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#10 Ocultismo, cinema e glamour

com Diego Cosac · 21 de jul de 2020

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio, com revisão automatizada parcial. Os nomes dos interlocutores foram atribuídos automaticamente. Em caso de dúvida, o áudio do episódio prevalece.

Apresentação de Diego Cossak, cineasta (0:00)

Eron Falbo: [0:06] Olá, boa noite, sejam bem-vindos ao Viva o Total com o Diego Cosac. Diego, por favor, se você puder, me dá uma breve introdução sua, de quem você é, o que você quiser falar sobre você, aí a gente começa a explorar.

Diego Cosac: [0:23] Então, eu sou cineasta, eu trabalho já há um tempo com isso. Eu já lancei um filme chamado Leita, um suspense com pegada de terror. E nós estamos trabalhando também, eu e o meu sócio, que é neto dela, da Bibi Ferreira, sobre um documentário sobre essa grande diva dos palcos. E eu venho de uma família de empresários, uma família bem legal de empresários, e não quis seguir esse caminho do meio empresarial, muito embora a produtora de cinema que eu tenha seja uma empresa. Então, de certa forma, é uma empresa, mas é óbvio que é mais voltado para a coisa artística, que é uma coisa que a minha família nunca atuou muito nesse meio das artes. Mas eu resolvi enveredar por esse caminho porque foi um chamado. Eu acredito que a arte seja um chamado, você é chamado para ela. Assim como um padre recebe também uma missão, eu acho que o artista é quase um celibatário, ele é quase um sacerdote.

Eron Falbo: [1:32] Mas como foi? Você fez faculdade de cinema inicialmente?

Diego Cosac: [1:37] Fiz. Sou formado em cinema pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Instituto Brasileiro de Audiovisual, que é uma das mais tradicionais do Brasil. Sou formado em inglês também, fiz na Inglaterra. Eu trabalhei com outras coisas antes do cinema, mas é uma coisa que falou mais alto. É uma vocação mesmo.

Formação em cinema e hotelaria (1:39)

Eron Falbo: [2:04] Mas você não fez também hotelaria?

Diego Cosac: [2:07] Fiz. Eu cursei por alguns anos a hotelaria, mas eu não cheguei a me formar.

Eron Falbo: [2:15] Mas foi uma das primeiras coisas que você fez, não?

Diego Cosac: [2:19] Primeiro eu trabalhei com moda, né? Aí depois eu voltei para o Brasil e resolvi estudar a hotelaria, porque a família já trabalhava com isso. Então, eu tinha pretensão de trabalhar com isso, mas depois eu vi que não era exatamente o que eu queria para a minha vida. E aí, tendo a oportunidade de fazer o que você quer, o que você gosta, eu acho que é sempre a melhor opção.

Eron Falbo: [2:47] Assim, mas para a gente poder entender melhor, porque você fez muita coisa, você já explorou muita coisa, tipo assim, a gente já falou dez coisas aí que você fez. Só para entender a cronologia, a primeira coisa que você fez profissionalmente?

Início como modelo na Europa (3:01)

Diego Cosac: [3:05] Eu me tornei modelo e comecei a trabalhar como modelo muito despretensiosamente, um trabalho aqui, outro lá, e a coisa foi ganhando corpo. Eu trabalhei fora, trabalhei na Europa, fui para a Inglaterra, para Paris, trabalhar com isso. Enfim, na época me pareceu uma opção bacana. Eu tô vendo você fumando aí um charuto, eu vou acender um aqui também, só pra te fazer companhia.

Eron Falbo: [3:36] Boa, boa.

Diego Cosac: [3:37] Que é ruim? É bom fumar acompanhado.

Eron Falbo: [3:40] É, total. Poucas pessoas me acompanham.

Diego Cosac: [3:44] Mas assim, foi isso. Eu comecei como modelo mesmo. Aí eu trabalhei com grandes marcas, né? Eu trabalhei com Ray-Ban, com a Black Sunday McQueen e principalmente a Armani, que eu fui modelo exclusivo dele, do Giorgio Armani, por um tempo, entendeu?

Eron Falbo: [4:04] Ah é? Uau! Você deve ter vivido muito glamour, muita festinha na Europa.

Diego Cosac: [4:14] Muito, mas isso sempre foi algo que eu sempre gostei, dessa coisa da badalação e das festas, sempre fui muito festeiro, quem me conhece aqui no Rio de Janeiro sabe que as minhas festas sempre bombaram muito aqui, mesmo depois da moda, né? E aí eu sempre levei isso muito a sério, essa coisa de ser anfitrião e de fazer esse tipo de coisa, mas a moda, ela foi realmente a indústria que me introduziu no mundo, né? Me introduziu no mercado de trabalho, digamos assim. Aí depois disso eu fiz outras coisas. Eu ia para a Europa, quer dizer, um garoto jovem, eu tinha 16 para 17 anos, ou 17 para 18, não lembro. Na Europa, sozinho, morando sozinho, em Londres, quer dizer... Foi uma loucura. Ai, que loucura.

Eron Falbo: [5:07] Foi uma loucura. É bom que você está vivo, né? Que você está aqui com a gente, que você sobreviveu.

Diego Cosac: [5:15] Sou um sobrevivente de tudo isso e do Covid também. Eu nem peguei o vírus, eu tô brincando.

Eron Falbo: [5:24] Mas me conta aí, Diego, como é que você saiu? Porque a gente tá tentando explorar aqui como que você viveu sua vida tão dinâmica, né? Como é que foi a primeira transição? Por que você tava lá sentado numa passarela, fumando um charuto?

Primeiro desfile e superação do medo (5:39)

Diego Cosac: [5:45] Não, foi assim... Um olheiro, um booker, como chama, ele me viu e perguntou se eu não queria trabalhar com isso. Eu nunca tinha pensado nisso na minha vida. Pra mim, modelo era coisa da Gisele Bündchen, da Claudia Schiffer, da Cindy Crawford. Não tinha nada a ver comigo. Aí eu falei assim, pode ser, mas eu achei que o cara tava dando fuma de mim, entendeu? Aí ele me deu um cartão e tal. Aí eu falei, bom, depois de meses, aquele cartão ali, eu resolvi ligar. Era uma agência, de fato, existia e tal. Eu vi que era uma coisa mais séria. E eu fui lá e fiz um casting, um teste. E eu passei, por incrível que pareça, eu passei. Então, eu comecei a fazer um trabalho atrás do outro. E aí, aquilo ali foi virando, entre aspas, uma profissão, entendeu? Eu ganhava dinheiro com isso. Então, numa época, quer dizer, onde quase ninguém ganha dinheiro, né? Você tá com 16, 17, 18 anos. E aí eles acharam que eu tinha que ir pra Europa e tal, entendeu? Porque já tinha dado o que tinha que dar aqui. Sei.

