forma, você também tá lá, né? Porque o augmented usa um pouco do físico e um pouco do virtual.
Muti Randolph: [10:21] Sim, você tá lá fisicamente.
Eron Falbo: [10:23] Só que é o contrário, né? Ao invés de você estar vendo o Augmented, você...
Muti Randolph: [10:27] O Augmented geralmente bota uma camada de...
Eron Falbo: [10:29] Virtualidade em cima do físico.
Muti Randolph: [10:31] É tipo aqueles filtros de Instagram que botam uma orelhinha de coelhinho assim em cima de você. Aquilo é o Augmented Reality.
Eron Falbo: [10:39] É verdade, mas isso aí a galera...
Muti Randolph: [10:43] É um coelho.
Eron Falbo: [10:44] Sim. E você, em termos de ficção científica, de influências, em termos do que você vê para o futuro, o que você quer alcançar, em termos de mudança de percepção, de experiências, qual é o seu pensamento nessa direção?
Muti Randolph: [11:06] Gente, quando eu era jovem, eu tinha uma esperança de que o futuro ia ser... Eu sempre fui muito ligado em ficção científica, e aí a gente tinha dois tipos de ficção científica. Aquela ficção científica que era tudo incrível, que a gente se teletransportava para outras galáxias, e tinha essas coisas, tipo Star Trek, Star Wars, entendeu? E tinha também aquele outro tipo, distópica, tipo... Por exemplo, tem dois filmes de ficção científica que eu gostava muito quando eu era criança: o Rollerball, o primeiro, não sei se você viu, original, com o James Cameron, entendeu? É uma sociedade dominada por corporações onde tudo deu certo.
Eron Falbo: [11:50] Deixa eu tentar adivinhar o outro, ver se eu consigo. Os anos 80?
Muti Randolph: [11:54] Estou falando dos anos 70, tá? Era criança nos anos 70, mas vi esses filmes meio em reprise nos anos 80, porque eu era muito pequeno quando eles foram lançados. Mas o Rollerball é tipo um coach meu, entendeu? Só que era um filme utópico: apesar da pancadaria que rola do começo ao fim, a sociedade estava bem, sabe? Era uma sociedade dominada pelas corporações, que é um pouco como está acontecendo hoje em dia, só que tudo deu certo. Parecia que as pessoas estavam felizes, não tinha pobreza. E do outro lado tinha o Soylent Green, que pouca gente conhece. Você viu esse filme, Soylent Green? Não.
Eron Falbo: [12:33] Soylent Green?
Muti Randolph: [12:34] Soylent Green. É uma ficção científica totalmente distópica, acho que foi a que inaugurou esse gênero de distopia. E as pessoas vivem num mundo overpopulado, com sobrepopulação, não tem espaço pra todo mundo, não tem comida pra todo mundo. E as pessoas se amontoam nas cidades em condições precárias. E o suicídio é altamente estimulado e recompensado. E as pessoas comem ração.
Eron Falbo: [13:13] Tipo o Matrix. No Matrix também rola essa... Só que...
Muti Randolph: [13:16] O Matrix é uma simulação, exatamente. É diferente, é uma simulação muito interessante também. Apesar de que eu acho...
Eron Falbo: [13:21] Mas na realidade eles comem aquela... porque eles são meio estoicos, né? Eles falam: eu vou comer uma papa.
Muti Randolph: [13:28] É, aquela papinha que vai direto no pescoço deles, né? Que eles estão dentro daqueles casos...
Eron Falbo: [13:33] Não, eu tô falando quando eles estão na vida deles real. Lá eles têm uma papinha que eles comem mesmo, é, lá na vida fora do Matrix.
Muti Randolph: [13:41] Fora do Matrix, ali naquela cidade, como é que chama? Zion? Zion?
Eron Falbo: [13:44] É, exatamente. Mas você me lembrou um que é muito bom, não sei se você lembra: o Logan's Run. Lembra o Logan's Run? Que também é distópico. O Logan's Run, eu acho que é final dos anos 60, começo dos anos 70.
Muti Randolph: [13:57] Então é o mais lendário precursor da distopia.
Eron Falbo: [14:01] Distopia é o que não falta, cara. Hoje em dia a gente tá...
Muti Randolph: [14:05] Fazendo a distopia, né? O Soylent Green acertou muito mais do que o Rollerball. O que acertou mais de todos, mesmo, foi o George Orwell. O 1984, esse eu gosto muito.
Eron Falbo: [14:20] Do pensamento político do Orwell, eu acho que ele é um cara que pensa, ele é muito moderado e é muito contra extremos, independente do lado, e denuncia esse tipo de coisa na obra dele.
Muti Randolph: [14:34] 1984 é praticamente... a gente tava até, postei o dia brincando, que eu acho que o Orwell, imagina quando ele escreveu 1984, ele estava... Acho que ele quis fazer um alerta contra os perigos de um totalitarismo, não um manual de instrução, porque parece que está sendo usado como manual de instrução, porque está tão... Está tão acontecendo, quase que literalmente, esse controle, principalmente pela... É uma história que adequa com o Rollerball até, a realidade, porque é engraçado: por um lado tem a China, que é um totalitarismo político que controla os cidadãos, apesar de ter um liberalismo do lado... É um comunismo-capitalismo, é um totalitarismo capitalista, né, que se chama comunismo, sei lá por quê. Mas o mais louco não é nem na China. O mais louco é que esse controle total que tem na China sobre as pessoas está acontecendo no Ocidente também, entendeu?
Eron Falbo: [15:36] Claro. Só que isso aqui é travestido de uma sensação de liberdade.
Muti Randolph: [15:41] É uma liberdade que está cada vez mais ilusória.
Eron Falbo: [15:44] É, e é tudo controlado, ainda mais por algoritmos: Facebook, essas coisas assim estão relatando tudo.
Muti Randolph: [15:52] É o tecno-totalitarismo.
