Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.
Eron Falbo: [0:05] Alô, boa noite, boa noite. Mais um episódio de Viva Total com Thiago Queiroz. A intenção dessas lives aqui é a gente ter material, pegar pessoas que eu acredito que vivem vidas mais completas, mais explosivas, mais inteiras, né? E aprender com elas. Eu tô aprendendo com os meus amigos. Para quem não me conhece, eu sou o Eron Falbo. Eu sou um Zé Ninguém, mas eu tenho amigos bons, e eu posso convidar eles para as lives e perder o tempo deles e aprender um monte de coisa. Então é uma maravilha.
Thiago Queiroz: [0:51] Cara, essa é a história da minha vida, Eron. Essa questão de eu querer sempre fazer um monte de coisa, e aí as pessoas me falavam: minha família, escolhe uma coisa e seja bom naquilo. Mas cara, eu tenho tantas vontades, tantos desejos, como é que eu vou escolher um só? Como é que eu vou fazer isso com o aspecto da minha vida e todos esses outros aspectos que estão gritando para sair, entendeu? E aí eu fui aprendendo a lidar com todos esses aspectos meus juntos, que tem a vertente da música, tem da arte, do esporte, enfim. Inclusive, agora tô quebrando vários paradigmas que eu tinha criado, vários dogmas internos, né? E voltei a estudar, voltei a estudar gestão, e voltei a estudar matemática, enfim, tô envolvido. Aprender é o que há, cara. É o que há na vida. Não tem nada melhor do que você aprender.
Eron Falbo: [1:56] E é por isso que você tá aqui, cara, porque eu sei disso, né? Eu sei que você tem essa explosão dentro de você, né? Esses gritos que você falou aí que estavam dentro de você. E eu sei que você sempre escutou eles, né? Você sempre tava dando atenção pra esses gritos. E foi indo em diferentes direções, né, vamos dizer. Mas conta um pouquinho, assim, da sua trajetória. Que tipo de coisa você fez? Entendeu? Cronologicamente, entendeu? As diferentes loucuras que você envolveu. Não preciso contar as piores, não.
Thiago Queiroz: [2:33] Ah, que bom, tem criança assistindo. Tudo começou com um filme chamado Point Break, né, Caçadores de Emoção. Aquele filme mudou a minha vida, cara. É mesmo. Foi um filme, cara, que eu vi assim, nossa, esses caras tão vivendo a vida mesmo, tão surfando, tão fazendo um monte de coisa.
Eron Falbo: [3:00] Falei, cara, você tá de paraquedas.
Thiago Queiroz: [3:03] Pô, tem que assistir esse filme, é filmaço. O antigo, né, tem um novo aí, vai ter um antigo que é top, né. Aí você tem que assistir, vai mudar a sua vida também. Não sei se vai ter o mesmo impacto que teve comigo, né. As três são a verdade. Mas foi fera. E aí tudo começou assim, a minha vida começa mesmo a tomar forma quando eu começo a gostar de esportes em geral. Então eu primeiro comecei surfando: meu irmão morava no Rio, fazia medicina lá, e eu ia visitá-lo, e ele me levava bem cedo, 4 da manhã, ele me acordava, 4 e meia da manhã: bora, Tiagão, bora surfar. E eu ia com ele, porque ele tinha que surfar antes de ir pra faculdade, e fui pegando gosto, né, cara? Botava em cada mar aí, cara. Você tá no Rio aí, né? Botava em cada mar, velho. Mega parede, eu ficava sozinho lá no mar. Falava: meu Deus, eu vou morrer aqui. Já fui aprendendo a lidar com essa emoção. Primeira onda, segunda onda, aquilo muda sua vida. Você fala: caraca, peguei uma onda, né? Interagir com o meio ambiente, interagir com a natureza, é uma coisa, pô, não tem explicação.
Eron Falbo: [4:24] Entrou na corrente da natureza, eu nunca tinha pensado nisso.
Thiago Queiroz: [4:29] Virtual, você vê aquele sol nascendo, a onda começa a te levar, você vai indo, de repente você tá em cima da prancha, tá surfando, aí tem uma parede de cristal líquido, assim, na sua frente, com aquele sol batendo. É, cara, é surreal, é uma arte que vai acontecendo na sua frente, assim, não tem explicação. E aí, pode falar, foi gerando esse sentimento, essa emoção, aos 12. Aí foi aos 12 anos que o Ricardo me levou também, me acordou um dia de manhã, falou: pô, fui pegar a prancha, e falou: não, não, não é pra pegar a prancha, não. Eu falei... Minha mãe tava lá, meu pai, minha mãe, minha família. Não, não, para, fica baixo, fala nada, e tal. Entramos no carro e fomos parar em Resende, cara. Eu tinha 12 anos, né? E aí, pô, cara, me equiparam lá no final de tarde, era o aeródromo lá, sacou? E aí, pô, com 12 anos eu fiz o meu primeiro salto de paraquedas.
Eron Falbo: [5:32] Caraca, né? Sabia isso não, cara.
Thiago Queiroz: [5:34] É, cara, foi com 12. Tipo, medo nenhum, sacou? Com 12 anos. O que eu sabia? Foi assim, foi o êxtase da vida, entendeu? E aí, tudo começou ali, né, a partir daí. Sempre muito interessado em esportes, né, sempre muito voltado para o esporte. E aí, eu lembro que eu fiz uma trip com a família, a gente foi pra Snowy Mountain, fizemos snowboard, e eu falei: eu quero morar aqui, eu quero morar aqui. E minha mãe ficava rindo na minha cara, e falou: morar aqui, moleque? Morar no Cerrado, lá em Brasília, que tá doido.
Eron Falbo: [6:07] Você quer morar em todos os lugares ao mesmo tempo, né? Você quer se espalhar.
Thiago Queiroz: [6:11] Eu falei: eu quero fazer isso, eu quero fazer isso. Ela falou: não, não, vai voltar pra Brasília. Aí foi quando entra, né, o grande Felipe E.T. Carvalho, esse cabra aí, me levou para andar de wake. Quando eu cheguei em Brasília dessa vez, eu sabia que o Felipe já estava quebrando aqui nos campeonatos aqui em Brasília e tal, a gente falou: pô, o cara tem relação do wakeboard aqui em Brasília e tal, ele levou todo mundo, os amigos todos levou, a gente começou a andar de wake. Tornamos aquilo uma profissão, cara. Era todo dia, horas e horas e horas no lago.
