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Eron Falbo: [0:00] Alô, alô, boa noite, sejam bem-vindos à entrevista com Tomás Eckschmidt. E a gente está aqui hoje com Tomás Eckschmidt, ativista pelo capitalismo consciente, escritor, engenheiro, palestrante, autor do livro Jornada do Capitalismo Consciente, do propósito ao lucro através da implementação dos fundamentos do capitalismo consciente. E, como ele está já explicando aí, ele é ativista, então ele participa de organizações que estão espalhadas pelo mundo, estão sempre dando palestras, sempre fazendo o que pode para espalhar a mensagem do capitalismo consciente, que a gente vai conhecer um pouco melhor hoje. E é isso, seja bem-vindo aqui para o programa. E queria dizer que fico muito feliz que tem gente como você aí, um brasileiro tão engajado, tão bem preparado para esse tema. E eu realmente, pessoalmente, acredito que esse é o caminho para o futuro mesmo, que, como eu estava falando nos stories antes, até hoje a gente teve várias tentativas de substituição do capitalismo, e não só nenhuma bem-sucedida, como nenhuma que não foi sangrenta, que não foi gravemente mal sucedida. Então, acredito que uma reforma do capitalismo ou uma humanização do capitalismo é uma ideia muito interessante mesmo.
Thomas Eckschmidt: [1:31] Cara, você falou bem, é a humanização, botar o ser humano, o indivíduo, de novo no centro. A gente desviou muito, escapou. A essência do capitalismo, do empreendedorismo, é isso, é você criar alguma coisa melhor. E, com o tempo, começou a dar muita pressão financeira, e aí você começa a desviar, a pressão do ego. O ego é o grande... o que faz você desviar, a grande força do desvio.
Eron Falbo: [1:58] Um assunto que acho que é muito interessante é a parte psicológica do CNPJ, sabe? Porque acho que isso é muito ignorado. A gente sempre fala que os capitalistas são muito egocêntricos. Mas eu, que trabalhei muitos anos e ainda continuo trabalhando como consultor financeiro, trabalhei com gestão de patrimônios, eu vi assim: quando você fala diretamente com os capitalistas, com os donos das grandes empresas, com o topo, eles são tão humanistas, tão conscientes quanto qualquer pessoa, sabe? Quanto qualquer músico universitário de esquerda que vai fazer passeata contra o capitalismo e coisas do tipo. O que acontece é que existe, como o Richard Dawkins coloca, existe a questão do meme, a questão do organismo ideológico, como uma ideia vira um organismo. Então, toda empresa participa desse conceito, que a empresa, como qualquer organismo, para sobreviver precisa ser sem escrúpulos, até porque ela está inserida numa selva com várias outras empresas que também estão sendo sem escrúpulos. Então, para ela conseguir sobreviver, ela tem que lutar contra as outras e assim por diante. Então eu vejo, pelo menos na minha opinião, tendo acesso a esses donos de empresas e o que seria chamado de donos capitalistas em si, os seres humanos capitalistas, eu vejo que é muito mais a empresa que é egocêntrica, egoísta, etc., do que os participantes, os diretores das empresas.
Thomas Eckschmidt: [3:33] A gente percebe que... Eu sempre gosto de falar da coisa do empreendedor, né? Todo mundo que começa um negócio, ele começa o negócio com uma ideia de melhorar alguma coisa. Nunca vi alguém falar: vou fazer uma coisa pior, vou piorar alguma coisa aí, porque você não consegue nem se estabelecer. Então, o cara, quando começa com aquela intenção de vou empreender, vou fazer, vou melhorar minha vida, a família... Então sempre tem essa dimensão do jogo infinito, né? De fazer melhor, melhor, um dia melhor que o outro, você consegue evoluir constantemente. Maior é fácil, você tem um número aqui, você passou, já tá maior, né? Então é um jogo quase que finito. E isso, quando você perde, quando você deixa, sai desse jogo infinito do melhor e cai no jogo finito, eu quero ser o maior que o outro, eu quero ser o primeiro, aí ferrou. É o que você põe, o número desses é bem difícil, você perde a humanização, você transforma num foco numérico, num número, você quer chegar no número.
Eron Falbo: [4:36] O jogo de soma zero, uma questão que sempre tem perdedores, sempre tem ganhadores, e ou você é um ou você é outro, então você tem que escolher o lado certo da cerca.
Thomas Eckschmidt: [4:49] Exatamente. E o que mais... Quando a gente fala de capitalismo consciente, na verdade, a gente fala de como é que a gente muda a percepção, como é que a gente volta para aquela essência do negócio. Quando o cara empreende e fala... O que é aquela motivação? Como é que você traduz aquela motivação numa expressão para o outro entender? Porque eu não entendo a sua emoção se você não botar ela em palavra... Coisa de melhorar alguma coisa. Não é uma coisa fácil, não é exercício fácil. Quando eu estava te falando no início, quando eu fui para Israel, você vê, é um país com um mercado muito pequeno. Então quem empreende lá, empreende para mudar o mundo. Não empreende para mudar a vizinhança. O cara empreende para mudar o mundo. Você pode ver, tudo que sai de lá, cara, é impacto global, não tem.
Eron Falbo: [5:43] Impacto... Até tem uma coisa que muita gente não sabe, é que literalmente não tem impacto local. Lá é um país extremamente atrasado, a economia local, para quem mora lá mesmo. Porque tem um monte de startup, a nova Silicon Valley e tudo mais, só que todo mundo está pensando realmente em exportar para o mundo. Então, olhando para economias mundiais, o Brasil é bem mais avançado. Todo mundo pensa: vou para Israel, e você... a próxima Tóquio, em Tel Aviv, deve ser maravilhoso. Só que não tem nada a ver, tudo lá, bem, mais ou menos.
Thomas Eckschmidt: [6:17] Rústico.
Eron Falbo: [6:18] É, bem rústico. Até, tipo, pra resolver coisas do governo lá, eles pedem, só pode ser por fax. Aí, tipo, a gente aqui no Brasil tem a galera que tá nascendo, assim. Algumas pessoas que estão assistindo hoje não tem a mínima ideia do que é fax, nunca ouviu falar.
