Publications

#49 Beleza verdadeira tem conteúdo

com Sérgio Mattos · 18 de jan de 2021

rss.comSpotifyApple PodcastsAmazon MusicDeezerYouTubeYouTube (só áudio)

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura e revelação do livro de poesia (0:00)

Eron Falbo: [0:00] Alô, você tá me ouvindo?

Sérgio Mattos: [0:02] Tudo bem? Tá me ouvindo também?

Eron Falbo: [0:05] Tô ouvindo, tô ouvindo. Graças a Deus, deu certo.

Sérgio Mattos: [0:08] Legal. Às vezes, a conexão aqui no Alvo da Boa Vista é bem difícil. Mas, graças a Deus, tá tranquilo.

Eron Falbo: [0:16] Demos sorte. Seja muito bem-vindo. É uma grande honra estar com você aqui. Eu acabei de passar a última hora e meia, mais ou menos, lendo seus poemas, vendo o seu site. Estou muito impressionado com a sua carreira de empresário. Eu não sabia muito da parte da poesia, agora estou um pouco intimidado.

Sérgio Mattos: [0:41] É uma novidade, a gente resolveu. Porque eu tinha um grupo de atores lá na agência, e aí a gente ficava... eu incentivava eles a escreverem poesias. E aí, eu escrevo desde sempre, mas ficava sempre na agenda, escondido. E aí resolvi, e a gente fez esse livro aí.

Eron Falbo: [1:00] Mas você não publicou... Porque, no final do prefácio que você escreveu, esse aí é o primeiro livro que você publica de poesia?

Sérgio Mattos: [1:11] É.

Eron Falbo: [1:12] Mas você já publicou poesias em revistas, né?

Sérgio Mattos: [1:17] Em alguns sites, blogs, eu já coloquei algumas poesias, mas um livro mesmo foi esse: Era uma vez um poeta.

Eron Falbo: [1:28] Parabéns aí pela publicação. Sair do armário como poeta não é fácil, depois de uma grande carreira como empresário.

Sérgio Mattos: [1:38] Muito legal.

Eron Falbo: [1:40] É uma maravilha, uma maravilha.

Sérgio Mattos: [1:42] Manda o endereço depois para eu te mandar um.

Eron Falbo: [1:45] Muito obrigado, muito obrigado. Ficaria honrado. Por favor, com a assinaturazinha, só para depois mostrar, tirar onda para todo mundo.

Sérgio Mattos: [1:54] Com certeza. É um prazer estar aqui com você. Vi a matéria do Globo lá também, muito legal. E é isso aí, a gente tem que ser moderno mesmo. Eu demorei muito a ir para a internet e tudo, até o ano 2000 eu não sabia nem o que era. E eu ficava meio assim: meu Deus, o que será isso? Eu sou do tempo em que a gente trabalhava com papel e caneta, escrevia e fazia polaroide das pessoas.

Da polaroide à era digital na moda (1:59)

Eron Falbo: [2:24] Os testes das modelos eram com polaroide no início, aí você está falando?

Sérgio Mattos: [2:31] É, a gente fazia uma polaroide, mandava. E aí eu fui morar em Nova Iorque, em 2000. Cheguei lá, um trem na minha frente, assim: o que é isso aqui? Um computador. Nunca tinha mexido nisso. Tive que aprender na raça, e ainda inglês. Foi uma loucura, cara. Foi bem legal, porque... hoje em dia, nem tudo tem isso, né, sem o computador? Hoje em dia, tudo mais fast, né? A gente tá aqui hoje e já pode estar falando com Nova Iorque, e mandando modelos para viajar, para fora. Então, realmente, a gente teve que aproveitar, mas eu aprendi bem tarde isso, né? Eu já vi que você é craque na história.

Eron Falbo: [3:16] Que isso, eu tô aprendendo também. Mas olha só, isso é interessante para os modelos aí que devem estar assistindo, deve ter muita modelo assistindo. Essa coisa da internet, das pessoas terem que se autopromover, é uma coisa muito relevante para os modelos, não é, na sua indústria?

Redes sociais como vitrine para modelos (3:25)

Sérgio Mattos: [3:36] É, hoje em dia o cliente vê o book da modelo e aí depois vê o Instagram da modelo, tá? Às vezes o book é tudo aquilo, muita maquiagem, muita produção, filtro, Photoshop, né? E quando vê a modelo, vê como é que ela é no dia a dia, na vida real mesmo. Então, é interessante, é uma ferramenta. Hoje em dia, é uma ferramenta para trabalhos. Toda modelo precisa saber usar bem as redes sociais.

Eron Falbo: [4:05] E os clientes querem saber também, muita modelo imagino que não pensa isso, mas os clientes querem saber da personalidade da modelo também, querem saber como ela se porta, porque ele quer transmitir essa mensagem autêntica através de um porta-voz autêntico.

Sérgio Mattos: [4:25] Exatamente, cara. Isso virou a febre. Inclusive, tem gente que só booka depois de ver no Instagram e, às vezes, ao contrário. Às vezes bookou, adorou a menina, aí quando vai ver o Instagram dela, vai falar: não, não rola, não. Então, assim, muito cuidado, meninas, com o que vocês postam, porque isso pode garantir um trabalho para vocês ou cancelar você do trabalho. Então escolha, porque você trabalha com imagem, né? Então cada foto que você for postar, preste atenção, pense antes: será que essa foto vai me valorizar? Será que ela vai me trazer alguma coisa de bom? Tem que ser assim. Tem uma galera de Rondônia, tem uma galera de qualquer lugar, beijo para todos vocês aí.

Eron Falbo: [5:12] É uma felicidade. Estamos aí com duzentos e poucas pessoas aqui. Que maravilha, hein?

Sérgio Mattos: [5:17] É, muito legal.

Eron Falbo: [5:18] É um auditório.

Sérgio Mattos: [5:21] Sérgio.

Eron Falbo: [5:25] Essa coisa que você falou das fotos, da qualidade das fotos, e a coisa um pouquinho mais além, que as modelos, como você gosta de poesia, eu também adoro, eu também desde sempre produzi poesias. Você não recomendaria, como você recomenda para os seus atores, para os seus modelos, que as modelos saíssem um pouco do superficial, um pouquinho das fotos, explorassem a personalidade delas mais? Como é isso? Você acha que é relevante para o trabalho?

Poesia, leitura e fuga do superficial (5:30)

Sérgio Mattos: [6:04] Totalmente. Eu tenho modelo que é muito do estilo fashion e elas ficam mesmo fazendo desfiles e essas coisas. Mas eu trabalho com muito modelo também comercial que está estudando para entrar na televisão. Então, essas meninas precisam gerar muito mais conteúdo. Então, o que eu incentivo? Elas escreverem suas próprias poesias. Tem até agora a Stephanie de Paula, que fez o livro dela, e já anunciou no Faustão, e caramba! Ela é bailarina do Faustão e lançou um livro, porque começou a lidar com os poetas também, lá na agência.

Eron Falbo: [6:38] Eron Falbo: É uma história interessante.

Sérgio Mattos: [6:42] Sérgio Mattos: Além de linda, ela fez esse livro. Achei isso legal, isso foi um incentivo, incentivando essa galera a escrever. E eu falo também sobre as redes sociais, porque tem esse TikTok que fica o pessoal todo fazendo aquelas dancinhas ridículas. Não aproveita isso para gerar conteúdo, falar suas poesias ou interpretar algum personagem legal. A gente tem que saber separar. Virou uma coisa ridícula, né? Porque eu olho assim, tem gente que fica dançando o dia inteiro, eu falo: meu Deus, isso vai levar ele aonde?