Eron Falbo: [6:48] Eu tinha mó inveja, cara. Eu tinha mó inveja disso. Aí eu chamava vocês de playboy pra me vingar, entendeu? Porque, na verdade, eu queria estar lá também.
Thiago Queiroz: [7:00] É, não, eles eram playboy mesmo, esses moleques ali. Cara, e aí, pô, realmente levamos muito a sério o wakeboard, né? Foi incrível, cara. Foi uma história de anos, de campeonatos, treino, equipe, cara voando atrás do barco usando a marola, e as lanchas foram melhorando, as pranchas a gente foi conhecendo. É aquela coisa de você sentar em grupo e, cara, assistir os vídeos e falar: meu Deus, cara, que esses caras... Os caras eram, tipo, teus ídolos, assim, cara, aqueles caras. Chegamos a conhecê-los, entendeu? Depois de um tempo, fomos à Califórnia, fizemos uma trip pra lá, fizemos um show. Conhecemos nossos ídolos, conversamos com eles, tomamos cerveja juntos.
Eron Falbo: [7:47] Mas quem é a gente? Quem foi com você?
Thiago Queiroz: [7:50] Eu, o Felipe, o Testa, toda essa galera. Foi Felipe, cara. E aí todo o pessoal também do campeonato da BW, que participava dos campeonatos da BW na época, a galera, o Marreco, todo mundo que tá inclusive até hoje no wakeboard aí, né, vivendo esse sonho, né, até hoje, cara.
Eron Falbo: [8:13] Cara, uma galera dessas que fazem esse tipo de extreme sports, essas paradas desafiadoras e tudo mais, eu tenho a impressão de olhar mesmo, não olhei nenhuma estatística sobre isso, posso estar viajando, mas tenho a impressão que a galera fica mais espiritualizada, sabe? Você, eu, Felipe, porra, algumas outras pessoas que eu conheço entram em meditação, começam a ficar mais espiritualizadas. O que você acha que tem a ver?
Thiago Queiroz: [8:45] Tem dois lados. Enfim, pô, também tem um lado daquele, né, que eram muitos jovens, né, e a gente viajava o Brasil inteiro, né. Então era... Tinha um lado também do party life, né, cara, que você ia viajar, que você ia não sei o quê. E também, isso aí, eu acho que, em cima da espiritualidade, é uma escolha, né. Ela acontece, ela vai acontecendo dentro da sua vida.
Eron Falbo: [9:15] Mas a pergunta é tipo assim, porque... Você acha que tem alguma conexão? Porque eu tô falando depois, later in life, tipo nas outras fases da vida, as pessoas começam a se conectar mais. Você acha que tem a ver uma coisa com a outra ou estou viajando?
Thiago Queiroz: [9:33] Não, eu creio que sim, cara. Tem, sim, tem muito disso, dessa busca. Como você gosta dos esportes radicais, dos esportes extremos, esportes de ação, né, geralmente, pô, com o tempo que você vai amadurecendo isso na sua vida, você vai querendo criar mais momentos assim, e você vai também dando mais atenção à própria concentração. Eu costumo dizer que um salto de paraquedas é como se fosse uma meditação de 30 segundos, 40 segundos, porque não tem como eu pensar em outra coisa, sacou, Eron? Então eu tô ali, não existe nada mais do que aquilo ali.
Eron Falbo: [10:14] O Felipe tá falando aqui: conexão com o corpo e consigo mesmo, né? Que acho que tem a ver com o que você tá falando.
Thiago Queiroz: [10:21] Total, conexão com a gente.
Eron Falbo: [10:23] Eu acho que também lidar com o medo, você superar o medo, isso acho que também gera uma fé, gera uma entrega.
Thiago Queiroz: [10:34] Não, com certeza. Eu, com meus 32 anos, foi quando eu comecei a conhecer o paraquedismo mesmo, porque eu tive outras oportunidades para conhecer o paraquedismo. Então, com uns 29, 27 anos eu comecei a aprender asa delta, virei piloto de asa delta. Antes disso eu tinha feito wakeboard também. Aí eu dei uma saída do wakeboard aos 20 e poucos, 22 anos. Aí eu fui explorar outras coisas, né? E aí, aos 32 anos, 20 anos depois que eu tinha feito o meu curso de paraquedas, eu subi no avião para saltar pela primeira vez. Meu, eu achei que ia morrer, velho. Eu achei que eu ia morrer, eu juro pra você. Nunca rezei e orei tanto na minha vida, cara, sacou? Nunca rezei, cara. E olha que eu tava no avião e eu falei... caraca. O meu jumpmaster olhou pra mim e falou: 'Thiago, tu tá bem, cara?'. Eu falei: 'Cara, eu tô orando pra caramba aqui, eu tô rezando demais'. Ele falou: 'Pô, eu sou pastor evangélico'. Eu: 'Porra, que massa, meu irmão, então já me abençoa aqui na hora que eu tô precisando'. E aí, cara, saí do avião e todo aquele medo, toda aquela coisa, foi embora. No mesmo instante trocou pra uma sensação de paz, uma sensação de alegria muito grande, entendeu? Então, sim, tem uma conexão muito forte, cara, com esse tipo de superação, entendeu? Eu, cara, nunca tinha gostado de avião assim mesmo. Eu sempre estava com o pé atrás no avião. Nunca na minha vida eu imaginava me tornar paraquedista. Jamais imaginei isso na minha vida. Foi uma coisa que simplesmente aconteceu.
Eron Falbo: [12:24] Faz quanto tempo você começou a levar mais a sério mesmo e fazer aula e não sei o quê?
Thiago Queiroz: [12:32] Tem quatro anos já, entendeu? Vai entrando para o quarto ano já, entendeu? E eu realmente, desde o início, já levei muito a sério. Até porque eu achava que nada novo podia acontecer na minha vida. Sabe aquelas coisas? Você diz assim, já vivi um monte de esporte, já vivi um monte de coisa, será que tem alguma coisa nova que eu posso viver? E tem! Hoje em dia eu acredito que tem muito mais para viver, inclusive. Eu estou pronto para ver o que vem próximo. Estou pronto.
Eron Falbo: [13:07] Mais surpresos.
Thiago Queiroz: [13:10] Eu venho me preparando pra isso uma vida inteira. Tô preparado, vamos lá, cara, eu quero, eu quero muito isso. E é isso, cara, eu tenho quatro anos já, vai fazer o quarto ano, e sempre muito focado. No início a gente chama de fúria no paraquedismo: 'não, o menino tá na fúria'. Tipo assim, você quer saltar, você não quer parar de saltar. Eu cheguei a saltar, tipo, 45 vezes em um evento em poucos dias. Acho que eram 8 dias, 45 saltos em 8 dias. É muito, cara.
