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Eron Falbo: [0:05] Eron Falbo: Sejam bem-vindos! Você entrou no Alvo. Eu sou o Eron Falbo e hoje a gente tá aqui com a Karen Couto. Karen é chefe de cozinha, autora do livro Você Pode Ser Mais Feliz Comendo e colunista da revista Bazar. Então junte-se a nós, pessoal. Sente-se ao redor dessa fogueira e vamos ter acesso juntos às receitas de liberdade dessa nobre e poderosa chefe de vida. Oi, Karen.
Karen Couto: [0:37] Karen Couto: Nossa, é inacreditável que a gente tá aqui a distância, que eu tô em Bali, na Indonésia, e você no Brasil.
Eron Falbo: [0:50] Eron Falbo: É, por isso que eu botei essa camisa aqui, pra você se sentir mais em casa. Gente, a Karen tá na Indonésia. Primeira vez que uso algo estampado.
Karen Couto: [1:07] Karen Couto: E os bons drinks? Nada, é um kefir com uma flor dentro, porque a essa hora, como é que a gente...
Eron Falbo: [1:16] Eron Falbo: Eu estou aqui também, estou acordando agora, tomando uma água de coco.
Karen Couto: [1:22] Karen Couto: Então, eu já tomei o Coconut, aí eu falei: vou mostrar a cor do kefir para o Eron que eu fiz.
Eron Falbo: [1:29] Eron Falbo: O que é kefir? O que quer dizer?
Karen Couto: [1:32] Karen Couto: Uma cultura de micro-organismos, é tipo kombucha, eu explico no livro. São como os bichinhos, para falar de uma maneira muito fácil para as pessoas entenderem, são os bichinhos que você alimenta com açúcar. Então eles se alimentam e fermentam, então o açúcar desaparece.
Eron Falbo: [1:55] Eron Falbo: Tipo bactéria, os bichinhos são tipo bactéria?
Karen Couto: [1:58] Karen Couto: Isso, as bifidobactérias. E aí elas são ótimas para as nossas bactérias internas, porque a gente tem trilhões de bactérias dentro da gente, aí tem as boas e tem as ruins. Então a gente tem que alimentar o time bom, entendeu?
Eron Falbo: [2:12] Eron Falbo: A gente tem mais de 100 vezes mais bactérias do que células humanas dentro do corpo.
Karen Couto: [2:20] Karen Couto: Olha, você está sabendo, você andou estudando.
Eron Falbo: [2:24] Eron Falbo: E eu estava estudando sobre isso, é fascinante isso que os cientistas hoje em dia pensam: é bem possível que, na verdade, essas bactérias produzam neuroquímicos. Então isso significa que as bactérias afetam os nossos humores, afetam as emoções.
Karen Couto: [2:47] Karen Couto: Os neurotransmissores, né? Por isso que a saúde do nosso intestino é tão importante, né? O Rudolf Steiner e alguns outros acreditam que, na verdade, não é nem o segundo cérebro do corpo, é o primeiro, porque o intestino produz mais neurônios do que o cérebro. E os neurônios do intestino mandam mais mensagens para o cérebro do que ao contrário. E 90% da nossa serotonina, que é o neurotransmissor relacionado ao bem-estar, é produzido no intestino. Por isso que esse negócio de estar enfezado... Engraçado, porque eu não tinha pensado nisso. Está enfezado, é que você está com fezes dentro. É muito importante a saúde do intestino. E eu sempre tive problema de gastrite, 10 anos com gastrite, e meu pai morreu de câncer no intestino. Então, por isso que eu fui estudar.
Eron Falbo: [3:53] Mas, então, continuando, você estava falando dos neurotransmissores no intestino, esse assunto é simplesmente fascinante, porque a gente acredita que tem certos desejos, mas pode ser que as bactérias do nosso corpo que estão acostumadas a comerem um certo tipo de comida, E elas enviam informação para o cérebro que elas querem certas coisas. E a gente acaba achando que é a gente que quer.
Karen Couto: [4:23] A gente fica caindo nessa armadilha das bactérias. Não caio na armadilha das bactérias. E os vícios, eles demoram a morrer, né, Eron? A gente tem... Na verdade, na época dos nossos pais, dos nossos avós, eles não sabiam, e também a qualidade do alimento era outra. A indústria era menor, o gado era bem tratado, plantações, as coisas tinham que durar menos na prateleira, então tinham muito menos recursos químicos e que são desfavoráveis para a gente. Então... Era outra qualidade. Então, hoje em dia, realmente, ainda mais com toda essa questão da pandemia e tudo mais, não é mais nenhum modismo essa questão de se cuidar. É meio que uma obrigação se a gente quer retornar a conviver. É uma delícia a gente conviver aqui pela internet também. Era de aquários, é tecnologia, é uma vantagem. Mas a gente quer voltar a estar mais junto, a gente quer se abraçar, não quer estar vivendo na falta do contato social. Então, essa coisa de a gente se cuidar, da gente parar para realmente pensar naquilo que faz bem para a gente, naquilo que não é a bactéria que está enganando e tudo mais, eu acho que agora a gente tem que estar obrigatoriamente, no bom sentido, mais focado na nossa qualidade de vida, não só pela nossa felicidade, mas pelo cuidado com o outro, com os nossos familiares, com as pessoas que estão em torno da gente, com as pessoas que a gente nem conhece. E para a gente retomar esse contato, de uma vez por todas, eu acho assim, vacina, obviamente, tudo que a ciência possa trazer para a gente, a gente está aberto, obviamente, mas que a gente, acho que a maior ciência, para Celcius fala, que é um grande mestre.
Eron Falbo: [6:31] Adoro o Paracelsus.
Karen Couto: [6:33] O jejum é o remédio em si. A gente praticar de repente o jejum intermitente. Você já praticou o jejum intermitente?
Eron Falbo: [6:42] Eu pratico todo dia.
Karen Couto: [6:44] Quantas horas? Quantas horinhas?
Eron Falbo: [6:47] 16 Horas.
