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Eron Falbo: [0:06] Alô, alô. Boa noite. Sejam bem-vindos. Entrevista com Gustavo Studart. Ah, agora foi. E aí, Guga. Seja bem-vindo, cara. Boa noite.
Gustavo Studart: [0:16] Boa noite. Estava ruim, deu algum problema técnico aí.
Eron Falbo: [0:21] Agora deu tudo certo. A gente está aqui hoje com Gustavo Studart, meu amigo, que é empresário, especialista em franchises.
Gustavo Studart: [0:30] Sou um anônimo, ninguém me conhece. Mas eu acertei o convite porque o assunto é interessante.
Eron Falbo: [0:37] E hoje a gente vai fazer o quê? Vamos fumar um charuto, beber uma Coca-Cola.
Gustavo Studart: [0:43] Estou feliz que você permitiu o charutinho na live, Eron.
Eron Falbo: [0:48] Que isso, quem sou eu? Primeiro, eu estou sempre fumando charuto na live, então faz parte da coisa. E quem sou eu para permitir alguma coisa? Se quiser fazer aí, aposto que você deve estar sem calça agora, apesar de não ser permitido no programa. Não vou mostrar, porque senão vou ter que mostrar também: eu estou sem calça.
Gustavo Studart: [1:13] Eu não quero ver a questão.
Eron Falbo: [1:18] Bote fé, bicho, aí. Mas me conta, o que você acha da política? Falando que seu amigo te expôs aí publicamente.
Gustavo Studart: [1:30] Se eu disser que eu adoro o Bolsonaro, metade dos seus ouvintes aí vão me odiar. E se eu disser que eu odeio o Bolsonaro, a outra metade vai passar a me odiar também. Então, eu não tenho opinião sobre isso.
Eron Falbo: [1:45] Você não tem opinião sobre isso, mas por que você começou com o Bolsonaro? Por que você não falou?
Gustavo Studart: [1:49] Eu gosto do Paulo Guedes.
Eron Falbo: [1:51] Eu nem gosto de falar.
Gustavo Studart: [1:53] Eu acho que ele tá fazendo um bom trabalho aí, principalmente de trazer a taxa de juros para baixo, para dizer que isso vai estimular os mercados, vai estimular o empreendedorismo, na minha visão.
Eron Falbo: [2:06] Sim, vai pegar empréstimo, essas coisas ajudam.
Gustavo Studart: [2:09] Não, eu acho que o juros baixo, Eron, ele fica pouco atrativo para quem tem dinheiro investido. Você ter dinheiro investido em CDI, em tesouro direto, perdeu a atratividade.
Eron Falbo: [2:26] Então, mas isso é bom para a economia, porque tira o dinheiro da renda fixa e vai para a renda variável.
Gustavo Studart: [2:33] Aí o cara vai fazer uma migração para alternativas que possam oferecer melhor rentabilidade e alguns mercados vão se beneficiar disso.
Eron Falbo: [2:42] Vai tomar mais risco por causa do...
Gustavo Studart: [2:46] Não, tem que tomar, porque isso é um fenômeno que existe no mundo inteiro. Juros baixos, o governo não pode sustentar quem tem dinheiro investido. Isso é base.
Eron Falbo: [3:00] Tem uma pessoa que chama Rafael Vianna que tá falando que o reverb tá muito forte. Você tem um fone de ouvido aí pra colocar ou não?
Gustavo Studart: [3:10] Não tenho.
Eron Falbo: [3:11] Ah, então beleza. Então eu vou ficar... Rafael Vianna é uma pessoa que a gente nem conhece, então a opinião dele não sei se tá valendo nesse momento. Mentira, o Rafael é o nosso amigo mútuo aí, que inclusive apresentou a gente, né, Guga? Querido, e ele entende de reverb mesmo.
Gustavo Studart: [3:34] É, eu sei que tem botão, mas eu não tenho fone. As pessoas já me mandaram aqui, eu tenho que ver onde é que tem isso.
Eron Falbo: [3:42] Vou te dar o fone, tem na internet, você consegue comprar. Eu te dou de presente.
Gustavo Studart: [3:47] Não, eu tenho na caixa do iPhone, deve ter, mas eu não tenho.
Eron Falbo: [3:51] Porque você está muito tempo no Escafé, você está desatualizado das coisas modernas. Você não sabe dessa tecnologia.
Gustavo Studart: [4:00] Eu sou um pouco analógico.
Eron Falbo: [4:03] Então, mas continuando aí a coisa: isso é bom para explicar para as pessoas, que não é todo mundo que entende isso, do porquê que é bom abaixar os juros, porque muita gente acha que era muito bom no governo da Dilma, quando era 14% de juros. Que você tinha dinheiro lá em CDI, você ficava feliz.
Gustavo Studart: [4:21] Para quem é um pouco egoísta, era muito bom. Quem tem algum dinheiro, ficar rendendo 14% ao ano é bom.
Eron Falbo: [4:27] Não, mas não era muito bom. Sabe o que não era muito bom? Eu tenho muita experiência. O Dano Marconi trabalhou comigo num family office que a gente trabalhava só com offshore. Ele está assistindo aí agora. E aqui no Brasil tem muita essa mentalidade de que está tudo certo, está tudo seguro. Então está valendo deixar dinheiro em CDI porque não tem risco, mas tem o risco do Tesouro, tem o risco Brasil. E quando tem o governo Dilma, por exemplo, e o próximo pode ser o Haddad, aí você tem o risco, esse 14% é 14% por uma razão, você está correndo um risco enorme, a economia está um lixo. Olha só, a sua produção aí, na verdade foi a minha produção do programa. Então, pra vocês terem ideia, a produção do meu programa é tão sofisticada que eu já enviei um rapaz pra casa do Google.
Gustavo Studart: [5:22] Eu não sei como é que faz isso. Peraí.
Eron Falbo: [5:27] Ah, deixa pra lá, cara. Não quero... É uma curva de aprendizado. Então, aí eu vou... Tá ouvindo?
Gustavo Studart: [5:36] Não, porque eu ainda não botei.
Eron Falbo: [5:38] Mas eu vou continuar falando coisa que você já sabe. Essa coisa de risco Brasil, risco do país, muita gente que mora dentro do país não chega, como é que se chama, não sente o risco do próprio país. Ele pensa que como ele está no país sempre deu certo mais ou menos e vai continuar dando certo. Mas vai falar isso para a Venezuela, que tinha uma inflação, não tenho ideia, não estudei economia venezuelana. Mas que obviamente aumentou muito e o dinheiro desvalorizou bastante. E na conversa com venezuelanos, eu tenho muitos amigos venezuelanos que saíram da Venezuela fugidos que relatam que era muito próximo da realidade brasileira. Era uma realidade que a coisa estava mais ou menos sempre volátil, só que nunca caía de vez. Aí chegou uma hora com o Hugo Chávez e a coisa caiu de vez.