Eron Falbo: [13:47] E eu morro de medo de fazer um, cara.
Thiago Queiroz: [13:50] Não, no final tá todo mundo assim. Um tá doente, o outro tá lá, assim, dormindo no avião. Você fala: caraca, o cara tá dormindo no avião, meu. É, tipo assim, ele está cansado, entendeu?
Eron Falbo: [14:06] Sua esposa está falando que só salta de paraquedas quem tem muita fé em Deus, uma entrega total da sua vida nas mãos dele. E também tem que ter muita fé no marido, né, para deixar... Como é que é isso? Ela se incomoda de você ser paraquedista? Como é que é isso?
Thiago Queiroz: [14:28] Ela já teve um... Inicialmente ela não gostava muito não, né, a minha esposa, né, a Ju. Maravilhosa, a Ju. Ela ficava um pouco apreensiva, assim, né. Hoje em dia eu creio que ela... Quando nós vamos, assim, a gente faz umas orações juntos, entendeu? A gente pensa em Deus. Tem que ter, sim, tem que ter fé em Deus, com certeza. E fé na energia, na energia maior, na energia universal. Você tem que estar bem, você tem que estar bem com você mesmo. Você tem que ter fé também no cara que dobrou seu paraquedas. Muito importante, entendeu?
Eron Falbo: [15:10] O paraquedista chega em casa tarde da noite e eu mando a pergunta: onde você estava? Aí ele fala: eu estava num motel com três mulheres, estava me divertindo pra caralho. Aí ela fala: mentiroso, estava pulando de paraquedas que eu sei.
Thiago Queiroz: [15:26] Você comprou um paraquedas novo? Não é barato, não é barato. Realmente é um assunto de vida, a gente tem que saber... É comprar, né, gastar direitinho aí, porque senão vai embora tudo mesmo. Só na TV lá de casa, cadê a TV que estava aqui, o telão, não sei o que aconteceu. Capacete novinho, né, é caro.
Eron Falbo: [15:54] É caro, é caro pra caramba.
Thiago Queiroz: [15:56] Equipamento, ah, cara, geral assim, em geral não é caro saltar, entendeu. Mas se você quiser equipamento de primeira linha, novo, zeradinho, vai gastar ainda mais. Um dólar esse valor aí, né, cinco e...
Eron Falbo: [16:12] Aquela roupa de prisioneiro do futuro, por que tem que ter ela se tem já o paraquedas? Como é que é isso?
Thiago Queiroz: [16:21] Qual roupa, velho? Qual roupa, prisioneiro?
Eron Falbo: [16:24] A roupa que se usa quando você pula, tem a roupinha. Tipo, o uniforme de prisioneiro?
Thiago Queiroz: [16:31] Ah, não, é um macacão. É um pequeno, pô. Ele é normal, tem vários estilos. A minha é amarela, esqueci.
Eron Falbo: [16:37] Mas por que que tem que ter isso? Vai, tipo, acontecer?
Thiago Queiroz: [16:42] Tem proteção, ela é cheia de proteção. O vento também não para, se você estiver usando uma camisa, por exemplo, por causa do vento ela pode subir. Aí ela tampa seus punhos, punho de desconexão, punho de acionamento do reserva. Isso aí é só mais por segurança mesmo, para ficar bonito também, estiloso.
Eron Falbo: [17:07] E a questão, cara, eu vi outro dia um vídeo seu, né, que você mandou, eu achei caramba, muito, muito bom, cara. Como é que é essa parada de produção cultural e esporte? Tipo, parada do GoPro, existe cameraman de GoPro? Como é que é isso?
Thiago Queiroz: [17:23] Não, tem tudo isso aí. Basicamente, quem me incentivou muito a fazer paraquedismo foi o meu sócio, meu amigo, irmão, o Lucas, o Zion, o Marasta, né? Ele e nós fundamos a INIT, né. Então, a INIT já é como se fosse uma produtora de vídeo, mas produtoras de vídeo sempre têm um... Elas são muito limitadas, enfim, você nunca consegue fazer o que você quer, assim, você nunca consegue trabalhar direito o que você quer, porque acabam vindo muitos outros trabalhos, né, voltados para empresas, enfim. Então, a gente criou a INIT como um conceito, basicamente. Eu falei: vamos gerar um conceito aqui, uma marca que trabalhe com esportes, com arte, com música, tudo envolvido, as coisas que a gente ama fazer. E aí ele me incentivou a iniciar o paraquedismo, ele falou assim: eu vou fazer paraquedismo, eu estou indo lá agora. Eu falei: eu vou. Aí eu entrei no carro e fui com ele, porque sempre tinha sido um sonho meu, eu tinha voado de asa há muitos anos e estava meio parado, né. E aí foi quando ele falou que ia saltar, e eu falei: eu vou também. Tanto que quando eu fui fazer asas, eu tinha o dinheiro para fazer paraquedismo, não tinha ligado no escófilo. Não, eu quero fazer paraquedismo.
Eron Falbo: [18:45] E o que é asa?
Thiago Queiroz: [18:46] Asa delta. Entendeu?
Eron Falbo: [18:49] Não é todo mundo que é desse mundo.
Thiago Queiroz: [18:52] Hã?
Eron Falbo: [18:53] Não é todo mundo que é desse mundo.
Thiago Queiroz: [18:57] É, estou usando jargões aqui, não é conhecido.
Eron Falbo: [19:00] Alguém fez uma pergunta aqui, vamos ver. Como conciliar tanto o esporte e a criação de filhos? Você se considera feminista ou acha mimimi?
Thiago Queiroz: [19:13] Uai, mas são duas perguntas então.
Eron Falbo: [19:17] Primeiro, como conciliar tanto o esporte e a criação de filhos? Acho que ele está ligado, porque ele deve estar falando: "Se você é feminista e está fazendo tanta coisa, como é que está cuidando dos seus filhos ao mesmo tempo?" Isso é lenda, porque o Thiago é paizão, está sempre postando mil vídeos, fazendo coisas com os filhos. Mas fala aí.
