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Eron Falbo: [0:06] Alô, alô! Vamos fazer nossa entrevista com o Sérgio da Costa e Silva. A gente tá aqui com o Sérgio da Costa e Silva, que é um grande empreendedor da cultura e o grande guerreiro que mantém vivo muitas coisas que, se não fosse pelos esforços dele, talvez não se perpetuaria aí na nossa cultura. É um amante da cultura, da música clássica. Advogado, se não me engano, também, não?
Sérgio da Costa e Silva: [0:39] Advogado.
Eron Falbo: [0:40] Tá correto isso. É vice-presidente do Clube Monte Líbano, criador do projeto Música no Museu, uma série de música clássica apresentada no norte e sul do Brasil, no Brasil inteiro. E acho que a gente pode começar, se você não se incomodar, falando um pouquinho do Música no Museu, o que exatamente é, porque acho que é a coisa principal que você ocupou nos últimos anos.
Sérgio da Costa e Silva: [1:11] É uma coisa curiosa, porque outro dia até estava em uma participação fazendo um balanço de vida em relação a uma publicação que está sendo feita. Fiquei lembrando que tenho uma tradição, uma história de vida. Ocupei vários cargos, dirigi empresas, tive uma formação muito mais de área pública. E o Música no Museu é fruto disso, porque chefiei a área internacional do BNH e isso me proporcionou viajar muito. E, ao viajar muito, tive a oportunidade de ver que, nos lugares que eu gostava, tinha música em museus. Aí surgiu a ideia e registrei o título Música no Museu no INPI. Estamos falando de 1997, onde a gente começou, quer dizer, 23 anos. E, a partir daí, a gente vem fazendo. Inicialmente no Rio de Janeiro, depois cresceu para a cidade de São Paulo, Minas Gerais, e depois foi crescendo de norte a sul do Brasil. Já fizemos em todas as capitais. E também em cidades emblemáticas, como Ouro Preto, Tiradentes, Búzios, fizemos em Paraty, fizemos em Olinda, fizemos em São Cristóvão e em Laranjeiras, em Sergipe. Inclusive, em São Cristóvão, fomos o primeiro evento cultural três dias depois de a cidade ter sido escolhida Patrimônio Mundial pela Unesco. Então, a gente tem uma história no Brasil que se ampliou a partir de 2006 para o exterior, e nós hoje contabilizamos ter feito concertos em cidades de países de todos os continentes. Já fomos à Austrália, já fomos aí para o Cacheca, Marrocos, a Índia, a África, Marrocos, já teve Música no Museu no Carnegie Hall, no Kennedy Center, em Washington, já tivemos no LACMA, que é o Museu de Arte Moderna.
Eron Falbo: [3:02] Mas como é que funciona? Tipo, Carnegie Hall, você considera um museu? Como é que funciona a Música no Museu? É só em museu?
Sérgio da Costa e Silva: [3:10] Não, a Música no Museu partiu para uma definição mais ampla. Nós caracterizamos tudo aquilo que fosse um templo de cultura e que tivesse uma história. Por exemplo, nós fizemos concertos na Central do Brasil. Aí perguntamos: mas como é que você faz concertos na Central do Brasil? É que as pessoas não sabem, mas a Central do Brasil era uma réplica de uma estação de trem da Itália. E ela tem uma história, quer dizer, ela tem o sentido arquitetônico. Então, nós procuramos fazer em locais onde tenham um cunho histórico, onde tenha uma evolução histórica, porque o Música no Museu, que começou em museus, estendeu para centros culturais, estendeu para palácios. Então, ampliou muito o sentido de museu para alguma coisa que tivesse uma tradução de arquitetura, de história, de ligação com cultura. Por exemplo, fazemos em bibliotecas, aqui no Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, Biblioteca da Maison de France, Biblioteca da Cidade. Fazemos também no Real Gabinete Português de Leitura, que é um dos lugares mais lindos que existe. E, por extensão, a gente faz em Coimbra, na Biblioteca Joanina, que é um dos lugares mais lindos do mundo, foi eleita a biblioteca das mais bonitas do mundo. E a gente ampliou, porque, nessas incursões ao exterior, o Música no Museu já fez concertos na Universidade de Coimbra e também na Universidade de Salamanca. Então, estamos falando de dois espaços que têm mais idade do que o Brasil. Agora mesmo, em setembro, o último, nós participamos das festividades, foi o concerto de Música no Museu das festividades dos 730 anos da Universidade de Coimbra. Em 2015, nós participamos também das comemorações dos 725 anos da Universidade de Coimbra. Quer dizer, a gente ampliou muito, o projeto se tornou um ícone da cultura brasileira, com expressão internacional. Então, vou voltar um pouquinho nisso: estou sendo muito mais conhecido hoje por ter feito uma Música no Museu do que por ter tido uma história de vida, de conquistas também profissionais importantes. Por exemplo, participei da implantação (eu era do BNH) do Fundo de Garantia no Brasil. Era daquele grupo que iniciou. Fomos pioneiros, fazíamos palestras para mostrar a importância do Fundo de Garantia, isso em 1968. Depois presidi uma empresa de navegação no Amapá (o Amapá está agora na transição de território para o estado), e coloquei em pé uma companhia de navegação cujos navios estavam quebrados, coloquei tudo para funcionar. Tenho uma história profissional. Fui um dos coordenadores da Rio 92, da Eco 92. Com tudo isso, sou mais conhecido por estar fazendo o projeto Música no Museu. Tive várias conquistas profissionais. Eu, por exemplo, fui por 16 anos diretor da Associação Comercial, atualmente faço parte do Conselho Superior, sou membro emérito da associação, mas as pessoas me conhecem muito mais hoje, a minha referência é o criador e diretor do Música no Museu, o que, aliás, me honra muito. Mas é uma coisa curiosa.
Eron Falbo: [6:35] Dá para ver que você tem uma mente muito rápida, você está processando informações com muita rapidez. Falou de mil coisas ao mesmo tempo, lembrando de tudo e sabendo os nomes e tudo mais. Antes da gente falar sobre todas essas coisas, eu queria perguntar um pouquinho mais sobre a Música no Museu. Música no Museu, né? Você começou 23 anos atrás, né?
Sérgio da Costa e Silva: [7:04] Você falou 23 anos, é.
Eron Falbo: [7:07] Por que você começou isso? Qual foi a...?
Sérgio da Costa e Silva: [7:11] Foi exatamente o que eu disse a você, a origem das minhas incursões. Eu chefiei a área internacional do BNH, tive muitas viagens, inclusive fiz estágio no Dresdner Bank, na Alemanha, no Midland Bank, na Inglaterra. E nessas minhas idas, porque eu gosto de museu, eu gosto de visitar, eu sempre via que tinha música nesses lugares. Aí eu pensei: poxa, mas por que o Brasil, o Rio, por exemplo, principalmente, tem tantos museus, o Museu de Belas Artes, o Museu de Arte Moderna, o Museu da República, que foram os que eu fiz, o Parque das Ruínas, são os museus que se incorporaram à Música no Museu normalmente.
Eron Falbo: [7:57] E por que você achava importante isso? Por que você achava importante o museu ter música? Por que isso é, na sua vida, importante? Qual era a sua relação com a música?