Gustavo Studart: [6:48] Esse risco, a América Latina está sempre convivendo com isso, porque a esquerda está sempre... Enfim, eu não estou criticando, só estou dizendo o seguinte: o populismo está sempre presente na América Latina há muito tempo. Parece que o Brasil está se afastando disso.
Eron Falbo: [7:12] O próprio Bolsonaro é populista. Não acho que é um problema de esquerda nem de direita, acho que é um problema da América do Sul. É, mas é populista no sentido de que fala frases de efeito, não necessariamente tem compromisso com fatos e com a verdade.
Gustavo Studart: [7:31] Ele adorou esse programa Renda Brasil, que é continuável, esse continua em 2021, para poder... As contas públicas estão muito boas.
Eron Falbo: [7:41] Então, cara, eu sou crítico de todo mundo, entendeu? Porque, assim, pra mim, governo... Você deve saber que eu sou monarquista. Pra mim, governo tem que ser o povo que manda no governo e cobra, né? Cobra resultado, cobra tudo. Essa coisa de ter um presidente demagogo, entendeu? Que é papai do povo. É uma coisa que necessariamente causa populismo. Tipo assim, sem crítica pessoal ao Bolsonaro, nem ao Haddad, nem ao Lula. Os políticos se aproveitam do fato de que o povo responde a certas coisas. Então, se o povo responde ao sensacionalismo, como o sensacionalismo da Globo contra o Covid e tudo mais, o povo responde a isso.
Gustavo Studart: [8:29] Então funciona.
Eron Falbo: [8:30] Se funciona, por que eu não vou usar? A única ferramenta que eu tenho para usar para me colocar no poder, eu populizo. Esse é o sistema que a gente vive, infelizmente. Então, não é um ataque pessoal.
Gustavo Studart: [8:44] Mas, voltando, sendo bem pragmático, eu acho que a queda da taxa de juros vai estimular muito o mercado, tanto o empreendedorismo como outras alternativas para se buscar rentabilidade de capital. Então, a gente vai ver nos próximos anos, eu acho, a bolsa valorizando, quer dizer, empreendedorismo valorizando ativos empresariais, quer dizer, cada vez mais ter um bom negócio vai ser uma coisa de valor. Porque quando você compara com 2% ao ano, o Eron, tudo fica muito barato, entendeu? Porque você com 2% ao ano, se você descontar a inflação e o imposto de renda, é negativo, na verdade. Mas, se fosse em termos absolutos, o cara precisa de 30 anos de composto para dobrar o dinheiro. Então, acabou esse negócio de viver de renda no Brasil. Então, eu acho que as outras alternativas e o mercado de franquias, que particularmente eu estudo há muito tempo, eu acho que vai pegar carona nisso.
Eron Falbo: [10:02] Explica para pessoas leigas o que é mercado de franquias. Acho que todo mundo conhece meio que por alto. Já ouviu falar do termo franquia, franquia do McDonald's e coisas do tipo. Mas qual a diferença entre você ser dono de uma loja e você ser um franqueado de uma loja? Coisas básicas.
Gustavo Studart: [10:20] Eu estudo franquia há muitos anos, isso está meio que enraizado comigo. Porque meu pai teve uma rede de lojas de Auto Center há muitos anos atrás e ele optou por expandir via franchise na época. E a rede cresceu com franchise. Tinha lojas próprias, mas também tinha muitas lojas franqueadas. Eu vivenciei, na prática, o que é ser um franqueador. Quer dizer, o que é lidar com o franqueado, quais são os problemas que isso acarreta. E, ao mesmo tempo, o lado bom que é você crescer uma marca. Tudo o que mais, franquia, basicamente, é você conceder o direito de uso de uma marca e fornecer a esse concessionário know-how, mercadorias, tecnologia, consultoria, para ele errar menos. Entendeu?
Eron Falbo: [11:34] Ou seja, um sistema completo. Você tem a pessoa que entra com o operacional, gerencia a loja, e entra com risco também de investimento e tudo mais. E por isso te dá um prêmio, dar uma porcentagem dos ganhos de alguma forma, para receber a popularidade da marca e o sistema já pronto, o sistema já testado, de algo que funciona. Está certo, mais ou menos?
Gustavo Studart: [12:03] Exatamente. E outra coisa, no sistema, o empreendedor indo por conta própria, quer dizer, quando você vai lá, tem uma ideia e resolve montar um negócio, a tua chance de errar, a taxa de mortalidade é em torno de 70%, 80%. Então, essa é a taxa de mortalidade média de um empreendedor indo por conta própria. Já se ele optar pelo sistema de franquias, a taxa de mortalidade cai para 5%. Então, ele passa a ter 95% de chances de ter êxito. Então, inverte essa conta, quer dizer, a chance do sistema de franquias... Espera um instante.
Eron Falbo: [12:50] Porque já passou do proof of concept, né? Já passou da fase de prova de conceito, sei lá como é que fala.
Gustavo Studart: [12:58] Em português. É, geralmente uma marca, ela já é consolidada, ela já tem um público cativo.
Eron Falbo: [13:06] É mais ainda do que a proof of concept, na verdade, é um conceito de já estar estabelecido dentro do mercado, já está gerando renda.
Gustavo Studart: [13:14] Quando ela está replicando o modelo de sucesso em outro lugar, o franqueador geralmente te diz: olha, o nosso público é classe B, é ticket médio de 100 reais, se você colocar nesse lugar, a sua chance de sucesso é grande, porque esse lugar tem as mesmas características das unidades que já deram certo. Então, a sua chance de erro cai muito.
Eron Falbo: [13:42] E quais são os riscos das franquias? Tem franquia que é muito cara, que é muito difícil ter sucesso com ela? Quais são os riscos de franquias? Quais são os problemas?
Gustavo Studart: [13:56] Olha, isso vai do tamanho do bolso, né, meu irmão? Então depende do apetite de cada um para investir. Uma franquia McDonald's hoje não é menos de 3 milhões de reais. E é dificílimo você conseguir, porque nos últimos anos a franqueadora fez o movimento de comprar unidades próprias, para fortalecer a receita de uma empresa matriz chamada Arcos Dorados, que é a dona do McDonald's na América Latina, é a máster franqueadora para a América do Sul. Hoje é difícil ser franqueado do McDonald's. O Burger King, que abriu capital recentemente, tem optado muito por loja própria, mas são franquias caras, essas franquias de fast food.
