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Eron Falbo: [0:00] Salve, meus amigos! Boa noite, boa noite! Como é que vocês estão?
Luiz Garrido: [0:06] Pode parar.
Eron Falbo: [0:08] Para a música, por favor.
Luiz Garrido: [0:11] Vamos.
Eron Falbo: [0:19] Sair dos nossos tempos agora. Existem quatro elementos, quatro criaturas, quatro essências: fogo, água, ar e terra. A gente vai agora para o quinto elemento. Você não tira uma foto, você cria ela, diz Ansel Adams, o melhor fotógrafo de todos os tempos, quase tão bom quanto Luiz Garrido. Esse carro vai te matar.
Luiz Garrido: [1:04] Vai te bater na cabeça. É melhor você se juntar. Mas em breve você vai morrer. Quando o mundo está desligado. Rindo na cara do amor. Não sei o que você está tentando fazer. É a sua escolha. Nosso ilustre convidado, Luiz Garrido! Esse é um dos problemas mais sérios para o fotógrafo hoje em dia: o uso indiscriminado desse tipo de material que abastece um programa, de repente, com publicidade, inclusive. E o Google, YouTube, Facebook, Instagram, tal do Pinterest também, pega as fotos todas e usa à vontade. Todos os fotógrafos estão começando a ter consciência disso, e a gente está fazendo o movimento para que isso acabe e as pessoas sejam responsabilizadas e paguem pelos direitos autorais relativos ao uso desse nosso material.
Eron Falbo: [2:29] A melhor maneira de fazer isso é com tecnologia, que nem a música fez, porque com tecnologia você consegue detectar aonde está sendo usada aquelas imagens, e a pessoa que está usando aquela imagem é obrigada a te dar o reconhecimento.
Luiz Garrido: [2:43] Não, você tem que fazer a pessoa que botou na internet, ela é responsável, como também quem reproduz na internet, parece um direito conexo, né? Quem passa a tua imagem e também quem tem o direito de passar. Mas isso, eu acho que a gente está lutando por isso, entende? E fazendo um movimento bem grande para ficar consciência que eles não podem fazer isso, eles têm que pagar por isso. Pagar. Agora, o único meio de você parar com isso é realmente entrar com várias ações na justiça.
Eron Falbo: [3:12] E já tem muita gente nesse movimento?
Luiz Garrido: [3:14] Já, já tem muita gente entrando pra haver uma regularização desse tipo de procedimento. Já tem algumas jurisprudências, já tem alguns detalhes. É uma briga meio complicada, é uma briga meio difícil, mas eu acho que a gente tem que conseguir, porque, em outras fases... jornal, por exemplo, se ele passa uma foto sua... Você falou do John Lennon, por exemplo. Uma foto do John Lennon é uma foto que ninguém pode utilizar. Mas, se você passa uma imagem sua para alguma outra coisa, você pode botar no teu site, você pode botar no teu... Agora, você não pode... Outras pessoas roubarem, mas roubam, não é? Então, esse procedimento é o procedimento que todo mundo tem. Eu acho que a gente tem que... Os fotógrafos todos estão começando a se conscientizar de que isso é uma coisa muito séria. Agora, por exemplo, antes de falar com você, eu tive que dar três autorizações, umas com pagamento, outras não, para eles passarem a minha foto. E eu sou muito rígido contra isso. As pessoas ligam, passam a autorização, a gente autoriza, às vezes autoriza sem nenhum custo, às vezes autoriza com custo, dependendo da autorização, mas isso agora as pessoas estão começando a ter o respeito, porque estão sendo penalizadas.
Eron Falbo: [4:33] E como funcionou, por exemplo, assim, quando você fotografou o John Lennon, para ele te dar autorização para usar as fotos dele?
Luiz Garrido: [4:42] Não, quando você pode fotografar o John Lennon, eu fiz com a matéria de revista, é diferente. Se fizer alguma coisa com as fotos de quem quer que seja, e essas fotos estejam em patrocínio, eu tenho que pedir autorização. Esse livro que você viu de retratos, por exemplo, todos estão autorizados. Todos foram... até um que eu acho que não me lembro quem era, que já não estava mais, ele já tinha morrido e tal, a família autorizou. Todos estão autorizados, porque eu não posso usar a imagem de ninguém em prol de uma venda de livro, que é um fator comercial. Então, as pessoas autorizaram o uso da imagem naquele sentido, naquele livro. Porque se você autorizar qualquer coisa e usar essa imagem como um fator de ganhar dinheiro, a pessoa está se locupletando dessa forma para se beneficiar de um ganho de dinheiro, de um ganho de faturamento para ele. E quanto você ganha? O abuso de protocolo, quanto você ganha? Nada. Tem que ganhar, porque primeiro tem que autorizar, né?
Eron Falbo: [5:51] Entendi.