Eron Falbo: [15:56] E, cara, você vê o Foucault falar sobre isso... Esqueci o nome do primeiro cara que fala do Panopticon, que era uma prisão inventada, acho que pelo Berkeley, não lembro, um filósofo antes do Foucault. E ele falou que a melhor prisão do mundo é você ter um lugar no meio onde você consegue ver todos os prisioneiros ao mesmo tempo, só que ele nunca sabe se está sendo visto ou não. E por isso ele nunca sai da linha, porque não sabe se pode estar sendo visto a qualquer momento. Aí o Foucault previu que as sociedades totalitárias do futuro teriam esse panopticon, só que sem o cara vendo. Jeremy Bentham, obrigado, o panopticon do Jeremy Bentham. O Foucault levou isso à frente, falou que na nossa sociedade a gente ia vigiar uns aos outros, e a gente nunca ia saber se estava sendo vigiado ou não. Aí a gente vê isso na pandemia, por exemplo, essa coisa da galera denunciando uns aos outros. Se o governo quiser controlar alguma coisa, é só espalhar algum medo e pânico, que não precisa de polícia, porque o próprio cidadão já vai vigiar uns aos outros e vai espalhar esse medo e pânico.
Muti Randolph: [17:25] É uma loucura isso, porque é tão fácil você transformar o cidadão, que, na verdade, cada vez menos dá para chamar de cidadão, cada vez mais é peão, é um instrumento totalmente controlado. É gado mesmo, gado de guarda. A pessoa vira um cão de guarda sem ganhar nada por isso, simplesmente por manipulação...
Eron Falbo: [17:52] Isso dos dois lados, tanto o bolsonarista quanto o lulista viram porta-voz de uma plataforma política.
Muti Randolph: [18:02] Antes fosse só bolsonarista e lulista. Na verdade, é de quase todo mundo, as pessoas que se dizem liberais, que se dizem de centro, que se dizem racionais.
Eron Falbo: [18:10] É verdade. Identidade, né? Quando você adota uma identidade, você passa...
Muti Randolph: [18:16] É o que eu chamo de gado de mídia, né? Porque, na verdade, todo mundo... Tem uma coisa que eu postei, só que não vou lembrar agora as palavras exatas do Thomas Sowell, que é um cara que eu gosto muito, um pensador negro que, cada vez que eu leio, tenho admirado mais. Ele fala que, na verdade, a mídia se propõe como uma janela para a realidade, mas, na verdade, é um palco em que algumas pessoas, como autoridades e jornalistas, desempenham um papel e escrevem também o roteiro desse papel, um roteiro que serve a eles próprios. Então, na verdade, são apenas as pessoas, cada grupo político tentando vender a sua narrativa. E, inclusive, as pessoas que se dizem defensoras... Por exemplo, esse debate sobre o que é ciência, putz, isso aí é uma coisa que está me deixando enlouquecido, porque eu sempre fui assim... Acho que sou quase um cientista frustrado, porque, para mim, a maior forma de arte, a maior expressão, a expressão mais bonita, a realização mais bonita do ser humano, para mim, não é nem a arte, é a ciência mesmo.
Eron Falbo: [19:51] Sim. Antigamente eu tinha isso. Leonardo da Vinci via muito assim, a arte era como se fosse uma forma de exploração da ciência.
Muti Randolph: [20:01] Eu também não vejo essa separação nem entre arte e ciência.
Eron Falbo: [20:06] E se você separar, acaba que...
Muti Randolph: [20:08] Há diversas disciplinas. Hoje em dia as pessoas vão compartimentar.
Eron Falbo: [20:14] Compartimentar.
Muti Randolph: [20:15] Compartimentalizando.
Eron Falbo: [20:17] Compartimentalizar, é, exatamente. Aí eles acabam não sabendo pegar o big picture, pegar a essência, a alma da parada. Aí, tipo assim, faz ciência sem alma, faz alma sem realidade.
Muti Randolph: [20:32] Na verdade, tudo é uma coisa só, entendeu? Então, essa over especialização, assim, na academia, cria isso. As pessoas estão perdendo o contato com a realidade, entendeu? E aí fica mais fácil ainda se inscrever a ser uma narrativa e impor essa narrativa como...
Eron Falbo: [20:54] É, exatamente. E você entrar no labirinto, né? Tipo assim, o indivíduo entrar no labirinto fica muito mais fácil pra ser manipulado e entrar nessa parada, porque ele não tá vendo o big picture. Então, a definição de um labirinto é justamente que você não tá vendo o todo. Você só tá vendo ali aquilo que tá na sua frente, a sua especialização. E isso, acho que não é nem conspiração, isso é uma coisa inerente às forças totalitárias do Estado. No momento que você cria um organismo chamado Estado, e esse Estado tem que se defender, ele naturalmente vai criar coisas para se defender que vão ser contra a liberdade do indivíduo. E se o Estado fizesse bem feito, que ele tem feito nos últimos 200 anos, ele vai se sofisticando cada vez mais e o indivíduo vai ficando cada vez mais dentro do labirinto. E tudo que é criado, é criado para transformar esse labirinto cada vez mais estreito. E as pessoas assim, artistas como você... Alan Moore, não sei se você conhece o Alan Moore. Tem pessoas assim que... do quadrinho...
Muti Randolph: [22:02] Quadrinhos, o Alan Moore?
Eron Falbo: [22:03] É, é. Que cutucam a galera pra sair do labirinto, sacou? Tipo assim, sai das fronteiras, sai da... Não tem essa parada, sacou? Independente se você tá lendo Shakespeare ou lendo um quadrinho, entendeu? Você pode usar aquilo como uma corda de Ariadne, né? Que tira você do labirinto.
Muti Randolph: [22:25] Exatamente. E as pessoas estão, na verdade, mais perdidas nesse labirinto e achando que estão... e sem noção disso, entendeu? É assustador. E, realmente, como você falou, não é uma conspiração. É uma coisa orgânica, entendeu? É uma coisa que já acontece automaticamente. É natural e artificial.
Eron Falbo: [22:42] É claro que tem pessoas que acabam ajudando, né? Você pode até chamar de conspiração. Tem grupos que adotam ideologias conscientemente.