Sérgio da Costa e Silva: [8:07] Eu gosto de música, não sou um especialista em música, sou um apreciador de música. Mas o que eu tenho mais de qualificação é de ser um administrador. Se me perguntar o que eu fiz, eu criei um mecanismo de administração de um projeto cultural. Esse é o que eu posso dizer que seja o meu mérito. E eu vi o seguinte, que a música atraía público. E eu via também, naquela época, falando há 23 anos, que uma ida ao museu não era uma coisa comum. O museu não era um programa cultural aceito ou então absorvido por uma grande quantidade de pessoas. Eu verifiquei que, se a gente colocasse dentro dos museus uns atrativos paralelos, nós teríamos uma incursão de público muito grande. Então, teve um lado positivo: toda vez que a gente fazia Música no Museu, a gente fazia uma grade, cada dia da semana era num dos museus, e a gente verificava, e os museus comprovavam isso, que aumentava o fluxo de público. Depois, começamos a levar alunos de escolas para assistir aos concertos e, curiosamente, esses alunos repicavam com os pais no fim de semana, chamavam a atenção do pai para ir ao museu. Foi um crescendo nesse tipo de incorporação, e foi crescendo o público. Hoje a gente já registra números muito expressivos. Tenho um público, em 23 anos, de um milhão de pessoas que já assistiram Música no Museu. Tenho um mailing que alimento, faço uma pesquisa de público. Tenho o meu lado administrador. Tenho o perfil do meu público. Todo mundo que assiste ao concerto preenche uma ficha. A gente pede sugestões, a gente pede informações, onde você mora, o que você faz. Tenho o perfil do meu público por idade, por profissão, por bairro e meio de transporte. O meio de transporte, em determinado momento, eu queria patrocínio do metrô e de ônibus. Consegui dos dois. O metrô me botou nas suas estações. Estou falando isso 20 anos atrás. Agora mudou até o mecanismo de merchandising deles. Mas, naquela época, o metrô botou nas suas estações, e foram muitas as estações, um backlight: Música no Museu, concertos gratuitos, acompanha a programação, e uma fotografia de um dos museus, principalmente nas estações próximas dos museus. Você tem o Museu de Belas Artes, na Estação Carioca, o Museu da República, você tinha a Estação Catete. Nós conseguimos cinco ou seis backlights desses aí no metrô, e isso difundiu bastante o projeto. Depois conseguimos, com os ônibus, botar o busdoor, e os próprios ônibus me cediam, e aí o lado bom da FETranspor, a FETranspor me cedia ônibus para que a gente levasse os alunos de escola, eles assistiam aos concertos e depois visitavam os ônibus.
Eron Falbo: [11:09] E isso ajudou a criar mais público, criar mais movimentação.
Sérgio da Costa e Silva: [11:14] Vai aumentando, vai aumentando o público, vai crescendo, vai crescendo. Então, o que aconteceu é que a gente foi, não crescendo, não crescendo, atingiu esse público. Eu tenho um mailing.
Eron Falbo: [11:25] Mas por que não crescendo? Porque, como você faz em diferentes cidades, diferentes museus, como é que você usa o mesmo público para divulgar?
Sérgio da Costa e Silva: [11:33] Não, não, não, não é que não. Eu tenho hoje o perfil do meu público por bairro, por profissão, e tenho ele por localidade geográfica. Então, quando faço alguma coisa em alguma cidade, tenho o público de lá que convido. Mas esse público me gerou um mailing. Eu tenho um mailing hoje de 158 mil nomes, que é alimentado através de uma empresa de e-mail marketing. Então, essa empresa é que faz toda a divulgação do nosso projeto. Eu sempre mando um programa semanal, um programa véspera do programa diário, mando para eles informando que amanhã vai ter um programa, vai ter determinado concerto em tal lugar, digo quem é o músico. Então, isso a gente gera uma relação, é interessante nisso aí, quer dizer, é um ciclo vicioso e que é muito bem cristalizado. E ele tem desdobramentos, quer dizer, isso tudo... A gente hoje tem uma rádio, Rádio Música no Museu, em que eu transmito ao vivo os nossos concertos. Se até o público quiser, com curiosidade, entrar na rádio, é www.radiomusicanomuseu.com. Então, a gente alimenta isso.
Eron Falbo: [12:48] E que tipo de coisa? Vocês tocam música clássica lá na rádio?
Sérgio da Costa e Silva: [12:52] Não, a gente apresenta... Eu selecionei um grupo de músicos. A história é muito longa para a gente falar aqui, então eu vou dizer o que aconteceu. Por que chegou à rádio? A pandemia levou à criatividade. Então, a minha criatividade foi a seguinte: eu tinha um cast, quer dizer, eu tinha um grupo de músicos excepcional parado. Então, nós montamos, primeiro montamos, aproveitando esse fluxo, principalmente aqueles músicos que nós levamos para o exterior, e essas idas ao exterior todas foram com apoio das embaixadas brasileiras, dos consulados do Brasil. Estou aqui também com o meu copinho.
Eron Falbo: [13:35] Aqui, vai com seu uísquezinho aí também?
Sérgio da Costa e Silva: [13:38] Vou fazer um brinde.
Eron Falbo: [13:40] Um brinde ao Música no Museu, que continue proliferando, continue crescendo e atingindo muita gente.
Sérgio da Costa e Silva: [13:48] E recebendo apoio, como o senhor teve a oportunidade de conversar com o seu público todo. Estou vendo muita gente entrando agora. E o que aconteceu? É que eu via, com esses casts de pessoas, Arthur Moreira Lima, João Carlos Assis Brasil, a Miriam Grossmann, a Luícia Lucas, a Marilena Andrade, eram muitos. Aí eu montei uma revista chamada Música no Museu em Concerts on Live. Então, fizemos uma live, e montei um projeto que era levando música e músicos brasileiros para o exterior neste catálogo. E ofereci a vantagem da relação que eu tenho com as embaixadas brasileiras. Eu ofereci à Embaixada do Brasil, a Embaixada do Brasil em Portugal, a Embaixada do Brasil na Espanha, por afinidade, a Casa do Brasil na Espanha, onde eu faço concertos, e os países de língua portuguesa da África e da Ásia, que é o Timor-Leste. Então, mandei para esse pessoal e eles difundiram essa live. Então, esse catálogo foi mandado para o exterior. E aí eu verifiquei também outra coisa: nós fazemos o Música no Museu, quer dizer, é muita coisa, muita informação, mas eu faço um festival de harpas, um festival de sopros durante o ano.
Eron Falbo: [15:09] Entendo, mas vamos, de repente, com tanta informação, fazer um parênteses para a gente te conhecer melhor, porque dá pra ver que você faz muitas coisas diversas e isso, na verdade, gera um interesse do público sobre você. Sobre quem é você, como é que você criou essa mente tão cultural e, ao mesmo tempo, administrativa. Esse amor pela música é suficiente pra você se dedicar tanto, mas, ao mesmo tempo, a cabeça boa pra reter tanta informação e coisas do tipo. Você mora aqui no Rio?