Karen Couto: [6:49] 16, Exatamente. Existem vários formatos. Jejum de 24 horas, que, nossa, é incrível, porque aí a gente consegue quase que limpar as nossas células todas e tudo mais, meio estourada essa luz, mas não sei se tá ruim pra você, pra vocês aí. De qualquer forma, pode fazer de 16, pode fazer de 12 horas, pode fazer pelo menos de 8 horas, que você tá dormindo, né? Então, esse momento em que você aproveita para ficar sarado, porque você queima a caloria estocada, o corpo é tão perfeito, não é, Eron? É uma dádiva de Deus, realmente. É incrível como a maior máquina, no bom sentido do mundo, é o nosso corpo. É a criação mais genial. Pensar que ninguém tem a impressão digital igual a do outro. E o quanto especial isso é, cada um de nós, se a gente tem o nariz assim, assado, o cabelo assim, assado, se a gente é gordo, magro, se a gente é alto ou baixo, se a gente tem características assim, assado, mas assim, é muito louco como a gente pode ser o nosso próprio mestre, principalmente praticando uma atividade simples, que é questão de costume, como o jejum.
Eron Falbo: [8:07] Ontem a gente estava falando, falei com o Tielo Camolesi, e a gente estava falando sobre preservação da natureza e como a natureza, se você deixar ela durante um tempo sozinha, ela meio que volta à abundância natural. E o nosso corpo também tem um pouco disso, né? Se a gente parar de intervir, parar de botar os obstáculos e deixar ele meio que... Como você está falando de jejum ou de... Uma coisa que eu quero fazer muito, como eu te falei antes, eu estou num momento de muita demanda profissional, né? Mas uma coisa que eu quero fazer logo é fazer um jejum bebendo água obviamente mas sei lá 20 dias alguma coisa assim. Você faz esse tipo de coisa não.
Karen Couto: [9:04] Eu já fiz, porque já fui algumas vezes para a Índia, e porque eu descobri que muito da minha questão intestinal e da gastrite, do estômago e tudo mais, estava muito relacionado com a questão emocional. Então fui buscar a espiritualidade, não só pelo autoconhecimento, porque, enfim, em si, espiritualidade é você se autoconhecer, Mas, assim, você conseguir lidar com as suas questões e aí, quando você vai para a Índia, nesses retiros, muitas vezes você faz, você pratica o jejum, porque isso é uma forma de você se purificar, de você se conectar. Um dos fatores que mais gastam a nossa energia é a digestão. Então quando você permite que o corpo salve essa energia para outras coisas, como você e Tielo falaram, ele faz essa função. Então ele se regenera, ele tem esse tempo de regeneração. Então é um poder curativo muito grande essa questão de você deixar o corpo descansar. O corpo poder se comunicar com você, poder te dar os sintomas. Muita gente fala, ai, tô com uma dor aqui, que coisa horrível, mas o sintoma, às vezes uma dorzinha, ela é um alarmezinho de algo muito pior que tá por vir. Então, na verdade, os sintomas, a gente tem que agradecer os sintomas, é um maravilhoso. E quando o corpo tá inteligente, o jejum ajuda muito nisso, Ele fala com você, ele te manda as mensagens corretas, e você está na capacidade, você está na sagacidade, você está na consciência para poder absorver essas mensagens. Então você joga fora o que tem que ser eliminado e você guarda o que tem que ser absorvido no processo.
Eron Falbo: [11:06] No momento que você está dizendo que está naquele processo meditativo do jejum, porque eu também já fiz muitos jejuns de 24 horas. Dentro da religião judaica tem pelo menos dois jejuns importantes de 24 horas. Durante o ano, eu fui judeu praticante durante muito tempo, hoje em dia são um pouco menos, mas... Mas eu lembro muito bem desse sentimento de... Que é uma coisa, na verdade, que eu não quero nem perder. É só uma coisa que, nos últimos dois anos da minha vida, muita coisa mudou. Mas é muito legal esse processo do jejum de 24 horas, porque você realmente se desconecta um pouco da rotina alimentar mesmo. E isso é difícil até de descrever. Você vai descrever melhor do que eu, mas eu posso descrever o sentimento que... Da experiência, né? E esse sentimento é que no começo você sente, você tá muito conectado no seu corpo, né? Então você, no começo do jejum, você fica pensando muito sobre comida e pensando muito sobre, pô, que horas vai passar e qualquer coisa.
Karen Couto: [12:19] Sobre sexo, sobre coisas mundanas.
Eron Falbo: [12:22] Exatamente, é. Você fica conectado nessa mente, nessa parte da mente. Aí depois, lá pra vigésima hora, você já esqueceu totalmente. E você nem quer comer mais. Você não tem mais uma vontade de comer. É óbvio que se você também tiver dentro... Você pode estar num jejum de 24 horas, só que, sei lá, na sua vida comum, olhando internet, qualquer coisa, você não desconecta tanto, porque você tem aquelas referências também aqui dentro ainda do... Daquelas lembranças. Agora, se você estiver fora na natureza, ou se estiver pelo menos desconectado do telefone, que dentro do judaísmo ortodoxo não se usa, nessas datas não se usa o telefone, se fica desconectado desse tipo de coisa, tecnologia.
Karen Couto: [13:15] É muito sábio. Esses processos que estão relacionados à religião, na verdade, também estavam relacionados a mudanças de estação e a todos os fatores naturais que não são só externos, são internos. Só que esses rituais, que são tão importantes, foram perdidos, foram substituídos pela vida moderna. Que é deliciosa, tem várias vantagens, mas seria muito importante, interessante e saudável que a gente recuperasse algumas dessas tradições, porque elas não custam nada, ao contrário, custam menos, e é nessas que a gente consegue recuperar vários contatos, com a gente mesmo, como você diz, você desassocia muito do externo e você reconecta com o interno e isso traz enormes benefícios.
Eron Falbo: [14:19] Acho que também muito da razão que o mundo moderno se desconectou tanto desses rituais e ritos de passagem e símbolos, esse tipo de coisa, é porque muita gente simplesmente nunca teve essa experiência. Ou, assim, essa coisa do jejum, por exemplo, é uma coisa que eu acho que no mundo moderno muita gente acaba se convencendo de que é balela, sabe? Que não acontece de fato alguma diferença na consciência, não acontece de fato alguma melhoria. Você tá aí, Karen? Você deu uma... Ah, voltou? Alô, voltou?
Karen Couto: [15:04] Voltou? Ai, meu Deus!
