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#46 A arte do DJ do Rock

com João Maizena Melo · 11 de jan de 2021

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Apresentação do DJ João Maizena (0:00)

Eron Falbo: [0:00] Alô, alô, pessoal! Boa noite! Sejam bem-vindos pra falar hoje com o João Maizena. O João Maizena é DJ desde 2010. Ele tá aí na cena do Rio de Janeiro. Claro que no Rio de Janeiro não tem muitos templos do rock, mas ele foi protagonista em todos, que eu saiba, pelo menos.

João Maizena Melo: [0:27] Sim, os maiores, eu acho, da cidade. Os palcos mais tradicionais da cidade. Tem um que eu ainda quero tocar, que eu nunca toquei. Só falta o Corbis.

Matriz: point de rock para namorar (0:39)

Eron Falbo: [0:41] Qual? A Matrix? Oi? A Matrix. Eu achei que era o Computeiro. Eu nem lembrava que a Matrix existia, cara.

João Maizena Melo: [0:52] É, a Matrix é um dos lugares que eu mais gostava de curtir, assim, pra curtir noite mesmo. A Matrix sempre foi um dos meus preferidos. Eu acho que o que falta pra eu dizer 'não, eu sou completo' é tocar um dia na Matrix. Não, o que eu falei é que a Matrix sempre foi um lugar... Você vai lá, volta. Voltou?

Eron Falbo: [1:15] Não, voltou, tô testando.

João Maizena Melo: [1:17] A Matrix sempre foi um lugar que eu gostei muito de frequentar. Tanto solteiro, namorando, por aí vai. Eu sempre achei o lugar muito divertido, sempre gostei de todas as festas que rolavam lá. Eu sempre gostei do que aquilo era. E não foi a Matrix em si.

Eron Falbo: [1:38] Pra que serve um lugar de rock namorando?

João Maizena Melo: [1:43] Ah, legal, cara. Ficar de casalzinho num lugar de rock é maneiro. Que isso, mano. Fazer uma graça.

Eron Falbo: [1:50] Tem uma interação sexual num lugar de rock.

João Maizena Melo: [1:53] Aí você compartilha com a sua parceira, com a sua companheira. É legal. Depois funciona bem, cara.

Eron Falbo: [2:02] Você devia fazer um curso solar.

João Maizena Melo: [2:04] Você tem até mais intimidade com a pessoa, sabe? Você não tem medo daqueles melindres, nada assim, sabe? É legal.

Eron Falbo: [2:13] É legal.

João Maizena Melo: [2:13] É legal sair nesses lugarzinhos namorando.

Eron Falbo: [2:18] É a melhor rave, cara, porque rave não tem sexualidade nenhuma, tá todo mundo na sua, assim, tipo, se curtindo, entendeu?

João Maizena Melo: [2:28] A onda é outra, né?

Eron Falbo: [2:32] É, com a sua namorada. Mas, cara, eu também... A Matrix foi o primeiro lugar do Rio que eu fui e gostei, cara. Eu achava que eu nunca tinha visto rock'n'roll no Rio. Aí eu fui pra Matrix e me diverti pra caramba, cara.

Memórias afetivas no Empório (2:49)

João Maizena Melo: [2:54] É engraçado porque o Emporium foi o primeiro lugar de rock que eu frequentei na vida. Eu morava relativamente perto de lá e eu tinha 17 anos, e eu tinha um amigo que morava no caminho entre a casa dele e a minha, tinha o Emporium. E, coincidentemente, eu tinha uma crushzinha de escola, também com 17 anos, que frequentava o Emporium. Então eu, estrategicamente, passava por lá para esbarrar com ela, por acaso, e ver se rolava alguma coisa.

Eron Falbo: [3:32] Sem querer querendo.

João Maizena Melo: [3:33] Sem querer querendo. Acabou que nunca rolou nada com ela lá. Mas é engraçado, porque eu gostava do som. Então, por mais que não acontecesse nada, por mais que não me desse bem, eu me divertia lá. Eu achava o ambiente agradável, eu gostava do som.

Eron Falbo: [3:51] Eu também não confiava em ninguém fora, cara. Impossível.

João Maizena Melo: [3:54] Eu já reparei isso. Ali eu não sei porque as pessoas chegam lá achando que vai se dar bem pra caramba. Ali não, ali é o zero a zero danado.

Eron Falbo: [4:07] Ah, é verdade. Quase ninguém bebe também.

João Maizena Melo: [4:10] Nada! O lugar quase parece uma igreja universal, cara.

Eron Falbo: [4:15] É, mas tô jogando dominó aqui. Tem os galinhos jogando dominó. Então, bicho... Você tá lá há quanto tempo, cara, de DJ?

João Maizena Melo: [4:30] Entrei em julho de 2010. Não, 2018. Julho de 2018. Então, dois anos e meio.

Eron Falbo: [4:38] 2 anos e meio lá no Emporium. E se torna feliz, tipo, que dia vai?

João Maizena Melo: [4:44] Um dia do final de semana com certeza, geralmente a gente reveza, sexta ou sábado, eu tô. E os outros dias... É que como são 3 DJs pra 7 dias, a conta não fecha muito bem. E a gente também quer ter a oportunidade de todo mundo frequentar todos os dias. Então, por exemplo, você só pode me ver, digamos assim, o único dia que você tem livre é sábado. Se eu ficar fechado na sexta, você nunca vai conseguir me ver. Então, todo mundo reveza para que você, de vez em quando... E tem coisas desse tipo, né? Exatamente. A gente troca bastante para funcionar bem com todo mundo. Mas com certeza um dia do final de semana eu vou estar sempre lá. Ou a sexta ou o sábado. Semana passada eu toquei na sexta, esse próximo final de semana eu vou tocar no sábado. E lembrando, pra quem estiver em casa e tiver com vontade de ir, o Emporium voltou a funcionar as segundas-feiras. Então, se alguém quiser aparecer por lá.

Eron Falbo: [5:44] Hoje... Ah, é segunda-feira também?

João Maizena Melo: [5:45] Voltou a segunda-feira. Vitinho tá lá. Daqui a pouco vai chegar lá o Vitinho.

Eron Falbo: [5:49] Fudeu geral.

João Maizena Melo: [5:52] Sim, segunda-feira sem lei.

Eron Falbo: [5:54] Então se eu quiser sair daqui e ir pra lá, pode.

João Maizena Melo: [5:58] Bora! Quem quiser tá convidado.

Eron Falbo: [6:07] Eu tenho que parar de preparar até quarta. Quarta é o quê? Eu faço live segunda, terça, quarta e quinta agora, sacou? Então como eu faço quinta, eu tenho que estar relativamente preservado na quinta de manhã, sacou?

João Maizena Melo: [6:25] Eu entendo.

Eron Falbo: [6:25] É cada vez mais difícil fazer essas paradas, sabe? Porque quanto mais você faz, menos tempo você tem pra se preparar.

João Maizena Melo: [6:32] Eu entendo, eu entendo.

Eron Falbo: [6:34] Então, é isso.

João Maizena Melo: [6:36] Eu trabalho na noite, não sei muito bem como é que é isso. Cada noite trabalhada é o dia seguinte perdido.

Eron Falbo: [6:44] É, a gente tem que aprender uma disciplina, né? De saber fazer o negócio ali. Porque também parte do meu trabalho é fazer networking, né? Tipo assim, pra eu conseguir fazer quatro entrevistas por semana, eu tenho que estar enchendo o saco de ninguém todo dia, sabe?

Disciplina e moderação na noite (6:47)

João Maizena Melo: [7:01] Enchendo o saco de nada.

