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Eron Falbo: [0:06] Alô, alô. Sejam bem-vindos para a entrevista com a Fernanda Venturini. Olá, Fernanda, tudo bem?
Fernanda Venturini: [0:13] Tudo bem, você?
Eron Falbo: [0:16] Graças a Deus, tudo certo. Estamos aqui com a Fernanda Venturini, que é reconhecido nacional e internacionalmente pela sua atuação na seleção brasileira de vôlei, campeã espanhola, bicampeã mundial de clubes, 12 vezes campeã brasileira. E já disputou quatro Olimpíadas e foi medalhista na Olimpíada de Atlanta. Bom, tem vários outros títulos aí que a gente não precisa listar todos, tem na página do Wikipédia. Tem algum lugar na internet que tem todos os seus títulos mesmo? Você já leu sua própria Wikipédia?
Fernanda Venturini: [0:54] Achei, no Wikipédia, que tem. Já viram isso? Acho que tem, sim.
Eron Falbo: [1:00] É, deram uma verificada se estava acurado.
Fernanda Venturini: [1:05] Tem fãs que sabem mais do que eu, pra você ter uma ideia.
Eron Falbo: [1:09] Que maravilha. É tipo os Beatles, que não sabiam as faixas dos próprios discos. E assim, eles têm beatlemaníacos, né? Tipo, gente que sabe tudo de cor.
Fernanda Venturini: [1:21] Exatamente.
Eron Falbo: [1:23] É incrível. Então, Fernanda, obrigado por aceitar o nosso convite para participar do programa. A Fernanda, desde que eu conheci ela, foi sempre uma pessoa muito simples. Até brinquei com ela quando eu conheci, porque eu morei muito tempo fora do Brasil, então eu não reconheço tão bem.
Fernanda Venturini: [1:46] Não sabia nada da minha vida, gente. Não sabia nada da minha carreira. Olha que fracasso.
Eron Falbo: [1:51] Não é só isso, não. Eu não te reconheci no momento. Pelos ares, você é uma pessoa super simples, tranquila e serena. Passou uma... não sei, uma energia de acolhimento, de que você é receptiva para as pessoas. E eu nunca podia imaginar, porque às vezes você sente com a pessoa quando ela sabe quem ela é, com quem ela está lidando e tudo mais. E parece que você é bem madura nesse quesito. E eu achei muito legal isso.
Fernanda Venturini: [2:28] Deixa eu mexer na minha internet aqui. Deixa eu ver só um negocinho.
Eron Falbo: [2:31] Tá bom. Vou botar um vinho aqui para mim.
Fernanda Venturini: [2:36] Tá ótimo. E eu vou pegar minha água. Eu falei que vou levá-lo para fazer esporte. Você faz equitação, não é?
Eron Falbo: [2:47] Equitação e tênis.
Fernanda Venturini: [2:48] Vou levá-lo para fazer vários esportes de praia.
Eron Falbo: [2:51] Equitação é esporte sedentário. Você fica sentado...
Fernanda Venturini: [2:57] Fala a sua idade. Ele é novinho, gente. Vê se pode. Fala a sua idade.
Eron Falbo: [3:02] Minha idade é de 35 anos. Eu tenho que me apresentar para os seus amigos também, para os seus seguidores, seus amigos, que estão assistindo também. Eu sou o Eron Falbo. Eu tenho muitas coisas para contar, mas acho que esse não é o lugar certo. Bom, eu já fui músico, sou do mercado financeiro atualmente, e desde março eu comecei a fazer essas entrevistas para dar um pouquinho de luz do que eu posso dentro do meu círculo de amizade, para contrabalancear a Covid, as más notícias que a gente tem recebido. E, graças a Deus, tem dado muito certo, as pessoas estão gostando e está crescendo. Então, resumidamente, estamos fazendo esses programas, convidando pessoas iluminadas, como a Fernanda Venturini, para contribuírem, para termos conversas casuais, tranquilas, e, no meio da conversa, surgem coisas inspiradoras para as pessoas que estão assistindo, para sempre batalharem, sempre pularem os obstáculos, para aqueles que fazem equitação.
Fernanda Venturini: [4:22] Ele morou no mundo inteiro. Fala um lugar só que você morou. Agora que ele está de volta para o Brasil.
Eron Falbo: [4:28] Eu moro no Rio há um ano. E passei os três anos anteriores, Israel e depois Londres, Hungria. Bom, tem uma lista maior do que isso, mas os últimos lugares foram esses. Mas vamos voltar para você, se você não se importar. Eu estou um pouco encabulado. Mas assim, eu acho que uma das coisas que você me falou que eu achei mais legal é que você está se interessando muito ultimamente pela saúde de outras pessoas e como você pode pegar tudo que você adquiriu durante os anos, não só como atleta, mas também se foi casada com o Bernardinho, que é um grande exemplo de coach, de treinador para tantas gerações do esporte brasileiro. Então, acho que você tem mais do que muita gente para contribuir nessa questão de como cuidar de si, cuidar do corpo, ter uma vida mais saudável. Eu até te pedi algumas dicas. Então, não estou falando por falar, porque eu acho que realmente nós todos gostaríamos de ouvir. Então, eu queria que você pudesse falar um pouquinho do que... por que você está focando tanto nisso agora? O que te inspirou a fazer esse tipo de trabalho?
Fernanda Venturini: [6:06] Então, Eron, o vôlei de alto rendimento não é um esporte saudável. O esporte saudável é aquele que você faz no final de semana, é aquele esporte que você faz mais para a recreação. Agora, o esporte de alto rendimento machuca muito as articulações, os joelhos, o pescoço, enfim, que você usa muito. E aí, quando eu parei de jogar, a minha última temporada, que foi aqui no Rexona, no Rio de Janeiro, foi caótica, porque quando eu dobrei o joelho no primeiro treinamento, eu descobri que eu tinha condromalácia nível 4. E condromalácia nível 4, se você for em qualquer cirurgião aí, no ortopedista, é operação, botar prótese, papapá... Aí fiz uma temporada que, como eu não gosto, porque eu sei que você só faz uma coisa bem feita quando você treina, ou quando você estuda muito pra passar numa prova, quando você trabalha muito pra ganhar um trabalho. Enfim, isso é assim na vida. Você tem que se dedicar muito para fazer uma coisa bem feita. E aí, depois que eu parei de jogar, eu falei, gente, agora fiquei depressiva, porque eu não conseguia mais fazer esporte, que é o que eu amo fazer. Eu não conseguia mais... Eu morava num triplex ali na Lagoa. Tivemos que vender o apartamento, porque subir escada e descer escada era dor no meu joelho. Então, assim, aí eu falei, poxa, tem que ver o que eu vou conseguir fazer. E nessa época, que eu usava um implante hormonal, que 90% das mulheres hoje usam, que é um chipzinho que põe na bunda. Aí você bota na bunda um ano, depois na outra bunda outro ano, e vai fazendo uma marquinha na sua bunda.