Eron Falbo: [14:43] Mas uma vez que você tem esse capital, você tem menos risco porque é muito caro? Qual é o problema disso? Porque eu tenho amigos aqui...
Gustavo Studart: [14:55] Não, a relação do investimento só tem a ver com a rentabilidade, não tem muito a ver com risco. Você pode ter uma franquia de 100 mil reais, que é uma franquia barata, e ela pode render bem ou pode quebrar, da mesma forma. Agora, o McDonald's, o Burger King, é mais difícil disso acontecer, né? Porque eles têm umas equipes que estudam muito pontos, estudam muito localização. Porque franquia de varejo é ponto comercial, né?
Eron Falbo: [15:25] Mas uma vez que você paga a franquia, né? Você está falando de 3 milhões de reais pro McDonald's, você não tem que pagar um tributo constantemente pra eles, não?
Gustavo Studart: [15:35] Não, 3 milhões é, por exemplo, a montagem da loja. Você fica com a loja toda pronta. Depois, obviamente, eles vão te cobrar um royalty em relação ao faturamento.
Eron Falbo: [15:45] Mas é isso que eu quero dizer: esse royalty não é demais? Porque eu já ouvi falar que era um pouco difícil sustentar um McDonald's, por exemplo.
Gustavo Studart: [15:55] Isso é praxe em qualquer franquia, quer dizer, eles vão te cobrar o royalty e eles vão te fornecer a mercadoria.
Eron Falbo: [16:02] Mas varia esse royalty, depende da negociação.
Gustavo Studart: [16:06] Geralmente é um percentual fixo. Cada franquia tem um percentual que varia entre 3% e 6%. O Subway no Brasil é 8,50%. Acho que é a franquia mais cara em termos de royalty.
Eron Falbo: [16:19] Não é tão puxado assim não.
Gustavo Studart: [16:25] Não, não é barato. Porque se você pensar que é 8,50% do bruto... Então, se você faturar R$250 mil por mês, ele tem que pagar R$17 mil para a franqueadora. E ele ainda vai te indicar os fornecedores, quer dizer, quem fornece o pão, quem fornece os frios, quem fornece as máquinas, quem fornece as embalagens. E aí é o CMV, que é o Custo da Mercadoria Vendida.
Eron Falbo: [16:51] O faturamento.
Gustavo Studart: [16:52] Que é o custo mais alto. Quanto custa para você vender aqueles produtos. Esse tem que ficar de olho bem em cima.
Eron Falbo: [17:00] Você está falando, sendo que é do faturamento inicial, do bruto, no final das contas, pode ser mais da metade do resultado. Então é como se você tivesse um sócio majoritário, praticamente, dentro da empresa, o que você pega para você.
Gustavo Studart: [17:22] Não, não vai ser sócio majoritário porque essas franquias costumam dar de 12% a 18% de lucro líquido. Você vai trabalhar no Simples Nacional, que é um regime de tributação para quem fatura até R$4.800.000 por ano. Então, até R$400.000 por mês, você está num regime simples que você paga até 11% do bruto de impostos. Depois disso, ou você cria um outro simples no nome de outra pessoa da sua confiança, que se faz muito isso, no nome da sua esposa, ou no nome da sua mãe, ou então você parte para o lucro presumido.
Eron Falbo: [18:01] Não, mas o que isso tem a ver? Estou perguntando, assim: você abriu uma franquia, o McDonald's, o Subway cobra 8%, e você só está ganhando 12% do faturamento. Então, se ele está ganhando 8%, está ganhando 12%. Ele está aí com 40%. Então você tem um sócio, de que você tem 60% e tem 40%.
Gustavo Studart: [18:32] Mas peraí, combinado não sai caro. Ele te avisa isso antes.
Eron Falbo: [18:36] Não, eu não estou falando disso. Estou falando só que é interessante para o franqueador. Eu não estou fazendo propaganda contra franquias. Estou falando assim para a gente entender, porque às vezes a gente entende metade da história. E quando você me falou que é de 3% a 8%, eu achei bom, mas aí você falou, pô, do bruto, aí o resultado é mais ou menos por aí também.
Gustavo Studart: [19:02] É, na verdade, tem franquias que não cobram royalties, mas elas vendem os produtos pra você, elas são uma indústria. Tem que pensar em um exemplo.
Eron Falbo: [19:15] Herbalife.
Gustavo Studart: [19:17] Não, Herbalife não é franquia, é venda direta, né?
Eron Falbo: [19:19] É pirâmide.
Gustavo Studart: [19:21] Mas, por exemplo, a Cacau Show, que pra mim é o maior exemplo de sucesso que vi no mercado de franquia nos últimos anos. É impressionante o que esse cara conseguiu fazer. Conheci ele há muitos anos atrás, começando pequenininho, o Alexandre Costa. Esse cara enxergou que a Kopenhagen atuava para uma classe muito alta, a classe A, e ele achou que havia espaço para um chocolate presenteável, porque eles vendem um presente em forma de chocolate, mas barato. E ele deu um baile na Kopenhagen. A Kopenhagen não consegue passar de 500 lojas ou 400 lojas, e ele já está com 2.500. Quer dizer, ele engoliu a Kopenhagen em questão de 10 anos, começando com uma única loja, e ele partiu para uma fábrica.
Eron Falbo: [20:24] Desculpa, eu não peguei o nome da... Cacau Show. Ah, Cacau Show! E Cacau Show também funciona como presente? Chocolate presente?
Gustavo Studart: [20:32] É uma rede de chocolateria presente, mas é mais barato, né? Exatamente, metade do preço, ou um terço da Kopenhagen. Então, ele tem 2.400 lojas, acho que é isso, das quais ele fornece para todas elas, porque ele é o dono da fábrica. Olha o negócio que ele construiu.
Eron Falbo: [20:55] Entendi. Ele optou por uma outra metodologia, que era de distribuir produto e não ter...
Gustavo Studart: [21:01] Qualquer bombom que venda lá na ponta, numa loja, no Amapá, desse tamaninho, está saindo da fábrica dele. E a Kopenhagen tem... Entendi.
Eron Falbo: [21:13] Mas a Kopenhagen, por exemplo, tem o mesmo modelo?
Gustavo Studart: [21:17] Tem o mesmo modelo.
Eron Falbo: [21:18] Só que é mais caro.
Gustavo Studart: [21:21] É o triplo do preço. Obviamente, a Kopenhagen tem mais dificuldade de crescer em número de lojas, mas ela tem uma margem melhor, porque é muito mais caro. Você vê por quilo o chocolate da Kopenhagen... Faz uma conta de quilograma de chocolate da Kopenhagen: é 200 pratas, 300. Cacau Show é 80.
