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Eron Falbo: [0:00] Você morou um tempo na França.
Edwin Luisi: [0:03] Morei.
Eron Falbo: [0:04] Eu recebi essa informação e resolvi te agradar nesse quesito. Você passou quanto tempo lá?
Edwin Luisi: [0:12] Eu passei dois anos. Na época em que eu era garoto, meio jovem, eu ganhei uma bolsa de estudos para morar lá e estudar a cultura francesa, o francês, mas eu ainda não fazia teatro. É que resolvi fazer a escola de teatro, porque lá comecei a abrir meus horizontes. Então, decidi ser ator lá.
Eron Falbo: [0:41] Uau! Você parece falar francês bem. Você aprendeu aqui ou lá?
Edwin Luisi: [0:45] Eu falo razoavelmente bem. É que isso está fazendo 50 anos, mais ou menos, e é claro que, nesse período todo, o francês entrou um pouco em desuso no linguajar do dia a dia, porque na minha época o francês era praticamente a língua que as pessoas que tinham uma certa cultura falavam. Depois o inglês substituiu. Eu não tenho com quem falar. Eu leio algumas coisas, algumas peças de teatro consigo ler em francês, mas não tenho mais o traquejo. E é claro que eu perdi muito o vocabulário, mas dá para eu me entender bem. Quando eu vou à França, eu me entendo muito bem lá com eles. Consigo brigar com os franceses.
Eron Falbo: [1:37] Que maravilha. Perdeu mesmo essa importância do francês, infelizmente. E com ela um pouquinho de glamour, um pouquinho de chiqueza.
Edwin Luisi: [1:48] Era uma época em que tinha muito, muito mais glamour, né? Década de 50, por aí, 60. Eu peguei já a época, a década de 60, 70. Fiquei na França até 70.
Eron Falbo: [2:03] Você pegou uma época maravilhosa.
Edwin Luisi: [2:06] Eu peguei toda a revolução cultural lá. Peguei as barricadas. Para um jovem, aquilo foi um fator decisivo na minha vida. Abriu todos os meus horizontes para a arte, para a vida mesmo, porque, jovem, morar em um país distante, aprender uma língua, uma civilização, uma cultura, um país superdesenvolvido, isso valeu muito para a minha carreira como ator.
Eron Falbo: [2:36] E quando você voltou para o Brasil, como foi essa adaptação de ter passado esse tempo na França, aberto aos horizontes?
Edwin Luisi: [2:42] Olha, na verdade, quando fui para lá, eu era muito ligado à minha família. Nós somos italianos. Então, quando voltei, estava com muita saudade. E também já estava voltando com um propósito, que era me inscrever no exame da Escola de Arte Dramática de São Paulo, que é chamada de EAD. Eu tinha esse propósito, então foi ótimo. Voltei com um tipo de postura afrancesado. Eu causava uma certa espécie entre os meus pares. A década de 70, em que comecei a EAD, era uma época muito revolucionária, cheia de hippies de um lado, a parte política de outro lado, e eu lá trazendo de fora uma cultura que pouca gente teve essa chance de fazer. Foi um diferencial muito grande para mim.
Eron Falbo: [3:46] E o pessoal deve ter reconhecido isso. Você deve ter ganhado um pouquinho de popularidade.
Edwin Luisi: [3:53] Eu acho que sim. Também devia ser encarado como aquele besta, aquele bestinha que voltou da França. É claro. Eu tinha 20 anos, estava começando, querendo firmar meu espaço.
Eron Falbo: [4:08] Quem não é besta com 20 anos?
Edwin Luisi: [4:10] Então eu acho que usava isso tudo a meu favor.
Eron Falbo: [4:16] Que bom, que bom. Eu tive a experiência de ser esse besta morando na Inglaterra. Passei um tempo na Inglaterra, voltei e fui tão besta quanto você. A gente está junto lá.
Edwin Luisi: [4:28] Nós temos a vocação para ser bestas. Mas foi bom, foi bom. Você deve ter sentido uma diferença brutal quando você chega. Eu me lembro que eu fiquei muito... Foram dois anos, né? Dois anos de banho de civilidade, civilização, aí de repente chegar, eu levei um choque muito grande, eu era muito jovem, mas também me adaptei logo, graças a Deus, ser jovem tem isso de bom, né? Adaptabilidade.
Eron Falbo: [5:00] Total. Naquela época era muito diferente. Na minha época já era bem diferente de hoje em dia. Hoje em dia é 100 vezes mais globalizado do que quando eu tinha 20 anos. Mas nos anos 1970 a discrepância entre a Europa e o Brasil era gigantesca culturalmente.
Edwin Luisi: [5:18] Era gigantesca, não tinha nenhum tipo de informação. Nós não tínhamos informação. No Brasil não tínhamos nenhum produto externo. A gente tinha que comprar tudo ou por contrabando ou através de comissários de bordo que viajavam. Para conseguir um perfume era um inferno. Para conseguir algum produto, para conseguir um Raio de Sol, aquele creme de bronzear, tinha que alguém ir para a Argentina para trazer. Não tinha nada no Brasil. Nós não tínhamos absolutamente nada. Então, eu voltei com roupas francesas, perfumes franceses, falando francês... eu acho que foi.