Luiz Garrido: [5:52] Eu faço as fotos, você não pede autorização na hora, porque a pessoa pode ficar constrangida, mas se você usar essa foto sem autorização, você tem que pedir.
Eron Falbo: [6:06] E, Luiz, na maioria das celebridades que você fotografou, foi trabalhando por revistas? Como foi a ocasião?
Luiz Garrido: [6:18] Olha, agora você entrou legal, está movimentando bacana, não está mais decupado. As celebridades, quando você fotografa, você tem várias: algumas eu conheço, tenho uma certa intimidade, mas algumas são muito mais difíceis. Por exemplo, vou fotografar políticos, como Lula, por exemplo. Na época ele não era presidente, era candidato. Collor, Fernando Henrique... todos esses personagens eu fiz fotos, entende? Então são pessoas que te dão um tempo que, para eles, é precioso. Você fotografar, por exemplo, o Fernando Henrique da vida, é uma pessoa que tem o tempo muito contado. O tempo dele é um tempo precioso, e você se dedica meia hora para... É por isso que você tem que ser rápido e objetivo, e não deixar o personagem... sempre envolver o personagem de uma forma para ele estar sempre ligado a ele. É uma guerra ali, é uma guerra entre você e ele. Nunca tive ninguém que... não parou no meio nunca, ninguém. Sempre a gente conseguiu acabar tudo numa boa. Agora você tem que envolver o personagem, né? Eu fiz o Joaquim Barbosa, na época áurea dele.
Eron Falbo: [7:36] E que técnicas que você usa, em termos psicológicos, pra envolver o personagem, pra captar, pra pessoa ficar interessada?
Luiz Garrido: [7:45] Igual eu fiz agora que você está se movimentando. Alguém deu um jeito aí. Agora você não está mais preocupado. Agora você está conversando comigo. Está vendo? As coisas acontecem assim. Você tem que ter certas técnicas de psicologia de atacar o personagem. Às vezes você fala mais grosso. Às vezes você trata com carinho. Às vezes você fala rápido. Às vezes você fala mais alto. Dependendo do momento. É uma guerra que você tem. Mas é uma guerra que você não pode passar do limite, né?
Eron Falbo: [8:17] Entende?
Luiz Garrido: [8:18] Por exemplo, eu fiz o Moro numa época que ele estava em Curitiba, estava super atarefado, e você para um juiz durante uma hora, duas horas, como é que é? Uma pessoa que está toda hora muito atarefada... O Joaquim Barbosa, que era o juiz da Suprema Corte, a pessoa toda hora... Então esse tempo você fica muito, é um estresse muito grande para mim. Porque ele é uma pessoa super... Tá todo mundo ligando, falando. Então você tem que, naquela hora, ficar muito rápido e objetivo, pra ele não dizer pra você assim: acabou, vamos embora, não tem mais tempo.
Eron Falbo: [9:00] Porque você quer aquelas fotos preciosas, né? Então você tem que fazer de tudo pra ele tá... E também ele não pode ficar com cara de puto, né? Tipo, você tá lá irritando o cara e ele, pô...
Luiz Garrido: [9:12] Não, você tem que ter a alma dele, né? Você tem que tirar... Por isso que você usa, e o medo também, quer dizer, você tem a responsabilidade dessas fotos também, de você não vazar, né? Você faz um personagem desse, vaza um trabalho que você fez, você tá ferrado, né? A responsabilidade é sua. Então você tem que ter cuidado de não enviar fotos para a internet, não envia... Quer dizer, as fotos que eu te enviei agora são fotos que, tudo bem, eu tô no meu programa, não vai ter problema nenhum, que não corresponde nada. Agora, você tem que ter o maior cuidado nisso.
Eron Falbo: [9:49] Falando nisso, vamos dar uma olhada nas suas fotos, não?
Luiz Garrido: [9:53] Essas que eu mandei, quatro, né?
Eron Falbo: [9:55] É, vamos dar uma olhada, Mariana, põe as fotos aí para a gente ver.
Luiz Garrido: [9:57] Põe as quatro que eu mandei aí. Esse é o Caruso, né? Que é o irmão gêmeo. Eu pedi pra ele vir com a mesma roupa. Eu já tinha ideia de fazer os dois, né? Esse é o Jô, de costas. Você vê que eu inverti a camisa pra dar uma sensação mais engraçada nele. Isso é a Malu Mader andando na praia. Quer dizer, é uma foto que... Normalmente você não vê ela na praia, eu pedi ela deitar, ela deitou e eu fiz essa foto e botei um filtro amarelo para as nuvens ficarem mais fortes, né?
Eron Falbo: [10:39] E de que época é essa da Malu Mader?
Luiz Garrido: [10:41] Ah, não me lembro, acho que é 95... Isso aqui é um erro da minha, eu não tenho essa.