Thomas Eckschmidt: [6:34] Não faz parte do vocabulário, né? Mas é interessante porque eu só descobri isso quando comecei a empreender. Voltei para o Brasil, trabalhei fora, nos Estados Unidos, viajei a 20 países, fiz projetos em um monte de lugar. Quando voltei para o Brasil, comecei a empreender. E nessa coisa de empreender, você tenta fazer alguma coisa melhor, né? Porque, de novo, você não estabelece. Então você cria uma coisa nova. E a gente foi procurar um cliente nos Estados Unidos. A gente tinha um contrato de exclusividade no Brasil. Falaram: vamos operar nos Estados Unidos. E a gente procurou exatamente o Whole Foods. E a primeira coisa que eu descobri foi o artigo do John Mackey, que é o fundador, o CEO, falando de capitalismo consciente. Falei: cara, que negócio é esse? E aí fui lendo e falei: cara, a gente faz isso, a gente vive assim, a gente pratica isso. Só que não tinha nome, não era uma coisa que a gente sabia o que a gente estava fazendo. A gente estava fazendo de coração, cara. A gente não tinha um propósito, a gente tinha uma crença. A gente acreditava que o resultado dependia de passar por todo mundo, né? Porque a gente trabalhava com rastreamento de alimentos. Então, se você não conecta toda a cadeia produtiva, você acaba perdendo informação, perdendo valor, perdendo produto no meio do caminho. E foi muito bacana esse despertar, né? Você perceber e falar: cara, isso é uma filosofia, isso tem uma metodologia, isso não é uma coisa empírica, que depois você se perde. Quanto mais você entende dessa filosofia, mais fácil você ficar ali no caminho certo.
Eron Falbo: [8:08] Com certeza. Eu gosto muito de defender, porque acho que ninguém defende o lado do empreendedor, do dono da empresa, do empresário, etc. Porque é muito fácil você falar mal. O Carola tá lá... Ainda mais porque os que são visíveis são os caras que make it, os caras que... que conseguiram criar uma fórmula de sucesso, etc. Porque, senão, os caras que não conseguiram... não tá no jornal, né? Você não vai botar os milhares de fracassados no jornal, as pessoas que perderam as botas, né? Perderam a mãe e tudo pra conseguir fazer a empresa e não deu certo. Então, é muito fácil você olhar de fora, vamos dizer, da base da pirâmide, olhar para o topo da pirâmide e criticar. Só que o processo, para quem conhece esse caminho do empreendedorismo e do sucesso, etc., é muito longo e árduo. Então, a pessoa realmente arrisca muita coisa. Ela toma responsabilidade por muita coisa. Ela corre riscos que outras pessoas não estão correndo, né? Sobretudo no Brasil, que é uma economia, vamos dizer, centralista, semi-totalitária em termos de tributação e coisas do tipo. Então, o empresário, o empreendedor, tem que pular por cima de muitos obstáculos que talvez o empregado, que é muitas vezes beneficiado por esse regime, não enxerga e não tem a mínima ideia, sabe? Então ele só olha pro carro melhor dele, etc., e julga, e esse processo é muito mais fácil de fazer do que entender a jornada completa. Então, a pessoa pra subir numa posição de ter 3 mil funcionários, ela tem que ter feito muitos sacrifícios. Ela tem que ter entrado no dia a dia de muita gente. Ela tem que ter aguentado, tolerado diversos tipos de pessoa. E tem cada parte, assim, que vai lapidando o caráter, né? Que, quando você chega lá, você sabe. Tanto que o problema maior, na verdade, é a sucessão. E as pessoas que caminharam, que fizeram essa jornada do começo ao fim, normalmente são pessoas que entendem, né? Eu costumo até dizer: a pessoa que escalou a montanha sempre olha para baixo com compaixão para aqueles que estão lá embaixo, mas a pessoa que nasceu no topo da montanha não necessariamente.
Thomas Eckschmidt: [10:39] Não tem a mesma percepção. E aí você falou uma coisa importante, né? Sucessão. Meu pai sempre falava, né: pai rico, filho nobre, neto pobre. Se você não fez a força para subir, você não dá o valor para a subida.
Eron Falbo: [10:56] É, por isso que... Pra mim, um dos maiores, que a gente pode até entrar nesse assunto um pouco, que acho que você deve ter muito a contribuir sobre isso, pra mim é o assunto da nossa geração, que é a sucessão. Como você... Por que que Marco Aurélio, que é uma das melhores pessoas do mundo, imperador de Roma, por que que o filho dele foi Cômodo, uma das piores pessoas do mundo? Por que que ele não se preocupou com isso? E se ele se preocupou, por que ele não foi bem-sucedido em passar isso pra frente, entendeu? Porque o capitalismo consciente, acho que inclui muito isso, porque tem um problema: no momento que uma Apple da vida vira a Apple e o Steve Jobs não consegue fazer uma sucessão consciente, humanista, a tendência clara do capitalismo é a coisa virar um meme, ou seja, a empresa, a Apple, o centro de lucro, a máquina de lucro, domina totalmente e despede qualquer CEO que não está fazendo lucro geral. Então, a questão da sucessão, para mim, acho que é pertinente nessa fórmula, nesse sistema.
Thomas Eckschmidt: [12:08] É muito legal isso que você colocou, porque eu trabalhei numa empresa que não existe mais. Então, dentro da minha história corporativa, antes de viajar para os Estados Unidos, eu trabalhei na Kodak. Tem gente que não sabe nem o que significa isso, né? Mas o mundo inteiro era mapeado com o Kodak Moment. Tinha um espaço aqui, ó, Kodak Moment era o melhor lugar pra tirar foto. Você podia ir pra direita, pra esquerda, pra frente, pra trás, mas é ali. Então os caras tinham isso no... E os caras se perderam exatamente por isso. Eles criaram uma tecnologia muito boa, que era câmera digital, mas eles esconderam, falando: não, não vamos fazer isso, vamos continuar aqui tirando leite, o nosso leite é o cash cow, que eles falam, é o que dá dinheiro, esconde isso porque isso vai destruir o que dá dinheiro para a gente. E a diferença, a Amazon falou: cara, vou vender livro, vou vender livro do concorrente, do sebo, vou vender livro digital. E ele... ou você destrói o seu negócio para reconstruir, para transformar, ou alguém vai fazer isso para você. Então, essa coisa da sucessão, não só da sucessão da liderança, mas da sucessão do próprio negócio, como é que você se reinventa constantemente? Porque está mudando. A pandemia foi uma reinvenção. Quem não se reinventou ficou para trás.
