Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.
Eron Falbo: [0:00] Alô, alô, pessoal. Sejam bem-vindos. Estamos de volta em 2021. Feliz Ano Novo a todos. Hoje a gente vai estar com Ronis Gracie. É uma grande, grande, grande honra estar com qualquer Gracie, mas especialmente com Ronis. Fala, meu querido. Beleza?
Ronis Gracie: [0:19] Fala, Eron. Tudo bom?
Eron Falbo: [0:21] Tudo bem, graças a Deus. E com você?
Ronis Gracie: [0:24] Tudo ótimo também.
Eron Falbo: [0:25] Estamos aqui hoje com Ronis Gracie, ilustríssimo. O Ronis é um empresário. Ele é um empreendedor, líder de equipes de alta performance. É isso o que eu li aqui.
Ronis Gracie: [0:40] Hoje, o trabalho, já fiz muitas coisas. Eu posso depois dar o meu.
Eron Falbo: [0:44] Então, a gente elabora. Mas o Ronis é da famosa dinastia Gracie. Talvez a família mais importante, ou pelo menos mais conhecida do mundo, que vem do Brasil, pelo menos do que eu consigo lembrar no momento. É uma família muito, muito importante. Acho que quem está dentro do mundo dos esportes sabe absolutamente quem é. Obviamente, quem não está dentro desse mundo pode não saber da importância, mas sabe quem é. Então, estar com você, estar com qualquer Gracie, para mim é uma honra gigantesca. Mas o Ronis é a parte da família Gracie que entrou nos negócios, entrou de cabeça. E você acabou de me falar no áudio, no WhatsApp, que o jiu-jitsu foi, mesmo tendo sido dos negócios, mesmo tendo desenvolvido a sua vida dentro dos esportes. Eu sei que você faz esportes também, mas você me disse que o jiu-jitsu te ensinou a desenvolver os negócios também. Então, aquela cadeia iniciada lá no Carlos, no Hélio, no Osvaldo, que estudaram com... Qual era o nome dele? Mitsuyo? Escrevi aqui, desculpa. O famoso Conde Koma. É, o Conde Koma, exatamente. É o Mitsuyo Maeda, né? Desculpa. Então, é isso, cara. Seja muito bem-vindo. Fico muito feliz de você estar aqui, fico muito feliz de ter criado essa amizade que a gente tá criando. E me diz aí, você chegou hoje de viagem? Como é que tá?
Ronis Gracie: [2:37] Cheguei hoje da Bahia, né? Passei lá um tempo muito bom, uma semana lá muito gostosa, e adorei conhecer lá. É, você sabe, a gente ficou amigo nesse tempo que eu tô aqui no Brasil, mas eu moro já muitos anos nos Estados Unidos. Então, adorei passar lá o Ano Novo na Bahia, vários amigos, tinha um primo meu também lá, minhas irmãs, enfim, a família. Foi muito gostoso passar esse tempo lá. Mas, é um prazer pra mim estar aqui conversando com você. E, como você falou, acho interessante, né, porque hoje eu não tô nem muito ativo no jiu-jitsu, não tô mais lutando, então tem outros primos meus que te daria muito mais conteúdo da atualidade da luta, do que está acontecendo.
Eron Falbo: [3:30] Sim, sim. Mas você poderia, de repente, falar um pouco? Só porque, em termos biográficos, eu acho que é importante, para a internet, para o pedigree Gracie, é importante ter esse registro. Se você puder, fala um pouco da sua trajetória dentro do jiu-jitsu.
Ronis Gracie: [3:51] Eu vou fazer o seguinte: vou dar um background da minha história com o jiu-jitsu e como eu fui parar no mundo dos negócios. Acho que vai ser interessante para iniciar o bate-papo. Bom, como todo Gracie da família, você, quando nasce, já nasce praticamente no tatame. A gente aprende a andar nos tatames, então a gente já começa a lutar desde pequenininho. Eu lembro, tenho memórias assim, na minha infância, de 4 anos de idade, fazendo aula de jiu-jitsu, brincando no tatame com meus primos. Então, é uma infância muito legal, até porque a família é muito grande. Então você cresce com... Eu lembro que tinha natais gigantes, 200 pessoas.
Eron Falbo: [4:36] Só isso já é divertido, imagina todo mundo sabendo lutar jiu-jitsu.
Ronis Gracie: [4:40] Era demais, eu sinto até muita falta dessa época. A gente tinha, sei lá, 50 primos pra eu brincar no Natal. Era uma loucura, era criançada correndo pra lá e pra cá.
Eron Falbo: [4:50] Saúde, mano.
Ronis Gracie: [4:51] Tô com o meu aqui também, já vou abrir já já.
Eron Falbo: [4:54] Tá bom, tá bom.
Ronis Gracie: [4:55] Vou te acompanhar já já.
Eron Falbo: [4:55] Eu te espero, eu te espero. Continue.
Ronis Gracie: [4:57] Mas assim, foi uma infância muito legal, né? Então, cresci nesse meio de luta, fiz todo o Gracie, né? A gente brinca que tem que virar faixa preta, aí é a tua obrigação. Você vira faixa preta e depois você escolhe o que você quer fazer da vida. Então eu fiz a minha parte, virei faixa preta, lutei muitos anos, a vida inteira. Inclusive foi um dos motivos que eu me mudei para os Estados Unidos, para competir. Conforme o Jiu-Jitsu foi crescendo a nível global, os campeonatos passaram a existir nos Estados Unidos. Eles aconteciam no Brasil, no Campeonato Mundial, Pan-americano, que eram os mais importantes. Fora, para os Estados Unidos...
Eron Falbo: [5:39] Que era o Vale Tudo, né? Antes o nome era Vale Tudo e agora mudou.
Ronis Gracie: [5:43] É, começou com o Vale Tudo no Brasil, né?
Eron Falbo: [5:45] Aí virou depois o Ultimate Fighting.
Ronis Gracie: [5:47] Ultimate Fighting Championship, que era o UFC. Tinha também outros antes do UFC, que eram até maiores que o UFC, que era o Pride, que acontecia no Japão. Então esses eram os dois mais importantes. Hoje o UFC se tornou o maior evento de lutas e começou nos Estados Unidos, com o Royce lutando. Então, assim, os Estados Unidos hoje acabou que virou até o polo, eu diria que hoje a capital do Jiu-Jitsu talvez não é mais o Brasil, talvez seja os Estados Unidos, porque todos os maiores lutadores do mundo, a grande maioria...
Eron Falbo: [6:17] Sim, é, mas o Jiu-Jitsu que se luta é o Jiu-Jitsu Gracie, né, que é conhecido nos Estados Unidos como Brazilian Jiu-Jitsu, né?
Ronis Gracie: [6:25] Exatamente.
Eron Falbo: [6:26] Independente de ser lá em termos... Porque, pô, eles organizam eventos melhores que a gente.
Ronis Gracie: [6:34] O americano dá muito valor ao esporte. Então, quando eles percebem que existe uma arte marcial, um esporte, você tem uma habilidade especial, que eles chamam... Eles fazem de tudo para te trazer para dentro do país, para te deixar lá, eles querem expandir isso lá dentro. Então, assim, eles abraçaram o Jiu-Jitsu com tudo.
Eron Falbo: [6:59] E você acha assim, a minha impressão, porque você vai saber isso muito melhor, mas a minha impressão é que o americano valoriza a família Gracie e o Brazilian Jiu-Jitsu muito mais do que o brasileiro. Em termos de, vamos dizer assim, em termos de tratar como lendário, entendeu? Tratar como uma coisa espetacular. A gente trata aqui como uma coisa que a gente faz, entendeu?