Eron Falbo: [15:09] Nossa, agora você voltou pra mim. Você tá aparecendo pra mim.
Karen Couto: [15:13] Eu tô paralisada, né?
Eron Falbo: [15:15] Não, não tá paralisada não. Você tá voltando. Então, muito dessas coisas, acho que as pessoas têm um certo ceticismo que veio com a confusão da idade da informação, que muita coisa foi comparada e a gente acabou não se achando mais especial, porque antes a gente achava: não, a minha cultura é especial e eu tenho meus ritos, os cristãos, por exemplo, o rito da Eucaristia, o rito da primeira comunhão, o que seja. Com a globalização e comparando todas as culturas, as coisas acabaram perdendo um pouco do encanto, porque a gente viu que todo mundo tem ritos, então o meu não é tão mais especial. Aí a gente jogou meio que pela janela essas coisas simbólicas, até religião e tudo mais, e de repente até justificadamente, até certo nível, porque de repente tinha superstições etc. Só que a gente jogou... Em inglês tem uma expressão que é throw the baby out with the bathwater, né? Tipo, a gente jogou fora o bebê junto com a água. Tipo, a gente queria se livrar de uma coisa que tava pesada, que tava talvez criando obstáculos na nossa vida. E a gente jogou fora coisas belíssimas, coisas importantes, né? No processo evolutivo de uma vida, uma encarnação, do nascer até ter 80 anos, ou até 120 anos, se Deus quiser, a gente tem vários processos que a civilização desenvolveu formas de assistir nesses processos, para que a gente consiga absorver esses processos de passagem em diferentes momentos da vida melhor. E a gente jogou fora esses rituais, ritos, e hoje a gente não tem. Mas os efeitos continuam sendo científicos. Acho que no momento que a gente começar, e está começando a ter isso, você estuda isso, a gente está começando a entender que isso não é balela, que isso a gente consegue provar de fato que acontece dessa forma. E quem sabe o futuro vai ser belo, no sentido de que a gente vai recuperar essas coisas, só que agora com mais consciência, com menos superstição.
Karen Couto: [17:57] Eu acho que, num momento de incerteza... E eu acho que daí a gente voltou muito a... Apesar de toda a tecnologia, modernidade e tudo mais, e com tudo que a gente perdeu ao longo do processo, a gente está voltando ao umbigo da mãe, a gente está voltando quase à Idade Média, em alguns sentidos. Porque, assim, no momento de incerteza, tudo que é importante e fundamental ganha uma relevância muito maior. E acho que a gente ficou durante muito tempo, durante esse período que você falou, perdendo esses ritos, essas tradições, que passaram a ser percebidos como, como você mesmo disse, balela, ou algo que não tinha importância. Isso tá voltando, porque, como a gente tá muito mais com a gente mesmo, muito mais no nosso templo, não só o nosso templo pessoal, que é o nosso corpo, como o nosso templo físico, que é a nossa casa, a gente vai retornando naturalmente a esses processos, a essas emoções ou essas práticas que têm relevância. Então, essa coisa que a gente tinha muito, acho que é um grande aprendizado da pandemia também, é que a gente levava muito para o descontado. Como é que é? Take for granted. Como é que fala? A gente achava que tudo estava à disposição, você ia no supermercado...
Eron Falbo: [19:32] Não dava valor, tinha acomodado.
Karen Couto: [19:35] Exatamente, tinha como dar, tinha como já garantido, não tinha muito valor as coisas e tudo mais. Então, eu acho que essa pandemia ensinou a gente a dar valor, a estar mais no presente. E nesses momentos em que tem muitas coisas ruins acontecendo para muita gente, perdas de pessoas queridas ou perda de trabalho ou algumas mudanças econômicas mesmo, que trazem incertezas e trazem inseguranças e trazem momentos assim, digamos, de desgaste, é importante a gente estar mais flexível. A gente está como uma água, a gente está mais poroso, a gente deixa as coisas passarem, a aceitação está mais no presente. Acho que tudo isso, esses rituais, ajudam muito.
Eron Falbo: [20:20] Falando nisso tudo, acho que tem tudo a ver com o que você falou. Também no judaísmo tem o conceito do Shabat: o Shabat é você observar o sábado, mas isso dentro do judaísmo é você cessar. Aí tem 39 categorias de coisas que são consideradas melachot. Melachot são trabalhos criativos, então coisas que você tem que cessar todo sábado de fazer. Trabalhos criativos são coisas como cozinhar, acender um fogo, carregar coisas de um recinto para outro recinto, não dentro de um recinto. É super complexo, filosófico, essa coisa toda. Mas antigamente, e os judeus ortodoxos hoje seguem isso, se cessam esses trabalhos criativos todo sábado. E isso ajuda você a ter esse reset na consciência, resetar, fazer um backup das coisas que você fez durante a semana, e você volta para o seu centro todo sábado. É claro que, mesmo você seguindo essas regras, não é tão automático assim, mas existe pelo menos a oportunidade de você fazer isso, né? Eu acho que o que aconteceu na pandemia foi isso: até os grandes cabalistas comentam sobre isso, que Deus às vezes faz o que se chama de Shabat de cima. Tipo, se você não tá parando, se você não tá cessando, Deus vai lá e te cessa por você.
Karen Couto: [22:04] Então, eu sou super cabalista também, fiz cabala um, dois, três, enfim, e tal. E tem o Ian Mackler aí no Rio, eu sigo as meditações dele e as mudanças de lua e tudo, enfim. Então eu acredito muito nessa sabedoria milenar. E é muito curioso você falar da questão do ócio criativo, porque é aí justamente que a gente tem a capacidade de dar saltos enormes na nossa existência, principalmente porque, como você falou, a gente atinge a consciência, e é através da consciência que você se libera de traumas, de padrões, de antigos hábitos, principalmente alimentar.
Eron Falbo: [22:47] E é o que está acontecendo na pandemia com todo mundo, né?
Karen Couto: [22:50] Todo mundo, né? Então, assim, o reset, o control-alt-delete, aconteceu para todo mundo. E isso, como você falou, foi meio que divino, porque, quando acontece com todo mundo junto, a mudança de consciência é muito maior, é global.