Eron Falbo: [13:27] As duas coisas, na verdade, são ligadas, porque a sucessão é um problema universal, independente se seja empresa, seja governo, seja até de ideais familiares, qualquer coisa que você pode imaginar. Se você não tiver um sistema de treinamento daquela próxima geração, aquelas coisas que você lutou para construir vão simplesmente se diluir com o tempo. O que você falou da Kodak é um ótimo exemplo. O Kodak era do pai da Linda McCartney, era esse que era?
Thomas Eckschmidt: [14:03] Não, não. A Kodak foi fundada por George Eastman, que é o... Ah, não.
Eron Falbo: [14:08] O pai da Linda. Então, o pai da Linda McCartney, da esposa do Paul McCartney. Então, isso é porque, depois que o George Eastman morreu, aí a coisa virou controlado por board, né? E aí degringolou, como sempre, né? Como sempre acontece. Então, isso que eu falo, assim, para meus clientes que têm empresas e tudo mais, é claro, porque muita gente ganha com isso. Então, se você vai perguntar para advogados, qualquer coisa assim, eles vão te aconselhar a se profissionalizar o máximo possível. Porque, em termos de naturalidade, é verdade que uma empresa mais profissional gera mais recursos para a empresa, etc. Só que isso, no momento que chega a uma profissionalização X, ou seja, que tira o humanismo, tira a barriga do balcão totalmente, vamos dizer, do dono, aí vira um robô, aí vira uma questão do Matrix, robôs versus humanos, entendeu? Tipo, a empresa vira uma coisa automática que não tem humanismo nenhum e não consegue absorver, não consegue digerir ideias novas, não consegue digerir coisas que não foram pré-programadas naquela concepção da empresa, né? Então, acontece com... como aconteceu na Kodak, que não entraram no novo mundo. Acontece como aconteceu com as gravadoras de música, né? Com qualquer empresa que... bom, isso, na verdade, vale pra qualquer empresa, ainda mais na era da informação, que a tecnologia tá sempre vindo. Então, quais são as empresas que estão crescendo de verdade? Uma é a Amazon, que o Bezos ainda tá lá, relativamente careca, mas jovem. O Whole Foods é outro que tá fazendo muito bem. Então tá lá pra se reinventar, sempre botando o humanismo dele lá, injetando dentro do board, certificando que o board não tá virando robótico.
Thomas Eckschmidt: [16:07] É interessante isso que você falou, porque o Steve Jobs saiu, morreu, mas ele criou uma sucessão que tá conseguindo segurar a Apple. O Bezos continua lá. Os dois da Google, que são as três empresas que valem mais de um trilhão de dólares, eles são humildes o suficiente e falam: cara, a gente não é líder de empresa, vamos botar um outro cara aqui, vamos ficar de olho, né? Então, eles criaram uma empresa paralela, botaram, falou: ó, você lidera aqui, você cuida daqui, foi CEO nas coisas. Por quê? É o que você falou, é o olho do dono que engorda o boi. É a barriga no balcão que faz a diferença, quando o cara não tá lá, quando a turma que vem não tem essa mentalidade aí, você estraga o negócio, aí o negócio atingiu picos, dali para frente só cair. Agora, uma outra coisa que é fantástica nessas três, as três organizações, é que elas não são um produto ou serviço, elas são um ecossistema. Então, quando você olha o que é a Amazon, o que é a Apple, o que é o Google, é um ecossistema de ideias, de soluções, de propostas, de ofertas, de parceiros, de associados. Isso é muito legal. Na verdade, isso é um penalizado: se você não olhar o seu negócio como ecossistema, você depende do seu fornecedor, do seu cliente, do seu funcionário, uma hora vai quebrar o seu negócio. Não tenho a menor dúvida, desde o menor. Tem um restaurante aqui perto de casa que o cara quase quebrou, só que a gente está num bairro residencial, ele está lá, sei lá, é uma licença de 50 anos, então, antes de mudar a legislação de ocupação do solo, eles já estavam lá, então eles têm um direito adquirido. Quando diminuiu, não podia mais abrir o restaurante, eu estava lá conversando com ele e ele falou: não, vou mandar uma carta para todo mundo aqui do bairro, um menu de 30% de desconto, se cada um comprar uma vez por mês, eu mantenho o restaurante funcionando, e quando abrir a gente convida todo mundo que comprou para comer uma refeição de graça para celebrar. O cara tá firme e forte, cara, porque ele sabe: se você se junta com o seu ecossistema, você tem força; se você vai lutar sozinho, o que...
Eron Falbo: [18:31] Eu penso é que a tendência de um indivíduo saudável, empreendedor, que traçou esse caminho, é de pensar assim, essa tendência. A tendência de uma empresa que se profissionalizou demais e não tem mais esses donos, esses seres humanos que traçaram esse caminho, a tendência é o contrário, não está nem aí.
Thomas Eckschmidt: [18:51] Por quê?
Eron Falbo: [18:51] Porque tem o problema do accountability. Que a gente, quando fala de capitalismo consciente, tem que falar de accountability, porque o grande problema que as pessoas, os ambientalistas, os socialistas, etc., chamam a atenção do capitalismo é do accountability pelas próximas gerações, por exemplo, accountability pelo bem-estar de pessoas que não estão diretamente associadas à empresa, que talvez estão sendo prejudicadas, afetadas. Então, eu acho que... By the way, um parênteses, eu sou meio ativista também pela monarquia, a monarquia constitucional parlamentarista. Eu sou bastante a favor desse sistema, justo porque você tem uma barriga no balcão, você tem uma família real que serve como a única pessoa que tem a accountability pelo Estado de verdade, enquanto, igual uma empresa que tem um board, se não está indo bem, você pode simplesmente mandar embora o CEO, depois tem outros. Os próprios stakeholders, os shareholders da empresa, mudam de tempos em tempos. Então, porque é uma empresa pública, ou seja, quanto mais profissional, mais pública e mais fácil de trocar as ações de mão. Então, o que acontece é que você tem a situação da Kodak. Por exemplo, a Johnson & Johnson, como a família Johnson se mantém ainda bastante presente, mesmo que não na liderança da empresa, eles são extremamente... como é que se diz? Profissionais. Mas a empresa é totalmente profissional, então eles não têm... só que eles se mantêm mais ou menos como... primeiro é o nome da empresa, Johnson & Johnson, então a família Johnson está lá. Isso mantém um pouquinho de accountability, então eles mantêm um certo poder de veto por causa disso. E isso gera uma empresa maior, de mais longo prazo. E você vê, que eu adoro estudar isso, empresas centenárias, por que elas se mantiveram. E quase todas é a mesma situação: ou tem uma galera com o nome na empresa, tem uma constituição familiar que protege a sucessão de X, Y, Z maneira. Mas tem a questão da accountability, que é o que acontece num governo, monarquia constitucional parlamentarista, que você tem uma família, tipo, você tem a dona Elizabeth II ali no... Ela está assistindo aqui.