Eron Falbo: [7:43] Se a gente tivesse na Globo, você ia ter falado bumbum, eu aposto.
Fernanda Venturini: [7:48] Exatamente. E aí, o que acontece? Nisso, quebrou uma pontinha de um dente meu, e eu fui numa amiga minha que é dentista, doutora Viviane, que é aqui na Barra. Ela falou: Fernanda, vai ter um curso em São Paulo, é de um cearense, doutor Marco Botelho, e ele é contra esse implante que você usa na bunda. Eu falei: Oi? Então vou lá. Falou que quebrou o seu dente por causa do seu implante. Eu falei, e meu mindset é muito aberto: se você falar para mim, Fernanda, tome essa...
Eron Falbo: [8:22] Você quer aprender coisas novas e expandir, crescer.
Fernanda Venturini: [8:26] Exatamente. Eu não vejo uma coisa que você vai me oferecer e vou falar assim: não, não acredito nisso. Não, vou tentar: se for bom para mim, eu trago para a minha vida; se for ruim, eu passo para frente. E aí, nós fomos para São Paulo em abril do ano passado, e no primeiro curso, que foi sábado e domingo, eu aprendi tudo do corpo humano: o que faz bem para o corpo humano, o que faz mal, o que faz você envelhecer, o que não faz você envelhecer, o que é bom comer, o que não é bom comer. Na segunda, eu estava tirando o meu implante da bunda e estava fazendo essa reposição hormonal, que é desse Marco Botelho, que hoje estou ajudando centenas, acho que já posso falar centenas, mais de 100 pessoas já ajudei.
Eron Falbo: [9:07] E isso aí é uma coisa que muita gente usa, porque eu nem tenho bunda, entendeu? Eu não entendo esse tipo de coisa. Mentira, eu não sei dessa coisa de autosport, pessoas que estão nessa...
Fernanda Venturini: [9:23] Mas isso daí, Eron, não é para esportes, isso aí é para a vida. A gente é o quê? A gente é um carro. Quando você tem 18, 20 anos, a cabeça está bonita, a pele está bonita. Por quê? Porque os hormônios esteroides estão em alta. Com o passar dos anos, você vai gastando, vai comendo errado, vai bebendo uma coisa que não deve. Aí você vai envelhecendo, vão chegando as doenças. Aí as doenças te levam para os remédios, te levam para a farmácia. E depois você morre. Essa é a ordem natural das coisas. E esse médico, esse doutor, que é dentista, ele descobriu que, repondo os hormônios esteroides, quando você tinha 18, 20 anos, você rejuvenesce, as suas dores passam e tudo melhora, porque os seus hormônios vão ficando assim, o samba do crioulo doido. E aí o que aconteceu? Aí eu comecei a fazer o negócio, eu tomava antidepressivo, em três semanas eu larguei meu antidepressivo, para você ver como o negócio é poderoso. Aí o seu corpo vai ajustando, vai ajustando, vai ajustando. E aí eu fiz o segundo curso dele, fiz o terceiro curso, o quarto curso dele foi sobre câncer. O que é câncer? Resumidamente, é a inflamação da célula. O que inflama a célula? O carboidrato e o açúcar. Então, se você tira do seu corpo as coisas que inflamam o seu corpo, você vai tirando as doenças, as doenças vão sanando. Você vai emagrecendo, eu emagreci muito porque eu não como mais nada que inflama o meu corpo, entendeu? Então, assim, depois que eu tive consciência de que, fazendo isso tudo, ia melhorar, eu comecei a fazer. Hoje eu faço ozonioterapia, que é sensacional. Hoje eu faço GH, que é o hormônio do crescimento. Mas eu não tenho mais dor, sabe?
Eron Falbo: [11:06] É tudo baseado, vamos dizer, em um estudo do sistema hormonal, e que comidas... Estou tentando resumir, mas me corrija se estiver errado. Que comidas afetam o equilíbrio do sistema hormonal e como trazer um reequilíbrio hormonal para... E por que você tem Alzheimer?
Fernanda Venturini: [11:32] Por que você tem Parkinson? É porque tá faltando hormônio, tá faltando o principal hormônio do corpo humano, que é a testosterona, entendeu? Testosterona e vitamina D são um excelente antidepressivo. Quem tá depressivo tem que procurar isso. Se alguém aí que tá vendo, ou lá dos seus amigos, quiser me procurar, tem problema, doença na família, pode me procurar, já tô assim, craque, eu mando pra doutora Sibeli, que é uma dentista que faz a minha modulação, e a gente tá ajudando muita gente. É incrível, gente, vocês não têm noção da vida da pessoa. Hoje eu posso fazer esporte, hoje eu pedalo, jogo frescobol, faço stand-up, malho, sem dor. Isso não tem preço, pra quem gastou tanto corpo humano jogando... Eu fiz 50 anos, né, querido? Você tem 35, eu acabei de fazer 50, né?
Eron Falbo: [12:21] E como é que é essa coisa do esporte? Na verdade, eu confesso que acho que nunca tive uma oportunidade de conversar com um atleta com tanta carreira, tão, vamos dizer, no topo do topo mundial assim do esporte, e como foram esses anos todos. Como é que foi a diferença corpórea? Tipo assim, desde o início, lá quando você estava começando, como você treinava, como você foi sentindo essa evolução, e como você foi lidando com isso, com essa evolução do seu corpo, e as diferenças no treinamento e na performance.
Fernanda Venturini: [13:02] É, mas quando eu comecei a fazer a modulação, eu já tinha parado de treinar vôlei, né? Aí eu tava fazendo os outros esportes que eu faço. Então, hoje eu vejo assim: na musculação, que eu sentia dor no joelho, no agachamento, hoje eu não sinto. Pedalar, subir o Cristo Redentor, subir a Vista Chinesa aqui no Rio, eu não sinto. Então, assim, eu fui vendo, eu falo pro Dr. Marco Botelho: ai, Dr. Marco, se não apareceu dez anos atrás, né? Que daí eu já teria melhorado minha vida no vôlei, melhorado tudo.
Eron Falbo: [13:30] Mas, assim, você teria tido coragem na época do vôlei? Porque uma coisa é quando você está mais tranquila e experimenta coisas novas, mas na época do auge, em competição, tendo que jogar uma final, você teria parado para escutar uma pessoa nova ou não?