Eron Falbo: [7:03] Tem que estar exposto também às pessoas, né? Tem que conhecer as pessoas. Enchendo o saco, sei lá. Se você acha que eu gosto de... Valeu, mas você acha que eu gosto de sair, sacou? Eu sou um absurdo, eu sou meio misantropo, anti-social, sabe? Eu sou...

João Maizena Melo: [7:21] Eu entendo bem como é que é isso. Quando o prazer se mistura com o trabalho.

Eron Falbo: [7:33] Tem que me controlar um pouco. Essa é uma boa pergunta pra você: como é que você faz pra viver o dia? Às vezes você trabalha até sete da manhã.

João Maizena Melo: [7:46] Sim. Eu fui me adaptando aos poucos também. Eu lembro da primeira vez, porque uma coisa é você ir pra noitada pra curtir e saber que, ah, cansei, vou embora, tô muito bêbado, vou embora, ou caralho, não tô mais aguentando, tá chato, vou embora. Outra coisa é você ter que ficar ali independente de qualquer coisa. Quando eu comecei a trabalhar, comecei no Bukowski, e eu ia ficar lá, a estimativa era ficar até umas 3, 3h30. E eu pensei, caralho, como é que eu vou ficar aqui até 3, 3h30, às vezes eu não tenho energia, às vezes eu não tenho pique? Eu tô falando de quando eu tinha 23 anos, hoje eu tô com 34. E eu pensava, caralho, eu não vou ter energia pra ficar trabalhando a madrugada inteira. Porque eu também trabalhava durante o dia nessa época, eu estudava, ainda tava fazendo faculdade, ainda tinha um emprego convencional. Então, aos poucos, você vai se adaptando, vai adaptando o corpo. Por exemplo, eu raramente bebo no trabalho. Bebo, mas não bebo mesmo, sabe? Três, quatro cervejinhas, uma dose de alguma coisa, talvez uma caipirinha, um drinque, e só. É sério, eu não consigo.

Eron Falbo: [9:05] Quatro cervejas, uma dose de outra coisa, uma caipirinha. É isso.

João Maizena Melo: [9:16] Mas bebendo muita água, comendo. Tem que comer, tem que beber água, tem que tomar uma Coca-Cola. Eu já chego pedindo uma Coca-Cola, uma com gás. Estão ali minhas cervejinhas, são quatro, cinco cervejas no máximo durante a noite. Às vezes um drink, às vezes uma dose. E sempre foi assim. E eu reparei isso, cara: é que nem pilotar um avião, sabe? O ouvido das pessoas está em perigo com o DJ bêbado. O DJ não pode estar bêbado.

Eron Falbo: [9:58] Isso vai rolar citação, vai rolar meme depois. Operar a mesa é que nem pilotar um avião, o ouvido das pessoas vai estar em perigo.

João Maizena Melo: [10:12] Mas você já reparou que a mesa de som, com todas as luzinhas e tal, não parece um pouco o painel de um avião?

Eron Falbo: [10:18] É parecido, é parecido.

João Maizena Melo: [10:19] Parece o painel um pouco... Aí você olha pro computador, tem um monte de coisa girando, um monte de luz... Cara, é engraçado, porque na verdade aquilo é fácil pra cacete, né, quando você pega o jeito. Mas todo mundo acha que é a coisa mais complexa do mundo.

Eron Falbo: [10:31] Se o mundo das pessoas fosse que nem a vida do ser humano, eu ia ter me suicidado há muito tempo, porque a música que a galera tá disposta a ouvir...

João Maizena Melo: [10:43] É meio demais. Cara, geralmente os pedidos mais bizarros, as coisas mais aleatórias que as pessoas me pedem durante a noite, são de pessoas que já beberam um pouquinho a mais, que acham que é tudo bagunça. Por exemplo: toca Ilariê da Xuxa agora, que vai ser divertido, todo mundo vai rir. Numa festa de rock? Talvez num block funcione. Numa festa de rock séria, não.

Público jovem e festas sérias de rock (10:51)

Eron Falbo: [11:14] E qual que é uma festa de rock séria?

João Maizena Melo: [11:18] O Empório não deixa de ser uma festa de rock séria. O Corbis é uma festa de rock séria. As festas que eu frequentava na Matrix eram festas de rock sérias, assim. Tipo, Veneno era uma festa muito boa. Paradiso é uma festa muito boa.

Eron Falbo: [11:31] E essa parada do Empório é abrir lá pra cima pra adolescentes rebolarem. O que você acha disso?

João Maizena Melo: [11:37] Eu não tenho opinião formada sobre isso. Eu ainda não fui lá. Eu sei o que acontece, mas eu não presenciei. Eu acho que tem público, se eles percebem que tem um mercado para isso, que de certa forma isso não vai atrapalhar a imagem da casa... Beleza, cara! A conta tem que fechar no final do mês, né?

Eron Falbo: [12:06] É a mesma coisa de você dizer pra sua filha assim: 'Pô, se você tem um corpo pra isso e se você conseguir dormir à noite, você pode.' Se eu tô chutando, eu tô na rua, não tem problema.

João Maizena Melo: [12:17] Ah, cara, o problema é que você é uma professora muito marginalizada, né? Mas... quem sou eu pra julgar, né?

Eron Falbo: [12:23] Também é, cara. Eu não julgo, puto, não, cara. Que isso.

João Maizena Melo: [12:26] Não julgo ninguém.

Eron Falbo: [12:29] Só não falar isso pra minha filha.

João Maizena Melo: [12:31] Também não vou estimular ninguém, da mesma forma que não vou estimular uma garota que queira fazer programa, mas... se a garota quer fazer, vai lá. Não tô aqui pra dizer: 'Minha filha, por favor, isso não é vida. Ah, minha filha, esse não é o caminho. Você está estragando sua vida com isso', e tal, tal, tal. Cara, eu sou a pessoa menos indicada pra dar um conselho pra alguém. Quem sou eu? Eu tive um menino também. Então, sei lá, se um dia ele quiser falar sobre isso comigo, vamos lá. Eu tenho um menino de 4, vai fazer 4, o Joaquim.

Eron Falbo: [13:16] Ah, eu tenho um menino de 4 também. Eu vou levar eles pra Empório.

João Maizena Melo: [13:21] O Joaquim já foi. A Giovanna tem um vídeo dele dançando lá, pergunta pra ela se ela ainda tem. Ele já foi algumas vezes, mas ele vai embora cedo.

Eron Falbo: [13:32] Ah, ele não fica lá até altas horas, né?

João Maizena Melo: [13:35] Não, não, não, não.

Eron Falbo: [13:36] Não gosta muito.

João Maizena Melo: [13:37] A bateria dele acaba antes.

Eron Falbo: [13:40] Pode ser. O meu filho também dorme às oito. Nem tá rolando ainda.

João Maizena Melo: [13:44] O meu tá brincando agora pra poder conversar.

Eron Falbo: [13:49] Pode ser.

João Maizena Melo: [13:51] Mas, sei lá, eu acho que o Empório faz aquilo que tem que fazer, de certa forma.

Eron Falbo: [13:58] Ah, principalmente no Rio de Janeiro, cara. Eu não cobro muito do Empório. A única razão que eu cobro do Empório é que tá lá há 38 anos, sacou? Eu cheguei no Empório quando eu tinha 17 anos, na época do Vicente, sacou?

Evolução histórica do Empório (14:02)

João Maizena Melo: [14:09] Sim.

