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Eron Falbo: [0:06] Então, pessoal, boa noite. A gente tá aqui hoje com o Paulo Roberto Barragat, meu grande amigo, colecionador de arte. Ele teve, durante muitos anos, um antiquário chamado Chez Barragat, conhecidíssimo entre os grandes colecionadores. Barragat é um renomado decorador e organizador de grandes eventos. A família dele foi exilada junto com Dom Pedro II, a Princesa Isabel e o Conde d'Eu, e voltou junto com a família de Orleans e Bragança para o Brasil. É um homem que sabe da história do Brasil de primeira mão, e hoje a gente tem o privilégio de conversar com o Barragat e saber um pouco dessas histórias, saber um pouco das coisas que movimentaram o Brasil, saber um pouco de arte, de decoração e bom gosto. Eu já tive o privilégio de ter vários lugares que o Barragat sempre foram muito identificantes. É um homem assim que eu aprendo só de estar perto dele, do jeito que ele fala, do jeito que ele senta, do jeito que ele trata as pessoas, com tanta generosidade, com tanto carinho, com tanta educação. Então, estamos aqui em casa hoje testando esse formato novo.
Paulo Roberto Barragat: [1:09] Obrigado, não sei nem o que dizer diante de tudo que você está dizendo.
Eron Falbo: [1:14] Então, bom, seja bem-vindo à minha casa aí.
Paulo Roberto Barragat: [1:17] Muito obrigado.
Eron Falbo: [1:17] Espero que você venha muitas vezes. Acabei de me mudar para cá. E é isso, vamos conversar então, vamos falar um pouquinho sobre a sua história, talvez essa coisa que eu mencionei, da sua família ter se exilado e voltado, talvez seja uma boa história para a gente começar.
Paulo Roberto Barragat: [1:35] Isso me levou a me interessar muito pela história do Brasil, na época em que a minha família veio para cá pela primeira vez e depois voltou. E daí eu sempre fiz muitos eventos culturais e sempre enfoquei muito a vida do Brasil no século XIX, nos meus eventos. E daí fiz diversas coisas em torno da memória do Império. E gosto de destacar muito os 170 anos de por causa da Floresta da Tijuca, que foi muito pioneira nisso, e isso eu fiz para a Rio 92, que era um braço da época 92, em 2º de janeiro. Depois, essa exposição teve tanto sucesso, que, a pedido da família imperial, Círculo Lunar, etc., eu fiz, então, pela segunda vez, os 170 anos. Essa foi realmente monumental. Foram 4 mil metros quadrados de exposição. E tive uma curiosidade: as peças que se encontraram nessa exposição eram objetos. Tudo que se encontrou nessa exposição provavelmente não vão se encontrar nunca mais. Porque elas vieram de colecionadores, muitos já falecidos, colecionadores que se dispersaram. Então aquelas peças que pertenceram ao mundo do Brasil, do século XIX, elas tiveram aquele encontro e se dispersaram. Então provavelmente essas peças não vão se encontrar nunca mais. Ainda bem que eu tenho algum registro disso.
Eron Falbo: [3:36] Isso é uma experiência, né, que eu acho que muita gente não para pra pensar que exposições, eventos, que trazem obras, que trazem peças, como você está falando, acabam virando experiências únicas, que a gente não pode pensar que, como você falou, essas peças nunca vão se encontrar de novo.
Paulo Roberto Barragat: [3:54] E, por outro lado, nunca mais vão ser vistas. Ou seja, referente à escravidão, por exemplo, isso é uma peça de documento, de papel. E eu tive uma coisa muito interessante nessa exposição: você imagina que é a chegada, a atualização da entrada de um escravo no Rio de Janeiro. Depois, o batismo desse escravo, documento também. Depois, o passaporte desse escravo que foi oferecido para um senhor no Recife. Depois, a chegada desse escravo no Recife. E depois a alforria dada para esse escravo. Esse foi todo o escravo, era a família de escravo. Toda a trajetória de um escravo que chegou e que foi alforriado. Bom, e que depois se tornou proprietário de terras do Brasil. Uma terra boa, sei lá. Só que eu acho tão interessante essa história. Eu tive esse conjunto de documentos. Isso é uma coisa única. Ninguém tem isso. E provavelmente nunca mais vai ser exposto.
Eron Falbo: [5:00] Ou seja, as pessoas que visitaram naquele momento lá tiveram esse privilégio, né?
Paulo Roberto Barragat: [5:06] É, viram muito bem, quem viu, viu.
Eron Falbo: [5:08] Quem não viu, né? Eu acho que no mundo moderno, no nosso mundo atual, essa questão das experiências está se tornando cada vez mais valiosa, né? Porque a gente vê que as coisas estão todas... No YouTube, no Google Earth, no chegos além, você consegue ver um monte de coisa, mas experiências, a coisa que você está presente de fato em um momento, essa coisa você não consegue, pelo menos ainda, passar essa coisa com toda a emoção através de uma mídia da internet. Então as experiências estão mais importantes.
Paulo Roberto Barragat: [5:48] Além de tudo, eu proporcionei às pessoas verem isso tudo, tá? Mas foi muito especial também tocar. Eu peguei essas peças.
Eron Falbo: [6:01] Ah, isso é importante.
Paulo Roberto Barragat: [6:02] Entendeu? O toque, você tocar essas coisas históricas, é uma coisa que não tem como descrever. Você sentir o que você sentiu naquele momento.
Eron Falbo: [6:13] No ocultismo, que eu gosto de estudar um pouquinho, tem um termo chamado maná, que significa quando algum objeto, ou alguém, qualquer coisa, tem um certo poder, um certo significado, quando ele carrega uma certa carga, uma certa energia de poder. Ou seja, se tem mais maná, você tem mais poder. Então, se é uma celebridade que ela entra dentro de uma sala, ela emana, daí vem inclusive emanar vem de maná, ela emana uma influência, um poder, uma sedução, uma série de coisas. E objetos cada vez mais antigos e mais especiais para as pessoas têm mais maná.
Paulo Roberto Barragat: [6:59] Bom, eu vou dizer uma coisa para você. Eu senti isso. Eu senti esse íntimo. Nós estamos falando de um momento passado, da Exposição Persona 173. Eu senti muito a energia de vários objetos, de várias coisas que eu manusei na montagem da exposição.
Eron Falbo: [7:18] Você sente? Dá para realmente sentir?
