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Eron Falbo: [0:00] Alô, alô, alô! Sejam bem-vindos! Boa noite! A gente tá aqui com o nosso querido maestro Evandro Rodriguese, especialista em regência orquestral. Evandro Rodriguese é um maestro, compositor, pianista e arranjador natural de Sorocaba. Ele é um dos nomes mais relevantes da cena musical brasileira atualmente, com apresentações que vão de museus mais aclamados aos teatros de mais importância do Brasil. E ele tá aqui hoje com a gente, e a gente vai falar sobre coisas que vocês nem imaginam, porque a gente já se conhece aí dos carnavais. E, cara, essa pandemia, esse momento aqui que a gente tá vivendo, pra músicos é uma das coisas mais difíceis, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [0:51] Sim.
Eron Falbo: [0:51] Um dos momentos mais difíceis, você não acha?
Maestro Evandro Rodriguese: [0:53] Para a arte em geral, o turismo, cara, é muito difícil mesmo, porque a gente depende muito de espaço físico, teatro, quem toca em bares, por exemplo, fica um bom tempo aí também desempregado, casamento, toda a parte artística de todo tipo de evento fica comprometida. E espero que agora, pelo jeito, está começando a voltar. Lá na Sala São Paulo, na OSESP, está voltando já, com o número reduzido. Alguns teatros brasileiros já estão voltando com o número reduzido.
Eron Falbo: [1:28] Ah, que bom, que bom. E o pior é que essa galera é a mais conservadora, em termos de... Porque normalmente são pessoas mais velhas. A massa crítica, pelo menos, é de pessoas mais velhas, às vezes de maior renda. Então, podem pagar pra ficar em casa, né? Não é que nem pessoas de mais baixa renda, que precisam sair pra trabalhar, pô. Tipo, a média de quem vai assistir.
Maestro Evandro Rodriguese: [1:56] Uma orquestra, por exemplo, ainda é uma média de sessenta anos de idade, né? A pessoa com sessenta anos. Então, o cuidado com esse pessoal nesse momento é importante, né? Pra afastamento, tudo mais, né? Mas eu acho um momento muito importante, na verdade, para outras coisas. O povo está se reinventando.
Eron Falbo: [2:19] Eu acho que é positivo por isso. A gente tem que dar um tempo ao tempo, porque a gente tá tendo isso que eu acho que é um privilégio. Eu considero a mesma coisa, sabe, quando você está muito estressado, aí você fica com febre, fica gripado, fica uma semana de cama. Aí você dá um tempo, assim, pra você pensar sobre a sua vida um pouquinho. Ou, sei lá, acontece qualquer eventualidade da vida, você tem que viajar e fazer alguma coisa, e dá aquela coisa, assim, você tem aquele olhar de helicóptero, né, da vida, e você fala: pô, onde eu tava? O que eu tava fazendo? E acho que, pelas primeiras vezes na história da humanidade, a gente tá tendo isso, uma experiência humana, né, de um break, né, de uma interrupção.
Maestro Evandro Rodriguese: [3:08] Sim, é a coisa mais louca, cara, que é mundial, né? Não é um negócio só na Europa, é mundial, né? Então, é realmente como você falou, é um break humano. É o momento... Se for em termos musicais, não seria nem uma pausa, né? Porque uma pausa, ela tem um tempo e ela tem uma respiração.
Eron Falbo: [3:28] Seria intermédio, não? Seria uma fermata, uma fermata.
Maestro Evandro Rodriguese: [3:31] A fermata é um momento de suspensão. A gente tá vivendo, na verdade, um momento de suspensão.
Eron Falbo: [3:38] Eu não lembrava disso da teoria.
Maestro Evandro Rodriguese: [3:39] A coisa mais engraçada é que fermata, em italiano, é corona.
Eron Falbo: [3:43] Ah, é? Ah, eu achei que era para fechar, não?
Maestro Evandro Rodriguese: [3:47] Não, então assim, o símbolo da fermata, que se chama corona, aquele símbolo, é uma coroa.
Eron Falbo: [3:54] Ah, que engraçado. Ah, isso aí tem que ser usado.
Maestro Evandro Rodriguese: [3:57] Para alguma coisa, né?
Eron Falbo: [3:59] Tem que ser usado pra algum meme ou alguma... É muito interessante.
Maestro Evandro Rodriguese: [4:03] E você usa fermata na música quando você precisa destacar alguma coisa, colocar tensão numa nota, ou, por exemplo, você suspender um momento pra que um novo momento comece depois. Então, se for falar em termos musicais, é uma fermata que a gente tá vivendo. Interessante. Eu tô achando muito importante, realmente, pra humanidade, eu acho.
Eron Falbo: [4:29] E é legal isso, a sua visão, porque quando a gente pensa nas coisas em termos musicais, a gente pensa nas coisas com um pouquinho mais de otimismo, né? Porque em termos musicais, existem momentos, né? Você vê, sei lá, até a nona sinfonia de Beethoven tem momentos de mais calma e serenidade, até momentos mais obscuros, né? Só que isso faz parte da sinfonia, né? Faz parte daquela obra. E se você não tem aquela parte, você não tem o gosto que você sente no momento da euforia, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [5:13] Exatamente.
Eron Falbo: [5:14] Exatamente.
Maestro Evandro Rodriguese: [5:19] Perfeito.
Eron Falbo: [5:21] É filosofia, né, cara?
Maestro Evandro Rodriguese: [5:23] É filosofia, isso. Eu perguntei um querido amigo, que é Jorge Valadares, bem senhor já, tem mais de 80 anos, ele é um canalista, e ele fala uma coisa pra mim que eu acho muito legal. Ele fala assim: não é porque a música é triste que quer dizer que ela é feia. Então, assim, a música triste, ela tem a sua beleza, ou seja, esses momentos mais de recolhimento do ser humano, eles possuem uma beleza por trás disso, é claro.
Eron Falbo: [5:50] Era Rachmaninoff, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [5:52] Sim.
Eron Falbo: [5:52] Era Rachmaninoff, super intenso, mas a beleza que vai ser... É impossível você não ser pego por aquelas obras dele, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [6:01] Exatamente, aquela harmonia incrível dele. E, assim, claro que a gente também pensa: pô, tem gente morrendo e tudo mais, claro, né?
Eron Falbo: [6:09] Isso também, by the way, isso é uma coisa assim, aumentando ainda mais o tipo da turbinada na filosofia da parada. Cara, meu pai faleceu faz um mês, entendeu? E eu tô aprendendo a ver a beleza da morte também, a beleza dos ciclos da vida. E eu acho que a gente também é muito apegado à felicidade, à euforia, a ter o que a gente quer, a vida, entendeu? Porque existe uma coisa maior que isso, né? Que é a sinfonia, né? Que é composto dessas coisas todas. E a vida, que é maior do que a vida estar vivo, né? É composto pela morte também, né? E é composto pelo renascimento.
Maestro Evandro Rodriguese: [6:56] E a morte é quem dá um pouco de razão pra algumas coisas que você faz na vida, né? Porque você sabe que você é finito aqui, pelo menos, né?
Eron Falbo: [7:06] Exatamente.
Maestro Evandro Rodriguese: [7:07] Então, você procura fazer coisas pra que você se eternize aqui também. Amizade é uma delas, né?