Sérgio da Costa e Silva: [15:53] Eu moro no Rio, moro em Ipanema, tenho 75 anos. Hoje mesmo eu ando na praia todo dia, 8 km. Isso é diário, com sol, com chuva. O que acontece é que a minha ocupação com música no museu, estou fazendo uma comparação grosseira, mas é uma coisa que me incomoda às vezes, porque as pessoas poderiam ser mais ativas. Por exemplo, vários colegas meus de trabalho pararam no tempo, ficaram cada um com o seu problema, mas o fato é que eles não se ocuparam. Acho o seguinte, o fato de eu me ocupar, o fato de eu estar criando, o fato de eu estar sempre ligado, me dá uma movimentação pessoal muito grande. Então eu tenho indiretamente uma atividade esportiva, eu tenho uma atividade intelectual, eu tenho uma atividade familiar, eu tenho seis netos, eu tenho já uma neta que está fazendo medicina. Hoje mesmo eu estava aqui, quando você me ligou, no aniversário surpresa de uma das netas, fez cinco anos. Então a gente tem assim, e foi uma coisa que ela não imaginava que ia fazer, nada, está na quarentena, todo mundo. Então era uma surpresa que nós chegávamos aqui e cantávamos parabéns para ela.
Eron Falbo: [17:20] E você acha importante essa diversão?
Sérgio da Costa e Silva: [17:23] Família bem constituída. Estou dizendo, esse conjunto me faz com que eu tenha prazer em fazer as coisas.
Eron Falbo: [17:30] E aí eu vou voltar um pouquinho. Uma mensagem que você está dando, então, de repente, só para a gente extrair esse suco aí da sua sabedoria. Você acha que, pela sua diversidade de atividades, você está envolvido em diferentes coisas, você tem uma mente mais saudável, talvez?
Sérgio da Costa e Silva: [17:51] Tem mais habilidade, mais sensação da vida? Eu acho que você se ocupa, você fica ligado. Fico pensando, agora mesmo você me perguntou, eu tenho que voltar à música no museu porque tem coisas... O que eu vou fazer no ano que vem? Eu vou fazer um programa de criança, chama-se Brinquedos Cantados, dentro do Música no Museu. O Música no Museu é um programa de música clássica, basicamente. Mas eu verifiquei que havia uma demanda de criança, porque eu tenho netos. Eu vejo os netos, o que eles estão fazendo. Eles são agredidos pela televisão, pelo computador, pela coisa todinha, mas não são pelo folclore brasileiro, não são pela história brasileira.
Eron Falbo: [18:33] Essa pressão não existe, essa influência cultural não tem.
Sérgio da Costa e Silva: [18:40] As pessoas se acomodam. Estou usando a estrutura Música no Museu para criar o programa chamado Brinquedos Cantados. Você pesquisa e começa a descobrir coisas, e eu descobri um grupo que faz esse trabalho, e é um fruto de pesquisa que eles fazem no folclore brasileiro. São pesquisadores que, ao mesmo tempo, fazem parte de um programa de artes cênicas. E aí contam a história do Saci-Pererê, a história das matas amazônicas, misturam um pouquinho Villa-Lobos com as músicas de Villa-Lobos. É bem interessante. E no contraponto, e aí que está importante, que eu também estou nesse grupo, é que você verifica... Eu tenho um público de terceira idade muito constante, muito constante e em crescimento. Existem várias explicações que, pela pesquisa, eu vejo e estimulo muito isso. Então, o que acontece é o empobrecimento da classe média. As pessoas preparadas, as pessoas que podiam, há anos atrás, ir ao teatro municipal constantemente, aos lugares todinhos, começaram a empobrecer, seja porque se aposentaram, perderam emprego, qualquer coisa, mas não deixaram de ter o gosto pela música. Então, esse pessoal frequenta o Música no Museu, porque os nossos projetos, os concertos são todos gratuitos, em lugares lindos, e para eles é muito bom eles receberem essa forma de tratamento que nós demos.
Eron Falbo: [20:05] E qual foi o último evento que vocês fizeram de fato?
Sérgio da Costa e Silva: [20:10] Antes da pandemia foi muito rico o nosso... Nós fizemos janeiro e fevereiro. Eu levei uma orquestra de inclusão social, que é outra coisa que eu faço com constância, que esses projetos que a gente tem de inclusão social nas comunidades eu procuro estimular, e eu levei uma orquestra do Piauí, um trabalho muito bonito. Eles se viabilizaram, eles conseguiram recursos para fazer isso, e eu levei para os lugares. Nós fomos a oito cidades de Portugal e mais Madrid, levando música e músicos brasileiros para essa orquestra. Então, janeiro e fevereiro... E é sempre.
Eron Falbo: [20:45] Essa coisa de música brasileira, tem essa...
Sérgio da Costa e Silva: [20:49] No exterior é sempre música brasileira, quer dizer, a nossa proposta é levar música e músicos brasileiros para o exterior.
Eron Falbo: [20:56] E aqui tem até uma pergunta aqui da doutora Janara: quando você faz o Música no Museu, há um recorte para algum período específico, barroco, romântico, clássico, ou podia ser música erudita contemporânea?
Sérgio da Costa e Silva: [21:12] Não, o projeto vai da música antiga até a contemporânea. São etapas diferentes que a gente tem. Por exemplo, no mês de julho, eu faço só música antiga, quer dizer, Música no Museu é tanta coisa, tanta informação, que fica complicado, mas vou dizer, sintetizar, Música no Museu...
Eron Falbo: [21:33] Mas não se preocupe tanto com a informação.
Sérgio da Costa e Silva: [21:35] Mas é interessante, Música no Museu é dividido em cinco temporadas: verão, outono, inverno, primavera e natal. A gente mudou o panorama da música clássica no Brasil, que é de março a novembro. Música no Museu vai de janeiro a dezembro. E a cada mês eu privilegio um tema ou um naipe. Então, janeiro e fevereiro são os clássicos do carnaval e os clássicos no carnaval. Quer dizer, é bem diferente, mas...
Eron Falbo: [22:04] Mas é orquestrado ou é...?
Sérgio da Costa e Silva: [22:06] Não, não, não, depende. É cantado, é tudo... Você coloca um músico de formação clássica, um soprano, um tenor, para cantar uma música de carnaval do Lamartine Babo, é um exemplo. Esses são os clássicos do carnaval. E durante o carnaval, para quem não quer brincar o carnaval, a gente faz música clássica no carnaval. O mês de março é o mês das mulheres, nós fazemos concertos só com musicistas mulheres, músicas preferencialmente com o nome de mulher e preferencialmente compostas por mulheres. O mês de abril é um mês aberto, no mês de maio são as arpas, o junho é voz, aí tem sopranos, tem tenores, tem barítonos, também tem muitos corais, então esse é o mês de julho, e aí responde aquela pergunta, nós temos música antiga, que é uma coisa muito especializada, inclusive alguns músicos tocam instrumentos da época, viola da gamba e vários outros instrumentos de época. O mês de agosto, cordas, setembro, pianos, o mês de outubro, percussão, novembro, sopros, e dezembro, natal. Então essa diversidade faz com que o projeto seja interessante, e com isso eu tenho mídia, porque não é um projeto igual. Ele sem mídia...
Eron Falbo: [23:25] Eu acho que muita gente que está nos escutando... A gente tem aqui um público de muitos artistas, muita pessoa que é empreendedor cultural, alguma coisa do tipo, como você é. Talvez se você pudesse entrar no tema de empreendedorismo cultural e quais são as dificuldades disso, e como você ultrapassa esses obstáculos em termos de conseguir patrocínio, fazer editais, conseguir parceiros.