Eron Falbo: [14:10] E o Empório já foi muito mais... É muito mais amplo, né? Tipo, hoje em dia eu sinto isso, eu realmente sinto. Sinto que é muito anos 80, centrado nos anos 80. E as músicas são um pouco... Não são muito ousadas. No geral, fica meio que as mesmas músicas, né?

João Maizena Melo: [14:34] O que a gente tenta usar mais, quer dizer, eu como DJ, eu tento usar mais no início de noite. Eu aprendi isso porque talvez pro grande público seja meio complexo. Quando você vai numa casa... Porque, assim, poucas pessoas vão pra ouvir música. Eu vou pra ouvir música, eu vou pra conhecer coisas, eu vou pra me surpreender. Infelizmente, não é esse o perfil do Empório. Não é isso. O Empório tem um perfil mais de galera, grupo grande, se divertir, cantar aquilo que já conhece, cantar uma coisa que é um pouco mais popular.

Eron Falbo: [15:12] Entendo, entendo. É tipo festa de casamento, sei lá.

João Maizena Melo: [15:15] Não, festa de casamento... Eu acho que festa de casamento até que pediram um repertório até bem mais ousado. Mas... É aquela coisa. Às vezes eu me preocupo mais em não desagradar boa parte da galera.

Eron Falbo: [15:32] Existe um processo em qualquer... Não sei se você sabe um pouco do meu background, mas eu sou do mercado de música, né? Milito há 16 anos, organizo festas de rock, eu era DJ também. Eu só não sou DJ hoje em dia porque, cara, eu não tenho saco pra ficar ali atrás. Eu adoro ser DJ, adoro as festas de música que eu fazia, eu posso me enrolar hoje e ser muito mais feliz. Mas o que eu aprendi? Óbvio que no início eu era mais do lado besta, a gente colocava só o que eu queria e empurrava as pessoas com o meu gosto. Só que aí, aos poucos, você vai vendo, primeiro, que a pista esvazia, né? E segundo que, cara, tipo... bom, também não te contratam, vários problemas, né? E também é uma questão de diversão: às vezes as músicas que você curte, outras pessoas não entram exatamente na mesma vibe. Aí você começa a se abrir cada vez mais, né? Você deve ter passado por isso também. Ao longo dos anos você vai se abrindo, sendo mais maduro, sendo mais adulto sobre a parada. Só que hoje em dia eu meio que criei uma fórmula. Tinha até um curso, eu ensinava a um músico que eu já tinha, uma banda que tocava em cruzeiro, que tocava em casamentos, e eu criei uma fórmula nesse curso. Eu dava essa fórmula, que é tipo: você toca... Quando você tá começando, pelo menos, toca, tipo, de dez, vamos dizer, uma música própria, quatro versões e cinco músicas batidas, como todo mundo tá acostumado, com...

João Maizena Melo: [17:32] A versão original, com o arranjo original.

Eron Falbo: [17:34] Exatamente. Aí, o que que é isso? É tipo, pô... Porque o público também, independente do público, o público sempre... sempre gosta de se impressionar, entendeu? Ele gosta da novidade, sabe? Não importa o público, o público é o retardado do mundo que tá lá com os amigos pra tomar tequila e falar merda. Só que ele vai gostar de se surpreender, entendeu? Só que eu acho, mano... eu não tô tentando ensinar isso não, eu tô compartilhando... não! É tipo assim, é uma parada psicológica, né? Claro que você quer o familiar, você quer o... E dentro de uma cena de rock underground, o familiar é coisas mais lá do meio, entendeu? Você vai até ofender. Até a Matrix é um pouco mais underground do que... Eu não vou na Matrix faz anos, não sei como é que tá agora, mas antigamente...

João Maizena Melo: [18:30] Mas a Matrix tinha essa pegada realmente mais alternativa. A Matrix era uma casa mais alternativa. Mas talvez, se a gente pudesse colocar numa escala, talvez a Matrix fosse mais alternativa, o Bukowski no meio do caminho, e o Empório mais pop. Sem dúvida alguma. Não que o Empório seja pop de tocar Demi Lovato, mas... Sim, mas dentro do rock. Mas mais pop dentro do rock. Sim.

Eron Falbo: [18:58] E também o Emporio não é assim rock, não é pop rock, né? Tipo, não é... Também podia ter uns dois ou três ainda mais pop do que o Emporio, né? Tipo, em outros lugares que eu já fui. Mas eu concordo com você, assim, a minha matriz seria o mais alegral, e o Cosmo II, e depois acabou todas as casas do Rio de Janeiro. É.

João Maizena Melo: [19:21] É como casas mesmo, né? Durante um tempo... Eu gostava muito, eu fui um metalista.

Fechamento do Mercadinho São José (19:24)

Eron Falbo: [19:27] Na minha casa, na minha casa. Na After.

João Maizena Melo: [19:30] Vamos fazer uma After Party na tua casa. Boa, boa. Mas durante um tempo, na minha transição entre sair do Bukowski e entrar no Emporio, eu fiz algumas festas no Mercadinho São José, num barzinho que ficava no segundo andar chamado Bar do Bê. E o Bar do Bê tinha uma programação bem interessante. Quem tocava direto lá era um amigo meu, o Renato Lima, e eu cheguei a fazer três festas lá durante esse período. E era um espaço interessante, porque, como a casa não era muito grande, dava mais ou menos o mesmo público, e era um público que estava mais disposto a não ouvir o tão óbvio, dava para eu usar também lá. Também era um lugar que dava para fazer uma coisa um pouco diferente. Mas, infelizmente, teve aquele decreto da prefeitura, mandou fechar o Bar do Bê e, em consequência, o Mercadinho São José. Mas...

Eron Falbo: [20:31] Mas que decreto da prefeitura? O que foi isso?

João Maizena Melo: [20:33] Porque, se não me engano, o terreno do Mercadinho é de alguém que pediu... Acho que é do INSS, é de algum órgão desses, e eles pediram de volta. E, por mais que tenham colocado que ali funcionava, realmente tinha um mercado de frutas lá dentro, restaurante, tinha um estúdio de música, rolava aula de capoeira, tinha um...

Eron Falbo: [21:04] Entrei na feira da fruta, pra ver o que a feira da fruta tem. Conhece isso? Bate na feira da fruta?

João Maizena Melo: [21:13] Sim, sim, sim. O clássico. Antes já existia o Telaclesa, Hermes e Renato já existia isso.

Eron Falbo: [21:20] Muito bom.

João Maizena Melo: [21:24] Mas o...

Eron Falbo: [21:25] Mas, logicamente, fechou por motivos burocráticos e de...

João Maizena Melo: [21:29] Fechou por motivos burocráticos. Porque o lugar era muito legal. O Mercadinho, como tudo, era muito legal. Ficava bem localizado, em Laranjeiras, fácil de chegar. Perto ali da saída de Santa Bárbara, pra quem não estivesse vindo da Zona Sul, também conseguia chegar fácil.

Eron Falbo: [21:42] É...

João Maizena Melo: [21:43] Perto do Largo do Machado, ali, você tinha metrô ali. Você tinha um monte de coisa ali em volta que tornava o acesso muito tranquilo. E, infelizmente, fechou, né? E a gente sempre fica chateado quando fecha alguma coisa. Desde o início da pandemia, foi bem agoniante ver tanto lugar fechando. E ver o lugar fechando, que acabou não abrindo de volta. Mas...

Eron Falbo: [22:08] Não abre provavelmente, né? Porque esses lugares normalmente já ficam abertos meio que por um fio, no geral. Pro maluco... Sim, já li... Voltar pras suas duas cabeças.

João Maizena Melo: [22:23] É difícil fazer a conta fechar, como...