Eron Falbo: [5:57] Uma... Você deve ter feito muito amor.
Edwin Luisi: [6:00] Muito. Eu sou da época de faça o amor, não faça a guerra. Eu optei para fazer o amor, é claro.
Eron Falbo: [6:09] Perfeito. Me falaram que você fez uma peça, que você era vários personagens ao mesmo tempo. Eu gostaria de entender isso melhor. Era tipo 24 personagens, era isso?
Edwin Luisi: [6:21] 24? Não, 22. É o seguinte, é claro que existe um trilhar da minha vida, de vários personagens que eu fiz ao longo da minha carreira. E isso está fazendo 10 anos, eu estou com 74, eu tinha 64 na época, e eu me senti apto em fazer um monólogo. Eu comprei essa peça, eu ouvi falar dela e eu achei ela maravilhosa poder viver 22 papéis. Na verdade, eram 35. Nós fomos adaptando, diminuindo alguns papéis e ficaram 22.
Eron Falbo: [7:04] Economizaram e chegaram a 22.
Edwin Luisi: [7:06] É, chegamos a 22 papéis porque a peça é uma peça americana. Ela tinha uma hora e 40, mais ou menos, e você sabe que fora do Brasil as pessoas aguentam uma peça longa. No Brasil não aguentam, sobretudo sendo monólogo. Então a gente achou por bem dar uma diminuída para ficar com uma hora e meia, mais ou menos. Então nisso caíram pequenos papéis. Na verdade, a peça consiste numa história de um travesti alemão, é verídica a peça, de um travesti alemão que sobreviveu ao nazismo e depois, quando o muro de Berlim foi construído, ela morava do lado oriental e ela sobreviveu também ao comunismo. Quer dizer, é uma improbabilidade um travesti ter vivido numa época em dois regimes que perseguiam os homossexuais, ainda mais os travestis. E ela viveu, ela existiu. Quando caiu o muro de Berlim, um autor de teatro que existe na peça, ele é personagem também, ele se colocou como personagem, ele ficou sabendo da história dela, foi para a Alemanha entrevistá-la, e ela descrevendo a vida dela, ela vai fazendo vários papéis. Por conta disso, eu fazia a mãe, o pai, a tia, o general nazista, o entrevistador, o namorado dela, o autor da peça, o amigo do autor, enfim, era uma gama de personagens, sendo que, claro, tinha o papel principal, que era ela, três ou quatro papéis bem coadjuvantes, alguns papéis com participação especial, pequenos papéis, e alguns eram algumas frases. E o diferencial disso é que era tudo falado, com exceção de três personagens, era tudo falado com sotaque alemão. Eu tive que aprender alemão, eu fiquei um ano aprendendo alemão para poder fazer.
Eron Falbo: [9:09] A peça... mas você não falava alemão em si?
Edwin Luisi: [9:13] Não, não falava.
Eron Falbo: [9:14] Você aprendeu alemão para ser mais inteligente?
Edwin Luisi: [9:16] Eu tive que aprender alemão e, sobretudo, eu peguei uma professora de alemão, claro, que tinha um sotaque brasileiro muito forte, muito carregado. Além de aprender alemão, eu aprendia o sotaque, as mudanças. Você sabe que em cada língua, cada palavra, cada letra, tem sons diferentes. Por exemplo, no alemão, o V é F. O W, que nem o meu nome, Edwin, é com W e fala V. E assim por diante, eu fui aprendendo. O C cedilha vira Z. Eu falava Crianza. E falando de soltinho, porque o alemão fala de soltinho, porque eles entendem. Como eles têm declinação, eles entendem a frase através das últimas letras de cada palavra. Então por isso que o alemão fala tudo soltinho. A gente come o final da palavra. Eles não. Eles reforçam o final da palavra.
Eron Falbo: [10:21] Eu tinha percebido isso sonoramente, mas eu adorei essa explicação. Eu não sou ator, mas eu adoro essa coisa de entender as nuances, as diferenças dos sotaques. Só doidos e atores gostam disso. Mas eu gostei da ideia que você estudou. Você podia ter só visto alguns filmes com sotaque alemão, mas você é esse tipo de ator que entra a fundo para poder ser fidedigno, para poder ser leal à sonoridade.
Edwin Luisi: [10:53] Eu tive que aprender, e é difícil. Alemão é uma língua muito difícil. É claro que em um ano não deu para aprender a falar, mas deu para eu me desvencilhar, porque eu tinha grandes frases em alemão, e eu não queria decorar por decorar o som e falar. Eu queria entender o que estava falando. Então eu aprendi, e foi um grande sucesso, um grande sucesso. A dificuldade de fazê-la, as pessoas perceberam o grau de dificuldade que eu tinha para fazer 22 papéis, com 22 vozes, com 22 comportamentos corporais. Eu ficava aqui em casa...
Eron Falbo: [11:32] Fácil de lembrar, isso é difícil.