Eron Falbo: [21:40] E a embalagem é um pouco mais bonita também.
Gustavo Studart: [21:43] Embalagem mais bonita. O produto é mais saboroso. Dizem que o produto tem mais cacau. Enfim, tem menos gordura hidrogenada. É um produto de melhor qualidade. Mas você paga por isso também, né?
Eron Falbo: [21:55] A Valéria tá dizendo que a Cacau Show tem a mesma qualidade. Ela deve consumir os dois.
Gustavo Studart: [22:01] Deve ser uma boa... Olha, Valéria, gosto não se discute.
Eron Falbo: [22:04] É.
Gustavo Studart: [22:05] Gosto não se discute. Mas não deve ser a mesma qualidade, porque a diferença de preço é gritante. Entendeu?
Eron Falbo: [22:15] É, mas não é necessariamente. Tem muita coisa aí de... Não tem diferença de preço. Na moda, por exemplo, você vê camisetas, né? Camiseta da Gucci, sei lá, vendendo por 200 dólares, e a qualidade é melhor do que uma Hering, né?
Gustavo Studart: [22:30] É, eu não entro nessa loja. Compro roupa no Walmart quando estou nos Estados Unidos, ou na Costco.
Eron Falbo: [22:38] O Guga está falando isso, mas ele é um dos caras mais suissamente vestidos do Rio de Janeiro, se não...
Gustavo Studart: [22:46] A minha camisa é Fruit of the Loom. Nada caro.
Eron Falbo: [22:53] Mas você usa roupas que não são clássicas cariocas. Eu não te vejo como carioca comum. Até achei que você era.
Gustavo Studart: [23:04] Eu não sigo o rebanho, porque virou uniforme esse negócio de sair de camiseta preta, calça jeans, toda justinha no corpo. Você olha, de dez caras, nove estão assim. Eu me vesto como eu gosto, se for mais confortável.
Eron Falbo: [23:27] Eu não, eu adoro me vestir como todo mundo se veste. Eu sou a pessoa que mais segue o rebanho. A primeira coisa que eu fiz aqui no Rio de Janeiro foi ir pra praia fazer anotações.
Gustavo Studart: [23:39] Eu tô fora do rebanho, pô. Eu me visto como eu gosto. E só coisa barata, pô. Eu não compro Osklen, não compro Richards, não compro, porra, nenhuma marca dessas caras, porra. Isso é otário, pagar três reais por uma camiseta, pô.
Eron Falbo: [23:56] Meu amigo Dan Marconi tá falando que gosta da Osklen, cara. Como é que você é italiano, cara? Como é que você gosta da Osklen? Coisa de mau gosto.
Gustavo Studart: [24:04] A Osklen tá quebrando, fecha uma loja atrás da outra, pô. Aliás, a melhor venda que foi feita foi o dono da Osklen vender a Osklen. Pô, é melhor do que vender camisa, do que vender bermuda. Ele foi vender a porra da rede. Ali ele vendeu bem.
Eron Falbo: [24:22] Mas o Rio de Janeiro precisa, pô, voltar a ter um pouquinho de classe, né, pô? Cê vai aqui pros... E eu não tô falando, assim, de 6 e 9, não. Tô falando de, pô, ter um pouquinho mais de dignidade. Cê vai pra que... Pra cê vê gente... Que não é questão de classe social, estou falando de todas as classes, sobretudo a classe que mais ganha, mais mal se veste aqui no Rio de Janeiro. E você não, apesar de você estar falando aí que suas marcas são simples, pelo menos você tem um bom gosto.
Gustavo Studart: [24:53] Tudo barato, não compro nada caro. Compro na Hering. Quando viajo, compro na Costco, na Walmart. Tem umas camisas bonitas, 10 dólares. Pô, investe bem.
Eron Falbo: [25:04] Mas você acha importante isso? Tipo, isso é uma coisa... É um assunto mesmo, assim. O Rio de Janeiro é um lugar que meio que chutou o pau da barraca, assim, né?
Gustavo Studart: [25:14] Tipo... Pô, Eron, deixa eu te falar, eu não sigo o rebanho. Há 10 anos atrás, ou mais, eu gostava de usar umas camisas floridas. Quando eu era confortável, tinha umas estampas legais, tipo Havaianas. O nego devia me achar um personagem diferente, porque eu usava aquelas roupas. E eu sentia que tinha um pouco das pessoas olharem e falarem, pô, esse cara se veste com essas camisas diferentes. Hoje em dia, dez anos depois, essa merda virou moda. Você anda pela rua e todo mundo está com uma camisa florida. Aí eu parei de usar, porra. Entendeu? Agora virou moda. De cada 10 caras, você vai... Eu não fico observando os outros, mas você vê camisa florida pra caralho aí na rua. Então...
Eron Falbo: [26:03] Verdade. Os hipsters, hein, Botafogo?
Gustavo Studart: [26:05] Essas coisas vão mudando, né?
Eron Falbo: [26:07] É. Eu lembro disso também. Eu também gostava de camisa florida. Eles roubaram o conselho.
Gustavo Studart: [26:14] Mas os caras usam camisa florida justinha no corpo. É uma merda. Aí falta botar um brinco no ouvido e porra... Tem que saber usar essa porra, tem que ser folgada. Tem que ser folgada, tipo havaiana. O cara tem que ser assim, ó.
Eron Falbo: [26:30] Cara fica todo... Cara, eu gosto das coisas bem... Na medida certa, sei lá. Roupa pra mim pode ser também folgada demais, acho muito... Parece que você tá usando a camisa do seu irmão mais gordo, sei lá, alguma coisa assim. Mas vamos voltar para franquias, que eu acho que a gente vai sair melhor do que na moda, cara. A não ser se a gente falar de franquia de moda. Eu até sei um pouquinho, eu fui casado com uma franqueadora de moda, né?
Gustavo Studart: [27:12] Então... Qual era a marca?
Eron Falbo: [27:16] Não vou falar aqui, não vou falar em público.
Gustavo Studart: [27:21] Um dia você me conta.
Eron Falbo: [27:24] E assim, é uma margem pequena, né? A moda, né? Ainda mais hoje em dia.
Gustavo Studart: [27:30] Depende da grife, né? Se você pegar uma marca cara, tipo uma Richards, tipo uma... Esses caras marcam cinco, seis vezes, né?
Eron Falbo: [27:40] Mas vendem menos também.
Gustavo Studart: [27:41] Dizem, eu não sei. Dizem que a maior margem tá na joia. Vivara, Monte Carlo Joias...