Eron Falbo: [22:24] O Império foi um milagre. Até bom, tudo bem, que são piratas e continuaram abertos em momentos relativamente não legais, mas mesmo assim ficou aberto por um fio, sem...

João Maizena Melo: [22:46] Difícil de manter, lembra, para a galera.

Eron Falbo: [22:49] Que está aí fazendo um monte de comentário, como se a gente fosse responder. Galera, a gente não tá nem no comentário de vocês pra começar. A gente tá aqui conversando sozinho, não quer saber de vocês. A gente faz live, a gente não gravou só pra poder falar isso agora, pra vocês se sentirem legal. É mentira, cara, é o que eu quis dizer. A gente adoraria responder as perguntas, só que tem tanta gente que não dá pra ler tudo. Por favor, manda um... tem que botar o ponto de interrogação.

João Maizena Melo: [23:15] Eu tô tentando ver alguma coisa.

Eron Falbo: [23:17] Tem que botar o ponto de interrogação na parada, senão a gente não vai ver. Por favor, por gentileza, humildemente, namastê. Então, bicho, voltando... cara, esse assunto de fórmulas, a coisa do que funciona na...

Estratégia de discotecagem e leitura de público (23:23)

João Maizena Melo: [23:33] A fórmula que eu sempre busquei na minha discotecagem foi essa. As pessoas perguntam: o que você preparou pra hoje? E eu sempre falo: cara, eu não preparo nada, eu nem sei qual vai ser a primeira música que eu vou tocar. Geralmente os lugares que eu vou tocar já estão tocando alguma coisa anteriormente, já tem uma playlist da casa, já tem alguma coisa no automático. Em cima daquele automático, eu penso em alguma coisa interessante que combine. E dali em diante, eu tô fazendo o som que eu tô a fim de ouvir. Um som que eu acho que combina, uma coisa que talvez não seja tão óbvia, uma coisa pra quem chegou no início. E que, de certa forma, acho que ajuda a mostrar um pouco o que eu tô sentindo no momento. Se eu tô um pouco mais carinhoso, se eu tô um pouco mais amargurado, exatamente, no início de noite é muito isso. E eu vou tocando assim até eu perceber que já tem alguém disposto a entrar na pista. Quando eu percebo que já tem alguém disposto a entrar na pista, eu tento tocar alguma coisa mais óbvia, mais conhecida, dançante, que tem mais a ver com a identidade da casa, que vai atrair todo mundo pra entrar. Eu tento umas três ou quatro assim. Se por acaso não deu certo, ninguém entrou, eu volto a tocar aquilo que eu tô a fim de ouvir, umas coisas diferentes. Porque eu falo o seguinte: é muito fácil um DJ queimar cartucho. Colocar, por exemplo, vou chegar tocando Dance With Myself, que é a música que eu mais toco, a música que todo mundo pede. Tocar Psycho Killer, tocar Boys Don't Cry, tocar Last Night dos Strokes, tocar Wannabe, Sereira, Ramones. É fácil fazer uma festa tocando isso já de chegada, ponto, isso é muito fácil. Isso a gente guarda, isso a gente segura. O grande lance de conseguir fazer uma festa é eu não ir tocar dentro do empaicel. Se eu conseguir fazer uma festa que não precise tocar as coisas que todo mundo conhece, eu ganhei a noite. Eu penso: ok, eu consegui. E além daquilo, se eu tinha um bom público, eu consegui. Mas às vezes o público tá difícil, e a gente acaba tendo que ser meio óbvio pra aquilo que o público se dispõe a ouvir. Lógico, se tiver uma festa mais alternativa, eu não vou começar tocando músicas óbvias, que são de senso comum de outra festa. Tem uma música do Alan Simpson, que é uma das minhas preferidas, que tem gente que acha que é mega batida e tem gente que acha que é mega alternativa, e muitas vezes todo mundo sai da pista. É transitar entre os públicos, entender cada público e tentar dar o melhor pra eles dentro daquilo. Pro Império, o que eu enxergo é isso: eu vou segurando enquanto eu vejo que dá. Às vezes a gente tenta até arriscar isso, vou colocar uma coisa pra surpreender, mas a galera não entende. E, óbvio, a casa não é minha, eu tenho o meu serviço, eu sou, de certa forma, avaliado também se a pista tá cheia ou não. Então eu também tenho que manter aquilo cheio.

Eron Falbo: [26:37] Você tem um ato como artista, né? Assim, à medida do seu sucesso, a pista fica cheia. A arte do DJ é a sensibilidade, né, de ler o público e agradar o público. Mas o ponto que eu tô dizendo é que, eu acho, os melhores DJs também educam o público. Sim, sim, também inspiram o público.

João Maizena Melo: [27:04] Não tenho dúvida alguma.

Eron Falbo: [27:06] Mas você categoriza as músicas? Como é que você faz? Você faz lista de músicas, você faz tipo... essas são hits nível dez, hits nível nove, hits nível oito...

João Maizena Melo: [27:19] Depois de algum tempo, a gente já sabe isso mais ou menos de cabeça, sabe? Porque até o software dos DJs tem essas... eu posso botar tags, né, posso etiquetar cada música.

Vinil, CDJ e ranking de hits (27:28)

Eron Falbo: [27:33] Eu sou da época do CDJ.

João Maizena Melo: [27:36] Também peguei. Eu sou da época do vinil, cara. Eu acredito que eu tocava com vinil.

Eron Falbo: [27:43] Em Brasília tinha um negócio chamado Quarta Vinil, e a primeira vez que eu tentei na vida foi na Quarta Vinil. E foi com vinil também. Aí depois, obviamente, na maioria dos lugares era CDJ. E quando eu morava na Inglaterra, tinha festinha que só aceitava vinil, sacou? E outra, só 45. Você não podia ter quatro, né? Só 45. Então, pô, quem tinha... Aí eu tinha.

João Maizena Melo: [28:09] Quatro... Uma single, Vinicius!

Eron Falbo: [28:12] É, só uma single. Tinha que ter lado B e lado A. Aí você tem que ter a música original, senão não pode tocar, sacou? Aí você tem que levar uma letra, sacou? Cheia de... Uma letra daquelas... Sim!

João Maizena Melo: [28:24] Eu tenho uma aqui, foi em 2019. Eu fui fazer uma festa de vinil. DJ convidava pra tocar uma hora. Uma hora eu toco o quê? 12, 15, 20 músicas no máximo. Aí, cara, o que eu vou levar? Eu levei mais de 60 discos. Eu não sabia o que tocar. Pra tocar 15, levei 4 vezes mais.

Eron Falbo: [28:53] Você tem que ter uma escolha, por isso que os DJs de vinil, especialmente 45, são os que mais entendem, sacou? Porque os caras que conseguem fazer isso... eu fiz isso só uma vez. E eu, cara, eu levei os sets prontos agora. Não sei achar a parada, sacou? Caraca, cadê? Eu tava muito... E as músicas são todas de dois minutos e meio. Caralho, tá muito tranquilo, né? Tô sem a chama, tá lá e tal. Muito organizado.