Paulo Roberto Barragat: [7:21] Se você for sensível e estiver ligado nisso, você sente. Depois, o envolvimento de preparar um evento desses, que leva muito tempo, você tem que visitar muitas pessoas. Você vai, de repente, tirar um quadro que está na parede de um colecionador, entendeu? É uma coisa muito sensível, você tirando uma coisa da casa da pessoa. E acho que muitas vezes o colecionador também, que tem aquelas peças, ele começa a te contar a história da peça, como ele adquiriu, sabe? Todo mundo vai dizendo, entendeu? Então a peça vem carregada da energia dela, da energia do colecionador, da energia que ele depositou naquilo, como ele adquiriu, do amor que ele ficou tendo cada vez mais depois que ele adquiriu aquilo, né?
Eron Falbo: [8:11] E é isso que vai causando aquele poder, aquela enorme importância. Eu acho que, mesmo as coisas sendo objetos inanimados, a coisa não tem importância por si só. A história que carrega por trás e a importância dos seres humanos dão para aquela coisa o poder que ela causa. Então a pessoa já olha para aquilo, já sente, já toca e sente mais ainda. Eu falo isso porque eu morei em Israel há três anos, e Jerusalém tem esse poder. Você já visitou a casa de Jerusalém? Se você anda em Jerusalém, você sente o poder. O mundo inteiro está olhando para Jerusalém. O mundo inteiro está rezando para Jerusalém. O mundo inteiro está querendo Jerusalém. E você sente isso andando em Jerusalém. Eu acho que é impressionante.
Paulo Roberto Barragat: [8:55] Você sente as sombras, você sente as cruzadas. Você sente tudo o que aconteceu lá. Agora, você viu uma coisa? Houve outro objeto também que me marcou muito. Falei desse, da exposição pessoal. Lógico que ele teve joias que pertenceram à Princesa Isabel e tudo.
Eron Falbo: [9:14] Continua falando que o livro é só um objeto, não se vai...
Paulo Roberto Barragat: [9:17] É, e uma experiência muito interessante também foi quando eu apresentei, na Princesa Isabel aos 150 anos, a Rosa de Ouro. A Rosa de Ouro foi uma coisa fantástica, porque eu sou de uma condecoração. A Rosa de Ouro só existe em 14. O Papa só deu 14, só conseguiu 14 peças da Rosa de Ouro. Uma chapa assim com a rosa dentro e tal. E o estojo já era um monumento. Mas aí... Foi dada à Princesa Isabel e nunca tinha sido exposta. Aí, eu fui falar com o Bruno Gênesis uma vez. Aí ele perguntou assim, já sabíamos que o Bruno Gênesis não estava retenção para o Museu da Arte de Ossésia. Aí ele disse assim, ah, perfeito. Mas aí depois, a responsabilidade de todo esse acervo que a gente tem no museu, isso é uma responsabilidade.
Eron Falbo: [10:47] São conservadores, com razão.
Paulo Roberto Barragat: [10:49] Eles são depositários de uma coisa que pertence a eles, pertence à história do Brasil. Então, aí, um segurança, dentro de todo o museu, tinha que ter um segurança especial, ainda dentro do museu, para ficar internado do lado da rosa. E depois, na hora que o museu ia fechar, a rosa tinha que ser levada, pelo segurança e por mim, para o cofre do museu, ser depositada no cofre do museu, e depois, no dia seguinte, de manhã, na hora que o museu fosse abrir, o segurança tinha que ir comigo ao cofre do museu e tirar a Rosa de Ouro.
Eron Falbo: [11:42] E tinha valor material também? Era feita de ouro maciço, alguma coisa assim?
Paulo Roberto Barragat: [11:46] Olha, eu não sei se era de ouro. Eu imagino que ela seja de prata dourada, mas talvez ela seja de ouro. Agora, uma peça daquele porte, de ouro, de cor de ouro, desse tamanho, é um trabalho de ourivesaria ímpar, porque isso é uma joia.
Eron Falbo: [12:02] Eu gostaria de ver uma foto. É aquilo que o senhor pode mostrar.
Paulo Roberto Barragat: [12:04] É, eu gostaria de ver. E nessa tem uma foto que está interessante, porque o estojo dela é vertical. Ele abre ao meio, como se fosse uma concha, e para aqui. E ela fica. E, por acaso, eu tenho uma foto em que estou eu de um lado da Rosa de Ouro, Dona Maria da Baviera do outro lado da Rosa de Ouro, e nós dois emoldurados pela concha, que é a caixa dos dois. É formidável. Não tem como descrever.
Eron Falbo: [12:38] Só não lembro, porque, com tantas fotos, eu não lembro exatamente qual era a da Rosa de Ouro, para identificar.
Paulo Roberto Barragat: [12:45] Porque os 150 anos da Princesa Isabel foram uma coisa que deu muito trabalho, muito gratificante, porque não foi só isso. Foram diversas exposições e eu fui curador do evento todo. E, olha, participaram Biblioteca Nacional, Arquivo Nacional, Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico, tudo, tudo. Arquivo de Osséias, tudo participou. Até a Prefeitura participou, porque nós conseguimos a reurbanização da Rua 13 de Maio, que estava um bicho, suja, cheia de mendigos. E conseguimos a reurbanização e a reinstalação da estela com a infância da Princesa Isabel, que estava no meio, entre esses parques e jardins, e que ninguém sabia onde estava.
Eron Falbo: [13:40] O que é uma estela?
Paulo Roberto Barragat: [13:42] Uma estela é diferente de um busto. É uma pedra, uma peça de pedra, uma lápide grande, que tem no meio um medalhão. O medalhão de bronze é como se fosse uma moeda, o metal é grandona, com a efígie da Princesa Isabel no meio, ou como se seja, tem uma placa embaixo, e isso tudo é montado sobre peças de pedra.
Eron Falbo: [14:15] Não, pode ser que a origem da...
Paulo Roberto Barragat: [14:21] Palavra seja essa, semanticamente.
Eron Falbo: [14:24] Eu estou especulando, eu acho interessante. Tenho visto esses termos, estou decorando agora, na verdade o senhor está me ajudando a decorar aqui o meu apartamento, mas eu tenho visto muitos leilões e coisas do tipo, e estou aprendendo um monte de termos que eu não sabia.
Paulo Roberto Barragat: [14:43] Ninguém sabe nada hoje em dia, mas ninguém sabe nada. Os termos são completamente mal empregados. Essas pessoas não são pessoas estudadas ou antiquárias no Rio de Janeiro. É gente que aprendeu fazendo, sabendo nada. Não beberam chá e não faleceram. Entendeu?
Eron Falbo: [15:04] Eu até achei um busto, que eu tô atrás de busto, não consigo achar busto em lugar nenhum. Mas eu achei o antiquário que estava vendendo, indicado, então eu tô na busca de Dom Pedro I. Aí eu vi: pô, não parece Dom Pedro I. Dom Pedro I quase sempre, se não sempre, tá lá com o cavanhaquezinho, né, com o bigode de cavanhaquezinho. E essa não tinha. Aí eu mandei para o Cunha Bueno, amigo da minha família.
