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#101 A maior vantagem de ser dono do seu próprio negócio

com Marcelo Petrarca · 11 de mai de 2021

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Abertura com música e boas-vindas (0:00)

Eron Falbo: [0:00] Não tá saindo, não. Ah, peraí, tá passando coisa. Valeu, valeu, obrigado. Obrigado a todos, sejam todos bem-vindos. Vamos sair dos nossos tempos agora e vamos usar os cinco sentidos: audição, tato, olfato, paladar e a visão. Muitos acreditam que temos um sexto sentido, a intuição, e a gente vai precisar agora usar o sétimo sentido. A retórica é para a justiça, assim como a gastronomia é para a medicina, frase intrigante de Platão em seu livro Górgias. Puta que pariu, meu gato pôs um ovo, mas gato não põe ovo. Puta que pariu de novo, eu sou vampiro doidão. Eu sou vampiro doidão. Passo o dia dormindo e à noite fumo um baseadão. Se droga fosse álcool, morreria de cirrose. Se álcool fosse droga, morreria de overdose. Eu sou vampiro doidão. Eu sou vampiro doidão. Eu tô muito louco, eu tô baseado no bom. Tinha um menino lá na quadra, qualquer um podia ver, era o menor, mas dominava debaixo do Bloco C. Eu sou um vampiro doidão. Eu sou um vampiro doidão. Passa o dia dormindo e à noite eu fumo um baseadão. Fiquei agora com o Marcelo Petrarca. E aí, Marcelo?

Marcelo Petrarca: [2:33] Mestre, tudo bem?

Eron Falbo: [2:34] Fala, meu querido, beleza?

Reencontro com o chef Marcelo Petrarca (2:35)

Marcelo Petrarca: [2:36] Bom demais. Parabéns já pelo projeto, que bacana.

Eron Falbo: [2:40] Valeu, muito obrigado, muito obrigado, cara. Foi muito bom te ter aqui, você é um dos amigos mais antigos que eu tenho. Eu cantei essa música só pra avisar pra todo mundo, acho que talvez você tenha entendido, que a gente tocava essa música direto debaixo do bloco.

Marcelo Petrarca: [2:58] Exatamente, exatamente. A turma do banquinho ali, né?

Eron Falbo: [3:05] Muito fera, cara, muito fera. Cara, pô, você, tipo assim, eu já te falei isso lá indo pro seu restaurante e tudo mais, mas seu crescimento, ao mesmo tempo que eu fico super orgulhoso de ver o tanto que você tem crescido, pra mim não é uma grande surpresa, porque você já era meio que um gêniozinho. Você andava com os caras mais velhos, sempre sabia o que falar, sempre meio que dominava os assuntos. Então é muito legal ver isso, a gente ver os amigos crescerem, a evolução. Então parabéns aí por todos os seus conquistas.

História por trás do Bloco C (3:36)

Marcelo Petrarca: [3:47] Obrigado, obrigado demais. Época boa, época boa.

Eron Falbo: [3:51] Pra quem não sabe, obviamente ninguém sabe aqui, mas a gente cresceu juntos, em Brasília, na 316 Sul, e a gente brincava ali perto do Bloco C. O seu primeiro restaurante é o Bloco C por causa disso?

Marcelo Petrarca: [4:06] Então, o Bloco C surgiu porque a gente resolveu homenagear Brasília, na parte da arquitetura, e a gente queria botar Bloco E, que foi o bloco que eu sempre morei, na verdade, e você morou no C, na verdade. Só que a loja do Bloco C fica no Bloco C da 201, comercial, e aí não teria muita lógica você falar o endereço: 'Ah, onde é que é o restaurante?' 'É no Bloco...' Entendi. 'Bloco E', enfim. Aí a gente cedeu e ficou... e aí ficou Bloco C.

Eron Falbo: [4:39] Mas qual que a gente seria homenagear? Porque esse é Bloco E, de Eron, e Bloco C é onde eu moro. Eu sei, tá tudo...

Marcelo Petrarca: [4:45] A gente tem pra onde fugir.

Eron Falbo: [4:48] Mas, cara, a história é muito melhor pra nossa galera, porque a gente, independente de você morar no Bloco E, você passava a maioria do tempo da sua vida do lado do Bloco C, ali na banca.

Marcelo Petrarca: [4:59] Exato, exato. Fez parte, desde o início eu nem sabia que a gente... bom, nunca tinha ideia que eu ia virar cozinheiro, chef.

Eron Falbo: [5:08] Eu também não tinha.

Marcelo Petrarca: [5:09] E eu tava ali do lado do nome do meu primeiro restaurante, né? Muito bacana isso.

Eron Falbo: [5:16] Muito fera, cara, muito fera. E, cara, eu vi lá no seu dossiê (a gente faz um dossiêzinho dos convidados pra poder comportar tantos convidados, a gente já tá fazendo quatro entrevistas por semana) e lá tá escrito... Cara, eu imagino, meio que sabendo um pouco da sua família, do seu irmão, de você, que você é meio assim mesmo, mas lá você falou alguma coisa tipo que Brasília é o suficiente, que você não tem muita curiosidade pra conhecer o mundo. Cara, achei isso muito legal, muito intrigante, e se você puder explicar um pouco de onde vem essa mentalidade.

Apego a Brasília em vez de viajar (5:42)

Marcelo Petrarca: [6:00] Cara, assim, eu sempre falo que Brasília... Ah, você não gosta de viajar. Quando eu falei isso pela primeira vez, aí muita gente: ah, mas então por que você vai pra Itália todo ano caçar trufa? Por que você vai pra onde? Não é isso. Eu tiro férias em Brasília sem problema nenhum, foi mais ou menos o que eu quis dizer.

Eron Falbo: [6:19] É a sua esposa, né, que pede pra ele ir pra Itália.

Marcelo Petrarca: [6:24] Então, foi mais assim, lógico. E, sim, a gastronomia me proporcionou muitas viagens a trabalho e tudo. Acabou que eu consegui conhecer muita coisa, graças a Deus. Mas toda vez, voltar pra Brasília, eu tenho certeza que a gente começou no lugar certo. A gente já teve grandes oportunidades pra ir pra outras cidades. E toda vez que a gente começa a desenhar isso, a gente vem pra Brasília. Aí eu entro no carro, chego em dois minutos no Bloco 6, chego em cinco minutos no Lago, chego em dez minutos na nossa linha de congelados na produção. E eu acho que vou ficar em Brasília mais um pouquinho. É verdade!

Eron Falbo: [7:07] E cara, você nasceu em Pelotas, né? Nem sabia disso, as coisas que a gente descobre depois de anos! Eu poderia ter te sacaneado por causa disso!

Marcelo Petrarca: [7:17] Eu não lembrava!

Eron Falbo: [7:20] Um parêntese, só para o pessoal saber: eu era extremamente sacaneado no nosso grupo. Eu sofri um bullying sinistro, tanto que eu até me senti um pouquinho deslocado. Oi?

Marcelo Petrarca: [7:37] Estaria todo mundo preso hoje.

Eron Falbo: [7:39] Exatamente. Eu ia falar sobre isso, cara. Hoje em dia, o jeito que a gente sacaneava uns aos outros... Como que era o nome daquele cara que era modelo, cara? Que ele era o mais sacaneado de todos. Não preciso falar agora, pode falar o apelido.

Marcelo Petrarca: [7:57] O Juscelino, né?

Eron Falbo: [8:03] Total, coitado! Eu acho que tanto que ele parou de andar com a galera. Acho que...

Marcelo Petrarca: [8:10] Ele teve que tomar uma decisão. Se ele estiver nos vendo, um abraço e desculpa qualquer coisa!

Eron Falbo: [8:19] Desculpa, por enquanto, naquilo que ele disse em São Paulo. Porque, sei lá, de repente ele é um prego. Cara, o áudio ainda tá meio que, tipo, eu não sei o que é, se é um... Você tá usando microfone externo, só pra eu saber?

Marcelo Petrarca: [8:38] Não, não tô. Tá como o áudio? Tá baixo? Tá tremendo?

Eron Falbo: [8:41] Não, é só que, quando eu falo ao mesmo tempo que você, corta o áudio e eu não te ouço. Aí eu fico com receio de te cortar, tá? Mas, sei lá, tá dando pra entender. Vamos perguntar pra galera de casa, né? Porque a gente também tem cara.

Marcelo Petrarca: [8:57] Eu não sei se vocês sabem, eu voltei a morar na 316.