Eron Falbo: [23:13] Eu acho que a gente tem a oportunidade também de olhar isso como uma dádiva. A gente foi entregue um presente, com todo o respeito a todo mundo que está sofrendo, perdendo entes queridos etc. Mas, ao mesmo tempo, tudo tem um lado divino, tem um lado bom. Por que não? Por que é proibido a gente falar com orgulho dessa parte também? E acho que tem muito a ver com isso, tem a ver com esse questionamento dos nossos hábitos, que a gente estava empurrando com a barriga. E o bizarro é que não é nem como civilização, porque a gente tem civilização ocidental, civilização chinesa, é como humanidade. É a primeira vez na história, ou talvez uma das únicas vezes na história, talvez, sei lá, teve a Arca de Noé, não sei o quê, mas uma vez certamente marcante, que a gente está todo mundo junto no mesmo barco. Agora peguei a coisa da Arca de Noé. E está se vivendo essa experiência juntos.
Karen Couto: [24:23] Exato, exato. E eu acho que, como você falou também, é importante nesse momento a gente aceitar. A gente tem que aceitar esse negócio das pessoas ficando assim, mas... nova normalidade, quando é que a gente vai voltar ao normal? Eu acho que, primeiro, o normal é uma coisa meio medíocre, sabe, assim, na boa. O que é normal? Quem é normal? Uma pessoa que tem uma deficiência, ela é anormal? Ou uma pessoa que passou por coisas muito duras e tem um temperamento mais explosivo, ela é anormal? Então, esses padrões estabelecidos pela sociedade, sabe? Não pode usar roupa assim, que você está propiciando que o cara seja mais não sei o quê. E aí o cara é gay porque fala assim. Quer dizer, a pessoa diz...
Eron Falbo: [25:21] A gente tem que transcender, é verdade, isso acontece muito. E isso tem provas hoje em dia: provas, vamos dizer, dentro da psicoterapia, psicanálise e tudo mais; provas sociológicas de que existe isso de fato. Quando existe uma expectativa muito grande externa de que a gente é alguma coisa, a gente acaba se enquadrando, a gente acaba reagindo para poder entrar dentro daquele padrão mesmo.
Karen Couto: [25:50] Para poder ser alguém, para poder sentir agradando alguém. E é engraçado você falar isso, porque eu, nas minhas palestras, eu falo, e até no coach também, online, que eu dou e tal, eu falo: gente, é muito melhor você ser uma ótima banana do que um péssimo abacaxi, porque as pessoas ficam vivendo a vida inteira querendo ser o que elas não são. Mas isso é porque a gente é muito exigido. E quando as pessoas, por exemplo, quando você é pequeno, você está fazendo nada, aí chega alguém, mãe, pai, tio, e fala: menino, está fazendo o quê, aí parado? Vai fazer alguma coisa? Vai lavar um prato? Quer dizer, esse ócio criativo, esse momento do nada, desse dadaísmo, digamos assim, de forma muito...
Eron Falbo: [26:31] Incomoda as pessoas hoje em dia.
Karen Couto: [26:33] Incomoda as pessoas, e a gente tá agora avaliando... quer dizer, tá tendo, por meios não desejados, digamos assim, muitas perdas e tudo, tá presenciando, tá vivenciando isso, né, de que esse ócio, muitas vezes, é muito produtivo. É importante esse silêncio, por isso a meditação é tão importante. E eu curei minha gastrite com a meditação. E eu queria te perguntar, que eu tava curiosa, né, que a gente falou mas não se aprofundou: você medita?
Eron Falbo: [27:07] Eu, assim, regularmente eu medito. De novo, eu estou vivendo um momento diferente, né? E, by the way, é por causa do programa, assim, o programa que a gente está aqui agora fazendo, graças a Deus, tem crescido muito rápido. Então eu estou correndo atrás, assim, de aguentar a velocidade do crescimento. E mudei um pouquinho os meus hábitos temporariamente para poder acolher esse momento, porque é um motivo de grande autorrealização para mim poder ter essas conversas com pessoas como você, com pessoas como Marcia Fiorina, que está aí falando que adorou, no chat. E poder aprender. Então, é uma coisa que eu quero muito. Para mim, eu considero uma janela de oportunidade que está abrindo para mim. Então, eu estou fazendo esse sacrifício temporário de... Sim, eu medito. Normalmente, eu medito todos os dias. Eu faço o jejum intermitente. Mas o jejum intermitente eu não parei. Eu fiz hoje, eu fiz ontem.
Karen Couto: [28:16] Porque tinha muita energia. E eu queria justamente comentar isso, porque esse é um dos maiores fatores, que as pessoas falam assim: "ai, estou sem tempo, estou super ocupado e não estou conseguindo meditar." Mas eu queria dizer para você e para todo mundo que está assistindo a gente que 10 minutos no seu dia... Você sabe, porque você é um meditador, você é um praticante. Então eu sugiro que você coloque um pouco mais de dedicação a você mesmo nesse momento de silêncio. Porque se você parar cinco minutos, é um segundo, você não percebe, e você fica completamente conectado com... com o eterno, com o seu divino interior, com a sua verdade. Você fica muito mais focado, a sua memória melhora, coisas que podiam te perturbar durante o dia vão te perturbar menos. E isso não é questão de esoterismo, né? Muita gente fala assim: "mas meditação, esse negócio zen"... Não, isso é dito por Harvard, por Columbia University, são vários, pelo Sam Harris.
Eron Falbo: [29:29] Sam Harris é um ateu famoso. Ele é um dos maiores promoters de meditação que existem no mundo.
Karen Couto: [29:39] Jura? Eu vou procurar saber. Vou ter essa informação que eu não conhecia.