Sérgio da Costa e Silva: [23:59] É uma luta. É mais fácil eu conseguir parceiros. Editais eu entro em todos, quer dizer, a nossa resposta de editais não é grande. Você ter amigos que entendam do projeto e que nos ajudem no sentido de conseguir patrocínio de uma empresa ou de outra. Quer dizer, para sintetizar, e aí quem é empreendedorismo vai entender, o Música no Museu, eu volto ao meu tempo de estudante. Você bota um pouquinho de gasolina no seu carro, anda, depois bota um pouquinho mais, anda mais, depois bota um pouquinho mais... Nunca consegue encher o tanque. Essa é a verdade. Eu nunca consigo um patrocínio... Nunca está tranquilão que sustente o projeto. Só consegui... Aliás, não estou mentindo, consegui alguns patrocínios que me proporcionaram coisas maravilhosas. O Banco Bradesco, em determinado momento...
Eron Falbo: [24:51] Mas nem sempre.
Sérgio da Costa e Silva: [24:52] Foi pontual.
Eron Falbo: [24:54] Uma coisa, uma vez na vida.
Sérgio da Costa e Silva: [24:57] Mas me proporcionou, por exemplo, fazer um concerto antológico do Nelson Freire em Tiradentes, que foi uma das coisas mais bonitas que você possa imaginar, depois de São João del Rey. Quer dizer, foram épocas em que oportunidades ímpares que a gente conseguiu. Eu tive a Light me patrocinando há 11 anos, que também segurou o projeto durante muito tempo, e que depois, com o problema econômico aqui do Rio de Janeiro, aquela crise na época do Pezão e tal, eles cortaram os patrocínios todos, a gente, OSB, Maratona do Rio, Carnaval, cortaram linearmente todos e nos prejudicou muito. Mas a gente luta muito, é uma luta constante, diária.
Eron Falbo: [25:35] E o que você acha desse corte da cultura? Como foi isso para você, nos seus projetos? E como você acha que vai ser?
Sérgio da Costa e Silva: [25:44] O futuro da cultura do país? Atingiu a todo mundo, mas ele é reflexo de uma situação do país também. Não é só o corte por ser corte. Você tem um reflexo que atinge a todo mundo e atinge a todos os setores. Atingiu a gente, matou no coração, a todos nós. A verdade é essa. Todo mundo parado, e essa pandemia piorou ainda. Então você tem que participar.
Eron Falbo: [26:08] Mas antes da pandemia, na sua opinião, foi uma coisa que foi positiva em termos assim para o Brasil? Eu sei que para a cultura teve um corte, mas a sua posição pessoal é que isso precisava ser feito? Ou era melhor do jeito que estava?
Sérgio da Costa e Silva: [26:27] Não, não, não. Eu achava que podia ajustar, porque o que acontecia é que as coisas... Havia uma distorção, havia um desequilíbrio. Você tinha poucas produções com muitos recursos, muitas produções sem recurso nenhum e muitas produções lutando para ter alguma coisa. Então, você era desproporcional a essa situação. Isso que a gente via constantemente, uma desproporção entre a programação cultural brasileira. Depois era muito concentrada nos grandes centros, não havia uma interiorização. Um ajuste era importante. Eu não sabia graduar esse ajuste.
Eron Falbo: [27:14] E você acha que é importante a participação do governo na cultura? Porque uma coisa que eu vejo, por exemplo, nos Estados Unidos, é que grande parte da cultura é feita através da iniciativa privada, da própria sociedade se envolvendo com a cultura.
Sérgio da Costa e Silva: [27:33] E aqui não há esse hábito. Aí volto às minhas incursões para o exterior. Você pega, por exemplo, os maiores museus do mundo, e você tem a sala Rockefeller, a sala não sei quem, a sala não sei quem mais. As pessoas estão acostumadas a destinar parte do seu dinheiro em prol da cultura e fazem aportes. Você pega o Metropolitan, pega o Lincoln Center, pega o próprio Carnegie Hall, você tem lá mecenas que dão recursos para a manutenção das atividades desses templos da cultura, o que não existe aqui no Brasil. Não existe as leis de incentivo.
Eron Falbo: [28:10] E por que não existe isso no Brasil, na sua opinião? Por que não tem esses mecenas?
Sérgio da Costa e Silva: [28:17] Não é essa cultura. Se você pensar bem, quem são hoje, quem doou coisas para a comunidade? Você tem o Instituto Walter Moreira Salles, que é um local de cultura, que era a residência dele, você tem a Casa Roberto Marinho, você tem isoladamente um ou outro lugar, e são poucos esses lugares. Na verdade, nos outros lugares são todos eles mantidos ou ex-residências de pessoas de muitas posses, que tornaram os museus, essas regiões tornaram museus, e eles ofereceram à comunidade isso. Então, não há essa mentalidade, por vários motivos, porque não existe hoje um estímulo para que as pessoas façam isso. Às vezes, a família não está... Você tem casos específicos, não vale a pena citar. Mas caso da família que o patriarca doa e depois a família questiona essa doação, tem um caso específico da doação grande que foi feita ao Museu Imperial de Petrópolis, e aí a família questiona, porque foram doados os bens que eram da família também. Então você não tem ainda essa mentalidade das pessoas doarem para a área cultural. Então é uma constatação nossa.
Eron Falbo: [29:40] Eu não soube dessa questão do Museu Imperial. Teve coisas que foram retiradas?
Sérgio da Costa e Silva: [29:48] Não, não, não. Um patriarca doou uma série de coisas para o museu, quando morreu. E houve questionamento da família, dizendo que aquilo não... Discussões desse tipo, não foi coisa que... São pontuais, mas estou dizendo: quando alguém faz uma coisa dessas, como exemplo, a pessoa doa essas coisas, aí a família questiona, não, mas aquilo ali, esses quadros eram meus, eu tenho herança, eu tenho direito, quer dizer, não há unanimidade na família depois quando há uma doação. O que não aconteceu, por exemplo, com o Instituto Moreira Salles, com a Casa Roberto Marinho, que a família estimulou muito e deixou a coleção dele toda para ser exibida ao público.
Eron Falbo: [30:36] Também são famílias que são mais organizadas, que são mais unidas, talvez, e têm um estatuto, uma holding.
Sérgio da Costa e Silva: [30:44] Não é só isso, são famílias que têm recursos para continuidade de padrão de vida, essa coisa toda.
Eron Falbo: [30:53] Não precisa retrair nada.
Sérgio da Costa e Silva: [30:55] Exatamente. Pode oferecer ao público visitar essas exposições. Então, tem casos assim, tem pessoas que têm possibilidade e que a existência da família para esse tipo de comportamento. Mas o que eu vejo é que é importante que isso aqui aconteça, essa mentalidade chegue ao Brasil. O que não chega, ela vai muito mais para os outros países. A gente vê isso, a gente vê na França, a gente vê na Espanha, você vê em Portugal o Gulbenkian, a Fundação Gulbenkian. É uma doação de uma família, é um espaço maravilhoso. A gente já fez música no museu lá, inclusive. Não deixa de ser um museu. E os próprios locais, os centros culturais do Brasil, o Justiça Federal, o Museu da Justiça, são lugares aqui que também têm essa mentalidade de abrir ao público a possibilidade de utilização dessas instalações. Para os programas culturais, tudo isso existe.
Eron Falbo: [32:00] Eu vejo aqui no Brasil uma grande, vamos dizer, mais do que em outros lugares do mundo. É claro que eu já morei em Budapeste e que tinha ópera o tempo todo e, mesmo assim...
Sérgio da Costa e Silva: [32:12] República Tcheca, se você for lá, de Praga, você não consegue andar em 100 metros que não tenham 20, 30 iniciativas musicais constantes, uma ao lado da outra.