Fernanda Venturini: [13:47] Eu acho assim, se não atingisse o doping, eu faria, com certeza. Tanto é que várias vezes jogadoras da minha seleção já estão fazendo modulação. Estão vendo que faz tão bem para mim que elas me procuram e estão fazendo. Só que aí o que acontece? Tudo é na cabeça, a cabeça que comanda tudo. Aí a pessoa fala assim: mas vou deixar aquele meu macarrãozinho, aquela lasanha, eu vou deixar o meu vinho, eu vou deixar de comer meu pãozinho de manhã. Entendeu? Isso que inflama o corpo. Então, se você quer fazer o negócio, se você fizer modulação e alimentação junto, vai ficar um espetáculo. Agora, se você fizer modulação e comer meio errado, você não vai ter tanta coisa boa como se você estivesse fazendo, desinflamando o seu corpo. Lógico, eu vou lá no meu restaurante, que eu sou sócia do Pozzi, como uma entradinha que tem um pãozinho, tomo um sorvetinho, como um chocolate. Também você não vai cortar, você não vai parar de comer tudo na sua vida, entendeu? Mas você tem que regrar para poder desinflamar o corpo.
Eron Falbo: [15:00] Falando nisso, o Pozzi é maravilhoso. É um dos melhores restaurantes que eu fui, em termos de culinária mesmo, comparado a qualquer Michelin. Eu não sei se tem Michelin lá, mas qualquer Michelin. Muito bom, parabéns aí pela conquista de vocês. E assim, sobre... Se você puder continuar, a coisa de como a diferença de treinamento do início da sua carreira para hoje em dia, que esse é um assunto que acho que a gente pode explorar um pouco.
Fernanda Venturini: [15:35] Então, no início, quando o Bernardo chegou na seleção, que foi quando o vôlei mudou da água para o vinho, a gente perdia, perdia para o Peru, perdia, perdia, a gente começou a ganhar, ganhar, ganhar. Ali ele veio com uma metodologia nova, com o Zé Inácio, que era, na época, nosso preparador físico, de muita força, porque para jogar com Cuba, só se tivesse força, se você saltasse mais, porque as cubanas já são grandes, são muito fortes, já são muito altas. E aí foi quando a gente começou a malhar, muito malhar, fazer muito agachamento, o salto do plinto, correr muito. Hoje em dia não se corre mais. Hoje em dia a preparação física é toda na quadra, com circuito, musculação e circuito com bola. Agora, na nossa época, a gente sofria carregando peso, agachamentos com pesos altíssimos. Então, assim, mudou muito da geração passada, né?
Eron Falbo: [16:30] O jeito que se treina.
Fernanda Venturini: [16:32] O jeito que se treina.
Eron Falbo: [16:33] Tem muita tecnologia nova também, acho que deu um boom muito grande nos últimos 20 anos com nanotecnologia, internet, monitoramento, esse tipo de coisa.
Fernanda Venturini: [16:47] Hoje em dia se machuca menos, você não causa tanto atrito no seu corpo, você economiza isso. Já, se você não corre, não dá pique, já alivia o seu joelho. Então, hoje é muito mais pensando... E...
Eron Falbo: [17:02] Por que você não corre e não dá pique? O que mudou nesse sentido? Por que você se machuca menos?
Fernanda Venturini: [17:07] Meus joelhos já são joelhos de 50 anos, né?
Eron Falbo: [17:10] Não, tô dizendo no treino no geral. Por que as pessoas se machucam menos?
Fernanda Venturini: [17:15] Porque acham que a corrida atrapalha... É questão de estudos, né? Os estudos foram se adaptando ao vôlei, e aí os preparadores físicos... Eu acho que o circuito na quadra, que você faz aquela coisa rápida, rápida, rápida... Ah, você...
Eron Falbo: [17:29] Não faz mais tempo.
Fernanda Venturini: [17:32] Para o tipo de jogo, que a bola vai e volta, vai e volta. Então isso está muito específico para o vôlei, a preparação física.
Eron Falbo: [17:42] Estou tentando entender, porque eu não sou muito do esporte, então estou representando também o esporte de time. Sou do esporte individual, um contra um, tênis. De time, eu estava até conversando com uma amiga hoje sobre isso, como deve ser diferente, né, competir em time, você ter parceiros de equipe, esse tipo de coisa. Eu não sei se você já fez algum esporte... Ah, você já competiu em ciclismo, não?
Fernanda Venturini: [18:18] Não é competir, mas é bem diferente. Você tem que trabalhar em equipe, mas você trabalha muito mais individualmente, é você. Você tem que trabalhar, mentalizar a sua força individual. É você contra você mesmo. E no coletivo, não, você divide. Se você não está bem hoje, a outra te ajuda. Então é assim, é mais tranquilo do que você fazer um esporte individual, com pressão, com tudo. Eu acho que o esporte coletivo te traz mais possibilidades. E aí eu acho mais legal.
Eron Falbo: [18:55] Entendi. E me conta dessa coisa que hoje você está se dedicando mais em termos de esporte, pelo menos para o ciclismo, né?
Fernanda Venturini: [19:03] É, ciclismo, frescobol e stand up. Nada extremista. Eu gosto de subir a Vista Chinesa de vez em quando, vou no Cristo Redentor, pode ver. Sabe aquela... Quem poupa tem? Eu tô na fase de quem poupa tem. Então, vamos poupar. Não quero mais competir. Sabe assim, eu quero me divertir.
Eron Falbo: [19:22] Tá se preservando, né?
Fernanda Venturini: [19:23] Pra... viver longe, né?
Eron Falbo: [19:25] Pra não ter lesão, né? Deus a livre.
Fernanda Venturini: [19:28] A pior coisa deve ser quando você envelhece e os seus netinhos começam a nascer e você não tem condições físicas para brincar com eles. Você vê que a maioria dos velhos não consegue abaixar, não consegue jogar bola, não consegue. Então eu quero ser uma avó presente, que eu possa levar para jogar bola, para poder fazer as coisas, entendeu? É uma modulação da terceira idade, é muito legal, porque te traz isso, você ter condições para poder estar melhor, não depender de ninguém. Porque a pior coisa é você precisar depender do enfermeiro, precisar de uma bengala, precisar de uma cadeira de rodas. Acho que isso não tem preço. Ninguém pensa lá na frente. A pessoa pensa no hoje, mas não pensa que lá na frente vai acontecer isso, vai continuar inflamando o seu corpo, continuar pegando essas doenças, não equilibrando os seus hormônios. Vai acontecer o que você vê em 90% da população.
Eron Falbo: [20:30] Como foi para você essa coisa psicológica de ganhar competições tão importantes de nível mundial? Como você lidou com isso no início e depois, como você se acostumou com isso ou não? O que você sentiu nesses anos?