Eron Falbo: [29:45] É, só comentando sobre isso: eu sei disso e eu falo a mesma coisa que você. E assim, embaixo, a razão que eu parei um pouco de meditar foi por causa da diferença de rotina. Então, assim, é uma questão de hábito, né? Tipo, eu me mudei de apartamento e, ao mesmo tempo, o programa tá... Aí eu não tô acostumado com o ambiente, com acordar no lugar, o horário que eu tô acordando é diferente. Então, às vezes, eu acordo e já tenho uma reunião. Então eu perdi minha rotina e, por consequência, perdi alguns hábitos. Então, até recomendo, assim, pra mim mesmo e pra todas as pessoas que querem começar a meditar, que encaixem, porque o hábito, para você fazer, sobretudo, uma coisa todo dia, é muito importante enquadrar isso dentro de hábitos e usar os gatilhos mentais. Que hábito funciona com... Você tem uma recompensa e um gatilho mental. Isso, no livro O Poder do Hábito, esqueci o nome do autor, ele explica isso: que você tem um gatilho mental, algo que te lembre, que te leve a ter aquele desejo, aquele comportamento. E depois disso, o que reforça esse hábito é uma recompensa depois daquilo. Então, acho que a recompensa de meditar é auto-evidente, só de você fazer você já se sente bem. Então eu acredito que, para quem quer começar a meditar, o gatilho é mais importante do que a recompensa. E o gatilho que eu sempre usava era ter uma rotina bem regrada. Então tinha coisas que eu fazia, por exemplo, tomava uma vitamina, mas não é bem vitamina, eu faço tipo um...
Karen Couto: [31:41] Shake?
Eron Falbo: [31:42] É, tipo um shake, mas não é bem shake, porque eu tirei o whey protein disso. Então virou meio que um copinho, um líquido, que tem vitaminas diferentes que eu preciso, etc., para começar o dia com energia boa. Aí eu sempre tomava isso; parei de tomar por causa da quebra do hábito, agora voltei a tomar. O que eu sempre fazia: eu tomava isso e, logo depois, eu entrava dentro do quarto, fechava todas as janelas e tudo, aí deixava o celular em outro quarto e tudo mais, para não ter nem o pensamento, porque isso também acho que é super recomendável. A gente acha que não está conectado, mas a gente está neurologicamente conectado às coisas que estão ao nosso redor, porque a gente está... Talvez não o foco, não a consciência, mas outras partes; a inconsciência está olhando, está absorvendo aquela informação, e aquilo está invadindo o nosso espaço mental. É, mas...
Karen Couto: [32:48] Desculpa te interromper. Com relação a isso, eu queria colocar um fato: às vezes a pessoa acha que tem que ter um lugar quieto, escuro, sem interrupções, e isso não é necessário, né? Quer dizer, eu acho que é muito mais confortável, digamos assim, você ter esse ambiente propício, como você falou, porque são interrupções que realmente vão além dos seus pensamentos, que já são nuvens passando no céu da sua cabeça, eu costumo dizer isso, que o céu é você, e aí você tem várias nuvens que ficam passando, e a mente macaquinha que fica pulando de uma nuvem pra outra, te pedindo coisas, te julgando, te... Então, realmente, essas interrupções externas, elas, digamos, dão uma incomodada. Mas o que eu acho também é que, independentemente de onde você estiver... E muitas vezes, até eu, cara, sabe o que eu faço? Você vai morrer de rir. Eu estou malhando, eu estou cozinhando, por exemplo, e eu boto a minha consciência na minha respiração. E quando eu estou malhando, na ginástica mesmo, malhação, BCT, Brasília, aquele trem, lá, lá... Aqui em Bali, eu faço direto, que eu acho importante isso pra mim, assim, pra minha mente, é um... Eu não sei pra você, mas, assim, pra mim, é uma meditação dinâmica mesmo. Então eu foco na minha respiração, eu não tô no outro lá olhando no espelho, vendo. Então é como se eu tivesse fazendo, praticando uma ioga durante a malhação, sabe como é que é? Eu tô muito presente, eu procuro tá respirando, e aí, quando eu tô respirando, eu tô focando no meu abdômen. Então eu tô fazendo um exercício pra perna, mas eu também tô no abdômen, eu também tô no braço, eu tô no corpo, eu tô na presença, sabe? Então, essa questão de ter o ambiente ideal, nem muitas vezes a gente consegue. Então, engraçado...
Eron Falbo: [34:48] Quando eu falei isso, eu tô falando só porque eu vou fazer parte do hábito, mas eu acho que o objetivo da meditação é justamente trazer mais a consciência para a presença, para estar presente de fato na sua vida: seu coração pulsando neste momento, seus pulmões retraindo e inflando. Acho que o legal que a gente pode falar é, de repente, das nossas experiências, do porquê isso é importante, né? Porque isso tem tudo a ver com toda a nossa conversa de hoje, que a gente falou: na pandemia as pessoas estavam empurrando a economia com a barriga, né? A gente tinha uma ideia da importância da economia, tipo assim, a gente não pode parar a roda, não pode parar de girar. A gente viu que a economia, a bolsa, caiu mais do que em 1929, e a vida continuou, a internet está ligada, tipo, entendeu? A gente está vivo, aprendendo um monte de coisa, teve tempo para olhar para dentro de si, né? Então isso é... Essa presença que a gente ganhou, porque, quando a gente tava nessa coisa de que a gente precisa girar essa roda, a gente não parou pra viver esse momento que a gente tá vivendo. Agora a gente foi obrigado a viver a vida que a gente realmente tem. Tipo assim: o apartamento que a gente não limpou, os móveis que a gente não harmonizou, talvez... Os acessos que a gente não tenha, oi?
Karen Couto: [36:43] As emoções que a gente não digeriu.
Eron Falbo: [36:46] Exatamente. E assim, na época em que os correios não estavam funcionando, por exemplo, e os livros que eu não comprei, que eu não posso ler agora, porque não dá para pedir no correio, não dá para sair de casa para comprar, isso dá um choque de quem eu sou e o que eu realmente fiz de escolhas e onde eu estou nesse momento. E isso é a meditação. É você observar os pensamentos que estão passando e não surfar neles. Você está observando de fora aqueles pensamentos e vendo e fazendo um cálculo, cálculo é palavra errada, mas você está fazendo esse levantamento de quem você é, onde você está, honesto, para ver onde você quer estar, de repente.
