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Eron Falbo: [0:00] Alô, boa noite, pessoal, meninos e meninas, damas e cavaleiros. Estamos começando mais um Viva Total hoje com meu amigo Dan Marconi. Então, eu queria falar: esse nosso programa aqui, Viva Total, a gente entrevista pessoas extraordinárias como Dan Marconi, que é um grande amigo meu e antigo, e a gente faz perguntas embaraçosas, constrangedoras, para descobrir como é que ele chegou a ser essa pessoa maravilhosa que ele é.
Dan Marconi: [0:35] Tá exagerando, amigo.
Eron Falbo: [0:37] Eu vou começar dizendo que o Dan Marconi é um especialista financeiro, ele é palestrante na Universidade Católica de Milano. É isso?
Dan Marconi: [0:48] É isso, de Sacro Cuore.
Eron Falbo: [0:51] E a gente trabalhou juntos no mercado financeiro. Fala um pouco mais sobre você, fala um pouco do seu background.
Dan Marconi: [1:01] Depois do que você falou, eu não preciso falar mais nada. Você fez a apresentação, falou tudo.
Eron Falbo: [1:09] Fala de onde você veio, aonde você...
Dan Marconi: [1:11] Está agora, por que você está aí. Como o meu sotaque está falando, eu sou italiano, de Milão. Na verdade, eu morei em vários lugares do mundo. O primeiro lugar foi Londres, depois foi para a Suíça. Morei muito tempo no Brasil e agora estou em Israel, em Tel Aviv. Aqui é muito, muito bom. Então, eu sempre fui Wealth Manager, sempre fiz finanças e agora mudei muito a minha profissão, mas a gente pode falar depois. Antes de tudo, obrigado. Obrigado por me convidar aqui. Bom, estou muito feliz. Pra mim também. Estou com saudade de você aqui em Terra Viva, que a gente trabalhou juntos também, como você falou.
Eron Falbo: [2:03] A gente bebeu juntos.
Dan Marconi: [2:04] Também. Fumou charuto juntos.
Eron Falbo: [2:08] Aí alguém está falando aqui, Carcamano. Carcamano, safado.
Dan Marconi: [2:15] Minha amiga Danzinha também. Muito bem.
Eron Falbo: [2:20] Pessoal, a gente tá aqui tranquilo, fumando charuto. A gente vai ter uma conversa sobre coisas muito profundas, então se preparem. O Dan... Bom, a gente já teve que ver conversas muito intensas. A gente vai tentar simular aqui como se estivesse só nós dois, só que vocês estão participando também. Inclusive, eu quero dizer pra vocês fazerem perguntas aí no negocinho de perguntas. Já tem algumas perguntas aí feitas de antes, para quem seguiu instruções. Mas vocês podem fazer agora também. Vou começar aqui com uma pergunta.
Dan Marconi: [3:02] Eron, você lembra a primeira vez que a gente se encontrou, que você me falou? Você me falou um negócio muito esquisito e até hoje eu estou pensando ainda. Você falou o conceito de amizade. Lembra disso?
Eron Falbo: [3:17] Não lembro o que eu falei.
Dan Marconi: [3:18] Não lembra? Então, deixamos pro final aí.
Eron Falbo: [3:22] Deve ter mudado. Deve ter mudado.
Dan Marconi: [3:25] Mas foi muito interessante. Depois a gente volta aqui, tá bom?
Eron Falbo: [3:29] Beleza. Depois, ó, pessoal, lembrem ele aí, hein? Ô, Físsaro, seja bem-vindo aí de Maceió. Ó, o cara tá vindo lá de Maceió pra Israel.
Dan Marconi: [3:39] Opa.
Eron Falbo: [3:40] Tá longe. Então, eu vou começar com seus três livros favoritos e por que mudaram sua vida. Comece com o primeiro. Qual que é o primeiro que você lembra?
Dan Marconi: [3:54] Então, eu tenho muitos. Não tô falando que esses livros vão mudar a vida de outras pessoas, mas vou falar que pra mim foram muito importantes. O primeiro é de um italiano, se chama Tiziano Terzani. Ele era jornalista, morreu tipo 20 anos atrás. Ele fazia reportagem tipo na China, na Índia, longe, bem longe, quando ainda ninguém ia para lugares muito, muito longe. Só alguns jornalistas são muito, muito bons. Ele escreveu milhares de livros, mas o último foi aquele que gostei mais. Foi um livro. Era tipo um envelope que ele estava escrevendo para o filho dele. Nesse livro, ele falava o que Tiziano Terzani entendeu da vida. E foi muito interessante. Pegaram daí muitas coisas, porque era muito profundo.
Eron Falbo: [5:01] Eron Falbo: Muito interessante.
Dan Marconi: [5:02] Dan Marconi: É muito interessante. Desculpa, fala.
Eron Falbo: [5:05] Eron Falbo: Os provérbios do rei Salomão, supostamente, foram escritos para o filho dele também. Então é interessante essa coisa, né?
Dan Marconi: [5:17] Dan Marconi: Gostei muito desse negócio.
Eron Falbo: [5:20] É, eu gosto muito disso. Eu, inclusive, penso nisso toda hora, assim, tipo... O que eu escreveria pro meu filho, né?
Dan Marconi: [5:29] Você tem tempo, tem tempo. Eu sei que você escreveu uma música pra ele.
Eron Falbo: [5:37] Eron Falbo: É verdade. Só você escutou no mundo inteiro.