Paulo Roberto Barragat: [15:29] Sim, nós conhecemos o Cunha Bueno.
Eron Falbo: [15:30] E eu mandei: olha, você que conhece bem, isso é o D. Pedro I? Ele falou: não, parece um inglês. Então estava vendendo como se fosse o D. Pedro I, e ele não era D. Pedro I.
Paulo Roberto Barragat: [15:42] Bom, mas ele não mantém essas coisas. Bom, claro, ali vendem gato, e você leva o gato. Também você pode comprar baratíssimo uma coisa que ninguém sabe o que é. Isso acontece demais. Você compra por nada uma coisa que ninguém sabe o que é. E, de repente, quer engrandecer uma peça assim... Aconteceu uma coisa muito engraçada com o embaixador Fonseca Hermes, na França. Ele andou em um antiquário. Então, primeiro, quando eu falo das pautas da tela do jurisdito, as medalhas são completas, todas completas. Não com o traje de imperador, não com a coroa do abelhão, não com o traje de majestade, mas as medalhas.
Eron Falbo: [16:29] É um uniforme.
Paulo Roberto Barragat: [16:37] Que se usava na corte, que era chamado de uniforme de bolso feudal, porque era uma variação do uniforme de bolso feudal. Aquela bota, até o joelho, e tudo mais. Aí ele perguntou para o antiquário, e o antiquário disse assim: ah, isso é um militar da América Latina. E era Pedro I. E ele ficou louco para comprar, mas disse que compreendia, sabe?
Eron Falbo: [17:07] É, isso acontece. Mas eu agradeço às pessoas, às vezes as pessoas que sabem... Claro, claro, é.
Paulo Roberto Barragat: [17:12] Que eu tava falando do... Da leva do gato. É, tá. Entendeu?
Eron Falbo: [17:17] É por isso que eu tenho que ir com você pra um grande quarto, né? Pra gente poder comprar umas vermelhas.
Paulo Roberto Barragat: [17:23] E o que aconteceu? Ele deu o preço de uma opção de coisa, se interessou por uma opção de coisa, ignorou um pouco aquilo, e depois perguntou: quanto é que é o preço desse latino-americano aí? Aí o Antipano falou em Lisboa e ele veio com uma retrata fantástica, ele veio com ele. Ele captou o Brasil, não é?
Eron Falbo: [17:43] Foi assim.
Paulo Roberto Barragat: [17:55] Que o Hermínio deu o seu chá para o senhor, que era a casa dele.
Eron Falbo: [18:01] E tem muita coisa na família do Nécio de Bragança. Temos peças, temos memorabilia gerada do império.
Paulo Roberto Barragat: [18:12] Hoje a gente tem muito pouco. Eles fizeram vários... Bom, o que disse de passagem é que eles tinham coisas... Não sei dizer isso, não é prático, estou falando assim, estou falando com a pouca informação que eu tenho. Eles tinham muita coisa no château... na França. Mas, quando chegaram no Brasil, os primeiros que chegaram, não foi o Fábio Ramos, não foi o Dom Luís Passos, quem chegou primeiro foi o Dom Pedro... Gastão, o príncipe, é um paraguai de Doutor Gastão e Doutor João. Sim, porque os outros eram considerados os herdeiros e não quiseram abrir para eles. Então, o segundo ramo tudo bem, mas o primeiro ramo podia ainda ter alguma coisa. E aí, meu avô, tio Jorge Sampaio, que também é descendente histórico aqui no Brasil, ele costumava dizer uma coisa engraçada: ele tinha a idade do século. Ele morreu no fim de 96, com 96 anos. Ele tinha a idade do século. E ele costumava dizer que era a única pessoa viva que tinha sentado no colo da princesa, porque ele o levou para o país e foi visitar a Princesa Isabel. E a Princesa Isabel perguntou aos seus filhos: como é que vão entrar? Ah, eu vim com o meu caçula. A Princesa Isabel disse: não, traz ele aqui, eu quero vê-lo, traz ele aqui. Aí era um pequenininho que chegou lá, sentou no colo, estava tomando um chá, ela dava um biscoitinho na boca dele, entendeu? Esse é o último brasileiro vivo que ganhou um biscoito na boca do cara do César, sentou no colo do César.
Eron Falbo: [20:09] Essa é outra coisa que o brasileiro comum... a gente até começou a falar um pouco sobre isso: o brasileiro comum não entende o quão perto o império era dos nossos tempos. Dom Luiz, que é o herdeiro de Dom Pedro II, ele é o bisneto da Princesa Isabel. Ele não é... oitava geração depois.
Paulo Roberto Barragat: [20:29] A gente não... E eu conheci o pai dele, de Dom Luiz, e a mãe dele, antes, mas... Bom... o pai dele, que era neto, né?
Eron Falbo: [20:40] É, né? Não sei jogar futebol. Ou seja, ele cresceu com ela... O pai dele conheceu?
Paulo Roberto Barragat: [20:46] Sim, sim, conheci muito. E Dona Maria foi uma coisa engraçada, porque ela também tinha um certo palitês com Dona Maria, ela era uma velha. Eu tive a oportunidade de conhecer a mãe de Dona Maria.
Eron Falbo: [21:02] No Brasil. Então seria a bisavó da Dona Maria?
Paulo Roberto Barragat: [21:10] Avó.
Eron Falbo: [21:11] Avó, desculpa, avó. A avó de Mourinho.
Paulo Roberto Barragat: [21:15] Mourinho da Sisi, da Imperatriz da Áustria. A famosa Sisi, assassinada em Genebra.
Eron Falbo: [21:24] E o que ela seria? Ela seria...
Paulo Roberto Barragat: [21:29] Não sei se eles tinham algum parentesco, mas ela era casada com o neto da princesa dela.
Eron Falbo: [21:37] O neto é com o filho?
Paulo Roberto Barragat: [21:39] Não, é com o filho.
Eron Falbo: [21:41] Não com o seu avô?
Paulo Roberto Barragat: [21:43] Não, a avó da Maria é mãe de Nobelis.
Eron Falbo: [21:46] Ah, sim. Mas você está falando da mãe dela.
Paulo Roberto Barragat: [21:48] Se é a mãe dela, era a mãe dela.
Eron Falbo: [21:50] Ah, verdade. Ela não era casada com ninguém, era só a mãe dela.
Paulo Roberto Barragat: [21:55] Mas ela tinha parentesco.
Eron Falbo: [21:56] Entendi. Eu tinha, porque eu estou... Eu não sei dizer esse gancho de.
Paulo Roberto Barragat: [22:01] Parede, mas eu tinha.