Eron Falbo: [7:15] Os amigos... Você só tem temor a Deus, né? Essa coisa de ser ético e tudo mais, porque você tem um tempo de inspiração, senão você ia ser muito mais experimental. Você fala: pô, por que não experimentar matar pessoas, qualquer coisa? Porque você sabe que vai ter que carregar isso durante a sua vida, né? E se você tivesse... Tanto que você vê na Bíblia, no começo da Bíblia, em Gênesis, as pessoas moravam, viviam 600 anos, 700 anos, Matusalém, 900, sei lá, 800, sei lá quanto. E isso, os comentaristas falam, né, a razão, né, se isso pouco me importa se é verdade ou não, mas a questão é a parábola que isso ensina: é que as pessoas foram ficando cada vez mais novas porque foram perdendo a essência divina e foram tendo mais dificuldade de ser ética sozinhas. Então você precisa morrer mais cedo pra você poder ter um começo, meio, fim, entendeu? Pra isso te dar um chega pra lá, um acorda, entendeu? Que se você não começar a mudar agora, você vai passar um monte de tempo da sua vida se arrependendo desse momento que você não... Então eu concordo com você, tipo, a morte dá essa pimenta, né? Eu não acho que a gente deveria ver isso como uma coisa negativa. Claro, tem muita gente sofrendo, na verdade isso é o pior para a gente que fica e sofre. Me conta um pouquinho assim, só para a gente saber, para os nossos amigos aí que estão assistindo, saber um pouco da sua trajetória, só assim por alto, porque a gente não é entrevista do jeito clássico, mas só para a galera ficar por dentro.
Maestro Evandro Rodriguese: [9:11] Bom, eu toco piano. Comecei a estudar piano desde os 12 anos de idade, piano clássico. Depois entrei na faculdade, um pouco antes de fazer 18 anos, na Faculdade de Regência Orquestral, em São Paulo, na Faculdade de Santa Marcelina. Me formei lá e estudei com Emiliano Patarra, um maestro lá de São Paulo. E depois estudei com outros maestros também, paralelamente, o Roberto Grisais, a Karabi Tchevski, grandes maestros. Estudei também em Portugal, numa academia de regência, que é bem legal, lá no norte de Portugal, na região de Braga. E tive aula com o Aline Mathers, que é um professor de mestrado lá da Royal Academy de Londres. E foi bem legal.
Eron Falbo: [9:54] Você passou quanto tempo lá em Portugal, desculpa?
Maestro Evandro Rodriguese: [9:55] Três meses. 70 dias, sendo preciso. E foi um curso superior que eu fiz.
Eron Falbo: [10:05] Falando em ser preciso, eu penso assim: maestro é uma coisa que acho que não é todo mundo que sabe isso, e eu acho que a gente vai estar falando de você porque assim, o meu público, você sabe que é adverso, né? Então assim, não é todo mundo que sabe o que é ser maestro, né? Todo mundo já viu o Mickey, né, ali na Fantasia, né, sendo maestro, mas a gente não para pra pensar, né? Eu estudei um pouquinho de música clássica e um dos meus sonhos no início era ser maestro, né, quando eu tava com a prendena, mas eu percebi lá que eu ia ter que ir ralar muito mais do que o meu charlatanismo permite. Mas eu acho que o legal de falar um pouco é sobre... Você falou um pouco sobre exatidão, né? 70 dias, exatamente. E o maestro é aquele cara que tá ali no meio dos dois cérebros, né? Ele tá na glândula pineal, ele é um cara que entende sobre matemática precisa, né? Porque a música, uma música erudita moderna, é matematizada, pelo menos, quer dizer, desde Pitágoras é matemática, mas a música erudita moderna é super precisa, né? Super, você tem que realmente tá com a atenção máxima ali, né? Cê tem que tá sóbrio, cê tem, e ao mesmo tempo cê tem que tá imerso, entregue, né? Cê tem que tá... Os grandes maestros, né, estavam ali totalmente. Então, como é que é isso pra você, como é que essa coisa do cérebro do meio que você já vivenciou com ele, é legal.
Maestro Evandro Rodriguese: [11:41] Essa que se colocou é muito legal, cara. É o maestro, ele tem que treinar o ponto de equilíbrio, né, musical, né, e da condução musical. Que, na verdade, um regente, ele é um diretor musical. Ele é quem dá a condução, a meta, ele é quem mostra o objetivo para um conjunto, para um grande conjunto. É como se fosse um empresário, um diretor de empresa, que é uma cabeça que pensa a longo prazo, e ele que dá a meta para que todo mundo siga aquela ideia. Ele tem uma ideia e todo mundo precisa vender essa ideia. Então, tem um processo: você estuda a obra, você descobre coisas naquela obra, que toda obra, isso é muito legal, o compositor ele deixa tudo meio que encaminhado já, né, na partitura, mas como o regente é o intérprete, a gente também descobre coisas, né? Cada regente descobre coisas diferentes, né? E então, você leva isso pra um grupo, né, pra uma orquestra, e precisa realmente... A primeira coisa é o osso da música, é fazer a música ficar em pé primeiro, né? Depois é a carne, depois é a pele, né? Então, assim, você precisa ter esse equilíbrio, né, de fazer a música ficar, ter uma estrutura.
Eron Falbo: [12:55] Desculpa, desculpa.
Maestro Evandro Rodriguese: [12:56] Também, é um encantamento, foi.
Eron Falbo: [13:01] Não, desculpa, eu tava vendo se minha internet tava boa, porque tava dando um lag. Mas saiu aí, desculpa. Voltou, voltou.
Maestro Evandro Rodriguese: [13:06] Tá. Então, assim, tem esse encantamento, né? E o trabalho duro, na verdade, é durante os ensaios, essa é a verdade. Quando você vai... Todo mundo, na verdade, assiste uma orquestra já no final, né? O processo tá terminando no concerto. Então, o concerto é sempre legal, né? O concerto já tá todo mundo se divertindo. Na verdade, o concerto é grande diversão. O trabalho duro é o processo, né, são os ensaios, né? Então é isso mesmo. Mas ali no concerto tem também outras coisas, né, porque aí tem o público, você recebe uma certa energia do público, claro, né, dos músicos daquele dia, sua também, né? Então tem todo esse... Você precisa equilibrar isso.
Eron Falbo: [13:49] E isso tá tudo acontecendo em tempo real, né? E essa, assim, a beleza, a diferença da música performática e a música mecânica, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [13:59] O estúdio, a música gravada.
Eron Falbo: [14:02] Estúdio de gravação... acho que também muitas pessoas hoje em dia não têm essa capacidade auditiva, ou sensibilidade artística, de perceber. Só que a gente vê que, quanto mais a internet e a música mecânica — eu chamo de mecânica porque é o termo da indústria — quanto mais essa música gravada do Spotify, com aquele 192 kbps, uma qualidade mais ou menos, comparado com o vinil, com outras coisas, outros formatos, aquele flac... Mas quanto mais a gente vai se acostumando com isso, eu acho que a gente vai sentindo falta de algumas nuances da música performática. Eu acho que isso vai trazer uma renascença, uma procura por música erudita, até por show de rock. É claro que a música erudita sempre mantém um standard, né? Mas show de rock, acho que o grande problema... isso não tem nada a ver com você, porque você nem sabe o que é rock. Não, tô brincando.
Maestro Evandro Rodriguese: [15:21] Mais ou menos, mais ou menos.