Eron Falbo: [6:55] Olha só quem tá entrando aí, você viu?

Diego Cosac: [6:59] Tem, eu não vi, tem.

Eron Falbo: [7:00] Ricardo Stambovski.

Diego Cosac: [7:02] Ricardo Stambovski, adoro Ricardo.

Eron Falbo: [7:05] Eu nunca o conheci pessoalmente, mas já ouvi falar muito do senhor.

Diego Cosac: [7:08] Grande cerimonialista, o Danilo, meu amigo. Oi, Danilo, tudo bem? Ah, sim, você me perguntou, né, Eron? Foi muito difícil o primeiro desfile. Eu estava com muito medo de cair e de levar um tombo na frente de todo mundo, mas, como tudo na vida, depois que você vence a primeira barreira... Olha a Wanda Klabin, adoro, Diego. Também te amo, Wandinha. A maior curadora, a maior mulher das artes, mecenas que tem no Rio de Janeiro, é Wanda Klabin.

Eron Falbo: [7:43] Seja bem-vinda, seja bem-vinda. Depois vou chamar todo mundo pra fazer live também.

Diego Cosac: [7:48] Claro, Wanda Klabin, Ricardo Stambovski, tá cheio de gente maravilhosa aí pra fazer live.

Eron Falbo: [7:55] Tem o meu amigo Felipe que eu tava vendo também aí. Desculpa, desculpa, continua.

Diego Cosac: [7:59] Eu acho que o seguinte: depois que você vence a barreira do início, a coisa tende a engrenar e você vai... Eu lembro que no meu primeiro desfile eu estava muito nervoso, eram 200 pessoas na plateia. Alexandre Machado, eu amo também. É um grande colunista de Petrópolis. O grande colunista social Pedro Henrique de Souza. O Leonardo, meu amorzinho. Ô, Leonardo! Beijo, beijo. Mas assim, depois que você vence a barreira do primeiro, vai, né, Eron?

Eron Falbo: [8:35] É, o que eu quero saber, que é legal você estar falando isso, mas é tipo, essa coisa de vencer barreira é muito legal. Tipo, muita gente quer fazer muita coisa diferente e tá com medo de fazer essa coisa diferente. Você não imaginava que ia fazer moda, aí do nada você venceu essa barreira, então... Sim.

Diego Cosac: [8:53] É, exatamente. É uma barreira que você vence, mas aí ou vai ou vai, entendeu? Eu falei, bom, agora que eu assumi o compromisso de fazer o desfile, e era uma coisa meio acordada na boca ainda, porque eu ainda não tinha assinado nenhum contrato, eu falei, não, agora que eu já dei minha palavra, minha palavra de homem, apesar de eu ser um menino na época, e isso realmente me fez ir pra frente, porque eu falei, agora eu tenho que, ou vai ou vai, e foi, entendeu? Aí, na segunda, na terceira vez, já é mais tranquilo, né?

Eron Falbo: [9:28] Tá aí uma ótima dica, ter palavra, né? Porque se você tiver palavra, você se compromete com as coisas e você acaba fazendo. E isso vale até pra você mesmo, né? Porque às vezes a gente não tem palavra nem com nós mesmos. Tipo, eu quero fazer alguma coisa e a gente promete que, pô, eu vou fazer, e não faz porque não tem palavra.

Diego Cosac: [9:44] Exatamente, exatamente.

Eron Falbo: [9:46] Tá aí uma ótima dica. Você tinha o quê, 17 anos?

Destino, talento e definição de sucesso (9:47)

Diego Cosac: [9:50] História que nos motiva a vencer. Eu acho que a gente tem que dar o melhor da gente, e aí Deus vai decidir, ou o Cosmos, ou sei lá, vai decidir até onde você chega na vida. Você tem como programar, você tem como se preparar, mas você não tem como prever até onde você vai chegar. Por exemplo, o músico, se ele vai vender 10 milhões de cópias, se ele vai vender 100 ou se ele vai vender 200. Ou se ele vai ser o Michael Jackson, vai vender 1 bilhão de cópias. É uma coisa totalmente fora da casinha. Então, quer dizer, com o cinema é a mesma coisa. Você lança o seu filme... Hoje eu sou cineasta, dono da Crystal Pictures Entertainment, que é uma produtora bacana e tal, e quando você lança o filme, é quase um cassino, você não sabe como que ele vai nas bilheterias, entendeu? Mas você lança mesmo assim, entendeu? O desafio tá lançado, as roletas rodaram. E aí você vai ver se o seu filme vai bem, mal, ruim, ótimo, excelente.

Eron Falbo: [10:52] É, mas vai ser assim também.

Diego Cosac: [10:55] Na vida é assim também.

Eron Falbo: [10:56] Mas eu vou te perguntar assim, porque eu acho que todo mundo se pergunta isso. Qual que é a calibragem, sei lá, que é feita? Como é que a gente decide, entendeu? Se é uma coisa que a gente tá perdendo tempo, entendeu, uma coisa que a gente tá sonhando? Ou até pior, ou a gente tá sendo egocêntrico e tá viajando, sabe? Às vezes a gente tá viajando na maionese e não é o que a gente tem que fazer. Como é que a gente sabe se é isso ou se é, pô, uma coisa legal, que é pra postar mesmo, que é pra investir, entendeu?

Diego Cosac: [11:32] Olha, eu acho que isso depende de vários fatores, né? Eu acho que o sucesso, como as pessoas pensam, ele é muito relativo, porque ele pode ser sucesso de dinheiro, de grana que você junta, pode ser prestígio profissional. Então, às vezes, o cara nem faz tanto dinheiro, mas o cara é o melhor profissional naquela área. Pode ser o sucesso midiático, de mídia. Então, você pode ver, por exemplo, um Pablo Vittar da vida. Ele é um artista midiático, ele tá na mídia, mas, na minha opinião, eu não gosto, entendeu? Não é meu tipo. Então eu prefiro ouvir talvez um Mozart, que venda menos hoje em dia, mas que, na minha opinião, tem qualidade. Então, às vezes, também depende da qualidade do que você faz. Quer dizer, tudo isso influencia vários tipos de sucesso. Tem o sucesso acadêmico, que você pode ter, sei lá, doutorado, mestrado, pós-doutorado, né? Enfim, tem vários tipos de sucesso. Você tem que definir pra você o que é sucesso pra você, entendeu?