Eron Falbo: [7:22] Eron Falbo: Sérgio, eu tenho um projeto em que você vai me ajudar, que se chama Sequestrando Instagirls. Porque o projeto é usando essas Instagirls aí, que têm milhões de seguidores, contratando elas e fazendo elas declamarem poesias, falarem sobre filosofia, falarem sobre ética.

Sérgio Mattos: [7:42] Sérgio Mattos: Tô dentro, total, cara. Tô dentro. Tem que pensar um pouco fora da caixa, né? Porque as pessoas fazem muito o que os outros fazem, é isso que eu reparo. Então as dancinhas são sempre imitando uma outra menina que fez, ou imitando um cara que faz isso, tira a blusa, mostra o abdômen. Então fica uma coisa falsa, que não mostra que é uma coisa original da pessoa. Eu acho que as pessoas têm que pensar um pouco nisso. Ou então criar a sua própria dança, em vez de imitar a dança do outro. Dança falando poesia.

Eron Falbo: [8:21] Eron Falbo: Essa bolha vai estourar em algum momento, porque o público quer conteúdo de verdade. Você tem aí décadas de indústria, você sabe melhor do que ninguém. Eu estou falando isso, você que me fala a verdade, mas, na minha opinião, o que dura, no final das contas, é o conteúdo verdadeiro. A gente tem tipo o one-hit wonder, artistas que vêm e vão, mas a galera que fica é uma galera que tem autenticidade de conteúdo.

Sérgio Mattos: [8:46] Sérgio Mattos: Exatamente, que nem a Gisele. São, sei lá, mais de 30 anos de carreira, e ela continua ali, no topo, porque sabe se reinventar, sabe ter conteúdo também, ela faz de tudo. Aí ajuda a natureza e essas coisas. Então, tem que pensar nisso. Você não pode ser só um rostinho bonito, você tem que ter conteúdo. É isso que eu tento passar para os meus modelos, até para as meninas fashion. Você tem que fazer alguma coisa, inclusive ler muito. Eu acho que incentivar eles a lerem é muito importante. Hoje, com a internet, ninguém lê. É aquela coisa, você consegue ler duas frases, entendeu? Então, a leitura desenvolve um vocabulário muito bom, uma criatividade. É como se você estivesse malhando, mas a cabecinha, né? Então, eu incentivo muito eles a lerem. Olha a minha estante ali, olha. Eu realmente adoro, é muito legal. Acho que a leitura é uma coisa que eu sempre gostei. Eu tive uma professora de português, quando eu era bem novinho, num colégio municipal, não era nem colégio particular. Eu era novinho aqui no Rio, na Tijuca, e essa professora dava um livro por semana que a gente tinha que ler.

Eron Falbo: [10:00] Eron Falbo: Outros tempos.

Sérgio Mattos: [10:03] Sérgio Mattos: E o que eu aprendi com esses livros, aquilo ali me fez ser o que sou hoje, e ter um pouco mais de criatividade, de ter vocabulário, de saber como conversar com as pessoas. Acho que isso é importantíssimo. Tento incentivar também as new faces para lerem, para estarem sempre antenadas com as coisas e não ficar só no carinha bonita, no dancinha de... Que maravilha!

Declamação de poemas e história musical (10:18)

Eron Falbo: [10:31] Eron Falbo: Que maravilha! Sérgio, eu posso declamar um poema seu?

Sérgio Mattos: [10:36] Sérgio Mattos: Pode! Gostou de ouvir?

Eron Falbo: [10:38] Eron Falbo: Porque assim, o meu programa, o nosso programa, que hoje a gente tem grandes apoiadores aí, graças a Deus, está crescendo bastante. O objetivo dele é transcender essa coisa de barreiras, de ideologias, de partidos, de, vamos dizer, identidades, e chegar a alguma coisa que eu vi no seu prefácio, lá do seu livro. Eu percebi que você é muito passional sobre esse assunto, sobre as pessoas largarem as poses e começarem a, que é até irônico para um cara que trabalha com modelos, largarem as poses ideológicas ou limitantes e começarem a falar do coração, falarem a verdade. É esse sentimento que eu senti. Então, eu escolhi um dos seus poemas que fala sobre isso.

Sérgio Mattos: [11:38] Sérgio Mattos: Alguém recita uma poesia minha, eu acho isso sensacional, porque parece que ganha vida aquilo que eu escrevi ali, ganha vida quando alguém fala. É muito legal. Obrigado por essa homenagem.

Eron Falbo: [11:52] Eron Falbo: Então, vamos lá. O nome do poema é Estandarte. Que os poetas façam a revolução da canção, que usem as flores, as palavras e os poemas como armas da libertação. Que os poetas cantem o amor, a liberdade, e usem a verdade como estandarte na luta contra a alienação.

Sérgio Mattos: [12:13] Sérgio Mattos: Ó, mas esse não é meu.

Eron Falbo: [12:16] Ah, esse não é seu?

Sérgio Mattos: [12:17] Caramba, desculpa. Com certeza deve ser esse outro aí, que é jornalista.

Eron Falbo: [12:23] Ah, porque eu vi no seu site e estava listado, né?

Sérgio Mattos: [12:28] É, esse não é meu.

Eron Falbo: [12:31] Tem certeza que vai ser?

Sérgio Mattos: [12:32] Outro Sérgio Mattos, que é poeta também. Por isso que eu falei, onde você achou essas poesias? Porque tem na internet.

Eron Falbo: [12:39] Então... eita, talvez eu vi outro Sérgio Mattos. Uau, desculpa.

Sérgio Mattos: [12:44] Bem bonito.

Eron Falbo: [12:46] Que vergonha, que vergonha.

Sérgio Mattos: [12:48] Então vamos falar... Sérgio Mattos, né?

Eron Falbo: [12:51] Ai, que coisa, que coisa. E você tem um site com essas poesias, não?

Sérgio Mattos: [12:56] Não, não fiz um site ainda, não. Eu tenho um Instagram, que é Poesia Sérgio Mattos, e aí tem algumas ali já, né?

Eron Falbo: [13:03] Ah, entendi.

Sérgio Mattos: [13:05] Esse meu livro que eu lancei chama Era Uma Vez um Poeta, é só esse que eu tenho.

Eron Falbo: [13:10] Ah, entendi, tá bom. Então, assim, eu li errado sobre a sua poesia. Então vamos conversar um pouco sobre isso, que eu adoraria saber. Você lançou esse livro quando?

Sérgio Mattos: [13:21] Lancei... não foi ano passado, foi ano retrasado, antes da pandemia. Aí a gente lançou na Bienal do Livro, aqui no Rio, depois eu lancei em São Paulo, lancei em Salvador, com um sarau de poesias, todo mundo recitando as poesias e cantando. Bem legal, sabe? Eu gosto muito disso, reunir uma galera e botar a galera para cantar e para falar. Foi superlegal.

Eron Falbo: [13:47] E quais são as suas influências poéticas? Como é que você começou com isso?

Sérgio Mattos: [13:52] Olha, eu não tenho assim uma influência minha. O que eu gosto muito, muito, muito é Chico Buarque, Cazuza, Caio Fernando Abreu, que eu amo, que eu leio e curto muito. Eu ouço uma música do Chico, do Caetano, do Gil, eu piro naquelas letras dele. Eu falo: gente, que cabeça para escrever uma coisa dessa. Então sempre gostei de brincar com as palavras, mas ficava tudo numa gaveta escondida. Aí, quando a gente resolveu vou lançar um livro, veio uma editora me oferecendo, aí eu falei: vou lançar. E aí eu fui catando, catando, catando várias poesias separadas, e não tem uma... como é que eu posso falar... uma tendência de só poesia amorosa, só isso, só aquilo. Tem tudo, né? Tem um filme que eu vi, tem uma modelo, top model, que me marcou, e aí eu falo dela, chama 'Punk Chique Chanel', e agora uma amiga fez uma música que já tá no Spotify, chama 'Pante Pante Chique'.