Ronis Gracie: [7:23] É, mas eu acho que é por esse motivo, o americano é assim: quando ele vê que você tem uma habilidade especial, ele já te admira. Ele fala, pô, esse cara, se ele conseguiu atingir isso, seja o que for, pode ser no negócio, se você virar um cara bem-sucedido, ele fala, é difícil virar uma pessoa bem-sucedida no mundo dos negócios. Então, ele já admira. E quando você tem uma habilidade especial, que não precisa ser dinheiro, pode ser, enfim, uma arte marcial, ou até um esporte, se você é um jogador de futebol muito bom, eles admiram muito. Então, eles te dão muito valor. Nos Estados Unidos, o brasileiro é conhecido muito pelo futebol, que eles chamam de soccer, e o jiu-jitsu, porque são as duas coisas que os brasileiros são famosos por serem muito bons lá fora. Então, acho que qualquer outra coisa fora disso, você vira uma pessoa comum, enfim, ele não vê nada de mais, né? Ah, você é brasileiro, beleza, você joga futebol? Não, você faz jiu-jitsu? Você falar que não também, então ele fala, tudo bem, você é mais um turista qualquer. Mas quando você fala que você faz jiu-jitsu e que você é atleta, é campeão, enfim, eles dão muito valor a isso, eles admiram muito.
Eron Falbo: [8:29] Cara, hoje eu passei o dia estudando sobre a família Gracie. Eu gosto de artes marciais, fiz bastante aikido na minha vida, e adoro artes marciais no geral, em termos filosóficos, em termos de prática, disciplina mesmo, o que tem para ensinar. Em vários ângulos, eu sou superfã da cultura japonesa no geral e artes marciais, e chinesa, kung fu, essas coisas. Só que eu sou brasileiro e, óbvio, eu já tinha ouvido falar de Rickson Gracie, da sua família em geral, e que a família é meio alienígena, no sentido de que todos os caras são bons, tipo assim, botava alguma coisa no feijão, entendeu? Eu já tinha ouvido falar, no geral, desse fenômeno, mas eu não conhecia os detalhes. É muito bonito, eu estudei o dia inteiro sobre sua família, e se eu soubesse, eu ia ter te tratado até melhor.
Ronis Gracie: [9:38] Melhor do que você já me tratou é possível.
Eron Falbo: [9:43] Eu estou dizendo que realmente é uma família. Lembra que a gente estava lá em Trancoso, conversando sobre a família Rothschild? Eu sou muito fã da família Rothschild, uma dinastia financeira que está aí desde 1830. Tem seus amigos falando oi para você. Até hoje é uma das maiores famílias, mais bem-sucedidas no mercado financeiro, nos negócios, em todo tipo de coisa dentro do mundo de business. E eu percebi, pelo que eu li hoje, que a família Gracie é equivalente em termos de esporte, sobretudo se você considerar que ela é brasileira, e não tem outra... não tem família Machado, sei lá, mas não tem outra família nesse nível, nessa grandeza, talvez nem no mundo. Eu não conheço tanto assim, então estou falando de qualquer coisa.
Ronis Gracie: [10:45] Você está certo.
Eron Falbo: [10:47] Mas no Brasil, cara, eu fiquei muito impressionado com a história, sabe? Tanto de gente quanto a disciplina familiar, a união familiar, essa coisa toda é muito bonita mesmo, cara. Tipo, eu queria... se eu tivesse um chapéu, eu ia tirar.
Ronis Gracie: [11:01] Cara, eu sou suspeito para falar, claro, né? Mas eu me sinto muito privilegiado e muito feliz de ter nascido nessa família, porque, por isso que você falou, eu vejo que realmente tem uma história diferente, né? No mundo da luta, eu nunca ouvi falar de nenhuma outra família tão grande, tão conhecida mundialmente. Então, na verdade, eu faço parte da terceira geração da família. Eu estou usufruindo do crédito que foi criado lá atrás, pelos meus tios, meus pais e meus avós. Então, eu sinto que hoje eu usufruo muito mais do que eu contribuo. Então eu tento ver, uma das coisas que na minha vida eu tento ver, é como é que eu posso contribuir, qual é a minha parte, minha contribuição nessa história. Cada um tem a sua parte, cada um tem a sua contribuição. Foi até um dos motivos que eu quis sair um pouco do foco de luta como o meio principal de ganhar dinheiro para mim, e tentar enxergar um outro lado que eu posso até, inclusive...
Eron Falbo: [12:09] Aplicar? Contribuir para a família, trazer outra coisa para a família.
Ronis Gracie: [12:13] Os fundamentos que eu aprendi dentro do tatame, na luta... mas como é que eu posso aplicar isso em outras coisas? Eu não sei ainda o que vai acontecer, estou fazendo a minha história, está muito cedo ainda para eu querer ter uma contribuição muito grande. Mas eu acho que é um gosto pessoal meu: conforme os anos foram passando, eu fui ficando mais velho, e eu gosto muito desse jogo mental, que o Jiu-Jitsu também é um jogo mental muito grande na luta, a gente chama de arte suave, o xadrez. O Jiu-Jitsu é praticamente um xadrez: você não precisa ser forte para ganhar do oponente, você usa a força dele através de alavancas, através de técnicas que você cria, certas alavancas, e você consegue ganhar de um cara muito maior. Então isso é muito parecido também no mundo de negócios. Às vezes você não tem muito capital para iniciar o negócio, e como você consegue... como é que você sai do nada?
Eron Falbo: [13:06] Alguém que é um cara que não tem capital... Porque quando você é um ricaço, você tem um bilhão de dólares, você consegue, com renda fixa, perpetuar isso com muita facilidade. Só deixa a máquina ali rodando um pouquinho e você está feliz, né? Agora, quando você tem zero, como é que você vai fazer o jiu-jitsu, né? Isso, na verdade, é uma coisa que a gente pode entrar um pouco, assim, cara, porque realmente essa metáfora é muito, muito bonita, e você está numa posição, cara, é difícil alguém estar numa posição melhor para falar sobre isso, né? Essa metáfora do jiu-jitsu para os negócios: como você vê isso?
Ronis Gracie: [13:47] Cara, nunca esqueço. Teve um ano na minha vida, não sei se foi 2010 ou 2011, que foi um ano que eu tive um wake-up call. Eu estava naquela fase que eu estava tremendo muito e querendo decidir o que eu queria da minha vida. Então eu fiz muito trabalho de visualização. Eu acho que eu estava lendo um livro que virou um dos melhores livros que eu já li na minha vida, que é aquele Pense e Enriqueça, em português, do Napoleon Hill. Think and Grow Rich, em inglês. É um livro que fala muito sobre isso, sobre a visualização, esse exercício de mentalização, de você tentar manipular o seu subconsciente. Então eu fiz muito exercício naquele ano de me ver lá na frente, anos na frente, como um campeão do UFC, um campeão de Jiu-Jitsu, e eu tentei sentir aquele sentimento, ver se era isso que eu queria. E teve o lado bom: o sonho de todo atleta é virar campeão, é conseguir atingir aquele nível. Mas teve um lado ruim também, que é o lado mais intelectual, que eu sempre gostei. E eu acho que, assim, na vida você tem que fazer escolhas. Você escolhe um caminho, você está deixando de ir para outro. Então, quando você acorda de manhã e abre o seu armário, você pega uma blusa, sei lá, de uma cor X, cinza, você está deixando de usar todas as outras opções que você tem no armário. Então eu analisei muito o que eu queria e acabei decidindo que não queria seguir esse caminho de luta 100%. Eu tinha praticamente entendido, talvez naquele momento, qual era o motivo, talvez, de eu até ter nascido nessa família, o que eu podia, qual era o aprendizado que eu tinha tido. E eu acabei decidindo: falei, vou entrar de cara no mundo dos negócios, eu quero aprender tudo sobre negócios. Na época, eu estava, na verdade, com a minha academia, minha primeira academia de Jiu-Jitsu. Então foi meio que o meu primeiro negócio. Tive que contratar funcionários, tive que aprender a questão da legislação de funcionários nos Estados Unidos, como é que funcionavam os tributos de lá. Toda essa parte começou a despertar esse lado empreendedor em mim.