Eron Falbo: [12:48] Você tem que ver se eu tô certo. Você tem que se perguntar, primeiro tem que saber muito claramente, né, o que existe aí, né? Porque muita gente confunde, começa a fazer uma coisa e acha que quer e não quer e tal. Acho que vale a pena entender bem, né, o que, aonde cê tá entrando, e o que você quer daquilo, né? O que eu quero dessa parada que eu tô entrando, né?

Diego Cosac: [13:12] Exatamente. O que você quer e o que você espera disso, né? É importante você saber. Agora, eu fiz várias coisas antes de chegar no cinema. Tudo bem, eu já fazia filminhos aqui, bem amadores, com os meus amigos, na época de colégio. Eu escrevi o filme, eu fazia o cenário, eu fazia tudo, eu nem sabia filmar direito, era filmado com aquelas câmeras, sabe, de ir pra Disney, aquelas VHS, mas eu já fazia umas histórias aqui com os meus amigos de colégio. Quem me conhece na época do colégio sabe disso. Então, é uma coisa que eu já tinha, uma tendência. Eu comecei a estudar cinema desde muito novinho, acho que com 11, 12 anos. E aí, o fato de eu ter virado crítico de cinema também. Eu também sou crítico e tal. Mas assim, o cinema veio meio que tardiamente, porque antes eu fui modelo, eu fiz relações internacionais nos Jogos Pan-Americanos, eu trabalhei com hotelaria no Hotel Novo Mundo, no Copacabana Palace. Então, quer dizer, eu fiz muita coisa até eu decidir que eu realmente queria fazer isso aqui, entendeu? Porque muita gente falava, ah, não faz cinema no Brasil não, que não dá dinheiro. Eu falava, mas, então, o que eu vou fazer se não é o que eu gosto, entendeu? Aí você tem que pensar nisso também. Você quer ganhar muito dinheiro? Se eu quisesse ganhar muito dinheiro, provavelmente eu seria empresário que nem minha família, entendeu? Mas eu não trabalharei com cinema. Mas sim, cinema dá dinheiro. Talvez não dê uma fortuna como em Hollywood, mas dá pra sobreviver de cinema no Brasil. Então, talvez eu não fique bilionário, mas eu tô fazendo o que eu gosto. Então, pra mim, a qualidade de vida, ela vale mais do que uma fortuna no banco. Porque o que adianta você ter dinheiro no banco e não fazer o que você gosta, entendeu?

Trajetória multifacetada até virar cineasta (13:14)

Eron Falbo: [15:01] Uma das coisas que eu questiono, que esse meu projeto Viva Total vem desse questionamento industrialista, da especialização, cada um se especializou, cada um faz uma coisa e tal. E isso é uma coisa que serve muito à economia, serve a muito Estado, né? Só que não necessariamente... Eu acho que a gente tá vivendo um renascimento mundial, assim, das pessoas. Tá todo mundo falando, né, faz o que gosta. E isso é uma novidade, isso não existia antes. Antigamente, você tem que sobreviver e fica calado, entendeu? Você tem que ser muito grato por ter oportunidades, né? E, por um lado, também tem valor isso, tem que pensar isso. A gente não pode ser mimado pensando que tem muita gente aí que não tem oportunidade, que adorariam ter qualquer emprego. E tem que lembrar dessa parte também. Só que, sim, a gente está vivendo um renascimento mundial, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, e vai chegar na gente também, se Deus quiser, na medida que a gente for se desenvolvendo como país e tudo mais. Mas a ideia é que, se você pensar em termos tecnológicos do futuro, muitos dos empregos que existem hoje não vão existir, né?

Diego Cosac: [16:12] Então, assim, Oscar Wilde falava isso. O Oscar Wilde escreveu um livro chamado De Profundis, que é um dos livros mais extraordinários do mundo. Ele fez enquanto ele estava...

Eron Falbo: [16:27] Na cadeia.

Diego Cosac: [16:29] Fazendo trabalho forçado na prisão, porque ele tinha sido preso por sodomia, por homossexualismo — na época era um crime grave — na Inglaterra vitoriana, e ele escreveu o De Profundis. E no De Profundis ele é quase profético, porque ele prevê que os humanos seriam substituídos pelas máquinas. Isso no século XIX, você imagina. Então, quer dizer, o Oscar Wilde já cantava essa pedra há quase dois séculos atrás.

Eron Falbo: [17:06] Mas Oscar Wilde é um grande profeta, né? Pô, eu gosto muito dele. Eu li De Profundis quando eu tinha 16 anos, cara. Eu não lembro de jeito nenhum, mas vale a pena ler de novo.

Diego Cosac: [17:16] É, não, eu li toda hora. Principalmente quando eu morava na Inglaterra, porque ele é britânico, então lá... o Oscar Wilde, pra eles lá, é como se fosse o Machado de Assis aqui. Como se fosse talvez um pouco mais contemporâneo, é como se fosse quase um Paulo Coelho aqui, que todo mundo leu, entende? Jorge Amado, alguma coisa assim, entendeu? Então ele é considerado o segundo maior escritor da língua britânica, depois apenas de Shakespeare, de William Shakespeare, é? Então é uma obra brilhante a dele, todo mundo quem puder assista, assista não, leia, porque é sensacional.

Eron Falbo: [17:55] Então, exatamente. Mas aí, considerando tudo isso, então a gente tem que começar a pensar, eu acho, coletivamente. O ser humano tem que começar a pensar em coisas um pouco além do tipo: o que eu faço, o meu emprego. E eu acho que as pessoas vão começar a fazer isso. Tipo assim, o que você tá falando pra mim é super relevante. Você primeiro chegar a alguma coisa que você gosta de fazer, isso é legal. Mas, além disso, depois de você chegar a uma coisa que você gosta de fazer, transcender até isso, sabe? Começar a fazer mais coisas, fazer mais de uma coisa, entendeu? Integrar as diferentes coisas que você já fez. Você já fez moda, você pode fazer um grande festival de moda e juntar com um festival de cinema. Pessoas começarem a transbordar a experiência que elas já tiveram.

Diego Cosac: [18:44] Claro. Quanto mais experiência você puder ter na sua vida, melhor, porque isso acrescenta. Por exemplo, no cinema tem uma coisa que chama direção de arte, que é o figurino, é o cenário, etc. Dentro do figurino, eu entender de moda me ajuda muito, porque eu olho um figurino e falo: caramba, por exemplo, uma composição de época, por exemplo. Então você tem o figurino do século XVIII, XIX, XV, da Grécia Antiga. Então, quer dizer, quem entende um pouco de moda ajuda bastante nesse ponto. Então, quanto mais experiência você tiver acumulada na sua vida, quanto mais coisas você fizer, a tendência é que você comece a conectar uma coisa à outra. Então, você liga a moda ao cinema, liga o cinema à filosofia, liga a filosofia ao mundo empresarial, e por aí vai, entendeu? É isso.