Thomas Eckschmidt: [21:32] Deve estar ali. O que é legal disso que você está falando é o compromisso de longo prazo. Quando você rompe esse compromisso de longo prazo, que é governo... Governo tem um compromisso de quatro anos. Se não der certo, se der certo, ele tem mais quatro; se não der certo, o cara vai embora. Então, cara, é muito curto prazo. E a vida não é quatro anos, a vida é 80 hoje, 90. Então, se a gente não começar a olhar esse longo prazo como parte da nossa decisão... E aí, uma coisa que força muito curto prazo é investidor. Dependendo do investidor que você busca, você vai ter uma resposta diferente, né? Tem investidor que compra a sua empresa pra ficar sempre sócio: eu não quero me desfazer, porque eu gosto do que você faz e eu quero fazer junto. Agora, tem gente que quer entrar e fala: agora trabalha pra burro, porque a gente vai multiplicar isso por 5, por 10, por 15, e eu quero sair. Aí você ferrou, né? Porque aí o que vale é o número, não é a barriga no balcão, é empurrar o balcão pra frente.
Eron Falbo: [22:38] E claro, existe um viés também gigantesco. Eu, que trabalho no mercado financeiro, sei que existe um viés gigantesco para fazer as pessoas apostarem cada vez mais no curto prazo. Por quê? Porque quanto mais curto prazo você aposta, mais risco você corre, entendeu? Então, o que acontece? Os grandes bancos, a XP, os grandes corretores, etc., ganham mais, porque estão tradeando mais volume e mais frequência. Então, o que acontece? As pessoas como o Warren Buffett, que já sabem fazer isso há muito tempo, deixam lá o dinheiro parado na Coca-Cola, coisas que nunca vão morrer, e ficam ganhando no mercado, as únicas que ganham no mercado. Enquanto isso, os hedge funds, 80% dos hedge funds dos Estados Unidos perdem no mercado, ou seja, perdem do S&P 500. Ou seja, deixar o seu dinheiro parado durante 30 anos seria melhor do que você montar na XP com o seu corretor, etc. Com todo o respeito, XP, espero que vocês não me mandem matar.
Thomas Eckschmidt: [23:41] Mas é interessante, porque mesmo o curto prazo... Se todo mundo só pensasse em longo prazo, você não tem liquidez, não tem valor. Então, o curto prazo dá liquidez para o mercado. A questão é o equilíbrio: quanto de longo prazo e quanto de curto prazo você tem que ter no jogo. Não adianta ter 90% de curto prazo e 10% de longo. Tanto que nos Estados Unidos tem uma discussão lá no Silicon Valley de fazer o Long Term Stock Exchange, uma bolsa de valores de longo prazo. Então as suas ações, que você compra, elas só valem a quantidade de votos depois de um certo período que você as detém. Então você diminui um monte o impacto do ativista, do cara que quer fazer takeover.
Eron Falbo: [24:28] E dá a accountability.
Thomas Eckschmidt: [24:30] Exatamente, porque você entra comprometido. O café da manhã é o porco, que entra comprometido, ou a galinha, que põe o ovo e fala: está aí a minha parte, eu estou fora.
Eron Falbo: [24:44] Que é a genialidade de um House of Lords, por exemplo. Enquanto você tem um sistema parlamentar que é totalmente democrático, que representa todas as camadas da pirâmide, você tem alguém que tem uma accountability a longo prazo, que tem algum poder de veto. Isso é importantíssimo. Tanto que, em 2014, por exemplo, quando o parlamento espanhol não conseguia tomar uma decisão, não lembro exatamente o que eles estavam decidindo, o rei dá uma canetada e dissolve o parlamento. Alguém que tá lá, a família dele tá lá. O accountability é baseado no fato de que é o nome dele, é a cabeça dele, ou seja, já que ele tem luxo, já que ele tá sendo sustentado pelo Estado, etc., a qualquer momento o povo pode enlouquecer e matar, como já fez com milhares de outros reis. Então o accountability dele não é que nem o do CEO, que vai ser mandado embora com um benefit package. Claro, exatamente. E o presidente também, porra. O que a gente paga hoje em dia para o presidente do Brasil continuar fazendo palestra, entendeu, depois de ter estragado o país? É uma loucura, entendeu? Só que rei não tem essa. Se for embora, vai embora nas piores condições, como aconteceu com Vítor Emanuel, na Itália, né, que apoiou Mussolini. Depois, pelo resto da eternidade, o nome dele tá sujo, entendeu? Os netos, os bisnetos. Desculpa adicionar o assunto da monarquia à nossa conversa.
Thomas Eckschmidt: [26:22] É interessante trazer isso. Eu sempre falo o seguinte: a gente é consciente do que sabe e atua de forma consciente. Quando a gente aprende, quando vem uma perspectiva nova, a gente consegue começar a construir novas abordagens, novas perspectivas. Então, quando você fala da monarquia, fala: cara, é verdade, a monarquia é o único sistema que tem compromisso de longo prazo. Então, se você equilibra o longo e o curto prazo ao mesmo tempo, você não pode ter só um ou só o outro.
Eron Falbo: [26:59] Por isso que eu falo que é a monarquia constitucional parlamentarista. Você tem as medidas de controle, você tem a medida de democracia e você tem o accountability a longo prazo. Agora, uma coisa que eu vou até te intimar, já que você é estudioso disso, é fazer uma comparação estatística dos capitalismos mais conscientes, porque eu gostaria de apostar com você. Eu não imagino que você teria coragem de apostar contra: os países com mais capitalismo consciente do mundo vão calhar de ser, misteriosamente, os países com monarquia constitucional parlamentarista. Austrália, Nova Zelândia, Dinamarca, Suécia, Grã-Bretanha, Japão.