Fernanda Venturini: [20:51] Eu nasci em Araraquara, mas morei em Ribeirão a partir dos 6 anos. Com 11 anos, entrei na escolinha, que o médico achou que eu tinha uma escoliose, que eu precisava jogar, fazer um esporte. Eu gostava já do vôlei. E a minha mãe me colocou na escolinha lá do Roger, meu primeiro técnico, na cava do Bosque. E, rapidamente, fui me adaptando, fui gostando e fui evoluindo. Com 12, 13 anos, já jogava no time da cidade. Com 15 anos, o São Paulo me chamava para jogar lá, o Pão de Açúcar, e o time de Ribeirão tinha acabado. Falei: mãe, e agora? Posso ir para São Paulo? Com 13, ela não deixou, mas com 15, ela deixou. Fui morar em São Paulo sozinha, com uma menina de Ribeirão e uma menina de Brusque. E aí, com 15 anos, eu atacava, comecei atacando, depois virei levantadora, com 17 anos. Aí a gente estudava de manhã e treinava à tarde. Aí depois, na primeira Olimpíada, com 17 anos, eu já fui convidada para a seleção adulta. Eu fui para Seul, jogar a Olimpíada de Seul. Depois, em 92, em Barcelona. Em 96, na Atlanta. Então, o que aconteceu? Eu sou escorpião duas vezes, não basta assim, eu sou duas. Então, eu sou muito determinada, eu quero aquilo, eu quero isso.
Eron Falbo: [22:12] Você é ascendente escorpião também?
Fernanda Venturini: [22:14] Não, meu ascendente escorpião também é a Lua e o Leão. Então, eu queria ser a melhor da cidade, eu consegui. Eu queria ser a melhor do meu estado, eu consegui. Daí eu queria ser a melhor do meu país, aí eu queria ser a melhor do mundo.
Eron Falbo: [22:26] Mas a primeira notícia, assim... Porque certamente teve um corte da equipe onde você foi anunciada, como se ela vai para as Olimpíadas. Houve alguma notícia? Não teve um divisor de águas, ou sempre foi... Estava numa crescente e não percebeu muita diferença?
Fernanda Venturini: [22:50] Estava em uma crescente, ganhei dois Mundiais Juvenis, um no ICU, em 87, que fui atacando, e o segundo, em 89, no Peru. Aí, no Peru, já estava levantando. Quando cheguei no Brasil, tinha no time da Sadia, lá em São Paulo. Aí, o Hinaldo Manta, que já é falecido, falou assim: Fernanda, você vai levantar. O primeiro torneio que eu tinha jogado era o Mundial, e aí ele falou, ele tentou: vou botar a Fernanda num time, era na Moza, era a peruana Cecília Tait, era a Ida, era um time máximo. E aí nós ganhamos tudo, ganhamos tudo, três anos ganhando. Então, eu nunca tive medo. Medo é uma palavra que não existe no meu dicionário. Tenho medo de nada e não nada. Porra, tinha que jogar com as cubanas. Vambora, vamos jogar.
Eron Falbo: [23:39] E você sentiu que isso te ajudou na sua vida, em outros âmbitos, na vida pessoal?
Fernanda Venturini: [23:47] Eu acho que a gente tem... como filhos, né? Você tem filhos, né? Você falou que tem dois filhos.
Eron Falbo: [23:52] Tem dois filhos.
Fernanda Venturini: [23:52] A gente não pode chegar para o filho e falar assim: não vai ali que o bicho vai te pegar. Não vai dormir de luz acesa, senão vem o lobisomem. É a pior coisa. Você cria filhos inseguros, aí o filho vai ficar com aquele negócio de uma pulga atrás da orelha. Então, você tem que incentivar: vai sim, vai dormir no escuro, não tem nada, entendeu? É o jeito de você lidar. E eu fui assim, eu fui crescendo assim, minha mãe nunca botou medo de nada. E isso importa. Sim.
Eron Falbo: [24:24] E se o lobisomem... Na verdade, não é que não existe lobisomem. Se o lobisomem vier, você vai ganhar dele, né? Você vai derrotar ele.
Fernanda Venturini: [24:31] Exatamente. Se o lobisomem vier, a gente mata o lobisomem.
Eron Falbo: [24:39] E tá bebendo água, né, você falou. Porque, assim, eu me interesso muito sobre esse assunto de como... Eu te expliquei que eu, na minha vida pessoal, eu me abri recentemente pra jogar competições esportivas, né, que é uma coisa que durante 20 anos eu não fazia, eu já tinha feito quando tinha 14 anos. Mais de 20 anos eu não faço competição esportiva. E recentemente eu falei: "Pô, vou me expor a isso, vou abrir." E foi super difícil, né? Porque você tem que... Agora você tá me falando que você nunca passou por essa diferença, que você estava sempre lá, né? Mas eu acho que uma pessoa que nunca fez isso, ela sente uma resistência psicológica muito grande, né?
Fernanda Venturini: [25:25] Saída da zona de conforto, né? É a parte.
Eron Falbo: [25:29] É, e a possibilidade de errar, de perder, de ser rejeitado, né? Agora eu estou bem aqui na minha vida, como executivo, como outra coisa, e por que eu vou me expor a uma nova arena onde eu não domino, onde eu não sou o melhor? Então, faz quanto tempo você está fazendo ciclismo?
Fernanda Venturini: [25:52] Já tem... Desde que parei, tenho 42, há uns sete anos já. Mas estou dizendo assim, o que acontece? As pessoas se autossabotam. Porque ela fala assim: "Mas se eu for ali jogar o negócio, vou pagar um mico." Muita gente deixa de tentar uma coisa nova com medo de se expor, com medo de passar vexame. Em vez de pensar: "Eu vou, se eu errar, errei, não estou nem aí se a pessoa vai achar que eu estou errada, que estou fazendo sei lá o quê." Então, acho que as pessoas são muito assim: "Mas o que o outro vai pensar?" Para de olhar para o outro e olha para você, sabe?
Eron Falbo: [26:33] E também, às vezes, entender o quanto faz bem a autossuperação, e não a superação de outra pessoa. Tipo assim, você está num nível em qualquer esporte, você tem uma medida, você tem um ranking, uma competição, alguma coisa que te dá uma medida externa de onde você está, não de outra pessoa. A medida externa é assim: como se você tivesse aquelas boias que ficam na água, se você estiver velejando, elas te dão uma noção de distância, porque senão o mar é tudo igual. Se você ficar velejando sem aquela boia, você não vai saber o quanto você percorreu. Então, se você não tiver um marcador externo para saber o quanto você ganhou, o quanto você conquistou, é muito difícil você dar valor a isso pessoalmente, você fica no mar aberto. É isso que eu senti entrando em competição. Essa questão não é pelo troféu, não é por ganhar de outras pessoas.