Eron Falbo: [10:45] Foi no melhor que uma época, mas eu não tenho os 90.
Luiz Garrido: [10:48] Não, não me lembro, mas foi acho que 95, 2000. Não tenho uma noção muito nisso, eu tenho e adotado tudo isso, mas... Claro.
Eron Falbo: [10:56] Mas eu estava falando para você mesmo.
Luiz Garrido: [10:59] Tem mais uma, não é? Essa foto é muito engraçada, que eu fiz com o design.
Eron Falbo: [11:08] Essa está no retrato também, não é?
Luiz Garrido: [11:09] É, essa daí foi a primeira foto que eu fiz da... Ela era um filme, era um filme de terror. E o designer era o Sérgio Liusi, um amigo meu, designer, que fazia, que fez os cartazes. Ele faz uns cartazes incríveis. E aí, como é que eu vou fotografar a Maitê Proença? Ela era uma mulher linda, maravilhosa, superestruturada. Aí eu falei, mas é um filme de terror. Em vez de trazer ela de uma forma que todo mundo esperava, eu fiz ela assustada. E esse cartaz fez um maior sucesso.
Eron Falbo: [11:46] Ela está aparecendo... Foi a primeira vez.
Luiz Garrido: [11:49] Que eu fiz assim. Eu falei, gente, eu posso fazer as fotos da minha cabeça, não preciso seguir o que todo mundo está esperando.
Eron Falbo: [11:57] Ela está parecendo aquela esposa do Tom Cruise, qual era o nome dela?
Luiz Garrido: [12:01] É, exatamente. Então, essa coisa é importante, porque você sempre tem que trazer uma surpresa para a pessoa, nunca é exatamente o que ela está esperando. Não é? Você acha que o Rafael vai ter proeza? Você acha que vai ficar o Rafael andando, bonita, posando, de moda? Não. Eu fiz o rosto dela assustado, quer dizer, ela foi uma outra Maitê, porque ela fazia um filme de terror. Então, isso eu acho muito importante você fazer.
Eron Falbo: [12:29] É demais, muito importante. E, realmente, você descrevendo, a gente vê de outra forma. Eu nem sabia que era Maitê Proença, eu estava achando que era Nicole Kidman, estava parecido muito com a Nicole Kidman.
Luiz Garrido: [12:44] Por exemplo, eu estou vendo você aí. Você apareceu de violão, mas de terno e gravata. Normalmente, você nunca vê um músico de terno e gravata. O músico, geralmente, é mais descontraído. Então, eu vejo uma pessoa do mercado de capitais e um músico ao mesmo tempo. Correto ou não?
Eron Falbo: [13:01] Tá certo, tá certo. Mas os músicos dos anos 60, tipo John Lennon...
Luiz Garrido: [13:06] Essa bandeira é da onde? Do Brasil?
Eron Falbo: [13:09] A bandeira aqui é do Brasil Imperial.
Luiz Garrido: [13:14] Olha aí, então, maravilha. Então, é o seguinte: olha só, você é um músico de terno. É um lorde, né? Brasil Imperial atrás, né?
Eron Falbo: [13:24] É, eu gosto muito do Brasil Imperial.
Luiz Garrido: [13:27] E outra coisa, olha aqui, falando do retrato: a cadeira em que você está sentado é um trono, né? Já reparou nisso? Ou não?
Eron Falbo: [13:37] É um trono.
Luiz Garrido: [13:40] A cadeira, super cadeira.
Eron Falbo: [13:42] Eu discordo. Deixa eu te mostrar outra aqui, ó. Não pode ser um trono porque tem duas, tá vendo?
Luiz Garrido: [13:51] Mas é uma cadeira maravilhosa.
Eron Falbo: [13:54] É, obrigado.
Luiz Garrido: [13:55] Uma poltrona de lorde. Então, esse tipo de percepção, quando você chega na casa da pessoa, você saca. Então, quando você for fazer um retrato, eu vou ver: essa cadeira é característica. Por que você escolheu ela? Porque você gosta, você está superconfortável nela, você está todo solto, entendeu? Você bate nas bocas. E o violão você deixou de lá, você botou o terno engravatado. Então, esse contraste que está acontecendo já é uma forma de eu entrar na tua casa e observar isso tudo. Vou observar você com terno e gravata, e você, quando entrou ali, que eu estava vendo na porta, botou o paletó, se arrumou todo, entrou todo arrumado, botou a mão na gravata e tal. Porque essa percepção a gente tem que ter direto na hora, para você sentir o personagem, e daí fazer um pouco, tentar tirar a essência, a alma dele. Você começa a ver as coisas que você tem, entendeu? Por exemplo, tem um instante em que o seu computador está tudo arrumado. Não está todo arrumadinho?
Eron Falbo: [15:08] Eu queria agradecer pelo reconhecimento.