Edwin Luisi: [11:33] Nossa, era uma concentração. Eu saía extenuado, porque a concentração, o medo de esquecer o texto, o medo de um personagem pular o outro, eu tinha que ter uma concentração muito grande. E foi tão lindo que eu vivi. E eu ensaiava aqui na minha casa. Eu, sozinho, e a mulher do Edwin, a Susana Garcia, dirigindo. Aí um dia uma vizinha minha falou, você tá ensaiando teatro aí em cima, na tua casa? Eu falei, tô. Ela falou, que maravilha, muita gente, né? Como assim? Não, o elenco tem muita gente, né? Eu falei, não. Eu não tava entendendo. Falei, não, só eu. Não, não, não. Tem vários atores, porque eu ouço várias vozes diferentes. Não pode ser só você. Eu falei, não sou só eu. Foi o maior elogio que eu recebi, né? Porque ela não tava nem vendo. Ela só ouvindo.
Eron Falbo: [12:34] Perfeito. E essa coisa que você falou é uma novidade pra mim, é a primeira vez que eu tô ouvindo, da necessidade de concentração na atuação. Eu nunca tinha visto dessa forma, mas realmente, se você não tiver com a mente vazia, se você não tiver naquela meditação profunda, na concentração no sentido da presença daquele momento, você pode perder. Pode perder uma linha, pode perder a emoção daquela questão. Você tem que estar com todos os seus sentidos presentes, de fato. Eu imagino que isso deve ser verdade para um papel. Para 22 papéis é uma...
Edwin Luisi: [13:16] Pois é. O meu grande medo era perder o fio da meada, mas é claro que tinha luzes, tinha músicas, que me ajudavam a encontrar o caminho, se por acaso... Agora, o grande segredo é você deixar a tua vida pessoal fora do teatro. Assim que você entra, você tá entrando numa caixa que, pra nós, nós somos atores, e pra quem assiste também, acredito, é uma caixa mágica, né? Onde, de repente, tem um bando de gente ou uma pessoa sozinha que tem o aval da sociedade pra enlouquecer. Para ser um mentiroso que passa uma verdade. A gente mente para a verdade chegar até o público. Aí você vai falar, não, todo mundo mente. Político mente o tempo inteiro. Não, mas nós mentimos para construir alguma coisa. Algumas pessoas mentem para destruir o que está acontecendo, o status quo. E nós temos o aval para enlouquecer. Nós recebemos para pôr a nossa loucura a serviço da sanidade alheia, porque a nossa sanidade vai embora um pouco junto.
Eron Falbo: [14:36] Incrível. Isso me lembra que, na Grécia Antiga, em Atenas Antiga, era obrigatório para o cidadão, para poder votar, ele servia o teatro. Ele tinha que servir, se não me engano, dois anos o exército e um ano o teatro.
Edwin Luisi: [14:52] É inacreditável. O que nós regredimos, né?
Eron Falbo: [14:59] Exatamente. É porque, realmente, também nunca tinha ouvido essa coisa muito bonita que você falou, de a gente ter o aval do público para enlouquecer. É como se fosse um xamã. Um xamã é uma espécie de... Também tem esse papel dentro de uma tribo, que tem o aval para usar um alucinógeno, para poder entrar no mundo dos espíritos e poder resgatar certas coisas. Acho que o ator tem um pouco disso. Ele entra dentro das loucuras, ele entra dentro da mentira, entra dentro da exploração da mente humana e, de lá, ele entrega uma meta-verdade, uma verdade superior à verdade do cotidiano. E isso é outro... Desculpa.
Edwin Luisi: [15:45] Não, não. Pode falar.
Eron Falbo: [15:47] É o seguinte.
Edwin Luisi: [15:49] Complementa.
Eron Falbo: [15:51] Você estava falando... Já que a gente vai ficar nessa dança... Uma coisa que adoro é essa questão da meta-verdade, que Platão fala sobre como os artistas são mentirosos e precisam se manter fora da república. Só que acho que, se a gente ver de uma maneira diferente, isso não é exatamente uma mentira. A mitologia, a atuação, o storytelling, na verdade, está alcançando uma verdade que é ainda superior ao mundo supostamente fatual. Porque o mundo fatual, às vezes, são coisas que simplesmente vão acontecendo e estão, muitas vezes, vazios de significado. E a gente pega esse conglomerado de coisas e junta de uma forma que é para transmitir significado. Então, isso é verdadeiro, de fato.
Edwin Luisi: [16:42] E você sabe o que eu acho muito interessante, na verdade eu acho bonito. É claro que eu estou falando de atores, porque também tem muita gente que atira para todos os lados, mas os atores, os que eu vejo representando, e eu também sinto isso, nós temos uma capacidade que é diferente de outras profissões, porque, se você fosse por aparelhos no nosso organismo, enquanto nós estamos representando, acontece uma revolução química dentro da gente, onde os pelos eriçam, onde você chora, onde você mergulha numa profundidade treinada, porque você tem treino pra isso, que é muito difícil de você explicar. Como é que, de repente, em todo dia... É muito louco isso. Todo dia, naquela frase, naquela sílaba, uma lágrima cai. Como é que é isso? É muito louco, é muito doido, porque ao mesmo tempo que o teu batimento cardíaco muda completamente de cena pra cena, de repente tem uma frase tua que te mobiliza de tal forma que você sente os teus pelos eriçando. Existe todo um comportamento no ato de atuar que é muito diferente de uma pessoa que está atuando na vida contando uma mentira qualquer. Porque nós estamos contando mentira. Nós estamos representando uma outra vida. E, ao mesmo tempo, existe uma divisão onde um lado teu fica completamente ligado no personagem, e existe uma outra parte totalmente racional, que você sabe que em tal momento você tem que virar pra algum lugar. Ao mesmo tempo, você percebe que uma luz não está acesa que devia estar acesa. Você tem duas pessoas, ou três, porque também você se vê no público. Porque eu me represento me vendo como público. Deu pra entender? Eu me coloco como público para poder ver o que eu estou fazendo. Então, são várias pessoas dentro de mim trabalhando juntas pra formar uma harmonia, pra chegar até o público.
