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#36 O que é uma mulher respeitável

com Ana Lins · 26 de nov de 2020

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura e apresentação da convidada (0:00)

Eron Falbo: [0:06] Alô, alô, galera, tudo bem? Fazer hoje a entrevista com a Ana Carolina Arruda Lins. Oi, Ana, seja bem-vinda. Boa noite.

Ana Lins: [0:21] Obrigada pelo convite.

Eron Falbo: [0:25] Seja bem-vinda ao mundo das lives. Tem nada de mais.

Ana Lins: [0:34] E qual é o drink que eu fiquei... Ai, meu Deus, vou pegar um outro.

Eron Falbo: [0:37] Eu vi que você... Depois eu vi nos seus stories aí que você me traiu, que você tá bebendo outro drink. Que drink é esse?

Ana Lins: [0:44] É um drink rosa. É que eu tô morando aqui em Ipanema e tem um bar embaixo do meu prédio. Eu fiz: 'Eu quero um drink rosa, da cor da minha marca.' Aí ele falou: 'Essa cor não tem.' Eu fiz: 'Então vai morando comigo.' Ele fez: 'morando.'

Eron Falbo: [1:00] Bom, pra quem não sabe aí, a Ana Carolina, que a gente chama de Ana ou Carol, porque eu estou vendo que sua família chama de Cacá... Alguém já falou isso? A Ana Lins é a idealizadora do Let's Play, uma verdadeira plataforma de autoconhecimento, saúde, bem-estar e amor próprio. Ela é arquiteta, construtora civil e, na verdade, pelo que eu percebi dela, é uma engenheira das artes: faz as coisas acontecerem, sabe com quem falar pra fazer as coisas saírem da imaginação e irem pra cenografia do zoológico, ou do bio... Rio, na verdade, que chama?

Novo conceito do Bioparque do Rio (1:37)

Ana Lins: [1:41] Bioparque.

Eron Falbo: [1:43] Bioparque, é. Bioparque, o novo conceito de zoológico. A gente pode começar com isso: como assim, o novo conceito de zoológico? Vai ter animais verdadeiros lá?

Ana Lins: [1:55] Não, é que é o seguinte: zoológico, o conceito tradicional de zoológico, é o animal preso e a pessoa vai observar o animal de fora. O bioparque é o contrário: o animal tá livre e é a pessoa que entra no local do animal. Então, ao invés de ter gaiolas assim... Um safári, tipo. É, tipo safári, sendo que, no caso aqui do Rio, é mais você entrando nos recintos, que falam. São, tipo, meio que espaços que a pessoa entra e usa. Os espaços, sei lá, os usos do espaço.

Eron Falbo: [2:25] Mas como é que vocês estão fazendo com o recinto do tigre?

Ana Lins: [2:30] Ah, isso é estratégia, estratégia de arquitetura. Enfim, tem várias formas. Eu fiz uma consultoria agora com um arquiteto chileno que é especialista em zoológico, e ele ensinou as formas de fazer essa barreira entre o ser humano e o animal de forma natural, de forma que o ser humano não enxergue essa barreira, por exemplo.

Eron Falbo: [2:53] Ah, entendi, entendi. Mas existe uma barreira. Vocês não fizeram terapia com o tigre pra ele ser vegetariano?

Ana Lins: [3:00] Existe uma barreira, mas normalmente essa barreira não é uma grade.

Eron Falbo: [3:06] É uma coisa que você não sente psicologicamente, né?

Ana Lins: [3:11] O sentimento de... Nem psicologicamente, nem visualmente. Por exemplo, tem uma parte lá, com vários lagos, e as pessoas vão passar e parece que os macacos estão soltos. Eles vão passar por cima da cabeça das pessoas, sendo que, na verdade, o macaco não consegue chegar até o chão porque tem o lago que impede que ele entre. Então, visualmente, a sensação é que a pessoa está passando livremente.

Eron Falbo: [3:39] Se for um macaco muito tarado, ele vai nadar, né? Se ele tiver no cio.

Ana Lins: [3:45] Os vibes de uma dada grátis de carro lá, né?

Eron Falbo: [3:47] Mas, Ana, macaco não nada, não? Você tá aprendendo sobre animais? Como é que tá essa experiência?

Ana Lins: [3:53] Tô aprendendo muito. Nossa, tipo, operações de, sei lá, como transportar uma girafa, tipo assim. Quais são as estratégias pra transportar uma baleia do país, sabe? Tipo, eu tô escutando esse bicompeito, mas o meu trabalho em si...

Eron Falbo: [4:08] Isso é ótimo pra vida também, né? Tipo, no geral, pra depois que você sair desse projeto, pra quando você quiser transportar. Eu mesmo, você sabe que eu moro num grande chateau aqui em Santa Tereza e tenho vários macacos e mais. O Sebastião, que é o meu primeiro macaco, já tá velhinho. Mas ele nada, que a gente ensinou ele a nadar desde pequeno e tudo mais. Ele é um dos meus mordomos, inclusive.

Ana Lins: [4:39] Ele pinta também.

Arquitetura, arte e cenografia multifacetada (4:40)

Eron Falbo: [4:42] Ele pinta também, mas não fica tão bom quanto os seus quadros. Inclusive, como é que você entrou nessa onda de pintura de pop art? Eu chamo de pop art, mas você chama de quê?

Ana Lins: [4:55] Nossa, eu chamo também de pop art, eu gosto muito. Na verdade, é uma das artes que eu mais... Um dos estilos que eu mais me identifico, assim. Andy Warhol, sei lá, essa pegada de publicidade com marketing, sabe? Na verdade, é o que eu ia falar antes. O que eu mais gosto do meu trabalho, né, que é arquitetura, arte e dança, ele é muito amplo e me faz aprender operações completamente diferentes.

Eron Falbo: [5:19] Então, por exemplo... Você sabe que você acabou de enganar todo mundo aí, todo mundo percebeu, né? "Meu trabalho, que é arquitetura, arte e dança", isso não é um trabalho só, é um milhão de trabalhos que você...

Ana Lins: [5:29] Faz. Que não sou... De formação...

Eron Falbo: [5:32] Depois você vai ter que explicar isso, mas tudo bem.

Ana Lins: [5:34] De formação, eu sou arquiteta, mas estou sempre fazendo projetos que eu uso arquitetura.

Eron Falbo: [5:39] Que unem as diferentes coisas.

Ana Lins: [5:42] Por exemplo, eu trabalhei em uma agência de eventos durante dois anos só fazendo cenografia de eventos, eu acabava trabalhando com as operações dos eventos, com a produção do evento. Então, eu aprendia como era a operação da Subway, sei lá, porque eu tinha que projetar o espaço da Subway. Então, a arquitetura faz muito isso, a gente entender o espaço e a utilização do espaço e o que as pessoas precisam, as atividades que as pessoas vão realizar no espaço. Então, é tudo muito dinâmico. Então, para mim, acho que isso é...

Eron Falbo: [6:10] E depois que você termina o espaço, você dança nele para ter certeza que está tudo no lugar? Como é que você inclui a dança?

Ana Lins: [6:17] Olha, tem evento sim. Até porque o meu trabalho era muito mais antes, na montagem, né? Que ela chama... Então, durante o evento eu super curti, assim. Curti muito, inclusive, trabalhar nessa empresa. Porque durante o evento eu via aquilo acontecer, sabe? Era a melhor parte, na verdade. Quando eu via aquele espaço sendo utilizado pelas pessoas. E assim como vai ser agora também, no zoológico, vai ser a mesma coisa, porque eu vou ver as pessoas utilizando aquele espaço, visualizando, enxergando aquelas coisas que eu imaginei. Então, é muito legal. Isso é o que eu mais gosto na arquitetura, sem dúvida.

Eron Falbo: [6:51] Na verdade, parece que o seu emprego é um dos empregos mais divertidos que tem. Você tem que usar criatividade, tem que usar engenharia.

Ana Lins: [7:02] Sim.

Eron Falbo: [7:03] É agora?

Ana Lins: [7:05] No Recinto do Tigre, inclusive, você perguntou, tem uma super barreira, super paredão, digamos, que eu tinha que disfarçar isso. E aí eu criei uma estrutura como se fosse um barranco, um barranco de areia caindo, e criei sensações de que tinha árvore dentro. Então eu vou brincar com perspectiva das pessoas, então a ideia é que parece que tenha vegetação ali, não seja uma parede de concreto, entendeu? Então vai ser um desafio agora, tem que estudar como é a ferragem, então eu tenho que falar com engenheiro, tenho que falar com mestre de obras, com escultor, todo mundo pra entender qual vai ser a materialidade das coisas, enfim.