Luiz Garrido: [15:13] Você é super organizado, não é?
Eron Falbo: [15:16] Eu tento ser, só dá para fazer o que eu faço se for organizado.
Luiz Garrido: [15:19] Você é organizado. Você deve ter tudo organizado: roupa, deve ter tudo certinho, tudo criterioso, não?
Eron Falbo: [15:29] Eu tento ter.
Luiz Garrido: [15:31] Olha só, o violão tá literalmente reto, o computador tá numa estante perfeita com tripé, tem uma bandeira atrás.
Eron Falbo: [15:44] Mas, Luiz, eu fico bêbado e estupado, tá?
Luiz Garrido: [15:48] Eu quero te mostrar como é que a gente faz.
Eron Falbo: [15:53] Só para te falar, tenho o meu lado negro também e eu gosto de ter. Eu gosto de ter o lado caótico, de ter momentos de caos, momentos de estouro e de entrega. Eu tenho o lado mercado financeiro, mas eu tenho o lado poeta, músico, que é mais dionisíaco, menos apolíneo.
Luiz Garrido: [16:19] Aí eu ia fazer você de calção na praia, sem camisa, só com a gravata. Eu pegava pelos dois lados, né? Então, esse lado, eu te contando, quando você entra na casa do personagem, você observa tintim por tintim. Você vai estar conversando com ele, mas você vai observando tudo, observando a cadeira, o olhar, a mobília, para aí você tira quem é, porque se você tem uma casa... Por exemplo, eu estou aqui, na minha casa tem um prato atrás, do negócio que era o negócio da beleza. Eu tenho esse prato de vários restaurantes. Você entra na casa, eu vou ver o que você gosta. A tua casa é o que você gosta. Você gosta dessa poltrona, você gosta do violão, você gosta da bandeira. Então, isso é você. Você tem as coisas na tua casa que você gosta. Não vai ter um quadro na tua casa que você não gosta. Então, essas características da pessoa quando entra, porque a casa é a alma das pessoas. A casa é onde você vive, então é onde você se sente bem, então você só tem o que você acha. Por exemplo, eu tô aqui falando, você botou um logotipo meio asteca, uma coisa não é nem esse logotipo teu. Eu não sei por quê, a gente vai descobrir por quê essa coisa meio egípcia é uma coisa meio... Com isso eu acho que é uma característica sua.
Eron Falbo: [17:56] Tem umas coisas egípcias aqui, ó.
Luiz Garrido: [17:58] Tem aí, viu?
Eron Falbo: [18:01] Esse aqui é uma estela, uma tábua que os sacerdotes egípcios usavam para se comunicar com as... terrestres, de acordo.
Luiz Garrido: [18:14] Com... Olha aí, eu nem sabia. Eu comecei a descobrir coisas, viu? Aí, de longe, já... Então, essa coisa, você vai, vai, vai falando. Então, você entra na casa de uma pessoa, você começa a observar tudo, desde o sapato, desde o móvel, desde... Aí, você faz o retrato.
Eron Falbo: [18:33] É, muito bom. Luiz, deixa eu te falar um pouco. Eu tô terminando de escrever um livro que eu vou lançar esse ano, chamado Conversas no Alvo, que não é obviamente sobre fotografia, mas muitas das coisas que você falou aí são muito válidas e muito... Como é que chama? São aprendizados não só para as pessoas que estão nos ouvindo, como para mim, para eu melhorar o livro, porque eu trabalho no mercado financeiro, eu trabalho com conversas aqui, então, igual você tem que deixar as pessoas à vontade, eu, para poder tirar de você, convidado, de você pessoa renomada, alguma coisa, que nem você tirou do Sérgio Moro, aquele momento lá que estava dando, eu preciso o máximo possível te deixar à vontade, que eu fracassei enormemente no início da nossa conversa, mas estou aprendendo com você a importância disso. E isso vale para o meu livro que eu vou lançar esse ano, que é sobre conversas e como deixar as pessoas à vontade dentro de uma conversa, para a gente poder não só aprender mais, como influenciar as pessoas, como talvez conseguir um emprego, conseguir oportunidades, porque conversas são momentos, assim como fotografia. A fotografia, você está capturando o momento. E uma conversa é um momento também. E a gente tem que tratar aquele momento com muita preciosidade, porque aquele momento vai passar. E se não passar da melhor maneira possível, você vai perder aquele momento e você pode se trair daquele momento.
Luiz Garrido: [20:18] Você não pode perder o momento, pode? Não. Por isso que o teu programa é "No Alvo".
Eron Falbo: [20:25] Exatamente.