Thomas Eckschmidt: [27:42] Olha, essa é uma boa... Na verdade, é uma boa pesquisa, porque se você olhar esses países, eles têm empresas de mais longo tempo também, empresas quase centenárias, em grande parte. Grande parte da economia é movida por empresas centenárias. Mas uma coisa que eu falo com certeza: quando você consegue equilibrar esse longo e curto prazo, ter um equilíbrio com esses princípios de um capitalismo mais consciente, o que acontece? O resultado financeiro das empresas que aplicam isso é até sete vezes maior que a média de mercado. Você fala, em um período de 20 anos, a Bolsa de Valores dos Estados Unidos, o S&P 500, gerou lá seus 400%, acho que 200 e poucos, 280%. As empresas que praticam isso foram até 2.000% nesse período. Então é uma diferença muito dramática. E o que é mais legal disso é que, depois da crise, essas empresas saem fortalecidas, porque, como você estava falando no começo, essas empresas cuidam do ecossistema. Então o funcionário, quando tem uma ideia, se dedica mais. O fornecedor, quando tem uma ideia, traz primeiro para você. O consumidor, quando pode, compra primeiro de você. E, infelizmente, nesse período de 20 anos a gente só teve uma crise, uma crise para dizer estatisticamente que isso funciona. Agora a gente tem a segunda crise no nosso estudo. E a gente já vê, a gente tem uma companhia aérea... Companhia aérea é um setor que se ferrou, né? Estão literalmente tomando uma lavada. Tem uma companhia aérea no mundo que faz parte desse grupo nosso de empresas conscientes: é a Southwest Airlines. Ela tem uma taxa de ocupação média de 40%. A média dos Estados Unidos tá em 15%. Então você fala, se eles tão com 40% e a média dos Estados Unidos é 15%, eles tão puxando a média para cima, tá certo? O resto das outras companhias deve estar em 12, 13, e eles estão em 40.
Eron Falbo: [29:47] Ou seja, tá muito pior. Então, o resto tá muito pior.
Thomas Eckschmidt: [29:52] Tá. Então eles não demitiram, eles não baixaram o salário, estão todos trabalhando junto pela mesma coisa. E o que o passageiro faz? Eu vou voar com quem cuida de mim. Por quê? Essa companhia aérea nunca pediu um centavo para mudar a passagem. Então você liga, transfere e manda a passagem.
Eron Falbo: [30:10] É mesmo? Eu não sabia dessa, não. Não, eu não sabia.
Thomas Eckschmidt: [30:14] Vão mudar a passagem. Pô, primeiro para falar comigo é 300 reais. Agora, para mudar, é diferença de tarifa. Cara, tarifa hoje é tarifa máxima, então você sempre vai pagar mais. Às vezes você compra uma na internet mais barata do que aquela que você abandonou. Não sei se você já viu, no Brasil você recebe a passagem por correio, por e-mail, e lá embaixo tá escrito a tarifa, tem a taxa de no-show. Se você não aparece no seu voo, eles te cobram. O cara tá no-show. É diferente de um hotel, onde você perdeu o faturamento. No avião, você perdeu a passagem e acabou. Você não pode cobrar mais, porque o cara não passou.
Eron Falbo: [30:53] Isso é dado por ser uma coisa que, na medida em que a tecnologia foi melhorando, foi ficando cada vez mais barato, e por isso se abriram muitas novas empresas. E muitas novas empresas alavancadas, ou seja, investindo muito com margem pequena, tendo que diminuir muito o custo das coisas e, por isso, cobrar... Aí virou o fenômeno Ryanair, que eu acho que é uma das coisas mais agressivas, e sei lá, isso realmente faz o capitalismo, sabe, as pessoas... Faz até o Marx ganhar uns pontinhos, esse tipo de coisa. Mas você...
Thomas Eckschmidt: [31:32] Vê, a Southwest Airlines começou com a intenção de fazer a disrupção no mercado de transporte de passageiro. Passou lá uns... Uma companhia aérea que em 30 anos de história nunca teve um ano de prejuízo. Aí é duro, hein? Uma companhia aérea que não entrou em recuperação judicial, não teve prejuízo, não teve... Olha só que interessante.
Eron Falbo: [31:57] Eu acabei de ver que o Herb Kelleher, o cara que criou a Southwest Airlines, morreu só no ano passado, além de ter nascido no mesmo dia que eu. A gente tem muitas coisas astrológicas aliadas. Ou seja, se ele morreu no ano passado, ele estava lá até o ano passado, e isso entra dentro da nossa teoria. Eu pedi para a produção verificar aqui quais eram essas datas, e fez sentido. É bom a gente estar certo.
Thomas Eckschmidt: [32:30] A presença dele ainda é muito recente, então você percebe que esses caras estão passando por essa crise de uma forma muito melhor que o resto. E aí a gente fala: a empresa consciente, a empresa que tem propósito, ela é relevante no seu ambiente de negócio. Tem um monte de empresa aí que mudou, a necessidade, o cara não sabe como atender a necessidade, ele se perdeu, fechou, acabou, não tem. E essa coisa que a gente tá falando é de empreender, né, de trabalho: o cara que empreende, o cara que trabalha, o cara que fica sentado esperando trabalho, cada vez tem menos. Trabalho tem de monte, e as pessoas têm que começar a perceber que, ou eu começo a criar um trabalho, oferecer serviço, oferecer alguma coisa, porque ele não tem emprego. A hora que a gente voltar, não vai ter emprego, vai ter trabalho de monte. Você vai ter que ser criativo, se juntar com alguém, associar, propor uma ideia, apresentar para uma empresa e começar a prestar serviço. E a gente...
Eron Falbo: [33:33] Viu isso acontecendo na pandemia. Foi um dos primeiros momentos, vamos dizer, da história que foram tão universais, tão onipresentes, que a gente conseguiu ver de primeira mão muitas coisas sendo criadas. Em todas as áreas, né? Então, tipo, gente vendendo máscara, políticas sendo criadas no iFood, mensagens em placas de trânsito, uso de máscara, né? Coisas sendo inovadas com muita rapidez, que antes demorava uma geração até mudar de mentalidade, a gente viu em poucos meses uma mentalidade inteira ser transformada, né? Então a gente vê que isso é possível e depende só da motivação, né? Quando você põe uma arma na cabeça das pessoas, elas fazem direitinho, né? Que é o caso do covid.
Thomas Eckschmidt: [34:25] Aquele medo de que o cara não fosse produzir se estivesse longe do chefe, se não estivesse ali embaixo do seu olho... De repente todo mundo começou a trabalhar de casa e todo mundo continuou produzindo. Daí você fala: o que aconteceu? Aí vem até outra pergunta: será que a gente precisa de chefes? Será que a gente não vai empregando adulto agora, que o cara sabe o que ele tem que fazer e vai fazer o que precisa?
Eron Falbo: [34:46] Eu já mandei embora vários chefes meus porque não me deixaram trabalhar de casa.