Eron Falbo: [15:26] Mas o que eu quero dizer é tipo assim: você já foi em show de rock, mas a discrepância é muito grande, de qualidade, entendeu? A música gravada é muito melhor, porque eles passam lá no estúdio horas e horas fazendo a música, aí pô, dava... Cara, eu não vou mais em show de rock porque...
Maestro Evandro Rodriguese: [15:43] O CD é muito melhor sempre!
Eron Falbo: [15:45] É, o CD é muito melhor. E assim, você tem que ir em shows muito grandes, aí é muita gente, tem que trabalhar bem, tem que ser muita gente, entendeu? Mas música erudita não é assim, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [15:56] O show de rock é um tipo de experiência. É muito interessante você estar falando isso, porque o público da música de concerto tá ficando cada vez mais jovem, isso é muito legal. Antigamente era só o pessoal mais idoso que ia, e tudo mais. Hoje em dia, já não. Hoje em dia você já vê bastante gente jovem, né, na plateia. Isso é muito legal, é muito legal, e todo mundo... porque assim, cara, cultura é o seguinte: você precisa mostrar, você precisa levar a cultura. Se a pessoa não conhece, ela não vai gostar mesmo, isso é normal, na verdade. Eu não gosto de música clássica, nunca ouvi. Eu trabalho com orquestra jovem também, projeto social lá em Niterói, já faz oito anos, sete, oito anos que eu tô lá. E é nítido isso, entendeu? Porque a galera, muita gente de comunidade, né, que vai lá no projeto e participa da orquestra... uma orquestra extremamente heterogênea, né? A minha orquestra é de 15 anos até 24 anos, os músicos, super heterogênea. E assim, eles têm contato com Vivaldi, com Bach, com Beethoven, com Mozart, desde pequenininho. Ele até ouve o funk, né? Mas ele já sabe diferenciar. Não que seja pior ou melhor.
Eron Falbo: [17:09] Sim, sim, são.
Maestro Evandro Rodriguese: [17:10] Ele é diferente, né? É música.
Eron Falbo: [17:13] São momentos diferentes.
Maestro Evandro Rodriguese: [17:14] É um tipo de expressão artística. Mas é diferente de Bach, né? Diferente de Beethoven.
Eron Falbo: [17:19] Claro. Eu acho isso muito bom, porque muita gente hoje em dia gosta de relativizar, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [17:25] Muito.
Eron Falbo: [17:26] Fala assim: não, é o que, cada nicho... a beleza do mundo de hoje é que você pode fazer de tudo. Mas isso não é bem verdade, né? Tipo, 99% das pessoas estão ouvindo funk e outras coisas porque existe um mercado por trás, etc. Não é porque eles estão naquele nicho. Boa parte das pessoas que ouvem funk, ou que só ouvem punk, vamos dizer, realmente, sem preconceito nenhum, se tivessem uma exposição a outras coisas, assim como livros, né, assim como blogs ou qualquer coisa... se tivesse uma exposição a outra coisa, sem dúvida alguma leria, ouviria, veria e ficaria amarradão, né? Seria muito feliz, seria uma pessoa mais feliz fazendo isso. Eu vejo isso, a gente vê na prática isso, né? Quando você pega uma pessoa que nunca ouviu esse tipo de coisa e expõe na prática... Tem a teoria do John Stuart Mill, do utilitarismo, de que você pode objetivamente pegar a diferença entre Bach e... vamos pegar a Anitta, coitada, eu tô falando, mas objetivamente, você pode, matematicamente, se você tiver... E eu não sei se eu acredito exatamente nisso, mas eu sei que tem alguma coisa, sim, existe, entendeu? Porque você pega, sei lá, grande parte dos compositores que passaram a vida inteira dedicados a isso, eles concordam, tendem a concordar, né? É difícil... Bom, tem gosto pra tudo, mas o importante é saber disso, né? Porque às vezes também a relativização total é um equívoco, né? Tipo, não é relativo, o cara não tem acesso, sim.
Maestro Evandro Rodriguese: [19:19] É que existem propósitos diferentes, né? A música popular é uma coisa que é natural, né? Ela vem do povo, né? E a música erudita, o compositor de música clássica, de música de concerto, ele tem um conhecimento diferente do músico popular, né? Não que seja melhor ou pior, mas é diferente. Ele estuda com profundidade certas coisas musicais. A matéria-prima de um músico erudito geralmente é a música popular. Você vê assim, Tchaikovsky, o próprio Rachmaninoff, ele pegava coisas da música folclórica russa, né? Todos os compositores praticamente usavam a música do povo.
Eron Falbo: [20:04] Porque todo mundo ia pro barzinho, né? Depois do concerto, eu não morri.
Maestro Evandro Rodriguese: [20:09] É como se fosse um filtro. Ele pega aquele material musical, passa pelo filtro da música erudita e devolve para esse mesmo povo. Esse é o movimento da música clássica. Sempre foi assim na música erudita. Por isso que, quando o pessoal fala de funk e tal, uma coisa é a letra do funk, desse pancadão, mas o ritmo que tem, a estrutura musical que tá por trás do ritmo...
Eron Falbo: [20:43] É, a música popular clássica.
Maestro Evandro Rodriguese: [20:45] É rico, entendeu? É rico. Se eu for pegar aquele ritmo, igual fez Villa-Lobos, né?
Eron Falbo: [20:53] Mas cê diz que é rico por quê? Porque tem escala menor, porque...
Maestro Evandro Rodriguese: [20:56] Não, é... eu tô falando em questão rítmica, entendeu?
Eron Falbo: [21:01] Ah, rítmica? Sim, não, sim, só rítmico. Ah, entendi, achei que cê tava falando harmônica.
Maestro Evandro Rodriguese: [21:06] Então, se eu quiser fazer uma obra, por exemplo, um trecho de uma obra.
Eron Falbo: [21:10] Eu nunca penso em ritmo, que eu sou compositor, mas eu componho com acordes, aí ritmo pra mim...
Maestro Evandro Rodriguese: [21:16] Tem. É que o funk é muito mais rítmico do que harmônico e melódico. A estrutura rítmica do funk é muito rica. É uma coisa da África e tudo mais. É uma coisa que vai misturando, né? Assim como batuque, assim como...
Eron Falbo: [21:33] Também tem seu eruditismo, como é que chama isso, tem seu grau de uma academia de ritmo, que é uma coisa que, durante centenas e centenas de anos, foi se minuciosamente aprimorando, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [21:53] A música popular, na verdade, é uma coisa natural, é uma coisa que é do povo, que é natural.
Eron Falbo: [21:58] Quando vai pra academia, muda. Não, eu tô dizendo outra coisa. Tô dizendo, tipo assim, quando você vê a evolução, o Paul Simon foi fazer um disco, aquele Graceland, ele foi lá e pegou uma banda da África que já tinha. Porque, assim, uma coisa é a música que lança outra coisa, música folclórica, que às vezes tem uma tradição que não é acadêmica no sentido da academia ocidental, mas é acadêmica, tem suas academias, tem seus mestres, é um patrimônio. É um patrimônio, exatamente, é um patrimônio.
Maestro Evandro Rodriguese: [22:32] Exatamente.
Eron Falbo: [22:32] E tem seus gurus, aquelas pessoas que são os guardiões daquele patrimônio, e evolui dentro da minuciosa tutelagem, ou tutela, como a gente fala, daqueles mestres. E não deixa de ser uma academia. Na verdade, a academia é uma evolução desse tipo de coisa.