Luiz Garrido: [20:26] Exatamente, está vendo? O Alvo é aquele... Direto, não pode perder o momento. Então, todas as pessoas se mostram através de vários segmentos, de vários modos de ver, vários modos de agir. Às vezes, até no andar você percebe as pessoas. Uma coisa, eu estava uma vez num programa de televisão, e eu falava que a mão é muito importante nas pessoas. As pessoas se expressam muito com as mãos, e as mãos mostram muita coisa, às vezes uma mentira, uma verdade que você está falando conforme o seu momento. E aí, quando eu falei isso, tinha um... Era um programa sem censura, eu acho, não me lembro. E antes de falar isso, tinha uma pessoa que estava no programa, eram três ou quatro entrevistados, e se expressava com a mão, mas aquela coisa assim, não sei o quê, contava uma história meio louca, que ele estava contando com a mão. Aí, a jornalista perguntou, disse o nome dele, eu não me lembro, ele agora falou a história dele toda com a mão, você conseguiu interpretar se ele está falando a verdade ou mentira? Ele estava enrolando, eu senti isso, mas eu não podia dizer, né? Eu falei, ah, isso não pode, que são os segredos do ofício, né? Mas, realmente, às vezes as pessoas, quando querem enfatizar uma coisa que não acredita, ela usa a mão, você já reparou? Por isso que faz muito isso.
Eron Falbo: [21:59] E por isso que Hitler usava muitas mãos, né? Porque ele estava engajando todo mundo.
Luiz Garrido: [22:02] É, por isso que faz muito, eles estão sempre movimentando, estão sempre falando e tal, mas a vida é assim, pô.
Eron Falbo: [22:09] Luiz, você foi muito difícil de ler no início, porque eu concordo com você, a gente tem que, no máximo possível, tentar ler o sujeito do que vai nos beneficiar, o que você vai me beneficiar me dando a sua sabedoria, a sua essência dentro dessa conversa aqui hoje. E agora você está se revelando uma pessoa carinhosa, uma pessoa aberta. No início da conversa, eu achei que você estava um pouco fechado e eu te li errado, e eu reagi dessa forma. E, bom, não tive a expertise para tirar... No começo, acho que agora você está se revelando, dando dicas maravilhosas.
Luiz Garrido: [22:54] Isso tudo já foi pensado antes, quando eu vi e topei fazer. Eu fui ver quem era você, fui ver o programa, fui ver tudo.
Eron Falbo: [23:05] Entendi, então você já manipulou.
Luiz Garrido: [23:06] Como me lembrou Ana Maria Tornaghi.
Eron Falbo: [23:10] A nossa ilustríssima, queridíssima amiga.
Luiz Garrido: [23:13] Já vê tudo, é a vida assim.
Eron Falbo: [23:17] Então você manipulou, beleza, tudo bem.
Luiz Garrido: [23:19] Tem uma técnica de jogar aqui e jogar ali.
Eron Falbo: [23:22] Estou te devendo uma, Luiz.
Luiz Garrido: [23:24] Estou te devendo uma. E olha, não é isso?
Eron Falbo: [23:30] Vou te pegar, vou te pegar.
Luiz Garrido: [23:32] Tem que botar a máscara, né?
Eron Falbo: [23:33] É, mas não precisa usar comigo, Luiz. Pô, a gente...
Luiz Garrido: [23:37] Não, tô brincando.
Eron Falbo: [23:38] Eu sou supertransparente. Tá vendo aqui, pelas minhas mãos, você pode perceber que eu sou supertransparente.
Luiz Garrido: [23:43] Olha aí as mãos. Você tem o violão, a cadeira e a bandeira de Londres.
Eron Falbo: [23:51] É, mas isso é minha máscara, né? Eu falando com você, eu sou transparente.
Luiz Garrido: [23:56] Todo mundo tem uma máscara.
Eron Falbo: [23:59] Com certeza.
Luiz Garrido: [24:00] Mas é isso aí.
Eron Falbo: [24:03] Mas mudando de assunto um pouquinho, isso é minha curiosidade pessoal, porque eu sou fã do John Lennon. Lá, quando você fotografou ele, você teve contato com ele ou você era aquela equipe da revista que você conversou com ele? Como é que foi especificamente John Lennon?
Luiz Garrido: [24:24] Olha, eu não digo nem sobre o John Lennon, eu digo sobre qualquer pessoa. Eu vi uma vez uma repórter de uma televisão que foi fazer uma matéria com um artista famoso, um artista internacional, não era brasileiro. E, no final da entrevista, ela me pega o celular e foi fazer uma live com o artista. Isso não existe, não pode. Quando você está fazendo alguma coisa, você é igual a ele. Você é o fotógrafo, seja o escritor, seja o entrevistador, e ele é o artista. É uma troca de trabalho profissional.
Eron Falbo: [25:05] Peraí, não estou escutando porque meu celular está tocando aqui. Estou brincando.