Eron Falbo: [32:27] Mesmo assim, em Budapeste o público, no geral, é mais velho. Mas aqui no Brasil existe uma quebra total. Fiquei abismado, porque me mudei para o Rio recentemente, faz um ano mais ou menos, e fiquei chocado que durante o ano inteiro não tinha uma ópera. No teatro municipal não tinha...
Sérgio da Costa e Silva: [32:48] É a falta de recurso. Você teve aí uma paralisação. A situação do Estado fez com que você não tivesse recursos para poder fazer uma programação de ópera constante, que é normal em teatros do porte do municipal. Então a gente via isso. Eu visitei, assisti à Scala de Milão, à Sinfônica de Londres, à Sinfônica de Budapeste, já assisti a Viena, várias orquestras de Viena. Então eu via que os locais são muito estimulados, têm uma programação constante, uma programação de dois anos de antecedência. As pessoas podem se programar. Você tem festivais como o Salzburg. O Brasil não conseguiu fazer isso ainda, mas ele tem expectativa de que aconteça. Isso aí vai evoluir.
Eron Falbo: [33:43] Você acha que a sociedade brasileira vai evoluir ao ponto de tomar essas rédeas, de começar a ter mais mecenas? Você acha que talvez, com essa quebra do governo, vai abrir um espaço para a sociedade poder se emancipar um pouquinho e começar a organizar a cultura e coisas do tipo? Pelo que eu vejo aqui no Rio, tem gente que assistiria, né?
Sérgio da Costa e Silva: [34:07] Não, você tem hoje um mercado consumidor de nível alto, no sentido de conhecer uma ópera, de gostar, de ter o know-how até para entender uma ópera, para entender o que era na época, tudo isso. O que acontece nesse momento é uma comparação grosseira, mas as pessoas não podem pensar em cultura no momento em que estão preocupadas com a sua situação pessoal de manutenção de emprego, de comer até. Hoje, há uma preocupação em relação à situação dessa pandemia, até quando vai, qual é a solução, se a vacina virá ou não virá. Você tem um momento crítico, um momento que atrapalha muito a cultura, porque a cultura fica sendo um subproduto, quando, na verdade, não deveria ser, mas era subproduto. Porque existem hoje prioridades. Qual é a prioridade de uma família hoje? É a alimentação, é o vestuário, é a escola, é a saúde. Você tem um plano de saúde caro. A classe média consumidora de cultura está morta completamente. E a classe AA, que é o mais constante, ela está amedrontada também, porque não quer sair. Então você vai perder no mercado consumidor. Agora, qual é a contrapartida? E aí é que eu vejo um pouco a criatividade. Você vai ter um estímulo da programação virtual. Eu tenho hoje comprovação de que caminho é esse. Vou lhe dar um exemplo. Eu faço um festival de árvores, que já está na 15ª versão, ano que vem é a 16ª. Nas 14 versões, o meu recorde de público foi de 32 mil pessoas. O ano que eu tive mais gente, 32 mil pessoas. Este ano que eu fiz o virtual, e que foi o primeiro que eu consegui os maiores nomes da África Mundial, porque esses nomes não poderiam vir ao Brasil se eu fizesse aqui. Mas eles puderam participar nos seus países, através de envio de programação que nós editamos. Então, para você ter uma ideia de comparação, o nosso público foi de 178 mil pessoas. Nós multiplicamos de 32 para 178 mil.
Eron Falbo: [36:41] Mas isso era brasileiro?
Sérgio da Costa e Silva: [36:44] Não, mundial, público mundial, porque foi auditado. Tivemos patrocínio da Eletrobras e houve uma auditoria para ver a quantidade de pessoas. Tivemos os gráficos, inclusive dessa, pontual, em relação ao público. E por que eu consegui isso tudo? Foi um pouco também de criatividade. Eu envolvi na nossa divulgação e em contatos pessoais, inclusive, as embaixadas e consulados dos países que participaram, além de ter envolvido os próprios harpistas. Então, o que aconteceu é que teve o harpista, por exemplo, da Romênia, teve o harpista da República Tcheca, teve a artista da Iugoslávia, agora falamos de Iugoslávia, mas teve a artista de São Petersburgo, da Rússia, em que as próprias embaixadas e consulados fizeram a divulgação para os seus mails. Da Itália foram cinco artistas. Eles multiplicaram o público através do mail de cada entidade. Por isso a gente chegou a esse número grande.
Eron Falbo: [37:53] Esse evento que você fez, que foi 32 mil pessoas, foi aqui no Brasil?
Sérgio da Costa e Silva: [37:57] Não, não, 32 mil pessoas, somando, foi o Festival Internacional de Arpas, somando todos os concertos que fiz durante um mês, e foram três por dia, fiz no CCBB, em algum lugar. O público total em um mês, quer dizer, em um mês, do nosso Festival de Arpas presencial, foi de 32 mil pessoas. Não, é o público que foi lá assistir, quer dizer, assistiu ao festival.
Eron Falbo: [38:24] Não, mas isso, pra mim, eu acho.
Sérgio da Costa e Silva: [38:26] Que pra todo mundo que tá ouvindo.
Eron Falbo: [38:27] É um número muito grande pra arpas, né? Porque a gente não tá falando só de música instrumental, não só de música erudita como um instrumento específico, é um festival de arpas.
Sérgio da Costa e Silva: [38:39] Não, a arpa, nós já temos uma arpa. A arpa é o seguinte: o instrumento mais antigo do mundo, estamos falando de uma história de 5 mil anos. Uma coisa curiosa, e aí estou dizendo um pouquinho da minha situação, é que fiz esse festival com arpistas do mundo inteiro, tocando todos os tipos de arpa. Tive a arpa africana, a kora, a japonesa, a chinesa, a céltica, a paraguaia. Todas as arpas que fui tendo foram arpas, e os sons foram desde o barroco, aí eu respondo um pouquinho aquele questionamento, quer dizer, da música antiga, barroca, até o heavy metal.
Eron Falbo: [39:25] A minha pergunta é o seguinte: é um instrumento muito específico, né? Como que foi o interesse público disso? Por que você acha que há esse interesse tão grande? Porque 32 mil pessoas, mesmo em um mês, é muita coisa para um festival de música.
Sérgio da Costa e Silva: [39:44] Nós tivemos citação até no New York Times. Foi uma coisa importante, foi uma abertura muito grande para a gente, muito significativa. E a gente trouxe esses tipos todos de arte, foi interessante. Nós colocamos orquestras de comunidade, da Maré.
Eron Falbo: [40:06] Pavão, pavãozinho... E quem faz só assessoria de imprensa para conseguir o New York Times, o Festival de Arpas?
Sérgio da Costa e Silva: [40:12] Não, não, não. Isso foram os correspondentes estrangeiros, foram todos eles acionados pela gente. Então, nós tivemos assim... Um dos músicos, curiosamente, ele também era correspondente de um jornal inglês. Ele, como músico e como correspondente, conseguiu que Le Monde de la Musique, da França, saísse, e conseguiu o inusitado de sair no New York por uma razão muito simples. E aí são coisas curiosas também que a gente tem no nosso trabalho paralelo. A artista da França, que era considerada uma das maiores artistas do mundo, e francesa, francesa disparada a melhor, a Catherine Michel, ela simplesmente era casada com o Michel Legrand. E o Michel Legrand tocou no Festival de Arpas, com uma coisa assim, e falou em público. Ele disse que era a primeira vez que se apresentava como coadjuvante em alguma coisa, porque foi uma sorte da gente ter convidado. E ainda disse mais, que tocou sem receber cachê, porque a mulher dele, a Catherine Michel, perguntou: 'Poderia trazer o marido?'. Eu disse: 'Claro que pode', porque eu sabia que era o Michel Legrand, mas ele veio para acompanhá-la, mas em nenhum momento para tocar, e ele quis tocar, aceitou tocar. Isso gerou um monte de coisa.