Símbolo da pirâmide e seus quatro pilares (19:29)

Eron Falbo: [19:37] Então, está aí que está o grande lance da pirâmide. Tipo, a gente tem vários ângulos que a gente explora na vida, e na medida que a gente vai amadurecendo, a gente vai chegando a um ápice que conecta tudo. Esse é o ápice que eu tô tentando promover.

Diego Cosac: [19:59] É algo sensacional, porque ela está presente não só nas culturas arcaicas, como no Egito Antigo, nas culturas pré-colombianas, dos incas, mas a pirâmide é o símbolo da maioria das grandes ordens de sociedades secretas, chamadas Societas. E aí a maçonaria, os Illuminati, todos eles tinham a pirâmide com o olho no meio como símbolo principal. Então o símbolo da pirâmide simboliza muito além do que a gente pode...

Eron Falbo: [20:30] Esse olho em cima da pirâmide, na nota do dólar... se você olhar pra nota do dólar, o olho é bem aqui, assim. É no topo da pirâmide. Por que é no topo da pirâmide? Porque o topo é o que conecta, entendeu? Todos os lados que estão separados. Se você olhar só um lado, ele acha que é autossuficiente, mas ele não fica perto e não foca nos outros lados, entendeu? O que eu tô falando é isso, tipo, pô.

Diego Cosac: [20:56] Destrutura, destrutura da pirâmide.

Eron Falbo: [20:59] É, exatamente. Então a ideia é essa, né? A ideia do Viva Total é essa ideia de que a gente tem, o que Pitágoras falava, isso, né? Que tem quatro lados da pirâmide, que é religião, política, ciência e arte, e o mundo é feito desses quatro lados, né? E todo ser humano tem dentro de si essa pirâmide, né? Então, aí assim, o que você... aí o que a gente tá explorando é isso, o Diego com a pirâmide do Diego. É isso que a gente quer explorar e descobrir, desenvolver até, né? E eu também, né? Todos nós.

Diego Cosac: [21:36] Todos nós. É, essa elucidação é fundamental pra todo mundo que quer aprender qualquer coisa na vida, né? Quem quer fazer a diferença em alguma coisa, né? E assim, eu acho que as pessoas se cobram muito. Você não tem que ser necessariamente o melhor, mas se você der o melhor de você, já é tão grande isso, já é tão maravilhoso, entendeu?

Eron Falbo: [22:02] Se você se expressar, se permitir, né? Desenvolver aquele lado seu, né?

Diego Cosac: [22:07] Claro, claro, claro.

Eron Falbo: [22:09] Já é muita coisa.

Diego Cosac: [22:11] Quando eu era mais novo, eu tinha uma certa paralisia de fazer as coisas, porque eu queria ser o melhor naquilo que eu fizesse. Então eu falava assim: se eu fosse cirurgião plástico, eu queria ser o Ivo Pitanguy. Se eu fosse um dançarino, eu queria ser o Michael Jackson. Se eu fosse um físico, eu queria ser o Einstein. Mas não é bem assim, porque não é você que define o que você vai ser, o que você vai deixar de ser. É uma série de fatores, inclusive a sorte ou o acaso, você tá no lugar certo, na hora certa, entendeu? Então nem todas as modelos do mundo vão ser a Gisele Bündchen.

Não se identificar e Dom Pedro II (22:20)

Eron Falbo: [22:49] E também, Diego, você não sabe o que você vai gostar. No começo você acha que vai gostar de tudo, que você... pô, não, quero ser Einstein, não sei o quê. Eu gosto um pouquinho de matemática, então quero ser Einstein. Mas no final você desenvolve sua vida assim, você vai vendo... não gosto tanto assim, não. Você vai se descobrindo, né? Você vai se desenvolvendo, vai se descobrindo.

Diego Cosac: [23:10] Não é só que você vai se descobrindo, você vai mudando também. Nós somos uma metamorfose, a gente vai mudando. Então, o que eu gosto há 10 anos atrás... talvez eu gostasse, gostava. Talvez eu não goste agora, entendeu? Então, quer dizer, há 10 anos atrás eu gostava de moda. E hoje eu prefiro cinema, entendeu?

Eron Falbo: [23:32] Total, total. E por isso que eu promovo tanto essa coisa de não se identificar tanto, né? Acho que essa coisa é dos nossos tempos, não achar assim: eu sou tal coisa, né? Pô, eu tô fazendo cinema, eu tô totalmente imerso hoje como cineasta, eu tô amando isso, né? Mas de repente, tipo, quem sabe, pô, você já foi em tanta coisa, eu tenho certeza, até porque a gente se conhece bem aí, eu tenho certeza que em breve aí outras milhões de coisas vão se desenvolver, vão se desencadear. E a questão é dizer sim. Dizer sim, obviamente, para aquilo que encaixa na gente, para aquilo que se comporta na nossa alma, que se comporta no nosso desejo mais profundo, vamos dizer.

Diego Cosac: [24:22] Exatamente, exatamente.

Eron Falbo: [24:24] Só que a gente tem que estar aberto para isso.

Diego Cosac: [24:27] Eu tenho um amigo que é deputado federal, e eu sempre, às vezes eu apresentava ele: 'o deputado fulano de tal'. Ele fala: 'eu não sou o deputado, eu estou o deputado.'

Eron Falbo: [24:38] É boa, justamente isso. Pra um deputado pensar assim é meio... o cara pensa fora da caixa.

Diego Cosac: [24:46] É, mas ele tem razão, né? Porque é um cargo eletivo, que tem quatro anos de duração, quer dizer... Então ninguém é deputado, a pessoa está deputado, né?

Eron Falbo: [24:56] É verdade.

Diego Cosac: [24:57] Diferente de um rei, aí a gente pode falar de monarquia: um rei que tem uma função vitalícia ali, um imperador, um rei, um monarca qualquer. Agora, um republicano, um político republicano, ele tem que ter a ideia de que está naquele período ali.

Eron Falbo: [25:16] Mas mesmo o rei, Diego, mesmo o rei... Porque você vai ver, tipo, pô, rei, qualquer coisa na vida, eu sou o rei. Você tá representando uma coisa, né? Você tá fazendo um papel, não é tudo o que você é. Tipo o Príncipe Charles, do teatro... Ele é um filantropo, cheio de talentos e interesses diferentes. O Dom Pedro II era assim também, né?