Eron Falbo: [7:47] E como é que essas pessoas todas se conversam? Porque eu acho que um escultor, por exemplo, não fala nem a mesma língua que um construtor, né?

Ana Lins: [7:56] É difícil! Não, eu enrolo muito com isso, porque assim, eu importei um escultor de Recife, que eu conheço, né? Eu trouxe minha equipe, porque... E como...

Eron Falbo: [8:06] É que ele pegou o passaporte nessa pandemia?

Ana Lins: [8:09] Não, foi um processo, assim, que realmente... Porque, assim, as pessoas que eu já tinha trabalhado, eu já sabia o ritmo, eu já podia... É meu nome que tá em jogo, então eu vou trabalhar com as pessoas que eu conheço, então eu trouxe esse pessoal. Mas, assim, são mentalidades diferentes, que é completamente diferente do carioca, que é completamente diferente do pessoal lá, que a maioria é do sul, sudeste, assim, Paraná, enfim. E aí, bom, foi essa dinâmica de comunicação, né? Então, assim, o pessoal chegou, enfim... Não vou falar nomes, mas as pessoas ficam: meu Deus, não entendo o que ele fala.

Eron Falbo: [8:42] Eles devem estar assistindo aí, tem muita gente assistindo.

Ana Lins: [8:45] Confia em mim, confia em mim, vai dar certo, vai dar certo. E aí, essa obra que a gente tá pegando de verdade, assim, ainda não engatou, porque tem todo esse processo de compra de material, de, enfim, concepção, né? Eu ainda tô na fase de concepção, já cheguei no final, acho que hoje eu bati o martelo mais ou menos nas áreas, mas ainda tem muito trabalho pra fazer.

Eron Falbo: [9:04] E você é uma menina muito jovem. Como é que você conseguiu que as pessoas te dessem o martelo para você poder bater? Como é que foi essa questão do seu avanço na carreira tão rápido?

Ascensão rápida e autoconfiança na carreira (9:10)

Ana Lins: [9:17] Eu acho que, assim, eu acho que...

Eron Falbo: [9:20] O Jonas falou que está assistindo, o pessoal do trabalho está assistindo. Cuidado com o que você fala.

Ana Lins: [9:25] Ele chama de seu Claysson, seu Claysson. Ele tem um cara lá no trabalho que se chama seu Claysson, que ele chama de seu Crayson. E aí eu fico brincando: eu não entendo nada do que seu Claysson fala. Eu faço assim, confia. Ele é muito bom, confia.

Eron Falbo: [9:38] Ele é o cara de Recife, você provou?

Ana Lins: [9:39] Não, é... mas Jonas, ele é do Paraná e é da minha filha e tal, tá todo mundo junto, trabalhando. Mas sim, em relação às oportunidades, né? Foi oportunidade, eu ia falar isso, sobre oportunidades, assim. Eu estava falando ontem no meu Instagram que eu sou muito de falar o que eu penso, falar o que eu quero, não só para as pessoas mais próximas, mas também até no meu Instagram eu posto, às vezes, o que eu estou querendo. E aí eu chamo isso de jogar a pedrinha no lago. Sabe quando você tem um lago parado e você vai e joga uma pedrinha e faz aquela onda? Pra mim, falar é como aquilo: você joga a pedrinha no lago e a onda vai acontecendo até que as pessoas vão sabendo e aquilo vai se espalhando. Então, você faz uma ação pontual ali, tipo, postei dizendo que faz cenografia uma vez, aí alguém lembrou um dia que: 'eita, eu conheço alguém que faz cenografia'. Então, vou lá e falo. Eu acho que tudo é o que você fala ou deixa de falar, sabe? Então, eu acho que...

Eron Falbo: [10:34] Desculpa.

Ana Lins: [10:37] Como eu fiz isso muito, de falar o que eu trabalho e tal, as pessoas começaram a me dar credibilidade, a dizer... Às vezes eu tenho uns momentinhos de... aquela farsa, né? Como é o nome da neura da farsa, sei lá, de sentir uma farsa? Rola, porque eu faço assim... Meu Deus...

Eron Falbo: [10:53] Como é que eu faço isso? Charlatão, que nem eu.

Ana Lins: [10:54] É, charlatão!

Eron Falbo: [10:55] Então, a razão que eu fico falando que eu sou charlatão o tempo todo é justo pra poder... eu ficar confortável com a minha própria mente me falando que eu sou um charlatão. Aí eu falo: eu sou um charlatão mesmo, eu faço um monte de coisa.

Ana Lins: [11:07] Eu faço... tipo, às vezes eu fico pensando, né? Poxa, tem um nomezinho, eu esqueci agora, que é... Mas o ponto é, eu sei que tem gente...

Eron Falbo: [11:16] Sabotagem.

Ana Lins: [11:17] Muito melhor até do que eu, sabe? Em arquitetura, por exemplo. Eu não sou a pessoa técnica.

Eron Falbo: [11:21] Mas a gente falou sobre isso já fora das câmeras. A gente falou dessa questão de quem é melhor ou pior. É meio que uma ilusão, né? Porque não existe um ranking. Não é uma ciência exata, né? Então, existe melhor... De repente, você... Síndrome de impostor.

Ana Lins: [11:38] Bárbara é maravilhosa.

Eron Falbo: [11:40] Síndrome de impostor.

Ana Lins: [11:42] Sim, síndrome de impostor.

Eron Falbo: [11:43] Impostor, né? Charlatão, impostor, mais ou menos parecido. Mas é coisa de pensar, né? A gente se autossabota pensando: ah, tem alguém melhor que eu, etc. Isso é uma coisa que te torna menos autoconfiante, né? E às vezes faz você conseguir menos coisa. Então, é um pensamento que... é a primeira coisa que, para você ter sucesso, precisa extirpar da sua mente. Porque, senão, como é que imagina o Rimbaud, que era um poeta com 17 anos, e não lembro se era... quem era o cara que era apaixonado por ele, Verlaine? Ele era um poeta com muito mais experiência. Como é que um cara de 17 anos subia em uma mesa em Paris e começava, na época da boemia de fato, a recitar um poema e se achar melhor do que todo mundo que veio antes e tal, e ser publicado com 17 anos? Só com uma autoconfiança que, é óbvio, quando você tem 17 anos, é normal.

Ana Lins: [12:42] Mas eu acredito nisso assim, de você acreditar no que você tá fazendo porque você gosta, porque você tá fazendo aquilo porque é o seu sonho, é o que você quer. E aí vai e fala, sabe? Vai falando. Desde mais nova, eu tinha esse sonho de ser empreendedora, de começar a fazer o meu nome e tal.

Eron Falbo: [13:02] Mandar as pessoas.

Ana Lins: [13:05] Eu acho que quanto mais novo, melhor: menos hábitos você tem, menos fixações. Desde o começo, assim, eu sempre fui muito livre pra experimentar, sabe? Até hoje eu tô experimentando, esse meu trabalho é pura experimentação. Eu tô, tipo, indo, né? Não foi nada planejado. Mas assim, hoje eu já tô em outra fase, na verdade, de querer construir coisas, de querer criar a minha marca mesmo. Acho que agora eu tô começando a realizar um sonho mesmo, que eu tenho desde bem antes, de empreender e tal, e eu estou conseguindo tirar essa ideia do papel agora, só. Porque eu acho que eu tinha o meu processo, enfim, de trabalhar, de aprender muito, mas agora cada um vai sentindo o seu ritmo.

Eron Falbo: [14:01] E também você teve que trabalhar essa onda de síndrome de impostor, você teve que ganhar mais autoconfiança pra se colocar pro jogo, pra trabalhos maiores, pra aceitar novos desafios. Conta um pouco sobre... os maiores, tipo assim, as coisas que eu imagino que o Bioparque, o zoológico do Rio... Vamos falar do zoológico do Rio só pra todo mundo poder entender o que é, e esse trabalho, é só pra todo mundo entender: ela é a cenógrafa, assim, fala, gerente de cenografia do novo zoológico do Rio de Janeiro, que se chama Bioparque. Aí só eles podem responder por que isso faz sentido. E isso significa, basicamente, que... ela também tem gente que não tem a mínima ideia do que significa também. Então, vamos mais além, eu vou tentar também, se me corrija: significa, basicamente, que ela é responsável por fazer acontecer tudo em termos de experiência temática do que o visitante vê e vivencia dentro do zoológico, desse parque... como é que chama? É um parque, um parque temático, só que com animais.