Thomas Eckschmidt: [34:51] Faz parte do jogo, a gente vai aprendendo. Eu mandei um monte de chefes embora também, porque eu trabalhei... Nos primeiros 10 anos, eu mudava de emprego quase todo ano. Falava: aqui não aprendo mais, vou embora, vamos para o próximo. Vamos fazer mais um, vamos aprender em outro lugar. E aí, quando eu fui para os Estados Unidos, eu mudava de projeto a cada três meses, seis meses. Então ficou a dinâmica que eu queria.
Eron Falbo: [35:19] E agora, como é que você está em termos de trabalho? Você está trabalhando para você mesmo? Como é que você está focado mais nessa coisa?
Thomas Eckschmidt: [35:26] Em 2014 eu vendi a minha empresa, aí comecei uma outra empresa de mediação, resolução de conflito online, mediação e arbitragem online.
Eron Falbo: [35:36] Ah, que legal.
Thomas Eckschmidt: [35:36] A gente criou uma spin-off de tratamento de processos judiciais para acelerar o acordo. E, em paralelo, eu estava dando cursos de capitalismo consciente, de fundamentos do capitalismo consciente. E, em 2018, eu fui para Israel, dei o curso lá, e uma pessoa falou: cara, isso aqui tem que ser um negócio. E aí a gente transformou essa prática, esses cursos, num negócio de consultoria. Hoje somos 650 consultores em 13 países trabalhando para ajudar uma empresa aplicar esses conceitos, né. E o curso, que era dois dias de intensivo, virou nove semanas, uma vez por semana, duas horas. Melhorou o aprendizado, melhorou os projetos, melhorou o relacionamento, melhorou tudo. Então, o que a gente descobriu? Em vez de fazer intensivo, a gente vai fazer extensivo. Vamos estender. E, uma vez por ano, a gente vai se encontrar em algum lugar para fazer um encontro de celebração das turmas que se formaram. Para fortalecer o network, começar a trabalhar junto. É aquela coisa.
Eron Falbo: [36:40] Trabalhar junto.
Thomas Eckschmidt: [36:41] Sozinho, né. Mas eu, se eu preciso de ajuda, criar uma comunidade, tem isso. Então a gente tá trabalhando muito nessa ideia de, cara, comunidade. A força tá na comunidade. Não adianta você criar uma empresa, a gente tem que começar a criar mais unidades independentes e juntar as partes de acordo com a necessidade do projeto, do trabalho. Essa é a grande diferença de como você tem que operar hoje, né.
Eron Falbo: [37:09] Eu queria entrar um pouco no seu livro, né? Pra gente poder... Que você foi coautor de um outro livro. Esse livro, Jornada ao Capitalismo Consciente, é só seu, é isso?
Thomas Eckschmidt: [37:19] Esse é só meu. Esse é o livro anterior, de Harvard, né? Foi publicado em Harvard, que é o Conscious Capitalist Field Guide. Só que esse livro, cara, tem 430 páginas. É pesado. É uma bíblia.
Eron Falbo: [37:32] Você usou de ajuda. É.
Thomas Eckschmidt: [37:34] Exatamente. E aí ficou caro, ficou complicado, fizemos o lançamento no Brasil, mas aí falei, sabe o quê? Precisa de uma coisa mais prática, mais acessível. E aí foi a hora que eu falei, vou dar uma atualizada no primeiro livro, e a gente fez esse, Jornada ao Capitalismo Consciente. Então, por enquanto esse livro só está online, para quê? Para realmente acessar todo mundo, o máximo de gente possível. A gente lançou ele há um mês atrás, a gente deu 880 downloads em dois dias.
Eron Falbo: [38:09] Graças a Deus, coisa boa.
Thomas Eckschmidt: [38:10] Isso deu um salto, foi lá para o topo da lista da Amazon. E aí, desde os últimos 30 dias, a gente tem ficado em primeiro lugar. Por quê? Finalmente, a gente produziu alguma coisa. Você fala em capitalismo consciente, ele tem que ser inclusivo. Então, como é que você faz ser inclusivo com um preço de R$ 80, R$ 90? Você tem que baixar para R$ 4,99. Você não ganha dinheiro no livro, mas você ganha o quê? Você ganha espaço, você ganha share of mind, você ganha as pessoas começarem a pensar, a trabalhar com essa ideia. Chega mais longe.
Eron Falbo: [38:47] E ligado ao livro tem esse grupo de ativismo... não lembro o nome exatamente agora. Qual é o nome mesmo que vocês têm no mundo inteiro? E qual é a ligação do livro com isso?
Thomas Eckschmidt: [39:02] Então, no mundo inteiro, esse grupo chama Conscious Business Journey, porque a intenção, quando você fala, não tem linha de chegada. Como eu estava falando, você aprende um pouco mais, você fala: pô, posso fazer isso também. Então, cada vez que você aprende... não é um destino ser uma empresa consciente, é um processo de transformação contínua, porque cada vez mais você percebe mais coisas que você talvez não esteja fazendo bem e que você pode fazer melhor. Entendi. A conexão com o ecossistema é que a gente treina as pessoas, certifica as pessoas para implementar essas práticas nas empresas. A gente treina consultor interno de empresa e treina consultor independente.
Eron Falbo: [39:44] Eu tenho muitos amigos e pessoas aqui que participam do meu Instagram, que, por causa da natureza do meu trabalho, ou são empreendedores amigos meus, ou são empresários, clientes, ou amigos, ou pessoas que conhecem essas pessoas, mas para esse tipo de pessoa, o que você recomenda para começar a se conscientizar mais, a entrar em contato com você, entrar em contato com esse grupo? O que você daria de conselho?
Thomas Eckschmidt: [40:13] Para mim, o meu primeiro conselho, a sugestão é sempre assim, do mais barato para frente. O mais barato é um TED Talk. Tem um TED Talk de capitalismo consciente para escutar alguma coisa. E o TED Talk entra de sola. Eu sou capitalista e acredito no lucro. Uma empresa que não gera lucro é irresponsável social, porque se você, cara, não gerar lucro, você não paga imposto, você põe em risco o salário, você põe em risco a filantropia, você põe em risco o investimento. Então você destrói o que você criou. Então você tem que gerar lucro. Como você gera o lucro e o que você faz com o lucro é o próximo passo, né? Então, até um TED Talk lá, 15 minutos, rapidinho, você entende o que é. Gostou? Tem um outro livro que chama Ativador de Negócio Consciente. Isso aqui é de graça. Então, digital lá, dá para entrar no site, cbactivator.cc, e baixa lá e você começa a ter umas ideias. Ali ele pergunta, faz algumas perguntas e dá alguma sugestão de ação. Fala, você quer aprofundar mais? R$ 4,99. Tem mais um livro aqui. Então, você vai evoluindo na questão de quanto você quer investir para quanto você quer aprender. Fala, me interessa? Continua investindo. Não interessa? Já parou, não precisa gastar dinheiro.