Diego Cosac: [25:44] Pedro II, então, sensacional. Acho que é o maior estadista que o Brasil já teve. Ele era botânico, ele era patrono das artes, ele era apaixonado por ciência e tecnologia, foi amigo de vários grandes... Bell, eu sei lá mais quem. E ele trouxe grandes inovações para o Brasil, como o telégrafo, que o Mauá estendeu para ele até Portugal. Então, Dom Pedro, para mim, é um exemplo máximo de um homem renascentista fora da Renascença, quer dizer, um homem que tem múltiplos talentos. Porque os homens renascentistas tinham... Isso é uma expressão, né? Homem renascentista. Então é isso. Vai, você tem uma estátua dele, né? O gosto dele é maravilhoso. Vossa Alteza Imperial. Vossa Alteza Imperial, Dom Pedro.

Eron Falbo: [26:43] Tirar um selfie com o Dom Pedro II.

Diego Cosac: [26:46] Exatamente.

Eron Falbo: [26:48] Então, Diego, vamos ver umas perguntas aí, vamos ver se o pessoal tem... E se ninguém fez pergunta aí, por favor, façam perguntas aí pra gente envergonhar o Diego o máximo possível e ver até onde a gente consegue chegar hoje. Indo bem pra caramba, cara.

Perguntas do público sobre rejeição (26:49)

Diego Cosac: [27:03] Ó, Raquel Rezende, que é amiga da sua avó, ela tá aí, um iluminista. Verdade, Raquel. Marisa Alfaro.

Eron Falbo: [27:11] Vamos ver aqui as perguntas. Cê tá vendo alguma pergunta aí?

Diego Cosac: [27:18] Não, pessoal, façam perguntas, pessoal. Vamos lá. Mas você tem alguma pergunta, Eron?

Eron Falbo: [27:24] Não, é porque eu tô entrando naquele meu negocinho pra ver as perguntas que as pessoas façam. Mas tudo bem, vamos continuar.

Diego Cosac: [27:30] A Mônica, um papo gostoso. Tá bom? Tá ótimo. Tô adorando.

Eron Falbo: [27:36] Então, vamos explorar a pirâmide de Diego, tá?

Diego Cosac: [27:42] Vamos lá.

Eron Falbo: [27:44] Me fala, eu já vi umas cruzes aí, se eu não me engano, ortodoxos, né? A minha família é de origem...

Diego Cosac: [27:52] Ortodoxa. Olha lá, ó! Ah, legal! Um dia cê vai.

Eron Falbo: [28:01] Obrigado, Raquel. Obrigado pela presença. Obrigado pelo carinho.

Diego Cosac: [28:05] Adoro a Lígia, a mãe dele. Tânia, viu?

Eron Falbo: [28:08] Muito obrigado.

Diego Cosac: [28:10] Raquel Rezende. Beijo, Raquel!

Eron Falbo: [28:13] Então me fala, como é que é o seu background religioso? O que você gosta? O que você já fez? O que você quer fazer?

Diego Cosac: [28:21] Olha, eu vou responder, mas a Denise tá perguntando qual foi o maior desafio como modelo e como cineasta. Posso responder ela primeiro?

Eron Falbo: [28:27] Pode, pode. Por favor, quem sou eu?

Diego Cosac: [28:29] O meu maior desafio como modelo foi lidar com os nãos, Denise. Quando você recebe um não, ainda adolescente, você tende a levar para o lado pessoal. Eu chorava quando eu não era escalado para um casting. Eu acho que o não é a coisa mais difícil na carreira do modelo, porque até você se acostumar a levar... Aí as pessoas me falavam: "Mas não é isso, é que você não era o perfil." Às vezes queriam um cara negro, um cara careca, um cara mais velho. E eu chorava, ficava realmente muito mal, sentindo que aquilo fere o seu ego, fere a sua imagem. E o adolescente tem uma coisa muito forte com a imagem. Enfim, e como cineasta, eu acho que a viabilidade de fazer cinema no Brasil, que não é fácil, é muito difícil. Então, eu acho que o meio ambiente no Brasil é hostil, ele não ajuda muito. E não tem ajudado ao mesmo tempo.

Eron Falbo: [29:25] Vamos voltar naquele assunto que eu achei muito interessante, de rejeição e tudo mais, porque isso, acho, é uma coisa que impede muitas pessoas. Então, a gente tá aqui pra inspirar as pessoas, tá aqui pra mandar uma mensagem positiva. Vamos tentar entrar nisso um pouco. Porque eu vejo, primeiro, acho que adolescente, ele acha que... A gente já falou isso antes, adolescente acha que pode tudo. Então, por isso que ele sente mais rejeição. Eu acho que na medida que a gente vai se tornando mais maduro, a gente vai sentindo que algumas coisas não são pra gente, né? A gente vê, assim, alguma coisa que a gente foi rejeitado, depois a gente vai ver lá e vê o resultado e fala: aquilo não era pra mim mesmo, aquilo lá, pô, não deu certo mesmo, não era meu estilo e qualquer coisa do tipo. Então, assim, o que você acha dessa ideia? Você concorda comigo? Você acha que isso te ajudou na medida que você foi crescendo, você foi melhorando isso?

Diego Cosac: [30:22] Ah, claro. A gente é como o vinho, a gente vai ficando melhor com o tempo. Eu acho que é um amadurecimento intelectual, mental e emocional que o modelo tem que ter, que no início de carreira ainda não é conhecido. Então ele vai receber não. O não faz parte. Aliás, o não faz parte da vida, não é só da carreira de um modelo. Mas isso fere você, porque eu comecei muito novinho. Então isso fere você quando você é adolescente. O adolescente tem uma questão com essa coisa de pertencer a algum lugar, né? O adolescente tá se formando como ser humano. Então ele quer pertencer, ele tem que pertencer. E aí você recebe um não... Sabe a música da Maysa Matarazzo? Meu Mundo Caiu. É aquilo, entendeu? Meu mundo caiu. Você aprende a levantar e continua, né?

Eron Falbo: [31:27] Mas eu acho que a mensagem é que tem que aprender a levantar, porque uma hora você vai sobressair isso, uma hora você vai amadurecer.

Diego Cosac: [31:34] Exatamente. Não, olha, a Sophia Loren e a Gisele Bündchen, que são duas das mulheres mais lindas de todos os tempos, cada uma numa época, ficaram em segundo lugar no primeiro concurso de beleza delas. Tanto a Sophia Loren quanto a Gisele Bündchen. Então, se a Gisele Bündchen...

Eron Falbo: [31:51] Eu não acredito, não.

