Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.
Eron Falbo: [0:00] E cara, deu para perceber que você agora... bom, você já teve muito mais saindo de casa, muito mais, vamos dizer, menos discreto do que você está agora. Agora me parece que você está meio escondido. Como é que é essa história aí? Foi por causa da pandemia ou você já estava assim?
Alvin L: [0:24] Não, eu sou caseirão, cara. Eu não saio muito assim, a não ser que tenha um bom motivo. Se tem uma festa pra ir, um lançamento, alguma coisa assim, eu vou. Mas, gente, eu não gosto muito de sair à toa. Tipo assim, ah, eu saí pra um bar.
Eron Falbo: [0:37] Que nem eu.
Alvin L: [0:37] Não é muito minha onda, não. Você é assim também? Pois é. Mas isso é de uma certa idade.
Eron Falbo: [0:43] Não, que nem eu. Ator, que nem eu, tô falando.
Alvin L: [0:45] Uns 40.
Eron Falbo: [0:47] Ah, tá.
Alvin L: [0:48] Bom, estamos todos atores, né, cara, em casa. Ninguém tem nada pra fazer também, né? Além de ser perigoso.
Eron Falbo: [0:55] Você conhece esse bar aqui, não?
Alvin L: [0:57] Empório 37? Não. É seu?
Eron Falbo: [1:01] Não, lá no Marequitéria.
Alvin L: [1:02] Não, não.
Eron Falbo: [1:02] É um bar de rock aqui, clássico do Rio.
Alvin L: [1:05] Ah, o Empório? Ainda existe?
Eron Falbo: [1:08] É, o Empório. Ainda existe, tem do Vicente.
Alvin L: [1:11] A última vez que eu fui lá, deve fazer uns 20 anos.
Eron Falbo: [1:16] Ainda existe, ainda tá lá. Os filhos, na verdade, os netos do dono original estão tocando. Incrível.
Alvin L: [1:28] Vou lá um dia, quando tudo passar naturalmente.
Eron Falbo: [1:31] Vamos tomar umas tequilas.
Alvin L: [1:33] Tá vindo? Você falou que tinha que ter um drink aqui pra tomar junto. Eu trouxe uma tequila, uma dose seca, irmão.
Eron Falbo: [1:43] Também comprei a mesma, só pra gente entrar no mesmo clima. Tô com o Evo Brothers.
Alvin L: [1:52] Me diz quando for pra tomar.
Eron Falbo: [1:54] Irmãos, irmãos, não é recado. Quando a gente sentir que tá no auge assim, quando a gente sentir que a conexão tá no máximo, aí vamos aumentar ainda mais pra tequila, Valter Ferraz.
Alvin L: [2:09] Quando o bicho pegar, né? Mas é interessante, tô vendo um monte de coraçãozinhos subindo aqui, umas pessoas entrando. Isso é tudo novidade pra mim, eu te falei isso, né? Eu não sou muito de rede social, eu tô aprendendo a lidar com essas coisas.
Eron Falbo: [2:29] Ó, falando nisso, eu vou tocar uma musiquinha que é em homenagem a você, que o Maurício me mandou hoje. E sabe o que você falou? Você falou: 'o bicho pega'. É só olhar que eu amo, que eu amo a tenda, se tocar o bicho pegou, entre logo e tranque a porta antes que eu vire vapor. Febre no meu quarto, febre no relevo, febre... Tiro esse, passe a mão e sinto calor, parece febre.
Alvin L: [3:18] Só Maurício para te dar isso mesmo. Isso aí é uma versão do Fever, uma música antiga, dos anos 50, que eu fiz para um show dele. Ele me pediu para fazer, para ele cantar. Acho até que a gente fez juntos, não tenho certeza. Mas quando você começou a cantar, eu me lembrei.
Eron Falbo: [3:36] Eu errei o começo, mas não deu tempo de errar.
Alvin L: [3:43] Essa letra daqui, vamos perseguir pelo reino da vida.
Eron Falbo: [3:48] Muito boa essa letra, cara. Super canastrão.
Alvin L: [3:52] É, mas a ideia é essa. Para o show do Maurício, tinha que ser uma coisa doente. Pois é. Eu vi que entrou uma Natasha aí, acho que é sua assistente, uma coisa assim. É, sua colega. Eu sou o autor da música 'Natasha'. Quero pedir desculpas a ela, que ela deve ter passado por poucas e boas por causa dessa música. Você conhece a música 'Natasha' ou não?
Eron Falbo: [4:18] Ah, não conheço não, desculpa. Você é o autor da música 'Natasha'? Todo mundo conhece. Mas não é porque eu sou novo não, é porque eu fui meio criado fora do Brasil e eu sou meio ignorante com música brasileira no geral. Bom, eu sei o que eu sei, mas muita coisa que é óbvia eu não sei.
Alvin L: [4:38] Ela deve ter uns 15, 20 anos. Foi um grande sucesso e as Natashas do Brasil todas me detestam por causa disso.
Eron Falbo: [4:45] Ah é? Como é que é a letra?
Alvin L: [4:47] Não, não tem nada demais não, é boa, é boa. Natasha é legal.
Eron Falbo: [4:51] Então cara, o que a gente tava falando? Tava falando da música da Natasha, exatamente. E aí, fez bastante sucesso, eu devia reconhecer.
Alvin L: [5:04] Cara, foi a minha única música que chegou em primeiro lugar das mais tocadas. Ficou uma semana em primeiro lugar. A única música minha. Eu tenho mais de 220 músicas, e essa foi a única que chegou lá, no primeiro lugar. Ficou uma semana.
Eron Falbo: [5:23] Depois você me paga uma tequila com o dinheiro da Natasha.
Alvin L: [5:27] Ué, cara, é meu apartamento. Eu chamo ele de 'The House That Natasha Built'.
Eron Falbo: [5:33] Muito bom.
Alvin L: [5:37] Na época o disco vendeu 1.800.000 cópias, que é muita coisa pra Brasil.
Eron Falbo: [5:42] É muita coisa. Porra, muita coisa, muita coisa! E pra hoje em dia é impossível, né?
Alvin L: [5:47] Não, impossível. Não vende mais CDs. Se você vender...
Eron Falbo: [5:50] Não, vender mesmo 5.000 CDs é muita coisa. Mas mesmo vendendo MP3, é muito difícil chegar a esses números, porque tá muito mais difuso. Mas sem streaming, né?
Alvin L: [6:01] Você chega em 8 milhões, 10 milhões de streaming rápido.
Eron Falbo: [6:05] Ah, sim, sim. Mas é de visualizações, de escutas.
Alvin L: [6:11] Audições, né?
Eron Falbo: [6:12] Eron Falbo: Audições, chamam de downloads até. Eu acho que é streaming mesmo, eu não entendo. Pelo que eu estudei, eu também não entendi o porquê, mas eles oficialmente, podcast e música stream, eles chamam de download por alguma razão. Porque de fato, quando você vai stream, você tem que baixar, né? Você baixa um pouco pro seu computador temporariamente.
Alvin L: [6:36] Alvin L: É possível.
Eron Falbo: [6:36] Eron Falbo: É por quantas vezes a pessoa fez isso.
Alvin L: [6:39] Eu não faço streaming, então. Eu sou totalmente analógico, eu só escuto vinil em casa. É raro eu escutar.
Eron Falbo: [6:47] Eron Falbo: Eu só escutava vinil, mas eu me mudo tanto, cara. Eu me mudei tanto de casa na minha vida. Espero que eu fique aqui pra sempre. Espero que eu vire parte dessa cadeira e que nunca saia. Mas eu me mudei tanto que eu desisti dos vinis, cara. Eu tinha 4 mil vinis, alguma coisa assim. Tinha muita coisa.