Eron Falbo: [41:42] Mas ele tocou arpa, né?
Sérgio da Costa e Silva: [41:44] Não, não, não. Tocou piano, acompanhou a mulher tocando arpa. Fizeram o duo. E ela tocou com ele música.
Eron Falbo: [41:52] Achei que ele era multi...
Sérgio da Costa e Silva: [41:54] Não, não, não, não, estou dizendo, são coisas que fazem parte da história. Estou escrevendo um livro, já o segundo, fiz o primeiro, Música no Museu, 15 anos depois, foi bom, está esgotado, e estou escrevendo agora, Música no Museu do Rio para o Mundo, em que vou contar essas histórias, que são muitas. Foi a primeira apresentação de música brasileira do Guggenheim em Bilbao. Nós fizemos o concerto comemorativo de 25 anos das relações Brasil-Vietnã, e assim sucessivamente na Austrália, três concertos. Quer dizer, nós temos histórias incríveis que eu estou relatando, que eu pretendo, se eu tiver patrocínio, aí eu entro no DP do patrocínio, mas eu já tenho alinhavado esse livro contando essas histórias todas, que são para mim muito representativas, muito marcantes, que marcam a minha vida. Aí eu respondo a uma pergunta inicial: é que isso tudo faz com que eu tenha vibrações, que eu continue. E aí eu vou voltar também a uma coisa que eu disse a você sobre os 80, que as pessoas mais de terceira idade que participam. Eu tive uma professora, uma pós-doutora, que chegou para mim, ela era regente de um coral, coral de uma empresa. Ela disse assim: 'Sérgio, eu tenho hoje uma proposta muito interessante, que é muito atual, que é de uma universidade americana, e nós estamos conduzindo isso para a Universidade do Paraná, é que existe um tratamento em que a música poderá ser um instrumento de retardamento das doenças cognitivas.' Então, a música pode retardar o Alzheimer, o mal de Parkinson e essas outras doenças paralelas. E eu disse para ela: 'Por que a gente não faz isso com a Música no Museu?' E o fato é que nós começamos isso em setembro do ano passado, e ficamos de setembro até dezembro. Nós começamos com uma turma só, acabamos com oito turmas de 50, 400 pessoas, todas com mais de 60 anos. Então virou oficina de cantoria, mais 60, e essa oficina gerou um grande coral do Música no Museu, que cantou no encerramento. Isso foi aqui no Rio? Foi no Rio. E tem fatos curiosos, por exemplo, tinha uma senhora de 92 anos cuja filha de 60 também participou, mãe e filha participando disso. Então, estamos preparando, adequando esse projeto para o virtual. Hoje, se você pensar o que é Música no Museu, vai de oito anos, com os brinquedos cantados, entra na música clássica e na música instrumental, e vai adiante para a música para a terceira idade, que não é só música, é expressão corporal, é um programa técnico. As pessoas se movimentam, as pessoas fazem pares, as pessoas conversam entre elas. É uma técnica utilizada na universidade americana e que está sendo levada para uma universidade no Paraná. Então, isso tudo faz parte de um conjunto chamado Música no Museu. É muita coisa mesmo, é muita coisa ao mesmo tempo.
Eron Falbo: [45:05] E como é que você se organiza essa coisa toda? Você tem uma equipe?
Sérgio da Costa e Silva: [45:11] Você tem delegados? Não, o que acontece: eu não posso ter uma equipe. Se eu tivesse uma equipe esse tempo todo, 23 anos, eu teria um passivo trabalhista muito grande, que não é compatível com o recurso que eu tenho de manutenção. Então, o que eu faço? Eu faço convênio, eu tenho com o CIEE, Centro de Integração Empresa-Escola, e eu utilizo muito estagiário, e esses estagiários participam de áreas específicas. Então, eu tenho área de programação visual, eu tenho área de imprensa, eu tenho área de administração, tenho área de contabilidade. Eu tenho de acordo com a demanda.
Eron Falbo: [45:51] Qual é o nome desse sistema?
Sérgio da Costa e Silva: [45:53] Como é que funciona? Uma das coisas mais bonitas que existe: Centro de Integração Empresa-Escola. É uma entidade muito grande, dirigida pelo professor Arnaldo Niskier, e que faz a ponte entre a empresa e as escolas para estágio dos dois últimos anos nas escolas. Então, a gente pode remunerar pouco, o valor é pequeno. Eles têm uma carga horária, proporcionam essa carga horária para a sua manutenção e para o próprio currículo escolar, e eles ganham pró-labore. Então, com isso, eu tenho uma equipe que é rotativa. Alguns são... Aí você sempre tem que...
Eron Falbo: [46:32] Treinar, você tem que treinar pessoas novas o tempo todo.
Sérgio da Costa e Silva: [46:35] É porque o treinamento não é difícil, é uma rotina. E eu tenho uma coisa também que eu conquistei, aí entra na parceria, quando eu falei no início: os músicos são nossos parceiros. Os músicos têm sido parceiros o tempo todo, porque eles entendem que a gente está abrindo espaço para todo mundo tocar. Quando você chega a fazer 500 concertos por ano, o melhor ano nosso foi de 500 concertos por ano, mais de um por dia. Então, você está ocupando 3.500 músicos durante um ano. Isso tudo leva a um crescimento muito grande, a uma situação muito boa para a gente. É um círculo vicioso. Falar de Música no Museu, eu ficaria a noite inteira, tem tanto fato...
Eron Falbo: [47:28] Se interliga... Você está falando coisas muito preciosas para o empreendedor cultural, para pessoas que estão tentando fazer, de repente, um projeto bem pequenininho funcionar e estão desmotivadas, entendeu?
Sérgio da Costa e Silva: [47:41] O exemplo que dou é que a gente era pequenininho. Em 97, eu era só no museu, fazendo uma vez por semana. A gente partiu de uma vez por semana a fazer todos os dias da semana, depois a fazer... De janeiro a dezembro, não parar, tudo isso. Agora, você vai me perguntar por que você faz isso, porque eu sou maluco, maluco no sentido de aceitar desafios. Se você trouxer uma boa ideia, eu repenso, organizo e trago essa boa ideia para fazer alguma coisa. Eu reciclo essa sua boa ideia e incorporo. Foi a mesma coisa que aconteceu com o Oficina de Cantoria Mais 60, que foi uma apresentação na Biblioteca da Maison de France. E essa professora, que era a maestrina, falou e o pessoal cantou aquela cantiguinha. Ao final, eu estava ressaltando a importância de uma empresa que dá estímulos aos seus empregados para formarem uma posição através da música. Então era muito importante essa empresa cidadã e tal. E foi aí que essa maestrina falou, não, esse trabalho é muito mais amplo, existe esse estudo, tal, tal, tal. Acabado essa coisa, eu conversei com ela e disse, vamos fazer esse negócio de música no museu. E começou a fazer. Quer dizer, eu reciclo uma ideia e transformo ela numa realidade.