Eron Falbo: [22:04] Pessoal, só queria lembrar a vocês: se quiserem fazer perguntas, se tem pessoal fazendo perguntas, usem a caixinha de perguntas para a gente poder ver, tá? Porque eu estou aqui num outro celular, porque eu não estou perto desse aí, para poder ver as perguntas, e muitas foram...
Paulo Roberto Barragat: [22:20] Eu lembro agora o nome do Lu, agora é presidente da Fundação Palmares.
Eron Falbo: [22:27] Ah.
Paulo Roberto Barragat: [22:27] Você teve que ficar do lado de um alumineiro? Eu tinha sentido com ele.
Eron Falbo: [22:30] Teve até aquele, o marido da Preta Gil, se não me engano, que anunciou recentemente que ele era negro. Ele falou que ele é um cara branco, normal. Sim, eu não sei se é preto ou branco. Não.
Paulo Roberto Barragat: [22:51] Não.
Eron Falbo: [23:06] Aí o presidente da fundação falou: desculpa, mas a sua percepção não conta, você não é considerado negro. Então é só um detalhe de notícia.
Paulo Roberto Barragat: [23:17] Eu usei, amigo, um capoás que trabalhou pra mim desde 1951, há muitos anos. Apenas teve uns quatro, dois, três anos. Ele é branquinho e fica sem a parede. É mais branco do que a maioria. E ele me contou que ele tinha um avô que era negro retinto. Quer dizer, as pessoas têm uma ascendência, então mudam de avô.
Eron Falbo: [23:50] Descendente, da idade genética. Mas ele também... e conviver culturalmente, ele também diz que tem parentes negros também, mas ele simplesmente está anunciando que, pela minha percepção, eu sou negro, então eu tenho que ser considerado negro. E aí o presidente da Fundação Palmares falou que ele está errado.
Paulo Roberto Barragat: [24:27] Porque, veja bem, a língua brasileira, a língua portuguesa é tão rica, ela tem tantas nuances, para dizer que uma pessoa é morena, que é mulata, que é tata, que tem tantas maneiras de definir com precisão cada pessoa, tá? Por que uma pessoa como... eu não quero falar mal de quem, mas como aquela menina... qual é o nome dela agora? Uma famosa da televisão, filha de um ator, não é, criador, que é casado com a Benedita? Camila Pitanga, Pitanga, Camila Pitanga, isso. Eu tive uma vez assistindo uma peça, uma peça que tinha muita graça, que a galera tocava no assunto do racismo, mas com graça, com leveza, não era uma coisa pesada, nessa coisa. Aí ela disse que ela era negra. Aí eu fiquei pensando e disse assim: com esses traços... com esses traços, com o cabelo pintado de castanho claro, ou ouro escuro, e liso. E com aquele tom de pele, ela tem... muito mais branco do que ele é na composição.
Eron Falbo: [25:47] Mas existe um certo sensacionalismo, ainda mais com essa, vamos dizer, caça às bruxas que está tendo nos nossos tempos, de pessoas dizerem que brancos precisam se sentir culpados por toda coisa que foi feita na história, apesar de que negros também tinham escravos brancos no norte da África, coisas do tipo. Existe uma caça às bruxas, e você está muito mais seguro se você disser que eu sou negro, se você disser não, eu estou do lado negro, você está seguro, você pode dizer qualquer coisa, porque se você receber uma carteirinha dizendo que agora eu sou considerado branco, você pode dizer o que você quiser. Agora, se você for branco, aí você está fria de medo. Você está com barba por toda a tragédia do mundo.
Paulo Roberto Barragat: [26:33] Agora, você viu uma coisa? Eu li uma coisa, não é essa frase, não é a minha. Eu li uma coisa muito interessante, muito legal. Qualquer coisa que você acrescentar ao lado da frase 'vidas importam' é racismo. Se você dizer que 'vidas negras importam', é racismo. Se você dizer que 'vidas brancas importam', é racismo. Se você dizer que 'vidas judias importam', é racismo. Se você dizer que 'vidas japonesas importam', é racismo. 'Vidas importam.' Qualquer palavra que você acrescente aí é racismo. E as pessoas ficam com essa história de que vidas importam, vidas negras importam também. Por que a gente não vê ninguém no Brasil dizer que vidas brancas importam, sendo que a maioria dos brancos assassinados foi assassinado por negro?
Eron Falbo: [27:28] Eu acho que isso aí, a questão que eles estão tentando dizer nesse tipo de coisa, eu concordo assim que não tem que ter essa ênfase numa massa dessa outra massa.
Paulo Roberto Barragat: [27:39] Todas as vidas importam, filho.
Eron Falbo: [27:42] A questão é que se dissessem alguma coisa desse tipo, aí você não pode nem dizer que, boa, hoje em dia ser branco também é difícil, você também às vezes é rejeitado no emprego, você também às vezes é comparado, existem muitos brancos desempregados, todo esse tipo de coisa. Mas você diz isso, aí tem problema. Eu acho que é uma questão linguística, e só para ressaltar, é óbvio que existe um problema histórico, cultural, existiam muitos escravos no Brasil, e esses escravos... a gente pode falar um pouco sobre isso, como a república não foi boa para a libertação dos escravos. Mas é claro que tem um trabalho a ser feito para causar mais justiça social, para poder elevar o status dessas pessoas que são descendentes de escravos, e ter um jeito de melhor acesso a todo tipo de coisa, né? Cultura, educação...
Paulo Roberto Barragat: [28:52] Mas não é por ter sido descendente desses caras aí que eu acho, é porque eu não tenho, tipo, oportunidade de sair assim.
Eron Falbo: [28:59] Sim, mas eu quero dizer, mas acho que a luta justa das pessoas é essa. Não é o que estão fazendo, destruindo os Estados Unidos, entendeu? Tanto que a maioria que estão nos ouvindo, em documentários, em análise e tudo mais, a maioria das pessoas dos Estados Unidos que são negros, que são de comunidades que estão sofrendo ataques e tudo mais, são contra essa coisa do Black Lives Matter, porque ele tirou as polícias das comunidades, foi contra as diferentes polícias metropolitanas e municipais, etc., de diferentes cidades dos Estados Unidos, e isso causou mais mortes negras no final da resposta, entendeu? Então, o que eu quero dizer é o seguinte: uma coisa é você ser a favor de justiça social, ou seja, não igualdade de gênero, não igualdade de raça, mas igualdade de oportunidade para todos, né?
Paulo Roberto Barragat: [29:54] Poderia dizer assim: igualdade de oportunidade e também igualdade de raça. Por que uma raça é maior que a outra? Não, igualdade de raça, assim... conversamos das raças, são raças, são todos humanos. Não tem questão aí.