Thiago Queiroz: [19:43] A gente concilia, a gente dá um jeito. O meu filho nasceu ano passado e minha esposa estava grávida. Ano passado eu saltei pouco, relativamente com o ano anterior. Realmente, prioridades são prioridades. Filho, família, prioridades sempre na nossa vida. Se eu estou tendo uma liberdade maior, geralmente eu pego um dia da semana, vamos supor, uma vez a cada duas semanas, e esporte lá em casa todo dia, né? Então, enfim, eu pego uma horinha. Eu acho que no yoga mesmo eles falam isso: se você não tem uma hora para fazer yoga na sua vida, então faça yoga por duas horas. Duas horas por dia, entendeu? Você tem que se dar esse tempo também, é importante que você se coloque em algum momento. Então, se eu não consigo fazer esporte, criar meus filhos e trabalhar ao mesmo tempo, então acorda 4 da manhã, entendeu? Acorda 4 e meia, vai dormir um pouco mais cedo, acorda 5 horas, faz esporte, pega essa horinha pra você, se dedica a ela, entendeu? Basicamente, minha vida inteira girou em torno do esporte. Hoje em dia, eu tô... Então, pra...
Eron Falbo: [21:03] Pra mim, assim, seria tipo: ao invés de eu acordar meio-dia, eu vou ter que acordar 10 da manhã, tipo, tô falando.
Thiago Queiroz: [21:10] É isso, exatamente. Acorda 10 e vai fazer um esportezinho, sabe? Porque aí você vai se acostumar, você vai trocar. Você vai trocando, tipo, um hábito por outro. Inicialmente é difícil, mas você começa fazendo aquele hábito. Ah, não consigo fazer nem por 10 minutos, faz por 5, entendeu? Ah, não consegui, sim, para por dois e vai trocando, vai fazendo esse arco. Ele vai mudando. Daqui a pouco você não vai estar querendo parar, entendeu? Não é assim.
Eron Falbo: [21:44] É esse tipo de coisa que a gente quer saber, cara. Aqui no Viva o Total, o que a gente quer saber é isso. Tipo, essas dicas de como a gente consegue conciliar as paradas. Por isso que eu gostei da pergunta e quis fazer. Como que integra tudo, né? Mas já que você mencionou yoga, como que você começou no yoga?
Thiago Queiroz: [22:05] Eu comecei cedo no yoga. Eu me tornei instrutor de yoga. Hoje eu não pratico mais com a mesma intensidade que eu praticava antigamente. Eu incluí muito das práticas do yoga nas minhas práticas de workout, de treino. Hoje eu estou me formando também educador físico, por uma federação mundial de calistenia, que assim, eu amei calistenia, conheci calistenia, mudou minha vida, eu tinha dores, né, nas costas, assim, bizarras, e aí mudou minha vida, nunca mais eu tinha dor nas costas.
Eron Falbo: [22:48] Eu tenho, cara.
Thiago Queiroz: [22:49] É, isso é muito ruim. É, exatamente. Então isso é fortalecimento do corpo e, automaticamente, da mente. O seu dia a dia melhora em tudo. E o yoga começou com Djalma, Djalma Morandini, Matheus Djalma Morandini, um cara que veio aqui a Brasília, passou um tempo aqui, ele praticava Hatha Yoga, que é a yoga do diamante, uma yoga forte, entendeu? E ele foi um dos caras que me incentivou muito em lances de limites, que ele falava assim: você tem limite? Não, não tem. É uma coisa da sua cabeça. Você pode passar, entendeu? E eu estudo muito isso hoje. Geralmente, no próprio treino mesmo, eu estudei uma galera. Geralmente, quando você acha que você tá over, acabou, já tô cansado, você só foi 40% daquilo ali. Isso aí, no livro do David Goggins também, um cara militar americano, que foi o único que foi... Militares, foi CIA, Delta, e o cara conta que se você acha que você terminou, você só foi 40%, tem 60% pra ir ainda, entendeu? Então, ele tá sempre se colocando numa situação que é desconfortável, entendeu? Que isso que ele gosta é pra você sempre se manter ativo, sempre manter afiado, com a mente afiada. E claro, isso me interessa muito. E um dos meus primeiros, um dos precursores disso na minha vida foi o Djalma. O Djalma sempre me falava isso: você tem uma capacidade infinita dentro de você. Você pode fazer o que você basicamente botar a sua mente, aquele foco naquilo ali, você consegue. Entendeu? E ele era...
Eron Falbo: [24:45] Desculpa, desculpa. Terminei, desculpa. Claro, meu irmão. Cara, o que eu tenho interesse em saber, assim, é uma curiosidade pessoal mesmo, tipo... Desculpa aí, preciso só ajeitar essa parada aqui que tá caindo, cara. Uma curiosidade pessoal, tipo, cara: você aprendeu tanta coisa diversa e tal, eu acho que você tem tantos conteúdos pra oferecer, professor, e tudo mais. Você pretende, com essa diversidade de coisas que você estudou e tudo mais, tipo, juntar tudo, formar um método de ensinar para as pessoas essas coisas? Você já pensou nisso? Como é que é isso?
Thiago Queiroz: [25:23] Sim, eu tenho esse nosso projeto na Inity com o Lucas. Esse projeto envolve isso, entendeu? Ele envolve poder mostrar, poder ensinar, poder compartilhar tudo isso que a gente vem se preparando para fazer, que é uma vida de preparo, que a gente vai gerando isso, é uma vida. Então, sim, a gente tem muitos projetos voltados para isso, essa produção cultural toda, sim, está voltada para isso, muitas viagens. Antes do Mocorongo, antes de acontecer o Mocorongo, a gente estava planejando umas viagens, para a galera, ia ser Inity Trips, para o pessoal vir participar diretamente de experiências assim, entendeu? Em outros lugares, então as pessoas chegarem e saírem dessas zonas de conforto delas e verem que elas também conseguem fazer o mesmo, elas conseguem, elas têm essa energia, que elas podem superar esses limites, superar esses medos, entendeu? E a gente já estava preparando um projeto bem legal para isso, e com certeza estamos ainda preparando, mas não sabemos quando, agora, que a gente vai poder retomar esse projeto. Tem tudo a ver...
Eron Falbo: [26:46] E o que exatamente vocês vão fazer? Vocês vão dar palestras? Vão mostrar alguma coisa?