Eron Falbo: [16:07] E você cresceu nos Estados Unidos ou aqui no Rio?
Ronis Gracie: [16:10] Eu cresci no Rio. Eu me mudei para a Califórnia, se não me engano, eu tinha 19 ou 20 anos.
Eron Falbo: [16:17] Ah, então foi cedo. Vamos botar um vinhozinho para brindar, para começar a aumentar a espiritualidade da conversa, para saírem as verdades. Você não vai responder às perguntas que eu tenho aqui.
Ronis Gracie: [16:35] Que nem falam na Europa, os russos lá, não fecham negócio sem você brindar antes. Os russos... os russos também se beijam na boca.
Eron Falbo: [16:45] Tem que beber, beijar na boca.
Ronis Gracie: [16:48] Beijar na boca eu já participei, mas...
Eron Falbo: [16:51] Mas eles se beijam, é muito engraçado ver. Você vê, tipo, o presidente da Rússia beijando uma galera na boca.
Ronis Gracie: [16:59] Vamos lá, vamos lá. Estou me esforçando aqui, não sou muito bom de abrir vinho, mas... Tomara que dê certo aqui, vamos ver. O que vai dar? Ah, deu certo, tá vendo?
Eron Falbo: [17:13] Olha lá que tá ao vivo, hein, bicho?
Ronis Gracie: [17:17] Será que não sou tão ruim assim? Opa!
Eron Falbo: [17:21] Opa!
Ronis Gracie: [17:22] Maldito! Foi. Tá bebendo o quê aí?
Eron Falbo: [17:27] Cara, tô bebendo... Eu faço parte daquele clube, sem fazer... Eles não estão me pagando nada. Aquele wine.com. E eles me mandam... Sabe, que manda mensalmente vinho. Na verdade, porque eu estava atrasado, só peguei um deles, Nederburg. Pinotage, eu gosto mais de Pinotage. Então tá ótimo.
Ronis Gracie: [17:53] Estou bebendo um Cabernet Sauvignon. Antigas Reservas Cabernet Sauvignon, Cozinho Mako.
Eron Falbo: [18:02] Saúde para você e, dessa vez, é literalmente para toda a sua família. Isso a gente pode dizer.
Ronis Gracie: [18:07] Saúde. E, bom, onde estávamos?
Eron Falbo: [18:13] Estava falando de negócios, cara, eu quero... É assim, não sei se você já chegou a ver outro programa meu, outro episódio, outra conversa. Então, você sabe que o que a gente faz aqui é tentar sair um pouco do que já está no YouTube, né? Sair um pouco do que, tipo assim, porra, não vamos falar sobre... entendeu, quantos filhos teve o Carlos Gracie, você é neto do Carlos Gracie.
Ronis Gracie: [18:43] Né, é isso. Mas, para responder a pergunta, foram 21 filhos, só do Carlos. Vinte e um, é só.
Eron Falbo: [18:52] Quase 21, isso, cara! Se eu não me engano, uma árvore...
Ronis Gracie: [18:59] É, o irmão dele, o Hélio, eu não tenho certeza exatamente do número de filhos, mas, se não me engano, foram 15, algo parecido, mais pra cima, mais pra baixo. E dos 21 filhos do meu avô, eu nunca fiz a conta certinho, mas eu penso num tio meu e falo: "Ah, tem três filhos." Penso num outro: "Tem cinco." Penso num outro: "Tem oito."
Eron Falbo: [19:21] É, também a quantidade não é tão importante, né? O importante é que um teve um pouco menos, um teve mais, né? E você sabe que você tem mais filhos.
Ronis Gracie: [19:29] Eu quis chegar numa média rápida, e eu não consigo lembrar de nenhum tio meu que teve menos que três filhos. Alguns tiveram cinco, seis; outros, oito. Eu acredito que a média entre quatro e cinco seja perto do número real. Então, se você pega 21 e multiplica por quatro ou por cinco, você vai chegar no número de primos de primeiro grau que eu tenho. Então, uns 100 primos, provavelmente.
Eron Falbo: [19:56] Eu quero ter no mínimo seis. Eu quero anunciar isso publicamente para as meninas que estão assistindo. Então, tipo assim, se querem mexer comigo, saibam que vai ter que ter muitas partes. Cara, entrando nessa onda do que não está no YouTube, eu acho que uma pergunta que é legal fazer, se você se sentir confortável em responder, é: você é neto do Carlos, né? O Rickson e o Royce eram filhos do Hélio. E o Hélio é tido hoje, dentro da comunidade de Jiu-Jitsu, pelo menos do que eu estudei, como, vamos dizer, o que deu o gancho, o diferencial que criou o Jiu-Jitsu brasileiro. Aí, para você que é da linhagem Carlos, a linhagem Carlos também tem grandes campeões, eu sei disso, como o Renzo, o Robson, né? Essa galera toda da linhagem do Carlos, né?
Ronis Gracie: [21:00] O Carson também. O Carson foi o primeiro, né? Um dos filhos... Acho que, se eu não me engano, o Carson... Não tenho certeza, mas foi talvez o primeiro filho do meu avô. E ele foi o primeiro, assim, campeão depois do Hélio. O Hélio, na verdade... É, teve o meu avô, o Hélio. Então, o meu avô era mais velho que o Hélio, como se fosse o irmão mais velho dele, quase um pai. Então, o Hélio foi o primeiro campeão da família que o meu avô basicamente criou. E aí, depois do Hélio, o próximo campeão foi o Carson. Durante muitos anos, na década de 50, 60, ele teve luta no Maracanãzinho, estádio lotado. Tem foto disso, dá pra procurar na internet também. E aí depois foram os outros filhos, né? Foram, enfim, o Robson e o Rolls também. O Rolls também, que era filho do meu avô, foi um grande campeão. Foi antes do Rickson, né? Aí depois entrou na era do Rickson. O Rickson realmente, na época dele, foi o maior campeão disparado.
Eron Falbo: [22:14] Falando nisso, eu ia perguntar outra coisa, mas só uma pergunta de side question aqui. Onde começou essa coisa dos nomes com R? Porque lá no início era Gastão, Pedro, então tinha uma coisa meio imperial. O George, que era o escocês que veio, teve o Pedro, depois o Gastão. A família imperial brasileira tem esses nomes, né? Pedro, Gastão, Gastão, Pedro, é usado muitas vezes. Aí depois começou com os nomes com R, né? Rolls, o seu nome é Rolls, Rickson, Royce. Você sabe de onde começou essa parada?
Ronis Gracie: [22:53] Não, eu sei. O que eu sei é o seguinte: o meu avô estudava numerologia, e ele fazia, inclusive, por exemplo, com o Hélio, ou várias outras pessoas na família, o meu avô não deixava marcar a luta em certos dias. Ele escolhia: "Ó, esse é o dia ideal para você lutar." Ele fazia todo um estudo de numerologia e, naquele dia, ele falava: "Esse dia você vai estar forte, você vai estar imbatível." E os nomes também eram escolhidos baseados nisso. Ele estudava o dia que você ia nascer, e escolhia o nome, que era o nome místico. É meio místico, né? Então, os nomes sempre começavam com a letra R, ou K, ou C. Mas é principalmente o R e o K. Então, se você ver na família, todo mundo praticamente começa com R ou com K. Alguns começam com C também, mas a maioria é R e K.
Eron Falbo: [23:43] Então foi seu avô que começou essa onda mais mística?
Ronis Gracie: [23:47] Foi.
Eron Falbo: [23:49] Porque o Rickson tinha essa coisa muito forte de yoga, né? De meditação. Você mesmo falou que teve essa visualização. E isso é outra... Cara, tem muita pergunta, eu tô no meio, assim... Não pode falar... Desculpa...