Dan Marconi: [5:42] Dan Marconi: Gostei também. Não, mas a coisa que a secretária me falou que eu mais gostei, no específico, foi que não importa o que você é, só faça o melhor que você pode. Isso pra mim é muito, muito importante, porque você pode estar na sua vida o que você quer, mas naquilo você tem que ser a melhor versão de você mesmo. Eu acho que isso me fez refletir muito sobre isso.
Eron Falbo: [6:14] Eron Falbo: As pessoas, no geral, se cobram muito e se comparam muito com outras pessoas.
Dan Marconi: [6:22] Dan Marconi: Exato.
Eron Falbo: [6:23] Eron Falbo: Tem uma frase que eu gosto, que é comparar o palco dos outros com os seus bastidores. A pessoa está aparecendo na TV, é jogadora de futebol, é celebridade, é qualquer coisa, e você está comparando isso que ela parece, que você só vê o palco dela, com o que você conhece de você mesmo, que é os seus problemas familiares, né? A sua desmotivação.
Dan Marconi: [6:49] Dan Marconi: A sua vida, os seus limites.
Eron Falbo: [6:52] Eron Falbo: É, exatamente. E isso causa que você se desmotiva muito, né? Se desmotiva de ser uma pessoa melhor.
Dan Marconi: [7:02] Mas, na verdade, a competição se tiver com você mesmo, porque não faz sentido competir com outra pessoa sobre outras coisas que muitas vezes nem o âmbito no que você quer competir. Você está obrigado pela sociedade e pelo trabalho a competir em áreas que você não está nem aí. Às vezes não. Isso é isso. Estou escutando, estou vendo as mensagens, então. Tá bom. Continua.
Eron Falbo: [7:37] Olha só, o que a gente conhece bem aqui. Eu acho que vamos falar depois dos outros livros, mas a ideia é isso que você falou mesmo. O que eu quero extrair, eu acho, de você e dos convidados aqui no nosso programa, é como que lições a gente aprendeu na vida, entendeu? Pra poder acordar, pra poder sair do normal, pra poder transcender um pouco, né? Então, isso que cê deu já é uma coisa muito grande, né? Essa coisa de você só se comparar com você mesmo.
Dan Marconi: [8:22] Pra mim foi. Também é uma lição judaica, isso. Tipo, você é a melhor versão de você mesmo, tá escrito várias vezes no Talmud. Sou judeu, dá pra ver?
Eron Falbo: [8:40] Essa questão eu acho que é crucial, né? Porque, cara, pra mim é uma questão psicológica, né? Porque boa parte da razão que as pessoas não evoluem, não saem do lugar, né? É porque elas estão sem motivação, então elas estão com baixa energia. Elas não acreditam em si próprias, né? E eu acho que boa parte da razão que elas não acreditam em si próprias, ainda mais nos nossos tempos, que a gente vive na era da mídia, a gente é exposto a muita vida de outra pessoa, né? Até no Facebook, no Instagram, a gente vê fotos dos amigos e não sei o quê, e a gente fica se comparando e achando que é muito difícil a gente manter a motivação, ainda mais vendo Instagirls, né? As mulheres, as coisas que elas postam, fazem em Photoshop, contratam um fotógrafo e tem 30 milhões de seguidores e não sabe nem falar uma sentença gramaticalmente correta. Então você acaba se desmotivando. Você fala: pô, eu lutei para estar onde eu estou e mal tenho 300 seguidores. Então você se desmotiva, isso é normal. Então, isso que você tá falando é um conselho, porra, que vale muito, né? Que é, tipo, não se compara com outra pessoa, se compara com você mesmo.
Dan Marconi: [10:12] Dan Marconi: Exatamente.
Eron Falbo: [10:13] Eron Falbo: E faça o melhor que você tem pra fazer.
Dan Marconi: [10:15] Exato, porque depois tem também o problema, como você falou, se você se comparar com as pessoas erradas, porque você pode ser muito bom em uma coisa e muito mal na outra. Se você se compara na coisa que você consegue, não consegue, chega a pensar que você é ruim. Então, a sua autoestima vai no baixo. Então, mas queria dizer sobre isso, o segundo livro acho muito interessante, a gente tá alinhado, porque o segundo livro é de Ari Kaplan, Kabbalista, que se chama Meditações. Gostei muito porque acho que para trabalhar em você mesmo, você precisa pensar, porque senão você não tem desenvolvimento na sua escada pessoal. A meditação, então, é crucial. E pela primeira vez, eu li um livro que te explica, de mão dada, do começo até o final. Porque geralmente, eu tava pensando: o que é a meditação? Meditação é quando você fala... Tipo, eu não sabia nem o que era, de verdade. Esse livro explica vários tipos de meditações, porque tem, tipo, aquela que você não fala nada, aquela que você tá sozinho, aquela que você fala uma coisa só mil vezes. Tem vários tipos, e isso me ajuda muito na minha escada pessoal.
Eron Falbo: [11:59] É uma coisa que tá sendo uma coisa cada vez mais popular no mundo, né? Graças a Deus, é uma das poucas coisas que estão popularizando no mundo que são boas, né? Hoje em dia é isso, e politicamente correto, e essas outras coisas que não são tão agradáveis assim, mas que no início parece que é meio balela, né? Que é meio que, tipo, né? Uma dessas coisas... Tipo, comer verdura.
Dan Marconi: [12:39] Dan Marconi: Eu tava me esforçando, né?
Eron Falbo: [12:41] E depois a gente descobre que, na verdade, é uma coisa verdadeira, né? Uma coisa que realmente muda a sua vida, né? Muda a sua perspectiva sobre as coisas. Hoje, mesmo mais cedo, antes da live, eu medito sempre, antes da live, cinco minutos pra voltar ao centro, pra entender por que eu tô fazendo isso, pra que eu tô fazendo isso.