Eron Falbo: [15:02] Eu vou anotar aqui para eu procurar.

Sérgio Mattos: [15:04] Hora de uma moda chique, punk chique chanel, então é várias coisas. Tem um filme que eu vi que eu amei muito, que é o Diários de Motocicleta. Eu amei esse filme.

Eron Falbo: [15:20] Conta a história do Che Guevara.

Sérgio Mattos: [15:22] Bem novinho, né? Eu vi esse filme e fiquei muito impressionado. Aí comecei a escrever também, é uma das poesias aqui. Tem uma 'Sobrevivente' também, que também virou música. A gente vai fazer um clipe agora lá em Salvador, que a cantora mora lá em Salvador. Ficou muito legal, é muito legal escrever.

Eron Falbo: [15:39] E você recitaria uma pra gente? Tem algum poema menor que você gosta bastante que você recitaria?

Sérgio Mattos: [15:48] Vamos ver essa aqui que eu gosto bastante. Vamos ver se dá para falar. Às vezes eu falo, às vezes me calo e simplesmente ouço. Às vezes não me entendo e gosto da sensação. Às vezes respeito o ritmo das pessoas, às vezes simplesmente não. Às vezes me lembro, às vezes me esqueço, simplesmente deixo para lá. Às vezes vejo o futuro e gosto da visão. Às vezes acredito nas mentiras que me contam, às vezes simplesmente não. Às vezes fantasio situações e gosto da ilusão. Às vezes tomo atitudes certas, às vezes simplesmente não. Mato ou morro, só corro, corro sem olhar pra trás. Às vezes teorizo, às vezes barbarizo, e me batizo no fundo do rio. Gosto do gosto que fica na boca depois do seu beijo. Maravilha! Bem doida, né?

Eron Falbo: [16:46] Não, maravilhosa, maravilhosa. Gostei bastante.

Sérgio Mattos: [16:49] Já virou música. Eu já tive banda, né? Componho já há muito tempo.

Eron Falbo: [16:54] Ah, você já teve banda? Como é que foi isso? Como foi essa história?

Sérgio Mattos: [16:59] Não sei, falou: vamos montar uma banda. A gente não tinha nome, mas já tinha show marcado. Aí a gente tava fazendo casting pra banda, acabou ficando 'Banda Casting'. A gente tocou aqui nas noites cariocas por muito tempo. Baronete. É mesmo?

Eron Falbo: [17:16] E você fazia o que na banda?

Sérgio Mattos: [17:18] Piano e compõe.

Eron Falbo: [17:20] Então você toca piano bem?

Sérgio Mattos: [17:25] Não sou muito fera, mas dá para tocar numa banda assim, um pop rock legal. E foi muito legal. Depois não tive mais tempo e cada um foi para um lugar. Um foi para fora do Brasil, dois outros foram para Floripa. Mas foi uma experiência muito legal, era muito legal tocar e ver a galera cantando, tocando, se divertindo, né? Foi muito bom.

Eron Falbo: [17:49] E era tudo música autoral ou vocês faziam versões e tudo?

Sérgio Mattos: [17:53] Não, tocava Lulu também, tocava tudo, Cazuza, mas tinha música autoral também.

Eron Falbo: [17:59] Que maravilha, isso é uma coisa que a gente tem em comum, né? Que eu sou músico também.

Sérgio Mattos: [18:02] Vou te mandar, você também é, né?

Eron Falbo: [18:05] É, sim.

Sérgio Mattos: [18:06] Pra mim, faz uma música maneira.

Eron Falbo: [18:09] Me manda o livro que, com certeza, eu vou dar uma degustada com muito carinho. Mas vamos voltar, acho que, na coisa que muita gente quer ouvir aqui, dessa coisa das novidades da carreira de modelo, de carreira de ator, essa coisa de ser influenciador. Como é que você tem visto isso? Os influenciadores... Porque hoje tem muita gente se fazendo, né? Através do próprio Instagram, fazendo pelo menos um público vasto. Como é essa relação entre pessoas que estão em agência, influenciadores e atores e tudo mais nesse mundo novo de se fazer?

Influenciadores e evolução do mercado (18:10)

Sérgio Mattos: [18:56] No começo, fiquei um pouco assustado, porque é muita coisa ruim. Muita gente com nada a ver. Influenciar quem? Quem vai influenciar? Tanta idiotice. Fiquei bastante preocupado e falei: meu Deus do céu, o que vai virar esse mundo? E algumas influenciadoras falando que era de moda e não entendiam nada de moda. Fiquei meio preocupado naquele início, sei lá, uns 10 anos atrás. E a coisa depois foi evoluindo. Desde Orkut, fotolog, eu já gostava de fazer as coisas. Já tinha bastante gente seguindo, porque a gente está nesse meio aí, todo mundo quer conhecer um pouco mais dessa coisa da moda. E aí fui começando a entender um pouco o que a gente pode aproveitar disso, e entender também que um modelo, quando faz bem as redes sociais, com bom conteúdo, com uma boa comunicação, ele vai agregar à carreira dele. Então, a gente já tem alguns modelos que são influenciadores, ou seja, já têm um monte de seguidor no YouTube, no Instagram ou no TikTok, e isso faz até eles entrarem nesse mercado. Então, tem clientes já, primeiro, que mandam um monte de coisa: é perfume, é shampoo, é isso, é aquilo. Chega lá na agência para os modelos um monte de coisa dessa turminha que já está bombando. E alguns trabalhos também são feitos assim: eles fazem a campanha da marca, mas têm que fazer um story também, no dia, num making of ou num backstage. Então, é interessante, porque acabou... está junto.

Eron Falbo: [20:39] Está caminhando junto as duas coisas.

Sérgio Mattos: [20:42] E eu sempre procuro estar de olho ali. Quando vejo uma coisa que acho, falo: gente, não é isso que você... isso não vai ajudar você na sua imagem. Dou um toque para as meninas e para os meninos, que às vezes não é por aí. Vamos tentar um conteúdo mais significativo, que realmente tenha um conteúdo mesmo. Acho importante isso. Então acho que a gente tem que ter muito cuidado de não ser mais um Maria vai com as outras, de imitar as pessoas fazendo a mesma coisa, e ser original. E ser simpático. Realmente a gente tem, por exemplo, a Paula Lacroix. Ela começou com 14 anos e é a cara da Gisele, né? Então a mídia já caiu em cima dela, todo mundo... ah, Giselinha, Giselinha, Giselinha... E ela soube aproveitar isso, que bombou nas redes sociais. Hoje em dia, além de fazer trabalhos como modelo, faz como influencer e é um sucesso. É uma simpatia, é uma menina que desde os 14 anos já tinha bastante conteúdo, sabe? É uma menina que fala inglês, fala italiano, e já rodou o mundo, então tinha muito conteúdo para dar. Então isso fez com que ela realmente bombasse, não só na carreira de modelo, mas está bombando também como influenciadora.

Quem deve ser modelo afinal (21:57)

Eron Falbo: [22:02] Me diz uma coisa, o que você diria que é o tipo de pessoa que não deveria fazer a carreira de modelo? A pessoa está pensando lá, será que eu faço carreira de modelo, será que não? Para quem você diria: você não é a pessoa certa para fazer carreira de modelo?