Eron Falbo: [8:59] Eu vi hoje porque me deram o seu endereço pra tentar mandar equipamento. Eu falei, pô, que legal. Você tá no mesmo bloco, não?

Marcelo Petrarca: [9:07] Não, eu tô no J, agora eu vim pro J.

Eron Falbo: [9:09] De Juscelino. Pra honrar o nosso amigo.

Marcelo Petrarca: [9:19] Exatamente. Eu homenageei você com o bloco C, agora o Juscelino.

Eron Falbo: [9:23] Total. Deixa eu ver, eu ainda não tô aqui com a galera, eu esqueci de ligar aqui o Telegram que eu uso pra conversar com os nossos agentes fora.

Marcelo Petrarca: [9:35] Bom, a gente vai tomar um pauzinho já, não?

Eron Falbo: [9:37] Oi? Ah, desculpa cara, vamos brindar.

Marcelo Petrarca: [9:41] Saúde.

Eron Falbo: [9:42] Saúde, muito bom te ver. Saúde, a nossa conversa é a nossa amizade.

Gestão humana e horizontal da equipe (9:46)

Marcelo Petrarca: [9:48] Exatamente, saúde.

Eron Falbo: [9:50] Saúde. Cara, me conta como é que você começou na gastronomia, que eu acho que você até me contou já, mas quando a gente se viu, aí eu falando pra galera que talvez te vê como uma estrela, o chefe estrela do Bloco C, que não tem tanto acesso quanto eu tenho, né? Mesmo os amigos dele, quando eu falo com ele, ele tá super ocupado sempre, é um cara extremamente dedicado. E tá trabalhando 100% do tempo, sempre que eu fui visitá-lo lá no Bloco C, claro que ele também é super atencioso, vai em mesas, até que não são de amigos, eu fico com um pouco de ciúmes, mas sempre foi muito solista, desde o primeiro momento que eu, quando não era ninguém, eu procurei ele lá no Bloco C, sempre foi muito solista, muito atencioso, mas ao mesmo tempo extremamente trabalhador, E dá pra ver também que a equipe dele respeita ele demais. Eu vejo às vezes umas coisas, transmissões de vocês, sei lá, vídeo, eu vi algumas coisas aí que você fez. Não lembro o que agora, desculpa, mas dá pra ver que a sua equipe te respeita muito, você tem uma relação muito horizontal, muito simples com eles. Inclusive, até antes de eu fazer uma pergunta, fala um pouco sobre isso, a relação de um chefe que não é o Gordon Ramsay.

Marcelo Petrarca: [11:13] É, exatamente. Quando eu fui pro mundo da gastronomia sem Você não tem que saber nada. Meu pai gostava de cozinhar, mas era aquele gaúcho que não deixava ajudar no churrasco, só carregava o saco de gelo e a farinha. Mas eu sempre vi a relação do meu pai com os funcionários dele muito transparente, muito humana, na verdade, a nossa gestão. E falo pelos meus irmãos também, é uma gestão muito humana. Por mais que o Marcelo virou um grande chefe, o Bloco C ganha todos os prêmios, o Marcelo ganha todos os prêmios, o Lago ganha todos os prêmios, então nada disso não muda. Até porque eles estão muito mais lá do que eu, a verdade é essa. Então a minha equipe Ela tem uma total admiração. O respeito é uma coisa básica da vida, mas eles tem uma admiração minha muito grande. Então a gente acaba tendo uma relação muito próxima, muito próxima mesmo. Tem gente que tá comigo há 10, 12 anos que tem acesso à minha casa, tem acesso à minha filha. Tem tudo, sabe? Então, de fato, são pessoas que são muito mais do que um prestador de serviço, do que um colaborador, sabe? Eu não gosto de usar esse nome, assim, ah, porque quantos colaboradores você tem? Assim, eu não tenho nenhum colaborador, ninguém tá colaborando comigo, assim. O que vocês estão fazendo deles, assim? Vocês fazem as coisas acontecerem em todo mundo. O garçom que vai te atender ali por trás tem uma família, por trás tem uma vida, por trás tem uma história. Então é isso que a gente pensa que rege muito a nossa gestão.

Eron Falbo: [12:44] E eu tenho que dizer assim também, já fazendo propaganda do restaurante, primeiro pra todos irem lá, porque sinceramente foi o primeiro restaurante, eu pessoalmente, disclaimer, eu também passei muito tempo fora, então assim, grande autoridade, mas eu posso dizer com sinceridade que foi o primeiro restaurante que eu fui em Brasília que me sobressaiu. Foi o Bloco C. O Lago, infelizmente, eu ainda não fui. E o Bloco C realmente sobressaiu em termos internacionais. Vocês sabem que eu passei minha vida perambulando por várias cidades do mundo e realmente foi uma coisa assim que, pô, tem nível E ao mesmo tempo tem arte, tem uma autenticidade criativa, tipo Alex Atala, coisa do tipo, sem querer comparar, mas dá pra ver que você coloca... Mais rápido. Oi?

Marcelo Petrarca: [13:40] Já te agradecendo a comparação.

Eron Falbo: [13:43] Porque depois de São Paulo, eu já tinha morado em São Paulo e já tinha ido em outros restaurantes de nível, e Brasília não tinha... Tem restaurantes muito bons, que tem comida caseira, que você pede um estrogonofe muito bom, um filé parmigiano muito bom, e sushis. Mas isso é uma coisa meio lugar comum, não é uma coisa que tem um design gastronômico. E realmente foi, eu lembro até que você nunca mais conseguiu lembrar o nome desse prato, até te perguntei, tinha algum prato com parmesão derretido, sei lá, É bem... Sei lá, faz muito tempo, né? Você não levou aí... Mas, cara, virou um dos meus pratos favoritos da vida e um dia eu vou te cobrar isso aí. Quando você morrer, cara, eu vou pegar os seus cadernos, sacou? E vou lançar um disco posto. Mas, cara, essa sua visão, assim, de... Do jeito que você trata as pessoas que trabalham com você, né? Eu gosto também de ter isso, apesar de eu ser um tirano absoluto e as pessoas que trabalham comigo tem essa ideia de ter uma relação mais ou menos, porque eu sou meio autoritário às vezes, né? Mas eu gosto de aprender com pessoas como você porque a visão em termos de princípio que eu tenho é igual a sua, né? Então eu sempre falo pra eles assim, pra nós aqui, tá todo mundo aqui assistindo, é minha assistindo, assistindo a gente, aí você vê como eu sou egocêntrico. Eu gosto de dizer, tipo, é um barco pirata, sacou? Tipo, a gente tá indo buscar um tesouro juntos e, tipo assim, quem não quiser tá aqui pode pular do barco e avisar que a gente deixa o próximo porto e quem quiser, cara, tem todo o espaço pra crescer, pra eu virar capitão, entendeu? Pra eu virar qualquer coisa que quiser e é uma relação totalmente horizontal, como era de barco pirata, sacou? Tipo, tem hierarquia mais ou menos por causa de funcionamento, né? Pra gente poder ser operacional. Mas a verdade é que é todo mundo fora da lei, sacou? E todo mundo pode morrer a qualquer momento com o ataque. Então é esse espírito, sacou? Que é tipo, a gente tá aqui porque a gente quer. E eu quero que seja assim, sacou? Eu quero que a gente esteja aqui juntos porque a gente quer. Então eu quero realmente ser transparente sobre o que a gente vai fazer, sobre o que a gente não vai fazer, entendeu? Sobre o que a gente vai ganhar de fato, sobre o que a gente não vai ganhar de fato. E acho que antigamente eu aprendi a ser assim porque antes essa coisa assim, no início a gente tem, como empreendedor, a gente tem uma tendência a tentar ser meio sigiloso, secreto, não falar tudo, porque a gente tem inseguranças.

A arte de delegar e carta branca (15:50)

Marcelo Petrarca: [16:38] É, exatamente. Eu acho que Essas inseguranças que a gente tem é muito pela atitude dos outros, assim. Porque quando a gente decidiu... Bom, eu estudei fora, voltei, fui chefe de alguns restaurantes. E aí comecei a ter grandes empresários de Brasília querendo investir em mim, querendo montar restaurante, aquela história toda. Eu tinha na época 20 anos, 21 anos. Não, 23 anos, e aí eu cheguei para os meus irmãos, que você muito bem conhece, Carol e Daniel, falei para eles o que estava acontecendo, tudo, e eles, não, a gente, se você quiser, você pode dispensar todo mundo que a gente vai juntar dinheiro para montar o restaurante. E aí foi quando a gente começou já a traçar o plano, assim, sabe, o que a gente ia fazer. Então eu comecei lá, desde quando eu era chefe de outros restaurantes, a tentar fazer meu nome, a ir nas mesas, como você mesmo falou, pra que quando eu fosse alçar um voo solo, essas pessoas me acompanhassem. E essa foi uma decisão tão... E.