Bastidores da cenografia do zoológico (14:11)

Ana Lins: [15:23] Como é que você está nesse processo? Você já está há um tempo lá na obra? Eu já vou pegar a parte mais interna dos recintos, que é onde os animais ficam, eu não vou pegar muito a parte externa, sabe? Porque já está meio que quase construída. Eu estou indo em alguns pontos fazer o tigre, o leão, sabe? Estou estudando os animais e fazendo as partes internas deles. Então, é meio que assim: se o leão é savana, eu vou recriar uma savana.

Eron Falbo: [15:50] E o leão é o quê? Como é que está o leão? Ele está bem, de saúde? Ele só tem um.

Ana Lins: [15:59] Não, acho que vai ser dois.

Eron Falbo: [16:03] Porque eu fui uma vez, uma das minhas... A última vez que eu fui no zoológico na vida foi na minha mente. Eu fui em Israel também, mas antes dessa fui em Londres, que é um dos maiores zoológicos do mundo. Não sei se está certo, pela minha memória. Você deve... Não achei que você já tinha feito assim o dele, no mundo inteiro. Mas, sim, bom, mas eu fui no zoológico de Londres, e eu, aquele dia, eu me prometi, e obviamente eu menti para mim mesmo, que depois eu fui, mas eu não ia mais no zoológico, porque o leão estava tão, tipo, estava na pior. Parecia que ele era cacudo. Era o leão do craque, se envolvendo com as pessoas erradas, estava meio deprimido. Pode ser não, mas ele estava magrinho, tipo o Scar, sabe, do Rei Leão. Ele estava... pode ter sofrido um golpe de Estado. Mas o nosso leão é saudável. Isso é importante para mim.

Ana Lins: [17:11] Mas aí é que está acontecendo essa reformulação, né? Então, a ideia é que os animais se sintam mais confortáveis. Eu acho muito legal, é bem importante eu falar isso, porque o zoológico do Rio, ele era meio que um local onde as pessoas colocavam lá os animais, sendo que não tinha estrutura suficiente para dar conta dos animais. E aí eles agora estão fazendo essa reforma para melhorar a qualidade de vida dos animais. Tá melhorando a parte de cambiamento, que é onde os animais têm o tratamento deles. Tá melhorando a parte de estoque, de alimentação. Enfim, toda a estrutura para os animais. Então, aqueles animais que já estavam lá, eles vão viver de uma forma muito melhor, muito mais confortáveis, com espaço adequado. Com treinamentos adequados, chama de enriquecimento do animal. Vê que massa, a educação do animal chama de enriquecimento. Eu tô aprendendo um monte de termos assim, tipo, bem diferentes. Eu achei tão incrível isso. Como é que é?

Eron Falbo: [18:06] Enriquecimento? Não peguei direito. Enriquecimento?

Ana Lins: [18:08] Vê que interessante. Quando uma bióloga vai ensinar coisas para o animal, ela chama esses ensinamentos de enriquecimento, esse treinamento. Então, tipo, se ela pega um elefante e bota um objeto, um alimento no alto para o elefante pegar, ela tá fazendo com que ele faça um exercício que vai enriquecer, enriquecê-lo, sabe? Enriquecer, vai... Eu acho que a gente...

Eron Falbo: [18:31] Devia colocar biólogos como Presidente da República, como no governo.

Ana Lins: [18:36] Eu achei muito bom esse termo.

Eron Falbo: [18:38] A gente devia usar isso, porque a gente usa enriquecer que tem mais papel dentro da carteira.

Ana Lins: [18:45] Meu pai falava muito isso. Educação. Educar a ação. Então, você tem que educar aquela sua ação. Enriquecimento é tipo, você está enriquecendo o seu ser. Seja com conteúdo, seja fisicamente, seja com movimento. Acho que é genial isso.

Eron Falbo: [19:02] E também o biólogo está tratando sabedoria como enriquecimento, entendeu? Não está falando... Porque se fosse igual a nós, ia falar: pô, quantas carnes o leão tem, e isso seria enriquecimento? A gente pensa assim, né? Quantos recursos que a gente consegue consumir, e isso é enriquecimento, né? Tipo, a nossa habilidade de adquirir recursos. Então, o leão, por exemplo, ia ser muito mais rico do que a girafa, porque ele come muito mais recursos.

Analogias entre comportamento animal e humano (19:33)

Ana Lins: [19:34] Entre animal e ser humano, essa analogia. Tipo, a fêmea, o macho, aquele que vai tentar fazer... Enfim, toda a dinâmica animal parece muito.

Eron Falbo: [19:49] Com a dinâmica... Aquele que vai tentar fazer o quê?

Ana Lins: [19:53] Vou dar um exemplo. Esse final de semana eu fui pra uma fazenda. A gente tava aprendendo a mexer com cavalo, e aí tinha um cachorro que tava latindo sem parar. Aí o pessoal, ó, ele não vai parar e tal. Aí a veterinária lá fez: peraí, deixa eu tentar? Ela foi lá, juro, em um minuto ela calou a boca do cachorro. Aí eu fiz: meu Deus, como foi que você fez isso? Ela fez: não, é muito simples, é bronca e agrado. É a mesma coisa com o ser humano. É assim, quando o cachorro tá latindo, ela vai e joga um borrifado de água no rostinho dele. Aí ele para de latir, porque ela jogou, aí isso é a bronca. Aí daqui a pouco ele começa a latir de novo, ela bota de novo. Aí ele para.

Eron Falbo: [20:36] É coisa pra vlog, né? Condicionamento.

Ana Lins: [20:38] Então, aí, quando ele fica um tempinho a mais sem falar, ela vai dar um agrado, dar uma comidinha. Aí, se ele voltar, ela dá de novo. Aí bota de novo.

Eron Falbo: [20:47] Assim que eu faço com os meus amigos também.

Ana Lins: [20:49] É bom. Eu achei genial. Fiz: nossa, eu vou criar essa estratégia. Tipo assim, você vai fazendo. Enfim, a mente humana é muito mais complexa.

Eron Falbo: [20:57] É bom fazer isso com homens e mulheres. Bom, historicamente, mulheres sempre souberam fazer isso muito melhor do que homens acham que assim é tudo. Mulheres condicionam homens nessa coisa, mas homens sempre acham: não, se eu falar com ela direitinho, ela vai entender. Mulheres falam: não é para falar diretamente, eu tenho que dar uma coisa assim, direto, um agradozinho. Aí você dá uma bronca. Aí o homem fica na dele, entendeu? Realmente, comigo funciona. Sempre funcionou. E eu, apesar de eu saber dessas leis, é engraçado como a mente masculina funciona. Apesar de você saber, eu estudo hipnose, eu conheço algumas coisas sobre a mente humana, mas mesmo a gente sabendo, a gente volta para o nosso natural animal. E eu fico tentando, tentando, e recebendo a bronca e entrando na linha. Tipo, minha mãe, até hoje, quando me visita, ela me manipula totalmente.

Feminismo, maternidade e papéis de gênero (21:56)

Ana Lins: [22:00] Aí você entrou em dois pontos. Feminismo e maternidade. Dois pontos logo. Vamos discutir?

Eron Falbo: [22:10] Vamos, vamos. O que eu falei de errado?

Ana Lins: [22:13] Não, de errado não. É só que, assim... Vamos falar sobre a maternidade. É um ponto bem complexo, eu acho, a maternidade. A maternidade, eu acho que é uma coisa que nem a mulher consegue entender como é que ela faz. Tipo, eu não sou mãe. Tem minha mãe aí que tá me assistindo, maravilhosa mãe.

Eron Falbo: [22:30] É a Lúcia, sua mãe?

Ana Lins: [22:32] É, Lúcia. Mas assim, a mulher, ela tem várias questões, né? Tem a maternidade, tem a sexualidade, tem a virgindade, tem o empoderamento, né? O trabalho e tal, que é uma coisa nova na vida da mulher. Mas, assim, eu tenho enxergado...

Eron Falbo: [22:50] O adestramento de homens ou como é que chama?

Ana Lins: [22:52] O casamento é outra questão.