Alvin L: [7:05] Alvin L: Pra movimentar isso, deve haver um trabalho, né?
Eron Falbo: [7:09] Eron Falbo: Porra, demais, cara. Uma hora chega, né? Aí eu entrei no Spotify, aí pô, eu recomendo, hoje em dia tem quase tudo.
Alvin L: [7:19] Eu tenho Spotify, Deezer, um monte de coisa, só que eu não uso, eu uso muito pouco. Vem de graça hoje em dia, você faz uma assinatura de celular, vem tudo junto.
Eron Falbo: [7:31] Eron Falbo: O Emídio falou que ele tem a fita do Sex Beat, ele tem a cassete do Sex Beat.
Alvin L: [7:37] Alvin L: Olha só, Emídio?
Eron Falbo: [7:39] Eron Falbo: É, Emídio.
Alvin L: [7:40] Alvin L: Emídio!
Eron Falbo: [7:42] Eron Falbo: Cacete, cacete. Pode ter cacete.
Alvin L: [7:46] Alvin L: Não, vendeu, acho que vendeu 300 cacetes. Ele tem um, né? Esse é raríssimo.
Eron Falbo: [7:52] Eron Falbo: Valeu, rapaz.
Alvin L: [7:56] Alvin L: Pergunta pra ele se é do primeiro ou do segundo, ele tem como dizer?
Eron Falbo: [8:01] É, pergunta aí, ele tá ouvindo, vai.
Alvin L: [8:04] É? Emídio, é do primeiro ou do segundo disco?
Eron Falbo: [8:10] Vamos entrar um pouquinho no seu livro, cara. Explica essa parada: não é pós-apocalíptico? É utópico, distópico? Como é que funciona essa escala de futuro?
Alvin L: [8:20] Cara, eu estava dando uma entrevista pra IstoÉ e o cara perguntou isso, se eu falava de uma distopia. E eu falei para ele que era uma distoutopia, na verdade.
Eron Falbo: [8:32] Ok.
Alvin L: [8:34] Porque, assim, a história se passa em Brasília, num futuro, no meio político. Mas ela não envolve corrupção, Polícia Federal, nada disso.
Eron Falbo: [8:44] Calma aí, rapidão. Parênteses, o Emid falou lá, é do segundo.
Alvin L: [8:47] Ah, do Mondo Passionale.
Eron Falbo: [8:50] Depois eu voltei com o Emid. O Emid é um velho amigo meu. Depois, um dia, eu vou lá na casa dele ouvir esse cassete.
Alvin L: [8:56] Inclusive, em streaming tem o segundo disco do Sex Dead, você tem em streaming. O primeiro é que não tem ainda, tenho que negociar depois para entrar.
Eron Falbo: [9:06] Pode continuar aí. Desculpa, tinha que ter uma pergunta.
Alvin L: [9:09] Se passa em Brasília, no futuro, no meio político. Mas aproveitei esse pano. Podia ter sido no meio empresarial, no meio artístico e tal. Usei o meio político porque, hoje em dia, no Brasil, as pessoas são muito obcecadas por políticos, pelo meio político e tal. Achei interessante botar aí. Mas é uma história quase sobrenatural. Trata muito mais de corrupção da alma.
Eron Falbo: [9:32] Do que corrupção... Ah, bota de ferro. E, cara, você gosta daqueles escritores de gibi, tipo Alan Moore, essas coisas? Eu senti essa vibe aí.
Alvin L: [9:41] Sim, mas não especialmente. Gosto muito de escritores clássicos. Oscar Wilde, Bulgákov, escritores russos.
Eron Falbo: [9:52] Sei. Amanhã vai ser o aniversário de morte do Tolstói.
Alvin L: [9:56] Ah, é?
Eron Falbo: [9:57] Não me pergunte como é que eu sei isso, mas amanhã vai ser.
Alvin L: [10:01] Bom, tudo bem. Ele faz aniversário de morte todo ano. Deve fazer uns 70 anos que ele morreu.
Eron Falbo: [10:06] Mas eu também gosto mais dos tradicionais. Só que eu tenho gostado muito, especialmente, desses de comics. Eu não leio os comics, mas eu assisto os filmes. Eu gosto muito da densidade literária.
Alvin L: [10:20] Talvez seja a arte literária mais atual hoje em dia, onde está a melhor produção literária. Eu acho que está em quadrinhos.
Eron Falbo: [10:29] Mais profunda, acho.
Alvin L: [10:31] E em roteiro de cinema, por incrível que pareça. Acho que a literatura é meio como...
Eron Falbo: [10:36] É verdade, me deu... Pode ser um.
Alvin L: [10:39] Pecado dizer isso, mas é meio como um álbum de música, um formato um pouco morto já. As pessoas são muito mais rápidas, elas querem multimídia. É outro mundo, não é?
Eron Falbo: [10:50] Não, faz muito tempo que eu não leio uma ficção, cara. Eu não vou te prometer que eu vou ler seu livro, mas eu gostaria, porque eu sou de Brasília, eu vejo que você é um cara... de muita cultura. E, porra, é uma desculpa para não ler uma ficção, que eu não leio.
Alvin L: [11:07] Mas tem uma coisa, cara. Ele só saiu em digital, porque, na época em que estamos, não dá para ainda fazer... Vai sair em papel daqui a um tempo, mas só saiu em digital. Só está à venda na Amazon porque surgiu essa oportunidade de lançá-lo lá na Amazon. E o que está lá é o manuscrito. Ele está sendo editado neste momento em que estou falando com você. E ele deve entrar, acho que quando virar o ano, ele vai entrar o livro editado mesmo.
Eron Falbo: [11:34] E aí vai dobrar. Você fez um pré-lançamento especial?
Alvin L: [11:38] Do manuscrito. Então, quem lê agora vai ler o manuscrito, que saiu da minha cabeça, essa edição. Por isso que está baratinho. Vai dobrar de preço também quando estiver editado.
Eron Falbo: [11:48] Então, comprem lá na Amazon.com.br. Aproveitem. Um livro com mais palavras do que com certeza o editor vai...
Alvin L: [12:00] E eu estava aqui.
Eron Falbo: [12:02] Kill Your Darlings. Conhece essa expressão do Hemingway? Kill Your Darlings. Um escritor, para poder lançar alguma coisa, ele tem que matar as coisas que ele acha. Edição é isso, você vai cortando, vai matando a parte que você adorava do livro.
Alvin L: [12:25] Mas você sabe que não pretendo nem ler o livro editado. Posso não gostar. É interessante que, outro dia, entrei lá, porque estava dando uma entrevista em outro lugar, e mandei o link. Quando vi, eles tinham classificação lá no Coelho. Estava com quatro estrelas e meia.
Eron Falbo: [12:43] Pô, legal, não é? Parece bom, não sei.
Alvin L: [12:49] É, tinha poucas avaliações. Eu achei umas quatro ou cinco só, mas tava quatro estrelas e meia.
Eron Falbo: [12:54] Foi o pouco que eu tava achando. Que bom, que bom.
Alvin L: [12:58] E eu sou marinheiro de primeira viagem, então pra mim tudo é festa nesse...
Eron Falbo: [13:03] Nessa indústria nova, né? Mas o que te levou a resolver sair do... uns três minutos e ir para as 30 horas de... Cara, é uma...
Alvin L: [13:17] Ambição que eu sempre tive. Eu pensei assim: quando eu tiver uns 70 anos, eu vou escrever livros. Porque eu sou leitor, leio muito, então...
Eron Falbo: [13:25] Pô, mas você deve ter, no máximo, 40, né? Agora, pô, 70 anos...