Thiago Queiroz: [26:52] A gente estava inicialmente... Através dos nossos vídeos, através desse conteúdo de mídia, a gente tem vontade dessa interação com o nosso público, com o público que gosta de esporte de ação, que gosta de paraquedismo, seja qual for o seu esporte, a gente é bem aberto, a gente não gosta de limitar, não. Porque se você define demais, também dá uma limitada, né? E nós, por natureza, nunca conseguimos também ser tão definidos assim, né? A gente está definindo, está limitando. Então, realmente, a gente quer trazer isso, colocar mais próximo das pessoas esse estilo de vida, né, cara? E também para poder incentivar, para poder estimular as pessoas a poderem também participar e fazerem isso com elas, porque, pô, é muito egoísmo meu, não é? Eu tô me sentindo egoísta já, cara, de me divertir com esse trabalho, cara, sem chamar os outros. Eu tô me sentindo egoísta, velho.
Eron Falbo: [27:58] Cara, eu digo isso porque, pô, a gente tem várias conversas e tal, e, cara, você tem muito, muito conteúdo, cara. Essas diferentes áreas, entendeu? Que você pega metáforas também, sabe? Tipo, você tá falando agora de yoga, o que o cara te ensinou e... E, pô, isso é uma metáfora pra tudo na vida, né? Tipo, pra gente sempre desafiar os limites, né? Pô, tem até aquele... Esqueci o nome agora, tem um dos primeiros livros de coaching do mundo, foi um cara que escreveu, eu acho que é The Inner Game of Tennis, que era um coach de tênis que até é interessante você ler isso pra pegar essa onda, que é o quê? Que é o cara tá pegando o jogo de tênis e tá extraindo as metáforas filosóficas que existem pra gente aprender, no geral, na vida. Entendeu? A extrapolação filosófica que existe dentro do jogo de tênis. Porra, agora, só de imaginar tênis, imagino que porra, que filosofia que dá pra tirar dessa merda.
Thiago Queiroz: [29:02] Porra, dá pra tirar várias.
Eron Falbo: [29:04] Mas é um dos livros mais fantásticos. Foi o primeiro que inaugurou essa onda do coaching, tá bom? Alguém que percebeu que um coach de esportes pode ser um coach de vida, entendeu? Hoje em dia os coaches não têm nada a ver com esporte. Mas o que eu tô dizendo, cara, é que uma coisa dessas pra você... Tô falando das nossas conversas, sabe? Você chega cheio... Já falou aqui umas dez pérolas. Tô falando, pô, escreve um livro, cara. Escreve um livro sobre isso, entendeu? Para de só aprender, entendeu?
Thiago Queiroz: [29:39] É um pensamento. É que meu pai pede pra eu escrever um livro todos os dias da minha vida. Agora eu já aprendi. A minha irmã começou agora, escrevendo e tal.
Eron Falbo: [29:53] Fala pro teu pai, falando nisso, cara.
Thiago Queiroz: [29:54] Maravilhosa. Ela tá fazendo um livro muito legal, maravilhoso. Então, assim, ela é uma inspiração pra mim. Super talentosa com palavras.
Eron Falbo: [30:01] Tua irmã?
Thiago Queiroz: [30:01] É. Ela é incrível.
Eron Falbo: [30:04] Que legal, cara. Acho que eu nunca conheci tua irmã.
Thiago Queiroz: [30:07] Ela é a Renata, Renata Queiroz, está aqui na nossa live. Meu amor, um beijo pra você.
Eron Falbo: [30:14] Eu já te conheci, Renata? Não lembro. Acho que não, mas prazer aí.
Thiago Queiroz: [30:19] Realmente, eu acho que essas metáforas estão em todos os lugares, né, cara? Toda linha de aprendizado nossa, todo lugar que a gente chega, todo lugar que a gente vai, a gente pode tirar, retirar pérolas dali, né? E eu, na minha vida, foram com o esporte, foram através do esporte, né? E, cara, eu acho assim, cada dia que passa, só melhora, entendeu? Porque você vai dando atenção para aquilo e vai acontecendo. Inicialmente, às vezes, não tem um propósito para aquilo, né? Mas é importante achar um propósito para a vida, né? Você encontra um propósito: "Ah, meu propósito na vida é esse, meu propósito na vida é aquele." Tem a ver comigo. Eu tenho muitas vertentes, muitos lados. Porém, eu gostaria, sim, de conseguir conciliar eles em um local só. Acho que vai ser o trabalho da minha vida, sabe, Eron?
Eron Falbo: [31:19] A Renata está falando aí. A Renata está falando que não me conhece. Acho que não, eu também acho que não. Mas você fala muito de mim, porque olha, é uma honra. Mas, Renata, eu incentivo o Thiago a escrever esse livro, cara. Acho que, pô, eu seria o primeiro a ler e o primeiro a divulgar. Seria o manager, seria investidor no projeto.
Thiago Queiroz: [31:46] Vou sair daqui dessa live com o livro já.
Eron Falbo: [31:51] Maurício Vasconcelos aí entrando.
Thiago Queiroz: [31:54] Só pessoas especiais na live. Irmão, olha lá! Essa live tá demais. E a Renata foi uma grande incentivadora minha, porque uma das coisas que eu mais gosto de fazer, acho que todo mundo aqui, não tem um aqui que não goste, é viajar, né, cara? E a Renata sempre foi uma desbravadora, né? Desbravou o mundo, morou em Londres, morou na Austrália, Estados Unidos, onde você imaginar, ela foi morar. E isso, cara, me incentivava muito. Apesar de eu nunca ter morado fora... Eu vi essa... Você não passou um tempo em Londres? É, eu passei. Mas sim, sete meses. Ela ficou onze anos. Ela e meu irmão ficaram onze anos fora.
Eron Falbo: [32:43] Ah, é?
Thiago Queiroz: [32:43] Onde eles ficaram?
Eron Falbo: [32:46] Onde eles foram?
Thiago Queiroz: [32:48] Eles foram... O Ricardo morou nos Estados Unidos. O Ricardo morou no Rio um tempão. E a Renata foi para Londres, morou em Londres um tempo, morou na Austrália um tempão também, voltou e aí pousou aqui de novo com a família. Isso incentiva muito porque você conhece outros lugares, isso dá um estímulo para você viajar, conhecer mais. Paraquedismo para mim, hoje em dia, eu penso, cara, eu posso saltar em tanto lugar diferente, que eu não sei nem por onde começar. Eu vou começar em Ubatuba, no evento que vai ter de paraquedismo. Eu já fui para vários lugares, já fui para a Califórnia saltar, saltamos o litoral todo da Califórnia subindo. Foi incrível, uma viagem, cara, incrível, que inclusive... quando começa a chamada, do Viva o Total, é aquele vídeozinho que eu te mandei. Foi todo lá na Califórnia, todo mundo lá. Ali é demais, cara, demais. E agora a gente vai saltar em setembro no evento em Ubatuba, que vai ser show também. Saltar na praia não tem nada igual, não tem nada igual. É incrível demais, dá uma sensação.