Maestro Evandro Rodriguese: [22:51] Desse tipo de coisa, exatamente. É só uma forma mais estruturada.
Eron Falbo: [22:56] Claro, claro.
Maestro Evandro Rodriguese: [22:57] Por exemplo, a escola de samba é uma academia.
Eron Falbo: [23:02] Claro, exatamente.
Maestro Evandro Rodriguese: [23:03] Ele salvaguarda o ritmo do samba. E evolui o ritmo do samba.
Eron Falbo: [23:08] E o carnaval, todo ano que passa, ele vai aprimorando aquela coisa. Tem júris, tem pessoas assim que passaram a vida inteira estudando, que passaram imersos naquilo. E eu acho que é importante a gente, como seres humanos, lembrar disso, porque também, às vezes, a gente vai muito na música erudita e fica um pouco snob, né, em relação a outras academias, porque a gente é só uma academia. A gente é europeu. É uma das academias, assim como as universidades já existiam no mundo árabe, já existiram no mundo judaico. Então tinha lá suas academias. Mas aí eu tô complementando o que você falou, que você pega o funk e já tá evoluído. Então, tipo, você pega um ritmo complexo e as pessoas já só aprendem a fazer. Mas aquela evolução demorou anos e anos e anos pra se aprimorar.
Maestro Evandro Rodriguese: [24:02] Ela veio da África e misturou com outras coisas. Porque o funk brasileiro, a gente tá falando de funk, muito doido isso, né? O funk do Brasil, o funk carioca, vamos dizer assim, não tem nada a ver com o funk americano.
Eron Falbo: [24:15] Eu gosto do funk americano.
Maestro Evandro Rodriguese: [24:18] Eu também, pra caramba, eles são maravilhosos. O funk americano é mais rico em questão harmônica, em questão melódica.
Eron Falbo: [24:27] E as composições também, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [24:29] Sim, é outro nível.
Eron Falbo: [24:33] É outro propósito, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [24:34] É outro propósito.
Eron Falbo: [24:35] Teve a emancipação do movimento civil rights dos negros, teve muito disso no meio. E o funk também tem um pouquinho disso, mas ainda acho que não pegou muito, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [24:52] Ele é um pouco o filho do soul, né? Soul music.
Eron Falbo: [24:55] É, exatamente. É um soul, pra mim é um soul agressivo. É um soul com mais gutural, né? É, exatamente. Mas vamos voltar pro seu mundo aí, antes que você fique vermelho. É mentira, tenho certeza que você fala dessas coisas tranquilamente.
Maestro Evandro Rodriguese: [25:15] Eu falo assim, eu acho legal porque eu gosto muito de patrimônio. Eu gosto de estudar um pouco a respeito de patrimônio imaterial, principalmente. Eu acho muito importante.
Eron Falbo: [25:24] Ótimo, vamos falar disso. Eu adoro.
Maestro Evandro Rodriguese: [25:25] E o Brasil tem um patrimônio imaterial riquíssimo, né, cara? A ponto de eu achar que tem países dentro do Brasil.
Eron Falbo: [25:34] É, que não é valorizado, né? Nem é mantido, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [25:38] É até mantido pelo IPHAN e tudo mais, né? Na verdade, faz pouco tempo que de fato é instituído, mantido como uma instituição. Acho que foi no ano 2000, se não me engano, que começou... 2002, não lembro exatamente a data, mas a gente sempre teve. O folclore é exatamente isso, o folclore é o patrimônio.
Eron Falbo: [26:01] É que tem uma pergunta, só vou usar isso aqui como um exemplo, até porque é um amigo meu que sempre tá assistindo e eu devia saber. Meu amigo Dano tá perguntando: pode explicar a diferença entre harmonia, ritmo e melodia? Ele é italiano, então acho que eu entendi dessa forma. Mas eu vou dizer uma coisa: eu vou vetar essa pergunta. Por quê? Porque parte do objetivo do nosso programa... Eu agradeço, Felipe, pela pergunta, pelo carinho de assistir e tudo mais. Porra, tá sempre assistindo, e inclusive já foi um dos convidados aqui. Mas só pra gente aproveitar isso aí pra fazer uma propaganda do nosso programa aqui: o que a gente tá tentando fazer é pegar um maestro e falar sobre funk, entendeu? Se você quiser saber a diferença entre harmonia, ritmo e melodia, tem vários vídeos do YouTube explicando. E vamos falar sobre patrimônio... Como é que você falou? Intelectual, masculino, imaterial.
Maestro Evandro Rodriguese: [27:02] Quando a gente fala em patrimônio, a palavra patrimônio sempre lembra matéria, algo material, tipo uma casa, um prédio, um carro, mas a gente esquece que nós temos patrimônios imateriais. Por exemplo, aquela receita da sua família, que já vem desde a sua tataravó, da sua bisavó, até a tua mãe, depois você, isso é um patrimônio da tua família. Assim, a culinária faz parte de um patrimônio imaterial, porque ele é passado de geração em geração, muitas vezes, mas geralmente o patrimônio imaterial é passado de forma oral para a posteridade. Então, se você pegar, por exemplo, o jongo, danças africanas, é um patrimônio. Se você pega o próprio frevo, o frevo é um patrimônio imaterial brasileiro. É um ritmo riquíssimo, é dificílimo tocar frevo, principalmente para sopros.
Eron Falbo: [28:05] Tipo assim, uma coisa que eu também falo: tava conversando com uma amiga outro dia, ela falou 'mas isso aí virou uma coisa meio nacionalista, e a gente tá no mundo aí, cara'. Mas não é verdade, porque a gente tá preservando coisas que vêm de um lugar que a gente não sabe, entendeu? Da psique humana, a gente não sabe da história humana, de onde tá sendo carregada aquela parada. É um patrimônio humano, na verdade, né? Acontece que tá sob tutela do Brasil, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [28:35] Exato. Quando você pega, por exemplo, a culinária brasileira, né? Tem muito prato do Brasil que você vai olhar pra trás, aí vai pra Portugal; depois, aquilo ali em Portugal, na verdade, eles copiaram alguma coisa dos árabes, da Espanha, de algum povo africano. Então, até de antes, até dos celtas.
Eron Falbo: [28:55] Exatamente, os galegos e os celtas.
Maestro Evandro Rodriguese: [28:58] Da Galícia. Eu tento assim, olha isso, tá aqui no Brasil agora, mas isso vem de lá de trás. Quando você fala de um patrimônio, você tá falando da história da humanidade.
Eron Falbo: [29:08] Exatamente. E você não sabe se lá tem uma chave, alguma coisa assim que a gente, tipo, quase um antídoto, né? Tipo, a gente sabe que hoje em dia tem diversas doenças mentais que não são diagnosticáveis, né? Que é, por exemplo, a paranoia que a gente tá vivendo no Covid, com todo respeito às mortes e tudo mais, mas existe uma paranoia totalmente irracional, então isso é uma doença mental. Como é que você sabe que isso não está sendo aquele antídoto? Aquele som, aquela leveza, alguma coisa ali está sendo carregada, alguma coisa que nossos ancestrais sabiam que está sendo carregado, um código genético ali naquele ritmo, naquela melodia, naquela cultura, que a gente consegue absorver e inconscientemente aprender, né? Porque a gente também só tá aprendendo sobre esse tipo de coisa hoje em dia. Eu estudo, tipo, psicologia, hipnose, esse tipo de coisa, e cê vê que muita coisa é carregado, né? Não verbalmente, né? Isso é muito louco.