Alvin L: [13:29] Eu tenho 61 anos, cara.
Eron Falbo: [13:31] É mesmo? Caraca!
Alvin L: [13:33] A natureza é boa comigo.
Eron Falbo: [13:35] Você se mumificou com 30 anos.
Alvin L: [13:39] Quando teve o leilão da cama hiperbárica do Michael Jackson, eu comprei.
Eron Falbo: [13:47] Você e o Maurício Branco também, que tem 50 anos e parece que tem 12 anos.
Alvin L: [13:57] Aí eu pensei em fazer isso velho, mas aí, ano passado, eu fui para o Japão. Eu fui comemorar o meu aniversário de 60 anos. E, como eu não saio à noite, eu bati a perna o dia inteiro, e de noite eu ficava no hotel com uma televisão que só falava japonês. Então, não tinha nada. Falei: vou começar a escrever. Comecei a escrever em Tóquio. Aí voltei para o Rio, continuei. Eu viajo muito, gosto de viajar. Agora não posso, mas deixa eu viajar lá muito. E aí eu terminei ele em Edimburgo, na Escócia, em dezembro do ano passado.
Eron Falbo: [14:33] A foto do WhatsApp que você não me explicou, que você está em Edimburgo, na Escócia, vestido de escocês, você pode falar ou é muito íntimo?
Alvin L: [14:43] Na fotinha lá do WhatsApp eu estou vestido de escocês, saiu tudo.
Eron Falbo: [14:47] Aquilo foi um amigo meu.
Alvin L: [14:49] Um escocês que me pôs com a roupa do clã dele, da família dele. Aí tirou a foto com a espada, assim, toda de saia.
Eron Falbo: [14:58] O Maurício tá falando mentalidade de 12 anos. Claro que não é mentalidade, Maurício, tô falando do seu rostinho. Do rostinho de 12 anos, 12 anos e meio, no máximo.
Alvin L: [15:05] Aí você não tem mentalidade de 12, Maurício, você tem mentalidade de 8.
Eron Falbo: [15:09] É, não exagera, Maurício.
Alvin L: [15:12] Beijo! Eu que te falei hoje que eu conheço o Maurício desde que ele era menor de idade.
Eron Falbo: [15:18] Desde que ele tinha 12 anos? Não, a gente tinha 17, né?
Alvin L: [15:22] É, 16, 17, não me lembro direito. Eu sou sequelado, me lembro de um monte de coisa.
Eron Falbo: [15:27] Mas eu vi numa entrevista sua que você gosta de ir pra Londres e Amsterdã, essas paradas.
Alvin L: [15:31] São minhas cidades favoritas. Eu vou todo ano, cara, por causa das feiras de vinil, né? Todo ano tem a maior feira de vinil em Amsterdã e, em seguida, tem a de Londres. Então eu vou todo ano, mas esse ano, infelizmente, não vai dar. Acho que nem vai ter, né?
Eron Falbo: [15:46] Eu tenho um amigo que, na verdade, a gente fundou juntos uma loja de vinil chamada Dom Pedro Discos lá em Brasília, e agora ele é dono dessa loja de vinil. Ele vai para todo lugar do mundo para comprar. Ele não é tipo loja de vinil daqueles que você fica olhando mil horas para achar uma pérola. Tipo, quase um sebo. Ele tem uma loja de vinil que ele é curador. Vale a pena. Vale a pena ir para Brasília visitar, que ele... tudo lá, escolhas, só coisa...
Alvin L: [16:19] Eu já devo ter esbarrado com ele em Utrecht, na feira, que é a maior feira do mundo, que fica na Holanda, numa cidade chamada Utrecht. Eu não sei se é essa a pronúncia direito. Eu já devo ter esbarrado com ele por lá.
Eron Falbo: [16:29] Deve ser, está parecendo a Holanda, Utrecht. Se até você fizer assim, é mais convincente. E vai gente do mundo inteiro, cara.
Alvin L: [16:40] É uma coisa, tipo assim, é um maracanã de disco, sabe? De vendedores do planeta inteiro, gente do mundo inteiro.
Eron Falbo: [16:48] Eu perdi a paciência para isso, infelizmente, porque também eu vendi todos os dias, praticamente todos os meus dias. Aí depois você acaba com 4 mil discos. Como é que você vai tolerar alguém que fala que foi para o maracanã de tipo uma hora que dá vontade no banheiro.
Alvin L: [17:13] Eu não tenho tantos, deve ter uns 1.500, 1.600.
Eron Falbo: [17:16] Isso é bastante.
Alvin L: [17:17] Mas são bem escolhidos.
Eron Falbo: [17:19] Sim, claro. E quando você está olhando os discos, do nada dá uma vontade louca de ir ao banheiro, só que você não quer parar de olhar, porque já está naquela fileira e já sabe aonde você parou.
Alvin L: [17:31] Não, e é um certo perrengue, porque às vezes você tem uma fileirinha do que quer ver e fica meio atrás da pessoa que está vendo, esperando o seu olhar. Aí é meio estranho. Mas é, você chega 9h da manhã, sai 5h da tarde e não viu nem um terço do que você tinha que ver.
Eron Falbo: [17:50] É, tipo isso. Mesmo sendo sistemático, criando metodologias para eu conseguir ver tudo.
Alvin L: [17:56] Eu já me conformei. Eu vou e, assim, não vou procurando nada. Eu vou para achar, para a coisa me achar, porque senão você não encontra. Tem que ir lindo, leve e solto.
Eron Falbo: [18:06] Tem que ser uma parada cósmica, não é? Antes você faz uma rezazinha.
Alvin L: [18:11] Mas eu dou sorte. Eu tenho uma bela coleção. Eu avaliei há pouco tempo. Não sei se é bom falar em dinheiro, mas está em 20 mil dólares.
Eron Falbo: [18:19] Mais ou menos, a minha coleção, que é ótimo. Pra vender isso, alguma coisa, porque, pô, revendido assim, de coleção, normalmente sai de graça praticamente.
Alvin L: [18:33] Mais ou menos. Eu coleciono coisas assim, rock clássico. Eu tenho o primeiro compacto dos Beatles.
Eron Falbo: [18:39] A primeira prensagem... Ah, você gosta dessa parada de prensagem, isso aqui.
Alvin L: [18:43] Exatamente. É a primeira prensagem do primeiro compacto dos Beatles. Prensagem inglesa, assim. Custa uma pequena fortuna hoje em dia.
Eron Falbo: [18:50] Que eu comprei em Liverpool. Que é Love Me Do, né? Love Me Do é o primeiro.
Alvin L: [18:53] Love Me Do. Com selo vermelho da Parlophone.
Eron Falbo: [18:57] E qual que é o B-side mesmo? P.S.
Alvin L: [19:01] I love you.
Eron Falbo: [19:04] P.S. I love you. P.S. I love you. É isso que eu ia falar. Tenho quase certeza que é P.S. I love you.
Alvin L: [19:08] Tanto é que não dá pra levantar e pegar a emoção. P.S.
Eron Falbo: [19:10] I love you. Muito bom.
Alvin L: [19:18] Mas eu tenho essa oportunidade.
Eron Falbo: [19:20] Eu acho isso aí coisa de louco. Essa coisa de prensagem, eu tô te julgando, na verdade, mas é inveja um pouquinho, né? Eu sempre quis entrar nessa da experiência.
Alvin L: [19:35] Eu faço parte de um fórum de colecionadores do mundo inteiro, tem 80 mil pessoas lá. Cara, cada coisa que você vê... Você vê as pessoas pagando 5 mil, 10 mil dólares por um disco, sabe?