Eron Falbo: [34:15] Você está começando a me convencer aí para entrar nessa onda.
Thiago Queiroz: [34:19] Você já está intimado, você sabe disso, seu salto já está garantido. Você já sabe que você vai começar. Inclusive, as pessoas que estão assistindo a live aí também, eu falo: vai saltar, vai fazer um duplo, vai dar um saltinho, porque é bom demais. Quem morar aqui em Brasília, é aqui do lado, em Anápolis. O negócio é incrível.
Eron Falbo: [34:42] O que eu vou oferecer em troca? O que eu posso te dar pra te contribuir também? Vai divulgar meu livro. Total, você é o meu manager.
Thiago Queiroz: [34:55] É isso. Vai divulgar meu livro. Pronto. Olha aí, grande Ulisses. Esse cara não é de skate, viu? Pelo amor de Deus.
Eron Falbo: [35:05] Marconi Patterson, seja bem-vindo, meu querido. Thiago, fala mais do que você estava falando, que acho que tem tudo a ver com o nosso projeto. Você estava falando de propósito, cara. Quer responder o Felipe primeiro?
Thiago Queiroz: [35:23] Quero. Quantos bankrolls dá para fazer no mesmo saldo? Infinitos. Felipe, vai lá, cara. Infinitos. Não para. Você não para. Até ficar tonto.
Eron Falbo: [35:35] Então, fala um pouco.
Thiago Queiroz: [35:38] E sem querer também, já vi acontecendo sem querer.
Eron Falbo: [35:42] Olha a Júlia aí. Olha a Júlia que fez o último live que eu fiz. Seja bem-vinda. Fala um pouquinho mais daquela coisa que você estava falando, que acho que é muito interessante, da importância de você descobrir um propósito, de você ter isso na sua mente, para você poder desenvolver mais seus talentos e tudo mais. Estava interessante.
Thiago Queiroz: [36:10] O propósito é uma coisa que a gente passa a vida e não encontra. A gente acha que não sabe, a gente acha que não tem, entendeu? E eu tive... o chamado para fazer, para movimentar meu corpo, para entender que eu gostava muito mesmo disso, e até levar a sério o esporte em si, mais a sério, estudar mais a fundo. Levou um tempo para acontecer. E hoje em dia eu tenho certeza que o meu propósito de vida tem a ver com o esporte, tem a ver com a mente, tem a ver com o corpo, o controle do corpo. E, pô, eu sou muito grato a isso, porque isso me traz uma felicidade muito plena, entendeu? Quando eu tô lá fazendo o que eu amo, né? E por fazer o que eu amo, e por fazer o que eu gosto de fazer, por mais que me dê, às vezes, que eu fique apreensivo, ou que eu tenha medo, entendeu? São todas essas coisas, porque não é só, né? Você olha assim, ah, o caminho do sucesso não é uma linha reta, né, Eron? Não é, cara. A gente passa por, cara, várias baixas, várias altas e baixas nesse caminho.
Eron Falbo: [37:27] E você acha que dá pra conciliar essa vida de se dedicar tanto pro esporte? Eu sei que você passa várias horas aí. Tipo assim, quando você tá num dia ruim, você malha três horas, né? Quando você tá se sentindo preguiçoso. Quando você tá de ressaca. Eu não gosto. Você tem que achar que eu vou.
Thiago Queiroz: [37:50] Você tem que ter uma motivação, você tem que ter uma inspiração, entendeu? Tem que te inspirar, pô. Se você não encontra, você tem que procurar, você tem que buscar qual é a inspiração. Minha filha estava me falando esses dias, pô, às vezes é difícil de estudar. Falei, pô, então encontra uma inspiração. Para que você vai estudar, por que você está estudando, qual é o motivo daquilo, entendeu? Porque se você for pensar assim, vou estudar isso aqui e nunca vou usar isso na minha vida, isso não é motivação, você vai fechar o livro. Agora você fala, pô, isso aqui pode me levar lá na frente para um lugar que eu queira ir, vai que seja uma viagem, vai que seja uma universidade fora, vai que você vai conhecer o mundo, você vai desbravar outros lugares, vai conhecer gente, pessoas novas. Então, se você tem oportunidade e quer, você tem que buscar motivação em tudo que você faz. Eu assisto um vídeo de skydive, eu assisto um vídeo de esporte, aquilo lá me acende por dentro. Eu falo: meu Deus, eu tenho que viver isso, eu tenho que estar lá. Porque o bom da vida é viver. Você olha só o vídeo de fora, é massa, é legal. Pô, vamos ir lá e viver tranquilo, né? E se desafiar, entendeu?
Eron Falbo: [39:13] Cara, acho que você vai gostar disso. Outro dia eu tava ouvindo uma palestra do Joseph Campbell, que é um cara que faz mitologia comparada, né? Ele compara diferentes mitologias do mundo e tal, e analisa elas. Aí ele falou o seguinte, cara... O que você tá rindo aí? Quer responder alguma coisa?
Thiago Queiroz: [39:31] A galera é show, pô. A galera é fera demais.
Eron Falbo: [39:37] Aí o Joseph Campbell falou o seguinte, cara: ele falou que os hindus têm uma perspectiva que é o seguinte, que como a gente vê o mundo, sabe, os nossos sentidos, o jeito que o cérebro funciona, quando a gente vê alguma coisa, na verdade o que a gente acha que a gente tá vendo é um reflexo, né, da luz que tá batendo na nossa íris e tá sendo projetado no cérebro, ou seja, tudo que a gente viu já aconteceu. Tudo que a gente cheira, tudo que a gente ouve, todos os sentidos já aconteceram, né? Tipo, quando a gente já projetou pro cérebro, já é passado, entendeu? Então tudo que é os sentidos é viver no passado, entendeu? Então você olhar uma coisa que tá na sua frente, que você acha que é o presente, na verdade é o passado. Então ele fala: o que é o presente, então? Ele fala que o presente é uma experiência onde você não tá vendo, você não tá ouvindo, você tá totalmente imerso naquela experiência. Eu achei isso muito bonito, porque a gente acha que a gente tá no presente, mas na verdade tá todo mundo vivendo, viajando pro passado. Ou tá preocupado com o que tá havendo, com o que tá acontecendo, ou pensando no que já aconteceu, ou inseguro com o que já aconteceu. Eu acho que esses esportes extremos e tudo mais te dão essa oportunidade de estar lá, estar imerso naquela experiência. E experiência é o único sentido que a gente tem que é presente, que não é passado. Todos os outros sentidos são... Você está vivendo o passado.