Fernanda Venturini: [27:39] É a conquista pessoal.
Eron Falbo: [27:41] Eu ganhei de mim mesmo. Eu era um tenista inferior a mim mesmo e agora sou... Eu fui treinar, às vezes eu não queria acordar para ir jogar tênis, mas eu fui. Isso é legal, dá um senso de satisfação.
Fernanda Venturini: [28:00] Você se orgulha de você mesmo, uma coisa assim.
Eron Falbo: [28:06] E isso te ajuda, é isso que eu estava te perguntando, te ajuda em outras coisas, te dá um combustível para você, de repente, falar com as suas filhas de uma forma mais autoconfiante, com mais amor à vida, com energia, com boa vontade.
Fernanda Venturini: [28:25] É, com certeza. Meu próximo esporte agora é kitesurfing. Eu sei que é muito difícil, mas eu vou tentar. O máximo que vai acontecer é eu cair lá no meio do mar e alguém me resgata, tranquilo, tô bem aí.
Eron Falbo: [28:38] É isso que eu tô vendo: você chegou tão longe no vôlei e você tá disposta a botar a cara em novos esportes, né?
Fernanda Venturini: [28:46] Exatamente.
Eron Falbo: [28:47] Ou seja, essa é uma energia aí que você tem pra sempre, que tá dentro de você, né?
Fernanda Venturini: [28:51] Graças a Deus. Nossa, eu não tenho noção. Agradeço todo dia ao meu papai do céu essa energia que eu tenho. Os hormônios me trouxeram isso de volta, porque eu acho que eu ia ficar depressiva e ia querer me matar se eu não pudesse fazer metade das coisas que eu faço, que é muito bom. Até quadro pra todo mundo, tem 162 pessoas vendo. Gente, vocês tomam vitamina D, né? Façam o exame de vitamina D. Vitamina D é vida. Se vocês não sabem, todo mundo que morreu teve a vitamina D abaixo de 20. Então, você tem que ter mais de 20, tem que ter mais de 30, mais de 40. Mais de 40, você não vai nem sentir o sintoma do Covid.
Eron Falbo: [29:33] Eu acabei de fazer um teste no médico e eu tô com vitamina D baixa, coincidentemente. Eu não lembro o número, porque eu só escutei o baixo e pra mim foi o suficiente.
Fernanda Venturini: [29:46] Pode suplementar, gente. Filhos, todo mundo tem que suplementar, é incrível. Comece pelos assuntos do doutor Cícero Coimbra, procura no Google: Cícero Coimbra.
Eron Falbo: [29:57] Esse é o cara do hormônio, ou ele é o cara especialista em vitamina D?
Fernanda Venturini: [30:00] Da vitamina D. Ele é muito bom.
Eron Falbo: [30:05] Então você está se interessando muito por essa coisa do orgânico, tipo, balancear o corpo e manter, como você falou, o carro funcionando, trocando óleo.
Fernanda Venturini: [30:20] Basicamente é isso mesmo. E aí, ajudando as pessoas, porque as pessoas são muito... A gente cresceu ouvindo o quê? Que o hormônio dá câncer, né? Você ouve muito isso: "Ah, mas o hormônio dá câncer." Se desse câncer o hormônio, você morria com 18, 20 anos, que é quando o corpo está com mais hormônio, né? É simples, gente. A matemática é simples, não é complicado, qualquer um entende, não precisa nem escrever. Mas, estou dizendo... Então, assim, se a gente inflama o corpo, a gente tem que desinflamar, porque o que inflama... É mais fácil falar assim, Eron: você pode comer tudo que vem da natureza, o que vem do mar, peixe, frango, carne, tudo, com a gordura. Agora, comer coisa industrializada, você tem que parar de comprar coisa do Zona Sul, parar de comprar coisa do Pernambuco. É simples assim, gente, não tem mágica.
Eron Falbo: [31:15] Bom, eu estou um pouco longe desse ideal, mas, na verdade, é um bom exemplo. Como eu estou assim... Você sabe que eu não sou exatamente sedentário, eu faço esporte pelo menos cinco vezes por semana, que é mais do que a média, vamos dizer. Mas eu, que estou semissedentário comparado com você, o que você diria para mim em termos de step by step, passo a passo, de como ir melhorando a saúde, pensando nos hábitos, psicologicamente, sem você... Porque, também, por exemplo, se eu começar a fazer coisa demais, eu também vou queimar o sistema nervoso e vou... Vou piorar ainda mais, vou começar a sair todo dia para beber.
Fernanda Venturini: [32:07] Não, eu acho que as pessoas têm... Quem está muito acima do peso, a melhor coisa para começar é fazer um jejum. Jejum, pelo menos assim: cortar o café da manhã e almoçar direto, sabe? Você janta 8 horas da noite, aí passa o café da manhã e vai comer só ao meio-dia, 1 hora da tarde.
Eron Falbo: [32:29] Jejum intermitente, né?
Fernanda Venturini: [32:31] O jejum intermitente é a melhor coisa pra emagrecer. Se vocês não sabem, quem faz jejum pode beber água com limão, café sem açúcar, chá sem açúcar durante o jejum. E pra quebrar o jejum, quando você for almoçar, você tem que tomar uma água com limão pra poder acordar o intestino, fazer o negócio funcionar. Então, assim, é incrível o resultado do jejum na vida dos gordinhos, quem precisa emagrecer. Eu fazia jejum de 16 horas, mas tive que parar, porque agora já estou muito magra.
Eron Falbo: [33:03] Eu fazia de 16 horas também e era muito bom. Na verdade, eu acho que eu vou declarar agora publicamente que eu vou voltar a fazer, só porque você me inspirou.
Fernanda Venturini: [33:14] E no primeiro dia você sente uma fomezinha, no segundo uma fomezinha, no terceiro você não sente mais. Você fala: opa, o negócio é bom, bebe água, tá com sede, tá com fome, bebe água.
Eron Falbo: [33:25] E você já fez jejuns maiores, não? Jejuns mais espirituais, não?
Fernanda Venturini: [33:30] No Réveillon desse ano, eu fiz 24 horas. Esses espirituais de três dias, é ótimo, mas não dá pra fazer.
Eron Falbo: [33:39] Você passa nessas coisas, você fica sem falar também?
Fernanda Venturini: [33:42] Nossa! Imagina ficar sem falar.
Eron Falbo: [33:48] Mas você gosta um pouquinho de horóscopo, né?
Fernanda Venturini: [33:51] Adoro, adoro. Ascendente, lua, cartomante, tarô, todas essas coisas eu gosto.
Eron Falbo: [33:59] Bom, a gente normalmente não pensa em esportista fazendo horóscopo. Mas você sempre fez ou depois descobriu?