Sérgio Mattos: [22:18] Olha, hoje em dia a moda está mais democrática, né? Antigamente, se você me perguntasse há 30 anos atrás, quando eu comecei, eu falaria: se você estivesse fora das medidas, você não poderia ser modelo. Mas hoje em dia as plus size estão bombando, que é uma coisa totalmente nova, né? E pessoas mais exóticas também, mais negros no mercado. Então a moda está com a diversidade em alta, né? Tem modelos trans, modelos trans lindíssimos, fazendo capa de Vogue, entendeu? Então, assim, a moda mudou muito, e com as redes sociais acho que ainda está mudando mais. Então a gente não sabe onde vai chegar, mas ela está mais democrática. O que eu posso falar é que se você é muito tímido, não rola ser modelo, porque você tem que estar ali se exibindo numa passarela, numa fotografia ou num vídeo, num comercial, num clipe. Você tem que estar ali de verdade. Se você tá naquela timidez, então aí eu posso falar: olha, não, vai fazer a faculdade, entendeu? Lógico que a timidez você pode aprender a perder, vencer a timidez, porque muitas vezes é uma insegurança, uma coisa mais da cabeça também, porque eu falo que tem que ter uma cabeça boa para ser modelo. Você ouve muito: não, parece que é fácil ser modelo, vai lá, desfila. Mas é uma insegurança grande, porque tem sempre pessoas te criticando, tem sempre pessoas te comparando com outras pessoas. Então, além de tudo, tem que ter uma cabeça muito boa quem quer entrar e bombar nessa profissão.

Eron Falbo: [23:52] E um controle emocional de conseguir perseverar apesar das rejeições, não levar pessoalmente. Eu imagino... eu nunca fui modelo, mas como músico eu também recebi muito não, até chegar em alguma oportunidade, como a Universal Music, por exemplo. Você passa por muitos questionamentos pessoais.

Sérgio Mattos: [24:18] É, você tem que ter muita segurança mesmo, determinação. A Gisele fala assim: se eu fosse ligar para o tanto de não que eu recebi no início da carreira, eu não estaria aqui hoje. Falaram para ela que, com aquela cara dela, com aquele nariz dela, ela nunca faria capa de revista. Então, assim, as pessoas botam você para baixo, entendeu? Então, na carreira de modelo, às vezes a menina já vem daquele bullying todo, porque toda modelo sofre um bullying doido na escola, né? É girafa, é varapau, é aquela coisa toda, o tempo todo, uma grela mais alta. Então, muitas vezes isso cria uma insegurança. Você tem que ser forte, saber... Eu tenho muitos modelos que eu lancei que as pessoas falavam: não, essa aí não vai bombar. Aí a menina bomba, né, depois todo mundo: ah, melhor amigo de infância, né? As pessoas são muito assim, né? Gostam de criticar, principalmente quando não conhecem a área, gostam de criticar e botar a pessoa para baixo: não, você não vai conseguir, não, isso não rola. Isso às vezes vem da própria família, né? A família não apoia e não acredita. Aí a pessoa vai, estoura, e aí todo mundo ama, todo mundo é o melhor amigo de família.

Eron Falbo: [25:33] É, mas é difícil a família apoiar, você não acha? Isso é uma coisa que eu, retrospectivamente, depois de vários anos de ter vivido o mundo da música, hoje em dia eu entendo os meus pais não me apoiando tanto, porque realmente esse mundo não é para qualquer um. Requer uma consistência emocional muito forte, requer muitas oportunidades, uma perspicácia de saber aproveitar oportunidades, e mesmo assim ainda é raro...

Sérgio Mattos: [26:10] Estourar, né?

Eron Falbo: [26:11] É, é um funil.

Sérgio Mattos: [26:13] É igual à moda, é um funil, e faz vencer o mais forte ou, às vezes, aquele que persevera mais, está mais persistente naquilo. Já vi modelos que começaram a carreira e ficaram fazendo trabalhinhos B, C, e depois de ter filho etc., virar uma estrela e fazer campanhas internacionais. Existem várias experiências. É aquela coisa, ninguém tem bola de cristal de saber se a menina vai virar top ou não, mas se ela não tentar, ela nunca vai saber. Ah, não, vou fazer faculdade, que é melhor, aí casa, tem filho e desiste da profissão. Mas aí nunca experimentou realmente se jogar e tentar uma temporada em Milão, tentar uma temporada em Paris, entendeu? É por aí que ela vai saber se ela vai poder ser uma grande estrela, entendeu?

Eron Falbo: [27:08] É. Eu, Sérgio, uma das primeiras coisas que eu percebi em você, que na verdade me surpreendeu bastante, porque eu já conheci grandes empresários musicais no mundo da música, pelo menos, e é parecido, querendo ou não... Uma das primeiras coisas que percebi sobre você foi a simplicidade, o seu jeito tranquilo, sem muitas máscaras para falar. Você acha que você conquistou isso? Você sempre foi assim? Tudo bem que você é baiano e todo baiano é gente boa, praticamente, mas como foi isso na sua trajetória?

Sérgio Mattos: [27:45] Eu nasci no interior da Bahia, numa cidadezinha desse tamanho, as pessoas são muito simples mesmo, e... Então eu tenho isso no meu coração, porque a minha raiz está lá, eu vou sempre para lá. É uma cidade linda, cheia de cachoeiras, mas um povo muito simples. Então, quando eu vou lá, eu estava agora de férias lá, eu saio, sento, converso com as pessoas, e sempre fui assim. Mas eu sempre fiz teatro, desde pequeno. Então, eu com 7, 8 anos, na escola, em qualquer lugar, na igreja, porque eu fui criado na igreja Batista. Então a gente tinha muito coral, eu tocava no coral, tocava piano, tocava flauta, cantava no coral e fazia todas as peças possíveis, tanto na escola quanto na igreja. Então eu sempre fui extrovertido, né? Eu acho que isso é uma coisa assim, de não ter vergonha de falar essas coisas todas. Mas sempre de simplicidade, sabe. Eu já jantei com Calvin Klein em Paris, sou amigo do Mário Testino, eu já vi Quincy Jones, a gente já almoçou juntos em Nice, na França, com John Casablancas, que me levou para o mundo inteiro, que foi ele que me adotou, né, quando eu entrei na agência Elite, e ele me apresentava, né, Cindy Crawford, Linda Evangelista... Aquilo nunca me subiu a cabeça. Sempre fui moleque do interior e sempre vou ser, porque acho que ser simples é a qualidade da vida, sabe? Essa coisa das pessoas que pegam um trabalho e já se sentem... sabe, fica...

Trajetória pessoal e mentoria com Casablancas (27:48)

Eron Falbo: [29:22] Muda tudo, né?

Sérgio Mattos: [29:24] Não rola isso. Para mim, não funciona. Então, sou assim mesmo, moleque mesmo, sempre vou ser. Tenho 57 anos, mas para mim sou um moleque.

Eron Falbo: [29:36] Que sorte que você teve! Que maravilha! Porque muita gente lida com isso, lida com os problemas. Eu mesmo, quando a primeira vez que eu lancei o meu single e fez sucesso, confesso que subiu a minha cabeça e eu virei uma pessoa meio babaca. E, graças a Deus, eu saí um pouco disso e vivi umas outras experiências, em negócios, mercado financeiro e tudo. Só agora que estou voltando para a exposição pública, e estou, graças a Deus, um pouco mais maduro, um pouco mais simples. Então é muito bom ver uma pessoa como você, que nunca deixou subir a cabeça. Imagino que você, conhecendo alguém como o John Casablancas, que era praticamente um papa do mundo da moda... Aprendi com ele.

Sérgio Mattos: [30:38] Quando comecei, eu achava todas as meninas lindas: essas lindas, essas lindas. Ele olhava as pernas curtas, olhava isso, ele ficava tentando ser mais criterioso. Então acho que esse meu olho clínico é um pouco dele. Me ensinou bastante mesmo. Faz muita falta ele aqui, viu? Ele realmente é muito científico.

Eron Falbo: [31:02] Ele faleceu em 2013 ou 2003? Alguma coisa assim?

Sérgio Mattos: [31:08] 2013.

Eron Falbo: [31:10] Então, eu queria saber um pouco mais, acho que é muito interessante esse assunto do olho clínico, né? Porque assim, como é que você desenvolve isso? O que é isso exatamente?