Eron Falbo: [17:47] Como você aprendeu essa visão, essa visão de empreendedora, de fazer esses planos e isso que você tá falando?

Marcelo Petrarca: [17:56] Cara, assim, eu... O chefe de cozinha, hoje o Marcelo... Hoje ser o Marcelo todo mundo acha que é maravilhoso, né? Porque, ah, o Marcelo chega no restaurante, tá tudo pronto, ele vai na mesa, senta com o cliente, toma um vinho e vai pra casa no carrinho novo dele, chega em casa, tá com a filha maravilhosa, enfim. É longe de ser ruim, pelo amor de Deus. Minha vida, graças a Deus, tá ótima. Mas hoje o Marcelo, ele é muito mais empresário do que cozinheiro, do que chefe. E é uma coisa que foi inevitável. Eu comecei a gerir. Eu comecei a estar muito no setor de compras, por exemplo. Comecei a estar muito com os meninos da logística. A coisa foi começando a crescer e eu precisava sair da cozinha. Eu não podia ficar enfiado. Só que o sair da cozinha eu tinha que deixar alguém fazendo tão bem quanto eu ou melhor. E aí foi o que a gente conseguiu fazer. Eu aprendi a delegar. Eu fui entendendo Eu não consigo ter mais do que dois braços e uma cabeça, então eu preciso ter gente que pense comigo, eu preciso ter gente que seja braçal comigo, porque senão eu vou ser só o bloco seu. Eu não conseguiria ter o lago, não conseguiria ter o buffet, não conseguiria ter a linha de bordo do lago.

Eron Falbo: [19:13] Não conseguiria ter sua filhinha, né?

Marcelo Petrarca: [19:17] Quando a Bela apareceu, quando eu casei, enfim, a Bela apareceu, eu fiquei com meus irmãos e isso vai muito deles também. Eu sou meio orcarólica, sabe?

Eron Falbo: [19:29] Eu sou meio... E cozinheiro meio que tem que ser, né? Aprendi isso. Cozinha é muito movimentado. Acredito, se quiser, eu já trabalhei em cozinha. Em Londres eu era garçom e trabalhava... Quando eu fui morar em Londres, eu era garçom. No Hilton, no hotel, no Hilton de... Qual era o nome do... Caraca, Notting Hill? Puts, esqueci agora. É perto de Notting Hill, mas esqueci o nome dela. Lá tem uma estação. Não, não era Pegadistics, não. Era lá pra cima, tipo Bond Street, alguma coisa, não lembro. É porque eu morei em Londres 4 anos, mas faz já mais de 10 anos. Uma desculpa aí, não te interrompi.

Marcelo Petrarca: [20:09] Essa gestão veio disso, a gente definiu que a gente ia delegar, o que é muito difícil, que delegar é uma arte. A gente encara com, hoje, não com medo, a gente delega e a gente confia. Porque o delegar... Na verdade, eu faço tudo no meu restaurante, no Grupo Loco C, o que eu não podia fazer nos outros. Então, eu sempre fui um cara que eu fui chefe de cozinha de outras pessoas. E aí, eu descobri que tem um negócio que é muito ruim, que é muito pior do que o não. Eu chamo de carta bege. É quando o cara te dá a carta branca, mas é ele que assina. Eu fazia o cardápio, ficava estudando, estudando, estudando, estudando. Chegava o chefe, val, cortava e falava, o cardápio tá aqui. Então não vem me falar que eu tenho carta branca, né? Então vamos... Não me deixa perder esse tempo.

Eron Falbo: [21:05] Eu queria só aproveitar pra dar uma mensagem aqui pra minha equipe. Ouviram, gente? É por isso que eu jogo pra vocês as coisas e falo se vira, entendeu? Porque isso é carta branca, verdadeiro. E depois eu cobro coisas que eu nem expliquei como que faz. Aí a galera fica um pouco confusa aqui, mas o espírito é esse, sacou? É tipo... Tem uma coisa que... Esqueci quem que fala, tem algum psicólogo que fala isso, que eu acho que é o hipopótamo, a mãe hipopótamo, na hora de ensinar o filho a nadar, Empurra ele uma vez, depois puxa pelo rabo, né, pra salvar ele. Empurra ele uma vez, depois puxa pelo rabo. Terceira vez ela vai embora, sacou? Aí, se morrer, morreu. Aí o bicho aprende a nadar.

Marcelo Petrarca: [22:03] Ele não tem muita opção, mas assim, e aí essa gestão tem funcionado muito, assim, dele errar e... E assim, errar, sabe? Se o cara errar, ele vai errar e a gente vai... Lógico, decisões super importantes têm que ser muito bem pensadas, mas eu tenho meus braços direitos que eles tomam as decisões. E isso me ofendia, um tempo atrás, que as pessoas tomassem decisões sem me consultar. Hoje eu acho... Hoje eu valorizo demais, cara. E se o cara erra, eu tô aqui pra falar o meu ponto de vista, onde eu acho que ele errou.

Eron Falbo: [22:39] Claro, cara. Tem que lapidar.

Marcelo Petrarca: [22:42] É, exatamente. Então, assim, o cara da cozinha é diferente, porque cozinha é técnica. Então a técnica é essa, a gente vai fazer essa técnica, tipo, uma matemática. Na gestão de salão, por exemplo, a decisão tem que ser muito rápida, tem que ser ali na hora. Então, eu sempre falo que cada mesa é uma bolha.

Eron Falbo: [22:59] Você tá num show ao vivo, né? É um show ao vivo. É o que a gente faz aqui, a gente tá fazendo uma transmissão ao vivo, as pessoas estão assistindo no Facebook, Instagram e YouTube ao mesmo tempo. Isso aí só foi uma breve propaganda, mas é o único talk show na existência da humanidade, na história da humanidade, que está transmitindo para todas as plataformas ao mesmo tempo. Muito obrigado. Mas, se contar isso, algumas pessoas não param para pensar: restaurante é um show ao vivo, você não concorda com isso?

Marcelo Petrarca: [23:36] E diário, né? Almoço e jantar. O show tem que ser almoço e jantar. E falando um pouco dessa parte de gestão de salão, ao vivo, o garçom tem que ser um protagonista que não aparece. Olha, é uma coisa muito doida isso. Porque se o garçom aparece muito, ele incomoda. Ele fica aquele garçom chato que tá toda hora. Se o garçom tá sumido, ele também atrapalha porque o cara tá chamando ele. Então, assim, eu sempre falo que é uma bolha que você abre em cada mesa. E o garçom tem que entender o que está acontecendo naquela mesa. O cara pode estar numa reunião política, o cara pode estar brigando com a mulher, o cara pode estar com uma amante, o cara pode estar com tudo que pode acontecer. Ele tem que entender aquilo ali. Vai direcionar o tratamento dele. Então, um garçom atende por noite, vamos botar aí, 15 mesas. Ele tem que dar um jeito de entender que as mesas têm que ter um tratamento diferente. Eu acho que esse talvez seja, já tô dando dica aqui, o grande pulo do gato do nosso atendimento, sabe? Os garçons entendem o que você tá passando naquele momento.

Restaurante como espetáculo ao vivo (23:38)

Eron Falbo: [24:44] Uau, isso aí é maravilha.

Marcelo Petrarca: [24:45] Tá indo, se você não der, ele vai segurar e aí vai indo.

Eron Falbo: [24:48] Que legal, cara. Isso aí é de uma sensibilidade, assim, que realmente é trans-brasiliense, né? Tipo, é meta-brasiliense, vai além da mentalidade normal, pelo menos do que eu conheço, né? Eu tô fora de Brasília há muito tempo, então, se eu tô em Brasília, eu queria te dar esse recado: se eu tô te ofendendo, meu amor, entendeu? Eu queria dizer que eu ainda penso muito em você. Eu lembro muito dos nossos momentos juntos, no Eixão, o céu maravilhoso.

Marcelo Petrarca: [25:20] A banca do Gabriel.