Eron Falbo: [19:06] Porque o que interessa... Se listou pelo menos 66 pessoas aí, porque são 22 personagens no ângulo do público.
Edwin Luisi: [19:15] O racional, o irracional, o emocional.
Eron Falbo: [19:23] Desculpa, você estava falando alguma coisa?
Edwin Luisi: [19:25] Não, não é isso não.
Eron Falbo: [19:26] Então tá bom. Eu vou te fazer uma pergunta meio fora da caixa aqui. Se você pudesse escolher uma pessoa para conversar, seja viva ou morta, durante uma hora, se pudesse escolher qualquer pessoa, quem seria e por quê?
Edwin Luisi: [19:43] Olha, eu acho, não vou demorar nem muito para responder, porque eu tenho uma fascinação pelo Leonardo da Vinci. Eu gostaria não só de conversar com ele, como de trazê-lo para este momento histórico e mostrar... Para dar uma ajudinha. Não, para ele ver o que... Como é que foi assim? Porque ele era um gênio, né? Ele era um gênio, então eu queria ver as reações dele, queria bater papo e entender como é que ele fez toda a obra dele. Era um homem polivalente e eu tenho uma fascinação por ele enorme.
Eron Falbo: [20:22] Você me passa uma coisa: apesar de você ser ator, me parece que você é bem científico, no sentido de observar, no sentido de estar consciente, de explorar, porque você me falou muitas coisas que dão dicas de alguém que está muito acordado, que está muito... Acho que científico é a melhor palavra, ainda mais que você trouxe o Leonardo da Vinci. Você falou exatamente sobre as emoções que estão sendo condicionadas.
Edwin Luisi: [20:50] Ele era um cientista e um artista. Eu acho que essa junção é maravilhosa. E é claro que isso fala... Eu, para fazer uma outra peça, uma peça que eu estudei, que eu fiz, que eu chamava Freud, eu quis estudar a psicanálise profundamente. Então eu parti para a psicanálise. Como eu sabia com antecedência que eu ia fazer essa peça, um ano depois eu comecei a estudar Jung, e do Jung eu passei para os arquétipos. Para entender melhor os arquétipos, eu estudei astrologia e mitologia grega. Mitologia eu já conhecia muito, mitologia grega, porque eu aprendi na escola de teatro, mas eu fui aprender sobre arquétipos e sobre a astrologia. E eu sou uma junção muito típica dos meus signos. Eu tenho um lado extremamente racional, meu ascendente é virgem, e tenho um lado completamente despirocado, que é o aquário, que também tem uma cabeça científica. Então eu percebi, ao longo da minha vida, tomei ciência disso muito tardiamente: eu reservei a minha vida, o dia a dia da minha vida, para o virgem. Então, eu sou bom moço, eu tenho tudo muito arrumado, eu gosto das coisas organizadas, eu quero que as pessoas me vejam como uma pessoa gentil, generosa, mas tem um lado aquário. Que é um signo totalmente mental, está nas estrelas, está no futuro, que eu jogo no palco. Uma vez, quando eu fazia a análise para fazer o Freud, eu falei: doutor, por que que no palco eu sou tão exuberante e na vida eu sou tão amorfo? Ele falou: você queria o contrário? O contrário eu seria pior, né? Você ser uma pessoa despirocada na vida e uma pessoa sem graça no palco? Não, é bom assim como é. Então eu fiquei contente com essa explicação e fiquei em paz, porque eu sempre reclamo comigo mesmo que eu acho que não sou a mesma pessoa no palco que sou na vida. Eu queria ser mais exuberante, mas eu não consigo.
Eron Falbo: [23:30] Mas realmente essa canalização é muito boa. Freud justamente fala sobre isso, que todos nós temos todas as psicopatologias de uma maneira ou de outra, e a psicopatologia, quando se mostra de fato, é quando a gente canaliza elas mal. Então acho que você ganhou o jogo aí, canalizando o aquário no seu lugar.
Edwin Luisi: [23:50] Graças a Deus, porque seria muito chato se eu fosse... Não, eu conheço belíssimos atores que são virginianos no palco, porque são muito detalhados, eu sou muito detalhista. Os meus amigos sempre falam: você trabalha com as filigranas, você trabalha com o rendilhamento do personagem. Porque eu vou buscando várias coisinhas para acrescentar na composição. Eu não consigo entrar no palco e ser eu. Até porque eu acho que não tenho interesse nenhum. Quer dizer, eu não sou uma pessoa interessante. Eu preciso me armar em mil detalhes para ficar interessante. Isso é ótimo, porque eu nunca repito. De papel para papel, eu mudo muito, o que é ótimo.