Thiago Queiroz: [41:20] Sim, eles te conectam para aquele momento ali como nada que eu já vi. Talvez uma... Eles te forçam, na verdade, a você estar ali. Porque ou você tá ali ou aquela onda vai engolir você, ou então você vai tomar um tombo, entendeu? O que é legal também, porque você toma um tombo e aprende a levantar, né? Então tem muito disso no esporte, né? Por mais que você tenha aquela dificuldade, você aprende, pô, não, vou fazer de novo, vou levantar, vou fazer, vou retomar, né? E não desistir, né? Você aprende a descansar e não a desistir, né? Cara, com certeza. Eu acho que tem tudo a ver. Tem muitas vezes que eu tô também saltando, fazendo um esporte, vou numa viagem. Eu tenho muito déjà vu, Eron. Sabe aquelas coisas que eu falo assim? Cara, eu tenho certeza que eu já vivi isso aqui antes. Exatamente assim.
Eron Falbo: [42:17] Então, porque te conecta. Como você tá no presente, eu acho que você tá conectado com tudo, sabe? Tá conectado com o código, tá conectado com a temporal, né? Então, talvez... Déjà vu é porque... Se fosse.
Thiago Queiroz: [42:30] Acontecer um segundo antes daquilo acontecer, né?
Eron Falbo: [42:34] E a galera tá viajando nos comentários também. A galera entrou na onda, tá falando... Física quântica, silêncio ou uma vibração pura, sem forma, apenas o significado da experiência ou samadhi. Caraca, que isso, mano?
Thiago Queiroz: [42:50] É isso aí. A Ju falou que...
Eron Falbo: [42:56] A Ju falou que experienciou isso no Parque Diesel. Também presença total no momento. Eu imagino que... Outro dia eu fui ficar lá pela primeira vez. Sabe, eu não fui com a estrutura. Eu fui com um amigo meu que, porra, em vez de ir primeiro na parede, não sei o quê, ele falou: não, vamos direto pra montanha. Eu fui direto. Aí eu: caralho, você é doido? Aí eu falei: bora.
Thiago Queiroz: [43:24] Ele te botou na corda? Ele te colocou com a corda?
Eron Falbo: [43:26] Botou, botou.
Thiago Queiroz: [43:28] Ah, eu era tão amigo mesmo?
Eron Falbo: [43:30] Você tá doido, porra? Eu vou, porra, free climb, porra. Primeira vez, eu não sinto, velho, sei lá. Cara, eu morri de medo. Mas aí, durante a experiência, cara, é que nem a gente tá falando: aquele medo, ao mesmo tempo... Aquela entrega que você não tem como pensar no passado, entendeu, naquele momento. Você está com aquela adrenalina, aquele... Não tenho.
Thiago Queiroz: [44:02] Você não pensa em Covid, você não pensa em nada disso. Não existe.
Eron Falbo: [44:06] O seu corpo está totalmente ativado, né? Os poros estão ligados, está tudo recebendo.
Thiago Queiroz: [44:13] Exatamente. Você está ali com a consciência ampliada, né? Consciência absolutamente ampliada.
Eron Falbo: [44:21] É que o nosso cérebro foi desenhado pra isso, né? A gente tava lá com um, sei lá, um pterodáctilo atacando a gente, ou um dente de sabre atacando a gente. Fica com uma alerta máxima, vivendo o presente no máximo. Acho que vem disso.
Thiago Queiroz: [44:43] Eu levei três dias pra dormir depois do meu primeiro salto de paraquedas, eu lembro.
Eron Falbo: [44:49] Eu também fiquei assim quando eu fiz essa escalada.
Thiago Queiroz: [44:53] Hã?
Eron Falbo: [44:56] Não, três dias... Eu só fiz essa escalada uma vez na vida, cara. E, porra, eu não consegui dormir não, realmente. É sinistro, cara.
Thiago Queiroz: [45:06] Né? Então, você fica naquela energia, parece que ela não vai embora. Você fecha o olho e ainda tá vendo a montanha lá, né? Você fala: caraca, parece que se conecta com o espírito da montanha, né, cara? Eu lembro quando eu me apaixonei pelo paraquedismo mesmo. Foi o meu primeiro salto solo, porque a gente sempre salta com o instrutor. Quando eu saí do avião, cara, tinha uma nuvem, tinha um CB tão grande assim do meu lado, que eu fui mergulhando e fui olhando o CB o tempo inteiro até a hora de comandar o paraquedas.
Eron Falbo: [45:43] Peraí, olhando o quê, cara? Olhando o quê?
Thiago Queiroz: [45:46] O CB, sabe? Aquele Cumulonimbus, uma massa de nuvem.
Eron Falbo: [45:51] Como é que eu vou saber o que é CB, bicho?
Thiago Queiroz: [45:54] Aí já tem um monte de livro, todo mundo sabe.
Eron Falbo: [46:02] Alguém aí sabia disso? Alguém assistindo sabia que CB era Cumulonimbus, né?
Thiago Queiroz: [46:10] Igual o piloto de avião. A torre fala assim: 'Por favor, me fale a sua posição.' 'Estou perto de uma nuvem que se parece com o leão.' Aí fala: 'Seja mais específico.' 'Com o Simba.' Com o Simba.
Eron Falbo: [46:25] Essa é boa.
Thiago Queiroz: [46:26] Ajudou muito.
Eron Falbo: [46:28] Estou falando aqui, a Amirah Mahaila está falando: 'Essa live é um presente de vida.' Olha só.
Thiago Queiroz: [46:35] Ah, obrigado.
Eron Falbo: [46:36] Que coisa boa. Que coisa boa.
Thiago Queiroz: [46:38] Incrível, realmente uma honra estar aqui com o Eron, batendo esse papo. Então é isso, isso é muito importante na vida, a gente poder fazer isso, buscar sair um pouco da zona de conforto. E não precisa ser um salto de paraquedas, nem uma escalada de montanha, pode ser uma coisa simples, uma corridinha ali fora de casa já faz muita coisa, andar na natureza. Isso aí já estimula muito, né, gente? A gente fica muito preso.
Eron Falbo: [47:13] A gente tá aqui com... o tempo passou, cara. Foi a live que passou mais rápido, cara.
Thiago Queiroz: [47:20] Nossa!