Muti Randolph: [22:52] Tem gente que se aproveita dessa situação para adiantar seus interesses. É isso que acontece o tempo todo. E aí tem poucos players que dominam a história e que usam essa estrutura, esse labirinto já montado, em proveito próprio.
Eron Falbo: [23:12] Exatamente, percebem que existe.
Muti Randolph: [23:15] É, e se aproveitam disso, entendeu? E aí ficam um monte de idiotas lutando e policiando pelos interesses deles.
Eron Falbo: [23:23] E ficam construindo a parede do próprio labirinto, né?
Muti Randolph: [23:28] Exatamente, mas construindo a parede, a polícia do labirinto que vai lá e... entendeu?
Eron Falbo: [23:36] É o que Platão chama dos mestres da caverna, a galera que faz as sombrazinhas na caverna de Platão, que tem uns fantochezinhos. Tem uma galera lá que tá tão dentro da caverna que fica lá responsável pelos fantochezinhos pra botar a sombra.
Muti Randolph: [23:52] A polícia das sombras.
Eron Falbo: [23:53] É bizarro. Mas, e como você vê a sua arte, o seu trabalho? Uma coisa é você fazer cenografia pra, né, pra uma boate, que você tá ganhando um dinheirão e tem que ser o entretenimento. Outra coisa, pô, se não for um dinheirão, aí eu vou te chamar pra fazer aqui na minha casa, pô. Sexta-feira eu fiz uma festa meio que trash com umas luzes daquelas. Me chama?
Muti Randolph: [24:31] Vou te falar que aqui agora, nessa nova distopia que a gente tá vivendo, inclusive eu tô até fazendo um projeto pra uma pista de dança dentro da casa de um cara, entendeu?
Eron Falbo: [24:40] Porra, bora bolar alguma coisa aqui pra casa, bicho. Seria fera demais.
Muti Randolph: [24:44] Vai ser um prazer.
Eron Falbo: [24:46] Uma parada tipo futurista, assim, tipo impactante. Porque meus móveis são todos do século XIX, então tem que ter uma parada futurista.
Muti Randolph: [24:56] A Galeria Melissa de Londres é num prédio georregiano, é o prédio mais antigo lá da região, que é uma das regiões mais antigas de Londres. É um prédio do século XVII, ou seja, no comecinho do século XVIII, Minto. Caraca, já está bom! É! E, obviamente, eu não podia mexer... Brasil ainda existia. Eu não podia mexer num prego.
Eron Falbo: [25:25] Brasil independente, pelo menos.
Muti Randolph: [25:27] É, existia. Caraca! Era aquela colônia barroca. Mas aí eu não podia, obviamente, mexer num prego, nem queria mexer. Então eu criei essa arquitetura...
Eron Falbo: [25:39] A instalação era tudo fora.
Muti Randolph: [25:41] É, e a instalação depois... Não é por fora. Eu criei uns móveis, ou seja, objetos, que é uma arquitetura, dentro de uma arquitetura, objetos altamente contemporâneos, entendeu? Altamente, quase futurista, já, acho que já, se você ver, assim, não é nem mais retrofuturista, é futurista mesmo, assim, uma coisa... Que eu tenho feito mais recentemente.
Eron Falbo: [26:04] Pô, fera, fera. Depois você me manda alguma coisa disso, ou tem no YouTube aí, de repente, pra todo mundo ver?
Muti Randolph: [26:09] Tem no meu site, né, no multihandle.com.
Eron Falbo: [26:11] Ah, vamos fazer esse... É, multihandle.com, né? .Com.br?
Muti Randolph: [26:18] É, o portfólio online, é. É só .com, www.multirandom.com.
Eron Falbo: [26:23] E o seu Instagram também, só pra avisar.
Muti Randolph: [26:27] Minha bateria tá meio que acabando e eu vou ter que tirar o fone.
Eron Falbo: [26:33] Ah, saquei, saquei. É porque é a mesma coisa. Tudo bem, então tira o fone, é melhor. Mas quanto tem de porcentagem de bateria?
Muti Randolph: [26:41] Tá meio crítico, viu?
Eron Falbo: [26:43] Ah, é? Então tira o fone, que é melhor ficar sem fone do que perder nos últimos momentos.
Muti Randolph: [26:51] 17%. Ainda dá pra aguentar mais um pouquinho.
Eron Falbo: [26:54] Ah não, 17% não, põe o fone mais um pouquinho. 17%, que ele vai avisar quando tiver 10%, aí você bota, porque... Acho que vai dar tempo. Só que o áudio realmente fica melhor, então prezando aí pela tecnologia.
Muti Randolph: [27:12] Acho que meu telefone tá... A bateria é meio bichada, porque estava 80% e foi diminuindo muito.
Eron Falbo: [27:18] É dos anos 80 o telefone?
Muti Randolph: [27:21] É um iPhone 11.
Eron Falbo: [27:25] É o celular que tem aquele, como é o nome, aquele Snake... Nibbles. Lembra do Nibbles no DOS? Nibbles vem desde o Atari, né? Mas no DOS tinha uma parada que você botava... Não, mas você tinha Macintosh, você não lembra disso? Tinha um aparato que você botava...
Muti Randolph: [27:44] Exatamente... Eu usava Apple antes de Macintosh, na verdade.
Eron Falbo: [27:51] Eu usava Apple... Então tinha aquele Mavis Beacon, Mavis Beacon Teaches Typing.
Muti Randolph: [28:00] Tô lembrando agora o nome do meu programa de HyperCard que eu usava no Mac SE, assim, que é aquele... Primeiro, não, nem primeiro, porque o primeiro foi o Mac 128, né?
Eron Falbo: [28:14] Que jogos você curtia das antigas? Nessas primeiras plataformas... Cara, antes... Putz, eu...
Muti Randolph: [28:24] O primeiro videogame que eu tive foi um Pong. Eu tinha um console que era só Pong.
Eron Falbo: [28:28] Tá ligado, Pong.
Muti Randolph: [28:29] Entendeu? Ele só tinha um jogo e tinha dois, assim... Era tipo um joystickão, né?