Eron Falbo: [49:06] E depois eu vejo como é que vai dar. Você é uma máquina de... Acho que você, numa entrevista, falou que você é um administrador de escassez, não é isso?
Sérgio da Costa e Silva: [49:14] É, de escassez, porque a escassez é para obter dinheiro, gente. É não ter dinheiro e você administrar, quer dizer, você ter... Fazer acontecer mesmo assim. Eu acho que é importante a gente ser ousado, é importante a gente fazer esse trabalho...
Eron Falbo: [49:29] Tentar o impossível, né? Diz assim, tem um ditado que diz que o bom homem, aonde a possibilidade termina, começa o trabalho dele, ou seja, ou a impossibilidade, ou aonde começa a impossibilidade, comece o trabalho dele, alguma coisa assim. Não lembro da expressão. A gente fala que as coisas são impossíveis. Esse música no museu parece um sonho, parece que alguém está falando de alguma coisa que ele vai fazer no futuro.
Sérgio da Costa e Silva: [50:01] Estou fazendo agora e você não tem... Aí tem um instrumento sorte. Eu tenho tanta coisa para falar, mas vou te contar um instrumento sorte. O consulado americano me trouxe dois professores. Eu tenho muito apoio dos consulados, das embaixadas, que me voltam em meia, me oferecem músicos de fora para tocar. Esses dois professores tocaram e continuaram tocando, assistindo os concertos. Terminado, porque eles passaram mais tempo aqui, eles vieram patrocinados. Aí ele disse assim, eu gostei muito do trabalho de vocês, não, queria lhe oferecer, eu sou também, além de concertista, dirijo a área de música da James Madison University, que é uma escola centenária, em Washington, quer dizer, na Virgínia. E aí ele disse para mim, eu posso oferecer a vocês uma bolsa. Eu disse, pois não, vamos fazer diferente. Você me formaliza, nós vamos formalizar esse oferecimento, eu vou fazer um concurso para jovens músicos e vamos já fazer esse concurso. Aí convidei professores de várias faculdades, escolas de música, que ao mesmo tempo tocavam música no museu, fizemos um conselho, montamos o projeto e já mandamos nove músicos para essa escola. Mas o que aconteceu é que o nível desses músicos foi tão bom que, do primeiro ano, eles repetiram o segundo, o terceiro e tal, e agora a gente só parou por falta de recurso mesmo, porque a gente precisa fazer... No início, eles mandavam os professores de lá para participar do júri, mas, no quarto ano, eles pediram que a gente pagasse as passagens dos professores para eles tocarem. Nós conseguimos viabilizar durante três anos, depois parou, mas a gente tem esse concurso em aberto. Então, já mandei nove músicos para o exterior, abriu perspectivas profissionais para eles. Então, a gente tem um público de músicos jovens que estão entrando no mercado de trabalho via música no museu. A gente tem tido essa possibilidade. Então, é um conjunto. E aquele que tiver mais curiosidade entra no nosso site, que é www.musicanomuseu.com.br e vai ver tudo o que a gente vem fazendo. Está desatualizado, não está tão atualizado, porque a gente agora precisa de... E está desprovido de programador visual, porque essa situação fez com que a gente parasse.
Eron Falbo: [52:33] Você tem essa equipe rotativa, né?
Sérgio da Costa e Silva: [52:36] Rotativa, mas agora parada. Parada em função dessa situação. Mas se pudesse dar uma olhadinha...
Eron Falbo: [52:44] Mas por que parou? Aquele sistema não continua dando estagiários às escolas?
Sérgio da Costa e Silva: [52:53] Não, não é isso. Isso também. A gente não tem recurso para poder ficar pagando esses estagiários porque são oito, dez estagiários por temporada.
Eron Falbo: [53:05] Aí não tem receita? Normalmente, vocês têm alguma receita de projetos.
Sérgio da Costa e Silva: [53:10] E coisas do tipo? Não, os concertos são todos gratuitos. A gente tem receita de patrocínio. A gente não tem receita paralela. É só o patrocínio que dá a receita. Entendi.
Eron Falbo: [53:24] Então, é uma coisa assim... Ultimamente está parado. Isso até é bom para o pessoal que está escutando aí. Eu aconselho, não sei se você já tem isso, um sistema de doação, talvez, para as pessoas poderem participar.
Sérgio da Costa e Silva: [53:38] Hoje, por exemplo, pela lei de incentivos, uma coisa que a gente não fez muito, mas pretende fazer, é que a pessoa física pode fazer doações. Ela desconta 6% do seu imposto. Eu sempre foquei em empresa. Mas dessa vez eu vou focar também em pessoas físicas.
Eron Falbo: [53:56] Hoje em dia tem muita coisa na internet que dá para fazer, tem o Patreon, tem vários sites que possibilitam a pessoa a doar com muita facilidade online e ajudar os projetos.
Sérgio da Costa e Silva: [54:09] É uma coisa que eu sempre evitei. Duas coisas que eu evitei. Uma é essa. A outra é cobrar. Cobrar tem dois aspectos. Primeiro você vai cobrar, você vai ter depois uma prestação de contas que é complicadíssima na medida em que você tenha vendido 30 ingressos, vendeu 50, vendeu 80, você teve cortesia, você teve idoso. Quer dizer, você prestar contas de uma lotação de 200 lugares, que é mais ou menos a média dos locais onde faço música no museu, você cobrando essas entradas, quer dizer, você tem uma dificuldade depois de prestar contas. Eu tenho horror a esse tipo de coisa. Então, quando você tem um patrocínio, o patrocínio é 10, você presta conta de 10. Agora, quando você tem um patrocínio e tem também venda de ingresso, é complicado. E a outra, eu procurei não pedir a... Porque eu tenho muitos amigos até que teriam condições de fazer doações e tudo, mas aí constrange, porque a pessoa pode entender mal de você estar pedindo coisas. Eu não tenho muito esse hábito. Eu ofereço um bom produto e espero que a pessoa que aporte um recurso vá aportar num projeto de qualidade. Então essa é a premissa que eu tenho. Não chegar para você, porque às vezes um amigo meu que tem dinheiro, que eu posso chegar e falar, faz um aporte de 50 mil, de 30 mil, uma coisa para você não é nada e tal, mas você fica sempre com aquele negócio de estar pedindo dinheiro. Ninguém entende que você está pedindo para um projeto, parece que está pedindo para você. Aí isso me constrange muito. Então evito muito.
Eron Falbo: [55:44] Isso tudo está sendo uma grande aprendizagem, porque eu também sou um grande apaixonado por projetos culturais, adoraria estar fazendo um centésimo do que você está fazendo atualmente.