Diego Cosac: [31:53] A Sophia Loren e a Gisele Bündchen, em segundo lugar, meu irmão! Tá tudo certo!

Eron Falbo: [32:00] E outra coisa que eu adoro assistir é um screen test do Marlon Brando tentando fazer o Rebelde Sem Causa, que o James Dean ganhou depois. Sabe, o James Dean fez Rebelde Sem Causa. O Marlon Brando tentou fazer isso, foi rejeitado. Ele só foi fazer o primeiro filme dele bem depois, entendeu? Então, porra, o Marlon Brando foi rejeitado, sacou?

Diego Cosac: [32:30] Eu lembro do Billy Crystal, que é um comediante, ator, e até apresentou o Oscar muitas vezes. Ele tava conversando com a Sophia Loren, e a Sophia Loren falou assim com ele que ela tinha ficado em segundo lugar. Aí ele virou e falou assim: me apresenta a mulher que ficou em primeiro, porque ela deve ser sensacional.

Eron Falbo: [32:50] Deve ser esquecida.

Diego Cosac: [32:52] Ela tá perguntando o que houve com a minha sobrancelha. As minhas sobrancelhas são falhadas, meu. Na época de modelo, eu passava um lápis nas sobrancelhas, mas elas sempre foram falhadas assim mesmo. Aí ele estava falando da religião, o Arthur está perguntando, fala da religião. A minha religião é o seguinte: eu sou de origem russa, minha família, russa e árabe, e nós somos ortodoxos, a família é ortodoxa. Então eu sempre segui o cristianismo ortodoxo, que é a religião vigente na Rússia. E em outros países, como os países árabes, a Grécia, também tem as suas igrejas ortodoxas. Então, eu nunca segui o Papa, eu sigo o patriarca, que é o líder máximo da igreja lá.

Religião ortodoxa e experiências com ocultismo (33:21)

Eron Falbo: [33:43] Aqui no Brasil, pouca gente conhece. Explica um pouquinho sobre isso, o que aqui no Brasil a pessoa não conhece.

Diego Cosac: [33:48] O católico ortodoxo, ele é católico também, mas é de um outro rito, que é o rito grego. Ele, por exemplo, não segue o Papa, mas o patriarca. Ele não segue a igreja de Roma, mas a igreja de São Petersburgo. E ele tem algumas diferenças básicas. Por exemplo, o católico faz assim o sinal da cruz, o ortodoxo faz assim o sinal da cruz, ao contrário. Por exemplo, o padre pode casar na igreja ortodoxa; na igreja católica, não, porque o celibato, o voto de castidade, não permite. Mas assim, eu acho até isso mais saudável, do padre poder casar, eu acho, entendeu? Mas assim, tem algumas diferenças, mas basicamente é uma igreja que rompeu com a outra. Houve um rompimento da igreja católica apostólica romana, do Vaticano, e criou-se uma dissidência que é a igreja ortodoxa russa e a grega. São ritos diferentes. Mas assim, também participei de algumas ordens iniciáticas, eu fui do DeMolay, fundei Arcanos Santos Ângelos, que hoje é uma ordem com muitos membros.

Eron Falbo: [35:08] Mas explica o que é.

Diego Cosac: [35:09] Eu era chanceler da ordem. É uma ordem fráter, uma ordem fraterna, é como se fosse uma maçonaria, entende? É isso. E a gente, o propósito era estudar teologia, teosofia, os grandes fenômenos do ocultismo. Eu sou ocultista. Inclusive, eu já escrevi, tá escrito um roteiro sobre isso. E eu quero produzir um filme de vampiro. Aliás, é um dos meus próprios projetos. E assim... Ah, que bom! O que tá acontecendo com o vampiro? Podia ser um vampiro.

Eron Falbo: [35:52] Mas eu pareço um vampiro? Que isso?

Diego Cosac: [35:55] Ué, mas os vampiros são bonitos e aristocráticos, são sim. Mas assim, todo vampiro é um conde, é alguma coisa assim.

Eron Falbo: [36:07] Não, tô ligado.

Diego Cosac: [36:08] A minha religião é o cristianismo mesmo, e eu acredito piamente nos milagres, em tudo. Agora, como eu me envolvi com essa coisa de ocultismo e tive algumas experiências paranormais em relação a isso, eu realmente... O meu quarto, você pode ver que ele... Aqui, ó, ele é cheio de proteção, porque eu levo muito a sério esse tipo de coisa. Então é isso.

Eron Falbo: [36:41] Diego, mentalismo, gênero... Vamos ver se tem mais perguntas. Acho que tinha mais perguntas.

Diego Cosac: [36:47] Vamos lá. Então, respondendo assim, o mentalismo não chega a ser um subgênero, mas é uma forma de crença, é uma forma de você se concentrar, que nem uma espécie de, vamos supor, quando você precisa meditar ou alguma coisa. O mentalismo é fundamentado, sim, no ocultismo.

Eron Falbo: [37:18] Bom, não tem muita pergunta, não. Pessoal, façam mais perguntas. Tinha uma pergunta aqui do Ricardo Tambores, que eu não tô conseguindo achar.

Diego Cosac: [37:26] Vampiros seriam sucubus e incubus ou ainda pessoas que fazem sincronismo? Sim, incubus e sucubus são vampiros de energia, são vampiros energéticos. Acredita-se em muitas culturas e crenças arcaicas que eles conseguiam se materializar no corpo de homens e mulheres extremamente atraentes pra seduzir os viajantes e as pessoas. Naquela época se viajava muito de um feudo pro outro, de uma cidade pra outra.

Eron Falbo: [37:59] O que eu acho muito legal é pegar essas coisas do ocultismo que antes eram assim, fantasiosas, arcaicas e arcanas, né? E muito cheio de linguajar e tudo mais, e trazer mais pra realidade prática, né? Até hoje existe sucubus e incubus, entendeu? Existem pessoas que se alimentam da vulnerabilidade dos outros, existem pessoas que se aproveitam, entendeu? Etc.

Diego Cosac: [38:28] Tá. Tradicionalmente, na mitologia, eles são vampiros de energia que se alimentam da energia sexual das pessoas. Por isso que muitas religiões condenam a masturbação. Porque você canaliza uma energia sexual que não é liberada pra lugar nenhum, quer dizer, não tem um outro corpo pra trocar a energia. E os incubos e sucubos, eles se alimentariam disso, entende?