Sérgio Mattos: [31:23] Foi o que eu te falei, eu aprendi mesmo fazendo, né? Olha só, eu comecei em 1988, trabalhava na IES Brasil, era gerente da loja IES Brasil em São Paulo, e aí já descobria talento. Passava na rua o Luciano Zappi, passava indo lutar jiu-jitsu, a gente parava ele: "Você tem que ser modelo", etc. E era assim, eu já catava modelo e fiquei meio famoso lá em São Paulo. Ah, o Serginho da IES Brasil descobre todo mundo, os vendedores da loja todos viraram modelo. E aí a Elite veio para o Brasil em 88, foi a Elos que trouxe. Então a Elos patrocinava o concurso The Look of the Year, que virou Elos Looking aqui no Brasil. E aí foi meu primeiro emprego, eu entrei na Elite para fazer o Elos Looking. E minha função era viajar o Brasil inteiro para selecionar, entrevistar todas as candidatas e escolher trinta para participar do desfile à noite. Então foi assim, eu aprendi um pouco na marra. Lógico, no primeiro, em 89, eu já descobri a Paula França, que acabou ganhando o concurso, ficando entre as dez melhores lá fora. Em 92, eu já descobri a Línia, que acabou casando com o Casablanca. Em 94, a Gisele Bündchen, uma new face lá em Porto Alegre. Batemos a tabela, fomos para Ibiza, e ela acabou ficando entre as dez melhores do mundo. Em 95, a Caroline Ribeiro, que hoje é essa estrela toda aí, que fez muita carreira de modelo e hoje é apresentadora, etc. Em 1996 foi o ano que veio Isabeli Fontana, Ana Beatriz Barros e Michelle Alves. Fomos com as três, eram tão lindas que não podia ser só uma. Fomos três para Nice, na França. E aí, incrível, a Ana acabou ficando em segundo lugar do mundo. E depois, tanto a Michelle quanto a Isabeli fizeram uma carreira incrível. Em 1999 veio a Raica, a Elisabeth Perfol, e todas viraram estrelas, né? Todas viraram supermodels. Então, esses anos 90 foram uma loucura. Eu aprendi na raça, porque também todas as meninas do Brasil se inscreviam nesse concurso, tinha duas mil numa fila, pra gente ver. E era uma coisa assim, mas eu era muito de achar todo mundo bonito. E a moda tem essas coisas, às vezes ser muito bonita se banaliza. Então, às vezes, eu tinha que ver uma coisa mais exótica, um nariz diferente, um estilo diferente. E aí fui aprendendo, né?

Eron Falbo: [33:59] Mas foi legal ver todas essas meninas estourarem.

Sérgio Mattos: [34:03] Foi muito legal ver todas essas meninas estourarem.

Eron Falbo: [34:06] É, imagina.

Sérgio Mattos: [34:07] Até Izabel Goulart, Daniella Sarahyba, uma loucura. Foi muito legal, cara.

Eron Falbo: [34:14] E o que é essa coisa que o John Casablanca, que você falou que ele te ensinou, essa coisa de olhar os pés, de diferenciar? Você olhando, sei lá, o Instagram, porque imagino que você deve fazer um pouco de scouting pelo Instagram, pela internet também, né? Imagino que hoje em dia deve ter muitas revelações através dessas plataformas. Quando você está olhando, qual é o diferencial de você estar olhando em uma pessoa que não tem essa experiência?

Olho clínico e golpes nas redes sociais (34:39)

Sérgio Mattos: [34:46] Eu brinco, uma piada minha, tem que ter duas coisinhas: o rosto e o resto. É uma piada que a gente conta, é engraçado, mas é basicamente isso. Eu vejo primeiro o rosto, e a fotogenia do rosto. Então, no Instagram, você já vê a fotogenia ali, se a menina coloca umas fotos do rosto, a gente já vê a fotogenia. E esse resto ali, além das medidas, a gente olha as pernas, olha o quadril, para ver se vai vestir bem uma roupa. Então, a gente tem isso da estética da pessoa, e depois a gente vai ter que conhecer a pessoa, porque não é só a beleza que conta, mas a personalidade, a atitude, a segurança que essa menina vai ter, entendeu? Se ela for linda, maravilhosa, mas inexpressiva, tímida, essas coisas talvez não rolem. Então, tudo bem, a gente dá umas aulas de passarela, bota num workshop qualquer. Então, às vezes, é treino que precisa. Mas a primeira coisa que a gente vê realmente é o rosto, porque esse rosto é o cartão de visita delas, né? É a capa do composite, a capa de revista que ela vai fazer. Então, a gente olha primeiro o rosto mesmo, a fotogenia, os ângulos, né? Todo mundo tem ângulos bons e ângulos ruins. Então, um bom modelo aprende quais são os seus melhores ângulos, já vai saber virar direitinho, se o nariz fica melhor para baixo ou para cima. É bem assim, é um autoconhecimento.

Eron Falbo: [36:27] Muito interessante. E eu vi uma entrevista sua, você falando sobre alguns perigos, né? Porque imagino, mulheres bonitas viajando, dividindo apartamento, deve ter muitas histórias de perigo. Você mencionou o sequestro que acontece. Como você guia as pessoas para não caírem nessa, para não se exporem, porque é um mercado muito sexual?

Sérgio Mattos: [37:02] Exatamente. A beleza é uma coisa que chama a atenção, né? Então, ao mesmo tempo que você vai lá pegar trabalhos bons e desfiles bons, vem maluco também atrás de você, né? Hoje em dia tem que ter muito cuidado com as redes sociais. É impressionante, a gente posta uma foto e começa a chover, viu? Entra muito maluco, muito tarado, pedófilo. Eu tô com agência de criança agora, montamos kids, é impressionante. Eu postei uma menina outro dia, a mãe dela falou assim: "a agência acabou de postar, tá aqui ó", a pessoa mandando o direct, para saber que baixaria. Então, tem que ter muito cuidado mesmo com isso. Os convites são um monte, e é tudo assim: "vem para cá que você vai ser a top, que você já tem trabalho". Eles vão lançando sempre assim, vão no ponto fraco da pessoa. Elas estão ali carentes, querendo trabalhar, querendo isso e aquilo. Então, muito cuidado com as redes sociais. Na carreira de modelo, a gente tem as agências que já são um filtro dos malucos, a gente já filtra, não vai mandar uma menina fazer um desfile numa roubada, como antigamente, quando não tinha agência, a menina ia fazer um desfile e era a fazenda do cara. Então, essas coisas hoje em dia são muito filtradas, né? E o mercado é bem sério quanto a isso. Mas nas redes sociais é impressionante, você tá ali inocentemente postando uma foto linda de uma pessoa, dez segundos depois tem um ali pedindo foto do pé, o outro pede não sei o quê, o outro pede foto do sovaco, é cada maluco... Então, muito cuidado com os convites. Eles ficam na internet também, umas agências fakes que vivem só disso, ficam ali: "ah, você é o perfil, você é o meu perfil", etc, etc, etc, e vão enchendo o saco, viu? E aí, às vezes, depois eles trocam para outro nome. Uma agência tal, depois que queimou o filme, vai e troca. Então, muito cuidado mesmo. Procurar saber quem é quem é muito importante, sabe? Tem alguém te chamando pra ser... procura alguém que conheça a moda e fala: "quem é essa pessoa? Vocês conhecem? Posso confiar?" Uma agência, geralmente, tem um site, legal, você vai lá no site, vê quem são os modelos que trabalham na agência, ou vê as entrevistas, né? Bota no Google o nome da pessoa, vê se ela já descobriu alguém realmente. Então, hoje em dia, a gente tem essas ferramentas que podem nos ajudar a nos livrar das roubadas. Mas tem gente que parece que gosta de roubar.