Dan Marconi: [13:10] É, isso é muito importante. Você medita todos os dias?
Eron Falbo: [13:16] É, cara, na verdade, todos os dias normalmente. Nas últimas duas semanas eu tô passando por alguns problemas pessoais. É um pouco intenso, que tô meio que fora da rotina, mas normalmente sim, todo dia, pelo menos duas vezes, se não três.
Dan Marconi: [13:37] Parabéns. Às vezes eu fico pensando, tipo, quando eu tiver tempo, as condições de mais, eu fico pensando também, meia hora. Mas eu gosto da meditação que você fala, tá? Você fala que é uma coisa que me ajuda muito, quando...
Eron Falbo: [13:56] Mas isso é uma meditação, cara. Isso aí é...
Dan Marconi: [13:59] Não sei, é um tipo de meditação, tá vendo? Isso aí também, às vezes ajuda também. Eu não falo com outra pessoa, eu que falo. Você quer dizer o quê?
Eron Falbo: [14:18] Mantra? Quer dizer, tipo, repetir mantra?
Dan Marconi: [14:21] Não, tem também outro tipo de meditação, que eu não sabia que existia, de verdade.
Eron Falbo: [14:25] Tipo guided meditation?
Dan Marconi: [14:28] Sim, tipo, por exemplo, às vezes eu faço uma conversa com Deus e falo com Ele, e falo, tipo, não sou louco, é um tipo de meditação, quase. Mas assim, você fala, e depois, quando tem alguma coisa que... isso é muito marcante pra mim, eu tento escrever. Tento colocar preto no branco, porque quando eu escrevo, o meu pensamento tá mais claro também pra mim. Eu nunca fiz.
Eron Falbo: [15:21] É porque assim, cara, até o Aryeh Kaplan fala disso, né? Ele fala que a mente... Tem uma coisa na Kabbalah que se chama Ein Sof, pra quem não sabe, que significa sem limite, né? Então, a mente é conectada com esse mundo do sem limite. Se você não escreve a coisa, ela se mistura com todas as outras coisas do universo. Então, tipo, quando você tem um pensamento, uma ideia muito boa, se você não escreve, o que acontece é que ela vai embora, tipo, ela se mistura, entendeu? Com o todo. Então, pra você atualizar, pra você executar, manifestar aquela ideia e pensamento, você precisa colocar no papel. Isso, na verdade, é a raiz da ciência, né? A ciência é você, basicamente, anotar o que aconteceu de uma forma fidedigna. Porque... pra você não mentir, né? Porque sua mente cria um monte de ilusões. Então, se você não escreve o que realmente aconteceu, depois somente muda aquilo. Tanto que a gente acha que nossa memória é verdadeira, mas na verdade nossa memória é uma criação da nossa mente, né? A gente não sabe quem a gente realmente foi e tudo mais. Se você escreveu e se outras pessoas testemunharam e tudo mais, isso ajuda muito, né? Pra você ter um senso de linearidade, né? De eu era isso antes, agora eu vou ter aquilo depois, né? Até tipo quanto tempo você meditou, pra você saber se você tá melhorando, se você tá crescendo. O Enzo Marconi chegou aí, é seu irmão?
Dan Marconi: [16:57] É meu irmão.
Eron Falbo: [17:01] Bem-vindo, Enzo.
Dan Marconi: [17:05] Agora você tem que fazer a pergunta em italiano, para o público italiano.
Eron Falbo: [17:09] Agora não, agora eu não sou apto.
Dan Marconi: [17:18] Eu lembro que você falou italiano comigo também, né?
Eron Falbo: [17:22] É, mas eu tenho que estar bêbado para falar italiano.
Dan Marconi: [17:25] Continua assim, então. Você pode fazer um paralelo? Porque não tem nada a ver, mas acho que é a mesma coisa.
Eron Falbo: [17:32] Claro que pode, claro que pode.
Dan Marconi: [17:35] Para mim, escrever o que penso é como se você estivesse estudando de fora. Então, tipo, é a mesma coisa quando eu chuto, tipo, nas artes marciais. Muitas vezes eu gravo o que eu faço. Porque um negócio é o que você pensa que está fazendo e o outro é ver você enquanto você está fazendo. Depois de 20 anos ainda encontro algumas coisas que posso melhorar. Depois de 20 anos fazendo o mesmo tipo de movimento, mas aqui eu acho que é melhor assim, é sempre um processo também físico e mental.
Eron Falbo: [18:20] É verdade, é verdade. Vamos para outra pergunta. Eu queria saber de você... eu acho que a gente tem várias experiências que fazem a gente mudar a nossa perspectiva, fazem a gente amadurecer, ficar mais sério, crescer de algum jeito. Então minha pergunta é: fala de alguma experiência sua, alguma experiência muito marcante que você teve, que fez você ter um sentimento de que você acordou e agora você é diferente, agora você mudou.
Dan Marconi: [19:03] Então, só porque eu tô falando com você, vou me abrir um pouquinho. Geralmente eu não falo dessas coisas porque é muito, muito pessoal. Estou falando sério, muito íntimo, mas vou falar. Então, quando eu morava em Milão, depois que me formei, trabalhei um pouco com os meus irmãos, eu conheço também. Trabalhei com meus irmãos em finanças, tá? E depois... Recebi uma proposta de trabalho em Londres por J.P. Morgan. Então eu fui. E praticamente no mesmo dia, ou quase, que aceitei o trabalho, eu fiquei sabendo que minha mãe estava doente de câncer. Então isso, exatamente isso, para mim foi o meu turning point, porque eu estava longe de casa, tipo, Londres. Tá bom, não é muito longe, mas é longe, com a minha mãe que estava sofrendo em casa. Tá bom, tinha o meu pai e as outras... Mas pra mim, a minha mãe foi aquela que falou: vai, vai, porque você tem que viver, tem que aproveitar das oportunidades.