Maestro Evandro Rodriguese: [30:16] Principalmente quando se fala em som, em música, que é uma coisa muito profunda.
Eron Falbo: [30:20] Não tô chegando nem nisso, que é mais profundo ainda. Eu tô falando assim: o cara batuca o tambor de um certo jeito, ensina pro filho dele. Ele tá transmitindo uma informação inconsciente que ele nunca soube falar oralmente. E a gente pode ter sabedoria ancestral, entendeu? E você sente isso. Você senta numa roda de samba, você sente uma sabedoria ancestral. Tem um tapa na cara que você recebe quando a gente, que é almofadinha, né? Mauricinho. A gente senta numa roda de samba e a gente chega pra lá, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [30:56] Eu acho muito legal você falar isso, porque quando você vai, por exemplo, pra uma roda de samba, como você falou, você senta numa roda de samba, num barzinho... tô falando de uma roda de samba aqui na Lapa, né? Super tradicional, a roda de samba ali. Você tá sentando num museu, no Museu da História da Humanidade. Então, aquele ritmo que eles estão tocando, aquela melodia, aquela harmonia e tal, aquele jeito, aquele olhar que um olha pro outro pra ter aquela comunicação, isso tem essa história, tem essa linhagem. Então, isso é legal, é muito bonito você observar isso. Um fado, por exemplo, você vai num fado... nossa, tem muita coisa. Vem desde os árabes, tem uma história, o porquê do fado. É coisa da saudade, tem uma história por trás daquilo, né? É muito legal.
Eron Falbo: [31:45] Cara, tem umas coisas assim, né, que são passadas... tipo assim, pra você ter uma ideia: o meu bisavô, chama Francesco Falbo, que veio da Itália, ele era escritor de teatro, tinha várias peças e tudo mais. Aí, num sebo, eu achei um livro dele, né? Que ele era... porra, os anos 20, né, ele tinha, porra, coisas publicadas. Eu não sei qual era o grau de popularidade dele, mas ele tinha, sei lá, seis coisas pra publicar; naquela época não era fácil publicar. E eu achei isso num sebo que existe até hoje, então eu confio que ele era o cara de responsa. Mas eu fui ler a introdução do livro dele, olha só: ele é meu bisavô, que abandonou os filhos quando ele tinha vinte anos, teve os filhos com dezoito anos, abandonou eles quando tinha vinte anos. O meu avô, que é o Edson Falbo, abandonou minha mãe quando ela tinha quatorze anos, entendeu? Então minha mãe não cresceu com nenhuma influência do meu avô nem do meu bisavô. Eu li a introdução do livro dele, que ele escreveu falando sobre as coisas da vida dele, mas não vou entrar em detalhes, e a voz dele é igual à minha quando eu escrevo.
Maestro Evandro Rodriguese: [33:02] Caramba!
Eron Falbo: [33:04] É igual, é tipo assim: eu mostrei pra amigos meus que estão acostumados a ler o que eu escrevo e tudo mais. Falam: caraca, bizarro, ele fala com a mesma energia, com a mesma emoção, entendeu? Até algumas palavras, entendeu? Interessante isso.
Maestro Evandro Rodriguese: [33:19] Bizarro.
Eron Falbo: [33:20] Você pensar isso, não faz sentido nenhum, entendeu? Então, alguma coisa foi transmitida. Bom, é uma teoria, pode ser coincidência e tal, mas eu já vi isso de outras formas. E estudando, você sabe que isso existe.
Maestro Evandro Rodriguese: [33:37] Eu acredito que pode ser transmitido pela genética, pela biologia.
Eron Falbo: [33:43] Isso eu ainda não acredito tanto, porque ainda não tô convencido disso, mas eu acho que por muito pouca coisa, por muita... Existe informação sendo transmitida enquanto a gente vive, com muito dinamismo, muito maior do que a gente acreditaria se estivesse num papel. E muito menos informação quando a gente estuda, estuda, estuda, e essa informação não está sendo tão digerida e tão captada quanto a gente pode imaginar, o que a gente está lendo, o que a gente está escutando. E cara, a gente já viajou muito aqui. Vamos tentar voltar um pouquinho para os fãs aí que estão te ouvindo por causa de música clássica. Eu acho que assim, uma das coisas que era a minha curiosidade de conversar com você é sobre o futuro do Brasil e da alta cultura, né? Porque assim, hoje em dia é um fetiche, né? Música clássica, com todo o respeito a você e seus colegas, mas infelizmente se tornou tipo sadomasoquismo, né? Tipo, tá na mesma categoria que sadomasoquismo. Tem a galera lá que compra roupa de couro e chicote, e tem a galera que vai ouvir música clássica.
Maestro Evandro Rodriguese: [35:02] Você falou uma palavra que eu acho muito interessante, que eu concordo com essa palavra, e muita gente odeia essa palavra da minha área musical, que é alta cultura. Que tem a ver um pouco com aquilo que a gente estava falando no início, que é essa coisa da música clássica com a música popular, e não que uma seja melhor ou pior do que a outra. Porque as pessoas hoje em dia, elas querem muito alta gastronomia, alta cultura, mas quando você fala em alta cultura, distorce a cara. É verdade ou não é? Por que a alta costura tomou...
Eron Falbo: [35:36] À toa dessa cara?
Maestro Evandro Rodriguese: [35:37] Eles adoram alta gastronomia, né? Alta costura, né?
Eron Falbo: [35:44] É verdade. A alta costura e a alta gourmet tá perfeita.
Maestro Evandro Rodriguese: [35:47] Tá cada vez mais crescendo. O Brasil tá assim... Hoje eu tava conversando com uma amiga minha que é vendedora de vinhos, né? E... e... opa.
Eron Falbo: [35:56] Não, só tava abaixando o ar condicionado aí.
Maestro Evandro Rodriguese: [35:59] Ah, tá. A gente tá até falando sobre isso, que assim, o Brasil, ele mudou muito dos 15 anos pra cá, ele tem mudado muito, né? Por exemplo, café: eu sou do interior de São Paulo, sou de Sorocaba, mas café antigamente, que se tomava o dia inteiro, o café como a gente toma hoje em dia, era mais a galera da roça que fazia isso, né? E café se tomava só de manhã, né? Geralmente no Brasil era só pra café da manhã e pronto, né? Muito raramente o povo brasileiro todo tomava depois do almoço. Hoje em dia, todo lugar que você vai, tem café, né? Experimentando várias nuances de café. Aí você vai pro vinho... O vinho, se tem uma coisa que é a coisa de alta gastronomia no Brasil, é vinho. Hoje em dia tá ficando mais popular o vinho, claro. Cerveja ninguém quase mais toma, que não seja cerveja artesanal. Então você percebe que o gosto do brasileiro tá...
Eron Falbo: [36:53] Refinando, né, do que na arte em geral? Está democratizando a cultura. Bom, esse tipo... Porque esse interesse existe, de consumo, e também é imediato, é prazer imediato. E você não tem que fazer esforço nenhum.
Maestro Evandro Rodriguese: [37:10] Sim, mas daí, no início eu comentei que a nossa plateia está ficando mais jovem... Ah, aí você está falando...