Ronis Gracie: [24:09] Ia falar, eu acho que você quer chegar a isso: a nossa família é bem alternativa nesse sentido, né? Por exemplo, hoje, principalmente eu que moro na Califórnia, eu vejo uma onda muito grande lá de comer coisa orgânica, de tratamentos medicinais alternativos, usando muita erva. Meu avô fazia isso há uns 50 anos atrás.
Eron Falbo: [24:30] Até mais, né?
Ronis Gracie: [24:31] É, até mais. Então, hoje, muita coisa que ele fazia naquela época, acho que ele estava muito à frente do tempo dele. Hoje já está sendo vista como comprovada, como medicina, tem estudos clínicos já sobre isso.
Eron Falbo: [24:44] Isso que é brilhante, você cresceu... você está falando, pô, como é que eu estava no esporte, eu fiz uma visualização, isso é tipo, pô, eu tive que aprender essas paradas na marra. Não tô falando que foi fácil pra você, só tô falando como é bonito isso, né, de estar numa família que é unida o suficiente e preza o suficiente sabedoria pra passar isso pelas gerações, né. Era um dos pontos que eu queria chegar, da comparação entre a família Gracie e a família Rothschild. Tipo assim, como é que uma família desde 1830, e a família de vocês é pelo menos de 1870, bem-sucedida, a coisa do jiu-jitsu foi uma entrada que foi mais ou menos em 1901, alguma coisa assim, não lembro bem.
Ronis Gracie: [25:31] É muito interessante isso. Eu, há pouco tempo atrás, há um ano atrás, comecei a pesquisar muito, até tava tentando procurar aqui antes de começar a live, porque eu fiz... tenho isso salvo em algum lugar na internet, nos meus arquivos, num folder, não tava conseguindo achar. Eu fiz uma árvore, tentei chegar o máximo possível. E uma coisa muito interessante: lá em Nova York, eu não sabia disso, eu morei em Nova York e não sabia disso, fui descobrir depois que voltei para Los Angeles. Tem uma casa lá chamada Gracie Mansion, a mansão Gracie. E é onde, se não me engano, fica o prefeito ou o governador, é onde ele reside no momento. Então, se você vira prefeito em Nova York, acho que você fica hospedado nessa casa. Essa casa era da família, era, acho, do tataravô... irmão do tataravô do meu avô, algo assim, porque a família vem da Escócia. Foram três irmãos, acho que dois foram para os Estados Unidos e um foi para o Brasil. Posso estar enganado?
Eron Falbo: [26:34] O George veio para o Brasil. O George é o avô do seu avô.
Ronis Gracie: [26:40] Isso. E teve... acho que o irmão dele era James, se não me engano. Por isso eu queria achar a árvore, tem todos os nomes lá registrados certinho. Mas um deles foi para os Estados Unidos e virou um grande homem de negócios, muito bem-sucedido.
Eron Falbo: [26:53] Ele criou essa Gracie.
Ronis Gracie: [26:55] E a Gracie Mansion era a casa dele, e frequentava lá o neto do John Adams, que foi um dos founding fathers dos Estados Unidos.
Eron Falbo: [27:04] Mas cara, você tem que dar uma estudada sobre o George, o que ele tinha a ver com a família imperial brasileira, porque eu tô falando, tipo assim, eu sou monarquista, eu conheço a fundo esse assunto. O filho do George era Pedro, que é Dom Pedro II, mesmo nome, e o neto dele era Gastão, que, se eu não me engano, era o filho da Princesa Isabel, Gastão... ou o filho do filho da princesa. Acho que Pedro Henrique era... Mas, entendeu, a família tinha o nome Gastão e Pedro, entendeu? E se você está falando que... isso é uma viagem minha, mas você, que é da família, de repente consegue descobrir sobre isso. Mas o ponto disso tudo é, tipo, o que faz esses grandes patriarcas, entendeu, que tipo de porrada foi dada nos filhos para desenvolver essa capacidade de aprendizado, essa capacidade de treino, de disciplina, de desenvolver as coisas, entendeu? Porque as pessoas falam, ah, genética, eu não acredito, entendeu? Na minha opinião é uma metodologia, sacou? É uma parada que as pessoas aperfeiçoaram e passam. Tipo assim, você cresceu aprendendo certas coisas, não cresceu?
Ronis Gracie: [28:19] Sim, claro, eu também não acredito muito nessa questão de genética. Eu acho que a genética, se eu não me engano, só passa o seu gene adiante, acho que é um ponto... algo por cento, um, dois por cento apenas. Então, assim, a maior parte da sua genética é criada mesmo, de forma orgânica, não sei, da natureza. Então eu não acredito muito nessa questão de genética, eu acho que a gente consegue aprender qualquer coisa. Mas eu acho que são as influências, né. Talvez quando eu estava crescendo, eu tive muita influência de coisas naturais, de comer bem. Então acho que isso ficou na minha base fundamental. Então, quando eu como algo que não é saudável, por exemplo, sei lá, quando eu era criança, eu tomava um refrigerante na casa de um amigo, eu já sentia culpado.
Eron Falbo: [29:07] Quando era criança, você tomava refrigerante?
Ronis Gracie: [29:09] Não, nunca na minha casa eu tomava refrigerante, totalmente proibido. E é engraçado, porque você acha que qual é o problema da criança tomar refrigerante? O problema é que ela vira hábito.
Eron Falbo: [29:25] É o mau hábito?
Ronis Gracie: [29:26] É o mau hábito. Então, assim, o hábito, a força do hábito é muito grande. Então eu dou graças a Deus hoje. Na época, endiabrado, eu ficava reclamando, queria ir pra casa dos meus amigos pra beber, comer besteira, mas hoje eu entendo e eu vejo o valor que isso me deu, porque acaba que, sem querer, sem você nem perceber, toda vez que vai pedir uma coisa para beber, você pede algo melhor. Então, quando você bebe um refrigerante, é uma raridade.
Eron Falbo: [29:54] Eu vejo em artes marciais no geral, mas na sua família especialmente, e sobretudo do que eu vi do Rickson, assim, tem uma valorização muito forte de... e cara, só um parênteses, tipo, vamos falar muito sobre você, só que, na verdade, eu estou tentando entrar na sua família através de você, porque eu acho que você está numa posição que muita gente que já foi entrevistada não está, que é, tipo assim, muita gente quer saber do esporte, muita gente quer saber dos campeonatos, da técnica, e isso não é o que eu quero saber. Eu quero saber a sua visão, e a gente já teve o privilégio de ter várias conversas super interessantes, filosóficas. Então eu sei que você tem a capacidade intelectual e o interesse. Você tem interesse em genealogia, você tem interesse em background, onde vem o sucesso, isso é um dos seus interesses, tipo, qual é aquela paradinha que tem dentro do nosso cérebro que a gente consegue acessar e ativar para conseguir ter sucesso, esse tipo de coisa. Então, assim, me desculpa, cara, uma das coisas que eu mais odeio é tipo, porra, você não é um... mas você é, entendeu? Estou tratando você como um portal para entender uma família nobríssima, entendeu? Sabe, eu faço questão de dizer porque é importante, sabe? Você, cara, é realmente... eu acho que isso aqui depois vai ficar gravado, vai pro Spotify, pra todos os lugares de podcast aí, e, porra, vai ser informação privilegiadíssima.