Eron Falbo: [20:23] Na África não tinha Ryanair, né?
Dan Marconi: [20:26] Não tinha Ryanair, não tinha nem Skyscanner. Estou falando de 20 anos atrás ou mais, 25, 26. Então, tô falando, isso pra mim foi um turning point na minha vida, porque foi traumático. Comecei a pagar os boletos em inglês. Também não era fácil, fazendo um trabalho que eu no começo não sabia fazer, em competição com pessoas que, quando eu tava lá, já falavam cinco idiomas, três, dez. Foi tudo difícil, mas eu acho que virei homem naquela situação, porque ou vai ou não vai. Foi difícil, mas foi útil pra mim.
Eron Falbo: [21:24] Acho que eu já te contei que eu passei por uma situação similar. Na época que eu era músico, uma das razões que eu parei de ser músico, que eu estava com uma carreira mais ou menos encaminhada, foi que minha mãe foi diagnosticada com câncer também.
Dan Marconi: [21:41] Eu lembro, eu lembro.
Eron Falbo: [21:43] Isso também mudou muito minha vida e eu fiquei muito mais sério, né? Eu lembro de um momento que eu me vestia, me fantasiava de rockstar, né? Com o colete da era napoleônica e uma botina de veludo. E eu fui no hospital visitar a minha mãe e eu, cara, lembro só de não saber o que fazer, tipo, eu não sabia ser generoso, não sabia, entendeu? Não sabia servir, não sabia me fazer útil, porque eu sempre, até então, só tinha tido tudo muito fácil, entendeu?
Dan Marconi: [22:26] É, eu também, é a mesma coisa, é exatamente a mesma coisa. Essa sensação de... A falta de poder, de potência foi muito forte. Mas assim, acho que, naquele momento, foram anos, não foi um momento só, eu me adoeci muito. Não queria desse jeito, mas às vezes... O que foi, foi. É malatório.
Eron Falbo: [22:57] Vamos para a próxima pergunta. Mas legal, obrigado por compartilhar isso, agradeço a confiança e amizade. Bom, você que conhece o Brasil um pouquinho, a gente está vivendo aqui coisas meio bizarras, meio surreais na verdade. Parece um filme do Tim Burton, o Brasil, aqui no momento. O que você acha que precisa, que deveria... Como você acha que deveria ser o Brasil, e não é agora? O que você acha que poderia melhorar no Brasil?
Dan Marconi: [23:45] Olha, eu, antes de tudo, eu amo o Brasil. Amo o Brasil desde que tenho sete anos. Então, tipo, não quero que as minhas palavras sejam mal interpretadas. O problema maior do Brasil, que acho muito difícil resolver, é a violência. Porque tem vários lugares do mundo onde as pessoas não vivem bem. Tipo, vamos falar da Índia, por exemplo. A Índia tem ainda as castas. Tipo, se você nasceu pária, você mora pária, não acontece nada. No Brasil, tem as pessoas pobres, muitas, mas que eles não se conformam com o fato de ser pobres. E isso é bom, porque tentar se melhorar é sempre bom. Mas o fato é que, sim, esse negócio do brasileiro que gosta dos prazeres da vida, ele é hedonista. Também os italianos, também os holandeses, todos com sangue quente. Mas como é que o brasileiro, que a sua revanche social tem muitas pessoas, são 200 milhões de pessoas, tem milhões de pessoas que se comportam bem, mas tem uma slice muito grande, muito grande de pessoas que não se conformam com o fato que nascem pobres e querem virar ricos fazendo bandidos. Isso é um problema, porque eu, quando eu morava no Brasil, eu não estava seguro em nenhum lugar. Tipo, todo mundo fala, ah, você mora no Israel, como se Israel fosse perigoso. Eles não sabem que aqui não existe nada de comunidade comum. Exato, ninguém te rouba a carteira. Então, eu tô falando do quê?
Eron Falbo: [25:57] Olha, só um parênteses, só pra dizer que aqui no Brasil também os ricos não se conformam e também fazem crimes pra ganhar mais dinheiro. Existe uma certa...
Dan Marconi: [26:11] É verdade.
Eron Falbo: [26:13] Só pra defender os pobres um pouquinho, não é normal pra mim, mas... é verdade, aqui no Brasil tem esse desleixo, com uma tranquilidade de onde a gente tá, tem uma certa ansiedade pra ser diferente, pra ser melhor. Não totalmente pra ser melhor, pra ser mais especial.
Dan Marconi: [26:40] Não, eu tô te falando, eu não vou esconder o fato que os 70% da decisão, da minha decisão de largar o Brasil é por falta de segurança. Então, pra mim, é um negócio muito importante, é muito importante. E depois tem outros problemas que são tipo políticos, que tem muitos governantes que roubam, mas isso rouba todo mundo. Então, olha, nesse momento que as coisas são mais difíceis por causa da pandemia, por causa que a economia não tá indo bem, blá blá blá, acho que esse negócio tá ainda mais difícil. A violência tá ainda mais um problema. E não vejo, no curto prazo, infelizmente, coisas boas pro Brasil. Infelizmente, porque eu adoro o Brasil. Eu adoro o Brasil.
Eron Falbo: [27:41] Mas como você acha que deveria ser? O que poderia mudar?