Eron Falbo: [38:59] Bom, mas Diego... Acho que vamos trocar de assunto, porque senão a gente vai ficar aqui o resto da noite. Isso é intenso, você sabe, né? Isso aí pode, daqui a pouco... A Alessandra começou a ficar empolgada. Então, vamos falar sobre... Bom, a gente já falou sobre sua parte artística bastante. A gente já falou sobre sua parte religiosa, acabamos de falar, né? Você é uma pessoa super intensa religiosamente. Vamos ver política. Política que eu acho que é junto com negócios, né? Quando o Pitágoras fala, política é junto com negócios. Você já falou um pouquinho que você é dono de uma empresa, que você teve o seu histórico de empresa. Mas você falou nessa conversa que você é simpatizante da monarquia. Como é que foi isso? Como é que você descobriu isso? Por que isso?

Defesa da monarquia parlamentarista (39:22)

Diego Cosac: [39:54] Bom, o negócio é o seguinte, vamos lá. A minha família é de origem russa, e eles lá na Rússia eram aristocratas, porque eles eram os cossacos russos, que começaram como nômades, e depois o czar resolveu aderi-los ao seu contingente, porque ele não conseguia ir contra. Então é aquela coisa, já que você não vai contra alguma coisa, se associa a ela, se alia a ela. E os cossacos eram guerreiros miticamente imbatíveis, nômades. E os czares russos, os imperadores, passaram a abrigá-los ao seu contingente. Então os cossacos ficaram à frente da infantaria e da cavalaria russa, da Rússia imperial.

Eron Falbo: [40:38] Viraram tipo os guerreiros de elite.

Diego Cosac: [40:40] Guerreiros de elite. Então, a minha família descende, o sobrenome Romanov, exatamente, ele descende dessa linhagem, entende? Daí o meu sobrenome Cosac vem dos Cossacos. E, assim, eu sempre tive um pé na monarquia, mas, assim, isso só fez sentido na minha cabeça há uns 10 anos atrás, ou talvez um pouquinho mais, quando eu resolvi entrar pro Círculo Monarca do Rio de Janeiro, e aí eu tive contato com a família Orléans e Bragança e tudo, já recebi eles no Hotel da Família, no Hotel Novo Mundo, já fui em inúmeras missas com eles no Outeiro da Glória, que é a igreja oficial deles e tal. Então, eu resolvi abraçar. Por que eu acredito que a monarquia seja o regime, o sistema de governo mais eficiente? Primeiro que eu acho que essa alternância de poder pode ser prejudicial. Então entra um, sai outro, entra um, sai outro. De quatro em quatro anos é um tormento, é um martírio no Brasil e no mundo pra se eleger um novo presidente. Eu acredito que a figura de um monarca impõe mais respeito internacionalmente também. Então você tem os países mais avançados do mundo são monarquias: Inglaterra, Holanda, Bélgica, Espanha, Noruega, Suécia, Dinamarca, Luxemburgo, Japão, Mônaco, Dubai. Então, quer dizer, todos esses países são monarquias, né? E eu acho que quando você tem a figura de um monarca, muda também o comportamento da população para com o seu líder, entende? É uma figura que impõe mais respeito que um presidente da república.

Eron Falbo: [42:47] Então, acho que é por aí. O Gleiton tá falando que é interessante ser monarquista há um pouco mais de um ano. Fala aí, Gleiton, por que você virou monarquista? Vamos conversar. Desculpa aí, Diego. Continua, continua. O que você estava falando?

Diego Cosac: [43:00] Não, é isso. Quer dizer, se você for observar, as nações mais avançadas, mais desenvolvidas, são monarquias. Entende?

Eron Falbo: [43:09] A Raquel está falando, mas são monarquias parlamentares. Claro, a gente defende... Eu e Diego, a gente concorda com isso. A gente defende a monarquia parlamentarista mesmo, como era no Brasil na época de Dom Pedro II. O Brasil iniciou-se com uma espécie de governo... Como a Inglaterra!

Diego Cosac: [43:27] É a Inglaterra! A Inglaterra é assim.

Eron Falbo: [43:29] É, como a Inglaterra, que é o grande exemplo do país mais estável da história da humanidade. O país que mais se manteve firme. E o próprio Brasil era assim. Claro que o Brasil teve várias fases, mas no final estava cada vez mais democrático, cada vez mais parlamentarista. E cada vez mais próspero também.

Diego Cosac: [43:51] Exatamente.

Eron Falbo: [43:53] Mas sim, com certeza parlamentarista, Raquel. Pode ter certeza.

Diego Cosac: [43:58] Parlamentarista, parlamentarista.

Eron Falbo: [43:59] Absolutista. Só tem uma coisa pior do que absolutista, que é uma república.

Diego Cosac: [44:07] O absolutismo de direito divino é o que tem, por exemplo, na Arábia Saudita, é o que tem no Dubai, é o que tem no Japão, se eu não me engano. E é o que tem em outros lugares. Eu acho que é poder demais também na mão de uma pessoa só. É uma espécie de tirania, uma espécie de ditadura. Precisa do parlamento, sim, até porque o parlamento é a casa do povo, representa o povo. Então, na Inglaterra, por exemplo, tem a House of Commons, dos comuns, e tem a House of Lords, a casa dos lords. Então, cada um tem um peso. Então, uma representa a monarquia dentro do parlamento, e a outra representa o povo. Representa a população.

Eron Falbo: [44:58] E uma coisa muito interessante que você vê, tipo, nos Estados Unidos e no Brasil, e em muitos lugares do mundo, obviamente, você vê muito essa dualidade entre direita e esquerda, né? As pessoas se identificam com um lado, conservador, liberal, direita e esquerda, e ficam muito firmes nessa coisa. Em monarquias, isso é menos comum. Porque em monarquia você tem direita e esquerda, você tem para o governo, para o primeiro-ministro, para os partidos e tudo mais. Mas você sempre tem um monarca regendo acima da direita e esquerda. Tanto que na Inglaterra a oposição se chama Her Majesty's Opposition. Se chama a oposição em nome de sua majestade. Então ela não está tentando derrubar o governo, ela não está tentando derrubar o Estado, ela está tentando repor o governo com melhores coisas. Aqui no Brasil, por exemplo, a oposição é desleal. A oposição, não importa quem é, Bolsonaro, Lula, tanto faz. A oposição tá sempre tentando destruir o governo atual. Tá tentando... É tipo Nero, né? Tá tentando tocar o violino.

Diego Cosac: [46:02] Ó, deixa eu te mostrar um negócio interessante aqui, ó. Aqui, ó. Vou dar um... Aí, ó. Isso aqui é o brasão dos Cossacos, tá vendo? Aqui atrás de mim. É o brasão deles, tá vendo?

Eron Falbo: [46:16] Ah, boa, boa.