Eron Falbo: [25:21] A banca do Gabriel. O Gabriel. Um beijo pro Gabriel. Imagina o Gabriel. Pô, cadê o Gabriel? Dirigindo bêbado pra casa quando não tinha lei seca, essas paradas. Pô, lembra quando eu ia na contramão no Eixão? Aí os policiais te param e acham que você é filho de deputado.

Marcelo Petrarca: [25:49] Se você não é, você finge.

Eron Falbo: [25:52] É, exatamente. Pô, você me tratando assim?

Marcelo Petrarca: [25:56] Exatamente, Brasília tem dessas coisas.

Eron Falbo: [26:01] Mas cara, essa mensagem que a gente está dando, eu acho que vamos tentar juntos extrapolar ela para a dona de casa, você que está aí. Para as pessoas que não necessariamente são empreendedoras, porque eu acho que essas mensagens valem para todos. Tipo, tratamento de pessoas, ser horizontal com todo mundo, não ter essa insegurança que faz a gente ser... Tipo assim, eu quando sou malvado com a minha equipe é porque eu estou inseguro, sacou? Quando eu grito, quando eu falo, entendeu? Porque eu tô nervoso, tô inseguro. Então, a verdade é essa, assim, quase a maioria das vezes, né? Talvez sem contar o Gordon Ramsay, que ele realmente é competente de alguma maneira, sendo demônio na tela, né? Mas, no geral, assim, no meu ver, não é o caminho mais frutífero, né?

Cliente nem sempre tem razão (26:39)

Marcelo Petrarca: [26:55] Então, a gestão pelo medo tem um potencial gigantesco de naufragar. Eu fui chefe de outros restaurantes e fui gerido pelo medo há muito tempo. Então, assim, quando você tem uma gestão dessa, na frente do gestor, você é uma pessoa e quando o gestor vira as costas, você é uma pessoa totalmente diferente. Então, eu acho uma grande burrice gerir pela pressão, pelo medo. Pressão, lógico, pelo acerto, pela qualidade, pela perfeição, mas eu tô muito na fase onde tudo é muito pequeno. Errou um ponto de um filé e o cara chama na mente. Não foi por querer, enfim, mas não precisa você chegar pro meu garçom e falar que é um absurdo, que não é isso, a proposta do restaurante não é essa, eu não quero ser o melhor restaurante do mundo, eu não tô aqui pra você falar que é o melhor restaurante do mundo, tô aqui pra você passar bons momentos e comer bem, errou? Errou, vamos consertar, é coisa de cinco minutos, não precisa fazer esse show... E vem me falar que o mundo vai acabar porque ele passou um pouco do que você gosta. Então, eu tô muito nessa, sabe? A gente vai concentrar e vamos ter uma vida tranquila, porque é difícil pra todo mundo. Às vezes o cara que tá te...

Eron Falbo: [28:20] Claro, claro, cara. Isso é um aprendizado que eu mesmo tô tendo também, cara. Porque eu acho que quando a gente é mais jovem, mais experiente... Não só jovem, né? Porque hoje em dia existe essa cultura, né, do the customer is always right, né? De direitos do consumidor, as pessoas achando que estão pagando. Olha, eu estou aqui pagando. Como assim está pagando? Ele também está pagando com o serviço dele, entendeu? Vamos botar no papel aqui quem está pagando mais? Porque provavelmente você está cobrando barato.

Marcelo Petrarca: [28:58] Eu tenho algumas histórias, esse ponto é muito interessante. Eu sempre falo o seguinte: quando você escolher um restaurante pra ir, não ache que você tá fazendo um favor pro restaurante. Você escolheu por vários motivos, porque você gosta do garçom, porque o atendimento é bom, ou porque tem ar-condicionado, ou porque tem um prato que você gosta. Então você não tá fazendo um favor. Do mesmo jeito que a gente, com a nossa equipe, fala que vocês estão aqui porque vocês querem, os clientes estão aqui porque vocês querem também.

Eron Falbo: [29:23] Cara, outro dia, sabe aquelas figurinhas dos stories do Instagram que fazem perguntas? De vez em quando, ultimamente eu não tenho tido nem paciência nem tempo, mas de vez em quando eu coloco lá um negócio pra ver, né, interagir, etc e tal. Aprender essa arte de ser idiota do Instagram. Um dia, várias vezes, eu coloco e alguém manda uma pergunta, aí depois manda três outros: "Você não vai responder a minha pergunta, não?" Aí eu fiz um story: "Como vai responder?" Fiz: "Quanto você tá pagando, meu amigo, pra me responder essas perguntas?" Tipo assim, o que é isso? Tipo, porra, eu tô aqui explorando, entendeu? Aí eu falei, nós dois estamos trabalhando pro Mark Zuckerberg, não esqueça disso, sacou? Nós dois somos usuários dessa porra, sacou? E quem tá ganhando com isso não é nenhum dos dois. Então vamos ser amigos? Eu acho que tem que ter, assim, no restaurante, esse espírito. O cara vai com o cliente, tem que entender que, porra, a maioria dos restaurantes fecham depois de seis meses, sacou? Então o cara tá lá fazendo um baita serviço de abrir aquela porra na sua cidade de merda, entendeu? E você tá tendo um novo restaurante pra ir, e o cara tá correndo risco pra caralho nessa merda de economia ultratributarista, centralizada, totalitária, e você tá lá pensando como uma palavra que você viu num filme americano, que, porra, tem que exigir seus direitos, vai tomar um curso agora.

Marcelo Petrarca: [31:00] É exatamente isso aí. Eu não tenho nem o que te falar. Exatamente isso. Essa parte em questão, tem um ponto que eu sempre toco, que é sobre a rolha do vinho. A gente cobra 50 reais na rolha do vinho. 50 reais.

Eron Falbo: [31:20] Muito barato. Para um restaurante de nível é tipo de graça.

Marcelo Petrarca: [31:24] Com R$50 você não come uma promoção do McDonald's hoje com um sundae. Você não come.

Eron Falbo: [31:31] Não dá nem pra me contratar como prostituto por R$50, mas eu tô tão famoso.

Marcelo Petrarca: [31:37] E aí as pessoas se negam a pagar. E aí elas falam assim: eu tenho um vinho especial pra beber, tudo bem, pode trazer seu vinho especial. Agora, primeiro, não me tragam o vinho que eu tenho na carta. Segundo, entenda que esse vinho que você está levando, eu deixei de vender vinho, eu fico com o dinheiro parado. E terceiro, esse dinheiro da rolha é da comissão dos garçons que vivem disso. Então, resumindo, paga a porra da rolha e cala a merda da boca, porque não tem explicação: o cara leva um vinho de R$2.000 e não quer pagar R$50,00 na rolha, eu fico doido. Aí ele não lembra da taça de cristal, do decanter, do sommelier, do gerente.

Eron Falbo: [32:34] Ah, puta que pariu, é, caramba, porra! Cara, eu, quando vou em restaurante de amigo, às vezes eu falo assim: pô, tô levando um vinho, eu aviso pra, tipo, perguntar se pode, sacou? Aí eles falam: a gente cobra alguma coisa. E eu: óbvio que cobra alguma coisa, sacou?

Marcelo Petrarca: [32:50] Não tem problema, agora não se nega a pagar ao menos a rolha.

Eron Falbo: [32:53] Claro, é isso, é isso. Meu amigo, outro dia, aqui no Rio, né, um amigo meu tem um bar. Eu fui lá e falei: pô, vou levar, tem problema? Ele falou: não, você não precisa pagar nada. Eu falei: como assim não precisa pagar nada? Eu sei o custo, sacou? Eu sei que você vai estar deixando de ganhar. Eu vou estar usando o estabelecimento de graça, entendeu, dando bebida para outros amigos que também vão estar usando de graça. E tipo, porra, óbvio que eu só queria saber se eu podia, se tem o mecanismo, que tem restaurante que nem deixa.

Marcelo Petrarca: [33:26] Exatamente, tem restaurante que não deixa. Aliás, você sabe melhor que eu, moro fora, eles não te dão nenhuma oportunidade de você levar. Você liga e fala: vou levar aqui. A pessoa fala, né?