Eron Falbo: [41:27] Entendi. Inclusive o link, só para avisar, o link tá nos meus stories agora, mas para quem estiver ouvindo isso no podcast depois... inclusive é um bom momento para falar: para quem estiver assistindo e quiser falar para os amigos, por favor, ajudem o programa. Eu tô sempre fazendo o melhor que eu posso, eu não ganho nada com isso, é totalmente gratuito, como dizem algumas pessoas. Está no Spotify, tem em qualquer lugar que você puder achar. Mas o nome do livro é Jornada ao Capitalismo Consciente. Você consegue achar na Amazon.com.br e provavelmente em outras livrarias.
Thomas Eckschmidt: [42:03] Na Amazon é o seguinte, eu tenho só três livros. A gente fez três mock-ups do livro. Todo mundo que botar um depoimento, um testemunho lá na Amazon, na página do livro, vai concorrer a uma cópia impressa autografada. Só para deixar a provocação aí para o pessoal, até o final de novembro. Postou lá, a gente vai pegar os nomes, fazer um sorteio e premiar alguém, né? Alguém vai... Por quê?
Eron Falbo: [42:31] Eu vou botar lá. Eu vou sair daqui e botar lá. Legal.
Thomas Eckschmidt: [42:35] O que a gente quer é que as pessoas comecem a ler. O primeiro passo, cara: se você não lê, se você não aprende, você não vai entender o potencial disso. Você ganhar até sete vezes mais que a média do mercado sem ter que vender a alma para o diabo? Cara, que fórmula mágica é essa? É trabalhar de forma humanizada, ter um propósito claro, trabalhar com seu ecossistema, criar uma cultura forte, ser um líder que serve. Essa que é uma coisa... A gente sempre pergunta, né? A sua liderança serve o quê? Serve o seu bônus? Serve a sua conta corrente? Ou serve a sua equipe? Porque o chefe, o cara não faz nada, o cara tem que facilitar aquele trabalho. Se você não entender isso, os caras não vão trabalhar para você, eles vão ficar esperando você dar ordem. Então, essa é uma grande mudança... ou mudança não, é o retorno à essência do que é o empreendimento, que é o empreendedorismo, porque ninguém começa fazendo mal, né?
Eron Falbo: [43:39] E uma conscientização, porque sempre foi assim na história: os mais bem-sucedidos sempre souberam disso. Então, não é uma grande novidade, é uma conscientização de uma coisa que é quase uma sabedoria milenar, entendeu? Se você for ver... até tem aquele livro, ah, não, qual é? O Homem Mais Rico da Babilônia. Você lembra desse livro? Esse livro é fantástico, é um livro que já tá aí há quase 100 anos, como um dos maiores best-sellers do mundo. E justamente a mensagem do livro é como se tornar um melhor vendedor: é você se unir a todo o cosmos e você ter uma conscientização de que tudo está interligado, etc. Então é isso, não é novidade, realmente é um ativismo que eu até convido todo mundo a se juntar, assim como eu vou me juntar a você, para realmente conscientizar as pessoas dessa sabedoria. Sabedoria de que liderança verdadeira é você entender que você não é só você, você é uma coisa maior. Até o Talmud traz isso, o livro de leis judaicas diz que a melhor pessoa é egoísta, só que o ego dela é muito maior do que ela própria. Inclui a família dela, a comunidade dela, a nação dela, o continente, o país, o planeta, entendeu? Então você tem que ser egoísta.
Thomas Eckschmidt: [45:02] Isso é tão legal, né? Porque esse é o ego, né? O ego fala: cara, esse é nosso planeta, é o único que a gente tem. Até onde vai o seu ego? O ego tem que alcançar tudo isso, porque é isso que você tem que tomar cuidado.
Eron Falbo: [45:15] É uma das razões que eu nunca entrei na onda do comunismo, porque o comunismo tenta ir contra o ego. Então tenta dizer assim: já que a gente descobriu essa coisa de ego, vamos neutralizar isso. Mas aí o que acontece? Tira o accountability de todo mundo. Aí nada acontece, nada vai para frente. Quem fala... Exatamente, que é o Brasil. O Brasil foi assim: Vargas iniciou um conceito para tentar fingir que não era comunista, mas implementando certas regras totalitárias, etc. Transformou o povo brasileiro em totalmente dependente, a sociedade brasileira dependente do governo. Então, os famosos mamar na teta do governo. E o que causa isso? Não é comigo. Aí os próprios políticos também falam que não é comigo. E todo mundo tá falando que não é comigo e apontando para o governo. E quem é esse governo? Não é ninguém, é uma coisa, um fantasma, de pessoas que entram e saem. Ou seja, é um espaço, na verdade, que você usufrui um pouquinho e vai embora. Aí depois é pago pro resto da vida como ex-presidente. Então, assim, a razão que eu nunca entrei nessa onda... quer dizer, já entrei, quando tinha 17 anos. Então, acho que é importante tudo.
Thomas Eckschmidt: [46:42] O que é bacana é isso, todo mundo um dia passa por isso, fala, não, tem gente que diz... A hora que você começa a botar o seu talento a favor de uma causa e trabalhar e fala, cara, por que eu vou dividir o esforço que eu tô pondo? Então, você começa a mudar, mas o que a gente precisa prestar atenção e o que o capitalismo consciente traz é uma ideia de que é importante produzir bem, mas é importante distribuir bem. E distribuir bem é como é que você cuida do seu ecossistema, o tamanho do seu ego, até onde ele vai, só do tamanho do seu bolso, tamanho de você? Ou inclui sua família, os seus colaboradores, ou sua cidade, a sua comunidade, o seu país? Essa é a coisa importante, né? Se você ter um ego limitado, aí começa a dar tudo errado, cara.
Eron Falbo: [47:23] Exatamente. Então, acho que, para terminar, que está acabando o nosso horário, só dizer um pouquinho mais do que tem no seu livro, o que se encontra lá de conteúdo que, infelizmente, eu não tive tempo de ler. Eu deveria ter te pedido uma cópia para poder ler.