Eron Falbo: [24:34] É, maravilha, de papel para papel no mesmo palco. Indo mais além, o Jung, é isso que você está falando, uma coisa muito interessante, que você conseguiu ter consciência desses seus dois lados e achar canalizações com consciência, que isso não é muito normal. Às vezes as pessoas fazem muita análise para descobrir o que está errado e onde elas estão canalizando as coisas erradas. E eu vou dar um exemplo disso: o Jung fala que a gente tem o nosso lado consciente, o lado comum, e tem o lado da sombra, o lado que a gente não tem consciência, o lado que às vezes nos sabota, o lado que às vezes quer ser selvagem, que quer ser... Talvez esse seu lado que você coloca no palco, a gente não conversou o suficiente para saber isso, mas existe isso muito, o Dr. Jekyll e o Mr. Hyde, e você ter essa válvula de escape da sua sombra ou do seu lado mais selvagem, espontâneo, livre, é uma coisa que te dá muito equilíbrio. É verdade isso?
Edwin Luisi: [25:42] É verdade, sim, é verdade. Eu convivo muito bem com isso, porque eu sei que eu tô resguardado de um e de outro, entendeu? Eu tô resguardado. Na vida, é bom que eu seja essa pessoa como eu sou. Eu sofri muito no passado por ser meio careta, sabe?
Eron Falbo: [26:02] Mas retrospectivamente é bom, né?
Edwin Luisi: [26:04] Eu sou muito careta. Mas ao mesmo tempo, o que eu faço no palco me dá também uma satisfação, porque pelo menos eu tenho isso. Você pode imaginar o que é pra um ator como eu ficar sem trabalhar tanto tempo como eu tô. Porque eu preciso disso. Porque a minha existência é meio sem graça. Sabe, é acordar... O que eu faço, mesmo quando eu tô atuando, mesmo quando eu tô andando na rua, que me reconhece, eu sou aquela pessoa que... provinciana, né? Que vai à feira, que vai ao supermercado, volta pra casa, faz a comida, lava a louça. Eu tenho uma vida cotidiana bem sem graça, mas me leva pro palco. Aí deixa comigo, eu fico louco, aí eu enlouqueço. Então tá bom pra mim.
Eron Falbo: [26:59] Esse é outro insight que você deu agora, que uma pessoa como você, que tem essa válvula de escape ou, vamos dizer, essa oportunidade de equilíbrio dentro do palco, alguém que está nesse tempo de pandemia sem essa coisa, você não tem feito outras coisas para poder se equilibrar, buscar esse equilíbrio?
Edwin Luisi: [27:21] Eu não entendi o que você falou. Você tem feito o quê?
Eron Falbo: [27:23] Porque você está nessa época de pandemia sem os palcos, sem isso. Sem esse seu equilíbrio de liberar sua sombra, de liberar o aquariano.
Edwin Luisi: [27:33] É verdade, é muito difícil.
Eron Falbo: [27:35] Você tem feito outras coisas buscando esse equilíbrio?
Edwin Luisi: [27:40] Não, nada. É o seguinte: antes de vir a pandemia, eu tinha feito quatro peças seguidamente. Aí eu fui para Portugal, fiquei um ano lá fazendo uma novela. Eu saí numa sexta-feira de Portugal, na segunda-feira fecharam os aeroportos lá de Lisboa. Eu não podia ter voltado. Eu voltei. Uma semana depois, no Brasil, a gente se trancou dentro de casa. Então eu falei: que bom, eu vou ficar em paz. Eu trabalhei tanto ultimamente, tanto, que eu acho que é bom eu dar um tempo pra mim. E como eu tinha ficado em Portugal há muito tempo, eu voltei com algumas demandas físicas. Eu precisava fazer um tratamento aqui, uma coisa ali, e eu comecei a cuidar de mim, cuidar do meu físico, porque eu tinha trabalhado tanto, tanto, tanto, tanto, e aí eu comecei a fazer todas as coisas, só que isso acabou já há um tempo atrás. Agora é que eu tô começando a sentir esse tédio de não fazer nada. De uns três meses pra cá que eu tô começando a sentir... E você?
Eron Falbo: [28:49] Já tá começando a procurar coisas?
Edwin Luisi: [28:52] É, mas não tem o que fazer, viu? Não tem, não tem. Eu só posso ler, ler, ler, é só o que dá pra fazer, porque também acho que não adianta eu encontrar uma peça agora. Eu até arrumei uma sarna para me coçar, que era mudar daqui de onde eu moro. Eu moro aqui há 31 anos e isso para um aquariano é a morte. Aquariano quer movimento, quer viagem, quer mudança, mudança, necessidade. E comecei a procurar apartamentos, gente, mas também tá meio esquisito, o mercado tá estranho, porque eu moro há muito tempo no mesmo lugar, é um apartamento enorme, eu também quero diminuir um pouco. Enfim, é isso.