Eron Falbo: [28:35] Não é nob, é...
Muti Randolph: [28:35] Não, é nob, né? Porque é parecido com o meu Pong, né? Então, é nob que você girava, e tinha dois, um pra cada jogador. Você jogava com uma pessoa, é...
Eron Falbo: [28:43] O nob é aquela parada que você faz assim, tipo...
Muti Randolph: [28:45] O nob é um botão que você gira.
Eron Falbo: [28:48] Ah, tipo um joystick sem a...
Muti Randolph: [28:50] Não, não.
Eron Falbo: [28:51] Ah, entendi, entendi.
Muti Randolph: [28:52] O nob é simplesmente um botão que você gira, tipo um volume, sabe? Daqueles de volume, daqueles de som antigo.
Eron Falbo: [28:59] Sei, ok.
Muti Randolph: [29:00] Você gira. Aí isso é um nob. Entendeu?
Eron Falbo: [29:02] Ah, lembrei. Você faz assim, ó. Tipo...
Muti Randolph: [29:06] É, exatamente. Você gira pra cima.
Eron Falbo: [29:10] Quando você for de seios.
Muti Randolph: [29:11] A raquete vai pra cima, a esquerda, a raquete vai pra baixo.
Eron Falbo: [29:15] Ah, lembro do Pong. E tinha no fliperama. No fliperama eles fizeram a mesma coisa, né? Um é pra cima, o outro é pra baixo, né? Uma coisa assim, tipo vertical axis, horizontal axis, né?
Muti Randolph: [29:28] É, é. E eu amava aquilo. É tipo a simplicidade, é o minimalismo completo do videogame, é o primeiro videogame. Depois é aquela história toda que todo mundo passou, né? Eu não fui diferente das pessoas da minha idade, eu acho, só que eu era um pouco mais viciado que os outros. Então eu gostava de Donkey Kong, de Space Invaders, Pac-Man, uma porra toda.
Eron Falbo: [29:49] Tô botando outro item aqui, hein, só pra você se sentir mais acolhido.
Muti Randolph: [29:53] Deixa eu botar um pra mim também.
Eron Falbo: [29:59] Mas o filme que eu achei que você ia falar era Escape from L.A., cara. Eu lembro, o Kurt Russell.
Muti Randolph: [30:04] Ah, falando em Kurt Russell, não, falando em Carpenter, eu lembro Escape from New York.
Eron Falbo: [30:12] Escape from L.A. e Escape from New York, tem os dois. Eu não lembro qual que é o primeiro. Eu acho que o primeiro é New York.
Muti Randolph: [30:18] O Escape from New York, eu lembrei muito dele ultimamente, porque eu tô achando que o Brasil tá quase virando uma coisa, porque, por causa do nosso governo completamente inepto e por causa da nossa população completamente ignorante, sem noção, a gente virou o foco mundial da Covid, com duas variações. Não basta uma, a gente tem duas novas variantes altamente preocupantes da Covid, que é a P1 e a P2. E o mundo fechou a gente, né? A gente tá isolado, totalmente isolado, com toda razão, né? Tão fechando os contatos, os roles, enfim, é um pouco tarde demais, porque, porra, já se espalhou, já foi pro Japão, já tá aparecendo em qualquer lugar. Só que é o seguinte: eu tô me lembrando um pouco do Escape from New York, que as pessoas fecham Manhattan, né? Fecham Manhattan e botam tudo lá dentro, né? Porque já tem tanto bandido lá dentro...
Eron Falbo: [31:20] Daqui a pouco vai rolar isso.
Muti Randolph: [31:22] É, de fechar, completamente fechar o Manhattan numa prisão.
Eron Falbo: [31:27] Mas pra mim tudo bem, fecha aqui o Rio de Janeiro, a gente faz uma festinha aqui, pô, faz uma parada pós-apocalíptica, porra. Eu ponho... como é que chama aquele protetor de skate, sacou? Cotoveleira. Sabe que eu tenho um passado punk, né? Eu vi umas fotos, quando você tinha cabelo, você era punk.
Muti Randolph: [31:50] Quando eu tinha cabelo eu era punk, depois eu virei skinhead.
Eron Falbo: [31:55] A gente vai se adaptando, vai amadurecendo. É, bicho, mas me fala um pouco, cara, sei lá, dos seus projetos. Acaba que na pandemia cortou um pouquinho, né, dos projetos, um pouquinho pra caralho, né?
Muti Randolph: [32:13] Não, cortou um pouquinho. Acabou. Deixa eu ver como é que tá.
Eron Falbo: [32:17] Tu tá até aceitando fazer meu apartamento.
Muti Randolph: [32:21] É. Tô aí... Posso ser...
Eron Falbo: [32:27] Vamos fazer um show de luzes na banheira.
Muti Randolph: [32:30] É, a bar mitzvah nem existe mais. Qualquer coisa tu aceita.
Eron Falbo: [32:35] O judaísmo não existe mais, a pandemia foi.
Muti Randolph: [32:38] Acabou. Não, mas existe, mas agora tá tudo isolado. Eu não tô fazendo festa não, mas uma pista de dança dentro do apartamento é super fácil.
Eron Falbo: [32:51] Não, o que eu quero fazer... Você.
Muti Randolph: [32:53] Pode fazer uma pista de dança no seu apartamento.
Eron Falbo: [32:54] É, mas o que eu quero fazer.
Muti Randolph: [32:56] É tipo... Com a sua mulher, entendeu?
Eron Falbo: [32:59] O que eu gosto de fazer é chamar uma galera aqui pra casa e fazer um banquete de Platão futurista, entendeu? Chama umas nove a doze pessoas.
Muti Randolph: [33:12] Perfeito!
Eron Falbo: [33:13] Faz uma mesa, mistura vinho com cogumelos alucinógenos, faz um show de luzes e começa a escutar a música grega antiga.
Muti Randolph: [33:25] Ótimo! Já estou pensando como vai ser esse projeto.
Eron Falbo: [33:29] Você tem que vir aí. Quantos segundos você desce da serra?