João Maizena Melo: [29:31] Logo no início, quando eu comecei a discotecar pra valer, quando eu comecei pela pista principal do Bukovic, eu fiz a minha case de CDs e tal, tudo que eu tinha eu queimei tudo, ok, fiz a case bonitão na pasta desse tamanho e tal, cheio de coisa, tal, mas eu ainda tava meio inseguro. Então o que eu fiz? Eu gravei 4 CDs com uma ordemzinha pré-definida: A, B, C, D, E. Na hora do desespero eu só fazia isso, porque eu não me garantia ainda no início pra fazer um set pronto. Mas só pra concluir aquilo que você pergunta primeiro: eu chego, eu vou tocando aquilo que eu... Por exemplo, eu tô fazendo uma sequência mais pop. Como é que eu vou fazer essa sequência mais pop pra alguma coisa mais pesada? Eu tento imaginar coisas que... Eu não tento fazer uma mudança tão brusca. Tanto que tem muita gente que me pede música que não entende isso muito bem. Mas quando é que você vai tocar a minha música? Calma! Eu vou tocar, só que o que você pediu vai destoar muito do que tá tocando agora. Então eu falo que eu tenho que fazer meio que um caminhozinho até chegar naquilo ali. Tem certas coisas que a gente já mais ou menos já saca, já imagina, depois de algum tempo a gente já... Quase que não é automático. Mas o maior hit da banda, ou aquele hit AAA, eu tento segurar pra um momento de desespero, em que nada tá dando certo, ou pro final da noite pra segurar mesmo a galera, ou realmente no momento que eu percebo que cabe, que ela realmente fica com o set.

Eron Falbo: [31:25] Quando a pista tá vazia, tem sempre uma música que eu uso pra... Caraca, a pista esvaziou, galera, tá todo mundo lá pra fora, quando eu trouxe de volta isso sempre funciona perfeitamente.

João Maizena Melo: [31:39] Sim?

Eron Falbo: [31:40] Don't Stop 'Til You Get Enough, do Michael Jackson. Muito boa.

João Maizena Melo: [31:44] Muito boa.

Eron Falbo: [31:45] Se eu colocar essa, a galera fica com vontade de dançar bizarro. Todo mundo fala... Sim, sim. Essa eu vou. Ninguém tem vergonha de dançar essa. Funciona bacana.

João Maizena Melo: [31:55] Essa funciona muito bem.

Eron Falbo: [31:58] Então, eu tinha as categorias, o jeito que eu me organizava, então faz muito tempo, né? Eu não sou da era, tipo... Eu não sou DJ. Quando eu morava em Londres, eu parei de morar em Londres em 2012, sacou? Quando eu morava em Londres eu só discotecava vinil. E antes disso, eu passei um tempo sem discotecar. Eu lembro de 2007, 2006, que eu discotecava regularmente, sacou? Porque eu sempre, tipo, todo fim de semana eu tava discotecando. Então eu sou da era, tipo, software te ajudando, sacou? Então eu tinha planilhas super complexas pra poder entender o que ia funcionar. E a razão que eu categorizava a parada tipo Hit 10, 9, 8, 7. Aí eu fazia a lista, mas o Hit 6 eu tirava da lista, porque eu falava, pô, Hit 6 não entra. Aí tinha músicas desconhecidas que são groovy, né? Que tinham batidas muito boas e tal. Aí eu mais ou menos seguia essa fórmula, né? Que na verdade foi aperfeiçoada ao tocar ao vivo com banda, né? Porque com banda... Cara, é muito mais, vamos dizer, é muito mais criação pra música ser boa. Porque banda, naturalmente, se a música não é... Tipo, se você é um desconhecido, entendeu? E a música não é boa, as pessoas ficam com muito mais vergonha de chegar perto do palco, sabe? Porque tem lá um ser humano fazendo ridículo, sabe? Tem lá uma pessoa viva, física, na sua frente. É, tocando músicas indígenas, você não quer participar daquelas religiões, eu sei, você não chega perto do palco. Agora com DJ você pode falar, pô, eu gosto da música aqui, foda-se, entendeu? Então você aprende um pouco mais, eu fiz as duas coisas, na minha experiência, eu aprendi mais em termos de repertório, o que eu vou escolher tocar? Você precisa fazer alguma coisa aí?

João Maizena Melo: [34:00] Não, não, só o Joaquim que passou aqui, mas tá tranquilo.

Eron Falbo: [34:04] Ah, manda um beijo pra ele.

João Maizena Melo: [34:05] Manda sim.

Eron Falbo: [34:08] Mas eu vejo aqui um nome muito bonito, cara. Parabéns pelo nome.

João Maizena Melo: [34:13] Obrigado.

Eron Falbo: [34:15] Então, com o DJ... bom, com a banda, eu aprendi todas essas palavras. Mas eu aprendi o quê? Primeiro, você não pode passar muito tempo sem o batizão, sacou? Sem tocar I Feel Good, de James Brown, sem tocar Twist and Shout... É que eu toco sempre música dos anos 60 e 70, são as minhas referências, sabe? Mas, sei lá, Psycho Killer. Psycho Killer é matador, né? É coisa que todo mundo gosta. Dance With Myself, que você falou. Eu acho que você não pode passar muito tempo sem tocar uma matadora. Isso sim, vamos chamar isso de uma música matadora, sacou? Uma matadora. Três lados B que ninguém conhece, depois de outra música matadora, do que tocar dez mais ou menos e uma matadora, entendeu? Porque as pessoas precisam... é tipo oxigênio pras pessoas, sacou? Elas precisam da matadora. Então tem que ter mais matadoras no repertório. Como é que você vê isso?

João Maizena Melo: [35:25] É o que eu falei, cara. Eu tento segurar ao máximo essas matadoras. Pra mim, quando eu consigo fazer uma noite que eu não preciso tocar elas, é a melhor noite. Quando o público tá tão empolgado naquilo que eu tô fazendo, entendendo tão bem aquilo, que eu não preciso tocar elas.

Eron Falbo: [35:51] Mas também você não tá tocando só lado B, né? Você tá tocando...

João Maizena Melo: [35:54] Não, lógico que não. Mas, por exemplo, aquele seu ranking de número, por exemplo. Se eu fizesse uma festa em que eu basicamente tocasse níveis de hit, músicas 7, 8, tá ótimo. Se eu precisar chegar no 9, no 10, provavelmente tá perfeito. Porque talvez por essa lógica, eu consiga fazer dez número oito seguidas e a galera tá curtindo. Aí beleza, a décima primeira vai ser a matadora. Mas o que eu percebo algumas vezes é o seguinte: eu tento fazer os sets mais ou menos temáticos. Então, se eu tô tocando punk rock, eu vou tocar mais dez, mais ou menos, naquela linha. E eu vou transitar talvez entre new wave, entre o post-punk, vou botar uma coisa um pouquinho mais hard ali no meio. Mas eu vou transitar mais ou menos ali. E é interessante porque, talvez pra quem seja daquele público, todas elas sejam matadoras. Pra quem era fã de rock, as dez que eu vou tocar vão ser matadoras. Mas pro grande público, talvez só Blitzkrieg Bop, do Ramones, de Hey Ho Let's Go, vai ser matadora. E as outras... ok, dá pra curtir.

Eron Falbo: [37:26] É uma mentalidade. O que eu ia comentar sobre isso é só assim: tem uns cientistas da discotecagem... O grande lance é que eu gosto muito de conseguir get away with isso, sacou? Conseguir me sair bem botando uma música 3 ou 4, sacou?

João Maizena Melo: [37:50] Que ninguém nunca ouviu falar, incluindo... Ah, isso é maravilhoso!

Eron Falbo: [37:55] Aí, pra isso, você precisa cercar com os matadores mais constantes, entendeu?

João Maizena Melo: [38:01] A três ou quatro normalmente vai funcionar entre duas matadoras. Você bota uma três ou quatro no meio de duas matadoras, porque você sabe que vai... você depende muito da paciência. Se você estiver tocando pra um público que não tá disposto a ouvir aquilo, é uma questão de paciência: talvez só o tempo da pessoa pegar a cerveja no bar, pegar o drink no bar e voltar, fazer xixi e voltar.