Eron Falbo: [37:18] Que está sendo otimista. Beleza, vamos lá.
Maestro Evandro Rodriguese: [37:20] Com essa busca por algo mais refinado também na cultura. E não desmerecendo o outro lado, aquilo que eu falei, que são momentos diferentes. Por exemplo, hoje em dia o cara está a fim de ir na Lapa ouvir um pagode, vai na Lapa ouvir um samba ou pagode. Daí, no outro fim de semana, ele leva a namorada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro para assistir uma ópera. Isso, hoje em dia, a pessoa tem mais esse gosto. Antigamente era uma coisa meio que delírio. Até através desse monte de projeto social que a gente tem hoje em dia no Brasil, graças a Deus, através de música, através de esporte. Eu trabalho com projeto social também, através da música. Então você mostra, não só para a criança, mas para toda a família dela, um novo mundo, uma nova música, que muitas vezes para ela era uma coisa de elite. Você mostra que não é de elite aquilo, aquilo não é da elite, é acessível. Então a criança da favela pode ir no Teatro Municipal porque tem programação gratuita ou mais barata pra levar.
Eron Falbo: [38:30] Eu acho que uma coisa que precisa ser dita é que a razão que é considerada da elite é que, numa certa época, as coisas eram muito mais caras pra serem... performadas, para serem expostas publicamente, e era um tipo de música que é tão refinado no sentido de... com uma estrutura grande de instrumentos: seção de cordas, seção de sopro, etc. Preciso de um regente bom, preciso de soprano, às vezes preciso de uma série de coisas, aí preciso de uma academia para poder sustentar. Então você precisa de uma estrutura inteira para poder produzir, para ter até aquele produto final. Você precisa de uma coisa muito grande. Então acho que o elitismo vem do fato de que isso, antes, era muito mais difícil de se ter acesso. Você podia reproduzir isso dentro de um teatro, onde a maioria das pessoas que estavam ali, pagantes, que estavam ali expostas àquele material, só podiam pagar porque o... como é que se chama? O real estate, aquele espaço, era muito mais caro, porque você não tinha em nenhum outro lugar aquilo mostrando. Você tinha aquele lugar naquele momento, o ingresso era só pra elite, mas isso não significa que a música e a tentativa de aperfeiçoar a cultura e a arte seja uma coisa elitista, entendeu?
Maestro Evandro Rodriguese: [40:14] Exato.
Eron Falbo: [40:15] Essa coisa é uma coisa totalmente humana.
Maestro Evandro Rodriguese: [40:19] Muito, muito.
Eron Falbo: [40:19] É uma coisa que você vai nas cavernas... quer dizer, não sou tão sofisticado a ponto de ter cavernas da França, né? Dos primeiros, dos seres humanos, trinta mil anos atrás, né, que faziam pinturas. Pô, eles já tavam fazendo esse perfeiçoamento da arte, né? Da técnica, da expressão da alma humana.
Maestro Evandro Rodriguese: [40:45] Uma necessidade humana. A beleza.
Eron Falbo: [40:47] E quando a gente para pra pensar nisso e olha pra música erudita, cê vê, cara, o auge da música tá aí, entendeu? Então, se cê quiser que sua alma mergulhe em tudo que a música tem pra oferecer, vai ouvir os Concertos de Brandemburgo, vai ouvir os concertos pra violoncelo, só mesmo os de Bach, mas tem uma galera que é só Bach e o resto, né? Mas você entende o que eu tô dizendo? Tipo, cara, isso não é... como é que você... tipo assim, eu tô aqui escutando funk em casa, não. Isso é pra certos nichos, né? Eu escuto funk, a galera da elite que se acha, eu escuto aquilo, você tá perdendo, cara. Escuta o seu funk, dança o seu funk. Mas, cara, você tá perdendo uma parada da sua alma, depois vai cobrar.
Maestro Evandro Rodriguese: [41:46] Aquilo que a gente tava falando, são propósitos diferentes, né? A música clássica... até se a gente for pegar até mais pra lá, música sacra, né? A música clássica, ela tem uma coisa de elevação da alma. O propósito total dela é esse, na verdade, é você sair do normal, né? Sair daqui.
Eron Falbo: [42:13] Transcender.
Maestro Evandro Rodriguese: [42:14] Transcender, né? E a música clássica tem esse objetivo. Na verdade, a fonte de toda música, seja ela clássica ou seja ela popular, é a mesma. Eu tenho um amigo compositor que fala isso: a fonte é bela. Não interessa se é samba, se é batuque, se é Bach, se é Wagner, a fonte é única. É de um lugar só que vem. A diferença é que é um material que cada um expressa de uma forma diferente, de acordo com a tua cultura, de acordo com o teu conhecimento. Mas a fonte é a mesma. O objetivo da arte, na verdade, ele mudou um pouco com o tempo, mas eu acredito que vai voltar. Eu sou uma pessoa positiva. O objetivo da arte é elevar.
Eron Falbo: [43:03] Cara, você tá falando tanto de bar e elevar. E qual outra coisa você falou agora? Droga, perdi a piada.
Maestro Evandro Rodriguese: [43:14] Eu também, eu falo e deixo fluir.
Eron Falbo: [43:21] Ah, de fonte, agora lembrei, a piada era...
Maestro Evandro Rodriguese: [43:23] Isso, a fonte.
Eron Falbo: [43:24] Falando de fonte, de se levar em bar, dá vontade de ficar bêbado.
Maestro Evandro Rodriguese: [43:28] Então assim, olha só que legal, tá falando de vinho, né? Por exemplo assim, a gente gosta de vinho, né? Por exemplo assim, você abriu uma garrafa de vinho, né? Eu tô com essa aqui, essa garrafa é um vinho chileno. É do Marquês de los Lagos, né?
Eron Falbo: [43:44] Opa!
Maestro Evandro Rodriguese: [43:46] Por exemplo assim, você abre uma garrafa de vinho, coloca um vinho, é diferente, é o clima do que você abrir uma cerveja ou um uísque, é diferente do que um refrigerante, né? Então assim, eu tenho um amigo que fala assim, toda vez que eu ouço o Vivaldi, eu gosto de abrir um vinho, ele fala, parece que ele busca, mas se vai ver o vinho, cara, assim, ele tem um pouco a ver com essa coisa da música clássica, né? Porque um vinho, para ele ser mais complexo, ele precisa de um terreno que seja bem seco, como na vida. Uma vida mais complexa, mais difícil, as raízes da uva descem até encontrar água, e quanto mais profundo ela desce, mais complexo é esse vinho e melhor é esse vinho. Como se fala que é um vinho jovem, é um vinho menos complexo, é porque, na verdade, a raiz dele tá menos profunda, a água tá mais próxima da estrada de cima. E na música é assim também, quanto mais profundo você vai na alma, né? Mais complexo é aquele tipo de música, mais profundo é aquilo.
Eron Falbo: [44:50] E olha só, vou te dar um complemento, é isso? Voltando àquela coisa, e a gente valorizar a alta cultura por quê? Porque, para poder providenciar isso para o mundo, propiciar... como é que chama... alguma coisa assim. Para a gente conseguir fazer essa fabricação, demora... milênios, tipo, centenas de anos de aperfeiçoamento que a galera está fazendo aqui. Estou bebendo um Pinot Noir do Barão Philippe de Rothschild, que é uma família que está aí desde 1822 aperfeiçoando...