Muti Randolph: [33:34] Eu devo ir amanhã porque preciso pegar umas coisas no Rio. Eu vim na última vez, como eu te falei. Logo antes de rolar, de fechar a escola, de as pessoas se ligarem, de a coisa ficar complicada, peguei a minha mãe e a minha filha e vim para cá. Cheguei da escola, a mãe dela ficou revoltada. Depois a mãe veio também.
Eron Falbo: [33:58] Você já estava preparado para o apocalipse antes do Covid, então imagina agora. Agora que tem evidências... Eu já estava me isolando há dez anos.
Muti Randolph: [34:09] Dez anos?
Eron Falbo: [34:11] Você é o Brad Pitt naquele filme lá do mercado financeiro. Qual que é o nome daquele filme? Get Shorty?
Muti Randolph: [34:19] Não. Get Shorty. É, Get Shorty.
Eron Falbo: [34:22] Get Shorty? Não, Get Shorty é das antigas. Não.
Muti Randolph: [34:25] Get Shorty. Ah, você não tá falando do Leonardo DiCaprio naquele? Não.
Eron Falbo: [34:30] Não, eu tô falando do filme novo. Tem o filme do... O Brad Pitt é o cara que...
Muti Randolph: [34:36] The Big Short é sobre... O de 2008, aqui de 2008, o pessoal que previu...
Eron Falbo: [34:40] É, que o Brad Pitt faz o personagem... Não, o Brad Pitt, sim. O Brad Pitt faz o personagem, o cara que acumula as paradas pra preparar pro apocalipse. Ele é todo paranoico, que a bolsa vai derreter... Não, eu não sou assim, não, eu.
Muti Randolph: [34:56] Tô brincando, tô brincando. Mas agora eu vou te falar que eu tô bem preocupado com essa P1, viu? A P2 não, a P2 é a variante carioca, eu acho ela bem tranquila, tipo carioca assim, easygoing. Mas a P1 da Amazônia é sinistra, viu? O que tá fazendo lá é um negócio, porra.
Eron Falbo: [35:17] Tudo que vem da Amazônia é sinistro, porra. A Ayahuasca, os índios, sacou? A própria Amazônia, porra. Alguém já tentou ir lá? Porra, tem vários filmes, galera, dos ingleses chegando lá na Amazônia e se acabando também.
Muti Randolph: [35:33] Ah, o Fitzcarraldo, né? Você viu o Fitzcarraldo? Já, já viu?
Eron Falbo: [35:37] Aqui, a Guilherme, total. Esse filme é alucinante, é muito bom. O maluco, o Europol, coitado, achando que ele vai conquistar alguma merda. Né?
Muti Randolph: [35:47] É.
Eron Falbo: [35:48] E é despóplico pra caralho.
Muti Randolph: [35:51] Nossa, a guia é impressionante. Mas é isso.
Eron Falbo: [35:55] É muito bom, muito bom.
Muti Randolph: [35:57] A vingança de Moctezuma, né?
Eron Falbo: [36:00] A vingança... Cara, a Amazônia pra mim é tipo... É um mundo assim que tipo... Porra, bicho, o ser humano não tem nenhuma chance, sacou? Não tem chance lá. Tipo, não é uma... É humilhação total, assim. Você entra lá, tipo... Até os índios, que são os seres humanos que estão lá, só sobrevivem lá porque eles submeteram à parada, sacou? E eles estão trabalhando pra parada. Eles são contratados do deus maluco que comanda a Amazônia, sacou? Porque senão, pô, não ia... Aí eles vão lá zarar batendo.
Muti Randolph: [36:42] Não sei se é isso, se é a vingança da Amazônica, mas acho que o celeiro desse P1 não foi nem a natureza, foi justamente condições precárias da civilização, da ocupação humana de Manaus.
Eron Falbo: [37:05] Até tem uma parada que eu ouvi... Diz aí.
Muti Randolph: [37:12] Não, perdão, pode falar.
Eron Falbo: [37:13] Você vai dizer uma parada melhor que a minha, eu te juro.
Muti Randolph: [37:18] Eu até esqueci o que eu ia falar.
Eron Falbo: [37:21] Eu ia tirar uma onda, ia te trollar, mas esqueci, mas tá bom. É que tem uma lenda que a Amazônia não vem, tipo, das Amazonas, né? As feministas adorariam que viesse, mas não faz muito sentido, porque guerreiras amazonas não fazem muito sentido com floresta e tal. Elas não usavam... Não tem muito nexo, guerreiras da Amazônia. Dizem que vêm da Amazônia.
Muti Randolph: [37:49] Eu vi no filme da Mulher Maravilha as Amazonas vivendo numa ilha grega.
Eron Falbo: [37:54] É, Lesbos, né? A ilha de Lesbos. É, justamente. Eu já fui lá e não é tão... Elas não estão tão dedicadas a mulheres, elas abrem exceções. Mas eu queria dizer que tem uma outra teoria, que o nome Amazônia vem de "mazon", uma palavra em hebraico que significa abundância ou substância, que faz muito mais sentido, que a Amazônia é uma projeção de substância, de abundância, de vida. E atropela qualquer pessoa.
Muti Randolph: [38:33] É uma vida que depende de um equilíbrio que é bem frágil, que os vermes, chamados humanos, estão tratando de destruir. Não só a Amazônia, mas o mundo inteiro. Isso é uma coisa que me... Cara.
Eron Falbo: [38:49] Eu, sinceramente, não gosto de falar assim, porque, cara, quando a gente chama vermes humanos, eu vejo assim: cara, a gente também é limitado pra caralho, então a gente se dá muito crédito falando assim, tipo, a gente é culpado. A gente é meio que também um animal que tá seguindo o instinto e fazendo merda porque é burrão mesmo, entendeu? Mas eu concordo com você que a gente tem que acordar e cuidar da nossa parada.