Eron Falbo: [19:49] Não, porra, tô ligado. Essa é a parada, loucura total, cara. E-bay. Depois do e-bay, isso aí piorou. Discogs, né? Cara, vamos tomar essa tequila e depois a gente fala sobre o seu livro um pouco mais, porque eu não sei se eu tô preparado pro seu livro.
Alvin L: [20:03] Peguei um copinho de Las Vegas.
Eron Falbo: [20:05] Eu peguei um de vampiro.
Alvin L: [20:10] Tequila José Cuervo.
Eron Falbo: [20:14] Vamos lá, servindo. Eu trouxe um sal também, como eu não tenho limão, eu trouxe uma azeitona aleatoriamente.
Alvin L: [20:21] Não, isso é coisa de turista. O mexicano mesmo não toma com essas coisas, não. Toma que nem cachaça.
Eron Falbo: [20:26] Mas eu gosto de rituais, entendeu? Mesmo sendo coisa de turista. Rituais, eu acho... Porque assim, eu estudo hipnose, eu estudo psicologia um pouquinho, tipo hipnotista amador. Deixa eu botar o sal, pera aí. E, cara, rituais unem as pessoas, sacou? Não importa qual é o ritual. Isso é verdade.
Alvin L: [20:43] Concordo com você com isso.
Eron Falbo: [20:46] É, você pode fazer qualquer coisa, dar três pulinhos, entendeu? Que a parada funciona.
Alvin L: [20:52] E eu quero beber a saúde de todo mundo, sabe?
Eron Falbo: [20:55] Saúde.
Alvin L: [20:56] Saúde e felicidade de todo mundo, pra todos.
Eron Falbo: [21:00] Saúde de todos, obrigado por comparecer. Bom demais. Dá um beijinho nas azeitonas.
Alvin L: [21:12] Nossa, desceu fazendo assim.
Eron Falbo: [21:14] É, muito bom. Agora vamos lá. Vamos falar sobre diseutopia, vamos dizer.
Alvin L: [21:24] A distoutopia.
Eron Falbo: [21:26] Não, a diseutopia.
Alvin L: [21:27] A distoutopia. Também tem que parar e falar devagar que você vai perder.
Eron Falbo: [21:33] Muito feio. Vamos lá, vamos lá. Primeiro explica esse conceito, que eu acho que vai ser o mais interessante. Como que uma coisa pode ser... Só para explicar, diseutopia, porque tem gente que é jovem... É uma utopia torta.
Alvin L: [21:48] Seria uma utopia torta. Eu imaginei... Deixa eu tentar... Por que botei isso no futuro? Imaginei isso por imaginação, porque a gente não sabe o que é o futuro do país. As forças opostas no Brasil chegaram a um ponto que forçou todo mundo a ser correto, porque senão um ataca o outro, sabe? Então chegou num ponto que as forças se equilibraram. Então você vive num país, 2044, que é só completamente equilibrado politicamente, porque as forças se... E essa é a distopia da coisa. As pessoas são forçadas a serem honestas, corretas. Tem uma justiça, né?
Eron Falbo: [22:30] Tem uma certa justiça, tem uma coisa boa, e essa é a parte utópica aí da distopia, que isso é feito através de uma pressão externa.
Alvin L: [22:39] Exatamente. As pessoas são forçadas a ser mais ou menos como o ser humano assim. O ser humano é tão ruim que você precisa de polícia. Se o ser humano fosse bom, não existiria a polícia. Existiria um advogado.
Eron Falbo: [22:52] Existe isso no geral, numa certa classe de pessoas, assim, que vamos dizer que são menos maduras espiritualmente ou qualquer coisa, de qualquer classe. Não estou falando de classe de poder criativo. Estou falando de uma classe de pessoas que espiritualmente é talvez um pouco mais simples. Pode ser bilionário, pode ser pobre, tanto faz. É que só vive do jeito que eles vivem por medo, por pressão externa.
Alvin L: [23:19] Exatamente. É um ser humano, cara. É humano. Somos nós. A gente não escapa disso. Todo mundo tem um lado bom, um lado ruim.
Eron Falbo: [23:25] Sim, é claro. Não, estou dizendo, quanto mais maduro você for, mais você consegue manipular um pouquinho a sua existência para fazer coisas diferentes.
Alvin L: [23:36] Pensar fora da caixa. Talvez, karmicamente, correto.
Eron Falbo: [23:40] Talvez. E também uma coisa que eu ia até falar com você, até é um assunto que eu gosto muito, que é essa coisa do sair da caixa. Tipo assim, você foi colocado pela vida, por Deus, pelo cosmos, dentro da caixinha da indústria musical, e agora você amadureceu, sei lá, e falou: pô, vou ser autor, né? E você saiu dessa coisa, pô, que você passou sua vida inteira fazendo, e agora se aventurou num novo território. Eu entendo que o que você vai dizer agora é que você sempre planejou isso, você sempre teve isso como escritor. Eu sei que você ia dizer isso, porque eu também sempre pensei assim, sabe? Eu comecei a escrever música porque eu também sou compositor, né? Não tenho um milésimo do sucesso ou talento que você tem, mas comecei escrevendo música. Comecei porque, que nem o John Lennon olhando pro filme do Elvis Presley: I can do that, sabe?
Alvin L: [24:47] Você tinha o drive pra compor.
Eron Falbo: [24:50] Não exatamente assim. Eu escrevia, já escrevia poesias, e eu queria ser também Oscar Wilde... Drive, você.
Alvin L: [24:58] Tem o drive criativo.
Eron Falbo: [25:00] Eu, na verdade, sou um criativo de escrever. Mas aí, música eu entrei, não foi por causa de drive; música eu entrei porque eu achei que era a mídia mais provável para eu alcançar mais pessoas.
Alvin L: [25:13] Chegar ao público, ter um público, né? Sim. Mas você tem o drive criativo, senão você não faria isso. Você tem a chama da criatividade. É uma coisa que tenho. Eu, por exemplo, sou um criativo. Poderia estar escrevendo roteiro, poderia estar, sei lá, pintando quadros. Tenho uma coisa de criar. E também, como você, me apaixonei por música e, nisso, falei: vou. Claro que todo começo é difícil, não foi sempre fácil. Hoje em dia, vivo de direitos autorais há muitos anos, mas todo começo é difícil.
Eron Falbo: [25:53] O mercado editorial da música também, na época em que você começou, era um pouco mais robusto.
Alvin L: [25:59] Existia.
Eron Falbo: [26:00] Existia uma indústria.
Alvin L: [26:02] Hoje em dia não existe uma indústria de música. As pessoas lançam um single e você divulga mais mostrando a bunda do que com talento. Verdade.
Eron Falbo: [26:15] Mas voltando ao drive criativo... o John Lennon, você sabe aquela entrevista famosa da Rolling Stone Magazine que ele fez logo depois de sair dos Beatles? Com o Jann Wenner. Com quem?
Alvin L: [26:26] Jann Wenner, o editor da Rolling Stone.
Eron Falbo: [26:29] Ah, o jornalista! Ah, eu não sabia, não, era só, pô. Eu achei que eu estava tirando uma onda sabendo da entrevista.
Alvin L: [26:35] Eu sou obsessivo com rock and roll, sei de tudo.
Eron Falbo: [26:42] Essa entrevista fez minha vida, cara. Começou minha vida do rock. Mas ele fala que, se eu vivesse no século XVII, eu ia ser Shakespeare, ele fala. É possível, é possível também. Bom, isso eu não tenho certeza, porque eu gosto muito de Shakespeare. Mas a onda que ele tá dizendo é isso, que a gente vive nos tempos que tem as mídias que existem. A gente navega nas águas que a gente tá, né?