Dan Marconi: [27:45] Eu acho que deveria ser sem violência, sem corrupção. Mas como?
Eron Falbo: [27:52] Mas como?
Dan Marconi: [27:53] Não tenho uma receita, não tenho uma receita, não tenho uma receita. Não, infelizmente, não.
Eron Falbo: [28:01] E qual é a sua visão política, no geral?
Dan Marconi: [28:04] Eu sou liberal. Essa consequência é do fato que, sendo que eu estudo muito a economia, eu acho que o sistema capitalista, atenção, prestem atenção, é bom, é bom, mas é mal interpretado, no sentido que uma das escolhas que é mais importante, eu diria a coisa econômica, a entidade econômica mais importante é o juros, são os juros, em qualquer nação. Os juros deveriam ser decididos pelo mercado. Agora, no mundo inteiro, inclusive no Brasil, eu acho que isso é um negócio que deve também mudar no Brasil e, primeiro, antes de tudo, primariamente nos Estados Unidos. Agora, quem decide a taxa dos juros é o Banco Central, a Fed nos Estados Unidos, o Banco Central...
Eron Falbo: [29:09] Isso é uma máfia, né?
Dan Marconi: [29:11] Isso é uma máfia, porque, tipo, o que aconteceu nos últimos, vamos dizer, agora, por conta da pandemia, falamos só da Federal Reserve, eles estão emitindo, estão colocando no mercado 3 trilhões de dólares. 3 trilhões, que significa 15% do PIB dos Estados Unidos. Tipo, é uma quantidade de moeda incrível.
Eron Falbo: [29:42] Isso que você está falando, eu acho que leva a um ponto... Muito interessante, na verdade, acabei de ter essa realização, esse entendimento, que uma das coisas mais bonitas da ciência, por exemplo, é o fato de que a ciência se autocorrige. Então, mesmo se você for religioso e for falar sobre os problemas da ciência, é muito difícil hoje em dia, mesmo que você seja amish, mesmo que você seja muçulmano, chiita, sei lá, é muito difícil você dizer que a ciência não tem nenhum valor, entendeu? Porque todo mundo reconhece que a ciência pode ter seus problemas e qualquer coisa assim, mas tem grande valor, né? Porque é um sistema autocorrigido, né? Que a ciência em si não alega nada, né? A ciência tem teorias e essas teorias vão se corrigindo na medida que a ciência vai evoluindo. Então, a ciência não diz que tá certa, nunca ela própria diz que tá certa. E o capitalismo, por essência, deveria ser assim e nos melhores momentos são assim também.
Dan Marconi: [31:01] Na verdade, não é.
Eron Falbo: [31:02] É, na verdade não é, e esse é o problema, na verdade, porque se fosse... Porque tudo que é autocorrigido pelo mercado, no final tem uma coisa quase darwiniana, né? Exatamente, é.
Dan Marconi: [31:20] Isso, isso é o problema, exatamente isso, porque tipo você faz, você deixa todas as variáveis do mercado livres para se mudar. É... Tá me vindo... Eu tô te ouvindo, porque...
Eron Falbo: [31:36] Me ligaram, que saiu o fone. Ok.
Dan Marconi: [31:39] Então, a coisa mais importante é que a taxa dos juros é definida por um grupo de bancos. É um absurdo, é um absurdo, porque se você mantém os juros baixos, significa que você está colocando no mercado muito dinheiro, muito, muito dinheiro. Porque você pega empréstimos, é uma taxa muito baixa, então você continua a comprar casa, comprar carro, comprar qualquer coisa, tipo, para alimentar o consumismo. Você compra, compra, compra, os preços das coisas, sendo que todo mundo compra, cresce, cresce, cresce. E isso é o problema, porque agora, por exemplo, os preços do S&P, por exemplo, são completamente sem sentido, são muito altos. É impossível encontrar alguma coisa barata. Por quê? Porque depois de 20, 30 anos de política expansionista do lado do FED e de todos os bancos do mundo, inclusive o Banco do Brasil ou o BC, estão todos dando dinheiro com juros muito baixos, então todo mundo compra, compra, compra. Isso, para alimentar o consumismo, está criando um problema incrível, porque o mercado não pode ser sempre assim. Então, tem muitos economistas que não são conspiracionistas, mas eles falam que esse negócio do coronavírus foi feito de propósito, melhor, o vírus, não é que foi tipo fermentado, mas foi tipo cavacado, feito tipo cavalo, para deixar os preços das coisas muito baixos, para fazer... Para regular. Para regular, sim, para ter coisas baratas para comprar.
Eron Falbo: [33:32] É, isso a gente vê, na verdade. Isso eu não sou totalmente... Normalmente eu sou cético, né, com teorias de conspiração, esse tipo de coisa.
Dan Marconi: [33:40] Eu também, porque eu sempre preocupado com os judeus.
Eron Falbo: [33:43] Sempre que se ferra o judeu, né? Mas não por isso exatamente, mas porque existe uma paranoia, né? Então é fácil você culpar coisas que você não sabe bem, você não tem evidência. Mas o fato é que realmente a gente que acompanha o mercado financeiro sabe que já estava muito atrasado um colapso completo do sistema capitalista internacional. Os mercados internacionais estavam esperando um bubble.
Dan Marconi: [34:18] Burst, um reset do mercado.
Eron Falbo: [34:26] Então, assim, é realmente uma coisa dessa de larga escala, é muito conveniente, né, pro mercado no momento.
Dan Marconi: [34:35] Exatamente.
Eron Falbo: [34:35] E o fato de que as pessoas... E eu não tô falando que eu acredito nisso, não, só tô falando pra gente conversar abertamente, né, que a gente, ao contrário de muitos lives do Instagram, não tem censura aqui. A gente pode falar o que a gente quiser.