Eron Falbo: [29:35] Onde você mora? Você mora no Rio ou em São Paulo?
Edwin Luisi: [29:37] Eu moro no Rio, moro no Leblon, moro num apartamento que eu comprei há muito tempo atrás, que também tem uma história, porque cada coisa que a gente fala tem uma história por trás, né? Esse apartamento eu comprei numa segunda-feira, em 1990, está fazendo 32 anos. Eu tinha vendido o apartamento onde eu morava e estava com dinheiro, procurando apartamento e fazendo uma peça de teatro em São Paulo. Então, toda segunda-feira eu vinha para cá, procurava apartamento e voltava para São Paulo, até que eu achei este aqui. Só que eu não tinha o dinheiro suficiente, voltei para São Paulo, meu irmão me emprestou o restante, que depois eu paguei. Vim na segunda, comprei; na terça-feira foi o feriado bancário do Plano Collor, da Zélia Cardoso de Mello. Quer dizer, por um dia eu não perdia todo o meu dinheiro, que eu estava na venda do outro apartamento. Quer dizer, foi a maior sorte que um ser humano pode ter na vida, né?
Eron Falbo: [30:45] Incrível. E, pô, 31 anos é muito tempo para você morar no Leblon. Vejo o Leblon sendo maravilhoso.
Edwin Luisi: [30:51] Você mora onde?
Eron Falbo: [30:52] Eu moro aqui no Leme.
Edwin Luisi: [30:54] Ah, no Leme.
Eron Falbo: [30:54] É o Leblon desse lado aqui.
Edwin Luisi: [30:56] É, não, é fantástico. São três bairros, né? Leblon, Leme e Urca, que são pequenos bairros, né? E o bairro do Peixoto também, claro.
Eron Falbo: [31:08] Ah, eu não conheço o bairro do Peixoto.
Edwin Luisi: [31:10] Você é carioca, não?
Eron Falbo: [31:12] Não, eu sou de Brasília.
Edwin Luisi: [31:13] Ah, bom.
Eron Falbo: [31:15] Mas, Edwin, deixa eu te perguntar: eu não sabia desse seu lado de mitologia, que é uma coisa que eu sou fascinado também. Você falou que estudou isso um pouco. Quando você estudou Jung, você foi para a mitologia grega, que você já tinha passado um bom tempo estudando. Posso te perguntar: você tem algum outro... alguma história, algum mito que você sempre lembra, que você sempre traz como exemplo, alguma coisa favorita desse tipo?
Edwin Luisi: [31:45] Bom, você estudando mitologia grega, como eu estudei na história do teatro e depois na vida, que eu fui estudando, você percebe que os gregos condensaram todo o pensamento ocidental dentro da mitologia grega. Como eles não tinham o direito, como os romanos fizeram, eles tinham que trazer, através da mitologia, através dos arquétipos, os ensinamentos para o povo grego se comportar em sociedade. Eles explicavam absolutamente tudo. O mito que eu acho mais bonito é o da Perséfone. É o jeito que eles explicam a primavera, o verão, o outono e o inverno. Porque o Hades, que é o deus do inferno, o deus das trevas, se apaixona pela Perséfone, a rapta e leva para o fundo da terra, como se fosse a semente que vai germinar embaixo da terra. A mãe dela, que é Ceres, fica furiosa e começa a não dar mais. Era deusa da agricultura, ela começa a não ter mais agricultura na Grécia. Ela faz com que todas as colheitas sequem, e aí os deuses fazem um acordo com ela de que a Perséfone venha seis meses para fora, para germinar e a colheita ser plantada. Então, eles explicam o ciclo da primavera, verão, outono e inverno através do mito da Perséfone. Eu acho muito lindo.
Eron Falbo: [33:31] É isso que você falou de como...
Edwin Luisi: [33:34] Desculpe, é só para te dizer, é daí que eu acho que todos nós... a gente tem essa necessidade: a necessidade de um dia recolher, maturar e florescer. Eu acho que é por isso que eu falei que eu gosto desse mito, porque não é só em relação às estações do ano, nem à agricultura. É em relação à gente.
Eron Falbo: [33:59] É isso que eu ia dizer.
Edwin Luisi: [33:59] O momento que você se recolhe e o momento que você floresce.
Eron Falbo: [34:04] A gente vive hoje numa sociedade onde as coisas estão segmentadas. Ou você está falando sobre a agricultura, ou você está falando sobre a mente humana, ou está falando sobre ética. Na mitologia e nos mitos, no geral, você consegue falar sobre múltiplas coisas simultaneamente, com uma mesma condensação de história. Você coloca numa pílula poética, numa pílula de uma história profunda, arquetípica, universal, vários ângulos ao mesmo tempo.
Edwin Luisi: [34:40] Exatamente. Eu vou concordar com você em gênero, número e grau. Se nós vamos discorrer sobre esse papo, vamos fazer uma coisa: um dia a gente faz uma live só sobre isso, já vai ser ótimo.
Eron Falbo: [34:56] Com certeza.
Edwin Luisi: [34:57] É fascinante, é fascinante.