Eron Falbo: [30:07] Essa coisa racial expõe o erro do século XIX, que as pessoas faziam aquela análise, esqueci até o nome, dos crânios, né, e faziam a análise racial. Expõe o erro do século XIX, essa coisa de distinguir as raças de forma rígida...
Paulo Roberto Barragat: [30:26] Ah, mas o século XIX é uma mentira, né?
Eron Falbo: [30:28] Não, eu sei, o professor do século XIX foi financiado por isso. É isso ou não é? Como é que é o nome disso? Um monte de cientistas falava que se dá pra ver pelo crânio a diferença de inteligência entre as raças e tudo mais, então foi um erro muito grave. Eu acho que a gente tá voltando com isso pelo lado oposto: agora as pessoas tão fazendo racismo contra brancos, contra pessoas que não escolheram nada, são simples descendentes. Em outros tempos, se você estivesse na Nigéria, na Etiópia, em tempos que esses países eram conquistadores, você ia ver muitas pessoas desprivilegiadas de várias outras raças, asiáticos, brancos, gregos, romanos, sendo desprivilegiados nesses impérios. Então acho que as pessoas têm que acordar para entender que isso não é uma questão racial, é uma questão de igualdade de oportunidades, que a gente sim tem que lutar para conquistar, mas sem distinção racial. Sempre enfatizando isso, e sempre enfatizando o pacifismo entre as raças, e não causando problemas.
Paulo Roberto Barragat: [31:42] Eu acho que tem uma sensação de que, aqui no Brasil, as pessoas importam o racismo americano.
Eron Falbo: [31:58] Com certeza. Isso não é uma coisa, porque o português foi diferente.
Paulo Roberto Barragat: [32:05] O português foi diferente. O português, ele gostosamente se misturou com todo mundo.
Eron Falbo: [32:13] Tem um retrato famosíssimo de Dom João VI, ou seja, antes do Brasil, Brasil colônia, sendo coroado por um índio, por um negro e por um europeu.
Paulo Roberto Barragat: [32:24] Por quê?
Eron Falbo: [32:25] Porque ele queria fazer a miscigenação das raças. E ele já escreveu isso em cartas, falando que o Brasil vai ser uma grande potência racial, porque vai ser a mistura das grandes raças do mundo. Imagina isso: final do século XVIII, começo do século XIX, ele já tinha essa mentalidade, que até hoje é moderna. Até hoje as pessoas não têm essa mentalidade.
Paulo Roberto Barragat: [32:51] Agora, nós podemos pensar uma coisa, tá? O homem do futuro, talvez um pouco distante... Mas o Brasil é, vamos dizer assim, o laboratório disso. No Brasil já é: o Brasil já é oriental, europeu, negro, índio, japonês, tá? O Brasil já é um laboratório de miscigenação, muito importante. Talvez o Brasil saia na frente.
Eron Falbo: [33:29] Mas por que isso? Porque a família imperial, antes do Brasil ser fundado, antes da independência do Brasil, já tinha essa mentalidade. Por que o Brasil tá assim hoje? Porque a família imperial contratava negros pra participar da Corte. Machado de Assis, tem N artistas e estudiosos intelectuais negros. O pianista da corte, esqueci o nome dele, e hoje em dia, Padre José Maurício.
Paulo Roberto Barragat: [34:01] Padre José Maurício foi capelão da Corte, foi um dos nossos grandes compositores.
Eron Falbo: [34:16] Mas as pessoas têm uma impressão que a escravidão durou tanto tempo no Brasil por causa da família real, porque eles acreditam que o Brasil era um absolutismo, o que está errado, que era uma monarquia constitucional parlamentarista. Tinha uma constituição desde a...
Paulo Roberto Barragat: [34:33] Isso nunca era parlamentarista. Era Dom Pedro que queria ser parlamentarista, ou seja...
Eron Falbo: [34:41] Não, mas ele tinha...
Paulo Roberto Barragat: [34:42] Mas ele atendia... Ixi, a aposta no Pedro. Claro, mas ele nunca foi contra. Por isso que ele levou 40 anos, desde que começou a tentar libertar os escravos, em 1848.
Eron Falbo: [35:07] Ah, esse foi ele, né? Você já tinha outros candidatos.
Paulo Roberto Barragat: [35:10] Não, mas foi o Valadim. Oficialmente, em 1848, ele começou a tentar. Em 1888, 40 anos depois, a Princesa Isabel conseguiu.
Eron Falbo: [35:25] Mas ele estava fazendo lobby, democraticamente, para poder tentar. Sim, porque os governadores e o pessoal...
Paulo Roberto Barragat: [35:32] Eram todos de cabeça.
Eron Falbo: [35:34] Mas é isso que eu estou dizendo, que é um borramento, porque não é um borramento no sentido de... Sim, sim. Sim, sim.
Paulo Roberto Barragat: [35:40] Sim, sim.
Eron Falbo: [35:42] Sim, sim.
Paulo Roberto Barragat: [35:50] Sim, sim.
Eron Falbo: [35:58] Sim, sim.
Paulo Roberto Barragat: [35:59] Sim, sim.
Eron Falbo: [35:59] Sim, sim.
Paulo Roberto Barragat: [36:03] Sim.
Eron Falbo: [36:03] Sim, sim.
Paulo Roberto Barragat: [36:06] Sim.
Eron Falbo: [36:06] Depois do golpe da república, ele falou: como que vocês tiraram, se vocês tinham um estadista, um imperador iluminado, mas vocês trocavam isso por uma republiqueta? O Trinor Oswald falou isso.
Paulo Roberto Barragat: [36:20] Sim, claro. Eles tiraram um imperador democrata e puseram uma república autoritária.
Eron Falbo: [36:27] É, um ditador autoritário é autoritário.
Paulo Roberto Barragat: [36:30] Exatamente.
Eron Falbo: [36:31] E a escravocracia, que é a razão que houve o golpe militar, foi uma das grandes razões, porque a coincidência de ser um ano depois da libertação do Brasil.
Paulo Roberto Barragat: [36:41] Como eu diria mesmo, o diretor da Fonseca não se conformava com o chefe e casava o menino que gostava, tá? Isso foi fundamental. Você não lembra do período?
Eron Falbo: [36:59] Esqueci.
Paulo Roberto Barragat: [37:00] Esqueci. Esquece, lembre-se.
Eron Falbo: [37:04] É que eu cresci fora do Brasil. Eu sei, mas não lembro os anos. Vamos ver as perguntas aqui, que só dá pra ver nesse celular. Estão fazendo perguntas, vou botar uma aqui: qual a opinião de vocês sobre a questão das cotas para ingresso em concursos e faculdades?