Dan Marconi: [34:54] Não, não, eu tô falando sério. Eu não sou completamente concordo com essa teoria. Eu não acho que é, mas eu entendo...
Eron Falbo: [35:02] Mas faz sentido, faz sentido.
Dan Marconi: [35:04] Faz sentido, faz sentido.
Eron Falbo: [35:06] O que eu tô dizendo é que a gente entende pela história que as pessoas fazem esse tipo de coisa, sabe? Não seria a primeira vez na vida que países entrariam em conluio pra tentar consertar uma coisa econômica. Isso foi feito depois das guerras napoleônicas, depois da Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, os consultatados e o jeito que dominaram a Alemanha pra corrigir a economia local e tudo mais, o Japão. Então, isso existe. Isso é feito, isso existe. E, de novo, não necessariamente estou apoiando essa teoria, mas faz sentido. Oi?
Dan Marconi: [36:00] Falhou um pouco. Falhou um pouco.
Eron Falbo: [36:02] Ah, falhou? Falhou pra todo mundo ou falhou só pra ele?
Dan Marconi: [36:06] Porque... Não sei.
Eron Falbo: [36:09] Pode ser. Mas fala um pouquinho sobre o seu judaísmo, como é a sua prática, como é viver em Israel.
Dan Marconi: [36:17] Então, eu não sou muito religioso, mas sempre gostei muito da filosofia judaica. Sempre li muitos, muitos livros. E sempre tentei, como eu estava falando, melhorar, pensar nas coisas. E uma das coisas mais importantes do judaísmo é o shabbat. Eu não sou... Eu sou tipo... Shabbat eu não trabalho, mas... Faço tudo o resto, tipo, eu saio, e dirigir, aqui eu não dirijo, mas dirigia. Então, tipo, eu tenho todo o meu sistema de princípios judaicos aplicados para a minha vida, e gosto muito de estudar. Quase todas as semanas eu me encontro com o meu amigo Rafa, de Milão, que mora aqui também. Eu acho que a gente se encontra e fala. E cada vez, ou a gente fala do Estudante do Mundo, ou a gente...
Eron Falbo: [37:22] Mas ele é chassídico? Ele é de que escola?
Dan Marconi: [37:27] Olha, o meu rabino é diferente. O meu rabino é diferente porque até tipo 10 anos atrás era diretor de uma empresa de modelos, mulheres, a melhor de Milão, a mais importante. E depois ele mudou completamente e virou rabino. É o Rafa, ele é muito bom, eu gosto dele porque ele tem uma cabeça muito aberta, ele entende, entende da vida, entende de tudo. Não é que só sabe a parashá da semana, ele tem uma visão, um olho de helicóptero, muito bom. Então, quando ele fala uma coisa, eu escuto mais, porque ele sabe, ele é muito mais aberto, comparado com o Rafa de Minas Gerais, tipo, de um bairro de ortodoxos aqui em Israel.
Eron Falbo: [38:19] Você convive nos dois mundos. Você vive em Israel, você tem um rabino que é chassídico, que é ortodoxo, e você também viaja muito a negócios, viaja para a Europa, para o Brasil bastante. Só está faltando Covid, né? Covid-19.
Dan Marconi: [38:46] A pergunta.
Eron Falbo: [38:54] É a seguinte: como que você convive com esses dois mundos? Porque o mundo judaico, especialmente ortodoxo, e em alguns lugares aí em Israel, é muito exclusivo e exige muita exclusividade e distanciamento de outras culturas e tudo mais. Como que você convive com essa dualidade do mundo judaico e do mundo não judaico?
Dan Marconi: [39:18] Olha, eu sou feliz da minha relação com o judaísmo porque eu sempre fui fiel a mim mesmo. Eu sempre interpretei a religião do mesmo jeito. Não teve períodos que eu era muito religioso e períodos menos. Sempre fiz mais ou menos a mesma coisa. Sempre fui fascinado pela filosofia, pelos estudos judaicos, mas nunca fui, na minha opinião, demais. Sempre fui eu mesmo. Não sei se estou me explicando. O que eu vi, por exemplo, em Israel, eu não acho a comunidade ortodoxa fechada. Será que eu sou judeu? Pode ser, mas... Por exemplo, aqui tem uma festa que se chama Simchat Torá. A gente tem esse hábito de ser feliz porque Deus deu pra nós essa Torá. E quando tem essa festa, todo mundo dança junto. Eu dancei com a Torá junto com rabinos de cem anos, todo mundo feliz. Então eu acho que tem tudo isso... O verdadeiro judeu é aberto. Eu sei que a comunidade ortodoxa às vezes é fechada, mas isso deve ser...
Eron Falbo: [40:58] Mas eu tô falando fechada com não-judeus, não com judeus.
Dan Marconi: [41:01] Não, mas você tá falando... eu tava chegando lá, só que eu tava querendo dizer isso: se você tá numa comunidade judaica na Europa do Leste, durante os últimos, vamos dizer, cem ou duzentos anos, você só apanhou, tá? O mundo exterior nunca foi bonzinho com os judeus. Sabe agora, se você tentar ir com a kipá no centro de Paris, você não vai ter uma experiência agradável. Pra mim, eu acho até normal que o grupo se feche, porque só entre eles eles estão seguros.
Eron Falbo: [41:50] Então, vamos responder algumas perguntas aqui da galera que fez pergunta antes.
Dan Marconi: [41:56] Não vi.