Eron Falbo: [38:26] Se você capitaliza o espírito, tipo assim, você consegue... É claro que você tem que fazer uma escolha muito bem. Você tem que pegar aquela três ou quatro que ninguém conhece.

João Maizena Melo: [38:34] Tô falando só de...

Eron Falbo: [38:34] Não em termos de qualidade, Ninja, tu falou só de nível de conhecimento.

João Maizena Melo: [38:38] Em termos de popularidade.

Eron Falbo: [38:39] É, de popularidade.

João Maizena Melo: [38:40] É, em termos de popularidade. É uma coisa muito interessante que você falou sobre popularidade, porque eu acho que cada um tem uma referencial de popularidade diferente. Ah, claro. Por exemplo, se você gosta muito de Michael Jackson, como você falou, e Don't Stop 'Til You Get Enough pra mim é uma música 8, 9 dentro do catálogo do Michael Jackson. Talvez pra alguém que não seja do disco, do pop, pode ser uma música 3 ou 4. Por mais que conheça, mas que não...

Eron Falbo: [39:12] Aí eu não sei. Michael Jackson, não. Eu sei que você dá pra falar, mas eu só dei esse exemplo do Michael Jackson. O Michael Jackson é meio que não gosta dele. O tipo de batida e tudo era muito dance universal, sacou? Não é tipo Lady Gaga.

João Maizena Melo: [39:30] Mas depende da festa. Aí que eu tô falando, depende da festa.

Eron Falbo: [39:36] Festa.

João Maizena Melo: [39:41] Festa de rock tranquila. Tem festa de rock tranquila que dá sempre uma galera... não vou dizer que dá sempre uma galera, mas que às vezes dá uma galera de Purple, Black Sabbath, Led Zeppelin! Você duvida disso?

Eron Falbo: [40:03] Mas é difícil ter tanta gente assim que não vai aceitar o Led Zeppelin, cara. Duvido.

Trovão, Vicente e nostalgia do Empório (40:05)

João Maizena Melo: [40:09] Ah, mas rola.

Eron Falbo: [40:12] Só um Salon.

João Maizena Melo: [40:13] Salon é um bom lugar, né? Que fechou, que eu acho que não vai mais abrir, né?

Eron Falbo: [40:17] Ah, também não sei se... Salon é um bom lugar. Eu perguntei se você tem contato com o Tony Hawk, ou não?

João Maizena Melo: [40:24] Não. Conheço ele, mas não sou próximo nem nada. Eu era bastante próximo, agora por conta da pandemia, fechei um pouco, do Trovão. Trovão foi o cara que me ensinou a mexer numa CDJ. É muito louco, o Trovão é um cara que eu vou guardar para sempre. Antes de eu tocar pra valer no Empório, ele me chamou para fazer duas ou três noites lá, abrindo para ele. E eu não tava acostumado com aquilo ali, eu tava acostumado só com o vinil do Bukovic. E eu queria sair um pouco daquilo do vinil do Bukovic, queria fazer uma coisa diferente, queria abrir um pouco o horizonte. E eu falei: tá, como é que eu faço aqui? Ah, não, fica tranquilo, é... Eu vou ali fazer não sei o que e já volto. Ele voltou três horas depois. Eu comia, a gente não conseguia segurar.

Eron Falbo: [41:18] A bolinha, cara, exatamente assim que eu aprendi, cara. Tipo, eu aprendi a dirigir assim. E eu aprendi a tocar vinil. Negócio de... como é que chama? DJ de vinil, não é? De picape?

João Maizena Melo: [41:32] MK2, é a picape... MK2 é o modelo, desculpa. É a picape, a toca-discos.

Eron Falbo: [41:40] Toca-discos, só que os dois, né, de DJ, os turntables. Aprendi a tocar, igual aprendi a dirigir. Eu aprendi a dirigir: eu tava na festa, tinha 16 anos, aí rolou um after na casa de alguém e eu esqueci minha chave, chave de casa, sacou? E, obviamente, tinha 16 anos, tinha que voltar pra casa, mas o meu pai tava acordado esperando. E, às 3 horas da manhã, eu tava bebendo pra caralho, e eu falei: cara, esqueci a chave de casa no bar, né? Aí ele falou: caralho, caralho, tem que ir lá buscar, tem que ir lá buscar. Aí o maluco falou: tô de carro aí, quer ir lá buscar? Não, aí eu quero. Aí eu falava pra todo mundo que eu tinha 18 anos, porque, pô, pra eu poder entrar nos lugares e tudo.

João Maizena Melo: [42:27] Tem, tem, tem.

Eron Falbo: [42:29] Aí o cara presumiu que eu tinha carteira de motorista. Ele me deu a chave e falou: busca lá. Aí eu aprendi a dirigir sozinho, 3 horas da manhã, vindo pra buscar a chave lá. Caraca, foi sim isso, cara. Eu fui na primeira marcha, sacou, até o bar.

João Maizena Melo: [42:49] Eu vou te falar um negócio, Eron. Eu não sei dirigir. É um dos maiores desorgulhos ou vergonhas da minha vida, dependendo do ponto de vista. Eu não sei dirigir.

Eron Falbo: [43:00] Pô, maior orgulho, cara. Dirigir é... Tá trouxa.

João Maizena Melo: [43:02] Eu não sei, eu acho que... Essa coisa, morando aqui na Zona Sul, a gente acaba ficando mal acostumado, tudo perto, de ônibus, de metrô, táxi dá sempre baratinho, Uber dá sempre baratinho.

Eron Falbo: [43:14] E eu gosto de beber.

João Maizena Melo: [43:17] E eu gosto de beber, né? Eu não gosto também, eu bebo por...

Eron Falbo: [43:22] Obrigação, mas eu bebo tanto que preciso de Uber.

João Maizena Melo: [43:28] Aí eu pulei isso na minha vida.

Eron Falbo: [43:33] E eu percebi que você tá com a camisa do CB James aí, eu tô com a camisa do Império aí, ó. Cada um com a camisa da sua cidade.

João Maizena Melo: [43:40] Sim, tem. Não deixo de ser, né? Eu acho que o Império é... Falem bem, falem mal, mas você tem que respeitar a história que ele tem desde 82, cara. Não é pra qualquer um, sabe? Eu acho que muita gente gostaria de ter essa longevidade toda, sabe? Com épocas magras, com épocas gordas, passando algumas vezes por uma dificuldade ou outra, mas tá ali sempre. E isso é muito legal. Isso é muito legal sempre.

Eron Falbo: [44:12] Com certeza, gente, com certeza. Eu tiro meu chapéu pra ir embora. Se eu tivesse chapéu, eu tirava. E eu fiz de tudo pra ajudar eles a se manter flutuando nesse tempo de pandemia, que eles tiveram um soluço. Então, graças a Deus, agora eles vão continuar. Mas é um lugar, cara... O lugar do Rio, o primeiro que eu fui, foi lá, era na época do Vicente, eu tinha 17 anos. Fui lá e até hoje vou lá bastante.

João Maizena Melo: [44:41] Tomou bronco do Vicente?

Eron Falbo: [44:43] Porra, só tomava bronco do Vicente. O Vicente não gostava de mim nem um pouco.

João Maizena Melo: [44:47] Também não. Também não gostava de mim.

Eron Falbo: [44:51] Eu chegava lá e ele ficava resmungando. Ficava andando e resmungando o tempo todo, né, com aquele bigode que sempre cobria a boca, né?