Eron Falbo: [27:53] A H. Stern, a H. Stern é franqueador?
Gustavo Studart: [27:55] Não é franqueador, mas diz que esses caras marcam seis, sete vezes. Quer dizer, compra o produto por R$ 1,00, vende por R$ 7,00.
Eron Falbo: [28:04] Pô, achei que era até mais que isso.
Gustavo Studart: [28:06] O mercado de alimentação, em geral, fast food, pizzaria, que é uma margem mole, eles conseguem fazer de três a quatro vezes. Então o CMV vira um terço, um quarto do faturamento. E mesmo assim sobra dinheiro, sobra 15 a 20% de margem líquida.
Eron Falbo: [28:29] E qual é a sua história da startup de advogados que você fez? Como é que foi esse evento aí da sua vida? Durou quanto tempo? Como é que você entrou nessa? Como é que você saiu dessa? Mais os empreendedores assistindo aí, ouvindo, estão querendo saber como é que você sai fora de um negócio desses, que é o famoso exit.
Gustavo Studart: [28:53] Eu peguei um... Foi um caso totalmente diferente, porque se você analisar as startups de um modo geral, o ecossistema de startups, o Eron, ele é feito para o fundador sair por último. Ele vai se diluindo, diluindo, diluindo, quer dizer, vai entrando investidor, aporte novo, e o cara que estava lá desde o começo não sai. Ele vai sempre ficando. O dia que a empresa for vendida, de um modo geral, ele sai lá no final. Mas enquanto precisar de dinheiro para aporte, ele está dentro. Eu, por acaso, não vou dizer que dei sorte, porque o negócio não continuou comigo, pelo menos, mas eu bolei o negócio de aproximar advogados de clientes por necessidade de motivo. Vou te dar um exemplo: você é casado e quer se separar da sua esposa. Vamos dizer que você é um cara que não tem muito acesso a advogado, não sei o quê. Aí você entrava no meu sistema, explicava o seu caso, falava: meu nome é Eron, sou casado há cinco anos, e o casamento não deu certo, eu preciso me separar, eu tenho um apartamento, a gente comprou juntos, tem que dividir, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá.
Eron Falbo: [30:19] Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá.
Gustavo Studart: [30:22] Blá.
Eron Falbo: [30:24] Blá, blá, blá, blá, blá, blá.
Gustavo Studart: [30:30] Blá. E eu pegava aquilo lá e mandava para todos os advogados que eram da área de família na sua cidade. E aquilo ia parar no mural interno. E os advogados que viam o seu caso passavam a se comunicar contigo. E aí você ficava com cinco, seis opções de advogados que responderam como eles procederiam. O que você achasse melhor, você passava a mão no telefone e ligava para ele, ou mandava um e-mail, ou mandava um WhatsApp. A gente fazia a conexão. E quando eu tinha uns 300 advogados clientes trabalhando no site, e estava tendo todo dia muita demanda de pessoas, com tantos problemas de consumidor quanto problemas de família, enfim, dos problemas mais diversos que você possa imaginar. Eu, um dia, fui num restaurante com um amigo almoçar. Aliás, esse amigo está aqui assistindo à live, é testemunha.
Eron Falbo: [31:46] Você não está mentindo, né? Isso aconteceu de verdade.
Gustavo Studart: [31:50] Eu sentei nesse restaurante com esse amigo para almoçar e chegou um cara lá, que eu sabia que era um empresário, um investidor, que era meu conhecido, não era meu amigo, e perguntou: Guga, o que você está fazendo da vida? Você deve ter uns quatro ou cinco anos. Falei: olha, montei uma plataforma assim, assado, para ajudar pessoas a resolverem problemas com advogados. E aí ele falou...
Eron Falbo: [32:19] Bom, pra mim não tá fazendo eco não, tá só pra eu te dizer: eu que tô falando, ele tá dizendo eco.
Gustavo Studart: [32:23] Ele falou... Não, viu, foi em 2014. Isso. Ele falou: quanto que você quer pela empresa? Quanto você acha que vale o seu negócio? Aí eu olhei pra ele e falei: eu acho que vale X.
Eron Falbo: [32:43] Você não vai revelar aqui na live para não chover proposta de casamento depois no seu inbox?
Gustavo Studart: [32:51] Não, quem dera, quem dera. Dinheiro acaba.
Eron Falbo: [32:55] Pô, não precisa também acabar com as propostas. Podia ter deixado um mistério.
Gustavo Studart: [33:01] Sobrou algum, pô. Ô, Eron, ele falou: quanto é que você quer? Pela metade. Quero comprar a metade do seu negócio. Depois que eu comprar, a gente vai investir junto pra fazer esse negócio crescer. Falei: eu quero X. Esse meu amigo tava na mesa e falou: tá comprado, você ganhou um sócio. Eu nem era amigo do cara, eu não conhecia o cara direito, quer dizer, eu era amigo de oi e olá, você entende? Eu dava oi, bom dia pro cara, ele olhou pra mim e falou: você acabou de ganhar um sócio, fechou, liga para a minha secretária amanhã, ela vai preparar como é que vai pagar isso para você, e nós vamos fazer um novo contrato social, 50-50. E aí ele passou a investir para o negócio crescer, e nós pulamos de 200 ou 300 advogados pra dois mil advogados em questão de três meses.
Eron Falbo: [34:15] Ele capitalizou a parada, não é?
Gustavo Studart: [34:17] E passou a chover proposta. Agora sim, chover proposta de problemas, de gente com necessidade de separação, problema de consumidor, batida de carro, briga contra o seguro. Enfim, o que você possa imaginar aparecia lá. Eu nem me lembro, tinha histórias engraçadas, mas que a gente não podia revelar. Até que, dois anos depois, eu vou te resumir mais ou menos, mas nós tivemos um desentendimento societário. Ou eu continuava ou ele continuava, entendeu? Ele resolveu continuar e tomou o resto da minha parte, deu para o irmão dele, e eu não tomei mais conhecimento do que aconteceu. Parece que fechou. Eles tiveram uma série de problemas, esse cara tinha outros empreendimentos, mas a ideia era muito boa, quer dizer, cresceu muito em um curto espaço de tempo e eu tive uma saída muito rápida, quer dizer, porque eu saí totalmente do ecossistema natural das startups, que é você fazer.
Eron Falbo: [35:32] Round de investimentos... Sim, mas durou quanto tempo? Até chegar em 2014, quando ele entrou como sócio, você já tinha quanto tempo de empresa?
Gustavo Studart: [35:39] Seis meses. Foi curto.