Eron Falbo: [22:53] É, que é a mesma coisa.

Ana Lins: [22:54] As mulheres atuais, modernas, são trabalho, casamento, filhos, maternidade e empoderamento pessoal de ser independente. As mulheres contemporâneas têm esses quatro pilares aí.

Eron Falbo: [23:13] E as mulheres, em algum momento na infância ou na adolescência, elas aprendem a castrar o homem, a humilhar o homem. Em que momento elas ganham essa habilidade?

Ana Lins: [23:26] Não tem nada disso, não. Na verdade, é o contrário. É entender como é que aquela pessoa, o homem, o parceiro e tal, vai fazer com que ela consiga conquistar as coisas que ela quer conquistar. Eu acho que cada vez mais vem essa mudança, né? Da mulher querer um parceiro, não para ser o casamento dela. Eu vi até uma frase hoje, bem interessante, que é: homem não é banco e casamento não é carreira. Tipo assim, as mulheres antigamente tinham a visão do homem, aquele homem que vai ser provedor, aquele homem que vai... Que o casamento vai ser a vida da mulher. Isso antigamente era assim. E aí, hoje em dia, a gente tá mudando. Até porque isso é ruim pro homem, que nem o homem tem que ser obrigado a fazer isso, esse papel social. E é ruim pra mulher também, que ela acaba ficando dependente, né?

Eron Falbo: [24:20] Eu acho que se isso é de uma forma, vamos dizer, compulsiva, de uma forma que não é inserida dentro de uma cultura, que não tem papéis claros e que as pessoas não têm uma sabedoria por trás, eu concordo com você que isso é ruim para todo mundo. Mas eu também concordo com você que isso, no geral, essa visão de que eu preciso ser alguma coisa específica, isso é muito ruim, especialmente para a mulher. Eu acho que essa emancipação da mulher no feminismo foi muito positiva nesse ângulo, pelo menos, eu tenho milhões de críticas ao feminismo. É nesse ângulo especificamente, de permitir que o mundo... Não é nem para as mulheres, eu falo assim, para o mundo, sabe, que hoje o mundo tem a sensibilidade e a criatividade feminina muito mais presente, muito mais expressada dentro do mundo. Você vai ver, o zoológico do Rio agora tem o grande privilégio de ter uma jovem mulher que em outras épocas seria literalmente devorada pelos leões.

Ana Lins: [25:28] Acho que é uns 80 por cento homem na minha sala.

Eron Falbo: [25:31] Ok. Isso aí a gente não precisa entrar, porque eu também sei muitas estatísticas. A gente vai brigar. Mas a questão não é essa.

Ana Lins: [25:39] O meu áudio está em xixi, é sanduíche. Foi Amanda.

Eron Falbo: [25:44] Eu estou ouvindo bem seu áudio. Talvez seja porque o pessoal está ouvindo sem fone. Não sei, o pessoal que tá falando do reverb aí, é porque tá ouvindo sem fone. Depois fala aí se tem um pouquinho de delay, mas se você tiver fone de ouvido melhora muito o som, tá? Se quiser pegar um fone... Não tem? Não tem, mas tudo bem, tá bom. O áudio, assim, para mim tá bom. Áudio, se tiver bom, tá.

Ana Lins: [26:15] Você já é técnica, né? Já vou aprendendo aí, tá? Na próxima eu já...

Eron Falbo: [26:19] Volto. É, porque o que acontece é que você tá ouvindo o áudio, e o microfone que você tá... O áudio tá ouvindo o meu áudio e o seu áudio, entendeu? Então ele tá dando feedback. Sobre o feminismo, você tava falando.

Ana Lins: [26:38] Não, eu acho que vamos entrar na... Eu vou conduzir aqui.

Eron Falbo: [26:42] Não, por favor. Você pode me fazer perguntas. Isso aqui é uma conversa entre amigos.

Ana Lins: [26:47] Quando eu decidi fazer, né, começar realmente a tirar isso do papel, a ideia da Letícia, eu fiz... Caramba, eu não me sinto no... Eu não sou nenhum especialista, nem em sexualidade, nem em feminismo. Sou uma pessoa que acredito muito na causa e tal. Atuo diariamente na minha vida, tento ser ao máximo independente. Enfim, todos aqueles conceitos que o feminismo coloca. Mas eu não me sinto no poder de fala de dizer que é isso e não é isso, sabe? Eu estou me capacitando, estou estudando cada vez mais. Mas eu sei que é um assunto delicado, principalmente para mim, que eu sempre trabalhei em um ambiente... Eu tenho dois... Minha casa é basicamente de homem, eu só tenho minha mãe.

Eron Falbo: [27:33] É um monopólio.

Ana Lins: [27:35] É, tipo... Só trabalhei em ambientes masculinos também, tipo evento, até construção civil. Poxa, é só homem, basicamente. Então, enfim, tem várias... Então, na verdade...

Eron Falbo: [27:48] Ana, eu queria te dizer, isso acho que é um insight que eu acabei de ter, que... Você defende o feminismo, para você é uma coisa importante. Isso eu acho legal. Eu acho que muito do feminismo tem muitas críticas, mas a gente não precisa entrar nisso, porque não é um assunto que nenhum de nós aqui domina. Mas, para mim, pessoalmente, eu entrevisto pessoas, estou sempre trabalhando com networking, isso está no meu trabalho, na época que eu trabalhava, antes de eu me aposentar. Eu tinha muitas reuniões, eu tinha 300 reuniões por ano. E assim, volta e meia se encontra alguma feminista no meio desse bolo. E você ser uma pessoa que dá para escutar, como eu quero ouvir o seu feminismo, porque você não só se coloca para o jogo, para trabalhar no meio de muitos homens, como você é bem-sucedida, você é uma pessoa com autoconfiança, tipo assim, você acredita no seu próprio trabalho. Dá para ver, eu vi a apresentação dela que ela mandou para o zoológico, para conseguir a posição que ela tem agora. E ela se coloca assim como uma pessoa que tem certeza que ela era, mas ela não só é, como muita gente é e não sabe o próprio valor, e tudo mais. Então, assim, ouvindo o feminismo, feminismo de você é curioso, a gente quer saber, porque a maioria dos... Bom, não quero... Algumas feministas que a gente escuta são pessoas que estão amargas, amarguradas, rancorosas, né, com certas coisas da vida e tudo mais, estão um pouco na defensiva. Eu tô falando isso, que existem esses dois lados. Nós, como homens, né, a gente escuta esses dois lados. Aí, quando tem alguém como você, que... Tá, aí a gente vê, pô, tem questões de verdade, né, tem coisas que a gente pode trabalhar, que a gente pode melhorar.

Ana Lins: [29:52] Olha, eu entendi seu ponto de vista, eu vou dar o meu. Em relação às mulheres extremistas do feminismo, eu admiro elas, eu acho elas super importantes. É por causa delas que eu uso calças, por exemplo. É por causa delas que eu posso trabalhar, é por causa delas que eu posso votar. É por causa delas, enfim, várias outras coisas, porque alguma feminista lá atrás já fez isso, sabe? Bom, eu acho que elas são importantes, mas eu não me considero uma delas que levanta a bandeira e faz de tudo, porque não é o meu propósito maior, sabe? Mas eu acho que tá tão dentro de mim essa noção de que é importante, de que é uma coisa que eu quero levar pra minha vida, pras pessoas que convivem comigo, pros meus irmãos, enfim, pras pessoas que estão ao meu redor. Eu acho tão importante que eu acabo falando sobre o assunto. Eu acabo demonstrando isso com atitudes, aí é que tá. Eu não sou muito do discurso de falar: tem que ser assim, dados e tal. Eu não sou essa pessoa especialista, como eu falei. Eu não me sinto nem no direito de falar que eu sou a especialista em feminismo, porque eu não sou.

Eron Falbo: [30:59] Não estudei para isso.

Ana Lins: [31:01] Mas nada de tudo, isso eu tô entendendo.

Eron Falbo: [31:03] Eu acho que é injusto, entendeu? Que a mulher tenha ganhado o direito de votar... Porque eu acho que isso não é o suficiente, entendeu? As mulheres deveriam ter o dobro do voto do homem, né? O voto delas deveria contar o dobro, porque, porra, mulheres são muito mais sensíveis para, por exemplo, saber em quem devem confiar, esse tipo de coisa, né? Eu não sei se deveriam ser políticas, para não se corromperem, né, mas para votar deveria contar o dobro. E porra, dane-se, né, o que os homens estão sentindo, né? Porque hoje em dia muito do comentário contra os homens, quer dizer, contra o feminismo, é que põe os homens... e eu acho que...