Paulo Roberto Barragat: [37:26] A lei é igual para todos. Tudo tem que ser igual para todos. Por que uns tem que ter mais direito do que outros? Por que tem que dar cotas para A excluir o B?
Eron Falbo: [37:43] É, na minha opinião, eu concordo com você em parte. Eu acredito que primeiro deveria ter faculdade estatal, esse já é parte disso, entendeu? A educação deveria ser a sociedade que propõe, o governo no máximo deveria aumentar e incentivar a educação para que aconteça mais e criar regras, etc. Mas ter faculdades melhores, faculdades culturais, isso serem estatais, para mim é um dos grandes motivos da derrota do Brasil histórica, porque isso permite que pessoas do governo infiltrem e coloquem, como fez o Paulo Freire, mudem o sistema educacional, e etc e tal. Então eu não vou me orientar nisso aí, mas pra mim o problema principal é esse. Aí secundariamente eu concordo com você que isso é também racismo, porque você tá incentivando as pessoas a se sentirem inferiores. Porque isso não é igual à oportunidade, você tá dando uma oportunidade diferenciada que causa que as pessoas não tenham que subir pro nível correto pra passar na faculdade, e elas sobem a um nível inferior.
Paulo Roberto Barragat: [38:56] Sim, mas aonde vai o homem? No primeiro nível ou embaixo?
Eron Falbo: [38:59] Ou seja, não tem uma igualdade... Ou seja, pior, eu acho, né? Eu, se fosse ao contrário, eu ia me sentir super ofendido. Se tivesse cotas pra brancos, eu ia lutar por três. Eu ia ir pra azul e falar que não preciso de cotas, eu vou estudar igual a todo mundo.
Paulo Roberto Barragat: [39:16] Deixa eu tocar um pouco aqui pra essa pessoa que perguntou: questionaria a importância da universidade. Por que que todo mundo tem que fazer universidade? Se todo mundo for médico, engenheiro, blá, blá, blá, tá? Quem vai exercer outras profissões? Ou seja, o mundo precisa do mecânico que conserta um carro. Esse mecânico tem que ser bem remunerado, tem que ter uma disposição de vida boa e tudo mais, tá? Mas o mundo precisa de um mecânico que conserta o carro. Se todo mundo for engenheiro, se todo mundo for médico, o carro não precisa estar na rua, ninguém consegue consertá-lo.
Eron Falbo: [40:14] Esse é o problema do Brasil, de cursos técnicos, deveria haver mais cursos técnicos.
Paulo Roberto Barragat: [40:19] Que esses técnicos fossem bem remunerados. Não é porque o técnico é técnico.
Eron Falbo: [40:29] Hoje em dia um peão de obra ganha super bem, depende do país que você é. Mas vamos calcular assim, o ideal, né?
Paulo Roberto Barragat: [40:42] O ideal, não sei se é esse ou esse continente ou país, né? O ideal é que todo mundo pudesse ser bem remunerado. Agora, nem todo mundo precisava fazer universidade, porque se for todo mundo arquiteto, médico, advogado, não sei o quê, não sei o quê, quem vai trocar o cano que eu tenho lá dentro de casa? Quem vai consertar um carro, todo carro, para o melhor? A gente precisa dos técnicos. E esses técnicos têm que ser bem remunerados para ter vida digna.
Eron Falbo: [41:14] Barragat, como a gente só tem agora mais 10 minutos, eu queria que a gente falasse um pouquinho, porque a gente combinou de falar três perguntas. Uma a gente já respondeu. Mas só entrar no assunto da independência do Brasil: 2022 vai ser a comemoração de 200 anos da independência do Brasil.
Paulo Roberto Barragat: [41:36] Pois é, e de porra, isso aqui é pouco mais do que Dom Pedro gritando 'independência ou morte'. As pessoas não pensam assim, sabe? Independência ou morte não foi uma nação, foi o nascimento de uma nação. O que a gente tem que comemorar é apenas a independência, que é o nascimento de uma nação.
Eron Falbo: [42:14] O que você acha que é a objeção da maioria dos brasileiros é que Dom Pedro I era filho de Dom João VI, então foi só um trâmite familiar, como que foi o nascimento de uma nação?
Paulo Roberto Barragat: [42:31] As pessoas gostam de melar a história, gostam de eliminar a nossa história e tirar o nosso amor próprio. Nós temos o direito de nos orgulharmos da nossa história. Por que nós temos que nos envergonhar sempre de tudo? Por que a Carla Camurati, que me perdoe, já foi uma droga, aquele filme que aborda a Carlota Joaquina, foi tudo de ruim? Por quê? Um filme em que a única pessoa que não era idiota era um escocês que contava a história da princesa do Brasil, Carlota Joaquina, para a filha dele. Aí ele contava a história de um bando de idiotas que eram portugueses. É isso que ele não tinha na cabeça.
Eron Falbo: [43:36] É uma loucura, né? E assim, a minha teoria, depois você me fala o que você pensa disso, mas a minha teoria do porquê isso acontece, de quando fica o brasileiro tão anti-brasileiro, né? É quase a mesma coisa de um branco hoje em dia dizer: eu tenho orgulho de ser branco. O brasileiro se sente envergonhado de dizer: eu tenho orgulho de ser brasileiro. A não ser que se estiver falando sobre música e futebol, né? Mas em termos históricos, em termos de...
Paulo Roberto Barragat: [44:04] É, como o brasileiro sempre descobriu...
Eron Falbo: [44:11] O que é isso? Eu recebi alguma dúvida... Onde está a...
Paulo Roberto Barragat: [44:21] Humilhação de você levar 7 a 1 na Copa do Mundo perante a demolição? Se você leva mil e tantos a zero, um criminólogo da Alemanha.
Eron Falbo: [44:39] É verdade.
Paulo Roberto Barragat: [44:40] Que cabeça, o que tem dentro?
Eron Falbo: [44:41] E qual é a importância de tomar 7 a 1 quando nas cédulas do seu dinheiro você não tem um ser humano? Nada para...
Paulo Roberto Barragat: [44:50] Isso foi a grande lavagem.
Eron Falbo: [44:54] A Alemanha também não tem muitos monstros.
Paulo Roberto Barragat: [44:57] Por que se comparar com a Alemanha? Não vamos nos comparar com a Alemanha. Não vamos nos comparar com país nenhum. Eu estou só dizendo que, se ela tem mil e tantos prêmios Nobel, não humilhou os brasileiros, humilhou os 7 a 1 partidos de futebol. Que nem isso.
Eron Falbo: [45:26] É verdade, porque quando você tem autoestima muito baixa, você precisa de muito pouco para ser humilhado.
Paulo Roberto Barragat: [45:32] Claro, e valores também, né? O valor, sabe, é até um certo machismo. Fiz o gol, ganhei, entendeu? Mas o lado intelectual e a cultura...