Maestro Evandro Rodriguese: [45:35] É um patrimônio da família.
Eron Falbo: [45:36] Exatamente. E a estrutura que é necessária para poder tirar esse suco da terra, e a gente está bebendo aqui falando de alta cultura, é assim, eu acho que precisa ser valorizado, não é porque é um fetiche, né? Hoje em dia é um fetiche, pra muita gente é um fetiche, de fato, é que nem colecionar gibi, né? Tipo, existe esse problema, né? Existe essa coisa. Mas isso não é só o que é, entendeu? Claro que muita coisa de muita qualidade é preservada por esse tipo de fetiche. Mas eu acho que esse tipo de coisa, assim como um bom vinho, como você falou, está se promulgando, está se espalhando cada vez mais na nossa cultura popular. A gente precisa começar a pular esse gap da música popular e entender música como música, e não entender como duas vertentes da música, que nunca foi duas vertentes da música. A música sempre foi a música, tipo, aconteceu que a música... Existe uma indústria de música gravada, que nunca houve antes, e isso deu nascimento à música popular. Porque isso era muito mais fácil de consumir, muito mais fácil de vender, e por isso foi inventada a música popular. Mas antes, música era música, como você falou, a música folclórica e a música clássica se comunicavam.
Maestro Evandro Rodriguese: [47:00] Se comunicavam.
Eron Falbo: [47:01] E ela se expressava o tempo todo junto, né? Tipo, certamente no século XIX pegavam uma sinfonia de Mozart, uma ópera de Mozart, e tocavam na rua de forma menos estruturada, falando isso aqui. E essa era a música popular da época.
Maestro Evandro Rodriguese: [47:20] Tem marchinha de carnaval de 1920, 1930 aqui do Rio de Janeiro que é completamente inspirado em ária de ópera. Muito legal! Foi ficando cada vez mais elitizado, mas eu acredito que o movimento vai virar um pouco agora.
Eron Falbo: [47:38] E o Leonardo DiCaprio, na época, era o cantor de ópera, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [47:42] Exatamente!
Eron Falbo: [47:46] Eles eram super... O primeiro Elvis, esse astro popular, foram cantores de ópera. Então eu concordo com você que vai voltar, porque eu acho que é natural voltar. E a verdade, né? Tipo assim, essa coisa, essa justiça transcendental, né? Eu acho que sempre se impõe, independente do quê, das evidências.
Maestro Evandro Rodriguese: [48:19] É muito interessante você ver pela história, no início, no Brasil, né? O Brasil ele começa a desenvolver a cultura mesmo aqui a partir do barroco. O que foi forte no Brasil, no início, foi o barroco. No Renascimento, quando descobriu o Brasil, estava no Renascimento na Europa, mas o Brasil não era nem visto ainda como uma terra para... Eles queriam explorar a Ásia, os portugueses. Então, eles deixaram o Brasil esperando um pouco, a partir de 1580, que eles começaram, de fato, a querer mexer a coisa aqui. E daí, naturalmente, desenvolve a cultura, a arte em especial, e, claro, a arte barroca. Quem trabalhava, de fato, na arte nessa época, quem fazia, quem eram os artesãos dessa época, eram os filhos, na verdade. Geralmente eram os mulatos. Era filho de pai português e mãe escrava. Geralmente era isso. O filho nascia, o pai não ia colocar na senzala. O filho seguia ou carreira militar ou carreira artística. Cara, vamos dizer assim, 80% quase dos compositores brasileiros, de toda a história brasileira, eram moleques. Até devido a isso. E militares também, e depois artistas, como o Aleijadinho. E hoje, depois de um tempo, começou a mudar. Claro, começou a mudar. Hoje em dia, você olha uma orquestra... Quando eu era mais moleque, levava uma orquestra, era diferente, né? Geneticamente falando, pode ver, né? Hoje em dia você percebe que tá voltando como era antes, até devido a esses projetos sociais, né? Que trabalha muito com o pessoal de comunidade.
Eron Falbo: [50:01] Ah, legal.
Maestro Evandro Rodriguese: [50:01] Naturalmente eles começam a entrar nas orquestras. Você vê que tem um movimento que tá voltando como era no passado, né?
Eron Falbo: [50:08] Porque é o povo brasileiro, entendeu?
Maestro Evandro Rodriguese: [50:10] É porque é o povo brasileiro. Entendeu? Exatamente. Nós somos mestiços, entendeu, cara? Isso é muito legal. Então, você vê lá o cara que tem... Você vê na orquestra do Belém ou de Manaus, você vê o cara que é da Rússia tocando do lado de um cara que é índio, ou de um cara que é do lado... Isso é muito legal, cara.
Eron Falbo: [50:31] Isso é a beleza do Brasil, né? Desde o Dom João VI existia... era uma coisa super progressista na época, existia esse plano de fazer um povo mestiço que ele considerava superior, tipo o contrário de Hitler, né? E a gente não dá valor a isso, né? E o legal é que, se a gente trouxer isso pra essas massas, pra esse povo, se a gente conseguir encontrar essa chave, cara, a gente vai ter talentos inovadores. Então é uma massa de talentos gigantesca, né? Porque às vezes esse formato de academia russa, academia francesa, academia alemã, ou austríaca, melhor, de composição e de fabricar músicos, de repente se exauriu, né? E a gente tem que ter uma nova forma de refazer a música erudita com o jeito brasileiro, né? Que é o jeito de Dom Pedro II, que é o jeito de abrir escolas para... Exatamente, especialmente Dom Pedro II, que aperfeiçoou esse legado, abriu escolas e deu vazão, deu possibilidade. E, cara, muito bonito a gente poder fazer isso com música erudita, porque, óbvio, cara, com todas as músicas, mas, cara, música erudita não tá representada. Imagina, não existia... Eu moro no Rio de Janeiro, e a primeira coisa que eu fiz quando cheguei aqui no Rio de Janeiro foi ver o calendário do ano de ópera.
Maestro Evandro Rodriguese: [52:04] Não tem. É duas óperas por ano, e olha lá, e olha lá.
Eron Falbo: [52:08] Zero óperas no ano de 2019.
Maestro Evandro Rodriguese: [52:10] Exato.
Eron Falbo: [52:12] Não, eu tô falando por causa de pandemia. Tô falando antes da pandemia. 2019, zero ópera.
Maestro Evandro Rodriguese: [52:18] Mas você vê, o Metropolitan tem doze óperas por ano.
Eron Falbo: [52:22] Loucura, cara. Rio de Janeiro.
Maestro Evandro Rodriguese: [52:25] É, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro era o melhor teatro de ópera do Brasil.
Eron Falbo: [52:31] E numa certa época, era o centro, né? Tinha Carlos Gomes, tinha... Villa-Lobos, era onde? Deve ser no Rio, provavelmente. Aqui também, é, exatamente, Rio de Janeiro.
Maestro Evandro Rodriguese: [52:45] Então, assim, você pega o Colón: hoje em dia, o Colón faz muito mais ópera que o Rio. E olha que a Argentina tá mal das pernas, né? Mas o Colón faz mais óperas que o Rio.
Eron Falbo: [52:55] É, mas isso tem uma razão. Se a Argentina, que tá num estado deplorável, tá numa semi-Venezuela sinistra, tipo assim, daqui a pouco já vai estar numa Venezuela enorme. Vai ser chamada de Bronzentina em vez de Argentina. Vai ser diminuído.