Muti Randolph: [39:16] A gente é um animal, só que a gente desenvolveu uma tecnologia que permitiu que a gente pudesse, praticamente, dominar todos os outros animais e a natureza, e prevalecer e estourar, crescer a população de uma maneira absurda que nenhuma outra espécie conseguiu, porque a gente tem essa tecnologia. Só que esse poder que a gente tem não foi acompanhado por uma inteligência de preservar... Total.
Eron Falbo: [39:54] Tipo assim, acho que...
Muti Randolph: [39:59] A nossa própria, entendeu? Meio de sobrevivência, entendeu? Então é uma burrice absurda. Os animais, por mais idiotas que sejam, como a gente...
Eron Falbo: [40:08] É, eles garantem a própria sobrevivência.
Muti Randolph: [40:10] A capacidade destrutiva que a gente tem.
Eron Falbo: [40:12] É verdade, se destruir. É o que o Agent Smith do Matrix fala, né? Lembra dele? Ele fala que a única espécie... é um câncer, a única espécie com capacidade de se destruir.
Muti Randolph: [40:31] Exatamente. Acho que dá para fazer essa analogia de que a humanidade é um câncer, porque justamente somos produtos da natureza, somos animal, mas somos uma espécie de animal que evoluiu de uma maneira louquíssima e conseguiu, sabe, criar coisas belíssimas. Mas perto do que a gente criou, perto do que a gente destruiu, tudo que a gente fez de bonito pales in comparison, né?
Eron Falbo: [41:05] Mas, Muti, Muti, eu vou jogar uma parada otimista, utópica, em vez de distópica. Só pra jogar, só pra jogar.
Muti Randolph: [41:13] Ah, as pessoas vão...
Eron Falbo: [41:14] Não, porque... O que eu vejo é que, cara, eu vejo que o ser humano ou é mais animal do que os animais, ou, se ele conseguir abraçar uma missão divina, ele consegue de fato ser esse ser que dominou os animais, que é superior aos animais, que dominou a natureza de fato. Só que, para isso... O que eu quero dizer, no sentido positivo, é ele transcender essa realidade em termos de consciência, de entendimento, de inteligência, e nisso se unir com essa realidade de uma forma sustentável, de uma forma construtiva, entendeu? Acho que isso entra muito no seu trabalho, né? Você pode usar eletricidade, pode usar entretenimento, pode usar música para criar experiências. Uma experiência imersiva que você faz pode transformar a experiência da pessoa, a percepção da pessoa, o jeito que ela vê o mundo. Ela pode ficar uma pessoa mais... É enorme, é uma pessoa reverenciando a natureza, reverenciando o mundo, mais humilde, só de entrar dentro de um espaço, de um ambiente, entendeu? Se a gente canalizar a tecnologia, a arte, tudo, para transformar o ser humano, de repente a gente consegue transcender essas dificuldades, essa distopia, entendeu? Eu sempre acho que a gente tem esses dois caminhos: utopia e distopia, entendeu? Só que a gente pode usar as coisas para chegar a uma... Tanto que a gente vê isso, a gente vê filmes que fazem a gente, porra, acordar.
Muti Randolph: [43:05] O cinema, principalmente, tem a capacidade de conscientizar as pessoas. A minha arte tem a capacidade de, de repente, dar um gostinho de uma realidade melhor que a gente poderia ter, de uma esperança na humanidade, talvez, pela sublimação, de ver o que... A minha arte, mas não só, toda grande arte, a gente pode ser exatamente divino, a gente pode ser maravilhoso. Só que, infelizmente, isso não está sendo suficiente para mudar o curso da humanidade, que está cada vez mais próxima da distopia. Já estamos, já chegamos na distopia.
Eron Falbo: [43:47] Mas, cara, uma obra, bicho, uma obra muda tudo, sacou? Tipo, a Lista de Schindler muda o jeito que as pessoas, entendeu, veem a...
Muti Randolph: [43:58] O Schindler salvou, não sei quantos, 200, 300 judeus, mas 6 milhões foram mortos.
Eron Falbo: [44:06] Não, tá bom, mas o filme, A Lista de Schindler, fez a humanidade derreter o coração, entendeu? E começar a prestar atenção nesse tipo de coisa. É isso que eu tô falando. Você, com a sua arte, por exemplo...
Muti Randolph: [44:18] Tem razão, acho que a gente tem que lutar, a gente tem que mostrar, a gente tem que tentar mudar, mas eu...
Eron Falbo: [44:24] A luz tá aí, o saco, a luz tá aí. Eu tenho até uma citação aqui que eu reservei, ó, que é do W.B. Yeats. O mundo tá cheio de coisas mágicas, pacientemente esperando nossos sentidos se aguçarem. O que você faz é isso? Você está facilitando para os sentidos poderem absorver?
Muti Randolph: [44:45] O que eu vejo é que o tempo vai passando, entendeu? E realmente existe uma conscientização maior da merda que a gente tá causando, da instituição, mas a coisa é tão urgente, tão urgente, que eu acho que não é suficiente. O tempo tá muito lento, a gente já teria que tá transformando, já teria que ter.
Eron Falbo: [45:06] Mas, cara, o tempo, tipo assim, o tempo é esse tipo de transformação mágica, não tem tempo, sacou? Se o mundo acordar.
Muti Randolph: [45:18] Tem tempo, porque a gente tem uma emergência, essa emergência, sabe? Já passou do... Mas isso é um...
Eron Falbo: [45:25] Julgamento nosso, que tem um time ticking. Eu acredito, isso sou eu, estou falando minha opinião pessoal, mas você está vendo o ser humano e a natureza separados. Os dois estão dançando juntos, e quando um despertar, o outro segue na mesma dança, entendeu o que eu quero dizer? Que não tem limite, não tem limite, é só uma questão, tipo assim, é.
Muti Randolph: [46:03] Esse tá entregue, o câncer tá vencendo... Não, mas eu não falei que eu...
Eron Falbo: [46:08] Concordo com isso. Falei que... o agente mesmo falava com isso, eu acho que até um câncer... Para te dizer, meus dois pais tiveram câncer, meu pai faleceu de câncer. Mas eu acredito que o câncer vem para educar, vem para alertar, vem para acordar, entendeu? Não é um malfunction, sacou? Não é uma coisa...