Eron Falbo: [33:38] Cara, eu queria te fazer uma pergunta falando nisso: o restaurante fala não. Lá fora, tipo na Itália, você vai num restaurante que não tem nenhum cliente, nunca teve cliente na vida, você é o primeiro cliente a entrar lá, e se você falar errado com o garçom, ele te manda embora. Então, o que eu queria falar com você é uma parada que eu percebi também, com a maturidade, como empreendedor, como ser humano: o poder do dizer não. Que, assim, no início a gente acha que tem que se abrir, né, pra não perder oportunidades. E, por exemplo, a gente tem convidados aqui no nosso programa, aí eu não vou dizer nomes pra não envergonhar ninguém... Alexandre Borges. Tem certas pessoas, assim, que vêm no programa que, cara, não agem da maneira mais fácil de se lidar, vamos dizer, e agem como babaca. Tipo assim: pô, demorou pra começar, cinco minutos já começa a ficar... Deu falha técnica. Aí outro, recentemente também... Na verdade eu não vou falar isso porque ele provavelmente tá ouvindo, porque ele vai ser um dos próximos. Mas, pensando em outro caso, tipo, porra, eu coloco: você pode fazer a chamadinha do Instagram, só que precisa que seja assim, assim, assado. Eu falo: bicho, cara, a maioria das coisas que estão acontecendo na internet nem tem chamada, sacou? E se tem, é uma parada feita nos anos 90, sacou, com as fontes bizarras, ou uma coisa padrão. A gente faz um videozinho ultrassensual, faz uma coisa com identidade. Aí, tipo, você fala: só vou poder... A gente também manda, porque você tá em Brasília, mas pro Rio, pra São Paulo, pros convidados do Rio e São Paulo, a gente manda. A gente tentou mandar pra você e não... Eu liguei pra vários amigos meus em Brasília e ninguém tinha. Achei que a galera tava atualizada, mas não tava. A gente manda microfone, câmera, ring light, essa porra aqui que a Diva usa, entendeu? Eu também uso, que eu sou diva. Mas a gente manda essa porra toda pra galera, sacou? Aí a galera cria problema, tipo: porra, eu não vou saber mexer. Cara, a gente manda um papelzinho com três passos, sacou? Aí: não, mas eu sou importante demais pra mexer com isso. Aí outra pessoa fala: pô, o programa é uma hora, eu só posso meia hora. Aí, achando que a gente vai falar tipo: ah, não, beleza, vamos fazer meia hora então. A gente fala não, cara. A resposta é não. A gente não tá fazendo com pessoas maiores que você. Também é outra coisa: se você vai ter dignidade, mesmo se você for a maior pessoa que a gente vai fazer, cara, a gente tem que ter parâmetros. E se você não se enquadra no parâmetro... Óbvio que não é tipo, o nosso parâmetro não é: você chega aqui, tem que tirar a roupa e fazer tudo que a gente quer. Não é isso. Nossos parâmetros são justos, são claros, são profissionais. Então, se você quer criar problema, tchau. O que você me diz sobre isso? Desculpa o monólogo gigante, mas é porque eu tinha que dar exemplos da vida prática, porque isso é uma coisa sutil, filosófica: a arte do dizer não para poder ser bem-sucedido. O que você diz sobre isso?

O poder de dizer não (34:21)

Marcelo Petrarca: [37:21] Eu tenho um título de um livro que eu vou escrever, que se chama "O Cliente Nem Sempre Tem Razão". E cada dia mais eu tenho certeza que esse título é muito assertivo, porque, voltando um pouquinho no que eu falei agora há pouco, exatamente o favor: eu não estou fazendo favor para você em estar aqui. Você me escolheu, a gente tem uma relação, a gente já convive há muito tempo. Obrigado.

Eron Falbo: [37:54] Beijão.

Marcelo Petrarca: [37:55] Independente disso, e nessa pandemia, falando um pouco dessa merda toda, eu acho que as pessoas tiveram uma grande oportunidade de virarem pessoas bacanas. Só que a pandemia também potencializou muita gente babaca. Muita gente babaca. Então é exatamente assim, primeiro é valorizar o trabalho de todo mundo. Todo mundo tem uma história, eu venho falando isso repetidamente, todo mundo tem uma história. Então eu sei, por mais que você não tenha, no meu caso, eu não tenho nenhuma afeição a essas coisas tecnológicas.

Eron Falbo: [38:46] Só um parênteses rápido, todo mundo tem uma história, no meu caso eu tenho várias histórias porque eu sou meio charlatão, depende com quem eu tô conversando.

Marcelo Petrarca: [38:53] Eu sei que você tem várias, não posso contar outras, mas eu sei. Então, assim, eu acho que as pessoas têm que fazer mais pelos outros, então, poxa, a minha esposa gosta de luz, esse que você falou, eu falei, pô, monta pra mim e tal, ela montou pra mim, botou a camerazinha e tal, eu não sei nada disso, mas assim, a gente tá aqui pra fazer um negócio bacana pra todo mundo, né? É como um restaurante. Eu quero que as pessoas vão a um restaurante e se sintam bem. Não precisa ser o melhor do mundo, mas eu quero que elas se sintam bem. Lógico, elas tomam um bom vinho e tem toda a parte técnica e logística de um restaurante, mas, no fundo, ela tem que sair feliz. Ela tá ali pra ser feliz. Só que a minha visão é... O cara me escolheu entre 500 restaurantes que tem em Brasília. Ele está me fazendo um favor, mas ele merece ser muito bem tratado.

Eron Falbo: [39:53] Total, total. É um respeito mútuo, né? Que a gente precisa ter... Eu acho que isso, assim, no ocultismo existe um conceito, né?

Marcelo Petrarca: [40:01] De que você, quando você entra num... Você falou onde?

Eron Falbo: [40:04] No ocultismo, no estudo de... Você morou.

Jornada espiritual e satisfação em Brasília (40:06)

Marcelo Petrarca: [40:08] Do lado do Buda aqui, eu achei que você tinha...

Eron Falbo: [40:12] Pior que eu frequentava... Cara, isso é outro parênteses, mas foda-se, eu frequentava o primeiro lugar que eu, por si só, fui na minha jornada espiritual. Porque assim, pô, eu já estive... Cara, maçonaria, Rosa Cruz, sociedade teosófica... You name it. Tipo, qualquer coisa que você imaginar. Boate gay. Qualquer coisa dentro do mundo espiritual, eu já explorei, sacou? E o primeiro lugar que eu fui na minha vida foi o templo budista na 316 barras, que eu ainda tô certo sobre isso?

Marcelo Petrarca: [41:01] 315.

Eron Falbo: [41:02] 315, 316, tá certo? Porque faz tempo que eu não lembro.

Marcelo Petrarca: [41:05] Origens, não nega as origens.

Eron Falbo: [41:07] Claro que não, pô, mas eu não lembro. Juro, tipo assim, outro dia eu não lembro. É assim, a comercial é os dois, né? Tipo, 315 e 316.

Marcelo Petrarca: [41:15] Desculpa, porra.

Eron Falbo: [41:17] Desculpa, Brasília. Meu amor, a gente vai estar junto em breve. Mas isso pra mim é importante porque, porra, no final das contas, é o que tá do seu lado, né? Que são suas origens. É o que você fala, né? Sobre ter essa simplicidade de se satisfazer, se preencher com o que você tem em sua volta. Pra mim, isso hoje em dia é muito importante. Sabe, na verdade eu tô extrapolando o que você quis dizer, é isso, mas eu tô tomando essa... Minha unha já tá batendo, sacou? Então eu tô funcionando um pouco assim na intimidade. Então eu acho que o que você quer dizer é isso, que cara, tipo assim, dentro de um átomo tem um universo inteiro, tem a física quântica inteira, o funcionamento de todas as regras do universo tá dentro de um átomo. Então se você souber ter essa sensibilidade, ter a compreensão, ter a abundância, a generosidade de espírito, você consegue observar em sua volta tudo. E eu posso te dizer, como alguém que, tipo assim, eu fiz o inverso de você: você teve a sabedoria provavelmente de outras vidas aí que você acumulou e já tá com essa sabedoria, e eu não, eu tive que viver o mundo inteiro pra poder entender que é tudo igual, sacou? Tipo assim, porra, morar em Paris, que eu morei oito meses, morar na Hungria, que eu morei nove meses, morar na Suíça, Argentina, Estados Unidos, eu morei três anos, Londres, quatro anos, morei no... porra, you name it, de novo. E a conclusão que eu chego é, cara: encontra um lugar. Tudo tem prós e contras, mas você vai ter um edge, uma vantagem natural, você vai se sentir confortável, sacou? Não entra na onda de slogans e não entra na onda do que o mundo acha que é bom, né? Porque se for assim, todo mundo ia morar em Londres, sacou? Ou em algum outro... em Dubai, sei lá qual que é o lugar que tá todo mundo. Eu tô certo sobre isso na minha interpretação, quando você quis dizer essa coisa que você se satisfaz com Brasília?