Eron Falbo: [39:38] E aí cai. Tem muita gente que está muito desesperada para ser visto, para estourar, esse tipo de coisa, e esse desespero leva a gente à roubada.

Sérgio Mattos: [39:50] Exatamente. Tinha um cara lá que levava as meninas, falando que ia fotografar elas no parque, e matava. Até isso tem que ter muito cuidado.

Eron Falbo: [40:00] E você faz um curso, que estou vendo o pessoal falando, você dá um curso para modelos?

Sérgio Mattos: [40:06] Olha, há mais de 30 anos eu já dou meus workshops. Eu aprendi, eu fiz propaganda e marketing, muito legal, professores bem legais. Eu era moleque, eu falei: vou lá. Queria ver, era curioso, queria entender isso. Antes de entrar na ES Brasil, eu fiz esse curso. E aí me formei e tirei o meu DRT, e aí já fui dar aula. Para uma galera, fui em uma cidade dar aula, em Aquidauana. E aquilo... eu comecei a dar aula, dar aula mesmo, antes de ter agência, antes de tudo. Até a Flávia Alessandra teve aula comigo quando tinha 12 anos. Então teve muita história. E hoje a gente faz um workshop dentro da 40 Graus, onde a gente dá aula para as meninas: como fazer um desfile, como fazer um comercial de TV, como fazer um teste para um comercial qualquer, um teste fotográfico, e fotografa todo mundo. A gente faz tudo assim, ao vivo e a cores, né? Então a gente dá a expressão corporal, o mercado de trabalho, e é bem legal porque os modelos saem mais conscientes do que é a carreira de modelo. É bem legal.

Eron Falbo: [41:14] E vocês fazem também online ou só no 40 Graus?

Sérgio Mattos: [41:19] Tô com um online agora também, que até o link tá na minha bio.

Eron Falbo: [41:23] Aí você pode... então vamos divulgar para o pessoal, que isso aqui depois vai para o Spotify, né, vai ficar em áudio. Então a gente fala qual é o seu Instagram. Deixa eu ver aqui, tá no seu ou no do 40 Graus?

Sérgio Mattos: [41:36] É o meu, que é Sérgio Mattos 40, Mattos com dois tês, 40. E lá tem o link do workshop que você pode fazer na sua casa. Foi muito legal. A gente chamou a psicóloga, chamou a nutricionista, chamou várias pessoas para falar sobre essa coisa, que tem que ter uma cabeça boa para poder ser modelo. Tem apresentadora também de TV, tem vários tópicos. Passarela, a gente invade uma aula, invade um estúdio fotográfico, mostra como é fazer um book. Então é bem legal, bem didático. Agora o presencial é bem melhor, porque a gente tá ali de olho na pessoa, né? E corrigindo os erros. Às vezes ela desfila bonitinho e a mão tá torta, a gente tá corrigindo ali. Então o presencial é bem legal. Tem para adultos e kids também.

Eron Falbo: [42:27] Você considera, dentro da sua carreira, com tantas pessoas que você revelou, tantas estrelas que você revelou, que você também fez grandes amizades? Porque o mundo da moda é visto como superficial, né? Qual é o seu testemunho sobre isso, sobre a carreira, sobre as ligações que são feitas?

Amizades reais e crescimento do mercado (42:38)

Sérgio Mattos: [42:52] Olha, tem muita gente que você lança, descobre, põe na sua casa, dá comida, e aí pega uma novela e nunca mais olha na sua cara. Não te manda nem Feliz Natal. Isso acontece mesmo. Modelo, então, que troca de agência, é uma loucura. Você lança a menina, vai de mão dada para o Fashion Week, ela pega todos os desfiles, aí põe na capa de uma revista, e aí a outra agência vai e leva, e ela não te dá tchau. Entendeu? E isso acontece direto. Em 30 anos, eu já perdi a conta de quanta gente eu lancei. E o primeiro convite, às vezes, é financeiro, né? 'Ah, vem que eu te dou isso, eu vou te dar aquilo.' E vão embora. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho grandes amigos, né? Como Cauã Reymond, Paulo Zulu, Márcio Garcia. São pessoas que, para mim, é como se fossem da minha família, entendeu? A gente estava tão grudado quando a gente era moleque e começando a carreira, que a gente tem hoje a gente dá risada lembrando das coisas, é bem legal. É muita gente legal que eu acompanhei desde o início, e hoje em dia a gente tem uma relação, já fui padrinho de casamento de vários. Então, ao mesmo tempo que tem pessoas que ficam ali pelo dinheiro mesmo, sem a mínima amizade, consideração ou agradecimento, os outros são totalmente gratos, eternamente, e é muito legal ver isso.

Eron Falbo: [44:16] Que maravilha. Eu fico pensando, assim, sobre a primeira vez que você entrou no mercado da moda: você tinha quantos anos?

Sérgio Mattos: [44:32] Uns 20 e pouco.

Eron Falbo: [44:34] É? E como você vê a indústria, não só da moda, mas dessa coisa do casting, de revelar talentos. Qual era a diferença, o Sérgio com 20 e poucos anos entrando lá com uma ideia e o Sérgio hoje com mais sabedoria, com mais experiência?

Sérgio Mattos: [44:58] Com certeza eu estou bem mais maduro. Na época eu era um doidinho, ficava rodando e pá, pá, pá, e dando aulinha para as meninas, e gritava: 'vamos, maravilhosas'. Sempre fui assim, incentivador das meninas, das novatas. Às vezes até incentivava a menina que nem era tão boa, mas sempre fui incentivador. Mas não tinha a maturidade que eu tenho hoje. Há 16 anos eu montei a minha própria agência, que chama 40 Graus Models. Aí você tem que botar o pé no chão mesmo e ficar pensando em várias coisas, né, na parte comercial também, né, na parte administrativa, é muito mais coisa, né. Mas assim, o mercado se fortaleceu muito nesse tempo, eu acompanhei esse crescimento do mercado. O que era o Fashion Week naquela época, que o São Paulo Fashion Week nem existia, era Moda Rio, e tinham alguns desfiles aqui e ali. Mas o São Paulo Fashion Week hoje em dia é uma potência mundial, que vem modelos do mundo inteiro, vêm estilistas de outros lugares. Eu senti esse crescimento todo, e também senti a moda se transformando, crescendo, preocupada também com o meio ambiente. São fatores novos, que são importantíssimos. A diversidade, por exemplo, o São Paulo Fashion Week hoje em dia é obrigado a ter metade do cast negro. Isso é tudo importante, porque a gente tem isso. Sempre teve negros no Brasil, e não tinha nos desfiles, era um ou outro. E hoje em dia, se eu te falar do meu cast de negros, que estão bombando no exterior, é impressionante, sabe? Você vai em Nova York e tem um monte das minhas modelos, tem meninos desfilando em todo lugar do mundo. Então eu fico muito feliz, porque eu sempre falei isso. Se você procurar aí entrevistas minhas de há 20 anos, eu já falava: tem que ter mais negros no mercado. Sempre briguei por isso. A minha agência é carioca, né? Todas as agências são paulistas, a minha é carioca. Então eu sempre fui um pouco diferente mesmo. E sempre teve aquela briga, que a modelo carioca era mais cheia de corpo, de curvas, etc. E hoje em dia as curvas estão em alta, né? Então eu lutei muito por isso, mas com certeza estou muito mais maduro. Eu gosto muito disso, e realmente eu incentivo muito isso. Às vezes a pessoa é diferente, eu falo assim: ninguém vai gostar dessa menina, mas eu vou apostar nela. E é um barato.

Perguntas da audiência sobre carreira (47:30)

Eron Falbo: [47:36] Que maravilha, que maravilha. A gente tem mais uns 10 minutos aqui para responder talvez algumas perguntas. O Maurício Branco está perguntando como faz para ser new face, como se ele tivesse perdido a new face dele. Ele tem a mesma cara que ele sempre teve.