Ronis Gracie: [31:28] Como eu te falei, Eron, eu sou... já te falei isso, e eu me sinto privilegiado. Então, assim, é como se eu tivesse nascido e alguém me desse um cartão de crédito com limite alto para eu gastar, falei: vai gastar isso aí. Então eu estou gastando, porque me ajuda muito, cara. Até no mundo de negócios, assim, muita coisa... Quando eu estava, por exemplo, eu trabalhei muitos anos em tecnologia. Eu tive uma empresa aqui no Brasil e, quando depois voltei para os Estados Unidos, eu acabei fechando uma empresa que não deu muito certo. Era uma empresa que até competia com o iFood, uma empresa de delivery de comida. E, enfim, foi meio que uma das minhas primeiras experiências. Aquilo ali foi praticamente, como eu falo, a minha faculdade, porque eu não fui para a faculdade. Quando eu tinha 18 anos, eu estava lutando, competindo, para mim ir para a faculdade era uma perda de tempo. E então, anos depois, quando eu falei, olha, agora eu quero aprender negócio, eu aprendi tudo sozinho. Fui comprando livros, fui fazendo cursos online, virei um autodidata. Aprendi a programar, um básico, para poder trabalhar com programadores. Então, muita coisa eu fui aprendendo conforme fui executando. Era uma correria, uma coisa que não tinha tempo nem para nada.
Eron Falbo: [32:44] E como você aprendeu a aprender? O que você atribui a essa capacidade de conseguir aprender rapidamente?
Ronis Gracie: [32:53] Isso é bem interessante. Inclusive, tem até um livro que eu posso indicar, que é do Tim Ferriss. Para quem conhece o Tim Ferriss, um dos livros que ele escreveu mais recentemente foi, acho que era Learning How to Learn, algo assim, explicando como você consegue adquirir habilidades novas. Inclusive, engraçado isso, porque eu fiz um curso online de Neurologia na internet, que o nome do curso era Learning How to Learn.
Eron Falbo: [33:33] Eu fiz isso também. É no Coursera, né?
Ronis Gracie: [33:36] É, esse curso. Achei maravilhoso. Mas esse curso, enfim, muito bom. Quando eu fiz o curso, sem querer, algumas coisas eu já estava fazendo, né? Mas eu sempre fui muito curioso. Eu acho que a curiosidade me ajudou muito. Talvez eu seja um pouco perfeccionista em algumas coisas. Quando eu vejo algo que eu não sei como funciona, eu quero aprender como aquilo funciona. Então, você começa indo passo a passo até chegar na raiz, na fonte daquele problema. Isso me ajudou muito. E, cara, hoje em dia, graças a Deus, tem YouTube, tem tecnologia. Você compartilha conhecimento, tem Instagram. É muito fácil hoje você compartilhar conhecimento. Então, não tem desculpa. Quem quer aprender algo não tem desculpa. É só não ter preguiça.
Eron Falbo: [34:22] Só para recomendar o livro que você estava recomendando, é Trabalhe 4 Horas Por Semana. Muito bom também. Cara, mudou minha vida esse livro. Depois que eu li esse livro, parei de buscar trabalho e comecei a buscar vida e sucesso.
Ronis Gracie: [34:38] Realização. Espetacular, porque ele abre muito a sua visão. Você fala: cara, eu não estou conseguindo arrumar, otimizar o meu trabalho. Ele te dá várias ideias de como delegar certas tarefas que, na verdade, você não precisa estar fazendo. Achei esse livro demais. Assistente virtual, cara.
Eron Falbo: [35:02] Assistente virtual, aprendi por causa disso.
Ronis Gracie: [35:04] Contrata alguém lá na Índia, você paga, sei lá, dois dólares por hora, a pessoa fica respondendo e-mail pra você o dia inteiro. É maravilhoso. Na verdade, a gente tá entrando numa era que, hoje em dia, tem assistente virtual que é um programa, né? Não é nenhuma pessoa mais. É um programa. E eu já até usei alguns serviços desses nos Estados Unidos, que é um sistema mesmo, um software, um robô, que fica conversando com... Por exemplo, eu quero agendar uma reunião. Então, o sistema manda um e-mail para mim e para outra pessoa, perguntando onde vai ser a reunião, qual o melhor horário para nós dois, a gente vai respondendo. E aí ele vai, quando está tudo confirmado, ele manda o...
Eron Falbo: [35:44] Isso leva para uma coisa meio viagem, que é o singularity, sabe? Que a gente chegar na inteligência artificial, fazer um crossover, se juntar com habilidades humanas. Eu acho que, na sua posição, de repente você pode falar, porque você entrou muito em tecnologia, em empreendedorismo tecnológico, e ao mesmo tempo você cresceu numa família de jiu-jitsu, que vem de uma tradição de pele com pele. Literalmente o jiu-jitsu é o esporte, é o negócio que mais dá abraço em homem no mundo. Mas quero dizer que é tipo hands on, é sobre passar de geração em geração, é sobre sabedoria humana, é sobre coisas que você não pode replicar sem ser com coração, alma, foco, concentração. Como que você vê essa questão, essa dualidade, né? Tipo, a gente tá caminhando pra assistentes virtuais que podem fazer, assistentes com inteligência artificial que podem responder perguntas, tipo Watson da IBM, na medicina, etc. Como é que você vê essa coisa, esse singularity, com essa suposição?
Ronis Gracie: [37:06] Cara, é engraçado, porque... Eu ainda estou formando a minha visão sobre isso, mas eu acho que, inclusive, o Elon Musk, que é o fundador da Tesla, da SpaceX, tem uma empresa chamada Neuralink, que ele está criando, que é até meio sci-fi, meio assustador. Mas, basicamente, o que eles estão criando é um cérebro meio que virtual. Vai até precisar fazer uma cirurgia, eles vão conectar o seu cérebro com o computador. Então, imagina que você, sei lá, quer acessar uma informação.
Eron Falbo: [37:45] Exatamente.
Ronis Gracie: [37:47] E o motivo pelo qual ele acha que é fundamental o ser humano se unir à máquina é porque, senão, a máquina vai take over, vai ultrapassar o ser humano, e aí a gente vai viver aquele cenário, né, de apocalipse.
Eron Falbo: [38:03] Matrix, né? O cenário apocalíptico.
Ronis Gracie: [38:08] O Exterminador do Futuro, como a gente vê nos filmes. Mas ele fala que aquilo ali pode muito bem se tornar realidade. E a única maneira de a gente se defender disso é a gente conseguir exponenciar o nosso potencial cerebral. Então, como que a gente faz isso? Não tem como você fazer um cálculo que nem um computador.
Eron Falbo: [38:23] Cara, ele é fantástico. Desculpa.
Ronis Gracie: [38:27] Não, eu ia falar, se você unir o seu cérebro com o computador, você consegue usufruir do potencial.
Eron Falbo: [38:33] E lutar. É isso que eu ia dizer. Tipo assim, isso tem tudo a ver com o jiu-jitsu, by the way, né? Tipo, como é que você vai leverage o que você já tem pra poder...
Ronis Gracie: [38:42] É, exatamente, você tá alavancando, né?
Eron Falbo: [38:45] Você tá alavancando o seu cérebro.
Ronis Gracie: [38:48] Eu acho que assim, é muito cedo, então parece que é uma coisa... Ah, não vai acontecer. Antigamente, ninguém achava que a gente ia ter um computador na mão, que ia ligar, que ia fazer video call com uma pessoa do outro lado do mundo. Da mesma maneira que há 70 anos atrás ninguém achava que isso ia acontecer, hoje a gente não acha que a gente vai se unir à máquina, mas eu acho que vai ser inevitável.
Eron Falbo: [39:09] É isso que eu ia dizer, cara, o Elon Musk fala uma coisa, eu vi uma entrevista justo com o Joe Rogan, e cara, o Joe Rogan ama a família de vocês. Não sei se você já esteve com ele, mas pô... pra mim é o...
Ronis Gracie: [39:19] Melhor podcast que existe no mundo é o do Joe Rogan, o meu favorito.
Eron Falbo: [39:22] Pra mim também, e é o mais popular. E, by the way, o que eu tô fazendo aqui é criando um Joe Rogan brasileiro. Tipo, não sei se eu sou capaz, mas, tipo assim, já que não tem mais outro, o meu objetivo é esse. Mas, numa entrevista com o Elon Musk, ele fala, cara, que não tem esperança. Tipo assim, que o AI vai dominar, e por isso que eu acho bonito. Tipo assim, a gente olha pro Elon Musk e julga ele em termos de empreendedorismo, em termos de... só que ele é um humanista, né? O cara, as coisas que ele tá fazendo, ele tá se dedicando pra salvar a humanidade, sacou? É isso que, na cabeça dele, ele tá fazendo isso.