Luiz Garrido: [25:12] Vai, tem que ligar o celular. Então, é uma troca de trabalho profissional. Você não pode entrevistar uma pessoa e ser fã dessa pessoa. Tanto que me ensinaram, quando eu estava diretor da Manchete, quando você vai fotografar um show, você não pode dançar no meio do show. Você tem que ficar quieto para olhar a reação do público, para analisar isso. Isso envolve o seu envolvimento. Como eu disse, tem certas pessoas, jornalistas, que se envolvem no processo e deixam de ser neutro. Eles têm que ter a cabeça... O retrato é a mesma coisa. Então, quando eu fui fotografar esses personagens todos, trato ele como você. Se eu for fotografar um presidente, é o nome, eu trato pelo nome, porque ele é igual a você. Se você começar a fazer o presidente, o fotógrafo, o vovô, você fica lá embaixo, você perde a forma de dirigir o personagem. Durante aquele momento, não precisa dizer que eu sou maior nem menor que ninguém, entende? Somos todos iguais.
Eron Falbo: [26:24] Claro, é uma técnica, é uma coisa para você poder extrair mais, tipo assim, exemplo, a razão que eu uso o terno no meu programa, a razão que o David Letterman usava, qualquer coisinha, porque você vai conversar com diversos tipos de pessoa. No início do meu programa, eu mudava de acordo com a pessoa com quem eu ia conversar. Só que aí você tem muita margem para erro. Então, cara, se eu vou conversar com um presidente, vou conversar com um artista, eu preciso ter um padrão e tem que ser o mais alto possível. Aí eu uso terno, entendeu? Aí eu tento variar a gravata, entendeu?
Luiz Garrido: [27:01] Mas você tem que ser sempre você.
Eron Falbo: [27:03] É, eu tô sendo sempre eu. E eu gosto de usar terno, by the way, mas eu acho que um anfitrião de talk show faz sentido usar, sabe? Você mostra respeito pelo convidado, você mostra respeito pelo assunto, pelo público. Eu acho que faz sentido.
Luiz Garrido: [27:21] É, você tem que sentir o que você se sente bem, né? Quer dizer, eu não vou fotografar o presidente da república e botar um calção, usar bermuda. Tem que ter um mínimo de respeito pelo fato, no momento. Agora, eu acho que, se você for fotografar o presidente, você não pode chegar lá e, presidente, ficar fazendo reverência. Você vai, entra, fotografa e fica normal uma hora. Você para, as pessoas são assim, não pode ficar numa coisa de ficar tiete do personagem. Eu sou, né? Aí o personagem vê que você está tietado e ele te manda embora.
Eron Falbo: [27:59] Mas nem do John Lennon?
Luiz Garrido: [28:00] Ele não te respeita como pessoa.
Eron Falbo: [28:04] Mas você não era fã dos Beatles na época, não?
Luiz Garrido: [28:07] Olha, para dizer a verdade, eu gostava de jazz.
Eron Falbo: [28:13] Eu gosto de jazz. Você era que nem o Charles Manson.
Luiz Garrido: [28:17] Então, era uma pessoa que estava na época... Era o John Lennon e tal, e era uma pessoa que tinha que fotografar pra poder ter uma renda, né? Vender as fotos.
Eron Falbo: [28:33] Então você era beatnik, né? Não gostou dessa parada de iê-iê-iê aí. Gosto de jazz mesmo, gosto de música negra.
Luiz Garrido: [28:39] Não, mas nada conta, os Beatles, eles são... Tem músicas incríveis deles. Agora, o que não pode é ele chegar lá e ficar babando o ovo de ninguém, né?
Eron Falbo: [28:47] Ah, entendi, é verdade.
Luiz Garrido: [28:49] Não gosta, você imaginou?
Eron Falbo: [28:50] Às vezes eu faço isso.
Luiz Garrido: [28:54] É difícil, você tem que ser uma pessoa que trata de igual para igual, porque você tem duas pernas, dois braços, é igual, não é? Só porque o outro é deputado e você é fotógrafo. Então, acho que nesse momento que você está ali, se ele topou fazer o retrato, ele está à tua disposição e você está à disposição dele para fazer um bom trabalho. Então, é uma troca, isso, uma troca sincera e uma troca profissional. Não pode ter que ficar babando o ovo do teu entrevistador.
Eron Falbo: [29:28] Luiz, antes da gente terminar a nossa conversa, eu queria só que você falasse sobre o seu site, o que você tem feito ultimamente, se as pessoas conseguem te contratar, como te encontrar, esse tipo de coisa, porque são milhares de pessoas...
Luiz Garrido: [29:43] Ao contrário do que parece, eu não tenho site, olha só. Não tenho. O meu e-mail, eu tenho um e-mail profissional, que é garrido@casadafoto.com.br. Esse é o meu e-mail profissional.
Eron Falbo: [30:03] Ah, mas você tem o estúdio, que é Casa da Foto, né?