Karen Couto: [37:40] E sem ficar lutando nessa luta contra eles, os pensamentos vão sempre te vencer. A mente quer protagonismo o tempo todo. Eu, num retiro do Osho, aí no Brasil, porque eu já fui no Osho na Índia, mas aí no Osho Brasil, é o chamado Path of Love, e a Yolanda Figueiredo, que é embaixadora do Osho no Brasil, maravilhosa, ela usa uns turbantes, não sei se você já viu ela. Eu fui nesse processo espiritual e tinha um parceiro meu num processo que falou assim: olha só, você bota nome nos seus pensamentos. Então, quando a Vitória vier toda empoderada, aquele pensamento bem safado, aquele que fica te julgando, martelando na cabeça, querendo te espezinhar, querendo te criticar, você fala assim: Vitória, aqui quem está vencendo sou eu, não vou te dar atenção. Então, começou a dar esse protagonismo que realmente os pensamentos têm, não é? No momento de meditação, enfim, ao longo do dia. E achei muito curioso isso, e o humor ajuda muito. O nosso amigo Maurício Branco, tão querido, que leva a vida com tanto humor, enfim. Então, é tão curioso como coisas básicas do nosso dia a dia, a gente lidando com as coisas de uma outra forma, com menos estresse, e a meditação ajuda muito nisso. Tudo muda de figura, é tudo como a lente que a gente coloca nas coisas, é o prisma. E também essa coisa de a gente não ficar só olhando para o nosso mundinho, porque ganha um espectro muito grande quando a gente olha com uma lupa só nos nossos problemas. Quando a gente começa a perceber essa nova era de Aquário, com Júpiter e Saturno alinhados, enfim, finalmente todo mundo fala, mas o que é a Era de Aquário? Enfim, é uma era em que esses dois grandes, maiores planetas do Sistema Solar, estão alinhados em um signo de ar, que é Aquário, e vão ficar 200 anos em signos de ar. Então depois vem Gêmeos e Libra, enfim. E aí a gente está numa mentalidade muito mais comunitária, de pensar no outro também.
Eron Falbo: [39:56] O mundo.
Karen Couto: [39:59] Como um todo, né? E quanto esse mundo e essa convivência social é importante pra gente. E, portanto, a gente tem esse momento, que sejam cinco minutos, como você falou, você tá muito atarefado, ainda não entrou na sua rotina, ou se for numa malhação que você deve praticar, porque você é uma pessoa que se cuida, que nesse momento você esteja concentrada na sua respiração, você esteja com essa consciência no nosso bem mais democrático que a gente divide com todo mundo, que é o ar que a gente respira, né? Então assim, não existe desculpa, tipo, ah, tá barulho, ou ah, tô no trem, tô indo pro trabalho, tô no carro. Se você tiver no carro, já tá prestando... eu não gosto da palavra prestar atenção, porque parece que tá botando tensão. Mas assim, você volta para sua respiração, coloca uma música maneira que você curte, e você começa só a observar como é que o ar entra, como é que o ar sai. Você já tá numa meditação.
Eron Falbo: [40:56] Cara, você tá me ensinando uma coisa, na verdade, agora, porque eu também tava entrando muito nessa obsessão de, tipo, se eu tô com o meu hábito ou não tô com o meu hábito, e rotulando de uma maneira ou de outra. Mas, de fato, eu jogo tênis todo dia, praticamente, e o tênis, para mim, tem sido totalmente uma meditação. Desde que eu li aquele livro, The Inner Game of Tennis, acho que é do Timothy Gallwey, alguma coisa assim, não sei se lembrei certo o nome do autor, mas ele fala, basicamente, o livro é sobre meditação durante o tênis, enquanto isso melhora o jogo. Eu recomendo a qualquer pessoa que joga qualquer esporte, na verdade, ler esse livro, que compete ou qualquer coisa assim, porque isso melhora muito. Na verdade, qualquer pessoa que quer melhorar o jogo, não importa se compete ou não. Você melhora muito o jogo por entrar num estado meditativo e desligar a mente julgadora, né, que fica tipo: droga, errei! Só que você aprende muito mais. E, de fato, eu tenho meditado todo dia, porque eu jogo tênis praticamente todo dia. Então, eu tô aprendendo isso com você, de que talvez a gente tenha que colocar as coisas... não precisa ter essa rigidez de formalizar alguma coisa, normalizar alguma coisa. A gente pode mais é tirar o fruto da coisa que é mais importante.
Karen Couto: [42:26] É, e o desfrute, né? Você desfrutar. E eu acho curioso, Eron, justamente, que a meditação, e isso é uma barreira inclusive para as pessoas, cozinhar também é um ato de meditação, né? E é importante esse recontato, ainda mais nesse momento. Mas, assim, é curioso como as pessoas botam barreiras para elas mesmas com relação a um monte de coisas. As pessoas acham que têm que ter certas condições ideais para fazer certas coisas, e não é verdade, como a gente está falando. Você pode estar em meditação em um ambiente barulhento, você pode encaixar na sua rotina fazendo uma outra atividade, de forma que a meditação... Ou seja, a dinâmica da meditação em si é entrar pra dentro, essa é a definição em latim. Então, você se reconecta. A forma como você melhor pode fazer isso é colocando sua consciência na sua respiração. Inclusive, eu sugiro, se você quiser, no finalzinho, a gente fazer dois minutinhos, três minutinhos de meditação juntos com o seu público aí, para as pessoas verem que não é nenhum bicho de sete cabeças, entendeu? E não precisa ter uma condição ideal para você estar em meditação. E as pessoas falam assim: ai, não meditei, fiquei pensando o tempo todo. Você que pensa que não meditou, porque entre um pensamento e outro há um vazio. E diferente da cozinha, eu que sou chef desse exemplo, você não tem um objetivo. Por exemplo, na pâtisserie, você vai fazer um bolo, é tudo medidinho, você mede direitinho, senão dá errado. Na meditação não existe fórmula e não existe um objetivo final. O que importa é o caminho. Então, durante esse percurso, você atinge certos estados meditativos que te acompanham ao longo do dia todo. E aí está a grande vantagem da meditação: várias situações ruins que te atingiriam, que se aproximariam de você, não se aproximam. É como uma rádio, você começa a estar em outra frequência. Então, existem os mantras na meditação, existem também os mudras, que são as posições das mãos. Então, isso tudo, você começa a vibrar em uma outra frequência, e isso te ajuda muito em todas as suas atividades, inclusive a manter mais a calma e o relaxamento, menos ansiedade no momento em que você tá super busy com o trabalho, tá super ocupado, tá num momento de sucesso, tá num momento de expansão, né? Então você tem essa tranquilidade sempre com você, e aí você fica alinhado com o seu propósito.