Eron Falbo: [35:00] Eu adoro, eu adoro. Então, Edwin, vamos falar um pouquinho sobre as suas outras obras. Você me parece muito apaixonado pelo teatro, do tipo do ator clássico que se dedica totalmente e considera o teatro sua casa, o portal da sua alma. Só que, ao mesmo tempo, você fez outras coisas: novelas, filmes. Qual foi a última coisa que você gostou muito de fazer, ou a última coisa que você fez? Se você puder contar uma história recente, para a gente poder conhecer um pouco mais do seu trabalho nas telas.
Edwin Luisi: [35:43] Claro. Você sabe, eu me formei pela escola de teatro, e naquela época longínqua a televisão era uma coisa totalmente distante de qualquer ser humano. Quem fazia era aquele pessoal da TV Tupi antiga. Era uma coisa muito incipiente ainda, embora tenham feito coisas maravilhosas. Eu nunca fui ligado à televisão porque eu sempre estudei de noite, a vida inteira eu estudei de noite, eu gostava da noite. Então eu não tive o hábito da televisão. Quando a televisão surgiu na minha vida, ela veio de uma forma meio avassaladora. Eu já tinha 29 anos, depois de três anos que eu estava fazendo teatro lá em São Paulo, eu já tinha ganho prêmio de melhor ator, ator revelação, lá em São Paulo. Eu fui convidado para fazer uma novela que foi uma novela icônica, que todo mundo conhece, que foi Escrava Isaura. E o sucesso foi retumbante. Mas eu sinto que nunca foi a minha forma de expressão plena, a televisão. A minha forma de expressão é o teatro mesmo, é onde eu me sinto mais à vontade, onde eu me sinto em casa, embora eu goste muito de fazer televisão pelo movimento: você trabalha com mais gente, cada dia com um grupo, cada dia um texto diferente. O teatro é um exercício de paciência, abnegação total. A televisão tem um pouco mais de movimento, onde você encontra uma capacidade de improvisação muito grande, o que serve muito ao teatro, porque na televisão você nunca sabe totalmente o texto na ponta da língua, você é obrigado a improvisar, obrigado a entender o que o outro tá dizendo diferente do texto original, e você é obrigado a se sair bem para não parar uma gravação. Isso dá uma rapidez de raciocínio ótima. Cinema eu adoro muito, adoro fazer cinema, mas apareceu muito pouco na minha vida. Eu fiz grandes trabalhos, acho que mais no teatro do que na televisão, e tem várias peças onde eu trabalhei com ótimos diretores, grandes atores. Mas se eu for falar alguma coisa muito deliciosa, que tá muito fresca na minha memória, é essa novela que eu fiz agora em Portugal. Não é teatro, é novela, que me deu a capacidade, a possibilidade de viver uma aventura num outro país. Eu fiquei lá, eu e Lucélia. Nós fizemos o par romântico na novela Escrava Isaura, isso há 40 e tantos anos atrás. Nunca ninguém teve essa ideia de nos juntar de novo. E um português falou: eu vou chamar aqueles dois atores que fizeram Escrava Isaura. E fez um papel, nós éramos um casal na novela. E embarquei eu e Lucélia para Portugal, ficamos um ano lá, comendo tudo que é delicioso da cozinha portuguesa, conhecendo toda a intelectualidade portuguesa, que eles são bárbaros, atores fascinantes, morando num lugar gostoso e vivendo essa vida que você sabe que é uma vez aqui, outra lá, né? Porque nós, no Brasil, se a gente falasse espanhol, eu poderia trabalhar no México, eu podia trabalhar no Uruguai, eu podia trabalhar na Espanha, eu poderia trabalhar aqui. Infelizmente, falando português do Brasil, você só consegue trabalhar aqui e ser convidado para fazer um papel de brasileiro numa novela portuguesa. É muito limitado.
Eron Falbo: [39:30] Você falou brasileiro mesmo.
Edwin Luisi: [39:32] Falei brasileiro.
Eron Falbo: [39:34] Porque é até difícil de entender o sotaque lá. Você demora um tempinho para se adaptar.
Edwin Luisi: [39:40] Muito. Tem muitas coisas muito diferentes. É muito diferente.
Eron Falbo: [39:44] Mas isso é fascinante, eu acho que eu nunca tinha ouvido falar. Como é que é a cena de atores da cultura portuguesa? Acho que aqui no Brasil a gente... na verdade, no mundo inteiro, quem sabe sobre o que rola em Portugal? O que rola nos bastidores? Como é que é?
Edwin Luisi: [39:59] Rola muito, viu? Rola muito. A grande perversidade é que nós nos habituamos por um tipo de emigração que houve para o Brasil, dos portugueses do Trás-os-Montes, gente muito humilde, muito pobre, que veio para cá, que falava mesmo a língua com a gente, mas que a gente não entendia direito, e ficou uma chacota em cima do português de Portugal. Aí, quando você vai para lá e convive com eles, você vê que estamos redondamente enganados. Eles são um povo civilizado, eles estão agora fazendo parte da comunidade da União Europeia, né? Eles têm o euro, eles estão com um orgulho enorme. O português teve um desenvolvimento nos últimos 20 anos, desde que eles estão na Europa, porque antigamente, né, você tava em Portugal e falava: eu vou pra Europa. Eles se consideravam península ibérica. Hoje não, eles são europeus, com tudo aquilo de bom que essa palavra pode trazer. E é fascinante, eles têm belíssimos atores, fazem um teatro maravilhoso. E é uma pena, porque nós não conhecemos nada, e eles conhecem absolutamente tudo que é nosso, e nós não conhecemos nada que é deles. Culpa das embaixadas, é claro.