Luiz Garrido: [30:05] É, mas o estúdio não existe mais. Era um estúdio analógico. Hoje em dia, você faz tudo o que eu fazia no edifício de três andares numa sala. Então, eu mudei para uma sala. Tenho o Instagram, que é Luiz Ponto Garrido. Tem um monte de seguidores lá, eu brinco sempre com ele. Tem um livro meu. Posso apanhar para mostrar?
Eron Falbo: [30:32] Claro, por favor.
Luiz Garrido: [30:33] Espera aí, dois minutinhos.
Eron Falbo: [30:34] Sim, por favor. Enquanto isso, eu vou contar aquela piada do cavalo que entrou num bar.
Luiz Garrido: [30:46] Olha aqui, tem um livro, posso mostrar mesmo, sem problema?
Eron Falbo: [30:49] Por favor, por favor, o que é isso?
Luiz Garrido: [30:50] Olha, tem esse livro aqui, que é do Luiz Garrido.
Eron Falbo: [30:56] Lindão.
Luiz Garrido: [30:56] Ele vai assim, todo fresco, com esse laço mesmo. E tem um DVD, e tem um livro que é a parte didática, tem os retratos e tem as histórias do que eu fui fotografar. Então, por exemplo, abre aqui o livro. Você tem o DVD que mostra como é que eu fotografo os modelos, todas essas partes de capa de revista e tal, que eu fiz muita moda na minha época. Eu tenho também o livro que vende, que é o livro de retratos, que tem as histórias todas muito engraçadas.
Eron Falbo: [31:35] E é o Retratos que ensina um pouco sobre fotografia para jovens fotógrafos?
Luiz Garrido: [31:41] Eu acho que o retrato... Eu comecei fazendo reportagem, depois virei para a moda. O retrato é a parte, eu acho, mais difícil, porque você tem que controlar o pessoal.
Eron Falbo: [31:52] Estou falando do livro. O seu livro é aquele que ensina um pouco sobre fotografia?
Luiz Garrido: [31:57] Ele tem tudo aí. Ele tem como é que faz um retrato, ele tem como é que você edita uma foto, analógica ou digital, ele tem os livros que me influenciaram na minha carreira, ele tem as histórias de como a pessoa chega, como você faz, ele tem o material que eu usei, ele tem o tipo de lente, ele tem tudo. Ele é um livro didático, não é um livro de arte, vamos dizer assim, é um livro didático.
Eron Falbo: [32:20] Perfeito, perfeito. Depois eu vou querer... Os retratos eu vi, alguém me mostrou, eu não tenho aqui ainda, mas eu vou comprar e vou querer dedicatório depois.
Luiz Garrido: [32:31] Ah, eu faço um dedicatório.
Eron Falbo: [32:33] Se você não se incomodar.
Luiz Garrido: [32:34] Esse livro, inclusive, quer dizer, a gente está enviando pelo correio, porque na livraria não dá, né? Está difícil, esgotou na livraria. Então, a gente está enviando pelo correio. Agora, é uma época muito difícil que a gente está vivendo. Agora, eu vou te fazer uma pergunta a você. Você acha que depois dessa loucura que a gente está vivendo, que vai fazer dois anos praticamente, eu tive algumas pessoas queridas que eu perdi, a gente se sente muito. Você acha que as pessoas vão mudar?
Eron Falbo: [33:11] Luiz, você quer mesmo saber? É uma pergunta retórica ou você está fazendo uma pergunta...
Luiz Garrido: [33:17] Não, o objetivo é sim ou não, certo?
Eron Falbo: [33:20] Eu acho que as pessoas mudam diariamente. Eu acho que isso tem um impacto muito forte na vida de todo mundo.
Luiz Garrido: [33:27] Eu penso que elas vão ficar mais amigas, mais honestas, mais sensíveis.
Eron Falbo: [33:34] Infelizmente, eu não acho que vai ser nesse caminho. Acho que as pessoas vão ficar mais paranoicas, mais medrosas, vão ficar mais defensivas. Porque, infelizmente, vão ficar mais medrosos, né? Luiz, eu vou fazer, para a gente terminar, uma última pergunta para você, que é o que eu gosto de fazer para as pessoas que eu gosto.
Luiz Garrido: [34:03] Só um momento, eu queria agradecer por você ter permitido mostrar o livro, tá?
Eron Falbo: [34:07] Que isso, pô! Eu queria até encorajar todos os jovens fotógrafos que estão aprendendo, não só aprendendo a arte da fotografia ou querendo melhorar a arte da fotografia, ou até os fotógrafos já sazonados, a aprenderem com um gigante da fotografia, ensinando truques e talvez insights até filosóficos sobre a arte da fotografia que você não vai encontrar em nenhum outro lugar. Retratos, de Luiz Garrido, então comprem aí, onde quer que seja, onde quer que o Google te direcione. Luiz, eu queria te agradecer pela sua presença e fazer uma última pergunta para você: o que mais importa na sua vida, nesse mundo? Para você.