Alvin L: [27:15] Eu acho que ele seria mais um bardo do que um Shakespeare. Porque pra você ser Shakespeare no século XVI, você tinha que saber ler e escrever, que era uma coisa que era 2% da população. Naquela época, não era todo mundo que sabia ler e escrever. Mas ele poderia ser um bardo folk, fazer músicas.
Eron Falbo: [27:32] É, porque ele é um working class hero, né? Ele ia ser um violinista irlandês, no máximo.
Alvin L: [27:38] É, cantar músicas folclóricas num instrumento exótico, alguma coisa assim.
Eron Falbo: [27:44] O poeta podia ser, né? Ah, se bem que tinha que saber também, né? Era bem no começo.
Alvin L: [27:51] O poeta da tradição oral.
Eron Falbo: [27:52] Tudo que chega daquela era, não é?
Alvin L: [27:54] Shakespeare não, mas muita coisa chega daquela tradição oral. Vem de uma pessoa, repete pra outra.
Eron Falbo: [27:59] E repete pra outra.
Alvin L: [28:00] Claro que a coisa muda.
Eron Falbo: [28:03] O Chaucer é total assim, ele pega o folclore, o inglês, o anglo-saxão.
Alvin L: [28:10] Ele pega da tradição oral.
Eron Falbo: [28:14] Mas vamos mais ao seu livro, que estou curioso, de distopia e utopia. O conceito eu já entendi, mas vamos falar mais da história. Como é que é? O que acontece? Sem contar tudo, não é?
Alvin L: [28:26] Vou ser muito geral, senão vou estragar a história. Pessoas estranhas chegam à cidade e vão direto em um deputado inexpressivo. Imagina um deputado de quinta categoria que ninguém conhece. Vão em cima dele. E aí acontecem coisas que só eu falo. E essas pessoas estranhas, deixo a imaginação das pessoas decidirem o que elas são, se são demônios, se são vampiros, se são entidades, se são pessoas de verdade. Deixo a imaginação das pessoas.
Eron Falbo: [29:03] Ok, e me fala um pouco, vamos dizer, o que te influenciou em termos de conceitos filosóficos, em termos de outras obras? O que você queria colocar lá como uma mensagem, sem contar o punchline?
Alvin L: [29:24] Cara, eu queria entreter as pessoas. É literatura pop, eu não queria ser Tolstói, alguma coisa que entretenha a pessoa, mas num nível alto, sabe? Bom entretenimento, não uma coisa rasteira.
Eron Falbo: [29:39] Tipo Alan Moore, ele é assim, uma coisa assim. Ele quer influenciar, acho que ele quer mandar mensagens.
Alvin L: [29:46] Mais como Stephen Hawking, assim... Stephen Hawking, olha, meu Deus, Stephen King.
Eron Falbo: [29:53] Stephen King, entendi. Stephen King tem muita mensagem também, mas entenda, bem mais pop.
Alvin L: [29:59] Talvez, mas as mensagens são subliminares.
Eron Falbo: [30:02] Não sei se estou passando a mensagem. Não fica claro.
Alvin L: [30:07] Eu não pensei muito. Eu saí escrevendo, sabe? Se eu pensar, eu não faço.
Eron Falbo: [30:13] E você acha que a música ajudou, que o processo criativo de saber compor um hit ajudou a saber compor um best-seller?
Alvin L: [30:24] Não sei se vai ser best-seller. Eu acho que tem uma coisa a ver com ritmo e estrutura. O fato de eu saber fazer uma coisa com ritmo e estrutura me ajudou nisso. Como desencadear aquilo de uma forma que vá fluindo, fluindo, fluindo, até chegar...
Eron Falbo: [30:45] Fala sobre isso, vamos falar sobre isso, porque, cara, eu passei assim... Vou te contar uma história breve da minha carreira. Eu gravei um disco, como eu te falei, com o Bob Johnson, que é um produtor lendário. Agora que você me disse que você é colecionador de vinil, até me sinto envergonhado de perguntar se você sabia quem era o Bob Johnson.
Alvin L: [31:06] Ele produziu Bob Dylan, Bass Boys...
Eron Falbo: [31:09] É, produziu de tudo.
Alvin L: [31:10] Simon DaFunk. Ele é bem conhecido, cara, bem conhecido.
Eron Falbo: [31:15] Não, não, ele é bem conhecido por quem coleciona vinil, senão é pessoa de certa idade. Bom, o cara é lendário mesmo. Ele compôs, ele produziu uns discos lendários. Mas eu gravei esse disco com ele em Nashville. E depois eu fui pra Londres e ele me falou assim, antes da gente arrumar uma gravadora pra gente lançar o disco: eu acho importante você começar a fazer show na cidade como um desconhecido, para lançar sua carreira na noite, entendeu? Para você pegar esse know-how de adaptar as músicas, de não sei o quê. Aí eu segui o conselho dele, fiz uma banda em Londres e tudo mais. E lá, morei quatro anos em Londres, e alguém me apresentou para o Tony Calder, que era o ex-empresário do Rolling Stones.
Alvin L: [32:11] Esse é o do primeiro empresário.
Eron Falbo: [32:13] Acho que ele era parceiro do Angelo Golden. Aí depois o Angelo Golden aposentou e ele ficou cuidando como CEO, mais ou menos. Mas o Angelo Golden continuou como silent partner. Mas eu conheci o Tony Calder lá em Londres, e ele me falou, cara, esse disco do Bob Johnson eu não vou nem ouvir, porque eu conheço o Bob Johnson. Era 2010 na época, ele falou: você tá em 2010, disco, ninguém quer saber de disco. Então, eu quero que você me apresente um hit, eu sei que o Bob Johnson não faz hit. Então... Ele falou, nem vou ouvir. Ele se recusou a ouvir o disco.
Alvin L: [32:58] Você lembra da coisa que eu tava te falando, do álbum que é uma coisa morta? É a pessoa que é o single. Agora ele é o single.
Eron Falbo: [33:02] Exatamente, exatamente. Aí, brevemente, ele falou: cara, traz um hit pra mim que eu te assino, eu viro seu empresário. Aí eu falei: porra, como assim traz um hit? Eu disse, eu acabei de gravar um disco com o Bob Johnson e o cara não quer ouvir, eu fiquei puto. Aí eu falei: o que é hit? Eu nem sabia que era o conceito disso, entendeu? Aí eu fui ouvir as músicas que ele transformou em hit. Ele transformou Satisfaction, Little Red Rooster, sabe? Ele era de um...
Alvin L: [33:31] Mas isso tudo nos anos 60, tá vendo?
Eron Falbo: [33:34] É, claro. Mas eu fui ouvir porque as músicas eu gosto também. Mas aí eu fiquei indo pra... Primeiro eu cheguei lá no escritório dele. Aí eu gravei lá no GarageBand, né? Uma música. Pô, ouve essa música aqui e vê se é hit. Aí ele falou: você acha que eu vou ouvir alguma coisa com ele no headphone? Traz o violão. Traz o violão. Senão você vai manipular lá, eu vou gostar, não sei por quê. Traz o violão, porque se for boa, vai funcionar no violão. Aí o cara sabe das paradas.
Alvin L: [34:08] O cara tá nesse business desde os anos 60, deve ter 80 anos, alguma coisa.
Eron Falbo: [34:12] Ele já faleceu, mas aí eu fui indo, fui indo, tá terminando já a história, que eu não quero passar muito tempo com as minhas histórias, mas eu fui indo toda semana, toda quarta-feira eu ia lá no escritório dele e mostrava. Aí um dia eu fui lá, mostrei uma música, a única música que eu lancei na vida, que é Beat the Drums, depois eu te mostro, mas eu mostrei essa música pra ele, aí ele falou. Pegou o telefone, ligou para a Universal, marcou...