Ronis Gracie: [40:03] E ele é espetacular, porque se você parar pra pensar, ele é um cara que, hoje, inclusive, com esse aumento das ações da Tesla, ele está valendo 130 bilhões, se não me engano. Ele é um cara que não precisa mais trabalhar, não precisava ter esse estresse todo que ele tem, mas o cara trabalha 90 horas por semana. É um absurdo.
Eron Falbo: [40:20] Ele não precisava criar esse Neuralink, ele está criando esse Neuralink para a gente ganhar a guerra.
Ronis Gracie: [40:26] Exatamente. E assim, ninguém sabe, pode ser que o Neuralink não seja o sistema que vai dar certo, pode ser um outro, mas assim, a ideia de que a gente já está se unindo à máquina... Na verdade, as pessoas não percebem, por exemplo, tem uma versão 3D de órgão. Você precisa de um coração, a máquina imprime o coração 3D.
Eron Falbo: [40:45] O celular é uma extensão do nosso corpo. O que a gente lembra, os nossos contatos, já é uma extensão da nossa memória.
Ronis Gracie: [40:55] Exatamente, o braço biônico, a pessoa perde o braço, hoje tem aquele braço que a pessoa consegue ter o movimento dos dedos, tem a perna biônica, a pessoa consegue correr. Então, a gente já está se unindo à máquina de uma forma bem iniciante. Agora, o leapfrog na evolução, o crescimento exponencial, vai acontecer quando a gente realmente unir os nossos neurônios com a máquina. Vai ser muito mais difícil, muito mais complexo, mas, eventualmente, eu acredito, se eu fosse apostar meu dinheiro, acredito que vai acontecer.
Eron Falbo: [41:25] Porra, cara, eu não só...
Ronis Gracie: [41:27] Eu só não quero ser o primeiro, eu não vou ser o primeiro a testar o sistema. Deixa rolar aí, outras pessoas testando...
Eron Falbo: [41:33] Eu vou ser o segundo, bicho, eu vou ser o segundo. Se eu for multibilionário bastante pra ser o segundo, porque, tipo assim, essas paradas aí não é questão de... Tipo, tá faltando gente que quer voluntariar, né? Tipo o SpaceX. Tipo, você não quer ir pra Marte, você não quer ir num voo turístico pra Lua, sacou?
Ronis Gracie: [41:54] E a competição, mano, você vai pensar assim, no começo vai ter muita gente que vai falar: não vou fazer, não vou fazer isso. Aí o cara vai e faz, ele vai ficar mais inteligente que você, ele vai conseguir ter uma produtividade muito maior que a sua. Aí você vai falar: poxa, eu tô perdendo essa competição pra aquele cara, não posso ficar pra trás. Então, essa competição, esse instinto competitivo do ser humano vai fazer com que pessoas que inicialmente não queiram utilizar esses sistemas acabem utilizando.
Eron Falbo: [42:19] É inevitável.
Ronis Gracie: [42:20] Por isso que eu acho que é inevitável.
Eron Falbo: [42:21] Vamos unir isso aí com o tatame, sacou? Porque, tipo assim, uma coisa que eu... Tipo assim, eu estudo ocultismo desde os 17 anos e, tipo, com um certo nível de seriedade, sacou? Eu, por ser autodidata, acabo sendo um pouco preguiçoso, mais preguiçoso do que eu deveria ser, mas eu estudo bastante no geral. Mas no ocultismo, cara, a gente tem uma visão de que certos poderes têm certos perigos, vamos dizer. Então é tipo playboy aprendendo jiu-jitsu, que inclusive é uma das razões que eu nunca entrei no jiu-jitsu, porque eu cresci em Brasília, e a galera que fazia jiu-jitsu eram as piores pessoas do planeta, entendeu? Não sei, pode ter sido uma coincidência do meu nicho ali, mas elas, entendeu, eram bully, eram pessoas... Você deve saber do que eu tô falando, né?
Ronis Gracie: [43:24] Sim, teve uma época dos pitboys, que se chama.
Eron Falbo: [43:27] Exatamente, pitboys.
Ronis Gracie: [43:29] Eu era adolescente e tinha muita gente...
Eron Falbo: [43:31] Começava a briga, né?
Ronis Gracie: [43:33] Ia pra festa pra brigar. Foi uma época que realmente o filme do jiu-jitsu foi meio queimado aqui no Brasil. Mas isso acontece com qualquer coisa, tem sempre os maus elementos, tem sempre as escolas que não passam o fundamento do jiu-jitsu, a psicologia do jiu-jitsu, a ética do jiu-jitsu. Mas eu acho que, assim, teve essa onda, depois de uma limpada baixou. E hoje você vê, o filme hoje do jiu-jitsu é um filme bom.
Eron Falbo: [44:00] As pessoas que praticam... E assim, tipo, sem dúvida. A maturidade é o suficiente para entender isso. Eu fiz Aikido e, cara, valorizo muito. Mas a minha pergunta, assim, o meu questionamento, é tipo essas paradas, tipo, unir o cérebro artificial com o cérebro humano, sacou? Vai criar um potencial aí para pitboys, sacou? Era pitboy o nome? Para fazer muita merda, sacou? Então, tipo assim, o que o jiu-jitsu, o que você aprendeu crescendo com seus tios, com sua mãe, né? Eu não sei se seu pai lutava também, não? Por acaso? Sua mãe é Gracie, e seu pai?
Ronis Gracie: [44:40] Minha mãe é Gracie, é. O meu pai até lutava, não no jiu-jitsu. Ele, na verdade, fez boxe, fez outras... Meu pai sempre lutou esporte, mas o jiu-jitsu em si ele acabou, acho que, praticando muito pouco. Ele era muito bom de boxe, chegou a ser campeão de boxe. Mas ele praticava tênis, outros esportes, golfe.
Eron Falbo: [44:56] Seus pais te conheceram na onda da luta?
Ronis Gracie: [45:01] Meu pai foi professor da minha mãe, na verdade. Não sei se foi na faculdade, acho que foi na escola. Ele era já mais velho que minha mãe, aí anos depois eles se reencontraram e tal. Mas o meu pai era muito intelectual. Ele tinha quatro diplomas. Ele é formado em Física, Matemática, Medicina...
Eron Falbo: [45:21] A gente foca tudo no Gracie aí. A gente obscurece aí. Qual o sobrenome do seu pai?
Ronis Gracie: [45:29] Pereira.
Eron Falbo: [45:31] Ah, você me falou isso, meu irmão.
Ronis Gracie: [45:33] Português. Meu pai é muito intelectual. Um pouco cabeça dura, mas ele era muito intelectual. Muito inteligente nessa questão, de cálculos, enfim. Mas o legal é o seguinte: eu sinto que, eu vejo meu pai, vejo minha mãe, e acho que eu consegui pegar um pouquinho de cada, a emoção, né? Acho que no jiu-jitsu, na família Gracie, tem muita inteligência emocional. É uma inteligência mais assim de instinto, mais do ser humano, instinto mais selvagem, aquela coisa de guerreiro, né? Aquela coisa assim de luta, de sobrevivência, aquela coisa mais da carne, sabe? Aquela coisa que é mais instinto mesmo, você sente que você faz parte da natureza, como se você fosse um bicho mesmo. E, enfim, da família do meu pai, eu sinto que é mais essa questão mais intelectual um pouco, né? Mais analítica. Enfim, tô falando assim por alto, mais ou menos. Não, vou te esperar, cara.
Eron Falbo: [46:27] Porra, a gente vai ter que fazer outra live, cara, porque já tá acabando nosso tempo. E, porra, nem comecei aqui, cara. Tipo, literalmente... Não dá pra passar a conversão de.