Ana Lins: [31:49] Como eu falei, como eu sempre convivi em ambiente masculino, começando pela minha casa, que era meu avô, meu pai, minha mãe, meu tio, meus dois irmãos, cinco homens e duas mulheres. Eu sempre escutava conversas e tal, e comecei a achar natural, tipo, conversas masculinas e tal. E trabalhando com homens também, eu começava a colocar a minha opinião. Então, sempre que alguém me pergunta alguma coisa, eu digo a minha opinião. E às vezes assusta, porque eu falo tão direto, assim... sei lá, assunto polêmico, tipo...

Eron Falbo: [32:23] Eu digo logo.

Ana Lins: [32:24] Eu digo logo, entendeu? Aí, tipo... assunto sobre sexo, por exemplo. Sempre foi uma coisa que, às vezes, eu era mal interpretada. Porque chegavam os homens brincando, assim, na minha frente. E eu entrava na onda, tipo... É, não, eu acho isso. Aí, as pessoas... você tá acostumada a...

Eron Falbo: [32:41] Lidar com seus irmãos já, né?

Ana Lins: [32:44] Tipo... oi...

Eron Falbo: [32:50] Irmãos dela, ela manipula vocês? Como é que é essa questão em casa?

Ana Lins: [32:56] Não, não manipula. Eu ensino muito, né, Ti? É muito didático. Olha, você aprende qualquer coisa. Técnicas, eu... Tiago, olha, é assim que faz. Faz desse jeito. Faça, aprenda. Faça isso com os seus namorados. Isso é ótimo.

Eron Falbo: [33:10] Ah, é? Técnicas, assim, do amor, você tá falando? É desse jeito?

Ana Lins: [33:13] Não, é desse jeito. A gente é desse jeito.

Eron Falbo: [33:14] Você ensina eles a manipular mulheres?

Ana Lins: [33:17] É, também, né? Mas, assim, com amor. Sempre digo, com muito amor e muito respeito. Eles sabem disso.

Eron Falbo: [33:22] Com certeza. Eles já sabem dessa importância.

Ana Lins: [33:25] Meus dois irmãos são pessoas absolutamente incríveis.

Eron Falbo: [33:28] Cara, graças a Deus, assim, pô, eu também gosto dessa coisa de dinâmica social, né? Como é que os homens e mulheres agem, o que eles pensam, como é que flerta, como é que conversa e tudo mais. Mas graças a Deus, minha mãe... é porque, assim, as mulheres às vezes, me conhecendo, né, eu tenho uma cara meio de charlatão, né, tipo, de sedutor barato. Mas a verdade é que, graças a Deus, minha mãe, querida mãe, que talvez esteja assistindo aí, às vezes ela se põe para assistir e não fala nada, me ensinou a ser muito cavalheiro, né? Sempre andar do lado da calçada. Eu sei que isso aí são coisas que não existem mais.

Ana Lins: [34:05] Eu chamo isso de pré-preliminares. São cuidados, gentilezas, coisas assim que fazem a pessoa ficar encantada com o outro, sem que seja absolutamente nada relacionado à sexualidade. Técnicas, tipo assim: você oferecer uma água, sabe? Você abrir a porta, ficar do lado da calçada, tipo, vem pra cá, ou então, sabe, vem aqui, tal. São coisas maravilhosas que fazem a pessoa ficar encantada. Na verdade, eu acho que admiração tem tudo a ver com tesão. Quanto maior a sua admiração por alguém...

Eron Falbo: [34:41] Você não pode falar a palavra tesão na frente do seu irmão, Tiago? Que isso? Ele é super coruja, olha só. Tu que é incrível, amor, ele tá falando. Tu é uma grande mulher, garotão, tá super coruja.

Ana Lins: [34:55] Mas é assim, eu acho muito importante... ó, a Amanda falou uma coisa maravilhosa. Eu só vou pra cama com o cara se ele passar o dia inteiro sendo gentil comigo. Nossa, isso é muito lindo. Tipo assim...

Eron Falbo: [35:10] Mas lá no mesmo dia, isso tá ótimo, já.

Ana Lins: [35:12] Mas poderia ser até uma única noite, sabe? Mas a pessoa foi legal, não importa o tempo, foi carinhoso, verdadeiro, sabe? Enfim, é a pessoa tratar bem, assim, começando com tratar bem. E bom, e outra, quem falou aqui: mulheres em família não.

Eron Falbo: [35:33] Existe mulher, é viado, tá?

Ana Lins: [35:35] Deixando... Vamos começar quebrando esse tabu: não existem "mulheres de família". A mulher pode não ter família nenhuma. Peraí, morreu todo mundo no carro, no acidente, não tem família, não tem família nenhuma. Ela continua sendo uma mulher que merece respeito, continua sendo uma mulher do bem, uma mulher que pode estar fazendo besteira.

Eron Falbo: [35:52] Olha só, Ana, tem muita mulher que se coloca em posições de autodestruição de homens. Mas aí eu acredito que quem se coloca com baixa dignidade para o mundo não merece respeito, porque se você dá respeito a uma pessoa que não tem dignidade, ela sempre vai continuar não tendo dignidade, então vai ser ruim para ela. É a mesma coisa se eu dar caridade para alguém que vive só de caridade, que nunca dá um emprego, para alguém que não deu uma dignidade para a pessoa. Então eu não concordo que todas as mulheres merecem respeito. A mulher que se coloca como uma mulher respeitável merece respeito, assim como o homem que se coloca como homem respeitável. Você respeita o homem babaca que chega pra você e fala... Você já ouviu.

Ana Lins: [36:40] O termo "homem de família"?

Eron Falbo: [36:42] Já.

Ana Lins: [36:43] "Homem de família"?

Eron Falbo: [36:45] Sim. Ele é um homem de família. Normalmente é mais desmoralizante: é um garoto de família, é um menino de família.

Ana Lins: [36:52] Pera, que você já ouviu isso?

Eron Falbo: [36:57] Eu sou um menino de família.

Ana Lins: [36:59] Mulher respeitada, uma mulher do bem, uma mulher, sabe, uma mulher que merece respeito. Todas as mulheres merecem respeito. Ela pode não estar se dando respeito.

Eron Falbo: [37:09] Não, nem todas as mulheres. É isso que eu estou te falando: nem todos os homens merecem respeito.

Ana Lins: [37:13] Todos os homens também.

Eron Falbo: [37:15] Claro que não. Se um homem chega em você e começa a encostar em você, você vai respeitar ele? Não, você não precisa. Então, chega um cara pegando em você desrespeitosamente, você vai respeitar ele? A pergunta foi tão polêmica que caiu a conexão dela, minha gente... Ou foi a minha?

Ana Lins: [37:36] Travou, travou. Vamos responder essa: mulher respeitada... Eu vou esperar você responder essa pergunta: o que é, para você.

Debate sobre mérito e respeito (37:37)

Eron Falbo: [37:45] Então vamos entrar nessa onda: mulher respeitada. Para começar, a mulher respeitada não é o que as pessoas costumam ter, e isso eu concordo com você e com as feministas, com a Wilson Crawford, com...

Ana Lins: [38:01] Todos os grandes... Então, o que é, para você, uma mulher respeitável?

Eron Falbo: [38:07] Então, tá bom. O que é uma mulher respeitável? É uma mulher que sabe o que ela quer, sabe expressar isso externamente, sem ficar em cima do muro, né? E não coloca a responsabilidade da vida dela, e do que acontece com ela, nos homens.

Ana Lins: [38:27] Mas isso aí não seria uma mulher segura de si e não respeitável?

Eron Falbo: [38:31] Também. Mas uma mulher segura de si é respeitável, eu não tô falando de sinônimos.

Ana Lins: [38:37] Será que eu tô passando por uma fase que tá insegura?

Eron Falbo: [38:39] Pô, tô insegura, tô perdendo, tô fazendo...

Ana Lins: [38:41] Um monte de merda, tô me agarrando com o jeitinho preto.