Alvin L: [34:40] Ele ouviu o hit ali.
Eron Falbo: [34:42] Falou: beleza. Aí a gente fez a reunião, de seguinte, conseguiu um contrato de três singles e um disco. Então, a razão que eu estou falando isso é para te perguntar: a arte de escrever hit não é uma coisa óbvia, né? Tipo, eu gravei um disco com o Bob Johnson antes de saber o que era um hit. Então, fala sobre isso, Alvin, o que é ritmo, o que é escrever com ritmo, escrever com... Qual é a outra coisa?
Alvin L: [35:10] Isso eu já introjetei. Acho que é uma coisa que está dentro de mim, de tanto fazer isso. Essa coisa do hit, por exemplo: as pessoas vêm muito a mim falando assim, preciso de um hit. Hoje em dia, não, porque não existe mais álbum, a indústria meio que acabou. Mas tinha uma época em que me ligavam e falavam assim: a cantora X vai gravar um disco e eu preciso de um hit. E eu tinha que aparecer com o hit como se fosse um milagreiro. E assim, eu sou um profissional, eu tentava. Mas, assim, eu fico pensando... Você fica: aí, caralho, e agora? Que responsabilidade!
Eron Falbo: [35:45] Queria ver um best-seller. Exatamente.
Alvin L: [35:48] Alguém chega e põe essa pressão em cima de você. Isso me acontecia muito, até 2005, mais ou menos. Isso me acontecia uma vez por mês: alguém me ligar, um produtor, um diretor artístico, me ligar e falar que artista tal precisa de um hit. Aparece com o hit, aí o artista...
Eron Falbo: [36:06] Tá... E você pode falar alguns artistas, já que isso já aconteceu, que deu certo, assim...
Alvin L: [36:11] Eu não vou falar os que pediram.
Eron Falbo: [36:13] Assim, não. Ah, melhor não, né?
Alvin L: [36:15] Cara, eu já fiz música, eu vou te contar, assim, de Milton Nascimento a Sandy Junior já gravaram minhas músicas. Tudo no meio que você possa imaginar. São 220 músicas, né? Eu trabalho, mas com capital inicial. Praticamente tudo deles, de 89 até hoje, é meu, meio do Dio. Marina, fiz muita coisa. Inclusive, estou fazendo agora músicas novas com ela. Deus, todo mundo, cara. Deus, todo mundo.
Eron Falbo: [36:48] Os que te pedem, então, é tipo como ghostwriter que você está falando?
Alvin L: [36:52] Não, pedem música minha mesmo, mas assim, fica chato dizer que o diretor assistiu e não confiava na música do cara.
Eron Falbo: [37:01] Claro, entendi. The Monkees, né? Mas se bem que The Monkees depois viraram bons compositores.
Alvin L: [37:10] Na verdade, depois de um certo tempo, eu virei uma grife, o que é muito bom. O nome vira uma grife. Você gravar uma música xixi já traz um plus pro seu disco.
Eron Falbo: [37:22] Ah, eu só não sabia, não. Tem muita coisa disso.
Alvin L: [37:25] Na época do álbum, funcionava muito assim.
Eron Falbo: [37:28] Tinha uma coisa da indústria ter uma credibilidade, né?
Alvin L: [37:31] É, eu emprestava uma credibilidade também.
Eron Falbo: [37:34] Para os discos de rock, para o pessoal da assessoria de imprensa.
Alvin L: [37:39] Exatamente. Saía uma crítica, sempre mencionava que tinha uma música minha e falava bem ou mal da música. Porque quando você está nesse negócio, você dá a cara a tapa. Você leva uns socos também. Não é todo afago.
Eron Falbo: [37:54] Eu sei disso muito bem.
Alvin L: [37:57] Esse disco, por exemplo, do Egídio... Emílio, desculpe, Emílio, que o Emílio falou quando ele saiu, cara, ele levou... mas assim, as piores críticas que eu tive na minha vida foram para esse disco. E o pior de tudo, o disco, assim, os críticos todos me salvavam, falavam: as músicas são ótimas, a banda é que é péssima.
Eron Falbo: [38:21] Porra, vacilo.
Alvin L: [38:22] Não, foi vacilo porque depois o disco virou um clássico, um clássico underground hoje em dia.
Eron Falbo: [38:28] Pior que eu não ouvi, desculpa a ignorância, mas esse aí eu não ouvi.
Alvin L: [38:32] É bem underground, é uma coisa que pouca gente conhece. Fiquei até surpreso de alguém aqui conhecer.
Eron Falbo: [38:39] Bom, antes que a gente esqueça, agora eu vou deixar a gente prolongar um pouquinho, porque a gente teve problemas técnicos.
Alvin L: [38:46] Quanto tempo você quiser.
Eron Falbo: [38:46] Se você não se incomodar, né?
Alvin L: [38:48] Nem um pouco.
Eron Falbo: [38:50] Mas antes que a gente esqueça, só lembrando, galera, para comprar seu livro, que é O Veneno dos Pequenos Detalhes, tá?
Alvin L: [38:57] No Amazon.com.br, e infelizmente só digital por enquanto. Então só quem lê digital.
Eron Falbo: [39:05] Depois para os fãs de vinil vai ter uma versão impressa. Pessoas que ainda vão para o povo amado. Galera inteligente. Sem preconceito, na verdade. Estou abrindo minha cabeça. Antigamente era super elitista do vinil, dos livros, dos anos 60. Tinha uma época que eu não ouvia música depois de 74. Só ouvia até 74.
Alvin L: [39:38] Eu acho que eu só ouço música até 1981, por aí, 82.
Eron Falbo: [39:43] Você vê como você é flexível, você é um cara de mente aberta.
Alvin L: [39:46] Mas eu cresci na época do punk rock, né? Eu tinha 17 anos em 77, então eu tava lá na marca do pênalti.
Eron Falbo: [39:54] Do punk rock, então... Diz aí, pra mim, aí você me diz a sua, pra mim, anos 80, o disco, o melhor disco que tem, bom, o melhor disco é difícil, mas vamos dizer, um dos discos mais impressionantes dos anos 80 é o disco Stone Roses.
Alvin L: [40:12] Sim, é muito bom. Esse é o finalzinho dos anos 80. Eu já acho que é até mais anos 90, assim, o estilo, a coisa, é mais anos 90.
Eron Falbo: [40:19] Ah, sim, é o mais britpop. O precursor daquela coisa dos anos 90 é britpop. Mas se eu não me engano é 89, né?
Alvin L: [40:25] É 89, é bem na marca de pênalti.
Eron Falbo: [40:28] E você, qual que é a sua? Hoje em dia, né? Porque eu aposto que em 77 era, sei lá, Sex Pistols, né, que vocês fizeram seguidos.
Alvin L: [40:38] Você tá falando dos melhores discos dos anos 80 ou dos anos 70?
Eron Falbo: [40:42] 80, 80. Porque 80 é mais difícil. 70, porra, tem um milhão, né?
Alvin L: [40:46] 80. Deixa eu ver. Eu tenho um disco de uma banda chamada ABC, chamada The Lexicon of Love, que é sensacional. Não é um disco de rock, é um disco pop. Tem Soft Cell, Non-Stop Erotic Cabaret.
Eron Falbo: [41:01] Ah, esse aí é bom. Eu conheço.
Alvin L: [41:03] Sensacional.
Eron Falbo: [41:03] Mas esse primeiro eu não conheço. Fala de novo o nome pra eu notar.