Eron Falbo: [35:40] Caraca, esse é o recorde dos recordes de exit.
Gustavo Studart: [35:45] Não, não, eu saí um ano depois dele.
Eron Falbo: [35:48] Tá bom, mas primeiro ele comprou 50%, então já te deu um exit que é metade. Muita gente já considera uma espécie de exit, uma empresa maior.
Gustavo Studart: [36:00] Eu botei algum no bolso na primeira venda, coisa que ninguém põe. Isso não é mérito meu nenhum. Eu só estou dizendo que foi uma operação não cartesiana.
Eron Falbo: [36:13] Você estava bem vestido na reunião.
Gustavo Studart: [36:18] Foi uma operação não cartesiana, não ortodoxa desse mercado, porque esse investidor era um cara totalmente fora disso. Ele não sabia como é que funcionava, nem eu sabia e estava aprendendo. Entendeu? Mas hoje, os valuations dessas startups são uma loucura.
Eron Falbo: [36:36] Realmente, em 2014, a coisa ainda era bem nepotista, era bem elitista, tinha poucas pessoas, ainda não estava nessa fama toda. Foi um pouco depois, em 2016, 2017, que começou a ter esse boom de startups e o Brasil entrou nesse jogo.
Gustavo Studart: [37:00] Quando eu vi, por exemplo, você pega essa história de pagamentos, maquininha de pagamentos, a empresa valendo 16 bilhões de dólares, a gente se questiona até que ponto isso é real, até que ponto existe um boom aí.
Eron Falbo: [37:21] Uma bolha.
Gustavo Studart: [37:22] Porra, valer 100 bilhões de reais, 100 bilhões de reais numa empresa que é adquirente de pagamento de cartão de crédito.
Eron Falbo: [37:31] E que não é líder de mercado.
Gustavo Studart: [37:33] Não é líder de mercado.
Eron Falbo: [37:34] É porque eu acho assim, nessa questão é muito delicado isso, porque muitas supostas bolhas viraram bolhas maiores. No final das contas é tudo bolha, quando você for analisar mercado sempre existe um momento de deflação em algum momento, nem que demore 300 anos.
Gustavo Studart: [37:53] Tudo é uma questão de múltiplo. Quantas vezes lucro está se pagando? Quer dizer, como o mercado está pagando um múltiplo muito alto, ele está acreditando que essa empresa vai crescer muito.
Eron Falbo: [38:06] Está certo, mas isso é uma metodologia de análise econômica. Mas isso aí existe, é claro que isso aí é uma forma de você correr menos ou mais risco teórico, né? Mas muitas vezes isso ultrapassa essa equação e vai para o outro lado.
Gustavo Studart: [38:25] Eu estou fumando charuto sozinho?
Eron Falbo: [38:27] Ah não, eu só esqueci de fumar o meu aqui. Mas que charuto você está fumando aí, by the way?
Gustavo Studart: [38:33] Eu estou fumando um Cohiba que eu ganhei de presente de um amigo meu, que me deu uma caixa esse final de semana.
Eron Falbo: [38:40] Você tá falando que vai me dar um, faz três meses.
Gustavo Studart: [38:43] Eu tenho um separado aqui pra você. Eu vou até pegar a caixa pra te mostrar que foi um presente de um amigo. Peraí.
Eron Falbo: [38:51] Mas voltando ao assunto do... Olha que presentão!
Gustavo Studart: [38:56] Isso tem que ser um bom amigo pra dar, né? Olha lá.
Eron Falbo: [38:59] É o... Como é que fala?
Gustavo Studart: [39:04] É o Cohiba Esplêndido. Ganhei de presente, porra. E aí, estou aqui fumando, tenho um separado para você.
Eron Falbo: [39:16] Muito grato, estou ouvindo isso há três meses, mas continuo grato. Três meses.
Gustavo Studart: [39:20] Não, já é a segunda caixa que eu ganho de presente, de pessoas diferentes. E porra, mas já está aqui. O dia que você quiser está aqui. O dia que a gente estiver juntos.
Eron Falbo: [39:28] É o Juca Destrador! Entrou o Juca Destrador aí, mas vamos falar o nome verdadeiro, não? Então, mas o que eu quero dizer é o seguinte: se você olhasse para o Império Britânico, quando o Império Britânico era dono de dois terços do mundo, você podia pensar: poxa, é volátil, a coisa vai estourar a qualquer momento. Se você fizer certas análises de matemática econômica, você vê que a coisa estava muito inflada, mas ainda cresceu durante muito tempo. Aí, chegando ali perto da Primeira Guerra Mundial, depois perto da Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra foi estourando muito rápido. Só que ela durou, esse Império Britânico, essa potência, durou uns 300, 400 anos, independente de como você considera.
Gustavo Studart: [40:17] E essa potência criou a família mais poderosa do mundo. Você sabe a história de como a família Rothschild...
Eron Falbo: [40:27] Eu sei, eu sou o maior especialista da família Rothschild no Brasil, sou PhD em Rothschild.
Gustavo Studart: [40:31] Você sabe como é que eles ficaram?
Eron Falbo: [40:35] Sei, mas você vai me contar, conta aí.
Gustavo Studart: [40:39] Então eu vou contar não para você, vou contar para os ouvintes aí. Aliás, eu ouvi essa história há uns 2, 3 semanas atrás e achei do cacete. Você vê como a informação é tudo no mundo do empreendedorismo. Na guerra de Waterloo, a família Rothschild teve, com uma semana de antecedência, a informação...
Eron Falbo: [41:03] Na batalha de Waterloo, na guerra de Napoleão.
Gustavo Studart: [41:06] De que o Napoleão tinha perdido para a Inglaterra. Mas eles, como souberam da informação uma semana de antecedência, eles espalharam na Inglaterra o contrário. Que o Napoleão tinha ganhado e tava indo pra Inglaterra.
Eron Falbo: [41:19] Não, olha só, calma aí, calma aí. Antes de você terminar a história... existe essa história e muita gente pensa que isso é verdade, mas não é exatamente assim. Mas conta a história, depois eu vou explicar como é que foi.
Gustavo Studart: [41:31] Pelo menos foi isso que me contaram de alguma forma.
Eron Falbo: [41:32] Não, não, isso é uma história popular. Existe mesmo, muita gente...
Gustavo Studart: [41:39] Quando chegou a informação verdadeira, uma semana depois, eles já tinham comprado um terço da Inglaterra, porque todo mundo colocou tudo à venda barato, achando que o Napoleão ia lá tomar a Inglaterra. E eles botaram os prepostos, uma espécie de laranja deles, para sair comprando, e compraram, e se tornaram o que eles se tornaram.