Diego Cosac: [46:18] É, fica aqui no meu quarto esse brasão. Mas assim, é isso que você está dizendo. De 4 em 4 anos também a gente passa um sufoco para eleger novo presidente. E muitas vezes 4 anos não é o suficiente para um presidente conseguir estabelecer tudo o que ele quer estabelecer. Na maioria das vezes é insuficiente esse tempo. Então, ele começa um projeto e aí o sucessor dele, por uma questão de vaidade, não continua. Isso é muito comum. Com o governador, com o prefeito e com o presidente, né? Então, ela não é da minha gestão. Não é da minha gestão, então, eu não vou fazer mais, entendeu? Ah, aquele projeto foi feito pelo fulano de tal. Não, isso não vai me eleger.

Eron Falbo: [47:11] Então, aqui na Inglaterra tem uma certa continuidade porque existe uma estrutura do Estado, porque todo mundo pensa que a rainha da Inglaterra não tem poder nenhum. Mas não é bem assim. Ela é a cereja do bolo de uma estrutura social inteira. Existe uma aristocracia, existe uma corte, existe um palácio, existem regras, existem costumes, existe um monte de coisa que ela está lá sustentando. E aqui no Brasil não existe nada disso. Aqui só existe, a cada quatro anos, uma nova pessoa entrando, estragando tudo, colocando outra coisa. Então, na Inglaterra, um dos primeiros países democráticos da modernidade, se não o primeiro, deve ser o primeiro país democrático da modernidade, o primeiro que instalou o parlamento e começou a difundir o poder do rei, etc. Então, assim, muita gente acha que monarquia é antidemocrático, mas, na verdade, é ao contrário. Pelo índice de democracia do mundo, os países mais democráticos do mundo são monarquias, 9 dos 10 maiores países são monarquias.

Diego Cosac: [48:16] É, indiscutivelmente a monarquia deu certo em muitos lugares do mundo, coisa que a república nem sempre dá, até porque na república você pode ter a qualquer momento um golpe de governo, alguma coisa, um querendo tirar o outro. Aí tem oposição, tem esquerda, tem direita, tem oposição e tem governo. Enfim, é uma confusão muito grande. Eu realmente acho, falei vários aí, Holanda, Noruega, Dinamarca, Inglaterra, vamos lá, Mônaco, Luxemburgo, tantos que deram certo.

Eron Falbo: [48:48] Então vamos seguindo para o próximo assunto, acho que a gente estabeleceu a sua ideologia política e já fez uma propaganda boa aqui para o pessoal. Agora resta o último lado da pirâmide. Tem arte, tem política, que a gente falou agora, tem religião, que a gente já falou, e o último é o mais complicado, até pra mim, assim que eu digo. E o último é ciência. E ciência, quando eu digo ciência, é exploração. Exploração do cosmos, que muitas vezes tem a ver também, como você falou, com o ocultismo, né? Eu acho que isso pra mim tem muito a ver com ciências ocultas, né? Eu acho que todo ser humano tem esse desejo dentro de si, de não deixar espaços nublados no cosmos. A gente tem uma curiosidade, a gente tem uma... Eu acho que isso é por amor. Sinceramente, acho que isso é por amor a essa vida, a isso que a gente tem de presente, essa existência que a gente tem e tudo mais. E acho que muitos cientistas modernos não veem dessa forma. Vêem como estamos aqui explorando tecnologia, mais coisas. Só que eu acho que o ponto de onde vem tudo isso é por uma vontade de abraçar, uma vontade de se unir com tudo. Aí eu queria saber da sua experiência com isso, com a exploração. Pode ter a ver com a exploração da natureza, com pesquisa, com o que quiser.

Ciência, criptozoologia e encerramento do papo (49:16)

Diego Cosac: [50:24] Então, eu acho que a ciência Ela é a maior aliada da religião. Ao contrário do que muita gente pensa, a ciência vem provando coisas que a religião já antecipava. Então, por exemplo, hoje se sabe que a gente é feito de matéria e de energia. E isso foi explicado, tentou ser explicado muito no mundo arcaico, no passado. A religião, ela catapulteia uma ideia, seja através da mitologia, seja através dos livros sagrados. E aí você tem o Torá, você tem o Alcorão, você tem a Bíblia, você tem os livros budistas, enfim. E aí, através dela, através dessa ideia que surge na religião, a ciência vem para comprovar. Então, eu diria que 80% do que se disse, não é que já se provou, mas vem se provando. Um exemplo disso, muito claro, é o que se chama de criptozoologia. Você sabe o que é isso? Criptozoologia é uma pseudociência que visa desvendar os animais miticamente avistados, pouco avistados, ou mitológicos. Então o monstro do Lago Ness é o Sasquatch, o pé grande. O unicórnio, então, quer dizer, a criptozoologia deu uma contribuição importante para a ciência tida como tradicional. Como, por exemplo, o selacanto, que era um peixe da Era Devoniana, que já foi encontrado um fóssil vivo na costa da África do Sul. A lula gigante, o dragão de Komodo, quer dizer, isso tudo eram fantasias alucinadas na cabeça das pessoas que hoje se provaram tão reais quanto eu e você.

Eron Falbo: [52:34] Você vê que uma coisa não tá separada da outra, né?

Diego Cosac: [52:37] Exatamente. Então, a criptozoologia, ela deu uma contribuição importante. Não é só o monstro do Lago Ness, não é só o o pé grande. São muitos e muitas espécies que se julgavam mitológicas ou extintas e que, na verdade, estão aí. A ave do paraíso também. A ave do paraíso também.

Eron Falbo: [52:56] Tem uma coisa que que eu que eu vejo é o seguinte, que antigamente, né? No mundo antigo, Esses quatro lados da pirâmide que a gente tá falando não eram separados. O cara que era religioso, ele era cientista também. Você pode ver Platão, Aristóteles, eles são extremamente fios.

Diego Cosac: [53:14] Galileu, Galileu.

Eron Falbo: [53:17] Eu acho que tem a ver com isso. Ih, caramba, a gente tem 30 segundos restantes. Vamos dizer tchau. Muito obrigado, Diego, pela sua presença.

Diego Cosac: [53:26] Obrigado, Diego.

Eron Falbo: [53:27] Tchau a todo mundo.

Diego Cosac: [53:28] Obrigado. Tchau.

Eron Falbo: [53:31] Muito obrigado mesmo. A gente se fala uma próxima, vamos sempre se falar no live pra todo mundo ver.

Diego Cosac: [53:38] Vamos fazer outras lives, vamos fazer outras lives.

Eron Falbo: [53:41] Vamos fazer outras lives. Valeu, tudo de bom.

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