Marcelo Petrarca: [43:39] É exatamente isso, é exatamente isso aí. Eu acho que é exatamente o que você falou: todo lugar vai ter uma coisa boa e uma coisa ruim. A satisfação mental, no fundo, é a que vale.

Eron Falbo: [43:55] Total, total. E assim, a razão que eu fiz esse programa, não sei se você sabe, mas eu não ganho porra nenhuma com esse programa. Então, tipo, não foi por dinheiro. Graças a Deus, tive, como você, sucesso na minha área, né? Então, apesar de eu não ter... Bom, na verdade eu tive um pouco do que você teve e não ganhei porra nenhuma, que foi como músico. Eu saí em todos os jornais do Brasil e saí em revistas internacionais, na BBC, ganhei prêmio, etc. E não ganhei nada, porque músico não ganha nada. E ao mesmo tempo eu ganhei dinheiro no mercado financeiro, né? Então eu tive que... ralar um pouco mais que você. Mentira, não sei quanto você ralou. Mentira, aposto que você ralou muito mais que eu. Mas eu tive que fazer duas indústrias, sacou a diferença? Eu trabalhei na indústria musical, como músico, e na indústria financeira. E eu ganhei dinheiro na indústria financeira. E hoje a razão que eu tô fazendo esse programa é pra ter conversas como a gente tá tendo agora, sacou? Ih, caralho.

Motivação verdadeira por trás do podcast (44:04)

Marcelo Petrarca: [45:09] Oi?

Eron Falbo: [45:10] Ah, voltou, voltou. A razão que eu tô fazendo isso, sinceramente, tipo, abrindo o jogo: eu tô tentando ganhar dinheiro pra fazer isso também, sacou? Só que se eu tivesse fazendo isso pra ganhar dinheiro, cara, eu ia estar fazendo de um formato... Na verdade, eu não estaria fazendo, porque, porra, graças a Deus, no mercado financeiro eu aprendi a ganhar dinheiro, e estaria ganhando dinheiro de uma forma mais fácil, porque isso não é fácil. Então eu não tô fazendo isso pra ganhar dinheiro, tô fazendo isso porque eu quero. Eu cheguei num momento da minha vida que, nem você tá falando: pô, estou aqui, estou com a estrutura, estou estável, vamos ver agora como fazer uma coisa de uma maneira que faz sentido, o que eu quero. É a pirâmide de Maslow, tipo, autorrealização, o que vai me realizar. Eu entendi que não é que as coisas não são tão importantes, sacou? Que porra, eu posso dirigir um Fusca ou posso dirigir um BMW. Eu dirijo o BMW porque... Eu não dirijo BMW, não dirijo porra nenhuma. Eu dirijo o Uber Black, sacou? Porque eu acho mais funcional e me deixa menos estressado. Por quê? By the way, eu poderia ir no Uber X. É porque o cara do Uber X, ele atende todo mundo, ele não te trata tão bem e você às vezes se estressa com o X. Então eu peço o Black, não é pra ser babaca, porque o Uber Black, ele dá o cu pra você, sacou? Ele fala: pô, você quer ar-condicionado? Mesmo no Covid, sacou? Então, tipo, isso não é falar mal do Uber, é justo falar no bem. Então ele pergunta: pô, tamo aqui protegido, você quer ar-condicionado? Então isso é outro disclaimer, eu acho que... Mas tudo isso que eu tô falando é porque esse programa existe pra gente poder falar essas coisas que outras pessoas não falam. Porque a gente não tá aqui na Globo, a gente não tem agenda, a gente não tem que se curvar pra ninguém. Então a gente pode falar todas essas coisas que a gente tá falando. Você já foi entrevistado por muita gente, eu quero que você dê agora um depoimento aí pra depois eu usar pra ganhar milhões. Que diferença que você vê entre o nosso programa e os outros em que você já foi entrevistado?

Marcelo Petrarca: [47:22] É, na verdade, assim... a internet te dá muita liberdade. Só que a internet, ao mesmo tempo que ela... eu acho que ela não dá liberdade, ela dá corda. Ou você se enfoca, ou você tem o controle. Então, no caso do seu programa, eu achei bacana, vivi alguns também, na liberdade de... assim, lógico, a gente tem uma relação também, então isso dá uma facilitada. A gente fez algumas piadas internas aqui, que tinha que ser feitas, e acho que a liberdade de expor as vontades, as crenças, os desejos, faz um programa ficar legal. Tem muita coisa que é muito engessada, então você acaba... eu não saio do meu restaurante ou da minha casa pra não ser eu. E isso me incomoda, você ter que viver um personagem. Eu já vivi muito personagem, na época que os políticos de Brasília tinham um cartão corporativo, então eu tinha que viver um personagem de achar algumas coisas escrotas, bonitas. Pro lado empresário, eu também não posso falar não, eu não vou vender.

Eron Falbo: [48:46] No mercado financeiro você tem que fazer isso muito.

Marcelo Petrarca: [48:48] Exatamente, não vou vender.

Eron Falbo: [48:50] Ser uma putinha, né, basicamente.

Marcelo Petrarca: [48:53] Pode você tomar uns 24 mil reais porque você rouba dinheiro, não sei da onde. Eu não quero saber da onde vem o dinheiro. Eu não posso, né? Nem é direito meu. O cara que tá na mesa do lado pode ser um filho da puta e eu não sei quem é o cara, e ele tá me pagando, entendeu? Então acho que essa liberdade, talvez essa seja a melhor coisa de ser dono do seu negócio. Você faz de fato o que você quiser.

Eron Falbo: [49:22] Mas Marcelo, deixa eu te perguntar uma coisa. Você não acha que, independente de você ser dono de negócio ou não, a gente tem que ter isso? É uma indagação minha, porque eu acho que tem pormenores, tem nuances nesse conceito, mas cada vez mais eu acho que é uma parada meio universal: quanto mais autêntico você for, e disser não, no final paga, sacou? Tipo assim, disser não pra o que você acredita de verdade, sacou? Se alguém... se chega lá, mesmo que você esteja começando o seu restaurante, claro que, de novo, tem níveis, você tá começando sua história, mas se for um nível que te incomoda bastante, a presença de um cara lá, e você ter a autenticidade de... outro parênteses dentro do parênteses dentro do parênteses: eu acho que a gente também tem que ter uma análise pessoal, se a gente tá dizendo não porque a gente é intransigente e cabeça dura, ou porque a gente acredita naquela parada de fato, sacou? Porque tem muita gente que é babaca, que diz não pra tudo porque é insegura, porque tem medo das coisas. Tipo assim, eu convido gente pra sair, eu checo meu IgG a cada duas semanas. Eu chequei antes de ontem, eu tô imune do Covid oficialmente, sacou? Eu chamo gente pra sair, às vezes eu vejo gente com 20 anos de idade, sacou? Morrendo de medo e tá dizendo não pra sair, não é porque... vamos dizer, tá sendo prudente, não é porque é o que acredita, é porque tá vendo a Globo e tá com medo da porra do Covid. Beleza? Isso é um não. O que eu tô falando não é isso. O que eu tô falando é gente que tá falando não, tipo assim: cara, eu sou comunista. Tô falando isso totalmente hipoteticamente, que eu sou o contrário de comunista, mas pra ser acessível a todos, vamos dizer, eu sou comunista. Aí chega o Eduardo Bolsonaro no meu restaurante, sacou?

Marcelo Petrarca: [51:28] Que mora em cima do seu apartamento atualmente, tá? Só pra te avisar.

Eron Falbo: [51:31] Ah, é? Ele mora em cima do meu apartamento? Beijão, Dudu! Mentira, não conheço ele.

Marcelo Petrarca: [51:36] É o Flávio, na verdade.

Eron Falbo: [51:38] É o Flávio, é o Flávio.

Marcelo Petrarca: [51:39] Acaba no 500.

Eron Falbo: [51:41] 501. É, 501. Não tô mais, não adianta. Groupies, não adianta. Não tô mais, entendeu? Pode mandar a carta que for. Vai estar incomodando algum político. Então vamos dizer publicamente o endereço do Flávio Bolsonaro. SQS 316 Sul, Bloco C, apartamento 601. Pegou a cobertura, mas não tem espaço maior, só pra todo mundo saber. Não é duplex.

Marcelo Petrarca: [52:14] Ele fez o 7...