Fernanda Venturini: [34:12] Sempre gostei, sempre gostei. Cartomantes, eu sei, no Brasil inteiro. Toda cidade que eu morava tinha uma cartomante e eu ia lá.
Eron Falbo: [34:20] Olha, eu estava fazendo aqui, antes da gente conversar.
Fernanda Venturini: [34:24] Ah, é? Você faz o quê?
Eron Falbo: [34:25] Eu estava fazendo tarô.
Fernanda Venturini: [34:27] Ah, mentira! Tive um homem que eu conheço que faz laga-tarô.
Eron Falbo: [34:34] Para ver como seria a nossa conversa, o que eu deveria falar. Deu que a gente ia ter que falar um pouquinho sobre o horóscopo, aí eu tô forçando a barra.
Fernanda Venturini: [34:48] Muito bom! Você faz tudo, umas coisas maluquete, né?
Eron Falbo: [34:54] É, mas é por isso que eu tô apto a fazer um programa como esse, né? De falar com todo tipo de gente e tal, porque eu sou meio doido mesmo. Eu já fiz coisas de todo tipo. Você falou que você está com esse restaurante Posi. Eu imagino que a vida de um esportista do nível que você é, você tem que entrar em diversas coisas que você nunca imaginava que você teria que entrar. Coisas de vestimento.
Fernanda Venturini: [35:29] Mas eu entrei no Posi por acaso, conhecia os meninos, os donos de outro restaurante, do Mimolete, e aí a gente foi fazendo amizade, tanto é que o Bruno, meu enteado, o Bruninho, que é da Seleção Brasileira, trouxe ele comigo para ser sócio também. Então, assim, foi casual. Não entrei por causa do dinheiro, entrei pelas pessoas que trabalham lá. A sociedade que dá certo é muito isso, você acreditar nas pessoas. Não é você pensar que vai dar dinheiro ou não vai dar dinheiro, é você acreditar nas pessoas que estão envolvidas. Acho que essa é a chave do sucesso.
Eron Falbo: [36:09] E as pessoas devem confiar, você tendo um renome e você sendo um nome que chama em inglês household name, um nome que as pessoas reconhecem nas casas e tudo mais, eu imagino que as pessoas devem confiar um pouco. Você sentiu isso? Eu senti isso quando te conheci.
Fernanda Venturini: [36:30] Eles me conhecem, a Fernanda, não? A Fernanda jogadora...
Eron Falbo: [36:32] Não, eu não estou falando dele especificamente. Eu falo no geral, gente oferecendo oportunidades. Você sente alguma coisa assim? Porque é uma impressão minha. Estou jogando no ar.
Fernanda Venturini: [36:42] Não, tem de tudo. Eu sou chamada para tudo. Agora tem um site fantástico, também é uma coisa nova que estão me chamando para entrar. Enfim, essa coisa de fã, essas coisas tipo Hello Funk, eu sou fã do... sei lá, do jogador Kaká. Aí a pessoa vai lá e você paga uma taxa para a pessoa fazer um áudio, gravar um vídeo, entendeu?
Eron Falbo: [37:10] Sim, sim.
Fernanda Venturini: [37:10] Está acontecendo muito isso no Cusco, famoso. Para me chamarem, jogadora, muitas coisas: Hello Fun e Fantástion, Fantástion, acho que é o nome.
Eron Falbo: [37:19] Só que isso não é uma coisa aberta, né? Não devem anunciar que a pessoa está inscrita nisso.
Fernanda Venturini: [37:26] Tá, tem, tem.
Eron Falbo: [37:28] Ah, tem, é?
Fernanda Venturini: [37:29] No Instagram tem, tem que fazer vídeo, tem uma série de coisinhas que tem que fazer. Hoje em dia tem de tudo, né? Essa coisa de Instagram, Facebook... É impressionante como o mundo virou mídia social, né?
Eron Falbo: [37:45] E o esportista também está cada vez mais uma celebridade, como um ator, como qualquer outra celebridade da mídia. No início não era... Bom, tinha fãs e tudo mais, mas a pessoa não tinha essa coisa de comercial. Isso foi crescendo ao longo dos anos. Você sentiu isso? Pelo menos eu percebo.
Fernanda Venturini: [38:07] E com a pandemia isso aflorou mais ainda, as pessoas se reinventando, pessoas com milhões de seguidores, porque fazem palhaçada, não sei o quê, você vê de tudo. Hoje você vê os fenômenos que aparecem instantaneamente, porque são pessoas comuns, lá da favela tal, que fazem não sei o quê, você vê nomes diversos. É impressionante como a mídia social fez um boom nessa pandemia, deu uma mudada incrível. E foi muito bom para a área médica, que eu estou muito ligada à médica. Comecei a conhecer médicos que eu não conhecia, médicos que trazem novidades, médicos da nova geração, médicos antenados, médicos que pensam muito como eu, de cortar as coisas que inflamam, que é o carboidrato e o açúcar. Então, você vê assim... Eu estou agora com um programa no YouTube que vai começar a entrar. Fiz já várias entrevistas, só que o som ficou ruim. Vou começar a refazer de novo, porque não sei fazer nada mal feito. Então, vou começar. Estou indo para São Paulo, sexta-feira vou gravar com o doutor Juliano, que é sobre o ozônio. E aí já vou fazer uma coisa diferente, já estou com umas ideias. Então, as pessoas falam, mas por que não abre logo esse canal? Não sei o quê. Não, não, não, ai gente, só quando estiver bem feito. Não sei fazer nada mal feito.
Eron Falbo: [39:32] Você usaria, assim, o seu tema principal, e você falaria essas coisas de medicina que você já mencionou, né?
Fernanda Venturini: [39:39] Não, de tudo, de tudo. Eu vou pegar uma astróloga que eu gosto, vou entrevistar. Vou pegar até cartomante que eu amo e vou entrevistar. Vou pegar um cara, uma mulher que me ajuda a parar de fumar, vou entrevistar, entendeu? Nutricionistas, enfim, de todas as áreas, de todas as áreas. Tudo que faz bem para a pessoa, entendeu?
Eron Falbo: [39:59] Inclusive, eu gostaria que você me apresentasse aí, porque seria legal entrevistar uma cartomante aqui, né?
Fernanda Venturini: [40:05] Vou te apresentar, vou te apresentar, eu vou adorar. Enfim, acho que assim, tem que ser a parte mental, espiritual e física, né? Acho que está tudo interligado. Eu acho que eles têm que... O que me fez bem, eu levo para as pessoas.
Eron Falbo: [40:23] E o que você acha sobre essa coisa? Bom, você acabou de falar de mídia social, de fazer vídeos e apresentações e tudo mais. Você acha que o esportista tem um papel importante em inspirar as pessoas em ser modelos de saúde de hábitos melhores?