Eron Falbo: [41:59] Então, assim, eu acabei de ler um livro que chama The House of Rothschild, que é a primeira... a primeira biografia autorizada da história da família. Eles gastaram, no século 20, uma fortuna incalculável para se tornar anônimos, para as pessoas não saberem quem eles são, porque eles tomaram muita responsabilidade própria pelo Holocausto, por muito antissemitismo que tinha no mundo, se expuseram demais. Realmente existem inúmeras histórias sobre eles que são fruto de antissemitismo. Essa aí provavelmente é uma dessas histórias, porque não foi exatamente assim o que aconteceu. O seguinte: eles tinham cinco irmãos. O Mayer Rothschild, que era o patriarca da família, teve cinco filhos, que espalhou entre a cidade de Londres, Paris, Amsterdã, Frankfurt e Nápoles, e fizeram o primeiro banco internacional de troca de bonds, de títulos governamentais.
Gustavo Studart: [43:12] Deixa eu só dar um abraço aqui pro meu Taboacinho, que é um grande amigo meu, que eu me hospedei na casa dele lá em San Diego, me recebeu lá, porra.
Eron Falbo: [43:22] Valeu.
Gustavo Studart: [43:24] Saudade do Taboacinho.
Eron Falbo: [43:26] Valeu, abração, Taboacinho.
Gustavo Studart: [43:28] Aliás, tenho que contar minhas histórias de viagens, porque eu tenho uma porrada de história boa. E a do Tabu assim passa por uma dessa.
Eron Falbo: [43:37] Aí o maior desses cinco filhos... fez a primeira franquia, mas espalhou bancos pela Europa inteira, e realmente eles emprestavam: pegava o dinheiro de uma nação e emprestava para outra nação. E começou essa coisa de banco internacional, pela primeira vez na história. O que aconteceu, porque eles tinham essa rede de irmãos espalhados, e não só isso, eles tinham muito finder, muita gente pela Europa ajudando, eles tinham uma rede enorme de pessoas emprestando dinheiro, pegando emprestado, etc e tal. Eles tinham que ter o sistema de correio mais eficaz que existia, muito mais eficaz do que as nações tinham, por exemplo. Então, o que aconteceu na Batalha de Waterloo: de fato, eles souberam do resultado da Batalha de Waterloo antes, se aproveitaram do fato. Então eles tinham bancos tanto em Paris quanto em Londres, e imediatamente eles venderam tudo de Paris e compraram tudo de Londres, porque entenderam que a França ia se desmoronar nos próximos meses. Então eles sim ganharam muito dinheiro na Batalha de Waterloo, mas não foi porque eles espalharam que tinham perdido a guerra. Isso aí não tem evidência nenhuma histórica, isso de que eles espalharam a notícia é um fraude, é uma fraude muito séria. Mas eles sim tinham o sistema de correio mais eficaz do planeta, porque eles viviam disso. Eles viviam de saber antes das coisas. E realmente o banco deles na Inglaterra soube antes do governo inglês que hoje.
Gustavo Studart: [45:28] É possível com a internet.
Eron Falbo: [45:31] O Lord Wellington tinha ganhado a Batalha de Waterloo. Então, de fato, teve esse evento. E, by the way, esse não foi o evento que fez a fortuna deles, não foi um evento em que eles ganharam dinheiro, mas também houve um... A biografia descreve. É um exagero grande. Eles ganharam, na verdade, nas guerras napoleônicas, ganharam muito dinheiro porque tinha coisa do tipo: não conseguiam pagar as tropas inglesas que estavam no sul da Espanha, porque não tinha mesmo moeda, etc. Já que eles tinham banco em todo lugar do mundo, eles davam ouro e pegavam o dinheiro emprestado do governo britânico, eles ganhavam dinheiro em guerra de verdade. Só que na Batalha de Waterloo foi muito exagerado para poder espalhar o antissemitismo. Então é uma justificação histórica.
Gustavo Studart: [46:28] Esses caras são empreendedores e banqueiros judeus há muitos anos.
Eron Falbo: [46:34] Você diz os judeus no geral ou a família Rothschild?
Gustavo Studart: [46:37] Não, a família Rothschild.
Eron Falbo: [46:39] Desde 1820 tem banco. Eu gosto muito deles. Eu baseio muito meus princípios nos princípios deles. Vale a pena esse livro, mas eu recomendo para todos.
Gustavo Studart: [46:58] Qual é o livro?
Eron Falbo: [46:59] O inglês é The House of Rothschild, A Casa de Rothschild, que é a única que existe, a única biografia autorizada e que é comissionada pela própria família.
Gustavo Studart: [47:09] Então, tem cartas... Estou terminando de ler o Sapiens.
Eron Falbo: [47:13] Ah, do Yuval Harari.
Gustavo Studart: [47:16] Pô, mas que livro, hein? Porra.
Eron Falbo: [47:19] Tô quase conseguindo ele pra uma entrevista. Tô falando com o assessor dele e a gente tá negociando uma coisa aí.
Gustavo Studart: [47:25] Que livro, hein? Porra. Que cara louco, hein? Que cara com pensamento, porra, fora do rebanho, fora da caixa. Impressionante que esse cara conseguiu sintetizar a história, enfim, do ser humano. Caralho. Impressionante.
Eron Falbo: [47:43] E por que você gostou? O que te tocou no livro diferente de outros livros?
Gustavo Studart: [47:48] Eu ainda não terminei, eu estou mais ou menos nos 60%. Mas eu acho que é impressionante, como é que coisas simples, como é que o trigo, o plantio de trigo, tem a ver com a criação de metrópoles, por exemplo. Antigamente...
Eron Falbo: [48:05] Ele fala disso do início da agricultura.
Gustavo Studart: [48:09] Antigamente, o ser humano era... itinerante.
Eron Falbo: [48:13] Nômade.
Gustavo Studart: [48:13] Quando ele descobriu a plantação, quer dizer, tudo foi criado ao redor do plantio. E o plantio mais importante naquela ocasião era o plantio de trigo. Então, como é que coisas que a gente nunca imagina são o berço e origem da civilização?
Eron Falbo: [48:32] Total. Isso pra mim ia ser um assunto até que a gente pode fazer uma live inteira sobre.
Gustavo Studart: [48:37] E também, Eron, hoje se fala muito em preconceito, em divisão de classes, em divisão de raças, e realmente isso tudo é atual, mas isso já existia lá atrás com muita força. Você vê o seguinte: quando começou o que eles chamavam de democracia, eles diziam o seguinte: pode participar da opinião pública ou do voto todos, exceto mulheres, exceto negros, exceto escravos. Já existia uma coisa horrorosa de divisão, era totalmente excludente. A sociedade, quer dizer, não é uma coisa que existe há pouco tempo, quer dizer, o berço da civilização é excludente, e eu acho que foi melhorando, melhorando, melhorando, ao ponto que nós estamos hoje, que ainda é muito questionável isso tudo, né?