Eron Falbo: [47:20] A gente tá com uns 5 minutos restantes aí. Eu queria, cara, que você desse uma mensagem aí pro público, alguma coisa que você quer dizer pra inspirar, pra galera conseguir sair assim dos medos, conseguir acreditar que consegue viver os sonhos, que consegue conciliar diferentes aspectos da vida. Sabe, falar talvez um pouco como que você faz, como que você fez e tudo mais. Manda sua mensagem.
Thiago Queiroz: [47:52] Eu acho que tudo são prioridades, cara. Eu tenho a sorte de ter uma família incrível, maravilhosa, e as pessoas da minha família me inspiram, eu tento estar sempre em contato com eles ao máximo, né? Perto do amor da família, dos amigos, entendeu? Acho que a verdadeira felicidade é compartilhada, entendeu? E eles me estimulam muito, eles me ajudam muito, né? Todos eles, toda a minha família, tá sempre me ajudando, me botando pra falar: vai, faz isso, mesmo que você ama, sempre me estimulando dessa maneira. Eu tenho um cuidado muito grande com a minha vida, entendeu? Eu acho que eu tenho uma atenção até triplicada nesse sentido, de cuidar dela, entendeu? Não faça as coisas assim só por fazer mesmo, entendeu? Então se eu vou fazer um esporte, eu vou fazer um salto, é sempre tudo muito pensado. Eu sinto direitinho como é que vai ser, eu programo, planejo. Seja uma viagem, então a gente tem que ter esse cuidado, né? Pra gente estar junto com a família, com os amigos, sempre na melhor positividade possível. E, cara, seguir seus sonhos mesmo, sair das suas zonas de conforto, se você se estimular a isso, entendeu? Porque, com certeza, vai te trazer uma felicidade, vai te trazer uma alegria, entendeu? Assim, a gente não chegou a não falar de religião, né? Ah, é, pô.
Eron Falbo: [49:34] Mas a gente já viajou bastante aqui com religião.
Thiago Queiroz: [49:37] Então essa energia, essa energia cósmica, essa energia de Deus está muito presente na minha vida. Eu gosto muito de me envolver e meditar nessa energia, e trazer ela para o que eu faço. Quando você traz isso para o que você faz, você com certeza vai fazer as coisas mais iluminadas, as coisas com mais vontade, com mais serenidade. Então assim, eu estimulo a todos vocês a viverem totalmente, a viverem suas vidas com prazer, né? E vocês saberem também conciliar as prioridades, mas sempre ter aquele tempo, aquele momento pra você. E se o esporte for o seu caminho, não tenha medo também de ir com tudo.
Eron Falbo: [50:30] Aí fala com o Thiago. Se o esporte for o seu caminho, fala com o Thiago que ele te dá as dicas.
Thiago Queiroz: [50:35] Vamos fazer uma parceria, vamos fazer um vídeo.
Eron Falbo: [50:38] Eu até cheguei com um cara aqui, o Ulisses McGregor, deve ser seu amigo, ele falou: é só seguir o Instagram do Thiago que a galera vai se inspirar. Para ele, o XXX é um estilo de vida. Cara, eu digo a mesma coisa aqui, galera: sigam o Thiago, o Thiago é um cara do bem, um cara iluminado, um cara que zerou o jogo e tá descobrindo novos jogos já. E dizer também pra galera seguir aqui o nosso programa Viva Total, que a gente não tá tentando ensinar ninguém, a gente tá tentando aprender juntos. A gente tá aqui nesse momento de pandemia e a gente tem uma oportunidade mundial de mudar a nossa comunidade. Que legal, que bonito. Esse é o amor que ele sente pela esposa dele, que eu acho lindo, lindo, lindo. Ele também tem muito a ensinar maridos sobre dedicação familiar, dedicação à esposa. É muito incrível. Mas assim, voltando ao ponto, cara, galera, vamos aprender juntos e vamos usar esse momento de introspecção, de isolamento social, para se conectar mais, para se unir mais do que nunca e se unir com nós mesmos, se unir com o que a gente quer de verdade, fazer não só o que a gente quer de verdade, mas fazer tudo o que a gente quer. Porque às vezes a gente fica: não, meu sonho é tal, e fica obcecado com essa coisa, porque a gente foi educado pra ser ratinho de laboratório, pra ser, é, porra, supply chain, né, pra cada um fazer um parafuso, entendeu, na sociedade. Mas, cara, o ser humano é muito maior que isso, sacou? Todo mundo fala: pô, mas eu sou de humanas, eu sou de exatas. Cara, eu te garanto que você tem os dois lados do cérebro aí dentro.
Thiago Queiroz: [52:47] Você é tudo, cara. Tudo. Desconstrói, né? Não?
Eron Falbo: [52:52] E aí, ainda tem a glândula pineal no meio, pra despertar tudo. No meio do seu cérebro aí tem uma potência muito grande, que te faz transcender, que te faz dizer coisas que você com certeza não consegue nem imaginar. Vamos ver o que a Ju tá falando aí. Ele é bom em tudo que ele faz, porque faz com muito amor e muita entrega. E ter o apoio da família, acho que sempre foi muito importante pra isso poder acontecer. É muito bonito. Pra mim isso é essencial, cara. Isso na sua mensagem que você falou, eu acho que isso, por exemplo, eu vou adicionar pro meu livro, sacou? Porque não tinha. Isso que eu quero aprender, entendeu? Por isso que eu tô tendo essas lives, entendeu, pra aprender esse tipo de coisa. Porque você falou, cara, pô, a primeira coisa que você falou é que, pô, eu me dedico pra minha família, eu tô conectado, minha família me apoia, entendeu? Eu acho isso importantíssimo. Como é que você vai fazer qualquer coisa se você não tem essa energia que tá vindo pra você, né? Agora a gente tem 30 segundos, então.
Thiago Queiroz: [53:55] Vamos falar tchau aí pra... Nem sempre foi assim. Você tem que ser um pouquinho rebelde, mesmo se a família não apoia. Aí você vai um pouquinho rebelde e daqui a pouco eles estão te apoiando.
Eron Falbo: [54:03] Queria agradecer aí, Thiago, a sua presença. Muito obrigado mesmo. Tudo de boa pra todos. Eu também.
Thiago Queiroz: [54:08] Obrigado, Verônica. Foi incrível. Obrigado mesmo, irmão. Tamo junto.
Eron Falbo: [54:13] Valeu, cara. Um abração.
Thiago Queiroz: [54:14] Obrigado a todos os fãs que presenciaram aqui essa live.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #11 · todos os episódios