Fernanda Venturini: [40:45] Muito, muito.
Eron Falbo: [40:47] E você tem visto isso e está positivo para você? Você acha que alguma coisa poderia mudar? Como é que você está vendo esse mundo?
Fernanda Venturini: [40:55] Tem que ajudar. Acho que a gente teve uma experiência, né, por fora, umas experiências diferentes, muita gente com contusão, muita gente com operações, muita gente de superações.
Eron Falbo: [41:11] E também vocês tiveram uma estrutura, né, que é nacional, vamos dizer, de treinamento, né, de pesquisadores, de médicos, etc., e vocês têm muito conhecimento, né, sobre as diferentes coisas que podem acontecer, que acontecem, e como lidar com elas.
Fernanda Venturini: [41:29] Exatamente. Então, os esportistas sempre têm alguma coisa para acrescentar, alguma coisa que possa ajudar as pessoas, que são aquelas pessoas leigas, que estão em casa, que não fazem nada, estimular para que comecem a fazer, que saiam do sofá e vão fazer uma atividade física, entendeu? Então, acho que a gente pode tirar as pessoas do sofá e botar para fazer ginástica.
Eron Falbo: [41:58] E assim, para...
Fernanda Venturini: [42:01] O povo não perguntou nada ainda?
Eron Falbo: [42:04] Perguntou, mas é porque tem muita gente e as perguntas meio que desaparecem. Mas dá para perguntar na caixinha, pessoal. Posso ver se tem alguma coisa?
Fernanda Venturini: [42:16] Vê aí na sua caixinha se não tem nada.
Eron Falbo: [42:19] Não, não tem nada na caixinha porque acho que eu não anunciei.
Fernanda Venturini: [42:23] Tem que falar para ela.
Eron Falbo: [42:25] Tem que falar. Mas, pessoal, se vocês quiserem fazer perguntas, perguntem por favor na caixinha. Antigamente eu também dava a oportunidade para as pessoas, antes da live, botarem perguntas. Aí agora estou fazendo tantas que não está, meio que... Vou falar com certeza. E assim, outra curiosidade que eu tinha sobre sua carreira e vida: quando você casou com o Bernardinho, você ainda estava na seleção, você teve um momento com ele, tipo, ele era seu treinador e seu marido ao mesmo tempo.
Fernanda Venturini: [43:04] Então, começou em 94. Quando ele chegou da Itália, ele era técnico na Itália, ele chegou no Brasil e o Bernardinho vai ser o novo técnico da seleção feminina. Aí entrou em 94, a gente já começou o primeiro torneio e já ganhou na Alemanha. Chegou no meio do ano, em dezembro, novembro, sei lá a data, a gente ganhou o primeiro torneio. Aí, em 95, 96, a gente começou a namorar, 94 para 95, assim, 95 para 96. E aí, no começo, a gente não falava para ninguém, porque ele é todo assim, né? Aí a gente ficou escondida, até para ver se ia dar certo esse namoro.
Eron Falbo: [43:49] Mas no namoro, né? No casamento, obviamente, todo mundo sabia.
Fernanda Venturini: [43:52] Aí a gente começou a namorar, aí quando a gente voltou pro Japão, num torneio, eu falei: gente, eu falo pras meninas, você fala pra comissão masculina. Aí eu falei, gente, a gente tá namorando, já tem um tempinho, então só pra saber. Aí eu treinava mais, né? Já exigia mais de mim. Igual o Bruninho sofreu na mão dele, treinava dobrado dos outros jogadores, né?
Eron Falbo: [44:18] E aí, você sentia essa necessidade de mostrar mais trabalho, porque senão ia ter favoritismo.
Fernanda Venturini: [44:26] Exatamente.
Eron Falbo: [44:28] Caramba, deve ser uma loucura, porque você já está na pressão de estar na seleção brasileira, já tem a pressão de estar namorando, casado com técnico.
Fernanda Venturini: [44:38] Daí, em 1999, a gente já estava jogando em Curitiba, que ele montou o time Rexona, começou em Curitiba. E aí a gente casou lá, em 1999, e aí começou. Depois eu vim para o Vasco, joguei o ano no Vasco, e depois veio o Rexona. Essa foi a ordem das coisas. Mas era isso, era bem assim.
Eron Falbo: [45:01] O que eu acho mais interessante é essa coisa psicológica entre vocês e as outras meninas, que deve ter havido, sem falar nomes, alguma inveja ou ciúmes.
Fernanda Venturini: [45:13] Não, mas eu cheguei na seleção e falei: gente, eu já sou titular e vou continuar sendo. Tipo, então ninguém acha que...
Eron Falbo: [45:20] Isso não vai mudar nada. Não vai mudar nada.
Fernanda Venturini: [45:26] Vai tudo continuar igual.
Eron Falbo: [45:28] Podia mudar se vocês acabassem durante a seleção, se tivessem acabado na rua. Aí ele ia falar: olha só, se era titular... Não sei se agora... Vamos.
Fernanda Venturini: [45:37] Misturar as estações, cada um no seu quadrado. Então, deu tudo certo.
Eron Falbo: [45:43] Mas, graças a Deus, ele era bem profissional, ele mantinha a distância no momento certo, botava você para trabalhar.
Fernanda Venturini: [45:50] Exatamente, tudo certo.
Eron Falbo: [45:53] Que legal. Vamos ver aqui que agora entrou umas perguntas. O Rafael perguntou se isso é uma entrevista com o Juliano Pimentel, agora que você está indo para São Paulo.
Fernanda Venturini: [46:05] Nesta sexta-feira. A gente vai fazer uma live e, ao mesmo tempo, vai gravar para o YouTube. Deve ser sexta-feira, eu vou para São Paulo sexta-feira, 8 horas da manhã, vou fazer o meu check-up dos exames. Vou no Sírio-Libanês, faço todos os exames que tem que fazer, que eu faço anual. E depois eu vou pra lá, ali na Marginal Pinheiros. Então, deve ser por volta das 11h, 11h15, 11h30. Acho que os exames não vão demorar muito, mas por aí.
Eron Falbo: [46:36] Tá, vamos pra próxima.
Fernanda Venturini: [46:37] Faça um ozônio, faça um ozônio, que é tudo de bom. Hoje eu fiz ozônio na terapia, muito bom.
Eron Falbo: [46:42] É, aqui o Edilson Almeida está perguntando: ela me traumatizou com chocolate. Pede pra eu falar sobre os malefícios do açúcar.