Sérgio Mattos: [47:54] Eu botei ele para ser meu assistente, e aí a gente foi para Rondonópolis, um concurso de modelo. Falei: 'você vai antes, prepara tudo que eu estou chegando'. A gente ria muito, né? O Arden Willow, legal! Estou vendo que o Matias está aí também. Um beijo para o Mariano Afrota, está na Europa. Está aqui falando que a personalidade conta mais. É isso aí, Mariano. Nunca é tarde, meu amigo. Tem uma galera aqui.

Eron Falbo: [48:27] Este aqui é interessante.

Sérgio Mattos: [48:29] O Royce e o resto.

Eron Falbo: [48:31] Qualquer pessoa pode ser modelo?

Sérgio Mattos: [48:34] Olha, acho que não é qualquer pessoa. A pessoa tem que ter um estilo, uma personalidade forte, e tem que ter um visual exótico. Então não precisa ser uma Barbie, porque antigamente todas as modelos tinham que ter cara de Barbie. Hoje em dia não, tem meninas com dente separado, tem meninas com vitiligo, então existem tipos. Mas modelos de passarela, por exemplo, tem que ser alta, quadril estreito, pernas compridas. Isso é essencial. Então, se você quer desfilar, você tem que ser alta, quadril estreito, pernas compridas.

Eron Falbo: [49:12] Muito bom, muito objetivo, e não vamos perder tempo se o Sam for.

Sérgio Mattos: [49:17] Às vezes a pessoa é muito baixinha, então eu já dou a dica: vai estudar teatro, vamos para outro mercado, porque a moda, com muito baixinha, não vai rolar.

Eron Falbo: [49:30] Se a pessoa tiver carisma, tiver talento, ela pode explorar isso de outras formas.

Sérgio Mattos: [49:37] A série está perguntando se modelo acima de 40 pode ser modelo, né? Pode, sim! Lá na 40 Graus nós temos esse departamento. Você pode mandar fotos e medidas e a gente vai te analisar, tá? Para quem quiser mandar fotos, é contato@40grausmodels.com. Esse é o nosso e-mail, que a gente está sempre recebendo, mas sempre tem que ter foto de rosto e de corpo, e as medidas: meninas, quadril, cintura, busto, altura; meninos, tórax. Ok? Pronto, já fiz o merchan.

Eron Falbo: [50:12] E esse processo de mandar material, de vocês analisarem tudo, como é feito de fato? Porque tem muito mistério para quem está começando, a pessoa se sente muito insegura de mandar material. Vamos, de repente, incentivar o pessoal a mandar e se soltar?

Sérgio Mattos: [50:37] Uma foto de rosto, você tem que fazer com uma luz boa, de preferência contra a janela, você pega aquela luz que vem da janela e faz uma foto de rosto, bem bonita, pode ser no celular. Pega assim, sorriso, um pouco de lado, um pouco do outro lado. E aí a gente já vai ver seu rosto. Zulenda, né? Quem tem que fazer uma parede branca e você faz uma foto de biquíni ou de sunga que dê pra ver toda a proporção do seu corpo. Com essas fotos a gente já vai te analisar. E pode mandar através do site da agência ou através desse e-mail que eu passei, que é contato@40grausmodels.com.

Eron Falbo: [51:20] Aí manda um e-mail simples, não precisa contar a história de vida, não precisa...

Sérgio Mattos: [51:25] Não, exatamente. Não precisa contar a história de vida, me ajuda, pelo amor de Deus.

Eron Falbo: [51:32] Eu mereço.

Sérgio Mattos: [51:34] Ah, é? Não, é isso. A gente analisa tecnicamente mesmo o seu perfil. Se você tiver um perfil que a gente ache que é para o nosso mercado, a gente vai te convidar para uma seleção ao vivo. É assim que acontece, ou você pode vir nos workshops, e a gente vai estar de olho em você também. E aí, se você foi bem, se saiu bem na entrevista, aí é fazer material fotográfico. É o book, que todo mundo tem que ter um bookzinho, fotos. Aqui o Rômulo, quando eu era nenenzinho. Hoje é uma estrela, é muito legal. Mas é muito importante isso.

Eron Falbo: [52:13] E depois de quantas agências me rejeitando que o Paulo Zulu não é assim?

Sérgio Mattos: [52:19] É, Dovinho. O material fotográfico é que a gente introduz a pessoa no mercado, ou seja, manda para os produtores, para os fotógrafos, para os diretores, para as agências de publicidade. Então, os clientes de uma agência de modelo são os clientes que são exatamente isso que eu falei: produtor, fotógrafo, pessoal do Fashion Week. Então, eles ligam: preciso fazer um desfile e quero modelos ruivas. Aí você vai mandar todas as suas ruivas. Aí eles vão chamar para ver quem eles gostam e, se a menina chega no teste e arrasa, ela pega o trabalho. A mesma coisa com comercial de TV: tem um comercial da Coca-Cola, precisa de sorrisos lindos, você manda todo mundo que tem um sorriso legal, eles vão escolher, você vai mandar para o teste, ou às vezes um self-tape mesmo, e se a pessoa pega o trabalho, pronto: contratinho, cachezinho, e é assim que é a carreira de modelo.

Eron Falbo: [53:14] E de cada, vamos dizer, 10 modelos que você assina, vamos dizer, para um trabalho, que está lá no seu cast, quantas continuam uma carreira, tem uma carreira relativamente saudável, não necessariamente viram top model, né? Mas que se mantém pelo menos durante uns cinco anos como modelo?

Sérgio Mattos: [53:34] Olha, a maioria das meninas desiste, meninos também, né? Elas dizem: vem pra cá quem é de fora do Rio, por exemplo, vem, fica um mês, dois meses e vão embora. E a família mesmo fica ali, né? Ah, você não pegou a capa da Vogue, volta. Tem muito isso, sabe? A pessoa não tem persistência de esperar um pouco. A Gisele, como eu falei, levou dois anos pra bombar. E quando ela foi fazer esses testes lá em Londres, foram 39 testes que ela não passou. No 40º foi o McQueen que se encantou com ela, e foi o desfile que lançou ela. Então, imagina, você tem que ter persistência mesmo. Mas muita gente desiste porque não é fácil. Você não pega um trabalho assim de cara e já arrasa de cara. É muito raro uma menina chegar e já bombar no primeiro mês, segundo mês. Então demora um pouquinho. Muita gente desiste, mas quando o modelo engrena, pega o primeiro trabalho bom, que dê uma visibilidade para ela, aquilo vai puxar outros trabalhos. É assim que a carreira vai ficando. Se ela faz uma carreira internacional, melhor ainda, porque aqui no Brasil o povo adora. A Gisele ninguém gostava, ela estourou lá fora, depois todo mundo amava, desde pequenininho. Então, existe isso de você não ligar muito para o que as pessoas falam, mas persistir para pegar um trabalho que vai te dar essa visibilidade. Você pega um trabalho legal e pronto, aí você faz uma carreira tranquila. A maioria das pessoas que estouraram realmente, que tiveram isso, foram pessoas que tinham mais profissionalismo mesmo, de querer as coisas, de ter vontade mesmo.

Construção de marca pessoal e conselhos finais (54:45)

Eron Falbo: [55:18] Muita gente está aí para aparecer, acha que vai ser fácil, acha que todo mundo vai bajular ela, porque mulheres bonitas crescem com muita gente bajulando. Então, acho que o mundo, depois que entra dentro do mundo de modelo, todo mundo vai abrir as portas para elas com muita facilidade.