Eron Falbo: [38:44] Mas eu só falei um fator. Nesse fator, ela não seria muito respeitável. Mas, de repente, ela é respeitável de outras formas. Cara, Thomas, eu tô falando que qualquer ser humano, qualquer animal... Vamos falar do zoológico, que a gente entende bem de animais. Se tem um animal que tá enchendo o saco, que você já falou mil vezes pra ele que ele não vai pegar a carne da mesa, mas ele fica pulando em cima da mesa, eu não vou respeitar ele. Eu vou dar um tapa na cara dele pra ele sair da mesa. E a mesma coisa com homens e com mulheres. Eu não acredito que é uma questão de gênero, é uma questão de ser humano, na verdade, de existência. Se tiver uma pedra que tá me enchendo o saco, eu vou jogar ela, entendeu? Se for uma pedra desrespeitosa, eu vou jogar ela. Se cair um coco na minha cabeça...

Ana Lins: [39:37] Você acabou de dizer que todo ser humano merece respeito, certo? Eu concordo com essa frase: todo ser humano merece respeito.

Eron Falbo: [39:43] Eu não falei isso, não falei isso. Eu falei que todo ser não merece respeito a não ser que ele ganhe respeito, que ele merece, significa que você chegou a merecer. Se não é merecimento... Por exemplo, vou te dar um exemplo filosófico: se meu pai me deu toda a minha fortuna, eu mereço reconhecimento por ser rico?

Ana Lins: [40:12] Sim, você é rico.

Eron Falbo: [40:13] Não, eu não mereço nada. Eu simplesmente sou rico.

Ana Lins: [40:18] Você entende?

Eron Falbo: [40:19] Merecer significa alguma coisa que você conquistou. Isso é merecimento, é mérito. Mérito e merecimento vêm da mesma palavra. Você tem mérito se você não fez nada de bom?

Ana Lins: [40:29] É que assim, nesse ponto a gente tá tratando de uma coisa, um bem, certo? Mas respeito não é um bem, respeito é um estado. Eu estou me respeitando...

Eron Falbo: [40:39] Não, cara, eu tô falando, a riqueza que eu tô usando como exemplo. Honra: se eu não mereci a minha honra, por que eu vou ser honrável? Por que eu vou ser tratado com honra? Respeito: se eu não mereci o meu respeito, por que eu vou ser tratado com respeito? Entende? Se eu não sou uma pessoa respeitável, como é que eu vou ser tratado com respeito? Eu não tô discordando de você que todo ser vivo merece o espaço dele, merece ter uma chance, merece uma oportunidade. E esse tipo de coisa eu acho que é inerente, é uma coisa budista até, né? Tipo, não pisar nas formigas porque merecem ter o direito de viver e coisas do tipo. Só que, entendeu, a gente tá falando sobre...

Ana Lins: [41:25] Rapidinho, muito bom: Doutora Genera falou, olha o homem explicando para a mulher o que... Desculpa, porque foi muito bom.

Eron Falbo: [41:33] Ótimo. Ótimo que tem um slogan, mas qual é a resposta, então? Se você tem uma resposta.

Ana Lins: [41:41] Acho que é bem assim, respeitar a questão da educação, independente de quem for. Agora, se o outro vai respeitar ou não, é uma questão dos dois, mas o ponto que eu quero chegar não existe.

Eron Falbo: [41:52] A gente está falando a mesma coisa de duas formas diferentes. Não, mas isso é um slogan. Eu não tô separando gêneros... É porque você tá separando homens e mulheres. Eu tô falando, eu não tô separando homens e mulheres. Tanto o homem quanto a mulher, tem mulheres respeitáveis e homens respeitáveis. Mas eu não tô dizendo isso, eu concordo com você que a gente tem que ser respeitável em todos os... Tipo, é respeitar, honroso. Vamos lá, próxima pauta agora.

Ana Lins: [42:23] E... próxima pauta.

Eron Falbo: [42:26] Por que a próxima pauta? Porque alguém falou pra me interromper?

Ana Lins: [42:30] Não, não, não. É porque, assim, a gente já tá entrando numa coisa. A gente já entendeu que...

Eron Falbo: [42:36] Não, não, mas eu acho importante fazer essa distinção. A distinção é que eu acredito que todo mundo tem que ser respeitoso com todo mundo. Uma formiga tem que ser respeitosa, né? Só que não é todo mundo que é respeitável. São duas coisas diferentes. Uma coisa é o que eu expresso perante o mundo, outra coisa é o que eu dou pro mundo. Tipo assim, eu posso ser uma pessoa que respeita todo mundo, mas não sou respeitável.

Ana Lins: [43:02] É, eu acho que...

Eron Falbo: [43:03] A gente não precisa discordar, entendeu?

Ana Lins: [43:05] É, não é... Eu acho que respeito é uma questão de educação. Agora, o termo mulher de respeito, pra mim, não é coerente. Só isso.

Eron Falbo: [43:14] Tá bom, concordo. Mulher de respeito não tem nada de especial. Ser de respeito pode ser. Mas vamos falar, o que é esse drink?

Ana Lins: [43:26] Você pegou especial? Eu pedi para ele fazer um drink rosa e aí me veio um drink de morangos. Vou tomar agora, ainda não tô nem lá. Eu também vou tomar, mas o que é...

Eron Falbo: [43:36] O drink que tem dentro dele?

Ana Lins: [43:37] O drink, eu acho que é cosmopolitan. O morango aí já ficou meio aguado. Aqui, agora, nesse momento, tem que...

Eron Falbo: [43:46] Beber mais? Eu tô aqui bebendo um... Como a gente combinou, né? Um vinho branco, um chardonnay.

Ana Lins: [43:55] Não deu.

Eron Falbo: [43:56] Mas conta uma coisa que eu sempre quis saber. É sobre essa experiência na Disneyland que você teve, de aprender a ser uma pessoa que serve outras pessoas. Porque a maioria das pessoas vai pra Disney pra receber entretenimento. E você foi lá aprender como doar.

Lições de serviço aprendidas na Disney (44:02)

Ana Lins: [44:16] Definiu muito bem. Eu estava trabalhando numa empresa de entretenimento, numa agência de entretenimento, de eventos. Aí eu comecei a entrar nesse universo e a estudar sobre isso. Comecei a estudar os festivais, comecei a estudar as operações, como fazer isso. E eu comecei a me encantar por esse processo. Eu estava nesse trabalho e eu já estava ansiando mais. Eu tinha me inscrito para um processo seletivo da Disney, que você ia trabalhar na Disney. Aí eu me inscrevi, sendo que eu não passei. Eu fiquei arrasada, porque eu tinha certeza que eu ia passar, não sei por quê. Até hoje eu não sei por quê exatamente, não sei se foi pela idade, porque é uma coisa mais de 18 anos, assim. Eu acho que eu já tinha 23, 24.

Eron Falbo: [45:02] Já velha.

Ana Lins: [45:03] É, já velha. 23 ou 24, quando eu me inscrevi. Então, eu acho que... Bom, não sei o motivo. Eu sei que eu não consegui. Eu fiquei muito chateada, porque eu não conseguia. Eu fiz, caramba. Eu queria muito aprender como é o jeito Disney de encantar os clientes, né? Eu queria saber a técnica. Eu fiz. Tá, então eu vou ver outra forma. Vida que segue. Aí, quando eu vi que esse curso, que uma amiga minha já tinha feito... Esse é service design, que é tipo a quality service, que é o jeito Disney de encantar os clientes. Aí eu fui pesquisar e tal, valores, tudo, e comecei a botar na cabeça o que eu queria. Aí fiz o meu vision board, para quem não sabe o que é vision board, está lá no Instagram da Say Let's Play, que é da Let's. O que é um vision board? É você pegar imagens, referência do que você quer para você, e colocar na sua parede. Então, por exemplo, eu queria ir para a Disney, eu coloquei na minha parede um mapa, um mapa da Disney, um mapa do que era a Disney e o que aquilo representava para mim. Aí coloquei: eu quero ir para Chicago, conheço a Chicago, conhecia... Enfim, aí eu comecei a visualizar essas coisas e consegui comprar essa passagem para ir para os Estados Unidos. Só sabia que eu ia, não sabia quando eu voltava, não sabia onde eu ia ficar, não sabia nada. Só sabia que eu ia para os Estados Unidos e ia fazer esse curso na Disney. Aí fui fazer o curso, chegando lá. Vou te falar, eu estudei tanto a Disney. Antes de ir, eu estudei tanto. Tem um livro muito bom que é O Jeito Disney de Encantar os Clientes. É bem fininho, eu recomendo demais. Dá muitos insights legais, que eu já estava sacando tudo. Eu já fui visando, sabe, tudo. Então, quando eu cheguei lá, eu tirava foto das texturas dos lugares. Eu tirava foto da pessoa limpando a lixeira, varrendo o lugar, oferecendo comida, dando tchau na hora de ir embora, recebendo. Eu observei cada etapa da jornada do cliente. Eu parava sentada na entrada e ficava olhando os funcionários recebendo as pessoas. Ficava na saída observando os funcionários dando tchau. É incrível, o treinamento deles é absurdo.