Eron Falbo: [41:57] Fala. Eu vou falar aqui. A primeira pergunta, aqui, ó: qual é a sensação de morar em Israel, tanto espiritualmente como no geral? Aí, se puder botar sua cara um pouco pra cima, pra gente poder te ver melhor.
Dan Marconi: [42:14] Então, eu diria que tem uma diferença enorme entre Tel Aviv e Jerusalém. Tel Aviv é uma cidade cosmopolita, cheia de pessoas de todo o mundo, todo mundo quer se divertir, não tem muito o verdadeiro judaísmo. Eu diria, graças a Deus, porque é assim que gosto de ser. Mas se você chegar em Jerusalém... muitas pessoas aqui com certeza já fizeram essa viagem, com certeza. Até quem não é judeu, quem nem é religioso, nem cristão, nada, sente alguma coisa. É muito forte. Quando você chega no Muro das Lamentações, você sente um negócio muito forte.
Eron Falbo: [43:07] Por que você acha que é isso? Mesmo quem não é religioso sente isso?
Dan Marconi: [43:12] Eu acho que, sendo que tem muitas pessoas que acreditam nisso, você está sentindo essa força. A única explicação que eu estou me dando é porque os judeus acham que lá se vê a Casa de Deus, o Beit Hamikdash Hagadol, que foi destruído pelos romanos. Então, mesmo se você não acredita em nada, você chegará e sentirá essa força. Deve ser alguma coisa a mais. Eu acho que é todo o conjunto dessas pessoas que acreditam. Então você tá sentindo...
Eron Falbo: [43:55] É a mesma coisa daquele conto do Hans Christian Andersen, a roupa nova do rei, né? Independente de as pessoas acreditarem ou não, elas seguem umas às outras, né? Se você chega numa festa em que tá todo mundo rindo, você começa a rir também, por osmose, né?
Dan Marconi: [44:19] Exato.
Eron Falbo: [44:20] Porque tá todo mundo rindo. Então, não depende muito, né, da crença da pessoa. Foi a Val que fez a pergunta.
Dan Marconi: [44:31] A vibe, a vibe. Eu tenho a minha agenda pessoal, tá bom? Eu não acordo cedo, nunca acordei cedo, porque eu não consigo. Nunca consegui treinar cedo, nunca, talvez você ache que é a coisa certa. Então, eu acordo às nove, nove e meia, tá bom? Sabe por quê? A empresa que eu trabalho é baseada em Londres, então eu tenho duas horas de diferença. Isso significa que você acorda às nove e meia. Exatamente, tudo estudado. E eu gosto muito... essa é a minha impressão mental, eu gosto de ter tudo, tipo, segunda eu faço isso, terça eu faço isso, quarta eu faço aquilo. Assim eu consigo fazer tudo o que eu quero fazer. Por exemplo, sei lá, segunda eu dou aulas de kickboxing às seis e meia, todas as segundas. Dou só aulas particulares. A que hora você dá? Seis e meia da tarde. Depois, se tem outra, depois. A primeira seis e meia, mas eu gosto de dar a hora pra poucas pessoas, só one to one. Só mulher, né, preferivelmente. E depois, por exemplo, toda quinta eu jogo futebol, tá bom? Eu não sou muito bom, mas jogo bola. Sexta-feira, sábado... então, eu tenho a minha agenda feita cada dia pra não faltar o que eu gosto de fazer.
Eron Falbo: [46:09] É, isso é uma coisa, assim, pro nosso programa Vivo Total, né? É uma coisa... um ponto muito especial, né? Porque é uma coisa, tipo, high performance, né? Muita gente fica muito obcecada, tipo: 'deixa eu acordar quatro e meia da manhã e fazer isso, isso, isso e aquilo'. Eu tenho meus momentos que eu sou assim. O Dom Mocaren tá falando, né? Meu amigo...
Dan Marconi: [46:33] Nada que ele.
Eron Falbo: [46:36] Então, assim, essa coisa da agenda... tem um cara, o veterano mais velho dos Estados Unidos. Perguntaram pra ele por que ele não tem medo da longevidade, e ele falou: 'cigars and God', charutos e Deus. Charutos primeiro, depois Deus. Então, tipo, a gente fazer o que gosta, o que a gente quer fazer, é muito importante, né, pra gente poder ter a motivação pra continuar.
Dan Marconi: [47:05] Exatamente.
Eron Falbo: [47:08] Vamos de outra pessoa aqui.
Dan Marconi: [47:09] Concordo plenamente.
Eron Falbo: [47:12] Ah, desculpa. Você quer continuar o assunto?
Dan Marconi: [47:17] Não, fala. Tá bom.
Eron Falbo: [47:20] Bitcoin ou dinheiro em seu formato tradicional?
Dan Marconi: [47:24] Olha, boa pergunta. Eu não sei quem fez, mas adoro. Quem foi, Duny?
Eron Falbo: [47:31] Foi a Duny.
Dan Marconi: [47:33] Manda um abraço pra Duny, também se ela conhece. Então, gosto da pergunta, mas eu diria que não é o um ou o outro. Eu acho que numa carteira, deveria ser os dois. Na verdade, eu diria que deveria ser o Bitcoin numa quantidade muito pequena da carteira, muito pequena, porque também gosto muito da ideia da blockchain, porque, tipo, eu deveria falar disso uma hora, então eu não vou falar nada.
Eron Falbo: [48:09] Você pode explicar aquela coisa lá que você falou, de por que o Bitcoin sempre vai valer?