Muti Randolph: [46:30] É uma merda, porque não serve nem a ele próprio.
Eron Falbo: [46:34] Mas o câncer tem um objetivo filosófico. O objetivo filosófico é você começar a aprender que você tá fazendo mal pra você mesmo. E aí o câncer se manifesta, entendeu?
Muti Randolph: [46:45] Assim como a humanidade, é uma coisa natural, não tem objetivo, acontece. E é uma merda, porque o câncer, quando vence, morre.
Eron Falbo: [46:57] Mas aí, de novo, você está acreditando em politeísmo, que são várias forças agindo contraditoriamente uma com a outra.
Muti Randolph: [47:04] Então, o que é fatos?
Eron Falbo: [47:07] Fatos são várias forças diferentes. Cada um, tipo, os deuses estão lutando um contra o outro. Aí, às vezes, um ganha, às vezes, o outro. Eu sou monoteísta. Eu acredito no seguinte: que existe uma realidade integrada. Existem os deuses, só que os deuses estão dançando. A gente vê os deuses guerreando um contra o outro. Só que, se você botar o Big Picture e sair do labirinto, você vê que é uma obra de arte. Até o câncer, até o holocausto, até tudo tá funcionando pra tudo acontecer de uma forma brilhante. Tipo assim, deixa eu dar um exemplo. Vamos dizer: se você pegar uma maçã de uma árvore quando ela não tá madura ainda, se você focar naquilo e você não tiver nenhuma outra realidade, se você não souber que a maçã ficou madura, tem um momento, biologicamente, na planta, no fruto, antes de você colher ela da árvore. Se você colher ela, você pode até morrer. Você pode colher ela da árvore, você pode comer, porque ela está venenosa. Só que, se você esperasse entender o propósito daquela germinação, daquele blossoming, daquela coisa que aconteceu, era melhor você vir a entender que é um fruto.
Muti Randolph: [48:32] Não existe um propósito, existe simplesmente... O único propósito da maçã germinar, amadurecer e apodrecer é simplesmente a vida, a continuação do gene da macieira. Entendeu? É para isso que serve a maçã.
Eron Falbo: [48:54] Ué, mas extrapola isso para trás, para o universo. É um veículo do... Concordo, mas extrapola isso para trás. E a germinação do cosmos?
Muti Randolph: [49:05] Genes que formam o código genético da macieira, entendeu?
Eron Falbo: [49:08] Concordo. Então extrapola isso para trás. E a germinação do Big Bang? Se você botar a semente do Big Bang, como é que você não sabe que tem um...
Muti Randolph: [49:19] O Big Bang a gente não sabe como é que aconteceu.
Eron Falbo: [49:22] Não, não estou falando que sabe, estou falando do mesmo jeito que você está falando.
Muti Randolph: [49:26] A gente sabe que é uma macieira, que é uma semente de maçã. Para que serve o fruto da maçã? Para alimentar a semente da maçã. Quando ela apodrece e cai, a semente cai no chão, e a maçã serve para nutrir essa semente, que vai formar uma macieira.
Eron Falbo: [49:42] Então, nessa lógica, você pode pegar... Claro que a gente não sabe, eu não tô falando que a gente sabe, eu não tô falando que eu conheço Deus, eu tô falando que eu sei que eu não conheço Deus. Muita gente acha que não, eu sei que conheço que não tem Deus. Aí é uma outra problemática. O que eu tô falando: se você extrapolar o lance da semente da macieira, você pode extrapolar isso para uma semente do universo. Aí, o holocausto tem um propósito. O holocausto, se você olhar só pelo tempo e espaço do holocausto, você não entendeu. Você colher o fruto da árvore...
Muti Randolph: [50:15] Não, isso não.
Eron Falbo: [50:17] Naquele tempo e espaço, naquela foto, era aquilo. Mas se você for ver, se não tivesse o Holocausto, não ia ter o Estado de Israel. Aí, se você for ver mais para 100 anos no futuro, não ia ter outras coisas que a gente nem está vendo. Mas eu não estou falando que é intencional. É cósmico. Não é o Hitler que fez isso. O Hitler é que nem o universitário que está falando para o Lula, para o Bolsonaro, que está trabalhando para o cosmos. Ele está trabalhando para uma plataforma política.
Muti Randolph: [50:49] É um universitário com poder absoluto. Pegar um universitário desse que fala que o Stalin matou pouco, também tem esse, né? Tem outro lado. Botar ele no poder vai ser outro Estado.
Eron Falbo: [51:00] Tá certo, mas acho que todo mundo é assim. Tanto o Hitler quanto o indivíduo, entendeu? É um fantoche que tá trabalhando pro cosmos, pra vontade cósmica. Então, o que eu tô dizendo é que o bom e o ruim é a gente que tá julgando.
Muti Randolph: [51:16] É nisso que a gente diverge, entendeu? Acho que as coisas já acontecem. Não existe alguém assim que está... Porque se tivesse uma intenção, se tivesse um deus que usasse o Holocausto como um instrumento para o seu desígnio cósmico, seria um deus muito filho da puta, muito escroto.
Eron Falbo: [51:38] Depende do desígnio cósmico. Se for um desígnio cósmico de muito mais prazer e sabedoria e melhora para a humanidade inteira. É porque você já tá julgando que foi ruim.
Muti Randolph: [51:48] Tá certo, tá certo.
Eron Falbo: [51:52] Eu concordo, concordo. Isso depende da imaginação que você tem. Cara, muita gente que sente muita dor, na hora de sentir a dor, fala que nada valeria a pena. Mas depois de vários anos, você fala: puta que pariu, a coisa que eu aprendi com isso foi tão... De inocente...
Muti Randolph: [52:14] De criança, de gente que não tem...