Sérgio da Costa e Silva: [55:57] Não é isso. Eu comecei pequenininho. Você vai acontecendo. O sucesso faz com que você continue. Uma coisa que você plantou lá atrás, você está colhendo agora. Recebi 30 prêmios. Sou o único projeto que tem a Ordem do Mérito Cultural, que é decreto do Presidente da República. Tenho o Golfinho de Ouro, que é a honraria máxima no Estado do Rio de Janeiro, e tenho a Medalha de Mérito Carioca, que é do município do Rio de Janeiro. O único projeto que é tríplice coroado é o Música no Museu. Tenho um prêmio da Unesco, tenho um prêmio da Latin America Quality Awards, que recebi na PUC, em Buenos Aires. Recebi a Excelência em Cultura, em Portugal. Recebi a Cultura Viva, na Espanha. Recebi uma série de prêmios, fora as coisas específicas. A Ordem do Mérito do Trabalho, que faço concertos no Centro Cultural da Justiça do Trabalho. Recebi, da Hebraica, Homens de Ação, Homens de Valor. E foram dez pessoas, e dessas dez, duas apenas não eram da colônia judaica. Recebeu o Isaac Carabichete, o Arnaldo Nischier, recebeu o Sérgio Besse, uma pessoa da colônia judaica, e eu e o... Na época, era o secretário de Segurança do Rio, e recebeu também. Nós éramos os dois que não éramos da colônia judaica, recebendo... Então, Sérgio, tudo.
Eron Falbo: [57:35] O que você está falando, a gente começou falando sobre as informações do Música no Museu e onde já esteve, para as pessoas conhecerem esse tipo de coisa, e acho que agora a gente está entrando numa coisa que, num âmbito de inspiração para as pessoas fazerem mais cultura, para buscarem meios onde não há meios, cresceu uma flor no pântano, buscarem diferentes formas de buscar oxigênio quando está sufocado, vamos dizer, e você realmente tem inspirado, com tudo que você falou, tem inspirado a gente, tem agora dois minutos para as últimas considerações, porque o nosso podcast tem uma hora de duração, mas eu queria te convidar para a gente fazer, de repente, uma segunda parte.
Sérgio da Costa e Silva: [58:33] Com maior prazer. Olha, é só me convidar. Sou uma pessoa que gosta. Gosto de contribuir com alguma coisa. As pessoas têm que fazer o que eu faço. Não entender que você é um chato. O que acontece? A posição que a gente tem é a posição de estar pedindo, pedindo, pedindo. Então você não usar, quer dizer, se proteger contra essa posição e ir em frente. Porque o não que você recebe é muito grande. Então você tem que ter uma couraça para entender que o não faz parte do sim. Então você recebe 50 nãos para receber, para ter um sim, para ter dois sins. Então você tem que ter, primeiro, entender isso. E, segundo, você fazer parcerias, parceria com os músicos. A sua equipe tem que ser parceira, os músicos são parceiros, eles são excepcionais, são pessoas que têm... Eu entendo a luta do músico, o trabalho deles, a obstinação deles. Então, quando você coloca um músico como seu parceiro, você coloca os espaços como seus parceiros, as pessoas gostam do projeto. Em uma equipe aguerrida, você consegue fazer alguma coisa. Então, é isso que eu estimulo. Quer dizer, o que é que ofereço às pessoas? É essa mensagem de encorajamento perante tanta dificuldade. Não é fácil fazer um projeto cultural, não é fácil conquistar, não é fácil demorar com ele, demorar no sentido de ter muito tempo. Então, isso é o que ofereço a todo mundo. Estou à sua inteira disposição para outras vezes, à inteira disposição. Estou vendo tantas pessoas que entraram nessa nossa matéria, nessa nossa, em que estou aberto, é só entrar no nosso site, apontar o contato. Teria muito prazer em falar com cada um.
Eron Falbo: [1:00:21] Você pode repetir, por favor, o site, só para registrar?
Sérgio da Costa e Silva: [1:00:24] Www.musicanomuseu.com.br. Então, www.musicanomuseu.com.br. Ali tem tudo e a gente pode... E aqui, se eles quiserem entrar em contato comigo, meu celular é 21 99988 9332. Então, estou à disposição. Então, eu sou um otimista por excelência e estou preparado para receber não, não, não, não e um sim. Não, não, não, não e um sim. Então, é uma coisa que se você estiver preparado para isso, você consegue superar e não desanimar ante os tantos nãos que você recebe na vida. Então, é...
Eron Falbo: [1:01:09] É essa a mensagem fantástica. E isso vai ficar registrado para todo sempre no nosso podcast. Daqui a pouco, a nossa equipe vai pegar essa entrevista, essa conversa que a gente teve entre amigos, e vai transmitir para o Spotify, para o iTunes e todos os servidores de podcast, e vai estar disponível. Depois te mando o link aí para você mandar para o seu mailing list.
Sérgio da Costa e Silva: [1:01:36] Vou colocar no nosso site, com certeza absoluta. Vou fazer isso para as pessoas do mundo.
Eron Falbo: [1:01:41] E foi um prazer enorme, acho que a gente só tocou na superfície da inspiração que é. As pessoas do Brasil precisam muito disso, precisam muito dessa energia que você tem, desse otimismo que você tem. Então eu te agradeço com todo o meu coração por você ter aceitado esse convite, por você ter tido a disponibilidade, a paciência para esse começo de São Luís.
Sérgio da Costa e Silva: [1:02:09] Estou muito à disposição, é um maior prazer. E digo a você também, rendo homenagem a você, à sua família, porque acho que vocês foram pioneiros, vocês são guerreiros também. O que eu gostaria de ter no final é exatamente o reconhecimento de ter feito alguma coisa nesse país. Isso para mim, os prêmios que recebo, as honrarias, são parte desse agradecimento. Acho que a gente faz alguma coisa e ela volta para a gente.
Eron Falbo: [1:02:37] Se depender de mim, pode ter certeza que eu vou espalhar a notícia dos seus feitos. E, com certeza, pode contar comigo para projetos futuros, coisas que a gente for fazer, se envolver música, se envolver, na verdade, qualquer coisa cultural, eu vou te usar, se você.
Sérgio da Costa e Silva: [1:02:53] Me permitir, como consultor. Com o maior prazer, com a sua disposição. Estou dizendo, estou dando meu telefone para quem quiser ligar para mim, com o maior prazer, a gente conversa. Às vezes posso não ter tempo para conversar, mas não vou deixar de anotar e responder na primeira oportunidade.
Eron Falbo: [1:03:09] Muito obrigado. Cuidado, que vão ligar.
Sérgio da Costa e Silva: [1:03:11] Pode ligar. Eu sou aberto para conversar.
Eron Falbo: [1:03:15] Sérgio, vamos nos conhecer pessoalmente assim que possível.
Sérgio da Costa e Silva: [1:03:19] Com o maior prazer. Vamos fazer um contato. Vamos continuar esse contato. E agradecer por eu ter sido convidado por você. Quem fez esse contato, eu vou agradecer também muito, porque me deu a oportunidade ímpar de conversar com você e com tanta gente que eu vi que entrou durante essa conversa.
Eron Falbo: [1:03:39] O Pedro Henrique de Souza, que nos apresentou aí, eu vou levar um agradecimento à nossa amiga.
Sérgio da Costa e Silva: [1:03:44] Pois é, o Pedro Henrique conhece bem o projeto, está fazendo um trabalho bom de relacionamento Brasil-Portugal. Agora, amigo, ele está fazendo uma matéria sobre a gente, sobre o nosso projeto lá em Portugal. Quer dizer, a gente já faz projeto em Portugal.
Eron Falbo: [1:03:59] Então é isso, Sérgio. Muito obrigado. Boa noite para você.
Sérgio da Costa e Silva: [1:04:02] Boa noite, então. Um grande abraço, então, hein?
Eron Falbo: [1:04:04] Grande abraço. Tudo de bom.
Sérgio da Costa e Silva: [1:04:06] Obrigado, obrigado. Tchau, tchau.
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