Dan Marconi: [48:15] Então, o Bitcoin é importante por ter um valor intrínseco, porque a tecnologia baseada no Bitcoin é a blockchain. A blockchain, pra mim, vai ser a coisa mais disruptive do mercado de sempre. Isso é o que eu acho. Tipo, vai criar um antes e um depois da economia. E de todos. Porque, graças à blockchain, todos os middlemen vão ser cortados. Tipo, os bancos, os advogados, não todos os advogados. Os notários.
Eron Falbo: [49:01] Eu.
Dan Marconi: [49:01] Você também, eu também. Tipo, todas as middlemen vão ser cortadas. Então, tipo, só que é importante, de verdade, precisa de tempo pra falar isso, mas eu acho que o Bitcoin...
Eron Falbo: [49:17] A gente só tem uns três minutos, tá?
Dan Marconi: [49:19] É por isso que eu tô levando o tempo. Numa carteira agora, eu colocaria, tipo, no máximo, aquela porcentagem de dinheiro que você pode perder no Bitcoin. Eu tô seguindo o Bitcoin quando varia 0 ponto. Agora, quanto é... 40 mil, quanto é?
Eron Falbo: [49:38] 7 mil, 8 mil?
Dan Marconi: [49:39] Não, não, muito mais. Ah, é?
Eron Falbo: [49:43] Aumentou?
Dan Marconi: [49:44] Peraí, vou te falar.
Eron Falbo: [49:46] Não, não vem agora, não, porque a...
Dan Marconi: [49:49] Gente tem 2 mil.
Eron Falbo: [49:50] Caramba, aumentou muito.
Dan Marconi: [49:52] Não, eu estou te falando. Faça o 10 mil dólares, que é uma fortuna. Também se você teve um... O Bitcoin, quando valia um dólar, valia 0,003, imagina. Ele fez, tipo... Mas eu estou falando que daqui pra frente também pode se dar bem. Porque o Bitcoin, no primeiro, baseado na blockchain, depois vão ter muito mais. Mas se a blockchain vai mudar o mundo, a Bitcoin deve valer alguma coisa. Ou se a Bitcoin não vale nada, também se a blockchain não vale nada, também o Bitcoin não vale nada. Mas eu acho isso não provável.
Eron Falbo: [50:33] E muitos economistas aí concordam. Na verdade, é quase absoluto, né? Blockchain hoje em dia já está sendo aceito pela maioria dos bancos, não Bitcoin, mas o sistema blockchain.
Dan Marconi: [50:48] Tem empresa de logística que usa blockchain há 10 anos. Cada banco, dentro da estrutura deles, tem uma estrutura blockchain.
Eron Falbo: [51:01] Eu uso blockchain pra conversar com meu irmão, porque a gente não confia um no outro.
Dan Marconi: [51:08] Isso, acho que a blockchain é crucial porque elimina direto o problema da confiança. Isso demora tempo para explicar, mas é por isso que acho que... não, estou falando sério, tenho que falar pelo menos 10 minutos sobre isso.
Eron Falbo: [51:34] Mas a galera procura no Google depois. Vai acabar daqui a pouco o nosso chat, mas tudo bem. Vamos tentar outra pergunta rápida. Ah, isso a gente já falou sobre isso.
Dan Marconi: [51:49] Sim.
Eron Falbo: [51:51] Aqui. O que você ainda tem muita vontade de fazer profissionalmente? Pergunta da Val.
Dan Marconi: [51:59] Então, eu tenho muita vontade... De... ela é de Mauá?
Eron Falbo: [52:04] Não, acho que ela é de Mauá.
Dan Marconi: [52:07] Amiga sua. Amiga minha, sim. Eu gostaria muito de fazer... uma coisa minha, como já aconteceu. Eu montei um fundo muito tempo atrás, um fundo de investimento.
Eron Falbo: [52:24] Cortou tudo, ninguém ouviu nada.
Dan Marconi: [52:27] Ótimo.
Eron Falbo: [52:28] Você falou algum segredo muito importante de novo, cara. Você tem que parar de falar dos judeus, cara.
Dan Marconi: [52:35] É, quando você fala de Cabala é assim, né? Não, então, agora eu quero fazer alguma coisa minha, tá? Ainda tenho algumas ideias na minha cabeça, mas ainda nada de prático.
Eron Falbo: [52:49] Quer abrir uma empresa, alguma coisa?
Dan Marconi: [52:52] Quero abrir um negócio meu. 100% meu.
Eron Falbo: [52:56] Aí, pra todo mundo que entende português aí da empresa onde ele trabalha, saiba que ele tá fazendo planos.
Dan Marconi: [53:03] Não, pode ser também nessa empresa, mas dentro da empresa, um projeto ou uma parte da empresa só minha.
Eron Falbo: [53:13] Boa saída, boa saída.
Dan Marconi: [53:17] Tá bom. Acabou o tempo.
Eron Falbo: [53:24] Vai acabar daqui a pouco, relaxa, cara. Toma um whiskyzinho. Não sei, já devia ter acabado, na verdade, porque já passou do horário.
Dan Marconi: [53:32] Então continuamos.
Eron Falbo: [53:33] Tudo bem. Continuamos. Que charuto você tá fumando?
Dan Marconi: [53:38] Obrigado pela pergunta. Esse charuto... ai, peraí, 30 segundos restantes.
Eron Falbo: [53:46] Deixa eu agradecer a sua presença. Obrigado, Dan Marconi.
Dan Marconi: [53:52] Obrigado a você, amigo.
Eron Falbo: [53:53] Pela sua presença. É um grande prazer conversar com você sempre. Vamos conversar fora depois pra contar as novidades, segredos, cabalísticos.
Dan Marconi: [54:03] O conceito de amizade.
Eron Falbo: [54:07] Valeu, abraço.
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