Eron Falbo: [47:12] Você trabalhou, né? Você fez o trabalho detalhado, específico?

Ana Lins: [47:17] Que é um trabalho pra mim mesma, sabe? Foi até o que eu tava falando. Eu adquiri muito conhecimento, muito, assim, tipo esponja, sabe? Eu passei quatro meses nos Estados Unidos adquirindo conhecimento. Não só na Disney, como eu rodei, assim, mais de 12 países. E assim, eu fui sozinha, tipo, deixo a vida me levar. E fui vendo o que eu ia adquirindo de conhecimento. E adquiri realmente muita coisa. Sendo que, quando eu voltei, eu achava que eu ia fazer carnaval. Eu achava que eu ia fazer vários eventos.

Eron Falbo: [47:45] Mas você tá... aos poucos você vai. Ah, não, por causa da pandemia.

Ana Lins: [47:49] Aí eu fiquei: meu Deus, e agora? O que eu vou fazer? Vou ter que pivotar a minha vida.

Eron Falbo: [47:54] Cara, é inacreditável que você conseguiu esse gig no Bioparque durante a pandemia, cara.

Ana Lins: [48:00] Total.

Eron Falbo: [48:00] Isso aí é um sinal dos deuses.

Ana Lins: [48:05] O caramba, todo o meu investimento, eu ainda não consegui botar em prática meus conhecimentos, por questão de falta de estrutura mesmo. Tipo, não tive nenhum cliente grande o suficiente que eu pudesse demonstrar as minhas habilidades de cenografia, de infraestrutura e tal. O meu curso da Disney, Manu, que está perguntando, durou dois dias.

Eron Falbo: [48:24] Bela está perguntando: durou quanto tempo o curso da Disney?

Ana Lins: [48:27] O curso da Disney durou dois dias só, de imersão. Sendo que eu fui vários dias para a Disney para ficar observando essas estratégias mesmo, sabe? Então, eu diria que, ao todo, eu gastei para ter esse conteúdo todo que eu tenho... acho que umas duas semanas de estudo lá, de conversar com pessoas que trabalhavam. Eu conheci muita gente que trabalhava, sabe? E fiquei trocando informação mesmo, pegava as revistinhas. Chegava lá, sentava, ficava conversando com as pessoas. Mas, e isso? E aquilo? Foi muito caro? Olha, foi muito caro o curso? Não, é um investimento. Eu não tenho uma noção agora de quanto foi o curso especificamente, mas é fácil de achar. Eu acho que, eu não sei, eu não vou dar um chute agora porque eu não lembro, mas assim, bota curso da Disney que tem o preço lá.

Eron Falbo: [49:19] Mas você acha que o importante é... Mas o que é caro, né? Se valeu a pena ou não.

Ana Lins: [49:24] Eu acho que pra mim foi um investimento muito válido. Muito, muito, muito válido. Principalmente pelo que eu conquistei por conta própria, sabe? Tipo, eu fui com essa visão de que eu queria aprender com a Disney e fui lá aprender sozinha também. Então, tipo, você ir lá e fazer valer, sabe? Eu acho que é muito nisso, assim. Por exemplo, eu só consegui esse trabalho porque eu tinha fotos do Animal Kingdom. Tipo, foto da textura de uma árvore. Tipo, eu nunca tô só...

Eron Falbo: [49:51] Não, eu vi a sua apresentação e isso fez uma diferença muito grande, que você tem uma experiência in loco, né? Prática.

Ana Lins: [49:59] É que eu estava lá sabendo o que eu estava fazendo, não estava lá para brincar, eu estava lá para estudar.

Eron Falbo: [50:03] E isso, assim, vê se você concorda comigo: isso é de alguém que sabe muito o que quer. Assim, você sabia muito que você queria trabalhar com isso especificamente, você foi... É difícil uma pessoa que não sabe muito o que quer fazer esse tipo de imersão, né? Esse tipo de detalhamento.

Ana Lins: [50:19] Assim, eu vou te dizer, eu às vezes fico bem perdida, tá? Do que eu quero fazer. Eu não sou uma pessoa, tipo, ai, meu Deus, ela é muito focada. Não, eu tenho meus sonhos, sendo que...

Eron Falbo: [50:29] Não, mas isso, assim, eu tô falando: você faz pintura, você faz dança, você faz um monte de coisa. Mas isso você queria fazer.

Ana Lins: [50:35] Isso, exato.

Eron Falbo: [50:36] Senão, você não teria... É isso.

Ana Lins: [50:38] É o que é mais difícil, sabia? Pra mim, é escolher, porque eu mesmo vejo que eu tenho uma oportunidade, um mundo inteiro de oportunidades. Eu posso ir pra onde eu quiser, eu posso fazer o que eu quiser, mas eu tenho que escolher, e escolher pra mim é o mais difícil, sabe? Mas aí, quando você escolhe, aí é muito bom. Tipo, pronto, eu escolhi fazer letras: eu uso letras nas minhas unhas, eu uso letras na minha roupa, eu uso letras na tela do meu celular. Por quê? Porque é uma mensagem que eu tô mandando pro meu cérebro: lembra? Lembra? Lembra? Sabe? É técnica mesmo, acho, de ficar fazendo. Ah, doutora Janara, quero ser sua amiga também.

Eron Falbo: [51:11] Apresento você.

Ana Lins: [51:12] Mas é isso, eu acredito muito no poder da mente, sabe? De você focar e ir atrás das suas coisas. Mas, assim... Eu acho que as coisas vão acontecendo enquanto você vai jogando as pedrinhas, como eu falei, a pedrinha no lago. Fica aí essa reflexão, eu acho, porque a pedrinha no lago é aquilo que você fala, é aquilo que você pensa. O que você fala é o que você expõe para as pessoas, né? Então, o que você quiser, o que eu quero fazer, eu falo, né? Então, estou falando aqui para 169 pessoas agora. Essas pessoas estão me escutando. E eu estou dizendo, eu quero... Hoje o meu maior sonho é a Lex. Hoje é o que eu mais quero que aconteça. Depois a gente vai mudando, assim, vai se adaptando.

Origem da marca Say Let's Play (51:49)

Eron Falbo: [51:52] Bom, vamos falar um pouquinho... A gente tem só 10 minutos aí, um pouco menos de 10 minutos restante. Fala um pouquinho da sua empresa, que na verdade eu peço desculpa porque eu nem conhecia, porque a gente conversou algumas vezes e eu não conhecia direito. Essa é a Let's Play, é o nome da...

Ana Lins: [52:09] É o Instagram, né? Porque não tinha Let's puro, então a gente botou só Let's Play. Vou explicar de onde vem o nome Let's Play. Eu e minhas amigas, a gente cresceu em um colégio católico e tal, e a gente não falava muito abertamente sobre sexualidade. Inclusive, um dia, a gente tava... Só com seus irmãos? Hã? É, eu falava com meus... Na época, nem com meus irmãos. Tipo, pra você ter noção, eu perdi minha virgindade, só fui falar pras minhas amigas um ano depois.

Eron Falbo: [52:35] E eu que nem perdi minha virgindade.

Ana Lins: [52:39] Bom, e aí, eu um dia tava maquiando uma amiga, a Bruninha. Ela não deve estar assistindo mais, um beijo pra ela. E aí eu falei: amiga, e tu, tu já Let's Play? A gente usava esse codinome pra sexo, a gente falava assim, era um codinome: tu já Let's Play? Na verdade, aí eu não sei como ela falou, aí eu falei: eu já Let's Play. Ela, eu também! Aí a gente conversou lá. Ai, meu Deus, não acredito, ninguém se falou, não sei o quê. Isso virou um momento da vida da gente, sabe? E aí a gente chegou nesse mesmo dia numa festa, com todas as minhas amigas, a gente perguntou: eu já Let's Play, tu já Let's Play? Aí a minha amiga: o que é Let's Play, gente? Let's Play, não falava outra palavra, só Let's Play, Let's Play. Eu já Let's Play, todas as minhas amigas já tinham perdido a virgindade e nenhuma tinha falado uma pra outra. Acredite se quiser. E olha que todo mundo, minhas amigas são muito amigas, mas a gente tomou essa falta de comunicação, coragem, eu acho até. E aí, bom, isso ficou guardado em mim e eu fui me desenvolvendo, enfim. E quando eu fui agora para os Estados Unidos, eu encontrei no Walmart um vibrador para vender.