Thomas Eckschmidt: [47:43] O que a gente trata no livro é um pouco da história do capitalismo. Tem mais ou menos 30 movimentos que repensam o capitalismo. Então, pode ser que você fale: 'Ah, capitalismo consciente não é pra mim', mas tem outros ali. Alguma coisa vai te servir pra ajudar você a transformar a sua organização em uma organização que realmente pensa de uma forma sistêmica. Aí a gente entra nesses princípios, né? Propósito: como é que você põe o propósito na organização? Como é que você desperta, recupera? Como é que você olha a interdependência? Como é que você olha o ecossistema como parte integrante do seu negócio? Aí, como é que se cria uma cultura, né? Pô, só tem uma marca que eu conheço que o cara se tatua com a marca: o cliente, o fornecedor, o funcionário. Até o prospect já tem uma tatuagem, só falta comprar o produto, né? Cara, como é que você consegue ser isso? Harley Davidson: a moto foi boa, foi ruim, cresceu, subiu, caiu, mas os caras são apaixonados. Como é que você consegue criar um negócio que as pessoas amam, né? Mas aí, como é que é a liderança? A liderança tem que servir. Os fundadores venderam a Harley, os caras derrubaram, o cara voltou lá e comprou a Harley de volta para recuperar. Então, isso é capitalismo consciente: como é que você transforma, traz esses elementos para dentro da sua organização, para não só criar lucro financeiro, mas criar lucro social, lucro emocional, lucro ambiental, lucro de tecnologia, lucro de excedente de riqueza em outras dimensões? Cara, aí não tem espaço, por isso que essas empresas têm resultado de sete, oito vezes maior do que a média de mercado, sem aquele sacrifício, sem vender a marca do diabo, fazendo o que você ama, apaixonado pelo que você...
Eron Falbo: [49:22] Entrega e dormindo em paz, é dormir.
Thomas Eckschmidt: [49:25] Não, vou dormir em paz não tem.
Eron Falbo: [49:29] Preço, cara, verdade. Então, a gente voltou para a mesma coisa aqui no final das contas: exemplo da Harley Davidson, da Kodak, que deu ruim, e de outras empresas similares, é que é accountability. No final, você precisa de um ser humano, porque o ser humano tem consciência. Uma empresa não tem consciência, um board não tem consciência. O board é feito de pessoas que talvez tenham consciência, mas quanto maior o board, quanto menos consciência vai ter, porque quem vai ganhar mais vai ser a ganância. Então, assim, não abandone suas empresas, né? Se mantenham lá com o poder de veto, porque você que criou, então você tem responsabilidade por ela, no final das contas. As pessoas pensam que só porque elas criaram uma empresa e ela cresceu e agora é multimilionária, significa que agora eles podem sair pra praia. Mas não, é tipo a mesma coisa que seu filho, né? Você criou seu filho, você vai dizer: 'Ah, o cara tem 18 anos e agora nunca mais vou falar com ele'? Se você visse seu filho com 30 anos fazendo besteira, jogando a vida no lixo, você não vai intervir?
Thomas Eckschmidt: [50:36] Exatamente, você chama atenção, você vai atrás, você cutuca.
Eron Falbo: [50:39] Você vai fazer o que você quiser. É isso mesmo. Então, como que com uma empresa a gente pensa diferente? A gente pode abandonar e deixar os abutres dominarem, fazerem o que quiserem. A gente tem essa responsabilidade, essa consciência, que é justo, que é o nome do seu movimento, né? Capitalismo Consciente. Então, como é que você adiciona consciência no capitalismo se você não tem ser humano por trás? Uma empresa não tem consciência, só ser humano tem consciência.
Thomas Eckschmidt: [51:10] A pessoa jurídica não tem, a pessoa física que traz a consciência.
Eron Falbo: [51:13] Aproveito para, de novo, fazer propaganda da monarquia, que isso é outra razão: estados sem seres humanos por trás, porque o estado, quando está totalmente profissionalizado, o cara fica quatro anos, seis anos, oito anos, e vai embora.
Thomas Eckschmidt: [51:30] Não sai mais.
Eron Falbo: [51:31] Então, pô... Não, eu tô dizendo, pô, por que muitos estados não funcionam? Porque tem um monte de gente entrando e saindo, mas não tem mais ser humano. Acabou o ser humano.
Thomas Eckschmidt: [51:42] Eu gosto de comparar com elevador de condomínio. O que é de todo mundo não tem dono, não é isso? O cara não tem ninguém olhando, dá uma raspadinha, então.
Eron Falbo: [51:52] Exatamente.
Thomas Eckschmidt: [51:52] A gente tem que tirar essa filosofia de elevador de condomínio, cara. Qual o tamanho do seu ego? Ah, do apartamento pra dentro. Não é isso?
Eron Falbo: [52:00] Não.
Thomas Eckschmidt: [52:00] O elevador faz parte, a garagem faz parte, a rua faz parte, o bairro faz parte.
Eron Falbo: [52:05] Tanto que se você olhar pra um condomínio que quase não tem proprietário de apartamento, é um lixo. Não importa, pode ser o melhor zelador, o melhor síndico do mundo, você não tem proprietário, meu amigo.
Thomas Eckschmidt: [52:18] Não.
Eron Falbo: [52:18] Não tem a Carta Bennett, porque tá todo mundo lá. É B&B, é boate. Pô, joga cigarro no elevador, entendeu?
Thomas Eckschmidt: [52:28] É duro. É isso mesmo. Prédio de condomínio de inquilino.
Eron Falbo: [52:35] Então é isso, Thomas. Muito obrigado por aceitar o convite. Foi uma conversa maravilhosa. Acho que a gente pode fazer isso de novo. Acho que tem mais pano pra manga aí. Acho que a gente pode entrar em outros assuntos. Seria muito legal.
Thomas Eckschmidt: [52:52] Com certeza. Acho que ter assunto não falta. Dá pra conversar bastante coisa, puxar. Cara, tem muito caso, história da tatuagem da Harley Davidson. Se sua empresa consegue ser uma tatuagem... cara, se não consegue, você tá num negócio muito fraco.
Eron Falbo: [53:12] Exatamente. Então vamos deixar essa mensagem. E obrigado a todos por assistir. Lembrando que tem no Spotify, daqui a pouco eu divulgo aí no Spotify o podcast. E comprem o livro Jornada do Capitalismo Consciente na amazon.com.br. Tudo de boa a todos. Boa noite. Obrigado, boa noite.
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