Sérgio Mattos: [55:36] Exatamente isso. Não é fácil, é difícil, mas você tem que querer muito isso. E tem aquela coisa, né? Eu vou conquistar. Tem que ter essa vontade, essa certeza também. Eu ouvi muito isso acontecer, sabe? Da pessoa falar: eu vou pegar isso, eu vou... Quando eu vejo o Rodrigo Santoro, que eu conheci bebezinho, fazendo os filmes, eu fico assim: gente, olha, o cara... ele começou... todo mundo, toda top já foi new face. Então, isso que eu gosto de falar pra todo mundo, né? As pessoas estão começando, aí sonham, sonham, sonham. Todas essas pessoas que estão aí famosas, Aline Moraes, Mariana Rios, o pessoal todo que está hoje em dia são estrelas, mas foi todo mundo new face, tudo bebezinho, tudo ouviram o não no começo, outras pegaram o trabalho, elas não. Então, acontece isso. Quem conseguiu chegar lá é porque realmente tinha muita força de vontade, muita vontade, persistência. Isso faz parte do processo todo.

Eron Falbo: [56:41] Eu vou te fazer uma última pergunta para a gente terminar. A gente ouve muito que a carreira de modelo tem um certo tempo de expiração. Também a gente vê que o mundo está transcendendo barreiras, as pessoas estão sendo várias coisas ao mesmo tempo: atores, modelos, poetas, empresários, coisas do tipo, e estão conseguindo encaixar isso tudo. O mundo não está mais tão preto e branco, tão limitado. Então, o que você daria de conselho em termos de construção de carreira, considerando talvez esse tempo de expiração, ou você me diz melhor do que qualquer pessoa se existe isso de fato, e o que você indicaria para os modelos se prepararem, construírem a própria vida delas de uma forma mais saudável?

Sérgio Mattos: [57:33] Bom, eu acho que, exatamente, a carreira de modelo você trabalha com imagem. Então, o que a gente tem que construir? É um nome. Quando você fala Gisele Bündchen, não é um modelo qualquer, é uma marca, uma marca registrada que ela criou com o trabalho dela, com o suor dela, porque ela fez realmente por merecer. Então, você tem que, desde o início da carreira, pensar nisso: eu vou ser uma marca, eu vou ter um registro. Eu já tenho essa consciência desde o início. E fazer por onde? Profissionalmente. Ser profissional é muito importante, não atrasar, não entrar em bochichos, em fofocas, etc. Então, é tudo uma questão de construção de carreira. A agência geralmente serve para isso, ela vai te ajudar a ir para o caminho certo, pra você virar uma marca, que é isso que a gente quer. A gente ganha se a modelo ganha. Então a gente quer que a modelo vire uma top, lógico, entendeu? Mas assim, muita gente tá ali: vou, não vou nesse teste, acho que eu não vou pegar, não sei o quê. Essa pessoa não vai estourar nunca, entendeu? Porque nada cai do céu. Se você estiver em casa, como é que você vai pegar o trabalho? Você tem que ir no teste, tem que estar ali, disponível mesmo, 24 horas, pensando nisso, pensando que você vai ser uma marca. E principalmente, por exemplo, a galera dos atores é a mesma coisa, é muito mais difícil. Pegar um teste ali no Projac já é difícil, e pegar uma novela é mais difícil ainda. Então você tem que ter aquela força: eu vou pegar, eu vou, eu vou, eu vou. Então tem que ter essa coisa. Tudo sim, é aquela coisa do segredo mesmo, daquele livro que fala que você tem que acreditar na coisa antes que a coisa aconteça. Então, eu acompanhei muito mesmo e vi muitas pessoas que acreditaram e, mesmo parecendo que não iam estourar, estouraram. Então, eu acho que você tem que fazer isso, sabe? Pensar em ser grande, pensar em estar de verdade. Nada é fake nessa coisa. Você chega num teste, se você é uma pessoa fake, usa lente de contato e aquele capuz, tudo fake, a pessoa não vai nem querer olhar pra sua cara, entendeu? Pegar de verdade, ao vivo, a cores ali, sabe, com aquela energia vital importantíssima pra gente, pra essa carreira. Você precisa da energia vital, tanto para ser um ator quanto para ser um modelo, você precisa ter essa energia, chegar chegando. O Testino fala muito que, quando ele viu a Gisele pela primeira vez, ela entrou para a seleção e pareceu que acenderam as luzes, maravilha. A gente tem que chegar brilhando, isso faz a diferença, sabe? Hoje em dia... E aí ele botou ela na Vogue, estourou, né? Depois dela ter feito o McQueen. Ela chegou pro teste pra ele, parece que acenderam a luz. Então, a gente tem que ser assim, a gente tem que ser luz.

Eron Falbo: [1:00:41] Isso que você falou pra mim é uma coisa muito profunda, porque a gente vê muita gente fazendo filtro, a gente está na era do filtro do Instagram, de apliques mega hair, de lentes de contato, e tem assim N coisas, botox, o que for, para as pessoas poderem criar camadas e se distanciar do que ela, vamos dizer, naturalmente é. E o que eu ouço disso de você é que talvez você está recomendando que as pessoas se encontrem, se conheçam melhor, conheçam os melhores ângulos dela própria, mas dela própria mesmo, ao invés de gastar tempo e energia para construir uma boneca que não é de verdade, é gastar tempo e energia se construindo, se melhorando e se conhecendo.

Sérgio Mattos: [1:01:27] Exatamente. Eu tenho pavor desses filtros, eu tenho pavor de gente que usa lentes de contato, e é totalmente fake, entendeu? Você vê assim... tem até uma piada que eu já vi, um desenho mesmo, que a pessoa ia tirando o cabelo, tirava, tirava o dente, tirava... quando eu via, não era nada daquilo. Então, para ser modelo, você tem que ser uma pessoa que vá provocar o modelo. A palavra modelo é exemplo. A pessoa tem que olhar e falar: eu quero ser que nem essa pessoa, opa, o que ela está usando? Eu quero esse batom que ela está usando. Então o modelo, ele vende um pouco, é uma ilusão, mas sonho. Mas você, para ser isso, você tem que ser muito de verdade.

Eron Falbo: [1:02:16] Ótimo, Sérgio, esse final foi perfeito para a nossa conversa hoje. Então, eu queria agradecer a sua presença imensamente, eu quero muito conhecer mais de tudo que você faz. Muito obrigado mesmo, sua simplicidade é tocante mesmo, seus valores sobre tudo isso que você falou, de ser autêntico, de ter conteúdo. Então, eu estou muito grato de você ter vindo no programa e ter espalhado essa luz, que você... eu imagino que você não seja modelo, mas você tem claramente essa luz aí emanando de você, que nem eles falaram, da Gisele Bündchen. Então, é isso, muito obrigado. Obrigado a todos que participaram, que nos viram aqui.

Sérgio Mattos: [1:02:59] Adorei. Estou vendo que tem um monte de conhecido aqui, eu não pude sair respondendo vocês todos, mas um beijo enorme. Tem uma molecada, tem gente da agência Kids, tem a galera que está fora do Brasil, Grace Pontes, maravilhosa, uma das negras mais lindas do Brasil. Então, a gente está aí bombando, uma galera ótima que está aqui. Bárbara Calbom, direto de Salvador, muito legal. Beijo enorme para você.

Eron Falbo: [1:03:22] Que maravilha.

Sérgio Mattos: [1:03:23] Ricardo Moreno, beijo do coração. Joema. Matheus Linhares está em Portugal. Tá um bochicho isso aqui, hein? Beijo, beijo. Adorei, viu? Você é uma pessoa muito simpática. O Maurício falou muito bem de você. E ficou muito legal nossa conversa aqui hoje, foi bem legal.

Eron Falbo: [1:03:41] Muito obrigado, Sérgio. Tudo de bom. E boa noite a todos. A gente se vê. Tchau, tchau.

Sérgio Mattos: [1:03:48] Beijo!

No Alvo com Eron Falbo · episódio #49 · todos os episódios