Eron Falbo: [53:49] Quando eu vi aquilo, eu fiquei: nossa, o que é isso? Explique aqui.

Ana Lins: [53:52] O Walmart ou o vibrador?

Eron Falbo: [53:55] Não, o vibrador. Como é que funciona?

Ana Lins: [53:58] O vibrador é uma coisa que vibra.

Eron Falbo: [53:59] Estou brincando, estou brincando.

Ana Lins: [54:03] Mas aí, quando eu vi aquilo, eu fiquei: gente, o vibrador no mercado, no supermercado? Isso é saúde pública, isso é utilidade pública. Eu preciso disso, eu achei isso incrível, assim, eu comprei. E eu fiz, eu quero isso, e foi perfeito, assim, foi amor à primeira vista, entendeu? Eu amei esse produto e eu fiquei apaixonada. Eu fiquei, eu vou vender esse produto pras minhas amigas, pras pessoas. As mulheres precisam desse produto. Ele é pequeno, ele é delicado. Ele é um produto pra ter na necessidade da mulher. E aí eu fiz, eu vou vender esse produto, botei na minha cabeça que eu ia vender esse produto. E aí, conversa vai, conversa vem, altos e baixos, pandemia, lá, lá, lá, lá, lá. Eu fiz: agora é a hora de tirar essa ideia do papel. E aí, fiz o pedido, a gente fez... Eu tô com uma sócia agora, a Nandinha. A gente fez um pedido da China, né? A gente importou, então tem toda essa logística, outro universo que eu tive que aprender. Mas a gente fez um pedido, chegou já e a gente já tá no processo de embalagem e tal. Criação de marca e criação de comunidade, né?

Eron Falbo: [55:01] Porque, na verdade... Então, vocês estão vendendo vibradores.

Ana Lins: [55:05] Sim.

Eron Falbo: [55:05] Basicamente. Caraca, não tinha ideia disso. Olha só, se eu soubesse disso, eu teria me preparado bem melhor para essa entrevista. Porque a gente falou tanto de zoológico, mas de venda de vibradores, eu acho que teria...

Ana Lins: [55:21] Eu sou uma mulher cheia de surpresas.

Eron Falbo: [55:23] Que isso, pô, que isso! Mas realmente é, né?

Ana Lins: [55:27] O ponto é que eu quero quebrar vários tabus, como esse de mulheres... Esse que a gente discutiu hoje, mulheres de família. Ou sobre sexualidade da mulher, sobre o vibrador. Por que o vibrador tem que ser um grande elemento fálico, com formato...? Por que não ser uma coisa delicada, da forma que a mulher precisa? Com uma propaganda que a mulher escute, não um sex shop bizarro... Enfim, ideias de... Mas é a mulher para o homem, não a mulher para ela mesma, sabe?

Eron Falbo: [56:03] Pessoal, todo mundo que está escutando isso... O Instagram de vocês é Say Let's Play, não é? Só para o pessoal, isso aí foi uma bomba tão grande que eu acho que é um bom momento para dar as coordenadas para as pessoas acharem o Say Let's Play. Tem site já? Não mandei...

Ana Lins: [56:22] Ainda não, a gente está no processo ainda de criação de comunidade. A gente ainda não lançou o produto, mas ele já chegou, é só a gente estar nesse processo, porque assim...

Eron Falbo: [56:31] Não, mas olha só, todo mundo que está escutando aqui, porque depois isso aqui vai para o podcast, né? Todo mundo que está escutando isso daqui a 100 anos, né? Se a empresa for a maior empresa de vibradores do mundo...

Ana Lins: [56:44] Espera!

Eron Falbo: [56:46] Não, eu tô dizendo assim, se Deus quiser, a gente vai crescer muito aí, muita gente vai estar escutando isso depois. O jeito de encontrar hoje o Say Let's Play é Instagram, e todo mundo que obviamente escutou a Ana Lins falando coisas tão maravilhosas, uma mulher realmente empoderada que não só se coloca e fala que todo mundo merece respeito, ela mostra que ela merece respeito de fato, através das ações dela, através das conquistas dela, e com certeza qualquer mulher que quer comprar um vibrador vai querer comprar de uma empresa liderada por uma mulher como você. E esse Instagram é, de novo, Say Let's Play.

Propósito do podcast e despedida (56:48)

Ana Lins: [57:36] Ah, eu amei! Eu nem sei fixar, o pessoal tá pedindo pra fixar.

Eron Falbo: [57:41] Não é pra fixar aqui, mas o Instagram não serve para muita coisa, não. Mas depois, o importante vai ser só um segundinho de propaganda do nosso podcast, que também é bom para você. Como você falou, e que me surpreendeu muito, essa coisa do vender vibrador eu não sabia. Mas assim, o objetivo do nosso programa, e essa é uma das razões que eu fiz questão de brigar com você sobre feminismo, sobre a definição das palavras, de qualquer coisa, porque a gente está aqui para não fazer o politicamente correto. A gente está aqui para fazer o que ia rolar, sem definições de gênero, sem definições de política, sem definições de raça. A gente está aqui para seres humanos entrarem em conversa, em bate-briga, em harmonia, em amizade, e criar uma síntese de conversa que vai criar coisas novas que não estão no YouTube ainda. Entendeu? Que eu entrevisto às vezes celebridades e eles ficam na onda de ficar repetindo a mesma coisa que eles sempre repetem. Aí eu tento tirar eles da hipnose deles, do automático, para conseguir ter uma conversa que eles nunca tiveram antes. Esse objetivo está no nosso podcast No Alvo com o Eron Falbo, no Spotify, em todas as melhores plataformas de podcast. Então, agora que a gente tem os últimos minutos, vou deixar você inspirar o seu público e chamar mais mulheres para ser igual a você, mais homens para ser igual a você, e animais também, aparentemente, porque você agora tem muitos amigos animais.

Ana Lins: [59:16] Eu acho que a minha mensagem final é: sonhem, sonhem muito, que eu faço isso. Anotem, anotem muito o que vocês querem. Eu faço isso também. Eu vou falar coisas que eu faço que me fazem bem. Anotem o que vocês querem, sonhem muito. E comecem a agir devagarzinho. As coisas vão acontecendo. Dias de altos e baixos, como eu falei. Nada é constante, nada é permanente. Mas as coisas vão acontecendo no seu tempinho. Fiquem tranquilas, fiquem bem. Se amem, se olhem, se toquem, se sintam, se permitam. E a vida vem, sabe? Joguem a pedrinha no lago. Todo dia, joguem a pedrinha no lago.

Eron Falbo: [59:55] Maravilhoso. Muito obrigado pela sua presença. Com certeza a gente vai fazer mais lives, que eu tenho certeza que tem outras coisas aí que você está escondendo embaixo dessa caixa de Pandora que você é. No bom sentido, no sentido positivo. Como é que era? Não, não vou lembrar agora, mas tem uma coisa em grego que é o oposto de Pandora. Então, um brinde ao Say Let's Play. Espero que vocês satisfaçam muitas mulheres e muitos homens, homens com retenção anal, que vocês libertem... Libertem muita gente. E é isso. Vamos continuar sendo amigos e fazer muitas dessas lives. E um dia, por favor, me convide para uma live do Say Let's Play.

Ana Lins: [1:00:52] Enfim, prazer, prazer, prazer. E é isso que eu quero falar, né? Sobre prazer. Seja evento, seja arquitetura, seja arte. Prazer feminino.

Eron Falbo: [1:01:01] Se permitam, se permitam ter prazer, porque cabe todo mundo, né? No topo. Cabe todo mundo.

Ana Lins: [1:01:07] Beijo, gente.

Eron Falbo: [1:01:09] Valeu, Ana Carolina Arruda Lins! Tudo de bom pra você e boa noite. Tchau, tchau. Boa noite pra todo mundo. Beijão.

No Alvo com Eron Falbo · episódio #36 · todos os episódios