Eron Falbo: [52:16] Ele fez o 7... Isso ia ser, porra, precedente. Eu ia votar nele, pra ministro. Sei lá, ser ministro nem vota, né? Bom, o que eu tava falando mesmo? Mas esse assunto foi ótimo. Espero que ninguém da família Bolsonaro ouça isso, porque eu quero eles como convidados.

Marcelo Petrarca: [52:44] Não dava pra perder o gancho de falar isso do seu vizinho, sempre vizinho, eterno vizinho.

Eron Falbo: [52:51] Total. Antes era o Serra, cara. Eu pegava o Serra no elevador direto.

Marcelo Petrarca: [52:57] O comitê do Serra foi no seu prédio.

Eron Falbo: [52:59] O quê? Do Serra?

Marcelo Petrarca: [53:00] Teve um comitê do Serra, numa eleição, que foi no seu prédio.

Eron Falbo: [53:04] Puta que o pariu. Se eu fosse velho o suficiente pra vetar essa porra, teria vetado. Porque o maior absurdo do mundo é o Estado, além de dar verba pros partidos gastarem à toa, né, com prostitutas piores do que garota de programa, que eu tenho todo o respeito. Eles faziam esse tipo de coisa. Usaram prédios individuais pra campanha. Cara, a sociedade tem que ser emancipada do Estado. É sério, pô. O cara tá rindo da minha cara. Eu tô falando sério. Mentira. Tá me sacaneando que nem lá no Bloco C, pô.

Marcelo Petrarca: [53:44] Não, não. Para, pelo amor de Deus.

Eron Falbo: [53:47] Cara, eu juro que eu cresci traumatizado. Não foi culpa de vocês, foi parte da minha insegurança, entendeu? Eu sou super a favor de bullying hoje em dia. E aí, cara, você tem falado com o Lúcio, ou não? O Lúcio ainda tá jogando Mario, o Lúcio ainda tá jogando boliche? Beijo pra ele. Os irmãos Mario.

Marcelo Petrarca: [54:10] O Mario virou charcuteiro. Tá com uma empresa de linguiça, Alvarenga Charcutaria. Muito boa por sinal.

Eron Falbo: [54:22] Pra quem não sabe, eu acabei de aprender que charcuteiro é aquele que faz linguiça, é aquele que gosta de linguiça. Eu achei que era viado, mas é charcuteiro.

Marcelo Petrarca: [54:34] O Lúcio tá fazendo as coisas dele aí. Esse dia comprou um caminhão maior do que o caminhão que entrega o sanduíche do McDonald's, mas gigante.

Eron Falbo: [54:45] Puta que pariu, cara, que orgulho.

Marcelo Petrarca: [54:48] Gustavo, tá bacana demais, aquela galera tá todo mundo bem.

Eron Falbo: [54:52] Cara, é mesmo, que bom. E o Rafinha, cara. Rafinha era o meu favorito, desculpa te ofender, mas o Rafinha era o meu favorito. Mesmo ele conseguia fazer bullying e ser agradável e carinhoso ao mesmo tempo, lembra? Ele tinha um coração bom pra caralho desde sempre.

Marcelo Petrarca: [55:10] Tá bem, tá com duas filhas, tá todo mundo bem, graças a Deus. A gente foi lá pra casa do meu irmão, tomamos uma cachaça.

Eron Falbo: [55:19] Caraca, cara, próxima vez que eu for ao Brasil, me chama pra essas paradas. O seu irmão, cara, eu adorava ele, até ele namorar a Margarete, que era a minha ex-namorada. E também porque eu queria ser músico, ele já era, pô, tocar violão e tudo mais. Queria mandar um beijão pro Daniel. Eu pedi pra ele pra gente fazer uma surpresa pra você hoje, ele me ignorou totalmente. Mas, mesmo assim, eu acho que é por causa dessa rivalidade da Margarete, velho.

Marcelo Petrarca: [55:49] Ó, o Breno, filho do Gabriel, tá também na banca.

Eron Falbo: [55:59] Caraca, beijão, Breno! Cara, vou mandar essa conversa pra todo mundo depois, porque, além de ser uma conversa educativa, né, é inspiradora de fato. Mas agora, saindo da brincadeira, a gente acabou o nosso tempo aqui. Cara, você tava impressionando. Toda vez que eu te encontro, sinceramente, como amigo, você me impressiona mais, sacou? E eu te falo isso desde criança. Você tinha um brilho, eu não tô inventando merda, desde criança você tinha um brilho especial. E mesmo agora, depois de adulto, isso é raro de falar, cara, porque a gente tem tantos amigos aí que desapareceram. Primeiro, é uma benção a gente estar conversando depois de tanto tempo. Queria agradecer a Deus, queria agradecer... Deus não existe, né? Queria agradecer a qualquer coisa que exista, eu não sei, não tenho certeza. Oi, desculpa?

Marcelo Petrarca: [57:00] Agradece a alguém, a algo, tá tudo certo. Só agradecer.

Eron Falbo: [57:04] Eu ia dizer a mim mesmo, por ter mantido, sabe?

Marcelo Petrarca: [57:07] Manito, eu queria agradecer a mim mesmo.

Eron Falbo: [57:09] Mas, sério, eu queria dizer que mesmo depois de adulto, eu vejo, cara, toda vez que eu converso com você, são novos desdobramentos, entendeu? Tipo, nova maturidade, outros níveis. Então, porra, parabéns por isso. E quem sou eu, sinceramente, eu aprendo com você. Aprendi hoje você falando dos seus funcionários, das pessoas que trabalham com você. Gostei muito, muito, muito de ter te convidado. Vou agora procurar mais alguns velhos amigos, né? Porque, pô, é um ótimo exemplo de dar vontade, né, de trocar uma boa... Porque a gente sabe que qualquer coisa que tá aparecendo aqui na tela pras pessoas é uma interpretação, as pessoas tão vendo o nosso palco, né, não tão vendo nossos bastidores. De cuidar de filhos, de ter problemas pessoais, de ter inseguranças, de ter calvície, né, que eu tô começando a ter também. Na última live que eu fiz, eu fiz com uma dermatologista, e eu tava super ligado também no meu cabelo, que era super cheio. Ela falou, tô olhando aí, ó, calvície. Então, tamo junto, entendeu? Essa é a mensagem, eu acho, da nossa conversa: que tamo junto. Às vezes a gente precisa crescer com a pessoa pra entender que a gente tá junto. Mas, na verdade, é que se um convidado vem pro meu programa, a gente tá junto, a gente tá oferecendo uma coisa juntos pra outras pessoas. Todo mundo tá ganhando. A galera tá ganhando exposição, tá ganhando um material feito. E o cliente do seu restaurante também, ele tá ganhando um tratamento, entendeu? Não é isso?

Marcelo Petrarca: [58:59] E ninguém precisa ganhar mais que ninguém. Depois que eu entrei nesse mundo do empreendedorismo, de fazer essas coisas, abrir coisas, as perguntas são: ah, o que que te cativa, assim, o que que é? Porra, você lançou uma linha de congelados, você tá mandando pro Brasil inteiro e tal, o que que te cativa? Porra, você deve estar ganhando muito dinheiro, o dinheiro é bom, é óbvio, eu não sou hipócrita nem babaca de falar que não, mas gerar emprego é o que mais me cativa, ainda mais depois de tudo que a gente passou e tá passando ainda, essa merda toda. Gerar emprego é dar pra pessoa a possibilidade de ter possibilidade, porque a gente viu tantas histórias de pessoas que não tinham o que fazer.

Eron Falbo: [59:42] Ainda mais hoje em dia, no Covid.

Marcelo Petrarca: [59:44] Tem que ir tratando isso aqui, Covid, todo mundo morrendo, e até que a vacina não chegue, o cara não tinha possibilidade. As pessoas têm que entender que ter possibilidade é, infelizmente, um luxo.