Eron Falbo: [41:26] Edwin, foi um prazer enorme te ter aqui comigo. O tempo passou muito rapidamente, a gente tem mais uns 4 minutinhos aqui. Eu costumo fazer uma pergunta para conhecer você melhor, sempre no finalzinho. Se você puder responder, eu queria saber, é uma pergunta que, vamos dizer, você responde da primeira maneira que vier no seu coração. A gente vivendo tantas coisas no mundo para fazer a gente questionar, para fazer a gente mudar de cabeça, de coração, eu queria saber, para você, Edwin, hoje, depois de tudo isso, depois da pandemia, depois de tudo isso que você viveu, o que que para você é a coisa mais importante desse mundo?
Edwin Luisi: [42:14] São várias as coisas, mas eu vou falar uma. Eu nunca dei tanta importância para um abraço, eu nunca dei tanta importância para um café, um carinho, uma palavra amiga. E a gente vivia dessa forma. Hoje, cada coisa dessa vai ter um peso diferenciado. Eu sinto muita falta de abraço, muito, muito, de afeto. Eu tô um ano e três meses sozinho, fechado nessa casa, e eu não vou dizer que é uma solidão imensa, porque eu me dou bem comigo mesmo, mas eu preciso de afeto, eu preciso de abraço. É isso.
Eron Falbo: [42:55] Maravilha, Edwin. Muitíssimo obrigado por ter participado, foi uma maravilha te conhecer.
Edwin Luisi: [43:01] Foi ótimo.
Eron Falbo: [43:01] Você é uma pessoa fascinante. Eu queria só te pedir, a gente vai fazer uns últimos avisos, se você puder só esperar em linha um minutinho pra gente conversar depois que sair do áudio. Claro.
Edwin Luisi: [43:14] Ok, eu vou dar nota. É pra dar nota?
Eron Falbo: [43:16] É, talvez.
Edwin Luisi: [43:17] É grau de satisfação?
Eron Falbo: [43:19] É, tipo isso.
Edwin Luisi: [43:20] Grau de satisfação de 1 a 5?
Eron Falbo: [43:23] É, algo assim. A gente se fala. Muito obrigado, meu filho. Tudo de bom. Tchau, tchau.
Edwin Luisi: [43:29] Um beijão para todos aí.
Eron Falbo: [43:31] Valeu. É isso aí, pessoal. Eu criei essa pírola que contém toda sabedoria adquirida em uma hora de conversa e eu vou liberá-la em um minuto pra vocês. Antes disso, eu vou pedir encarecidamente que vocês deem o like nas nossas páginas todas. A gente é o único talk show em todo o planeta Terra que lança em todas as mídias sociais ao mesmo tempo. E também eu queria dizer pra vocês seguirem o Edwin Luisi nas redes sociais dele e sigam o trabalho dele. E vamos incentivá-lo a fazer uma novela logo aqui, me lembrem que seja online, que ele tá precisando dar vazão ao ator dentro dele. Mas aí, depois disso, depois de pedir a todo mundo fazer todos os likes e seguirem, que todo mundo já sabe como é que faz, porque todo mundo pede, agora eu vou dizer o que eu aprendi com Edwin Luisi hoje. Acho que a primeira coisa que me vem, e acho que a coisa mais impactante, é o tanto que ele é aberto, o tanto que ele é bem resolvido como pessoa, porque ele tá disposto a falar, que nem ele falou agora, tô precisando de um abraço, e você falar isso pra uma pessoa que você nem conhece, pra várias pessoas que você conhece, e ser aberto desse tanto é uma coisa muito bonita, e eu sei que requer uma grandeza pessoal muito grande. E isso dá pra ver que ele tem. Eu perguntei pra ele que bebida ele bebia, ele não só falou que ele não bebia bebida, como ele falou: mas por favor, deixa ele beber um vinho e a gente brinda a vida. Então assim, não quis que eu não bebesse junto com ele, mas que eu bebesse, fosse feliz, e ele não. Bom, ele é feliz do jeito que ele é, certamente, mas estou falando que dá pra ver que ele é essa pessoa sóbria, e realmente é impactante isso, você poder ser como ele é fora dos palcos de uma maneira e achar essa canalização para se soltar, para se tornar selvagem durante um período calculado. Isso é uma coisa que realmente me faz pensar na minha própria vida e como eu deveria recanalizar certos momentos de mim mesmo e talvez conquistar esses níveis de sobriedade maior nos momentos que eu preciso mais. Então é isso, foi uma grande maravilha. Nos assistam ao vivo todos os dias às 19 horas e nunca se esqueçam, um dia da caça, outro do caçador.
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