Eron Falbo: [45:51] Eu sempre termino, como ele dizia: a minha teoria sobre isso é que a gente não pode pensar isso, e não é educado assim nas escolas, mas o nosso Estado hoje, o Estado que rege o Brasil hoje, é fruto de um golpe militar contra a vontade do povo. E todos os presidentes da República, desde o marxista Dall'Oro, foram continuações desse golpe militar. Então o povo, a sociedade brasileira, está anestesiada até hoje.
Paulo Roberto Barragat: [46:22] Sim, tem que encontrar esse brilho melhor do que esse golpe militar. Nós estamos falando do golpe militar.
Eron Falbo: [46:27] Ou a monarquia? Sim, sim. O que se quer, o que se quer, o que se quer, o quê?
Paulo Roberto Barragat: [46:34] O que se quer, o que se quer, o que se quer, o que se quer...
Eron Falbo: [46:37] O que se quer, o quê?
Paulo Roberto Barragat: [46:37] Que se quer, o que se quer, o que se quer, o que quer, o que se quer, o que se quer, o que se quer... Gente, o...
Eron Falbo: [46:45] Domingo a gente vai fazer uma queima de bandeira, porque aqui é domingo. Se quer... Duvido que quem acerte aqui a bandeira, vai ser essa a queimada.
Paulo Roberto Barragat: [46:56] Olha só o que eu acabei...
Eron Falbo: [47:03] De comprar no alemão: a espada. Tem uma espada com inscrição, com o Brasão da República, com a inscrição "Dia 15 de novembro de 1888". E eu vou botar na parede pra lembrar que essa proclamação foi feita através da espada.
Paulo Roberto Barragat: [47:21] Vou embaixo da espada.
Eron Falbo: [47:23] Nós...
Paulo Roberto Barragat: [47:28] Temos uma espada, uma espada bonita, que é difícil de se encontrar para vender, mas aquela espada, quando você desenha a unha, ela está escrita na tua unha. Mas, para lutar, ele desembainhou a espada e disse: "Viva ao imperador!"
Eron Falbo: [48:02] Aí ele abriu uma escola.
Paulo Roberto Barragat: [48:05] Isso foi alta traição, como um cara grita.
Eron Falbo: [48:08] Ele era monarquista, ele era monarquista de adesão, porque ele queria tirar o visconde de Virajá do... Era o visconde de Virajá, não, era o primeiro-ministro... de Ouro Preto, desculpa, visconde de Ouro Preto, que era o primeiro-ministro do governo, que ele queria derrubar. Ele foi enganado pelos cafeicultores, lobistas, que fizeram ele entender que estava derrubando um governo, e não um Estado. E, no final, ele foi levado a derrubar o Estado de São Paulo. Ele se arrependeu; só que, depois, ele se arrependeu e contou isso.
Paulo Roberto Barragat: [48:52] Bom, depois tem a história, né? Isso é... um frio, uma coisa pequena, mas tem a história. A moça de quem ele gostava ia se casar com o chefe do governo. Ele não aguentou isso, ele teve que derrubar o regime porque ele estava com uma discórdia. Mas deu-lhe o nome certo.
Eron Falbo: [49:24] Mas agora, pra acabar...
Paulo Roberto Barragat: [49:26] Eu te conto uma coisa, o cara não levantou.
Eron Falbo: [49:29] Ele mal levantou da cama. Mas agora, pra acabar, que a gente tem 5 minutos só, vamos falar um pouco: a gente faz parte de um comitê de organização da comemoração da independência do Brasil, de 200 anos, vai ser em 2022. Eu queria convidar os amigos aí que estão vendo, pra se apresentarem, quem quiser contribuir. A gente tá aceitando contribuições, e financeira ao mínimo, que a gente precisa muito mais de pessoas boas, pessoas... Sim, financeira, e também quem...
Paulo Roberto Barragat: [50:06] Queira contribuir com as suas tarefas. Não, com os seus talentos. Exatamente, com os seus talentos. Falou bem: com os seus talentos. Ou seja, ideias, sugestões, coisas que possam engrandecer um evento. Nós já temos a boneca... às vezes chamava-se a boneca... Nós já temos um modelo do evento. Agora, quem puder acrescentar coisas, pode nos procurar. Nós estamos abertos. Eu...
Eron Falbo: [50:38] Eu estou extremamente aberto. Na verdade, não sou aberto como se a gente fosse... Mas a gente ainda necessita, né, de colaboração. A gente quer a participação de brasileiros.
Paulo Roberto Barragat: [50:53] Não, eu tô dizendo que a gente tá aberto, porque tem muita gente que sequer quer...
Eron Falbo: [50:58] Não, eu falo sobre todo mundo. Eu tô dizendo que, além de estar aberto, a gente tá pedindo ajuda dos colaboradores, porque, por uma coisa dessa grandeza, né, 200 anos da independência do Brasil, por...
Paulo Roberto Barragat: [51:15] 200 anos do nascimento da nossa nação!
Eron Falbo: [51:18] Eu tô mais falado aqui pra cá, tô mais pra velha do que pra jovem, mas eu conheci gente jovem, e às vezes eu converso com as pessoas mais jovens, e quando eu falo de D. Pedro I, D. Pedro II, todo mundo pensa que isso é Portugal. Não é que ninguém entende, mas não existe uma simulação clara de que o Brasil começou em 1822, e não em 1889.
Paulo Roberto Barragat: [51:48] Sim, eu vejo em redes sociais... Graças.
Eron Falbo: [51:50] A Deus começou em 1822. Se tivesse começado em 1889, ia ser um Brasil de tempo acaso.
Paulo Roberto Barragat: [51:56] Sim. Faço questão de acrescentar uma coisa. Nós tivemos o segundo lugar em muitas coisas antes do mundo, mas o primeiro lugar não era sempre o mesmo. Nós tivemos a segunda maior marinha de guerra no mundo, que é a Inglaterra. Nós tivemos o segundo serviço postal do mundo, o segundo correio regular do mundo.
Eron Falbo: [52:35] Tem que ter sentido, mas as pessoas não sabem a importância disso. É a mesma coisa na internet. A gente tinha 5G, enquanto outras pessoas tinham 2G.
Paulo Roberto Barragat: [52:47] Exato. Bom, e tinha o cabo de telégrafo submarino, que era o maior, que você podia passar um telegrama, daí eu volto pro Brasil. Então, foi o segundo país da América do Norte, o país do mundo que antes não tinha nada. Sabe, da França pra Itália, não tinha nada. Quer dizer, cabos de barril inteiro, para os Estados Unidos.
Eron Falbo: [53:21] Exatamente. E era o live da época. Quando faziam o live no Instagram, era.