Luiz Garrido: [35:02] A sinceridade das pessoas. As pessoas têm que ser verdadeiras e sinceras. O que importa são as pessoas que não falam o que são; isso é terrível. Acho que as pessoas têm de ser sinceras e verdadeiras. Você consegue as coisas muito melhor assim. O que eu acho que não é uma grande característica do nosso país. Mas eu acho que a sinceridade é a coisa mais importante que tem no mundo.
Eron Falbo: [35:36] Não é uma grande característica de quem?
Luiz Garrido: [35:38] Do país, você acha que é?
Eron Falbo: [35:40] Ah, do país? Não, não.
Luiz Garrido: [35:42] Não é, né?
Eron Falbo: [35:45] Com certeza não.
Luiz Garrido: [35:45] Mas eu acho que isso é a coisa mais importante.
Eron Falbo: [35:48] Eu concordo. Eu tenho, pessoalmente, me esforçado nos últimos anos para ser cada vez mais sincero, mais autêntico. Então, apesar de eu ter os meus ternos etc., no meu coração e na minha fala, no olho no olho, eu tento ser o mais sincero e honesto possível.
Luiz Garrido: [36:10] Mas eu acho que você tem um filho que é músico, né?
Eron Falbo: [36:16] Não sabia.
Luiz Garrido: [36:16] É, também. Ele toca guitarra, tem uma banda e tudo.
Eron Falbo: [36:22] Que bonito.
Luiz Garrido: [36:23] Enfim, foi um ótimo papo.
Eron Falbo: [36:26] Valeu, Luiz. Muito obrigado por te ter aqui. Obrigado pelo seu tempo. Eu sei que seu tempo é precioso.
Luiz Garrido: [36:31] Eu te agradeço por ter mostrado o livro. Eu tenho Instagram, me acompanhem pelo Instagram, é luiz.garrido. E obrigado pela força, pelo papo, pela gentileza, pela simplicidade e tudo.
Eron Falbo: [36:47] Valeu, Luiz. Valeu a todo mundo que está assistindo. Tudo de bom a todos.
Luiz Garrido: [36:51] Eu te agradeço. Você também. Tenha uma boa noite aí, tá? Um abraço bem grande. Tchau, tchau.
Eron Falbo: [36:57] Então, pessoal, eu vou dizer agora o que eu aprendi no programa de hoje. Eu criei essa pequena pílula de todo conhecimento que a gente adquiriu em uma hora e eu vou dar tudo em um minuto, rapidão. Mas antes disso, se você quiser muito, muito, muito, mande agora mesmo um WhatsApp pra sua avó, seu melhor amigo, falando da sua experiência, essa experiência maravilhosa que você teve hoje. Fale pra eles do evangelho, irmão. Fale do seu testemunho, tudo que você viveu. E peço pra eles se inscreverem em nosso canal, porque a gente não ganha nada a não ser seu like. A gente é super egocêntrico, quer um like seu? Mentira! Se a gente tiver like suficiente, a gente vai ganhar alguma coisa. Então é a forma de você contribuir pra gente. E eu e meu sócio Marques Zuckerberg agradecemos muito. E é isso. Conte com a gente toda segunda, quinta, 19 horas em todos os canais da internet. A gente é o único talk show que tá em todos os canais. E agora eu vou dizer pra vocês o que eu aprendi com o Luiz Garrido, que é, no final das contas, um cavaleiro. Essa é uma das coisas que eu aprendi com ele. Apesar de um manipulador maquiavélico, mas eu gostei muito dele e queria dizer que, eu como comunicador, como escritor, como qualquer coisa que eu sou, como charlatão, eu aprendi que é muito importante a gente manipular as pessoas. É muito importante a gente valorizar o tempo das pessoas, valorizar momentos. Isso a gente aprendeu na conversa de hoje. E momentos são preciosos, então aquele momento tem que ser trabalhado para que daquele momento saia o máximo possível. E com isso, como que você pode chegar nisso? Com muito preparo, conhecendo o seu sujeito, no caso dele, o que ele tá fotografando, no meu caso são convidados, mas pode ser qualquer coisa que você for extrair de um momento. É isso que eu tirei pessoalmente. Então, se você for ter uma festa de aniversário, qualquer coisa assim, pensa, cara: o que eu posso tirar desse momento? Como é que eu posso me preparar? Aonde eu tô indo? Aonde eu tô entrando? Se você tá escalando uma montanha, tipo assim, veja aquela paisagem, sacou? Porque aquele momento você não vai viver duas vezes. E isso foi muito valioso. Então eu queria agradecer de novo a todos. Assistam ao vivo de segunda a quinta, 19 horas. Beijão.
No Alvo com Eron Falbo · episódio #103 · todos os episódios