Ronis Gracie: [46:40] Uma hora ou uma hora fecha? Como é que funciona?
Eron Falbo: [46:43] Não, não é que uma hora fecha, porque, assim, eu tenho um compromisso com o público, entendeu? De fazer uma hora pra... Mas, cara, nada, tipo assim, se você concordar, nada impede da gente fazer outra, outro dia, entendeu? Parte dois e... Entendeu? Porque, cara, realmente você tem muito conteúdo e, cara, é fascinante o ponto de vista, sabe? Porque o ponto de vista é muito único. Tipo, essa sua fascinação por negócios, por sucesso, por autocontrole, por ganhar de si próprio e, ao mesmo tempo, o background no jiu-jitsu e na família, é genial. Vamos só, tipo assim, cinco minutos falar sobre aquela parada que, cara, tô com muita curiosidade. Que é da coisa de como é nesse mundo assim que a gente tem o celular para distrair, esse poder nas nossas mãos, e potencialmente pode ter esse outro cérebro daqui a alguns anos. Como que a gente pode usar os ensinamentos que você aprendeu, que o jiu-jitsu te deu, que sua família te deu, para melhorar isso, o uso do poder, o uso da energia atômica na mão.
Ronis Gracie: [48:01] Olha, eu diria que... Assim, uma das coisas que o jiu-jitsu me ensinou foi muita coisa, na verdade, que acabou que me ajudou muito no mundo dos negócios. Ele veio do jiu-jitsu. Então, assim, eu até me sentia, na verdade, uma vez eu até falei isso numa entrevista de trabalho, eu falei, olha, eu posso não ter o diploma, enfim, não me formei em Harvard, nada disso, mas eu tenho uma coisa que ninguém vai ter. Que eu tenho esses ensinamentos desse mundo, é um mundo que provavelmente nenhuma pessoa que vai vir aqui falar com você vai ter passado por ela, que é o mundo do jiu-jitsu, o mundo das artes marciais. Porque, por exemplo, a gente está na vida, a vida é uma luta, né? Então, quando você está lutando no tatame, você passa por situações, por exemplo, tem uma posição ali que você está praticamente entregue, você vai perder a luta, a pessoa está te sufocando, você não está conseguindo respirar direito, você fala, cara, vou desistir. O pensamento que vem: não tem como eu sair daqui. Só que no jiu-jitsu não existe saída. Sempre existe uma saída. Às vezes, ela demora. Você tem que ter paciência. Tem que esperar o teu oponente fazer um erro. Não adianta você usar força. Às vezes, você tem que ficar parado ali e esperar. Ter paciência. Esperar o tempo que for, até aparecer a janela, né? Exatamente. Porque o teu oponente tem que te finalizar. Uma luta verdadeira, uma luta que a gente chama de... que acontecia antigamente, era uma luta sem tempo, sem limite. Então, uma luta que não tem tempo, quem ganha é quem finaliza, quem faz o teu oponente dar aqueles três tapinhas que você desiste da luta. Ou você fazer um estrangulamento que não dá. Ou desmaia. Então, assim, se você tá acordado ali, ele não ganhou.
Eron Falbo: [49:42] Mas antigamente, ele morre.
Ronis Gracie: [49:44] Então, você fica ali esperando até o teu oponente fazer alguma coisa. E quando ele faz o movimento dele, é quando você tem a sua brecha. Então, às vezes no mundo, eu me vi muito assim também no mundo de negócios, enfim, outras situações fora do tatame, que você está em uma situação que parece que não tinha saída, aí você fica ansioso, desesperado, você acha que tem que ter uma... Fazer algo para sair dali, você acaba fazendo uma besteira. Às vezes a melhor coisa é ter paciência e não fazer nada, continuar fazendo, assim, aquele trabalho do dia a dia, e confiar que em algum momento o teu oponente vai fazer o movimento dele, que vai te dar a tua brecha. Então esse foi um dos melhores aprendizados que eu acho que eu trouxe do tatame para a vida em geral. Pode usar isso em relacionamento, qualquer coisa. Cara, isso assim, não tenho nem como dizer quantas vezes isso me ajudou. Mas eu diria que foi o principal, se eu tivesse que escolher uma coisa que trouxe do tatame para a vida, fora do tatame, eu acho que seria essa: sair de situações, ter paciência e esperar, confiar que vai acontecer, sempre vai ter uma oportunidade para você sair dessas situações que parecem impossíveis de sair.
Eron Falbo: [51:00] Incrível, incrível, cara, incrível. Que ensinamento, puta que pariu.
Ronis Gracie: [51:04] E outra coisa muito importante, muito importante, que a gente aprende, principalmente quando a gente está treinando para campeonato, que é o seguinte: treinamento difícil, luta fácil. A gente sempre fala isso, né? Quanto mais forte, mais difícil é o teu treinamento, preparação para aquele campeonato, mais fácil o campeonato vai ser. Então, por exemplo, no mundo do negócio é a mesma coisa. Você tem que se preparar todo dia, ler o máximo possível, dar o máximo de si, trabalhar horas extras, se preparar o máximo possível para quando uma oportunidade aparecer, aí você vai abocanhar ela. É melhor você estar preparado para uma oportunidade, mas não ter nenhuma oportunidade, do que você não estar preparado e aparecer um monte de oportunidades na sua frente.
Eron Falbo: [51:54] E assim, no mundo moderno as pessoas ficam... a nossa geração, no geral, né, ficam muito decepcionadas que não aparecem as oportunidades, né? Então aí acabam indo para lá e para cá, mudando de profissão, e não têm essa sabedoria que você tá passando, que acho que é super válida e relevante para a nossa geração, né?
Ronis Gracie: [52:21] Acredito que não existe oportunidade para essas pessoas. Acho que elas é que não enxergam, porque elas não estão preparadas.
Eron Falbo: [52:28] Ou não estão preparadas, ou não têm capacidade de enxergar, têm uma certa miopia para ver a oportunidade, ou não têm uma certa fé ou sabedoria, pode ser. Você está falando de sabedoria, mas ao mesmo tempo precisa de fé, porque como é que você sabe que a oportunidade vai vir? Então você tem que ter fé que o mundo é assim, né? Você tem que ter fé que o mundo funciona assim. Então, tipo assim, o cara tá te estrangulando, você tem que entender que, tipo assim, ou ele vai te matar e aí você não tem escolha nenhuma, né? Ou vai abrir uma brecha, e você tem que ficar alerta pra essa brecha. E a vida é assim, né? Tipo, cara, tem gente que vai viver um certo tipo de vida, né? E o melhor que você pode fazer...
Ronis Gracie: [53:19] É aproveitar as oportunidades.
Eron Falbo: [53:21] Não adianta reclamar, não adianta chorar, não adianta... O melhor que você tem que fazer é ficar acordado para o momento em que a janela abrir.
Ronis Gracie: [53:30] Com certeza, eu concordo 100% com isso. Tem que estar sempre... Mas cada um é cada um. Tem pessoas que... Não todo mundo tem que ser igual, né? Então, assim, eu acho que a regra não se aplica para todos. Tem pessoas que querem relaxar, curtir mais a vida; outras gostam disso, eu faço, sim. Eu faço o que eu faço porque eu gosto, né? Para mim era muito mais fácil, na verdade, seguir o caminho de luta, ter minha academia lá, ter meus alunos confortavelmente, e eu estar ali fazendo um bom dinheiro, usufruindo do meu sobrenome, porque hoje, bem ou mal, ajuda muito. Você abre uma academia Gracie, as pessoas procuram essas academias; quando tem um Gracie dando aula, tem uma vantagem muito grande com a concorrência. O que a gente chama no mundo de negócios... tem até um livro que eu li chamado Unfair Advantage. Então esse livro fala disso, que no mundo de negócios tem que procurar essa Unfair Advantage. Então no jiu-jitsu, bem ou mal, todo Gracie acha que tem essa Unfair Advantage. Mas eu gosto do desafio, então eu quis escolher um caminho diferente, um caminho... não vou dizer nem mais difícil, mas eu vou dizer assim, diferente, que é um desafio diferente pra mim, né.