Eron Falbo: [45:14] Eu fico com esse dever de casa, e depois você vai checar se eu voltei aí para o meu... Bom, de novo, eu estou me editando fazendo tênis, mas vou levar... Faço essa promessa aqui para o público, para você, que vou lembrar dessa importância na vida, no dia a dia, que isso vai me ajudar com certeza a sustentar esse crescimento, e para todo mundo poder ter isso que a gente está fazendo agora, essa conversa. Mas, assim, a gente tem mais dez minutos, então, como a gente vai fazer a meditação, eu queria só que não perdêssemos o momento de a gente saber aonde encontrar o seu material. Se tem um site, se você puder falar... eu anotei aqui, é karencouto.com. Anúncios, não, anúncios sociais, desculpa.
Karen Couto: [46:13] Na verdade, o foco maior agora é justamente compartilhar conhecimento e poder apoiar as pessoas e guiar. No momento de tanta informação difusa, que a gente muitas vezes não pode acreditar porque não tem muita base técnica, digamos, é importante a gente ter pessoas que possam ajudar a gente a estar alinhado com os nossos propósitos. Então, eu tenho feito muito coaching online, porque as pessoas estão mais abertas a isso, Eron, e as pessoas estão praticando e estão recebendo os benefícios, como você mesmo falou. O livro você pode encontrar online, 'Você Pode Ser Mais Feliz Comendo'. Ele é um guia grande, e eu vou mandar para você um autógrafo online, para quem quiser também eu mando, e as pessoas imprimem. Já fiz isso outras vezes. Também dá para dar de presente, o livro é superbarato. Nós, autores, agradecemos. É mesmo um guia para consulta, não é uma leitura linear, digamos, mas eu falo de práticas físicas, espirituais, terapêuticas. Eu acho importante... Quando eu escrevi o livro, escrevi porque meu pai morreu de câncer no intestino e, como te falei, eu tinha muitas dores. Então, eu via que existiam... o nutricionista falava de nutrição, o chef falava de comida e o personal trainer falava de exercício. Então, foi a primeira publicação, me orgulho disso, que eu denominei de gastronomia integrativa, em que você integra todos os nossos seres, porque nós temos o nosso corpo mental, nosso corpo físico, nosso corpo emocional, nossos corpos energéticos, são várias camadas. Então, é importante que a gente cuide sempre de tudo um pouquinho, como você falou, a prática do tênis, a sua alimentação, as suas práticas espirituais também, com a Kabbalah ou com o judaísmo, cada um com a sua, mas é importante que a gente tenha um pouquinho de tempo para cada uma dessas coisas. E cada uma dessas coisas toma um pouco do seu tempo. E, como você falou, o hábito é muito importante. Então, assim, eu dou coach online, as pessoas podem me achar no Instagram. O livro está à venda, se você der um Google, 'Você Pode Ser Mais Feliz Comendo', Karen Couto, está lá. A Saraiva, todos entregam em casa, está super em promoção no site da editora também. E eu estou super aberta, quando a pessoa não tem, digamos, recurso, eu faço muito trabalho social, entendeu, Eron? Eu acho que a gente ajudando os outros, e essa live que você faz aqui, dando oportunidade para as pessoas falarem de regeneração da natureza, como o Tchelo estava falando ontem, de sustentabilidade, eu acho que cada um de nós conta muito, nós somos muito responsáveis, a gente tem que se responsabilizar pela nossa felicidade também. Então, agora que a gente não tem mais o que ficar mostrando, ai, a minha bolsa Chanel, ou o meu sapato Gucci, enfim, acho maravilhoso a gente ter tudo isso, mas eu acho que estava muito desequilibrado, acho que a gente tem que cuidar da gente. Ai, o orgânico é muito caro. Jura? Quanto é que vale a sua saúde? Então, assim, isso tudo é muito importante. Ah, eu estou muito ocupada, eu não posso meditar. Bom, você está meditando, se você começar a olhar de uma outra forma para as suas atividades diárias. Se você, quando está cozinhando, está limpando o chão, está lavando uma louça, se você está desenhando com o seu filho, você está presente na sua respiração, você está meditando, e meditando no amor. E compartilhar aumenta esse nosso reservatório de amor. Eu acho muito importante isso, porque a gente só dá aquilo que a gente tem. E quando a gente dá, a gente tem essa percepção do quão rico a gente é, porque todos nós somos milionários, todos nós somos abundantes e prósperos, depende de como a gente olha pra isso, de qual o prisma que a gente coloca nisso, de que forma que a gente lida com as situações. E essas práticas todas, principalmente o alimento de qualidade de verdade, botar um pouco de alimento cru aí nessa história, então, assim, tirar as coisinhas de pacote que são deliciosas, tá? Eu adoro, de vez em quando eu pratico vários crimes, pratico. Mas, assim, é importante, se a gente não é vegano, a gente... vegano, como diz o Maurício, eu amo, a gente ser mais consciente, porque eu não quero comer um bicho. Sinceramente, mesmo sendo super egoísta, eu não estou preocupada com bicho, tá, gente? Finge, eu adoro bicho, mas, assim, não estou preocupada, caguei pro bicho. Eu só vou pegar isso e vou botar no Alidy, numa notícia: a Che falou que cagou pro Alidy. Não, não é isso. É que, enfim, mesmo que eu não estivesse me importando com bicho nenhum e eu estivesse me importando só comigo, eu não quero comer um queijo que vem cheio de pus da teta de uma vaca. Você está entendendo? É outro momento. É importante que a gente tome consciência de que o nosso consumo está acabando com a nossa vida, está nos deixando mais propícios e abertos a esse e a qualquer outro vírus, e a qualquer infecção, e ter mais diabetes. Então, todas essas práticas que a gente falou, a gente não falou só porque a gente está no modismo ou porque a gente acha bonitinho. Não, eu escrevo um artigo na Bazaar todo mês, na Harper's Bazaar Brasil, online, e a gente fala muito de temas interessantes como esses, de que é importante, no nosso dia a dia, a gente substituir hábitos. É como você falou, Roberto Carlos também fala, são os costumes, né, nosso rei? Então, assim, é importante que a gente substitua, e a gente engane nosso corpo, sim. Então, eu gosto de comer doce, pego uma tâmara, compro na Casas Pedro, né? Amo Casas Pedro. Aqui não tem Casas Pedro. Mas, assim, compra a tâmara, molha no coquinho, bota um pouquinho de açúcar de coco. Se engana! Você tem que se enganar. Você ama doce? Ninguém tá te falando que você vai parar de comer seu doce, mas muda o seu doce, entendeu? E é importante que a gente se cuide com práticas muito simples, eu acho que tem que ser tudo na simplicidade. Eron, eu tô tomando banho, por exemplo, eu me amo no banho. Se eu me odeio durante o dia inteiro por causa de muitas coisas que eu faço erradas, ou que a minha mente fica me perturbando, dizendo que não está legal no meu corpo, no meu banho eu me amo. Eu me amo, eu me acaricio, entendeu? É uma masturbação, assim, do toque, fico ali me amando, amando o meu cabelo. O meu cabelo está superúmido aqui em Vale. Nem estou amando o cabelo, mas no banho eu estou amando, estou praticando esse amor próprio. A gente tem que fazer essas coisas, as coisas simples. Estou na cozinha, estou na bancada, estou fazendo flexão antes de entrar no banho. Acho que é importante o que você falou, eu queria que você citasse de novo o nome da pessoa que escreveu o livro. Já estou vendo que você é um grande leitor, quero muito que você leia meu livro, que você consulte.