Fernanda Venturini: [46:52] Não, eu falo assim, eu como o chocolate do Flávio Passos, da Pura Vida, que tem 70%, 75%. E aí, quanto mais amargo, os benefícios são maiores. Você vai ter muito mais... Então, essas pessoas viciadas em chocolate, os hormônios estão muito assim, um samba do crioulo doido. Depois que você nivela os seus hormônios, a vontade de comer doce, a vontade de comer por vício, diminui muito. Então, às vezes, o menino, já sei quem é... Porque o açúcar, gente, o açúcar é um veneno, o açúcar que alimenta o câncer. O açúcar, vocês têm que tirar o açúcar, primeira coisa. Isso que eu falo para as pessoas assim: vamos fazer um teste? Trinta dias você vai tirar o açúcar e a farinha da sua dieta. Daqui a trinta dias a gente volta a falar, entendeu? Você vai ver como o seu corpo vai melhorar, como as coisas... Você vai dormir melhor, você vai ter mais disposição. Tudo melhora, entendeu? Então, eu falo para as pessoas: testem. Se for bom, vocês continuam depois.
Eron Falbo: [47:58] Aí a Bibi Cuevas falou que você é maravilhosa e mandou um coração vermelho, que hoje tem coração de várias cores, né?
Fernanda Venturini: [48:04] Minha fã é lá de São Paulo, é uma fofa.
Eron Falbo: [48:10] Bom, a gente está... Falta cinco minutos. Acho que a gente pode terminar com mensagens para os seus seguidores, para os meus seguidores também, sobre o que te inspirou sempre, o que você viu dentro do esporte que te trouxe essa energia que a gente falou. É de encarar qualquer coisa da vida, de encarar agora novos desafios. Aposto que fora do esporte também você tem essa visão, que eu entendo que é uma energia psicológica, uma energia de não ter medo do fracasso, de não ter medo de cair na água e levantar de novo e subir de volta no caixa. Exatamente.
Fernanda Venturini: [48:59] Eu acho que a gente tem... A vida é uma só, né? A gente tem que pensar que a vida é uma só. Quem acredita em reencarnação? Eu acredito em espiritismo, tudo. Mas quem não acredita? A vida é uma só. Então, nós temos que, até 70, 80, 90, 100 anos, a gente vai viver. Então, você fala assim, gente... Ah, vou deixar de fazer isso. Ah, eu tenho medo. Gente, para com isso. Tira a palavra medo do dicionário. Afoga. Manda Iemanjá afogar no mar. Porque o medo te priva de várias coisas, o medo te bloqueia de viver várias coisas legais, de experimentar novos esportes, de conhecer novas pessoas. Eu acho assim, as pessoas têm que lembrar que eu quero amanhã fazer uma coisa diferente, não vou continuar aquela mesma... Vidinha de sempre. Quero mudar um pouco a minha vida, quero inserir uma nova rotina na minha vida, uma rotina nova. Quero acordar mais cedo pra poder ir na academia, pra poder ir na praia correr, na lagoa, poder andar, entendeu? Assim, eu acho que você ir mudando a sua vida por hábitos saudáveis, eu acho que isso já vai melhorar muito a sua vida depois, entendeu? Aí isso aí abre o seu pulmão. Eu vou pedalar e vejo as pessoas de máscara. Imagina isso, na floresta da Tijuca, a mesma coisa que você está na Amazônia. Você respira. Eu entro lá e respiro 20, 50 vezes, porque é o ar mais puro que existe. Eu vejo as pessoas de máscara mais fortes que eu e tenho que falar: gente, tira essa máscara, por favor. Respira esse ar. Sabe, assim, umas coisas que o povo tá meio atolado, pelo amor de Deus.
Eron Falbo: [50:43] Eu tô no seu time também. Uma coisa é cautela, outra coisa é paranoia, né? Que é uma coisa irracional, né? E é o medo, né? Isso leva também ao medo de não fazer esporte, medo de errar. Se você tem medo de sair de casa porque você pode pegar uma doença, imagina.
Fernanda Venturini: [50:59] Exatamente. O medo envolve tudo. Se você conseguir cortar o medo, você vai viver muito mais feliz, muito mais, sabe? Hoje, a gente tá separado, minhas filhas ficam duas semanas lá, duas semanas aqui, tá nas duas semanas lá, né? Imagina, eu sozinha, tô sozinha em casa. Tem gente que não consegue ficar sozinha. Eu amo ficar sozinha. Então, assim, essa coisa, tenta mudar uma coisa na sua vida a partir de amanhã. Ou acordar cedo, ou tirar o pãozinho, ou deixar de comer, sei lá, uma coisa ruim. Eu acho que, assim, aos poucos você vai rodando, não é? Hoje uma, daqui uma semana... Porque demora 21 dias, pelo livro do Mindset, mas nem acho que tudo isso, não. Mas... Vamos, a partir dessa live, esses seus seguidores, que os meus já estão cansados de ouvir isso.
Eron Falbo: [51:53] Todo mundo que está ouvindo agora, seja no momento da live ou no momento do podcast, depois que vai para o podcast, fazer um compromisso consigo mesmo. Um só.
Fernanda Venturini: [52:08] Pode me mandar no meu Insta, que eu vou acompanhar e vou cobrar, entendeu?
Eron Falbo: [52:12] O meu é o meu jejum intermitente, a partir de hoje à noite.
Fernanda Venturini: [52:16] Isso.
Eron Falbo: [52:16] Amanhã de manhã, sem café da manhã. Depois, umas duas horas da tarde, eu como.
Fernanda Venturini: [52:21] Arrasou, Eron! Isso aí, Eron. Isso aí, gostei de ver.
Eron Falbo: [52:25] Tô dentro, tô dentro. Eu vou embora. Vamos começar a vida nova, vida saudável. Fernanda, muito obrigado por ter participado do nosso programa. Um prazer enorme te conhecer, por ter essa energia de... De lutar contra, nem lutar contra o medo, parece que pra você nem entra o medo. Então é um campo de força do medo que eu sinto em você, e a gente se inspira muito de estar perto dessa energia. Então, obrigado aí pela sua amizade, obrigado por ter aceitado esse convite, e a gente se vê por aí.
Fernanda Venturini: [53:06] Beijo, gente. Se alguém precisar de ajuda de saúde, manda um direct que eu ajudo, tá?
Eron Falbo: [53:10] Antes de terminar, por favor, dê as coordenadas de como te encontrar, né? Para o pessoal que está ouvindo, só no podcast também.
Fernanda Venturini: [53:18] Amanhã às 6h15, todo mundo acordando, 7h na praia. Meu Instagram é fernandaventurini_oficial. Pode ir lá. Enfim, tá? Então é isso. Beijo, beijo, beijo. Tá bom.
Eron Falbo: [53:33] Tchau, tchau, Fernanda. Tudo de bom. Beijo, boa noite.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #38 · todos os episódios