João Maizena Melo: [45:05] Sim, sim. Eu era muito duro na época. Aí eu fazia uma coisa: eu chegava e pedia o primeiro chope. E o que eu fazia? Eu bebia o chope até mais ou menos a metade lá dentro, na tulipa de vidro, e saía como se fosse pra fumar, alguma coisa do gênero. Ia até o quiosque comprar uma cerveja. Aí eu matava o chope e colocava a cerveja até a metade da tulipa. E voltava lá. Não, era o mesmo chope, porque era muito barato fazer assim. E eu lembro que uma vez eu estava com grana. Eu pensei: não, hoje eu vou gastar lá dentro mesmo, hoje eu vou acertar as contas com os caras. Hoje acabou essa fase de dureza na minha vida, não preciso mais disso. Aí eu cheguei lá, bebi pra caralho e dormi numa mesa. Fiz seis, praticamente me tirou a vassourada, Jô. Porra, qual é, cara? Hoje que eu gasto dinheiro você tá me tratando mal ainda?

Eron Falbo: [46:12] Ele não era corruptível, ele não era comprado. Você podia ser um milionário e ele ia te resmungar.

Influências musicais e formação pessoal (46:19)

João Maizena Melo: [46:22] Sim, sim, sim. Eu reparava que a onda dele era outra. Ele faz falta.

Eron Falbo: [46:32] Bicho, a gente tem mais um tempinho, só mais uns 10 minutos. Fala um pouquinho das suas influências musicais, sacou? Tipo, e a sua identidade, tipo, desde que você começou, como é que você foi amadurecendo, evoluindo, como é que você vai aprendendo? Papai!

João Maizena Melo: [46:52] Espera aí, Joaquim. Não, isso é correto! Vai lá, só um segundo. Não, já foi. Então, começou assim, gente. Eu, quando criança, não gostava de música. Eu achava música muito chata. E eu não gostava de música porque eram as músicas que minha mãe ouvia dentro de casa. E, naquele momento, eu achava aquilo chato. Hoje em dia, eu até acho interessante, mas... E, com mais ou menos uns 14, 15 anos, eu comecei a descobrir punk rock e aquilo mudou a minha vida. Comecei a usar só os tardes, rasgado. Tempo depois eu comprei um baixo.

Eron Falbo: [47:26] Temos que ficar no estilo da galera do Ramones ou se é a galera do Sex Pistols?

João Maizena Melo: [47:30] É a galera do Ramones.

Eron Falbo: [47:32] Ah, tá. Aqui é mais light. A galera do Sex Pistols não dá pra tragar.

João Maizena Melo: [47:35] É mais lírico.

Eron Falbo: [47:36] A galera do Sex Pistols é muito intenso.

João Maizena Melo: [47:41] Foi muito louco, né? Que eu comecei a... Quando eu pensei: não, se eu vou fazer essa parada, eu vou fazer a sério. Então eu comecei a ler. Peguei um monte de livro, peguei um monte de livrinho meio careta pra ver, pra ler sobre o assunto. Então eu fui entender o que era aquela porra de punk rock. E eu me identifiquei mais com a sonoridade dos Ramones, uma banda de Nova York, não só... Também, depois eu comecei a ouvir Stooges, Iggy Pop, eu comecei, caralho, isso é muito foda. A coisa mais pop que eu me permitia ouvir até os vinte e poucos anos era o The Police. A coisa mais pop que eu ouvia era The Police. Eu era totalmente fechado pra qualquer coisa.

Eron Falbo: [48:22] E...

João Maizena Melo: [48:24] Mas as coisas aconteciam ao meu redor, por exemplo. Eu era adolescente na época em que o Nu Metal tava estourando. Eu achava a Korn um saco.

Eron Falbo: [48:34] Porra, eu odiava a Nu Metal.

João Maizena Melo: [48:36] Também, eu achava muito chato pra caralho.

Eron Falbo: [48:38] Eu odiava a galera da Nu Metal.

João Maizena Melo: [48:39] Sim, sim.

Eron Falbo: [48:41] Sim, sim.

João Maizena Melo: [48:42] Eu achava...

Eron Falbo: [48:43] Eu achava o Gualino... Uhum, na orelha, cara.

João Maizena Melo: [48:48] Eu achava aquilo muito chato. Achava tudo muito chato, não me identificava com aquilo. Era engraçado: "Ah, o João é roqueiro", "ah, não sei o quê". Não, não é essa a minha onda, a minha onda é outra. Mas a gente escuta essa porra por osmose. Eu acabava ligando o rádio, via MTV. A gente conhece as porras tudo por osmose. Então, assim, eu tenho... Por mais que não seja a minha onda... Você tem milhagem. Exatamente, eu tenho milhagem. Um pouco depois disso, eu fui parar na Saraiva. Comecei a trabalhar dentro da Saraiva, na parte de CDs. E aquilo abriu muito, abriu muito. Não só pra rock, como pra música brasileira, jazz, música clássica. Eu comecei a ouvir coisas que normalmente eu não escutaria. E sem contar que você vai fazendo outras amizades ao longo do tempo. Minha primeira esposa gostava de outras coisas. Eu conhecia coisas com ela, morando com ela, que talvez eu fosse cabeça fechada demais, idiota demais.

Eron Falbo: [49:47] Com quantas mulheres você já casou?

João Maizena Melo: [49:51] Eu tô na segunda.

Eron Falbo: [49:52] Ah, tá. Pô, ainda só tive um, então, agora. Tu querendo cinco, né?

João Maizena Melo: [49:57] É.

Eron Falbo: [49:58] Tô indo mal.

João Maizena Melo: [49:59] Meu pai que teve várias. Eu parei na segunda. Mas é, eu não me dava com a minha mãe, queria sair de casa, ela me chamou pra morar com ela e eu fui. Com a primeira. Aí a gente casou com 22 anos, não sei porquê, né?

Eron Falbo: [50:15] Caraca, é sério.

João Maizena Melo: [50:17] Mas o... Mas a gente... Aí, trabalhando na Saraiva, foi abrindo a cabeça, abrindo a cabeça, e eu conheci o dono do Bukowsk na Saraiva.

Eron Falbo: [50:29] O Bukowsk?

João Maizena Melo: [50:30] O dono do Bukowsk. O dono do Bukowsk, que eu conheci na Saraiva. Ah, o Charles Bukowsk, que eu já conhecia de antes. E, dentro do Bukowsk, eu também abri um pouco mais a cabeça, musicalmente falando. Então, eu passei daquele cara que... Que frequentava a rua Ceará, Garas, bar de motoclube... Ia pra buraco tocar punk rock em banda, em seis meses eu tava achando The Best Mode o máximo, sabe? E tocando e reparando como certas coisas funcionam muito bem pra discotecar e como certas músicas que normalmente eu não escutaria são maravilhosas pra você trabalhar elas na discotecagem. E aí eu fui abrindo mais o meu leque. Mas eu realmente comecei ouvindo coisas que a grande maioria das pessoas nunca vai escutar na noite. Mas acho que deu certo. Acho que deu certo uma das coisas.

Paternidade e música com o filho (51:32)

Eron Falbo: [51:32] Mas e hoje em dia? Você escuta música? Como é a sua relação com música atualmente?

João Maizena Melo: [51:40] Eu escuto aquilo que o Joaquim escuta.

Eron Falbo: [51:44] Mundo Beta?

João Maizena Melo: [51:46] Dentro de casa é isso.

Eron Falbo: [51:48] Mundo Beta é muito bom.

João Maizena Melo: [51:49] Dentro de casa é Mundo Beta. Eu quero um gênio. Eu quero um gênio.

Eron Falbo: [51:54] Eles só fazem hits, cara. Tipo, é melhor que Beatles, cara. Beatles não fazem tanto hit quanto o Mundo Beat.