Eron Falbo: [53:42] Com certeza. Assim que eu tiver acesso.
Karen Couto: [53:46] A gente juntar, nos nossos hábitos, coisas simples, fazer hábitos que... juntar na nossa rotina esses hábitos que fazem bem para a gente.
Eron Falbo: [54:00] É isso. Então, vamos fazer... Só para lembrar, o nome do livro que eu falei é O Jogo Interior do Tênis, de Timothy Gallwey. Mas vamos fazer a nossa meditação? Então, como é que vai ser? Como é que você sugere?
Karen Couto: [54:14] Eu sugiro que as pessoas sentem numa posição confortável. Pode ser com a perna cruzada, pode ser no chão, pode ser na cama, pode ser numa cadeira, como eu tô agora, com os dois pés plantados no chão. As duas mãos viradas, apoiadas no colo, pra cima, pode ser uma em cima da outra, ou pode ser apenas apoiadas, viradas pra cima, ou apoiadas na perna. E a gente vai fechar os olhos e vai respirar em sete tempos. A gente vai guardar, reter o ar por sete tempos, sete tempos contando mentalmente, tá? E a gente vai soltar em sete tempos. E aí você vai me dizer quando é que a gente vai parar, porque... Tá bom.
Eron Falbo: [55:00] Eu vou meditar também, já botei um timer aqui, vai ser dois minutos de meditação. E a gente vai... É isso.
Karen Couto: [55:09] Vamos lá? Aí as pessoas vão contar pra gente nos comentários depois como é que elas se sentiram. Enquanto a gente vai meditando, eu vou guiando, tá bom? Tá bom. Então, sentamos numa posição confortável, pomos ambas as mãos... E agora a gente vai colocar a consciência na nossa respiração. Então, a gente vai começar: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Você vai reter o ar por sete tempos, contando também internamente: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. E você vai soltar o ar também pelo nariz em sete tempos: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Enquanto você for respirando, entrando o ar, retendo e saindo, você vai perceber como é que esse ar tá entrando. Esse ar tá entrando quente, esse ar tá entrando calmo, ele tá entrando afobado, ele tá te preenchendo? Esse reter o ar tá te agoniando, esse reter o ar está te acalmando? Esse reter o ar está te dando um momento de prazer e paz, ou ele está trazendo mais pensamentos? Como é que esse ar está saindo? Está saindo em relaxamento? Ele está saindo tenso? Ele está saindo agoniado para poder inspirar de novo? Como é que você está sentindo o ambiente em volta de você? Existe um pássaro, como aqui agora, que acabou de cantar e que, em teoria, atrapalhou a minha meditação? Existe algum barulho em volta? Adorei que tocou o timer, sabe por quê? Porque as pessoas nem perceberam e dois minutos passaram. E é a mesma coisa, quando você começa a fazer cinco minutos, aí você acha que é pouco, e aí você faz dez, e aí você acha que é pouco, e aí você faz quinze. Quando você vê...
Eron Falbo: [57:37] Eu recomendo isso muito, recomendo colocar um timer, porque isso já é, que nem você falou, enganar as bactérias, enganar o estômago, porque você engana a sua mente apressada, você fala: relaxa, que é só cinco minutos. Coloca o timer mesmo, não faz tipo "ah, não, vai ser só cinco minutos" e daqui a pouco você ficou meditando 20 minutos, aí sua mente babaca, da próxima vez vai falar "pô, 20 minutos é demais", entendeu? Tem que botar cinco minutos, acordar e trabalhar depois de cinco minutos, e fazer as coisas do dia.
Karen Couto: [58:13] Querido.
Eron Falbo: [58:14] Muito obrigado, Karen.
Karen Couto: [58:18] Conseguir no Instagram, quiser, quem puder, quem tiver interesse, me contactar, tirar dúvidas, tô sempre aí. Comprarem o livro e o autor agradece, eu vou mandar um para você, ou depois quero sua opinião. Que as pessoas coloquem as dúvidas pra gente, isso vai ficar salvo, né, a nossa...
Eron Falbo: [58:33] Live para a gente, claro, claro, espero que sim. É o Instagram... Instagram, dá para falar seu Instagram? É arroba Karen, K-A-R-E-N, Couto, C-O-T-O, oficial.
Karen Couto: [58:51] C-O-T-O oficial.
Eron Falbo: [58:54] Karen Couto oficial. Maravilha, Karen, foi uma bênção de live, e vai ficar gravado.
Karen Couto: [59:05] Estou te esperando, e esperando todo mundo, na Indonésia, assim que puder. Mas eu já soube que estão fazendo vistos, então venham, com todas as precauções, obviamente. E que a gente chegue a essa, e muitas outras curas, principalmente as nossas curas internas, que estão ao nosso poder, porque nós somos nossos mestres.
Eron Falbo: [59:25] Que assim seja. Muito obrigado pela live, muito obrigado por tudo. Boa noite a todos. Tudo de bom.
Karen Couto: [59:32] Boa noite, Brasil. Amo vocês muito. Beijos.
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