Alvin L: [41:06] O nome da banda é ABC, A-B-C. Chama The Lexicon of Love.
Eron Falbo: [41:12] Isso me lembrou outro disco, que é também não tão conhecido assim, mas que é fantástico, é Forever Changes, do Love. Do Love, é 67.
Alvin L: [41:21] Outro disco dos anos 80 muito bom já, mas ficou ele ser um disco de rock mesmo, é o Appetite for Destruction, do Guns N' Roses. É um clássico esse disco, é sensacional, é muito bom.
Eron Falbo: [41:30] É mesmo?
Alvin L: [41:31] A única coisa boa que eles fizeram, inclusive.
Eron Falbo: [41:34] É mesmo?
Alvin L: [41:34] É. O resto...
Eron Falbo: [41:35] Eu nem ouvia por causa dos fãs, entendeu? Quando você vê fãs de Guns N' Roses, você fala: pô, não vou ouvir essa banda aí, não é possível.
Alvin L: [41:42] Mas o disco é excelente, cara, era uma banda muito boa naquele momento.
Eron Falbo: [41:46] Eu vou escrever aqui também.
Alvin L: [41:48] Bom, se você considerar que o London Calling do Clash foi lançado em 1980, pode dizer que é um...
Eron Falbo: [41:58] É, mas é um clássico, né? Eu tô falando essas coisas tipo Love, Private Schools, que é uma coisa chata. Stone Roses, apesar de ser um clássico também, mas é uma banda de um disco só, né?
Alvin L: [42:11] Tem um disco da Grace Jones chamado Nightclubbing, que é muito bom, cara. Então foi engraçado que esses discos que eu tô te falando são mais pop, assim, né? Não são tão rock, tirando Appetite for Destruction.
Eron Falbo: [42:23] Não, mas isso é muito bom, achar esses discos, assim, que são discos de hits, né? Tipo Beatles, Please Please Me, né? Não, esses são discos assim que... Beatles, qualquer, qualquer disco. E esses discos que eu te falei.
Alvin L: [42:34] Se você escutar hoje em dia, você não vai achar que eles foram feitos nos anos 80. Eles têm uma cara, assim, atemporal.
Eron Falbo: [42:41] Eles podem ter se lançado... Tipo Lady Gaga, né?
Alvin L: [42:43] É. Podia ter se lançado ontem, que ainda estaria válido, assim. Esse do ABC é uma obra-prima de... é letra, as letras. São obra-prima de bem escritas.
Eron Falbo: [42:55] Esse eu gosto muito. Quando você junta o pop com uma literatura, com uma... O Morrissey fazia isso muito bem, né? Exatamente, exatamente.
Alvin L: [43:06] Bem literário, né? Os discos do The Smiths são maravilhosos, né? Eu gosto muito do Depeche Mode, eu acho sensacional. Eu te dei esses mais, assim, tipo, únicos.
Eron Falbo: [43:16] Não, bota fé. Eu tô falando isso pra gente salvar um pouquinho nos anos 80, porque a gente falou que 74, 81, é só pra gente honrar um pouquinho. E hoje em dia, você ainda escuta música? Como é que você escuta?
Alvin L: [43:29] Escuto música todo dia. Hoje mesmo?
Eron Falbo: [43:33] Hoje de tarde? Os artistas novos, assim, você... Ah, pouca coisa, cara.
Alvin L: [43:38] Assim, eu escuto quando vem até mim. Tem uma banda chamada Greta Van Fleet, que eu não sei se você ouviu falar.
Eron Falbo: [43:45] Não.
Alvin L: [43:46] É uma banda de hard rock.
Eron Falbo: [43:48] É, eu não estou escutando nada. Pô, adoro hard rock, cara.
Alvin L: [43:52] Parece Led Zeppelin, ouça ela, chama Greta Van Fleet.
Eron Falbo: [43:56] Ah, não, já ouvi sim, desculpa, já ouvi, ótimo. É muito boa. Justo porque você falou Led Zeppelin, eu lembrei.
Alvin L: [44:03] Parece Led Zeppelin. Tem umas bandas tipo Wilco, assim, que eu gosto, mas é mais antiguinha, assim.
Eron Falbo: [44:10] O Bob Johnston acho que já gravou Wilco também.
Alvin L: [44:13] É possível, é possível. Porque é bem a praia dele.
Eron Falbo: [44:16] A praia dos discos que ele fez. The Waterboys.
Alvin L: [44:20] Que ele fazia com Bob Dylan nos anos 60. Mas não escuto essas coisas novas em casa, escuto por onde vou. Às vezes escuto no rádio, num táxi, no Uber, ou na casa de algum amigo. Em casa, escuto só música antiga, só coisa velha.
Eron Falbo: [44:38] Não, mas você escuta mais para conhecer as músicas, pontualmente. É, ver o que está rolando.
Alvin L: [44:44] Às vezes você ouve... Teve uma banda outro dia, que era Mastodon, que é uma banda sludge, que eles chamam, que é rock muito pesado. E aí falavam muito bem da banda.
Eron Falbo: [44:53] Aqueles...
Alvin L: [44:54] É, uma coisa bem... É um Black Sabbath na velocidade 16.
Eron Falbo: [44:59] Sei, sei.
Alvin L: [45:01] Mais pesado, mais lento.
Eron Falbo: [45:02] Tipo Rammstein, né? Eu não conheço tão bem esse gênero, mas...
Alvin L: [45:07] É, eu podia ser primo ou segundo grau do Rammstein.
Eron Falbo: [45:10] Eu sei.
Alvin L: [45:11] Mas aí eu fui ouvir para saber o que era. Aí eu ouvi e falei: não, não é nada novo, eu já ouvi isso antes. Isso é só uma versão moderna, é coisa que eu já conheço, não vai me impressionar.
Eron Falbo: [45:22] Que não foi o caso do Greta Van Fleet. Eu achei que era um Led Zeppelin, só que tem uma outra coisa ali.
Alvin L: [45:29] Tem uma força de punk, talvez.
Eron Falbo: [45:34] Só que tem o suficiente do Led Zeppelin pra te dar saudade de alguém que faz Led Zeppelin. A única banda que fez Led Zeppelin foi o Led Zeppelin, sacou? Não teve uma banda...
Alvin L: [45:47] Imagina, tem bilhões de Bad Zeppelins.
Eron Falbo: [45:51] É, Bad Zeppelin, tô dizendo assim, com aquela magia, né? Porque eles eram tipo The Monkees, né? As pessoas acham que Led Zeppelin era... Eu tô falando que foi feito pelo Jimmy Page, juntou os all-stars da Apple, né?
Alvin L: [46:04] Mas toda banda é, cara. Toda banda é.
Eron Falbo: [46:06] Os Beatles... Tem gente que falou que.
Alvin L: [46:08] Os Beatles eram a primeira boy band.
Eron Falbo: [46:11] Mas tá bom, mas eles cresceram na mesma cidade, tinham escolas, parecia... Tinha uma coisa de garagem, né? O Led Zeppelin tinha zero de garagem, era uma banda pra vender.
Alvin L: [46:23] Sim, porque o Jimmy Page queria sim, né?
Eron Falbo: [46:25] É, ele queria ganhar dinheiro.
Alvin L: [46:27] Robert Plant e John Bonham eram músicos de boteco, de pubs. Eles não tinham carreira nenhuma, eram desconhecidos.
Eron Falbo: [46:34] Um dos meus produtores, o... Parsons, qual.
Alvin L: [46:39] Era o nome dele?