Eron Falbo: [49:51] Bom, Guga, a gente tem aí três minutos para palavras finais. Acho que você está terminando já com uma mensagem bastante profunda, depois que a gente... mas vamos amarrar tudo de alguma forma. A gente falou de franquias, falou agora do berço da civilização, e como é uma pequena mudança de tecnologia que foi a agricultura, por exemplo, que assim, obviamente, a gente vê hoje em dia, retrospectivamente, que não foi pequena, mas assim, na prática, é pequeno em termos de costume. Você tem um costume nômade, está andando por aí, aí você fala: agora vou começar a montar cidades, porque faz mais sentido ficar aqui, onde eu conheço o clima, onde eu conheço as estações. E isso deu vazão à astronomia, deu vazão para toda a civilização moderna que a gente tem hoje. E uma coisa que fica muito clara.
Gustavo Studart: [50:52] No livro, e que isso é fundamental para o empreendedorismo, é a noção de time. O ser humano sempre teve a consciência de que era um ser fraco. Como é que um ser humano sozinho podia ir para um campo e encontrar um leão? Ou encontrar um gorila? Ou encontrar um urso? Se ele não trabalhasse em conjunto, não tinha como ter dominado o mundo da forma que dominou. Então, a noção de equipe também vem lá de trás. E hoje você vê o maior empresário do Brasil, quem é? O Jorge Paulo Lemann. Esse cara, de dez palavras que ele fala, fala sete palavras sobre time, sobre pessoas, sobre, porra, pessoas cooperando. Eu acho que no empreendedorismo, franchise, a coisa mais importante é cooperação de time, equipe, pessoas. Isso está acima.
Eron Falbo: [51:58] E a gente vê no empreendedorismo, para terminar com essa mensagem positiva, sobretudo empreendedorismo moderno, tem uma certa bolha de tecnologia, as pessoas estão investindo muito em apps, em mudanças tecnológicas e tudo mais, mas, como você está falando, só isso não adianta.
Gustavo Studart: [52:17] Com o objetivo de substituir o homem.
Eron Falbo: [52:19] Só que a gente sabe, a gente que já teve empresa, já trabalhou com empreendedores, sabe que no final das contas você tem que fazer negociações, você tem que se dar bem com pessoas, independente de ser uma equipe grande, pequena, sócia.
Gustavo Studart: [52:35] Existe um fator emocional aí que o computador não consegue capturar, né?
Eron Falbo: [52:39] É. E também você vai ter que ter consumidores.
Gustavo Studart: [52:42] Eu não sei até quando. Porque a inteligência artificial está aí.
Eron Falbo: [52:46] Mas mesmo assim você vai ter que ter... Aí é uma questão, se a inteligência artificial vai ter aquela coisa de passar do... Dessa coisa humana, você vai conseguir chegar nesse...
Gustavo Studart: [52:56] Eu acho que isso é muito para frente. A gente ainda tem uns 15, 20 anos para fazer bons negócios, crescer, pensar em empreendimentos bacanas. Mas, depois disso, tem uma teoria que diz que as grandes empresas de tecnologia vão dominar o mundo e todos nós vamos trabalhar para eles. Eu não sei.
Eron Falbo: [53:19] Eu tenho muitas opiniões sobre isso, mas acho que a gente vai começar outra live. Vamos deixar esse mistério no ar, e outro dia, quem sabe, a gente fala só sobre isso. Inclusive, o assunto que me interessa muito, até gostaria de chamar aqui um futurólogo para conversar um pouco. Essa conversa depois... para os amigos do Google que estão assistindo aí, para os nossos seguidores também. Depois vai para o podcast no Spotify, então vocês podem ouvir depois, podem espalhar para a família, para quem tem franquias, para quem é franqueador, para quem é franqueado.
Gustavo Studart: [53:59] Posso dar a última mensagem sobre franquias?
Eron Falbo: [54:02] Claro, por favor.
Gustavo Studart: [54:03] Eu acho que o mercado de franquias tem aí crescimento contínuo para os próximos anos, quer dizer, nós vamos ver se o mercado crescer consistentemente, muito em função da queda da taxa de juros e do espírito empreendedor do brasileiro. Quanto maior o nível de desemprego, maior a busca por alternativas de empreendedorismo, e o mercado de franquias tende a se beneficiar desse processo. Vem gente tirando dinheiro de poupança, tirando dinheiro de renda fixa e montando negócio.
Eron Falbo: [54:39] E, Guga, você faz consultoria desse tipo de coisa ou não? Tipo, se o pessoal quiser saber mais, pode te procurar?
Gustavo Studart: [54:46] Olha, hoje em dia eu não faço, é mais um... Não é bem um hobby, mas eu sou um estudioso disso e eu não me atrevo ainda... Mas eu converso numa boa com quem quiser montar um negócio, quem quiser pensar uma coisa. Eu tenho um projeto aí meu disso pro ano que vem, mas é coisa pra outra live.
Eron Falbo: [55:07] Entendi, você não está anunciando agora. Mas você quer anunciar alguma coisa que você está fazendo para o pessoal procurar ou você está tranquilo? Não, não, não. Vem coisa aí nessa área de franchise.
Gustavo Studart: [55:17] Vem coisa aí nessa área de franchise.
Eron Falbo: [55:20] Tem coisa por vir, beleza.
Gustavo Studart: [55:22] Tem coisa por vir aí para mim.
Eron Falbo: [55:23] Fique com esse nome na cabeça, Gustavo Studart, que 2021 vai bombar.
Gustavo Studart: [55:30] Eu estou sempre aprendendo contigo, com vocês, com todo mundo, compartilhando aprendizado.
Eron Falbo: [55:36] Agradeço muito pela sua humildade, pelo seu carinho. Você sempre foi muito generoso, muito amoroso com os amigos. E, pô, valeu por aceitar o convite. Foi uma conversa ótima. E é isso. A gente se vê no Arte Café.
Gustavo Studart: [55:51] Tamo junto. E você agora tem um Cohiba aqui te esperando. A gente fumar um junto aqui. Foi presente, mas eu vou te representar.
Eron Falbo: [55:59] Beleza.
Gustavo Studart: [56:01] Obrigado por tudo.
Eron Falbo: [56:02] Valeu, valeu. Namastê pra você também. Valeu, tudo de bom. Boa noite.
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