Eron Falbo: [52:15] Com cor, cara, não tô justificando de jeito nenhum, cara. Não vamos nem depois, galera, não vamos publicar isso como eu dizendo que eu sou revisionista. Porque eu tô dizendo uma parada filosófica assim, tipo, que, cara, eu acredito que inerentemente, tipo, do mesmo jeito que você falou, se tudo é um acaso... Não, se acontecer um acaso, então a macieira devia ora crescer pra lá, ora crescer pra cá, mas a macieira sempre cresce pra cima e tem uma maçã, entendeu?
Muti Randolph: [52:45] Ela cresce pra cima porque é em cima que ela vai conseguir... Então, mas tem uma ordem.
Eron Falbo: [52:51] Isso que é cosmos. Cosmos simplesmente significa ordem. Ordem é a palavra latina para cosmos em grego. Então é ordem, tem uma ordem. Se nasceu de um jeito, vai para outro jeito. Então eu acredito que o cosmos tem essa semente.
Muti Randolph: [53:05] A matéria é programada geneticamente para ir para cima, para conseguir mais... E eu.
Eron Falbo: [53:08] Acredito que o cosmos é programado geneticamente para ser bom.
Muti Randolph: [53:12] Não, o cosmos não tem genes. A matéria tem, entendeu, biologia. Só que não dá para confundir cosmologia com biologia, entendeu? A biologia... Porque não dá, tem uma programação genética, o universo não.
Eron Falbo: [53:26] Então, mas a gente tem mais, tipo, cinco minutos pra gente terminar a nossa conversa, que a gente sabia que a gente ia viajar pra caramba. Mas, porra, valeu muito a pena. Eu tenho um compromisso de a gente terminar em uma hora. E depois que eu conquistar um certo número de seguidores e, porra, dominar Vladivostok, com 20 exércitos... Cara, acabei de comprar, você tem que chegar aqui em casa e jogar War versão Vikings. Acabei de comprar.
Muti Randolph: [54:00] Ah, não tem isso pra vender no Mercado Livre.
Eron Falbo: [54:01] Comprei. Bora marcar isso. Então, depois de um certo tempo, eu vou começar a fazer lives que são eternas, entendeu? Tipo, a gente fica filosofando pra sempre e vamos ver o que acontece.
Muti Randolph: [54:19] Aquele papo de, né, para fruir o vinho psicotrópico, né?
Eron Falbo: [54:26] Total! Vou deixar a última pergunta para você, que é justo sobre isso, sobre percepção: até que ponto você usa sua arte, sua sabedoria tecnológica, seu conhecimento de programação, de cutting edge, arquitetura/tecnologia, para não influenciar, mas para educar, para também influenciar de uma maneira positiva, criar experiências que a pessoa vai lá e vai ter um... algum sentimento que você quer gerar?
Muti Randolph: [55:01] Então, na verdade, eu acho que os espaços que eu crio, eu crio sempre pensando, primeiro, assim, uma coisa meio egoísta, pensando em mim, entendeu? Pensando como eu vou criar uma coisa que vai ser uma maneira de eu sair um pouco dessa merda toda, entendeu? É muito escapista o meu trabalho, entendeu? É uma maneira de a gente sair um pouco dessa realidade, dessa destruição, e alcançar um pouquinho de uma coisa acima disso, entendeu? E a partir do momento que eu consigo alcançar isso, eu acho que as pessoas que vão, que visitam, enfim, que têm essa experiência também podem se beneficiar disso.
Eron Falbo: [55:44] Eu vou te dizer que eu já...
Muti Randolph: [55:46] Já que a gente vai fazer uma analogia religiosa, fala desse pedacinho de paraíso.
Eron Falbo: [55:51] Total, cara. E, cara, tem uma... Os antigos falavam da seguinte forma, que o céu, como se fosse, né, tem até uma palavra em hebraico que é sobre isso... Não vou lembrar agora, mas a palavra brincadeira em hebraico significa se virar ao se virar. Sabe o que significa isso, se virar ao se virar? Quer dizer que não tem objetivo nenhum, você tá virando pro mesmo lugar, entendeu? Então, tipo, uma brincadeira... Aí dizem que o céu é uma brincadeira. Tipo assim, nesse mundo a gente tem um objetivo, então é uma linha: começo, meio e fim. A gente começa uma coisa, tenta terminar e chegar em algum lugar. Só que o lugar que é bom mesmo é você jogar o jogo, sacou? Que tipo assim, a beleza... Tem até alguém que ganha, mas durante o jogo você tá dentro do jogo. E você não tá pensando na fazenda, na colheita, você tá dentro do jogo. E aquilo é a graça. A graça não é quem ganha. O cara que ganha, e depois... O infeliz é o cara que ganha, porque ele se sente orgulhoso, ele tem problemas sexuais pra se desenvolver. Mas é legal mesmo a galera cantar lá no meio do ar. Isso é o jogo.
Muti Randolph: [57:25] O que importa é o jogo.
Eron Falbo: [57:28] É isso que você está falando. Você está querendo criar um ambiente que a galera entra no jogo e esquece da parada que não é real, que é a realidade do dia a dia, que a galera se confunde com a realidade. Mas o que ensina o Talmud é que a realidade verdadeira é o jogo. E a única razão que existe a realidade que a gente chama de real é pra lembrar da importância do jogo, entendeu? Pra gente poder criar esses jogos cada vez mais robustos, cada vez mais captando os nossos sentidos, que é o que você faz, captando cada vez mais os nossos sentidos. Eu acho que, porra, isso, cara, dá pra desenvolver, botar cheiro no meio, botar todo tipo de coisa. Mas eu quero te dizer que eu já usei psicotrópicos no The Edge, e tudo ajuda um ao outro.
Muti Randolph: [58:17] Será que os dealers de psicotrópicos do The Edge se reclamarem comigo?
Eron Falbo: [58:23] Porque, sabe, não tá funcionando. Sério, essas ligações. Ué, aqui sou eu, Bob Diller, do The Edge. Vamos repetir.
Muti Randolph: [59:04] Aí, vamos organizar esse War Vikings, essa ficha de dança psicotrópica.
Eron Falbo: [59:10] Valeu, boa noite a todos aí. Obrigado por assistirem, por ouvirem. Tudo de bom. E escutem no Spotify.
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