João Maizena Melo: [52:01] É gênio, eu quero um gênio. E o cara tem a moral de chamar desde o cara do Biquíni Cavadão até Milton Nascimento pra participar com ele. É incrível, mas sei lá, cara.

Eron Falbo: [52:16] Eu fui no show do Mundo Beat com o meu filho. Sabe esses shows que rolam?

João Maizena Melo: [52:22] Sim, sim, sim!

Eron Falbo: [52:23] Pra mim foi tipo ir a uma banda... Porque eu já não escuto uma música, eu não faço isso. Mas na época em que eu escutava música, seria o equivalente de ir a uma banda que eu gostava pra caralho, sabe? Eu ia num show, sei lá, do The Sonics, sabe? Eu fui no show do Mito e eu chorei, cara! Que porra, foi emocionante! Eu fui com o meu filho, o porra do Mito!

João Maizena Melo: [52:48] E você vê a cara deles, né? Eles empolgados, vendo... O Joaquim é muito musical, então é mó barato. Outro dia tem um desenho do Mr. Bean, e tinha um episódio que o Mr. Bean compra um piano porque ele quer tocar Beethoven. E eu dei pro Joaquim, quando ele tinha um ano de idade, um tecladinho, um churuco, um tecladinho desses da loja americana. Quando eu vou ver, ele tá ali tentando imitar o Mr. Bean tocando piano e tal. É mó barato, cara. O que eu falo? Deixa ele. Ele volta e meia tá escutando umas músicas pop descartáveis que eu nunca pararia pra ouvir, mas é tão bonitinho ele ouvindo aquilo que... ok, vamos lá. Tem graça.

Eron Falbo: [53:33] Tem graça. Mas eu já vi que você é bom pai, pô. Você põe ele pra assistir Mr. Bean. É bem melhor do que o Lucas Neto, pô.

João Maizena Melo: [53:40] Ele nem sabe o que é isso.

Eron Falbo: [53:45] Cara, o meu filho descobriu essa porra, puta que pariu, cara. Tá ligado aquela? Nos anos 70 tinha o Mothers Against Kiss.

João Maizena Melo: [53:53] Sim, sim, sim! O Kiss era muito como uma criança, né? Tinha lancheira, tinha as coisas todas voltando. Um batera de mentirodete todo lavado.

Eron Falbo: [54:04] Mas as mães odiavam o Kiss, sabe? Porque eram maquiados e tal. Rock and roll nos anos 70 era do demônio. Aí eu tô organizando com os pais: Pais Contra o Lucas Neto, você compreende? Mas, obviamente, sendo pais, a gente vai contratar alguém pra dar uma... mais uma.

João Maizena Melo: [54:25] A coisa com o Lucas Neto é que... outro dia eu vi o trailer de uma coisa que ele fez, um filme de Natal. Eu achei aquele negócio tão zoado, tão mal feito, tão sem capricho.

Eron Falbo: [54:36] Cara, os filmes são a melhor coisa que ele faz. Você tem que ver, por curiosidade antropológica, os vídeos que ele faz no YouTube.

João Maizena Melo: [54:43] Ver ele brincando, né?

Eron Falbo: [54:45] É antiético, sacou? A única coisa que ele faz é ficar abrindo presentes. Tipo, olha só, pede pro seu pai comprar, olha isso aqui, abriu presentes. Aí depois ele pega e usa o presente.

João Maizena Melo: [55:00] Ai, meu cartão de crédito.

Eron Falbo: [55:02] Aí ele pega um quebra-cabeça e fala... Mostra pro seu pai como usa um quebra-cabeça. Aí ele pega o quebra-cabeça pronto e joga pra lá. É assim! Aí ele fica brincando. O filme foi muito ridículo, cara. Foda. Mas é caro.

João Maizena Melo: [55:20] Tá lançado das coisas pra eu não assistir.

Eron Falbo: [55:23] É, graças a Deus você não assistiu. Mas como é que você faz pra ele não assistir? Eu...

João Maizena Melo: [55:28] Eu fico do lado dele o tempo todo. YouTube, ele gosta de assistir basicamente vídeos de trem, ferrovia. Ele adora ver ferrovia. Ele gosta de ver vídeo com bichos do mar, tipo tubarão, baleia, golfinho, essas coisas. Tinha uma época que ele parou com isso, mas até pouco tempo atrás ele ficava vendo uns vídeos muito esquisitos do carro passando por cima do tubo de pasta de dente, do carro passando por cima do pacote de M&M's.

Eron Falbo: [56:01] Que tal, cara? Onde eles descobriram isso? Porque o meu filho adora isso.

João Maizena Melo: [56:05] Eu não faço ideia.

Eron Falbo: [56:07] Ele fica ouvindo horas disso.

João Maizena Melo: [56:09] Horas. Passando em cima da lata de Coca-Cola.

Eron Falbo: [56:13] Aí...

João Maizena Melo: [56:19] Mas ele gosta de ver os desenhos que ele gosta. Ele gosta muito do filme preferido dele, O Estranho Mundo de Jack. Ele sabe o filme inteiro. Ele faz a coreografia, canta junto. Ele gosta muito dessa estética de dia das bruxas, caveira, fantasma.

Eron Falbo: [56:42] Não sei muito dizer, Jack é A Nightmare Before Christmas em português? Oi?

João Maizena Melo: [56:47] A Nightmare Before Christmas, é. A Nightmare Before Christmas, exatamente. E ele adora.

Eron Falbo: [56:53] Achei que ele estava com medo disso.

João Maizena Melo: [56:55] Nada! Ele com dois anos já sabia o filme de cor. Ele gosta de caveira. A mãe dele tem uma caveira enorme, da toda uma perna. O carrinho dele, a capa do carrinho dele é umas caveirinhas. Ele tá acostumado. A gente quebrou.

Eron Falbo: [57:12] Acho que é bom pra ele crescer com mais... É mais viking, né?

João Maizena Melo: [57:20] Eu devia ter dado uma mamadeira em forma de caveira, né? Pra ele beber o leite assim, com maldade, né?

Eron Falbo: [57:25] Quando você não dá pra botar no chão, né? O chip, né? Porque pra ele não cargar a mamadeira. Poxa, João, cara. Obrigadão, cara. Obrigado pela sua participação.

João Maizena Melo: [57:43] Eu que agradeço os parceiros.

Eron Falbo: [57:46] Foi muito fera, depois vai estar disponível. Você tem algum site, alguma coisa que você queira...

João Maizena Melo: [57:50] Não, não, só o Instagram mesmo. É, pode seguir no Instagram, aqui. Tá aqui, ó. João mais Zena Mello. João mais Zena Mello, mais Zena com Z. Com Z em um web só.

Eron Falbo: [58:04] É. João, J-O-A. J-O-A-O-M-A-E-Z-E-M-A-M-E-L-O.

João Maizena Melo: [58:14] Perfeito.

Eron Falbo: [58:16] É isso aí.

João Maizena Melo: [58:16] Perfeito.

Eron Falbo: [58:17] Instagram. Peraí, só pra antes que a gente mora, alguém falou alguma coisa só pra representar. Todo mundo que conhece chegou lá com 17 anos. É a época do Vicente, parece que a nossa geração resolveu ficar saudosíssima. Total, a gente já comentou sobre isso. Então, um beijo a todos. Um beijo, Lula, Loura, Sampaio, Mimi Gomes, tudo de bom.

João Maizena Melo: [58:39] Tchau.

Eron Falbo: [58:40] Tchau, tchau.

No Alvo com Eron Falbo · episódio #46 · todos os episódios