Maestro Evandro Rodriguese: [53:18] Muito bom. Poderia ser Ouro Argentina, né? Ouro Argentino, né? Exatamente.
Eron Falbo: [53:31] Então, tipo, tá no pior momento da história, sacou? No começo do século XX, era a quarta economia do mundo. E, mesmo assim, aqueles merdas, com todo respeito, já morei lá, eu tô desrespeitando, mas a gente tem que ter uma rivalidade. Eles têm ópera... Pô, quantas vezes por ano?
Maestro Evandro Rodriguese: [53:50] É, o ano inteiro.
Eron Falbo: [53:52] O ano inteiro tem ópera? Então, assim, não é um problema estrutural, é um problema psicológico. Não é um problema econômico, é um problema psicológico.
Maestro Evandro Rodriguese: [54:02] Exatamente.
Eron Falbo: [54:04] E o que a gente faz? A gente tem só cinco minutos pra terminar aqui, mas vamos terminar com... o que a gente vai fazer sobre isso?
Maestro Evandro Rodriguese: [54:12] A coisa que acho mais importante para você fazer qualquer coisa na cultura é você, na verdade, começar na educação. Você precisa apresentar esse tipo de coisa. Vejo um movimento em franca ascensão no Brasil nesse sentido. Tem muita gente realmente trabalhando nesse movimento de ampliar a ópera, a música erudita no Brasil. Até porque tem muita gente no mercado, a verdade é essa. Tem muito cantor bom no mercado brasileiro. Cantor bom que o mercado brasileiro nem consegue absorver, mas o mercado europeu e da América do Sul absorve, né? E tem cantores excelentes no Brasil. Tem cantor que canta no Metropolitan, mora em Berlim, é brasileiro, do Pará, né? Então, assim, você vê que... Peraí.
Eron Falbo: [55:04] Peraí, estão dizendo que a gente caiu a conexão?
Maestro Evandro Rodriguese: [55:08] Não é?
Eron Falbo: [55:09] Caiu a conexão, gente?
Maestro Evandro Rodriguese: [55:11] O que é?
Eron Falbo: [55:13] Ah, está falando para a gente fazer mais uma hora.
Maestro Evandro Rodriguese: [55:15] Mais uma hora, eita!
Eron Falbo: [55:18] Infelizmente, vou explicar algo só para explicar brevemente, que também vale para o programa. A gente tem um podcast, e o compromisso que eu tenho com os patrocinadores... mentira, não tem patrocinador nenhum. O compromisso que eu tenho com o sistema de podcast é porque tem que fazer sempre o mesmo tanto de horas. Alguém me disse isso aí, eu tô seguindo isso aí. Mas isso tem que ser uma hora mesmo. Eu adoraria, no futuro eu vou fazer isso. Quando vocês forem lá no Spotify, derem o Seguir, entendeu? No Alvo com o Eron Falbo, que é o meu programa, e aí eu tiver milhões de seguidores, aí eu faço quantas horas vocês quiserem, entendeu? Que eu vou estar recebendo milhões de dólares e a alta cultura vai vingar o mundo inteiro. Milhões de dólares. Milhões de dólares.
Maestro Evandro Rodriguese: [56:11] Como você não tá me falando, então... é agradecer, Eron, agradeço muito a oportunidade de conversar com você. É muito legal, o papo é muito bom mesmo, você é um cara super culto, muito legal demais. E quero agradecer aqui também a Wine Time_RJ, tô aqui bebendo o vinho deles aqui, maravilhoso. É uma representante de vinhos aqui da Barra da Tijuca, maravilhosa. E está vendendo vinhos excelentes, assim, para um preço super legal.
Eron Falbo: [56:45] Entra em contato com a nossa produção, www.eronfalbo.org, que eu gostaria de experimentar os vinhos de vocês. E fico feliz em beber no programa. O que vocês quiserem, eu bebo pelado, porque a conta de vinho está foda aqui.
Maestro Evandro Rodriguese: [57:05] Alguém falou que não tem alta cultura. O mundo mudou, não tem alta cultura, alta costura, e nem sexo depois do casamento.
Eron Falbo: [57:20] Ah, cara, é você que pensa. Alta costura continua, você continua tendo alta costura. Gourmet, outro dia... apagou a gastronomia. Eu paguei muito caro outro dia num restaurante aí, e a comida realmente era melhor.
Maestro Evandro Rodriguese: [57:34] Tem que ser, pelo amor de Deus, também, né? Sacar a cara pra comemorar, sacanagem.
Eron Falbo: [57:41] Ih, a Ruiva Leila acabou de entrar. Ih, agora que a gente vai embora, a Ruiva chegou. Que vacilo! Oi, cara. Oi, Ruiva Leila.
Maestro Evandro Rodriguese: [57:51] Ah, legal.
Eron Falbo: [57:52] Só não pinta o cabelo, né? Porque depois como é que vai ficar seu Instagram?
Maestro Evandro Rodriguese: [57:56] Exatamente. Então eu quero agradecer muito a oportunidade, a conversa foi ótima. A gente pode marcar outro dia pra conversar mais.
Eron Falbo: [58:05] Com certeza, com certeza. Eu quero fazer um best of, assim, das minhas entrevistas. Tipo, a galera que tinha estômago pra mais filosofia, loucura, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [58:17] A gente gosta de Platão, né, cara?
Eron Falbo: [58:19] Mais Platão, menos Aristóteles. Tem aquele livro, né, do Lou Marinoff. Eu já estive com o Ellumer, que ele escreveu 'Mais Platão, Menos Prozac'. É isso que você tá citando, né? Existe um best-seller, tem um best-seller que é 'Mais Platão, Menos Prozac', tipo, pra galera aprender com Platão. Mas é engraçado, concordo com você, menos Aristóteles. É isso, Evandro, cara, muito obrigado. Maestro, como é que chama? Dom, maestro, doutor, como é que chama, maestro?
Maestro Evandro Rodriguese: [58:59] Maestro, maestro.
Eron Falbo: [59:01] Maestro. Mas se for brother, maestrão, como é que chama? No futebol.
Maestro Evandro Rodriguese: [59:08] Evandro, Evandro.
Eron Falbo: [59:14] Valeu, Maestro! Eu agradeço muito por me ensinar o que é um headphone de verdade, por me ensinar onde se encontra harmonia, melodia e ritmo, né? A gente falou que é no youtube.com. Google também. O Google também. Olha só, a gente quer saber como a gente aprende nessas lives. Muito obrigado por aceitar o convite. A gente está junto, dá para sentir uma harmonia de pensamento muito grande entre a gente. Vamos fazer projetos juntos e trazer de volta a música erudita. Fazer o Brasil reinjetar a brasilidade na música erudita, que faz tanto tempo que a gente não está entrando nesse palco mundial, né?
Maestro Evandro Rodriguese: [1:00:15] Sim.
Eron Falbo: [1:00:16] E, cara, é isso. Tamo junto.
Maestro Evandro Rodriguese: [1:00:18] Maravilha.
Eron Falbo: [1:00:19] Valeu, então, boa noite a todos. Boa noite, Evandro.
Maestro Evandro Rodriguese: [1:00:23] Coitado. Muito obrigado, hein. Obrigado.
Eron Falbo: [1:00:25] Abraçado. Tchau, tchau.
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