Paulo Gustavo e despedida final (59:56)

Eron Falbo: [1:00:00] E assim, com todo o respeito, eu queria dizer uma mensagem que é atual, com todo o respeito ao Paulo Gustavo, que faleceu, uma pessoa querida, uma pessoa que deu alegria para tantas pessoas. Eu respeito imenso a família dele. Eu queria dizer que ele não é a única pessoa que está morrendo, em primeiro lugar. E, by the way, as pessoas que estão morrendo de Covid não são as únicas pessoas em total apuros nesse... Então, assim, uma coisa que eu mandei de mensagem no Instagram foi: galera, vamos falar das coisas do bem, das coisas preocupantes, mas, tipo assim, se você tem uma agenda política, e eu também tenho, todo mundo tem agenda política, não vamos usar a morte de um indivíduo para progredir na nossa agenda política. Então tipo, se você não acredita no Bolsonaro, se você não acredita no Lula, dizer que alguma coisa ou outra é uma evidência, tipo, uma pessoa não é evidência de estatística, entendeu? Uma pessoa, mas assim, as coisas bonitas são as coisas bonitas. É um cara que, porra, em pouco tempo de vida chegou que nem um cometa e trouxe alegria para o Brasil inteiro. Ontem eu vi uma coisa lindíssima que quase me fez chorar. Tipo assim, aquela coisa que... Pô, eu sou macho demais pra deixar essa lágrima sair, mas... não sou tão macho assim. Eu vi a galera batendo palma. E a minha parceira de vida, que é a mulher que trabalha aqui em casa, que me ajuda aqui, que depois que eu divorciei, né, ela cuida de mim e tudo mais. Ela falou assim: deve ser pelo Paulo... A galera tava batendo palma ontem, eu não acompanhei na mídia. Ela tava batendo palma e eu, caraca, isso é bonito pra caralho. Panelaço é uma porra de uma plataforma política usando os idiotas que fazem panelaço pra fazer isso. Eu acho uma merda e não deveria existir, sacou? Porque tem panelaço pro Bolsonaro e tem panelaço contra o Bolsonaro. Tem panelaço pro Lula, contra... A galera não entendeu isso ainda? Que depende da porra do seu vizinho. Agora...

Marcelo Petrarca: [1:02:23] O mesmo que bate a panela pro Bolsonaro bate pro Lula. Ele quer bagunça.

Eron Falbo: [1:02:27] Exato.

Marcelo Petrarca: [1:02:28] Tipo isso.

Eron Falbo: [1:02:29] Então a galera tá sendo usada como órgão hospedeiro de não só uma mentira, como AIDS, sacou? Uma doença, sacou, que é ideologia política. Agora, todo mundo bater palma pela morte de um indivíduo que foi uma luz pras pessoas... cara, galera, façam mais isso. Só que não usam a morte desse indivíduo como plataforma política pras merdas das suas intenções, sacou? Isso é muito, muito importante. Desculpa, eu só falei isso porque...

Marcelo Petrarca: [1:03:05] Aconteceu agora. Infelizmente tem gente que quer crescer em umas coisas que não vale, mas enfim. Velho, obrigado aí pelo convite. Você falou que o tempo estourou aí, te agradecendo aí. De parabéns pelo projeto, foi muito bom bater esse papo com você depois de tanto tempo. Quando você vier a Brasília, por favor, nos avise, apareça.

Eron Falbo: [1:03:32] Porra, vou adorar. Vamos fazer um churrasco. Eu não sabia que você era gaúcho, agora você vai ter que trabalhar de graça pra gente. Já tô dando a... pra todo mundo me aceitar de volta no grupo. Porque vocês me adicionaram no grupo de WhatsApp e eu saí, né? Porque eu tava com medo do bullying, sacou? Mentira, por causa da pornografia que tava rolando no grupo. E na época, porra, eu era judeu ortodoxo, vivia com... nem olhava pra vocês, porra. É sério, porra. Aí eu saí do grupo e falei: puta que pariu, não posso ver essas merdas! Então, me adicionem de volta, não sei se ainda tem nesse grupo, porque acho que todo mundo já deve ter cansado. Mas, assim, hoje em dia eu não tenho fonte de pornografia boa. Não.

Marcelo Petrarca: [1:04:23] É, mas você pode ver as putaria.

Eron Falbo: [1:04:25] Agora, posso. Eu quero, eu não tenho, tô falando, tô precisando de uma fonte, entendeu? Não que a gente faça isso, mas, para todas as esposas aqui presentes ouvindo o nosso grupo, eu tô brincando, gente. Isso aqui é tipo quando a gente fala sobre boliche, fala sobre pontuação do Internacional de Boliche, esse tipo de coisa. Marcelo, eu queria te agradecer sinceramente, cara. Foi uma das minhas principais top lives. Eu acho que é porque a gente se conhece há tanto tempo e se reconhece, sinceramente, se reconhece um no outro na trajetória. É isso que eu tô chutando. Mas, cara, a gente aqui abriu coisas, abriu feridas, se expôs. E é isso que eu, para os convidados, vou até botar isso no nosso vídeozinho que a gente manda para convidar as pessoas, que a gente não mandou para você porque acabou de ser feito, mas vou botar no futuro vídeo. Cara, é isso que a gente quer nesse programa, sabe, pô? Que é, tipo, essa abertura, essa sinceridade, que as pessoas que estão ouvindo querem ouvir isso, querem ouvir nosso coração, querem ouvir novidade, não do tipo... não babado, porra nenhuma, é o babado da alma. Ou seja, o que a gente não tem intimidade pra falar com outra pessoa, vamos falar aqui nesse programa. E eu queria te agradecer por ter sido aberto desse jeito, por ter, pô, se exposto.

Marcelo Petrarca: [1:05:55] Isso, agradeço a equipe toda e todo o pessoal que entrou em contato comigo, obrigado. Galera bacana, super disposta a fazer o negócio acontecer com muita seriedade, muito bacana mesmo, assim, porque tem tanta coisa ruim nessa internet, amigo, que dá raiva às vezes, então... mas é verdade. Toda a equipe aí, pra todo mundo, desculpa na demora das respostas, às vezes que eu demorei alguns dias, mas...

Eron Falbo: [1:06:20] Isso é muito lindo, é muito lindo. Isso aqui é exemplo de convidado, por favor, gente, por favor, vamos anotar. Marcelo, muito obrigado. E eu queria dizer também, no mesmo espírito que você, a última coisa, depois a gente vai acabar de verdade, a gente vai ficar aqui, ninguém tá nem aí. Eu queria realmente agradecer a galera do Bloco C, que não fui no lago, mas eu tenho certeza que alguns dos melhores do Bloco C se jogou no lago, porque eu te conheço. Então, assim, se você quer um equilíbrio, já conhece, etc. Então eu queria agradecer a todos do Bloco C pelo tratamento exemplar. Queria dizer, galera de Brasília, se você não foi no Bloco C... empresários de Brasília, quando eu fui, eu fui numa reunião com pessoas que estavam, ou eram bilionários, ou eram pessoas que estavam me apresentando bilionários. E o Marcelo me deu uma área VIP, que ainda existe, aquele quartinho no Bloco C, perto da cozinha, que você pode ver, cara, tudo acontecendo, só que você fica totalmente isolado. E os garçons têm uma campainha, os garçons ficam... Oi?

Marcelo Petrarca: [1:07:36] É um choque.

Eron Falbo: [1:07:39] É um choque, entendeu? É uma coisa pra vlog. Isso aqui rola isso. Daqui a pouco vem um aviso, mas eu não queria fechar o programa sem esse adendo, que é importante para as pessoas que estão vindo. Eu tenho muitos seguidores que são empresários, eu trabalhei 7 anos no mercado financeiro para muitos empresários, high net worth, gente de muito alto nível. Então eu posso te dizer, galera, se serve para os bilionários, serve para você que quer ter uma reunião silenciosa, que quer ter pessoas que estão sensíveis às suas necessidades, serve para você que quer levar uma menina para seduzir e transar. É que isso não é errado, as meninas às vezes querem isso também. As meninas às vezes querem ser transadas. Acredite se quiser. Então é isso. Pra terminar, eu queria dar essa propaganda que eu acho que é importante, que eu tô falando de experiência própria, entendeu? Apesar de que o Marcelo não pagou milhões de dólares pra estar aqui hoje. Mentira. Ele pagou porra nenhuma, eu que paguei ele. Ninguém pagou nada, só foi... A gente concordou.

Marcelo Petrarca: [1:09:14] Entendam isso, dinheiro não é tudo nessa merda dessa vida. Foda-se.

Eron Falbo: [1:09:21] O dinheiro não é mais 100%.

Marcelo Petrarca: [1:09:24] Não compra felicidade, mas nos leva pra Londres.

Eron Falbo: [1:09:32] É isso, Marcelo. Obrigadão, cara. Obrigadão do coração. Beijão a todos que estão aí nos ouvindo.

Marcelo Petrarca: [1:09:39] Beijo em todo mundo, a gente vai se falando. Qualquer coisa é só chamar.

Eron Falbo: [1:09:42] Valeu, beijão.

Marcelo Petrarca: [1:09:44] Tchau, tchau.

No Alvo com Eron Falbo · episódio #101 · todos os episódios