Eron Falbo: [46:41] O sobrenome dele é Parsons, agora eu esqueci o primeiro nome dele. Ele era tipo muito amigo do Jimmy Page, então tava sempre conversando com o Jimmy Page, inclusive foi o Jimmy Page que recomendou o guitarrista da minha banda pra minha banda lá em Londres. Mas ele sempre falava histórias do Jimmy Page. Ele falou: cara, o Jimmy Page, quando ele cansou de trabalhar, ele fez o Led Zeppelin. Ele falou: vou fazer o Led Zeppelin.
Alvin L: [47:03] Porque ele era músico e showman. Mas ele era pobre, ele queria ser rico. Se você ouvir, por exemplo, o Jeff Beck Group, que é imediatamente antes do Led Zeppelin, você vai ver o Led Zeppelin embrionário ali. O Jimmy Page ouviu aquilo e falou: Jeff Beck tá ficando rico com essa banda, eu também quero. Aí fez o Led Zeppelin. E o Led Zeppelin é tipo modelado no Jeff Beck Group: cantor com a voz alta, que era o Rod Stewart.
Eron Falbo: [47:34] E o Beck já estava com o Eric Clapton no Yardbirds.
Alvin L: [47:38] Não era o Clapton. O Clapton saiu e entrou o Jeff Beck. Saiu o Jeff Beck e entrou o Beck.
Eron Falbo: [47:44] Saiu o Clapton.
Alvin L: [47:46] E os três eram amigaços. Eram amigos de infância e adolescência.
Eron Falbo: [47:51] Por isso que eu confundi.
Alvin L: [47:52] Acho até que por isso que um recomendava o outro.
Eron Falbo: [47:56] Pega o Jeff Beck. Deixa eu te perguntar uma curiosidade. Você já foi em Londres em alguma festa da New Untouchables?
Alvin L: [48:03] Não. Eu não saio à noite, cara!
Eron Falbo: [48:04] Pô, você ia adorar, cara! Na New Untouchables é o seguinte: eu era editor da revista da New Untouchables e organizava os festivais de rock da New Untouchables. É só música anos 60, só tem DJ em vinil, e só 45, e só 45 desconhecido.
Alvin L: [48:27] Olha só! É tipo aquelas coisas do Northern Soul.
Eron Falbo: [48:32] Exatamente, a galera do Northern Soul. Só que não tem só Northern Soul: tem festa de Northern Soul, tem festa de Psych, tem festa de Freak Beat, tem umas festas muito, muito maneiras. Vale a pena sair de casa. Quando você for pra Londres de novo, eu te conecto.
Alvin L: [48:46] Ah, é difícil?
Eron Falbo: [48:50] Isso aí vale a pena, cara.
Alvin L: [48:52] Eu saio pra jantar, oito horas da noite eu tô dormindo.
Eron Falbo: [48:55] Tô te falando, na Untouchables você vai gostar, cara. Você tem que conhecer. Porque você vai ficar maravilhado, entendeu? Você vai ouvir música que você nunca ouviu, porque tipo, os DJs estão tocando música que eles encontraram, entendeu? Que não tem no YouTube, não tem no Spotify, entendeu? Tá, parece interessante. Ou você comprou no... Você achou por acaso, porque muitas vezes são prensagens mínimas. Sim.
Alvin L: [49:25] Às vezes é prensagem particular, o artista prensou.
Eron Falbo: [49:28] Exatamente. Então tem coisa maravilhosa.
Alvin L: [49:32] E o inglês não é retentivo com essas coisas. Eles vão fundo, eles vão descobrir alguma coisa.
Eron Falbo: [49:37] E o que eu te digo mais: eu sou superintolerante com baixa qualidade. Tipo assim, os caras são viciados em vinil, mas aí, porra, você tá numa festa, tem que tocar um hit, tem que tocar uma música, entendeu, dançante. E, cara, é perfeito. É tipo a pista de dança lotada o tempo todo.
Alvin L: [49:56] A mistura que vai fazer a coisa funcionar.
Eron Falbo: [49:59] Não é uma curiosidade, entendeu? Não é uma coisa assim de só vai nerd, entendeu? Tem uma cena inteira.
Alvin L: [50:05] É bom saber que isso aqui não vai só nerd, senão eu ia me sentir muito em casa.
Eron Falbo: [50:10] Mas é bom saber, cara. Olha só, o Emídio tá falando alguma coisa. Mas vamos terminando aí os últimos cinco minutos. O Emídio tá falando que Led Zeppelin era pra ter sido o Jimmy Page, Keith Moon, John Paul Jones e Nicky Hopkins. É verdade: Keith Moon batizou a banda e o Jimmy Page roubou o nome.
Alvin L: [50:33] Emídio é dos meus. Emídio, desculpe.
Eron Falbo: [50:36] Emídio é dos meus. Quem não queria o Keith Moon, né, porra?
Alvin L: [50:39] Na verdade, queria ser a maior merda se estivesse posto no Keith Moon. O Keith Moon era um doido.
Eron Falbo: [50:45] Não era profissional, isso eu sei.
Alvin L: [50:49] Não, ele era profissional, mas assim, era um cara...
Eron Falbo: [50:51] Não, não, mas eu tô dizendo, é isso que eu tô dizendo: não era profissional no sentido de que, pô, o Led Zeppelin era super profissional, né? Então, tipo, o Led Zeppelin era uma banda de disciplina, né? Era uma banda que fazia álbum com muita agilidade, né?
Alvin L: [51:07] E na boa, o Jimmy Page é da maior sorte, cara. O John Bonham é um dos bateristas que... você ouve ele tocando e você sabe que é ele na hora. Ele tem um som dele, é impressionante, num instrumento que é difícil você ter uma personalidade, né?
Eron Falbo: [51:24] Tudo bem que aquela bateria do Rock'n'Roll é igualzinha à entrada do Little Richard. Ah, sim, sim.
Alvin L: [51:30] Todo baterista copia, né?
Eron Falbo: [51:33] Mas é o que eu tô dizendo.
Alvin L: [51:38] Assim, se você ouvir a bateria isolada, se alguém te tocar o John Bonham tocando sem o resto do Zeppelin, você na hora vai dizer: parece o John Bonham, e é o próprio, sabe? Porque ele tem um som dele.
Eron Falbo: [51:50] Caralho! Desculpa a gente terminar assim, mas o que a gente promete, vai ter um corte depois do podcast. É uma hora os podcasts, né? Então é só pra gente terminar no horário certo, mas a gente podia continuar assim.
Alvin L: [52:06] Cara, foi um prazer, mas é legal. Ótimo, sim. Daqui a pouco eu também vou assistir The Crown agora.
Eron Falbo: [52:14] Ah, The Crown é maravilhoso. Você tem muito bom gosto. Vamos se encontrar pra beber tequila em ambientes fechados.
Alvin L: [52:20] Vamos, sim.
Eron Falbo: [52:22] Antes das 10 da noite.
Alvin L: [52:23] Vou acabar a garrafa, já tá quase morta.
Eron Falbo: [52:25] Então bora mais um shot pra terminar.
Alvin L: [52:28] A todos vocês, mais saúde para todo mundo.
Eron Falbo: [52:32] Mais saúde ainda, porra.
Alvin L: [52:34] Ah, quero todo mundo caindo de saúde.
Eron Falbo: [52:36] Quero todo mundo cheio de saúde. Valeu, então. Eu vou dizer boa noite e muito obrigado por aceitar o convite, e espero que a gente faça mais um em algum momento.
Alvin L: [52:46] Quando você quiser. Saúde para todos. Obrigado por estarem aqui.
Eron Falbo: [52:50] Boa noite. Tudo de bom.
Alvin L: [52:52] Você também.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #33 · todos os episódios