Paulo Roberto Barragat: [53:28] Era o cabo, o cabo aí. E tivemos a segunda estrada de ferro da América Latina.
Eron Falbo: [53:43] Segunda na América Latina, não é a primeira?
Paulo Roberto Barragat: [53:45] Olha, eu disse que foi a primeira, mas hoje em dia, alegremente, o mercado mais gentil foi essa. Eu nunca pesquisei isso a fundo.
Eron Falbo: [53:53] Eu nunca pesquisei a fundo.
Paulo Roberto Barragat: [53:58] Isso é uma parte que eu nunca pesquisei a fundo e não me interessou muito. Mas antes da Estrada de Ferro Mauá, aquela...
Eron Falbo: [54:09] Mas foi uma das maiores estradas de ferro do mundo. Eu não sei se... Top 10. Eu tenho quase certeza que foi Top 10.
Paulo Roberto Barragat: [54:17] Mas nós tínhamos também uma outra estrada de ferro curiosa, que era a que levava ao morro do Corcovado, antes de ter o presidente do Brasil. Não tinha nem antes. Macaecanos.
Eron Falbo: [54:30] Macaecanos.
Paulo Roberto Barragat: [54:34] Não, mas a primeira no Brasil foi... O Porto de Baorra... Bom, é detalhe.
Eron Falbo: [54:44] Mas pra gente terminar, oi, Barraga. Primeiro eu quero te agradecer imensamente por ter feito essa experiência. Foi a primeira vez que a gente tá fazendo isso, então tá registrado aí pro mundo. E eu pretendo no futuro fazer minhas lives, minhas entrevistas e tudo mais. É sempre assim, só que de uma maneira mais profissional, né? Porque eu tô ainda... Mas até o fim do ano você...
Paulo Roberto Barragat: [55:11] Sabe que você tá se mudando agora, essa semana e tudo mais, né?
Eron Falbo: [55:16] Mas a conversa no fundo não diminui a qualidade por causa disso. Agora eu queria terminar esse broadcast, como a gente chama esse programa, né? Agradecendo primeiro o Barraga pela presença dele e falando da importância do evento, da intervenção do Brasil 2022, reenfatizando que quem quiser contribuir procure qualquer um de nós. O Instagram dele é Xebarraga.
Paulo Roberto Barragat: [55:48] Não, não, não. Ah, sim, sim, sim.
Eron Falbo: [55:51] Sim, sim, sim. É, pode procurar o...
Paulo Roberto Barragat: [56:06] Muita gente não sabe que Xebarraga é casa do Barraga.
Eron Falbo: [56:09] É, e só que ele tinha um antiquário chamado Xebarraga.
Paulo Roberto Barragat: [56:14] Que era a minha casa. Mas, pensando bem, não se chamava Chez Barragat. E, na verdade, eu não tinha um antiquário, o antiquário era eu. Eu tinha uma loja, uma galeria, uma trilha, um antiquário era eu.
Eron Falbo: [56:30] É, e hoje ele se ofereceu de graça, porque eu não teria dinheiro no momento para pagar uma postura estatura dele. Ele se ofereceu de graça a decorar a minha casa. Foi uma oferta muito generosa, que me amou muito.
Paulo Roberto Barragat: [56:48] Eu trabalho com decoração erudita.
Eron Falbo: [57:09] Eu sempre falo isso.
Paulo Roberto Barragat: [57:12] Um gosto bom, e muda. Cada lugar muda, muda o gosto. Imagina uma reunião diária com aqueles sofás ao longo de todas as paredes da sala, todos sentados lá.
Eron Falbo: [57:27] Mas lá...
Paulo Roberto Barragat: [57:29] Mas lá é assim, mano. É assim que funciona.
Eron Falbo: [57:33] A gente tem que fazer uma aula só sobre isso, né?
Paulo Roberto Barragat: [57:35] Sobre o sketch, o desenho. Continua aqui a noite sendo um drone mais alto e as pessoas todas abaixo. E aqui, a panha?
Eron Falbo: [57:45] Bom, obrigado. Grande prazer te ter aqui. Eu vou mostrar agora, pra terminar, só pra concluir a live com a mensagem que a gente começou. Porque isso aqui é uma pedra que eu achei... Estou segurando uma pedra aqui para quem estiver escutando depois do podcast. Estou segurando uma pedra que eu encontrei no Mar da Galileia. E além de Jesus...
Paulo Roberto Barragat: [58:11] O Mar da Galileia é o lar de diversos... Vamos dizer que todo mundo sabia. O Mar da Galileia é o lar de Tiberias e de Nazaré.
Eron Falbo: [58:17] Lá onde é a pedra de Nazaré, de Tiberias, da Síria, de vários lugares do mundo inteiro, existia um encontro de filósofos gregos, filósofos cínicos, filósofos históricos, filósofos de todas as escolas antigas gregas. Então é um lugar de extrema, extrema mana, que a gente falou antes, que emana a política. Então eu fui lá visitar o Mar da Galileia e me perguntei: quem será que é dono dessa terra? Aí eu falei: pô, o estado do centro-americano não era o estado de Israel, o estado era gente novo, ele não tava lá nessa época. Eu falei: será que alguém vai se incomodar se ele pegar esse tipo?
Paulo Roberto Barragat: [59:06] A galera tem 5 mil anos. Tem mais de mil anos.
Eron Falbo: [59:09] A nação, velho, como o estado atual, o Israel, como foi o estado... Mas também ela tá lá inteira. Mas aí eu me perguntei: será que alguém vai se incomodar se eu pegar essa pedra aqui e levar pra casa? Porque vai encher minha casa de mana, entendeu? Vai encher minha casa de boletim.
Paulo Roberto Barragat: [59:25] Ninguém sabe se Jesus tocou essa pedra.
Eron Falbo: [59:28] Ninguém sabe se tocou isso aqui, porque era usado pelos batizados de João Batista, que é um personagem histórico. João Batista e Orhaná usava o Mário Guerreiro pra fazer esses baixeiros. É uma coisa histórica. Eu queria que você...
Paulo Roberto Barragat: [59:53] Me falaram sobre isso, né?
Eron Falbo: [59:54] Bom, mas a gente acabou por hoje. Você sabe que você vai ser convidado várias vezes, né?
Paulo Roberto Barragat: [59:59] Vai! Tem muito, tanto pra falar!
Eron Falbo: [1:00:01] Então, vamos falar tchau pra todo mundo. Obrigado a todos que assistiram. Boa noite.
Paulo Roberto Barragat: [1:00:06] Foi um prazer enorme estar com você.
Eron Falbo: [1:00:08] Ouço no Spotify, depois o podcast, e o Spalling. Um beijo e tchau!
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