Eron Falbo: [54:49] Cara, acho que a gente pode terminar com... Antes de eu falar isso, você é filho da Flávia?
Ronis Gracie: [54:58] Não.
Eron Falbo: [54:58] Qual o nome da sua mãe?
Ronis Gracie: [55:00] Da Carla, desculpa.
Eron Falbo: [55:01] Só para confirmar isso, para registrar a genealogia. Então você é filho da Carla, beleza. Mas para a gente terminar, cara, eu acho que a sua família desenvolveu essa parada pegando uma pessoa que era pequena, que o Hélio Gracie desenvolveu, que era o menor dos irmãos. E depois... na verdade, o Royce era menor do que o Rickson, e o Royce foi colocado para ganhar o Ultimate Fighting... Ultimate Fighter.
Ronis Gracie: [55:34] É, o UFC. Ele ganhou os quatro primeiros UFCs.
Eron Falbo: [55:38] Ele ganhou os quatro primeiros UFCs, mesmo que o Rickson detonasse ele. Tipo, o Rickson era melhor que ele, mas a família colocou ele como o campeão para ilustrar o que era o jiu-jitsu. É isso que eu entendi.
Ronis Gracie: [55:52] Eu não tenho certeza de como foi escolhido, né? O que eu sei é que o Rickson estava lutando no Japão na época, e aí o Royce foi lutar nos Estados Unidos, no UFC. E assim, o Royce, cara... todo o mérito do mundo, porque ele foi muito corajoso. Porque, na verdade, ninguém sabia o que ele ia enfrentar, ninguém sabia que ele ia chegar atropelando todo mundo. Na verdade, era uma incógnita muito grande; o pessoal achava que os caras que até apareciam para lutar com ele eram gigantes.
Eron Falbo: [56:20] Mas é isso que eu estou falando, que é genial: já que não sabiam, colocaram o Royce. Não é verdade que todo mundo sabia que o Rickson ganhava do Royce?
Ronis Gracie: [56:29] É, não, tinha assim, o Rickson era o campeão da família, né?
Eron Falbo: [56:32] Então, é isso que eu tô dizendo. Mas aí a família pegou outro... o Ultimate Fighting Championship, que tava iniciando, ia ser o grande evento, né? E colocou... porque o Joe Rogan fala isso, né, que alguém falou pra ele que foi por motivos, assim, pra divulgar o jiu-jitsu. Isso não dá pra saber, porque, pô, tinha que estar lá na sala, né, na reunião de quem decidiu isso. Mas vamos pegar essa narrativa, vamos pegar essa lenda, que é muito bonita, entendeu? Que é tipo assim: você não sabe pra onde você tá entrando, você tá entrando numa selva, você tá entrando no escuro, e você tá falando, cara, o que vai ser mais bonito, entendeu? O que vai iluminar essa sala mais, sacou? E o que ia iluminar mais era mandar o Royce.
Ronis Gracie: [57:20] É verdade, é verdade, porque o Rickson era forte, o Rickson era um cara forte.
Eron Falbo: [57:24] É, o Rickson... podiam falar: não é porque o jiu-jitsu é bom, não é porque ele tinha aprendizado, mas porque ele era um monstro.
Ronis Gracie: [57:31] É, o Rickson é um adversário, o Royce já tinha um tipo físico diferente, que eu acho que ia provar mais esse ponto da superioridade da arte marcial. Tem razão total nisso.
Eron Falbo: [57:41] Então, cara, acho que essa é a mensagem da nossa conversa aqui hoje. É tipo, cara, não se importa com o seu tamanho, não se importa com o quê. Mesmo assim, você tá falando essas coisas vindo de uma família privilegiada, né? Só que mesmo assim, você está vindo aqui com humildade, você está vindo aqui apresentando essas ideias. Você não é um playboy, você não é um cara que se acha. Todo mundo que viu isso aqui hoje está vendo de onde você está vindo, como eu estou vendo, como eu vi no primeiro dia que eu te conheci, entendeu? Por isso que a gente é amigo. Mas isso é bonito, entendeu? E a sua família tem isso, de mandar a beleza para o mundo, mandar a luz para o mundo e não ganhar. Porque se quisesse ganhar, ia ter mandado o Rickson. Se quisesse garantir a vitória, ganhar dinheiro, fama e qualquer coisa assim, e garantir para os bisnetos, manda o Rickson. Só que mandar o Royce foi um risco. Eu acho que essa é a grande mensagem. Essa coragem interior de fazer isso é sem palavras.
Ronis Gracie: [58:48] Você tem razão, eu concordo 100% com isso.
Eron Falbo: [58:52] Porra, bicho, obrigadão, cara.
Ronis Gracie: [58:55] Já que tá finalizando, gente, vou também agradecer você ter me convidado para o programa, foi um prazer, enfim. E você também se tornou um grande amigo, né, nesse nosso... nesse tempo aí que a gente se conheceu. Você, inclusive, é um cara muito interessante. Eu acho que deveria ter uma live também, que você deveria convidar alguém, e esse alguém ia te entrevistar e falar sobre você.
Eron Falbo: [59:16] Mas eu falo muito, porque eu não deixo ninguém falar.
Ronis Gracie: [59:20] Porque você é um dos caras mais interessantes também que eu já conheci. Então, assim, eu acho que tem muito... Eu não sei se você já fez isso alguma vez, você já fez uma live sobre você?
Eron Falbo: [59:29] Não, não. Nem pretendo, senão vai sair muito podre.
Ronis Gracie: [59:36] Mas a galera quer escutar o podre, entendeu? O que dá e bota.
Eron Falbo: [59:40] Cara, obrigadão, cara. Suas palavras me honram, assim. Cara, mais do que muita gente, muita celebridade com quem eu já conversei aqui, tipo... Porque eu sei que, pô, você já viu muita coisa e, cara, eu conheço o seu coração e, pô, é uma grande honra estar com você aqui. É isso, bicho, muito obrigado. Vamos se ver. A gente estava entrancoso, mas vai ser outra vibe aqui. Esses próximos dias aí vamos descansar no Rio de Janeiro. Vamos descansar nossas férias, perrengue.
Ronis Gracie: [1:00:10] Sem polícia parando as festas.
Eron Falbo: [1:00:16] Cara, foi perrengue pra caramba. Era gente demais pra uma cidade muito pequena, né?
Ronis Gracie: [1:00:22] Foi a primeira vez que eu fui pra lá. Eu realmente falei, essa cidade não tem infraestrutura pra suportar esse número de pessoas. Apesar de tudo, eu gostei, foi divertido, mas realmente, muito trânsito.
Eron Falbo: [1:00:34] É importante que a gente tava junto, né, pô. Tava as pessoas certas juntas, porra. O Jeff é um ser iluminado também, um abraço pro Jeff, vai.
Ronis Gracie: [1:00:43] Ficar aqui no Rio, vamos sair junto.
Eron Falbo: [1:00:45] Manda um abraço pra ele, porra. Galera muito fera, cara, muito, muito prazer mesmo. E, porra, agradeço a Deus por te
Ronis Gracie: [1:00:51] Conhecer! Imagina, eu que agradeço. Valeu, bicho!
Eron Falbo: [1:00:55] Valeu, boa noite a todos e à galera que mandou pergunta. Desculpa, cara, a gente entrou na onda aqui... Mandaram perguntas na caixinha, um especialmente que mandou pergunta, o Maurício Branco: relaxa que você conhece, eu já apresentei vocês dois, depois faz a pergunta pessoalmente. Valeu, pessoal, boa noite, tudo de bom.
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